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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Perdendo Sanidade em Francês - Unbox de L'Appel de Cthulhu Septième Editión

E aí pessoal?

Recentemente eu postei um artigo sobre o Unboxing da Caixa de Call of Cthulhu 7th Edition que muitos de nós já recebemos depois de uma espera de anos.

Claro, assim como eu, creio que todos ficaram satisfeitos com o material, afinal, era uma crítica constante que a versão americana de Call of Cthulhu era uma das mais simples e pobrezinhas, quando comparada às edições alemãs, espanholas e principalmente a francesa.

O pessoal na França, representados pela Editora Sans-Detour é responsável por livros lindos, material de primeira qualidade, belíssimo que faz agente querer aprender a Língua de Napoleão. Eu tenho a sorte de ter comprado alguns títulos, e embora meu francês seja nível beabá (eu sei dizer merci beaucop e si vous plait), não me arrependo em absoluto de ter adquirido o Livro Básico, a Campanha Masks of Nyarlathotep e mais alguns livros. Lendo na base do dicionário de mão, reconheço que a coisa não rende tanto, mas dá para encarar e me lembrou a época em que eu lia em inglês da mesma maneira. Se funcionou naquele tempo, quem sabe eu não aprendo alguma coisa... Quase decifrando as palavras. 

Mas estou desviando do assunto.

O que me levou a escrever esse artigo foi a frustração. Vou te dizer... malditos franceses com seus livros maravilhosos. 

Eu estava todo feliz com minha Sétima Edição, elogiando os livros e acreditando que tinha um livro comparável aos europeus, quando de repente (ah, maldita hora!) comecei a procurar vídeos de unboxing para o artigo anterior.

Encontrei uns dez vídeos de gringos desempacotando o material, escolhi dois e me dei por satisfeito. Aí, acabei achando um outro Unboxing postado por Paul Fricker, um dos autores da nova edição. 

Achei curioso e cliquei em cima.

Não tem como dizer de outra maneira: Falhei no Teste de Sanidade.

O Unboxing de Paul Fricker acompanha a sua cara de surpresa ao tirar da caixa a VERSÃO FRANCESA DE CALL OF CTHULHU SÉTIMA EDIÇÃO (ou em bom francês L'Appel de Cthulhu 7eme Editión).

O que? Quando? Como? Onde?

Não importa!

Importa ver esse vídeo e acompanhar essas imagens. Meu queixo despencou meio palmo e bateu com tanta força no tampo da mesa que vou precisar de ataduras. O índice de inveja saiu de órbita e se eu fosse o Paul Fricker daria um jeito de fazer um seguro completo contra acidentes gerais incluindo queda de meteoro, tsunami e erupções vulcânicas. 

Caras, esses engenhosos franceses conseguiram criar uma das coisas mais bonitas que eu já vi em matéria de livros de RPG.

Não vou chatear vocês com comentários e elucubrações, ao invés disso, desafio todos vocês a assistir o vídeo à seguir. Recomendo colocar do lado uma caixa de lenços de papel para limpar as lágrimas e a baba que vai escorrer em profusão. Recomendo ainda um litro de colírio. Recomendo guardar sua Edição de Call of Cthulhu 7th Edition bem longe para que você não fique com ódio dela. Recomendo estar preparado para imagens fortes e desafiadoras.

Sem mais...


Alguém sobreviveu? Então, vejam as fotos a seguir e chorem lágrimas salgadas como o Mar Morto.

Vamos começar pela Caixa que guarda o material.


Olha isso! Olha a maneira como essa caixa abre e como os livros ficam acondicionados numa espuma protetora.

Esse é o Livre d' Arte:


O Interior do Livro de Arte:

Esse livro de arte é exclusivo da versão francesa.

A Capa francesa do Keeper Rulebook (Manuel du Gardien)

Dentro do Keeper Rulebook:





Algumas versões do livro com pranchas coloridas



A capa francesa do Investigator Handbook (Manuel de L'Investigateur)



Investigator handbook, imagens do interior:




Uma visão do Investigator Handbook que é bem diferente do nosso.



Fichas e imagens da sessão de como criar seus investigadores (no Investigator Handbook)

O Malleus Monstrorum, um livro que não fez parte do nosso Financiamento Coletivo.




Malleus Monstrorum um livro que não veio no Financiamento americano e que existe na 
versão para sexta edição.


O material é semelhante ao americano, mas MUITO mais bonito.


Olha só o interior do Malleus, com pranchas coloridas.

A versão francesa do Petersen Field Guide


Interior do Field Guide, ao menos esse não se difere do americano, porque... ele foi feito pelos franceses!

A capa do Strange Adventures:


Strange Adventures um livro inteiro apenas de aventuras:


E agora que todos já sofreram igual a mim, vamos às más notícias:

Esse material faz parte de um Financiamento Coletivo que rolou na França, ano passado.

Geralmente o material de Financiamento Coletivo é exclusivo e o pessoal que não participa dele acaba perdendo a chance de adquirir material exclusivo. Mas non, non, non ma cherie...

Os Franceses da Sans Detour estão disponibilizando essa caixa chamada de PRESTIGE em pré-venda por... (rufem os tambores) 159 EUROS!!!!!

Uma boa notícia? Eles entregam no Brasil.

Uma má? A taxa de entrega é de 140 EUROS!!!!!

Ou seja, o total é de 299 EUROS, aproximadamente 900 Reais.

Caro? Barato? Eu sei que não dá para mim... ainda mais se considerar que esse baú ficaria nas mãos do nosso "maravilhoso" sistema de entrega dos Correios. Nem quero imaginar se isso acaba sendo taxado na alfândega.

Bom, aí está...

Chorem, resmunguem e comentem. Eu? Eu vou sentar no canto e olhar para a parede.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Por trás do Escudo II - Escudos de Mestre para que te quero!


Escudo do Mestre.

Nem todos os narradores de RPG são fãs dessas divisórias de papelão  coloridas cheias de desenhos empolgantes que servem principalmente para demarcar os limites espaciais entre o Mestre e os jogadores.

Conheço narradores de mão cheia que afirmam ter orgulho de rolar os dados apenas diante de todos os jogadores. Doa a quem doer, o resultado jamais fica restrito ao mestre.

Outros não dispensam o Escudo de Mestre, não para ocultar os seus dados, mas como uma maneira de manter todas as informações pertinentes ao alcance dos olhos, bem como para assegurar que suas anotações secretas ficarão escondidas e longe de olhares curiosos. 

Eu pessoalmente sou um grande fã de Escudos de Mestre (também chamados de Shields, Divisória ou Screens).

Sempre que me interesso por um jogo ou tenho planos para narrar uma determinada ambientação acabo sucumbindo ao impulso consumidor de adquirir também o Escudo oficial da ambientação. Confesso que nem sempre os Escudos são imprescindíveis, já que nem todos possuem informações realmente úteis ou que precisem ser lembradas no correr da sessão, mas eu gosto de usá-los sobretudo para esconder minhas anotações.

Para falar a verdade, quando vou narrar uma mesa em que não tenho Escudo, parece que está faltando alguma coisa... como se algo estivesse incompleto.

Além de usá-los sempre que posso, eu também gosto de colecioná-los. É uma mania; tenho conhecidos que adoram dados e que possuem uma coleção enorme deles, às vezes, um set para cada ambientação, já comigo, meu fraco é pelos Escudos. Em especial pelo fato de que todos os escudos um dia foram usados em mesas de jogo.

Esses dias um colega veio aqui em casa e chamou a atenção para a quantidade de Escudos de Mestre e aconselhou escrever um artigo a respeito deles para o Mundo Tentacular

Uma vez que uma postagem antiga sobre o tema está no TOP 10 de artigos mais lidos, acho que o assunto é realmente interessante para um bom número de leitores, então, aqui está ele.

Tudo começou com A(dvanced) D(ungeons) & D(ragons) e suas muitas ambientações...

Uma das minhas frustrações é ter ao longo dos anos perdido os Escudos mais antigos que eu tinha, que pertenciam às ambientações de AD&D nos tempos da Segunda Edição/ TSR. Eu lembro de ter os Screens antigos de Ravenloft, Dragonlance e Forgotten Realms que acompanhavam os Boxed Set dessas ambientações clássicas, sem falar no Escudo genérico de AD&D, mas estes infelizmente não estão mais na coleção.

Sobraram apenas dois dessa época de ouro dos jogos da TSR:



O Screen no topo é o de Dark Sun (que vinha na caixa da segunda edição) o outro é de Al Qadim, minha ambientação favorita nos tempos em que D&D vinha com um "A" na frente.


Esses daqui já são dos tempos da terceira edição, o de cima é o de Ravenloft e do Dungeons and Dragons, 3.0 Ed. Ambos exemplos de Screens mais bonitos do que realmente uteis...


Já esse do Conan RPG (usando as regras do sistema D20) foi bastante usado. Grande jogo com um Escudo à altura... ele vinha acompanhado de um mapa da Era Hiboriana e tinha uma arte simplesmente deslumbrante que remetia ao estilo dos grandes desenhistas dos Quadrinhos do Gigante Cimério.



O Escudo da Edição 4.0 de D&D foi um dos que viu menos jogos, infelizmente. O design dele é muito bacana e o conteúdo bem completo, mas como o sistema não me empolgou, acabou ficando na prateleira por um bom tempo.

Eu gosto dessa ilustração no Escudo de D&D 3,5 (que veio encartado em uma edição da Dragon Magazine americana). O grupo de heróis preparados para enfrentar um temível Pit Fiend e o mesmo grupo massacrado pelo monstro no último painel.

É um tipo de mensagem subliminar que diz: "Vocês estão perdidos!"



No alto o Escudo de Al-Qadim novamente.

Na parte de baixo da foto um Escudo mais raro, pertencente ao Star Trek - The Next Generation Narrator's Kit, RPG lançado por volta de 2000 pela Last Unicorn Games. É engraçado, mas esse Screen (hoje simples) foi por algum tempo um dos mais legais, uma vez que foi um dos primeiros a ser totalmente colorido na frente e no verso.


E falando de Escudos "raros" esses aqui são bem difíceis de encontrar (ao menos eu só vi uma vez).

O do alto pertence a Fading Suns - uma ambientação de ficção científica que parece muito, muito, mas muito mesmo com uma adaptação do Universo de Duna. Saudades da minha campanha de FS que infelizmente não terminou...

Já o de baixo é o Gamemasters Veil de Nephilim. Para quem não conhece, Nephilim  é um RPG obscuro editado pela Chaosium na metade dos anos 1990. É um jogo danado de estranho que utiliza um sistema semelhante ao BRP e lida com vários aspectos do ocultismo clássico.


E esses são os screens de Vampire.

Eu sei, faltam os de Masquerade, mas acabei dando estes para uma amiga depois que parei de jogar as ambientações da White Wolf.

O que restou foi esse de Vampire Dark Ages que é bonito pra caramba com esses desenhos em preto e branco.


Já o vermelho é para Vampire Requiem.

Muita gente torceu o nariz para o Novo World of Darkness, mas o Escudo é incrivelmente completo, sem falar que tem ótimo acabamento. O papelão dele é tão resistente que o pessoal brincava que podia parar uma bala de pequeno calibre (ou machucar algum jogador que por ventura despertasse a ira do storyteller).



Estes aqui são consideravelmente mais recentes.

Acima é o Escudo de "The One Ring", ambientação de fantasia que se inspira no universo de J.R.R. Tolkien, sobretudo no "Hobbit". Esse é outro screen muito bonito e útil.

Mas em se tratando de beleza e utilidades, difícil bater os Escudos da Fantasy Flight Games.

Esse é o de Dark Heresy, uma das ambientações chave no vasto Universo do RPG Warhammer 40000 (também chamado 40k).


Todos os Screens dedicados ao Warhammer Roleplay são de cair o queixo tanto na aparência quanto no conteúdo. O de One Ring também não fica atrás...


...agora, esse aqui de Warhammer Fantasy Roleplay é outro assunto!

Talvez seja o melhor Escudo de Mestre que eu já vi.


O padrão da Fantasy Flight é difícil de igualar, o negócio é simplesmente de cair o queixo. Com cinco painéis totalmente coloridos e toneladas de informações e regras que ajudam a compreender melhor a mecânica do sistema (que não é lá muito fácil!).

Esse é o tipo do Escudo que o Narrador precisa ter em sua mesa para que o jogo funcione, pois ele realmente ajuda a agilizar a sessão.


Esses dois aqui também são muito bem feitos.

É o Escudo de Deadlands Reloaded e Deadlands Noir, duas ambientações do Sistema Savage Worlds que via de regra utiliza um Screen genérico e modular que você imprime os painéis.


Uma vez que Deadlands foi idealizado para ser o carro chefe do Savage Worlds, eles preferiram fazer um Screen só para ele.  E o de Noir (update do Deadlands clássico para os anos 20-30) seguiu a onda.


O que nos leva aos Escudos dedicados a Cthulhu.

O de cima na fotografia é o Escudo de Rastro de Cthulhu (Trail of Cthulhu) que tem uma das artes mais bacanas e detalhadas. Esse desenho é simplesmente de tirar o fôlego!

Na mesma foto, na parte de baixo, está o Keeper's Screen de Call of Cthulhu sexta edição, com adendos com regras para a versão D20 de CoC. A arte nesse painel também é maravilhosa!


Esses detalhes são do Escudo de Trail. Eu consegui pegar o autógrafo do pessoal responsável pelo jogo. Esse acima é do Simon Rogers (editor do livro) que escreveu "Continue seguindo o rastro".


O autógrafo do Robin D. Laws, criador do sistema Gumshoe.


E do Kenneth Hite, autor do Rastro de Cthulhu.


Esse daqui é o clássico Keeper's Screen da Quinta Edição de Call of Cthulhu, conhecido como Elder Sign Screen por motivos óbvios.

Na parte inferior da foto está o Screen da Mega-Campanha Beyond the Mountains of Madness.


Eu nunca gostei muito dos Screens de Call of Cthulhu, até que a Chaosium começou a adotar o modelo de Escudo editado na França que é de cair o queixo.

                            

Esses são os Escudos de Call of Cthulhu norte-americano e o francês, editado pela sensacional Editora Sans-Detour responsável pelo jogo na Terra de Napoleão. 

Os desenhos são ótimos, cheios de detalhes e o verso possui tabelas e excelentes informações para o jogo.



Consegui o autógrafo de Sandy Petersen no Escudo de Call of Cthulhu. O mais engraçado é que ele olhou meio contrariado para o escudo e perguntou se ele realmente era de Call of Cthulhu: "Não me lembro desse material", ele comentou enquanto autografava. 


A Sans Detour costuma fazer um Escudo para cada uma das grandes campanhas de Call of Cthulhu. Esses dois são os escudos para o narrador de Masks of Nyarlathotep e para Beyond the Mountains of Madness.


E esse aqui é o meu xodó. Um Escudo personalizado para Call of Cthulhu, que foi o tema de um artigo específico nesse link.

Bom, é isso aí!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Les Masques de Nyarlathotep - Fotos e comentários sobre a Edição Especial de Colecionador (parte 2)

Continuando com a resenha fotográfica da Edição Especial de Masks of Nyarlathotep da Editora francesa Sans Detour.

Vamos aos livros que compõem a campanha.

RECURSOS PARA O KEEPER 


A Campanha vem com três livros de material especial para auxiliar o Keeper na narrativa. Eles detalham minuciosamente cada episódio e trazem todas as informações necessárias para que a tarefa de narrar uma campanha desse tamanho fique mais fácil.


O Livro de Introdução à Campanha, vem com gráficos e diagramas relacionando cada um dos personagens da campanha, onde eles aparecem, sua importância para a trama, onde ele pode ser encontrado e suas conexões para a campanha.


A princípio eu achei esse livro meio exagerado, mas considerando o grande número de NPCs dessa campanha, um gráfico relacionando cada um deles é um recurso muitíssimo bem vindo. Sem falar que diagramas ficaram bem simples de entender e acompanhar.

LIVRO DE ANEXOS

                          

O Livro de Anexos é outra excelente ferramenta para que o Keeper possa se situar e dar prosseguimento a cada etapa da campanha de forma mais organizada.


Além de uma cronologia completa da campanha e dos principais acontecimentos, o narrador encontra detalhes de como interpretar os personagens principais, quais as motivações d ecada personagem, sua interação com o tema central e como alterar a estrutura de acordo com o que o grupo de jogadores deseja. É o tipo de material concebido para facilitar a vida do narrador que não tem muito tempo para ficar trabalhando a estória e adaptando trechos para seu grupo de jogo. Uma preocupação muito justa para quem não dispõe do mesmo tempo livre que tinha antes.


O Capítulo sobre as várias facções do Culto de Nyarlathotep talvez seja o melhor apêndice a respeito de um culto devotado ao Mythos que já li. Sério, o negócio é realmente muito bem feito, estruturado e detalhado. Praticamente qualquer situação que possa vir a acontecer na campanha é esmiuçada com direito a conselhos e planejamento prévio para o Keeper se resguardar de surpresas e imprevistos.

O livro acompanha também uma série de idéias para o Keeper envolver os personagens e jogadores na campanha e tornar a experiência de jogo algo diferente.


Há ainda uma série de dicas úteis e informações especiais para ajudar a dar um colorido a campanha. Dicas de livros, filmes, música ambiente para cada trecho da estória. Fatos históricos relevantes para ambientar os jogadores no contexto da época, calendários, moedas de cada país, meios de transporte, nomes para NPCs e um glossário de termos úteis em vários idiomas (inglês, árabe, chinês, swahili).


Ah e isso aqui: O "Trombinoscope".

Cada NPCs da campanha (mesmo os moderadamente importantes) possui uma fotografia que serve como recurso gráfico para facilitar o reconhecimento do personagem pelo grupo de jogo. É ou não é um preciosismo que beira a paranóia? 

LIVROS DA CAMPANHA



E essa é a parte mais importante do pacote: Os livros que compõem a Campanha. Cada capítulo da Campanha Masks of Nyarlathotep se refere a uma diferente cidade do mundo. São elas: Nova York (EUA), Londres (Inglaterra), Cairo (Egito), Nairobi (Quênia), Shanghai (China) e Port Headland (Austrália).


O mais impressionante é o tamanho de cada livro.

Essa é uma comparação da campanha com o Livro Básico de Call of Cthulhu 5th Edition. Cada livro possui em média 120 páginas! Ou seja, são pelo menos 720 páginas de Campanha. Isso sem contar o Livro de Anexos, os Handouts, os suplementos de apoio ao mestre.


A grosso modo, a Campanha acaba sendo mais volumosa do que a legendária Beyond the Mountains of Madness, um verdadeiro Catálogo Telefônico em dimensões. 


Mas do que exatamente trata cada um desses livros?

Para começar, os livros são totalmente ilustrados. Cada página possui belíssimas fotografias em preto e branco de época, a maioria fotos originais dos lugares que serão visitados ou explorados pelos personagens.  


Um detalhe importante é que os livros não se resumem ao cenário. Além dele, há uma descrição completa da cidade/país onde se passa a aventura: suas principais características, informações sobre economia, sociedade, política, geografia, principais pontos de interesse, o que os investigadores podem encontrar, lugares interessantes para investigar ou explorar, etc. Cada livro tem ainda um mapa da região onde se passa a estória com os lugares a serem investigados devidamente assinalados. 


As fotografias são na minha opinião o ponto alto dos livros de cenário. O keeper pode usar esse recurso para ilustrar praticamente toda a sua narrativa. Por exemplo: o grupo chega ao Cairo (há uma imagem do porto), contrata um guia (há uma foto do sujeito), se registra num Hotel (há fotos da fachada e do interior dos quartos!), visita o Museu do Cairo (existem imagens dos corredores, da fachada e das principais obras em exposição), conhece as ruas da cidade (várias fotos), comparece a um jantar em um restaurante local (há imagens de restaurantes da época no Cairo) e assim por diante. 

O recurso visual é tão perfeito e as fotos tão interessantes que vale a pena pontuar toda a narrativa com essas imagens reais.


Mas e quanto aos cenários em si? O que eles trazem? O que posso dizer é que os cenários foram estruturados de forma muito organizada para facilitar o trabalho do narrador. Cada um deles possui uma ficha de resumo com os pontos chave da estória e dicas de como conduzir esses eventos. Cada episódio vem com um adendo para introduzir novos personagens (muito justo, considerando o alto índice de letalidade) e como aquele episódio se encaixa no contexto geral da campanha. Os cenários são muito bem escritos, boa parte do texto foi pinçado da edição original, mas algumas informações adicionais foram incluídas concedendo um pouco mais de clareza a trama.


Algumas ilustrações foram aproveitadas do livro original (editado pela Chaosium), mas outros tantos monstros e criaturas receberam uma nova abordagem mais moderna. Os artistas da Sans Detour são no geral bastante talentosos e conseguem acompanhar a qualidade da arte interna em preto e branco. Ainda que a maioria das ilustrações seja derivada de fotografias, quando há desenhos, estes não decepcionam.

KEEPERS SCREEN


E finalmente o Keeper's Screen (Escudo do Mestre). O escudo vem com uma aventura introdutória chamada "Singeries" que pode ser usada como uma introdução da campanha. Ela serve basicamente para apresentar o personagem Jackson Elias um dos NPCs mais importantes da campanha e que será o fio condutor da investigação ao redor do mundo.


Apesar da aventura ser interessante, o filé mignon é o Escudo do Mestre que acompanha o pacote. O desenho do verso com a Montanha do Vento Negro e os membros de uma expedição (avançando na direção dele) é belíssima! Eu goste muito dessa escolha de imagem, fica algo sugestivo, que aponta para o lado pulp da trama envolvendo uma corrida ao redor do mundo para salvá-lo da ameaça de cultos e das criaturas por eles reverenciadas. 


Uma visão mais próxima do Screen com o grupo de investigadores.

O único senão é que o screen de Masks é basicamente o mesmo em relação ao Escudo básico de Call of Cthulhu francês. Por sua vez esse modelo é o mesmo adotado pela Chaosium no atual Keeper's Screen, com as mesmas informações, tabelas e gráficos para auxiliar o mestre. Eu preferia que o escudo tivesse informações exclusivas da Campanha, tornando-o exclusivo, mas ao invés disso as informações são genéricas.

Bom, é isso!

Les Masques de Nyarlathotep é uma Edição Especial simplesmente sensacional que só comprova o excelente trabalho gráfico e visual da Editions San Detour. É um filão que as editoras norte-americanas ainda não descobriram, produtos com acabamento luxuoso que até podem custar mais caro, mas que fazem a alegria dos fãs. Um padrão de qualidade ainda longe de ser equiparado na terra do Tio Sam, quem dirá aqui no Brasil.

O maior problema (além do preço!) é a barreira do idioma. Eu tenho um conhecimento básico de francês que se resume a dois anos de curso e algumas aulas nos tempos de colégio. Mas surpreendentemente o problema da língua pode ser  transposta com boa vontade e a providencial ajuda de um dicionário. E no fim das contas, depois de algum tempo você descobre que consegue ler boa parte dos textos.

Achou interessante? Então leia também:

Atlas do Mythos

Novo Keeper's Screen

A Lovecraft Retrospective

Bookhounds of London - Edição Limitada

The Art of H.P. Lovecraft Cthulhu Mythos