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sexta-feira, 3 de maio de 2019

RPG do Mês - O que mudou na Nova Edição de Masks of Nyarlathotep


Essencialmente, Masks of Nyarlathotep é uma enorme aventura Sandbox que composta por diversas outras aventuras menores que também são sandboxes. Nesses capítulos, cada qual se passando em uma localidade - America, Inglaterra, Egito, Quênia, Australia, e China, os investigadores são livres para seguir as pistas e linhas de investigação da maneira que quiserem, embora é claro, algumas pistas se mostrarão essenciais para resolver aquela porção do mistério. Isso permite que os jogadores sigam para onde bem entenderem e façam o que acharem importante. O ponto de partida, é sempre Nova York, mas as pistas coletadas nesse primeiro episódio permitem que os investigadores sigam para onde acharem mais conveniente e cubram as diferentes localidades na ordem que bem entenderem.

Nas edições anteriores da campanha, os eventos começavam sempre com os investigadores chegando ao local do encontro com Jackson Elias. Isso ainda acontece na campanha, entretanto, a nova edição introduz um prólogo no qual os investigadores podem conhecer uns aos outros e criar um vínculo entre si e com o próprio Jackson Elias antes dele envolvê-los com a Expedição Carlyle. A aventura que serve como introdução se passa no Peru em 1921. Nela, cada investigador, aceita trabalhar para um arqueólogo chamado Augustus Larkin que está em busca de uma pirâmide inca. Larkin é um sujeito estranho, cheio de entusiasmo, enquanto seu assistente Luis Mendoza, é taciturno. O terceiro membro dessa expedição é ninguém menos do que Jackson Elias, um sujeito amigável e curioso. Cabe a Elias apontar uma série de estranhezas na expedição e o fato de que alguém parece sabotar os esforços dos arqueólogos. Lendas locais e superstições vão sendo reveladas, a medida que perigos se colocam diante do grupo.


O capítulo do Peru é um tipo de ensaio para o que está por vir nos sete capítulos seguintes que integram a campanha principal. Ele também envolve uma "máscara" de Nyarlathotep, mas uma comparativamente menos conhecida e menos importante quando comparada ao Língua Sangrenta (Bloody Tongue), o Faraó Negro (Black Pharaoh), o Morcego Chifrudo (Horned Bat) e a Mulher Inchada (Bloated Woman). A trama é menos impactante que as demais da campanha, tratando-se de um caso regional. Ainda assim ela é um adendo muitíssimo bem vindo para forjar uma amizade e cumplicidade entre Jackson Elias e os investigadores. O cenário em si é uma bela introdução com o tradicional monstro dos Mythos e possui excelentes ilustrações. Ele também oferece um background para Elias e se esforça em torná-lo acessível para os demais investigadores. 

Pela primeira vez, sabemos mais a respeito de Jackson Elias e sua vida. A alteração mais notáel a respeito do personagem é a opção de torná-lo negro nessa edição. Nas edições anteriores, Elias era tratado como um homem branco caucasiano, uma espécie de Percy Fawcett, que se dedicava a explorar os últimos lugares inóspitos do globo. A ideia é interessante e explica como Jackson Elias é capaz de se misturar às populações coloniais e ganhar a confiança dessas pessoas para depois escrever a respeito delas. Com a aventura nas selvas peruanas ajudando a forjar as bases de amizade e confiança entre Elias e os investigadores, tudo se encaixa de uma maneira mais conveniente e orgânica. Além disso, a descoberta de um considerável tesouro nessa primeira história também permitirá que os investigadores patrocinem suas aventuras ao redor do globo. Esse é apenas o primeiro cenário da campanha e seu início é nada menos do que promissor.


Há um esforço bastante grande dos autores em remodelar os cultos e fazer com que eles sejam mais do que grupos estereotipados de "selvagens perigosos". Também são feitas mudanças em pelo menos dois NPCs importantes. No Capítulo da Inglaterra Tewfik al-Sayed, o proprietário de uma Casa de Temperos no Soho, passa a ser uma perigosa mulher chamada Zahra Shafik, dona de uma companhia importadora. No capítulo do Quênia, Tandoor Singh, o dono de um empório de chá, passa a ser Taan Kaur, novamente, uma mulher a serviço de poderosos inimigos dos investigadores. Essas mudanças, mais do que afastar os estereótipos permitem reexaminar as motivações dos NPCs e torná-los mais interessantes para a trama central.


Para ajudar o Guardião a narrar Masks of Nyarlathotep, conselhos e dicas são fornecidas ao longo das páginas. Essas dicas começam com a preparação e cobre temas como letalidade, como lidar com a história e ambientação, como criar e substituir investigadores, etc. Dentro de cada capítulo são estabelecidas conexões com a Campanha central, diagramas das pistas coletadas em cada localidade, as pistas que são essenciais e assim por diante. Tudo isso auxilia o Guardião a manter a campanha rolando mais tranquilamente. Similarmente, todos os NPC's que aparecem em cada capitulo são listados no início deles acompanhados de estatísticas, informações e uma imagem com uma moldura que o identifica como aliado, inimigo ou neutro. Quatro apêndices cobrem as informações pertinentes a respeito de viagem no período, artefatos que são encontrados, magias e tomos. Não resta dúvida de que o Guardião precisa gerenciar muitos elementos para conduzir a campanha, mas o esforço em relacionar todas essas informações de uma forma intuitiva é louvável. Masks continua sendo uma campanha desafiadora para o Guardião, mas essa edição torna a tarefa consideravelmente mais tranquila. Uma outra informação útil é que no início de cada capítulo o livro fornece dicas de livros, séries de televisão e filmes que servem de inspiração para a aventura.


Outro aspecto muito importante para a campanha é discutir o estilo do jogo a ser adotado - Pulp ou convencional? Até esta edição, adotar um estilo para os cenários da campanha poderia ser complicado, mas com a publicação do muito aguardado Pulp Cthulhu (que nós já resenhamos aqui no Mundo Tentacular - LINK AQUI) esta questão pode ser respondida com maior facilidade. Existem várias sugestões para narrar o jogo usando as regras opcionais do suplemento pulp, que se encaixam muito bem no clima da campanha. Há dicas valiosas de como adaptar os personagens e antecipar os desafios impostos, criando um clima permanente de aventura e excitação.   

A Campanha em si se encerra com o capítulo "Grand Conclusion" (A Grande Conclusão), uma análise dos acontecimentos e do climax de Masks of Nyarlathotep. Ele também fornece "The Ultimate Outcome" (O Resultado Final), uma forma de acompanhar o progresso dos investigadores e como as suas ações influem no resultado final. Essa é uma ferramenta para medir como as ações do grupo resultam na conclusão da campanha. 


Apesar de todas as dicas que auxiliam o narrador, Masks of Nyarlathhotep continua sendo uma campanha de proporções épicas.

Dito tudo isso, o que podemos dizer a respeito das mudanças realizadas das prévias edições para a atual? Obviamente, o novo cenário detalhando o primeiro encontro dos personagens com Jackson Elias no Peru é a maior novidade, mas também há interessantes adições em cada um dos cenários clássicos. As aventuras ainda são as mesmas, mas com detalhes muito bem vindos que ajudam na sua compreensão e clarificação. Além disso, há excelentes apêndices com informações adicionais: sobre magias (9 páginas), tomos (10 páginas), artefatos (6 páginas) e um índice bastante completo (9 páginas). Ao longo do livro temos ainda impressionantes 45 páginas de recursos, 38 páginas de mapas, 13 páginas de retratos de personagens e 85 páginas de NPC. Com esses números é possível ter uma ideia do tamanho da Campanha.


No que diz respeito a Valores de Produção, Masks of Nyarlathotep: Dark Schemes Herald the End of the World nunca pareceu tão bonito. Como em todos os novos títulos da Chaosium, o cuidado com o visual é enorme. O livro é colorido, as páginas brilham com novas e empolgantes ilustrações, fotografias de época e mapas. Tudo é muito bem feito e com um capricho notável. A cartografia em geral é muito boa, os mapas são bonitos e detalhados, especialmente aqueles dedicados aos países e regiões exploradas pelos jogadores. De fato, alguns mapas são tão bacanas que penso já em fazer uma ampliação colorida de alguns e mandar enquadrar. O mapa mundi com os detalhes e trajeto da Expedição Carlyle é o que mais chama a atenção no pacote, mas há vários outros igualmente bonitos.

A edição especial dentro de um Slip Case conta com um pacote especial, o Kit do Guardião no qual TODOS os Handouts são reproduzidos em papel especial colorido para serem cortados e usados diretamente na mesa de jogo. Material de primeira, tudo pronto e muito bem feito. O kit trás ainda fichas de personagens prontos, um Escudo do Mestre exclusivo da campanha e outros detalhes importantes para a trama.



Essa edição de Masks of Nyarlathotep opera as maiores mudanças na campanha nos últimos 20 anos, após a adição do cenário "City Beneath The Sands" que foi pinçada do suplemento Terror Australis e incluído nas duas edições anteriores. De um modo geral, a campanha foi muito bem trabalhada para as regras da sétima edição e o acréscimo de detalhes concede um nível extra de profundidade. 

No coração de todas essas mudanças, a campanha continua sendo o que sempre foi: Monumental, colossal e intrincada. Muitos a tratam como "A" GRANDE CAMPANHA de Call of Cthulhu, e estes não estão errados em colocá-la no topo, ou ao menos entre as três mais populares campanhas de todos os tempos. As mudanças e novidades realizadas em Masks of Nyarlathotep: Dark Schemes Herald the End of the World, não apenas confirmam seu status e longevidade, mas a tornam mais acessível e fácil de narrar. 



quarta-feira, 1 de maio de 2019

RPG do Mês: Masks of Nyarlathotep - O Retorno da Maior Campanha de todos os Tempos


Masks of Nyarlathotep é considerada por muitos como a maior campanha de todos os tempos. Não estou falando apenas de Chamado de Cthulhu, estou me referindo a todos os RPG lançados até hoje.

Sério mesmo!

Masks é um ícone na história das campanhas prontas e talvez realmente mereça os elogios feitos por gerações de jogadores que participaram dela e guardam ótimas lembranças dessa experiência. Eu sei que joguei Masks e depois narrei e a considero uma das minhas melhores experiências de jogos até hoje.

Eu tenho noção que dizer que uma campanha é a melhor de todas constitui uma declaração no mínimo polêmica, mas Masks merece seu lugar de destaque. Ela é épica, transcendental, aterrorizante, cheia de reviravoltas e lances do destino. O foco de Masks é global, se passando em sete localidades, de Nova York a Shanghai, passando por Londres, Cairo, Quênia e Australia. Os vilões da campanha são igualmente interessantes, consistindo de múltiplos cultos dedicados a vários avatares, ou Máscaras do Caos Rastejante em pessoa, ou Nyarlathotep. O roteiro é absolutamente bem amarrado e com uma escala crescente de incidentes e acontecimentos.



Da mesma maneira, os jogadores - ou Investigadores, serão confrontados por um número enorme de oponentes e terão de analisar centenas de pistas que lhes permitirão deduzir a real natureza de seus inimigos e o que eles planejam nesta terrível conspiração. É claro, os cultos unidos em torno de um mesmo plano anseiam como sempre pelo retorno dos Mythos de Cthulhu. Masks of Nyarlathotep é um verdadeiro desafio para os jogadores. Muitos a consideravam uma das campanhas mais intrincadas e difíceis, beirando a impossibilidade. Não há apenas cultos numerosos e inimigos poderosos no caminho do grupo, mas horrores indescritíveis, aberrações famintas, situações limítrofes e uma fartura de desafios ao mesmo tempo naturais e sobrenaturais.

Além disso, chama a atenção dos jogadores as dimensões da campanha. Em uma palavra é possível definir Masks como GIGANTESCA! Aqueles que embarcam em Masks of Nyarlathotep podem esperar meses ou mesmo anos de aventuras até o complô ser revelado por inteiro. Ela é nada menos do que colossal em extensão e detalhismo. Para se ter uma ideia, a lista de NPCs é tão grande que se sugere ao mestre que tome notas de todas as personalidades encontradas após cada porção da história. Também é interessante que os jogadores mantenham algum tipo de diário para poder acompanhar todos os acontecimentos, uma vez que é fácil se perder dentre a infinidade de pistas e indícios recolhidos.


Curiosamente, Masks não foi a primeira campanha lançada pela Chaosium. No distante ano de 1982, coube a Shadows of Yog-Sothoth dar o início a era das Grandes Campanhas de volta ao mundo (conhecidas como Globetrotters). Shadows foi o planejamento para o que estava por vir e em 1984, Masks foi lançada com pompa e circunstância, estabelecendo o padrão no qual todas as demais campanhas de volta ao mundo buscariam se espelhar.

Sem dar grandes spoilers a campanha em si envolve o trágico destino da Expedição Carlyle. Em 1919, o notório playboy internacional Roger Carlyle deixa Nova York com uma expedição arqueológica ao Egito, passando pela Inglaterra onde os membros conduzem estranhas pesquisas. Os componentes da expedição são pessoas importantes, a nata da sociedade e figurões de grande poder e influência. Entre eles estão Hypatia Masters, uma rica socialite e herdeira, o Dr. Robert Huston, psiquiatra dos ricos e famosos e o aventureiro Jack Brady, espécie de mercenário e guarda costas da expedição. Em Londres, junta-se à esse seleto grupo o famoso arqueólogo britânico Sir Aubrey Penhew. Juntos eles partem para o Egito, onde pretendem realizar o que os jornais da época chamam de "a maior descoberta de todos os tempos".


Após alguns meses, sendo acompanhados por leitores ávidos mundo à fora, a Expedição Carlyle chega a um campo isolado na Colônia britânica do Quênia. Lá eles esperam descansar um pouco, longe dos olhos da imprensa. Infelizmente, uma tragédia os aguarda. A expedição inteira que participava de um safari na selva é massacrada por tribos locais. Nenhum deles sobrevive e o mundo lamenta o ocorrido.

Passam então cinco anos e entra em cena mais um personagem fundamental nessa trama, o autor Jackson Elias. Em Janeiro de 1925, ele contata um grupo de indivíduos de sua confiança - os investigadores - e pede a eles que o encontrem em Nova York. Ele adianta apenas que possui informações estarrecedoras a respeito do destino da Expedição Carlyle. Jackson alerta o grupo ainda da existência de um perigoso culto em atividade em Nova York. Esse é o ponto de partida para uma longa e perigosa investigação que revelará não apenas o destino dos membros da Expedição Carlyle, mas uma conspiração de enormes proporções. Os investigadores terão várias perguntas a responder: No que os membros da Expedição estavam envolvidos? O que Jackson Elias descobriu em suas pesquisas? Quem está arquitetando a sombria conspiração? E quais podem ser os resultados dela para a humanidade se os envolvidos tiverem sucesso?

Aos poucos, os investigadores revelam uma teia de conexões e uma trilha de eventos que os força a viajar pelo mundo, seguindo os passos de cada um dos membros e descobrindo assim as muitas ramificações da campanha. Ao longo do ano de 1925, os investigadores irão atravessar mares e desertos, realizar pesquisas em lugares inesperados, revelar tramas sinistras e enfrentar perigos grandes e pequenos, sofrendo enormes perdas, em matéria de sanidade, bem estar e aliados. Se eles tiverem exito - e conseguirem sobreviver! - talvez eles consigam frustrar os planos de um Deus Obscuro e de seus seguidores, e salvar o mundo!


Embora Masks of Nyarlathotep mereça todos os elogios que a cercam, a campanha estava longe de ser perfeita. Primeiro e mais importante, tratava-se de uma campanha demasiadamente grande e complexa, com tantos detalhes, pistas e sub-tramas que por vezes ela parecia impossível de ser narrada. Segundo, os jogadores precisavam comprar a ideia e fazer a sua parte. Essa era uma campanha que demandava seguir as pistas e entender os acontecimentos. Eles não podiam simplesmente esperar que o Guardião entregasse tudo de mão beijada. Terceiro, a campanha apresentava um NPC - Jackson Elias, um amigo dos investigadores que lançava as bases para a campanha. Embora ele seja tratado como um companheiro de longa data e alguém em quem o grupo confia, faltavam elementos que ligassem o NPC aos PCs. Pedir que eles enfrentassem todas essas agruras por alguém que eles conheciam apenas brevemente não parecia crível. Além disso, a campanha jamais aprofundou a relação de Elias com os personagens, Quarto, a campanha jamais mencionou como os investigadores deveriam viajar ao redor do mundo e com quais recursos. Quinto, os cultistas na maioria das vezes eram tratados basicamente como estereótipos raciais. Muito disso se devendo ao fato de que é uma história que seguia o gênero Pulp, na qual aventura e empolgação são os requisitos básicos para que ela siga adiante.

Ainda assim, Masks of Nyarlathotep permanecia como uma grande campanha, ainda que muitos Guardiões trabalhassem esses problemas por iniciativa própria. Faz alguns anos um enorme suplemento chamado Masks of Nyarlathotep Companion foi lançado com o objetivo de sanar os problemas e realizar ajustes para tornar a experiência mais proveitosa. Mais do que isso, o tal Companion trazia dicas de como narrar a campanha e como lidar com questões essenciais - como por exemplo: "O que fazer se todo o grupo for aniquilado durante a investigação"?  Não por acaso, o Companion de Masks era um verdadeiro calhamaço, com mais de 700 páginas.


Com o lançamento da Sétima edição de Call of Cthulhu, a Chaosium Inc decidiu encarar uma ambiciosa tarefa, adaptar Masks of Nyarlathotep e torná-la mais acessível aos novos Guardiões.

Foi assim que surgiu Masks of Nyarlathotep: Dark Schemes Herald the End of the World (Máscaras de Nyarlathotep: Esquemas Obscuros do Mensageiro do Fim do Mundo), a quinta e supostamente definitiva edição da campanha, que foi completamente redesenhada para ser usado com as regras de Call of Cthulhu, Sétima Edição.

A mudança mais evidente para quem conheceu as edições anteriores é o tamanho. A quarta edição, lançada em 2010 contava com 244 páginas, já essa nova edição possui impressionantes 666 páginas. Quase três vezes mais páginas. De fato, ela é tão grande que o material foi dividido em dois grandes livros, cada um com quase o tamanho do Livro Básico de Chamado de Cthulhu. O primeiro volume cobre o prelúdio da campanha até o Egito, o segundo o restante da Campanha. Os dois volumes massivos são acondicionados em uma belíssima slip case de papelão que acompanha a edição especial.



A segunda mudança óbvia é que conforme a nova filosofia da Chaosium, o material é totalmente colorido, incluindo layout e ilustrações. Isso permitiu que os artistas fizessem um novo approach da campanha com novas e belas ilustrações, inclusive dos membros da Expedição Carlyle, da infame cena do hotel com Jackson Elias, do voo dos Shantaks, das pinturas de Miles Shipley e do próprio Faraó Negro com toda sua magnífica aura de ameaça. O resultado é impressionante, com dois enormes tomos contendo uma fartura jamais vista de ilustrações, mapas e diagramas. Mas a mudança, não é apenas cosmética: Masks of Nyarlathotep possui mudanças significativas.

Quer saber quais são essas mudanças?

Então fiquem conosco na segunda e última parte dessa enorme resenha a respeito de Masks of Nyarlathotep.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Foto Resenha - Call of Cthulhu Starter Set - Tudo que você precisa para desfrutar de um jogo de Horror


Por Edward Jones
Extraído do grupo Call of Cthulhu Roleplaying Game & Players com sua permissão.

Olá pessoal,

Esse é um dos mais recentes lançamentos da Chaosium, o Call of Cthulu - Starter Set, uma espécie de caixa básica com todo o material necessário para conhecer e jogar Call of Cthulhu.

O material tem um estilo que remete diretamente aos suplementos que eram lançados nos anos 80-90 em caixas que continham os livros e material de jogo.

O Starter Set, como o próprio nome diz foi criado pensando em jogadores iniciantes. Ele trás as regras principais do jogo, explicações de como construir um mistério lovecraftiano, como traduzir isso em jogo, dicas e conselhos para o mestre iniciante.

A caixa contém o seguinte material em seu interior:

- Regras Introdutórias com 24 páginas
- Cenário Against the Flames com 56 páginas
- Livro de Cenários Paper Chase and other adventures com 80 páginas. 
- Caderno de Recursos Handouts 16 páginas.

Além disso, cinco fichas de personagens prontos - uma mistura diversa e bem balanceada de ocupações, raças e sexos. As fichas de personagens podem ser entregues diretamente aos jogadores iniciantes para facilitar a compreensão do jogo. Histórico e informações adicionais constam no verso das fichas, permitindo aos jogadores mergulhar no background das personagens e interpretá-las.

Há ainda cinco fichas em branco. Após compreender o funcionamento e mecânica de jogo, os jogadores poderão criar seus próprios personagens usando as diretrizes no Livro de Regras Introdutórias que explica detalhadamente como se cria um investigador.

O papel das fichas e dos livros é brilhante, semelhante a revistas.

A caixa em que o material é guardado é reforçada e tem uma arte agradável. Muto mais resistente do que a caixa do Starter Set de D&D, em termos de comparação.

Os dados também são de uma qualidade bastante superior a sua contraparte de D&D. Há três dados de 10 lados, dois deles para os rolamentos convencionais de percentagem e um extra em cor mais escura para ser usado como Bônus/Penalidade. Na caixa consta que o set de dados inclui 6 peças, mas na verdade ele vem com 7 dados!

O material fornece "horas de entretenimento e diversão" como é prometido na própria caixa. 

Para jogadores e mestres iniciantes é um material de excelente qualidade. Ele fornece as informações básicas para compreender o funcionamento do jogo e para fazer suas primeiras aventuras de uma forma segura e detalhada.

A seguir, fotos e comentários a respeito do material:   


A capa da Caixa diz claramente "Tudo que é necessário para desfrutar de um jogo de Horror"

Uma curiosidade é que a arte da caixa é uma adaptação da arte da primeira edição do Call of Cthulhu americano. O desenho e as circunstâncias dos personagens são exatamente as mesmas, apenas com uma roupagem diferente. Repare que os personagens são os mesmos, a casa e os tentáculos que se estendem e a lua cheia no topo.


Essa sacada do artista foi sensacional.  


Texto na lateral: O Horror Cósmico aguarda!


O texto tradicional da Chaosium "O que está dentro dessa caixa".


As fichas dos personagens prontos com detalhes e fotografias (que dá um belo toque)


O primeiro suplemento é Alone Against the Flames, uma aventuraintrodutória para o mestre compreender a mecânica e o estilo do jogo.

Trata-se de uma aventura solo, na qual o futuro Guardião de Cthulhu aprende como construir a aventura e como estruturá-la. A aventura é no estilo dos "Livros Jogos", com ações levando a tópicos numerados no qual cada ação gera uma reação e a história vai se desenrolando.


O Livro Dois se concentra nas Regras do Jogo, indo mais fundo nos detalhes do sistema e apresentando as mecânicas consagradas.

Ele deve ser lido primeiro, antes do Guardião testar a aventiura Alone Against the Flames e será de grande utilidade para compreender as nuanças do jogo e seus detalhes.


O Livro Três vem com aventuras prontas para que o Guardião, tendo aprendido o sistema e suas regras possa colocá-las em ação e introduzir o sistema ao seu grupo.

O Livro de Aventuras possui os cenários Paper Chase, Edge of Darkness e Dead Man Stomping, adaptadas para a sétima edição. Para quem não conhece, elas são cenários clássicos de Chamado de Cthulhu que estiveram presentes nas edições anteriores.


O layout das páginas e do material, com uma bela diagramação e produção gráfica caprichada.


Um belo detalhe na contracapa dos livros, com o Logo da Chaosium Inc dourado.


O material é totalmente colorido e com exemplos detalhados de como jogar. 

Para quem está iniciando e quer aprender como jogar, sem precisar ler todo material (que é sim importante de ter posteriormente), o Starter Set é uma grande ajuda.

Penso que ele é ideal para apresentar o jogo a novos interessados em aprender, sobretudo crianças.


As tabelas e caixas de texto possuem esse padrão agradável com os tentáculos.


Um dos NPCs da aventura com detalhes e dicas de interpretação


Uma das páginas do Suplemento com Recursos para as aventuras. Essas imagens podem ser copiadas ou recortadas para serem entregues aos jogadores como pistas.


O verso da Caixa


Conteúdo da Caixa detalhado.


Detalhe do Verso


Os Dados de Call of Cthulhu da Sétima Edição


Mais detalhes a respeito dos Dados que acompanham o Starter Set


Eles são semi-opacos, como pode ser visto nessa imagem, a luz passa através deles. Belo material de excelente qualidade e acabamento.

Bem é isso, o Starter Set (Material de Iniciante) é uma caixa com material muito bom para quem deseja conhecer o jogo e saber qual a sua proposta. Ele permite que jogadores e mestres iniciantes conheçam a proposta e estudem o básico do jogo antes de se aprofundar no Livro Básico que possui as regras mais avençadas e detalhes do sistema.

Na minha opinião, é um ótimo suplemento para apresentar novos jogadores ao Universo dos RPG. Além disso, as regras da sétima edição são tranquilas e de fácil aprendizado, tornando o Starter Set uma bela opção de presente para crianças e pessoas que estão começando a rolar dados.



domingo, 9 de dezembro de 2018

Sans-Detour Gate - Chaosium rompe contrato com Editora francesa de Chamado de Cthulhu





Essa notícia foi divulgada ontem pela Chaosium, na página oficial e pegou muita gente de surpresa.

A Chaosium é famosa por licenciar seus produtos em muitas partes do mundo. Chamado de Cthulhu (Call of Cthulhu) é com certeza seu produto mais conhecido e bem sucedido sendo publicado em vários idiomas.

Na França, o detentor dos direitos sobre o livro é a Éditions Sans-Détour (ESD), uma das maiores das editoras de RPG do país, que tem vários títulos em seu acervo. A ESD é cohecida por publicar material de excelente qualidade e alguns dos livros mais luxuosos. Não é exagero dizer que os franceses da ESD foram os responsáveis por estabelecer um padrão de qualidade muito superior que sempre foi idealizado pelos fãs para os livros oficiais da Chaosium. Apenas com a sétima edição, a Chaosium melhorou sua produção para tentar acompanhar a tendência, mas os franceses não ficaram muito atrás e levantaram o nível uma vez mais, com o lançamento de uma edição especial da sétima edição que é simplesmente deslumbrante (e que você pode conferir AQUI e AQUI TAMBÉM).

É por essa razão, que a notícia veiculada pela Chaosium ontem causou tanta surpresa e caiu como uma bomba.

Essa é a tradução do comunicado, na íntegra:   

Éditions Sans-Détour (ESD) por muito tempo foi a editora licenciada dos produtos da Chaosium, lançando e produzindo belíssimo material de Call of Cthulhu no idioma francês. 

A licença da ESD expirou no mês de Setembro desse ano. É com grande tristeza que anunciamos que a Chaosium não irá renovar a licença da ESD para nenhum produto. A permissão para que a ESD utilize nossas marcas registradas, logomarca e qualquer propriedade intelectual foi removida.

Como fãs de Call of Cthulhu, vocês merecem saber as razões pelas quais, nós não podemos prosseguir nessa relação.
Indo direto ao assunto: A ESD deixou de pagar à Chaosium os royalties sob as suas vendas desde 2016.

A Chaosium pacientemente tentou trabalhar uma solução com a ESD, entretanto, até o momento, nós não recebemos informações a respeito das vendas nos dois últimos anos, nenhum pagamento ou explicação para o ocorrido. Nem mesmo os Financiamentos Coletivos de projetos como Les Masques de Nyarlahotep e Le Jour de la Béte, que foram bem sucedidos e que são baseados em trabalhos publicados pela Chaosium. 
Mês passado, a Chaosium deixou claro para a ESD que sua licença havia expirado e poderia não ser renovada. A ESD foi avisada de que estava incorrendo em uma grande violação de sua licença prévia - e que, isso poderia ocasionar o termo final de sua licença, na iminência de sua expiração. 

A Chaosium não deseja que a ESD deixe de cumprir seus deveres contratuais com aqueles que participaram de Financiamentos Coletivos e que já pagaram por produtos.
Nós estamos dispostos a trabalhar com a ESD para cumprir as obrigações devidas. Entretanto, a ESD precisa, no mínimo, acertar a questão dos royalties devidos à Chaosium. Infelizmente, até essa data, nós não recebemos nenhum sinal - nem mesmo os valores devidos dos Financiamentos completos de 2017.  
A falha da ESD em cumprir os termos de nossa licença não deixa outra opção à Chaosium, senão tomar medidas legais para receber os valores devidos. Como a Éditions Sans-Détour foi por muito tempo uma parte valiosa da Família Call of Cthulhu, nós ficamos muito tristes que não tenhamos sido capazes de resolver essa questão de uma maneira construtiva. 

Seguindo em frente, a Chaosium já tem um novo licenciado para Call of Cthulhu na França. Um anúncio formal a respeito serrá feito em breve.

*     *     *

Sem dúvida, essa é uma situação inesperada, sobretudo se considerarmos o tamanho da Sans-Détour e a importância dela como uma das grandes editoras de RPG da Europa (a ESD é responsável pela publicação de Paranoia, Achtung! Cthulhu, Mutant Year Zero, e outros jogos no país).
Por muito tempo, a ESD foi considerada como a editora que melhor tratou Call of Cthulhu e que deu a ele uma identidade e personalidade reconhecidas mundialmente. Eu tive a chance de comprar alguns livros da Sans-Détour e posso atestar que o material é simplesmente impressionante.
Será realmente uma pena se tudo nesse comunicado for verdade e a ESD perder sua licença, infelizmente, tudo caminha nesse sentido.
Estranho é que até agora a ESD não se manifestou a respeito dessa situação.
Chama a atenção ainda a notícia de que a Chaosium já tem um novo licenciado para o jogo na França. Quem será? Será que eles vão dar continuidade ao alto padrão de qualidade estabelecido? Saberemos disso em breve...
Por enquanto, resta dizer au revoir, Sans-Détour...

Para quem quer conhecer mais a respeito do material publicado pela Sans-Detour, dê uma olhada nesses links:

Montanhas da Loucura
Atlas dos Mythos

Máscaras de Nyarlathotep (Parte 1)

Máscaras de Nyarlathotep (Parte 2)

sábado, 13 de outubro de 2018

Greg Stafford - A despedida do Grande Xamã dos Jogos (1948-2018)



Notícias tristes para a comunidade de RPG mundial, sobretudo para os fãs de Call of Cthulhu. 

A Chaosium anunciou o falecimento de Greg Stafford um dos fundadores da editora.

O anúncio segue abaixo:

Foi com choque e luto que a família Chaosium recebeu as notícias sobre o falecimento de nosso amado e querido co-fundador Greg Stafford. Uma perda que não pode ser mensurada. Greg morreu ontem (quinta feira 11 de outubro) em sua casa na cidade de Arcata, Califórnia. Sua morte, ao menos foi indolor e rápida. Ele parte como viveu, em uma busca constante por conhecimento.

Como um dos maiores designers de jogos de todos os tempos, vencedor de uma infinidade de premiações para serem contados, Greg foi também um amigo, mentor, guia e inspiração para jogadores, apelidado de "O Grande Xamã dos Jogos", ele influenciou o universo dos jogos de tabuleiro enormemente.

Greg foi um dos fundadores da Chaosium no ano de 1975, e desde o início (para citar suas palavra), "nunca se limitou a imitar, mas criar e publicar jogos originais em estilo, conteúdo e formato". Sob sua liderança, a companhia rapidamente se tornou conhecida pela sua originalidade e criatividade, e foi responsável por introduzir muitas inovações em nosso hobby que permanecem até os dias atuais.
Como disse John Wick (autor de 7th Sea, Legend of the Five Rings), "Quanto mais velho eu ficava, mais eu ouvia os jovens criadores de RPG dizer 'Isso nunca foi feito antes!’ E então, eu simplesmente apontava para algo que Greg Stafford havia feito décadas antes".

O trabalho de Greg com roleplaying games, board games, e ficção foi aclamado como um dos mais inovadores de todos os tempos. Não resta dúvida que sua mensagem foi ouvida por incontáveis pessoas, que foram inspiradas e entusiasmadas, por seus interesses e paixões - como Glorantha, Oaxaca, Rei Arthur, xamanismo, mitologia e muito mais.

Ele esteve presente na Premiação do Ennies Awards 2018 e discursou para o público presente em nome da Chaosium. Greg estava imensamente orgulhoso do que seu trabalho na Chaosium havia se transformado nos últimos tempos, particularmente depois de seu retorno ao conselho em 2015. Ele reconheceu que o sucesso na empresa de jogos se deve ao apoio e suporte dos fãs. Nós da Chaosium reconhecemos que incontáveis fãs de RPG, apenas o são por conta de Greg Stafford e de tudo que ele alcançou.

*     *     *


Eu vi essa notícia com muita tristeza...

Um grande mestre e criador de universos se foi e deixando muitos fãs órfãos e com saudades que dificilmente poderão ser aplacadas.

Os fundadores da Chaosium em seus primórdios
Greg Stafford era um monstro sagrado, um daqueles caras que quando rolava os dados conseguia vários críticos.

Glorantha, GhostBusters, HeroQuest, Príncipe Valente e para mim o maior de todos trabalhos em que ele esteve à frente... King's Arthur Pendradon, são parte da essência do RPG. Ele produziu jogos incrivelmente importantes e que fizeram a alegria de incontáveis pessoas.

Se por um lado a tristeza de sua despedida é grande, por outro só podemos imaginar como será épica a mesa em que ele está se juntando no Valhala dos Grandes do RPG com Gary Gygax, Dave Arneson, John Dever, Keith Heber...

Essa mesa está começando a ficar boa.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Maleta de Aventura - Props e Caixa para a Campanha "The Two Headed Serpent"



E já que estamos falando da Mega-Campanha de Pulp Cthulhu "The Two-Headed Serpent" qui vai a minha versão para guardar  material do jogo.

Two Headed Serpent é uma campanha Globe-Throter, ou seja, cada aventura leva o grupo a um lugar diferente do mundo, em vários continentes, resultando em uma longa viagem para frustrar os planos de um culto aterrorizante.

A campanha começa na nossa vizinha Bolívia, depois parte para Nova York, Islândia, Índia, Congo Belga, Ilha de Bornéu, Okhlahoma, Litoral do Brasil e mais além...


Para fazer a caixa de campanha pensei em uma daquelas típicas maletas de viagem onde os viajantes costumavam colar stickers dos lugares por onde passaram. 

Baixei na internet uma série de stickers de época, com o nome dos lugares onde se passa a aventura e de hotéis onde o grupo poderia se hospedar. Naquela época era extremamente comum colocar esse tipo de identificação nas maletas como uma forma de dizer de onde veio ou para onde iria.

Acho que ficou bem legal essa forma de personalizar a maleta, usando algo que tem a ver com a campanha.

Também fiz uma cópia do símbolo da Fundação Caduceus, a organização da qual os personagens fazem parte. Trata-se de uma Sociedade de Alívio e Resgate voltada para prestar ajuda à populações atingidas por conflitos e desastres. Dessa forma, a maleta fica ainda mais temática    


Encontrei esse mapa político dos anos 1930 que encaixou perfeitamente na tampa interna da maleta. Então quando se abre a maleta a gente dá de cara com esse mapa lindo!


Para ficar ainda mais fiel ao gênero Pulp coloquei uma linha vermelha (a lá Indiana Jones) ligando as localidades onde se passam as aventuras que compõem a campanha. Dá para perceber que os investigadores realmente são jogados de um lado para o outro do globo, viajando por mar, ar e terra para cumprir suas missões.

Já na parte de dentro, sobrou espaço para guardar o livro da Campanha e mais algumas coisas que funcionam como props.


Não é de hoje que eu estou querendo arranjar um uso para esse diário marrom com capa de couro.

Ele parece bom demais para deixar guardado, então planejo usá-lo como Diário da Campanha. As páginas dele tem um tom amarelado perfeito e o fato de serem sem pauta vão permitir inserir desenhos. Mais uma vez, bebendo da fonte dos filmes de Indiana Jones...



Dentro da Maleta coloquei algumas coisas que vão servir de prop ao longo das aventuras. Em especial uns cartões postais que imprimi com qualidade de foto.



Adorei esses cartões postais que sugerem um ar especialmente Pulp, trazendo equipamento de exploração, armas e veículos. Esse do avião, então é sensacional!


O calendário também foi um achado! Ele é específico de 1933, ao em que se passa a campanha "The Two Headed Serpent" e vai ser útil para manter o ritmo das aventuras e determinar a cronologia dos eventos.


Esse aqui é apenas uma propaganda que eu achei maneira de reproduzir para a maleta. São armas e artigos que não podem faltar para o aventureiro e explorador no período. O melhor é que as propagandas são reais.


Bem, é isso! 

Agora é só desejar aos valentes investigadores, Bon Voyage!