sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Imagens Sinistras #3 - "Medo de Respirar"


As regras são simples:

1) Leia o texto, deixe-se levar pelo que está escrito;
2) Imagine o ocorrido;
3) Olhe a foto;
4) E se sentir um arrepio... de nada!

A História:

Durante a Grande Guerra (1914-1917), que mais tarde viria a ser conhecida como Primeira Guerra Mundial, Componentes Químicos foram usadas pela primeira vez como arma. Os efeitos foram dramáticos e aterrorizantes.

Soldados nas trincheiras se contorciam, morriam e gritavam em desespero. A morte disseminada na forma de gás podia ser lenta e dolorosa, e os que sobreviviam à experiência, por vezes carregavam para o resto da vida sequelas.

Essas armas aterrorizantes deixaram sua marca também nas populações civis que assistiam impotentes o sofrimento dos rapazes nos campos de batalha.

Esse trauma deixou marcas profundas na vida de muitas pessoas, e na mente de outras.

Em 1920, três anos depois de encerrada a Guerra, na pequena cidade francesa de Algeons, Jeanne Marie Boulen, viúva de um soldado vítima do Gás Mostarda, era incapaz de remover a máscara anti-gás do rosto.

Quando o fazia, sentia um horror insuportável, gritava, se desesperava e atirava-se ao chão como se estivesse sendo acometida por um ataque. Em uma ocasião em que um médico tentou forçá-la a tirar a proteção ela quase sufocou até a morte. Acharam melhor deixá-la viver daquela forma, temendo que a exposição ao ar pudesse lhe fazer mais mal do que bem.

Jeanne Marie estava grávida quando a Guerra terminou e ela acreditava que seu filho, órfão de pai, precisava da mesma proteção que ela. A criança foi criada até os dois anos em uma máscara adaptada.

Eventualmente ela foi transferida para um asilo reservado aos mentalmente perturbados, onde ela continuou usando o implemento, ao menos até 1938, quando notícias sobre uma nova Guerra se tornaram uma certeza. Ela cometeu suicídio removendo a máscara e sofrendo uma parada respiratória fatal.

O medo que o ar pudesse estar contaminado, a matou em poucos minutos.


quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Diário de Campanha - Agentes da Campanha "Mais Escuro que a Escuridão"

Olá para todos,

Para dar início ao Diário da Campanha de Delta Green, seguem as fichas e informações dos cinco personagens dos jogadores que compõem a Célula de Operações do Programa.

Os membros em questão foram alistados em diferentes organizações governamentais ou forças armadas por terem em algum momento enfrentado alguma situação com ameaça sobrenatural ou por terem servido como consultores do Programa em alguma operação. Posteriormente eles acabaram sendo contatados e posteriormente convidados a integrar o grupo formando assim a célula.

ALBERT JOEL GOLDBERG (Personagem de Thiago)                        Médico e Psiquiatra, ligado ao CDC (Centro de Controle de Doenças)
                                                

Nome: GOLDBERG, Albert J.
Empregador: CDC (Control Disease Center)
Profissão: Médico e Psiquiatra
Formação: Medicina (Georgia University)
Local de Nascimento: Charleston, N. Carolina
Residência: Atlanta, Geórgia
Idade: 43

Força 10
Constituição 10
Destreza 11
Inteligência 15 (Focado)
Poder 12
Carisma 14 (Rosto Amigável)

Pontos de vida: 10
Força de Vontade: 12
Sanidade: 60
Ponto de Ruptura: 48



Vínculos: Wilma Goldberg (esposa) 14, Ernest Siscoviv (Mentor) 14, Ariel Villanueva (Melhor Amigo) 14

Motivações: Teorias da Conspiração, Quebra-Cabeças, Conhecimento da História, Pesquisa Online e Rock n´Roll

HABILIDADES (de nota): Prontidão 40%, Atletismo 50%, Burocracia 50%, Armas de Fogo 40%, Primeiros Socorros 60%, HUMINT 50%, Medicina 60%, Farmacêutica 50%, Psicoterapia 60%, Biologia 60%, Cirurgia 50%

Treinamento Especial: Equipamento de Segurança e Laboratório

Background: Após alguns anos na Escola de Medicina você trabalhou em Medicina Interna onde ganhou dinheiro e fez bons contatos, mas o desafiuo não era o suficiente. Você desejava algo único. Você encontrou isso no CDC (Centro de Controle de Doenças). Seu trabalho é estudar epidemias e doenças mortais construíndo planos e linhas de defesa para o caso de um contágio em larga escala. Como biólogo e patologista você viaja analisando casos e tenta determinar se vírus podem sofrer mutações e se tornar um grave risco. Um caso especialmente estranho, no qual você analisou cadáveres recolhidos em uma Hot Zone na África, fez com que o Delta Green o procurasse. O exame de elementos biológicos desconhecidos o expôs a conceitos bizarros e o deixaram igualmente chocado e fascinado. Você se tornou consultor do Programa até ser alistado para compor uma célula. 

FREDERIC JACOBS (Personagem de Leonardo)
Agente Federal, ligado ao CINT (Central de Inteligência Interna)

Nome: JACOBS, Frederick
Empregador: FBI (Corregedoria), CINT
Profissão: Agente Federal
Formação: Direito (Connecticut University)
Local de Nascimento: New Heaven, Connecticut
Residência: Hartford, Connecticut
Idade: 37

Força 10
Constituição 10
Destreza 11
Inteligência 15 (Intuitivo)
Poder 12
Carisma 14 (Acessível)

Pontos de vida: 10
Força de Vontade: 12
Sanidade: 60
Ponto de Ruptura: 48



Vínculos: John Derick (Amigo e Instrutor de Tiro) 14, Rhona Canny (Amiga/namorada) 14, Jean Jacobs (Irmã) 14

Motivações: Prática de Tiro, Treino de Krav Maga, Jogar Pôquer, Eventos do Partido Republicano

HABILIDADES (de nota): Contabilidade 50%, Prontidão 50%, Burocracia 60%, Computado 40%, Criminologia 50%, Condução 40%, Armas de Fogo 50%, HUMINT 80%, Direito 65%, Persuasão 50%, Localizar 70%, Combate Desarmado 60%

Treinamento Especial: Interrogatório 

Background: Formado em Direito e Ciências políticas, você trabalhou na Secretaria do Partido Republicano no Estado de Connecticut. Foi consultor antes de se filiar ao FBI. Especializando-se em Interrogatório e Análise de Dados, você foi rapidamente escalado para trabalhar no CINT (Central de Inteligência Integrada). Depois de ser destacado para uma Força Tarefa da Corregedoria e Assuntos Internos, você ajudou a descobrir uma rede de informantes dentro do Bureau, especializada em negociar e vender informações sigilosas. Sua investigação ajudou a prender vários envolvidos e afastá-los do serviço. Durante a triagem de informações, você acidentalmente teve acesso a arquivos que mencionavam casos do Delta Green. Avaliado por agentes do Programa você foi considerado como um recurso valioso para ser alistado.   

ELIZABETH "LIZ" CARMICHAEL (Personagem de Laura)
Agente Federal (FBI), Unidade de Análise Comportamental (BAU) 

Nome: CARMICHAEL, Elizabeth
Empregador: FBI
Profissão: Agente Federal e Psicóloga Comportamental
Formação: Psicologia (Stanford University)
Local de Nascimento: Berkley, Califórnia
Residência: San Francisco, Califórnia
Idade: 30

Força 9 (Cansada)
Constituição 10
Destreza 12
Inteligência 17 (Brilhante)
Poder 14 (Rígida)
Carisma 10

Pontos de vida: 10
Força de Vontade: 14
Sanidade: 70
Ponto de Ruptura: 56



Vínculos: Roy Carmichael (Pai) 10, Connie Saunders (Amiga) 10, Dr. Robert Purcel (Mentor) 10 

Motivações: Analisar comportamento, Ajudar pessoas, Escrever uma Tese, Curiosidade Intelectual, O arrepio da caçada

HABILIDADES (de nota): Prontidão 50%, Burocracia 60%, Criminologia 70%, Condução 50%, Armas de Fogo 50%, Prática Forense 60%, HUMINT 60%, Direito 50%, Ocultismo 50%, Psicoterapia 50%, Localizar 40%, Combate Desarmado 40%

Treinamento Especial: Mentalidade de Cultos, Estudo de Crimes em Série

Background: Formada em Psicologia com graduação em Ciência Comportamental e Criminologia você está entre os melhores analistas em seu campo. Sua especialização reside em Mentalidade de Cultos, tema que gerou sua tese muito elogiada. Você tencionava seguir carreira acadêmica, mas acabou sendo atraída pelo FBI e pela oportunidade de expandir seu conhecimento na área. Com acesso aos bancos de dados federais você estudou Crimes em Série e análise comportamental de assassinos. Após auxiliar na captura do Serial Killer conhecido como "O Anjo de Richmont", você foi recrutada pelo Programa primeiro como consultora e depois como agente de campo.

GUSMAN "GUS" ALONSO (Personagem de Ricardo)
Duas vezes militar no Afeganistão, ex-SWAT, Departamento Agência de Combate às Drogas (DEA)


Nome: ALONSO, Gusman Leon
Empregador: DEA
Profissão: ex-militar, ex-SWAT, Agente DEA
Formação: Treinamento Militar
Local de Nascimento: Albuquerque, Novo México
Residência: Dallas, Texas
Idade: 29

Força 15 (Musculoso)
Constituição 12
Destreza 14 (Reflexo Rápido)
Inteligência 10
Poder 10
Carisma 11

Pontos de vida: 14
Força de Vontade: 10
Sanidade: 50
Ponto de Ruptura: 40



Vínculos: Maria Alonso (ex-esposa), Elisa Alonso (Filha), Doug Branson (Amigo da SWAT)

Motivações: Patriotismo, Baseball, Corporção

HABILIDADES (de nota): Prontidão 50%, Atletismo 50%, Burocracia 40%, Criminologia 50%, Armas de Fogo 70%, Condução 40%, Armas Pesadas 50%, HUMINT 60%, Armas Brancas 40%, Persuasão 50%, Localizar 50%, Furtividade 60%, Combate Desarmado 60%

Treinamento Especial: Chaveiro, Tática de Infiltração, Negociação de Reféns

Background: Com formação militar no Corpo de fuzileiros Navais, você participou de duas temporadas na Força de Ocupação Norte-Americana no Afeganistão. Posteriormente trabalhou para a SWAT onde colocou em ação suas técnicas de resgate e negociação. Em uma operação, infelizmente reféns morreram e você foi transformado em bode expiatório. Posteriormente se filiou ao DEA e esteve envolvido em operações conjuntas no México contra cartéis de narcotráfico que usavam métodos estranhos de intimidação contra seus rivais. Alonso testemunhou coisas bizarras em uma operação para capturar um dos Chefes do Cartel. Após a ação, um calejado Alonso foi recrutado pelo Delta Green.

AMANDA MACHEN (Personagem de Flávio)
Agente Federal (FBI), Bureau de Ciência e Tecnologia (Analista)


Nome: MACHEN, Amanda Denise
Empregador: NSA (Ag. Segurança Nacional)
Profissão: Agente e Analista de Informática
Formação: Computer Sciences (MIT)
Local de Nascimento: Trenton, New Jersey
Residência: New York, NY
Idade: 32

Força 10
Constituição 12
Destreza 15 (Reflexos)
Inteligência 14 (Focada)
Poder 11
Carisma 10

Pontos de Vida: 11
Força de Vontade: 11
Sanidade: 55 (50)
Ponto de Ruptura: 44

Vínculos: Melanie Machen (Irmã) 10, William Gareth (ex-parceiro), Dr. Gardner (Terapeuta)

Motivações: Colecionar Livros, Música Clássica, Beber em Casa, Gatos

HABILIDADES (de nota): Prontidão 50%, Burocracia 50%, Computador 70%, Criminoogia 50%, Condução 50%, Armas de Fogo 50%, HUMINT 60%, Persuasão 70%, Localizar 70%,  Combate Desarmado 60%

Treinamento Especial: Alta tecnologia, Ciência e Tecnologia Pervertida

Background: Você sempre foi atraída por tecnologia e inovações. De fato, computadores sempre fizeram parte de sua vida uma vez que seu pai é um dos maiores projetistas de informática e um pioneiro no campo. Você poderia ter seguido pelo mesmo caminho, mas preferiu algo diferente. Depois de trabalhar como consultora em uma ação para capturar cyber terroristas, você buscou o FBI e passou a integrar o Bureau de Ciência e Tecnologia. Sua atribuição é combater o uso potencialmente perigoso de alta tecnologia. Ano passado, após uma operação, um computador contendo um código criptografado foi resgatado por agentes. Você foi a única capaz de quebrar o sistema de segurança e revelar o conteúdo. Impressionados com sua habilidade, os membros do Delta Green ofereceram uma posição no Programa.    

Mr. Greene
Operador da Célula, Contato no Delta Green 


Nome: Daniel ???
Empregador: ???
Profissão: Agente Federal
Formação: ???
Local de Nascimento: ???
Residência: ???
Idade: mid 50

Força 11
Constituição 10
Destreza 10
Inteligência 12
Poder 15
Carisma 14

Pontos de vida: 10
Força de Vontade: 15
Sanidade: 75
Ponto de Ruptura: 60

Vínculos: ???

Motivações: ???

HABILIDADES (de nota): Prontidão 50%, Burocracia 80%, Contabilidade 60%, Armas de Fogo 40%, Computador 40%, HUMINT 50%, Direito 50%, Ocultismo 40%, Psicoterapia 40%, Persuasão 70%

Treinamento Especial: Condução de Operações

Background: ???

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Segredo nos Olhos do Morto - A Estranha Técnica da Optografia Forense


A última coisa que os olhos de um morto viram parece ser um segredo perpetuamente escondido dos vivos, um mistério indevassável que ninguém é capaz de penetrar.

Ou será que não?

Existe um ramo bizarro da ciência médica que acreditava ser possível captar a última imagem vista por uma pessoa morta recentemente. A imagem derradeira ficaria gravada na retina gelatinosa que envolve o globo ocular, a partir de sua recuperação, seria possível encontrar assassinos e resolver crimes. Parece ficção ou loucura, mas era nisso que se baseava a Optografia Forense.  

A noção foi proposta pela primeira vez por um monge jesuíta chamado Christopher Schier no século XVII, depois dele alegar ter sido capaz de preservar uma imagem colhida na retina de um sapo durante um processo de dissecação. Ele supôs que essa imagem apagada seria a última coisa que o pobre sapo viu antes de sua morte, embora ele não tivesse real compreensão de como tal coisa poderia acontecer. A despeito de suas conclusões superficiais, o monge escreveu seu trabalho, que foi publicado em um conceituado jornal de medicina britânico e debatido por médicos e profissionais da área. Ironicamente, o conceito acabou bastante difundido, mas foi apenas com o surgimento da fotografia que ele passou a ser considerado e estudado mais a fundo. 

Passados mais de 200 anos, ele continua despertando curiosidade.


Quando o processo de fotografia foi criado em 1840, começou-se a imaginar que o olho humano funcionaria de uma maneira bastante semelhante a uma câmera. Isso levou a crença de que similarmente a uma câmera, o olho humano seria capaz de capturar e conservar imagens. Partindo desse pressuposto, começaram a surgir vários experimentos para testar essa hipótese.

Em 1863 um fotógrafo britânico fez a fotografia do olho de um boi segundos depois dele morrer e usou um microscópio para procurar evidências de imagens que pudessem ter ficado gravadas na retina do animal. Ele alegava que depois de inspecionar as retinas, conseguiu discernir a imagem do curral em que o animal havia sido abatido. Com base nisso, ele proclamou que aquela era a última coisa que o boi havia registrado antes de receber o golpe fatal que o matou.

Em 1876 a ideia recebeu novo fôlego com a pesquisa do psicólogo Franz Christian Boll, que descobriu que havia um pigmento existente nos bastões de nossa retina que branqueavam quando expostos à luz mas que podiam ser restaurados na escuridão, mesmo depois da morte. Esse pigmento foi chamado de "púrpura visual", que é conhecido nos dias atuais como rodopsina. Essa descoberta foi estudada por outro psiquiatra e Professor da Universidade de Heidelberg chamado Wilhelm Friedrich Kühne, que se tornaria no futuro uma das figuras mais proeminentes no campo da optografia e que ajudaria a popularizar ainda mais esse estranho ramo.

Kühne acreditava que esse pigmento e as reações foto-químicas que Boll havia descoberto poderiam ser combinadas para preservar imagens retidas no olho no exato momento da morte, como as imagens em uma câmera poderiam ser reveladas quando expostas diretamente a componentes e luz. Ele acreditava que se uma maneira fosse encontrada para permanentemente realçar a imagem na retina, esta poderia ser revelada de modo semelhante ao que acontece em uma placa fotográfica. De fato, de acordo com Kühne o olho humano era exatamente igual a uma placa de fotografia e tinha o mesmo potencial para ser revelado. 

A ideia obviamente atraiu muitas pessoas no campo da investigação policial como uma possível ciência a ser utilizada para descobrir a identidade de assassinos. Kühne não perdeu tempo e começou a pesquisar um processo para impulsionar suas teorias, que ele registrou com o nome "Optografia" (Leitura Ótica).   


Como objetivo de refinar o processo e descobrir como fazer a revelação das imagens vestigiais, Kühne começou a fazer as pesquisas em animais de laboratório, em sua maioria sapos e coelhos. Os métodos adotados para suas experiências estavam longe de serem sofisticados, consistindo basicamente em amarrar os animais, forçá-los a olhar para uma pessoa que seria responsável por matá-los. Em seguida, a cabeça era removida, bem como os olhos para evitar qualquer tipo de deterioração capaz de arruinar o experimento. Os olhos eram então mergulhados em uma solução química em um quarto escuro, finalmente eles eram cortados ao meio e o pigmento adicionado com uma solução de alumínio. Posteriormente a retina era banhada em ácido sulfúrico com o intuito de cementar a imagem.

Em 1878 alguns desses experimentos resultaram em resultados dramáticos. Em um dos resultados mais impressionantes, Kühne conseguiu "revelar" o que parecia ser um vulto que teria sido preservado nas retinas de um coelho no momento de sua morte. O experimento foi visto com excitação e ele recebeu recursos para prosseguir em seus testes. Entretanto, a medida que os resultados se mostravam pouco promissores, o optógrafo começou a ficar frustrado, já que a maioria das revelações resultavam em imagens granuladas, desfocadas ou indistintas. Ele escreveu em seu diário:

"Não estou preparado para dizer que os olhos não são capazes de fornecer informações visuais. Tenho fé de que tal processo pode ser obtido, mas a forma correta de obtê-lo continua a me escapar".

Posteriormente Kühne teria determinado que a imagem poderia ficar gravada por um período de até duas horas na retina de coelhos e de pelo menos 3 horas na de um boi. Depois desse período, a imagem começaria a perder sua integridade na medida que a retina experimentasse um progressivo ressecamento.     


É claro, o objetivo real do experimento era conduzir testes em seres humanos, o que Kühne teve a chance de fazer em 16 de novembro de 1880. Em uma determinada manhã ele foi convidado a assistir a execução de Erhard Gustav-Reif, que havia sido sentenciado a morrer na guilhotina por ter afogado seus filhos. Tão logo a guilhotina caiu e separou a cabeça do homem, Kühne se colocou a trabalhar, removendo os olhos do cadáver para seu experimento. Trabalhando rápido, uma vez que o tempo era vital para o sucesso, ele cortou o olho esquerdo do condenado e o passou pelo processo de análise. Surpreendentemente, Kühne teria alardeado o sucesso do experimento. Ele teria sido capaz de ver uma imagem clara colhida na retina condizente com o momento final do detento.

Embora a imagem não exista mais, há uma ilustração dela publicada pelo Professor Kühne em seu trabalho intitulado "Observações da Anatomia Ocular e Fisiologia da Retina", publicado no ano de 1881 que é bastante ambígua mas mostra o que parece realmente ser uma lâmina. Alguns sugeriram que a imagem ao invés de ser a de uma lâmina, poderia ser dos degraus que conduziam até a plataforma onde ocorreu a execução, já que a cabeça teria rolado ao invés de cair na cesta onde estava destinada a ficar.

Ainda que esses resultados tenham deixado muito a desejar, os experimentos continuaram sendo muito populares e a optografia permaneceu sendo estudada ao longo do século XIX e XX. Ela era por vezes dramaticamente mencionada pela mídia sensacionalista, afirmando que incríveis imagens podiam ser observadas nos olhos de vítimas de crimes violentos. Alguns defensores do método acreditavam que misturas caseiras, que envolviam desde óleo de peixe até bálsamos e unguentos poderiam ser usados para revelar as imagens. 

Há rumores de que legistas que tomaram parte na investigação dos notórios crimes de Jack, o estripador, ocorridos em Londres em 1888, teriam recorrido a Optografia Forense. Segundo boatos, os olhos do cadáver de Mary Jane Kelly teriam sido removidos para que um especialista em optografia tentasse obter um vislumbre do misterioso matador. É claro, nenhuma imagem surgiu magicamente dos olhos da quarta vítima do matador de Whitechapel.

No reino da ficção, a ideia foi muito aproveitada por escritores que usaram a Optografia como base para suas histórias. Em 1902, Jules Verne escreveu um caso dos Irmãos Kip (Les Fréres Kip), em que os irmãos investigadores livravam um acusado de assassinato depois de obter dos olhos do cadáver uma imagem de um diferente assassino. Desde então, a optografia apareceu em programas de televisão como Doctor Who e Fringe.


O uso da optografia forense chegou ao ponto em que ele se tornou bastante aceito pela polícia, que contratava artistas para desenhar os olhos das vítimas. Em alguns casos, estes eram fotografados com lentes adaptadas para focar exatamente na retina. Na Alemanha, existe um famoso caso em que a optografia foi utilizada como evidência no julgamento de Fritz Heinrich Angerstein em 1924. Angerstein foi acusado de ter matado 8 pessoas, incluindo sua esposa. O legista do caso alegou ter encontrado na retina de duas das vítimas a imagem do acusado segurando uma machadinha. Angerstein seria condenado e executado pelos crimes, em parte porque as evidências optográficas, possuíam enorme credibilidade nos julgamentos. 

Ela chegou ao ponto de que assassinos ocasionalmente destruíam os olhos de suas vítimas temendo que eles pudessem de alguma forma denunciar a identidade do perpetrador. Um caso ocorrido na Inglaterra chama a atenção exatamente nesse sentido, conforme descrito nesse trecho d eum jornal da época:

"Nas primeiras horas da manhã de 27 de setembro de 1927, ocorreu um crime chocante pela sua brutalidade... o Policial P.C. Gutteridge do Condado de Essex foi alvejado a tiros enquanto desempenhava seu trabalho. Ele foi encontrado na beira de uma estrada baleado com três tiros na cabeça. O primeiro disparo que provocou sua morte acertou em sua testa. Posteriormente os demais foram disparados exatamente nos olhos de uma distância curta, não maior do que 10 centímetros. As autoridades acreditam que tal coisa tenha sido feita pelo assassino, temeroso de que sua identidade pudesse ser descoberta por métodos de optografia".  


Outro caso de assassinato em que a optografia foresense foi empregada ocorreu em Fevereiro de 1914 envolvendo a morte de Theresa Hollander de 20 anos. O pai da vítima encontrou o cadáver da filha próximo de uma lápide no cemitério de St. Nicholas em Aurora, Illinois. A jovem havia sido violentamente agredida até a morte com um pedaço de madeira que foi achado posteriormente. Os olhos da vítima estavam abertos com uma expressão de absoluto terror! Um optografista forense foi convidado a realizar o exame da retina, uma vez que os policiais incumbidos da investigação haviam ouvido falar da técnica. O principal suspeito era seu antigo namorado, Anthony Petras, que negava qualquer participação no ocorrido. A polícia adiantou os trabalhos removendo cuidadosamente os olhos a Srta. Hollander e tirando fotografias de suas retinas. No dia seguinte, o jornal Washington Times escreveu:

"As fotografias dos olhos foram realizadas conforme o conselho de um oculista local, que disse à polícia que as retinas poderiam registrar a última visão da vítima, segundos antes dela expirar. A fotografia segundo fontes será usada como prova no processo contra o principal acusado Anthony Petras e mostrada ao Juri durante o julgamento no Sábado".   

Infelizmente,a despeito de todas as informações,a  técnica falhou em mostrar qualquer imagem suficientemente nítida. Petras foi julgado duas vezes pelo crime, e negou envolvimento no crime. Ele acabou sendo liberado por falta de provas. O assassinato de Theresa Hollander permanece um mistério até hoje.


Eventualmente a popularidade da Optografia Forense e seu uso como ferramenta de investigação começou a decair. Isso ocorreu principalmente pela dificuldade em obter imagens de boa qualidade das retinas dos mortos. Os olhos, segundo o consenso precisavam ser removidos poucas horas após a morte e preservados de maneira perfeita. Além do mais, muitos dos casos em que a técnica foi tentada se mostraram pouco confiáveis. O método era simplesmente muito complexo e pouco prático. Embora o método tivesse um mérito em potencial, seu resultado não era consistente o bastante para torná-lo aceito.

Não demorou para que ele acabasse caindo em desuso, mas esse não foi o fim da Optografia Forense.

Desde 1975 houve um renovado interesse no método através dos esforços do fisiologista  Evangelos Alexandridis que reavaliou alguns dos estudos feitos pelo Professor Kühne. Durante seus estudos, Alexandridis foi capaz de reproduzir alguns optogramas de coelhos que haviam sido anestesiados, amarrados e forçados a olhar para janelas e painéis, inclusive um quadro de Salvador Dali, antes de serem mortos e terem seus olhos removidos. Alguns dos espécimes forneceram imagens que se mostraram promissoras, mas o estudo não foi bom o bastante para validar a técnica. Essa foi uma das últimas vezes que a optografia foi testada de maneira científica. A prática gradualmente voltou a desaparecer, tornando-se uma curiosidade macabra do estudo médico-legal. 

Mas será possível que a Optografia tenha algum mérito científico? Será possível de alguma forma ter acesso a visão final de uma pessoa no exato momento em que ela morreu? Com o equipamento correto será que poderíamos ter acesso a essa derradeira visão? Mesmo que a ideia pareça ter sido definitivamente abandonada pela ciência médica, será que um dia teremos acesso aos segredos contidos nos olhos dos mortos?  

Por muito tempo, a expressão "Homens mortos, não contam histórias" foi aceita como uma verdade incontestável, mas através da estranha Ciência da Optografia isso poderia ser mudado.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Imagens Sinistras #2 - "O Truque do Desaparecimento"


As regras são simples:

1) Leia o texto, deixe-se levar pelo que está escrito;
2) Imagine o ocorrido;
3) Olhe a foto;
4) E se sentir um arrepio... de nada!

A História:

O ano era 1959, em Wisconsin, um grupo de crianças gostava de brincar de fazer mágica.

Brian Lipman, de 10 anos costumava ser o mágico responsável pelos truques: adivinhava cartas escolhidas pela platéia, separava argolas unidas e até tirava uma pomba viva de sua cartola. Ele havia sido a sensação da escola com esse truque.

Quando completou 11 anos, Brian, que usava o nome teatral "Magnifico, o Mágico" preparou um truque especial. Ele faria um menino da vizinhança desaparecer depois deste entrar em um baú de madeira. O truque era simples: o menino chamado David Klein de 6 anos, havia sido instruído sobre como deveria se portar. Ele entraria em uma caixa, e esta se abriria por trás para que ele pudesse sair por um fundo falso sem ninguém ver. Em seguida, o mágico mostrava o baú vazio! Para completar, após um passe de mágica, David reapareceria depois de entrar na caixa da mesma maneira que havia saído.

No dia em que Brian realizou o truque, o auditório da escola estava cheio.

Ele escolheu David "ao acaso" para ajudar no truque. O menino subiu ao palco e aceitou entrar na caixa. Após uma série de palavras, o jovem mágico abriu a porta para que todos vissem que o menino havia realmente desaparecido. A seguir, ele fechou a porta e repetiu o truque para trazê-lo de volta.

Mas quando a porta se abriu uma segunda vez, David não havia retornado.

O jovem mágico tentou o truque novamente, imaginando que seu pequeno ajudante havia cometido algum erro. Ele repetiu o truque, e quando a porta se abriu, o baú continuava vazio. Uma, duas, três vezes... Por fim, os pais pediram para que David aparecesse e preocupados começaram a procurá-lo pelo palco e bastidores.

Mas ninguém havia visto o menino depois dele entrar no baú mágico diante dos olhos de todos.

E, de fato, ninguém mais viu...

David Klein desapareceu sem deixar vestígios no dia 12 de Julho de 1959 e ele continua desaparecido até hoje.

A foto abaixo foi tirada quando ele ensaiava o truque no quintal da casa de Brian Lipman usando uma máscara.

Ninguém jamais soube o que aconteceu com ele.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Morte na Ilha Proibida - Missionário é morto na Ilha mais perigosa do Mundo.


Um cidadão norte-americano foi morto por membros de uma tribo isolado nas Ilhas Andaman e Nicobar.

Pescadores que levaram o homem até a lendária Ilha de Sentinela do Norte disseram que os nativos lançaram uma chuva de flechas sobre ele. Seu corpo acabou sendo abandonado na praia pelos pescadores que fugiram às pressas.

O sujeito foi identificado como John Allen Chau de 27 anos, nascido no Estado de Alabama.

Contato com as tribos de Sentinelenses é proibido por convenções e leis de proteção, pois teme-se que eles não tenham imunidade a doenças externas e um simples sarampo poderia dizimar a todos. 

Estima-se que a população de nativos atualmente esteja entre 50 e 150 indivíduos que vivem na parte central da Ilha em completo isolamento, em um estado primitivo similar ao de homens da Idade do Gelo. 

Sete pescadores que levaram Chau até a Ilha foram presos e serão processados por terem levado o americano até a ilha.


Repórteres locais informaram que Chau tentava chegar até Sentinela do Norte com o propósito de fazer pregação religiosa, uma vez que ele era missionário credenciado. 

"A polícia informou que Chau tentou previamente entrar na Ilha em pelo menos quatro ou cinco ocasiões, sempre com a ajuda de pescadores", relatou o jornalista Subir Bhaumik, que faz a cobertura na ilha há anos.

"Os habitantes de Sentinela do Norte não compreendem a maioria de nossos costumes e modo de vida. Eles não sabem o que é dinheiro e a noção de propriedade é desconhecida. Além disso, jamais tiveram contato com médicos".

Em 2017, o governo indiano proibiu também que fossem feitas fotografias ou vídeos dos aborígenes que vivem na Ilha, punindo quem transgride essa lei com uma pena que pode chegar a três anos de cadeia.

Os pescadores que acompanharam John Chau, o deixaram na Ilha e ficaram aguardando por algum sinal na costa. Entretanto, assim que Chau desembarcou, ele foi saudado com uma chuva de flechas. Uma delas atingiu seu estômago e ele caiu. Mesmo assim, o missionário se colocou de pé e caminhou na direção da floresta de onde vinham os disparos. Uma das flechas o acertou no pescoço e ele caiu novamente, em seguida, nativos foram até o corpo, amarraram uma corda em volta de seu pescoço e o arrastaram para a mata.

Map locator

Os pescadores fugiram nesse momento, temendo que poderiam também ser atacados pelos sentinelenses .

O corpo de Chau foi encontrado dia 20 de novembro. De acordo com o Hindustan Times, seus restos ainda precisam ser reconhecidos já que ele foi literalmente massacrado.

"É um caso difícil para as autoridades", disse Bhaumik, "Os Sentinelenses não são passíveis de punição pelos seus atos". A Tribo costuma ser extremamente agressiva contra qualquer forasteiro invadindo seu território.

Em pelo menos mais três ocasiões, pessoas próximas da ilha foram atacadas e por pouco conseguiram escapar dos nativos.

Os Sentinelenses possivelmente estão entre os primeiros povos a migrarem da África para as Ilhas Andaman, cerca de 60 mil anos no passado. De lá para cá,o povo mudou muito pouco e constitui um caso notável de tribo que não teve contato com o mundo moderno.

Organizações não governamentais baseadas em Londres tem realizado campanhas que visam proteger as tribos nativas das ilhas Andaman. A Ilha de Sentinela do Norte tem o tamanho aproximado da Ilha de Manhattan, mas seu interior jamais foi explorado.


"Nos tempos coloniais, a ocupação de britânicos dizimou outras tribos que habitavam a regiuão, varrendo do mapa os nativos. Apenas uma pequena fração das tribos originais sobreviveram. O temor dos Sentinelenses diante de estranhos é portanto compreensível".

A tribo dos Sentinelenses e dos Jarawa - que habitam outra ilha próxima, são formadas por caçadores e coletores, que vivem da mesma maneira que nossos antepassados.

Há algum tempo, o Mundo Tentacular tem um artigo a respeito de Sentinela do Norte no qual menciona sua história em detalhes. Para quem quiser ler, está aqui no link:

SENTINELA DO NORTE

*     *     *

Eu me pergunto se isso não poderia gerar um cenário.

Um grupo de invasores forasteiros, quem sabe contratados por uma Petrolífera ou talvez pessoas com boas intenções, missionários ou estudiosos, não obstante invasores, tentariam explorar a Ilha de Sentinela do Norte e entrar em contato com o povo nativo. Acabariam eventualmente fazendo contato, mas este se provaria muito mais perigoso e aterrorizante do que poderiam imaginar.

Para apimentar as coisas, bastaria inserir na história algumas coisas inexplicáveis, uma pitada de elementos de sobrenatural, algum terror desconhecido habitando o território desconhecido e horrores não humanos espreitando na mata.

Pronto! 


Receita perfeita para uma aventura de sobrevivência no limiar da civilização.

Ah sim, lembrando também que H.P. Lovecraft citava as misteriosas Ilhas que compõem o Arquipélago de Andaman em sua obra. A clássica "A Sombra sobre Innsmouth" (The Shadow Over Innsmouth), cita as tribos de pescadores que habitavam as Ilhas Andaman e que veneravam divindades marinhas e com eles haviam se miscigenado, dando origem aos híbridos conhecidos como Abissais.

A ilha também seria um dos lugares em que as perigosas tribos de Tcho-Tchos haviam se estabelecido. 

É surpreendente descobrir que em pleno 2018, praticamente nada mudou a respeito dos habitantes de Sentinela do Norte e que eles continuam vivendo como viviam seus antepassados distantes. E é provável que assim continue por muito tempo, se eles conseguirem perseverar diante dos mares tempestuosos da evolução humana.

Nota: Em tempo, essa última foto não é da tribo dos Norte Sentinelenses, mas de uma similar que vive em outra ilha e já teve contato com forasteiros. É possível que o nível cultural seja bastante parecido.

Os Goblins do Castelo de la Boca - Uma Casa infestada por Goblins em Buenos Aires


O Castelo de La Boca, fica no famoso bairro de mesmo nome em Buenos Aires. Ele é um belíssimo prédio, exemplo do estilo arquitetônico conhecido como Modernismo Catalão e se tornou um ponto de referência em todo bairro.

Como acontece frequentemente com construções históricas antigas e de grande simbolismo nas cidades, ele é tido como assombrado. Apelidado de "Torre do Fantasma", há pessoas na capital argentina que acreditam ser aquele, um dos endereços mais aterradores e não entrariam ali nem que obrigadas. O fantasma que supostamente habita o lugar, viveria no topo da torre, de onde muitas pessoas afirmam terem ouvido murmúrios e sussurros abafados. Alguns também relatam gritos e passos, que são ouvidos mesmo quando o prédio está vazio.

De acordo com a lenda mais famosa, o fantasma pertence a uma artista chamada Clementina, uma jovem artista que viveu lá há quase um século. A história da morte de Clementina envolve uma rica fazendeira, uma repórter determinada e uma estranha criatura chamada Follet, um monstro típico do folclore catalão, que é de muitas formas, similar aos goblins.

A história tem início com uma fazendeira chamada Maria Luisa Auvert Arnaud que era proprietária de uma grande estância rural nos arredores de Buenos Aires. Suas terras eram bastante rentáveis, usadas para plantio e para criação de gado, o que a tornava uma das pessoas mais ricas da cidade. No fim do século XIX, a Argentina havia se tornado o destino de muitos imigrantes vindos da Europa. Apesar do sobrenome francês, a Família Auvert tinha suas raízes históricas na Catalunia.  Eles haviam chegado a Argentina com planos de se estabelecer e conquistar fortuna. Adquiriram um pedaço de terra e nele prosperaram ao custo de muito trabalho.


Em determinado momento, Maria Auvert decidiu que iria se mudar com a família para a Capital. Para tanto, contratou um arquiteto catalão, Guillermo Alvarez e lhe deu ordens para construir uma casa que tivesse o mesmo estilo de sua terra natal. Para a obra, a fazendeira não poupou despesas, mandou trazer da Espanha móveis e material usado na construção. Também mandou vir plantas, inclusive um tipo de cogumelo típico da Catalunia para adornar as varandas. 

Quando a empreitada foi concluída em 1908, Auvert ficou extremamente satisfeita e resolveu se mudar com toda família. O Castelo deveria ser a sua Casa dos Sonhos, contudo ela ficou em seu novo lar pouco menos de um ano antes de arrumar as malas e ir embora. Ninguém sabia o motivo para que ela tivesse partido tão repentinamente, embora os vizinhos comentassem ouvir gritos no meio da madrugada. Comentava-se ainda que a mulher estava pálida e que havia perdido muito peso, seus filhos não saiam de casa e todos pareciam esconder algum segredo. Quando deixaram a morada pareciam aliviados, como se um pesado fardo tivesse sido removido de suas costas.

O dono seguinte do castelo, um rico empresário comprou a casa por um valor bastante barato. Ele concluiu que a morada era grande demais e decidiu que era melhor desmembrá-la em quartos para aluguel. Clementina, uma jovem pintora vinda da cidadezinha de Venado Tuerto, alugou a cobertura. Embora jovem, Clementina era bastante popular e talentosa. Ela havia conquistado certa fama na cidade após ser convidada por uma famosa galeria a expor as suas obras. A fama da artista atraiu a atenção de uma jornalista chamada Eleonora que era uma crítica de arte. 

Eleonora foi até a casa da artista para fazer uma entrevista. Clementina conhecia a repórter e sabia que aquilo poderia ser bom para sua carreira, por isso a recebeu em seu estúdio. Ela estava terminando uma série de quadros que alguns amigos consideravam que seria a sua obra mais importante até então. Eleonora pediu para que a artista permitisse que ela fizesse algumas fotografias no ateliê. A entrevista correu bem e foi bastante natural, Eleonora contou que a moça parecia feliz e estava alegre com a perspectiva de uma nova exposição.


Dois dias depois da visita ocorreu a tragédia!

Clementina, tomada por uma inexplicável crise de loucura havia cometido suicídio saltando da varanda no alto do Castelo. Seu corpo mergulhou em um espaço de quase quinze metros, indo cair pesadamente no pátio de pedra em frente da construção. Ela tinha uma expressão transfigurada de absoluto horror em sua face.

Seus parentes e amigos ficaram chocados com a notícia. Ninguém conseguia entender as razões que levaram aquela moça alegre e cheia de vida a cometer aquele ato de insanidade. Nada fazia sentido! Por que Clementina teria tirado sua própria vida?

Enquanto isso, Eleonora mandou revelar as fotografias para a matéria que seria publicada. A maioria das fotografias foi revelada perfeitamente, a não ser por uma fotografia que mostrava Clementina diante de um de seus quadros que ainda não estava concluído. Nessa foto em especial, Eleonora conseguiu perceber três pequenas formas que refletiam em um espelho. Eram como pequenas criaturas humanoides que pareciam se esforçar para se esconder. Impressionada com o que havia inadvertidamente capturado em suas fotografias, Eleonora decidiu investigar a história do suicídio da artista e do Castelo de la Boca.   


A busca de Eleonora por respostas, eventualmente a levou até Maria Auvert, que havia desistido de viver em Buenos Aires e estava radicada uma cidade chamada Rauch. Depois de contatar Auvert pelo telefone, Eleonora pegou um trem e foi fazer uma visita a fazendeira. Ela então revelou a terrível verdade a respeito de sua antiga casa...

Havia goblins vivendo nela! Não simples personagens de contos de fada, mas criaturas de carne e osso. Eram duendes perversos que se escondiam pelos cantos e costumavam fazer brincadeiras cruéis com aqueles que os viam. Chamados de Follet, perseguiam aqueles que os enxergavam e não era raro que pessoas acabassem machucadas por eles, algumas vezes, seriamente. Segundo Maria Auvert, esses seres faziam parte do folclore catalão.

Os Follet são um tipo de povo pequenino que habita cavernas, eles seriam nativos das florestas da Catalunha. Descritos como criaturas feias e malvadas, os Follett não medem mais do que 20 centímetros, são esguios e rápidos, sempre se escondendo pelos cantos. Costumam usar um barrete vermelho na cabeça, mas por vezes também deixam o cabelo crescer comprido. Eles roubam comida e mudam objetos de lugar na calada da noite, também são famosos pelas suas brincadeiras. A tradição dita que quem vê um deles, deve fingir não ter visto nada, do contrário eles passam a atormentar a pessoa até levá-la à loucura.

Auvert explicou que segundo a lenda esses goblins podem se transformar em cogumelos quando querem se escondem dos humanos. A mulher contou que os cogumelos trazidos da Catalunha provavelmente eram Follet disfarçados. A princípio, os goblins não causaram muitos incômodos. Entretanto, certo dia, uma criada viu um dos monstrinhos e apavorada chamou o marido para ajudar. O homem encurralou a criaturinha na despensa e a esmagou sob a sua bota.  
  

Depois disso, as coisas saíram do controle! Os follet transformaram a vida dos moradores da casa em um verdadeiro inferno, destruindo objetos, cortando a perna de móveis, estragando comida e colocando veneno na água. Eles mataram o cão da família e tentaram fazer o mesmo uma das crianças que ficou com um corte feio na garganta. Certo dia, um deles arremessou uma faca contra um criado que sofreu um ferimento leve na face; o homem pediu demissão logo depois. Temerosos de que as coisas poderiam ficar ainda mais perigosas, a Família resolveu partir o mais rápido possível. Uma vez que Maria Auvert tinha receio de ser taxada como louca caso a história fosse à público, nem ela e nem os empregados falaram a respeito do que aconteceu.

Depois de ter prometido manter a história em sigilo, Eleonora retornou a Buenos Aires. Ela jamais soube o que realmente aconteceu com Clementina, mas há uma suposição. Os follet ficaram furiosos quando a fotografia deles foi tirada, já que detestam luzes fortes e o flash da máquina os incomodou. Como vingança eles atacaram a jovem artista, correndo atrás dela e forçando-a à única saída possível de seu estúdio: a varanda.

Depois de sua morte, o fantasma de Clementina teria retornado ao Castelo de la Boca para continuar residindo em seu interior como uma presença invisível. Alguns acreditam que o fantasma continua aterrorizado com a presença dos Follet que vivem atrás das paredes e sob o piso de madeira da casa. Testemunhas teriam ouvido frases soltas como "onde estão vocês" e "fiquem longe de mim, suas pragas", além de gritos de mulher. Muitas pessoas afirmam ter visto um vulto no balcão do Castelo, sobretudo quando a lua está cheia, como estava na noite em que a artista mergulhou para a morte.


Dizem ainda que o quadro da artista, fotografado pela repórter teria desaparecido após a sua morte. O quadro teria sido roubado pelos Follet, escondido em algum esconderijo inacessível. Por esse motivo o fantasma de Clementina continuava vagando pelos cômodos tentando encontrar onde sua obra prima fora escondida. 

Se um dia o quadro for achado, talvez a maldição de Clementina chegue ao fim... 

Enquanto isso não acontece, o Castelo de la Boca continua encantando visitantes com sua história de tragédia e goblins.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Imagens Sinistras #1 - O Homem Pendurado na Casa dos Sonhos


As regras são simples:

1) Leia o texto, deixe-se levar pelo que está escrito;
2) Imagine o ocorrido;
3) Olhe a foto;
4) E se sentir um arrepio... de nada!

A História:

Orson e Elise Cooper, se mudaram com seus dois filhos para o que consideravam ser sua "Casa dos Sonhos". O ano era 1950 e todos estavam vivendo o Sonho Americano. A mãe de Elise, Dorothy veio fazer uma visita e em dado momento, Orson quis registrar a ocasião. Seria a primeira fotografia no novo lar dos Cooper!

No momento em que foi tirada, ninguém percebeu nada de remotamente estranho.

Isso só veio quando a foto foi revelada. Eles viram então, para seu horror, o que parecia ser um corpo pendurado no teto. A forma havia se materializado bem atrás deles e foi capturada pelas lentes da máquina fotográfica sem que Orson percebesse.

Supostamente a história da "Casa dos Sonhos" se provou muito mais sinistra do que podiam imaginar, uma vez que naquele mesmo terreno, no passado, existia um grande galpão. Em meados de 1862, no auge da Guerra Civil, o lugar serviu aos homens da Ku Klux Klan, que se reuniam sob aquele teto para suas desprezíveis encontros.

Segundo as lendas, em mais de uma ocasião, o grupo arrastou para o interior do galpão homens negros, judeus ou católicos que teriam desafiado as duras leis de segregação da época. No interior do galpão, dizem, havia uma viga de sustentação e nela os homens da Klan costumavam passar uma corda, onde penduravam suas vítimas pelos calcanhares. Em seguida este era surrado sem piedade! Os membros chamavam esse horror de "preparar o chá", pois a vítima pendia de ponta cabeça, como um saco de chá. Em outras ocasiões, a vítima era enforcada!

Na década de 30, o galpão onde tantas coisas horríveis haviam acontecido, pegou fogo e queimou até o chão. No ano de 1948, o terreno foi limpo e uma casa foi construída ali, posteriormente para ser habitada, sem que os novos donos soubessem de seu passado aterrorizante. A viga de sustentação ficava exatamente na sala dos Cooper, onde a foto foi feita.

Dizem que certas coisas deixam para trás uma lembrança amarga, resquícios de emoções que podem se manifestar em determinados momentos. 

Talvez essa foto seja um deles...


domingo, 18 de novembro de 2018

Nenhum tabu - Os Monges Canibais da India e seu bizarro estilo de vida


Através da história humana existiram cultos e sectos religiosos que causam sensações variadas a respeito de suas práticas. De curiosidade a surpresa, estupefação, ou mesmo medo e repulsa. Seja pelas suas práticas consideradas bizarras, pelos rituais perturbadores ou pelas crenças extremas beirando o fanatismo, alguns grupos causam verdadeiro choque em quem os observa pela primeira vez. Um grupo misterioso que causa reação dessa natureza é a bizarra tribo de místicos canibais da India conhecidos como Aghori, ou Aghori sadhus.

Os Aghori sadhus formam um culto ascético do hinduísmo que se consideram Shivistas, significando que são devotos do Deus Shiva, uma poderosa divindade hindu voltada para a morte e destruição, por vezes referida largamente como "Destruidor" e "Transformador". Os Aghori teriam surgido a partir de uma cisão de outro grupo de adoradores de Shiva, os Kapalika, em algum momento do século XIV. O atual secto entretanto incorporou os ensinamentos de um monge chamado Kina Ram, que viveu no século XVIII e é considerado pelos devotos como a encarnação de Shiva. Segundo a crença Kina Ram possuía poderes sobrenaturais, capacidade de vida e morte sobre as pessoas e teria vivido até os 150 anos de idade. 

Os Aghori são monistas que se desviaram dos ensinamentos e crenças tradicionais do hinduísmo. Eles não acreditam em alguns preceitos centrais da fé hindu, sobretudo o que diz respeito a distinção de pureza e impureza. Eles basicamente não acreditam na dualidade do universo, em uma divisão de certo e errado, defendem que não existe nada puro ou impuro, e que não deve haver nenhuma diferença. Para os Aghori, nada no universo é totalmente "bom" ou "mal", mas uma manifestação de seu Deus e portanto perfeito em suas falhas. Negar qualquer coisa, afastar ou ter preconceitos é negar a exist~encia de um Ser Supremo. Eles acreditam também que todos os seres humanos, incluindo outros hindus, vivem em um mundo de ilusões. Eles são incapazes de ver além de um véu de preconceitos que os obriga a separar tudo.


Os Aghori acreditam que Shiva está ao seu alcance e desejam transcender de seu corpo, ou shava, de maneira absoluta, para se tornarem uma parte do Deus. Para atingir esse estágio, eles precisam atingir um estado de indiferença total. Eles devem abraçar a morte, afastar tudo que poderia lhes causar preconceitos e repulsa, vencer os medos tradicionais e negar todos os prazeres físicos bem como as emoções de raiva, desejo ou vergonha. Da mesma forma, os monges abrem mão de qualquer sinal de sua passagem pelo mundo, portanto eles se afastam de suas famílias e bens. Através da negação total de sua identidade, da superação dos tabus e abraçando a igualdade, os Aghori acreditam que serão capazes de remover os laços que os mantém presos ao ciclo de reincarnação e que os impede de se tornar um com Shiva.

Membros da seita também acreditam que a maneira mais eficiente de atingir a luz do conhecimento é trilhar um caminho tortuoso através da mais profunda escuridão. Eles buscam a pureza na morte e em tudo aquilo que as demais pessoas consideram como maligno, sujo ou moralmente errado. Essa visão não ortodoxa, bem como seu desejo de abraçar todos os tabus, formam a base de complexos rituais que aos olhos de forasteiros são incompreensíveis, medonhos e aterrorizantes.


O atributo menos ofensivo dos Aghori reside em seu comportamento atípico. Eles usam um tipo de dialeto próprio repleto de palavrões e se dirigem às pessoas sempre gritando e xingando. Os monges acreditam que compartilhar blasfêmias é uma maneira de afastar tabus e portanto usam de irreverência e cinismo sempre que possível.

Os Aghori consomem drogas que alteram a sua percepção e servem para afastar qualquer timidez ou auto-censura. Eles fumam uma quantidade absurda de maconha, não para fins recreacionais, mas para aprofundar suas experiências espirituais e permitir uma maior percepção durante os rituais que exigem meditação. Os monges não cortam os cabelos ou aparam a barba, deixando que eles cresçam em longos dreadlocks emplastados com lama e urina para ficarem duros. Raramente se lavam ou tomam banho. Vestem-se com roupas simples, muitas vezes apenas o suficiente para poder transitar com mínimo decoro, mas alguns abrem mão de qualquer traje e andam nus, exceto por pesados colares de madeira em volta do pescoço. 

O fedor que os acompanha é ofensivo, quase insuportável. Em uma sociedade de castas como a da India, os Anghori sadhus seriam naturalmente considerados como párias e afastados do convívio das pessoas, contudo, eles também são monges e portanto respeitados pela sua devoção. Como resultado eles são tolerados ainda que vivam nas margens da sociedade, praticamente como mendigos que dependem da caridade alheia.

Em um esforço para quebrar todas as convenções e afastar emoções fracas e medos, os Aghori são infames por comer qualquer coisa. A dieta dos monges é suficiente para provocar náuseas e causar repulsa em pessoas sensíveis. Eles comem comida podre e lixo decomposto para horror de todos que assistem esse espetáculo escatológico. Por vezes, consomem tais substâncias revoltantes em bacias feitas de crânios humanos ou com talheres confeccionados com ossos. Enquanto a maioria das pessoas acha tal coisa revoltante, os Aghori acreditam que isso mata o ego e nega a percepção de beleza. Além disso, uma vez que eles não acreditam em "pureza" ou "impureza", não faz diferença se a comida consumida é asquerosa ou mesmo palatável. Para eles, se alimentar de lixo é o mesmo que consumir qualquer outra coisa.   

Os rituais de morte e o uso de restos humanos também são parte importante do dia a dia dos monges. Com o objetivo de confrontar a morte e a decadência, os Aghori costumam viver perto de cemitérios e locais de cremação, que são considerados como lugares sagrados por Shiva. Nos lugares de cremação, os Aghori coletam cinzas que usam para cobrir os seus corpos. Eles vestem ocasionalmente pequenas jóias e adereços feitos de osso e cabelo trançado, alguns também utilizam cajados cuja matéria prima são ossos humanos amarrados, em geral o fêmur. Uma sinistra bacia chamada kapala, é confeccionada com um crânio humano cujo topo é removido. Ela é levada em volta do pescoço com uma corda feita de cabelos humanos; usada para beber, como prato para a comida ou para receber esmolas.


A intimidade com os mortos não se limita a criar utensílios para o dia a dia. Os Aghori são conhecidos por usar cadáveres com uma espécie de altar no qual eles meditam, uma prática conhecida como shava samskara. Para isso, eles simplesmente dispõem um cadáver, na falta dele, restos humanos, sobre o qual sentam em posição de lótus. O contato, na crença dos monges ajuda a projetar seus pensamentos e limpa a mente.

O secto entretanto, talvez seja mais notório por suas práticas repulsivas de canibalismo. O ato de consumir restos humanos é parte de um ritual com o objetivo de absorver efeitos medicinais que reduz os sinais do envelhecimento, mas que também tem um simbolismo próprio. O de compartilhar de uma mente universal. A carne humana é cortada de cadáveres e então consumida crua ou cozida em uma fogueira. Por vezes, a fonte é uma sepultura da qual o cadáver putrefato foi removido. O pedaço desejado é cortado cuidadosamente, e o resto guardado de volta.  

Por mais macabro e revoltante que isso possa parecer, os Aghori não matam ou ferem as pessoas. Toda a sua relação com restos humanos, seja na construção de ferramentas ou na alimentação, advém de cadáveres. Em geral, esses cadáveres pertencem a pessoas que foram depositadas nas águas do Rio Ganges, considerado sagrado pela religião hindu. Na India, o costume de cremar os cadáveres é bastante difundido, mas algumas pessoas não devem ser cremadas de acordo com os preceitos religiosos. Estes incluem crianças, homens santos, mulheres grávidas, mulheres solteiras e aqueles que morreram de lepra, mordidas de cobra ou por suicídio. Ao invés de serem cremados, estes corpos são comumente descartados nas águas do Rio Ganges para serem carregados pela maré. O objetivo é simbólico, as águas do Rio sagrado lavam os pecados e deixam o corpo purificado. Por vezes, mesmo os corpos queimados acabam flutuando no rio, onde o fogo acaba se apagando, deixando os restos apenas parcialmente cremados. As pessoas tendem a não se importar com o destino desses restos, eles são considerados meramente como cascas vazias que não tem mais uma função.

Os Aghori costumam procurar por estes restos, muitas vezes lançados nas margens do rio. Eles são usados como altar de sua meditação, como recurso para a criação de objetos práticos ou então, para o consumo da carne.  


Apesar de toda a imagem sinistra que cerca os Aghori, a noção de morte e decadência associada a eles não os impede de serem respeitados. Muitas pessoas consideram que os monges possuem um talento para operar milagres de cura. Eles próprios, a despeito da maneira revoltante em que vivem, raramente sofrem com doenças. Existe a crença de que os Aghori dominam rituais e magias que lhes permite absorver todo tipo de moléstias e então curar a si próprios. Para absorver essas doenças, a magia Aghori exige contato físico, por vezes íntimo entre doente e mago. Alguns rituais exigem carícias, toques, lambidas e até mesmo um forte componente de cunho sexual. A ideia é que Shiva se deleita com os atos de cura realizados pelos seus monges.

Existem boatos de que xamãs Aghori sejam capazes de criar fórmulas mágicas, soluções, bálsamos e pomadas com ingredientes bizarros (que é melhor nem descrever aqui) capazes de curar uma infinidade de doenças que pela medicina tradicional estão além de qualquer socorro. Segundo rumores, até mesmo Câncer e AIDS poderiam ser curados pela intercessão dos poderes medicinais dos feiticeiros. 

É claro, os Aghori não são bem vindos em todos os lugares. Os indianos modernos não toleram a presença deles e em geral as autoridades são chamadas para interceder e remover os monges quando eles aparecem em lugares impróprios. Apesar das tradições serem largamente respeitadas, o comportamento dos monges é suficiente para causar comoção, sobretudo quando há turistas presentes. Eles são tolerados em áreas rurais e regiões afastadas nas quais prevalecem costumes antigos, enraizados no seio da sociedade. Os Aghori podem ser encontrados mais comumente no norte da India, seguindo o curso do Ganges, particularmente no Vale de Varanasi, onde os Templos mais importantes dedicados a Shiva foram erguidos. O mais sagrado dos templos Aghori supostamente guarda os restos de Kina Ram, o sacerdote que deu início ao secto.


Há muitas religiões, seitas e cultos mundo afora, crenças que são compartilhadas por pessoas de todas as raças e nacionalidades. Todas tentam oferecer aquilo que o ser humano, em geral, deseja: uma resposta para questões existenciais e quem sabe, a verdade cósmica. Quem somos? Para onde vamos? Qual o nosso propósito? Apesar de desconcertantes as práticas dos Aghori fornecem uma revelação mística aos seus seguidores e eles parecem felizes com ela. 


Mas será que eles deveriam ser permitidos a continuar trilhando esse caminho bizarro? 

Quem pode dizer ao certo? 

A despeito de nossa opinião ou preconceitos, os Aghori continuam existindo na India e não demonstram qualquer sinal de que vão um dia desaparecer. Quem sabe se eles, ao seu modo, não conseguiram atingir a tão desejada iluminação.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Cabeça Encolhida - O dia em que tive uma cabeça humana nas mãos


Explorar o centro daquela cidade exótica era por vezes como entrar em uma espécie de túnel do tempo e atravessar séculos de história como quem cruza uma viela.

As ruas estavam sempre cheias de pessoas de todos os tipos: comerciantes, visitantes, trabalhadores, carregadores e gente tratando de seus afazeres diários. Uma cacofonia confusa de sons emergia em diferentes dialetos e idiomas. Odores também emanavam daquele Grande Bazar: das panelas de bronze que cozinhavam iguarias exóticas carregadas de especiarias, da banca que vendida flores raras que formavam um arco-iris de cores e fragrâncias e dos corpos mau lavados dos que labutavam desde cedo.

Uma parte em especial daquela feira chamava minha atenção e do colega que me acompanhava naquela expedição. O local ocupava tradicionalmente uma viela comprida e estreita que descia tortuosa, espremida entre dois prédios antigos de fachada decadente. Chamavam o lugar de Bazar das Pulgas e era um nome adequado. As mercadorias eram dispostas no chão de pedra retangular, em lonas empoeiradas nas quais repousavam tal qual, oferendas a um Deus Pagão. Seus negociantes as haviam retirado do lixo de mansões e palacetes. As haviam colocado em carroções ou carrinhos que eram empurrados pelas ruas. Muitas daquelas coisas não passavam de rejeito abandonado, desencavado por mãos determinadas a transmutar aquele refugo em algumas moedas.

Tendo visitado o Bazar em diferentes ocasiões sabíamos que era ali que verdadeiros tesouros poderiam ser encontrados. Alguns à preços módicos, visto que as mazelas da vida naquela cidade ímpia haviam forçado muitas pessoas à condição de catadores. Haviam aqueles que sabiam o que tinham em suas mãos, enquanto outros alienavam tesoiros diante de qualquer proposta. Não barganhavam como os comerciantes renomados, pois regatear é requisito dos que podem se dar a esse luxo.

Vagávamos por ali em revista pelas bancas sórdidas, quando meu colega apontou para uma das vendinhas mais humildes daquela quadra. Os objetos estavam distribuídos sem qualquer critério. Ele olhou curioso para os itens e sinalizou para que eu desse atenção a alguma coisa ali exposta. Meus olhos vasculharam as coisas ali deitadas, até recaírem sobre uma peça em particular que estava disposta de modo pouco cerimonioso.

Era um objeto pequeno e do tamanho de um punho adulto fechado, confeccionado a partir do que parecia ser um retalho de couro cru. Tinha uma cor desagradável: pardacenta e castanha desbotada e com o topo coroado por longos fios de cabelo formando o que lembrava uma crina de cavalo. A coisa ressecada e diminuta me chamou a atenção imediatamente, mesmo antes de me aperceber se tratar de uma cabeça humana encolhida.

Era realmente hedionda!


Eu sabia a respeito dessas práticas realizadas em aldeias selvagens nos cantões mais remotos do continente. Escrevi a respeito disso em certa ocasião... As cabeças de inimigos ou desafetos dessas tribos ferozes eram decepadas ritualisticamente. Um corte transversal extraía o crânio e a pele era cuidadosamente tratada dali em diante. Os olhos e a boca primeiro eram costuradas com cipó, depois a pele era mergulhada num caldeirão de ferro para ferver em uma mistura de ingredientes naturais. O calor fazia com ela ganhasse rigidez e uma textura de couro batido. Também causava seu encolhimento a quase um terço de seu tamanho normal. Como toque final, os cabelos que haviam sido aparados, eram colados no topo da cabeça.

Instintivamente me abaixei para examinar a coisa e não resisti a apanhá-la em minhas mãos. Ato do qual imediatamente me arrependi: não pela repulsa que emanava da coisa blasfema (embora fosse, em verdade, repugnante!), mas pela noção de que eu tinha em minhas mãos a cabeça de um ser humano que havia passado por uma experiência de vilipêndio inenarrável.

O que me chamou a atenção na cabeça em si é que era leve, não mais pesada do que um saco vazio de veludo. Talvez eu esperasse alguma substância, não sei dizer... Os cabelos eram lisos, porém tinham uma aspereza desagradável e cheguei a pensar que pudessem ser artificiais, mas logo descartei a hipótese. Tudo ali sugeria ser horrivelmente autêntico, medonhamente real.

O vendedor, que por um instante, pareceu aos meus olhos, um representante da decaída raça de maldosos anões conhecida como Tcho-Tchos, surgiu simpático.

"Gostou? Está à venda! Se quiser levar, é sua", sorriu convidativo, mostrando dentes brancos (e serrilhados? Talvez, tenha visto demais!).

"É de verdade? De onde veio?" perguntei tentando desviar a conversa.

"Sim, é real... o dono trabalhava na embaixada peruana. Limparam o lugar e me deram para que eu vendesse", ele explicou.


Me dei conta que ainda estava segurando a maldita coisa nas mãos e então coloquei-a de volta cuidadosamente no lugar. O vendedor comunicou o preço e este era alto demais! Não sei como teria reagido se fosse mais acessível... se levaria ou não aquele objeto medonho para abrilhantar minha coleção de estranhezas. Finalmente, quando o vendedor já impaciente disse que eu podia fazer uma proposta para ter a peça, preferi evitar de fazê-lo.

E se ele, por algum acaso, concordasse na oferta?

Penso em que pesadelos aquela coisa maldita poderia proporcionar caso a tivesse levado para casa? Que sonhos negros, eivados de maus agouros tal objeto daninho poderia suscitar em minha mente dada a portentos de fértil imaginação?

Melhor não pensar a respeito, melhor deixar a questão sem resposta.

*     *     *

E este foi o saldo de uma visita à lendária Feira de Antiguidades da Praça XV no Centro do Rio de Janeiro em que realmente topei com uma cabeça encolhida sendo vendida. Não, o vendedor não era um Tcho-Tcho (ao menos, não que eu saiba). E não, o lugar não é chamado de Bazar das Pulgas - embora eu lutarei com unhas e dentes para que, doravante, o seja.

Por vezes, as aventuras lovecraftianas encontram-se mais próximas do que podemos supor...

Em tempo: Vale a pena registrar a minha expressão pouco confortável, ao segurar a coisa, registrada na foto abaixo.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Safra de Horrores - Uma lista de fimes lovecraftianos sem ser lovecraftianos


Todo fã de filmes de terror e de H.P. Lovecraft espera ansiosamente por um filme de qualidade inspirado na obra do distinto Cavalheiro de Providence.

Infelizmente a carreira de Lovecraft no cinema rendeu uma safra variada de filmes no que diz respeito a qualidade. Eu costumo dividir os filmes baseados na obra de Lovecraft em três tipos:

1) Aqueles bastante fiéis, sobretudo por serem feitos por fãs, como "The Call of Cthulhu" e "The Whisperer in Darkness" ambos produzidos pela HPLHS (HP Lovecraft Historical Society). "The Mountains of Madness" que seria dirigido por Guilhermo del Toro prometia ser absolutamente fiel ao conto, e sem dúvida tinha chances de vir a se tornar o expoente máximo desse exemplo, mas Prometheus acabou com esses planos (maldito seja Ridley Scott!!!!)

2) Os que ganharam o status de cult conquistando uma legião de fãs ainda que deixem a desejar no quesito fidelidade a fonte original, como "Re-Animator", "From Beyond" e "Dagon". Esses estão longe de serem ruins (bem, boa parte ao menos) ainda que eu imagine que Lovecraft ficaria corado como uma beterraba diante das cenas de indisfarçável saliência e enjoado com o festival de sangue e tripas de algumas produções.

3) E finalmente há aqueles que são simplesmente medonhos. Filmes ruins demais que tentam ganhar um pouco de reconhecimento ou granjear fãs chapinhando elementos típicos do universo lovecraftiano. São em geral produções rasteiras que pinçam nomes de criaturas ou referências menores. Alguns até podem ser divertidos, mas a grande maioria é de lascar.

Mas há ainda uma quarta vertente. São aqueles filmes levemente inspirados no Universo de Horror Cósmico do Mythos, sem contudo assumir isso em momento algum. Exemplos clássicos são "O Enigma do Outro Mundo", "O Nevoeiro", o primeiro "Hellboy" e até mesmo "Alien, o oitavo passageiro". Eu costumo chamar esses filmes de "Lovecraftianos sem ser Lovecraftianos".

São filmes onde as "digitais incriminatórias" que apontam para um roteiro inspirado por Lovecraft estão em toda parte. Filmes em que os fãs conseguem encontrar os indícios claros, mas que não possuem uma ligação assumida com a mitologia Cthulhiana.

Aqui está uma pequena lista de filmes tipicamente lovecraftianos, mas onde você não ouvirá uma vez sequer os nomes Cthulhu, Dagon, Necronomicom etc... alguns deles são bastante obscuros, mas é possível encontrá-los com algum esforço na internet. Nem todos são "bons", alguns são meio "estranhos", mas no geral são filmes com uma pitada de tentáculo, aqui e uma blasfêmia ali.

Ok, eu confesso que tomei emprestado o mesmo texto que escrevi anos atrás quando escrevi um artigo exatamente sobre o mesmo tema. Incrível que de lá para cá, pouca coisa mudou e as referências continuam rigorosamente as mesmas. Continuo esperando "aquele filme" lovecraftiano que vai definir o gênero e fazer jus à literatura de Lovecraft. Enquanto isso, vamos nos agarrando ao que temos. 

Sem mais delongas, a lista:

1) O Culto (The Endless, 2017)


Dois irmãos recebem um vídeo enviado por um culto do qual eles fugiram anos atrás, quando ainda eram crianças. A seita os convida a retornar e desfazer más impressões deixadas... O irmão mais velho, Justin desconfia dos motivos do grupo que na sua opinião era uma espécie de seita suicida que venerava discos voadores. Aaron, o mais jovem, no entanto, tem ótimas lembranças do tempo que passou na companhia do grupo. Justin não sabe se os seus temores são justificáveis ou não. Ele não testemunhou nenhuma morte e sua desconfiança parece ser mero preconceito. Depois de muito ponderar os dois acabam retornando para reavaliar suas experiências. Aaron acaba se apaixonando por uma colega. Justin sente que há algo estranho no ar. E realmente algum estranho fenômeno parece prestes a acontecer a medida que um dia especial para o culto se aproxima. 

Ok, a premissa é interessante! Quando eu assisti o trailer fiquei ansioso para encontrar o filme e procurei por ele por semanas... período em que criei uma grande hype a respeito da produção. Grande erro! Nada prejudica mais um filme do que construir a respeito dele uma grande expectativa.

Não que "O Culto" seja ruim. Não é...

O filme tem excelentes momentos e boas ideias. Há algumas coisas surreais na trama e ela tem alguns momentos interessantes que acenam com um mistério realmente intrigante. Mas no fim, fica devendo. As respostas não são suficientes e as coisas no final ficam um tanto sem explicação... Talvez o maior pecado do filme seja sinalizar com uma história que à primeira vista é de horror, mas que no fim das contas, não passa de uma ficção científica light.

Endless é diferente, um filme bem feito e bastante inovador, mas ainda assim, falta alguma coisa que o impede de ser o que poderia ser. Ainda assim, vale a pena arriscar!

2) Primavera (The Spring, 2014)


Do mesmo diretor e roteirista de "O Culto", Primavera é outro filme estranho e difícil de encaixar em um único gênero. Ele começa como um drama, se transforma em um romance, passa para o reino da Ficção Científica e consegue causar alguns arrepios com pitadas de horror.

Talvez a melhor definição desse filme seja uma história de amor mitológica, com algumas reviravoltas imprevisíveis. Uma história de como o verdadeiro amor pode superar obstáculos aparentemente intransponíveis e achar o seu caminho. E entre uma e outra cena de romance há espaço para sequências sangrentas, bizarras e estranhas. O ritmo é dolorosamente lento e você fica se perguntando o que diabo vai acontecer, e torcendo para que aconteça de uma vez. Ao contrário do outro filme, aqui as coisas são explicadas, mas quando vem a explicação é impossível deixar de pensar: "Caraca, que diabo foi isso que eu acabei de assistir"?

Primavera é um filme que tem o mérito de ser despretensioso e justamente por isso, te pega de surpresa e consegue envolver. 

A história é simples. Evan cuida de sua mãe desenganada no leito de morte. Quando finalmente ela sucumbe, o rapaz acaba se envolvendo em uma briga estúpida, motivada pelo seu luto. Para evitar problemas com a polícia, ele decide se afastar e passar algum tempo na Itália, ao menos, até a poeira baixar. Uma vez lá, Evan conhece outros mochileiros e começa a explorar a cidade, tentando aproveitar suas férias. Eventualmente ele cruza o caminho de uma bela mulher chamada Louise e se sente atraído por ela. Por sua vez, ela retribui, e os dois começam a namorar. O que emerge disso, entretanto, não é uma relação óbvia como se poderia imaginar... a misteriosa e impulsiva Louise não é exatamente o que Evan imaginava e tudo indica que ela está escondendo algum tipo de terrível segredo.

Há algo claramente lovecraftiano na trama, que remete a uma das histórias clássicas do mestre do horror. Primavera é um filme discreto, sensível e inovador, características que nem sempre casam bem com o gênero horror. Mas aqui, a mistura resulta em algo, no mínimo, interessante. 

3) A Dark Song (2016)


Rapaz, eu gostei muito desse aqui e acho que ele até merece uma resenha maior.

A Dark Song é um filme sério, dark e com um ritmo lento, mas que consegue manter o interesse ao longo de toda a sua duração. Ele não mostra praticamente nada, não há gore ou criaturas, não há sangue em excesso ou efeitos especiais, mas mesmo assim, ele consegue entrar na sua pele e perturbar. Bons filmes de horror, causam esse efeito, graças a atmosfera e clima que vão construído cena a cena. E a atmosfera aqui é pesada, o clima de trevas!

A Dark Song pode ser sutil, mas é uma bela história de horror. 

Com grandes atuações, roteiro muito bem escrito e uma direção eficiente, os dois personagens principais disputam a atenção do espectador que fica em dúvidas a respeito de quem ali está planejando enfiar a faca nas costas do outro. Não há sustos baratos ou tentativas bobas de assustar, tudo é milimetricamente calculado. O roteiro vai se abrindo como um pesadelo claustrofóbico e o ambiente confinado de uma casa isolada na região rural da Inglaterra, usada como base para um ritual de invocação, funciona perfeitamente. A medida que a história progride, os personagens vão mergulhando em uma espiral de tensão cada vez mais sinistra e mórbida que vai acabar por sobrepujá-los.

O enredo é simples, mas muito bem amarrado.

Uma mulher obcecada pela morte de seu filho, vítima de um grupo de adolescentes que realizaram um ritual de magia negra, aluga uma casa isolada no interior da Inglaterra. Ela contrata um ocultista veterano e calejado, assombrado pelos seus próprios fantasmas, para conduzir um intrincado ritual. Seu plano é contatar o filho e saber o que aconteceu, no entanto ela esconde suas verdadeiras intenções.

Grande parte do filme se desenrola enquanto a dupla cumpre os extensos rituais de purificação e os preparativos para a cerimônia. Não me lembro de um filme ter conseguido capturar com tantos detalhes elementos do mundo oculto e da feitiçaria de uma maneira tão convincente. O resultado é um suspense muito bem feito e um final bastante inteligente.

4) Ghost Stories (2017)


É difícil falar desse filme sem recair em algum spoiler, portanto, vou tentar ser especialmente cuidadoso ao falar dele.

Ghost Stories é daqueles filmes de horror que contam uma história central, que por sua vez se desenvolve a partir de histórias secundárias. De fato, há três histórias acessórias, cada qual com seus pontos fortes e fracos, mas de um modo geral, agradáveis de assistir. Há alguns sustos aqui e ali, suspense considerável e algumas cenas de humor negro que vão desenhar um sorriso nervoso na sua face.

A trama tem uma excelente premissa: Phillip Goodman é um cético investigador do sobrenatural, um homem de ciência que ganha a vida expondo farsas e provando fraudes alegadamente sobrenaturais. Ele é procurado por um de seus ídolos, um velho estudioso que realizava o mesmo tipo de pesquisa que ele, desmascarando charlatãos. No fim da vida, o velho propõe que Phillip investigue três casos sobrenaturais que ele não conseguiu desvendar e sugere que estes podem realmente conter elementos sobrenaturais. A cada caso investigado, Phillip mergulha em uma situação diferente que vai mudando sua percepção e acaba tendo um efeito dramático em suas crenças.

A produção é muito caprichada e o elenco excelente, contando com a ilustre presença de Martin Freeman, o rosto mais conhecido presente. Não consigo falar muito mais a respeito desse filme sem entregar alguma coisa, então é melhor nem tentar ir além.

Infelizmente, justo no clímax o filme se perde um pouco e acaba saindo dos trilhos. Eu fiquei um pouco desapontado com a conclusão, mas ainda assim, é um filme interessante que vale a pena ser assistido. Há algo de mórbido e sinistro, principalmente na segunda e terceira histórias que remetem a algo decididamente lovecraftiano.

Assista e tire suas próprias conclusões...

5) A Casa do Medo - Incidente em Ghostland (Incident in a Ghostland, 2018)


Eu estava esperando esse aqui desde que vi o trailer e tentei a todo custo conter a hype ao redor dele.

O filme é de Pascal Laugier diretor e roterista de Martyrs, filme que me deixou de cabelo em pé e sem palavras anos atrás. Eu estava aguardando ansiosamente, mas os primeiros comentários muito polarizados me deixaram com um pé atrás... algumas pessoas falavam que era uma verdadeira obra prima e um clássico imediato, outros que o filme era risível, fraco e sem substância. Realmente, se você pegar as críticas, vai encontrar notas extremas para cima e para baixo, gente atribuindo a ele a nota máxima de cinco estrelas e outros uma única estrela, pois é a nota mínima.

Eu vou no caminho inverso. Vou dizer que achei ele mediano e que duas estrelas e meia estaria de bom tamanho.

O filme começa bem, segue em um caminho que te deixa intrigado a respeito do que vai acontecer, mas na metade pega um atalho totalmente diferente, enveredando por uma trama meio confusa e esquisita. É uma pena, pois tinha tudo para ser um filme de terror bem acima da média. O diretor consegue construir um clima angustiante e cenas altamente impactantes sobretudo no primeiro ato que conta a história da invasão da casa. Dali em diante a coisa perde o rumo, levando a um final meio sem graça.

Na trama uma família composta pela mãe e duas garotas adolescentes de temperamento totalmente oposto, seguem para seu novo lar, A casa é parte de uma herança, recebida após a morte de uma tia distante. Na estrada, as três acabam cruzando o caminho de uma dupla de maníacos realmente perigosos. Eles invadem a casa no meio da madrugada, dispostos a fazer as maiores barbaridades. As três precisam lutar com unhas e dentes pelas suas vidas. Dezesseis anos mais tarde, quando se reúnem novamente, na mesma casa, as coisas se tornam realmente estranhas.

O filme faz um aceno para o velho Lovecraft logo na abertura. Uma das meninas é fã de Lovecraft e aspira ser uma escritora de horror que tem no cavalheiro de Providence sua maior inspiração. Mas não há praticamente nada de Horror Cósmico no roteiro. O terror aqui é basicamente psicológico, dramático e carregado de melancolia e amargura. Apesar do título remeter a "Fantasmas", o filme não tem nada de assombrações ou sobrenatural... isso no entanto, não impede de ser bastante assustador.

Assista por sua conta e risco.

Por enquanto são esses... mas tem outros filmes para incluir nessa lista.