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sábado, 20 de abril de 2019

"Você viu o meu irmão"? - a Lenda do Espectro da Freira de Negro


Quando eu era criança, estudei em um colégio de freiras e nada podia ser mais assustador do que topar com uma freira vestindo aquele hábito negro.

Não me entendam mal... as freiras jamais levantaram uma mão para mim ou qualquer pessoa que eu saiba. Sempre foram gentis e simpáticas, algumas eram bem modernas a ponto de jogar vôlei e andar de moto. Mas as mais tradicionais, em geral, as mais velhas insistiam em usar o hábito preto e pesado que criava uma indiscutível aura de autoridade. Além disso, havia a lenda de um fantasma vestindo hábito que assombrava a antiga clausura do colégio onde eu estudei (um dia conto a respeito disso). E nenhuma criança duvidava da existência de tal entidade vagando pelos corredores desertos à noite. 

Talvez seja por isso que filmes que apresentam freiras diabólicas me afetam de maneira particular recorrendo à uma memória trancafiada em algum lugar da minha mente. Mas o que dizer de histórias reais a respeito de assombrações vestidas como freiras e que pertenceriam a espectros de religiosas mortas? 

Uma narrativa especialmente apavorante, vem da Inglaterra e envolve uma aparição que ficou conhecida como "A Freira de Negro". A lenda é a seguinte:

No ano de 1811, uma das maiores e mais prestigiosas instituições financeiras do mundo era o Banco da Inglaterra. A Sede ficava na vizinhança de Threadneedle Street, e entre os seus muitos funcionários havia um homem chamado Philip Whitehead, algumas vezes também chamado de Paul Whitehead, que trabalhava como caixa. Embora ele fosse considerado um empregado gentil e correto, Phillip tinha um lado obscuro, e mesmo que ele estivesse sempre sorridente e fosse agradável com os clientes e colegas, ele praticava fraudes e desfalques. Ele provavelmente imaginou que pudesse se livrar para sempre, mas um dia sua sorte terminou, o banco descobriu seus esquemas e ele foi preso.  


Naquela época, eram tempos diferentes, com punições severas para quem fosse apanhado cometendo um crime dessa natureza. Hoje pode parecer absurdo, mas a natureza dos desfalques cometidos pelo funcionário foram considerados tão graves que ele acabou sendo condenado à morte. No início de 1812, Phillip foi escoltado ao patíbulo da Prisão de St. Agnes e enforcado. 

Phillip tinha uma única parente viva, uma irmã muito próxima chamada Sarah Whitehead que não foi informada da prisão e menos ainda da execução. Sem ouvir qualquer notícia de seu irmão por várias semanas, Sarah visitou o Banco onde ele trabalhava. Os funcionários sabiam o que havia ocorrido e tinham ciência da execução, mas ao invés de contar à Sarah, preferiram ocultar o fato. Disseram que ele havia sido enviado para um trabalho fora da cidade. Essa visita foi apenas a primeira e ela acabou retornando outras vezes, preocupada, desejando saber o paradeiro de seu querido irmão. Ela sempre questionava "Você viu o meu irmão"? 

Finalmente, talvez por piedade, um funcionário a chamou em um canto e contou a respeito dos desfalques, da prisão e da execução. Ela não aceitou bem a notícia.  Segundo consta, a chocante informação sobre a morte de Phillip a deixou primeiro confusa, e aos poucos se mostrou demais para sua mente frágil: Sarah perdeu a noção da realidade e aos poucos a razão. Ela continuou indo ao Banco, como se esperasse encontrar o irmão ali. Perguntava aos funcionários "Quando Phillip irá voltar"? e "Qual  horário de saída dos empregados"?

A dor e desespero fizeram Sarah buscar refúgio em um convento. Ela se apresentou como candidata a se tornar irmã na ordem, mas dado seu estado psicológico, o pedido foi negado. Era claro que a mulher sofria de instabilidade mental e portanto não podia ser aceita. Ainda assim, de alguma maneira ela conseguiu obter um traje de freira e passou dali em diante a se vestir de preto dos pés a cabeça, com um hábito negro e um véu que cobria sua face. Ela passou a ser chamada de a "Freira de Negro" e sua presença se tornou um incômodo para todos que trabalhavam ou requentavam o prédio do Banco. Sarah fazia visitas regulares à instituição e parava na entrada perguntando a quem entrava e saia "Você viu o meu irmão"? 

Essas aparições se tornaram regulares, com Sarah visitando o banco dia após dia. No início ela parecia apenas confusa, mas inofensiva, contudo isso começou a mudar e ela foi se tornando agressiva. A situação chegou ao ponto dela gritar e agarrar o braço de pessoas para que dissessem onde estava seu querido irmão.


Isso durou vários anos até que em 1818, o gerente do Banco decidiu pagar a mulher um valor para que ela parasse de importunar os clientes. O dinheiro seria uma compensação pela sua angústia e uma forma de afastá-la de uma vez por todas. De certa forma funcionou, mas não como esperado. Sarah nunca mais pôs os pés no Banco de Londres, ao menos não viva.   

Sarah Whitehead morreu poucos dias depois de receber o valor pago pelo gerente. Houve boatos que especulavam que ela tivesse cometido suicídio. Para alguns, ela teria sido atropelada por uma carruagem que não a viu durante a noite. Outros sugerem que ela saltou diante dos cavalos, sendo esmagada pelas possantes patas dos animais e pelas pesadas rodas. Ninguém nunca soube ao certo se a morte dela foi resultado de acidente ou vontade própria. O que se sabe é que seu corpo foi enterrado em St. Christopher-le-Stocks, um cemitério atarracado que ironicamente ficava próximo da Sede do Banco da Inglaterra.

Pouco depois da última pá de terra ser lançada sobre seu túmulo, coisas estranhas começaram a acontecer dentro e fora do Banco. Funcionários mencionavam uma sombra escura que parecia vagar pelos corredores e arredores do prédio e que se escondia nos cantos, fora do arco de visão, mas era perceptível aos sentidos. Ela era descrita como uma silhueta de mulher vestida de negro, com a face oculta por um véu. A figura parecia flutuar no ar, sem os pés tocarem o chão. Esse fantasma assombrava o mesmo local em que "A Freira de Negro" se colocava para cobrar informações a respeito de seu falecido irmão.


A princípio as testemunhas a descreviam como uma forma inerte no ar, observando e seguindo funcionários e clientes, contudo ela se tornaria mais e mais insistente. A entidade passaria a assediar as pessoas, perguntando com uma voz soturna "Vocês viram o meu irmão"? enquanto as tocava com dedos tão gelados que queimavam a pele. Aqueles que ficaram frente a frente com a assombração percebiam olhos que transbordavam loucura e uma face distorcida pela dor e ressentimento. Lágrimas escorriam pela sua face e quando caíam no chão cristalizavam em gelo. Ao redor dela tudo era frio como se uma aura de inverno a acompanhasse. Os que conheceram Sarah Whitehead em vida não tinham dúvidas de que se tratava de seu fantasma.

Nos anos que se seguiram, pessoas andando pelas ruas próximas relatavam encontros inacreditáveis com o fantasma. Aqueles que tiveram a experiência falavam de uma sensação esmagadora de solidão que chegava a afetá-las fisicamente. Mais de um que cruzou o caminho da "Freira de Negro" afirmava ter sentido posteriormente uma profunda depressão e uma sensação arrebatadora de tristeza.

O cemitério em que o corpo de Sarah foi enterrado também era assolado ela sua incômoda presença. A forma era vista flutuando sobre as lápides, com os pés jamais tocando o solo e as vestes negras agitando-se. Ela costumava deixar em paz aqueles que respondiam não ter visto seu irmão, mas quando a resposta não vinha, ela tentava segurar seus interlocutores, como fazia quando estava no reino dos vivos. E quando tal coisa acontecia, era impossível conter o terror.    


O Fantasma da Freira de Negro continuou sendo visto por muitas décadas e continua sendo uma das aparições mais famosas de Londres, sendo que o prédio do Banco da Inglaterra é tido como um dos lugares mais assombrados da cidade. Testemunhas afirmam ter avistado o espectro também em estações próximas de metrô e em prédios vizinhos. Apesar do cemitério ter sido mudado de lugar e os corpos exumados, ela continuou sendo vista no mesmo local. Funcionários do Banco relatam várias histórias a respeito de avistamentos, bem como transeuntes e turistas que passam pela Threadneedle Street sem suspeitar de sua macabra história.

A Freira de Negro do Banco da Inglaterra se converteu em uma lenda popular e muitas pessoas afirmam até hoje encontrar o espectro naquele mesmo lugar. Seria ela apenas uma estranha lenda urbana ou há algum resquício de verdade nessas narrativas? Seria uma assombração residual ou uma visão permanente criada pela dor e desespero? Será ela um fantasma gerado pela loucura e pela mágoa de uma mulher? 

Seja lá o que for, esteja avisado quando visitar a capital da Inglaterra e circular próximo da Threadneedle Street. Algo lá pode se aproximar e com uma voz soturna perguntar: "Você viu meu irmão"?

domingo, 16 de dezembro de 2018

A Lenda de Bloody Mary - Repita seu nome diante de um espelho, se tiver coragem


Todos já ouviram a história.

Muitos, inclusive, já devem ter brincado disso quando criança ou adolescente.

Consiste em parar diante de um espelho, e repetir uma, duas, três vezes o nome de alguma entidade. Segundo as histórias, quando o nome é dito pela terceira vez, a criatura (espectro, fantasma ou sombra) se manifestaria de forma visível e poderia ser percebida no reflexo do espelho.

Parece familiar? Pois bem, variações dessa história são conhecidas em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

A origem da lenda é difícil de ser determinada, mas acredita-se que ela tenha surgido com o nome de Bloody Mary na Inglaterra em meados de 1800.

A Lenda de Bloody Mary também é conhecida por outros nomes como Maldição de Mary Worth e Aparição de Mary Whales. Todas elas parecem se referir a mesma entidade, cuja aparência e história tem poucas variações. 


O Fantasma é descrito como uma mulher bonita e pálida, cabelos loiros e longos, vestindo um traje simples como uma camisola, igualmente imaculada. Essa forma frágil, no entanto, esconde a natureza perversa de Bloody Mary. Ao abrir os olhos, estes transbordariam de ódio e ressentimento pelos vivos. De sua boca, escorreria sangue em profusão, e seu pescoço penderia num ângulo impossível, evidenciando estar quebrado. Uma marca clara de corda poderia ser visto, onde o nó foi apertado até arrancar de seu corpo o último suspiro.

Em algumas versões, a cabeça da Bloody Mary poderia se soltar do corpo e rolar pelo chão deixando um rastro de sangue. Em outra, os pés do espectro não tocariam o chão, e ela flutuaria no ar. Finalmente um terceiro rumor diria que quando a Bloody Mary se manifesta, ocorre uma queda acentuada da temperatura, na qual o ambiente fica sombrio e frio.    

Uma das lendas mais difundidas sobre a origem da assombração diz respeito a uma mulher que teria vivido nos tempos da Inquisição. Mary seria curandeira e parteira, prestando serviços para os aldeões de um vilarejo próximo. Bonita e independente ela atraía a inveja das mulheres e o ódio dos homens, já que não se sujeitava a nenhum marido. Mary teria sido acusada de praticar malefícios contra os aldeões e de ter causado a morte de uma mulher e seu bebê durante o parto. Ela foi denunciada como bruxa e presa, acabando por ser condenada à morte. A forma escolhida de execução foi a degola, feita com uma cinta de couro que foi passada em torno de seu pescoço e apertada com uma manivela até que ela asfixiasse. 

Dizem que durante a execução, assistida por todo o vilarejo, Mary amaldiçoou seus algozes. Aqueles que repetissem seu nome, seus filhos e descendentes, seriam amaldiçoados e encontrariam seu espírito inquieto em busca de vingança.


Em 1978, a escritora Janet Langlois publicou um livro intitulado “Mary Whales: Eu acredito em você”. No ensaio ela traçou as origens da lenda e tentou encontrar a verdadeira Mary através de registros históricos e documentais. Segundo as pesquisas de Langlois, uma mulher chamada Mary Whales teria sido executada em 1662, acusada injustamente de prática de bruxaria em Devon, no sul da Inglaterra. 

Ela acredita que esse incidente tenha dado origem à lenda que posteriormente se espalhou pelo país.

O livro apresentava ainda o relato de pessoas que teriam testemunhado a aparição de Mary após repetir seu nome diante de um espelho, uma crença que aparentemente sempre fez parte da lenda.

A brincadeira, um típico jogo de desafio e coragem, incorporava um método consagrado de invocação espiritual que envolve o nome e um espelho. A brincadeira é, portanto, embasada em princípios consagrados do ocultismo ritualístico. Nomes sempre foram parte importante de rituais. Tradições ancestrais ditam que o "nome verdadeiro" é uma maneira de se invocar entidades, desde espíritos, até gênios, passando por anjos e demônios. Conhecer o nome verdadeiro é a maneira correta de realizar uma invocação e sujeitar a entidade à vontade do realizador. O espelho também é uma parte importante, uma vez que constituiria uma conexão com o mundo sobrenatural. Seria através de espelhos que portas e portais poderiam ser abertos. A superfície cristalina seria uma espécie de janela para outra realidade, pela qual seria possível ver e ser visto, falar e ouvir.

Em algumas variantes da lenda, seria possível usar a invocação de Bloody Mary para ter um vislumbre do futuro. Se a pessoa em questão demonstrasse respeito, na superfície do espelho apareceria uma visão clara de seu futuro, que poderia ser bom ou ruim. Segundo a lenda, algumas vezes, via-se um futuro desejado com riquezas, amor e sucesso, em outros a profecia de acidentes, morte e tristeza. Segundo consta, a tal visão se concretizaria, independente da vontade da pessoa. 


As histórias mais populares, contudo, atestam que invocar Bloody Mary poderia resultar em grande perigo.

Se o espectro ouvisse seu nome sendo repetido três vezes com grande concentração e propósito, ele surgiria no espelho atrás da pessoa que realizou o chamamento. Em algumas versões, o espectro surge vingativo, disposto a matar e desfigurar o rosto da pessoa que ousou chamá-la. Alguns no entanto, afirmam que ao surgir, o choque causado pela assombração, é tão apavorante que pode matar de medo, provocando um ataque cardíaco fulminante. Os sobreviventes da experiência poderiam ficar com sequelas: gagueira, loucura ou teriam os cabelos totalmente embranquecidos.

Como evolução da lenda, mais recentemente, Bloody Mary se tornou um nome invocado para obter vingança. A assombração poderia ser invocada por pessoas interessadas em pedir que ela realizasse uma vingança contra um inimigo, em especial alguém que foi injusto ou cruel. Mary saberia reconhecer uma alma atormentada, assim como a dela, e aceitaria ajudar. Para isso, o nome da pessoa contra a qual se desejava extrair vingança deveria ser escrito na superfície do espelho, ao contrário para ser lido pela assombração do outro lado. Esta então apareceria para a pessoa em questão, saindo de um espelho para puni-la pelos seus maus feitos.


No Brasil, a história foi traduzida como a Lenda da Maria Sangrenta ou então da Bruxa do Espelho, Maria Degolada e mais tarde daria ensejo à famosa Loira do Banheiro que assombra os banheiros de colégios de todo país. 

Ela teria sido introduzida no país através de alunos de escolas britânicas que carregaram a história de Bloody Mary para outros países. Registra-se que no Brasil, ela foi citada pela primeira vez em meados de 1910 como uma "brincadeira" de crianças na famosa Escola Inglesa no Rio de Janeiro.  

Outra lenda, igualmente difundida no Brasil, e possivelmente uma adaptação à história original, diz que Mary era uma mulher muito bonita, mas um tanto superficial quanto a sua aparência. Ela teria sofrido um acidente automobilístico no qual seu rosto ficou horrivelmente marcado por cicatrizes. Para esconder as deformidades ela passou a andar por aí com um véu preto cobrindo-lhe o rosto. Certa vez, o tal véu teria caído em um evento social e as pessoas ficaram horrorizadas pela aparência dela. Mary então correu para casa e destruiu o espelho de seu banheiro. Com um estilhaço de vidro, cortou a própria garganta. Enquanto o sangue se esvaia, sua alma teria ficado aprisionada no espelho.

Enlouquecida e sem descanso, ela passou a habitar todos os espelhos, enxergando as mulheres se arrumando e maquiando com uma inveja mortal. Quando seu nome era repetido três vezes, por alguma pessoa diante de um espelho, ela poderia sair dele, espalhando morte e loucura.

E você?

Você teria coragem de repetir esse nome diante de um espelho depois de conhecer esses detalhes da lenda?


sábado, 3 de novembro de 2018

Todos os Fantasmas Ocultos - Você acha que viu todos eles?


A "Moça de Pescoço Torto" pode ser o fantasma mais apavorante da série "A Maldição da Residência Hill", mas esta assombração em particular é apenas uma parte do horror que está no background. A medida que a narrativa viaja entre presente e passado, abre-se um mundo oculto em que fantasmas não são apenas parte do dia a dia, mas capazes de aparecer a qualquer momento para aterrorizar os membros da Família Crain. Espectros furtivos e espíritos espreitam nos cantos ao longo de todos os episódios, por vezes em lugares inesperados e de forma quase imperceptível.

O criador da série Mike Flanagan, que adaptou a clássica novela de Shirley Jackson, comentou a existência desse Easter Egg em uma entrevista: "Nós colocamos dezenas de fantasmas na série, eles estão à vista, basta procurá-los. Nós não chamamos a atenção para eles, afim de cria um efeito em que o especador se pergunte se realmente viu ou não algo espreitando por alguns segundos. Se você prestar a atenção a algumas cenas irá perceber que atrás de cortinas ou armários por vezes há uma presença estranha", ele contou.

 Agora que os espectadores tem a chance de assistir (e re-assistir) a série , eles estão encontrando dezenas de fantasmas ocultos aqui e ali. Alguns deles parecem apenas observar, outros parecem interessados em acompanhar os personagens e saber o que estão fazendo. Nenhum deles entretanto toma parte da cena, estão ali apenas como observadores passivos dos acontecimentos. Mas quando percebemos, eles causam uma sensação de inquietação.

É provável que você não tenha percebido a maioria deles, mas é possível que mesmo sem ter percebido, eles consigam causar um impacto no subconsciente, quase como uma mensagem subliminar. 

Nessa lista reunimos 29 cenas em que fantasmas ocultos podem ser vistos. 

Episódio 1, "Stephen vê um Fantasma"



O Fantasma de baixo das escadas

Antes mesmo dos membros da Família Crain serem apresentados ou de um fantasma mais óbvio ser visto, A Maldição da Residencia Hill apresenta uma imagem na qual um fantasma quase imperceptível observa. Olhe cuidadosamente entre as escadas a medida que a câmera faz uma panorâmica através da mansão no primeiro minuto do episódio, você pode ver uma face pálida encarando.



O Homem atrás de Steven

Um dos truques mais espertos do diretor é recorrer a fake-outs, movimentos que se encontram fora da cena, compondo o background e que podem ser percebidos apenas parcialmente. Enquanto Steven e seu pai estão em pânico a respeito de alguma coisa que gira a maçaneta, eles não percebem que uma figura já está dentro do quarto, junto com eles.



As Figuras no Salão

Quando Steven e seu pai correm da casa, eles não tem tempo de se virar e perceber que não estão sozinhos no grande salão. Olhe atrás da escada e você perceberá várias figuras observando enquanto eles correm.



A Face atrás do Relógio

Essa é mais uma das assombrações que surgem quando os Crain menos esperam. Eles não percebem que estão sob constante observação. Quando Olivia interrompe a Sra. Dudley falando com Steve a respeito dos evangelhos, alguém (ou alguma coisa) se manifesta atrás do relógio no aposento. 

Episódio 2: Caixão Aberto



A Criança no Jardim

Logo ficamos sabendo que Luke vê frequentemente uma criança brincando nos jardins atrás da Hill House Mas parece que a mesma criança observa Shirley e Olivia enquanto a mãe conta para a filha a respeito de sua casa dos sonhos. Observe o lado direito do jardim atrás da menina, próximo da estátua. Alguém está observando com atenção.



O Fantasma na Cozinha

Na mesma sequência, quando há um corte e um close em Olivia falando com Shirley, há uma figura na entrada da porta que dá acesso à cozinha.

Episódio 3: Toque



A Face na Porta

Os fantasmas estão sempre observando, inclusive quando Theo entra na cozinha e apanha Nellie e Luke examinando um velho sistema de comunicação. Olhe para a porta no lado direito de Theo no painel superior, um rosto claramente observa as crianças com uma expressão sinistra.



Será que eles podem vê-la?

Essa cena sinaliza com uma suposição: os Crain não são capazes de perceber as presenças fantasmagóricas que espreitam pela casa. Nessa cena é possível perceber que Theo está virada na direção de uma forma feminina, trajando um vestido comprido preto. Ela está voltada na mesma direção que o espectro e ele está há poucos metros de distância, de modo que seria difícil não ver que ele está bem ali.



Não entre na Sala de Jantar

Enquanto Theo observa o elevador, alguma coisa espreita na sala de jantar ao lado. Esse é um tanto difícil de perceber, mas procure perto da cadeira, então mova seus olhos um pouco para a direita e você verá um braço. Siga para encontrar a cabeça. Pronto, está claro como o dia.



A Moça de Preto

Enquanto Theo procura pela escada para o porão que ninguém sabia existir, alguém observa no canto da cozinha. Parece ser o mesmo espectro que observava na cena anterior. Perceba que o reflexo dela fica bem claro no vidro da porta que dá para a sala de jantar.



Uma Coisa no Porão

A coisa que espreita no porão e que é repsonsável por atacar e rasgar a camisa de Luke no elevador deve ser o fantasma menos oculto da Mansão. Ele pode ser visto d erelance quando Theo abre o alçapão que leva para o porão. Ele parece escondido atrás da escada: observe alguns degraus na passagem para ver a sua face pálida.



Espreitando na Sala de Visitas

O episódio mais assombrado da série continua com alguma coisa espreitando na sala de visitas. O mesmo espectro de cabelos longos e roupa preta está observando Olivia.



O Homem no Corredor

Este é um dos espectros mais sinistros. Enquanto Theo anda pelos corredores da casa, percebemos a forma inconfundível de um homem careca observando a sua passagem.



Observando de longe

É preciso ter uma televisão bem grande para perceber esse daqui. É possível perceber a presença de uma face bem longe, na sala anexa atrás de Olivia próximo das arcadas de madeira.



O Homem atrás do Lustre

Alguns fantasmas se escondem melhor do que outros. Esse parece bem claro e os Crain jamais conseguiriam deixar de vê-lo, mesmo que eles estivessem passando por ele às pressas. Enquanto corre pelo corredor carregando Luke e Nell, Steven quase esbarra nessa presença fantasmagórica. 

Episódio 4: Coisa de Gêmeos



O Homem atrás das Cadeira

Esse parece ser o memso homem atrás da luminária. Nós não conseguimos ver a sua cabeça, então é difícil de dizer ao certo, mas que existe uma figura atrás da cadeira na sala, atrás de Luke e Nell não resta dúvida. A cena ocorre com cerca de 8 minutos de duração.



A Mulher Loira no final do Corredor

Hugh e Olivia tem um momento de carinho, enquanto conversam a respeito de sua Casa dos Sonhos, que definitivamente não seria a Hill House. A Mulher Loira pode ser vista no final do corredor perto da janela.



A Face no Armário de Vidro

Essa é um pouco difícil de ver sem dar uma pausa. Quando Nell e Luke estão apanhando moedas jogadas no sistema de comunicação, há uma face olhando para eles de dentro do armário de vidro da cozinha.

Episódio 5: A Moça do Pescoço Quebrado



Eles estão de baixo da Escada (De novo!)

Lembra daquelas figuras sinistras que estavam anteriormente de baixo da escada quando Steven e seu pai estão fugindo no primeiro episódio? Elas podem ser vistas novamente quando Luke desce as escadas. Suas formas escuras ficam em contraste com a parede mais clara como se fossem sombras.



O Fantasma de Gerald

Vários artistas que trabalharam com Mike Flanagan em outros filmes participam de Hill House, incluindo Carla Gugino, Henry Thomas, e sua esposa Kate Siegel, mas existe mais um que provavelmente você não percebeu. A assombração atrás de Olívia na cena acima é interpretada por Bruce Greenwood, que por sua vez foi o ator que contracenou com Carla Gugino em Jogo Perigoso (Gerald’s Game em 2017), uma excelente adaptação de uma novela de Stephen King.



As Mãos sob o Piano

Esse na minha opinião é o mais sinistro de todos os fantasmas. Quando Nell é repreendida pela mãe por desenhar na parede, quem teria sido o responsável senão ela? No momento em que Theo entra na sala, é possível ver alguma coisa de baixo do piano escondida. É possível ver as suas mãos!



Cuidado Nellie

O quinto episódio de Hill House é um dos melhores e revela o destino de Nellie. Talvez ela já estivesse desenganada desde o momento em que alguma coisa a observava sob o ombro esquerdo.

Episódio 7: Eulogia



Esperando atrás de uma porta

O episodio seis da série dá uma trégua nas aparições de fantasmas, mas as figuras espectrais reaparecem por volta dos 38 minutes na forma de algo que observa Hugh de dentro de um dos quartos.



Assombração próxima dos Policiais

Esse fantasma oculto é especialmente aterrorizante, especialmente por que ele está tão próximo, quase como se participasse ativamente da cena. Olhe atrás dos policiais que vem investigar a descoberta do cadáver atrás da parede e você irá perceber a mulher de cabelos loiros, ou ao menos a sua mão na parede.



A Loira no Porão

A figura loira que está sempre observando Hugh aparece novamente , dessa vez no porão. Enquanto ele examina o mofo que se espalhou pelo porão, uma figura fantasmagórica, claramente feminina está parada ao lado da sala escura.

Episódio 9: Screeming Meemies



Perto da Arcada

Enquanto a série se aproxima de seu final, Flanagan prepara o tom para revelações, incluindo uma figura no aposento atrás de Hugh logo na cena de abertura. Observe na direita da arcada - alguém está ali escondido observando.



O Fantasma mais Ousado

Este fantasma t lvez seja o mais óbvio e foi o que fez muitas pessoas assistindo a série se perguntar se haveriam outros espalhados pelos episódios... provavelmente porque ele está bem obvio na cena. Nem é preciso dizer onde ele está, é impossível não ver o seu rosto na janela. 



Nas Escadas

O que acontece de baixo dessas escadas? O Salão parece ser uma das áreas mais populares para a concentração de fantasmas nessa casa. Se você olhar para o lado direito na cena em que Olivia está deixando a Casa é possível ver uma figura ali novamente. 

Episódio 10: O Silêncio permanece



O Fantasma atrás de Steven

Quando o adulto Steven retorna à casa no episódio final, nós percebemos que um fantasma está lá para lhe dar as boas vindas. A mão dele pode ser vista claramente e então detalhes de seu vulto.

*     *     *

É claro... é bem provável que muitos outros fantasmas estejam ocultos e sejam encontrados ainda.

O próprio diretor disse que não tem certeza de quantas cenas com aparições foram incluídas na versão final, mas é razoável supor que mais deles serão vistos.

E você? Tinha conseguido ver todas essas assombrações ocultas? Tem mais alguma que escapou de nossa atenção? Se souber, não deixe de comentar a respeito!

*     *     *

NOTA: Apenas para constar, gostaria de compartilhar algo curioso.

Enquanto escrevia esse artigo, na tranquilidade de um sábado de sol, percebi com o canto de olho um movimento atrás de mim. Não peço que acreditem ou que aceitem, mas eu sei que é verdade. De qualquer maneira, dei um sorriso pra mim mesmo, sabendo que estou sozinho em casa e que deve ser apenas minha imaginação hiperdimensionada por um tema sugestivo, pregando peças. Imaginação fértil, às vezes, pode ser uma coisa traiçoeira, na medida que sabotamos a nossa própria percepção.

Virei devagar para olhar e tive tempo de perceber uma porta abrindo lentamente quase como se estivesse sendo empurrada. Certo.

Está ventando e portanto existe uma explicação perfeitamente razoável para a porta se mover. Eu olhei para o lado de fora e embora não estivesse ventando com muita força, a explicação parece perfeitamente confortável e aceitável. Mais do que isso, é perfeitamente conveniente! 

Enquanto escrevo esse trecho final do artigo, não consigo evitar de dar uma olhada na direção da porta para verificar se ela se moveu algum centímetro que seja. Felizmente, ela não se moveu desde então! 

Eu fui até lá e fechei a porta novamente, esperando que, até eu terminar essa frase, ela continue assim. Imóvel.

Mas de qualquer forma, pelo sim, pelo não, melhor eu terminar essa linha de uma vez.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

A Casa dos 200 Demônios - A história real da Casa mais assombrada de Indiana


A noção de possessão demoníaca está entre nós há séculos, e a ideia de que nós possamos nos tornar veículos para forças sinistras e diabólicas tem nos assombrado e assustado desde eras passadas.

Mas seria possível que um lugar se tornasse o portão de entrada para algo maligno? Seria possível que algo inanimado fosse tomado por uma força sobrenatural de tal maneira que ela inteira fosse compelida pelo mal? Nesse contexto, pode uma família inteira ser afligida por essas forças?

Em um caso recente, uma família alegou que seu lar estava sob a influência de entidades malignas, inteiramente infiltrada por demônios e presenças aterrorizantes. Assim, surgiu a lenda da Casa Demoníaca. O local se localiza no estado norte-americano de Indiana e se tornou rapidamente um dos endereços mais macabros e aterrorizantes do país. Alvo de muita especulação e histórias inacreditáveis.

Em novembro de 2011, uma jovem mulher chamada Latoya Ammons, sua mãe, Rosa Campbell, e três crianças com idades de 7, 9 e 12, chegaram a cidade de Gary, Indiana e se mudaram para uma modesta e tranquila vizinhança. Eles passaram a residir no número 3860 da Rua Carolina, um lugar aparentemente como qualquer outro. No início eles estavam felizes lá, e embora a casa fosse apenas um lugar como outro qualquer, ela se tornou sua Casa dos Sonhos. Entretanto, tão logo a família Ammons chegou e começou a se estabelecer, estranhos e curiosos fenômenos também tiveram início. Como uma praga invisível, algo começou a se manifestar e agir contra os novos moradores fazendo com que eles temessem pela sua sanidade e mesmo, pelas suas vidas. 


A primeira coisa estranha que a família percebeu, aconteceu em meados de dezembro, quando um número assombroso de moscas começaram a ser atraídas para o terreno da casa. Enormes moscas varejeiras apareciam zumbindo e zunindo, como se algo na casa estivesse chamando pelos insetos. Paredes e janelas ficavam escuras com centenas delas pousadas, produzindo um ruído incômodo. Os moradores perceberam que elas apareciam em maior número no final da tarde, concentradas em grande quantidade no alpendre que levava à porta de entrada ou na janela do sótão. Era muito estranho, ainda mais que se tratava de um mês frio, no auge do inverno. O pior é que essas moscas se juntavam em verdadeiras nuvens grossas e barulhentas. Sempre no mesmo local, nunca nas casas vizinhas, sempre ali, por razões impossíveis de compreender.

A família tentou lidar com o problema da maneira tradicional. Contrataram exterminadores para liquidar com a profusão de insetos, mas não importava o método usado, o problema era resolvido apenas por alguns dias e retornava logo em seguida, ainda pior. Por mais que matassem insetos eles continuavam se acumulando, entrando na casa, nos quartos e na cozinha.

Infelizmente, a praga de moscas acabaria sendo a menor das preocupações. Mais ou menos na mesma época, os moradores da casa começaram a se queixar de estranhos ruídos ouvidos no meio da madrugada. Como se alguém pesado estivesse andando pelo assoalho, produzindo passos na escada e no sótão. Portas também se abriam misteriosamente, tanto a dos quartos, quanto dos armários. Da mesma forma gavetas apareciam escancaradas e o interior revirado, mesmo depois destas serem trancadas e a chave removida. Certa noite, a família foi surpreendida por um forte estrondo, compatível com algo pesado caindo e rolando as escadas. Todos estavam dormindo, mas acordados pelo barulho, correram para ver do que se tratava: não encontraram ninguém estranho na casa. As portas estavam trancadas e as janelas fechadas, contudo, ao revistar a cozinha se depararam com pegadas enlameadas aparentemente deixadas por botas. Essas pegadas seguiam da sala para a cozinha e desapareciam misteriosamente perto da porta de saída que permanecia trancada com chave e uma corrente de segurança.

Após esse estranho incidente, numerosos casos de atividade poltergeist começaram a se manifestar a qualquer hora do dia ou da noite. Portas batiam, quadros caiam da parede, objetos eram arremessados e se moviam de um lugar para o outro. A atividade era tão forte que certa vez um copo de água foi arrancado da mão de Rosa Campbell e lançado contra a parede se despedaçando. Uma imagem santa também foi arrancada da parede e desapareceu por dias, sendo encontrada posteriormente do lado de fora, quebrada em pedaços. Em um incidente ainda mais apavorante, a Sra. Campbell certa noite percebeu um vulto escuro no corredor da casa, como uma sombra negra espreitando. A coisa literalmente sumiu em um piscar de olhos. Toda essa intensa atividade paranormal continuou crescendo, e as crianças da Família Ammons começaram a perder aulas pois ficavam acordadas a noite inteira aterrorizadas pelas estranhas ocorrências.    


A escalada de ataques sobrenaturais apenas piorou a partir desse ponto. Vários membros da família reclamavam que uma presença invisível os empurrava ou cutucava com força. Uma das crianças chegou a dizer que foi violentamente agarrada e sacudida por "mãos invisíveis". Em outra ocasião, um dos meninos, de 12 anos foi jogado pelo quarto como se fosse um boneco de pano, vindo a se chocar com uma mesa. Nada disso se comparava com o incidente ocorrido em 13 de março, quando uma das crianças, foi encontrada levitando acima de sua cama, em um estado de transe. De acordo com a versão de Latoya Ammons e Rosa Campbell as duas encontraram a menina flutuando a cerca de um metro de altura, com o corpo rígido sobre a cama. As duas gritaram aterrorizadas e então a criança despertou e caiu. Ao acordar, alegava não ter qualquer lembrança do que havia ocorrido, como se a sua mente tivesse sido apagada. 

Após este aterrorizante evento, as crianças começaram a manifestar uma série de comportamentos e surtos que sugeriam a influência de uma força sobrenatural externa. Os olhos por vezes rolavam deixando apenas o branco à mostra, elas sibilavam e rosnavam como animais, chegavam a latir e uivar durante a noite, e quando despertavam desse estado pareciam perfeitamente normais, sem memória do que havia acontecido segundos antes. Certa noite, Latoya afirmou ter acordado com um estranho som vindo do quarto de sua filha mais nova de apenas 7 anos. A menina estava em pé, diante da cama, seus olhos brancos e seu corpo rígido. A cabeça virada para trás enquanto ela pronunciava palavras sem sentido em uma língua que ninguém foi capaz de compreender. Quando percebeu que não estava sozinha, a menina irrompeu em uma série de gritos estridentes que terminaram em ameaças de "vou te matar" e "vocês todos vão morrer", com uma voz que não pertencia a criança. O surto durou alguns minutos e quando terminou, a menina precisou ser levada para um hospital, pois havia deslocado o ombro por ter se batido violentamente contra a parede.

Desesperada com tudo isso, Ammons foi aconselhada a procurar ajuda da igreja. Os padres foram bastante solícitos e entrevistaram membros da família para tentar compreender o que estava acontecendo. Chegaram a enviar um observador até a casa para testemunhar os incidentes. Nos primeiros três dias em que ele ficou como hóspede na casa, não houve nenhum incidente, mas no quarto dia, a atividade demoníaca retornou com força. Luzes piscava, objetos se moviam e uma garrafa alegadamente flutuou no ar. O observador da Igreja aconselhou a família a realizar uma limpeza espiritual no ambiente e espalhar crucifixos pela casa. Mas infelizmente nada disso surtiu efeito. Eles decidiram então contatar um médium, recomendado por um vizinho, para tentar entender que manifestação era aquela que os perturbava. 

O especialista, um senhor de meia idade conhecido pela sua seriedade, visitou a casa e andou pelos cômodos, concentrando-se. Em mais de um aposento ele parou e fechou os olhos como se estivesse incomodado com alguma coisa que apenas ele podia sentir. Seu prognóstico não foi nada bom. Segundo, o médium a casa estava "infestada" por presenças demoníacas, nada menos do que 200 entidades diferentes, todas elas malignas. Ele aconselhou a "limpar" a casa com ervas e erguer um altar religioso no sótão, que segundo ele, era o lugar mais afligido pelas presenças. Finalmente, disse que os Ammons deveriam considerar deixar a casa para sempre. Infelizmente, a família era muito pobre para simplesmente se mudar, e havia investido suas economias na compra do imóvel não tendo para onde ir.


Eventualmente o Departamento de Assistência Social acabou se envolvendo no caso. Uma agente social chamada Valerie Washington foi enviada para verificar se as crianças estavam sendo bem tratadas, uma vez que um professor denunciou que uma das meninas apresentava estranhas marcas nos braços. A agente foi testemunha então de uma das mais impressionantes manifestações na casa. Ela viu aterrorizada um dos meninos andar na parede, agarrado a ela desafiando a gravidade. A agente ficou tão aterrorizada que mais tarde deu uma entrevista relatando o que havia visto: "Ele estava agarrado na parede, passou correndo pelo teto, agachado de quatro. Era impossível! Simplesmente impossível que pudesse ser um truque. Não havia como tal coisa ser encenada. Eu acredito que alguma coisa fora do reino da normalidade está acontecendo com essa pobre família. Eles estão enfrentando uma situação terrível!".

Outras autoridades também se manifestaram a respeito dos bizarros acontecimentos na propriedade. O Capitão de Polícia Charles Austin afirmou que acreditava na explicação de que uma força sobrenatural estava atacando a Família Ammons. Ele próprio testemunhou mais de um incidente inexplicável ao ser chamado por vizinhos que se queixavam de gritos e perturbação da ordem vindos da casa. O Capitão teria inclusive, com a permissão da família,  tirado fotografias com seu iPhone, capturando em imagem estranhas formas sombrias e sons misteriosos. A despeito de tudo isso, o Departamento de Apoio a Crianças acabou preenchendo uma queixa contra Latoya Ammons acusando-a de maus tratos. As crianças foram afastadas e colocadas em um lar temporário por seis meses até serem devolvidas a sua guardiã legal.    

A essa altura, a imprensa já havia tomado conhecimento de todos os terríveis acontecimentos na vizinhança. O local foi apelidado de "A Casa dos 200 Demônios" e apareceu em várias reportagens de televisão e jornais de costa a costa. Um artigo de 2014 no Indianapolis Star afirmava que a casa era o lugar mais assombrado do estado e que fotografias tiradas pelos jornalistas enviados para cobrir o caso haviam registrado estranhas sombras nas janelas. A cobertura da mídia propeliu o caso até a estratosfera, e a terrível história de uma família tendo de lidar com a presença de demônios capturou a imaginação do público e se tornou sensação na mídia. 

Em meio a toda repercussão, o Padre Católico, Reverendo Michael Maginot se ofereceu para ajudar a família, desde que seu envolvimento e o da igreja fosse tratado com discrição. Nas palavras do padre, eles não queriam que a situação se transformasse em um espetáculo para a mídia. Maginot recomendou que fossem realizados três exorcismos consecutivos na casa e nas vítimas. O Padre descreveu o lugar como um tipo de "portal para a entrada de demônios" em nossa realidade.


Especialistas no sobrenatural e investigadores do paranormal levantaram histórias a respeito do endereço. Descobriram que a casa havia sido erguida em 1990, mas que antes disso, no terreno havia uma outra casa que segundo rumores havia servido como sede para o que foi chamado de "um culto diabólico" nos anos 1960. Supostamente, uma congregação diabólica se encontrava no local realizando rituais de invocação que tencionavam trazer entidades demoníacas e deles obter favores. Segundo rumores, a tal congregação teria encerrado suas atividades em 1970, depois que a casa foi parcialmente incendiada. Apesar de não haver registros do caso, uma senhora que preferiu não se identificar, afirmou que teria participado do culto que usou o endereço como base de seus rituais. Essa senhora, que afirmava ser uma cristã renascida, arrependida de seus maus feitos, contou que reconheceu imediatamente o endereço quando o caso ganhou notoriedade.

Ela relatou que a propriedade era usada como centro para a realização dos rituais e que no período em que participou dessas reuniões testemunhou muitas coisas inexplicáveis. Segundo ela, entidades eram frequentemente chamadas para se apoderar dos corpos de membros da congregação, falar através deles e presidir os rituais. A casa original teria sido posteriormente vendida e derrubada para a construção de outra casa, que por sua vez também foi demolida para que a atual fosse erguida. Uma reportagem completa, que incluía uma entrevista com essa testemunha foi publicada no Daily Indianapolis e obteve enorme repercussão. 

Com tudo que aconteceu, a família Ammons que estava no centro do debate recebeu a ajuda de pessoas sensibilizadas com seu drama. Eles ganharam uma casa bem afastada e puderam deixar a Casa dos 200 Demônios.  

Mas a história do endereço assombrado não terminou nesse ponto. Em 2016 a casa foi alugada pela produção do programa Ghost Adventures do Travel Channel que pretendia fazer um documentário e programa especial com base nos acontecimentos. Zak Bagans, apresentador do programa aceitou se mudar para o endereço que foi equipado com câmeras, sensores de movimento, microfones de captação e outros dispositivos tecnológicos para registrar qualquer manifestação. O programa que recebeu o título "Demon House" não poupou despesas, entrevistando testemunhas, contratando atores para encenar os acontecimentos e até convencendo o Padre Maginot a relatar o que viu na casa. Apenas a Família Ammons decidiu manter distância do caso, preferindo não ter qualquer ligação com a produção.


Logo ficou claro que a manifestação demoníaca na casa e sua influência não ficariam tímidas diante do aparato montado pela produção do programa. Bagans registrou alguns discretos sons e imagens no interior da casa - muitos dos quais considerados como encenados por contra-regras interessados em criar um ambiente assustador. O Padre Maginot implorou para que Bagans e sua equipe de filmagem desistissem da empreitada, ou que ao menos fizessem uma preparação espiritual antes de permanecer na casa. Pediu ainda que eles usassem crucifixos e outras proteções religiosas, mas Bagans alegou que desejavam exatamente registrar os efeitos sobrenaturais, se estes se manifestassem. 

De acordo com o diário de produção, desde o início houveram muitas dificuldades técnicas, acidentes esquisitos com membros da equipe e acontecimentos inexplicáveis. Objetos sumiam e depois apareciam em lugares diferentes, trechos de filmagem simplesmente eram apagados e misteriosos odores podiam ser sentidos. Alguns membros da equipe desistiram do trabalho, alegando que não se sentiam a vontade para prosseguir, outros diziam que a aura da casa estava cobrando um pesado preço para quem ficava lá por tempo demais. Alguns afirmavam sentir desconforto, dores de cabeça, náusea e outros efeitos. 

A situação chegou ao limite quando o próprio apresentador se ausentou por quatro dias, tendo de ser hospitalizado em caráter de emergência em decorrência de uma repentina infecção intestinal. No hospital ele teria dito que "A filmagem estava amaldiçoada" e que tinha medo de prosseguir no trabalho, embora o Canal quisesse que ele completasse as filmagens. Os custos haviam sido elevados e era preciso cumprir o contrato. Bagans declarou posteriormente que temia que qualquer pessoa assistindo as filmagens corria perigo. Segundo ele, a casa era um "gatilho" para ampliar a aflição das pessoas, fazer com que se sentissem amarguradas e especialmente oprimidas. Dois dos membros da equipe de "Demon House" alegavam estar passando por um quadro agudo de depressão. 

Após finalizar as filmagens em 2016, Bagans, que havia comprado a casa, decidiu contratar uma empresa de demolição para derrubá-la de uma vez por todas. Sua decisão era que a propriedade deveria ser destruída e o terreno deixado vazio para sempre. De acordo com o Padre Maginot tal medida não resultaria em benefício já que nenhuma limpeza havia sido realizada previamente e o mal se manteria ali. Na sua opinião, o tal portal demoníaco se manteria aberto a despeito de haver sobre ele uma casa ou não. Maginot escreveu em uma carta aberta quando consultado a respeito:

"Eu sempre fui contrário a usar a casa em um programa de televisão. É algo extremamente perigoso usar o sobrenatural como mera forma de entretenimento. Isso não é um parque de diversões. Há perigos e não há como controlar a situação. Derrubar a casa, não trará nenhum benefício. O ideal é que ela fosse mantida no lugar e gradualmente limpa de qualquer presença maligna que a habita através do Sagrado Ritual Romano de Exorcismo. Derrubar as paredes não irá encerrar a questão. Como religioso, eu gostaria que chegássemos a um final feliz, que a casa não mais representasse um mal e que as presenças malignas fossem expulsas. Ao invés disso, com ela sendo derrubada, parece apenas que Satã obteve algum tipo de vitória"


Atualmente a casa não passa de um terreno vazio, com mato e ervas daninhas crescendo em meio aos restos. Uma cerca de arame foi erguida ao redor dela, mas isso não impede que pessoas pulem sobre ela e explorem o local em busca de algum souvenir macabro nas suas fundações. Alguns vizinhos afirmam ouvir sons estranhos e perceber sombras vagando por ali, mas compreensivamente poucos gostam de falar a respeito. Também há aqueles que afirmam que o terreno vazio se tornou um imã para curiosos e satanistas que convergem para o lugar para buscar o "Portal Demoníaco".

Os estranhos acontecimentos no local continuam sendo matéria de grande debate. Há muito ceticismo quanto a veracidade do que a Família Ammon relatou ter experimentado enquanto vivia no lugar e não faltam aqueles que consideram todo incidente como uma fraude grosseira. Mediuns e especialistas em desvendar fraudes sobrenaturais afirmaram que não captaram nada de estranho na propriedade em visitas posteriores e que o caso inteiro foi manipulado para ganhar a atenção do público. Muitas das testemunhas segundo esses céticos seriam propensos a acreditar em superstições sobrenaturais, inclusive o Capitão de Polícia e a Assistente Social que testemunharam "manifestações inexplicáveis". Segundo alguns estudiosos, o caso foi hiperdimensionado pelo sensacionalismo. Nem mesmo o Padre Maginot foi poupado de críticas, já que segundo um famoso debunker ele teria escrito três livros a respeito de sua participação na investigação da Casa dos 200 Demônios.    

A despeito de todo o ceticismo, o caso permanece como um dos mais famosos registros de atividade paranormal e o mais conhecido incidente da história de Indiana. A Família Ammons jamais quis se manifestar a respeito dos acontecimentos e se negou a dar entrevistas sobre o caso, considerando que sua participação nos eventos está finalizada. O Padre Michael Maginot realmente escreveu três livros sobre o caso, e posteriormente mais dois sobre exorcismos e a presença do mal em nosso mundo. Ele é tratado como uma espécie de celebridade em seu campo de estudo. Zak Bagans, apresentador do Ghost Adventures liberou uma versão (supostamente) editada de seu programa "Demon House" em 2018 que foi exibida em um especial de 6 partes no Travel Channel. Ele não trabalha mais com o programa e se dedica a outros trabalhos atualmente.

A Casa Assombrada da Rua Carolina continua cativando a imaginação das pessoas, apesar de não existir mais. Ela é considerada como um dos casos mais sensacionais de lugares assombrados da última década e ainda rende muita discussão quando abordado. No fim das contas, é difícil dizer se algo realmente aconteceu com a família que viveu ali e se existia uma força sinistra habitando sob o mesmo teto que ela.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Monstros no Armário - Histórias de criaturas medonhas escondidas na escuridão


Um medo recorrente para muitas crianças envolve o clássico monstro escondido no armário e a coisa embaixo da cama. Que criança jamais imaginou que o "bicho papão" estaria espiando de dentro do armário, esperando o momento das luzes se apagarem para assustar e atormentar? Embora esse conceito pareça existir apenas no reinos da imaginação hiper ativa e nas fantasias infantis, será que há mais além disso.

E se os monstros que vivem no armário forem de alguma forma reais? A metáfora para um medo que existe e que se manifesta, enraizado em nossos temores primordiais? Há histórias que sugerem existir algo realmente aterrorizante nos relatos de crianças que temem, com razão, aquilo que divide com elas o quarto de dormir. 

Histórias a respeito de monstros que habitam o armário ou vivem embaixo da cama aparecem em todos os cantos do mundo e assumem várias formas. 

Um dos relatos mais antigos data de 1852 e foi colhido na Alemanha por um médico que estudava pesadelos infantis. Ele cita um tipo de goblin ou kobold medonho chamado Galgenmännlein que vivia nos armários e só saia dele quando a casa se encontra em silêncio e na completa escuridão. Esta criatura diminuta se enfiava por qualquer fresta e ocupava os menores espaços. Ele era conhecido por sorrir e piscar para as crianças que olhassem na direção do armário sumindo logo em seguida. Não parece muito assustador, contudo, esse duende podia ser bastante perverso. Com um fraco por brincadeiras de péssimo gosto, a criatura gostava de tampar o nariz e a boca das crianças para sufocá-las, de se pendurar na guarda da cama, colocar insetos e ratos no travesseiro, urinar no colchão e cometer outras travessuras. 

O relato vai além, diz que esse monstrinho tinha por hábito morder e produzir uma ferida através da qual sorvia o sangue, deixando uma marca que ficava para sempre. Uma vez tendo experimentado esse contato, ele sempre poderia encontrar a criança, não importa para onde ela fosse, não importa que ela crescesse.

Não por acaso, o assassino em série alemão Peter Künt (conhecido como Vampiro de Dusseldorf) acreditava ter sido marcado por um desses kobolds, e ele próprio ter se tornado uma criatura que se alimentava do medo e sofrimento das crianças. Preso e executado em 1931 após ter cometido pelo menos nove assassinatos (e supostamente mais de 30 tentativas) ele foi posteriormente considerado insano.


Não fica claro se o kobold no folclore alemão estaria apenas se escondendo no armário ou se o estaria usando como um tipo de ligação para seu mundo original, seja lá de onde ele vem. O armário de qualquer maneira parece ser de extrema importância. Segundo a crença, para eliminar a presença da criatura, o armário precisava ser iluminado e quando a luz estivesse acesa, uma peça de roupa deveria ser virada do avesso e jogada dentro dele como uma espécie de oferenda. Se o Galgenmännlein ficasse satisfeito, iria embora carregando o presente em busca de outra criança para importunar.

Essa lenda é bastante difundida, mas o que seria essa criatura? Uma entidade estranha que desafia categorização ou uma simples fábula criada para assustar os pequenos? Seja qual for a resposta, ela não é a única...

Outra narrativa sobre monstro do armário diz respeito a uma criatura que desafia uma classificação convencional. Segundo a história registrada em 1910, uma menina estava com seu irmão mais velho ajudando a arrumar as coisas para se mudar. De repente ambos ouviram o pai gritar pedindo ajuda em algum outro cômodo da casa. Os irmãos descobriram que os gritos vinham do armário do seu quarto, onde eles suspeitavam vivia uma espécie de monstro. A porta se encontrava trancada, o que era bastante estranho já que ela originalmente não possuía tranca. Os dois decidiram forçar o armário e tiveram de puxar com toda sua força já que a tranca não parecia ceder um mínimo centímetro. Finalmente, quando a porta se abriu eles se depararam com algo inexplicável.

O pai estava dentro do armário, que por sua vez, era muito maior e vazio do que elas lembravam. Estava muito escuro e ele flutuava no ar como se alguma coisa invisível estivesse segurando-o. Seus gritos pareciam cada vez mais distantes e abafados a medida que ele ia se afastando, mais e mais para o fundo. Ele parecia tão aterrorizado que era impossível deixá-lo daquele jeito. A menina tentou entrar para segurar sua mão que estava estendida em uma súplica desesperada, mas seu irmão conseguiu contê-la. Os gritos continuavam, cada vez mais desesperados e a menina tentava se desvencilhar do abraço do irmão que a impedia de entrar. "Por que está me impedindo? Não vê que ele precisa de ajuda?" perguntou furiosa.


Então o irmão disse que aquele não podia ser o pai deles, pois este acabara de chegar. O irmão havia ouvido o barulho da porta da casa batendo e passos apressados subindo a escada. Alguém no andar de baixo perguntava o que estava acontecendo e que gritaria era aquela. Nesse momento, a coisa que estava no armário tentou agarrar o braço da menina e puxá-la para dentro. Seu rosto se deformou em uma carranca medonha, seus olhos ficaram brancos, sua boca se abriu mostrando horríveis dentes afiados e seus braços se estenderam a uma distância absurda. A coisa segurou a menina, mas seu irmão foi mais forte e lutou para não deixá-la ser levada.

Nisso a porta do quarto se abriu, mas antes que o pai pudesse ver com o que seus filhos lutavam, a coisa deu-se por vencida e desistiu daquele cabo de guerra. A porta do armário bateu com força e as crianças caíram no chão. O pai jamais viu aquela coisa horrível que tentou se fazer passar por ele, mas o relato das crianças aterrorizadas o convenceram de que algo muito ruim havia acontecido. O relato termina com o pai lacrando a porta do armário com pregos e a família deixando a casa para nunca mais voltar.

O que poderia ser essa coisa? Seria ele um vampiro, um demônio, um fantasma ou algo diferente de tudo? Parece interessante o fato de que toda a família testemunhou o acontecimento, portanto a possibilidade de se tratar de uma alucinação ou imaginação é improvável. 

No site Phantons & Monsters há outra narrativa de um encontro aterrorizante com uma criatura habitando os recessos de um armário. A narrativa teria sido coletada em 1950 e se tornou uma das mais conhecidas a respeito de monstros do armário. A narrador, um menino de 10 anos conta que acordou certa noite, por volta das 3 da manhã e descobriu estar coberto de suor e com um frio inexplicável. Ao lado, seu irmão dormia tranquilamente na cama. Ele tinha uma forte sensação de estar sendo observado por alguma coisa que permanecia oculta no armário. Ele relatou em suas próprias palavras o que aconteceu a seguir:


"Eu olhei em volta do quarto esperando encontrar a minha mãe parada na porta, mas não havia ninguém ali. A luz do corredor permanecia acesa durante a noite, de modo que era possível ver perfeitamente na penumbra. Foi então que senti uma forte sensação de ameaça, e lentamente comecei a virar para olhar na direção do armário. Eu sabia que era dali que vinha meu medo. E lá estava ele: era algo estranho com uma cabeça branca e ovalada como uma lua cheia. Não tinha cabelos e seus olhos eram estranhamente grandes e arredondados com uma coloração esbranquiçada como se fossem cobertos de cataratas. Mas ele podia enxergar, disso eu sabia, pois sua cabeça virava para mim e depois para meu irmão. Ele percebeu então que eu o havia visto e arqueou os lábios, arreganhando os dentes para fora como se fosse um roedor. Em um primeiro momento, eu pensei que aquilo era um sonho, uma vez que eu sempre fui uma criança cheia de imaginação. A coisa então escorreu para fora do armário. Eu digo escorreu, pois foi essa a sensação que aquele movimento me passou, ele era fluido como se ele estivesse deslizando até o chão e se arrastando como uma serpente. Eu não conseguia vê-lo, fiquei imediatamente paralisado de terror. Tudo o que conseguia fazer era observar. Ouvi então ele farejando o ar e se aproximando da minha cama. Sua cabeça apareceu na cabeceira e ele estendeu uma mão com dedos compridos. Eu senti suas unhas ásperas tocarem a planta do meu pé como se estivesse fazendo cócegas. Foi então que ouvi um grito que não era meu. Meu irmão havia acordado e se deparou com aquela coisa horrível inclinada sobre a minha cama. Com o grito, o monstro voltou para o armário, escorrendo pelo chão daquela maneira medonha. Eu e meu irmão jamais falamos a respeito daquilo, mas nunca mais conseguimos dormir com a luz apagada".

Novamente, nós ficamos com uma descrição medonha e sem qualquer explicação. O que seria essa coisa e porque ela estava escondida no armário?  

No reino das narrativas bizarras a respeito de monstros do armário existem histórias realmente escabrosas. Uma delas data de meados dos anos 1980 e foi publicada em uma Revista de Psicologia que analisava casos de crianças amedrontadas por supostos monstros. A testemunha dos fatos, que hoje em dia alega ser uma espécie de pesquisador de casos sobrenaturais, relata que quando tinha 7 anos experimentou um contato com uma coisa habitando o armário de seu quarto. Ele contou a seguinte história:

"Eu percebi que a porta do armário do quarto estava abrindo devagar, até que ela ficou totalmente escancarada. Eu sei que isso pode soar absurdo, mas comecei a ouvir sons malucos, como se um pássaro estivesse dentro do armário. Eu fiquei assustado, mas não conseguia me mover ou pedir ajuda. A coisa então saiu de dentro do armário: era muito alta e coberta de penas e com um bico laranja. Ele andava como um homem, mas tinha braços extremamente compridos e garras afiadas. Ele granou e avançou contra mim, fazendo um barulho esquisito e tentando me bicar no rosto. Meu terror foi tão grande que desmaiei. Eu levei anos para lembrar todos os detalhes e desenvolvi depois disso um medo absurdo do escuro que me segue até hoje. O mais estranho na história é que quando meus pais vieram, avisados pelo meu irmão que acordou com meus gritos, eu não estava na minha cama, mas caído dentro do armário. Eu sei que aquela coisa me colocou lá e me levaria embora se tivesse tempo". 


Mas o que diabo seria isso? Um pesadelo com Garibaldo da Vila Sésamo? A testemunha desse acontecimento foi submetida a tratamento psicológico que incluía hipnotismo, e sob efeito de transe hipnótico reviveu o acontecimento em circunstâncias controladas. A reação dele fez com que o psicólogo concluísse que o indivíduo realmente acreditava que o incidente havia ocorrido. Era como se sua mente racionalizava aquela experiência como um fato.

Outros relatos parecem seguir um padrão mais próximo das tradicionais assombrações embora sempre focados em armários. Vem da conceituada publicação médica American Psychology Journal um artigo a respeito de pesadelos infantis. É um relato impressionante a respeito de uma experiência que teria ocorrido no estado norte-americano da Pennsylvania nos anos 1990. A testemunha, um menino de 6 anos de idade, alegava que assim que a família se mudou para a casa de sua avó, onde eles residiram por algum tempo, começou a sofrer com pesadelos extremamente vívidos. Nestes sonhos, ele via o que chamava de "espírito diabólico" que habitava o armário do quarto em que dormia. Segundo a família contou, a criança jamais havia sofrido com terrores noturnos, mas logo na primeira semana residindo na casa estes começaram, acrescidos de um medo irracional do armário do quarto, enurese e crise aguda de nervos. Em uma entrevista conduzida anos mais tarde por um profissional, a testemunha contou o seguinte:

"Nós havíamos nos mudado para  acasa em outubro. Eu sempre achei que o lugar era estranho e de alguma forma opressivo, mas não me recordo de achar que a casa fosse assombrada. Minha família estava se ajeitando em nosso novo lar e tudo parecia normal. Lembro que o assoalho rangia e eu comecei a ouvir aquele som de madrugada e parecia que cada rangido repetia o meu nome. Depois veio a sensação desagradável de estar sendo constantemente observado. Para uma criança de seis anos, aquilo era angustiante... eu sentia como se algo estivesse sempre olhando por cima do meu ombro. Vivia tendo arrepios, como se estivesse sempre em perigo. Eu corria entre um cômodo e outro, sem olhar para as salas temendo que lá pudesse haver uma sombra ou um vulto. Toda vez que eu entrava no meu quarto a porta do armário estava aberta... eu não conseguia explicar aquilo, mesmo que eu a fechasse segundos depois ela aparecia aberta.

Nós tínhamos um gato, Felix que de vez em quando dormia no meu quarto. Certa vez, de madrugada, acordei com um barulho vindo do armário. A porta, como era de costume havia aberto por conta própria. Mesmo em meio a escuridão do quarto eu conseguia perceber que havia um vulto na frente da entrada: era escuro e grande. Felix estava perto dele, olhava apreensivo, da forma que os gatos costumam fazer quando são acuados. A coisa então se moveu e agarrou Felix pelo pescoço. Ele soltou um chiado alto e a coisa começou a voltar para o armário carregando o pobre bichinho... eu ouvi então uns ruídos medonhos, como de nozes sendo abertas ou de gravetos quebrando. Eu achei que tivesse tido um pesadelo... vivia dizendo para mim mesmo que monstros não existiam, mas o fato é que nunca mais vimos Felix... ele sumiu depois daquela noite.

Outro caso, estudado pela mesma publicação ocorreu no estado da Virgínia. A testemunha no caso tinha 11 anos de idade e acreditava que um tipo de demônio habitava o armário do quarto principal. Ele alegava ouvir estranhos ruídos, murmúrios e pancadas secas que pareciam sempre vir de dentro do armário. Um incidente aterrorizante teria acontecido quando uma entidade tentou puxar a irmã caçula para dentro do armário.     

Segundo ele a criatura em questão parecia uma pessoa, mas era extremamente magra, ao ponto de ser quase esquelética, sua pele pálida parecia esticada sobre os ossos e a face era vazia, ausente de emoções. Essa criatura, segundo as crianças, habitava o armário que se localizava em um vão, entre o quarto dos pais e o banheiro. O lugar ficava sempre escuro, fosse dia ou noite e as crianças temiam ter de passar por ele sempre que precisavam ir ao banheiro.


Certa noite, a menina saia do banheiro, quando percebeu que a porta do armário estava aberta. Ela ficou temerosa de sair e ter de passar diante dele, por isso achou melhor chamar seu irmão. Quando o menino apareceu no corredor se deparou com uma cena bizarra: a porta estava aberta, e em meio às roupas penduradas em cabides era possível ver aquela coisa cadavérica agachada no canto, como se estivesse esperando que a menina deixasse o banheiro, prestes a agarrá-la. Ele contou:

"Era uma coisa horrível, com olhos fundos e uma boca enorme. Estava agachada, mas mesmo assim, era da minha altura. Quando ela percebeu que eu estava ali e podia vê-la, ela abriu a boca e se projetou para fora do armário esticando os braços para tentar me agarrar. Os braços eram longos e ossudos e por pouco não conseguiram me alcançar. Eu gritei para minha irmã voltar para o banheiro e ela apavorada ao ver aquele vulto se trancou no banheiro. A coisa então voltou para o armário e bateu a porta tão forte que a madeira chegou a rachar".

Mais tarde, quando os pais chegaram, constataram que as roupas dentro do armário haviam sido arrancadas e atiradas no chão, enquanto outras estavam rasgadas. Tiveram de arrombar a porta do banheiro uma vez que a menina que se trancou nele, estava em estado de choque deitada na banheira. Ela teve de se submeter a tratamento psicológico por anos para superar seu medo de ficar sozinha.

Seria isso um demônio, um espírito maligno ou algo completamente diferente? Seria apenas a imaginação de crianças criando monstros assustadores?

Especialistas em fobias juvenis defendem que durante os anos de formação de sua personalidade, crianças são propensas a desenvolver uma imaginação fértil e uma criatividade para elementos surreais. Elas percebem o mundo à sua volta de uma maneira muito particular, por vezes absorvendo as coisas que lhes causam insegurança e dando a elas forma através de sua imaginação. É um princípio semelhante às crianças que criam amigos imaginários. A grande diferença é que aqui elas criam coisas medonhas que são a cristalização de seus medos e anseios mais profundos. 


Existe muita controvérsia a respeito, mas alguns pesquisadores acreditam que em certos casos extremos, os medos podem ser tão reais que se equiparam de muitas maneiras a alucinações. As crianças de fato acreditam estar vendo a razão de seus temores assumindo uma forma física. E essa crença é tão forte que pode ser até mesmo compartilhada com outras crianças (em geral irmãos) que passam a ter a mesma aflição. O temor parece se combinar, criando as condições ideais para se alastrar como uma alucinação compartilhada.

Em geral, o medo de monstros do armário ou da coisa embaixo da cama tende a ser superado a medida que as crianças crescem e ganham um maior discernimento a respeito das coisas que as cercam. Compreendendo o funcionamento das coisas, e do próprio mundo, as crianças passam a descartar certos elementos como fruto de sua imaginação, o que ajuda a diminuir os seus temores.

Mas a coisa muda de figura quando examinada por indivíduos que colecionam histórias sobre o bicho papão e vêem essas manifestações como um tipo de atividade sobrenatural. Existem muitas teorias a respeito de tais criaturas poderem ser fantasmas, demônios e até alienígenas. Alguns estudiosos contextualizam que certos casos são simplesmente inexplicáveis. Apontam que crianças sofrendo com terrores noturnos, ao passar por mapeamento de atividade cerebral, não demonstram qualquer sinal de estímulo nas regiões ligadas a alucinação. E se nada do que ela descrevem de fato aconteceu, teríamos que acreditar que elas simplesmente estariam mentindo. Entretanto, como podemos afirmar que casos como os relatados acima, são mera invenção?

O que pensar de casos extremos de fobia crônica e PTSD (Post-traumatic Shock Disorder) que algumas crianças desenvolvem em face de experiências após alegados encontros com Monstros do armário? Tudo isso nos faz pensar: poderia a mente infantil criar uma armadilha como essa? Será que mão existe nada além, escondido nos recessos de armários esperando o momento de sair e agarrar os inocentes.

É difícil dizer... nosso senso comum nos impede de acreditar em tal coisa e nossa razão nos impele a buscar explicações razoáveis e científicas. Talvez esse seja um assunto que você deva pensar na próxima vez em que estiver sozinho em seu quarto escuro e a porta do armário estiver parcialmente aberta.