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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Pavor de Insetos - A Praga Rastejante


Chama-se Catsaridafobia

Já ouviu falar? Não? Bem, é possível que você tenha, porque é uma das fobias mais comuns na atualidade, típica das grandes cidades. Os médicos especializados dizem que uma entre oito pessoas no mundo sofre de um quadro moderado dessa fobia, sendo que alguns casos mais graves constituem um transtorno preocupante que impede a pessoa até de sair de casa. 


Trata-se do tradicional medo de baratas.

É incrível que esse inseto, via de regra inofensivo, cause tanto pavor, asco e terror. Mas é o que diz o velho ditado: "quando o baratão bate asa não existe corajoso". Eu já vi caras enormes, correndo de barata. Tenho um conhecido ex-oficial da Tropa de Choque do Rio de Janeiro (que não vou dizer o nome), sujeito cascudo (com o perdão da palavra), do tipo que encara qualquer coisa, mas eu vivi para ver esse mesmo cara, branco, com a lividez que apenas o terror mais profundo é capaz de causar, tudo porque encontrou uma barata dentro do porta-malas do carro. Aquilo era fobia! Fobia do pior tipo! 

Eu pessoalmente *acho* que não tenho a fobia...

Assim como a maior parte das pessoas comuns, tenho uma aversão profunda ao inseto (e uma espécie de saudável respeito). "Elas lá e eu aqui, de preferência bem longe"

Mas há momentos em que não dá para evitar o confronto sobretudo quando o maldito inseto inventa de invadir nosso espaço.

Semana passada eu estava pegando a correspondência no escaninho do trabalho que fica na garagem do prédio. Eu sabia que tinham feito uma dedetização, mas não me liguei que baratas são sobreviventes por definição, que procuram os cantos mais escuros para se proteger. Uma delas, um daqueles exemplares de coleção, tamanho GGG, havia se escondido justamente dentro da caixa de correio. Quando peguei as cartas a maldita veio junto e é claro, teve de correr para a minha mão o que me levou a demonstrar um grau de maleabilidade digno de ginasta chinês. A bem da verdade, o seu Manuel, o porteiro do prédio morrendo de rir disse que eu estava mais para alguém que tinha tomado um choque violento.

De qualquer forma, o bicharoco voou longe com um movimento brusco... é claro, um aceno só não bastou, ela ficou em contato com a minha pele (um contato íntimo demais na minha opinião) por longos instantes. O bastante para que eu pudesse sentir ondas de asco incontrolável a medida que as patas ásperas passeavam e a antena roçava de leve.

E após a descarga inicial de adrenalina, imerso num tipo de choque pós-traumático, fiquei olhando  aquela "coisa saída de pesadelos" correr para baixo de um carro e desaparecer da minha vista.

Passado o susto vem aquele momento em que você tenta racionalizar a experiência e diz para si mesmo que não foi nada de mais... mas ao longo do dia se pega pensando na coisa outra e outra vez. Bem que tal canalizar a experiência de forma criativa?

Há alguns anos atrás, escrevi um artigo para Kult a respeito de um horror sobrenatural chamado Praga Rastejante que teve alguns desdobramentos interessantes. Resolvi adaptar essa mesma criatura para Call of Cthulhu /Rastro de Cthulhu expandindo um pouco mais os detalhes a respeito dela.

O resultado foi algo repulsivo... como podemos ver em seguida.

Em tempo, preferi não utilizar as horríveis imagens de baratas que colhi na internet e que deveriam ilustrar esse artigo. Isso por duas razões: primeira, acho que o leitor - mesmo um de um blog de horror não merece abrir a página de manhã cedo e se deparar com um inseto tão repugnante na tela de seu computador. A segunda é que depois do que aconteceu eu não quero dar de cara com um bicho desses tão cedo (nem mesmo em foto).

Sem mais, eis aqui uma pequena série de artigos sobre horrores rastejantes.
         
Praga Rastejante

"Era uma abominação, um horror que transcendia qualquer explicação, e ela só podia fechar os olhos diante daquele desfile de antenas, patas e olhos multifacetados. Era um dilúvio de seres rastejantes e repulsivos, tomando a forma de um homem adulto: baratas, lacraias, centopeias  cigarras, moscas. Tudo fervilhando e pulsando com as formas de vida mais abjetas. Ela fechou os olhos, e sentiu então o abraço da coisa, o abraço de mil coisas... o roçar daqueles milhares de membros segmentados, patas explorando sua pele, entrando em sua roupa, em seus cabelos. Então o supremo asco a fez perder a consciência. Ela desmaiou em uma cama de insetos."


Talvez esta seja uma das criaturas mais repulsivas, a caminhar sobre a Terra. Trata-se em essência de uma única entidade, mas que agrega uma quantidade enorme de insetos, aracnídeos, artrópodes e pequenas pragas como ratos e até morcegos em seu corpo. Originalmente, essa entidade ancestral é uma força sobrenatural invisível que tem a estranha capacidade de atrair criaturas menores e usar seus corpos para montar uma estrutura. Em geral estes seres são usados como se fossem os tijolos para a construção de um "corpo" de tamanho semelhante a um humano adulto. Ao longe e no escuro a silhueta é capaz de enganar, mas de perto é impossível não perceber as milhares de criaturas fervilhando e se movendo simultaneamente.

A Praga Rastejante habita regiões escuras em grandes cidades: esgotos, construções abandonadas ou depósitos de lixo. O propósito de sua existência é um tanto vago, talvez ele exista apenas para se alimentar, reproduzir e depois simplesmente se dispersar como se jamais tivessem existido. Ele raramente se aventura na superfície ou na luz do dia, e quando o faz, age de maneira muito discreta para não chamar a atenção. Se descoberto acabam dispersando as criaturas que o compõe fisicamente a não ser que algo desperte seu interesse imediato.

Há relatos a respeito dessa criatura blasfema habitando os sistemas de esgoto de grandes cidades e caçando seres humanos através de túneis escuros e tortuosos. É possível que essa entidade menor do Mythos seja uma abominável cria de Shub-Niggurath, já que a deusa está ligada ao princípio da fecundidade e reprodução. Sabe-se que ela possui incontáveis "filhos e filhas" nascidos e deixados na Terra e a Praga Rastejante pode ser o resultado de insetos de alguma forma "afetados" pela Deusa. Dotada de inteligência aliada a um implacável senso de sobrevivência, a Praga Rastejante é quase indestrutível.

Em um ambiente favorável, ela pode atrair hordas de insetos e atingir um tamanho assombroso. Habitantes de grandes centros urbanos: vagabundos, andarilhos e almas perdidas, sussurram estórias sobre tal criatura nefasta. Durante o inverno, a criatura permanece dormente, despertando desse estado quando se aproximam os meses mais quentes. É nesse período que ela começa a atrair insetos e forma seu corpo.  

No passado, um culto bestial devotado a Praga Rastejante surgiu entre os degenerados Tcho-Tcho que migraram para o Novo Mundo. Não demorou até ele se espalhar entre indivíduos desesperados e dementes. Os seguidores desse culto adoram insetos, invocam a Praga Rastejante para oferecer sacrifício e consomem insetos vivos em rituais de reverência, seres que segundo eles passam a viver no seu interior. 
O culto parece estar de alguma forma associado a Shub-Niggurath e ao repulsivo Grande Antigo Baoht Z'uqqa-Mogg.

Obscuro até para os padrões do Mythos, a Praga Rastejante não é mencionada em nenhum tomo ancestral conhecido. Contudo sacerdotes do povo Tcho-Tcho conhecem mais do que qualquer outra pessoa sobre esse horror indescritível. A existência de mais de uma dessas entidades é uma possibilidade  assustadora.

ESTATÍSTICAS PARA CALL OF CTHULHU

As estatísticas refletem a Praga Rastejante no momento em que ela surge e no auge de sua forma. A criatura demora seis semanas para atingir sua forma plena atraindo insetos em um raio de  três quilômetros.

PRAGA RASTEJANTE, Cria de Shub-Niggurath

STR          2d6 (7-8)           6d6 (18-19)
CON        1d6  (3-4)          4d6 +6 (18-19)
SIZ           1d6  (3-4)          10d6 +12 (42)
INT          3d6 (9-10)         3d6 (9-10)
POW       3d6 (9-10)         3d6 +3 (12-13)
DEX        3d6 (9-10)         3d6 (9-10)

Damage Bonus: +0/ +2d6
HP: 3/ 30

Ataques: Ferrões, Mordidas, picadas 45% (dano 1d3) - Forma Inicial
                Ferrões, Mordidas e Picadas 85% (dano 1d6) - Forma Plena

Nota: Na Forma Inicial a Praga Rastejante pode atacar todos oponentes a até 5  metros de distância.
          Na Forma Plena ela pode atacar todos os oponentes a até 20 metros de distância.

Armadura: Imune a qualquer ataque físico, exceto fogo, frio e magias. Frio intenso (por exemplo, um extintor de incêndio) faz com que a Praga Rastejante perca 2d6 pontos por rodada. Ao chegar a zero HP a criatura perde a sua coesão e os insetos se dispersam. A essência da Praga é invisível e só pode ser afetada por armas mágicas ou por feitiços. Se dispersada ela irá se recompor dentro de 1d6 meses em geral em outro local.

Feitiços: Conhece 1 magia para cada ponto de POW, as magias são ligadas a Shub-Niggurath e ao seu culto.

Habilidades: Sneak 70%

Sanidade: 1/1d6 para a Forma Inicial
                1d3/2d6 para a Forma Plena

ESTATÍSTICAS PARA RASTRO DE CTHULHU

Os números se referem a Forma Inicial e a Forma Plena.

Habilidades: Atletismo 4/10, Briga 6/18, Vitalidade 3/10

Limiar de Acerto: 3/ 4

Modificador de Furtividade: +1 (+3 na escuridão e em ambientes subterrâneos)

Ataques: -1 (área de 5 metros na Forma Inicial)
               +0 (área de 20 metros na Forma Plena)

Armadura: Imune a todo dano e ferimentos físicos. Fogo e Magia causam dano normal. Frio extremo (como o de um extintor de incêndio) causa +1 ponto de dano.

Perda de Estabilidade: 0 (Forma Inicial), +2 (Forma Plena)

Investigação:

Coletar Evidência: Não sei o que aconteceu, mas tenho algumas suspeitas... e nenhum delas é agradável. Havia centenas de insetos mortos na cena do crime. Muito mais do que seria considerado normal, mesmo que a cena do crime seja em uma galeria de esgoto. A quantidade de  insetos esmagados sugerem que a vítima foi coberta pelos  animais enquanto ainda estava vivo. Argh! Que forma horrível de morrer!

Biologia: Espere um pouco! Aquele é um besouro Lodochius Chaprachsys, ele não deveria estar aqui. Não são nativos dessa região e não sobrevivem nesse clima. Como diabos ele chegou aqui?

Sentir Perigo: Ao olhar na direção do beco escuro você tem um arrepio involuntário. Há algo ali dentro, você não sabe explicar o que, mas você está certo que algo está escondido ali dentro observando. Enquanto tenta ajustar a visão, e ver melhor, você sente um cheiro desagradável vindo dali... o fedor característico de um porão infestado por baratas.

História Oral: O vagabundo agradece a você pela garrafa de uísque barato, ele dá um gole e comenta pensativo: "Todo mundo que mora na rua sabe que é melhor evitar aquele depósito na Rua Washington. Dizem que o lugar está infestado de insetos. E são baratas maiores do que você jamais viu! O tipo de bicho que não tem medo de se aproximar e morder. Eu cheguei perto uma vez, dei uma olhada e corri dali. Nem por toda bebida do mundo eu passava uma noite lá dentro!"

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Medos Profundos - Uma coleção de fobias incomuns



Fobias desempenham um importante papel em ambientações lovecraftianas, e a maioria dos intrépidos investigadores mais cedo ou mais tarde deve desenvolver pelo menos uma peculiaridade psicológica ao longo de sua carreira.

As Fobias aparecem como resultado do contato com as forças do Mythos e sua 
pérfida influência  sobre a mente humana. Investigadores veteranos tendem a desenvolver várias delas como resultado direto de sua luta contra o sobrenatural. Infelizmente não é uma questão de SE, mas de QUANDO os investigadores sobreviventes de várias empreitadas contra o Mythos, irão contrair um desses efeitos danosos.

Ao contrário do que acontece na vida real, fobias em jogo são muito divertidas de serem interpretadas. Elas geram situações enervantes e fazem com que o jogador tenha de lidar com limitadores para suas próprias ações. Uma cena memorável que mestrei certa vez, envolvia um jogador que sofria de Henophobia (medo de sangue) sendo obrigado a resgatar uma chave no bolso de um colega investigador que havia sido morto por um monstro e estava coberto de sangue. A interpretação do jogador, descrevendo o horror de tocar no sangue foi nada menos que sensacional. 
 
Em muitos dos contos de Lovecraft os heróis sofrem de alguma fobia e o tipo de fobia reflete o horror presenciado pelo indivíduo. Em outras palavras; enfrentar um ataque de Abissais pode muito bem deixar como sequela Ichthyphobia (medo patológico de peixes), enquanto um encontro com uma horda de Vampiros de Fogo faz o personagem temer se aproximar de uma lareira (Pyrophobia). Eu tive uma investigadora que desenvolveu Hylephobia (medo de florestas) em virtude de um encontro com um Dark Young de Shub-Niggurath.

O trauma que dá origem à fobia é tão terrível que grava na mente do personagem uma espécie de lembrança recorrente da qual ele não consegue se dissociar. Qualquer situação que remete ao acontecimento é suficiente para reavivar toda a experiência original que gerou o trauma causando um misto de apreensão, desespero e pânico. Falta de ar, paralisia, taquicardia, sudorese, boca seca... tudo isso faz parte da Fobia.

O Livro Básico de Call of Cthulhu lista as principais fobias, aquelas que são mais comuns. Mas existe uma infinidade de outros medos que não estão incluídos na lista. Cabe ao guardião preencher esse vazio conforme a situação exige. 

Se os seus jogadores conhecem cada efeito possível das fobias, tente surpreendê-los com algo novo e incomum. A lista a seguir inclui fobias que tem alguma relevância no contexto do Universo do Mythos e que podem surgir em decorrência de um confronto direto com algo dessa natureza. Algumas delas podem parecer absurdas, mas lembre-se que cada indivíduo reage de forma diferente diante do medo. A fobia é algo inconsciente capaz de afetar a sensibilidade de um indivíduo e não ter o menor efeito em outro. 

O cérebro humano é um terreno fértil para medos profundos... que tal lançar algumas sementes nele e ver o que aflora?



ASTRAPHOBIA
Medo de Raios e Trovões

Tempestades são com a fúria dos Deuses. Raios iluminam a noite fazendo com que monstros que espreitam na escuridão possam ser vistos. Essas criaturas costumam sair de seus covis apenas quando os céus estão tomados por nuvens de tempestade. E quando os raios começam a cair, riscando o céu, o horror se inicia. Os terríveis estrondos podem ser ouvidos há quilômetros de distância. É como o som de um rugido feroz ampliado milhões de vezes. Tenha certeza de tampar os ouvidos e fechar os olhos, esconda-se no porão ou de baixo da cama. Nada pode ser mais assustador do que raios e trovões!

AMYCHOPHOBIA
Medo de ser Arranhado

Aquelas coisas têm garras. Aqueles monstros imundos e medonhos possuem garras longas e recurvas como cimitarras, tão afiadas... Elas deixam ferimentos horríveis arranhando sua pele, rasgando e lacerando sem piedade. Você não pode suportar a sensação do sangue escorrendo de uma ferida aberta. Um arranhão deixará uma marca, uma casca de ferida ou pior uma cicatriz permanente. Seu corpo será maculado. Você precisa evitar isso à qualquer custo. 

BATRACHOPHOBIA
Medo de Répteis

Criaturas de sangue frio tem uma grande afinidade com todos os tipos de monstros rastejantes e gosmentos. A pele escamosa dos répteis é grossa e desagradável, coberta com uma oleosidade nauseante. Apenas imaginar tocar em tal coisa faz seu estômago revirar. Répteis se arrastam lentamente em completo silêncio, com a barriga colada no chão, deixando um rastro. Suas línguas bífidas serpenteiam para fora da bocarra repleta de dentes afiados e veneno mortal. Essas coisas só existem para matar e causar asco. Formas sibilantes que apenas os tolos ignoram. Mesmo os lagartos de jardim com seus olhos vítreos estão lá vigiando seus movimentos, olhando, olhando, olhando... 

BLENNOPHOBIA
Medo de Gosma 


Um clássico para qualquer cenário envolvendo horror lovecraftiano. Quase tudo no Mythos é de alguma forma viscoso e repulsivo. E não estou falando apenas de muco esverdeado ou substâncias em esgotos; há coisas oleosas nefastas, geléias nauseantes produzidas como bile no interior de monstruosidades sem nome. Tudo venenoso, nojento, letal... Os sinais da passagem dessas criaturas estão por toda parte. Eles deixam um rastro imundo como lesmas deslizando por um tronco. Corte uma dessas criaturas e substâncias desconhecidas irão escorrer deles, como linfa e pus. Essas coisas não são humanas, porque aquilo que elas secretam seria menos do que horrendo? E o que essas substâncias insalubres podem fazer quando em contato com uma pessoa. Deixe isso cair em sua pele, esguichar em seus olhos, ou escorrer para sua boca e você estará acabado.

CARNOPHOBIA
Medo de Carne

Como você pode ter certeza de onde vem esse produto? A Carne que você devora pode ter vindo de um matadouro clandestino. Pode ser a carne de um animal doente capaz de transmitir uma infinidade de doenças nocivas. Ela pode ter vindo de algum animal diferente, podem ser os restos de uma criatura inominável. Ao ingerir essa coisa intratável, você está se tornando parte dela. Pior ainda! Podem até ser os restos de um cadáver humano. Você não vai se arriscar a comer isso! Açougueiros são homens rudes, que não tomam cuidado com a própria higiene, manipulam carcaças que ficam penduradas em ganchos expostas ao ar, exalando um fedor horrível de sangue.

CINIDOPHOBIA
Medo de Ferroadas

Ferrões são as armas de insetos. Afiados como agulhas, eles conduzem venenos e toxinas que em contato com os seu corpo causam dormência, corrupção, letargia, dor e finalmente a morte. Escorpiões, vespas, abelhas... todos esses animais possuem ferrões. Você pode nem sequer sentir, uma vez que o toque do ferrão pode conter um anestésico. Mas o efeito com certeza virá. E quando vier tudo estará acabado! Olhe ao redor, preste atenção a qualquer zumbido a qualquer inseto rastejante capaz de se esconder em seus sapatos, na sua roupa... um ferrão pode estar prestes a perfurar seu corpo.

CREMNOPHOBIA
Medo de Precipícios

Não tem a ver com vertigem ou medo de altura. O que você realmente teme é o que está no fundo do precipício... trata-se de algo simbólico. Não é uma questão de temer a queda, é uma questão de temer o que existe nas profundezas. Você pode nem sequer saber o que está lá embaixo, mas é como se lá no fundo repousasse tudo o que é ruim e asqueroso no universo. Se você chegar perto demais da borda alguma coisa virá lá de dentro para puxá-lo ou alguém poderá empurrá-lo. O simples pensamento é o suficiente para congelar o sangue nas suas veias. Você não vai se aproximar da beirada, nunca!

EISOPTROPHOBIA
Medo de Espelhos

Espelhos revelam como as coisas realmente são e isso é assustador. Não basta saber que você está envelhecendo e o tempo está passando, o espelho mostrará as marcas na sua face, as deformidades e os sinais de que você está diferente ou de alguma forma mudado. Imaginar sua imagem refletida o deixa apavorado. Melhor não saber o que está ali. E se a imagem não for sua? E se o seu próprio reflexo for abominável demais para se contemplar? Você não acredita no que os outros dizem e não quer se arriscar a espiar. Quebre os espelhos, livre-se dos reflexos...

EREMOPHOBIA
Medo da Solidão

Ficar sozinho é a coisa mais aterrorizante que existe. Por definição, não há ninguém para ajudar, nenhuma fonte de conforto, ninguém para compartilhar a adversidade e dividir as aspirações. É impossível imaginar ficar totalmente sozinho. Além disso, algo ruim pode acontecer justamente quando você estiver sozinho. E ninguém ficará sabendo o que aconteceu! E se você estiver totalmente por conta própria quando alguma criatura vier para buscá-lo? Essas coisas horríveis estão sempre observando, elas esperam que você esteja sozinho para atacar... elas contam com isso. Jamais fique sozinho, jamais perca o contato humano, pois do contrário alguma coisa inumana virá até você.


ERGASIOPHOBIA
Medo de Cirurgia

Médicos não sabem nada, pergunte a qualquer um. Ninguém pode aprender tudo sobre o corpo humano e virtualmente qualquer coisa  pode acontecer durante uma cirurgia. Qualquer coisa! Você ficará ali por horas: deitado, exposto, aberto, indefeso... há uma infinidade de coisas que podem sair errado e você pode nunca mais acordar. Um médico pode cometer um erro, o anestesista pode calcular mal a dose, um instrumento pode falhar. Sabe lá Deus o que um médico demente pode fazer. Nada impede que ele ampute seus membros, venda seus órgãos ou drene o sangue. Durante uma cirurgia você pode ser contaminado ou alguém pode implantar alguma coisa em seu corpo. O pior é que você jamais vai saber. Durante uma  cirurgia você se coloca em uma situação de total impotência nas mãos de alguém que você não conhece. Cirurgia? A morte é infinitamente melhor.
ESCOLECIPHOBIA
Medo de Vermes

Não há nada mais nojento do que vermes. Eles são o que existe de mais horrível na natureza. Eles se desenvolvem em lugares sujos e contaminado, grassando onde existe deterioração e apodrecimento. No interior das sepulturas, milhares deles se agitam e contorcem enquanto escavam e devoram a carne dos cadáveres. Vermes cinzentos ou pálidos, longos, inchados, imagine como seria repulsivo sentir o toque frio dessas horríveis criaturas em sua pele nua.
HELMINTHOPHOBIA
Medo de ser Infestado por Vermes

Só há uma coisa mais nojenta do que vermes. Ser infestado por eles. Vermes são parasitas por definição, animais que vivem na sujeira e existem apenas para contaminar outros organismos e se alimentar deles. Ovos de vermes estão em toda parte, na sujeira da terra, na água estagnada, talvez até no próprio ar que você respira. Você pode estar infestado por eles e sequer saber. Seus órgãos inchados com uma infinidade de pequenos vermes longos como cadarços ou por uma única tênia que preenche seu intestino por vários metros. Cuidado com o que come, cuidado com o que bebe. Vermes podem estar crescendo dentro de você, se multiplicando, criando novelos que deformam seu corpo, obstruem veias e devoram suas mucosas. Você pode senti-los caminhando sobre sua pele, agora mesmo.

HAPHEPHOBIA
Medo de ser tocado

Você não sabe onde as outras pessoas estiveram, não sabe no que encostraram ou manipularam. As mãos carregam sujeira, gordura, suor, bactérias... incontáveis doenças podem ser transmitidas pelo mero contato físico. De todos os sentidos, o tato é sem dúvida o mais detestável, por ser tão rude e primitivo. Você odeia cumprimentos, detesta sentir a textura de mãos tocando em seu corpo, os horríveis tapinhas nas costas, os medonhos abraços e o nauseante contato íntimo. E esse horror não se limita ao contato com outros humanos. Há coisas ainda mais repulsivas no mundo e imaginar essas coisas tocando você... urgh! Encolha-se, desvie, fuja...

HOMICHLOPHOBIA
Medo de Nevoeiro
 
De longe um nevoeiro é mais assustador que a escuridão. Você pode combater a escuridão com uma lanterna ou com uma tocha... o nevoeiro por outro lado é como um manto cinzento indevassável. O que se esconde no interior de uma neblina densa? Que terrores usam esse fenômeno dantesco para ocultar sua presença? Os nevoeiros surgem repentinamente, devorando ruas e paisagens até tudo estar coberto por um véu pernicioso. Não se deixe envolver pelas névoas gélidas e úmidas, que sem dúvida carregam blasfêmias vaporosas. Eles são o esconderijo de terrores que desafiam a imaginação.  

ICHTHYOPHOBIA
Medo de Peixes

Peixes vivem nas profundezas insondáveis em lugares que a humanidade não está preparada para conhecer. Os mares estão repletos de animais grotescos, escamosos, de pele fria com olhos e bocas enormes. Coisas pavorosas são trazidas da água por redes de pesca e lançadas nos compartimentos das embarcações. Animais de todos os tipos, tamanhos e formas. Mesmo os peixes mais comuns são ao seu modo detestáveis. O cheiro que eles exalam é nauseante e revira seu estômago. Em feiras livres, estas coisas detestáveis são cortadas e dispostas, abertas com vísceras expostas. O horror de pensar em um enterro em alto mar o assombra, peixes devorando seu cadáver, beliscando sua pele lentamente enquanto nadam entre suas costelas. O horror, o horror...

LYSSOPHOBIA
Medo de Enlouquecer


Medo de perder a razão é, de certa forma algo universal, mas há uma diferença entre um temor razoável e uma fobia patológica que domina grande parte da vida de uma pessoa. O lyssofóbico é obcecado pela noção de estar enlouquecendo. Será que você está ficando louco? Talvez você já seja louco ... como pode saber ao certo? O que vai acontecer quando descobrirem que você está perdendo a razão? Os sanatórios e manicômios estão sempre abarrotados de almas perdidas, verdeiros fantasmas destituídos de vontade própria e controlados por drogas poderosas. Habitando quartos brancos e vestindo camisas de força. E os psiquiatras? O que dizer deles com suas experiências macabras e tratamentos de choque. Você teme pelo seu futuro, teme que tudo termine em uma horrível lobotomia.   

ODONTOPHOBIA
Medo de Dentes

Quando alguém morre e é enterrado, tudo o que resta são ossos e dentes. Dentes são duros e afiados, eles não se desgastam como o resto do corpo. Eles servem para rasgar, esfacelar, mastigar... são os dentes que tornam a mordida algo incrivelmente assustador. Predadores possuem grandes dentes, assim como animais que injetam veneno e outras substâncias. A bocarra de tubarões, a mandíbula de leões ou a arcada de criaturas tenebrosas que existem em lugares remotos do mundo. Todas tem em comum fileiras e mais fileiras de dentes pontiagudos e intimidadores. Os seus próprios dentes podem ser usados para lacerar a pele: eles podem morder seus lábios e arrancar fora a sua própria língua.

OMMATOPHOBIA
Medo de Olhos

Eles estão ao seu redor, não há onde se esconder do eterno escrutínio. Fuja o quanto puder, mas olhos sempre estarão voltados na sua direção. Julgando, medindo, comparando... Dizem que olhos são a janela da alma. Besteira! Os olhos podem ser na verdade janelas para que coisas vis nos espionem. Você já viu olhos de gato brilhando nas sombras? É assim que eles nos examinam e planejam. Isso sem falar que olhos são medonhos. São coisas globulares cercadas por uma rede de nervos e veias. Olhos podem ser tomados por infecções e doenças. Nada pode ser mais assustador que os olhos leitosos de um cego ou as camadas pustulentas de uma catarata.

SCIOPHOBIA
Medo da Própria Sombra

A sombra é algo bizarro. Dizem que são um reflexo de nossa existência, mas e se a verdade for algo muito mais sinistro? Sombras parecem coisas vivas feitas de escuridão que nos seguem onde quer que se vá. E se a sua própria sombra quiser te matar? Ninguém acredita quando você diz que sua sombra tem vontade própria. Só você é capaz de ver os pequenos movimentos. E se na calada da noite sua sombra tentar lhe sufocar. Será que algum demônio se esconde na sua sombra? Imagine sua sombra mudando, se transformando em algo abominável, inenarrável... Não há como fugir de sua presença a não ser em um ambiente destituído de qualquer luz. Melhor a escuridão do que um inimigo tão próximo.

TAPHOPHOBIA
Medo de Sepulturas

Reconheça, sepulturas são algo assustador. Um fosso escuro, sete palmos abaixo do solo, onde restos humanos são depositados para deteriorar. Que tipo de horrores habitam esses recessos insalubres? Vermes e parasitas se alimentam da carne que lentamente apodrece exalando um mefítico vapor de degradação. Uma fria sepultura é a morada final, quem pode dizer com certeza que fantasmas não se erguem delas para assombrar os vivos? E se o pobre diabo não estiver realmente morto quando for sepultado? O conteúdo de uma sepultura recém escavada é um convite para ladrões em busca de riquezas. Abutres humanos podem buscar souvenires bizarros, necrófilos e canibais anseiam por seus segredos. Melhor jamais se aproximar de uma delas, melhor jamais ocupar uma delas. Chamas purificadoras, é isso que você planeja para o seu funeral.