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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Lugares Estranhos: O Olho de Deus - A estranha Anomalia no Deserto africano


Em meio a vastidão árida do Deserto do Sahara, existe algo impressionante.

Próximo ao colossal Platô de Adrar, ele fica ao oeste da remota cidade de Ouadane, na Mauritania, Norte do Continente Africano. Trata-se de uma maravilha que capturou a imaginação das pessoas por séculos e foi reconhecido como uma das mais fascinantes anomalias geológicas de que se tem notícia. Em meio a um terreno rochoso, pode-se discernir um imenso e perfeito círculo que se estende por quase 50 quilômetros de diâmetro. Círculos menores, também podem ser vistos, convergindo para o centro da estrutura como se fosse um gigantesco alvo.

Chamado de Estrutura de Richat, ou ainda Guelb er Richât, o “Olho da África,” “O Grande Olho Azul de Deus,” e “Olho do Saara,” é uma estrutura impressionante. Em sua área, há trechos lisos, vales e diques, bem como fontes termais e estruturas geológicas únicas. Embora ele sempre tenha chamado a atenção, ninguém imaginava como ele era diferente, até ser visto do espaço. Quando a missão Gemini IV foi lançada em 1960 para orbitar e observar a Terra por quatro dias, uma das missões era justamente observar evidências do impacto de grandes corpos que haviam colidido com o planeta. A estrutura de Richat parecia ser uma das mais perfeitas imagens desse tipo de impacto. Do ponto de vista dos astronautas, eles podiam ver seu formato perfeito que chama a atenção e que ainda hoje, é uma referência em observações orbitais.


Considerando seu tamanho e formato, assumiu-se que ele fosse resultado do impacto de um meteoro de tamanho considerável que teria se chocado com a Terra num passado remoto. Contudo, análises mais cuidadosas do solo demonstraram que não era esse o caso. Não havia evidência de um choque, pois as pedras não apresentavam derretimento, como seria esperado em um impacto desse tipo. Essa constatação deixou os cientistas sem uma explicação razoável.

Afinal de contas, o que poderia criar círculos concêntricos tão impressionantes no meio do nada? Há teorias de todo tipo, de anomalias geológicas até a presença de alienígenas do passado, mas ninguém realmente sabe ao certo como ele surgiu. 

A teoria científica mais aceita é que a Estrutura de Richat seja o resultado da erosão gradual de um domo vulcânico que colapsou após uma gigantesca erupção 100 milhões de anos atrás. Acredita-se que após incontáveis milênios as camadas desse domo tenham desabado formando a estrutura circuncêntrica. Entretanto, mesmo essa teoria não é totalmente aceita, e o mistério permanece sem solução.

Com todas as incertezas a respeito da história geológica desse lugar e o ar de mistério que o cerca, não é de surpreender que existam outras teorias, algumas bastante controversas. Uma das ideias é que a Estrutura de Richat guarda uma enorme semelhança com a representação de Platão do Continente Perdido de Atlântida, que ele concebeu em 360 a.C como um lugar formado por anéis concêntricos de água e terra. Ele também teria dito que Atlântida teria sido destruída em um evento cataclísmico e que "uma imensa barreira de lama a teria cortado para sempre, impedindo navegar até ele através de qualquer parte do oceano". Platão também mencionava "uma grande planície ao sul" e "uma grandiosa montanha" que podem se referir a uma cadeia montanhosa ao norte da estrutura na África. Essas, e outras pequenas pistas levaram muitos teóricos a acreditar que a Estrutura de Richat possa ser o que restou da perdida Atlântida. A teoria não é totalmente absurda já que a área em questão teria sido parte do leito do oceano há milhares de anos.   

O fato de não haver sinal de ruínas ou habitações entretanto é um obstáculo para essa teoria. 


Para isso, existe entretanto uma explicação que esbarra em conceitos metafísicos e esotéricos. A estrutura teria sido criada como uma espécie de gigantesco portal operado pelo povo de Atlântida e usado para abrir e fechar passagens para outros pontos do planeta, fora deste e possivelmente até para outras realidades. Teóricos chegaram a defender a possibilidade dele ter sido usado para evacuar a Cidade pouco antes do Cataclismo que a devastou. Se isso é verdade, como defendem alguns, seria possível que o portal se encontra ainda operacional? E se afirmativo, como seria possível acioná-lo?

Os nativos que habitam os arredores da Estrutura de Richat por gerações comentaram qual seria a sua origem e propósito. Eles deram sua contribuição para todo tipo de mito e lenda. Uma das mais interessantes é que a estrutura seria uma espécie de Olho, através do qual Deus protegeria os céus e o mundo zelando por tudo que existe.

Outra lenda menciona que o lugar seria sagrado e que no centro do último círculo um dia irá transcorrer a grande luta entre o bem e o mal e ali se decidirá o destino de toda a humanidade. Por esse motivo, povos do deserto jamais teriam se fixado na área por entender que aqueles próximos a ela estariam em grave perigo. É fato que muitas tribos nômades evitavam a área, considerando que ela estava sujeita a visita constante de deuses, demônios, espíritos e criaturas de um plano superior, em essência, seres não humanos. 

Nos arredores residem alguns místicos que acreditam comungar com essas entidades e que são considerados sábios ou dementes, pelo contato que firmaram com tais forças. Estes receberiam visões e presságios sobre os rumos da humanidade e seu futuro. Seriam também amaldiçoados com essas revelações capazes de despedaçar a razão do mais razoável dos homens.


Não por acaso, ufólogos e teoristas dos Antigos Astronautas defendem que a Estrutura de Richat é um lugar onde povos antigos e seres não humanos tiveram contato.

No final, nós ficamos com incontáveis questionamentos e poucas respostas concretas. O que é no final das contas a Estrutura de Richet? Isso parece depender muito para quem é dirigida a pergunta. Para alguns ela não passa de uma anomalia geológica, para outros é uma estrutura alienígena e para outros seria a prova da existência de Atlântida. Ninguém realmente sabe ao certo e qualquer teoria parece tão provável quanto as demais. Por enquanto, essa magnífica e imensa estrutura continua ocupando uma das paisagens mais desoladas do planeta e prossegue gerando mistérios e conjecturas. E provavelmente continuará assim por milhares de anos.     

terça-feira, 31 de julho de 2018

Leviatã devorador de mundos desperta de seu sono de 500 milhões de anos no subsolo de Marte depois de perturbação de Sonar - Ah sim, achamos água em Marte


Como não amar o site "The Onion"?

Sempre com suas notícias importantes que contemplam uma visão interessante e uma interpretação dos acontecimentos mais recentes, ele publicou semana passada esse artigo, que reproduzi aqui abaixo.

A notícia é sobre a fantástica descoberta de água em Marte e das curiosas repercussões que isso trará para a humanidade.

Por sinal, parabéns a quem escreveu e que caprichou no tom absurdamente lovecraftiano e nos termos aterrorizantemente cthulhianos.

PARIS - Pouco depois da transmissão enviada pela nave sonda Marte Express, verificando positivamente através de instrumentos a descoberta de um lago subglacial, cerca de uma milha abaixo da superfície, a Agência Espacial Europeia (AEE) confirmou também, nesta quinta, que o radar de penetração teria acidentalmente perturbado a eterna hibernação de uma indescritível criatura com eras de idade e devastadora malevolência. A entidade foi despertada de seu sono de 500 milhões de anos no reservatório subterrâneo do Planeta Vermelho.

A abominável besta trans-dimensional então se ergueu das profundezas estígias de seu covil subaquático, liberando um medonho urro ululante que causou a imediata fissura e explosão do planeta em bilhões de fragmentos. O evento registrou magnitude equivalente a 18,5 na escala Richter, segundo cientistas do ESA. Os astronautas à bordo da Estação Espacial Internacional que acompanhavam o trabalho evidentemente perderam sua sanidade diante da visão da maldita abominação gerada pelas estrelas. Antes porém eles conseguiram enviar para o Controle da Missão através de transmissões cada vez menos coerente um alerta de que a criatura se dirige agora para a Terra, devendo chegar até a próxima semana. Poucos instantes depois o sinal foi abruptamente cortado pela tripulação, seguindo-se gritos histéricos.

Administradores da ESA, inicialmente otimistas com a descoberta de água em estado líquido em Marte e com as implicações positivas para uma futura colonização, mudaram sua mensagem para um alerta hoje pela manhã. Gritando e xingando em mensagem apenas parcialmente compreensível, a medida que arrancavam os próprios olhos de suas órbitas no esforço vão de apagar a imagem daquele horror vasto avançando contra nosso pequeno mundo. Acreditam agora que ele está prestes a devorar nossas vidas insignificantes da mesma maneira que um dia ele irá devorar a luz das estrelas.

Aguardem para novas informações em breve. 

Para quem não conhece, o "The Onion" pega notícias recém publicadas e cria em cima delas algum acontecimento sensacional.

Dessa vez, contudo, eles podem ter exagerado... um pouquinho! 

domingo, 20 de novembro de 2016

"O Dia mais Escuro" - A Nova Inglaterra imersa em uma escuridão inexplicável


Começou como um dia normal.

A manhã de 19 de maio de 1780 parecia como qualquer outro dia. Então, repentinamente entre 10 da manhã e 2 da tarde, os céus sobre a histórica região da Nova Inglaterra, na Costa Leste dos Estados Unidos começaram a escurecer até se tornarem negros como piche. A escuridão inesperada se estendeu a estados vizinhos como Maine e New Hampshire, chegando até Nova Jersey.

O fenômeno reportado por várias testemunhas horrorizadas lançou o que na época correspondia a quase metade do país, em uma onda de medo e caos. Uma demonstração assustadora de como pessoas normais reagem diante de situações inesperadas. 

O incidente segundo alguns foi tão inesperado e marcante que muitos interpretaram sua ocorrência como um inequívoco sinal de que o mundo estava prestes a terminar. Em determinados lugares, a escuridão foi tamanha que nem mesmo a lua ou as estrelas podiam ser vistas. Não apenas as pessoas ficaram alarmadas, animais também demonstraram um comportamento errático com aves domésticas se refugiando nos galinheiros e o gado retornando para o estábulo. Sapos e falcões noturnos, animais noturnos começaram a cantar e voar. Galos cantavam no meio do dia. Fazendeiros abandonaram os campos e voltaram para suas casas às pressas,preocupados com seus familiares. Os estabelecimentos comerciais fecharam suas portas e qualquer atividade foi suspensa.

Walter Connick, um famoso jornalista de Boston escreveu na edição do dia seguinte que "o mundo se tornou um lugar absurdamente escuro, ameaçadoramente apavorante e terrivelmente perigoso de uma hora para outra. Era como viver um pesadelo do qual não se podia despertar".

Em Morristown, o General George Washington relatou em seu diário pessoal a respeito da notória data: "O mais estranho dos dias, o sol desapareceu e as sombras pintaram campos e ruas como se a noite tivesse chegado mais cedo. Trevas completas, como a mais escura das noites".

Foi como um blackout inesperado e aterrorizante, mas obviamente nessa época não existia luz elétrica ou linhas de força. As pessoas estavam acostumados a depender de velas e lampiões, mas quando o dia se transformou subitamente em noite, muitos simplesmente perderam o controle. Afinal, não é sempre que um dia de sol se converte em "uma noite de negritude insondável", como descreveu outro cronista no Maine.

A causa para a escuridão não foi um eclipse solar, ao menos não que os astrônomos pudessem ter previsto. Não havia nenhum eclipse para esse dia, sendo que tais fenômenos são perfeitamente previsíveis através de mapas astrais e simples cálculos. Também não foi uma tempestade, embora algumas áreas da Nova Inglaterra tenham experimentado chuvas esparsas naquela mesma manhã. Nenhuma chuva poderia tornar o dia em noite. 

Então, o que poderia ter causado uma escuridão tão densa que o sol parecia ter sido apagado do céu?
    

Historiadores e cientistas ainda hoje tentam compreender o que aconteceu naquele dia e procuram formular uma resposta para a questão. Usando as informações registradas em jornais da época e diários pessoais de pessoas que escreveram sobre a ocorrência, ainda não foi possível explicar satisfatoriamente o fenômeno. A única certeza é que ele de fato ocorreu, a não ser que alguém queira sugerir que algum tipo de histeria coletiva atingiu a população da Nova Inglaterra. 

E de fato, a histeria marcou todo o incidente.

Compreensivamente, as pessoas entraram em pânico. Pessoas saíram pelas ruas gritando e chorando. Mulheres e crianças desmaiavam. Homens cometeram suicídio com tiros na cabeça. Igrejas lotaram de fiéis procurando ajuda e aconselhamento. Abrahan Davenport, um Juiz de Direito de Connecticut, escreveu no relatório da Corte de Justiça: 

"Serviços paralisados! Foi como se o mundo estivesse prestes a terminar! E francamente, havia razão para acreditar nisso! Ouvi gritos e discussões ásperas nas ruas. As pessoas se agrediam por qualquer motivo, muitas vezes fisicamente. Vi muitas pessoas chorando e se desesperando, sentando no meio fio com as mãos sobre o rosto. Eu desejava que a luz das velas pudessem aliviar o horror das pessoas, mas nada era capaz de contornar o temor presente nos olhos e expressões cheias de medo e apreensão. Eu não tenho vergonha de admitir que temi jamais ver o sol novamente".

O relato de Davenport não foi o único a constatar o estado de pânico que se instalou em várias cidades da região. O Massachusetts Herald de 20 de maio contabilizava os danos causados pela população enlouquecida na maior e mais populosa cidade da Nova Inglaterra:

"Várias lojas e estabelecimentos comerciais de Boston foram destruídos e saqueados. Uma agência dos correios foi depredada por uma turba que se formou repentinamente e começou a quebrar a fachada e destruir janelas. Na rua Sullivan nenhum vidro foi poupado. Dois homens saíram feridos quando tentaram conter a multidão de desordeiros. Um bonde puxado por cavalos foi virado e os animais apedrejados. Uma mulher foi atropelada por um dos animais em disparada e morreu. Uma casa foi incendiada e totalmente consumida pelas chamas. Tiros foram ouvidos por toda cidade".

Não apenas nas grandes cidades a situação foi de crise. Em uma época em que não havia telégrafo ou rádio, e a comunicação era precária, pessoas em áreas rurais, que viviam isoladas, não podiam recorrer a ninguém, nem mesmo aos seus vizinhos para pedir ajuda. Não havia como obter informações a respeito do que estava acontecendo. Muitos simplesmente se trancaram em casa e rezaram para que a escuridão terminasse.

A ideia de que poderia ser o Fim dos Tempos foi muito alardeada.


Uma boa parte da população da Nova Inglaterra era composta por protestantes fervorosos que interpretavam eventos naturais como Castigo Divino. Muitos viram no fenômeno um sinal de que Deus não estava satisfeito. Essa crença era reforçada por dois trechos da Bíblia que mencionavam textualmente o obscurecimento do sol como primeiro sinal do Apocalipse: "o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas" (Mateus 24:29) e "o sol ficou negro como serapilheira e a lua inteira ficou como sangue" (Revelações 6:12-13). Aos olhos de muitos fiéis o que havia acontecido era exatamente isso, o prenúncio do fim conforme descrito na Bíblia. Em algumas áreas, a lua assumiu uma coloração vermelho-alaranjada e as estrelas sumiram o que só serviu para renovar os temores iniciais.

Mas o que pensam os especialistas hoje em dia?

Teorias populares envolvem a influência de erupções vulcânicas do outro lado do mundo e a queda de meteoros como causas em potencial. Entretanto, a mais provável razão para a escuridão pode ter sido algo muito mais mundano - um incêndio ocorrido no Canadá. Examinando o crescimento dos anéis nos troncos de árvores em Ontario, cientistas foram capazes de determinar que um incêndio de enormes proporções ocorreu nessa região do Canadá, poucos dias antes do fenômeno da escuridão atingir a Nova Inglaterra. Eles especulam que uma combinação vento agindo sobre massas de fumaça grossa bem como um nevoeiro espesso possam ter contribuído para obscurecer o sol. Também havia uma severa seca na época, tornando um incêndio um acontecimento bastante provável. A teoria se encaixa com descrições de que havia um forte odor de fumaça e cinzas, além de fuligem cobrindo telhados e ruas no dia seguinte.

Esse não foi o primeiro "dia escuro" a ocorrer. Entre 1091 e 1971, cerca de cinquenta "dias escuros" foram registrados ao redor do mundo sempre causando consternação. Embora nós hoje em dia possamos zombar das pessoas na Nova Inglaterra de 1780 e dizer que agiram de modo tolo e supersticioso, reações semelhantes ocorreram na década de 1950, quando queimadas nas florestas de Alberta fizeram com que os céus de Massachusetts escurecessem novamente e as pessoas fossem dominadas por um temor quase palpável.


Como sabemos atualmente, o sol não pode simplesmente desaparecer, e em 20 de maio de 1780, ele ressurgiu nos céus da Nova Inglaterra com se nada tivesse acontecido. As pessoas correram para igrejas e templos religiosos para fazer orações de agradecimento pelo retorno da luz e pedidos para que tal coisa não acontecesse novamente. Pelo menos uma seita religiosa surgiu em face do fenômeno. Uma dissidência dos Quakers, os chamados Shakers se fixaram em Nova York e conseguiram converter centenas de pessoas, espalhando a crença de que a escuridão era o primeiro sinal de um Apocalipse vindouro.

Mais do que ser um fenômeno curioso, o "Dia mais Escuro" de 1780 serviu para mostrar a horrenda face que as pessoas podem assumir quando confrontadas com algo inexplicável. Em um período relativamente curto de trevas, toda e qualquer noção de civilidade se viu sufocada por uma onda avassaladora de superstição e temor. O que aconteceria com nossa civilização se essa escuridão durasse mais do que algumas poucas horas?

Talvez, francamente, seja melhor não saber, pois provavelmente nós não gostaríamos da resposta.

*     *     *

Vou confessar uma coisa.

Quando eu era criança vi algo parecido.

Eu devia ter uns oito anos de idade e lembro muito bem. Estava no colégio e na hora do recreio uma ventania repentina varreu o pátio e o tempo que estava claro e agradável mudou bruscamente. Ficou escuro, positivamente escuro! Como se o dia tivesse se tornado noite - ou assim me pareceu, e assim me recordo.

Foi algo inesperado e assustador, sobretudo por que muitas crianças começaram a dizer que o mundo estava terminando e que o sol havia sumido para sempre.

A situação só se acalmou quando os professores e inspetores foram chamados às pressas para reunir as crianças e conduzi-las para as salas. Explicaram que tudo estava bem e que não era nada de mais, mesmo assim, vários pais tiveram de ser chamados para buscar seus filhos, ainda chocados com o acontecimento.

Ao ler a respeito do "Dia mais Escuro" foi impossível não pensar nesse episódio da minha infância e ponderar que em uma escala muito menor também houve medo e angústia. Eu sei que, EU tive muito medo. Medo de não voltar para casa e não ver mais meus pais. Medo que o mundo fosse acabar. Realmente, em vista disso, não é tão difícil compreender a reação das pessoas diante de uma noite fora de hora que contraria tudo que elas estão acostumadas e se encaixa perfeitamente em suas crenças religiosas.

Lovecraft, o patrono desse blog, escreveu com enorme propriedade e eu, com a devida vênia, recorro a ele para encerrar esse artigo:



















Que se faça a luz!

domingo, 23 de outubro de 2016

Das Estrelas para as profundezas - Restos da Explosão de uma Supernova encontrados no Mar

Em algum momento, há aproximadamente 2,6 milhões de anos atrás, uma estrela explodiu a 300 anos luz de distância da Terra. Após essa violenta explosão, nosso Sistema Solar se moveu lentamente através dessa área com detritos, e pequenas partículas de poeira cósmica que adentraram em nossa atmosfera mergulhando em nossos oceanos a uma velocidade inconcebível. A composição química dessa poeira estelar deveria ter se dissipado, mas um cientista passou os últimos anos varrendo o leito submarino à procura de restos dessa supernova.

Muitos achavam impossível localizar alguma coisa.

Mas ele não apenas teve sucesso, como também conseguiu determinar exatamente como ela foi preservada por milhões de anos e de onde ela teria vindo.

Em uma nova tese, publicada pela Academia Nacional de Procedimentos Científicos, Shawn Bishop, um astrofísico alemão da Universidade Técnica de Munique, detalhou os resultados preliminares de seu extensivo estudo a respeito de bactérias fossilizadas coletadas do fundo do mar.


Nessas antigas amostras de bactéria, Bishop encontrou traços de Ferro-60 (60 Fe), um isótopo radioativo produzido apenas quando a massa de uma estrela explode. 60 Fe é uma substância que não existe na Terra, ela não está listada na Tabela Periódica. Ela tem uma existência muito curta em nossa atmosfera, se desintegrando após um breve período de tempo, portanto não deveria existir nenhum traço dele no planeta. Ainda assim, traços da substância foram descobertos por Bishop na crosta do Oceano Pacífico em 2004.

A teoria de Bishop é que os detritos da supernova se dissolvem rapidamente em um meio carregado de oxigênio, mas formam uma espécie de ferrugem que fica depositada no fundo do oceano. Uma vez lá, essa substância foi consumida por bactérias, formando cristais de magnetita - compostos de ferro e oxigênio - dentro de suas células. Mesmo que a bactéria esteja morta há muito tempo, esses cristais magnéticos e seus ingredientes de supernova, continuam inseridos dentro do fóssil.

Usando um Espectrômetro Acelerador de Massa (AMS) para examinar os sedimentos do fundo do Oceano Pacífico, Bishop foi capaz de contar átomos individuais de cristais 60 Fe, e calcular que os átomos vieram de uma supernova que explodiu por volta de 2,6 milhões de anos atrás, e posteriormente nosso sistema solar levou 800,000 anos para atravessar seus restos.

Imagine um automóvel correndo na direção de uma tempestade de areia, com pequenos fragmentos sendo arremessados com enorme velocidade contra o painel. A velocidade desses fragmentos seria tão grande que um simples grão poderia estilhaçar o vidro. Durante uma explosão, milhões de fragmentos são propelidos a uma velocidade de 3,000 milhas por segundo - algo em torno de 4,828,032 km por segundo!


De acordo com seus estudos, as partículas teriam vindo do Aglomerado Scorpius-Centaurus um dos grupos de estrelas mais próximos de nosso Sol. Várias estrelas entraram em estágio de supernova nesse aglomerado em nossa história recente, dispersando matéria através dos sistemas próximos e criando um vazio nessa área de espaço.

No curso de 10 a 15 milhões de anos - o que em termos cósmicos é praticamente, nada, uma sucessão de 15 a 20 supernovas ocorreram nesse Aglomerado. Essas explosões produziram uma área vazia, sem a presença de matéria, em um braço da Via-Lactea. Astrônomos estudando essa área, na qual nosso sistema solar está associado, a chamaram de "A Bolha Local".

Muito bem, tudo muito impressionante, mas isso nos leva a questões preocupantes a respeito dos efeitos dessa explosão em nosso planeta. Qual seria o resultado caso outra estrela próxima entrasse em Supernova?

"Devastador é a palavra mais adequada", explica Bishop.

Sem dúvida, explosões como a essa teriam um efeito dramático em nosso planeta. De fato, se nós estivéssemos a 30 anos luz ou menos dessa explosão, provavelmente não estaríamos tendo essa conversa. Um evento cósmico dessas proporções, sem dúvida, terminaria com a vida em nosso planeta e condenaria todas as formas de vida a uma extinção imediata. Há 300 anos luz, os efeitos puderam ser sentidos, mas em menor escala e de uma forma bem menos dramática.

E uma última consideração para aqueles que ainda não se sentiram ameaçados pela nossa insignificância cósmica:

"Vai acontecer de novo! Isso é certo." afirma Bishop com uma inabalável certeza. "O ciclo de vida e morte no cosmos se sucede e inclui as estrelas, tudo tem uma duração determinada. Haverá um momento em que estrelas próximas, ocupando esse mesmo aglomerado, entrarão em estágio de supernova e nós sentiremos os efeitos diretos disso. Mas nada será comparado ao dia em que nosso próprio sol passar por tudo isso". 

Nesse caso, prepare-se para  pior dia de sua vida.



*     *     *

Aquele momento em que Azathoth boceja...


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

A Anomalia de Aristarcus - Um farol brilhando numa cratera lunar


É um fato conhecido que o estudo de Objetos Voadores Não-Identificados (OVNIs) teve início pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Contudo, há registros de notícias fantásticas sobre vida extraterrestre e fenômenos cósmicos muito antes. Alguns dos principais fenômenos nesse campo envolviam luzes misteriosas e "naves voadoras" que começaram a se popularizar em meados de 1890, mas mesmo antes surgiam notícias incríveis.

Entre as anomalias mais frequentes, reportadas nesse período anterior a era moderna, figura um curioso fenômeno. Astrônomos, tanto profissionais quanto amadores, desde 1821, mencionavam uma estranha luminosidade, emanando da Cratera Aristarcus, localizada na face noroeste da lua terrestre.
      
Hoje em dia, é possível que objetos criados pelo homem sejam colocados em órbita e possam emitir brilho intermitente, mas esse não era o caso em 1821... o brilho visto na Cratera Aristarcus era diferente de tudo. Um mistério inexplicável que desafiava a ciência e fomentava muita discussão entre cientistas. Mas qual seria a fonte daquela luz misteriosa observada em tantas oportunidades?

O mais antigo registro da observação de luzes na Cratera Aristarcus, aparece nas anotações do Capitão William Kater, da Marinha Real Britânica. Kater observou o fenômeno nas noites de 4 e 7 de fevereiro de 1821. Segundo ele, enquanto realizava observações da face noroeste da luz, chamou sua atenção um insistente brilho vindo da superfície lunar. Focalizando sua luneta no mesmo ponto, o Capitão verificou que a luminosidade oscilava em padrões e parecia ter origem artificial. No mesmo período, na Costa Leste dos Estados Unidos, um certo Dr. Scott Olbers, um astrônomo amador residente de Boston, conduziu observações similares do mesmo fenômeno: "Um brilho insistente podia ser visto nas noites entre 4 e 6 de fevereiro, na face da Lua", escreveu ele em seu diário de observação.


Relatos continuariam a surgir ao longo da década de 1830, com ao menos duas anotações efetuadas por astrônomos notáveis em sua época. Em 22 de dezembro de 1835, Francis Bailey percebeu o fenômeno na Cratera Aristarcus e escreveu um extenso relatório sobre a observação que ele tratou como uma notável descoberta. Em seu documento, Bailey afirmava que ao menos outros 12 astrônomos haviam observado o mesmo fenômeno anteriormente e que as estranhas luzes emanando de Aristarcus eram, então, conhecidas pela comunidade científica.

Cinco décadas mais tarde, em meados de 1880, o conceituado astrônomo francês Etienne Trouvelot descreveu ter visto, "algo como um cabo luminoso, ou como uma parede resplandecente" iluminando do interior da mesma cratera lunar. Em 1887, Jacob Steinner na Alemanha, enxergou uma espécie de claridade bastante semelhante a luz de chaminés industriais se erguendo da cratera. Segundo ele, tal luz não poderia ter origem natural, constituíndo o que ele julgou ser um fenômeno artificial gerado por algum agente desconhecido. Seguiu-se um novo período de tempo, até que em 1915 a cratera Aristarcus chamou mais uma vez a atenção dos observadores: 

Richard Diekel, um importante astrônomo, célebre pelas suas descobertas dos canais de Marte, escreveu um artigo no qual mencionava a observação de uma estrutura luminosa, "similar a uma muralha de energia brilhante", na borda interior da Cratera Aristarcus. Nas palavras de Diekel, a construção não podia ser algo criado pela natureza, constituindo "sem sombra de dúvida, algo artificial que parecia ser deliberadamente acionado".     

As suposições dos cientistas variavam, alguns davam à notícia grande importância, mas por alguma razão, a comunidade científica em geral desqualificava os estudiosos que se concentravam no mistério. Diekel chegou a ser chamado de "lunático" em um congresso ocorrido em 1916, apenas por cobrar de seus colegas a busca por uma explicação para o fenômeno.

O interesse pela anomalia aparentemente diminuiu, até ser redescoberto em 1959, quando E.H. Rowe, do Observatório de Plymouth revelou que entre 13 e 17 de agosto daquele ano ocorrera uma estranha atividade luminosa na Face Noroeste da Lua, uma área mapeada que correspondia a Cratera Aristarcus. Rowe escreveu em seus registros: "Enquanto observava a lua com um telescópio de 36 polegadas minha atenção foi direcionada para a Cratera Aristarcus. Era algo extremamente brilhante; uma luz branca em cor".

Mas isso não foi o mais impressionante, na mesma data, um colega de Rowe chamado Edgar Tillbury que trabalhava em um Observatório na Pensylvania, testemunhou o seguinte fenômeno anotado em seu diário:

"Fui surpreendido por um delicado brilho ambar-avermelhado na superfície da lua nos arredores de Aristarcus, uma linha luminosa que parecia se definir com uma coloração branca opalescente e que permaneceu visível por longos minutos. Depois, ela desapareceu e nenhum traço pode ser visto até três dias depois, quando surgiu uma vez mais".


Esta foi a primeira menção a uma luz de coloração avermelhada ou âmbar surgindo em Aristarcus, mas outras se seguiram posteriormente. Quatro anos mais tarde, durante um período de quase um mês, entre 27 de outubro de 1963 e 25 de novembro, dois aglomerados de luzes avermelhadas foram observadas por astrônomos do Observatório de Lowell ao norte da Cratera de Herodotus. Na noite do dia 27 de novembro, estas manchas avermelhadas foram vistas também como uma formação linear, emergindo da Cratera Aristarcus, conforme reportado por mais de cinco observatórios espalhados ao redor do mundo. 

Um astrônomo no Planetário Rakurakuen em Hiroshima, no Japão registrou o mesmo acontecimento duas semanas depois, ele descreveu as linhas surgindo no interior de Aristarcus com uma tonalidade rósea-avermelhada conforme publicação na Revista Sky and Telescope de dezembro de 1963. A luminosidade, segundo o Observatório japonês se erguia de Herodotus e se dirigia para Aristarcus de forma muito clara, como uma  linha reta e luminosa, semelhante a uma estrutura como um muro ou um fio condutor.   

No ano seguinte, astrônomos no Goddard Space Flight Center também testemunharam o surgimento de luzes avermelhadas em Aristarcus. Os observadores nessa ocasião em particular eram Saul Genatt, diretor da instalação de Observação Optica e um técnico de eletrônica chamado Edwin Reid. A narrativa dos dois foi tão detalhada, que apareceu em várias revistas importantes, como a Understanding

"O Sr. Genatt contou que utilizou nessa observação um telescópio de 16 polegadas e que através dele conseguiram perceber duas linhas avermelhadas sob a porção mais ao sul da cratera e uma linha de tonalidade branca-azulada na parte norte… As linhas de luz estavam paralelas: a raia vermelha era sutilmente mais grossa e longa, medindo algo em torno de 35 milhas de comprimento conforme suas estimativas. A outra linha, branca azulada tinha algo em torno de 5 milhas de comprimento. Genatt descreveu ainda que as linhas corriam na direção leste-oeste, acesas como uma linha de força iluminada e paralela uma à outra. As luzes eram muito proeminentes no princípio… a vermelha realmente muito intensa e a outra mais apagada. Com o passar dos dias as luzes foram diminuindo gradualmente até desaparecer por completo.

A edição de Novembro de 1965 da Undestanding contou a estória de Ron Emanuel do Observatório de Corvina, na California. Este relatou ter observado duas linhas que poderiam ser uma espécie de condutor de energia que de tempos em tempos era acionado. Nesse caso, as luzes eram tão intensas que podiam ser vistas da Terra com o auxílio de simples lunetas: "Aristarcus possui uma das mais notáveis atividades luminosas que se tem notícia, mas por algum motivo, o estudo desse fenômeno sempre é fadado a negativas e conclusões apressadas que tentam desqualificar sua importância", escreveu Emanuel em sua conclusão.

As alegações de que a comunidade científica jamais deu ao fenômeno a devida importância parecem estranhamente verdadeiras. Desde as testemunhas pioneiras na metade do século XIX, os observadores do curioso fenômeno enfrentaram uma resistência de seus pares quanto a comprovação dos incidentes. Em 1961, Edgar Tillbury escreveu uma carta queixando-se de seu afastamento do Observatório da Pensylvania, apontando suas observações da Cratera Aristarcus como um dos motivos de seu desligamento da equipe científica. Em 1964, Saul Genatt também foi afastado de sua função e queixou-se de que um dos motivos para sua dispensa teria sido seu interesse na Cratera Aristarcus.


Mas o que poderia causar as estranhas anomalias luminosas ou a reflexão vista por tantos observadores? Haveria ali algum objeto metálico ou uma superfície reflexiva capaz de gerar esse efeito? E mais, seria ele natural ou uma formação artificial como conjecturaram vários observadores desde 1881?

De fato, há uma série de razões para as luzes aparecerem em Aristarcus e cientistas tentam encontrar uma explicação que varia desde estrelas luzindo até uma alta concentração de albedo (reflexibilidade originada por inclinação angular). Adicionalmente, a concentração de luz reflexiva pode ser provocada pela posição do cume da cratera. 

Embora o efeito do albedo e da reflexão da superfície possam oferecer explicações para as estranhas luzes avistadas no interior da Cratera, a visão de longas linhas coloridas é muito mais difícil de ser explicada. Supõe-se que gases podem ser liberados de baixo da superfície lunar em tais áreas. Isso explicaria também a detecção de partículas descobertas pela Apollo XV que passou sobre a Cratera Aristarcus em 1971. Essas partículas formadas por elementos radioativos com o Radônio 222, foram confirmadas na área, e podem ter origem subterrânea.

Poderia a presença desse gás radioativo que experimenta um desgaste após algum tempo, explicar a visão das alegadas linhas que astrônomos experientes encontraram em sua observação? 

Entre os muitos mistérios da Lua, Aristarcus é apontado como um dos maiores alvos de teóricos da conspiração envolvendo a existência de muitas coisas secretas, desde bases lunares construídas por governos terrestres até a presença de seres alienígenas. Fala-se de campos de pouso de discos voadores, instalações que pertenceram a civilizações antigas, ruínas ancestrais de povos alienígenas etc... Os mesmos teóricos assumem que a comunidade científica tende a ser conivente com o caráter sigiloso das operações realizadas em Aristarcus, negando acesso completo a informações ou criando obstáculos a investigações sobre os fenômenos registrados desde o século XIX. Apenas alguns poucos estudiosos saberiam da verdade e mesmo estes não teriam todos os dados, compartilhados apenas para alguns cientistas de confiança.


A maioria dos estudiosos pode julgar que a atividade nessa área não passa de um fenômeno natural causado por gases radioativos, mas importantes astrônomos não estão tão certos dessas suposições. Em 2001, um grupo de importantes cientistas assinaram uma carta aberta pedindo que a Cratera de Aristarcus recebesse a devida atenção e que recursos fossem destinados para um criterioso estudo dos seus muitos mistérios. O pedido, no entanto, não foi levado em consideração. 

Curiosamente, o Programa Espacial Chinês manifestou interesse em explorar especificamente a porção noroeste da Lua quando foi oficialmente anunciado em 2010, que a China planeja retomar a Exploração do satélite. 

Com o tempo, talvez mistérios ainda mais profundos venham a surgir na superfície pálida de nosso vizinho orbital...

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Eu sempre penso a respeito da Lua...

Se a Terra é o berço de tantos Grandes Antigos na literatura de Horror Cósmico, por que a Lua permanece tão pouco explorada pelos autores?

O que haveria na nossa vizinha mais próxima, enterrado sob sua superfície estéril aguardando ser descoberto e temido?

Ah, idéias aflorando para toda uma campanha na conquista da lua e muitas descobertas envolvendo Mi-Go, a Grande Raça de Yith e demais espécies capazes de conquistar o espaço e se estabelecer praticamente em qualquer lugar.

domingo, 26 de julho de 2015

A Esfera que caiu do Espaço - Objeto desconhecido poderia conter material biológico


Extraído da Revista Galileu escrito por André Jorge de Oliveira

A ideia de uma civilização extraterrestre avançada enviar ao nosso planeta uma cápsula contendo material biológico parece pura ficção científica, certo? Pois saiba que o cenário é levado a sério por pesquisadores das universidades de Birmingham e de Sheffield, na Inglaterra, depois de uma descoberta recente e completamente extraordinária.

Ao enviar balões a uma altitude de 27 quilômetros para coletar partículas na estratosfera, o grupo de astrobiólogos acabou capturando uma minúscula esfera metálica. Para a surpresa de todos, o interior estava repleto de um líquido biológico viscoso, que possivelmente continha material genético e jorrava para fora através de um orifício. Ao que tudo indica, nunca algo parecido foi encontrado na Terra.

Os cientistas têm certeza de que a estrutura veio do espaço pois provocou um impacto considerável ao se chocar com o balão, algo que não teria ocorrido se não fosse a alta velocidade de reentrada atmosférica.

É uma bola de diâmetro comparável ao de um cabelo humano, que tem vida filamentosa na parte externa e um material biológico espesso escorrendo de seu centro”, resumiu o líder do estudo Milton Wainwright, do Centro de Astrobiologia da Universidade de Birmingham, ao jornal britânico Express.

A equipe ficou ainda mais perplexa quando análises de raios X revelaram a composição da esfera: titânio, com traços de vanádio. Diversas hipóteses foram levantadas a respeito da origem do estranho objeto, sendo que a mais provável para os pesquisadores sugere que ele tenha chegado até a Terra por meio de um cometa. O que já é uma enorme descoberta.

Outras possibilidades, no entanto, vão mais além. “Uma teoria é de que a esfera tenha sido enviada por alguma civilização desconhecida para continuar semeando o planeta com vida”, especula Wainwright. "E esta vida, inclusive, poderia representar graves riscos à espécie humana, como a propagação de doenças mortais".


A ideia de que a vida na Terra tenha surgido a partir de cometas ou de outras formas semelhantes é chamada de panspermia, e apesar de ainda encontrar resistência no meio científico, foi amplamente defendida por cientistas como Francis Crick, um dos descobridores da estrutura do DNA, e também pelo astrônomo Carl Sagan.

Pesquisas recentes apontam cada vez mais para a existência de um intercâmbio de matéria entre a atmosfera terrestre e o cosmos, e também para o fato de que material genético e também certos tipos de organismos, como bactérias e vírus, são capazes de sobreviver às adversidades do espaço.

UPDATE: Gostaríamos de acrescentar a esta história algumas considerações que são de suma importância mas que ficaram de fora do texto que você acaba de ler. Um bom ponto de partida seria a frase tornada popular pelo astrônomo Carl Sagan: "Alegações extraordinárias requerem evidências extraordinárias".

Apesar de a hipótese da panspermia dirigida ser plausível e apoiada por pesquisadores de peso, ela certamente é uma alegação extraordinária, que exige, portanto, evidências que sejam da mesma natureza. E o artigo assinado por Wainwright e seus colegas vem acompanhado de algumas controvérsias e inconsistências que não podem, de forma alguma, ser desconsideradas. Vamos, então, a uma análise mais cética da descoberta.

A primeira e maior das controvérsias é o periódico no qual foi publicada. O "Journal of Cosmology" é conhecido pelo caráter duvidoso dos estudos veiculados. Pouco se sabe sobre seu processo de revisão por pares, fundamental para a manutenção do rigor científico, e as pesquisas sobre astrobiologia que publica normalmente são enviesadas para corroborar a tese da panspermia.

Há dois anos, Wainwright co-assinou um artigo no veículo onde alegava ter coletado bactérias alienígenas na estratosfera terrestre, descoberta que não chegou a ser comprovada por falta de provas concretas. O pesquisador indiano Chandra Wickramasinghe, também da Universidade de Buckingham e um dos autores da pesquisa sobre a esfera de titânio, é editor do Jounal of Cosmology - ele tenta há décadas comprovar que a Terra é bombardeada por microorganismos vindos, sobretudo, de cometas.


O próprio Wainwright destacou ao Daily Mail a natureza improvável da hipótese: "A menos que possamos descobrir detalhes sobre a civilização que supostamente enviou a esfera, esta provavelmente é uma teoria que não se pode provar", disse. O estudo também é pouco científico ao afirmar que a esfera só pode ter vindo do espaço sem antes ter conduzido experimentos para chegar a esta conclusão.

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Para aqueles que conhecem a obra de Lovecraft, é impossível dissociar essa notícia de um de seus contos mais emblemáticos. Aquele que segundo muitos críticos é um dos mais importantes da carreira do autor por misturar de forma magistral horror e ficção.

A Cor que Caiu do Céu (The Colour out of Space) foi escrita por H.P. Lovecraft em março de 1927. 

Na estória, um narrador não identificado revela a verdade por tráz de um lugar assombrado chamado de "Blasted Heath" localizado no interior da Nova Inglaterra, mais especificamente nos arredores da cidade de Arkham, Massachusetts.

A narrativa conta que há muitos anos um meteorito caiu em uma fazenda, provocando grande alvoroço no meio científico. A rocha que se precipitou das profundezas do espaço carrega em seu interior uma forma de vida alienígena que escapa e acaba se entranhando no solo. Gradualmente ela começa a atuar diretamente sobre o ecossistema. Num primeiro momento, as mudanças que ela opera parecem benignas e a vegetação cresce de maneira acelerada com uma aparência frondosa, mas logo fica claro que a natureza foi afetada de uma forma temerária. Os animais se comportam de forma arredia, os frutos produzidos possuem um gosto intragável e mesmo as plantas parecem se comportar de uma maneira incomum (movendo-se mesmo na ausência de vento - essa é uma ideia que sempre pareceu incrivelmente perturbadora na minha opinião). Logo os animais começam a enlouquecer, filhotes nascem com deformidades grotescas e o horror se torna paupável.


Os habitantes do local percebem que há algo bastante errado. Uma doença insidiosa consome as forças dos moradores da fazenda onde o meteorito caiu e a medida que a criatura drena a vida de tudo e de todos na região, as vítimas não tem força sequer para tentar escapar desse lugar amaldiçoado. No fim, o narrador revela que a coisa alienígena consegue abandonar nosso planeta após se alimentar o suficiente para passar por uma mutação e nessa nova forma, parte rumo ao espaço deixando um rastro de morte e destruição.

Não é possível afirmar se Lovecraft concordava ou não a teoria da Panspermia, mas sem dúvida ele deveria estar ciente de sua existência, uma vez que esta estava muito em voga em meados do século XIX e ainda era largamente discutida no início do século XX. Sabemos que Lovecraft era um ávido leitor de revistas científicas e que sonhava em seguir carreira como astrônomo. Portanto, é razoável supor que ele tenha tido contato com o trabalho de cientistas como Herman Von Halmholtz e Svante Arrhenius proponentes da Panspermia. Segundo a teoria desses conceituados pesquisadores, a vida poderia ser dispersa pelo cosmos por intermédio de microorganismos viajando pelo espaço em uma espécie de animação suspensa no interior de corpos celestes errantes. Ao entrar em contato com um planeta com condições propícias, esses microorganismos despertariam e conseguiriam se adaptar a ecossistemas diferentes, desenvolvendo-se e atuando de forma transformadora. Possivelmente até originando vida em planetas até então estéreis. 

Transferência de matéria não viva de origem interplanetária é um fenômeno comprovado por cientistas que já determinaram que fragmentos provenientes de Marte chegaram a Terra na forma de meteoritos. Em 2012, o matemático Edward Belbruno e a astrônoma Amava Moro-Martín propuseram uma teoria de que a transferência de rochas entre planetas jovens poderia gerar uma espécie de intercâmbio de formas de vida. Mesmo o conceituado físico Stephen Hawkin declarou em um simpósito em 2009 acreditar que a vida poderia ser transferida de um planeta para outro, não importando o fator distância, por intermédio de meteoros e cometas. 

Mas resta a dúvida do que seriam essas formas de vida extraterrestres.
 

Em sua tentativa de criar uma forma de vida verdadeiramente alienígena, diferente de tudo que poderia existir na Terra, Lovecraft concebeu que o passageiro do meteorito que atingiu o interior de Arkham seria... uma cor. Não um ser capaz de ser compreendido como orgânico, sólido ou até mesmo material, mas uma forma de vida inteiramente estranha que desafia todos os conceitos existentes. Para nossa percepção ela seria apenas uma cor flutuante, diferente de tudo existente na Terra. 

Para criar essa entidade enigmática, Lovecraft buscou inspiração em fontes da ficção e não-ficção.

Em uma correspondência para um colega, ele afirmou categoricamente endossar a teoria de que formas de vida alienígenas, se um dia encontradas por humanos deveriam ser absolutamente estranhas e incrivelmente diversas dos conceitos e padrões conhecidos. Essa estranheza, segundo Lovecraft (de fato, em concordância com muitos cientistas e teóricos da hipótese de vida alienígena) constitui um dos maiores questionamentos de como nós, como raça, conseguiremos interagir com outras formas de vida absolutamente distintas. Como poderemos (se é que conseguiremos) compreender formas de vida que fogem ao espectro que nos habituamos a chamar de normais. Esse sem dúvida, será um dos desafios fundamentais de nossa relação com aqueles que podem ser nossos vizinhos cósmicos.