quinta-feira, 20 de maio de 2010

The Long Ships - Cenário Viking para Cthulhu Dark Ages (Conclusão)

Conclusão da saga Viking com os nórdicos enfrentando os horrores dos Mitos Ancestrais.

Cena 5 - Jornada em terreno Inimigo

Após o chocante encontro com Fionualla, a bruxa, os guerreiros retornam para o vilarejo pesqueiro de Annagh a fim de descansar.

Na manhã seguinte, o grupo se prepara para seguir rumo aos pântanos salgados no norte. Os camponeses entregam a eles armas e provisões para alguns dias de viagem e Carlen concorda em levá-los num barco de pesca.

O grupo parte em uma tarde cinzenta, os homens estão preocupados com o que vão encontrar e Olaf pondera se vale a pena seguir com o plano. Bjorn e Rurik o convencem a ir adiante. "Os deuses odeiam os fracos!" urra Brodir e todos riem. Olaf com a sabedoria da idade comenta baixo: "Eles odeia ainda mais os idiotas descuidados..."

Após um dia inteiro de viagem, o barco chega ao seu destino. Os marinheiros afirmam que não podem se aproximar mais por temer avariar o casco da embarcação. O grupo terá de nadar até a costa e escalar o paredão.

O grupo salta à cerca de 50 braçadas da costa e nada até o paredão. Pedras escuras cobertas de limo os saúdam. Não é uma visão animadora! Uma queda aqui pode ser mortal. Os vikings buscam um caminho mais fácil para escalar e Bjorn o mais hábil dentre todos encontra um acesso.

A escalada é árdua mas depois que Bjorn e Leif atingem o topo e fixam cordas, os demais escalam mais facilmente. Enquanto aguarda no topo, os olhos de Leif percebem uma posição de sentinela no alto.
Assim que Rurik termina de escalar, ele e Bjorn se aproximam para averiguar. Leif fica de longe observando. O jovem então lança um grito de alerta, um sentinela lá do alto os avistou! O homem se apressa em pegar um arco curto, mas os dois vikings conseguem se proteger atrás das pedras evitando as flechas mortais.

Enquanto Bjorn o distrai, Rurik contorna a posição e escala a parede pelo flanco. Um segundo sentinela percebe sua aproximação e ataca com uma lança, o viking consegue se esquivar e responde com a espada que rasga o ventre do guarda. Ele grita e solta a arma caíndo de joelhos. Brodir que já escalou se junta a luta, mas quando ele e Bjorn enfim chegam ao posto de vigília, Rurik já os aguarda. O homem do arco está morto com uma estocada que lhe partiu a clavícula e o mandou para a terra dos mortos tão rápido que a expressão de pânico ainda está estampada na sua cara feia. "O maldito tentou acender uma fogueira! Eu dei um jeito nele!" diz o guerreiro.
O guarda ferido é interrogado, mas fala pouco mesmo com uma faca pressionada no ferimento. "Clulu os devorará! Ele virá para matar todos vocês homens do mar, pois Ele é o senhor dos mares!" Antes de ter sua garganta cortada, o homem grita palavras desconexas para seus deuses negros: "Iä! Iä! Clulu!". Olaf examina o morto e nauseado se afasta, o sujeito tem os dedos dotados de membranas como as asas de um peixe voador. Seus olhos também são estranhamente grandes e a boca larga como de um sapo. Tatuagens ritualístiocas de monstros com tentáculos cobrem seu peito.

O grupo segue para o interior. O terreno é inclemente, pontilhado de charcos e um lamaçal que adere às roupas como se fosse piche. Ossadas de ovelhas mortas podem ser encontradas evidenciando o perigo desse terreno insalubre. Felizmente Bjorn conhece bem o terreno e sabe como evitar os mortais charcos. [A travessia desses charcos foi bem mais emocionante, acreditem em mim!]
Brodir encontra uma trilha deixando o terreno, há rastros recentes. Os guerreiros decidem seguir à margem desse caminho a fim de não chamar a atenção. Alguns minutos depois a trilha os leva por um bosque fechado. Numa clareira eles encontram um estranho monumento com pedras escuras erguidas em um círculo.

Rurik faz o sinal da cruz e comenta que aquelas estruturas são usadas como templo por religiões antigas. "Praga dos infernos, vejam!" ele aponta para o centro dos megálitos de pedra negra.

Ali repousa um grande bloco negro coberto de símbolos e manchas escuras de sangue. O lugar fede como um abatedouro e provoca arrepios que correm as espinhas, mesmo de homens habituados ao ofício da matança. "Queria uma bebida! Lutar sóbrio não é a mesma coisa" diz Olaf secamente coçando a barba.

Deixando o círculo eles voltam para a trilha e seguem um curso de água. Não demora chegam a um lago de água salgada que se estende até onde a vista alcança. Os olhos de Leif avistam uma pequena aldeia na borda do lago.

Cena 6: Rumo a Ilha

Os vikings planejam o que fazer e passam algumas horas observando a aldeia e seus habitantes. Não há muitas pessoas, na sua maioria são mulheres e velhos que podem ser vistos andando entre as cabanas rústicas de pedra. Eles se mantém escondidos entre as turfas e o mato alto.

Faltando algumas horas para o anoitecer, três barcos se aproximam vindos do lago e aportam num pequeno ancoradouro. São dois barcos pequenos e um maior. Duas dúzias de guerreiros armados com lanças e cobertos pelas mesmas tatuagens desembarcam. Eles vão até uma casa e ao sair escoltam alguns prisioneiros para o barco maior. As pessoas parecem apavoradas e obedecem sem questionar.

Em seguida, o barco parte com os guerreiros deixando alguns poucos homens abastecendo os dois barcos menores. Os vikings decidem atacar e avançam pelo lado direito do vilarejo menos guarnecido. O ataque é fulminante, os poucos guardas não tem nenhuma chance. Os homens são passados pelo fio das espadas impedosamente. Leif mata seu primeiro inimigo, um homem baixo com cara de sapo e estômago arrendodado. Sua espada o corta acima da virilha e ele cai segurando as tripas e xingando.

O único levemente ferido é Olaf que teve um corte superficial no braço que Rurik trata com algumas ervas. Os vikings encontram nos sacos turfa, madeira e carvão mineral. Mais importante, eles roubam os dois barcos.

Os vikings remam através do lago coberto por densa neblina que a luz do sol é incapaz de atravessar. Enquanto remam os vikings permanecem atentos para qualquer som fora do comum já que a visibilidade está sensivelmente comprometida.

O barco segue pelo lago coberto de algas de uma coloração esverdaeada doentia, sons curiosos de algo mergulhando se fazem ouvir e apresença de algo na água os deixa atônitos. É então que o barco atinge um banco de areia e eles se vêem presos. Brodir verifica o chão e conclui que as algas se tornaram tão densas que permitem o avanço à pé.

Eles seguem andando e depois de alguns minutos avistam o lugar mencionado por Fionualla, uma ilhota que emergiu das profundezas do lago salgado. É difícil avançar por esse terreno irregular, escorregadio e repleto de poças. Na paisagem bizarra se destacam construções em ruínas de arquitetura inumana. Estátuas de pedra esverdeada mostrando criaturas das profundezas e horrores de eras perdidas. A própria arquitetura do lugar com ângulos impossíveis faz a mente dos vikings girar.

Em meio às algas os vikings encontram um majestoso Drakkar, muito antigo recoberto pela vegetação marinha. Talvez Odda, o Skald pudesse precisar a idade da embarcação, mas os guerreiros apenas podem supor quem o usou.

Mais adiante eles observam uma coluna de fumaça ascendendo para o céu. Seguindo até lá encontram o local onde é realizado o ritual envolvendo a tribo de saqueadores. Trata-se de uma área grande onde se concentram cerca de 100 homens e mulheres envolvidos em uma espécie de orgia frenética e abominável. Alguns batem no corpo, dançam e gritam iluminados por uma grande fogueira. Os pobres aldeões sequestrados em toda a costa aguardam amarrados e vigiados por homens armados com lanças.
Os guerreiros ficam atordoados e mais ainda quando percebem em meio a multidão de cultistas existem figuras bizarras com aparência degenerada que mais parecem batráquios que homens. Olaf perde a respiração por alguns intantes, enquanto Brodir ri sem parar como um louco.

Mais adiante há uma estrutura em ruínas. As colunas marcadas pelo limo das eras suportam um teto semi-destruído guarnecido de escoras de rocha polida entalhada por símbolos. Sem dúvida é templo mencionado pela bruxa o lugar onde o tesouro é mantido. Dois guardas armados com lanças protegem a porta de entrada.

Cena 7: O Templo de Clulu

Os vikings contornam cuidadosamente o templo decrépito. Eles passam facilmente pelos dois guardas que são abatidos rapidamente e arrastados para o interior. Os gritos dos cultistas abafa o ataque.

O templo em escombros possui apenas um grande salão iluminado por tochas presas nas paredes. O chão de pedra e as paredes são adornadas por representações apavorantes de entidades malditas. A iluminação é suficiente para revelar um grupo de sacerdotes vestidos com mantos realizando algum tipo de ritual ao redor de um fosso redondo de profundidade desconhecida. Uma estátua de pedra esverdeada domina o salão, sem dúvida trata-se de uma representação grotesca do demônio Clulu. Um enorme monstro marinho com cabeça de polvo, asas nas costas e corpo de homem. Aos pés da estátua repousam tesouros valiosos e riquezas conforme a bruxa descreveu.

Um sacerdote vestindo um capuz que lhe esconde as feições sacrifica as vítimas cujos corpos são atirados no fosso depois do pescoço ser cortado por uma faca de aspecto sinistro. Uma das vítimas uma jovem mulher resiste ao ataque do sacerdote, ela briga sem parar e arranca o capuz de sua cabeça. Gritos irrompem no salão: a face do sacerdote é a de um monstro mais peixe do que homem. Brodir não suporta a visão e grita, partindo furioso com um berseker para cima dos cultistas. Os outros o seguem com armas nas mãos, olhos faiscando e sede de sangue. Mais monstros do que homens, os sacerdotes removem os capuzes e reagem, mas a maré de ferro dos furiosos guerreiros nórdicos os cobre como uma onda escarlate.

Leif é ferido pela garra afiada de um dos sacerdotes que lhe arranha a garganta. A luta corre sangrenta a medida que outras Crianças das Profundezas se unem a escaramuça. Em meio a luta o sacerdote principal acaba ferido, bradando o nome de Clulu ele se atira no fosso negro.

"Vamos pegar o tesouro e sair daqui!" grita Bjorn e os outros se apressam em pegar o que podem. Mas nisso, do fundo do horrível fosso brota um fedor pior que o de mil tumbas abertas. E em seguida ergue-se uma besta aterradora: o guardião do templo. Rurik investe contra o monstro mas sua pele é resistente como ferro, a espada não consegue ferí-lo. O experiente guerreiro é atirado por um golpe batendo a cabeça na parede e desmaiando.

Bjorn e Leif são igualmente repelidos. Brodir apanha um machado e ataca o monstro, mas a coisa o segura pelas cintura, o ergue e o aperta esmagando cada osso de seu corpo. Um som de folhas secas se faz ouvir quando ele é despejado no chão.
Olaf então se recorda da bruxa lhes disse e invoca o nome de Shub-Niggurath. No mesmo instante o velho viking sente uma horrível ânsia. Algo se move em seu estômago e escala pela sua garganta sendo expelido em uma torrente de vômito. A massa é atirada ao chão e se contorce a medida que cresce em tamanho e se torna um monstro tão tenebroso quanto aquele enfrentado. Olaf desmaia por um instante e Bjorn corre para ajudá-lo, a medida que a coisa se interpõe no caminho da criatura invocada. O choque das duas faz as paredes do templo estremecer.

"Dane-se o tesouro! Corram!" grita Bjorn, enquanto Leif já dispara pelo portão despachando um híbrido com sua espada. Infelizmente outros saqueadores percebendo a comoção dentro do templo barram a saída. Leif é cercado e luta como um leão contra dezenas de inimigos. Uma lança o acerta no flanco e uma adaga corta os tendões de sua perna direita. O rapaz fraqueja e um cultista ergue uma pesada clava. O crânio do jovem é esmagado por um golpe seco.
Olaf e Bjorn - carregando Rurik semi-consciente - retrocedem para o templo. Lá dentro os monstros se agarram em um abraço mortal a medida que se arrastam para a borda do fosso despencando nas trevas. Os cultistas vendo a cena se desesperam e fogem.

Em seguida a ilha inteira estremece como em um colossal terremoto. Prevendo o que está por vir, os vikings correm para a saída a medida que a ilha começa a afundar rumo às profundezas abissas. A fuga é desesperada, Olaf tropeça e cai várias vezes, mas os sobreviventes conseguem chegar ao velho Drakkar tomado pelas algas.

À bordo Olaf e Bjorn se esforçam para cortar todas as algas enquanto a ilha inteira estremece e afunda. Híbridos tentam escalar o lado do navio viking mas Rurik já suficientemente desperto os derruba com um lança longa.

A ilha então desaparece sob a superfície do lago quase virando o drakar. A medida que o sol começa a despontar no horizonte os vikings manobram o drakkar para um rio que os despeja no mar.

Epílogo:

Ainda horrorizados pelo que testemunharam os vikings seguem na direção de sua casa em Hordalung. O que é uma viagem de alguns dias para quem enfrentou um horror ancestral?

Do vasto tesouro eles conseguiram recuperar apenas algumas poucas peças, o suficiente para lhes garantir alguns anos de conforto. Eles jamais esquecerão de seus companheiros mortos e dos momentos de terror experimentados. Mas ao menos eles lutaram para viver e sua luta dramática com certeza lhes garantiu um lugar no Valhalla.

E isso é mais do que muitos guerreiros podem aspirar.

4 comentários:

  1. Ótima aventura, Luciano! Parabenizações pelos resumos, imagens e principalmente pelas narrações descritivas. Excelente desfecho, com as duas criaturas enfrentando-se num duelo titânico!
    Mas fiquei com uma dúvida, qual seriam os nomes das criaturas e o que elas são?

    Abraço, continue com o ótimo trabalho.

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  2. Luciano, grande aventura!

    E q bicho é aquele q saiu do poço?

    Mamedes

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  3. Opa pessoal, obrigado!

    Essa aventura foi bem bacana. Tanto que eu lembrava de vários detalhes ainda.

    As criatuars eram obviamente Deep Ones e híbridos. A criatura do poço era algo que atende pelo nome de Guardian of the Old Ones. Uma criatura que aparece na campanha Cthulhu Classics. Eu resolvi usá-lo aqui novamente pois é um bicho obscuro.

    Já o monstro vomitado era um Dark Young de proporções consideráveis.

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  4. Luciano, qdo sobrar um tempinho, posta aqui as características deste Guardian. Fiquei curioso com esta criatura tão clássica.

    Mamedes

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