terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Raça Abominável - Os Terríveis Tcho-Tcho


As lendas são verdadeiras quando afirmam que foi Chaugnar Faugn, o Horror das Colinas quem criou os Tcho-Tchos. Ele misturou o sangue de seus servos, os anões batráquios Miri Negri com o sangue dos primeiros homens que o adoravam. O resultado foram as aberrações que atendem pelo nome de Chaucas, Tochoas, Tsotsowas ou Tcho-Tchos. Não são homens completos, mas uma raça proto-humana nascida do cruzamento promovido por um deus maligno e cruel.

Sua estatura é baixa, parecendo homens diminutos que não ultrapassam 1,40 m, tendo como altura mediana 1,20m à 1,25m. Diferente de anões, eles tem o corpo delgado e atlético não evidenciando qualquer traço típico de nanismo. A pele possui uma compleção cor de barro cozido, o crânio é levemente arredondado com uma estrutura óssea bem definida. A maioria deles é calvo, sem apresentar pêlos faciais ou corporais de qualquer natureza. A miscigenação, no entanto, concedeu a alguns características mais humanas, o que inclui cabelos escuros e lisos formando uma tonsura no alto do escalpo.

Os olhos são pequenos e negros, alguns acreditam que adaptados ao ambiente noturno possibilitando uma visão mais apurada à noite, sem dúvida um benefício herdado dos Miri Nigri que viviam exclusivamente em subterrâneos. O nariz em geral tem formato aquilino e a face angular com o queixo bastante pronunciado. Os dentes pequenos e brancos são lixados até adquirir um formato pontiagudo e se tornar afiados como navalhas. Os Tcho-Tchos são omnivoros, contudo a dieta da carne se mostra de extrema importância uma vez que possui fundo ritualístico.

É comentado que os Tcho-Tchos possuíam apenas quatro dedos nas mãos e pés e que entre eles haviam uma espécie de membrana. Se essas características são verdadeiras, muito provavelmente se referem a espécimes mais antigos. Os Tcho-Tchos atuais possuem membros semelhantes aos humanos.

As mulheres raramente são vistas fora de suas aldeias, escondidas nas profundezas de cavernas. Elas são discriminadas e impedidas de participar dos rituais religiosos. As razões dessas restrições são ignorados. As fêmeas não amamentam seus bebês, aparentemente elas não produzem leite ou possuem um ciclo mestrual similar ao das mulheres humanas. A reprodução entre os Tcho-Tchos puros não é inteiramente compreendida. São poucos os nascimentos em cada tribo, o que mantém o número de indivíduos sob controle. Há uma suspeita de que muitas das mulheres nascem estéreis o que força os Tcho-Tcho por vezes a atacar outras tribos humanas em busca de mulheres que sirvam para fins de reprodução.

Os Tcho-tchos vestem roupas rústicas de pele e adereços de ossos, músculos e tendões. Roupas mais fortes e quentes são usadas por aqueles que vivem em climas mais agressivos como no Nepal. Os Tcho-Tchos da India e das Ilhas Andaman, no entanto, tendem a usar pouca ou nenhuma roupa. Enfeites e adereços são bem mais comuns, sendo que a arte na pele através de pinturas ou tatuagens é praticada por quase todas tribos. Tatuagens com padrões geométricos e marcas rituais feitas com ferro quente e escarificação são usadas com distinção. Os mais velhos possuem a pele ressecada e curtida como couro batido, com profundos vincos e rugas. Feiticeiros podem vestir roupas ritualísticas feitas com couro ressaltando sua importância.

A relação dos Tcho-Tchos com os deuses negros é bastante conhecida. Eles empreenderam uma árdua jornada em direção ao Leste, atravessando vastas montanhas e terras desoladas rumo a Ásia central onde se estabeleceram. Nessa região isolada aprenderam muito a respeito dos Antigos e passaram a venerar outras entidades do passado ancestral da Terra.
Ao lado: Imagem sobre manuscrito do século XIII, Shanxi History Museum, Xi'an, China.

Os Tcho-Tcho de Sung adoram Zhar e Lloigor, as obscenidades gêmeas, confinadas nas profundezas da cordilheira de Tsang. No Tibet e Nepal a adoração a Chaugnar Faugn é mais difundida, nas Ilhas Andaman e sul da India, Atlach-Nacha é a entidade reverenciada, em outros enclaves do sub-continente, eles pagam tributo a Hastur e Shub-Niggurath. Para alguns foram essas entidades que saciaram a sede de conhecimento profano dos Tcho-Tchos e que os nutriram com poder, em troca de sua adoração e da promessa de servir as divindades quando elas despertarem.

Os Tcho-Tcho praticam magia negra e em seus rituais perversos invocam forças adormecidas e criaturas de esferas distantes. Dimensional Shamblers e Shantaks são as criaturas que eles costumam invocar mais comumente sobretudo quando enfrentam inimigos ou invasores. Existem rumores que os Tcho-Tcho conhecem Ghouls e negociam com eles.

Os deuses são honrados com o sangue de sacrifícios e as mais malignas torturas. Nenhum povo é mais cruel nas artes da dor e do sofrimento que os Tcho-Tcho. Descrições das mais medonhas torturas são abundantes nas crônicas que se referem a esse povo.

Os Tcho-Tcho também são ferozes guerreiros, apesar de sua estatura, eles chacinam seus inimigos com extremo prazer, se alimentando dos prisioneiros, muitas vezes devorando-os enquanto ainda estão vivos. Cortando-lhes a carne para confeccionar roupas e adereços bizarros. No frenesi da batalha, os Tcho-Tcho não param por nada e não poupam ninguém. A selvageria deles é tamanha que segundo relatos de nômades nepaleses, para escapar do tormento da captura muitos preferiam se atirar de montanhas ou ravinas.

Para os nepaleses, os Tcho-Tcho são demônios que se alimentam de sangue. Eles vagam entre o mundo dos vivos e a terra dos sonhos e quando surgem promovem massacres. As armas mais comuns, usadas pelos Tcho-tchos são lâminas curtas e afiadas, lanças com ponta aguda de osso e em alguns casos adagas encurvadas de lâmina dupla. Em seus ataques furtivos empregam arcos e flechas, dardos envenenados disparados por zarabatanas e pedras com a borda afiada. É sabido que os guerreiros sempre buscam novas armas e se adaptam rapidamente a objetos que podem ser usados para matar e ferir.

As aldeias nas encostas e monstanhas ou nas profundezas de cavernas são sempre recobertas de ossos e da carcaça de suas vítimas que alertam invasores do que espera por eles se invadirem seu território.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Tribo Maldita - Os Abomináveis Tcho-Tcho



Biografia Literária

O povo Tcho-Tcho foi citado pela primeira vez pelo escritor americano August Derleth em 1933 no conto "The Thing That Walked on the Wind" (A Coisa que andava no Vento), onde um personagem se refere brevemente a "maldita presença do Povo Tcho-Tcho de Burma". Naquele mesmo ano, em "The Lair of the Star-Spawn", co-escrito por Mark Shores, Derleth expande o conceito dos Tcho-Tcho, descrevendo-os como um povo de baixa estatura, calvo que venerava as entidades gêmeas Lloigor e Zhar em uma região remota da Asia Central. A ferocidade e os costumes blasfemos dos Tcho-Tchos seriam verificados pela primeira vez nesse excelente conto.

Em "The Shadow out of Time" (A Sombra fora do Tempo) de 1936, H.P. Lovecraft, os descreve como "abomináveis". E o viajante mental, Nathaniel Peaslee conversa brevemente com a mente de um shaman Tcho-Tcho que compartilhava de sua condição no passado remoto da Terra.

Na novela "Black Man With a Horn", de T.E.D. Klein, publicada em 1980, os Tcho -Tcho são descritos por um missionário norte-americano como "o povo mais desagradável que jamais viveu no planeta" e mais adiante ele diz que "eles (os Tcho-Tcho) vivem em montanhas isoladas há séculos, e seja lá o que estiverem fazendo, jamais permitirão que estranhos se aproximem".
Em todos os contos com a presença dos Tcho-Tcho fica óbvia a sua conexão com as forças dos Mitos Ancestrais, tamanha a proximidade dessa raça com estes seres que alguns autores se referem aos Tcho-Tchos como a mais humana raça dos Mitos. Embora "humanidade" e Tcho-Tchos tenham muito pouco em comum.

O Mito

No RPG Call of Cthulhu, os Tcho-Tcho são apresentados como um povo degenerado e canibal que venera um grande número de entidades obscuras. As tribos habitam não apenas o centro da Asia, mas a região que se estende do subcontinente indiano, incluíndo as míticas Ilhas Andaman no Oceano Indico, passando pelo sudeste asiático, Nepal, Tibet, Malásia, China e Mongólia.

Mas quem é esse povo medonho? De onde vieram? Quais são seus planos?

Os Tcho-Tcho são habitantes no Platô de Leng na Asia Central, embora a presença de aldeias tenha sido confirmada no Platô de Sung, em Burma (atual Myanmar).

Segundo as lendas de sua criação, no início dos tempos, o Deus Chaugnar Faugn criou uma raça de anões humanóides chamados Miri Nigri a partir de anfíbios pré-históricos. Os Miri Nigri eram serviçais de Chaugnar Faugn e realizavam sacrifícios em sua homenagem. O cruzamento de Miri Nigri e humanos primitivos que também reverenciavam Chaugnar Faugn, deu origem aos Tcho-Tchos. Esta raça proto-humana de baixa estatura, iniciou um processo migratório para o Leste, desde a sua terra natal nos Pirineus, carregando a estátua de Chaugnar Faugn para sua nova morada. Em meados do século II, eles passaram a ser conhecidos como Tochoans, um povo selvagem que habitava a região hoje pertencente ao Afeganistão e cercanias. No século V, segundo as lendas eles já habitavam as montanhas do Tibet.

Uma estória alternativa afirma que o povo Tcho-Tcho é originário do Grande Abismo nas Dreamlands. Eles teriam cruzado a barreira dos Sonhos na cidade de Sarkomand, e depois se refugiaram no Planalto de Tsang, no Tibet. De acordo com esse mito, os Tcho-Tcho eram servidores dos Deuses Antigos enviados para proteger o covil subterrâneo das divindades Lloigor e Zhar, aprisionados no interior das montanhas. Os Tcho-Tcho segundo essa lenda se veriam obrigados a permanecer nessa região isolada até que as estrelas estivessem corretas marcando o retorno dessas entidades.

É pouco provável que os próprios Tcho-Tcho conheçam sua verdadeira origem.

Estudos antropológicos, discutem que os Tcho-Tchos são genéticamente incompatíveis com a maior parte dos gêneros humanos, e que a raça como um todo experimentou uma ruptura na linha genética antes da evolução dos hominídeos para homo-erectus. Alguns estudiosos postulam que os Tcho-Tchos são tão diferentes geneticamente que podem constituir uma espécie destacada na cadeia evolucionária, uma espécie de elo perdido. Teorias sobre esse tema ainda encontram forte controvérsia e resistência na comunidade científica internacional.

Além de Chaugnar Faugn, os Tcho-Tcho também veneram Zhar, Lloigor, Shub-Niggurath, Hastur, Atlach-Nacha. Seus costumes são pouco conhecidos, mas acredita-se que sejam praticantes de canibalismo e outros rituais considerados como tabu na maioria das sociedades humanas.

Dois estudos antropológicos falam a respeito dos misteriosos Tcho-Tcho, lançando uma luz sobre esse enigmático povo. O primeiro é "A Origem do Mito Tcho-Tcho" de Reynald Blois editado em 1921, em Saigon. A tese escrita pelo antropólogo americano James Houghton em 1927, intitulada "Tcho-Tcho: Mito ou Realidade?" também é uma fonte de informações valiosa sobre esse povo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Edgar Allan Poe (enfim) descansa em paz

O escritor americano Edgar Allan Poe, considerado um dos mestres do conto e da literatura fantástica, descansa finalmente em paz, depois que a cidade de Baltimore, no estado de Maryland, ofereceu a ele - 160 anos após sua morte - o funeral que nunca teve.

Quando Allan Poe (1809-1849) morreu há mais de um século, seu enterro passou despercebido e apenas uma dezena de pessoas puderam participar dele.

Mas no dia 11 de Outubro, Baltimore transformou o segundo funeral do mestre do suspense em uma grande homenagem, visto que realizou não um mas dois serviços fúnebres às centenas de cidadãos que queriam dar ao escritor seu "último adeus".

Desde quarta-feira, centenas de pessoas, muitas com roupas e indumentária de época, passaram pelo Museu Poe dedicado ao mestre do terror, onde a cidade instalou uma pira com uma réplica do corpo do autor.

Quando Edgar Allan Poe morreu em 1849, aos 40 anos de idade, seu falecimento não se tornou público, por isso não mais que 10 pessoas foram se despedir dele.

De seu segundo funeral participaram inclusive estátuas de cera de outros ilustres mestres do gênero como Alfred Hitchcock, H.P. Lovecraft e Arthur Conan Doyle. Os amigos de Allan Poe, admiradores e artistas da época, "compareceram" interpretados por atores, que participaram do funeral ocorrido nas celebrações do bicentenário do nascimento do escritor.

Baltimore dedica todo o ano de 2009 a honrar a figura e a obra do mestre do horror gótico, que nasceu em Boston, mas que morreu nesta cidade portuária, próxima a Washington.

(Fonte: Agência EFE)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Galeria do Terror - As obras de Pickman

A seguir uma galeria de telas que poderiam muito bem ser obras primas assinadas por Richard Pickman.

"O Banquete dos Famintos" (1926)

Obra em óleo sobre canvas. Arrematada pelo Museu de Arte Moderna da Nova Inglaterra.
Foi a obra atacada por um ex-seminarista em 1977 e parcialmente destruída.
Posteriormente a tela desapareceu do Museu de Arte Moderna. Suspeita-se que ela tenha sido roubada e vendida a um colecionador.
A testemunha solitária, em segundo plano para alguns é o próprio Pickman observando das sombras.

"Estudo cadavérico à meia luz" (1923)

Óleo sobre canvas.
A obra foi comprada pelo escritor Jackson Elias, um famoso aventureiro norte-americano interessado no estudo de cultos e religiões. O quadro segundo rumores foi pintado por Pickman após uma incursão noturna no maior cemitério de Boston.
Após a morte de Elias, a tela foi doada ao Museu de Arte Moderna da Nova Inglaterra em Boston. Ele fez parte da coleção apresentada em 1969 por Noah Crysholm.


"Salomé" (1925)
Óleo sobre madeira.
Encomendada pelo poeta Edward Pickman Derby como presente a sua esposa Asenath Waite. A tela é provocativa e demonstra um estilo diferente com cores leves.
O rosto de Salomé é uma representação de Asenath Waite, enquanto a cabeça na bandeja acredita-se seja uma representação de Derby com uma longa barba simulando João Batista martirizado. Considerando que o casamento dos dois terminou de forma violenta é preciso se dar mérito ao caráter premonitório da obra.

"Os Vermes da Terra" (1924)

Óleo sobre canvas.
Uma das mais polêmicas obras de Pickman produzida durante a fase em que ele buscava se espelhar em Henry Fuseli.
O quadro ganhou notoriedade por ter sido comprado pelo controverso Anton LeVey, fundador da Igreja de Satã. Acredita-se que a obra era exposta em um lugar de honra em um dos templos de LeVey na Califórnia.

"O Sorriso do Predador" (1929?)
Óleo sobre canvas
O quadro embora assinado e reconhecido por experts como uma obra de Richard Pickman ainda é contestado uma vez que apareceu após seu misterioso desaparecimento em 1926.
Alguns conhecedores afirmam que a figura central na tela é o próprio Pickman em uma forma sardônica e que a janela retratada é parte de seu estúdio secreto no Centro de Boston.
Especialistas dizem que essa obra seria peça chave para se encontrar obras inéditas de Pickman, escondidas no loft secreto em que ele trabalhou por anos antes de desaparecer.
"O Regresso dos Magos" (1919)

Óleo sobre prancha de madeira.

Uma das primeiras obras de Pickman expostas na controversa mostra de arte moderna na Galeria Tuttle em Boston.
A tela faz parte da coleção dedicada a religiosidade chamada de "Sacrifício". Alguns afirmam que trata-se de uma visão do inferno, mas Pickman discordava dizendo que aquela era uma concepção terrena.

"Sobrevivente Solitário" (1918)

Óleo sobre tela.
Uma das poucas telas marinas de Pickman, um artista notoriamente urbano. A obra é uma alegoria ao notório naufrágio do Gustafson, um navio dinamarques cujos sobreviventes tiveram de apelas para o canibalismo para sobreviver a semanas em alto mar.

"O Modelo" (1926)

Óleo sobre canvas.
Uma das obras mais conhecidas de Pickman. Ela mostra uma paisagem retirada do Cemitério de Boston com uma figura grotesca em primeiro plano emergindo de uma tumba.
A obra foi adquirida em 1942 por um colecionador e desde então seu paradeiro é desconhecido, possivelmente ela se encontra em alguma coleção particular. Acredita-se que o assassino em série cpnhecido como "Açougueiro de North Compton" tenha feito menção a essa obra como razão para matar mais de oito pessoas no início dos anos 80.