quarta-feira, 17 de abril de 2013

Predador Sanguinário - A caçada do Manticore

Brincando com a estória real dos "Devoradores de Homens do Rio Tsavo", criei uma criatura que poderia ser usada em uma aventura de horror selvagem. Não é exatamente uma entidade do Mythos, está mais para uma força perversa vinda de outra realidade que uma vez em nosso plano se dedica a promover massacres e disseminar o terror.

Usei essa gracinha de monstro como antagonista de um cenário anos atrás inspirado pelo filme "A Sombra e a Escuridão" que narrei usando as regras de Call of Cthulhu. O elemento sobrenatural adiciona um toque surreal à estória e faz dela algo ainda mais perturbador.

Quando usei ele, os únicos que conseguiam percebê-lo como uma criatura sobrenatural eram os que estavam marcados para morrer. Todas as outras pessoas os percebiam como dois leões incrivelmente inteligentes e astutos, a não ser pelo terrível odor de carniça que os acompanhava. Isso até um deles tentar matar um dos jogadores e revelar sua verdadeira forma.


MANTICORE 

Essas criaturas são nativas de um plano entre as dimensões, e capazes de acessar a nossa realidade apenas raramente, na iminência de condições propícias - em geral mediante raras conjunções astrais e alinhamentos de estrelas. Eles também podem ser invocados através de magias e complexos rituais. Felizmente, eles são estranhos a essa realidade e tendem a ficar pouco tempo nesse plano, o bastante, contudo, para espalhar morte e destruição.

A mitologia por trás dessas estranhas criaturas surgiu na Pérsia, onde eles eram conhecidos como Martyaxwar, o que pode ser traduzido do farsi antigo como "devorador de homens". A medida que a lenda foi carregada para outras terras, o nome sofreu mudanças, sendo que Manticore, uma palavra de origem grega, se converteu na mais conhecida.

Originalmente os Manticore são entidades incorpóreas e invisíveis, dotadas de consciência e inteligência. Apesar de não poder ser visto nesse estado, pessoas com sensibilidade apurada conseguem sentir sua presença (alguns se referem a um cheiro de carniça e de sangue fresco, lembrando um matadouro) quando a criatura está próxima. Outros sentem um desconforto, talvez reminiscente da presença de um predador contumaz.

O manticore pode dominar o corpo de animais e até de pessoas, embora prefiram feras selvagens ao invés de homens. Leões são os animais mais identificados com a lenda do Manticore, entretanto eles podem assumir inúmeras outras formas. O único propósito de sua existência parece ser caçar e matar, atividades que são extremamente prazerosas para eles. Uma vez preenchendo o corpo de um hospedeiro animal, a entidade realiza nele drásticas mudanças estéticas com objetivo de transformá-lo em algo ainda mais letal. Aparentemente a criatura é capaz de associar à forma ocupada características de outros animais que tenha dominado anteriormente. Por exemplo, um manticore que tenha previamente ocupado o corpo de um touro e que agora ocupa o de um leão, é capaz de fazer crescer chifres neste segundo. O resultado tende a ser uma combinação bizarra de vários animais, o que pode ter originado a lenda da chimera.

A combinação mais conhecida do Manticore, descrito em vários bestiários, inclusive pelo historiador grego Plínio é a de uma criatura com corpo leonino de cor vermelha ou cobre, asas negras de morcego nas costas, uma longa cauda venenosa de escorpião na parte posterior e a cabeça de um homem. Essa forma pode no entanto se referir a apenas um indivíduo em particular.

Embora a criatura em algum casos possua cabeça humana, ela não é capaz de falar nenhum idioma conhecido, e sua voz é descrita como o som metálico de um trompete. Isso não significa que o manticore não seja inteligente. Pelo contrário! Dotado de grande astúcia, ele é um caçador que emprega truques para atrair suas presas o mais perto possível para o ataque. Ardiloso ele também se livra de armadilhas e emboscadas, antecipando as ações e estratégias de caçadores.  

Nas lendas, o monstro devora suas vítimas por inteiro, o corpo, as roupas e objetos. Para os gregos, uma explicação para pessoas que desapareciam sem deixar vestígios, podia apontar para o ataque do manticore. Na realidade, a criatura tende a deixar vestígios bem claros de sua passagem. Restos retalhados de suas presas, carcaças mutiladas e membros perdidos são o mais comum. O prazer da caçada e de promover a carnificina é o que os motiva a continuar matando sem parar. Espalhar os corpos de suas vítimas, é uma forma de intimidação e de provocar temor, um estado emocional que os manticore apreciam sadisticamente. Alguns manticore preferem manter sua real natureza oculta, revelando sua forma bestial - e absurda, apenas no momento de matar sua presa.

O manticore é capaz de preencher o corpo da criatura escolhida por um período de até um ano, mas é raro que ele o faça por tanto tempo. Uma vez saciada de sua sede de sangue e violência, a criatura costuma abandonar o hospedeiro. Não é claro se o manticore então retorna a sua dimensão de origem, se adormece ou se simplesmente deixa de existir. De qualquer maneira, supõe-se que decorrido um determinado tempo, a manifestação começa a perder controle sobre o hospedeiro. Uma vez liberado de seu controle, o simulacro morre, revertendo a sua forma e identidade originais. O mesmo ocorrendo quando um manticore é morto. 

Ativo apenas no período noturno, o monstro precisa dormir durante o dia a fim de repor suas energias e consolidar seu domínio. Para isso escolhe cavernas e covis afastados da civilização onde pode ficar escondido. A fera possui sentidos extremamente aguçados e mesmo quando está em repouso, consegue se manter alerta e ciente da aproximação de qualquer perigo potencial. Eles são normalmente solitários, embora casos em que dois ou mais deles se juntam para promover chacinas não sejam inteiramente desconhecidos. 

Episódios de animais selvagens que repentinamente se convertem em assassinos podem estar ligados a presença de manticore controlando-o. O aterrador caso do urso pardo de Sankebetsu no Japão (1915), do elefante de Aberdare (na África ocidental nos anos 1940) que deixou um rastro de destruição por onde passou e dos notórios leões "devoradores de homens" do Tsavo (Quênia) que em 1899, resultaram em centenas de mortes, podem ser resultado da ação de um ou mais manticore. 

A existência factual dessa criatura é comentada em alguns poucos tomos, ainda que sua existência como lenda ser apreciada em vários tratados de povos antigos. O Daemonolatreia de Nicholas Remigius, escrito em 1595, menciona essa entidade dando a ela o status de um demônio da ira. Já o Saducismus Triumphatus de Joseph Glanvill comenta que essa besta é um espírito sangrento devotado a vingança. Nenhum dos dois livros contém rituais para a invocação da criatura. Dentre os tomos blasfemos do Mythos, apenas o incrivelmente raro Nyargho Codex contém uma descrição apurada do manticore e uma perigosa magia que permite sua invocação. O ritual decorre de uma modalidade obscura de magia negra africana, praticada no leste do continente. Um desses rituais supostamente teria trazido dois manticore que dominaram os leões de Tsavo.

Observação: O nome dessa criatura lendária, traduzida para o português seria "mantícora", no entanto o termo grego que o nomeia é considerado universal. Dessa forma preferi usar "manticore".

MANTICORE PARA CALL OF CTHULHU

MANTICORE, Predador sanguinário

O manticore abaixo é um exemplo clássico de nonstro com corpo de leão, face de homem e ferrão de escorpião. outros sem dúvida existem, cada um com as suas características inerentes.

STR     4d6+12
CON   2d6+6
SIZ      4d6+12
INT     2d6
POW   3d6
DEX    2d6+3

Bônus de Dano médio: +2d6
Ataques: Mordida 30%, dano 1d10+db
              Garra 50%, dano 1d6+db
              Ferrão 40%, dano 3d3 +veneno

Proteção: 4 pontos de couro

Habilidades: Climb 90%, Dodge 50%, Hide 60%, Sneak 80%, Rastrear pelo faro 80%

Sanidade: 0/1d6 por ver um Manticore, criaturas com características bizarras podem ocasionar uma perda mais severa.

O Manticore pode atacar duas vezes em sua rodada com duas garras, uma garra e uma mordida ou com uma garra e o ferrão.

O ferrão venenoso é usadopara injetar um veneno de escorpião com POT iguala CON da criatura. No terceiro round depois de ser ferido com o ferrão, o personagem deve fazer um teste na tabela de Resistência ou recebe um número de pontos de dano igual a potência do veneno.      

MANTICORE PARA RASTRO DE CTHULHU

Estatísticas de Jogo

Habilidades: Atletismo 15, Briga 22, Vitalidade 14

Limiar de Acerto: 4

Modificador de Prontidão: +1

Modificador de Furtividade: +3

Arma: +1 (mordida), +1 garra, -1 (ferrão)

Armadura: -3 contra tudo (pele)

Perda de Estabilidade: Em geral nenhum, mas tão logo a natureza sobrenatural da criatura fica evidente +1

Veneno: Teste de Vitalidade dificuldade 6, 10 minutos depois do ferrão injetar o veneno. Em caso de falha, a vítima perde um número de pontos de estabilidade igual a metade da Vitalidade total do manticore que o envenenou.

Biologia: Nenhum felino comum age dessa maneira! Nenhum animal caça por prazer e se diverte com a matança de forma tão sádica. Um comportamento dessa natureza é condizente com o grau máximo de perversidade e crueldade tipicamente humana.

Ciência Forense: O cadáver estava mutilado além de qualquer reconhecimento. O ombro havia sido mordido e um pedaço inteiro da clavícula  estava ausente. O mesmo havia ocorrido com o braço na altura do cotovelo e a perna direita na altura da coxa onde um osso branco surgia como se a carne tivesse sido cuidadosamente mastigada até descarná-lo. O rosto fora cortado, ou melhor, retalhado por garras que arrancaram pedaços inteiros deixando apenas filetes sangrentos. O pior é que a morte parecia ter demorado, quase como um prolongamento. O pobre diabo havia sido devorado, e estava vivo para sofrer com essa condição.

Sentir Perigo: Há um cheiro no ar, algo desagradável, estão sentindo? Como se a porta de uma barraca usada como matadouro tivesse sido deixada aberta e uma lufada de vento quente soprasse lá de dentro.

Sobrevivência: Olhe para estes rastros! Só podem pertencer a um leão,0 e ele é enorme. Simplesmente o maior que eu já vi.

*   *   *

Suponho que essa criatura possa também ser adaptadas a outras ambientações, mesmo ao Novo Mundo das Trevas e quem sabe ao Savage Worlds (fico pensando nessa coisa para uma aventura africana usando a ambientação de Solomon Kane, hmmmmmm...)  

3 comentários:

  1. Excelente texto e monstros. Serve tanto para uma aventura dos Mythos como para uma de D&D apresentando um monstro conhecido mas de forma diferente. Ótimo para surpreender os jogadores que decoraram o Livro dos Monstros.

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  2. Excelente criatura para os jogadores que conhecem bem o mythos. É sempre bom apresentar "o mesmo mal por outro nome" e melhor ainda quando temos algo totalmente novo!

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  3. sem duvida um bom texto, coincide muito com uma passagem biblica cujos monstros narrados, acredito eu que se tratavam de manticoras... DANIEL 7 1 ao 8.

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