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quinta-feira, 31 de maio de 2018

O Porão Sobrenatural do Ditador - Magia Negra nos Bastidores do Poder


Não é segredo que o mundo dos ditadores e mesmo de alguns lideres muito populares tem por hábito expressar um comportamento no mínimo excêntrico. Com o poder absoluto, alguns se rendem a um lado obscuro, saciando hábitos, passatempos e buscas que não eram possíveis antes. Talvez não seja algo novo, entretanto, um ditador levou a coisa para um patamar mais alto, invadindo o reino do estranho e do bizarro. Estamos falando do antigo líder da República do Panamá, Manuel Antonio Noriega. Entre seus hobbies estava subjugar pessoas, e de acordo com algumas fontes, ele se valia de métodos pouco usuais para isso, como a boa e velha Magia Negra.  

Mas vamos começar do início para entender a história. 

Noriega governou o Panamá entre 1983 e 1989 e era o líder de fato do país, um militar e político que aproveitou o vácuo de poder deixado pela morte de Omar Torrijo, que, por sua vez, também havia tomado as rédeas do poder em um golpe em 1968. Noriega tinha laços de amizade com os Estados Unidos muito antes disso. Fontes afirmam que ele era informante e agente infiltrado respondendo à CIA desde 1967. Nas Forças Armadas, Noriega auxiliava os EUA a suprir governos da América Latina com armamento e munições para enfrentar rebeldes e movimentos revolucionários. Embora Noriega tenha conseguido acumular uma enorme fortuna contrabandeando armas para traficantes internacionais de drogas, ele era tolerado pelo governo americano pois ironicamente era considerado uma ferramenta útil no próprio combate às drogas. Noriega lucrava ao receber dinheiro dos EUA e dos Cartéis, restringindo carregamentos para a América e enviando em segurança as cargas apreendidas para outros lugares. A essa altura, Noriega era considerado um mal necessário, e um aliado vital para o governo americano.


Após subir ao poder em meados dos anos 1980, o Panamá se converteu em uma brutal Ditadura Militar, com censura da imprensa, abuso dos direitos humanos, perseguição política a oponentes e expansão militar. A medida que a fome de poder de Noriega foi aumentando, os americanos sentiram que estavam perdendo o controle sobre seu aliado que agora flertava com nações como Cuba, Nicaragua e Líbia. Em 1986 a relação de Noriega e o governo americano se deteriorou por completo e ele recebeu ordens de deixar a presidência e convocar eleições. Os EUA temiam que Noriega pudesse decidir de maneira imprevisível a respeito do futuro do Canal do Panamá que tinha enorme importância para o comércio na região. Os americanos denunciaram a ligação de Noriega com o tráfico internacional, mas o plano não funcionou.   

A situação se agravou e os EUA começaram a planejar uma invasão do Panamá caso julgassem necessário. Noriega conseguiu frustrar um golpe de estado e derrotou um candidato de oposição apoiado pelos EUA em uma eleição. Após a morte de um oficial americano, causada por soldados panamenhos, os EUA iniciaram uma invasão ao Panamá, capturaram e extraditaram o ex-presidente para Miami a fim de que respondesse pelos seus crimes.

Embora não houvesse dúvidas de que Noriega fosse um ditador cruel, um dos mais conhecidos tiranos de sua época, as pessoas não sabiam a extensão de seus devaneios bizarros. Durante a operação de Invasão do Panamá, Noriega passou vários dias em fuga, escondendo-se em mansões e propriedades oficiais. Isso permitiu que as forças americanas, em perseguição, encontrassem residências oficiais repletas de coisas muito estranhas.     


De acordo com o Agente Especial James R. Dibble, um especialista em cultos e feitiçaria ritual que trabalhava na  Divisão de Investigação Criminal do Exército na época, no próprio Palácio Oficial do Governo em meio a mobília, garrafas de champagne e artigos luxuosos haviam diversos objetos que indicavam estar o ditador envolvido profundamente com o que costumava se identificar como "Magia Negra" e "Feitiçaria Ritualística". Entre os itens encontrados e que chamaram a atenção encontravam-se todo tipo de parafernália de ocultismo, amuletos, muitos crânios humanos, símbolos de proteção, estatuetas bizarras, potes contendo ingredientes para magia, carcaças de animais recentemente abatidos, máscaras animísticas, frascos com sangue fresco e outras ferramentas usadas em celebrações de Vodu.

Os objetos foram levados até um sacerdote de Santeria e um de Candomblé, crenças comuns no Panamá que afirmaram serem aqueles objetos voltados para aspectos mais sinistros das religiões, algo identificado como brujeria ou, segundo os especialistas, Palo Mayombe, uma vertente que se vale de sacrifícios de sangue para conquistar o favor de entidades malévolas.

Aparentemente, haviam evidências concretas de que esses rituais de magia negra eram direcionados contra várias pessoas no Panamá como o novo presidente Guilhermo Erdara e alguns outros políticos influentes. Os rituais também se voltavam para Ronald Reagan, George Bush e o congresso dos EUA. Várias fotos desses indivíduos haviam sido rabiscadas, cercadas com símbolos de feitiçaria, banhados com sangue ou atravessados com pregos e espinhos em um esforço para profaná-los. No porão da casa, os investigadores encontraram uma grande pedra negra coberta de símbolos mágicos e guarnecida de correntes fixadas nas extremidades. Haviam restos de sangue na superfície da rocha como se ela tivesse sido utilizada como uma espécie de altar diabólico. 

Os nomes de uma dúzia de indivíduos estavam escritos com sangue em um curioso pergaminho. Este havia sido enrolado em um canudo e colocado em um garrafão onde foram então misturados vários ingredientes, tais como as entranhas de um bode, espinhos, ferrões de vespas, pele de serpente e caldas de escorpião. O objetivo desse trabalho era direcionar energias mortais contra os nomes ali escritos e fazer com que uma maldição recaísse sobre os indivíduos listados.  Mais assustador é que pela caligrafia, o pergaminho teria sido escrito pela próprio Noriega. Especialistas em Palo Mayombe dizem que apenas iniciados podem escrever esse tipo de maldição, o que comprovaria  envolvimento de Noriega com as crenças.


Em outra casa, um retrato de George Bush, então presidente norte-americano, havia sido coberto com uma camada de cera vermelha. Várias velas negras estavam acesas aos pés da foto ao lado de três cálices de cristal contendo sangue. Perto desta foi encontrado um conjunto de sete velas grandes com os nomes de políticos, congressistas e senadores norte-americanos gravados na cera. No interior de cada vela haviam restos de falanges humanas, cabelo e unhas, além de pregos (supostamente retirados de caixões). Numa geladeira foi encontrada algo ainda mais sinistro, uma bandeja contendo um grande sapo boi cuja boca havia sido costurada com linha feita de cabelo humano. O animal tinha sido morto com várias agulhas e no interior de sua boca lacrada estava o nome de Seymour Hersh, repórter do New York Times que havia divulgado a ligação de Noriega com os Cartéis de Drogas.

De acordo com Davis, um livro de magia negra contendo anotações do próprio punho do ditador estava guardado no cofre da Mansão de Noriega. No mesmo aposento que servia de quarto, as paredes receberam símbolos ligados a magia tântrica com o intuito de aumentar sua potência sexual. 

Empregados do Palácio Presidencial disseram que duas vezes por mês recebiam ordens de fechar todas as portas e janelas e não sair de seus aposentos sob pena de prisão. Nessas noites o Presidente recebia vários convidados, entre os quais vários membros importantes de seu gabinete e conhecidos feiticeiros de Palo Mayombe. Juntos realizavam rituais e celebrações cujo objetivo era direcionar energias contra oponentes e fortalecer por meios místicos o poder do governo. Há boatos de que os praticantes realizavam sacrifícios de sangue e que as vítimas não eram apenas animais. Nos dias finais do governo Noriega, acredita-se que para fortalecer os rituais, o sangue de mulheres e crianças tenha sido derramado nos altares como forma de garantir sua sobrevivência política.

Ainda segundo os rumores, Noriega estava aprendendo os segredos nefastos da brujeria com um poderoso feiticeiro que prestava a ele consultoria e que tinha poder de decisão oficial. Conselheiros próximos diziam que Noriega consultava esse feiticeiro antes de tomar as suas decisões e que não dava um passo sem a sua aprovação. O nome desse feiticeiro jamais foi revelado, mas acredita-se que ele escapou do Palácio Presidencial pouco antes das tropas americanas chegarem e que deixou para trás várias maldições. 


A descoberta mais bizarra envolvendo objetos ritualísticos foi descrita pelo repórter William Branigin em um artigo publicado em 1989:

"Os indícios de que feitiçaria estava sendo praticada no próprio Palácio Presidencial foi reforçada pela descoberta de um ritual de "magia negra destrutiva". No porão da mansão foi encontrado algo que exalava um fedor ocre envolvido em um pano vermelho. O objeto uma vez aberto revelou se tratar do feto completo de um bezerro ainda coberto de placenta e sangue. Ele havia sido colocado em uma bacia ao lado de milho e ovos apodrecidos. O animal havia sido atravessado por dezenas de grandes pregos. Insetos rastejavam sobre a carcaça apodrecida. Um nome foi escrito em um pedaço de pano e costurado no estômago do animal. A tinta havia escorrido e não era possível ler a quem se dirigia a maldição".    

Não se sabe ao certo de essa orgia de feitiçaria teve algum efeito nos opositores do Ditador, mas é fato que não o livrou da prisão. Noriega foi capturado e recebeu sua punição sendo condenado por uma Corte Internacional a 17 anos de cadeia. A seguir ele enfrentou uma nova acusação dessa vez movida pelo Governo da França por lavagem de dinheiro. Ele foi enviado de volta para o Panamá em 2011 para responder a outros crimes cometidos durante o seu governo. Noriega morreu em 2017, vítima de hemorragia cerebral.

Esse é um caso bastante estranho e que lança uma aura de bizarrice sobre a biografia de um dos mais conhecidos ditadores do final do século XX. Será que o próprio Noriega era um dos realizadores dos rituais de magia negra praticados no Palácio? Que fim teria levado o feiticeiro que ensinava Palo Mayombe? Até que ponto as alegações de que sacrifícios aconteciam podem ser levadas à sério?

É provável que nunca saibamos ao certo tudo o que aconteceu nos anos de ditadura no Panamá, mas é possível especular o teor blasfemo do Porão Sobrenatural de Manuel Noriega. 

sexta-feira, 25 de maio de 2018

MKOFTEN - Ocultismo, Bruxaria e Conspirações nos bastidores do governo


Não resta dúvida de que governos mantém segredos e estabelecem estranhas negociações, pesquisas e experimentos sem que a população sequer imagine. Programas ultra-secretos sempre foram uma fonte inesgotável de histórias de suspense, mistério e conspirações. Uma das mais estranhas histórias diz respeito a um programa de controle mental conduzido pelos Estados Unidos, que segundo alguns invadiu os reinos do sobrenatural e do ocultismo.

Talvez nenhum outro programa militar tenha sido tão comentado e envolvido em teorias conspiratórias quanto o notório Projeto MKUltra. Lançado nos anos 1950 pela Agência de Inteligência Central dos Estados Unidos (mais conhecido como CIA), o projeto era um grande programa visando o desenvolvimento e aplicação de numerosos métodos de controle mental, utilizando para isso meios desumanos, pouco éticos e francamente ilegais. Em certos casos, seres humanos teriam sido usados como cobaias em experimentos de tortura psicológica incluindo privação dos sentidos, abuso verbal e outras formas de crueldade.

O MKUltra focava pesadamente em tentar alterar e manipular os estados mentais e a consciência das pessoas com ajuda de várias substâncias químicas alucinógenas e drogas como barbitúricos, anfetaminas, mescalina, psilocibina, canábis e LSD. Seu propósito era criar uma droga que pudesse controlar a vontade de outras pessoas. Outros objetivos eram desenvolver um soro da verdade à prova de falhas e uma fórmula que acabasse com a disposição e capacidade de raciocínio do alvo. Tais substâncias, acreditavam os pesquisadores por de trás do projeto, seriam importantes em um cenário de guerra total. Acreditando no potencial do projeto, o governo abriu seus cofres para a realização de todo tipo de experimento estranho que visava alterar memória, apagar e construir identidades, realizar hipnose profunda e plantar fobias na mente do inimigo. O MKUltra por algum tempo se tornou um dos principais projetos do governo, consumindo valiosos recursos em experiências que muitas vezes não possuíam qualquer respaldo científico e pareciam, francamente, pura ficção científica.


O programa esteve ativo por mais de duas décadas em total segredo, o que, por si só, era algo complexo. Estima-se que as experiências subordinadas ao MKUltra eram realizadas em mais de 80 instituições diferentes e mantidas em completo sigilo. Universidades, companhias farmacêuticas, hospitais, bases militares, companhias privadas e até prisões, orfanatos e asilos eram alguns dos lugares em que experimentos em potencial aconteciam.

O escopo de todos esses projetos era vasto, mas a CIA era muito boa em esconder as suas atividades e se resguardar de qualquer implicação ética. Para a realização de alguns experimentos ultra secretos, a agência dispensava recursos consideráveis, deslocava efetivo, adquiria equipamento e se valia de todos os dispositivos legais ao seu alcance. Quando estes faltavam, a CIA utilizava de persuasão, recorria ao patriotismo e se tudo mais falhasse, intimidação. Pessoas que faziam muitas perguntas eram advertidas, afastadas ou então investigadas, acredita-se que alguns tenham até mesmo desaparecido para acobertar os projetos mais secretos.

Apenas em 1975 um Comitê do Congresso teve a oportunidade de examinar alguns dos programas mais sinistros que até então eram mantidos nas sombras. Mesmo assim, documentos e arquivos acabaram sendo previamente destruídos em 1973 pelo então Diretor Executivo da CIA, Richard Helms. O diretor teria ordenado que boa parte dos arquivos tratando da construção de armas bizarras testadas pelas forças armadas, o uso de drogas experimentais empregadas durante as guerras do Vietnã e Coréia e inoculação com vacinas adulteradas na população civil fossem perdidos. Desse modo, o comitê podia apenas imaginar o que foram os Projetos Athena, Califonte e Zero-zero-zero, dos quais restaram apenas os codinomes.

Com os registros destruídos e com informações vitais sendo censuradas, era difícil o comitê compreender a real extensão dos experimentos ligados ao Projeto MKUltra. Podemos, no entanto, afirmar sem sombra de dúvida, que o esquema era gigantesco, incluindo pesquisas em áreas incomuns e absurdamente diversificadas em universidades de ciências comportamentais, indústrias de pólos-químicos, laboratórios hospitalares e outros locais onde operavam sob um véu de segredo. Se um projeto necessitasse de cobaias, por exemplo, agentes infiltrados podiam agir nos bastidores em clínicas veterinárias. Ingredientes e drogas podiam ser contrabandeados de qualquer parte do mundo por agentes infiltrados em órgãos de controle de fronteiras. Se por ventura, um projeto precisasse de cobaias humanas, agentes atuavam em prisões, orfanatos, manicômios e outros locais onde indivíduos de quem ninguém sentiria falta poderiam ser usados. Não havia limites éticos ou morais, os resultados estavam acima de qualquer coisa.


Pesquisadores atualmente acreditam que o MKUltra coordenou simultaneamente um guarda-chuva com mais de 150 projetos simultâneos, todos eles patrocinados pela CIA. Até a metade dos anos 60, boa parte desses projetos contava com recursos financeiros vindo diretamente do governo, entretanto, quando a Guerra do Vietnã começou a drenar muito dinheiro dos cofres, os projetos se viram de um momento para o outro sob risco de serem descontinuados. Para manter seu funcionamento, agentes do MKUltra começaram a operar no mercado do tráfico de drogas e armas, conseguindo recursos necessários para que nenhum projeto fosse abandonado.

Um projeto muito importante era chamado MKSearch. Ele foi inaugurado em 1964 em conjunto com o Corpo Químico do Exército Americano, tendo como o objetivo o desenvolvimento de várias substâncias que poderiam ser usadas para incapacitar inimigos em potencial. O ambicioso projeto tencionava introduzir material biológico, químico ou até mesmo, radioativo secretamente em itens do dia a dia. Contaminar alimentos, como por exemplo derivados do leite e cereais com bactérias, poluir reservatórios de água potável ou ainda introduzir cepas de doenças em animais domésticos.  

Um sub-projeto do MKSearch chamado de MKOften, por vezes referido como MKChikwit, tinha como foco testar diferentes drogas capazes de alterar o comportamento de animais e seres humanos. Um dos cenários envolvia despejar doses de LSD e outros psicotrópicos nas reservas de água de cidades sob o controle de oponentes, instaurando assim caos e sublevação social. Acredita-se que os agentes do MKUltra tenham realizado testes na Prisão Estadual Holmesburg na Filadélfia entre 1967 e 1973. De acordo com informações a central de abastecimento de água nessa instituição criminal teria sido contaminada com o propósito de produzir comportamento violento e irracional nos presos. Doses maciças de LSD teriam sido responsáveis por estados psicóticos que resultaram em violentas revoltas. Supõe-se que o mesmo expediente tenha sido usado em reformatórios para testar o efeito em adolescentes infratores.


Mas haviam outros projetos aos quais o MKOften estava subordinado, alguns ainda mais bizarros e estranhos.

De acordo com algumas fontes, o MKOften foi além da mera pesquisa de controle mental e incapacitação de inimigos, e mergulhou no mundo da magia negra, feitiçaria e ocultismo. A suspeita foi levantada pelo jornalista investigativo britânico Gordon Thomas, que escreveu um livro em 2007 com o título "Secrets and Lies" (Segredos e Mentiras). Thomas se baseou em alegações do Dr. Sidney Gottlieb, ex-chefe da Divisão de Serviços Técnicos da CIA, também conhecido nos bastidores da agência sob o apelido "Dark Sorcerer" (Feiticeiro Negro).

Segundo Thomas, parte do Projeto MKOften se dedicava a estudar uma vasta literatura ocultista que teria sido recolhida de arquivos e bibliotecas pelos nazistas nos anos 1940. Boa parte destes livros foram saqueados pelos alemães no decorrer da Guerra e cobriam tópicos envolvendo o uso de magia e feitiços como ferramenta de guerra. Alguns dos envolvidos no projeto não iam tão longe a ponto de realmente acreditar em magia negra, mas aceitavam que ela poderia oferecer uma maneira de controlar e intimidar as pessoas através das superstições. Usar suposta feitiçaria e apelar a poderes sobrenaturais poderia causar um efeito danoso na moral de pessoas expostas a estes elementos. O autor defendia que missas negras e sacrifícios encenados, bem como o o uso de lendas e criaturas do folclore poderiam ter efeitos devastadores até mesmo sobre militares veteranos. Supostamente, agentes do MKOften teriam usado essa tática no Vietnã, inserindo boatos em áreas dominadas por guerrilheiros e espalhando boatos sobre a presença de alegados monstros e demônios do folclore do sudeste asiático.

Contudo, haviam pessoas ligadas ao MKOften que teriam uma visão mais ortodoxa de seu objeto de pesquisa. Para estes membros "magia negra era uma maneira de controlar, dominar e impor uma forma de poder sobre inimigos"


Para aprender o máximo possível a respeito do tema, agentes do MKOften se encontraram, consultaram, estudaram e empregaram a ajuda de numerosos místicos e ocultistas, incluindo clarividentes, astrólogos, médiuns, psíquicos, praticantes de vodu, bruxos modernos, demonologistas, satanistas e até um monsenhor da Igreja Católica da Arquidiocese de Nova York, especializado em exorcismo. Segundo rumores dentro do próprio MKOften, os agentes dispunham de um aparato considerável de informações a respeito de ocultismo, acesso completo a bibliotecas e trabalhos sobre o tema, bem como liberdade para agir clandestinamente realizando missas negras e rituais conforme a necessidade. Ainda segundo Thomas, membros do MKOften tinham aulas práticas a respeito de ocultismo, sabiam muito sobre as teorias de Crowley e do tarô e alguns ainda eram versados em latim e grego

Membros do programa alegadamente buscavam formas de adaptar rituais mágicos para uso militar. De acordo com Thomas, a CIA chegou a contratar os serviços de três astrólogos, uma leitora de tarô e dois especialistas em quiromancia. Também deu emprego a pelo menos dois especialistas em pêndulos e ao menos um pesquisador de fotografias kirlian. Um feiticeiro vodu que acreditava poder transformar pessoas em zumbis e lançar maldições foi contratado no Haiti e passou a conduzir palestras a respeito dos alegados poderes dos Loas. Uma feiticeira de Houston chamada Sybil Leak foi uma das últimas aquisições. Leak era membro da Igreja de Satã, comandada pelo notório Anton LaVey e acreditava de tempos em tempos incorporar a entidade demoníaca Lilith.

Além de Gordon Thomas, outro jornalista e pesquisador, Alex Constantine, escreveu a respeito dessas buscas arcanas conduzidas pelo programa, afirmando que a CIA demonstrava interesse por cultos e religiões obscuras. Esse interesse se sustentava na tese de que criar seitas dessa natureza em nações inimigas poderia resultar em um elemento caótico no caso de uma revolução. Constantine acreditava que seitas como a Igreja de Set, a Igreja do Juízo Final e os Buscadores poderiam ser exemplo de cultos construídos pela MKOften. Ele também levanta a possibilidade de que o infame Pastor Jim Jones, do Templo do Povo de Jonestown poderia ter aprendido suas técnicas de persuasão e controle com a CIA. Para Constantine, alguns dos métodos empregados por Jim Jones para moldar o comportamento de seus fiéis demonstram que ele empregava técnicas desenvolvidas pelo MKOften.

Constantine diz que a CIA mantinha uma divisão inteira de cientistas sociais que examinava os avanços de seitas e cultos estabelecidos nos anos 1970. Ela teria inclusive patrocinado a criação de seitas semelhantes em países da África e América do Sul, como uma espécie de laboratório de campo. Para Constantine, a explosão de cultos e seitas até o início dos anos 1980 está intimamente ligada aos projetos do MKOften e seu suporte.

Apenas na metade da década de 1980, o suporte do MKOften começou a vacilar e o projeto come;cou a receber menos subsídios. Tanto Gordon, quanto Constantine acreditam entretanto que ele ainda está em operação e que antes da Invasão do Kuwait ele ganhou novo fôlego com agentes sendo treinados e coordenando palestras e aulas sobre misticismo no Oriente Médio. Agentes do MKOften teriam participado de operações em Bagdá, Kandahar e posteriormente no Afeganistão recorrendo a superstições e folclore para atingir rebeldes e insurgentes.


Não é possível saber quanto disso é verdade e o que não passa de mera especulação e boatos disseminados por teóricos da conspiração. 

Sabemos ao certo que os Estados Unidos estiveram envolvidos em uma série de projetos e experimentos questionáveis e que o MKUltra de fato existiu. Entretanto, o tamanho dele e sua profundidade ainda deixa margem para dúvidas e interpretações. O mesmo pode ser dito a respeito do MKOften que é ainda mais misterioso e obscuro. Para alguns ele sequer existiria, não passando de um rumor inventado. Será que a CIA esteve envolvida com o ocultismo e tradições arcanas? Teriam seus agentes buscado utilizar esse conhecimento ancestral como armas em épocas modernas? E mais importante, será que alguns deles tiveram sucesso em suas propostas?

Seja qual for a resposta para esses questionamentos, eles são combustível para incontáveis intrigas e conspirações. 

O Buraco do Coelho parece ir muito fundo nesse caso, quem irá segui-lo até o fim?

quinta-feira, 3 de maio de 2018

O Portal - Uma história surreal sobre Exploradores inter-dimensionais


Há muitas teorias que buscam corroborar a noção de que existem incontáveis realidades e dimensões além da nossa, e que de tempos em tempos essas realidades se sobrepõem. Com esse conceito surge a noção de que viajar entre as dimensões também pode ser possível e que portais que garantem o acesso entre reinos distintos já foram abertos.

Intrigante, assustador, e sempre estranho, esses casos de alegados portões capturam a nossa imaginação, e nos fazem pensar: "Se realmente dimensões alternativas existem, o que podemos fazer para visitá-las"?

Talvez a história mais famosa e surpreendente a respeito da existência de um portal inter-dimensional diga respeito a cidadezinha de Ong Hat (Chapéu de Ong), um ponto no mapa como vários outros vilarejos abandonados espalhados através dos remotos Montes Pinhais no estado norte-americano de New Jersey. Supostamente recebendo seu nome graças a um homem chamado Ong, que foi atingido em cheio por um pinheiro, bem em cima do chapéu que estava usando, a cidade surgiu a partir de uma simples cabana e se desenvolveu. Por volta de 1860, o vilarejo prosperou e se tornou uma cidade movimentada graças ao contrabando de bebida ilegal que supria a demanda das cidades vizinhas. Infelizmente, Ong Hat experimentou um declínio dramático nos anos seguintes, e por volta de 1930 estava inteiramente abandonada. Embora ainda aparecesse nos mapas, ela foi reduzida a ruínas tomadas pelo mato, prédios caindo aos pedaços e espaços vazios.

O pequeno assentamento rural provavelmente não seria nada além de uma cidade fantasma se não fosse por um curioso livro chamado "Ong Hat: O Início", escrito pelo pesquisador Joseph Matheny e publicado em 2002, o livro afirma que entre 1978 e 1982, Ong Hat se tornou o centro de um estranho culto que tinha planos audaciosos que envolviam entre outras estranhezas a exploração de outras dimensões.

É claro, não há como corroborar praticamente nada nessa história absurda, mas isso não a torna menos sensacional.


Segundo a história, o líder da Seita seria um rico imigrante persa chamado Wali Fard, próximo do Xá Reza Pahlevi e com considerável influência no país antes da Revolução religiosa dos Aiatolás ocorrida em 1979. Sua família havia feito fortuna importando e exportando objetos de arte do oriente, entre os quais tapetes persas muito apreciados.

Na juventude, Fard, foi membro de outra sociedade estranha conhecida como Igreja Ortodoxa Mourisca da América uma seita islâmica herética. Criada em 1950 por músicos, poetas e artistas de descendência oriental, a Igreja tinha como principal objetivo espalhar conhecimento místico, supostamente obtido com mestres yogues, e fazer com que o ocidente abraçasse uma profunda revolução espiritual, necessária segundo as crenças para a continuidade da raça humana. A Igreja realizava experiências sensoriais através do uso de drogas, seus membros estavam engajados em rituais de cunho sexual e pregavam o fim dos governos e da autoridade. Os membros se reuniam em casas consagradas como templos onde conduziam cerimônias e tomavam parte em orgias. Em pleno auge do Macarthismo a postura liberal começou a incomodar e quando alguns associados foram taxados de subversivos, por terem afinidade com socialistas, a Igreja fechou suas portas e os membros se dispersaram.

Nessa época, Fard já havia partido em uma viagem de auto-conhecimento pelo oriente na qual buscava respostas para seus próprios questionamentos. Ele estudou várias filosofias, práticas místicas e doutrinas espirituais ensinadas na India, Persia e Afeganistão. Nessa peregrinação ele aprendeu meditação, técnicas de ioga e como realizar milagres de cura, ou assim dizia. Mais importante, ele descobriu que estava destinado a construir sua própria Ordem Religiosa e se converter em um líder espiritual tão importante quanto Buda, Maomé e Jesus Cristo.

Fard era um sujeito excêntrico, para dizer o mínimo, mas estava determinado a cumprir o que considerava ser o seu destino. Ao retornar aos Estados Unidos ele se fixou na região dos Montes Pinhais de New Jersey onde adquiriu uma propriedade de 200 acres onde antigamente ficava a cidade de Ong Hat. Seu objetivo era se instalar naquela região e construir uma comunidade que pudesse abrigar todas as pessoas que estivessem interessadas em ouvir seus ensinamentos. Graças a ajuda de voluntários e de recursos financeiros pessoais, Fard deu início à construção do complexo que tinha casas, centro comunitário, refeitório, auditório e outras comodidades. Um número considerável de seguidores logo foi atraído e estes passaram a auxiliar na construção da sede da seita batizada como Centro de Ciência Mourisca Ashran ou simplesmente Centro Ashran.

Uma vez fixado em Ong Hat, o livro afirma que um grupo heterogêneo de desajustados - formado por vagabundos, moradores de rua e indivíduos tão excêntricos quanto o próprio Fard, passaram a viver e trabalhar na comunidade. Entretanto, entre as pessoas atraídas para o Centro Ashran estavam dois indivíduos que destoavam do restante. Eram os cientistas Frank e Althea Dobbs, irmão e irmã que tinham sua própria história bizarra.


Os Dobbs haviam crescido no Texas, dentro de uma comunidade fechada que venerava supostas Espécies Alienígenas. Eles acreditavam que alguns poucos humanos seriam levados para outro planeta quando se aproximasse o Fim do Mundo. Os irmãos haviam realizado pesquisas em Princeton com algo chamado "Teoria do Caos Cognitivo", um conceito bastante complexo que envolvia estimular partes do cérebro para desenvolver um vasto potencial mental adormecido. Esse estímulo despertaria faculdades mentais resultando em percepção extra sensorial, telepatia, telecinese entre outros dons psíquicos. Os irmãos atraíam muitas críticas dos seus pares e eventualmente acabaram sendo expulsos da universidade por se negar a divulgar resultados de suas pesquisas. 

Ao que tudo indica, os Dobbs jamais conseguiram graduação acadêmica, mas afirmavam ter PhD em Psicologia e Física. Quando ouviram falar de Wali Fard, viram nele não apenas uma espécie de alma gêmea, mas alguém disposto a ouvir e até acreditar nas suas teorias controversas. À convite do líder da Seita, Frank e Althea Dobbs se mudaram para a o Centro Ashran onde foram apresentados como pessoas que fariam um importante trabalho. Eles imediatamente construíram uma espécie de laboratório em um celeiro abandonado onde instalaram todos os seus projetos. Lá pretendiam prosseguir em seus estudos, livre dos olhares de reprovação dos outros acadêmicos. 

Fard ficou tão fascinado com o trabalho dos irmãos que criou o "Instituto dos Estudos do Caos" uma fundação que visava promover pesquisas e angariar fundos para a compra de equipamento. Os Dobbs acreditavam que estimulando determinados pontos chave do cérebro conseguiriam promover curas com o poder da mente, extirpar doenças fatais e até prolongar a vida. As promessas miraculosas dos cientistas atraíram vários investidores que aceitaram custear os estudos por mais estranhos que fossem. Eventualmente este incentivo permitiu que outras frentes de pesquisa fossem abertas, algumas com propostas bizarras.

Em três anos os irmãos se dedicavam a um projeto específico chamado "O Ovo" no qual voluntários da seita mergulhavam em câmaras de privação sensorial, enquanto eram conectados a eletrodos para sondar suas ondas cerebrais e mapear os padrões desejados. Experimentando com sexo, drogas, hipnose e indutores de ondas mentais, os cientistas acreditavam que conseguiriam desvendar os mistérios da mente humana, que seriam muito úteis na próxima etapa de suas pesquisas. E é aqui que as coisas ficam realmente bizarras! O plano envolvia estimular a consciência humana até um nível quântico, o que os cientistas supunham permitiria romper as barreiras entre dimensões paralelas.

Os Dobbs desenvolveram um aparelho que chamaram "Máquina da Quarta Geração", que emitia pulsos elétricos para estimular áreas específicas do cérebro e induzir uma percepção profunda da realidade. Os voluntários mais adequados para a experiência foram selecionados e começaram a receber as doses da Máquina. Em palavras leigas, uma pessoa passando pelo tratamento seria capaz de perceber e interagir com outras realidades, abrindo portas para sua percepção acessar outras dimensões. Fard ficou extremamente impressionado com essa linha de pesquisa e destinou grande parte dos recursos da seita a esse projeto batizado como "O Portal".


Eles teriam realizado vários testes para explorar realidades alternativas. Em um dos experimentos bem sucedidos um dos voluntários conseguiu desaparecer fisicamente, materializando-se cerca de 4 minutos depois afirmando ter viajado para outra dimensão. Em experiências posteriores, os voluntários conseguiram romper a barreira por até 17 minutos o que permitiu uma exploração mais extensa. Nessa ocasião eles teriam encontrado um lugar abundante em vida vegetal e água, mas sem presença humana. Os exploradores trouxeram amostras de água, solo e vegetação que foram devidamente estudadas. Seus planos seguintes envolviam expedições mais profundas e uma exploração cuidadosa da nova dimensão que eles haviam acessado.

Mas no rastro de suas notáveis descobertas, havia um desastre preste a acontecer.

A base do exército americano em Fort Dix que ficava nas imediações dos Montes Pinhais de New Jersey, teve um grave vazamento de material radioativo. O governo ordenou que os residentes da área, inclusive os moradores do Centro Ashran, evacuassem o local imediatamente, mas estes se negaram acreditando que os militares estavam tentando se apoderar do "Projeto Portal". Segundo algumas histórias os militares já tinham conhecimento do teor das pesquisas no centro, para alguns eles até estariam entre os principais patrocinadores das pesquisas. Prevendo seus muitos usos, eles desejavam tomar para si todo projeto.

De acordo com o livro de Joseph Matheny, uma unidade militar foi enviada para remover as pessoas que continuavam no complexo e estas reagiram com vigor. Estimuladas pelo próprio Wali Fard, os cultistas receberam armas e prepararam uma emboscada antes da chegada dos militares. O que se seguiu foi um verdadeiro banho de sangue com várias pessoas ligadas a Seita sendo mortas pelos soldados e outras tantas capturadas. Em meio a confusão, um grupo que já havia participado de explorações dimensionais realizou o salto para outra realidade buscando escapar do massacre.

Matheny afirma que muitos documentos e maquinário do "Projeto Portal" foram confiscados pelos militares que recolheram o material em caminhões que seguiram para bases militares a fim de serem desmontados e estudados. Os Irmãos Frank e Althea Dobbs também foram conduzidos para interrogatório e segundo rumores acabaram sendo alistados compulsoriamente para trabalhar para o governo em uma instalação secreta, dando continuidade ao Projeto Portal. 

Fontes não oficiais assumem que nove membros do Centro Ashran teriam morrido no enfrentamento com os militares, enquanto trinta e oito pessoas foram presas e posteriormente liberadas. Muitas delas tiveram de assinar acordos oficiais de confidencialidade nos quais se comprometiam a jamais revelar o ocorrido. Wali Fard supostamente se encontrava entre estes prisioneiros. Ele não chegou a ser processado formalmente, mas teria sido deportado em 1984, encontrando asilo na França. Ele morreu em Paris no ano de 1989 de causas naturais. 


Matheny contou ter recebido acesso a documentos apresentados por uma pessoa que trabalhou no Ashran e esteve envolvido no Projeto Portal. Por isso teria conseguido salvar plantas e registros das explorações dimensionais. O material chamado "Incunabula Catalog" foi parcialmente postado na internet no início dos anos 1990 e despertou alguma curiosidade na época. A identidade da pessoa que supostamente entregou a Matheny esses arquivos foi mantida em segredo. Ele revelou, no entanto, que pelo menos 15 pessoas conseguiram "escapar" para a dimensão antes da chegada dos militares na tomada do Centro Ashrad. Uma vez que a Máquina da Quarta Geração foi desligada eles ficaram presos na outra dimensão onde já planejavam estabelecer uma colônia. O destino destes "exploradores interdimensionais" permanece desconhecido.   

Fontes oficiais preferiram não se manifestar a respeito do controverso trabalho de Joseph Matheny. 

Considerando sua natureza dramática, a falta de qualquer evidência, e de fatos capazes de corroborar sua narrativa, a maioria das pessoas acredita que o livro não passa de uma bem engendrada ficção científica que ganhou fama na internet até atingir o status de teoria conspiratória. Entretanto, ainda existem pessoas dispostas a acreditar que pode haver um fundo de verdade nessa incrível narrativa. Seja qual for o caso, é certamente uma história estranha e Ong's Hat continua a fornecer combustível para teorias a respeito de experiências com viagem interdimensional.

O local hoje está vedado ao acesso de civis, o terreno foi arrendado pelo exército norte-americano e é supervisionado pela Base de Fort Dix. 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Algo Diabólico na Jamaica - Ministro declara seu medo de Rituais Satânicos na Ilha


O Ministro de Segurança da Jamaica Robert Montague foi chamado a responder um inquérito interno a respeito de estranhas declarações que ele deu em um discurso oficial no Parlamento recentemente. Montague estava apresentando os resultados da introdução da nova política de segurança na Jamaica quando, começou a falar sobre a presença de forças demoníacas e o papel destas no aumento da taxa de homicídios no país. 

A Secretaria de Segurança recentemente declarou um Estado de Emergência na nação caribenha, em resposta a epidemia de crimes violentos que assola a Jamaica nos últimos seis meses. A taxa de crimes violentos aumentou em cerca de 200%, sem aparente motivo. A Força Tarefa coordenada pelo Ministério capturou 150 suspeitos desde o início do estado emergencial. 

O pronunciamento de Montague causou repercussão, ele afirmou que a Jamaica enfrenta uma batalha contra o que categorizou como "seitas religiosas diabólicas". Segundo o Ministro, as forças de segurança tem encontrado um número alarmante de indivíduos envolvidos com ocultismo e satanismo. Agentes também teriam descoberto templos clandestinos e altares satânicos em várias cidades, indicando que estes cultos estariam distribuídos ao longo de toda ilha, obedecendo a líderes que coordenam suas ações.

Ainda segundo o Ministro, 14 membros de uma "igreja devotada a magia negra" teriam sido capturados em uma ação policial nos arredores de Kingston. O grupo de fanáticos, identificados pelos policiais como homens e mulheres envolvidos com bruxaria, realizava sequestros e assassinatos como forma de intimidar seus inimigos. Eles também são acusados de integrar um cartel de tráfico de drogas.


Montague explicou que na localização isolada onde a seita realizava seus encontros foram encontrados altares cobertos de ossos e lavados com sangue, o que sugere a realização de sacrifícios ritualísticos. Peritos recolheram amostras e concluíram que havia sangue humano no local, supostamente de inimigos da seita e de indivíduos sequestrados em Kingston. As vítimas preferidas seriam mulheres e crianças recolhidas nos bairros mais pobres da capital da Jamaica. Criminosos de outras facções também estão entre as prováveis vítimas.

"Algumas pessoas estão brincando com coisas que não compreendem e abrindo portas que não serão capazes de fechar", disse o Ministro, "a sequência de crimes é perturbadora e deve ser combatida. Estas pessoas são extremamente perigosas e religiosos estão à par da ação destes grupos. A selvageria e a natureza brutal de alguns crimes nos faz acreditar que uma ação enérgica é essencial nesse momento. Combater essas forças malignas é de máxima importância!", ele concluiu em seu discurso.

Em uma entrevista coletiva após o controverso pronunciamento, Montague defendeu sua posição. 

Ele explicou que possui conhecimento de causa e credibilidade para falar a respeito de assuntos ligados ao oculto, já que um dos seus tios seria um "Obeah". Na tradição Igbo, trazida da África Ocidental e semelhante ao vodu haitiano, o Obeah é um sacerdote ungido, capaz de enfrentar aqueles que fazem uso indevido de poderes místicos.

Em meio a entrevista o Ministro teria dito que mesmo no Parlamento do país existem pessoas envolvidas com satanismo e comprometidas com objetivos escusos. Mais tarde, ele foi obrigado a fazer um pedido formal de desculpas pelos seus comentários e assegurar que não possui provas ou indícios de que algum político está envolvido em tais atividades.


Em determinado momento da história da Jamaica, religiões de origem africana foram bastante populares, contudo hoje em dia, Santeria e Vodu são relativamente pouco praticadas. O Cristianismo é a religião predominante na ilha.

Oficiais de polícia e juízes jamaicanos se manifestaram, afirmando que embora o discurso do Ministro tenha sido desnecessariamente sensacionalista, não foi inteiramente absurdo.

A atual onda de crimes no país envolve quadrilhas que recorrem a violência ritualística para intimidar rivais no tráfico de drogas e as autoridades incumbidas de fazer a repressão. Vários policiais comunicaram que suas famílias e eles próprios sofrem com pressão de criminosos que se dizem feiticeiros. Utilizar esses artifícios de cunho religioso parece ser um método eficiente de assustar os inimigos e conquistar suas áreas de influência. Fenômeno semelhante ocorre na Guerra de Cartéis do México.

"Em dezembro passado, policiais se depararam com uma cena medonha em um depósito nos arredores de Nova Kingston. Vários homens haviam sido executados com requintes de crueldade, tendo inclusive sofrido torturas. Após serem assassinados, suas cabeças foram cortadas e seus corações arrancados", contou um chefe de polícia que não se identificou.

"Há uma escalada de medo e intimidação em todo país. Uma quadrilha começa a realizar esse tipo de ação e as outras passam a imitá-la em um círculo vicioso".

O Estado de Emergência na Jamaica continua em vigor, ao menos até que a Lei e Ordem consiga controlar a ação desses "Cultos Diabólicos".

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Charles Manson - Os crimes que chocaram a América e o mundo


Ele gostava de chamar a si mesmo de demônio e para muitos, ele de fato era um.

Quem o via hoje em dia, velho e desgrenhado, achava que não passava de um ancião frágil e inofensivo. Mas aparências enganam e apesar de ser um octogenário, aquele pacato prisioneiro do Setor de Segurança Máxima da Penitenciária San Quentin ainda causava muito medo nas pessoas. Tanto que, todos os seus apelos para obter liberdade condicional foram sumariamente negados. As pessoas temiam que uma vez solto, ele ainda poderia constituir uma ameaça. Não por conta dele mesmo, mas pelos que ainda poderiam ser manipulados por ele. 

Aos 82 anos, Charles Manson ainda era um dos homens mais temidos do sistema prisional dos Estados Unidos. Longe de ser um prisioneiro comum, ele era um símbolo: a própria imagem do fanatismo, da maldade e do horror em carne e osso. Em uma pesquisa realizada em 2005, ele ainda era considerado o criminoso mais temido da América. E é possível que ele continue sendo por muitos anos, mesmo depois da sua morte.

Manson era um prisioneiro diferenciado, talvez pelo fato de ser um criminoso ao longo de praticamente toda sua vida. Aos 82 anos de vida, ele havia passado apenas 19 em liberdade. Os outros 63 haviam transcorrido atrás das grades, sendo que as últimas quatro décadas de modo ininterrupto. E foi apenas por um irônico acaso que ele continuou dessa forma, já que o Sistema judicial da Califórnia foi alterado em 1971, revogando a sentença de pena de morte. Charles se beneficiou dessa mudança e não foi executado, ainda que ele tenha recebido cinco condenações capitais em juízo. Há muito tempo os pulmões de Manson deveriam ter estourado pela ação da câmara de gás, mas ao invés disso ele foi condenado a habitar um limbo nos porões mais escuros e profundos de San Quentin. Sem direito a apelos ou condicional, já que recebeu uma sentença de prisão perpétua. 

Manson quando foi preso e recentemente 
Muitas pessoas dizem que ele teve sorte de ter envelhecido na prisão, de onde administrava sua própria página da internet e gravava seus discos de rock nos quais lia versos bíblicos, do Corão e peças de poesia. Ele ainda pedia por liberdade condicional, sabendo que esta seria negada. Alguns artistas, astros do rock e defensores dos direitos civis imploravam clemência, mas a verdade é que ninguém realmente queria vê-lo livre. Charles dizia não se arrepender de nada, e o mundo não estava pronto para perdoar os crimes que ele orquestrou. A memória do dia em que três mulheres e um rapaz, todos seguidores fanáticos de Manson despedaçaram sete pessoas que sequer conheciam, obedecendo ordens diretas de seu Profeta, Deus ou Demônio. Charles Manson, foi um pequeno criminoso com delírios de grandeza. 

Foi a faxineira que fazia a limpeza toda semana que descobriu os corpos. Como fazia todos os sábados ela chegou para o trabalho naquela manhã ensolarada de 9 de agosto de 1969. A casa pertencia a um dos casais mais famosos de Hollywood, a mansão em estilo espanhol era do diretor de cinema Roman Polanski, então com 36 anos, e da sua jovem esposa, a talentosa atriz Sharon Tate de 26 anos. A propriedade ficava na tranquila vizinhança de Cielo Drive, uma região habitada por muitos astros de cinema. Tudo estava muito silencioso e a faxineira por um instante achou que os donos não estavam, mas logo percebeu que algo estava errado: havia uma mancha de sangue na entrada da cozinha. E quando ela foi verificar os fundos da casa, encontrou dois corpos caídos em uma enorme poça de sangue. Ao fugir em disparada topou com um terceiro cadáver no interior de um automóvel na garagem. Aterrorizada, foi até os vizinhos mais próximos gritando que havia acontecido algo terrível.

A cena dantesca causaria horror até mesmo nos policiais chamados para entrar na mansão, pois enquanto seguiam os rastros de sangue pela propriedade de Polanski encontravam sinais de que algo medonho havia transcorrido. Não apenas mortes brutais, mas algum tipo de catarse emocional na qual o assassinato parecia ser o brusco desfecho. A palavra "porcos" (pigs) havia sido pintada com sangue nas paredes do corredor. No salão encontraram o corpo sem vida de Sharon Tate, tombada de lado em posição fetal, nua e coberta com algumas pétalas de flores casualmente jogadas sobre seu corpo. Várias punhaladas marcavam peito e costas, sobre o ventre inchado - já que estava grávida de oito meses, estava entalhado com faca um "X". Uma corda branca estava presa em seu pescoço e a outra ponta ligava ao corpo de um homem mutilado com golpes violentos de faca e cutelo. O rosto coberto com uma toalha ensanguentada havia sido desfigurado além de qualquer reconhecimento.

Uma das últimas fotos de Roman Polanski e Sharon Tate
Uma carteira de identidade em seu bolso dizia se tratar de Jay Sebring (35 anos), o cabeleireiro de Sharon, um dos mais requisitados da cidade. Os cadáveres caídos no jardim pertenciam a Abigail Fogler (26), rica herdeira de uma Indústria cafeeira e o cineasta polonês Voyteck Frykowski (37). Os três eram amigos pessoais de Polanski e haviam ido fazer companhia a sua esposa já que ele estava trabalhando em Londres. O ocupante do automóvel - e depois souberam, a primeira vítima do massacre, era Steven Parent, um estudante de 18 anos que teve o azar de estar indo visitar um amigo que fazia a segurança da mansão. O guarda por sinal, não viu ou ouviu nada, ele estava de folga e morava numa propriedade ao lado, situada a certa distância.

Mas o horror que começou naquele sábado, com a notícia daquela tragédia, iria continuar a assombrar Los Angeles até o domingo à tarde quando Frank Struthers, de 15 anos chegou à casa de sua mãe Rosemary de 36, e seu padrasto Leno La Bianca, de 44, proprietário de um supermercado no elegante bairro de Los Feliz. O rapaz encontrou La Bianca deitado no sofá da sala, com uma almofada empapada de sangue pousada sobre sua face. Tinha um cutelo de cozinha cravado na garganta e do pijama que vestia se projetava o cabo de um garfo com empunhadura de marfim. Frank quase desmaiou, mas ainda conseguiu correr para pedir ajuda. 

O corpo de sua mãe foi descoberto pela polícia no quarto do casal. Rosemary La Bianca estava caída de barriga para baixo em uma poça de sangue com a camisola de dormir enrolada na altura do pescoço, as costas, nádegas e pernas cobertas de perfurações. Uma almofada também havia sido colocada sobre a cabeça. Na sala de estar haviam sido pintadas três palavras com sangue: "Morte aos Porcos" (Death to pigs), "Erga-se" (Rise) e "Confusão e Caos" (Helter Skelter

A lista do Massacre
O sinistro fim de semana contabilizou os seguintes números apavorantes: Sharon Tate recebeu 16 perfurações por faca; Jay Sebring, sete golpes de faca e um ferimento de arma de fogo; Abigail Folger, 28 perfurações; Voyteck Frykowski, 51 ferimentos de armas brancas variadas, dois tiros e 13 golpes contundentes na cabeça (é provável que ele tenha lutado antes de morrer); Steven Parent, recebeu quatro tiros e uma punhalada; Rosemary La Bianca, 41 feridas causadas por facas, cutelo e garfos, e Leno La Bianca, 26 apunhaladas. Em seu ventre, próximo do garfo que havia sido enfiado até o cabo na sua carne, estava talhada a palavra "Guerra" (War).

Toda Los Angeles ficou estarrecida. Quem poderia ser o responsável por esses horrendos massacres? Qual seriam os motivos para promove tamanha barbárie? Desde logo, a polícia afastou a possibilidade de que os crimes haviam sido motivados por roubo, uma vez que não faltava nada da mansão de Polanski. Os detetives encontraram vídeos pornográficos e pequenas doses de drogas na propriedade que deu margem para as mais estapafúrdias teorias: orgias sexuais, tráfico de entorpecentes, rituais demoníacos, sacrifícios humano... 

As pessoas diziam que o demônio havia se manifestado na mansão para cobrar de Polanski e de Tate o preço pela fama que haviam conquistado. Polanski apenas um ano antes, havia conseguido enorme sucesso com o lançamento de seu filme mais conhecido até então "O Bebê de Rosemary" cujo enredo tratava de pactos e demonologia. Religiosos fanáticos diziam que o demônio havia sido conjurado para a mansão dos Polanski em algum tipo de Missa Negra na qual os participantes foram mortos. Exorcistas falavam da necessidade de purificar a propriedade. Videntes e médiuns chegaram a se apresentar à polícia, oferecendo suas habilidades extra-sensoriais para encontrar o demônio que agora, estava à solta em Los Angeles. Diziam que o casal La Bianca também estava envolvido com bruxaria e que provavelmente eles haviam sido punidos pelos mesmos motivos. A paranoia cobriu a Cidade dos Anjos com uma mortalha sanguinolenta. Durante alguns dias festas foram canceladas e o calendário de eventos de Hollywood foi todo remodelado. As pessoas voltavam cedo para casa, temendo o que poderia acontecer a elas. A venda de armas disparou na cidade, bem como o de trancas e fechaduras. Ninguém se sentia à salvo e o medo irracional por alguma coisa sobrenatural parecia atingir até mesmo as pessoas mais razoáveis.

"Morte aos Porcos" escrito na parede da Mansão Polanski
A imprensa fez um enorme estardalhaço a respeito do caso, cobrando da polícia medidas urgentes para descobrir os responsáveis. Todo contingente da polícia foi chamado para vigiar as ruas e parar qualquer suspeito. O medo dominava os boletins jornalísticos e era possível sentir o pavor que crescia em cada casa.

Enquanto isso, a apenas cerca de meia hora do centro da cidade, seis pessoas que conheciam todos os detalhes a respeito do horrível crime comemoravam sua façanha. Aos seus olhos, eles haviam logrado sucesso em seu intento: colocar a cidade de joelhos e instalar um clima de medo e apreensão em cada habitante de uma das maiores metrópoles do país.

A fazenda modesta chamada Spahn´s Movie Ranch, parecia abandonada. O grupo vivia de maneira comunal, assistiam filmes de faroeste, comiam frutas carameladas e riam sem parar de suas próprias piadas. O líder do bando era um sujeito de cabelo e barba comprida, roupas chamativas, violão sempre às mãos e olhos penetrantes. Tinha uma fala mansa e tranquila, que agradava aos que ouviam. Ele era um tipo de conselheiro espiritual, um guru que simbolizava um porto seguro para os que se concentravam ao seu redor, cerca de 40 jovens, na maioria garotas. A comunidade era formada basicamente por hippies. Como muitos outros jovens da Baixa Califórnia, eles acreditavam desafiar o sistema e as convenções em busca de uma vida mais simples e pacífica. Passavam seus dias ouvindo música, brincando e usando drogas, tinham uma pequena plantação no quintal da propriedade, mas complementavam suas refeições com o que conseguiam obter de doações ou de material que era jogado fora por mercados e vendas. Não havia luz elétrica, nem instalações de água ou gás. Tudo era compartilhado pelo bando e as decisões eram tomadas mediante votação. Ou ao menos, era o que diziam...       

"Charlie" pouco antes de ser preso.
Na verdade, o líder do bando, um homem de 35 anos chamado de Charlie agia como um prefeito da comunidade. Ele decidia o que deveria ser feito, como o pouco dinheiro do grupo seria gasto e quais seriam os seus planos. Charlie tinha enorme talento para trazer novos membros para o grupo, na maioria adolescentes com problemas de relacionamento com suas famílias e que temiam entrar na vida adulta e por isso fugiam. Charlie oferecia mais do que um lar temporário e companheirismo, ele sinalizava com a chance de fazerem parte de uma "família". E a "Família Manson" crescia muito naqueles dias.

Entretanto, a despeito da imagem que tentava passar, o amável Charlie não era um homem preocupado com a "Família", na verdade, ele não tinha nenhum escrúpulo em manipular e obrigar seus seguidores a fazer o que ele desejava. Um controlador nato, Charlie, ou melhor Charles Manson fazia o que bem entendia e impunha real poder sobre a vontade de todos à sua volta. Com um físico franzino e uma postura amigável, transbordando carisma, ele suscitava uma imagem de ternura; escrevia poesias com suas experiências de vida, tocava violão com suas composições, se colocava ao lado dos jovens contra figuras de autoridade que as afligiam (na maioria das vezes pais). Defendia ainda o uso de drogas, álcool e a prática de sexo livre que usava para atrair os jovens. Ele tinha uma conversa fácil e convincente que servia para ganhar a devoção da sua platéia. 

Com o tempo, aprendeu que a maneira mais eficiente de controlar sua "família" era fazendo com que eles acreditassem ser ele uma espécie de Guia Espiritual. Apesar de Charlie defender o "amor" e a "fraternidade" como metas para um mundo melhor, ele não tolerava qualquer questionamento das suas ordens. Seu tratamento era severo para com os que desafiavam a sua autoridade. As meninas que se juntavam ao grupo precisavam ceder aos seus avanços e ele as obrigava a fazer sexo com rapazes do grupo para assim manter o controle sobre eles. Também era ele quem controlava o acesso a drogas que eram distribuídas em rituais elaborados. Manson lentamente criava uma espécie de dependência extrema, na qual ele próprio era a figura central na vida dos seus jovens seguidores. A lavagem cerebral era tão profunda que o discernimento desaparecia por completo, tudo o que importava era promover a satisfação de Charlie. Se ele não estivesse feliz, eles não poderiam ficar felizes.

A Família Manson reunida
Adicionando componentes místicos - convenientemente extraídos de livros religiosos, Manson começou a galgar os passos que o transformariam em um auto-proclamado Messias. Os rapazes e moças viam nele um tipo de Profeta Hippie cujos ensinamentos seriam divulgados para o mundo na forma de música e poesia.  

É provável que a ingenuidade do período tenha ajudado muito a seduzir os jovens incautos, mas Manson era tudo menos inocente. Nascido em 12 de novembro de 1934, em uma região pobre dos arredores de Cincinatti (Estado de Ohio), Charles nunca teve uma vida fácil. Sua mãe, Kathleen Maddox, tinha quinze anos quando fugiu de casa, tentando escapar da vigilância constante de pais extremamente religiosos. Apenas um ano mais tarde, ela engravidou de uma relação com um amante ocasional. O menino recebeu o nome Charles Manson que pertencia a um outro sujeito com quem Kathleen estava saindo depois de engravidar. O relacionamento também não durou muito, e ela foi abandonada. Por conta própria e com um bebê para sustentar, ela passou a se prostituir.


Em 1940, Kathleen foi condenada após tentar roubar um posto de gasolina e Charlie, que acabara de completar seis anos foi enviado para viver com parentes até que ela saísse da prisão. Durante esse período o menino entrou em contato com pessoas religiosas que lhe ensinaram os princípios da crença que mais tarde lhe seriam muito úteis. Após a mãe deixar a cadeia, decidiram se mudar de cidade e não demorou até ela conhecer um novo companheiro. O homem, no entanto, não queria se tornar pai de um rapaz de doze anos, por isso, Kathlen decidiu abandonar o próprio filho. Ele foi deixado aos cuidados de um assistente social que após uma entrevista julgou o rapaz problemático e decidiu interná-lo em um hospício. Lá ele passava os seus dias, em suas proprias palavras "rezando e chorando". Alguns anos depois, Charlie conseguiu escapar da instituição e foi em busca da mãe que, ele esperava, o receberia de braços abertos. Katherine ao invés disso o devolveu ao hospício, deixando no filho nada além de um profundo sentimento de amargura e ódio.  

Charlie eventualmente conseguiu ser aceito em um albergue num regime especial de onde poderia trabalhar, desde que se apresentasse para dormir. Em sua nova casa ele era frequentemente surrado pelos guardas e pelos meninos mais velhos que roubavam o seu dinheiro. Há indícios de que ele tenha sido violentado pelos outros internos, o que fez com que aprendesse desde cedo que não poderia confiar em ninguém. Durante sua adolescência, Charlie foi transferido para outros quatro centros educacionais públicos, até completar 19 anos e ganhar liberdade condicional. Era o ano de 1954 e ele havia se tornado um rapaz muito articulado e atraente.

Ele conseguiu seu primeiro trabalho no hipódromo onde era ajudante de cocheira. Depois de numerosas experiências sexuais, muitas delas com homens, começou a se prostituir para ganhar dinheiro. Em certa ocasião comprou uma câmera e a usava para fotografar seus parceiros para depois chantageá-los. Charles chegou a casar, mas a situação econômica dele e seu controle extremo fez com que se separassem alguns meses mais tarde. Charles foi preso por roubar carros, indo parar na prisão mais uma vez. Libertado em 1958 voltou a vagar sem destino, prostituindo-se ou coagindo mulheres a lhe dar dinheiro. Nesse meio tempo ele foi preso várias vezes, entrando e saindo de centros correcionais. Em 1960 foi condenado por falsificar um cheque no valor de 37 dólares. Tinha 26 anos e já era um hóspede frequente do Departamento Correcional, no qual ingressava e saía.   

Durante sua estadia no Presídio de Terminal Islands, ele recebeu instrução, aprendendo a compor e tocar guitarra. Também teve acesso a livros que devorava diariamente. Os temas que mais lhe interessavam eram ciência, religiões, psicologia e folclore. Charles se gabava de ter aprendido noções sobre hipnotismo e maneiras de influenciar as pessoas. Também se tornou um frequentador assíduo do serviço religioso que era oferecido aos prisioneiros. Foi ajudante de missa e começou a decorar passagens inteiras da Bíblia que citava com grande devoção. Outros presos passaram a tê-lo como um bom companheiro, revelavam seus segredos e ele oferecia um "ombro amigo" sempre que eles precisavam, o que ajudou muito a conhecer a natureza humana.

Manson adquiria aos poucos os requisitos que o ajudariam a criar a imagem de uma pessoa agradável e simpática em quem todos confiavam. Quando terminou de cumprir sua pena de sete anos ele foi posto em liberdade. A essa altura ele já havia se convertido em um perfeito manipulador, alguém capaz de usar os outros em causa própria.

Quando Manson deixou a cadeia perguntaram a ele para onde iria e ele não teve dúvidas em responder: "Los Angeles. Vou conquistar aquela cidade!"   

(cont...) 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Quem colocou Bella na Árvore? - Um crime misterioso sem solução


Há poucas coisas que capturam mais a imaginação das pessoas do que mistérios e assassinatos jamais resolvidos. Ao longo da história ocorreram mortes inexplicáveis que resistem a qualquer investigação e escrutínio, pistas que embora examinadas exaustivamente continuam nubladas a despeito de métodos modernos de análise. Certos casos parecem envoltos por um manto indevassável de sombras que não podem ser removidas, enigmas que permanecem enraizados profundamente criando mistérios insondáveis.

Um caso infame de crime nunca resolvido ocorreu nos dias sangrentos da Segunda Guerra Mundial, um tempo que não era estranho à morte. Nele está condensada a triste saga de uma mulher não identificada que parece ter surgido do nada e cujo corpo sem vida apareceu de forma bizarra no interior de uma árvore nas profundezas de um bosque ermo, com fama de assombrado. É um caso de homicídio cercado de rumores sobre bruxaria, espiões e outras esquisitices destinadas a jamais encontrar uma solução adequada.  

Tudo ocorreu em meio a Segunda Guerra Mundial, quando batalhas decisivas eram travadas em terras distantes e o mundo prendia sua respiração temeroso quanto ao desfecho. Um grupo de quatro rapazes do interior da Inglaterra tropeçaram em uma aterradora descoberta no interior do Bosque Hagley, região rural de Worcestershire, próximo da cidade de Birmingham. Por volta do anoitecer de 18 de abril de 1943, Robert Hart, Thomas Willetts, Bob Farmer e Fred Payne, haviam cruzado uma cerca que delimitava uma propriedade particular para caçar coelhos. Os rapazes de 12 a 15 anos estavam nervosos, pois já haviam sido avisados para não invadir aquela área cercada. Além disso, naquele dia em especial tudo estava escuro, silencioso e sinistro. O Bosque era conhecido como um lugar isolado, com uma fama desagradável que suscitava boatos sobre velhas bruxas, assombrações e fadas malignas habitando o seu interior. Desde a Idade Média, aquele lugar era conhecido como fonte de histórias fantasmagóricas e muita superstição. A medida que a noite se aproximava e tudo era banhado em sombras, as velhas árvores, com seus galhos retorcidos ganhavam uma aparência ainda mais maligna. E tudo piorou quando os rapazes tropeçaram em algo chocante que se tornaria um mistério debatido até os dias atuais. 


Durante sua excursão secreta, eles avistaram um grande olmeiro de aparência sinistra. A árvore tinha galhos secos e retorcidos parecendo braços erguidos em direção ao céu quase como se estivessem implorando a um Deus Profano. A árvore era bem conhecida, batizada pelas pessoas que residiam nos arredores de Wych Elm, ou Olmeiro das Bruxas, um nome que ninguém sabia quando havia sido dado. Impressionados pela aparência sinistra da enorme árvore destacada pelo brilho do fim de tarde, os rapazes começaram a desafiar uns aos outros a respeito de se aproximar para tocar em seu tronco nodoso. Bob Farmer, o mais velho dos rapazes aceitou o desafio e se aproximou cautelosamente contornando o solo irregular coberto de mato e raízes expostas. A medida que ele chegava mais perto, ele percebeu que a árvore possuía um espaço vazio que muitas pessoas afirmavam ser um portão para o inferno ou para reinos subterrâneos. O nicho oco lembrava uma enorme bocarra aberta, prestes a engolir quem fosse tolo bastante para entrar no seu alcance. Farmer percebeu então que havia algo brilhando no interior do buraco e cedendo a curiosidade estendeu a mão para agarrar. Chocado ele percebeu então que havia desalojado um crânio humano perfeito com dentes arreganhados e longos cabelos loiros ainda presos ao escalpo. A carne havia apodrecido há muito tempo, desgrudado dos ossos amarelados, ainda assim, estava claro que se tratava de um cadáver cuidadosamente depositado naquele espaço exíguo. O rapaz gritou e os demais cederam à curiosidade e vieram ver, aterrorizados decidiram fugir e não contar a ninguém a respeito daquela descoberta macabra.  

Por algumas semanas os rapazes cumpriram seu acordo de não falar a respeito do que haviam encontrado, mas o fardo se mostrou pesado demais para Tommy Willetts, o mais jovem dos meninos.  A experiência de ter visto aquele esqueleto no coração do bosque, ainda mais daquela maneira arrepiante, fez com que ele começasse a sofrer com pesadelos cada vez mais vívidos. Tommy acordava aos gritos, banhado de suor e ofegante: sonhava com o esqueleto ganhando vida e o perseguindo pelas trilhas do bosque assombrado. Depois de um tempo, ele decidiu revelar o segredo e as autoridades foram imediatamente informadas. O que a polícia encontrou ajudou bem pouco a lançar uma luz sobre o mistério, e de fato, pode ter servido apenas para aprofundar ainda mais o enigma.  

Quando a polícia convergiu para a cena, eles encontraram o esqueleto intacto no exato lugar em que os rapazes o descobriam. Ele vestia os trapos restantes de um vestido simples, sapatos de solado de borracha, uma aliança de ouro na mão esquerda e um chale de tricô jogado sobre os ombros. Na boca acharam um pedaço de tecido amarelado, enrolado em um tubinho e cuidadosamente depositado ali dentro. A mão direita do cadáver estava faltando e as marcas no pulso eram condizentes com o uso de uma serra que teria sido usada para removê-la. A mão havia sido levada pelo assassino. Os investigadores encontraram ainda cinco tocos de velas que foram consumidas até o fim no interior da árvore. Não havia qualquer indício do motivo pelo qual o corpo foi colocado naquele lugar, mas as velas e a ausência da mão pareciam sugerir um tipo de assassinato ritualístico.  


Os restos foram reunidos e enviados para o Laboratório Forense para exame, onde o Professor James Webster realizou a análise preliminar. Ele determinou que o cadáver pertencia a uma mulher, provavelmente de 35 anos de idade, dentes irregulares, que havia dado a luz a pelo menos uma criança e que havia morrido a aproximadamente 18 meses. Uma vez que não haviam sinais claros de qualquer violência presente nos ossos, a causa da morte parecia ser asfixia causada pelo pedaço de pano encontrado em sua boca. Também foi determinado que o corpo havia sido posto no Olmeiro da Bruxa logo depois da morte ou enquanto ela ainda estava agonizando. Não haviam outras evidências além destas e a identidade da mulher permaneceu desconhecida. A polícia realizou uma pesquisa cuidadosa quanto a pessoas desaparecidas, enviaram os registros dentários a delegacias da região e descreveram os objetos achados na cena do crime. Os dentes tortos do cadáver poderiam dar alguma informação a respeito de quem ela foi em vida, mas nada disso deu em nada. A mulher achada no interior do olmo parecia ter surgido do nada.

A única pista veio na forma de uma denúncia anônima feita através de uma carta deixada na porta de uma delegacia 20 meses depois da descoberta. O remetente afirmava trabalhar em um grande centro industrial e que havia estado no Bosque Hagley na época aproximada da morte da mulher. Na ocasião, ele teria ouvido gritos e corrido para verificar. Teria então encontrado com outro homem que também disse ter ouvido os mesmos gritos. A polícia até teria sido chamada na ocasião para verificar os estranhos gritos, mas nada foi encontrado. Quanto ao homem misterioso se é que existiu e o sujeito que disse tê-lo visto, ninguém soube mais nada.

A continuação da investigação foi frustrada pela Guerra que trouxe um influxo de pessoas desaparecidas que tornaram as coisas ainda mais complicadas. A tecnologia limitada disponível e o fato de muitas pessoas simplesmente se mudarem de um canto para o outro, tornavam tudo mais difícil. Apesar disso, a imprensa havia eleito a história como um assunto recorrente, chamando o incidente de "Assassinato Enigmático", falando de cultos, magia negra e superstições que estariam ressurgindo entre os locais. De fato, as antigas lendas a respeito do Bosque forneciam material de primeira para os diários sensacionalistas. Diziam que Cultos de Druidas teriam ressurgido no coração da floresta e que a morte da mulher teria sido parte de um sacrifício bizarro. Outros afirmavam que o assassino não era sequer um homem, mas uma criatura sobrenatural que habitava as profundezas da mata: uma assombração, um morto vivo, um demônio. Em meio à guerra, as histórias se multiplicavam e eram amplificadas: "os bombardeios em Birminghan haviam despertado os mortos", "uma coisa sepultada no abismo havia chegado à superfície", "os nazistas teriam lançado algo bem mais horrendo que uma bomba".

Apesar da enxurrada de notícias sensacionalistas, as manchetes macabras sobre o assassinato começaram a ser deixadas de lado já que haviam ameaças maiores do outro lado do canal para se preocupar. Aos poucos as conjecturas sobre a identidade do cadáver no Olmeiro das Bruxas e a razão para sua morte foram sendo abandonadas e o caso esfriou.


Isso durou até o final de 1944 quando o caso sofreu uma nova e inesperada reviravolta. 

Em uma manhã de domingo um prédio importante no vilarejo próximo de Old Hill amanheceu grafitado com giz branco. Nas palavras cuidadosamente desenhadas lia-se a seguinte pergunta: "Quem colocou Luebella dentro da árvore"?

Nos dias seguintes mensagens similares começaram a aparecer em outros vilarejos próximos, com dizeres como "A donzela do Bosque Hagley continua esperando" e "As bruxas não podem escapar com isso". Em várias mensagens a mulher era chamada apenas de "Bella". Ninguém sabe quem escreveu as mensagens, mas todas elas tinham o mesmo estilo e caligrafia. Por vezes, a pessoa se referia ao local macabro onde o cadáver foi achado como "Witch", mas em outros como "Wych", duas grafias diferentes para a palavra inglesa "Bruxa", sendo que uma delas no modo arcaico. Seja lá o que a pessoa pretendia, as perguntas ressuscitaram o incidente e revigoraram a curiosidade do público. Serviu também para criar uma identificação da pobre mulher encontrada morta. Desse ponto em diante ela passou a ser conhecida como Bella. Mais interessante ainda, as palavras "Quem colocou Bella na árvore" continuaram aparecendo de tempos em tempos no obelismo da praça central de Old Hill e em lugares próximos ao Bosque de Hagley. Sendo que a última vez que a inscrição surgiu foi em 2016.

Enquanto as autoridades oficiais buscavam por um culpado e tentavam encontrar o responsável pelas mensagens enigmáticas, teorias pipocavam aqui e ali. Uma das idéias mais aterrorizantes (ainda que improváveis) veio da Professora Margareth Murray do Kings College de Londres, uma eminente antropóloga e antropóloga conhecida pelo seu controverso trabalho estudando Cultos de Feitiçaria na Europa Ocidental. Murray estava convencida de que "Bella" havia realmente sido vítima de uma conspiração presidida por indivíduos ligados a um Culto de Magia Negra e que sua morte teria ocorrido em uma espécie de Ritual de Sacrifício. Em uma entrevista extremamente controversa dada a um jornal de Londres, ela afirmou que a mão da vítima teria sido cortada fora para que os ocultistas pudessem construir um poderoso artefato místico chamado "Mão da Glória".

[NOTA: Vejam como as coisas são... o artigo anterior foi exatamente a respeito desse macabro talismã mágico cujas propriedades conferem ao utilizador uma série de poderes. Eu comecei a pesquisar o caso de Bella e apenas pelo acaso escolhi ele para ser o artigo seguinte sem imaginar que haveria uma menção direta a Mão da Glória. Coincidência, diria qualquer um. Se bem que "coincidência" às vezes não é uma palavra que a gente possa usar livremente. Não em face de certas coisas... A sincronicidade de vez aqui no Mundo Tentacular me surpreende um bocado. Coisas como palavras que estou escrevendo que se repetem na TV, artigos que somem e reaparecem, emails que eu recebo sobre um determinado assunto logo quando penso em escrever a respeito dele... Bobagem? Provavelmente, se bem que... bem, deixemos assim.]

Outra evidência que poderia indicar o caminho de uma conspiração de bruxos é a antiga crença de que espíritos de pessoas assassinadas poderiam ser aprisionados - evitando assim uma vingança, se colocados no interior da parte oca de uma árvore. Essa superstição, surgida na época pré-romana era usada pelos druidas como uma forma de se proteger contra as pessoas utilizadas em sacrifícios. Murray levantou essa hipótese e citou um outro misterioso assassinato ocorrido na mesma região algum tempo antes envolvendo um fazendeiro chamado Charles Walton. O homem foi encontrado morto com o corpo atravessado por um forcado. Ele foi cuidadosamente apoiado na ferramenta de tal maneira que se manteve de pé. Para Murray, o componente místico e o elo entre os dois casos era claro, sem falar no uso do forcado, uma ferramenta semelhante a um tridente demoníaco, usado para colocar o homem naquela posição incomum. Com base nessas teorias, as suposições a respeito de bruxaria e magia negra ganharam a opinião pública e capturaram a atenção de todo país. 


Outra teoria muito discutida nos anos que se seguiram envolveu uma carta enviada para um jornalista do Wolverhampton Express and Star chamado Wilfred Byford-Jones em 1953. Uma mulher que assinava como "Anna Claverley" afirmava ter informações fidedignas a respeito do crime e as razões para ele ter ocorrido. Segundo ela, Bella seria uma espiã alemã enviada para a região em 1940 com o objetivo de mapear a floresta e preparar uma invasão de paraquedistas. A mulher teria vindo para a região acompanhada de um circo itinerante usando o disfarce de artista. De acordo com Anna, Bella era na realidade uma holandesa que atendia pelo nome Clarabella Dronkers, esposa ou namorada de um agente alemão infiltrado. Ela teria se comprometido a fazer seu trabalho, mas em algum momento decidiu mudar de lado, o que fez seus superiores ordenarem sua morte. Bella sabia a identidade de outros espiões e poderia entregá-los para ganhar indulto do governo por isso foi eliminada.

A polícia eventualmente descobriu a identidade de "Anna", ela era Una Mossop uma imigrante holandesa que realmente teve um primo acusado de espionagem nos tempos da guerra. Em um interrogatório, ela revelou que esse primo, Jack Mossop, teria matado a mulher para evitar que ela revelasse o nome de outros espiões. Jack a matou e colocou seu corpo dentro da árvore achando que assim ninguém a acharia. Verdade ou não, Jack jamais poderia confirmar, nos dias finais da Guerra ele cometeu suicídio em um campo de prisioneiros enforcando-se com cadarços. Uma investigação oficial foi realizada pelo MI5, mas nada foi encontrado a respeito de uma mulher chamada Clarabella Dronkers e sua alegada participação como espiã nazista. 

Em 1941 um outro agente nazista chamado Josef Jakobs foi preso pelo Serviço Secreto. Ele havia chegado à Inglaterra de paraquedas, saltando em Cambridgeshire e conseguindo emprego como operário em uma fábrica próxima. Em um interrogatório, Jakobs contou que havia vários agentes nazistas infiltrados que estavam disfarçados operando na Inglaterra com o objetivo de verificar a localização de complexos industriais e áreas vitais para bombardeios. Jakobs entregou muitos de seus colegas o que ajudou a desarticular os planos nazistas na região, mas ele não conseguiu lembrar de todos os seus comparsas, um destes ele descreveu como "uma holandesa usando disfarce de imigrante e que chegou com um circo" e sobre sua aparência física se limitou a dizer "loira e com os dentes tortos".

Teria sido uma coincidência ou Bella foi realmente uma espiã? Mas se é esse o caso por que cortar sua mão direita? E por que escondê-la daquela maneira macabra dentro de uma árvore e num bosque considerado assombrado? É provável que nos jamais saibamos ao certo. Apesar de sua ajuda para desmontar o círculo de espiões, Josef Jakobs tornou-se o último indivíduo executado na Torre de Londres pela Lei Britânica. Seus segredos morreram com ele no momento em que um machado separou a cabeça de seu corpo em 15 de agosto de 1941.


Outras ideias sobre a identidade da vítima surgiram nos anos seguintes. Ela seria uma prostituta imigrante, uma cigana morta em um ritual, uma atendente recém chegada a uma taverna que foi morta por um cliente, ou uma mulher que simplesmente estava se escondendo no Bosque buscando proteção contra os bombardeios nazistas e que acabou encontrando coisa pior na forma de um maníaco. Mas embora existissem muitas teorias, nenhuma delas parecia se encaixar perfeitamente nos acontecimentos e o caso aos poucos foi sendo esquecido. Tudo o que restou foram as especulações. 

Ah sim, a última reviravolta a respeito desse caso ocorreu em 2009 quando autoridades pediram que o corpo de Bella fosse exumado para que os dentes fossem analisados por um grupo de dentistas forenses. O objetivo era comparar os dentes e retirar material de DNA para análise. Quando a sepultura foi escavada, os médicos ficaram em choque, o corpo havia desaparecido. Dentro do caixão encontraram apenas pedras e um item macabro, os ossos de um pássaro que não poderia ter chegado ali a não ser pelas mãos da pessoa que desenterrou e sumiu com os restos. Na ausência de qualquer material de DNA, exames modernos foram impossibilitados. Na mesma semana, rumores afirmavam que a polícia havia recebido um estranho envelope anônimo contendo apenas um pedaço de tecido amarelado enrolado na forma de um tubo. As autoridades nunca confirmaram ou negaram essa informação. 

O Mistério de Bella e de quem a colocou na árvore permanece como um dos casos mais enigmáticos e impenetráveis da Inglaterra. A polícia de hoje não sabe muito além do que sabia na data em que ela foi descoberta. Quem a matou ou porque, permanece uma questão que provavelmente jamais será respondida, o mesmo valendo para a identidade da mulher, passando por quem escreveu as mensagens. Tudo isso, contudo, serviu para construir uma duradoura lenda que continua fascinando e provocando aqueles que se debruçam sobre ela.