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quinta-feira, 10 de maio de 2018

O Portal dos Deuses - Passagens dimensionais e civilizações antigas


Se você imagina que as alegadas portas e portais para outras dimensões e realidades paralelas, são resultado apenas da interferência do homem com as leis da natureza e da própria fábrica do universo, pense novamente.

O conceito de realidades paralelas e de múltiplos universos já havia sido contemplado há muitos séculos por civilizações ancestrais que acreditavam ser um fato existirem outros universos além do nosso, ocultos da nossa percepção, mas acessíveis por intermédio de certas passagens.

Esses povos acreditavam na existência de alguns lugares no mundo que seriam abençoados (ou amaldiçoados, dependendo de seu ponto de vista) com um tecido da realidade mais fino, do tipo que, com pouco esforço poderia ser atravessado. Tais lugares seriam territórios no qual o sobrenatural se manifestaria com maior frequência, onde coisas estranhas aconteceriam e onde o mundo mágico se faria presente. Não é de se estranhar que tais lugares se convertessem frequentemente em sítios de adoração aos Deuses e entidades poderosas, dignos da construção de templos monumentais ou ainda de peregrinação por parte de seus fiéis. 


Um destes lugares mágicos é a floresta petrificada de Markawasi, localizada nos Andes peruanos. Repleta de pedregulhos de granito que foram entalhados na forma de vários animais e formas humanoides por artistas pré-históricos, a floresta é extremamente misteriosa. Desde tempos imemoriais ela atraía povos nativos, entre os quais os Huasi (antepassados dos Incas) que consideravam o lugar sagrado. Acredita-se que Markawasi tenha sido um dos primeiros lugares a atrair uma concentração de indivíduos que viajavam distâncias consideráveis para visitar o local. Quando pensamos em povos antigos, que viveram no século XIII ou XIV antes de Cristo, raramente os imaginamos abandonando o lugar onde nasceram, cresceram e tinham segurança, mas nesse caso específico, existia uma verdadeira peregrinação de pessoas para visitar ao menos uma vez em suas vidas a floresta.

Estudiosos acreditam que o local foi um movimentado centro religioso para os Huasi e que chegou a contar com cidadelas, templos e acomodações para seus visitantes. A Civilização Inca, que veio muito depois deu o nome Markawasi ao local, que no idioma significaria "casas de dois andares". Ninguém sabe como ele era chamado originalmente ou quem eram exatamente os Huasi e quando viveram na região. Seja qual for a sua idade exata, os restos de prédios e estruturas podem ser encontradas distribuídos em todo platô. Restos de construções e de objetos usados no dia a dia comprovam que os Huasi ergueram não apenas casas, mas oficinas, escolas e até observatórios astronômicos. Há também numerosas chulpas (tumbas) pontilhando as cavernas de pedra e grutas rasas. Corpos naturalmente transformados em múmias pelas condições climáticas são testemunhas de que cadáveres ilustres eram carregados para serem enterrados nesse local especial. Muitos dos cadáveres ainda vestiam ornamentos como máscaras e cetros que os identificam como chefes tribais, poderosos guerreiros e feiticeiros de importância.

Mas o que tornava Markawasi um lugar especial era sua posição estratégica como intercessão entre dimensões. O local todo para os Huasi era sagrado uma vez que formava um eixo através do qual o Reino dos Deuses podia ser acessado.


Explorado por arqueólogos desde o início do século XX, Markawasi sempre possuiu muitas lendas e histórias a respeito de recessos profundos e túneis que levariam ao interior das montanhas. Expedições inteiras teriam desaparecido em busca dessas passagens, contudo muitos acreditam que eles não meramente desapareceram em câmaras subterrâneas, mas foram transportados para outras realidades da qual não conseguiram voltar. As passagens levariam para outras dimensões e quando aqueles que as atravessaram conseguissem atingir a superfície novamente, veriam a si mesmos transportados para outras dimensões.

Indivíduos explorando a Markawasi se queixam frequentemente de uma sensação de confusão e náusea. Os céticos afirmam que isso se deve a altitude e as condições insalubres do deserto, mas há os que acreditam que essa sensação é causada pela influência das outras dimensões. Da mesma maneira, fenômenos incomuns relacionados a magnetismo e eletricidade parecem acontecer com frequência na região inteira. Descargas elétricas espontâneas, bolsões de eletricidade estática, objetos de metal que são atraídos e bússolas girando sem parar são muito comuns. Mais difícil de explicar são os estranhos objetos voadores que são vistos com alarmante frequência, sobrevoando o platô e desaparecendo do nada. Globos luminosos, discos de metal e formas triangulares flutuam sobre as estátuas colossais como se estivessem sondando o ambiente.  

 Os casos de estranheza, no entanto não se limitam a avistamento de OVNIs.

O Dr. Raul Rios Centeno é um respeitado estudioso de Markawasi e ele coletou várias histórias a respeito de pessoas que foram afetadas pelo local e que tiveram experiências com o que poderia ser compreendido como deslocamento dimensional. Um caso citado por Centeno envolvia uma mulher chamada Helena Vidal que foi diagnosticada com uma desordem chamada hemiplegia, que resulta em fraqueza e completa paralisia do lado esquerdo do corpo. 


Helena contou que começou a manifestar essa doença depois de acampar na floresta na companhia de amigos em 1994. Durante uma trilha ela disse que o grupo se deparou com uma estranha cabana que além de ter sido construída num lugar extremamente isolado era bizarra de outras maneiras. A construção tinha uma aparência incomum, parecia rústica, ainda que resistente, tendo sido erguida com pedra. Ao passarem em frente da cabana, algumas pessoas vestindo trajes nativos surgiram do interior carregando tochas. Eles os olhavam como se fossem assombrações. Três dessas pessoas começaram a gritar em um idioma que eles desconheciam enquanto outros se colocaram de joelhos com a testa tocando o chão em uma posição de respeito. A cena surreal durou alguns instantes, sem que o grupo conseguisse entender o que estava acontecendo.

Helena então disse que sentiu uma necessidade de se aproximar e ver mais detalhadamente aquelas pessoas, talvez prestar alguma ajuda. Ao dar dois passos na direção deles sentiu uma força a envolvendo, como se o ar estivesse momentaneamente saturado de eletricidade estática. Helena ainda deu um terceiro passo e nesse momento foi lançada violentamente para trás, repelida por uma força invisível que causou sua paralisia.

Especialistas acreditam que o grupo de Helena inadvertidamente experimentou um vislumbre de uma outra dimensão e que as pessoas que habitavam a cabana puderam ver em contrapartida o que julgaram se tratar de "deuses ou seres incompreensíveis". Centeno conjectura que se Helena tivesse conseguido atravessar a barreira teria cruzado para o outro lado. Quando ela tocou a barreira, esta reagiu e a rechaçou fazendo com que o portal se dispersasse. Com efeito o vórtice de energia danificou seu sistema nervoso. 

A estranha cabana, depois da experiência simplesmente desapareceu como se jamais tivesse existido. E segundo o Dr. Centeno ela realmente jamais existiu... ao menos em nossa realidade.


Centeno colecionou outros testemunhos a respeito de vislumbres de outras dimensões tão ou mais impressionantes que o descrito por Helena Vidal e seus amigos.

Em 1987, uma equipe de arqueólogos da Universidade de Lima realizando expedições no marco de pedra conhecido como Monte da Tartaruga tiveram uma visão notável. Os membros da expedição disseram ter visto um vale tomado de construções de estranha arquitetura como nenhuma outra cuja origem pudessem determinar. Os prédios eram longos e achatados, feitos de pedra escura e divisados por ruas largas pavimentadas por paralelepípedos. Ao olhar com maior cuidado, as testemunhas afirmaram ter visto estranhos seres humanóides de baixa estatura, pele escura e cabeça alongada. A sensação geral é de que eles não eram humanos. As criaturas estavam tão surpresas diante da aparição do grupo, quanto eles. O contato durou apenas alguns instantes e foi marcado por curiosidade de ambos os lados. Então, tão repentinamente quanto começou, a experiência se encerrou e a cidadela desapareceu diante de seus olhos como se jamais tivesse existido.

Mais recentemente, em 2007 um grupo de excursionistas retornou de um acampamento erguido nos arredores do marco rochoso conhecido como Cabeça do Inca com uma história inacreditável. Afirmavam ter visto uma série de globos luminosos mais ou menos do tamanho de bolas de futebol voando. As formas emitiam um brilho intermitente de coloração alaranjada e produziam um ruído de estática. Os globos flutuaram sobre as barracas onde o grupo estava acampado a aproximadamente 10 metros de altura. Depois de alguns minutos eles começaram a se afastar lentamente. Um grupo seguiu os globos de luz até um vale no qual encontraram uma espécie de parede luminosa que flutuava em pleno ar. Os globos mergulharam nessa passagem desaparecendo. Refletido nessa parede os excursionistas conseguiram divisar uma paisagem estranha. Na passagem aberta era dia e não noite, o céu tinha uma coloração esverdeada e o ambiente era completamente diferente. O portal ficou aberto por mais alguns segundos, quando desapareceu em um flash de luz deixando no ar um cheiro de ozônio.

Surpreendentemente, o Peru possui outro local onde estaria localizado um famoso portal dimensional. Conhecido como Puerta De Hayu Marka, ou "Portão dos Deuses" ele se localiza  a apenas 1200 quilômetros ao sudoeste de Lima e é um marco bastante conhecido por observadores de OVNIs e entusiastas de histórias estranhas.


O Portão dos Deuses é uma grande parede de rocha com 23 metros de altura e que parece ter sido deliberadamente trabalhada para ficar lisa. Mais do que uma simples atração para turistas e uma fonte de fascínio para arqueólogos, os nativos acreditavam que o paredão um dia serviu como portão para outras dimensões. De acordo com Mitos dos Incas, a passagem serviu como acesso para que deuses ancestrais entrassem em nosso mundo na aurora dos tempos. A passagem teria sido lacrada pelos deuses, mas estes entregaram a sacerdotes um disco de ouro que poderia ser usado para ativar a passagem e abrir a porta para seu retorno. Segundo as lendas, os sacerdotes poderiam viajar através desse portal e também receber a visita dos seres que habitam o outro lado.

As lendas mencionam que esse disco sagrado foi encontrado depois de ter caído do céu, e que ao menos um sacerdote depois de se aventurar através da passagem jamais retornou. É interessante que geólogos estudando a face rochosa de fato encontraram uma depressão no topo da passagem onde supostamente um objeto em forma de disco poderia ser encaixado. As lendas antigas não mencionam o que teria acontecido com o disco que permitia ativar o portal, mas há rumores de que a peça teria sido escondida depois de uma guerra. Como punição por perder a ferramenta que ativava o portão os nativos teriam sido punidos com uma doença mortal que devastou sua população. Outros rumores mencionam que no dia em que o Portal dos Deuses for ativado uma vez mais, o mundo passará por uma mudança dramática e que a raça humana descobrirá a sua verdadeira origem.

Algumas pessoas sensíveis descrevem uma sensação inquietante ao se aproximar do monumento de pedra. Descrevem alucinações bastante vívidas nas quais vêem estrelas, pilares de fogo e até experimentam episódios fora do próprio corpo nos quais enxergam a região como era há séculos. Algumas narrativas citam uma ligação desse portal com ao menos outros cinco paredões de pedra semelhantes, como o existente nas Ruínas de Tiahuanaco. Traçando uma linha reta sobre cada um desses portais, o ponto de intercessão deles é exatamente sobre o Lago Titicaca. Alguns teóricos supõem que se por acaso todos os portais forem ativados simultâneamente, o Grande Lago também se abrirá, permitindo "a passagem dos Deuses em seus navios voadores". 


Seja lá por qual razão a Puerta De Hayu Marka foi criada, trata-se de uma história intrigante que merece o apelido de "Portal Estelar do Mundo Real".

Civilizações no passado pareciam saber mais a respeito dessas alegadas passagens dimensionais do que nós hoje, talvez por que no passado distante eles tenham de alguma maneira se comunicado com os seres que estão além e visto estes seres como Deuses. Talvez um dia sejamos capazes de entender o significado desses lugares místicos e seu propósito, Mas por enquanto, eles permanecem como testemunhas silenciosas dos tempos em que os deuses podiam ser encontrados, bastando para isso cruzar uma porta. 

sábado, 5 de maio de 2018

O Portal do CERN - O Acelerador de Partículas poderia abrir portais dimensionais


"Através dessa porta pode vir alguma coisa, ou nós poderemos enviar algo através dela. Seja como for, isso irá mudar nosso mundo para sempre".

Sergio Bertolucci

Se qualquer parte dos rumores a respeito do portal dimensional de Ong Hat é verdade, ele não seria a única vez em que a ciência tentou abrir essas passagens. 

Desde que foi colocado em operação em setembro de 2008, o Large Hadron Collider (LHD), administrado pelo Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, ou CERN, se converteu em uma fonte até o momento inesgotável de alegações bizarras a respeito de passagens interdimensionais e incríveis bizarrices. O maior e mais poderoso acelerador de partículas do mundo, o LHC está localizado a 90 metros de profundidade diretamente abaixo do Centro de Controle do CERN em Genebra, Suíça, e é composto de uma imensa estrutura em forma de looping com aproximadamente 27 quilômetros de comprimento.

Basicamente essa estrutura acelera partículas subatômicas no túnel até atingirem velocidades extremas com o objetivo de chocá-las umas contra as outras para testar o que acontece. Isso teoricamente explicaria muitos dos segredos de nosso universo, sobretudo o que levou a sua criação, em condições semelhante às do Big Bang. Possivelmente, uma das maiores descobertas ligadas aos experimentos realizados no LHC seja a observação de partículas do Boson de Higgs que até então não passava de uma teoria. 

Ok, assim como a maioria das pessoas, eu confesso que entendo muito pouco de tudo isso e que a maioria dessas noções e conceitos não passam de nomes e termos técnicos indecifráveis. Talvez seja a falta de informações que envolve o LHC, desde a sua construção, em rumores. Não faltam pessoas receosas e até aterrorizadas com a sua existência e implicações.


A mera presença de uma instalação científica tão grande localizada nas profundezas, sua assustadora premissa de estar chocando partículas aceleradas na velocidade da luz, e o fato de ser administrado por cientistas trabalhando em estranhos experimentos, ajudou a criar uma certa reputação, causando preocupação no público e gerando as mais esquisitas teorias sobre o que acontece lá embaixo, sem que ninguém saiba.

Além das teorias alarmistas de que a operação do LHC poderiam criar mini-buracos negros ou desfazer a própria realidade, existem outras ideias e rumores de que o CERN realiza experimentos ultra-secretos nas suas instalações nas entranhas da terra. 

Uma das teorias da conspiração mais populares é que a instalação estaria tentando romper a barreira existente entre as dimensões com o objetivo de criar condições para gerar teleportação, criar portais para realidades alternativas e acessos físicos para outros planos de existência. Um dos temores principais é que abrir uma dessas portas poderia ser incrivelmente perigoso, não apenas por que não sabemos o que existe do outro lado, mas por que, o que está do outro lado, imediatamente tomaria conhecimento de que nós existimos e poderia vir até nós. Esse temor chegou a receber o nome extra-oficial de "teoria da mão dupla", uma vez que define muito bem o receio destas pessoas. Por essa teoria temos uma situação e que um portal dimensional poderia constituir uma rota de entrada em nosso mundo para entidades e indivíduos potencialmente agressivos. Alguns pesquisadores sugerem que enquanto um portal poderia constituir um grave risco de segurança, uma janela - através da qual a outra realidade seria meramente observada, teria menos risco. 

Existem entretanto, teorias mais "esotéricas" que incluem a crença de que o acelerador de partículas poderia ferir o tecido da realidade de tal maneira que uma porta para o Paraíso e para o Inferno poderia se formar. Isso permitiria a entrada física em Reinos Espirituais elevados, para onde não deveria existir acesso material. Um enorme rumor surgiu em 2012 de que cientistas do CERN teriam estabelecido contato com Gigantes Bíblicos conhecidos como Nephilim através de um portal aberto quando o LHC foi acionado em sua plenitude e sofreu uma pane. O boato causou uma reação tamanha que a direção do CERN teve que vir à público e explicar que o desligamento foi realizado por um defeito e que nunca houve nenhum risco e menos ainda contato com agentes divinos.


Alguns pesquisadores do assunto acreditam que portais dimensionais poderiam surgir através do choque de partículas que danificariam a realidade como conhecemos. Stephen Quayle é um respeitado estudioso que conjecturou a possibilidade de que virtualmente qualquer coisa poderia existir em outras realidades. Para Quayle, não há como sondar quais seriam as formas de vida nativas em outra realidade. Ele explica que o LHC é como um estilingue que arremessa partículas muito leves através de um pedaço de tecido esticado. Esse tecido, que representa a parede de nossa realidade resiste a maioria dos choque, mas eventualmente partículas em alta velocidade acabariam produzindo um rasgo e este causaria a abertura de uma passagem.

Quayle não mede as suas palavras quando dá a sua opinião a respeito das graves consequências dos experimentos do CERN:

"O homem está brincando de Deus, em busca da partícula divina, e pode encontrar muito mais do que deseja, abrindo portas para realidades potencialmente perigosas. Existe o risco de encontrar seres inter-dimensionais tão estranhos e inumanos que o mero contato com eles poderia representar a nossa destruição. A maioria dos cientistas refutam essa possibilidade e tratam esse receio como "medo do sobrenatural", contudo, há motivos para temer, não por acreditar que existam "anjos" ou "demônios" nos reinos além de nossa dimensão, mas por que é bem possível que nós, como raça, não estejamos preparados para a implicação desse encontro. Abrir essa Caixa de Pandora pode nos colocar frente a frente com algo que foge inteiramente à nossa compreensão".  

Embora essas teorias possam ser consideradas extremas e a maioria dos cientistas as considerem sem base, a ideia de que existe perigo em abrir passagens dimensionais persiste. Os teóricos da conspiração tendem a oferecer como "provas" de que a operação do LHC já produziu resultados, fotografias e filmagens de objetos desconhecidos sobrevoando o CERN. Nos últimos anos várias gravações mostrando OVNIs, estranhos vórtices, globos luminosos e outros fenômenos aéreos foram obtidos por indivíduos que acreditam se tratar de atividade inter-dimensional.


Em dezembro de 2015 uma filmagem foi feita por um grupo de turistas que viram uma espécie de globo luminoso flutuando no ar sobre o CERN. O estranho objeto que emitia um brilho alaranjado entrava e saía de portais suspensos semelhantes a vórtices sumindo e reaparecendo instantes depois. Outro vídeo similar, feito em maio de 2016 mostra o que supostamente seria um portal em meio às nuvens aparecendo sobre uma aleta de ventilação do CERN. O portal se forma por alguns segundos no exato momento em que uma pane de energia ocasiona o desligamento das instalações. O CERN emitiu uma nota afirmando que o incidente da pane foi causado por uma raposa que causou danos a uma máquina sensível. É interessante perceber que uma série de ocorrências anômalas que ocorreram no CERN parecem coincidir com falhas de funcionamento e blackouts, como um suposto surto de energia em 2009. 


Outro acontecimento recente que foi fotografado ocorreu justamente quando o CERN realizava um importante experimento em 24 de junho de 2016. O projeto em questão foi batizado de Advanced Proton Driven Plasma Wakefield Acceleration Experiment, ou AWAKE, cujo objetivo era acelerar partículas super-carregadas através dos "wakefields de plasma guiados por um raio de protons". Não me pergunte o que isso significa, mas o nome é suficientemente longo e assustado o bastante para soar como algo assustador. No momento em que o LHC entrou em operação uma estranha nuvem em forma de portal se formou sobre os céus da instalação.


Também em repetidas ocasiões, quando o LHC foi acionado, incidentes inexplicáveis foram reportados ao redor do mundo. Um estranho acontecimento que não foi oficialmente confirmado envolveria um avião da Companhia aérea LAB que teria sido transportado com seus 170 passageiros da Bolívia para as Ilhas Canárias, a milhares de quilômetros de distância. O incidente teria ocorrido com a abertura de um portal que levou o veículo de um ponto a outro no exato momento em que o acelerador estava em operação.

Em junho de 2013, o LHC foi ligado uma vez mais para um experimento a respeito de supersimetria e busca pela dark matter. Novamente um estranho fenômeno foi reportado, dessa vez em Perth, Australia. No exato momento em que acelerador estava em funcionamento um misterioso vórtice luminoso foi visto sobre a cidade durando alguns segundos. A imagem catada por canais de televisão locais se tornou viral.

Enquanto fotografias e vídeos como estes podem ter uma explicação razoável e serem comprovados como fenômenos naturais ou meros efeitos especiais, existem muitas pessoas dispostas a apontar o dedo para o CERN como causador de tais incidentes. De fato, algumas pessoas chegam a afirmar que os testes do LHC já rasgaram o tecido da realidade e operou mudanças sutis em nosso universo criando um fenômeno chamado Efeito Mandela, acontecimentos que parecem estranhamente manipulados por mudanças sutis na memória de pessoas que experimentam lapsos de tempo. [Sobre isso falaremos em um próximo artigo]

Adicionando combustível a essas suspeitas de que há algo sinistro a respeito do CERN, existem ainda muitas outras teorias de conspiração como por exemplo a construção de uma estátua da Deusa Hindu Shiva que tem o título "O Destruidor" nos arredores das instalações. Teóricos também chamam a atenção para o fato de que as letras de CERN serem as quatro primeiras letras do nome CERNUNNOS que é o Deus Pagão do submundo. 

E não para por aí, o CERN está parcialmente localizado abaixo da cidade francesa de Sant-Genus-Poilly, e alguns atentam para o fato de que Poilly vem de Appolliacum, ou em Latim o nome pelo qual atendiam os Templos dedicados ao Deus Apolo. O mesmo Apollo que segundo as lendas da região teria construído na antiguidade um portal conectando nosso Mundo ao Submundo de Hades.


Tudo isso é claro pode não passar de mera coincidência, teorias loucas, farsas bem feitas e pânico injustificado. Realmente não se sabe se essa máquina seria capaz de abrir passagens interdimensionais ou portões para outras realidades, mas uma coisa que podemos ter certeza é que não são apenas as pessoas comuns que tem receio do potencial do CERN e seu acelerador de partículas gigante, ou que temem os efeitos colaterais dos experimentos realizados nas instalações. 

O lendário físico Stephen Hawkins, falecido recentemente, alertou que um equipamento como o LHC poderia criar um buraco negro que acabaria com todas as formas de vida como as conhecemos. Até mesmo o diretor de pesquisas e computação do CERN, Sergio Bertolucci afirmou que abrir portas para outras dimensões estaria dentro das possibilidades do projeto. Não podemos afirmar que o LHC está sendo usado para pesquisas que permitirão a abertura deliberada ou não de portais, mas parece certo que teorias de conspiração e teorias continuarão a cercar o lugar enqunanto ele continuar em operação.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Palácio dos Fantasmas - A macabra história da Mansão Winchester


Pouco depois do falecimento de seu marido em 1881 até a sua própria morte em 1922, a herdeira do Império dos Rifles de Repetição, Sarah Winchester viveu sozinha. Por que, ela teria insistido em construir uma monstruosa mansão, que transformou uma fazenda inicialmente com oito quartos em uma propriedade com 160 aposentos que se espalhava por uma imensa área construída? E mais estranho, porque o lugar era tão excêntrico chegando a contar com portas e escadarias que não levavam a lugar nenhum?

A história da Mansão Winchester começa em setembro de 1839 com o nascimento de uma menininha, filha de Leonard e Sarah Pardee de New Haven, Connecticut. A criança também recebeu o nome de Sarah e quando chegou a maturidade, se tornou uma das beldades de sua cidade natal. Ela foi bem recebida na alta sociedade, participava dos eventos sociais, e graças às suas habilidades musicais, sua fluência em diversos idiomas estrangeiros e seu charme conquistava a todos. Sua beleza também era muito conhecida pelos jovens da cidade, a despeito de sua baixa estatura. Embora ela fosse pequena com pouco mais de 1,50 m, de altura ela compensava tudo com uma notável personalidade e carisma.

A medida que Sarah se tornava adulta, outro jovem também de uma família proeminente avançava em sua carreira. O jovem rapaz se chamava William Wirt Winchester e era o filho de Oliver Winchester, um tecelão e negociante. Em 1857, ele assumiu os encargos da empresa da família e devotou seus recursos na criação de uma peça chamada Volcanic Repeater, um mecanismo de disparo para armas de fogo. O mecanismo era uma espécie de alavanca que permitia recarregar um rifle mecanicamente.


Obviamente, esse tipo de arma de fogo constituía um enorme avanço em relação aos rifles usados na época que exigiam uma lenta e elaborada recarga de pólvora e munição. Winchester compreendia algo básico para a ciência militar: quanto menor o espaço de tempo entre um disparo e outro, mais eficiente um atirador se torna. Em 1860, a empresa desenvolveu o Henry Rifle, que possuía um dispositivo tubular localizado sob o cano da arma. Após a execução de um disparo, um movimento de alavanca forçava um novo cartucho para essa câmara e permitia um fogo contínuo. Com um pouco de prática, um atirador mediano era capaz de disparar uma vez a cada três segundos, enquanto que os rifles até então careciam de uma recarga que demorava entre 15 e 30 segundos. Em uma palavra, o rifle de repetição era letal.

O Henry se tornou o primeiro rifle de repetição do mundo. E em meio a sangrenta Guerra Civil americana, o Exército da União investiu pesado na inovação. Um contrato de exclusividade foi assinado com o governo de Abraham Lincoln para que o rifle fosse produzido em massa e chegasse aos soldados o quanto antes.

Como resultado, Oliver Winchester ganhou rios de dinheiro com contratos e vendas. Ele re-organizou sua companhia e mudou o nome para Winchester Repeating Arms Company. A família prosperou e em 30 de setembro, 1862, no auge da Guerra Civil, William Wirt Winchester e Sarah Pardee se casaram em uma elegante cerimônia em New Haven.

Quatro anos mais tarde, em 15 de julho de 1866, Sarah deu à luz a uma menina chamada Annie Pardee Winchester. Pouco depois, a primeira tragédia atingiu a família, a criança contraiu uma doença incomum chamada "marasmo", moléstia infantil na qual o corpo se deteriora progressivamente. A menina morreu em 24 de julho. Sarah ficou tão devastada pelo evento que trancou em casa e evitou o contato de qualquer pessoa por meses. O luto durou quase uma década, e apenas depois de todo esse tempo ela decidiu deixar a sua casa novamente. Ela e William jamais tiveram outra criança.


Mas outra tragédia esperava por Sarah. William, o magnata do Império Winchester contraiu também um tipo raro e letal de tuberculose pulmonar. A doença era tão rara que só foi diagnosticada com exatidão dias antes dele morrer. Como resultado de sua morte, Sarah herdou mais de 20 milhões de dólares, uma quantia exorbitante, especialmente naquela época. Ela também recebeu 48.9% das ações da Winchester Repeating Arms Company e uma soma de US $1000 ao dia, que não seria taxada até 1913.

Mas mesmo a sua incrível fortuna era capaz de trazer algum alívio à sua dor. O sofrimento de Sarah era tão profundo que ela vivia reclusa, afastada de qualquer contato apenas lamentando a perda de seu marido e filha. Pouco tempo depois, uma amiga próxima sugeriu que ela buscasse o auxílio de uma médium espiritualista que pudesse ajudá-la a lidar com sua perda. A médium escolhida realizou uma sessão espírita na qual descreveu William Winchester em detalhes e afirmou ser capaz de ouvir suas palavras. Ela então falou:

"Seu marido pede que eu lhe diga que existe uma grande maldição sobre você e toda sua família", disse a mulher, "Essa maldição foi responsável por decretar a morte de seu marido e de sua criança. Ela também incidirá sobre você! É uma maldição resultante do grande mal que sua família libertou no mundo, a terrível arma criada pelos Winchester. Milhares e milhares de pessoas morreram em decorrência dela, e os espíritos querem vingança". 



Sarah então foi instruída a vender sua propriedade em New Heaven e seguir rumo ao por do sol. Ela seria guiada pela mão do marido e da providência, e quando encontrasse o lugar correto no oeste ela saberia onde sua nova casa deveria ser erguida. "Você deve começar uma nova vida", alertou a medium, "E sua vida deve ser devotada a construir uma casa onde os espíritos descarnados possam habitar. Se você construir uma casa grande o bastante, e continuar a construir, você poderá viver. O dia que você parar, você irá morrer".

Depois da sessão espírita, Sarah se convenceu do que era necessário fazer. Ela vendeu a sua propriedade em New Haven e com uma vasta fortuna a sua disposição se mudou para a Califórnia. Ela acreditava que a mão de seu marido a guiava em direção ao oeste e quando ela enfim chegou ao Vale de Santa Clara, em 1884 teve um vislumbre de uma mansão enorme naquele exato local. No lugar existia uma casa de oito quartos que estava sob construção por um médico local, o Dr. Caldwell. Ela ofereceu uma grande soma de dinheiro pelo terreno de 162 acres onde a casa estava sendo erigida. Sarah mandou que a obra continuasse, mas contratou engenheiros para acrescentar várias outras dependências na planta da propriedade. 

Assim começou uma longa obra de 36 anos de duração, a medida que ela continuava construindo e reconstruindo, alterando e mudando, expandindo e adaptando, por vezes até demolindo e reerguendo tudo do nada. Sarah contava com um grupo de 22 carpinteiros que viviam na propriedade com suas famílias e que eram pagos para trabalhar todos os dias do ano, coordenando os esforços para nunca terminar a obra. O som de martelos e serras era ouvido dia e noite, ininterruptamente.


A medida que a casa cresceu para comportar 26 quartos, uma estrada de ferro foi erguida para permitir a chegada de material de construção para manter a obra. A casa continuou a crescer e expandir, e apesar de Sarah insistir que não havia um planejamento para a estrutura, ela se encontrava toda manhã com seu capataz para dizer o que seria construído em seguida. As plantas passavam pelas suas mãos e ela decidia o tipo de construção que seria executada pela equipe. Quando a construção resultava em algo que ela não gostava, Sarah simplesmente mandava colocar abaixo e refazer de uma maneira que ela ficasse satisfeita. Os empreiteiros da Mansão usavam tanto dinamite e bola de ferro para demolição, quanto tijolos e argamassa. Por vezes diziam que a obra se concentrava mais em destruir paredes do que erguê-las. Sarah parecia satisfeita, afinal, dinheiro não era problema e ela tinha tempo para continuar construindo.

A planta caótica da Mansão foi avançando e áreas foram sendo construídas sobre outras em um verdadeiro labirinto. Salas eram acrescidas e logo uma dependência se convertia em uma ala. Portas eram distribuídas e corredores alargados ou aumentados. Torres foram edificadas e quando a área começou a chegar perto de um limite, os construtores ofereceram uma solução, verticalizar e crescer para cima. Eventualmente, a Mansão atingiu sua altura máxima, nada menos do que sete pavimentos e dois porões. Dentro da Mansão haviam escadarias e elevadores, 47 enormes lareiras, armários, portas duplas, triplas, quádruplas. Claraboias, jardins suspensos, arcos e domos. Alguns corredores terminavam abruptamente. Portas se abriam para o vazio. Janelas adornavam corredores que eram barrados por outras paredes. Banheiros feitos inteiramente de vidro transparente. Nada era estranho ou incomum o bastante.      

Também era óbvio que Sarah se deixara fascinar pelo número "13". Quase todos os salões possuíam 13 janelas, as paredes tinham arranjos com 13 painéis de madeira, a estufa possuía 13 cúpulas de vidro grosso, os desenhos no chão e as madeiras machetadas tinham padrões que somavam 13 configurações. Algumas escadarias tinham 13 degraus, assim como o número surgia na disposição de vasos e quadros. O número 13 estava em todo canto.


Embora aquilo tudo parecesse loucura, para Sarah fazia sentido. Ela acreditava que construindo uma gigantesca mansão, teria certo controle sobre os espíritos das pessoas mortas pelos Rifles Winchester que estariam ligadas eternamente a ela através da maldição. A casa serviria para atrair esses espíritos e fazer com que eles se perdessem em seus inúmeros corredores e salões. Algumas pessoas sustentam que Sarah teria contratado ocultistas para que gravassem símbolos de contenção e proteção sob os painéis de madeira e no batente das janelas, sinais místicos que poderiam conter os espíritos, impedir que eles saíssem ou ainda, os tornariam cegos a presença dos vivos.

As obras seguiram adiante e por volta de 1900, a mansão já era um colosso. Sarah seguiu expandindo a mansão, vivendo em completa melancolia e solidão, tendo a companhia de ninguém além de seus empregados, dos operários que auxiliavam na construção e é claro, dos fantasmas que habitavam a casa. 

Sobre esses habitantes espectrais não faltavam histórias e rumores.

Dizem que ao menos uma vez por semana, a herdeira recebia a visita de mediums vindos de toda parte dos Estados Unidos para conduzir sessões espíritas. Seu objetivo era descobrir a quem pertenciam os espíritos e se a casa seria capaz de mantê-los sob controle. Os médiuns constantemente a alertavam que a maioria dessas pessoas haviam sido em vida criminosos, bandidos, revolucionários e todo tipo de gente amargurada e ressentida, muitos deles em busca de vingança pela morte violenta que haviam sofrido. O nome de dezenas de pistoleiros e bandoleiros fazia parte da lista de espíritos famosos que supostamente iam parar na Mansão.


Um dos mediums prediletos de Sarah era uma mulher do Colorado chamada Minnie Grant que afirmava ser capaz de ver os espíritos que perambulavam pela casa. Ela não poupava detalhes ao descrever com seu dom mediúnico as alegadas manifestações espectrais. A mulher contava a respeito dos inúmeros fantasmas que carregavam com distinção estoica os medonhos ferimentos causados pelas armas Winchester. Haviam aqueles alvejados na testa e no peito, que tinham morrido imediatamente, mas também aqueles horrivelmente desfigurados com parte dos intestinos pendurados ou o cérebro gotejando pelos buracos de bala. Minnie falava sobre as multidões de soldados envergonhados com ferimentos que lhes abriram rombos nas costas, evidenciando sua covardia já que haviam sido alvejados enquanto tentavam escapar da batalha. Mencionava homens com vendas nos olhos, vítimas de fuzilamento no paredão. E foi explícita sobre a multidão de nativos americanos massacrados pelo Rifle que ajudou a Conquistar o Oeste. Essas vítimas andavam sem destino, amparando-se nas paredes, atravessando as peças luxuosas de mobília e esbarrando uns nos outros na sua macabra procissão. 

Outros médiuns, como o famoso C.J. Bishop de Iowa, relatou a visão de dois bandoleiros mexicanos que pareciam alegres e bêbados, que tinham pequenos buracos de entrada do projétil no peito e enormes ferimentos nas costas, onde a bala mortal havia saído. Bishop falou de um oficial uniformizado se arrastando pelo chão, tinha a espinha despedaçada pelo disparo que o matou. Ele foi mais além, citou a presença até de búfalos e incontáveis animais selvagens que haviam sido alvejados nas pradarias do oeste até quase a extinção. A casa era uma confluência de inúmeras tragédias, de esquecimento e morte.

Um outro espiritualista vindo da costa leste aconselhou Sarah a tentar acalmar os fantasmas tocando o enorme piano da sala de estar. Uma excelente pianista, ela gostou da sugestão e dali em diante passou a fazer recitais toda noite como forma de apaziguar os fantasmas. O som se espalhava pelos cômodos vazios e ecoava pela imensa mansão.

Os poucos empregados que residiam na propriedade ficavam restritos a alguns cômodos e não tinham permissão para andar pela casa após o anoitecer. Os médiuns advertiam que tal coisa poderia ser perigosa. Sarah era taxativa quanto a isso e quem não obedecesse suas ordens era despedido imediatamente. Os únicos que podiam visitar os aposentos à noite eram os médiuns convidados e a própria Sarah.


O evento mais trágico ocorrido na mansão teve lugar quando o devastador Terremoto de San Francisco atingiu a região em 1906. O abalo sísmico fez com que porções da Mansão Winchester viessem ao chão e muitos outros pareciam prestes a ruir. Uma ala inteira desabou sobre o jardim e não pode ser reconstruída. Além disso, a maior lareira da casa, localizada no Quarto Daisy ruiu, provocando enormes danos internos. Sarah que estava dormindo na casa ficou convencida de que a tragédia tinha ligação com os fantasmas que estariam furiosos e desejavam escapar da mansão. Para proteger o lugar, ela convocou um exército de operários, pagando-os regiamente para levantar tábuas e cercas o mais rápido possível. Seu temor era que os espíritos capturados na casa conseguiriam escapar pelas brechas nas paredes e janelas destruídas pelo tremor. Na época sua determinação em reconstruir a casa causou revolta na população, ela chegou a ordenar que material fosse desviado e enviado para sua mansão.

Pelos meses que se seguiram, os operários realizaram os reparos na casa avariada pelo terremoto, embora a colossal estrutura tenha suportado o abalo melhor do que os outros prédios na área. Sarah chegou a contratar trabalhadores de outros estados para que as obras não parassem e logo a casa voltou a crescer e se expandir. Um ocultista teria instruído a herdeira a distribuir enormes espelhos de corpo inteiro pelos corredores, já que segundo ele, os fantasmas temiam o próprio reflexo. Também espalharam velas e símbolos místicos para garantir que nenhum espírito conseguiria escapar da armadilha onde haviam sido aprisionados.

Os anos passaram e não houve mais um único dia em que as obras tenham sido paralisadas novamente. A imensa fortuna de Sarah Winchester continuava sendo investida pesadamente na mansão que por volta da década de 1920 se espalhava por uma vasta área do Vale de Santa Clara, sendo já àquela altura a maior casa privada dos Estados Unidos.

Em 4 de setembro de 1922, após uma habitual sessão de contato com os espíritos, Sarah se retirou para seu quarto afim de descansar. Em algum momento antes do amanhecer ela morreu tranquilamente enquanto dormia. Ela viveu 83 anos, sendo quase metade devotados a um ininterrupto esforço para expandir sua casa armadilha.


Ela deixou todas as suas posses para sua única sobrinha, Frances Marriot, que já estava cuidando dos negócios fazia algum tempo. Uma das instruções deixadas em testamento era para que Frances prosseguisse nas obras da Mansão Winchester. Poucas pessoas poderiam imaginar, mas os gastos exorbitantes não apenas com construção, com mobília e pagamento de pessoal, haviam dilapidado consideravelmente a imensa fortuna da família. Havia rumores de que em algum lugar da Mansão existia um cofre forte contendo jóias e lingotes de ouro. Também circulava o rumor de que Sarah possuía um jogo de jantar com mais de 300 peças feito inteiramente de outro e prata. Marriot ordenou que cada centímetro da casa fosse vasculhado em busca desses tesouros ocultos, mas embora tenham sido localizados pelo menos uma dúzia de cofres escondidos pela propriedade, nada de muito valor foi obtido. Um dos itens mais curiosos, achado em um cofre no quarto principal era um grande caderno de notas com os nomes de mais de 10 mil pessoas, indivíduos que teriam sido mortos pelas armas Winchester e cujos fantasmas estariam na mansão. Sarah mantinha em ordens esse livro de registros graças a uma rede de informantes especializados em apurar se determinadas mortes haviam sido causadas pelas armas da companhia.

A herdeira da Companhia deixou claro que não tinha intensão de prosseguir com a loucura de sua tia. Poucos meses depois da morte de Sarah, o som de serras e martelos finalmente silenciou na Mansão Winchester. Coincidência ou não, em um fim de semana os empregados da casa comunicaram um estranho incidente: muitos espelhos mantidos na mansão haviam quebrado inexplicavelmente. Passaram a reportar também gemidos e passos ecoando pelos corredores. 

Apesar disso, móveis de valor, objetos pessoais e de decoração foram removidos da casa e ela foi fechada. Três anos se passaram, até que a estrutura fosse vendida para um grupo de investidores que planejavam transformar a casa em uma atração turística. Um dos primeiros a visitar a mansão Winchester foi Robert L. Ripley, criador do famoso programa "Acredite se Quiser" que batizou o lugar de "Palácio dos Fantasmas" e o chamou de "a casa mais assombrada dos Estados Unidos, talvez do mundo".

Inicialmente acreditava-se que a Mansão Winchester possuía 148 quartos, mas a medida que o lugar foi sendo explorado, descobriu-se vários outros aposentos secretos. A planta era tão estranha que as pessoas contratadas para realizar a mudança da mobília demoraram mais de seis semanas para limpá-la. O labirinto de corredores e cômodos era tão complexo que visitantes se perdiam no interior da casa e precisavam de mapas para se encontrar novamente. Quando finalmente acreditava-se que a o lugar havia sido mapeado, descobria-se por acidente um novo anexo no porão ou um quarto oculto no último pavimento. As surpresas da mansão pareciam nunca terminar.


Hoje em dia, a Mansão Winchester é considerada como um marco da História da Califórnia e registrada no Escritório Nacional de Engenharia e Arquitetura. Ela também figura no Livro Guiness dos Recordes como a "maior casa privada do mundo". O local é visitado por milhares de pessoas todo ano e continua atraindo curiosos fascinados pelas suas muitas peculiaridades. 

Para muitos, a Mansão ainda atrai fantasmas e espíritos, além de hospedar uma multidão de assombrações que continuarão vagando pelos seus corredores eternamente. Os céticos preferem acreditar que a casa não é nada além do produto da mente de uma mulher excêntrica, dona de uma enorme fortuna. Não resta dúvidas, no entanto, que a Mansão Winchester merece o título de maior casa assombrada do mundo, baseado se não em fatos, ao menos em sua história e lendas.

domingo, 29 de outubro de 2017

O Vale dos Homens Decapitados - Um lugar sinistro nas profundezas selvagens do Canadá


O Canadá é uma terra cheia de belezas naturais, florestas verdejantes e vastas paisagens praticamente intocadas. Grande parte de seu território é coberto por maravilhas que conseguiram permanecer intocadas ou quase intocadas pela ação dos seres humanos. Montanhas, vales, florestas, rios, habitats inteiros que permanecem na sua maior parte, inexplorados. 

É nessa vastidão inóspita que surgem histórias de fenômenos misteriosos cuja explicação desafia nossos conceitos de normalidade e racionalidade. Certamente, um dos mistérios mais bizarros do ermo canadense vem do Parque Nacional Nahanni, um lugar conhecido como "O Vale dos Homens Decapitados". O nome não é apenas um apelido sinistro para uma terra remota e misteriosa, ele é muito preciso. A área é conhecida pelo desaparecimento de pessoas, que ressurgem não apenas mortas, mas com a cabeça ausente.

O Parque Nacional Nahanni faz parte da região montanhosa de Mackenzie, localizada nos Territórios do Noroeste do Canadá, a aproximadamente 500 quilômetros de Yellowknife. Nahanni é uma palavra na língua do povo indígena Dene que habita a região há milênios e seu significado literal seria "Terra do Povo Antigo". O nome se refere não aos Dene, mas a uma tribo conhecida como Naha, que atacava os assentamentos das terras baixas, ao menos até desaparecerem misteriosamente. 


O parque de cerca de 11 mil milhas quadradas é considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, e é inegavelmente cheio de maravilhas e belezas. Ele é cercado por picos majestosos e pontilhado com gêiseres, sumidouros, canyons profundos, cavernas, desfiladeiros e florestas imaculadas. A magnífica cachoeira gigante de Virginia Falls possui uma queda d'água de incríveis 96 metros, duas vezes mais alta que as famosas Cataratas do Niagara. Serpenteando através do Vale, o Rio Nahanni, esculpe um caminho panorâmico através do parque, formando quatro canyons vertiginosamente altos que congregam quedas turbulentas. O curso do Rio cria desfiladeiros profundos e fontes termais naturais, incluindo uma área de lagos em ebulição, conhecida como Hell's Gate (Portal do Inferno). 

Ao longo de seu curso, através das áreas de terras quentes, há lugares que abrigam oásis luxuriantes, cheios de plantas incomuns para o ecossistema, como fernas, cerejeiras e rosas selvagens, que formam bolsões verdejantes, rodeados de neve gelada e gelo no inverno. O rio é a peça central do vale, e é o destino da maioria dos turistas que chegam ao parque. Canoístas fazem rafting através de corredeiras traiçoeiras e Montanhistas escalam paredões. Entretanto, o Parque Nacional Nahanni conseguiu permanecer relativamente imaculado e pouco explorado devido à falta de acomodações turísticas e estradas ligando-o à civilização. Várias áreas dele, só são acessíveis por barcos ou pelo ar.

Todo esse isolamento faz com que o Vale de Nahanni permaneça até hoje imerso em folclore e superstições que perduram desde que ele começou a ser povoado por volta de 9 mil anos atrás. Muitas tribos tinham medo de se estabelecer na região, pois acreditavam que era um lugar maligno, assombrado por toda sorte de espíritos, espectros e demônios. As florestas eram tão fechadas e inóspitas que os primeiros colonos da área se viram intimidados a se estabelecer ali. Tentaram e fracassaram em várias tentativas, muitos se retiraram e jamais voltaram.


Os poucos que tiveram sucesso em seu fixar, como o povo nativo Dene, acreditavam que criaturas misteriosas espreitavam nas vastas florestas e por isso evitavam explorar seu interior que era tratado como tabu. Monstros como o mítico Pé Grande, o canibal Wendigo e lobos gigantes seriam uma ameaça constante a vida e sanidade. Mas pior que todos esses horrores sobrenaturais, havia algo ainda mais aterrorizante; a agressiva e violenta tribo Naha que vivia nas montanhas. 

Os Dene acreditavam que essa tribo era formada exclusivamente por guerreiros ferozes que usavam máscaras de madeira cor de ébano com faces transfiguradas em gritos silenciosos. Os guerreiros da tribo eram maiores do que os homens comuns, alguns com mais de dois metros de altura. Sua pele era branca como a neve, os membros longos e magros e os olhos de um azul pálido fantasmagórico chegando a brilhar na escuridão. Portavam armas estranhas que ninguém havia visto até então, lanças de pedra esverdeada extremamente afiadas. Os Naha se tornaram um dos muitos mistérios da região, já que, segundo as lendas locais, toda a tribo teria desaparecido de forma repentina e inexplicável. Os Dene jamais souberam exatamente o que aconteceu com seus inimigos. Eles aparentemente desapareceram sem deixar nenhum rastro.


Quando os comerciantes de peles europeus chegaram ao vale no século XVIII, ficaram impressionados com a beleza do vale, e as lendas nativas se espalharam rapidamente. À medida que mais colonos europeus encontraram o caminho para o vale, logo ele foi visto como um caminho potencial para a riqueza já que muitos exploradores acreditavam que ele possuía vastas reservas ocultas de ouro. Posteriormente, a região assistiu um fluxo cada vez maior de mineiros em busca de riqueza na bacia do Rio Nahanni. Outros atravessavam o território para atingir as jazidas do Yukon durante a Corrida do Ouro de Klondike

Embora o Vale Nahanni jamais tenha produzido uma grande quantidade de ouro, as lendas, rapidamente se formaram, mencionando imensos depósitos de metais valiosos esperando por serem encontrados. Alguns relatos afirmavam que mineiros haviam feito fortuna descobrindo veios e pepitas grandes como uvas. As histórias alimentaram a febre do ouro e os garimpeiros, sem se importar com a falta de sucesso, continuaram a ver naquela terra remota e acidentada um Eldorado imaginário.

Foi durante esta época de ganância e ambição que a lenda mais insidiosa e macabra do Vale começou a ser escrita, em particular em uma parte do parque, chamada 200 Mile Gorge (Garganta de 200 milhas). Em 1908, os irmãos Willie e Frank McLeod vieram prospectar o vale, tal como muitos outros haviam feito antes deles. Os dois empacotaram o equipamento, dirigiram-se para a região selvagem e nunca voltaram. Depois que um ano se passou, presumiu-se que os irmãos deviam ter sucumbido aos elementos ou a qualquer um dos inúmeros perigos que a área tinha para oferecer, como buracos, desfiladeiros irregulares e o ataque animais selvagens. Alguns rumores sugeriram que os dois haviam conseguido encontrar um dos lendários veios de ouro e que tinham partido com uma verdadeira fortuna sem contar a ninguém.


As histórias começaram a despertar a atenção de aventureiros que rumaram para a área onde os McLeod haviam se estabelecido. Encontraram o acampamento dos dois abandonado e nenhum sinal dos irmãos. Mas foi então que uma expedição fez uma descoberta sinistra na cabeceira de um riacho de pedras. Encontraram os cadáveres dos dois homens amarrados em rochas negras, os corpos estavam estripados e as cabeças haviam sido decapitadas e levadas por seja lá quem, ou o que, que as clamou para si como mórbidos troféus.

Uma história assustadora mesmo para um tempo violento e sem justiça, mas este não seria um caso isolado. Os McLeod não seriam as últimas vítimas que o Vale reivindicaria. 

Em 1917, um prospector suíço de nome Martin Jorgenson dirigiu-se a Nahanni para tentar encontrar ouro. Jorgenson se instalou bem no coração do vale, uma área que havia formado certa notoriedade entre os colonos. Desaparecimentos e incidentes inexplicáveis ocorriam ali com uma frequência alarmante, homens haviam sucumbido a loucura da cabana, a alucinações sanguinárias e visões medonhas. Os nativos descendentes dos Dene que ainda habitavam as redondezas, murmuravam a respeito de espíritos, mortos vivos que vagavam à noite e de coisas ainda mais terríveis que o homem não estava preparado para encontrar.


Mesmo assim, Jorgenson construiu uma cabana sólida, estabeleceu uma pequena operação de mineração na beira do rio e se tornou bem conhecido entre seus vizinhos. Quando a cabana de Jorgenson se incendiou, o prospector morreu queimado em seu interior. Um acidente, ou assim pensaram à princípio. Ao menos até que o esqueleto do homem foi localizado, sem sua cabeça. Uma busca realizada pelos vizinhos e amigos não encontrou nenhum vestígio do crânio desaparecido e a conclusão lógica - ainda que aterradora, foi que ele havia sido levado por um assassino misterioso. 

E não parou por aí. Em 1926, dois lenhadores franceses que se estabeleceram a alguns quilômetros da cabana de Jorgenson desapareceram sem deixar rastro. Os corpos foram encontrados anos mais tarde, amarrados no alto de uma árvore, a cabeça de ambos, misteriosamente ausente. Em 1945, um garimpeiro de Ontário foi encontrado morto em seu saco de dormir também sem a cabeça. Ao mesmo tempo, um caçador chamado John O'Brien foi encontrado morto congelado no bosque vizinho, com as mãos ainda segurando um pacote de fósforos que ele pretendia usar para acender uma fogueira. A cabeça havia sumido, mas o corpo sentado parecia ter sido congelado em segundos por uma força misteriosa.

Essas mortes contudo, não são as únicas estranhezas que o vale detém. Além das decapitações misteriosas, muitos outros indivíduos simplesmente desapareceram sem deixar sinal. Estima-se que cerca de 44 pessoas tenham sumido em circunstâncias misteriosas no vale apenas entre os anos de 1966 e 1969. A situação se tornou tão alarmante que as autoridades policiais fecharam o parque durante o verão de 69, época de maior visitação. Grupos de Busca e resgate fizeram uma varredura e não descobriam nada que pudesse conduzir a algum indício do que havia acontecido. Durante essas buscas, muitos voluntários experimentaram estranhas sensações de inquietação, mencionaram que estavam sendo observados ou que algo psicologicamente os assediava. Pelo menos três grupos afirmaram ter visto sombras e silhuetas que os perseguiram e que os aterrorizaram a tal ponto que deram por encerrada sua participação nas buscas. 


Outros fenômenos também foram relatados por indivíduos passando pela área. Luzes misteriosas e ruídos esquisitos têm sido frequentemente reportados nas últimas décadas. As luzes parecem circular por entre os cânions e o topo dos desfiladeiros, luzes de cor dourada e azulada, mas também estranhos globos de fogo que disparam para o céu noturno velozmente. Os ruídos por sua vez, são descritos como um som persistente de estática e até explosões, além de gritos e rosnados que surgem de lugar nenhum ecoando pelos corredores de pedra e bosques sombrios. A área também é conhecida pelo avistamento de seres míticos, o Pé Grande foi visto várias vezes e até fotografado por turistas e exploradores. Dizem que o Vale abriga os últimos espécimes remanescentes de um tipo de urso carnívoro chamado Amphicyonidae, extinto no Pleistoceno. Estes ursos gigantescos, antepassados do Urso Cinzento, teriam sido vistos repetidas vezes e suas pegadas chegaram a ser coletadas em moldes de gesso por naturalistas.

Além dessas estranhezas, uma outra descoberta bizarra foi feita em uma caverna de gelo chamada Grota Valerie. Nas profundezas de um labiríntico complexo rochoso, exploradores encontraram os esqueletos de mais de 100 ovelhas. Datação de carbono revelou que os animais aparentemente foram sacrificados em meados de 2500 a.C. Como os animais chegaram lá e quem os levou até o fundo é um mistério. A descoberta sombria valeu à caverna o apelido de "A Caverna das Ovelhas Perdidas".

Até hoje, não se sabe quem ou o que é responsável pelas decapitações e desaparecimentos no vale de Nahanni, mas seu legado certamente permanece nos nomes ameaçadores de localidades em todo o vale, como Deadmen Valley (Vale do Morto), Headless Creek (Riacho Decapitado), Headless Range (Extensão sem Cabeça) e o Funeral Mount (Monte Funerário). As teorias abundam sobre o que poderia ser o culpado por trás dos assassinatos, abrangendo tudo, desde o racional ao extravagante.


Alguns dizem que o vale é amaldiçoado, assim como os nativos da região sempre acreditaram, e que alguma força sobrenatural deve ser culpada. Outros pensam que as mortes foram o resultado dos fantasmas dos guerreiros Naha, ressuscitados dos mortos para afastar o homem branco mantendo sua inclinação por decapitações firmemente intacta. Algumas dessas teorias marginais incluem a menção de um acesso secreto que leva à Terra Oca oculto em um lugar do vale. Outra ideia é que a área se encontra em um espaço no qual  o véu que separa dimensões é mais fino. Os Naha teriam se refugiado nesses lugares inacessíveis, emergindo apenas de tempos em tempos para colecionar vítimas e coletar cabeças.

As teorias mais racionais apontam para o ataque levado a cabo por tribos nativas hostis ou rivalidades entre mineiros disputando depósitos de ouro. Os desaparecimentos podem ser o resultado de um sem número de perigos que podem ser encontrados na região selvagem, afinal, este é um lugar inóspito marcado por frio extremo, cavernas escuras, ravinas, pedras irregulares e bestas vorazes, como os ursos pardos. Apesar de todas essas possibilidades, ninguém sabe realmente o que decapitou os corpos ou o motivo, e ainda não se sabe o que aconteceu com as pessoas que desapareceram. O que não falta são perguntas sem resposta.

É difícil dizer o que está por trás desse mistério. A área é tão isolada e remota que poucas pessoas, além de aventureiros colocaram os pés ali. Apesar do seu status de Parque Nacional, o Vale de Nahanni permanece na maior parte inexplorado, e há porções muito grandes que nunca foram devidamente mapeadas. Os únicos levantamentos geológicos foram feitos do ar, e a grande maioria do ermo continua sendo um enigma. Os poucos esforços para explorar a área revelaram vastos sistemas de cavernas desconhecidas, grandes piscinas de água termal e bosques intransponíveis que bloqueiam até o sinal de satélites. Alguns acreditam que um mundo perdido cheio de novas espécies se encontra aqui. 

Que outros mistérios e estranhezas o Vale Nahanni esconde? Existe algo perverso escondido nessa região brutal que poderia ter algo a ver com seu passado violento e sinistro? Até que sejam feitas mais investigações, ele continuará a ser um mistério inacessível e assustador.

E que tal mais coisas estranhas se passando no Canadá?

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O Mito do Wendigo - Os Devoradores do Inverno
Anjikuni - O Vilarejo dos Mortos (Parte 1)
Anjikuni - O Vilarejo dos Mortos (Parte 2)

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Cidade Oculta - Os túneis e câmaras por baixo de Edimburgo


Abaixo das ruas da Capital da Escócia, Edimburgo existe um assustador mundo subterrâneo que era considerado assombrado para os supersticiosos na virada do século XVIII.

 As câmaras de Edimburgo, também conhecidas como South Bridge Vaults são únicas por oferecerem ao visitante um ambiente preservado de com era a cidade séculos atrás. Infelizmente a história de South Bridge é tão tumultuada que muitos acreditam que uma maldição pesa sobre esse subterrâneo intocado. Mesmo hoje, muitos dos moradores mais antigos de Edimburgo acreditam que esse não é um lugar para ser visitado. De fato, existe até mesmo a crença de que uma coisa medonhas e maligna habita esses túneis, uma presença conhecida como "A Entidade de South Bridge".

Em um país com tantas lendas e assombrações célebres, os subterrâneos talvez sejam um dos lugares mais temidos, o que em se tratando de Escócia, não é pouca coisa. A despeito de acreditar ou não nas lendas, o subterrâneo é um lugar que suscita pensamentos desagradáveis e atiça a imaginação a conjurar figuras sombrias.

Ao adentrar essas câmaras você se vê em um ambiente absolutamente escuro e estranhamente frio. A luz parece simplesmente incapaz de iluminar esses recessos cavernosos de pedra, concreto e tijolo. Qualquer luminosidade é engolida pelas trevas, provocando uma sensação de isolamento inenarrável. Além disso, o subterrâneo se estende como um labirinto de túneis e conexões tortuosas, algumas em franco processo de desgaste e prestes a desabar. Há ruelas e becos estreitos que forçam o explorador a andar agachado, tateando as pedras frias e cobertas de limo, em um contato físico claustrofóbico. 

As ruas que um dia estiveram na superfície são tortuosas, com pavimentação irregular de paralelepípedos. Um descuido e você acaba tropeçando em uma pedra solta, ganhando um joelho ralado. Na escuridão perpétua, enxergar o caminho só não é mais complicado do que se guiar. Não são poucas as pessoas que resolvem entrar nos subterrâneos e acabam se perdendo, vagando à esmo pelas estruturas em busca da saída.


A História desses subterrâneos é igualmente obscura e se todos os detalhes a respeito dela fossem conhecidos, é bem provável que até os mais destemidos as evitassem.

A estrutura da South Bridge (Ponte Sul), formada por dezenove arcos foi erguida sobre essa porção da cidade em 1788. A monumental obra de arquitetura e engenharia recobriu a parte antiga da cidade sob um domo de concreto armado, colocando nas sombras tudo o que existia lá embaixo como um caixote. Com efeito, as pessoas que moravam naquela área resolveram abandonar a vizinhança insalubre e escura, deixando tudo para trás.

Os primeiros anos da nova ponte foram marcados por um fato inusitado.

Quando a obra estava próxima de ficar pronta, a moradora mais antiga da região, a viúva de um Juiz conhecido pela austeridade foi convidada pela prefeitura de Edimburgo para ser a primeira a cruzar a ponte. Até aí, tudo bem, mas infelizmente, dias antes da inauguração a mulher adoeceu e as festividades tiveram de ser canceladas. Pouco depois, a idosa acabou falecendo, mas o prefeito decidiu que a promessa feita tinha de ser cumprida. Dessa forma, a primeira pessoa a "atravessar" a extensão da ponte foi o "corpo" da mulher em um caixão colocado numa carruagem fúnebre. No meio do caminho, o féretro foi interrompido e os cavalos se assustaram, os animais dispararam e atropelaram pessoas que estavam nas laterais da ponte, derrubando alguns lá do alto.  

Os moradores mais antigos ficaram horrorizados! A ponte estava amaldiçoada! A maioria dos moradores da região simplesmente se negavam a atravessar a ponte, preferindo ao invés disso adotar um caminho muito mais longo e complicado, através do Vale de Cowgate.


Para piorar as coisas, meses depois do acidente com a carruagem fúnebre, um dos engenheiros responsáveis pela obra quis mostrar que não havia nenhum perigo na travessia. Na metade do caminho, dizem, no exato local em que ocorreu a tragédia, ele sentiu um mau súbito e caiu fulminado vítima de um ataque cardíaco. Para alguns a causa mortis era muito mais séria: uma maldição.

Hoje em dia, é fácil culpar a falta de informação e ignorância das pessoas da época que eram realmente supersticiosas, mas ao longo dos séculos ficou claro que a ponte colecionava acontecimentos estranhos, nem todos passíveis de uma explicação razoável.

Por exemplo, dizem que o som de cavalos galopando velozmente pode ser ouvido de tempos em tempos no alto da ponte. Também se comenta muito a respeito de uma carruagem fúnebre, com plumas negras sendo puxada por cavalos de olhos vermelhos e cascos de fogo. A crença de que fantasmas das pessoas mortas na tragédia assombram o local é corroborada, segundo alguns, pelos lamentos e gritos que podem ser ouvidos na madrugada quando um nevoeiro denso cobre a ponte.

Também não ajuda em nada o fato da South Bridge ter se tornado um popular ponto de suicídio. A desconcertante quantidade de pessoas que escolhem esse lugar para se lançar do alto rumo a escuridão, motivou a construção de um posto de guarda para prevenir suicidas e posteriormente de uma cerca de ferro. Ainda assim, muitos saltam do alto da ponte, sendo que alguns infelizes, calcularam mal a trajetória e acabam empalados na cerca de ferro que deveria prevenir sua queda.

Mas voltemos a falar do subterrâneo que existe abaixo de Edimburgo.


Por cerca de 30 anos, as câmaras ficaram vazias, mas aos poucos elas foram sendo redescobertas por pessoas mais pobres e comerciantes que não tinham recursos para montar seus negócios em áreas mais nobres. Pequenas tavernas, bordéis de má fama e casas de ópio, além de ocasionais negócios legítimos ocupavam as casas decrépitas da Velha Edimburgo. O lugar era o paraíso de contrabandistas que encontravam espaço de sobra para esconder suas mercadorias roubadas. Também era um lugar para se esconder das autoridades, ao menos até elas pararem de procurá-los. Não é por acaso que no início do século XVIII o crime nessa região de Edimburgo atingiu um índice preocupante. Os subterrâneos eram o covil de bandidos, de assassinos e ladrões da pior estirpe que tinham ali uma espécie de refúgio regido pelas suas próprias leis. Até mesmo um tribunal improvisado e clandestino julgava as transgressões e punia aqueles considerados culpados - criminosos entre criminosos. 

Nesse submundo sórdido, negócios de toda natureza aconteciam sem a preocupação de que a polícia pudesse perturbá-los. Dizem que assassinos podiam ser contratados por algumas moedas, mercadores de escravos agiam livremente, prostituição e casas de jogo abundavam. Vício era algo corriqueiro e as casas de tolerância eram as mais decadentes da Escócia, aceitando sadismo, tortura e pedofilia atrás das cortinas de veludo escuro. A violência ocorria na frente de todos sem que ninguém se importasse. Corpos eram jogados nas calhas de água que levavam para fora.

A razão para toda essa ousadia era simples, a parte baixa de Edimburgo era uma verdadeira fortaleza onde a polícia não ousava interferir. Era virtualmente impossível entrar sem ser percebido. Ao primeiro sinal de encrenca, haviam incontáveis túneis para onde era possível escapar, inclusive sistemas de esgoto que conduziam para o outro extremo da cidade. Além disso, havia um acordo entre policiais e criminosos: desde que a sujeira ficasse restrita ao Subterrâneo, eles não seriam incomodados.   

Segundo rumores, os assassinos em série Burke e Hare, famosos por suprir as Escolas de Medicina (você leu o artigo a respeito?) com "material fresco" usavam um depósito no submundo para esconder suas vítimas. Dizem que os cadáveres ficavam ocultos no porão de um velho depósito em meio a uma pilha de palha seca. A temida quadrilha dos Degoladores também agiam no subterrâneo, apelidado de Hades (o místico inferno clássico). Os degoladores não usavam meramente esse nome, eles eram conhecidos por matar seus inimigos e arrancar suas cabeças com um garrote especial produzido com fios resistentes cobertos de cola e vidro moído.

Mas o Reino de Criminosos que proliferou nos subterrâneos de Edimburgo estava com os dias contados. Não seria a polícia a por um fim a suas atividades, embora a sociedade pedisse medidas imediatas. Foram as próprias condições de flagrante deterioração que contribuíram para sua ruína tornando o ambiente tão insalubre que nem mesmo os criminosos queriam ficar lá embaixo. A fumaça de fogareiros alimentados com carvão queimando dia e noite não tinha para onde ir e começou a se acumular nas câmaras tornando o ar irrespirável. As pessoas adoeciam e precisavam de máscaras para suportar o cheiro de fumaça misturado com o fedor de comida, lixo e esgoto.


As casas de comércio clandestinas fecharam suas portas e já em meados de 1850 apenas os mais pobres entre os mais pobres de Edimburgo aceitavam morar em habitações tão precárias.

Não se sabe ao certo quando o complexo de túneis foi fechado por completo e bloqueado pelos homens da prefeitura. Alguns acreditam que o fechamento se deu em 1855, mas outros creem que o subterrâneo continuou sendo habitado até meados de 1875. Não há documentos falando a respeito desse período, sobretudo porque essa verdadeira favela subterrânea era considerada uma vergonha para a população de Edimburgo. Tudo o que se sabe é que em 1890 toneladas de lixo foram descarregados dentro dos túneis tornando o acesso impossível.  

As câmaras sob South Bridge foram redescobertas por Norrie Rowan, um ex-jogador de Rugby e historiador amador que descobriu um túnel de acesso não obstruído no início dos anos 1980. Cerca de cinco anos mais tarde Norrie e seu filho escavaram uma das câmaras passando por toneladas de detritos até chegar a uma das ruas subterrâneas perfeitamente conservadas.

No anos seguintes, as câmaras que compreendem a South Bridge e o Arco Cowgate se tornaram parte do roteiro de passeios guiados da cidade. Os turistas tinham a chance de ver como eram as ruas e os prédios construídos há 300 anos. Um pedaço da história perfeitamente preservado surgia diante deles. No entanto, apenas uma pequena parte do subterrâneo era acessível aos visitantes. Limpa e iluminada ela era uma atração para os entusiastas de história, contudo a maior parte das câmaras se encontrava fechada e raramente via algum movimento. Pesquisadores e historiadores tinham permissão para explorar os túneis e frequentemente retornavam de seu interior escuro com algum artefato de eras passadas.

Sabe-se também que desabrigados e mendigos viviam nesses túneis que também eram usados por criminosos e drogados. Com essa população marginal, não era de se estranhar que fosse um lugar perigoso, altamente desaconselhável para curiosos. Mesmo assim, todo ano alguém se perdia nesse labirinto. As pessoas simplesmente eram atraídas pela aura de mistério e decadência do lugar e quando se davam conta, estavam perdidas.


Como não poderia deixar de ser, o que não faltam são lendas e rumores sobre fantasmas na parte mais escura de Edimburgo.

"É um lugar muito sinistro. Há muitos, muitos espíritos lá embaixo", conta Nicola Wright, um dos guias que tinham autorização para descer na Cidade Subterrânea. Wright trabalhou por 15 anos levando turistas ao local e disse ter visto muitas coisas estranhas.

"Uma aparição recorrente era a de um homem de meia idade que corria pelos corredores com a garganta cortada. Seus passos podiam ser ouvidos ecoando pelas câmaras baixas. Dizem que ele foi vítima da gangue dos Degoladores. Também existia o fantasma de uma mulher, possivelmente uma prostituta que trabalhou em um dos bordéis que existiam na cidade baixa, a figura já foi vista várias vezes espiando do alto de uma janela, fazendo sinais e insinuações para quem passa".

Há ainda a famosa Entidade de South Bridge, um monstro envolto num manto de névoas esvoaçantes. Ele se aproxima das pessoas e as envolve com uma fumaça congelante as deixando aterrorizadas. Essa famosa "entidade" seria o terror de vários investigadores psíquicos que se disseram profundamente perturbados por uma presença maligna espreitando nos túneis. Um famoso médium aceitou acompanhar uma equipe de televisão até os subterrâneos onde entrou em contato com a entidade. Segundo ele, o contato foi tudo menos amistoso, o medium mostrou duas marcas de mordida que apareceram em seu ombro logo que ele tentou estabelecer um transe.

A entidade seria responsável por causar crises de pânico e surtos de desespero em indivíduos sensitivos. Também são reportadas súbitas mudanças de temperatura, com bolsões congelantes, ruídos estranhos e atividade psicocinética com direito a objetos voando. Em pelo menos três oportunidades objetos de madeira se incendiaram espontaneamente e em outras tantas ocasiões pessoas sentiram empurrões e mordidas.

Em 2001 o Professor Richard Wiseman da Universidade de Hertfordshire conduziu um estudo psicológico com pessoas que foram convidadas a passar várias horas no interior das câmaras. Seu objetivo era determinar se pessoas que acreditavam no sobrenatural eram mais propensas a presenciar ocorrências sobrenaturais do que as que não acreditavam. Segundo a teoria de Wiseman pessoas que acreditavam no paranormal criariam em sua mente situações ou eventos sobrenaturais espontaneamente. O resultado foi surpreendente: não apenas as pessoas suscetíveis, mas aqueles que se disseram céticos relataram ter visto ou sentido coisas estranhas durante sua permanência na cidade subterrânea. Muitos dos céticos estavam mais assustados do que os crentes a ponto de um dos ditos céticos implorar para retornar depois de um encontro com a "Entidade de South Bridge".


Com tudo isso o que podemos concluir a respeito desse lugar? Sem dúvida, os subterrâneos de Edimburgo são um lugar escuro e triste, com uma longa e macabra história de crime, violência e desespero. Para os parapsicólogos, emoções fortes e situações traumáticas deixam um rastro no tecido psíquico mesmo que tenham ocorrido há muito tempo. É como riscar um fósforo em uma sala lacrada e ainda poder sentir o seu cheiro horas depois. Episódios traumáticos e ocorrências violentas deixam o mesmo resquício que ainda podem ser captados. Se isso for verdade, os fantasmas de Edimburgo parecem ter um lugar de encontros muito propício.

Em 2015, a prefeitura da Cidade de Edimburgo decidiu proibir as Visitas Guiadas e fecharam os túneis ao público. 

Atualmente as visitas são estritamente monitoradas por motivos de segurança... ou assim dizem.