sábado, 18 de dezembro de 2010

Goatswood - Shub-Niggurath anda entre Nós!

Nos artigos anteriores falamos a respeito da região assustadora no oeste das Ilhas Britânicas, o Vale de Severn.

Essa coleção de pequenas cidades no condado de Gloucestershire atrai as monstruosidades do Mythos como um cadáver atrai os vermes. Mas existe um lugar em particular dentro desse vale maldito, um vilarejo de tamanho horror que merece ser contemplado separadamente, pois mesmo a maldade que prolifera em outros recantos empalidece diante doq ue acontece em Goatswood.

À primeira vista, Goatswood não é nada além de um pequeno povoado que sequer consta nos mapas. Ele se localiza no interior de um bosque que tem o mesmo nome, no caminho para Exham.

A vegetação de Goatswood é densa e o lugar tem péssima reputação. Pessoas já se perderam nessa mata fechada e lendas a respeito de coisas naturais e não-naturais vagando pelos arbustos e cebes abundam em toda região. Alguns contam poder ouvir sons inexplicáveis na desolação do bosque, o ruído de estática e até o bater de um coração são apenas dois exemplos. As antigas árvores com os caules cobertos de líquens e musgo barba de bruxa concedem um ar fantasmagórico ao bosque onde cresce todo tipo de vegetação espinhenta e venenosa.

Mais de uma pessoa já mencionou ter visto formas sombrias espreitando pela floresta principalmente à noite. O folclore local fala a respeito dos repulsivos Gnomos de Goatswood, pequenas estátuas de pedra encantadas que ganham vida nas noites sem lua para cometer atos demoníacos e perpetrar brincadeiras macabras.

Os Gof'n Hupadgh segundo a lenda também vivem na parte mais escura da floresta. Estes são seres meio homens e meio animais, criaturas cuja aparência remete aos faunos da mitologia com pernas de bode, cascos fendidos e chifres recurvos. No idioma bretão, Gof'n Hupadgh significa "aqueles abençoados" e o nome se refere especificamente aos indivíduos que comungaram com a Deusa Shub-Niggurath.

Seguindo através da velha trilha do bosque é possível avistar os telhados vermelhos de Goatswood. O vilarejo se resume a uma poucas casas de alvenaria, algumas incrivelmente antigas, dispostas em uma única rua. Não há igreja, o povo de Goatswood jamais se convereteu a fé cristã e alguns ainda profesam costumes pagãos. Sobre o alpendre de algumas residências podem ser vistos ícones da Sheela-na-Gig, uma representação pagã da fertilidade.

O povo de Goatswood não é amistoso com estranhos. Forasteiros não são vistos com bons olhos e a presença de gente de fora perturba a paz do local. Não há pensões e muito menos hotéis em Goatswood e ninguém é convidado a ficar. Na verdade, poucas pessoas tem assuntos a tratar nesse lugar esquecido por Deus. os poucos que foram teimosos o bastante para viajar até Goatswood simplesmente desapareceram. Ponto final!

Pode parecer simplista dizer isso, mas Goatswood não é um lugar para ser visitado. Ao menos não sem esperar algum tipo de reação dos seus habitantes.

Uma das coisas que chama a atenção em Goatswood é a bizarra aparência de alguns dos seus residentes. Mesmo os mais jovens possuem uma fisionomia que guarda uma semelhança perturbadora com bodes e cabras. Em Goatswood não é difícil ver pessoas com sérias deformidades congênitas. Nas raras ocasiões em que forasteiros visitam o povoado, estas pessoas vestem pesados casacos, cachecol ou sobretudo que ajudam a ocultar essas deformidades que podem chocar indivíduos mais sensíveis. Além dos traços caprinos que se acentuam com o tempo, algumas pessoas possuem deformações graves nas pernas, pés e nas mãos. A transformação de tais membros em patas e cascos não é um fenômeno totalmente incomum.

O que torna Goatswood um lugar tão perigoso é o fato de haver um culto ancestral ainda em atividade na região. Shub-Niggurath, a blasfema deusa da fertilidade é uma das entidades mais poderosas dentro do Mythos de Cthulhu e Goatswood é possivelmente a sede principal de seu culto no planeta.

A Floresta de Goatswood já era palco da adoração à Shub-Niggurath nos tempos da ocupação romana quando os druidas conduziam rituais em clareiras onde repousam monolitos de pedra e altares naturais. As raízes do culto pagão são ainda mais antigas, podendo ser traçadas até a pré-história humana.

Outro fator que determina o grau de periculosidade do povoado é o fato de que todos os habitantes do local, sem exceção, são membros do culto. Homens, mulheres e crianças são parte atuante da congregação que observa rigidamente os rituais sagrados e se reúne para prestar seus louvores. A iniciação se dá ainda na infância e os cultistas devotam a própria existência à Deusa com um ardor fanático.

Dentre os líderes da congregação estão anciãos, alguns com uma idade venerável, que são detentores de segredos passados por gerações. Em Goatswood vivem indivíduos que conhecem os rituais que eram praticados na aurora da humanidade e estes ainda são conduzidos nas datas corretas como acontecia há milênios. Como resultado, Shub-Niggurath favorece os druidas locais com magias, poderes e com os segredos da vida e da morte.

Alguns acreditam que é a invocação constante de Shub-Niggurath que torna o Vale de Severn um lugar favorável para a presença das criaturas do Mythos.

Verdade ou não, é certo que Goatswood constitui um lugar de grande importância para a Deusa.

No interior de um monte nos limites da cidade vive um Avatar de Shub-Niggurath, uma entidade conhecida como o Guardião das Lentes da Lua.



Essa criatura colossal protege as Lentes da Lua, um arranjo cristalino disposto no alto de um grande poste feito de metal alienigena. Especula-se que esse artefato construído em Leng tenha sido um presente da própria deusa e que já tenha pertencido aos Fungos de Yuggoth. Os poderes das Lentes da Lua permanecem um mistério, salvo para os líderes do culto, que usam o vidro convexo para refletir a luz da lua permitindo assim a criação de janelas através da qual outras realidades podem ser contempladas.

As lentes também fazem parte de importantes celebrações do calendário religioso de Goatswood servindo para abrir portais e invocar Shub-Niggurath em datas específicas. Humanos iluminados pela luz da lua filtrada pelas lentes sofrem bizarras transformações corporais se convertendo em consortes do Guardião que passam a habitar o interior escavado do monte e seus túneis que se estendem por toda a cidade. Existem conjecturas a respeito de qual a natureza desse monte e o que existe em seu interior.

Para alguns trata-se de uma região não inteiramente em nosso mundo ou mesmo em nossa realidade. Outros crêem que se trata de um acesso a Corte de Azathoth, a região conhecida como o Centro do Universo. nenhum humano que tenha penetrado nesse monte oco retornou para contar o que há lá dentro.

Exagero ou não, Goatswood contitui uma das maiores incursões das entidades do Mytho de Cthulhu em nosso mundo, um lugar cuja própria essência é saturada pela presença sobrenatural do mal e de forças nefastas.

Com isso encerramos a série de artigos a respeito do Severn Valley. Para quem achou interessante, eu recomendo o livro "Ramsey Campbell's Goatswood" e a campanha "Tatters of the King". No campo das ficções um livro bem legal é "Made in Goatswood" uma celebração das estórias de Campbell e de autores que usaram suas idéias medonhas.

Todos eles podem ser adquiridos pela internet em lojas virtuais.

5 comentários:

  1. Goatswood estava na minha lista de desejos, porém ele é NOW. É possível utilizá-lo com todo o potencial em '20?


    Mamedes

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  2. Sim, o livro é para cenários contemporâneos que não são os meus preferidos.

    O sourcebook no entanto é bem útil.

    E dentre os cenários há idéias interessantes. Dois eu cheguei a adaptar para 1920. Dá um pouco de trabalho mas valeu a pena. Outro eu acabei fazendo em uma aventura de NWoD com humanos. Uns dois ali são meio fracos mesmo.

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  3. Brigadão Luciano! Tbm prefiro '20!

    Aproveitando o final de ano parar atualizar a leitura do blog...excelente quantidade e qualidade!

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  4. Ficção, para ser mais preciso. Isto é explicado logo no primeiro artigo da série: http://mundotentacular.blogspot.com/2010/12/mestres-do-horror-ramsey-campbell-e.html

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