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domingo, 16 de outubro de 2011

Revistando os Bolsos - Uma lista de objetos corriqueiros que podem ser muito úteis

Em muitos RPG, o equipamento carregado pelo personagem é de suma importância. Armas, artefatos, manuscritos, itens de sobrevivência... qualquer coisa que possa ser útil para garantir uma vantagem em uma situação de necessidade é descrito na ficha do jogador.

Em ambientações Lovecraftianas, o equipamento não é, via de regra, tão importante. Com exceção de armas e livros, raramente o espaço de equipamento das fichas de jogo é preenchido pelos jogadores.

Bem, que tal mudar um pouco isso?

Aqui está uma pequena lista de objetos que tranquilamente poderiam constar no equipamento de investigadores dos Mythos de Cthulhu.

São objetos comuns, muitos deles corriqueiros que podem ser encontrados em qualquer lugar: levados nos bolsos, em pequenas valises ou no porta luvas de um carro. Mas o emprego de alguns desses objetos pode ir muito além da utilidade convencional deles e ajudar durante uma investigação.

Eu deixei de fora objetos óbvios como lanternas, blocos de notas e armas de fogo que são itens que nenhum investigador de repeito deixaria de carregar.

Caixa de Fósforos

Fogo é um recurso indispensável em muitas situações. Seja para acender uma tocha, queimar documentos que não devem cair nas mãos de seus rivais ou para preparar uma reconfortante fogueira no meio de uma floresta.

Palitos de madeira com uma ponta coberta de fósforo começaram a ser comercializados no início do século XVIII, mas eram incrivelmente perigosos pois a substância química podia inflamar ao menor atrito. A mera fricção causava a faísca e a chama, os primeiros fósforos foram responsáveis por incêndios acidentais e declarados um risco. Os fósforos de segurança, aqueles que devem ser riscados sobre uma superfície especialmente tratada (na borda da caixa) para se acender, garantem um maior grau de segurança.

Muitas das criaturas do Mythos são suscetíveis a fogo ou luz, o que faz dos fósforos um item valioso de ser carregado no bolso.

Isqueiros

Da mesma maneira que a caixa de fósforos o isqueiro permite que o investigador tenha acesso rápido a uma fonte de calor e luminosidade.

Isqueiros convencionais funcionam com uma pequena quantidade de líquido combustível estocado sob pressão em seu interior. Ao ser acionado o combustível (na época era usada nafta) se transforma em vapor expelido por um pequeno duto. O mecanismo de ignição é baseado no atrito de metal sobre uma pedra (flint) que gera uma faísca e acende o vapor, criando a chama.

Esses objetos passaram a ser vendidos no início do século XX e se espalharam rapidamente com a popularização dos cigarros. O mais conhecido dos isqueiros, o Zippo foi criado em 1932, e trazia a garantia de durar "a vida inteira" e resistir ao vento.

Os primeiros isqueiros, no entanto, não passavam pelas normas de segurança atuais e eram bastante perigosos. A nafta é um líquido volátil derivado da gasolina, a mesma substância usada em lança chamas. A explosão de um isqueiro cheio, colocado diretamente no fogo tem o mesmo potencial explosivo que uma garrafa de álcool.

Isqueiros também podem ser usados para comunicação à distância à noite. Na Grande Guerra, soldados em trincheiras conseguiam passar mensagens uns para os outros usando seus isqueiros para produzir faícas que escondiam um código.

Barbantes ou Cadarços

Mesmo inocentes barbantes e cadarços podem ter seu uso. Barbantes fortes podem ser usados para imobilizar as mãos de prisioneiros ou criar armadilhas em portas para causar tropeções. Usando um barbante como linha e um clipe de papel como anzol é possível "pescar" objetos que tenham caído em um bueiro ou alcançar as chaves de uma cela no outro lado da sala.

Lente de Aumento

Sherlock Holmes (ou melhor, seu criador Arthur Conan Doyle) foi o responsável pela popularização desse objeto como ferramenta investigativa. Holmes usava sua tradicional lente convexa de armação redonda para examinar pistas pequenas, verificar a composição mineral de um punhado de terra, o padrão das pegadas deixadas por um sapato na cena do crime ou para ler pequenas mensagens cifradas. É um item interessante para constar no equipamento de qualquer investigador que tenha contato com cenas de crime.

Uma lente de aumento também pode ser usada para iniciar fogo, concentrando radiação solar em um ponto focal por alguns instantes.

Caneta Tinteira

Até meados do século XX, não existiam canetas esferográficas, as cartas eram escritas com tinta à base de corante e canetas tinteiras (fountain pens). A caneta tinteira possuía um reservatório lacrado em seu interior que estocava a tinta. Ela descia através de um canal até a ponta metálica e aguçada.

A ponta das canetas tinteiras era feita de aço e em momentos de desespero podia ser improvisada como arma de perfuração. De fato, o autor Robert Stewart, no século XIX ficou famoso por ter escapado de um raptor, usando uma caneta tinteira como arma. O escritor norte-americano Ernest Hemingway relatou em suas memórias como correspondente de guerra, que certa vez usou uma caneta tinteira para apuhalar mortalmente um guerrilheiro na jugular.

Em certos momentos a caneta pode realmente ser mais poderosa que a espada.

No quesito armas improvisadas, investigadores do sexo feminino dispõem de uma peça de vestuário que pode se converter em uma arma. Os alfinetes de chapéu, implemento usado para prender a peça de vestuário na cabeça e evitar que ele voe, são basicamente uma longa agulha de metal.

Frasco de Bebida

O frasco de bebida (Silver Flask) se popularizou durante os tempos da Lei Seca. São pequenas garafas prateadas de metal com uma tampa de rosca fixa, discretas o bastante para serem guardadas no bolso do casacos ou paletó sem apresentar um volume suspeito.

Álcool (ou bebidas destiladas) pode ser usado como líquido combustível, para esterilizar objetos ou para lavar ferimentos.

Apesar de terem sido criados para o transporte de bebida alcóolica, uma silver flask pode ser usada para estocar em um compartimento seguro qualquer líquido, inclusive gasolina, éter ou Space Mead.

Frasco de Vidro

Invólucros de vidro podem ser bastante úteis em cenários em que uma pista precisa ser preservada ou quando um espécime precisa ser isolado para futura análise. Desde um tufo de pêlo de um byakhee, passando por uma cria viva de Eihort ou até a amostra de sangue de um ghoul.

Frascos de vidro com tampas de borracha são vendidos em farmácias e podem ser achados facilmente na valise de qualquer médico. Frascos envolvidos com barbante ou cortiça se tornam resistentes a eventuais choques e rachaduras.

Relógio de Bolso

No início do século, o relógio de bolso era um item que separava as pessoas simples dos cavalheiros. Embora os relógios de pulso (popularizados após a Grande Guerra) tenham gradualmente substituído os relógios de bolso, eles continuaram a ser usados até a década de 50.

Além do uso convencional - precisar as horas, um relógio podia ser usado para calcular a velocidade de um objeto e cronometrar o tempo com precisão. Alguns modelos especiais possuíam gadgets adicionais como termômetro, bússola e barômetro. Donos de relógios também incorporavam à corrente do relógio alguns objetos práticos para o dia a dia como cortador de charuto, chaves e apitos.

Por serem caros - e constituírem objetos de desejo mundo afora, relógios podem servir como moeda de troca em situações de grande necessidade. Não raras vezes exploradores e aventureiros tiveram de negociar seus relógios com nativos ou mercadores em troca de suprimentos ou carregadores.

Mesmo em um ambiente urbano, relógios podem ser úteis dessa forma. Um dos mais populares detetives da ficção, Sam Spade, carregava consigo duas ou três falsificações baratas de relógios de qualidade. Em mais de uma situação ele conseguiu subornar funcionários ou escapar de bandidos oferecendo relógios em troca. Outro uso interessante em uma estória detetivesca pode ser visto no filme Chinatown, quando o detetive em uma tocaia, coloca um relógio barato de baixo das rodas de um carro. Quando o suspeito sai com o carro, passa em cima do relógio registrando a hora exata em que deixou o local.

Espelho de Bolso

O espelhinho é um clássico na bolsa de qualquer mulher que precisa retocar a maquiagem e se manter atraente.

Além de servir à vaidade, um espelho de bolso é útil para enviar mensagens refletindo a luz do sol. Mata Hari, a célebre espiã holandesa enviava mensagens dessa forma para seus contatos. Nas trincheiras da Grande Guerra, espelhos eram usados por sinalizadores em balões e monomotores para passar mensagens rápidas à respeito da posição dos inimigos.

Espelhos também podem ser úteis como moeda de troca em sociedades primitivas. Os primeiros exploradores do Pacífico Sul levavam espelhos para trocar com os nativos por pérolas e outros tesouros precisosos.

Apito

Um simples apito pode ser extremamente útil para investigadores que se afastam de seus companheiros ou para grupos que resolvem se separar para explorar uma área aberta com visibilidade comprometida (seja uma floresta ou um vale repleto de densa névoa). Apitos também podem ser uados para mandar mensagens e pedidos de ajuda.

Apitos eram bastante comuns no começo do século e em grandes metrópoles eram distribuídos - sobretudo para crianças e mulheres - para servir como sinal de alerta em caso de perigo. Também era comum carregar apitos para chamar um taxi ou vendedores de rua.

Após o incêndio que destruiu Boston em 1872, milhares de "apitos de incêndio" foram distribuídos para a população. O objetivo era usá-los apenas em uma emergência de incêndio e seu uso desautorizado era passível de multa.

Bloco de Cera

Esse é um item usado por detetives particulares e investigadores de polícia para fazer moldes de chaves ou gravar um símbolo em alto relevo como o número de um chassi de automóvel. O bloco de cera é uma substância flexível de cor neutra, depositada em uma caixa semelhante a um estojo de maquiagem. Qualquer objeto pressionado com força contra ele deixa uma marca perfeita que pode ser usada para reproduzi-lo.

O Bloco de Cera é bastante comum também em sítios arqueológicos, onde seu uso é essencial para preservar o molde de uma placa, de um lacre ou para fazer cópias daquela misteriosa inscrição que recobre um artefatos coletado na escavação.

A cera também pode ser usada para proteger os ouvidos contra sons altos - e eventuais cantos hipnóticos, é útil para tapar buracos de bala no radiador de um carro ou vedar o escapamento de um cano.

Sais de Cheiro

Esse é um clássico em filmes de época onde uma dama desmaia ao presenciar algo chocante. Os sais de cheiro são um composto químico cristalino feito à base de amônia que age como estimulante respiratório. Basta aproximar os sais do nariz da pessoa para que ela desperte em um sobresalto. Hoje esse item pode parecer estranho, mas até os anos 30 era comum que senhoras tivessem um frasco de sais na bolsa.

Mais interessante são as aplicações desse item. A amônia é um elemento reativo que se exposto a altas temperaturas explode produzindo uma nuvem de gás tóxico. A substância também pode ser usada para induzir vômito - algo útil se o investigador tiver ingerido veneno ou coisa pior (já joguei uma aventura em que meu personagem engoliu um pedaço de Ubbo-Sathla! Quisera ter um frasco de sais na ocasião).

Luvas

Luvas são extremamente úteis em ocasiões onde o investigador tem de manipular alguma substância insalubre ou tocar objetos sem o risco de deixar impressões digitais comprometedoras na cena de crime.

Bússola

A boa e velha bússola deveria estar na lista de equipamento de todo o investigador que embarca em uma expedição de campo.

Já perdi a conta de quantos cenários participei envolvendo uma jornada através de uma floresta escura e desolada, ou um vale coberto de nevoeiro ou ainda um trecho de deserto inóspito. Quando o guardião pede por um rolamento envolvendo habilidades ligadas a sobrevivência as coisas em geral ficam feias, pois não é o tipo de perícia que investigadores urbanos possuem.

Uma bússola simples pode ser adquirida em qualquer armazém, as melhores bússolas tinham fabricação militar. Lembre-se, estamos falando de uma época em que não existiam os modernos GPS e nem todo lugar dispunha de sinalização.

Giz

Um pequeno pedaço de giz pode ser útil tanto em uma exploração do sistema de esgotos de uma grande cidade, quanto em um complexo de túneis secretos abaixo da Grande Pirâmide de Gizé. Um pedaço de giz pode servir para criar um símbolo de proteção no chão (quem sabe um Elder Sign), deixar uma mensagem ou indicar o caminho a ser seguido.

Poeira de giz também pode ser espalhada no chão para denunciar a presença de criaturas invisíveis (contanto que elas deixem pegadas) ou para denunciar a presença de manifestações invisíveis - sobretudo se você não tiver acesso a Poeira de Ibn-Ghazi.

Cigarros

Todos sabemos que fumar faz mal à saúde. Mas a primeira metade do século XX, fumar era uma questão de estilo e bom gosto. Cigarros são um item comum no bolso de qualquer investigador da época.

Muitos investigadores usavam cigarreiras para transportar seus cigarros. A boa notícia é que elas tem fechamento hermético e à prova d'água. Um ótimo compartimento para se guardar mapas, pistas e manuscritos valiosos. Quando os restos da Expedição Scott foram encontrados no Pólo Sul, documentos foram encontrados em perfeito estado justamente porque o explorador os guardou na cigarreira.

Cigarros também são um recurso valioso para ganhar a confiança de testemunhas ou estabelecer empatia. Pode conferir em qualquer filme noir: quando um detetive quer agradar um contato ou fazer uma testemunha abrir o bico, a primeira coisa que ele faz é oferecer um cigarro.

Linha e Agulha

Com a depressão, as pessoas não mais se desfaziam de suas roupas, ao invés disso, remendavam furos e costuravam os rasgos para que pudessem continuar usando essas mesmas roupas. Agulha e linha e os chamados kits de costura (sewing kits) se tornaram um item comum, carregado tanto por homens quanto mulheres da época.

Uma agulha pode ser útil para transmitir veneno por contato. Se o investigador tiver um canudo pode até improvisar uma perigosa zarabatana.

Em caso de necessidade a linha pode ser usada para suturar ferimentos sofridos (argh!). Já em se tratando de sobrevivência, a linha pode ser usada para pescar e a agulha empregada na construção de uma bússola improvisada (desde que a pessoa tenha um pedaço de imã).

Chapéu com bolso de Feltro

O chapéu é um item de vestuário indispensável na época em que se passa a maioria dos jogos Lovecraftianos.

O que poucas pessoas sabem é que era relativamente comum na época fazer uma espécie de bolso interno de feltro no interior do chapéu. Não se trata de um grande espaço, mas é o suficiente para esconder uma folha de papel, uma identificação ou quem sabe um frasco de veneno. No final da Segunda Guerra, os líderes nazistas esconderam no feltro do chapéu as notórias pílulas de cianureto usadas para se suicidar caso fossem capturados.

Canivete Suiço

O canivete criado pelo exército suíço é um ícone da praticidade acondicionado em uma mesma ferramenta compacta.

Produzido a partir de 1890, os canivetes desse tipo passaram a ser vendidos na década de 1920 encontrando um grande mercado consumidor. Os canivetes suíços produzidos nessa época tinham além de duas lâminas de aço inoxidável (que podiam ser usadas como arma), abridor de latas, saca rolhas, cortador de arame e chave de fenda. Alguns modelos militares também dispunham de uma ferramenta usada para abrir e limpar rifles.

Cortador de Charuto

Era muito comum, cavalheiros, sobretudo da alta sociedade, fumarem charutos após as refeições. O cortador era uma espécie de pequena guilhotina usada para preparar o charuto aparando a ponta dele.

Um cortador pode ser perigoso pois a lâmina é afiada o bastante para decepar um dedo. Em vários filmes, o cortador é usado como ferramenta de intimidação ou instrumento de tortura nas mãos de vilões sádicos. Investigadores propensos a usar os métodos dos vilões podem usar esse instrumento (e perder alguns pontos de sanidade no processo!)

* * *

Bem, estes são alguns itens básicos e corriqueiros que podem ser úteis. Não desmereça aquele pedaço de barbante, ele ainda pode salvar a vida de seu personagem.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Motos clássicas - Modelos para os anos 20 e 30

Não sou nenhum especialista em motocicletas, mas fiz alguma pesquisa para escrever esse artigo a respeito das motocicletas clássicas no período de 1900-1942 (época em que se passa a maioria dos cenários de CoC).

Imagino que possam haver alguns erros nessas descrições e que algum expert no assunto possa apontar inconsistências técnicas. O objetivo do artigo, é claro, não é ser técnico ou 100% fiel, mas conceder um sabor a aventuras que tenham personagens que saibam pilotar essas máquinas incríveis.

O que pode ser mais empolgante do que fugir de um Dark Young em alta velocidade em uma Harley-Davidson JD? Ou quem sabe correr pelo deserto enquanto um colega metralha uma horda de Sand Dwellers em seu sidecar?

Motos, Metralhadoras e Cthulhu... o que poderia ser mais cool?

Harley-Davidson 5D V-Twin 1909

A primeira motocicleta produzida pela Harley-Davidson com o inovador motor em formato de "V" disposto em ângulo de 45 graus, era capaz de alcançar a velocidade de 90 km/h, sendo considerada a moto mais rápida da primeira década do século XX.

Infelizmente era uma moto frágil que não rodava tão bem em qualquer terreno e exigia do piloto alguma habilidade. Mesmo assim é uma moto de corrida vitoriosa que venceu praticamente todas as corridas de sua época e entrou para a história pelo design inovador.

Harley-Davidson Model J - 1915

A primeira grande evolução das Motocicletas aconteceu em 1915 com o lançamento da Modelo J. Os pilotos da Harley-Davidson queriam algo mais arrojado, mais rápido e com mais estabilidade em terreno irregular. A Modelo J foi a resposta. O slogan da moto já dizia tudo: "A motocicleta que vai onde você quiser levá-la".

Esse modelo parecia ser feita para estradas off-road e tinha um ótimo desempenho em pistas de terra e lama. Ela era também muito leve e permitia que o motorista ajudasse a moto em subidas colocando um pé no chão. Esse modelo também foi o primeiro a ter um farol elétrico frontal e luz traseira que garantia segurança à noite. A Modelo J parecia ter sido feita para corrida de longa duração: era econômica, leve e resistente.

Harley-Davidson WJ Sport Twin with Sidecar - 1920

Com o fim da Grande Guerra, a Harley-Davidson voltou a se fixar em veículos para os tempos de paz. O modelo WJ surgiu como uma "motorcicleta para o homem moderno". Um veículo que era ao mesmo tempo bonito, esportivo, silencioso e prático.

O modelo WJ não era tão potente quanto os anteriores, mas era uma máquina adaptada para andar nas ruas das grandes cidades e não apenas no circuito off-road. O motor econômico, a estabilidade e a aderência tornaram essa moto o modelo mais seguro e confiável de sua época. A grande inovação eram os freios traseiros especialmente úteis nos centros urbanos e a ignição eletrônica que garantia o funcionamento em qualquer tempo. Outra inovação foram os sidecards que podiam ser adaptados na lateral da moto permitindo que ela levasse passageiros de carona.

No início de sua carreira, a WJ se tornou o modelo mais popular do mercado. A primeira motocicleta que rivalizou com os automóveis mais vendidos de seu tempo. Para se ter uma idéia o Ford T custava US$ 395 dólares, enquanto a WJ saia por US$ 380.

Harley-Davidson 8-Valve Racer - 1921-1928

Não se engane com a aparente fragilidade dessa moto, ela é um verdadeiro demônio das pistas. A Racer foi projetada exclusivamente para corrida e é a moto que a Harley-Davidson desenvolveu para ser a sua campeã de velocidade. Tudo nela foi adaptado para rapidez e performance em corridas.

As 8 válvulas faziam ela literalmente voar como um foguete e os primeiros engenheiros mecânicos chegaram a afirmar que ela jamais seria um veículo seguro para ser pilotado. Mas vários pilotos discordaram e aqueles ousados o bastante para dominá-la sagraram-se campeões e recordistas em praticamente todas as provas disputadas, o que valeu o apelido de "Equipe de Demolição".

Em Fevereiro de 1921, em Fresno na Califórnia, o piloto Otto Walker quebrou o recorde de velocidade ao atingir 172 km/h e logo em seguida por vencer uma corrida desenvolvendo velocidade média de 162 km/h em uma corrida de 50 milhas. Mais de 60 anos teriam de passar até que esse segundo recorde fosse quebrado.

O grande problema da Racer é que era uma moto para profissionais. Acidentes fatais acabaram acontecendo e a linha foi descontinuada para venda ao público ficando restrita aos pilotos de corrida. Seu alto custo fez comq ue a Harley cessasse sua produção, até hoje alguns afirmam que a firma parou de produzir a Racer por ela ser muito superior a todos os seus oponentes.

Harley-Davidson Model JD - Police Department - 1927


Potência! É isso que muitos entusiastas da Harley-Davidson desejavam depois da WJ. Uma máquina que fosse imponente, forte e cujo motor fizesse a diferença.

A Harley JD era uma fera, a precursora das enormes máquinas que marcaram os anos 60-70. Ela foi também o primeiro modelo em que o motorista pilotava quase de pé no quadro da moto, reforçado e com um assento elevado e acolchoado. Os pneus da JD também eram mais largos o que garantia estabilidade. Um dos apelidos da JD era "corcel", pois ela viajava pelas estradas com maciez e com um ronco inconfundível. O tanque de combustível também foi adaptado para longas viagens e tinha um ótimo desempenho em matéria de consumo. Foram os modelos JD que incorporaram as bolsas semelhantes a celas onde o motorista podia carregar objetos necessários em longas jornadas. Em 1929, Dweight Law cruzou a América de costa a costa em uma JD, da Califórnia até New York. No filme "Fugindo do Inferno", Steve McQueen pilota uma JD enquanto foge dos nazistas.

Esse modelo de motocicleta se tornou famoso por ter sido associada a polícia rodoviária em vários estados nos EUA. A moto era a preferida de agentes rodoviários que cruzavam as estradas velozmente. A California Highway Patrol (CHiPs) foi instituída em 1930 e seus patrulheiros usavam Harley-Davidson JD em serviço.

Harley-Davidson Flat-Head EL Model "Knucklehead" - 1936

A famosa Harley-Davidson EL é uma verdadeira lenda.

Ela foi criada durante os anos mais negros da Grande Depressão, do Dustbowl e da Crise, mas também uma época em que a febre por motocicletas estava no auge. A Harley-Davidson estava disposta a inovar e seus construtores se superaram com o motor OHV (Over Drive Valve) capaz de atingir 1000 cc.

Mas a EL não era diferente apenas na parte mecânica, seu visual era distinto de todas as máquinas da época. O sucesso da JD incentivou os construtores a criar algo ainda maior e imponente. O tanque inteiro foi redesenhado, um novo painel mais moderno foi idealizado e uma caixa com quatro marchas de velocidade adicionada.

Essa foi considerada uma das melhores máquinas disponíveis, o tipo de motorcicleta que marcou época e que ainda hoje se distingue pelos traços arrojados. Quando alguém fala de Harley-Davidson a primeira imagem que surge é esse modelo.

O nome "Knuclehead" vinha da cabeça dos cilindros no motor que eram encimadas por uma cobertura semelhante a uma manopla emborrachada. Essa é a moto que aparece no filme Indiana Jones e a Última Cruzada pilotada pelo intrépido Dr. Jones.

Harley-Davidson WLA - Army Service - 1942/1945


No filme Capitão América, o personagem título pilota uma dessas motos e não é à toa!

A WLA foi a motocicleta usada pelo exército americano na Segunda Guerra Mundial e era chamada de "Liberator".

Desde o primeiro conflito mundial, as forças armadas tinham enorme interesse nos veículos Harley-Davidson, mas foi na Segunda Guerra que elas se converteram em uma parte importante das atividades militares com mais de 90 mil unidades usadas nos campos de batalha em todo mundo.

As principais características estéticas eram sua pintura verde-oliva e paralama dianteiro mais alto. Banco revestido em couro com molas na parte inferior e farolete para ampliar a visão noturna também faziam parte do conjunto. A suspensão dianteira era Springer (molas na parte superior, perto do farol, que é usada até hoje) e a traseira, tipo rabo-duro. Esta "guerreira" tinha freios a tambor em ambas as rodas. A WLA trazia ainda vários acessórios. Entre eles, alforje para transportar o rádio, bainha em couro para o rifle, protetor de pernas e parabrisa. Além de filtro banhado a óleo, que não deixava a poeira entrar no sistema de refirigeração.

Dá para imaginar uma moto dessas num campo de batalha ou em meio a um Raid como o de Innsmouth.

Indian Scout - 1928

Depois de tantas versões construídas pela Harley-Davidson essa moto parece uma estranha no ninho. Mas não se pode falar de motocicletas clássicas da primeira metade do século XX sem abrir um parênteses e mencionar a Indian Scout.

A maior concorrente, e para muitos a única moto da época tão eficiente a ponto de competir com as inovações da H&D. Mas o que transformou a Indian num ícone? Pode-se falar de seu motor em V (copiado da Harley, é verdade) capaz de imprimir 600 cc ou de seu design inovador do quadro que permitia ao piloto dirigir quase deitado no banco (para muitos ela foi a precursora das motos de alta velocidade como a Kawasaki Ninja). Para outros é a facilidade com que a moto respondia aos comandos de seu condutor, com uma agilidade e rapidez impressionantes.

A Indian também tem seu lugar na galeria dos objetos de desejo. Assim como a Ferrari, seus modelos eram pintados na cor vermelha metalizada e eram máquinas construídas quase artesanalmente. Seus engenheiros diziam que "qualquer motorista podia ter uma Harley-Davidson, mas os pilotos preferiam uma Indian".

O modelo 1927 está no rol das três melhores motos de todos os tempos (atrás de duas H&D) e isso não é pouca coisa. Outra razão dela estar na lista é que a fábrica principal da Indian ficava na Nova Inglaterra. E finalmente, ela está aqui, por ser uma das minhas favoritas...

domingo, 14 de agosto de 2011

O rugido do motor - A legendária história da Harley-Davidson Motor Company

A centenária Harley-Davidson é muito mais do que um ícone da cultura norte-americana, é certamente a mais tradicional fabricantes de motocicletas do mundo.

A história da marca teve um começo humilde em 1903, num barracão localizado nos fundos da casa de dois jovens irmãos Arthur e Walter Davidson, no município de Milwaukee, em Wisconsin. A dupla, que tinha em torno de 20 anos, acabava de se associar com William S. Harley, de 21 anos, para construir artesanalmente um pequeno modelo de motocicleta destinado às competições regionais. Foi em um pequeno barracão que servia de garagem que tiveram a idéia de adaptar um motor de um cilindro ao quadro de uma bicicleta. O objetivo era conseguir impulsão e velocidade. Depois de realizar vários testes, conseguiram equalizar a potência do motor com a resistência do quadro.

A primeira máquina digna de ser chamada de motocicleta recebeu o nome de Silent Grey Fellow e tinha um motor de um cilindro com potência de 410 cc. Três dessas máquinas quase artesanais foram montadas e vendidas, nascendo assim a “Harley-Davidson Motor Company". Harley deu início ao curso de Engenharia Mecânica e com seus conhecimentos retificou a Grey Fellow concedendo a ela 4 cavalos de força e um design mais forte e arrojado que seria marca registrada da companhia.

Os negócios começavam a evoluir e o nome Harley Davidson começou a ganhar fama quando em 1905 uma de suas motocicletas venceu, em Chicago, sua primeira competição de velocidade. Cerca de 50 máquinas foram negociadas e com a vitória em corridas de resistência e ralys de longa distância a Harley se tornou sinônimo de máquina durável e eficiente.

Seus fundadores decidiram abandonar as modestas instalações iniciais e se instalaram num armazém muito maior, contando com funcionários, montadores e mecânicos. Nesse período a produção já era de 100 máquinas por ano com fila de espera para compraa. Em 1907, a marca Harley Davidson bateu todos recordes de sobriedade, fazendo incríveis 300 quilômetros com apenas 5 litros de combustível. O desempenho superior atraiu vários compradores e a polícia de Chicago adotou a Harley como veículo oficial para patrulha de estradas no estado de Michigan.

No ano de 1909, a Harley-Davidson Motor Company, então com seis anos de vida, apresenta a sua primeira grande evolução tecnológica no mercado de duas rodas. O mundo assistiu ao nascimento do primeiro motor V-Twin montado em motocicletas, um propulsor capaz de desenvolver 7 cavalos – uma potência considerável para aquela época. Em pouco tempo, a imagem de um propulsor com dois cilindros dispostos num ângulo de 45 graus tornou-se um dos ícones da história da Harley-Davidson. Outras inovações se seguem como o acelerador de punho rotativo e a caixa de três velocidades.

Os aprimoramentos na Harley Davidson a colocaram muito à frente de suas concorrentes, inclusive a legendária Indian, e entre 1908 e 1914 motocicletas Harley dominaram praticamente todas as principais corridas nos Estados Unidos. Em 1909 a notoriedade da Harley Davidson chegou ao mercado exterior e a companhia passou a vender máquinas para a Europa. Para atender a demanda crescente foram abertas concessionárias em todo território norte americano e logo em seguida em outros países.

Com a entrada dos EUA na Grande Guerra em 1917, os militares desejavam veículos capazes de se deslocar em terrenos irregulares. A fácil manutenção e a resistência das Harley Davidson conquistaram o Pentágono que fechou um contrato para a compra de nada menos que 17 mil motocicletas para suprir o exército americano. Diz a lenda que um soldado pilotando uma Harley-Davidson equipada com side-car foi o primeiro a entrar em território alemão. As motocicletas também serviam como batedores e para entregar mensagens na Terra de Ninguém devastada por bombardeio.

Em 1917, uma unidade especial de motociclistas foi formada no Texas e recebeu a incumbência de se juntar a tropa comandada pelo General "Black-Jack" Pershing na caçada ao rebelde mexicano Pancho Villa. Apesar de Villa não ter sido capturado, a divisão motorizada empreendeu uma busca implacável pelo território mexicano.

Por volta de 1920, com cerca de 2.000 distribuidores espalhados por 67 países, a Harley-Davidson já era a maior fabricante de motocicletas do planeta. Na mesma época, o piloto Leslie “Red” Parkhurst quebrou 23 recordes mundiais de velocidade com uma motocicleta da marca. A Harley-Davidson foi a primeira empresa, a vencer uma prova de velocidade superando a marca dos 160 km/h.

A Companhia no entanto não passaria incólume à Grande Depressão e a crise atingiu a empresa com força fazendo as vendas despencarem vertiginosamente. Para sobreviver a Harley Davidson diversificou suas vendas e passou a trabalhar com motores industriais e peças automotivas.

Em 1931, a Harley Davidson chegou ao Japão, com o nome Rikuo, e o país se tornou o mercado consumidor mais ávido da marca. A companhia também passou a exportar motocicletas para Argentina, Espanha, México, Venezuela, Brasil e Austrália o que garantiu sua sobrevivência nesse período conturbado. Nessa época várias forças policiais também já estavam equipadas com modelos Harley Davidson empregadas pela polícia rodoviária federal.

Em 1936, a empresa introduziu o modelo EL, conhecido como “Knucklehead”, equipado com válvulas laterais. Esta moto foi considerada uma das mais importantes lançadas pela Harley-Davidson em sua história, seu motor era capaz de desenvolver até 1300 cc de potência.

Durante a Segunda Guerra, a Harley se tornou a moto mais presente em campos de batalha figurando em praticamente todas as frentes de batalha, da Europa Ocidental até o Norte da África, passando pela Rússia e Oriente Médio até as Ilhas do Pacífico. O motor da Harley foi desmontado e copiado por praticamente todos os exércitos envolvidos no Conflito, tanto do lado Aliado quanto do Eixo. As forças armadas do Terceiro Reich possuíam divisões inteiras de motocicletas, idênticas às Harley Davidson com sidecars armados com metralhadora .40. Os soviéticos haviam adquirido pelo menos 30 mil motos Harley largamente utilizadas em batalhas travadas em cenários urbanos devastados como Stalingrado.

Quando os Estados Unidos finalmente se juntaram a Guerra em 1941, a empresa voltou a fornecer suas motocicletas para o exército norte-americano e seus aliados. Quase toda a sua produção, calculada em torno de 90 mil unidades, foi enviada para as forças norte-americanas neste período. Um dos modelos desenvolvidos pela Harley-Davidson especialmente para a guerra foi o XA 750, que era equipado com um propulsor horizontal com cilindros opostos, destinado principalmente para uso no deserto. A Harley Davidson Motor Company pelos seus serviços ao esforço de guerra foi agraciada com dois certificados de Excelência de Produção.

Em novembro de 1945, com o fim da guerra, foi retomada a produção de motocicletas para uso civil. Dois anos depois, para atender a demanda crescente de motocicletas, a empresa abriu as portas de uma segunda fábrica – a planta de Capitol Drive -, em Wauwatosa, também no estado de Wisconsin. Em 1952, foi lançado o modelo Hydra-Glide, a primeira motocicleta da marca batizada com um nome – e não com números, como acontecia até então.

A festa em homenagem aos 50 anos da marca, em 1953, não contou com seus três fundadores originais, mas marcou a entrada da Harley em uma nova era. As festividades, em grande estilo, apresentaram uma logomarca em homenagem ao motor disposto em “V”. Neste ano, com o fechamento da companhia Indian, a Harley-Davidson tornaria-se a maior fabricante de motocicletas dos Estados Unidos pelos próximos 46 anos e lançaria seu nome na história como a mais icônica das companhias de motocicletas do mundo.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Investigadores armados até os Dentes - Armas, Leis e Bom Senso

É inevitável!

Mais cedo ou mais tarde os jogadores vão querer comprar armas de fogo para seus personagens e o mestre vai se perguntar se deve ou não permitir isso.

Como lidar com a questão das armas nas ambientações de horror? Já que estamos falando de armas de fogo vamos a algumas idéias que podem ajudar o Guardião a tratar da questão nos seus cenários.

Call of Cthulhu (e também Rastro de Cthulhu) se difere de outros RPG mais tradicionais por desencorajar personagens armados até os dentes ou com habilidades combativas elevadas. Em contraste com outros sistemas que privilegiam o enfrentamento, as regras de combate em ambientações tipicamente Lovecraftianas possuem apenas umas poucas páginas.

Isso acontece porque o foco principal da ambientação é a investigação e não o combate. Os personagens em essência são pessoas comuns, com ocupações comuns que não possuem familiaridade com armas.

Ao menos essa é a teoria.

Infelizmente os personagens logo descobrem que habitam um mundo incrivelmente perigoso. Cultistas e maníacos planejam matá-los na primeira oportunidade. Estranhas criaturas sedentas de sangue podem ser invocadas. Horrores assombrosos emergem das trevas do tempo e espaço. Quanto mais fundo os investigadores mergulham nos mistérios do Mythos, mais perigoso e instável se torna o mundo ao seu redor.
É natural portanto que eles queiram sentir a segurança (ainda que ilusória) proporcionada por armas de fogo.
Embora armas não possam substituir uma mente astuta, elas são ferramentas bastante úteis numa investigação. Uma vez que armas de fogo são o armamento mais poderoso disponível, elas quase sempre desempenharão um papel no seu jogo. O Guardião deve lembrar algumas coisas antes de permitir que seus jogadores banquem o Rambo e comecem a comprar armamento pesado, minas terrestres, bazucas, lança chamas e o que mais estiver no livro básico.

Em primeiro lugar, argumente com os jogadores que os investigadores são pessoas normais arrastadas para o horror através de acontecimentos extraordinários. Os personagens (via de regra) não possuem um treinamento apropriado para utilizar armamento. É mais provável que os investigadores em início de carreira tenham armas simples (se é que as tenham) como o .22 ou .32 ao invés de espingardas ou metralhadoras Thompson.

Além disso, o Guardião pode pedir que os jogadores justifiquem porque personagens absolutamente normais teriam em seu poder armas que não são sequer comercializadas. Qual seria a justificativa para um médico possuir uma pistola Colt .45? Por que a escritora teria em sua casa uma espingarda calibre 12? O que explicaria um pacato professor de antropologia possuir uma caixa de granadas?

E mesmo que os personagens tenham uma justificativa para possuir tais armas, é preciso ter em mente que esses indivíduos não esperam ter de usá-las. O antiquário pode ter em sua loja um Colt Peacemaker da Guerra da Secessão, mas ele normalmente não sai com ele na rua. O mesmo vale para o arqueólogo que possui em sua casa um rifle usado durante uma escavação na Guatemala ou o Diletante que certa vez fez um safari na África e guarda uma Elephant Gun sobre a lareira. Esses personagens possuem armas mas dificilmente ponderariam usá-las, exceto nas situações mais desesperadoras e mesmo assim com habilidades básicas.

Existem aqueles personagens que tem o direito de possuir armas de fogo como parte de sua ocupação. Detetives, militares, policiais e agentes federais tem a prerrogativa de portar armas para sua defesa e o treinamento necessário para usá-las. No entanto, mesmo estes devem obedecer uma série de leis criadas com o ímpeto de restringir o uso letal das armas.

Se o grupo sobreviver a sua primeira investigação do Mythos e tiver testemunhado a existência de criaturas e cultos, é bem provável que eles queiram comprar armas.

Isso nos leva a velha máxima: "aquilo que não nos mata, nos inspira a comprar armas maiores".

Contudo, armas são uma resposta pouco eficaz para combater o Mythos e é bem possível que o grupo descubra da pior forma possível que suas armas não serão úteis contra todos inimigos.

Na América e em outras partes do mundo que podem ser chamadas de "menos civilizadas" é possível para os personagens aumentar seu poder de fogo. Entretanto um grupo que começa a buscar no mercado negro por pistolas automáticas, metralhadoras e explosivos, acabará atraindo a atenção das autoridades que os investigará assumindo que qualquer um com tamanho arsenal deve ser um criminoso, contrabandista ou terrorista.

Um grupo inteligente usará suas conexões no submundo para obter essas armas através de terceiros e as deixarão ocultas até o momento de usá-las. Outra possibilidade é desviar armamentos através de contatos na polícia ou nas forças armadas. Sempre é possível que uma caixa de armas e munição à caminho da América Central se perca no caminho e vá parar nas mãos de alguém com os devidos recursos e contatos. Mesmo explosivos podem ser obtidos se o grupo tiver conhecidos que trabalhem com pedreiras, minas ou prospecção.

Investigadores sábios poderão aumentar seu poder de fogo sem atrair a suspeita da polícia recorrendo ao uso legítimo. Isso significa comprar rifles de caça e espingardas esportivas em lojas de armas. Ainda que estas armas sejam menos potentes que o armamento militar, elas são legais na maioria dos lugares.

Leis de Armas na América

Armas de fogo sempre foram extremamente comuns nos Estados Unidos. A Constituição norte-americana garante em sua segunda emenda possuir armas de fogo como forma de enfrentar governos totalitários, invasores estrangeiros, para fins de sobrevivência e defesa pessoal. Acreditem ou não, estes termos estão na Lei Máxima e justificam até os dias atuais o direito garantido a qualquer cidadão que deseja possuir uma arma.

Até o começo do século XX, armas de fogo e munições podiam ser compradas em lojas especializadas, armazéns, armarinhos, bazares e mesmo em farmácias sem necessidade de porte ou comprovação de treinamento.

Uma tradição consagrada - quase um ritual de passagem - era o pai ensinar ao filho como manusear armas de fogo. Armas de caça eram mais comuns no interior, mas isso não significa que a população urbana estivesse desarmada. Pessoas que viajavam frequentemente costumavam ter "armas de viagem", que eram levadas para auto-defesa quando o indivíduo tinha de pegar a estrada ou deixar a segurança de sua cidade. Armas também eram comuns para defesa da família e era comum o pai de família ter uma arma para defender seus parentes em aso de necessidade.

Nos anos 20, projetos de lei começaram a limitar o acesso civil a armas. A Legislação Federal passou a regular a fabricação, venda e posse de armas em todo território americano. O objetivo principal dessas leis era proteger o público de criminosos, lunáticos ou terroristas (anarquistas também eram uma fonte constante de preocupação na época) que adquiriam armas com facilidade. No início do século vários presidentes americanos foram vítimas de agressores armados o que justificava uma medida para limitar o aceso do público à armas.

Em 1927, passou a ser ilegal para civis fabricar armas caseiras, comprar pólvora e remeter armas através do correio. Além disso, apenas armeiros licenciados tinham autorização para produzir e negociar armas de fogo.

O Ato Nacional de Armas de Fogo, assinado em Julho de 1934 foi a lei mais significativa para regular o acesso à armas de fogo nos Estados Unidos. O ato baniu armas automáticas para a população civil, limitando seu uso a certas agências governamentais, polícia, militares e agências de segurança (inclusive detetives particulares e guarda-costas).

Não era permitido que civis portassem armas de fogo automáticas a não ser que tivessem uma licença especial assinada por alguma autoridade federal. Obter esses papéis exigem conhecer alguém na esfera federal, ter contatos ou convencer uma pessoa a conceder tal favor. Não é de todo impossível conseguir essa autorização, mas o investigador almejando essa licença deve especificar como a obteve, do contrário estará contra a lei.

Outro elemento importante do ato foi tornar ilegal a remoção ou adulteração de números de série e outras marcas de identificação em armas de fogo. Armas modificacadas dessa forma passaram a ser consideradas ilegais e seus donos processados.

Finalmente, o ato limitou a posse de rifles e espingardas considerados potentes além do necessário para caça, esporte e sobrevivência. Isso significou a proibição de armas como a mortal espingarda calibre 12 como arma de defesa e esporte.

Se por um lado a legislação limitou o acesso a certos tipos de arma, ela não se manifestou quanto a uma idade mínima para o porte ou a respeito de treinamento obrigatório das armas ainda permitidas. Leis restritivas a esses itens só surgiram a partir da década de 60.

Leis de Armas na Grã-Bratanha

Nos anos 20-30, armas de fogo eram ainda mais difíceis de serem obtidas por civis na Grã-Bretanha. As leis inglesas possuem uma antiga tradição contrária a disseminação de armas de fogo entre a população.

A população civil em geral não podia portar armas automáticas sob hipótese nenhuma. Licenças especiais podiam ser concedidas a ex-militares e detetives, mas estas eram bem mais difíceis de serem emitidas e a mesma precisava ser renovada anualmente.

Revólvers e armas semi-automáticas também careciam de um porte especial concedido pela polícia e que estava sujeito a avaliação. A Inglaterra foi o primeiro país a instituir o porte de armas. Curiosamente rifles e espingardas só passaram a ser consideradas como armas vedadas a população civil em 1938, isso explica porque era mais fácil encontrar rifles e espingardas entre civis do que pistolas.

As leis britânicas eram bem menos rigorosas a respeito de súditos que desejassem sair da Inglaterra e viajar pelas colônias que faziam parte do Império. O Gabinete Colonial podia emitir licenças especiais para cidadãos ingleses que desejassem adquirir e portar armas quando estivessem em territórios do império. Essa permissão incluía pistolas automáticas, rifles e espingardas. Dessa forma, um súdito do Rei podia justificar a compra de uma pistola se fosse fazer uma viagem para a Austrália, Canadá, Quênia ou India.

Força Letal e as Leis

Armas são adquiridas para auto-defesa. Indivíduos que compram armas e começam a disparar ao menor sinal de perigo correm o risco de terminar acusados de assassinato, presos ou abatidos pela polícia.

Na maioria dos países civilizados a auto-defesa é uma faculdade que exime o indivíduo de punição. Contudo existem princípios que devem ser seguidos por aqueles que alegam a legítima defesa: o uso de armas deve ser evitado à todo custo e o emprego dessas armas só é aceito em última instância. Mesmo assim, força letal só é aceita em último caso. Isso significa que uma ameaça não-mortal, jamais justifica o uso de força mortal para defesa.

Portanto, se um dos investigadores sacar uma arma e abater um cultista que avançava contra ele invocando uma magia, terá de se explicar com a justiça. Não importa se o cultista era um maníaco enloquecido, se ele não estava comprovadamente ameaçando a vida do investigador é quase certo que este enfrentará acusação por homicídio.

Os jogadores devem compreender esses princípios do contrário podem surgir na mesa de jogo personagens que não se importam de atirar diante da mera sugestão de ameaça.

Conclusão:

Armas de fogo podem ter uma importância crítica em seus cenários quando usadas corretamente. Elas são uma forma de salvaguardar a integridade dos personagens contra ameaças menores. Os jogadores devem compreender que armas de fogo são um recurso válido para a proteção de seus investigadores mas que nem sempre ele é uma garantia de sobrevivência.

Ademais precisam entender que possuir armas de fogo não se traduz em usar indiscriminadamente essas mesmas armas. Há graves implicações em disparar essas armas, mesmo contra cultistas se não existir evidências de que a situação demandava essa medida enérgica.

Investigadores devem pensar bem antes de atirar, mesmo que eles estejam se defendendo de um Byakhee dando um vôo rasante ou de um ghoul saíndo de um esgoto. Eles devem se recordar que armas produzem barulho e que atraem as autoridades. Se um policial ouvir o estampido de um revólver sem dúvida irá querer uma justificativa e de nada adiantará jogar a culpa em uma criatura que sumiu na noite sem deixar vestígios.

Vários personagens da ficção lovecraftiana terminaram presos por usar armas em um momento de desespero, pior ainda ao tentar justificar seus atos acabaram sendo considerados mentalmente perturbados por revelar em que eles estavam atirando. Portanto, cuidado com as explicações.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Armas Futuristas em pleno Século XX - Mauser e Luger

O final do século XIX e início do Século XX foi uma época de grande desenvolvimento para armas de defesa pessoal. Até essa época, as armas funcionavam através de um mecanismo de dupla ação e eram municiadas através de um cilindro móvel. O mecanismo acabou dando nome para todo o gênero desse tipo de arma e o revólver se espalhou pelo mundo tornando-se a mais difundida arma de fogo.

Mas no início do século XX, tudo isso estava para mudar. Na Alemanha, a proeminente indústria bélica, estava desenvolvendo um novo conceito para armas de fogo que iria revolucionar essa indústria.

Os projetistas alemães sabiam bem que uma arma de fogo poderia ser potencialmente mais letal se ela permitisse disparos contínuos. Eles criaram um mecanismo que usava a força do recuo ou pressão para carregar automaticamente a arma. Cada vez que o gatilho é acionado a arma dispara e uma nova bala fica em posição para o disparo. Assim nasceram as armas automáticas.
Outra inovação da época foi o pente de munição. Através dele, as balas seriam acondicionadas na arma através de um carregador, manualmente inserido na parte posterior. O mecanismo era bem mais prático que o cilindro do revólver, que comportava uma quantidade limitada de disparos e que demorava para ser recarregado. O atirador poderia facilmente descartar um pente e inserir outra para continuar atirando. Além disso, o número de balas era maior, enquanto um revólver normalmente aceitava 6 balas (daí o nome six-shooters) as armas com pente (clip) aceitavam até 10balas.

Finalmente a inovação final veio com o formato diferenciado dessas ovas armas. Se os revólvers tinham um formato padrão, as armas alemãs eram modernas e diferentes de tudo o que já tinha sido visto. Além disso, o formato concedia estabilidade e maior precisão.

Duas pistolas ganharam fama e se tornaram ícones: a Mauser M-96 e a Luger p08.

MAUSER M1896

Mais conhecida como "Broomhandle" (Cabo de Vassoura), a M1896 é uma das mais distintas armas de fogo produzidas e continua sendo um item popular entre atiradores e colecionadores, apesar de ter mais de um século. O apelido, é claro, surgiu em função do cabo de madeira estreito. A recarregador é inserido através de um mecanismo de mola na frente do gatilho e comporta 10 balas.

Desenhada e construída na Alemanha, a produção em massa se iniciou em 1896 com modelos utilizando a potente munição 7.63 mm, a mesma utilizada nos rifles da infantaria alemã. Vendida para o exército imperial germânico, a pistola Mauser logo se converteu em uma arma notável, usada pelos oficiais de carreira.

Na Grande Guerra e na Guerra Civil espanhola, a Mauser foi adaptada para receber munição ainda maior com 9 mm. Essas armas eram usadas com uma ombreira de madeira que podia ser encaixada na parte poterior, transformando-a em uma espécie de rifle compacto.

O Broomhandle foi criado originalmente na Alemanha, mas foi produzido em vários outros países, incluíndo Noruega, Espanha e China. O exército imperial russo também se interessou por essa arma e mais de 200 mil unidades foram enviadas para a Rússia pouco antes da Grande Guerra. Posteriormente elas acabaram caíndo nas mãos dos Revolucionários bolcheviques. Tavez daí venha a fama do Mauser como pistola preferida de guerrilheiros e insurgentes até os dias atuais.

Mesmo sendo uma arma atraente, o Bromhandle tem algumas desvantagens. A principal é que sua produção é cara. A outra é que a pistola é mais pesada e tem um formato diferenciado que exige que o atirador se familiarize com seu funcionamento. O mais notável entusiasta dessa arma foi o jovem Winston Churchill que usou uma Broomhandle em uma sangrenta luta corpo a corpo contra Dervishes no Sudão. Em sua biografia, Churchill comenta que não teria sobrevivido se não tivesse sua pistola Mauser naquela ocasião. "Em termos de força defensiva, a Mauser é uma arma notável" escreveu ele.

Em termos de jogo, é mais provável que personagens europeus, alemães e russos utilizem o Mauser 1896. Na Inglaterra a arma não é muito difundida, embora militares em serviço nas colônias do Império Britânico a utilizem largamente. Os americanos jamais foram muito afeitos dessa arma, talvez pelo fato da munição utilizada ser rara nos Estados Unidos. Alguns veteranos da Grande Guerra, contudo podem ter conseguido uma dessas armas como souvenir nas trincheiras.

LUGER P08

Talvez essa seja a mais conhecida pistola produzida na Alemanha. A Luger está intimamente associada às forças armadas da Alemanha e foi empregada como arma de serviço nas duas Grandes Guerras. A Primeira Grande Guerra deu à Luger enorme fama quando ela se converteu na arma de mão das tropas do Kaiser. Na Segunda Guerra ela continuou sendo largamente usada com algumas poucas modificações.

A Luger possui um formato diferenciado com qualiaddes de mira que fazem dela uma arma extremamente fácil de ser usada. "Basta apontar e pressionar o gatilho" dizia o manual, "a bala será direcionada sem desvios". Ela começou a ser produzida em 1908 com munição 9 mm e com uma inovação: uma trava manual de segurança. Para disparar a trava precisava ser acionada o que garantia certo grau de segurança para o atirador.

A pistola se tornou a arma mais desejada durante a Grande Guerra - perdendo apenas para as espadas dos oficiais japoneses. Os soldados aliados disputavam entre si a posse dessas armas como troféu de guerra. A febre pela Luger era tão grande que os alemães a usavam como isca em armadilhas. Pistolas eram amarradas a granadas e quando o soldado pegava a pistola arrancava o pino causando a explosão. Vários soldados americanos foram mortos dessa maneira e o exército ficou tão preocupado que chegou a emitir uma ordem proibindo os soldados de recolher as armas. De pouco adiantou, fascínio pela Luger continuou.

Em 1938, o comando geral do exército tencionava substituir a Luger como arma padrão, pelo modelo Walther P38, mas os oficiais pediram que a arma continuasse a ser produzida. O apetite pela Luger continuava crescendo e como resultado mais de 400,000 unidades foram produzidas entre 1938 e 1943.

Apesar de ser adorada pelos militares a Luger apresentava dois defeitos óbvios. Sua produção era muito cara. Os modelos P38 que terminaram por substituí-la eram mais baratos e mais fáceis de serem produzidos. O segundo problema é que essa era uma arma sensível a areia, lama e sujeira. A Lugger precisava ser cuidadosamente limpa após o uso, do contrário existia o risco dela engasgar.

A Luger, no entanto, continua sendo uma arma popular entre militares e civis. Apreciadores de armas e colecionadores consideram a Luger uma das melhores armas jamais criadas.

O modelo mais tradicional da Luger é uma pistola semi-automática carregada pelo cabo através de um pente de munição comportando 10 projéteis de 9 mm. É uma arma de ação rápida e o atirador experiente é capaz de trocar o municiador facilmente. Pentes maiores, chamados de "Luger de artilharia" podem ser usados para acomodar até 14 balas. A pistola também permite que uma coronha de madeira seja acoplada transformando-a em um rifle compacto.

Em termos de jogo, a Luger é uma arma difundida em todo mundo. Os alemães a exportaram e ela esteve presente em praticamente todas as grandes guerras da primeira metade do século XX. Na Guerra Civil mexicana ela era usada pelas tropas federais, assim como pelos soldados de Franco na Espanha. A Luger ganhou fama nas mãos dos oficiais nazistas e por isso está intimamente associada aos regimes totalitários e fascistas. Franco e Goebels usavam pistolas Luger quando trajavam uniformes militares, o líder rebelde irlandês Michael Collins também tinha uma que usou na Guerra Civil de seu país. Até no Brasil, o bandoleiro Lampião usava uma Luger roubada do arsenal do exército.

Nos anos 20 e 30, a Luger já era amplamente comercializada e poderia chegar facilmente às mãos de investigadores. Na Grande Guerra muitas foram capturadas e chegaram à América e Inglaterra. Nos anos 40 sua identificação como "arma nazista" fez com que o público perdesse o interesse por ela, alguns investigadores civis podem até ser criticados por usá-la nessa época.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Weird Tech - Armas com Tecnologia Super avançada baseada nos Mythos de Cthulhu

Já que estamos falando de armas e equipamento Weird Tech, que tal fechar a série de artigos com algumas armas que nunca saíram dos planos e saber o que elas poderiam fazer.

É claro, essas armas não são adequadas para cenários de Call of Cthulhu clássicos. Trata-se de um armamento que poderia contudo figurar em cenários pulp em que os investigadores estivessem envolvidos com cientistas e suas notáveis invenções. Cientistas nazistas são ótima fonte de recurso para esse estilo de aventura.

Para facilitar a utilização delas em cenários de Call of Cthulhu, considerei que essas ramas foram construídas a partir de uma adaptação ou resultado de uma análise em armas construídas por alguma raça dos Mythos ancestrais.

A Grande Raça de Yith, os Anciões (Elder Things), os Seres das Profundezas (Deep Ones), os Insetos de Shagghai e principalmente os Fungos de Yuggoth (Mi-Go) dominam uma tecnologia alienígena bastante avançada.

A captura de tais armas, ou mais incrível ainda, de indivíduos dessas espécies abençoadas com uma tecnologia avançada, poderia dar origem a toda uma nova geração de armas letais.

RIFLE ELÉTRICO DE TESLA

A mais "tradicional" das armas Weird Tech foi extraída diretamente das anotações e pesquisas realizadas pelo inventor Nikola Tesla.

Trata-se de uma arma elétrica, bastate semelhante em efeito e design às armas de raios utilizadas pela Grande Raça de Yith. É possível que Tesla tenha construído essa arma a partir de lembranças do período em que ocupou o corpo de um membro da Grande Raça no passado remoto do planeta Terra.

O Rifle Elétrico de Tesla é uma arma pesada, mas sua forma se equipara a uma arma propícia para o manuseio de seres humanos. Não é necessário qualquer rolamento de Weird Tech para saber manuseá-la, a habilidade base é 30%.

O Rifle é alimentado por três geradores catódicos em forma de tubo que são inseridos como munição. A arma pode disparar três vezes antes de ficar exaurida, obrigando o atirador a ejetar os tubos utilizados e inserir um novo conjunto de tubos adicionais.

É possível exaurir a arma totalmente com um único disparo concentrando toda sua energia em uma única e devastadora rajada - a arma tem 40% de chance de ficar avariada se for usada dessa maneira e um rolamento de Eletrical Repair será necessário para consertá-la.

Dano: A descarga elétrica causa 1d10 pontos de dano.
O disparo concentrado causa 3d10 pontos de dano.

Alcance: 200 metros.
Malfunction: 00%
Sanity: 0/1d3

DISPERSOR FÚNGICO BIOLÓGICO

(Mi-Go)

Essa arma deriva de uma invenção usada pelos Fungos de Yugoth e possivelmente compartilhada com seus agentes e servos humanos. Trata-se de uma cápsula cristalina propelida por um tipo de pistola pressurizada.

Quando disparada ela lança a cápsula que se rompe ao impacto gerando uma pequena nuvem de fumaça verde amarelada que é facilmente aspirada elas vias respiratórias. O agente é inodoro e se dispersa rapidamente.

A arma em si não é uma invenção notável, mas os agentes que ela transfere constituem um passo marcante no campo da guerra biológica.

Os componentes patológicos tem origem alienígena e são letais quando aspirados.

Trata-se de um concentrado de esporos de fungo nativos de Yuggoth que se multiplicam com espantosa velocidade nos alvéolos pulmonares quando aspirado. A vítima imediatamente começa a se engasgar e tossir a medida que o agente fúngico preenche seus pulmões impossibilitando a respiração. Matéria residual, na forma de um bolor amarelado é expelido violentamente através das vias aéreas (boca e nariz). A vítima morre em poucos segundos em um frenesi de agonia.

O concentrado não tem efeito nos Fungos de Yuggoth, mas pode vir a funcionar em outros seres dos Mythos.

Dano: Uma vez rompida a cápsula seu conteúdo causa um dano por envenenamento POT 20. A vítima deve testar CON contra a POT do agente na Tabela de Resistência. Em caso de fracasso ela recebe 20 pontos de dano. Um sucesso ocasiona metade do dano.

Habilidade Básica: 20%
Alcance: 30 metros
Malfunction: 00%

Sanidade: 1/1d6 por assistir alguém morrendo por envenenamento fúngico.

Amplificador Neural (Shagghai)

A paixão pela dor, degradação e sofrimento é bem conhecida por aqueles que enfrentaram as diminutas, porém medonhas criaturas conhecidas como Insetos de Shagghai.

Esses detestáveis alienígenas são capazes de se alojar na mente de seres humanos pervertendo e corrompendo através de sua influência nefasta.

Alguns poucos servos recebem instruções mentais para construir os pequenos aparelhos conhecidos como amplificadores neurais.

Quando acionados e apontados na direção de uma ser humano, a vítima tem as áreas do cérebro responsáveis pelo registro sensorial da dor amplificadas. É possível que o aparelho funcione baseado em uma frequência de onda a qual a mente humana é especialmente suscetível. Como efeito a vítima sente uma dor lancinante em virtude dos menores estímulos externos ao seu corpo.

A mente interpreta erroneamente os estímulos amplificando-os enormemente. Esse instrumento é usado como uma eficiente forma de tortura.

Dano: Nenhum. Mas qualquer dano real sofrido pelo indivíduo ocasiona uma perda de sanidade multiplicada por três. Ex: Se um personagem receber 5 pontos de dano, ele sofrerá 15 pontos de sanidade em virtude da dor lanciante registrada por sua mente.

Se o personagem perder 10 ou mais pontos de sanidade de uma só vez ele deverá fazer um rolamento de POW contra o dano sofrido. Em caso de falha o personagem precisa fazer um rolamento de CON x2 para se manter consciente. Ele desenvolve também hiperalgia, a extrema sensibilidade a dor.

Habilidade Básica: 15%
Alcance: O amplificador tem alcance de 5 metros.
Duração: Enquanto o indivíduo estiver sob efeito do amplificador.
Malfunction: Não aplicável

Bastão de Comando (Elder Thing)

Alguns poucos artefatos desse tipo podem ser encontrados nas ruínas e colônias um dia habitadas pela raça dos Anciãos. Em grandes cidades habitadas por Deep Ones também é possível encontrar esses curiosos aparelhos. De fato, na tomada de Innsmouth alguns desses objetos foram recolhidos e desmontados por cientistas.

O Bastão de Comando era empregado pelos Elder Things em seus servos/escravos, os disformes Shoggoths como corretivo.

Em contato com o plasma que reveste os Shoggoth, o objeto age como um aguilhão elétrico.

Já em contato com um ser humano o efeito é bem mais dramático. A pessoa primeiro perde automaticamente 5 pontos de sanidade e sente um tipo de colapso mental que ocasiona desmaio. O indivíduo pode ficar inconsciente por dias. O pior, no entanto, está reservado ao momento em que ele recobra sua consciência. Há uma chance dele desenvolver amnésia completa.

Indivíduos sujeitos a longa terapia e análise psicológica podem eventualmente recobrar a memória conforme ajuizar o keeper.

Dano: Nenhum, porém a vítima deve fazer um rolamento na Tabela de Resistência onde 25 é o nível do choque, testado contra seu Power. Em caso de falha o indivíduo perde 5 pontos de sanidade e fica desmaiado por 1d10 x10 horas. A chance de estar amnésico é de 20%.

Nota: Contra um Shoggoth, o cetro causa 1d10 pontos de dano e paraliza a criatura por 1d4 rodadas.

Habilidade Básica: 40%
Alcance: Toque
Malfunction: Não aplicável.

Tábula de Tamchi (Desconhecido)

Não se sabe ao certo qual espécie alienígena foi responsável pela criação desse terrível aparelho. O único modelo conhecido foi descoberto nas ruínas de Tamshi, uma antiga cidade na Província de Sinkiang, China em 1918.

O aparelho em questão estava dentro de um baú enterrado em um palácio. Arqueólogos americanos acreditam que ele era parte de um tesouro do século III A.C.

O artefato foi levado para o ocidente onde causou um horrível acidente que resultou em 22 mortes em uma Universidade no meio oeste americano. Ao que tudo indica, ele foi acidentalmente acionado. As autoridades reclamaram a posse do artefato e declararam que os mortos foram vítimas de envenenamento químico.

A Tábula de Tamshi quando acionada, o que envolve deslizar uma superfície móvel, começa a vibrar produzindo um ruído audível. As pessoas em uma área de 100 metros de sua localização começam a manifestar uma série de efeitos que vai desde sangramento nasal, inquietação, paranóia até espasmos incontroláveis.

Em pouco mais de 5 minutos as vítimas morrem. Chapas de raio x revelaram que o cérebro de cada uma das vítimas encolheu e secou como se tivesse sido queimado por alguma ação desconhecida.

Testes posteriores não revelaram informações adicionais mas custaram a vida de pelo menos meia dúzia de estudiosos envolvidos no projeto. Existem planos para estudar uma vez mais a Tábula e para duplicar suas capacidades. Atualmente ela se encontra encerrada em uma caixa num dos vários armazéns no complexo conhecido como Área 51, no deserto do Novo México.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Explorando o Fundo do Mar - Regras para Mergulho

Esse artigo tem como base as regras de mergulho conforme foram publicadas no livro "Fearfull Passages" (Chaosium/1992). Elas foram criadas por Steve Hatherley.

Estas breves regras foram criadas para refletir a complexidade de uma operação de mergulho, não para simular apuradamente um mergulho real. Keepers com conhecimento de mergulho podem, é claro, proporcionar detalhes adicionais para aventuras de baixo da água. Para nós que mantemos nossos pés em solo seco, as regras e informações a seguir devem bastar.

Breve História do Mergulho de Alta Profundidade

As primeiras tentativas de mergulho de alta profundidade foram feitas nos tempos clássicos com o uso de sinos de mergulho - pesadas cápsulas de metal que retém o ar em seu interior quando mergulhadas na água. Sinos de mergulho foram aperfeiçoados e seu uso tornou-se comum a partir do século XVI, quando a mercadoria de navios naufragados próximo da costa era recuperada dessa forma. Mangueiras ligadas a bombas de ar, podiam levar oxigênio para os mergulhadores que nessas condições trabalhavam no fundo do mar por algum tempo.

Por volta de 1616, os custos com esse tipo de operação haviam baixado o suficiente para que um empreendedor chamado Jacob Johanson abrisse um negócio especializado na recuperação de cargas em navios naufragados. Em 1628, a empresa de Johanson resgatou do fundo do mar 50 canhões que haviam afundado junto com um navio sueco.

No século XVIII, sinos de mergulho com janelas panorâmicas e bombas de ar pressurizadas permitiam a descida de vários mergulhadores ao mesmo tempo. Tubos de metal eram usados para comunicação entre mergulhadores e a equipe que coordenava a descida. Mesmo assim, os sinos tinham sérias limitações, sobretudo no que diz respeito a movimentação, já que eles não podiam ser operados pelo mergulhador.

A primeira experiência com algo semelhante a um traje de mergulho foi feita por John Lethbridge que em 1715 usou um barril de carvalho adaptado ao corpo do mergulhador e suprido por um tubo que bombeava ar. Com o mecanismo era possível descer a profundidades de até 60 pés por 20 minutos. O invento fez a fortuna de Lethbridge que trabalhou no resgate de cargas em várias embarcações naufragadas.

Em 1819, August Siebe, um inventor alemão criou o "traje de mergulho aberto". Tratava-se de um capacete hermeticamente fixado sobre uma jaqueta. Ar pressurizado era bombeado para a jaqueta e dela para o capacete, permitindo ao mergulhador respirar por até 25 minutos. O traje de Sieber foi aprimorado e modernizado, recebendo componentes mais leves, duráveis e seguros empregando mangueiras de borracha e peças de bronze. O princípio do traje de mergulho de Sieber é usado até os dias atuais.

Em 1920-30, o melhor equipamento de mergulho de profundidade é fabricado pela Sieber-Gorman. Ele permite mergulho a uma profundidade de até 200 pés com duração de até 45 minutos.

O traje na foto ao lado é francês e foi criado nos anos 30. Eu recoheço que não é um modelo convencional, mas eu achei tão legal que merecia ser colocado aqui. parece uma coisa saída do filme Alien, o oitavo passageiro ou Hellboy. Maneiro demais!

Mergulho (Diving) (00%) - Nova Habilidade

Com esta habilidade o investigador compreende o funcionamento do equipamento de mergulho. O mergulhador também sabe quais são os perigos inerentes a operação e como evitá-los. Em condições rotineiras e com mar calmo, rolamentos de Mergulho podem ser feitos multiplicando por 2 ou 4 a porcentagem original. Um rolamento é necessário para fazer a descida, para cada meia hora de baixo da água e para retornar em segurança à superfície. Uma falha indica um problema menor, como uma linha presa, que pode ser corrigido com um segundo roll de Mergulho com o mesmo multiplicador. Uma segunda falha resulta em um acidente menor (role a tabela 1).

Um rolamento de 96-00 acarreta em um sério problema (role a tabela 2).

Tabela 1 - Acidentes Menores (role 1d6)

1 - Um problema menor que pode ser solucionado com um rolamento com um multiplicador adicional. Ex: Se o origial foi Mergulho x4, o novo roll deve ser de Mergulho x5
2 - A Mangueira começa a vazar ar criando bolhas é necessário voltar à superfície.
3 - Capacete embaçado, diminui a visibilidade em 50%.
4 - O traje é rasgado, um rompimento pequeno que pode ser reparado com um roll de craft, caso contrário o mergulhador arrisca hipotermia (1 HP de dano por minuto).
5 - Mecanismo de bombeamento obstruído, um roll de Mechanical Repair deve ser feito para resolver o problema, caso contrário é necessário voltar á superfície.
6 - Role 1d6, um 1-3 role novamente, 4-6 role na Tabela de Acidentes Graves.

Tabela 2 - Acidentes Graves (role 1d6)

1 - Mangueira rasgada, o mergulhador deve subir o quanto antes e deve fazer um Luck rol para cada 10 pés de profundidade para evitar os efeitos de Narcose por Nitrogênio.
2 - Mangueira entope repentinamente, diminuíndo o fornecimento de oxigênio. Um Luck roll deve ser feito a cada 5 pés para evitar os efeitos de Narcose por Nitrogênio.
3 - O traje se rasga e água entra em contato com o corpo do mergulhador. Roll de CON x2 para evitar hipotermia e dano de 1 hp/round.
4 - O capacete começa a vazar. O mergulhador deve fazer um roll de CON x2 a cada round, uma falha acarreta 1d3 pontos de dano por afogamento.
5 - A decida ou subida foi rápida demais, a pressão causa tontura e vertigem. Roll de CON x3, em caso de falha o mergulhador desmaia (1d10 minutos)
6 - Alteração severa na pressão. Roll de CONx2 para suportar a mudança drástica ou recebe 1d6 pontos de dano/round.

Acima uma foto de 1932 com trajes de mergulho de alta profundidade à bordo do navio britânico Tritânia, usado para operações submarinas.

Em 1920-30, os limites para mergulho de profundidade não ultrapassam o limite de 160-165 pés. Os mergulhos também não tem duração maior do que 40 minutos. Mergulhos a profundidades superiores são possíveis, mas desaconselhados. O recorde de profundidade estabelecido na época é de 300 pés.

O corpo humano não suporta mudanças drásticas de pressão, por isso é necessário fazer uma decida lenta parando a cada 30 pés (cerca de 10 metros). Uma subida ou descida rápida ignorando essa precaução carece de um roll de CON x2, em caso de falha o mergulhador recebe 1d3 pontos de dano e testa Luck para não desmaiar.

Equipamento de Mergulho

O traje de mergulho precisa de tempo para ser colocado e retirado. A melhor maneira de vestí-lo é contar com a assistência de uma segunda pessoa. O traje é composto de três partes: o traje corporal, o peitoral (ou corselete) e o capacete.

O traje é vestido primeiro, ele é aberto no pescoço e na altura dos punhos. A camada externa é confeccionada de borracha pura e flexível a interna é acolchoada com várias camadas de tecido. O traje é completado por luvas de borracha e botas seladas. Para auxiliar no mergulho, as botas possuem pesos de 9 quilos cada uma.

O peitoral é suportado nos ombros do mergulhador, nele são ligados os cabos de dispersão do CO2. O capacete é ajustado para se encaixar no peitoral que possui travas de segurança que o fecham hermeticamente. O capacete é tradicionalmente feito de bronze e possui um visor de vidro grosso resistente que permite a apreciação do panorama externo.

Para atingir flutuabilidade negativa, pesos de chumbo são dispersos pelo traje de mergulho. O mais usado é um lastro de chumbo de 25-30 quilos ajustado em volta do peitoral. Esse peso é ajustado nessa posição para ser descartado em caso de emergência de forma mais rápida. O peso do traje diminui a DEX do mergulhador para metade fora da água, mas concede 6 pontos de Armor.

À esquerda um esquema de traje de mergulho usado nos anos 20. O mergulhador em questão carrega uma lanterna à prova d'água. Na imagem é possível ver como é feita a conexão do capacete com a mangueira de ar.

O ar é bombeado da superfície através de válvulas compressoras manualmente operadas por uma equipe de no mínimo dois homens.

Compressores manuais já existem em 1920, mas não são inteiramente confiáveis comparados a operadores treinados. Em 1930 os compressores são melhores, contudo não se mostram à prova de falhas. Mergulhadores cuidadosos sempre utilizam um compressor reserva para o caso de um acidente envolvendo a mangueira, um rolamento de Mergulho deve ser executado para trocar a mangueira danificada. A equipe de superfície opera também os guindastes usados para descer e subir o mergulhador que se segura em uma espécie de escada. A regra de segurança para mergulho de profundidade dita que a operação seja feita sempre em dupla.

A comunicação entre o mergulhador e a equipe de superfície é feita através de uma corda de segurança que fica presa ao capacete ou peitora: puxadas fortes servem como sinal. A comunicação entre os mergulhadores é feita através de sinais e gestos ou juntando os capacetes. Este método permite que o som da voz seja ouvido, ainda que de forma abafada.

Comunicadores telefônicos já existem na época, mas raramente são usados, visto que, além de caro se faz desnecessário, pois o sistema da corda funciona perfeitamente. Para situações como exploração de prospecção ou operações de caráter científico a comunicação por cabo pode ser estabelecida.

Um traje de mergulho semelhante ao descrito acima custa 900 dólares. É possível comprar trajes de segunda mão de qualidade duvidosa por 150 dólares. Compressores, mangueiras de ar, linhas e outros apetrechos podem atingir um custo entre 700 e 1500, dependendo da qualidade.

Trajes de mergulho desse tipo foram utilizados largamente em operações submarinas até os anos 60 quando começaram a ser substituídos por tanques pressurizados usados em scuba, veículos mecânicos e outras técnicas.

À direita um modelo de traje de mergulho mais convencional, o tipo que era usado comumente até os anos 60.

Usando Habilidades de baixo da água

Muitas habilidades sofrem mudanças radicais quando usadas de baixo da água:

Escalada (Climb): Reduzido em 20%.
Destreza (Dexterity): reduzido em 2 pontos.
Esquivar (Dodge): Reduzido à metade.
Armas de Fogo (Firearms): Uso impossível.
Ataques Físicos (Hand to hand): armas pequenas como adagas ou facas tem redutor de 10%, armas maiores ou ataques com as mãos reduzem em 20%.
Salto (Jump): Impossível de baixo da água.
Ouvir (Listen): Reduzido em 20%. O som viaja rápido na água mas se dispersa rapidamente. O compressor e o som do ar também atrapalha captação de sons externos.
Reparos Mecânicos (Mechanical Repair): Normal, mas o tempo para executar reparos é dobrado.
Fotografia (Photography): Reduza em 30% os rolamentos em virtude da falta de luminosidade.
Spor Hidden: Não é afetado, salvo se as condições de luminosidade sejam determinantes.. Com luz insuficiente reduza entre 10% e 50%.
Nadar (Swim): Impossível com o traje completo, reduza em 20% se os pesos forem retirados.
Jogar (Throw): Impossível de baixo da água.

Perigos Submarinos

A maioria dos problemas envolvendo o mergulho decorrem do aumento ou diminuição da pressão exercidasobre o corpo humano. A pressão aumenta em uma atmosfera a cada 33 pés de profundidade. A pressão na superfície é de uma atmosfera, a 33 pés é de 2 atmosferas, em 66 pés de 3 atmosferas e assim por diante. o idealé que o organismo se acostume com a mudança de atmosfera fazendo uma transição lenta e gradual.

A medida que a pressão aumenta, nitrogênio é dissolvido na corrente sanguínea até que o sangue fique saturado. Quando há alguma alteração na pressão, o nitrogênio forma bolhas bloqueando artérias e veias. Issopode causar hemorragias, tontura, vertigem e desmaios. Para prevenir essa condição é necessário fazer paradas regulares a medida que o mergulhador sobe ou desce. Quanto mais tempo ele passar no fundo, mais tempo terá de esperar para subir. Se Deep Ones ou um Shoggoth estiverem atrás do mergulhador essa pode ser uma situação mortal.

Considere que a cada alteração de atmosfera é necessário uma pausa de pelo menos 5 minutos, do contrário o mergulhador recebe 1d6 pontos de dano.

Narsose por Nitrogênio ocorre quando se respira ar comprimido em um ambiente de pressão. Ela está associada a uma descida muito rápida. Os efeitos são similares a intoxicação por álcool, o indivíduo se comporta de forma descuidada e insegura. Em casos graves pode acarretar halucinações, incapacidade de tomar decisões e paranóia. Combinada com fobias, essa condição pode ser extremamente perigosa. Um roll de Idea reconhece a situação. A melhor maneira de sanar o problema é retornar a uma pressão menos severa e descer novamente de forma lenta.

Hipotermia é outro perigo para mergulhadores, pois as águas profundas tendem a ser muito mais frias. Roupas quantes são vestidas abaixo da roupa de borracha que tem um reforço de tecido isolante, contudo se ela se rasgar o contato com a água pode se mostrar um perigo em potencial. Exposição a água nessa temperatura obriga o mergulhador a testar CON x2 a cada round ou receber 1 ponto de dano.

domingo, 12 de setembro de 2010

Bengala Espada - A arma ideal para o Gentleman



Lord Phillip Worthington descia a rua deserta e perigosa do East End de Londres. Seus passos ecoavam no pavimento de paralelepípedos enquanto sombras se lançavam ameaçadoras em cada esquina. Ele se apressou quando ouviu o som de passos se aproximando rapidamente.

Olhando por sobre o ombro percebeu que dois indivíduos o seguiam. Deviam ser os mesmos que o ameaçaram dias antes: membros da Irmandade Negra, fanáticos cultistas dos Deuses Antigos.

Phillip entrou em um beco para despistá-los, mas logo se viu diante de outros dois indivíduos de aparência ameaçadora. Um deles sorri enquanto o segundo apanhava na cintura uma medonha adaga curva de design oriental.

"Agora você vem conosco!" diz o homem com sotaque do oriente médio.

"Creio que terei de declinar de seu gentil convite." responde o cavalheiro segurando sua bengala de madeira com cabo entalhado na forma da cabeça de um leão.

Os cultistas se entreolham e um deles solta uma risada forçada. Determinado o Lorde gira a cabeça da bengala, desembainhando uma fina e mortal lâmina que brilha sob a luz dos lampeões. Em um movimento preciso a arma descreve um arco e atinge o malfeitor no pescoço.

Surpreendido o homem leva as mãos a garganta cortada antes de desabar.

"Agora veremos do que você é capaz".


* * *

Bengalas Espada, ou Sword Canes, eram bengalas aparentemente normais que escondiam uma lâmina em seu interior oco. Havia uma enorme variedade de Bengalas Espada, com diferentes estilos, cada um específico de um período, com decorações, qualidade, mecanismos e dispositivos para camuflagem da lâmina na forma de uma simples e inofensiva bengala.

O modelo mais simples de bengala espada era uma lâmina conectada ao cabo da bengala, para soltar a lâmina bastava puxar o cabo com força ou torcer sua cabeça a fim de desembainhar a espada. Alguns modelos possuíam dispositivos mais intrincados que deviam ser pressionados para liberar a lâmina ou girados para permitir que a lâmina fosse liberada.

Modelos diferentes de bengala espada surgiram ao longo dos tempos. Um modelo em particular fabricado na Inglaterra Victoriana era acionado por um mecanismo de mola. Uma vez pressionado fazia surgir uma lâmina de 10 centímetros na ponta da bangala, tornando-a uma espécie de lança, ideal para estocadas a longa distância.

As lâminas variavam de acordo com o fabricante, algumas não passavam de simples espetos de aço, enquanto outras eram espadas perfeitas, afiadas e ornamentadas, verdadeiros objetos de arte forjadas por mestres artesãos. Grandes empresas como a Wilkinson na Inglaterra, Solingen da Alemanha e a francesa Klingental produziam lâminas especificamente para bengalas espada. Mas nenhuma dessas se igualava a mais refinada das lâminas, produzida em Toledo, na Espanha.

As primeiras bengalas espada de que se têm notícia foram feitas para a nobresa por armeiros no século XVI. Estas armas vinham muito a calhar em reuniões e encontros onde os cavalheiros deviam comparecer desarmados. As bengalas também se tornaram relativamente comuns entre peregrinos em viagens pelos caminhos santos da Europa. Carregar uma espada era uma afronta aos próprios princípios da peregrinação, contudo uma bengala espada podia ser usada na hora de necessidade sem revelar que o peregino levava consigo uma arma letal. Mesmo sacerdotes itinerantes portavam tais armas para defesa pessoal contra bandidos enquanto viajavam pelas perigosas estradas da Europa. Em alguns países elas eram conhecidas como "espadas de padres"

Levando em conta uma lei francesa de 1661 proibindo o uso de "bengalas em cajados" podemos assumir que essas armas eram bastante populares. Com o tempo as espadas e demais armas brancas foram sendo substituídas pelas armas de fogo a medida que estas se modernizavam, entretanto as bengalas espada permaneceram populares e até passaram a ser mais usadas como forma de defesa para os cavalheiros nas ruas das grandes cidades.

As regras da etiqueta tornavam quase obrigatório que um cavalheiro no século XVIII e especialmente no século XIX carregasse consigo uma bengala. Haviam modelos específicos para cada ocasião desde as mais esportivas até as mais formais. Essa época favoreceu bastante o surgimento de bengalas espada. A despeito de sua grande demanda, sword canes jamais foram produzidas em massa, eram artigos caros e requintados feitos para cavalheiros de alta classe que desejavam um produto de qualidade. As lâminas possuíam entalhes florais, arabescos ou padrões militares em prata ou aço azulado. Muitas vezes artesãos eram contratados para dar os retoques finais nas peças com elegante acabamento de marfim, ouro e até pedras preciosas. O cabo era entalhado nas mais variadas formas, mas geralmente com o formato da cabeça de um animal.

Dentre os modelos de armas se distinguiam as espadas bengalas e as adagas bengala. As espadas eram finas e resistentes semelhantes a rapiers de esgrima com lâminas longas que preenchiam todo o interior da bengala. As adagas eram bem mais curtas e eram destacadas da bengala através de um leve giro de seu cabo.

Na literatura da época, Conan Doyle criador de Sherlock Holmes dotou o arqui-nêmesis do grande detetive, o Professor Moriarty com uma mortal bengala espada. Phineas Fogg, personagem principal de "A Volta ao Mundo em 80 dias" de Julio Verne também levava um sword cane em sua viagem ao redor do mundo. Mais recentemente um dos personagens centrais da trama de vampiros, Noturno, escrito por Guilhermo del Toro usava um sword cane feito de prata para eliminar os mortos vivos.

Armas requintadas e mortais, os sword canes são perfeitos para investigadores interessados em manter a classe e se defender quando necessário.