quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Mesa Tentacular: "Não me Esqueça" (Forget Me Not) - Primeira sessão


Olá pessoal,

É com grande alegria que o Mundo Tentacular trás sua primeira aventura online do canal de jogos do blog. Essa é apenas a primeira de muitas Mesas Tentaculares já planejadas para esse ano, nosso objetivo é oferecer mesas regularmente com cenários clássicos e consagrados. O carro chefe é Chamado de Cthulhu, mas é claro, iremos passear por outros sistemas e ambientações, trazendo sempre alguma história empolgante, um mistério aterrorizante ou uma aventura arrepiante.

Nessa primeira sessão da Mesa Tentacular temos "Não me Esqueça", uma aventura escrita pelo genial Brian Sammons para a antologia "The Things we Leave Behind" da editora Stygian Fox. Em 2017 essa antologia foi eleita no Ennie Awards o melhor suplemento de aventuras prontas do ano, e francamente, muito dessa premiação se deve a essa fantástica aventura de horror contemporâneo.

Não me Esqueça é uma aventura diferente. Nela um grupo de indivíduos desperta à bordo de uma van em uma estrada deserta logo após sofrer um acidente. Eles não sabem como vieram parar ali, não sabem quem são as pessoas que os acompanhavam e nem mesmo quem são eles próprios. Enquanto tentam juntar as peças desse misterioso quebra-cabeça, os personagens começam a compreender que alguma coisa muito estranha aconteceu e que eles parecem ter enfrentado alguma experiência traumática que apagou sua mente. Aos poucos as memórias vão retornando e eles se vêem imersos em um horror do qual aparentemente não há escapatória.


Eu os convido a embarcar nessa história de horror nihilista e loucura onde o maior terror é lembrar o que aconteceu e encarar as consequências dessa memória.

Junte-se a um time de jogadores veteranos que conta com Iuri Martins (do Andarilho do Infinito), Carlos Vloet (do NPCs), Rodrigo Gonzales e Igor Cohen (da Guilda do Ney), além do nosso colega Thiago Queiroz (do Mundo Tentacular) nessa investigação.


E aguardem pois em breve teremos a continuação e mais aventuras.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Mau Presságio - Um desastre iminente estaria à caminho do Japão


Os japoneses temem a chegada iminente de um desastre natural depois de terem sido encontrados nos últimos dez dias, na baía de Toyama, três peixes de águas profundas e cuja presença na costa é encarada como prenúncio de terremotos e tsunamis.

De acordo com jornais locais, dois destes três peixes foram encontrados na mesma costa, enquanto o terceiro espécime, que media mais de quatro metros de comprimento, ficou preso numa rede de pesca no porto de Imizu.

Os animais típicos de grande profundidade possuem longos corpos em tons de prata e barbatanas vermelhas, são raramente vistos na superfície, embora a lenda indique que o peixe-remo – conhecido no Japão como o “mensageiro do palácio do Deus do Mar” – sobe à superfície de tempos em tempos. Ele seria uma espécie de arauto de maus presságios, com a função de anunciar catástrofes e dificuldades vindas do mar. 


A origem dessa crença decorre de uma lenda muito antiga cuja origem se mistura com mitos.

Segundo ela, no passado longínquo, pescadores teriam encontrado o filho preferido do Deus do Mar na forma de um peixe-remo. Ele ficou preso em recifes e agonizava a medida que a maré baixava. Os homens do mar o salvaram e o devolveram ao mar. Como recompensa, o Deus, agradecido, prometeu enviar um mensageiro sempre que houvesse um desastre iminente.

Esta não é obviamente a primeira vez que esta espécie de peixe aparece no litoral japonês.




Em 1896 o Terremoto de Meiji-Sanriku causou devastação e a morte de 22 mil pessoas. Poucas semanas antes do tremor, 14 peixes-remo teriam sido avistados em praias na região. Em 1933, outro Terremoto em Sanriku destruiu milhares de casas e provocou 3 mil mortes. Dias antes, peixes-remo foram encontrados o que desencadeou grande comoção e demonstrações de desespero. Mais recentemente, antes do Grande Terremoto que atingiu o Japão em 2011, cerca de 20 peixes-remo foram encontrados nas praias da região de Tohoku. Naquela ocasião, o tremor de 9,0 na escala Richter - o maior da história do país, acabou por originar um tsunami que vitimou 29.000 mil pessoas. 

Os cientistas não chegaram ainda a um consenso a respeito deste mau presságio. Alguns especialistas defendem que não há uma ligação definitiva e direta entre o aparecimento dos peixes e terremotos, enquanto outros admitem que é possível que estas espécies sintam a chegada de desastres naturais que os obrigam a buscar a superfície.

Kiyoshi Wadatsumi, sismólogo chinês, afirma que os peixes de águas profundas são criaturas “muito sensíveis a movimentos irregulares” oriundos do fundo do mar. E, por este motivo, sustenta que é possível que o aparecimento destes animais esteja associado à um tremor submarino.


“Não há nenhuma evidência científica para a teoria de que os peixes-remos estejam associados a grandes terramotos, mas não podemos negar essa possibilidade“, considerou Kazusa Saiba, diretor do Uozu Aquarium, no Japão, em declarações à CNN.

A espécie, também conhecida como "serpente marinha" também foi encontrada na costa de outras regiões, como na Califórnia, nos Estados Unidos e no México, curiosamente ambas as regiões propensas a abalos sísmicos.

Não são apenas os japoneses que associam o aparecimento de determinadas espécies marinhas em alto mar a presságios de desastres naturais. Em 2018, uma criatura de grandes dimensões apareceu sem vida em uma praia das Filipinas, levando alguns locais a acreditar na chegada do Apocalipse. O animal em questão era uma Lula Gigante bastante rara. Segundo crenças de pescadores filipinos, o surgimento destes animais são sinal de má sorte e desgraça.

*     *     *

Sempre que me deparo com notícias assim, me recordo que conhecemos muito pouco a respeito das profundezas do mar. É irônico que saibamos mais a respeito de outros planetas do que a respeito do que existe nas profundezas insondáveis do planeta que tratamos como "nosso".

O que habita as profundezas? O que existe muito abaixo da superfície? Quantos mistérios ainda temos a descobrir nos abismos insondáveis?

Talvez, para o nosso próprio bem, seja melhor não saber...

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Linha do Tempo A Era do Homem Moderno até o Fim dos Tempos


E nossa Linha do Tempo cronológica com os principais incidentes da presença dos Mythos na Terra chega ao fim nessa terceira parte. Se você não leu as partes anteriores, por favor, acesse os links para ler estes artigos na ordem correta.

Diferente das demais, aqui ela se concentra na presença e interação direta entre os Mythos com a raça humana contemporânea que se converte na forma de vida mais preponderante. Também diferente das demais linhas, os acontecimentos são aglutinados em um período consideravelmente menor de tempo - ao passo que antes os avanços eram de milhares de anos ou até milhões, nessa última, temos passagens de meros anos ou décadas separando cada acontecimento. Também é importante notar que a maioria desses eventos é de menor importância quando comparados aos fenômenos de monta planetária, descritos anteriormente.

Isso se dá para que possamos fazer uma apreciação de incidentes e fenômenos que tem lugar na época em que vivemos. Se fosse de outra maneira, o período entre o surgimento do homem e a sua extinção transcorreriam sem qualquer relevância e dificilmente seriam percebidos, tanto quanto percebemos o surgimento de um formigueiro em nosso jardim.


PARTE 3:
A ERA DO HOMEM MODERNO

3700 a.C: Início do Período Uruk da Civilização Suméria.

3100 a.C: A Primeira Dinastia do Egito é fundada.

3000 a.C: Auge da Civilização Suméria.

2613 a.C: Nephren-Ka, um Faraó verdadeiramente terrível chega ao poder durante a III Dinastia do Egito. Ele reaviva o culto dos Deuses Negros como Nyarlat, que passa a chamar Nyarlathotep. Ele também encontra o Trapezoedro Brilhante e constrói um templo dedicado a seus deuses. O Faraó Snefru derruba Nephren-Ka, e seu nome é apagado da História do Egito. Entretanto, as religiões negras que ele redescobriu começam a se espalhar.


2400 a.C: Indícios mais antigos de que Shub-Niggurath era venerada por povos primitivos como uma Deusa de Fertilidade e Fecundidade.

2250 a.C: Sargon de Akkad, Rei Sumério torna proscrita a adoração aos emissários dos Deuses. Com isso, os Mi-Go que possuíam agentes entre os sacerdotes perdem importantes aliados.

2200 a.C: Nitocris, a Rainha-Ghoul, chega ao poder na VI Dinastia do Egito. Ela revive o Culto de Nyarlathotep uma vez mais, e recupera o Trapezoedro Brilhante. Seu reinado é marcado por atos profanos e adoração de seres das trevas que trazem o medo aos seus súditos. Ela deixa para trás o Espelho de Nitocris.

2100 a.C: Um complexo construído na Lua pela Grande Raça de Yith é abandonado em definitivo.

1991 - 1783 a.C: Nyarlathotep é venerado na forma Daquele que traz a Pestilência durante a XII Dinastia do Egito.


1783 - 1674 a.C: Na XIII Dinastia do Egito, o sacerdote Luveh-Keraph, seguidor de Bast, escreve seus Rituais Negros no célebre Manuscrito de Bubastis.

1640 - 1674 a.C: Khephnes, que viveu durante a XIV Dinastia do Egito, aprende os segredos de Nyarlathotep. Ele também está entre as pessoas que tempoirariamente troca de consciência com membros da Grande Raça de Yith.

1674 a.C: O povo nômade de Hyksos, que possui sangue estígio toma o Egito. Os primeiros Faraós Hyksos viajam para as ruínas da Cidade de G'harne e retorna trazendo de lá o Culto de Shudde-M'ell.

1550 a.C: Um culto dedicado a Yibb-Tstll, um Deus conhecido na Terra dos Sonhos é trazido para o Mundo Desperto e fundado na Suméria.

1300 a.C: O Culto de Tsathoggua ressurge na India como um deus da magia e portentos.

1200 a.C: Navegadores Polinésios viajam até Rapa Nui (Ilha de Páscoa) onde encontram resquícios da Civilização Ancestral de Lemúria. O Deus Ghatanathoa é redescoberto e com ele o Culto devotado a essa blasfema entidade.


1000 a.C - 40 a.D: O povo de K'n-yan encontra uma maneira de conter o processo de envelhecimento evitando a morte por causas naturais.

753 a.C: Fundação do Reino de Roma por Rômulo.

520 a.C: No Tibet uma Ordem de Lamas recebe emanações psíquicas do Grande Cthulhu e passa a adorá-lo como um Deus aguardando seu despertar. Eles baseiam a maior parte de seus rituais em um livro chamado "Texto de R'Lyeh" escrito 1200 anos antes.

509 a.C: A República de Roma

450 a.C: Theodotides, um oficial greco-bastriano está entre as pessoas que trocam de mentes com membros da Grande Raça. "Tocado pelos deuses" ele apresenta a sábios do período um conhecimento surpreendente.

380 a.C: Na Grécia, a Face medonha e verdadeira de Hipnos, Deus dos Sonhos é revelada para seus seguidores.

300 a.C: Uma dissidência do Culto de Zoroastrismo passa a adorar Cthugha, a Chama Viva na Pérsia. Os membros do Culto manipulam as chamas, conjuram Vampiros de Fogo e sonham com um mundo devastado por um grande incêndio.


Século I a.C: O Império de Roma conquista diferentes povos e culturas, algumas delas devotadas a Divindades antigas sob outros nomes.

80 a.C: Chaugnar Faugn é descoberto por Legiões romanas. Ele destrói a Legião, mas recua com seus Miri Nigri para o Platô de Tsang. Vários irmãos menores de Chaugnar Faugn ficam para trás sobretudo nos Pirineus. 

Entre 51 a.C e 486: Durante o Período Romano na Gália, as cidades de Simaesis e Avionium (mais tarde Ximes e Vyones) em Averoigne passam a adorar um deus obscuro sob o nome de Sadoqua. É possível que o despertar místico na região tenha ocorrido com base na descoberta de um volume do antigo Livro de Eibon.

0 d.C: Início do Calendário Cristão.

43 – 450: Legionários romanos ocupam o Vale de Severn na Província da Britânia e lá descobrem vários cultos perversos devotados a deuses negros entre os quais Shub-Niggurath.
  • O Grande Antigo Byatis aprisionado sob uma porta de pedra em tempos antigos é libertado. Horrorizados, os romanos conseguem aprisioná-lo uma vez mais usando um símbolo ancestral. Entretanto, de tempos em tempos, Byatis obtém sua liberdade. Esse incidene cria a Lenda do "Sapo de Berkeley".

117-476 d.C: O Colapso iminente do Império Romano.

150 d.C: Shub-Niggurath se torna uma divindade importante em partes da Ilha Britânica.

190 d.C: Um manuscrito grego, possivelmente muito mais antigo do que se imagina, menciona a existência dos Abissais e a íntima relação destes com os seres humanos. O manuscrito pode ter servido de base para o Chaat Aquadingen no século XI.

200 d.C: Na China, Hsan, o Grande escreve sete manuscritos, cada um a respeito de um tópico diferente. estes mais tarde dariam origem aos Sete Livros de Hsan

206 d.C: Bran Mak Morn, grande chefe das tribos do norte, os Pictos invoca os Vermes da Terra (descendentes degenerados do Povo Serpente) para enfrentar os Romanos.

300 d.C: Tribos de Tcho-Tchos se espalham pelo Platô de Leng e Tsang reivindicando esses lugares isolados como seus domínios. Alguns deles passam a venerar o Grande Antigo Zhar.

420 d.C: Lamas tibetanos desenvolvem métodos de viajar pelas estrelas e visitam a Grande Biblioteca de Celaeno de onde extraem inúmeros segredos. 

466 d.C: O grande feiticeiro Azédarac e seu servo desaparecem em Averoigne.


480 d.C: Invasores dimensionais, os Lloigor, ressurgem na Europa, possivelmente após um período de grande instabilidade e invasões promovidas por povos bárbaros.

570 d.C: O Culto da Mulher Inchada, devotado a uma máscara obscena de Nyarlathotep surge na China.

600 d.C: No deserto da Austrália tribos de nômades aborígenes rendem homenagem aos construtores da ancestral cidade de Pnakotus. O despertar da magia os levará a contatas o Morcego de Areia, uma das Máscaras de Nyarlathotep.

650-950 d.C: Auge das Civilizações Americanas pré-Colombianas (Astecas, Maias e Incas).

É possível que em maior ou menor grau estas culturas tenham entrado em contato com os deuses ancestrais. Acredita-se que Nyarlathotep possa ter auxiliado o florescimento e desenvolvimento de algumas destas culturas atuando através de suas máscaras e sendo reverenciado como uma divindade.

655 d.C: Possível ano de nascimento de Abdul Alhazred em algum lugar do atual Iêmem.

690 d.C: Exploração das ruínas da Cidade sem Nome, construída muito antes do homem em algum lugar do Grande Deserto da Arábia.

700 d.C: Os Mi-Go estabelecem contato com povos nativos americanos das planícies que os vêem como emissários dos deuses.

730 d.C: Abdul Alhazred escreve o célebre tratado esotérico Kitab Al-Azif.


738 d.C: Abdul Alhazred morre. De acordo com os rumores ele é devorado em pleno mercado de Damasco por um monstro invisível.

800 d.C: A Era das Trevas cai sob a Europa.

Século IX d.C: Caius Philipus Faber encontra uma cópia do Liber Ivonis ou sonha com ela. Ele traduz para o latim a obra do mago hiperbóreo Eibon. Mais tarde, no século XIII, Gaspard du Nord faria uma tradução para o francês normando que seria conhecida como Livre d'Ivon. Seu livro inclui magias que seriam usadas para proteger o leitor das forças do mal.

800-1100 d.C: Na India, Hastur, o Inominável é redescoberto. Isso coincide com uma migração de Tcho-Tchos para o subcontinente. Nos séculos seguintes eles serão expulsos e irão buscar refúgio no Sudeste Asiático se espalhando pela região. 

950 d.C: Theodorus Philetas de Constantinople traduz o Kitab Al-Azif para o grego, ele o renomeia com sob o título Necronomicon.

1000: O Priorado de Exham é mencionado em uma crônica por hospedar uma importante e poderosa ordem monástica que detém conhecimento místico. 

1050: O Patriarca Miguel, perturbado por rumores a respeito de experimentos realizados com o Necronomicon, ordena que as cópias do livro sejam destruídas. De acordo com Olaus Wormius em sua introdução ao livro em latim, todas as cópias da versão em árabe teriam sido destruídas.

1099: Uma cópia do Al-Azif aparece em Jerusalem. Ela é eventualmente cooptada pelo Comte de Champagne, que cria uma ordem de cavaleiros conhecidos como Templários. Uma de suas possíveis atribuições seria proteger essa cópia e evitar que ela caíssem em mãos erradas.


Século XI: Um estudo detalhado a respeito dos Abissais com o título Chaat Aquadingen surge em uma edição latina encadernada com pele humana. O livro, extremamente poderoso seria posteriormente traduzido - perdendo parte de seu conteúdo, para o idioma inglês no século XIV.

Século XII: Ibn Khallikan escreve uma biografia de Abdul Alhazred. Há boatos de que ele possa ter trocado de mente com membros da Grande Raça de Yith.

1166: Um homem chamado Azédarac, possivelmente descendente de um feiticeiro há muito desaparecido (ou talvez o próprio) recebe a posição de Bispo em Ximes.

1198: O Bispo Azédarac aparetemente morre. Ele é canonizado como St. Azédarac e passa a ser o Santo Padroeiro da região de Averoigne na França.

Século XIII: O Necronomicon é traduzido para o idioma francês. Ele entra no catálogo e coleção de vários monastérios no sul da França.

1228: Olaus Wormius (um monge grego) traduz o Necronomicon para o latim. Cópias com o título De Normis Necium passam a circular disfarçadamente em monastérios e coleções para não chamar a atenção. 

1232: O Papa Gregório IX condena as versões gregas e latinas do Necronomicon como heréticas e ordena sua destruição imediata.

1261: Henrique III concede o Priorado de Exham a Gilbert de la Poer, Primeiro Barão de Exham.

1280: Em uma pequena vila no interior da Alemanha, o Grande Antigo Cyaegha é venerado como um deus.


1300: Um manuscrito redigido por monges na Capadócia descreve os ghouls como "devoradores de mortos"

1305: Um membro da família de la Poer é "Amaldiçoado por Deus" segundo um relato.

1350: Os Mi-Go abandonam suas operações na América pré-colombiana, seus agentes são abandonados e se desesperam por terem perdido o contato com os emissários divinos. No Peru, um culto devotado a Shub-Niggurath e incentivado pelos Fungos de Yuggoth perde influência. Um portal que os conectava com a Lua terrestre é desativado.

1369: Um cometa vermelho é tratado como um sinal inequívoco da chegada da "Besta de Averoigne." A ameaça é supostamente contida pelo mago Messire le Chaudronnier.

1400: Um homem descrito como um "ghoul" é enterrado em um cemitério da Holanda junto com um amuleto de jade pertencente a um "culto devorador de cadáveres" que habita o Platô de Leng. 

Século XIV: Feiticeiros membros de algum tipo de confraria esotérica começam a venerar Yog-Sothoth, elegendo-o uma espécie de patrono da feitiçaria, desbancando assim Tsathoggua e Nyarlathotep.

1480: Um culto de ghouls ou indivíduos com ligação com estas criaturas se torna uma ameaça na India. Governantes demandam que estes devoradores de mortos sejam executados.

Século XV: Uma misteriosa cópia do Pnakotika é descoberto e traduzido para o grego, possivelmente por um membro da Grande Raça de Yith. Esta cópia daria origem ao Manuscritos Pnakóticos.
  • Em algum momento dessa época, uma versão do Livro de Dzyan, um tratado exotérico da antiga Atlântida aparece entre círculos místicos. Seu surgimento provavelmente se dá no oriente através de monges que copiam o texto na Biblioteca da Celaeno.

1500: Uma edição do Necronomicon em latim é impressa na Alemanha.

1501: Uma edição do Necronomicon em grego é impresso na Itália levando a uma supressão violenta por parte de autoridades eclesiásticas. Bibliotecas em monastérios são revistadas, cópias do livro proibido são confiscadas ou destruídas.

1526: Uma tropa de turcos invade a região de Stregoicavar, na Hungria. Incomodados pela descoberta de um culto devotado a uma Pedra Negra, eles decidem eliminar todos os envolvidos. 

1542: O ocultista Ludwig Prinn publica o profano De Vermiis Mysteriis, livro que lhe custaria uma condenação papal e ocasionaria sua execução.

1558 - 1610: Sir Randolph Carter, ancestral de um homem que usaria o mesmo nome muitos séculos depois estuda magia e o poder dos deuses durante o Reinado de Elizabeth I.

1586: John Dee e Edward Kelley chegam em Praga. Enquanto estão lá, Dee descobre uma cópia em Latim do Necronomicon que ele contrabandeia para a Inglaterra. Lá faz a tradução do material para o idioma inglês. Ele também consulta um manuscrito grego comentado que está em poder de um nobre na Transilvânia, o Barão Hauptmann.
  • Hauptmann ficaria conhecido como um dos líderes da Irmandade da Besta, um Círculo de Cultistas interessado em conquistar o mundo através dos Mythos.
1593: O famoso dramaturgo inglês Christopher Marlowe morre em uma luta de taverna. Um de seus trabalhos, o Rei Amarelo, permanece incompleto, com apenas duas cenas escritas. Marlowe supostamente sonhou com essa peça e escreveu a respeito dela de maneira febril. William Shakespeare e John Croft recebem o manuscrito e cogitam dar prosseguimento à peça. Shakespeare após um sonho com o Rei Amarelo destrói os manuscritos.

1595: Remigius Daemonolatreia é publicado em Lyon.


Século XVII: Na China os Lamas do Tibet que veneram o Grande Cthulhu começam a compartilhar  seu conhecimento e formam as bases para o Culto de Cthulhu que nos séculos seguintes irá se espalhar ao redor do mundo. É possível que emanações psíquicas enviadas pelo Senhor de R'Lyeh tenham aumentado em intensidade a partir de então, chegando a indivíduos sensitivos em diferentes localidades. Com isso, o Culto começa a ganhar força.

Na Inglaterra um tratado com o título "Monstres and their Kynde" aparece do nada. De autor desconhecido, outras cópias apareceriam nos séculos seguintes.

1610 - 1625: Durante o reinado de Jaime I e após 1610, Walter de la Poer assassina seus descendentes e abandona o Priorado de Exham.

1610 - 1643: Pierre-Louis Montagny, um francês vivendo durante o reinado de Louis XIII, está entre as pessoas que troca de mente com a Grande Raça de Yith.

1616: O Capitão John Smith, enquanto explora o litoral da Nova Inglaterra descobre Devil's Reef próximo a costa da moderna Innsmouth. Lendas de nativos afirmam que o local é o lar de monstros marinhos e por isso as tribos locais os evitam.

1623: Uma versão do Necronomicon de Olaus Wormius é impressa na Espanha, possivelmente em Sevilha.

1629: A Vila de Arkham é fundada por colonos ingleses na Nova Inglaterra.

1643: Innsmouth, Massachusetts é fundada.

1651 - 1658: Durante os tempos de Oliver Cromwell como Lorde Protetor da Inglaterra, James Woodville de Suffolk troca de mente com um membro da Grande Raça de Yith.


1662: Nascimento do rico senhor de terras Joseph Curwen natural dos arredores do vilarejo de Salem.

1692: Keziah Mason é capturada e julgada como uma bruxa. Sob pressão de seus interrogadores , ela revela a relação entre os ângulos e curvas com a habilidade de viajar através do tempo e dimensões. Antes de ser capturada, Mason escapa de sua cela usando os mesmos conceitos e desaparece.

1702: O Cultes des Goules de François-Honoré Balfour, Conte d´Erlette é publicado e causa escândalo em Paris ao relatar práticas blasfemas de necrofilia, necromancia e canibalismo na França. Muitas cópias são apreendidas e destruídas.
  • A obra se converte nos séculos seguintes no tratado mais completo a respeito dos ghouls.  
1747: Reverend Abijah Hoadley realiza um sermão na Igreja Congregacional do Vilarejo de Dunwich em que alerta as pessoas da proximidade de Satã. O Reverend Hoadley desaparece pouco depois. 

1750-65: Sir Wade Jermyn descobre uma cidade cinzenta nas selvas do Congo, lé ele casa com uma Princesa não-humana de uma raça primitiva. Após o nascimento de um herdeiro, os três deixam a Africa a caminho da Inglaterra. Sir Wade e sua esposa retornam para a Africa após alguns anos.

1768: A Obra prima de um maestro italiano, "Massa di Requiem per Shuggay" é apresentada em Milão causando enorme agitação e revolta. As partituras são recolhidas, ainda que algumas continuem circulando livremente.

1771: Joseph Curwen da Nova Inglaterra morre mais de um século depois com a aparência de um homem de meia idade. Ele é acusado de consórcio com demônios e de realizar experimentos malignos e linchado por uma turba de camponeses.
  • Curwen era membro de uma Rede de Feiticeiros ligados a Yog-Sothoth que descobriram o segredo da imortalidade. Curwen, disfarçado como seu descendente Charles Dexter Ward, seria trazido de volta à vida em 1928 e morreria uma segunda vez graças aos esforços do Dr. Marinus Bicknell Willett

1838: Um grupo de pescadores é encontrado pelo Capitão Obed Marsh nos Mares do Sul. Eles ensinam Marsh a respeito de seus costumes e sobre sua relação com os Abissais.
  • Nos anos que se seguem, Marsh e seus descendentes formam a Ordem Esotérica de Dagon em Innsmouth. A população de Innsmouth se torna miscigenada com o nascimento de gerações de híbridos.
1839: Na Alemanha Friedrich Winhelm von Juntz publica o Unausprechlichen Kulten, referido como "O Livro Negro", que trata da atividade de cultos e sociedades secretas ao redor do mundo. Em meados de 1845, o livro é traduzido e publicado no idioma inglês, provavelmente em Londres, com o título Nameless Cults.

1842: O Grande Antigo Glaaki, outro habitante tenebroso do Vale de Severn, desperta por alguns instantes e exige sacrifícios de seus cultistas.

1860: Um recluso habitante de uma Mansão construída na Irlanda, próximo da Vila de Kreighten, tem uma experiência inacreditável ao viajar através do tempo dentro de sua Mansão.

1865: O "Revelações de Glaaki", um livro dividido em nove volumes é publicado.

1877: O Culto de Starry Wisdom em Providence desaparece, junto com um de seus artefatos sagrados, o Trapezoedro Brilhante.

1892: Um misterioso meteorito cai nos arredores de Arkham e de seu interior brota uma cor que espalha horror, loucura e morte antes de voltar para o espaço.


1895: O Rei Amarelo, um livro de poesias usado como base para uma montagem teatral é recolhido pela Terceira República na França. O terrível símbolo desenhado na capa do livro, o Símbolo Amarelo, causa uma onda de degradação e loucura.

1907: Um Culto vodu nos Pântanos da Louisiana é desbaratado por policiais. Ao redor do mundo, ramificações degeneradas do Culto de Cthulhu entram em atividade realizando rituais e sacrifícios.

1908: O Evento Tunguska devasta uma grande área da Planície Siberiana. O que é tratado como uma colisão de um asteroide pode ter sido, na verdade, uma invocação de Azathoth.

1913: Wilbur Whateley nasce na região rural de Massachusetts, na pequena vila de Dunwich. Ele e seu irmão gêmeo são crianças de Yog-Sothoth.

1916: Uma ilha vulcânica até então desconhecida vêm à tona no Pacífico revelando um horrível panorama da vida submarina a um viajante solitário.

1920-1930: Década de Grande Agitação com o redescobrimento do misticismo, surgimento de tradições ocultas e graves ameaças à humanidade.

1921: Randolph Carter passa boa parte de sua existência vivendo aventuras na Terra dos Sonhos onde ele explora cada aspecto da Jornada Onírica de Kadath.

1922: Uma criatura de tamanho colossal é avistada pelo Capitão James Orne na costa de Boston. O capitão morreria em decorrência de incidentes relacionados a essa descoberta.

1924: O Priorado de Exham na Inglaterra desaba pouco depois que é descoberto um complexo subterrâneo abaixo dele. Uma das pessoas presentes é um Edward Delapore, proprietário legal do terreno.


1925: R'Lyeh emerge das Profundezas e o Grande Cthulhu se liberta de seu sepulcro por alguns instantes. É a culminação de um período de grande agitação entre os diferentes Cultos de Cthulhu, possivelmente a partir da crença de que o aguardado alinhamento estelar estava próximo. Não é contudo a data correta, e R'Lyeh volta a afundar sob as ondas levando consigo o Grande Cthulhu que continua sonhando.
  • À bordo do Orient Express, um grupo de investigadores dos Mythos tentam conter a ameaça de uma Seita baseada em Constantinopla, Turquia.
1926: A Irmandade da Besta coloca em ação um plano de conquista que visa alçar à uma posição de comando global um descendente do Faraó egípcio Nephrem-Ká.

1927: Enchentes sem precedente no estado de Vermont revelam a presença de uma estação de mineração controlada pelos Mi-Go.

1928 - Um ano de grande agitação.
  • A cidade de Innsmouth, lar de uma grande colônia de híbridos de Abissais é destruída por agentes e tropas federais dos EUA.
  • Em Arkham, professores da Miskatonic University enfrentam um horror que se libertou nas montanhas e está espalhando o terror. 
  • Um grupo de investigadores dá início a uma corrida contra o tempo para conter a ameaça de diferentes cultos devotados ao Deus Nyarlathotep.
  • Um monte localizado em Binger, Okhlahoma é parcialmente escavado por especialistas em folclore indígena. O que é encontrado nas escavações faz com que o responsável cancele os trabalhos.

1930: A Expedição Miskatonic parte para a Antártida em uma missão de cunho científico. Ela descobre as Montanhas da Loucura e uma cidade da Raça Anciã. A expedição termina em tragédia com a morte de vários membros, os sobreviventes evitam falar a respeito e temem por futuras expedições.

1931: Randolph Carter usa a Chave de Prata e desaparece no Mundo dos Sonhos.

1933: A Expedição Starkweather-Moore parte para prosseguir os trabalhos da Expedição Miskatonic.

1935: Uma expedição arqueológica na Austrália chega ao fim com a descoberta de um estranho complexo subterrâneo no exato local em que um dia existiu a cidade de Pnakotus. A única testemunha do acontecimento é Nathaniel Wingate Peaslee, que ficou em amnésia entre 1908-1913. Nos subterrâneos ele descobre que havia trocado de mentes com um membro da Grande Raça de Yith.

1939-1945: A Divisão P que mais tarde dará origem ao Delta Green enfrenta a ameaça dos Mythos e de organizações ligadas ao Eixo que os emprega como arma na Segunda Guerra.

1944: Em uma ilha na costa da Escócia, feiticeiros nazistas tentam invocar Ogdru Jahad. Eles falham, mas outra coisa responde ao seu chamado.

Década de 1950-??? : Nyarlathotep sob diferentes máscaras (muitas delas humanas) continua a usar sua influência sobre a humanidade surgindo em várias partes do mundo garantindo assim tempos de grande instabilidade e agitação social que por pouco não nos levam a extinção.

1950: A Campanha de terror dos Mau Mau tem início no Quênia. É possível que o Culto da Língua Sangrenta esteja por trás destes acontecimentos.

Década de 1960: O Grande Antigo Y'Golonac deflagra um surto de obscenidade e perversão através de sua influência pérfida.
  • Os Mi-Go através de seus agentes atrapalham o desenvolvimento de tecnologia aeroespacial. 
  • Glaaki age no Vale de Severn uma vez mais e tenta se manifestar através de seus cultos em diferentes localidades.
  •  Os Insetos de Shaggai aparecem no sul da Inglaterra.

1964: A despeito dos esforços da Fundação Willmarth, os Ctônicos, uma raça de escavadores subterrâneos, invade as Américas. Isto leva a uma intensa campanha contra a ameaça dessas criaturas no continente que irá durar até 1969.


1967: Professor Lang realiza uma tradução preliminar do Voynich Manuscript. Ele descobre que o livro é uma manuscrito com comentários a respeito do Necronomicon.

1970: Delta Green é debandado depois de uma operação desastrosa no Camboja.

1980: A Fundação Wilmarth inicia o Projeto Cthylla. Uma bomba nuclear é detonada nos subterrâneos de Devil´s Reef com o objetivo de destruir o Grande Antigo Cthylla. Como contra-ataque, um ataque psíquico vindo de R'Lyeh causa um enorme desastre em escala global atingindo incontáveis pessoas.

1982: Uma missão norte-americana na Antártida encontra um veículo alienígena enterrado no gelo. A Coisa que sai de seu interior arrasa as instalações e deixa um rastro de morte e destruição.

INFORMAÇÕES DESCONEXAS

As informações nesse período são desconhecidas. 

2169: Pickman Carter, descendente da Linha de sangue de Randolph Carter, usa de estranhos métodos sobrenaturais para repelir uma horda de mongóis que invadiram a Australia.

cerca de 2350: Fthaggua e seus Vampiros de Fogo chegam à Terra.

2518: O médico australiano Nevel Kingston-Brown morre. Em vida ele havia trocado de mentes com membros da Grande Raça de Yith.

cerca de 4400: De acordo com as lendas, uma reencarnação de Nephren-Ka irá ressurgir sete mil anos depois de sua morte.

cerca de 5000: O Império de Tsan-Chan tem início. O estudioso Yiang-Li troca de mentes com a Grande Raça de Yith. 


O Futuro Distante (cerca de 8,000,000): Os tempos de Zothique, o Último Continente da Terra e lar dos seres humanos que restaram. A cultura possui um nível de tecnologia bárbaro e magia se torna mais poderosa do que ciência.

cerca de 16,000: O poderoso mago Nug-Soth troca de mentes com um membro da Grande Raça. Graças a essa troca de informações ele aprende muito a respeito de feitiçaria.

cerca de 20,000,000: O Sol se apaga e começa a Era da Terra da Noite.

cerca de 50,000,000: Após o final da humanidade, uma raça de besouros se torna a forma de vida dominante no planeta. Estes seres são habitados pela Grande Raça de Yith. Eventualmente, mesmo estes insetos altamente desenvolvidos irão se extinguir, e os Yithianos enviarão suas mentes coletivas para habitar uma espécie de vida vegetal em Mercúrio. 

cerca de 1,000,000,000: As últimas formas de vida da Terra, uma espécie de aracnídeos altamente adaptados habitam o interior do planeta.


Em uma data não determinada - Azathoth promove a destruição do Universo criado por ele próprio e tudo é absorvido para o Caos Primordial.

  • Uma testemunha solitária da raça humana, nascida no século XIX, assiste a destruição do universo e depois desperta na Casa da Fronteira.
E então é o fim.

O que acontece então... não sabemos.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Deus da Carnificina - Xipe-Totec para Chamado de Cthulhu


E que tal transformar isso em um horror dos Mythos?

XIPE-TOTEC
Avatar de Nyarlathotep

Um verdadeiro horror, Xipe-Totec se manifesta com uma forma humana flagelada e esfolada, como se tivesse sido sujeito a inacreditável tortura. Seus corpo é destituído de pele, permitindo que músculos, tendões e órgãos sejam vistos. No início de cada ritual em sua homenagem ele recebia a pele de um sacrifício que é colocada sobre os seus ombros. Xipe-Totec é capaz de se mover e de estabelecer comunicação com seus cultistas. Sua voz é fria e distante.

Por vezes ele surge carregando uma adaga de silex, sobretudo quando deseja realizar pessoalmente um esfolamento. Xipe-Totec carrega ainda uma lança pesada que maneja com letal acurácia. Em outras oportunidades ele se manifesta cavalgando um Shantak ou comandando uma revoada de Horrores Caçadores. O Deus é igualmente admirado e temido pela sua ira implacável.  

Culto

Esta obscura manifestação de Nyarlathotep teve grande influência na região do México, sendo venerado e obtendo tributos de povos que integravam a civilização Asteca. Sacrifícios de sangue e ofertas de prisioneiros faziam parte de seus rituais. Conhecido como uma divindade volátil e extremamente violenta, Xipe-Totec agraciava seus seguidores com portentos de magia e dádivas valiosas quando ficava satisfeito. Ele era considerado como um Deus de Guerra, conclamado em tempos de conflito e tumulto para favorecer seus cultistas nas batalhas. Em circunstâncias especiais, seus seguidores podiam ser agraciados com o controle temporário sobre Horrores Caçadores e Shantaks.

Xipe-Totec era convocado para presidir sangrentos rituais que envolviam lutas e para assistir cerimônias de esfolamento na qual a pele das vítimas era totalmente removida e entregue a ele.

O culto entrou em declínio alguns séculos antes da chegada dos conquistadores, possivelmente em face de algo que desagradou o Deus e fez com que os sacerdotes caíssem em desgraça. É provável que ele tenha sobrevivido posteriormente e experimentado um ressurgimento durante a colonização espanhola e as atrocidades ocorridas. Em tempos mais modernos, acredita-se que o Culto tenha sobrevivido em algumas comunidades isoladas no norte do México. Mais recentemente, um Cartel de Narcotráfico instalado em Puebla passou a adotar alguns rituais envolvendo Xipe-Totec.
   

Xipe-Totec, Deus da Carnificina
Máscara de Nyarlathotep

FOR 80     CON 120     TAM 80     DES 90     INT 430     POD 500
PV: 20
Bônus de Dano: +1d6
Estatura: +2
Pontos de Magia: 100
Movimento: 12

Ataques:
Ataques por rodada: 1

Xipe-Totec se comporta como um guerreiro de grande capacidade e habilidade. Ele é capaz de manejar qualquer arma conhecida pelo homem. De fato, representações contemporâneas dele podem incluir em suas mãos armas modernas.

Lutar (corpo a corpo) 100% 
Dano da arma utilizada + BD

Armadura: Xipe-Totec é imune a todos ataques, exceto objetos encantados e feitiçaria. As investidas direcionadas a ele simplesmente falham em atingi-lo e resultam em armas se partindo, quebrando ou ricocheteando sem produzir nenhum dano. Se ele for de alguma forma afetado por ataques e suficientemente ferido, Xipe-Totec não é morto. Seu corpo simplesmente se desfaz, reintegrando-se novamente em poucos minutos. 

Magias: Xipe-Totec conhece todas as magias. Ele pode invocar 1d3 Shantaks ou 1d6 +6 Horrores Caçadores imediatamente gastando para isso apenas 1 ponto de magia por criatura convocada. 

Sanidade: 1/1d10 por ver Xipe-Totec 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

True Detective: Recap do Episódio 7: "Alguém tem que lembrar"


Durante sua entrevista para o programa True Crime, concedida para a produtora Elisa Montgomery no episódio dessa semana, Wayne Hays faz duas declarações, sendo que apenas uma pode ser verdadeira. Pressionado a responder se ele foi de alguma forma obrigado a tomar "conclusões apressadas" quanto ao Caso Purcell, ele diz "Você apenas faz o possível e aprende a viver com a ambiguidade".

Para quem está assistindo, sabe que isso é bobagem! Se tem uma coisa que Hays não aprendeu a superar em sua vida é a ambiguidade. Para ele, o caso continua incomodando como uma ferida que o detetive não pode coçar.

De todas as declarações dele no curso da entrevista, esta talvez seja a maior das suas mentiras, entregue de forma hesitante e cuidadosa. Elisa mostra a seguir um trecho da entrevista do Promotor Geral Kindt, filmada em 1990 na qual a culpa primeiramente reputada a Woodard é jogada nas costas de Tom Purcell. A entrevistadora pergunta se Hays ficou satisfeito com essa conclusão. "Não" é sua resposta seca. "Mas de qualquer maneira, eu nunca fiquei satisfeito com nada nesse caso". E aqui ele parece estar falando a verdade.


Essas palavras definem a alma atormentada do Detetive Wayne Hays, um homem assombrado por uma verdade que teima em escapar de suas mãos, escorre pelos seus dedos e persiste em atormentá-lo por boa parte da sua existência. Ele sabe que há uma conspiração, sabe que o caso envolve pessoas poderosas e algum tipo de trama sórdida... mas ele não sabe como provar. É a frustração de quem sabe a resposta para um enigma, mas não consegue explicar como chegar até ela.

No episódio 7, o drama familiar e a investigação profissional parecem convergir para um mesmo ponto e o Caso Purcell produz danos devastadores na vida de Hays. Como aconteceu com todos que se aproximaram demais da verdade, ele também atraiu a atenção dos responsáveis pelo crime.

Logo no início do episódio descobrimos o destino de Tom Purcell, encontrado morto na torre de observação de Devil´s Den, local em que seus filhos foram vistos pela última vez. Tom teria se suicidado com um tiro na cabeça e deixado um muitíssimo suspeito bilhete datilografado (a versão anos 90 do meme "é real esse bilhete"). Pobre Tom, morto logo depois de ter descoberto o misterioso Quarto Rosa na mansão Hoyt. Me pergunto o que ele pode ter visto lá dentro? Será que por um instante ele teve um vislumbre da solução do caso? 

Seu assassino foi o ex-policial, transformado em chefe de segurança Harris James. Mais uma vez a morte de uma pessoa próxima do caso é usada para criar um bode expiatório e Tom acaba sendo considerado o responsável pelos crimes.


A outra testemunha em potencial que sabia a verdade sobre o envolvimento do todo poderoso Hoyt na história, Dan O'Brian (o primo Dan) também desaparece. Sabemos que seu cadáver foi encontrado posteriormente em uma pedreira, mas não quem o matou. Se foi Tom que o eliminou teria dado tempo de se livrar do cadáver? Também é possível que Harris tenha sido o responsável pela morte. Talvez ele tenha extraído a verdade de Tom depois de derrubá-lo. Fato é que Dan desapareceu do quarto de hotel barato onde estava hospedado, deixando para trás seus pertences e o carro. Segue a queima de arquivo!

Um dos aspectos interessantes na personalidade de Hays em 2015 é que o passado parece ao mesmo tempo absurdamente inacessível e incrivelmente próximo. A condição de Wayne faz com que esse sentimento se torne ainda mais intenso, quando seu eu no passado observa o vazio, sentindo a presença de seu eu futuro. Essas são cenas assustadoras e vou achar o máximo se em algum momento Wayne encontrar suas versões antigas para uma troca de ideias.

De volta a 1990, quando os detetives recebem ordens de abandonar o caso e seguir em frente. Cabe então à Amelia prosseguir em suas investigações para o livro. Ela resolve entrevistar uma amiga próxima de Lucy Purcell depois de ser surpreendida pelo homem negro de um olho no episódio anterior. A amiga não se recorda de Lucy na companhia de um homem com aquela descrição, mas ela encontra uma velha fotografia de Halloween na qual aparecem no fundo uma dupla de "fantasmas". Embora a face deles permaneça oculta, as mãos indicam que se trata de um homem negro e uma mulher branca, o casal que nos anos 1980 seguia as crianças antes do crime. Será que Lucy é a mulher branca? E quem seria o homem negro?


Avançamos para 2015 onde encontramos algumas respostas para essas questões. 

Elisa menciona o nome "Watts" que poderia ser o sobrenome do homem negro de um olho só. Já uma entrevista com uma ex-empregada da casa dos Hoyt revela outro nome: "Mr. June". June seria um sujeito pouco simpático que morava na casa principal e que tinha acesso a uma área subterrânea da propriedade, onde os demais empregados não tinham permissão de ir. Presumivelmente esse seria o Quarto Rosa onde Tom morreu.

A mulher finalmente fornece algumas pistas muito bem vindas a respeito da Família Hoyt. Ela conta a respeito da "Senhora Isabel", filha de Hoyt que perdeu o marido e a filha num acidente de carro em 1977. Depois da tragédia Isabel se tornou uma reclusa: "Essa Família não tinha sorte. Exceto nos negócios" ela conclui. Até que ponto essa filha de Hoyt, Isabel, poderia estar envolvida nessa história? Seria ela a mulher que andava por aí na companhia de Mr. June? Será que ela estava buscando por uma criança que pudesse substituir a sua filha morta em uma tragédia? Esse acidente parece ter enorme importância na trama, uma que ainda não ficou clara, mas eu não ficaria surpreso ao descobrir que Julie é neta de Hoyt. Uma criança ilegítima, quem sabe... Nesse caso o sequestro teria ocorrido para "devolver" a Isabel a sua filha perdida?


Finalmente na sequência mais tensa da noite, acompanhamos os detetives Hays e West em 1990 planejando a captura de Harris James. Rolland está obviamente relutante em participar da ação, mas Hays o manipula habilmente, lembrando a ele que Tom foi incriminado e que James pode ser a chave para limpar seu nome. Eles abordam o sujeito em uma estrada, o capturam e levam até um casebre abandonado onde o segurança recebe um "carinho" dos detetives para confessar sua participação na conspiração. 

Durante o interrogatório, conduzido com luvas de couro, James tenta escapar e pegar a arma de Wayne. Não resta outra opção à Roland senão atirar e matar o sujeito. Com a morte de Harris James, lá se vai uma das últimas testemunhas dos acontecimentos, uma que poderia abrir o bico e revelar a verdade. De certa forma, matando James, os detetives fizeram um favor a Hoyt. 


E por falar em Hoyt. Na manhã seguinte à morte de Harris James, Wayne recebe um telefonema do próprio todo-poderoso magnata dos abatedouros, o misterioso Sr. Hoyt. Diante do tom ameaçador do sujeito que cita o nome de Amelia e das crianças, fica claro que a conversa vai envolver pressão e ameaça, portanto, não resta muito a fazer, senão entrar num carro que aguarda do lado de fora. Antes de se despedir da esposa, Hays pede que Amelia confie nele "uma última vez", com o que ela concorda um tanto incerta. Nós sabemos que Wayne sobrevive a esse encontro já que ele está vivo em 2015, mas seja lá o que acontece nessa reunião, o caso permanecerá sem solução pelas décadas seguintes. 

Pistas e Indícios:

• Logo no início do episódio temos uma cena curiosa na qual somos apresentados a Rebecca Hays já adulta, prestes a ir para a faculdade. Isso deve ter lugar no final da década de 1990 e início de 2000. Nós sabíamos que Rebecca havia deixado o Arkansas, mas até aqui não sabíamos o que tinha acontecido com ela. Pai e filha parecem ter um bom relacionamento, mas tudo indica que eles tenham se distanciado pouco depois. O que causou isso? E onde ela está agora? Essa é outra questão que o episódio final precisa resolver.

• Será que Elisa Montgomery sabe a solução do caso? Ela sugere que as crianças Purcell teriam sido vítimas de uma Rede de Traficantes de crianças que atua no sul dos Estados Unidos, negociando menores para Círculos de Prostituição e Pedofilia. É possível que Lucy e o primo Dan tenham intermediado a venda de Julie e que Will morreu acidentalmente. Em seguida Elisa comenta a respeito da espiral que seria um símbolo usado por essa rede de criminosos, o que nos leva a um momento WOW da noite...

• A tal Rede de Traficantes teria ligação com outro caso ocorrido na Louisiana envolvendo dois detetives que resolveram um caso recentemente. Hays comenta inclusive ter ouvido falar do incidente! Claro que ela está se referindo ao caso do Rei Amarelo resolvido por Rust Cohle e Martin Hart. Para deixar isso bem claro, a entrevistadora mostra em seu laptop uma manchete a respeito do caso. Já sabíamos que as temporadas de True Detective se passavam no mesmo universo, mas não havia certeza de que os casos poderiam convergir para um ponto em comum. É possível que os Hoyt sejam outra família decadente, tradicional e poderosa, envolvida com sequestros de crianças. Será que também estão metidos com o sobrenatural? Teremos alguma menção ao Rei Amarelo? Provavelmente não, mas à essa altura, quem sabe?


• Elisa também faz referência a um "Caso no Nebraska". Esse caso misterioso também teria relação com o mesmo Círculo de Prostituição Infantil e Pedofilia que alimenta as Famílias poderosas do sul. Será que estamos vendo as bases para uma temporada 4 se desenhando? Uma história centrada em Nebraska poderia ser no mínimo... diferente. 

• Quem diabos estaria promovendo essa entrevista e as investigações conduzidas pelo True Crime? Sabemos que Elisa Montgomery é a produtora do programa, mas quem estaria patrocinando tudo isso e com qual objetivo? Me parece que essa entrevista não visa apenas a criação de um simples documentário, a coisa parece muito mais importante. Eles realizaram pesquisas, entrevistaram pessoas, pediram análise de laudo por especialistas. Aqui tem truta!

• O livro de Amelia é mencionado como uma versão moderna de "À Queima Roupa" de Truman Capote, uma investigação a respeito de um crime e suas repercussões nas mais variadas esferas. Quando ela menciona a Hays ainda nos anos 1980 que pensa em escrever um artigo ou ensaio a respeito do caso, é irônico que seja exatamente ele quem lhe dá força para ir adiante. Vou te dizer, depois dessa série, deu vontade de ler "À Queima Roupa" novamente.  


• O nome "Sr. June" me deixa um tanto incomodado. Julie usava o apelido "Mary July" quando fugiu do Quarto Rosa em 1990 e passou a viver nas ruas, uma "princesa" fugitiva de um "castelo cor de rosa". June (Junho) e July (Julho), pode ser uma pista?

• Toda essa trama a respeito de uma "trágica e reclusiva herdeira que perdeu o marido e filha em um acidente" pode indicar que o caso vai ter uma nova guinada. Está claro que os Hoyt estão envolvidos na conspiração até o pescoço, mas ainda não sabemos as suas razões.

• O que sabemos e já foi confirmado nos créditos dessa semana é a participação de Michael Hooker como o Sr. Hoyt. Hooker é um daqueles atores com presença onipresente, em geral no papel de vilão. Não é por acaso que a produção de True Detective se desdobrou para manter em segredo a sua participação na trama, mas ela vazou semana passada. A bem da verdade, na imagem que vimos na sala de Harris James, era possível ver uma fotografia do segurança ao lado de Hoyt numa caçada. ãs atentos descobriram que se tratava de Hooker e quando compartilharam a informação a internet pegou fogo. O fato do personagem ter ficado com Michael Hooker é sinal de que a participação de Hoyt no episódio final será nada menos do que essencial.


Semana que vem chegamos ao fim da jornada.

Ansioso para saber como isso termina.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

O Deus Esfolado - Descoberta de um templo do aterrorizante deus Xipe-Totec.


Até recentemente os estudiosos dos povos nativos do México acreditavam que o terrível Lorde Esfolado, um obscuro Deus da Guerra e fecundidade pré-colombiano não possuía templos dedicados à Sua sagrada pessoa. Contudo, a descoberta de um templo na região de Ndachjian–Tehuacan nos arredores de Puebla, Mexico demonstrou o contrário.

O Deus Esfolado, cujo nome original é Xipe-Totec era tido até então como uma divindade menor. É possível que o Deus fosse considerado apenas por alguns indivíduos que lhe rendiam homenagem e devoção. Isso se deve principalmente por Xipe-Totec ser descrito como uma entidade volúvel, irascível e francamente aterrorizante. Há teorias de que ele seria uma espécie de patrono dos guerreiros, soldados e mercenários. Armas, armaduras e escudos já foram encontrados com símbolos que remetem diretamente ao Lorde Esfolado e ao que parece, sua popularidade entre guerreiros se deve ao fato dele oferecer a estes algum benefício em troca da sua adoração.

A descoberta do templo vem sendo saudada como extremamente significativa pelas autoridades do Instituto Mexicano de Antropologia e História não apenas por ser este o primeiro templo dedicado a essa divindade, mas por se tratar de um prédio de tamanho considerável localizado em uma região importante. Além do templo, os arqueólogos encontraram restos de um tipo de quartel ou forte que reunia soldados o que reforça a teoria de que a divindade estava ligada a indivíduos que seguiam a carreira militar.


Outra descoberta surpreendente é que certos símbolos encontrados no templo coincidem com entalhes achados em outras culturas. Os especialistas localizaram duas grandes estatuetas entalhadas na forma de crânios e uma caixa de pedra com tampa contendo o que foi identificado como restos de pele tanto de animais quanto de seres humanos. Acredita-se que os sacerdotes de Xipe-Totec realizavam sacrifícios e que um dos rituais envolvia esfolar a pele das vítimas com elas ainda vivas.

O Lorde Esfolado era representado como um homem grande, praticamente um gigante, com corpo esguio sem pele e com olhos cruéis. Uma visão aterradora! Ele vestiria a pele de suas vítimas decorada com tatuagens coloridas e adereços confeccionados com osso, pedras preciosas e sílex. Ao andar deixava um rastro de pegadas sangrentas e um fedor de morte que o acompanhava. Xipe-Totec portava uma lança pesada, uma faca afiada de sílex usada para esfolar suas vítimas e uma aljava com dardos para arremesso, o típico equipamento de um soldado. 

Os rituais dedicados a Xipe-Totec eram selvagens e sanguinolentos. Prisioneiros de guerra e escravos eram escoltados perante os sacerdotes que os separavam em grupos. Os homens eram pintados de vermelho e suas cabeças adornadas com coroas de penas. Em seguida alguns eram forçados a lutar como em uma espécie de arena. A maioria desses prisioneiros eram sacrificados e suas peles arrancadas com facas. O esfolamento ritual seria uma maneira de representar a fertilidade e a regeneração. 


Os sacerdotes vestiam a pele das vítimas esfoladas por pelo menos 20 dias durante o festival anual que precedia a estação das chuvas. A pele era usada ainda para fazer tambores e instrumentos musicais empregados nas cerimônias. Também é possível que alguns rituais de passagem no culto envolvesse remover partes da pele e oferecer à divindade como uma demonstração de coragem e respeito. É possível ainda que eles acreditassem que as peles antigas possuíam propriedades curativas.

Os especialistas estimaram que o templo tenha sido erguido pelos Popolocas, o povo que habitou a região de Pueblo entre os anos 1000 e 1260 da era cristã. Tratava-se de uma temida cultura de guerreiros, que costumava atacar povos vizinhos com o intuito de obter comida e escravos. Eles desapareceram sem deixar vestígio em meados de 1300, dizimados possivelmente por uma peste. 

Quando os europeus chegaram ao México, os Popolocas já estavam extintos. A lembrança deles e de seus rituais, entretanto, continuaram presentes na memória dos povos nativos. Muitas das lendas a respeito destes ferozes guerreiros e de Xipe-Totec, se espalharam entre os conquistadores.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Horríveis costumes - Os Esqueletos sem pés no Peru



Costumes são algo curioso.

Eles são uma espécie de identidade de um povo, algo particular que faz parte de sua história e de suas tradições. Os costumes em uma análise mais ampla são aquilo que tornam um determinado grupo de pessoas, o que eles são.

E como todo grupo de pessoas, suas tradições fazem sentido para eles, mas para outros podem parecer estranhos, incomuns, bizarros...

Tomemos por exemplo a recente descoberta de um sítio arqueológico no Complexo de El Chorro, no Peru. Lá, uma escavação de antigas tumbas incas revelou pelo menos 15 esqueletos humanos sem um dos pés. Para tornar as coisas ainda mais estranhas, os esqueletos com o pé ausente pertencem a crianças e adolescentes. Uma análise preliminar sugeria que talvez as amputações tivessem ocorrido em vida e que as crianças seriam escravas ou serviçais que realizavam trabalhos em casa e que não precisavam se deslocar muito. A amputação seria realizada com o propósito de evitar a fuga.

Investigações subsequentes, entretanto, apontam para outra possibilidade. Os corpos não possuíam além do pé, o femur em alguns casos e em outros a fíbula. Um indicativo de que os ossos teriam sido removidos após a morte.


Mas quem iria querer roubar pés humanos e ossos da perna de jovens e por qual razão? 

Arqueólogos acreditam que os restos humanos pertencem a membros das culturas Moche e Lambayeque, tribos que habitavam a costa norte do Peru antes da invasão do continente. Eles eram conhecidos como excelentes artistas, capazes de trabalhar cerâmica, joalheria e até metalurgia. Peças desse povo foram datadas de um período entre 50 a 800 d.C.

Uma das práticas que os estudiosos acreditam estar relacionada a eles envolve confeccionar jóias e adornos com os ossos de seus amigos e parentes falecidos, especificamente de crianças e adolescentes que faleceram cedo.    

A prática de utilizar ossos de entes queridos para fazer objetos de adorno, era comum entre as culturas sul-americanas que precederam a chegada dos colonizadores espanhóis. Algumas das sepulturas escavadas em El Chorro traziam peças específicas feitas com ossos humanos. Mais de 60 urnas funerárias foram descobertas no terreno do cemitério, algumas contendo objetos pessoais, roupas e outras peças usadas pelos indivíduos ali enterrados.


Sacrifícios humanos oferecidos aos deuses fazia parte das tradições dos Moche. Os Lambayeque, que sucederam os Moche, existiram até meados de 1400 d.C, quando seu povo desapareceu misteriosamente.

Evidências de rituais também foram encontradas nas sepulturas, indicando que as pessoas enterradas no local foram entregues aos deuses como uma oferenda em troca de comida, bebida e colheitas. Os sacrifícios ocorriam de forma sazonal, coincidindo com o calendário de plantio, quando as colheitas dependiam do clima e das chuvas. Uma criança sacrificada em um altar representava um pedido para que os deuses enviassem chuva e afastassem pragas. Acredita-se que o costume de realizar sacrifícios era corriqueiro e que ao menos uma vítima era sacrificada ao ano. Em tempos mais difíceis, de seca ou carestia, de seis a uma dúzia de sacrifícios poderiam ser oferecidos.

Os rituais eram conduzidos por sacerdotes e ocorriam com enorme pompa e circunstância. Os pais aceitavam o sacrifício de seus próprios filhos acreditando que eram necessários para a sobrevivência de toda comunidade. As vítimas eram drogadas com ervas e raízes especiais e conduzidas até o templo. Lá os sacerdotes usavam uma lâmina afiada para cortar a garganta com um único golpe. O sangue era coletado e cada gota oferecida aos Deuses em meio a uma série de rituais elaborados.


Nos arredores do cemitério foram descobertos indícios de festividades e comemorações que ocorriam após o funeral das vítimas do sacrifício. De um ponto de vista cultural, o sacrifício não era considerado um fardo sequer para as vítimas que acreditavam estar desempenhando uma função vital para a sociedade.

A explicação para a ausência dos pés é que segundo a religião local, os Deuses permitiam que as famílias mantivessem uma lembrança de seus entes queridos. Durante as festividades que antecediam o funeral, o cadáver era colocado em um altar para que o pé fosse cortado com um machado de sílex. Em seguida, o osso da perna era puxado até se desprender do cadáver e entregue aos pais.

Estes podiam então enviar a peça para um artífice que a trabalhava. Primeiro ela era descarnada, limpa e os ossos devidamente polidos, moldados para se transformar em adornos, como colares, braceletes ou brincos. Usar esses enfeites eram uma forma de lembrar do morto e mostrar aos demais membros da sociedade o tamanho do sacrifício aceito pela família.


Enquanto fazer jóias com os ossos de crianças e adolescentes possa parecer estranho e absurdo de nossa perspectiva, era algo extremamente comum para eles.

Curiosamente, a prática parece ter voltado à voga recentemente. Uma companhia sediada em Phoenix chamada "Sunspot Designs" oferece vários modelos de jóias confeccionadas com restos humanos. Uma de suas linhas de maior sucesso inclui jóias feitas de ossos humanos devidamente polidos e moldados de maneira semelhante a realizada pelos habitantes do norte do Peru para honrar seus entes queridos.