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quinta-feira, 11 de julho de 2019

Regra da Casa - Podcast do "Café com Dungeon" com o Mundo Tentacular

Para quem não assistiu, essa foi nossa participação no podcast do Regra da Casa - Café com Dungeon.

Neste segundo episódio da coluna com o Mundo Tentacular, Rafael Balbi recebeu Luciano Giehl e Thiago Queiroz, para resgatar conhecimentos proibidos de tomos empoeirados e blasfemos, para versar sobre as muitas eras de Cthulhu, dando uma passeada incrível pela história dos mitos, desde antes de Cristo até o futuro distante, comentando publicações e jogos interessantíssimos que cobrem cada período.


Foi uma conversa bem legal e o pessoal do Regra Da Casa tem um excelente podcast!

Para quem quiser ouvir, está aqui:

quarta-feira, 26 de junho de 2019

O Diário do Terror - Relato de uma trágica Expedição ao Norte Gelado


O relato a seguir foi feito por exploradores no ano de 1909 que informaram de forma dramática os acontecimentos de que tomaram parte. 

Esses acontecimentos foram registrados no diário oficial da expedição liderada por William Leydell Sandhurst, antropólogo da Universidade de Montreal e explorador com ampla experiência no norte do Canadá. Os demais membros da expedição eram o médico Richard Musgrave, o Tenente Joseph Benson da Polícia Real Montada, o botânico e geólogo Dieter Kunrad e o Professor Stanley Fredericks especialista em zoologia. 

A expedição partiu de Manitoba seguindo para os territórios do Norte com objetivo de mapeamento e exploração da flora e fauna local. Também visava fazer um reconhecimento das tribos nativas e assentamentos além da fronteira.

O caderno de notas a seguir foi transcrito na íntegra a partir do vigésimo terceiro dia de exploração que até então transcorria sem incidentes. Ele marca a chegada do grupo ao território norte de Nunavut, província mais setentrional do Canadá. 

12 de Julho de 1909

Deixamos a aldeia Iqaluit, habitada majoritariamente por esquimós (Inuit) com quem conseguimos estabelecer uma relação cordial. Os nativos ficaram bastante curiosos a respeito de nossa presença em seu território. De fato, poucos deles pareciam já ter tido contato com indivíduos de descendência européia, e mesmo assim através de postos na fronteira mais ao norte de Manitoba. 

Os Inuit nos trataram com gentileza e permitiram que ocupássemos uma de suas cabanas onde pudemos descansar e nos refazer da árdua jornada. Quando perguntamos a respeito de guias para nos ajudar em nossa exploração, a maioria dos nativos se entreolhou e tentou nos dissuadir de seguir pelo caminho que pretendíamos - e que não foi mapeado. Muitos se mostraram extremamente contrariados quando mencionamos nossos planos, e por isso, achamos melhor não insistir.

Crianças e mulheres da vila Iqaluit

14 de Julho de 1909

Fizemos amizade com Igoolik, um homem da tribo, já de meia idade mas com enorme energia e disposição. Trata-se de um sujeito extremamente jovial, que demonstra curiosidade a respeito de nossos modos quase tão grande quanto nós a respeito dos dele. O Dr. Musgrave parece fascinado pelas tradições e fez vários registros e exames dos membros da tribo, inclusive mulheres e crianças.

Após alguma negociação, Igoolik concordou em nos guiar pelo território. No entanto, ele estabeleceu a condição de não seguir pelo caminho que havíamos traçado, afirmando que isso nos levaria através de uma área considerada perigosa pelos locais. Igoolik, disse que poderia nos conduzir por uma trilha margeando uma floresta de coníferas, cerca de 5 dias para o noroeste. Ele se mostrou irredutível a esse respeito e temendo que nossa insistência pudesse prejudicar nosso acordo acabamos concordando. 

Estamos à disposição dele e quando ele escolher partir seguiremos viagem.

Igoolik em foto fita por Kunrad
15 de Julho de 1909

Ficamos na casa de Igoolik e hoje pela manhã, três membros da tribo apareceram na cabana de nosso anfitrião. Uma vez que falavam em um dialeto próprio, não consegui entender tudo que disseram, contudo foi possível captar um certo grau de animosidade. Os três pareciam contrariados a respeito de alguma coisa e acredito que nós, enquanto forasteiros, possamos ser o motivo dessa altercação.

Em tempo, conseguimos extrair de Igoolik que a razão do debate envolvia o fato de terem descoberto que ele iria nos acompanhar. Alguns pareciam especialmente irritados com isso. Felizmente nosso guia, conseguiu tranquilizar os demais membros de sua tribo. Ele explicou que o território ao norte é uma área de caça tradicionalmente usada por membros de uma tribo rival, os Puytevah que estabeleceram um equilíbrio delicado com o povo da aldeia.

Segundo o guia não haverá problemas, desde que não entremos no território dos Puytevah.

18 de julho de 1909

Depois de uma longa espera, partimos, conduzidos pelo nosso guia. O Tenente Benson ficou responsável pelos suprimentos e ele conseguiu repor a maioria de nossos recursos. Os cães e trenós são de ótima qualidade e estamos plenamente motivados.

Kunrad registrou nossa partida com uma fotografia pouco antes de deixarmos o vilarejo.

20 de julho de 1909

Encontramos rara beleza selvagem nessas terras raramente exploradas ou trilhadas. Trata-se de um território isolado, no qual o povo Iqaluit raramente coloca os seus pés. Nosso guia afirma ter passado por aqui há 12 anos e que conhece o caminho. As diferenças entre seu povo e os Puyvetah se referem principalmente a religião, sendo que eles veneram divindades diferentes, ou foi isso, o pouco que consegui extrair dele.

William Sandhurst e Dr. Musgrave

22 de julho de 1909

Os dias tem sido de marcha forçada e pouco descanso.

Seguimos pela imensidão gelada nos trenós puxados pelos huskies, encontrando nada a não ser neve, coníferas e de tempos em tempos formações rochosas no horizonte. A vastidão dessa terra nos faz pensar a respeito dos pontos ainda não explorados ou conhecidos do planeta. É um privilégio estar aqui e ver em primeira mão aquilo que se abre diante de nossos olhos atônitos. 

O céu de um azul escuro está límpido e ainda que exaustos pelo esforço, estamos confiantes de que nosso guia sabe por onde está nos conduzindo.

23 de julho de 1909

Nosso guia nos trouxe até a margem de uma floresta de coníferas conforme havia prometido. Seu plano é tangenciar essa floresta  composta de magníficos Abetos, Chamaciparis, Ciprestes da Caledônia e Cedrus da Nova Escócia. Kunrard, nosso botânico está maravilhado com a flora do ambiente e recolheu algumas folhas para analisar posteriormente. Fredericks também demonstrou interesse na tímida fauna local. 

De um modo geral, estamos satisfeitos com o progresso e agradecidos pelo tempo estável.

24 de julho de 1909

Igoolik ficou preocupado a respeito de um avistamento ontem. 

Ele acredita ter visto homens da tribo Puytevah nos observado do alto de uma ravina. Sua preocupação era clara, e para evitar problemas, decidiu nos guiar para o leste. Ele espera que assim evitemos qualquer contato. 

Quando o antropólogo dentro de mim apelou para fazer contato com essa tribo, explicando nosso interesse de barganhar com eles, o homem me olhou com incredulidade. Ele sequer quis pensar no assunto e disse que a expedição deve evitar qualquer aproximação. Uma vez que dependemos dele, não quis argumentar.

William Sandhurst escrevendo em seu diário
26 de julho de 1909

Uma descoberta inusitada!

Encontramos uma clareira vasta com aproximadamente 400 metros de diâmetro na borda da floresta. É um espaço onde a neve parece ter sido profundamente remexida, talvez por uma tempestade ou vendaval. Não apenas os arbustos e a vegetação mais frágil foi afetada, mas árvores de tamanho considerável foram arrancadas da terra com raízes e tudo. O fato mais surpreendente é que a área fustigada pela tempestade parece ter se confinado nesse ponto em especial, com o entorno dos limites da clareira preservados ou pouco incomodados pela estranha perturbação climática que aqui se abateu. Não sou glaciologista, mas minha suposição é que a tempestade deve ter desancado há menos de 72 horas. Seria difícil não captar esse grau de atividade climática, mas ainda assim, nada percebemos.

Igoolik não parecia interessado em revistar a área. De fato, ele tentou nos afastar dela e apenas com grande negociação concordou em nos conceder algumas horas para explorá-la. Ainda assim, ele preferiu se afastar e fazer um reconhecimento do terreno adiante à pé, prometendo voltar antes do anoitecer.

Mais tarde - Escavamos a área e descobrimos atônitos alguns objetos enterrados - uma bolsa rústica e uma cacimba de água feita de terracota. Essas descobertas nos levaram a outro achado muito mais impressionante, provavelmente o dono desses itens. Encontramos o cadáver de um homem de 30-35 anos que estava soterrado sob a neve a uma profundidade de 1,20 metros. Trata-se obviamente de um nativo, e o Dr. Musgrave supõe que ele esteja morto há pelo menos um ano. O corpo apresenta, segundo seu exame preliminar, sinais evidentes de hipotermia e tudo indica ele tenha sido apanhado por uma forte nevasca. Não se trata de algo estranho, visto que aqui, as condições climáticas oferecem variações perigosas. 

Ainda assim, havia outro detalhe no mínimo peculiar no que diz respeito a causa da morte. O Doutor acredita que ele tenha sofrido impacto condizente com uma queda. Sem um exame mais profundo, não havia como saber com certeza, mas o Doutor insiste que as fraturas no corpo remetem a uma queda de uma altura considerável. Como tal coisa pode ter ocorrido em uma região de planícies nos escapa à percepção. 

Outro detalhe a respeito do pobre diabo é sua aparência geral, que não condiz com a de nenhuma tribo local. Francamente, tudo me leva a crer, e o Tenente Benson partilha dessa opinião, que não se trata de um Inuit, mas de um Cree Naskapi, habitante dos Grandes Lagos. Ainda que a distância crie dúvidas sobre essa presunção. Além disso, os objetos incomuns que ele carregava, nos deixaram desconcertados. Os trajes do homem não se assemelham ao das tribos que encontramos na área e o couro do animal que do qual confeccionou a roupa não condiz com o de animais aborígenes. Para falar a verdade, nem mesmo Fredericks foi capaz de determinar de que couro batido suas roupas eram feitas. Os calçados dele também parecem impróprios para a neve densa dessas paragens perpetuamente congeladas. Mais estranho (!), em suas roupas haviam sinais de grãos que não existem nessa região. Por estranho que possa parecer, tudo indica que o homem é proveniente de terras muito distantes, o que o tornaria tão forasteiro nessas paragens quanto nós.

Em seu pescoço, Fredericks encontrou um estranho colar ou amuleto onde pendia uma pedra escura - uma turmalina bruta em formato de bala, que nos chamou a atenção por claramente ter sido talhada e polida. Ainda que trabalhada de forma rústica, a peça denotava talento artístico, permitindo intuir que se refere a face de um homem com evidentes traços antropo-zoomórficos - "algo ferais", como sugeriu o Dr. Musgrave.

Enquanto estudava-mos o objeto, Igoolik retornou e ao perceber que havíamos encontrado um corpo reagiu com nervosismo. Compreendo que os costumes tribais podem ter falado mais alto e que ele viu nosso ato como um tipo de profanação. Contudo foi quando viu o amuleto que que realmente ficou inquieto. Entre gestos e passes de proteção, exigiu que colocássemos a coisa no lugar e enterrássemos o cadáver sem demove-lo de suas posses. Eu e Fredericks tentamos argumentar com nosso guia, mas ele se mostrou irredutível. À contra gosto, meu colega devolveu o objeto ao cadáver e este à sua cova natural que foi coberta.

Uma visão do vazio ártico
28 de julho de 1909

Houve uma mudança acentuada no clima e estamos em uma corrida para buscar abrigo. Não consegui arranjar muito tempo para escrever nesses últimos dias. Os cães tem agido de moo arredio e parecem incomodados pela mudança súbita.

Ontem pela manhã ficamos incapacitados de prosseguir devido a uma forte nevasca que surgiu do nada e nos forçou a montar acampamento. Igoolik nos incentivou a continuar assim que a tempestade diminuiu, ele afirma que estamos atravessando um território perigoso e percebi repetidas vezes que ele olha com uma expressão preocupada para o céu. Parece estar estudando as nuvens cinzentas que se formaram de uma hora para outra. 

Francamente nunca vi uma mudança climática acentuada assim, em tão pouco tempo.

Sem data

Avançamos sem parar, com o guia nos forçando a andar rápido. Ele espera chegar a um local onde afirma ter encontrado abrigo na última vez que passou pela área. O som dos trenós e dos cães em esforço é tudo que ouvimos por horas.

Os homens estão cansados, e a marcha acelerada tem causado danos ao moral. Fredericks reclama constantemente de Igoolik, referindo-se a ele como "nosso cruel feitor". 

Sinto como se algo estivesse errado, eu tenho sonhado com...

A equipe da Expedição 1909 - Sandhurst, Musgrave, Kunrad e Fredericks 
30 de julho de 1909

Kunrad desapareceu!

Uma forte nevasca nos atingiu em cheio e ficamos temporariamente perdidos, sem conseguir ver um palmo diante de nossos olhos. A geada surgiu repentinamente! Tivemos de preparar um acampamento às pressas, proteger os animais e graças à presteza dos homens conseguimos nos refugiar nas barracas corta-vento, mas fomos divididos em dois grupos. 

Quando a tempestade amainou, cerca de 7 horas depois, descobrimos que Kunrad não estava conosco! Cada grupo achava que ele estivesse com o outro. Como pudemos ser tão descuidados?

Quando a nevasca cedeu, fizemos um reconhecimento e procuramos pelo Professor, mas não encontramos sinal dele. Lamentável, um homem tão capaz provavelmente enterrado nesse lugar esquecido por Deus. A despeito dos pedidos de Igoolik para continuarmos, dei ordens para que os homens continuassem a busca pelo corpo dele. 

Mais tarde: Nada encontramos... Fizemos um enterro simbólico. O Tenente Benson tomou a câmera de Kunrad e disse que assumiria o papel de fotógrafo no lugar de nosso colega. 

1 de agosto de 1909

Uma discussão acalorada entre o Dr. Musgrave e Fredericks. Por pouco não chegaram às vias de fato. 

Nenhum dos dois quis explicar as razões para essa ríspida discussão e o Tenente teve de separá-los. Depois de discutir nossa situação, decidimos retornar para a aldeia Iqaluit de onde partimos e lá esperar por condições melhores. Nessa época do ano o tempo não deveria estar tão ruim, essas nevascas são atípicas e quem sabe no mês que vem, já tenham melhorado. 

Creio que todos ficaram aliviados com essa decisão. 

Mais tarde - A nevasca continua forte e impede nosso progresso. Estamos fazendo uma distância cada vez menor, a cada dia. O retorno deve demorar mais do que imaginamos... 

 2 de agosto de 1909

Ontem vimos nativos da tribo Puytevah, estavam nos observando novamente em cima de pedras. Tentei sinalizar para eles, mas não me devolveram o sinal, ficaram observando por mais algum tempo e quando fizemos menção de nos aproximar (a despeito dos protestos de nosso guia), eles se esconderam. Eu os estudei pelo binóculo: são Inuit, mas de uma tribo diferente, mais baixos e corpulentos, com a pele escura e cabelos lisos. Seus trajes são rudimentares e percebi que carregavam lanças e arpões.

Ao chegar ao local onde estavam, não achamos sinal deles. Contudo, encontramos uma curiosa formação rochosa na forma de pedras empilhadas formando o que parecia ser um tipo de totem. O estranho monumento media quase dois metros de altura e foi erguido com pedras empilhadas e troncos atados com cordames. A figura era estranha, um animal selvagem, ou espírito protetor de algum tipo. É inegável que guarda semelhança com a coisa representada no amuleto do homem que achamos morto dias atrás. Haviam símbolos estranhos desenhados na coisa, espirais em sua maioria.

Pode parecer tolice, mas não quis me aproximar ainda que a descoberta fosse notável. A coisa me deixou apreensivo! Havia manchas de sangue em sua base, em quantidade considerável.

Benson se aproximou para examinar aquela maldita coisa. Cavando na base do ídolo grosseiro, fez uma descoberta aterradora, um cachecol que parecia muito com o que Kunrad usava quando sumiu. Estava enrolado e ensanguentado. Foi impossível pensar no pior. 

Igoolik assumiu uma expressão taciturna e não se pronunciou a respeito, apesar de eu tentar extrair dele alguma coisa. Ele apenas disse uma palavra em seu idioma e se afastou fazendo seus passes de proteção.

O estranho Totem de pedra
Madrugada - Algo medonho ocorreu. Algo para o qual não tenho explicação e nem sou capaz de fazer conjecturas.

Enquanto descansávamos no acampamento, o silêncio noturno foi quebrado por um som aterrorizante que preencheu todo o vale e congelou nosso sangue. Um tipo de grito ou uivo, como jamais ouvi e que ecoou como um mau agouro. Benson apanhou seu Lee-Enfield e disparou para o alto, sem enxergar nada na escuridão completa. Os cães, grandes huskies e mongrels habituados ao mundo selvagem, latiam e ganiam aterrorizados. O Dr. Musgrave pareceu igualmente afetado pelo ruído e caiu de joelhos dizendo tolices, como se de um momento para o outro sua sanidade tivesse desmoronado. Ele começou então a fazer acusações contra Fredericks. Entendi o motivo de sua briga: Fredericks havia guardado consigo aquela maldita peça de turmalina escura que encontramos com o cadáver e que mandei ele deixar para trás. O Dr. Musgrave havia visto a coisa com ele e ficou furioso!

Igoolik ao entender o que se passava, assumiu uma postura derrotada em grave silêncio por longos minutos. Quando Fredericks reconheceu que havia desobedecido minha ordem direta, ele me acusou de dar ouvidos demais a "superstições dos selvagens". 

Nosso guia então se levantou e colocou-se de joelhos no solo repetindo alguma ladainha em um dialeto que eu não consegui entender. Me pareceu que ele estava pedindo perdão ou desculpas ao céu, com os braços erguidos em uma posição de absoluta submissão. Tentei despertá-lo daquele transe, mas ele continuou balbuciando aquelas palavras, olhando para o alto, enquanto lágrimas corriam de seus olhos e congelavam em suas bochechas.

4 de agosto de 1909

Correndo contra o tempo. 

A nevasca cai pesada e não cessa. É um risco seguir nessas condições climáticas, mas o guia afirmou que nos deixaria para trás se não fossemos com ele. A expressão do homem me levou a crer que ele falava a verdade.

Noite - O maldito uivo novamente! Uivo, grito, brado ou seja lá o que for... que animal produz tal som? Nada que eu conheça seria capaz disso! Alguns cães fugiram, correndo para a imensidão gelada como loucos.

Se havia ainda uma parcela de razão no Dr. Musgrave esta também se esvaiu por completo. Ele começou a gritar como um demente e passou a repetir algumas das estranhas palavras que Igoolik mencionou na noite de ontem. 

"Itaqua, Itaqua!" gritava e babava, olhando para as nuvens que se tornavam cada vez mais densas e volumosas. Parecia um demente!

Mandei que ele fosse amarrado pois temia que pudesse ferir a si mesmo, ou quem sabe algum de nós. 

Fredericks enterrou a peça de turmalina negra na neve e disse que não falaria mais a respeito do assunto. Ele mencionou que "esse maldito lugar não o deixa dormir e que causa pesadelos". Imagino se ele também tem sonhado com vales de gelo negro, ventos inclementes e algo que vive na nevasca. 

A imensidão e desolação

5 de agosto de 1909

Fredericks também desapareceu. Simplesmente sumiu de nossa barraca como se tivesse sido subtraído na calada da noite. Vi o homem se deitar em seu saco de dormir na noite passada e considero absurdo ele ter levantado e saído por conta própria. Não o faria em meio a essa escuridão e nevasca. Não obstante, ele sumiu sem deixar sinal!

Musgrave não conseguia parar de rir. Uma gargalhada histérica que depois se transformou em um lamento. "É o gigante silencioso, ele nos observa do alto!". Ninguém disse nada.

Não havia rastros ao redor da barraca, a neve e o vento poderiam desfazer uma trilha de pegadas que indicassem a saída de Fredericks, mas ainda assim, teria de haver algo... Igoolik não quis sequer procurar por algum indício e o Tenente Benson nada encontrou. 

Quando indaguei o que poderia ter acontecido o Inuit apenas olhou para o céu e Musgrave explodiu em nova gargalhada histérica.

Tarde - Ouvimos o uivo novamente, mais uma vez... aquele maldito som profano! Benson carrega seu rifle e a espingarda que pertencia a Musgrave e diz ter a impressão de ver coisas se movendo na nevasca. Eu gostaria de dizer que é apenas a sua imaginação pregando peças, mas também estou vendo... há algo nos seguindo por essas planícies e nada que se diga pode mudar essa certeza tétrica.

Outro sonho estranho enquanto descansávamos. Despertei em um sobressalto. Eu escrevi sobre isso, mas é absurdo... arranquei as páginas do diário para não ter de colocar no papel tais pensamentos. Não quero pensar em tais coisas! Não devo, em nome de minha sanidade!

O Tenente Joseph Benson em 1906
Noite - Igoolik libertou o Dr. Musgrave das cordas que o amarravam e os dois nos abandonaram.

Quando tentei argumentar com o guia e detê-lo, ele explicou que não conseguiríamos retornar: "A Tempestade vem vindo! O Andarilho do Vento está chegando", ele disse, ou ao menos foi o que consegui entender. Musgrave, com uma expressão febril, apenas repetiu aquela palavra estranha no dialeto local, que se refere provavelmente a algum Deus, demônio ou espírito temido pelos Inuit: 

"Itaqua".

Por algum motivo não tentei detê-los... nem que quisesse, poderia fazer algo para impedi-los, exceto atirar neles e isso não faria. Os dois se meteram na mata, penetrando na floresta de coníferas que os engoliu rapidamente.

Uma forte tempestade está se formando! O Tenente Benson, meu único companheiro agora foi até lá fora fotografar as nuvens densas que se formaram com a câmera que pertencia a Kunrad. Eu ainda encontrei forças para admirar seu zelo em registrar nossa triste situação. 

Quando enfim retornou percebi que sua expressão estava perdida e sua face pálida como a neve. A constatação de nossa condição lastimável o atingiu em cheio. Desde então se manteve silencioso. 

Depois eu o ouvi rezando. 

Não tenho grandes esperanças! Estou trilhando esses caminhos selvagens a tempo suficiente para saber que nossa situação é desesperadora. Será muito difícil atingir a civilização com os poucos e cansados animais que restaram. Sem um guia, temo que acabamos nos desviando de nossa rota. Talvez tenhamos entrado no território dos Puytevah e precisaremos negociar com eles. 

A tempestade já recomeçou... não sei se o que ouço é o vento ou aquele maldito uivo. Os dois parecem a mesma coisa, cada vez mais alto.

Deus tenha piedade.

A equipe ainda em Manitoba, em uma estação da Polícia montada, se prepara para a viagem

NOTA FINAL

O diário da expedição foi encontrado em 1947 por prospectores, que acharam o caderno nas mãos do cadáver congelado do Professor William Leydell Sandhurst.

O corpo apresentava extensivos ferimentos condizentes com um forte impacto causado por uma queda de altura considerável. De fato, ele foi identificado apenas após a realização de exames que confirmaram se tratar do Professor Sandhurst. A grande dúvida quanto a identificação residia no fato de que o cadáver foi encontrado nos arredores do vilarejo de Kirkland, cerca de 1200 quilômetros de distância da última posição assinalada pelo professor em seu diário. Não se sabe como o cadáver teria chegado a essa localização tão afastada.

O paradeiro do Tenente Joseph Benson da Real Polícia Montada do Canadá e dos demais membros permanece desconhecido.

Contudo, o estojo da máquina fotográfica Weiss que pertencia a Dieter Kunrad e que ficou em poder do Tenente foi achado após uma busca nos arredores. Por milagre a câmera em seu interior ainda estava intacta e foi possível revelar o filme. As fotografias que ilustram essa narrativa foram obtidas nessa câmera.

A imagem mais notável é justamente a última, que supostamente foi tirada pelo Tenente Benson segundo a derradeira anotação do diário. A fotografia está reproduzida abaixo e há mais de 60 anos divide opiniões no que diz respeito ao que ela mostra.      

A fotografia final da expedição.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Itaqua - The Wind Walker, God of Winter and the Arctic Wastes


The cold has always been considered a scourge of humanity.

It is associated with hunger, disease, and death. From the beginning of time, the human race is subject to the weather and its oscillations caused countless misfortunes for the men. Whether in the form of harvests and plantations being devastated, in the hunger that follows these tragedies and obviously in their icy touch. The cold has been a cruel companion in our long walk.

In the universe of the Mythos, there is a deity that gathers in its figure all the elements of the primordial cold and the most severe winter. In ancient times, he was the incarnation of the winter itself, descending relentlessly, mowing everything in Its path. This perverse entity inhabits the dark skies, traveling through the firmament in the icy winds, causing blizzards and frosts. Venerated and feared in the northern latitudes of the planet he claimed as his home, this Great Old One is intimately associated with temperature and climate.

He is called Itaqua, the Wind Walker, the Storm Eater, the Lord of the Blizzard, the White Silence and Walker in the Wastes... there are many names for this powerful and especially cruel entity. Certainly, the fact that countless peoples and civilizations associate the fury of nature with supernatural forces, contributed to Itaqua becoming the embodiment of most of the tempestuous Gods of the distant past. Scholars of the Mythos drew parallels between Itaqua and various entities, such as the Aztec god Quetzalcoatl, Thor, the Norse God of Thunder and Enlil, a Sumerian / Babylonian deity responsible for storms. In the northern hemisphere of the planet, the real nature of Itaqua is better understood by cultists who worship him with awe and submission.


Itaqua is considered one of the most important entities in the Pantheon of Inuit gods, known by Eskimo peoples as Sila. With that name, He was revered by native tribes scattered across reaches of the Arctic desert, from Siberia to Greenland. The cult of Sila also had enclaves of cultists inhabiting the most inhospitable territories of the extreme north of Canada and Alaska where His influence was unquestionable. Cultists try to placate his fury with bloody offerings and rituals. Sacrifices were offered at certain dates, with the chosen victims being tied up in stakes and abandoned on plains and deserted lands where the God materialize, accompanied by an immense storm. With these offers, the cultists believed that Sila / Itaqua would be satisfied and convinced to not send his punishment. Sometimes he was satisfied with the sacrifices, but sometimes, in anger, he bury entire villages under the snow, making them disappear forever.


Not by chance, Itaqua was always much more feared than adored, and his cults almost completely disappeared in the early nineteenth century. However, bastions still resisted in certain isolated parts of the far north in little town as Stillwater in the Territory of Manitoba, Canada or Cold Harbor, Alaska. His followers do not build temples, preferring to conduct their rites on the open plains. Worship brought few benefits to those involved since the God rarely offer artifacts or share spells, and when he did so, it was only to strengthen a priest who could control the rest of a community. In any case, Itaqua never cared for the well-being of his cultists and not rarely did exterminate them after some unrestrained fury.

As other Great Old Ones, Itaqua had his freedom restricted by cosmic principles that compel him to manifest only for short periods of time and in predetermined areas. The oral traditions shared by Siberian shamans and Sorcerers of the Cree tribesmen of the Great Lakes claim that Itaqua is not native to our planet and comes from a world, dimension or reality called Borea, a dark land with vast plains of black ice, constantly whipped by storms and furious gales. He have been drawn to Earth for unknown reasons countless millennia ago, settling into the North Pole, which became his Domain and Hunting Area.


When the stars reached their fateful alignment, Itaqua found himself trapped by these powerful cosmic chains, unable to break the prison built to capture the Great Old Ones. Like his brethren, he was prevented from manifesting freely beyond certain geographical limits. In the case of Itaqua he can not leave the area between the North of Manitoba and the North Pole, although in certain favorable circumstances and dates, he is able to manifest temporarily in other parts of the globe. Since cults devoted to him have flourished in regions of Mexico, Japan, and Persia, it is presumed that he has the tolerance to travel to milder climes, albeit in rare instances. In order to move from one place to another, Itaqua draws on colossal storms and other climatic phenomena of substantial intensity that seem to carry Him across the planet. It is possible that He also uses portals and other magical methods, even if its cultists adopt the notion that the God simply flies through the Winds. His moniker "Wind Walker" comes from this characteristic in particular, since the traditions affirm that "he is able to walk in the wind, as men walk on the land."

Little is known about the origin and history of Itaqua. Even by the standards of the obscure entities that form the Mythos, knowledge about Him is minimal. This is probably due to the fact that most of His cultists come from cultures and peoples who do not have written records. Much of the information about the God has remained confined within small isolated communities, orally transmitted. Thus, very little has been learned about him. What is known has been extracted by anthropologists and explorers who have had contact with inhabitants of these remote regions who have told legends about their gods. And even these stories certainly contain dubious information whose truthfulness can not be corroborated in whole or even in part.

Not by accident, Itaqua is one of the most mysterious Old Ones, an enigma obscured by a dense fog of rumors and whispers.


It is assumed that Itaqua is responsible for countless disappearances in the icy kingdon that makes His domains. In most cases, the god's victims simply disappear amidst a particularly violent storm. Nothing of their whereabouts is heard for days, months, years or sometimes forever. Eventually, some of these people are found buried in the snow or trapped in ice, with signs of falling from a great height. It is disconcerting that some of these victims bring with them strange objects that seem to belong to other civilizations separated by long distances. Some victims are still found alive, babbling about a colossal creature flying in the clouds. Not infrequently these victims are found miles from the point where they supposedly to have disappeared, without being possible to determine how they came about in such disparate places.

It is rare, but some can survive this traumatic experience. Among the Inuit people, those who "Wandered in the Wind" are regarded as individuals touched by the God. They experience maddening visions and prophecies to the end of their lives. They are still avoided by tribes and live as hermits. It is said that those who endured the proximity of Itaqua develop a supernatural ability to withstand extreme cold temperatures without the slightest discomfort. In the Siberian taiga, there are rumors about shamans who share this fate and are regarded as insane prophets.


Another curious legend about Itaqua concerns the Wendigo, a well-known myth, spread among the Native American peoples of the north. The myth originally refers to men who turn into wild beasts of grotesque appearance after consuming human flesh. The Wendigo are monsters feared by the Inuit tribes, ferocious creatures who live alone and who give up reason to become terrible predators.

The Wendigo are supposed to be a servant race created by the power of Itaqua. Transformation affects people who are chosen by the God and live in His company as prisoners. How he chose a person to become Wendigo is unknown. What is known is that transformation involves a series of stages in which the victim's body is slowly perverted in a form more or less similar to Itaqua itself, albeit smaller and less powerful. In the final stage, the victim completely loses consciousness, becoming savage. However, they remain entirely subject to the will of the God.

There is rumors that some remote places in Canada or Alaska, are still inhabited by Wendigo servants of Itaqua. As such, they serve His master and perform any tasks without question. It is possible that these beings are the basis for various legends about anthropoid creatures such as the sasquatch, yeti and the big foot. Those in warmer lands who are supposed to be safe, away from Itaqua grasp, may be visited by these servants of the Wind Walker. Arctic boundaries do not apply to the Wendigo, who can be sent anywhere in the world to extract vengeance on behalf of their master.

Unlike most of the Mythos horrors, Itaqua is clearly a humanoid entity. In a simplistic comparison, some might try to describe His general appearance as simiesque, but a second observation removes the notion that He bears similarity to any terrestrial life form. For all intents and purposes, Itaqua is totally alien in appearance.

His form is described as that of a polyphemic giant, more than 30 meters high, thin and emaciated. Many describe him as a colossus of pale, almost cadaverous appearance, with very long limbs ending in hands and feet endowed with claws. His face is a disfigured scowl, lean and angular, with a powerful jaw and a lip-less mouth. His white, pointed teeth protrude outwardly, like knifes. From its throat emerge misty puffs of ice crystals. The hairs on the top of his head are long and fall over his broad shoulders like a chalk white cascade. The eyes have a pale bluish coloration, strangely blurred and without iris. When furious, those wild eyes turn a reddish hue. It is supposed, that he has a acute scent, being able to perceive His prey at considerable distances. Itaqua is described as terrible predator, dedicated to the pleasure of the hunt. Strictly carnivorous, its voracity is well known.

The giant is covered with a rough coat of grayish-white or beige-gray color. This hair that grows in battens seems to offer a natural protection, accumulating in greater quantity in the neck, chest, back and genitals. Underneath this coat, his skin is pale and rigid, lining a solid musculature with tissues that resemble tendons. It is not easy to hurt that sturdy skin that has the texture of hard leather. Normal weapons find extremely difficult to pass through hair, skin and muscle. Firearm are generally diverted, except for projectiles with high penetration power, which can deflect this natural armor, without, however, producing great damage. A shotgun shot is more likely to merely irritate Itaqua.

    
Itaqua's body is supported by two legs, assuming a completely erect posture. It moves with long strides that cover an arch of at least 15 meters in each step. Its feet are palmed, endowed with six fingers, with a thick and rough soles that assures him adherence in the snow or ice. For some, the God does not really touch the ground, yet this notion seems to be false, since he often leaves his trail in the snow. His stride is powerful and the creature does not seem to care about whatever is in its path. Despite its colossal size, Itaqua can float in the air, covering hundreds of meters. The Entity is also capable of flying as long as there is a storm or blizzard in the vicinity. To take flight, Itaqua simply floats in the direction of the storm and lets Himself be engulfed by the clouds. He is able to move quickly this way, making miles in a few seconds.

A freezing aura seems to emanate from his body and individuals who got close enough to the God have described a freezing sensation that leads to hypothermia. In fact, all who have been close enough, and have survived the experience, claim that the cold emanating from God is almost unbearable. Loss of fingers, whole limbs and mucous membranes are a sad trophy carried by these survivors. Some believe that around Itaqua there is a kind of icy fog that seems to accompany Him. In general, the God chooses to manifest physically only when there is a strong storm or blizzard, and is rarely encountered under a clean sky.

Of all the horrendous characteristics of Itaqua, one deserves to be highlighted. This is described by many who crossed His path and became some kind of trademark. Itaqua produce a terrible noise, which, in the absence of a better interpretation, sounds like a howl. The Hunter Howl, as he is known among his cultists, seems to have a poignant effect on those who hear it for the first time. The howl is described as a snarling growl, but it can not be compared to any sound produced by animals of nature. This exasperating sound seems to affect its victims with a primal fear so monumental that many simply lose their reason. Faint, hysteria, and uncontrollable panic are frequent reactions. There are cases of individuals who never recover from the experience; they end up being consumed by an overwhelming sense of despair and desolation that invariably leads them to physical and mental ruin.  Those who go crazy, commit suicide or just start walking north to surrender themselves to the God.

Itaqua knows no mercy, offers no consolation, and is cruel in her disinterest for all that is around her. A true force of nature, he does not care about the fragile beings that are crushed beneath his feet.

In many ways, Itaqua is like the winter itself: Relentless and terrible.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Itaqua - O Mito do Andarilho do Vento, Deus do Inverno e do Norte gelado


O frio sempre foi considerado um flagelo da humanidade.

Ele está associado a fome, a doença e a morte. Desde o início dos tempos, a raça humana está sujeita ao clima e suas oscilações, elas causaram incontáveis infortúnios para os homens. Seja na forma de colheitas e plantações sendo devastadas, na fome que se segue a essas tragédias e obviamente no seu toque gélido. O frio tem sido um companheiro cruel em nossa longa caminhada.

No universo dos Mythos Ancestrais, existe uma divindade que reúne em sua figura todos os elementos do frio primordial e do mais severo dos invernos. Para muitos povos da antiguidade ele era a encarnação do próprio inverno que desce implacável ceifando tudo em seu caminho. Essa entidade perversa habita as nuvens plúmbicas, viajando através do firmamento nos ventos gélidos, causando nevascas e geadas ao seu bel prazer. Venerado e temido nas latitudes setentrionais do planeta que ele reivindicou como seu lar, esse Grande Antigo está intimamente associado a temperatura e clima.

Ele é chamado de Itaqua, o Andarilho do Vento, o Devorador da Tempestade, o Senhor da Nevasca, o Silêncio Branco e Caminhante do Firmamento... são muitos os nomes dessa entidade poderosa e especialmente cruel. Com certeza, o fato de incontáveis povos e civilizações associarem a fúria da natureza a forças sobrenaturais contribuiu para que Itaqua se convertesse na personificação da maioria dos Deuses tempestuosos do passado remoto. Estudiosos dos Mythos traçaram paralelo entre Itaqua e diversas entidades, como o deus asteca Quetzalcoatl, Thor, o Deus nórdico do Trovão e Enlil, deidade suméria/ babilônica responsável pelas tempestades. No hemisfério norte do planeta, a real natureza de Itaqua é melhor compreendida pelos cultistas que o adoram com fascínio e submissão.


Itaqua é considerado uma das entidades mais importantes no Panteão de deuses Inuit, sendo conhecido pelos povos esquimós como Sila. Com esse nome, ele foi reverenciado por tribos nativas distribuídas pelos confins do deserto Ártico, da Sibéria à Groenlândia. O culto de Sila, contava também com enclaves de cultistas habitando os territórios mais inóspitos do extremo Norte do Canadá e do Alasca onde sua influência era inquestionável. Os cultistas se contentavam em tentar aplacar a sua fúria com oferendas e rituais sangrentos. Sacrifícios eram oferecidos em determinadas datas, com as vítimas escolhidas sendo amarradas em estacas e abandonadas em planícies e descampados onde o Deus se materializava acompanhado por uma imensa tempestade. Com essas ofertas, os cultistas acreditavam que Sila/Itaqua ficaria satisfeito e não enviaria sua punição. Por vezes, ele se contentava com o sacrifício, mas em outras, sua cólera se refletia em tempestades avassaladoras que soterravam vilarejos inteiros sob a neve, fazendo-os desaparecer para sempre. 

Não por acaso, Itaqua sempre foi muito mais temido do que adorado e seus cultos quase que desapareceram por completo no início do século XIX. Contudo, bastiões ainda resistiram em certas partes isoladas do extremo norte como a cidade de Stillwater, no Território de Manitoba, Canadá ou Cold Harbor no Alasca. Seus seguidores não constroem templos, preferindo conduzir os seus ritos nas planícies abertas. A adoração trazia poucos benefícios aos envolvidos já que o Deus raramente oferecia artefatos ou compartilhava magias, e quando o fazia era apenas para fortalecer uma elite sacerdotal, capaz de controlar o restante de uma comunidade. De qualquer maneira, Itaqua jamais se importou com o bem estar de seus cultistas e não raramente os exterminava após algum acesso incontido de fúria.

Como ocorre com os Grandes Antigos, Itaqua teve sua liberdade restringida por princípios cósmicos que o compelem a se manifestar apenas por curtos períodos de tempo e em áreas pré-determinadas. As tradições orais, compartilhadas por xamãs siberianos e Feiticeiros das tribos Cree, habitantes dos Grandes Lagos, afirmam que Itaqua não é nativo de nosso planeta e que vem de um mundo, dimensão ou realidade chamada Borea, uma terra escura, com vastas planícies de gelo negro, constantemente fustigada por tempestades e vendavais. Ele teria sido atraído para a Terra por razões desconhecidas incontáveis milênios atrás, estabelecendo-se no Polo Norte, que se tornou o seu Domínio ou Área de Caça.

Quando a conjunção de estrelas atingiu seu alinhamento fatídico, Itaqua se viu preso por essas poderosas correntes cósmicas, incapaz de romper a prisão constituída para capturar os Grandes Antigos. Assim como seus irmãos, ele se viu impedido de manifestar-se livremente além de determinados limites geográficos. No caso de Itaqua ele não pode deixar a porção entre o Norte de Manitoba e o Polo Norte, embora em certas circunstâncias e datas favoráveis, ele consiga se manifestar temporariamente em outros pontos do globo. Uma vez que cultos devotados a ele floresceram em regiões do México, Japão e Pérsia, é de se supor que ele tenha tolerância para viajar até climas mais amenos, ainda que em raras instâncias. Para se deslocar de um lugar para o outro, Itaqua se vale de colossais tempestades e outros fenômenos climáticos de intensidade substancial que parecem carregá-lo de um extremo a outro do planeta. É possível que ele utilize também portais e outros métodos mágicos, ainda que seus cultistas adotem a noção de que o Deus simplesmente voa através dos Ventos. Seu apelido "Andarilho do Vento" advém dessa característica em especial, já que as tradições afirmam que "ele é capaz de andar no vento, assim como os homens andam na terra firme".

Pouco se sabe a respeito da origem e história de Itaqua. Até para os padrões das obscuras entidades que integram os Mythos, o conhecimento sobre ele é ínfimo. Isso se deve provavelmente ao fato de que a maioria de seus cultistas provém de culturas e povos que não possuem registros escritos. Grande parte das informações a respeito do Deus se manteve confinada no seio de pequenas comunidades isoladas, transmitidos oralmente. Dessa forma, muito pouco foi apurado a respeito dele. O que se sabe foi extraído por antropólogos e exploradores que tiveram contato com habitantes dessas regiões afastadas que relataram lendas sobre seus deuses. E mesmo estas histórias, certamente contém informações dúbias cuja veracidade não é possível corroborar no todo, ou mesmo, em parte.

Não por acaso, Itaqua é um dos mais misteriosos Grandes Antigos, um enigma obscurecido por um denso nevoeiro de rumores e sussurros.


Supõe-se que Itaqua seja o responsável por incontáveis desaparecimentos ocorridos nos confins gélidos que integram os seus domínios. Na maioria dos casos, as vítimas do deus simplesmente desaparecem em meio a uma tempestade especialmente violenta. Nada de seu paradeiro é ouvido, por meses, anos ou às vezes para sempre. Eventualmente, algumas destas pessoas são encontradas enterradas na neve ou presas em gelo, com sinais de terem sofrido queda de uma altura considerável. É desconcertante que algumas dessas vítimas tragam consigo estranhos adereços e objetos que parecem pertencer a outras civilizações separadas por longas distâncias. Algumas vítimas ainda são encontradas vivas, balbuciando sandices a respeito de uma criatura colossal voando nas nuvens. Não raramente estas vítimas são achadas há quilômetros do ponto de onde supostamente desapareceram, sem que seja possível determinar como surgiram em localidades tão díspares.

É raro, mas alguns podem sobreviver a essa experiência traumática. Entre os povos Inuit, aqueles que "Viajaram no Vento" são considerados como indivíduos tocados pelo Deus. Elas experimentam visões e profecias enlouquecedoras até o fim de suas vidas. Tendem ainda a ser evitadas pelas tribos e passam a viver como eremitas. É dito que aqueles que suportaram a proximidade de Itaqua, desenvolvem ainda uma capacidade sobrenatural de resistir a temperaturas gélidas sem o menor desconforto. Nos confins da taiga siberiana, há rumores sobre xamãs que partilham desse destino e são considerados como sábios insanos.

Outra lenda curiosa a respeito de Itaqua diz respeito ao Wendigo, um conhecido mito, difundido entre os povos nativo-americanos do norte. O mito originalmente se refere a homens que se transformam em bestas selvagens de aparência grotesca após consumir carne humana. Os Wendigo são monstros temidos pelas tribos Inuit, criaturas ferozes que vivem sozinhas e que abandonam a razão para se tornar terríveis predadores.

Supõe-se que os Wendigo sejam uma raça serviçal criada pelo poder de Itaqua. A transformação afeta pessoas que são escolhidas pelo Deus, passando a viver em sua companhia como prisioneiros ou ainda aqueles que se alimentam de carne oferecida por ele. O critério que o leva a escolher uma pessoa para se transformar em Wendigo é desconhecido. O que se sabe é que a transformação envolve uma série de etapas em que o corpo da vítima é lentamente pervertido em uma forma mais ou menos parecida com o próprio Itaqua, ainda que menor e menos poderosa. No estágio final, a vítima perde inteiramente sua consciência, regredindo a selvageria. Ela, no entanto, permanece inteiramente sujeita à vontade do Deus. 

Há rumores de que nos confins do Canadá ou nos recônditos do Alasca ainda existem lugares habitados por Wendigo servis à Itaqua. Como tal, elas acatam suas ordens e realizam quaisquer tarefas transmitidas sem questionamentos. É possível que estes seres sejam a base para várias lendas a respeito de monstros antropoides encontrados em latitudes inferiores, como o sasquatch, o yeti e o pé grande. Aqueles em terras mais quentes e que supõem estar seguros, longe de Itaqua, podem receber a visita desses servos do Andarilho do Vento. Os limites árticos não se aplicam aos Wendigo, que podem ser enviados a qualquer lugar do mundo para extrair a vingança em nome de seu mestre.

Diferente da maior parte dos horrores do Mythos, Itaqua é uma entidade claramente humanoide. Em uma comparação simplória, seria possível tentar descrever seu aspecto geral como simiesco, contudo, uma observação mais atenta afasta a noção de que o Deus guarde similaridade com qualquer forma de vida terrestre. Para todos os efeitos, Itaqua é totalmente alienígena, bem como sua aparência.

Sua forma é descrita como a de um gigante polifêmico, com mais de 30 metros de altura e um corpo delgado a ponto de ser emaciado. Muitos o descrevem como um colosso de aparência pálida, quase cadavérico, com membros muito longos terminando em mãos e pés dotados de dedos por sua vez encerrando em garras recurvas. Sua face é uma carranca desfigurada, magra e angular, onde desponta uma mandíbula poderosa que dá forma a uma boca em esgar perpétuo, destituída de lábios. Os dentes brancos e pontiagudos se projetam para fora, acavalados uns sobre os outros como pontas de faca. De sua garganta emergem baforadas nebulosas de cristais de gelo. Os cabelos no topo de sua cabeça são compridos e caem por cima dos ombros largos como uma cascata branca como giz. Os olhos possuem uma coloração azulada pálida, estranhamente embaçados e sem iris. Quando furioso, esses olhos selvagens ganham um tom avermelhado. O Deus não parece perceber os arredores, sendo possível dele ser cego, ou ter visão limitada. Supõe-se entretanto, que ele tenha um faro apurado, sendo capaz de perceber presas à distâncias consideráveis. Itaqua é descrito como um predador contumaz, dedicado ao prazer da caçada que o leva a abater suas presas e devora-las por inteiro. Estritamente carnívoro, sua voracidade é bem documentada.      

O gigante é coberto por uma pelagem áspera de coloração branca acinzentada ou bege pardacenta. Esse cabelo que cresce em chumaços parece oferecer uma proteção natural, acumulando-se em maior quantidade no pescoço, peito, costas e genitais. Por baixo da pelagem, sua pele é pálida e rígida, revestindo uma musculatura sólida dotada de tecidos que se assemelham a tendões. Não é fácil romper essa pele resistente que tem a textura de couro batido. Armas humanas convencionais encontram enorme dificuldade em atravessar as barreiras impostas por pelo, pele e músculo. Disparos de armas de fogo geralmente são desviados, exceto por projéteis com grande poder de penetração, que podem varar essas defesas, sem no entanto, produzir grandes danos. O mais provável é que um disparo de espingarda meramente o irrite.

    
O corpo de Itaqua se sustenta em duas pernas, assumindo uma postura totalmente ereta. Ele se move com passadas longas que cobrem um arco de pelo menos 15 metros a cada passo. Seus pés são palmados, dotados de seis dedos, com uma sola grossa e áspera que lhe garante aderência na neve ou gelo. Para alguns, o Deus não toca realmente o solo, contudo essa noção parece ser falsa visto que ele frequentemente deixa rastros sulcados na neve fofa. Suas passadas são poderosas e a criatura não parece se importar com o que quer que esteja em seu caminho. Uma vez traçando uma rota, ela não se desvia dela. Apesar de seu tamanho colossal, Itaqua consegue flutuar no ar, cobrindo centenas de metros entre uma passada e outra. A Entidade também é capaz de voar, desde que haja uma tempestade ou nevasca nos arredores. Para alçar voo, Itaqua simplesmente flutua na direção da tempestade e se deixa engolir pelas nuvens. Ele é capaz de se locomover velozmente dessa maneira, perfazendo o espaço de quilômetros em poucos segundos.

Uma aura congelante parece emanar de seu corpo e indivíduos que chegaram perto o bastante do Deus descreveram uma sensação de congelamento que remete a hipotermia. De fato, todos os que estiveram próximos suficiente, e sobreviveram à experiência, afirmam que o frio emanando do Deus beira o insuportável. A perda de dedos, membros inteiros e mucosas é um triste troféu carregado por estes pobres diabos. Alguns acreditam que ao redor de Itaqua existe uma espécie de névoa gélida que parece acompanhá-lo e que é responsável por esse frio álgido. Em geral, o Deus escolhe se manifestar fisicamente apenas quando existe uma forte tempestade ou nevasca, sendo raro encontrá-lo em um ambiente de céu limpo. 

De todas as horrendas características de Itaqua, uma merece destaque. Trata-se de uma peculiaridade descrita por muitos dos que cruzaram seu caminho e que se converteu em uma espécie de marca registrada. Itaqua é capaz de produzir um ruído próprio, que na falta de uma interpretação melhor, soa como um uivo. O Uivo do Caçador, como ele é conhecido entre seus cultistas, parece causar um efeito pungente naqueles que o escutam pela primeira vez. O Uivo é descrito como um ríspido rosnado, mas ele não pode ser comparado a nenhum som produzido por animais da natureza. Esse som exasperante parece afetar suas vítimas com um temor primal tão monumental que muitos simplesmente perdem a razão após ouvi-lo. Desmaios, histeria e um pânico incontrolável são reações frequentes. Há casos de indivíduos que jamais se recuperam  da experiência; acabam se deixando consumir por um sentimento esmagador de desespero e desolação que invariavelmente os conduz à ruína física e mental. Não são poucos os que terminam por enlouquecer cometendo suicídio ou simplesmente se põem a andar rumo ao norte para se entregar ao Deus.

Itaqua não conhece piedade, não oferece consolo e é cruel em seu desinteresse por tudo que está ao seu redor. Verdadeira força da natureza, ele não se atém a questões menores, como a vida de seres frágeis que são esmagados aos seus pés.

De muitas maneiras, Itaqua é como o próprio inverno.

*        *        *  

Ithaqua (o Andarilho do Vento ou Wendigo) faz parte do Mythos idealizado por H. P. Lovecraft. A criatura e si foi apresentada por August Derleth, no conto curto "Ithaqua", que por sua vez se baseia na história "The Wendigo" por Algernon Blackwood. Mais recentemente Brian Lunley foi responsável por construir o Ciclo de Itaqua e criar uma mitologia própria para a entidade. Esse artigo se baseia nessas contribuições e em noções definidas no RPG Call of Cthulhu.

sexta-feira, 15 de março de 2019

So many faces - Five lesser known Masks of Nyarlathotep


Nyarlathotep.

The Crawling Chaos.

The Messenger of Azathoth.

The Soul and Spirit of the Outer Gods.

The Great Trickster

Nyarlathotep is perhaps one of the most fascinating creations of H.P. Lovecraft's work. Ask the hardcore fans of Cthulhu's Mythos and players of Call of Cthulhu and you'll find that Nyarlathotep is on the list of favorites, perhaps on the top of it. All right, the name of "Cthulhu" is in the RPG´s title and may occupy the highest position in the podium of the great cosmic horrors, but Nyarlathotep is in a noble place.

It is not by chance that some of the most important campaigns involve the evil plans of good old Crawling Chaos. He is so influential in lovecraftian mythology that its manifestations (or avatars) appear in numerous stories. Perhaps this is what makes Nyarlathotep so special: the fact that it has innumerable forms.

Called Masks by fanatic cultists, these multiple faces of Nyarlathotep vary greatly and at times they blend into the folklore of different peoples and places. The avatars of Nyarlathotep, unlike the more conventional horrors of Myths, are almost always close to humanity: tempting, coveting, provoking ... they interact with men, unlike Those great Old Ones or Outer Gods who do not even perceive the presence of humans - treated as mere ants or termites.

But Nyarlathotep does not ... he cares to corrupt, to spread villainy, and to sow chaos wherever he goes. These great cheater is undeniably a humanist.

He was with humanity the moment she arose and will probably be with her the moment she ceases to exist (possibly when He tires of playing with it).

We are accustomed to fearing and respecting some Nyarlathotep avatars that have become extremely popular over the years: The Black Man, The Bloated Woman, The Dweller in Darkness, the God of the Bloody Tongue, The Haunter in the Dark, The Black Pharaoh, The Wailing Writher ... just to name a few which were detailed in the article regarding the five most popular masks of Nyarlathotep.

[Read here about Nyarlathotep's Five Most Terrible Masks.]

In this article, we go the other way and try to relate the five lesser known and more unusual masks of Nyarlathotep.

Without further ado, let's find them:

5 - The Bringer of Plagues



This mask of Nyarlathotep is not exactly unknown, after all, it is quoted directly in one of the most important and influential books of all time. The Bringer of Plagues appears in the Book of Exodus in the Bible. He is a devastating force liberated by the fury of the God of Israel, impinged upon the lands and people of Egypt. It is the very essence of the legendary ten plagues that devastated the once proud Nile Nation.

According to the Old Testament book, the plagues were cast upon Egypt as a way of validating the power of the one true God over the false Gods of Ancient Egypt. And as a way of persuading Pharaoh to free the people of Israel who were kept in slavery. (Remember? "Let my people go"!)

The big question is: if the Bringer of Plagues is actually an avatar of Nyarlathotep, what would have motivated the Crawling Chaos to unleash on Egypt such revenge? Is not Egypt itself the nation most in line with the precepts of Nyarlathotep? For Cthulhu's sake, look at his name ... do you want anything more Egyptian than Ny-Ar-lat-Ho-Tep?

Well, by all accounts, the people of Egypt during the Twelfth Dynasty seemed to annoy old Nyarly. Perhaps he was tired of being associated with Land of the Pharaohs and chose to sweep the nation off the map by subjecting everyone to a real festival of calamities (Calamity Palooza). Who knows, he was trying to sediment the emergence of a new faith that would spread throughout the world and in the following centuries would serve as the backbone of the Western religion. However, it is most likely that Nyarlathotep was bored... and thus, taking the form of a living plague, he started one of the bloodiest chapters of the Bible.

Maybe he is just... #upset.

According to the Cthulhian Encyclopedia, this particular mask does not have a cult in the present day (Fiu!). It is not exactly popular, since it grants no benefit or favor to cultists, in addition to cavalry doses of misery and suffering. It is no wonder that Nyarlathotep does not use it often, for when it does, the milk turns sour... to give you an idea, the last time this thing went free through the land, a whole book was written about, and it is still popular millennia later.

Described as a monumental cloud of locust (one of the most devastating species of insects), the Bringer of Plagues makes his name unappealing. Big enough to swallow a city, the grasshoppers seem endless, they cover the skies and darken the sun itself, turning the day into a noisy night with the clatter of millions of hungry chelicerae and wings. Capable of unparalleled devastation, in the wake of the Plague there is nothing left but deserted fields, torn trees, half-devoured animals, and human bones cleansed of all flesh.

Alternatively, the Bringer of Plagues is able to take on a giant humanoid form by using the mass of millions of gathered locusts. The form resembles a giant marching through the chosen place devastating everything in its path. He speaks with the sound produced by the singing of the locusts and his voice is like thunder roaring in the distance. If the devastation of the locusts is not enough it is supposed that the entity can deflagrate the other biblical plagues, which for the friends who lacked or do not remember Sunday School are the following: water turns to blood, pest of frogs, pest of lice, pest of flies, the death of the flocks, boils, lightning storm, (the already mentioned) locusts, darkness, and the death of the first bornes.

4 - The Green Man



But calm down ... Nyarlathotep is not always in such a bad mood.

Sometimes He can take the form of an entity belonging to the Celtic Folklore, a figure revered by the heathen peoples and which even today inspires some Wiccan girls to whirl around crackling fires.

We're talking, of course about the Green Man. No, this is not an extra of the Lord of the Rings trilogy, or an Enchantment of Dungeons and Dragons. The legend of the Green Man is very old and closely associated with the Celtic peoples, being also common among the Saxon tribes.

The myth of "Jack in the Green" was probably born in the British Isles, being assimilated by several people who came to occupy the place. This was an entity that symbolized the power of nature, the energy of the forest, the healing and renewing capacity of the soil ...

With all these seemingly benign attributes, it is difficult to imagine Nyarlathotep using this avatar. But apparently, this Mask is not especially evil or destructive. To be absolutely honest, Green Man is perhaps the most harmless avatar of Nyarlathotep. He does not seek the annihilation of humanity, his suffering or his agony, everything that, as a rule, awakens his joy. On the contrary, the Green Man is a force invoked in ancient rituals for the purpose of renewing the bonds between man and nature. Yeah, right! He is ecologically correct!

Perhaps this is the great trick of this avatar: to move mankind into a new era of peace and love, and intimate relationship with nature ... to make man abandon the ingenious spark that generates industry, modernity and progress. If this is true, the Green Man has not yet been able to reach his goal and perhaps for this reason, the cult has been forgotten for so long. Rediscovered in the last century by individuals willing to return to pagan precepts, who can say they will not succeed in his endeavor.

The Green Man is described as a huge humanoid creature composed of leaves, vines and plants that give it shape. The creature is only seen in "sacred groves" where it appears in Great Oaks, millennial stones and arches of plants. With their emergence, the devotees sing and dance, trying to please him and thus obtain his favor. If satisfied with the homage, the Green Man offers the renewal of the soil, a good harvest or perhaps a communion with nature. The Green Man can accept sacrifices, but they do not carry the negative charge associated with the word "sacrifice." The "victims" are voluntary and according to the rites, submit themselves in exchange for the well-being of every community. Death is not produced with suffering, but as quickly and less traumatically possible. In ancient times it was an honor to become the Green Man's sacrifice.

It is known that Nyarlathotep in assuming this mask can take other forms, but none of them is especially frightening. Animals made of plants, huge trees with human faces and large fruits with human features are some of the options available.

3 - Many-Legged Goat




Next mask. The goat with many legs!

What a hell, dude ...

When we talk about goats, we generally think of Shub-Niggurath and his children, but it seems that Nyarlathotep was interested in invading the black goat neighborhood.

This obscure entity also has no known cult, although there may have been a cult in its honor at some point in human history. Some scholars try to relate the Goat with Many Legs to the myth of the Golden Sheep, believing there has been some corruption or translation error. But such assumptions can not be examined, unless such documents are found.

While this is not happen, we get the question: what the hell is this avatar? Why does it exist? What does it symbolize?

Obviously pertinent questions, but the answers are not so easy.

The Goat with Many Legs is only known through passages contained in some esoteric books and even so its existence is much contested. One of the sources cites that this being is a rural divinity, which manifests very rarely, being born of a goat that generates a calf with multiplicity of limbs. A text suggests that the animal in question has a bleating that resembles the cry of a child, a young woman or a widow (varying according to the source consulted), able to induce people to suffer hallucinations and to experience apocalyptic visions . Once born in this way, the Goat does not live for long, it ends up dying, but rather utters a long and terrifying bleat that causes outbreaks of paranoia, terror and melancholy. A document in the Dusseldorf Library in Germany mentions a supposed case in the fifteenth century in which the birth of a Goat with Many Legs triggered a madness epidemic in a small village in the Rhine Valley.

Another legend concerning the Goat mentions that such a creature would be born of a woman and would have the features of a goat with a more or less humanoid body, in the mold of the Faun entities of Ancient Greece. This creature would be an avatar of Nyarlathotep, albeit mortal and not specifically evil. The avatar's role in this form would be to accumulate knowledge and share spells and mystical knowledge among those who choose to become their followers. No such incident is known to have been recorded, and for some this version of the legend does not pass a fantasy without any foundation.

But who can say for sure ...

2 - TICK TOC MAN 



This is another bizarre avatar of Nyarlathotep, the extreme opposite of the Green Man.

For many, this manifestation has only begun to appear in the last two centuries. So little is known about Tick Toc Men. It is possible that it is one of the most contemporary masks of Nyarlathotep, arising from the advent of industry, eletrical and mechanical development. Some theorists, however, argue that the Tick Tock Man is much older, being known in fifteenth-century Arabia and seventeenth-century Europe when he appeared before clockmakers who operated by spring devices and intricate gears or steam machinists.

An existing document at the University of Bern in Switzerland alludes to the story of a seventeenth-century watchmaker responsible for building extremely fine mechanical marvels in his workshop. He would have built a human-sized automaton that dazzled everyone who witnessed its operation. Denounced publicly for witchcraft practices, the watchmaker was arrested and the automaton destroyed. Rumors mentioning that the automaton had been seen walking alone have spread through the Swiss cantons. Some supposed that the automaton would have acquired life and conscience so great was its perfection. Others, however, argue that Nyarlathotep would have simply dominated the automaton and transformed it into one of its masks - the obscure Tick Tock Man.

Do not be fooled by the name ... the Tick Tock Man is rather bizarre and dangerous.

To begin with, he is not a living creature, in the literal sense. The Avatar takes the form of an artificial being, composed of springs, pulleys, gears and wiring, transistors and servo motors. Its body is a perfect synthesis of man and machine. Metal rods serve as bones, metal plates are flesh, wires serve as veins and capillaries, while oily fluids are the equivalent of blood. His metallic shell is inhabited by an extremely advanced artificial intelligence. The Tick Tock Man in his first appearances seemed to work only mechanically, but there are indications that more recently he could run on charcoal, steam or more commonly electricity. In some descriptions, the entity may use a molded rubber polymer that mimics human skin, disguising itself in this way to walk among men without drawing so much attention.

The Tick Tock Men, like most forms of Nyarlathotep exist for the sole purpose of spread Chaos and Madness. He usually approaches scientists and gives them, through dreams, the inspiration necessary for building a mechanical body to where he transfers his essence. This form can vary widely according to the time and resources available: a Victorian scientist can invent a steam-powered automaton, while an engineer in present day Tokyo can build an extremely advanced robot. Once you take that form, Tick Tock Man gives your "creator" ideas and helps in performing complex calculations that eventually lead to remarkable logic jumps.

One of his primary goals is to provide scientists with plans of devastating weapons and other dangerous technologies. It is believed to have been a manifestation of the Tick Tock Men who provided the inspiration for the creation of weapons throughout the ages, from siege weapons to crossbows, through fighters jet to the intercontinental balistic missile. Mythos theorists wonder what the next technological innovation sponsored by this Nyarlathotep avatar will be. Some bet on the creation of intelligent machines that will eventually overcome the human race itself.

1 - Kruschtya Equation




And we got to the top of Nyarlathotep's list of really weird avatars.

Nor did I have to go far to choose the most strange and unusual Mask used by the Crawling Chaos. No one takes the post of the Kruschtya Equation.

The Equation is not only a complex quantum mathematical theorem that when solved serves to invoke Nyarlathotep. He is much more than that. The equation itself is an avatar of Nyarlathotep. The incredibly sophisticated theorem is far beyond the comprehension of most mortal minds even though it is known by alien races like Sham, Mi-Go, and Yithians. Even those gifted with extreme genius and mathematical brilliance take days or even decades of hard work to decipher the formulas and come to a conclusion. Those who immerse themselves in this complex task often end up acquiring a compulsive obession and are consumed by their own work, gradually losing their reason. Brilliant mathematicians allowed themselves to be contaminated by the Kruschtya Equation and they went completely mad in their attempts to find a solution.

Known only by a few small closed circles, the Equation is a kind of urban legend, discussed by academics and students of pure mathematics in pursuit of a monumental challenge. In the 1960s, the Moscow Academy of Mathematics had a team specialized in trying to unravel the mysteries of the Kruschtya Equation. There are rumors that Dmitri Russalkin, a brilliant Soviet mathematician, has managed to reach the end of the Equation. However, it is not known for sure since Russalkin disappeared after the Academy was destroyed in a bizarre earthquake that strangely affected only the foundations of that building. At the height of the Cold War, American spies seized a microfilm containing part of the solution to the Equation, supposedly the result of the work of a Hungarian scientist at the service of the Nazis in World War II. A group of mathematicians was assembled for the task of unraveling the equation, but the results were not as expected. Three scientists disappeared from the complex, located in Los Alamos, and the research records were destroyed.

People who get involved with the Kruschtya Equation end up attracting the attention of Nyarlathotep, something never pleasant. The Crawling Chaos fills the minds of researchers with bizarre notions and alien knowledge that do not belong to it. The individual begins to speak in strange and unknown languages, has strange inspirations and mentions events or events that have not happened (or are yet to happen). His language becomes less and less coherent as the brain processes information faster and faster. The individual can not stop working, his mind turns entirely into a data processer, while his body slowly deteriorates through lack of rest, exercise and even nutrients.


Finally, the Kruschtya Equation charges the high price for its resolution. The instant the solution is contemplated, the researcher's mind becomes one with Nyarlathotep and he comes to understand the deeper secrets of the Universe. Size accumulation of information is devastating and the individual eventually becomes, himself, an avatar of Crawling Chaos.

Little can be done to save someone who deciphers the Kruschtya Equation. Such individuals remain alive, but their mind is lost, coopted by an absolute knowledge of cosmic secrets, something that no human being is able to absorb and at the same time preserve sanity. Someone with such knowledge becomes a potential danger because their revelations are devastating. Killing the individual frees Nyarlathotep who sets off dramatically, taking on some monstrous form in the process. There is no known way of erasing this knowledge or restoring the mind of whoever solves the Kruschtya Equation. Tetsuo Susiato, a brilliant Japanese mathematician, who according to some was the last researcher to solve Equation (in mid-2005), currently lives in a sanatorium for the mentally ill in Nagoya.

It is rumored that physicist Stephen Hawkins came very close to solving Equation, which triggered his physical condition confused with an unusual case of Amyotrophic Lateral Sclerosis (ALS). Hawkins is believed to be involved in a program that seeks to compartmentalize the study of Equation in order not to destroy the researchers' minds in the process. By the program, each group studies only a part of the theorem. So far, the program has been unsuccessful, but work has been going on since the mid-1980s.

Well, that's it...

Five Masks that make us think about the nature of Nyarlathotep.