terça-feira, 8 de maio de 2012

Porque Prometheus matou "Nas Montanhas da Loucura"?


Não é de hoje que as notícias à respeito da adaptação de "Nas Montanhas da Loucura" pelo diretor Guilhermo Del Toro vão de mal à pior.

Agora  parece que o proverbial "último prego" teria sido martelado no caixão do ambicioso projeto envolvendo a novela de H.P. Lovecraft, e a razão seria o aguardado filme "Prometheus" de Ridley Scott.

"Prometheus", filme que estréia em 15 de junho e vem sendo alardeado como o retorno de Ridley Scott ao gênero Ficção-científica é uma espécie de prequel de Alien. Os eventos narrados no filme envolvem uma missão espacial que descobre uma nave alienígena em um escuro planeta e tenta entender a relação de uma misteriosa forma de vida ali encontrada com a humanidade. O filme finalmente explicará o papel do "Space Jockey", aquela criatura humanóide gigantesca que aparece em "Alien, o oitavo passageiro" e que transportava os ovos de Alien em uma nave colossal.

Para quem assistiu o trailer de "Prometheus" fica claro que o filme deverá ser nada menos que espetacular. Não apenas por voltar ao tema "horror no espaço", mas por reclamar de volta toda a estética original que tornava o primeiro capítulo da saga Alien uma estória realmente assustadora que com o tempo foi diluída ao longo de continuações cada vez menos empolgantes.

Mas o que o lançamento de Prometheus teria à ver com a derrocada final de "Nas Montanhas"?

Muito, infelizmente é a resposta.

Essa semana, enquanto os fãs de "Prometheus" comemoram a classificação 18 anos recebida pelo filme (o que demonstra a seriedade do projeto), Guilhermo DelToro deu uma declaração bombástica em seu site oficial.

Segundo o cineasta mexicano, o filme de Ridley Scott guarda enormes similaridades com o roteiro de "Nas Montanhas da Loucura" o que tornaria a transposição de ambos para o cinema um equívoco.

Del Toro declarou que o prelúdio de Alien teria diversos pontos em comum com o texto de Lovecraft, não apenas na premissa, mas a mesma "grande revelação" do filme.

SPOILER (se estiver disposto a ler, aberte o botão esquerdo do Mouse sobre o trecho escuro) :

Suponho que Del Toro se refere a suposta criação da humanidade nas mãos de uma raça alienígena.

No caso de "Montanhas", os Elder Things uma raça alienígena, teria sido responsável por construir a cadeia de DNA que originou a humanidade. O título "Prometheus" sugere que algo semelhante deve ser um dos pontos centrais da trama. Eu diria que a raça alienígena, seria a responsável pela gênese da vida na Terra e contaria como a tal "Grande Revelação".

Segundo Del Toro:

"As filmagens de Prometheus começaram na mesma época em que eu começava a pré-produção de Pacific Rim. O próprio título me deixou apreensivo, sabendo que Alien tinha sido bastante influenciado por Lovecraft e sua novela. Dessa vez, décadas depois e com o orçamento e prestígio de Ridley Scott, imaginei que a metáfora grega aludia aos aspectos de criação do livro de HPL. Acredito que esteja certo e, se assim for, como fã, estou realizado por ver Ridley Scott em uma nova ficção científica, mas isso marcará uma longa pausa, se não a morte, de Nas Montanhas da Loucura", escreveu o diretor.

No início de 2009, o projeto prestes a ser iniciado de "Nas Montanhas da Loucura" foi cancelado. As razões teriam sido o orçamento, em torno de US$ 150 milhões, e a insistência do diretor em manter a classificação 18 anos, o que tornaria o filme menos rentável para a Universal Studios. A produção do filme ficaria à cargo de James Cameron que pretendia realizar a filmagem utilizando efeitos digitais de última geração em 3-D.

A censura obtida por Scott, e a aparente similaridade de Prometheus com Nas Montanhas da Loucura - ambos retratam cientistas/aventureiros face a face com civilizações perdidas - levaria aos cinemas as mesmas ideias que Del Toro pretendia filmar. Isso seria uma falta de estímulo para o filme existir, pelo menos por enquanto.

A grande verdade é que Guilhermo Del Toro não é um diretor que tenha "bala na agulha" para bancar um projeto do tamanho de "Nas Montanhas da Loucura" tendo que cuidar dos interesses de estúdios, orçamentos milionários e ainda assim lutar para preservar a fidelidade do roteiro. Eu até achei que a entrada do James Cameron pudesse dar uma sustentação para que o filme decolasse, mas nem assim.

Ridley Scott é um cineasta bem mais conhecido, com uma longa biografia de filmes que se consagraram como sucessos de crítica e bilheteria (Blade Runner, Alien, Gladiador para citar três apenas). O poder de manobra lhe permite lidar melhor com o delicado jogo de Hollywood, levar adiante seus projetos e impor suas condições, por isso Prometheus acabou tendo uma classificação 18 anos e um grande orçamento.

A similaridade entre os roteiros é sim um grande problema para o futuro de "Nas Montanhas da Loucura". Historicamente filmes com roteiros similares a outros já lançados, acabam sendo preteridos e/ou arquivados, em alguns casos quando duas produções com temática semelhante são anunciadas, os estúdios correm para realizar o lançamento na data mais próxima possível. Assim foi com "Impacto Profundo" e "Armagedon", filmes sobre meteoros destruidores, "Formiguinhas" e "Vida de Inseto" desenhos sobre simpáticos insetos, lançados bem próximos uns dos outros para capitanear uma sadia rivalidade nas bilheterias. Uma vez que "Montanhas" sequer atravessou a fase de pré-produção é justo supor que o filme não estaria disponível por alguns anos.

É irônico... por um lado teremos um filme que beira o sensacional e pelo qual os fãs da ficção mal podem esperar. Por outro, esse mesmo filme parece colocar uma pedra sobre a possibilidade de vermos um dos mais geniais trabalhos de Lovecraft transposto para o cinema.

Para os que não assistiram ainda, aqui está o trailer de "Prometheus":

Trailer 1:



Trailer 2:

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Mesa Tentacular: Cenário "Dimensão-Y" no evento Saia da Masmorra no Rio de Janeiro

Olá para todos,

Semana passada tivemos mais um encontro organizado pelo pessoal do "SAIA DA MASMORRA" na Galeria da Point-HQ, no Rio de Janeiro. Para os que não conhecem o já tradicional encontro, trata-se de uma ótima pedida para jogadores que querem conhecer RPGs independentes e mestres que desejam apresentar ambientações obscuras e/ou exóticas.

De uma forma ou de outra sempre aparecem jogos que fogem a fórmula convencional da masmorra, dragão e vampiro.

A essa edição, bastante cheia por sinal (35 jogadores espalhados em 6 mesas), levei meu Rastro de Cthulhu e tive a oportunidade de mestrar o cenário DIMENSÃO-Y do livro "Inacreditáveis Casos Sobrenaturais", uma aventura no estilo pulp.

A aventura foi bem interessante, embora lá pelas tantas para que desse tempo de concluir tive de correr um bocado com a investigação. O grupo aceitou numa boa se instalar pelo chão da galeria uma vez que as mesas e cadeiras alugadas pela organização acabaram não chegando (não por culpa dos organizadores que fique claro!). De certa forma foi até divertido rolar os dados no chão.

A mesa contou com 5 jogadores, eles assumiram o papel de indivíduos convidados a presenciar uma experiência com uma misteriosa máquina inventada por um renomado físico chamado Poulton Williams. Os personagens tinham as suas próprias razões para comparecer ao evento e o inventor garantia que a engenhoca revolucionaria o mundo como conhecemos apresentando o que poderia ser chamado de "uma nova realidade".

Mas nem sempre as coisas são o que parecem, e a estranha experiência, que à princípio parecia ter sido um fracasso, acaba conduzindo os investigadores a uma série de acontecimentos dramáticos onde a sanidade aos poucos começa a se esvair em uma série de eventos perturbadores, crimes macabros e mudanças comportamentais do próprio grupo.

Gostei da aventura, embora a abordagem em algumas partes seja um tanto chavão e a linha de aconteciemntos seja demasiadamente linear (escapar da ordem dos acontecimentos pode obrigar o keeper a fazer uma ginástica de última hora).

Como sempre, fiz algumas alterações na estória para deixá-la mais ao meu gosto. As mudanças foram no sentido de tornar a investigação um pouco mais clara com a inclusão de alguns Handouts para ajudar na elucidação do caso. A mudança principal, no entanto, diz respeito às criaturas que escolhi utilizar em substituição às originais do cenário. São criaturas pouco conhecidas, pinçadas do livro Malleus Monstrorum (da Chaosium e de um conto de Henry Kutner) que adaptei para as Estatísticas de Rastro.

Em função da correria final da aventura faltou explicar um pouco melhor a motivação das criaturas, mas foi o que se pôde arranjar mestrando no chão, competindo com a eloquência dos outros mestres e com o princípio de uma gripe violenta.

Pretendo fazer alguns comentários à respeito dessa aventura em um próximo artigo e disponibilizar também os Handouts que criei para quem tiver interesse.

Por enquanto, fiquem com as fotos do evento:

Como nos velhos tempos! Na falta da mesa, a maior parte da aventura foi no chão. Obrigado aos jogadores (Igor, Gabriel, Maxi, Fernanda e Luiz Felipe) que levaram na esportiva e não se importaram de se distribuir em uma amistosa rodinha para rolar dados.


Já na parte final conseguimos uma mesa e o showdown da aventura foi mais confortável, bem para os jogadores ao menos... dois dos personagens infelizmente não conseguiram voltar para casa.

Aqui estão os Handouts usados no cenário e que em breve estarão disponíveis para quem quiser usá-los. Embora alguns handouts sejam específicos para minhas alterações, outros podem ser usados para o jogo conforme está escrito.


Alguns restos da sugestiva decoração de aniversário de nosso colega Pedro que contou com alguns simpáticos cefalópodes (que segundo outros pareciam fantasminhas de Pac-man) mas todos sabemos eram uma clara alusão ao nosso bom e velho Cthulhu.


A ficha dos personagens usando o modelo feito pelo nosso colega Fernando Fuim com base na ficha da Caja Negra de Call of Cthulhu. O grupo contou com o Dr. James Griffith, um altruísta médico de Boston e amigo do cientista, a Dra. Janice Corben uma colega de faculdade, o escritor William Fairbanks que esperava ter alguma inspiração para um de seus próximos contos no gênero Weird Fiction, o agente de seguros Oliver Strode contratado para investigar o progresso da experiência e a repórter Miranda Carmichael interessada em cobrir um furo jornalístico.

E no fim, entre mortos e feridos, foi divertido...

...embora eu tenha ficado de cama nos dias seguintes (maldita gripe infernal).

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Arquitetura do Impossível - Explorando a tenebrosa cidadela de R'Lyeh, o lar do Grande Cthulhu



Mencionada em vários textos de conteúdo arcano e compêndios esotéricos ligados ao Mythos, a tenebrosa cidadela submersa de R'Lyeh (fala-se Riliê) é a morada de Cthulhu e sua horda.

Localizada nas coordenadas 47 9' S, 126 43" W no Pacífico Sul, há diferentes interpretações à respeito do tamanho e forma da cidade. Em alguns textos é dito que R'lyeh fica em uma grande ilha com quilômetros de extensão, em outros ela é tratada como uma cidade tão vasta que atinge proporções condizentes em tamanho a um continente. É possível que as várias interpretações sejam decorrentes de experiências oníricas que raramente são fontes perfeitas.

Também são muitas as interpretações sobre o que representa R'Lyeh. É consenso entretanto que a cidade foi contruída por Cthulhu e seus seguidores no momento em que estes chegaram a Terra há milhões de anos no passado. Nunca ficou claro se a Ilha/Continente já existia ou se Cthulhu foi o responsável por trazer a massa de terra onde a cidadela seria erigida das profundezas. Segundo alguns textos religiosos escritos pela raça dos abissais, R'Lyeh seria o local original de nascimento de sua espécie, oferecido a Cthulhu como presente pelo povo submarino. Cthulhu teria ordenado que a cidadela se erguesse das profundezas e fosse moldada para servir como sua morada.

Alguns estudiosos do Mythos afirmam ainda que R'Lyeh teria sido construída com um propósito muito mais prático: defender Cthulhu de seus inimigos. Quando o Grande Antigo chegou à Terra, imediatamente entrou em guerra com a Raça Ancestral (Elder Things) que já habitava o planeta há muito tempo. R'Lyeh era um baluarte inconquistável, uma base de onde o Grande Cthulhu podia coordenar suas crias estelares no esforço de guerra.

Painéis com qualidade artística executados pela Raça Ancestral e encontrados em sua cidade Antártida mostram R'Lyeh como uma espécie de fortificação. A capital e porque não dizer, cabeça de ponte usada por Cthulhu em sua missão de conquista. Os painéis mostram cenas da titânica guerra com milhares de seres da raça ancestral e gigantescos Shoggoths investindo contra as muralhas esverdeadas da cidadela, defendidas por Crias de Cthulhu. exércitos de abissais e outras monstruosidades indescritíveis.

A construção de R'Lyeh parece ter sido empreendida pelas próprias crias estelares (gigantes semelhantes ao próprio Cthulhu também chamados de Xothianos). A matéria prima de R'Lyeh é composta de rochas extremamente resistentes removidas dos abismos submarinos. Tais pedras ciclópicas de coloração esverdeada foram talhadas pelos servos de Cthulhu em forma de blocos gigantescos de várias toneladas. Em seguida foram ordenados em uma grandiosa muralha compondo a primeira defensa da cidadela. Atrás destas muralhas, haviam outras construções: prédios, templos, obeliscos cujo propósito só podemos supor. É justo no entanto afirmar que em seu auge, R'Lyeh hospedou a maioria dos Xothianos que acompanharam Cthulhu em sua peregrinação espacial.

Os abissais foram responsáveis por adornar R'Lyeh com colunas, estátuas, baixo-relevos e elevados. Foram eles também que cobriram as paredes dos prédios com curiosos textos hieroglifos (os Glifos de R'Lyeh) que constituem um testemunho indecifrável dessa época ancestral. Inúmeras estátuas do Grande Cthulhu se espalham por R'Lyeh, algumas com perturbador realismo que fazem com que o observador imagine estar diante do próprio Lorde da Cidadela Morta.

Uma das características essenciais de R'Lyeh diz respeito a sua arquitetura absolutamente alienígena. A geometria não-Euclidiana utilizada pelos xothianos não faz sentido para a mente humana. É virtualmente impossível entender os conceitos ou a maneira como pórticos, arcos e linhas foram concebidos, de um ponto de vista humano a cidade parece um amontoado de passagens e construções que desafiam a noção de normalidade. Vagando pelas tortuosas ruas de R'Lyeh é impossível saber se está subindo ou descendo, se uma escada conduz ao topo de uma estrutura ou para o pavimento inferior, se o lado é o direito ou esquerdo. É possível anndar por uma pviela e se distanciar do ponto para onde se está seguindo. Plataformas e escadarias que cruzam a cidade de um lado a outro se erguem em ângulos inconcebíveis e a base de construções gigantescas parecem incapazes de conter tamanho peso. Estudar a bizarra arquitetura de R'Lyeh por algum tempo pode levar uma pessoa a loucura. A mente humana não está preparada para conceitos que extrapolam a noção de três dimensões e a exposição prolongada a essas condições pode causar desorientação, náusea e confusão mental. Em alguns casos a condição pode ser permanente e a vítima vir a sofrer de agorafobia até o fim da vida.

Através dos manuscritos  sabe-se que uma catástrofe atingiu R'Lyeh em algum momento do passado remoto da Terra, possivelmente por volta de 850 milhões de anos atrás. A causa desse cataclisma pode ter sido um evento astronômico, o dramático resultado da Guerra contra os Deuses Antigos (Elder Gods) ou uma arma secreta desconhecida da Raça Ancestral.

Seja qual for a razão, R'Lyeh afundou sob as ondas do Oceano Pacífico, tornando-se um sepulcro para Cthulhu e seus seguidores. Esse evento de proporções cósmicas, implicou em um efeito imediato que forçou o Grande Cthulhu a um estado de hibernação. Nessa condição ele dorrme profundamente, dando a falsa sensação de que está morto, mas nem mesmo o passar das eras pode declarar a morte de Cthulhu. Esse é aliás um dos mantras repetidos à exaustão pelos cultistas ao redor do mundo: "

"Não está morto o que pode eternamente jazer,
e em incontáveis eras, mesmo a morte pode morrer

Em seu sepulcro na arruinada R'Lyeh,
o morto Cthulhu aguarda, sonhando".


Embora R'Lyeh tenha submergido, certas condições específicas fazem com que a cidadela venha à superfície de tempos em tempos. Em períodos pré-determinados por alinhamentos estelares, R'Lyeh rompe a superfície e surge em sua explendorosa glória. Quando isso ocorre, as emanações telepáticas do Grande Cthulhu se tornam mais poderosas levando a levantes de fervor religioso, insanidade em massa e distúrbios naturais ao redor do mundo. A última vez que R'Lyeh emergiu foi em 1925 e o acontecimento foi relatado no trabalho redigido pelo Professor George Gammell Angell da Universidade Brown, bem como na Narrativa de Johansen, o capitão do navio Alert, cuja tripulação explorou pessoalmente a cidadela.

A maioria das descrições de R'Lyeh são aliás originárias dessas duas fontes.

Os devaneios causados pelas emanações telepáticas do Grande Cthulhu em tempos de estrelas favoráveis, permite que o Deus toque a mentes de pessoas sensíveis, enviando a elas sugestões e visões bastante nítidas de seu lar submerso. Essas pessoas sonham com o surgimento de R'Lyeh das profundezas e com a exploração de suas ruas e arquitetura. Não raramente essas mesmas pessoas experimentam um surto de inspiração artística macabra que as leva a compor, escrever, pintar ou moldar peças baseadas nas visões que experimentaram.

A outra fonte de informações sobre R'Lyeh decorre de lendas compartilhadas por marinheiros e velhos homens do mar. No folclore marítimo existe uma infinidade de estórias sobre cidades submersas que rompem a superfície atraíndo navios e tripulações para um terrível destino. Em se tratando de R'Lyeh, não poderia haver destino mais mortal.

Segundo a descrição de Johansen, R'Lyeh é uma ilha com aproximadamente 20 quilômetros de lado a lado. Várias praias e baías surgem recortadas na costa tomada por densa concentração de algas e sargasso tão espesso que em certos pontos pode suportar o peso de um homem adulto. Essa vegetação marinha de coloração verde-oliva adere a qualquer superfície como piche. Quando atingida pelo sol, as algas ressecam rapidamente exalando um odor profundo de corrupção.

A cidadela colossal jaz construída na base de uma rocha plana que faz parte de um mega-platô obsidiano com vários aclives e declives. A muralha que cerca a cidadela foi erguida com imensos blocos de pedra de coloração verde doentia e é dotada de passagens ogivais com mais de 20 metros de altura. Guiar-se pelo local é desconcertante devido ao tamanho titânico dos degraus e escadas que precisam ser galgados, sem falar na arquitetura enloquecedora. O interior de R'Lyeh é pavimentado com paralelepípedos úmidos e gotejante, coberto de algas, limo, sargasso e animais trazidos das profundezas. Imensas piscinas se formam em depressões mais profundas e vias são inundadas pela água salgada.

Os prédios em ruínas com enormes domos abaulados, torreões com horrendas gárgulas acocoradas e portões arqueados ocultam interiores sombrios de escuridão quase indevassável. Sons guturais podem ser ouvidos emergindo desses interiores pérfidos. Em alguns momentos cânticos blasfemos que não poderiam ser produzidos por gargantas humanas emergem em sussurros vindos do interior de fossos escuros. Esses prédios decrépitos são o lar de formas de vida ancestrais: xothianos, mestiços dos Abissais e possivelmente crias do próprio Grande Cthulhu como Ghatanathoa e Zoth-Ommog. Aqueles que exploram esses lugares raramente retornam, embora haja rumores sobre tesouros submersos e relíquias como nunca antes vistas cobrindo o chão desses antros imemoriais.

Os arredores de R'Lyeh possuem áreas fervilhando com formas de energia desconhecidas. Pináculos são iluminados por eletricidade que serpenteia de um lado para o outro como se fosse algo vivo e pulsante. Por vezes, raios são atraídos do céu e captados por essas estruturas. Descargas elétricas viajam de um pináculo para outro criando faíscas selvagens que iluminam a paisagem com um fulgor sobrenatural. Indivíduos atingidos por essas descargas desaparecem de imediato. Já foi conjecturado que esse é um sofisticado sistema que permite se locomover de um extremo da cidadela para outro através da dissolução dos átomos. A teoria contudo jamais foi comprovada pois ninguém atingido foi visto novamente.

Há rumores que guardiões especialmente designados para proteger R'Lyeh habitam cavernas e grutas na base da ilha. Tais criaturas amorfas vagam pelos dutos inundados ou se esgueiram pela fachada dos prédios em ruínas, dispostos a agarrar e puxar os invasores para o interior de um dos prédios amaldiçoados. Tais criaturas destituídas de vontade própria podem muito bem ser descendentes de Shoggoths capturados e alterados pela ciência e magia dos abissais. Em uma narrativa, parte da tripulação de um navio desembarca para explorar a ilha e (certamente) após viver situações desesperadoras retorna apenas para enccontrar seus companheiros mortos e a embarcação destruída.   

A mais magnífica construção da cidadela se ergue no alto de uma espécie de palatino ladeado por duas dúzias de obeliscos de pedra escura perfilados. Estranhos símbolos foram esculpidos nestes obeliscos que descrevem toda a história de R'Lyeh. O que torna esse prédio singular é a aura de maldade, ameaça e simbolismo profano que a permeia. Trata-se do Sepulcro do Grande Cthulhu que dorme por detrás de colossais portões maciços adornados pelo Elder Sign.

A menor perturbação dessas portas desperta Cthulhu e faz com que ele busque punir aqueles tolos o bastante para interromper seu sono. Em 1925, quando o deus adormecido despertou pela última vez, parte da tripulação do Alert foi varrida pelas garras inclementes de Cthulhu enquanto os demais enlouqueciam.

Sabe-se que R'Lyeh está fadada a emergir um dia em caráter permanente, mas até essa data fatídica, a cidadela ou partes dela aparecem por curtos períodos de tempo. Algumas horas ou até mesmo alguns dias. Ao retornar para seu lugar de descanso nas profundezas, a submersão causa fortes ondas que viajam velozmente podendo se tornar tsunamis devstadores. Já foram feitas especulações de que o tsunami que atingiu  mar do sul da China em 1782 (deixando mais de 70 mil mortos) possa ter sido causado pela submersão de R'Lyeh.

Não podemos imaginar quando a cidadela virá à tona novamente, mas quando acontecer é claro, sua presença nefasta se fará sentir não apenas no Pacífico Sul, mas na mente dos homens.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Você consegue dizer Cthulhu? - O mais importante dos Grandes Antigos

As informações sobre a entidade conhecida como Grande Cthulhu são fragmentadas e incompletas. É improvável que a compreensão plena à respeito de Cthulhu seja um dia captada pela humanidade. Como compreender uma criatura que para nossos padrões é um Deus?

Alguns estudiosos do Mythos supõem que Cthulhu seja nativo de um mundo chamado Vhorl localizado na trigésima terceira nebulosa. Muitos questionam essa informação, acreditando que Vhorl seja na verdade uma outra dimensão que faz fronteira com a nossa realidade. Uma passagem dimensional ligandoVhorl ao nosso universo se abriria a cada ciclo de milhões de anos, marcado por um alinhamento cósmico. Este portal é centrado no coração da estrela binária de Xoth (pronuncia-se Zof). Através dessa singularidade cósmica, Cthulhu e sua prole de crias espaciais -- os Star-Spawns, teriam penetrado em nossa realidade clamando domínio imediato sobre Xoth.

Para outros estudiosos, Cthulhu sempre foi nativo de Xoth, e por essa razão os de sua raça são chamados Xothianos (Zofianos). Ele seria o consorte de Idn-Yaa uma entidade ainda mais obscura com quem acredita-se ele gerou outros Grandes Antigos, como Ghatanathoa, Ythogtha e Zoth-Ommog. Em algum momento, Cthulhu e seu séquito teria abandonado Xoth e viajado para Saturno em uma espécie de migração concluída na Terra.

"Por qual razão a Terra?" muitos perguntam. Porque o insignificante terceiro planeta de um ordinário Sistema Solar, na vastidão cósmica, teria sido escolhido por esse titã. Não há uma explicação razoável. Alguns ponderam que a Terra na aurora dos tempos teria condições semelhantes a Vhorl, mas essas suposições são tão boas quanto qualquer outra hipótese aventada.

Ao chegar em nosso planeta no Período Permiano, Cthulhu se estabeleceu em uma vasta ilha (ou continente) localizado no Oceano Pacífico. Seus servos construíram uma gigantesca cidade de pedra chamada R´Lyeh para ser o trono do seu império. A Terra, no entanto já vinha recebendo a atenção de outros conquistadores espaciais. A raça dos Anciões (Elder Things) havia estabelecido bases no planeta  há alguns milhares de anos.

Duas forças tão poderosas não poderiam coabitar um planeta tão pequeno sem resultar em atrito. Uma guerra sem precedentes pela primazia global eclodiu entre as duas facções. A ciência incrivelmente avançada dos Anciões foi empregada contra o poder maciço das crias de Cthulhu. Ao longo de séculos a disputa se manteve equilibrada com perdas pesadas em ambos os lados.

Quando a disputa começou a pender para as forças de Cthulhu, sobreveio um evento inesperado. Um alinhamento cósmico de estrelas em algum momento há 550 milhões de anos, forçou os Grandes Antigos a hibernar. Com efeito, a gigantesca cidade continente submergiu nas profundezas do Pacífico Sul causando tsunamis que remodelaram as massas continentais. As crias de Cthulhu e o próprio Senhor de R´Lyeh buscaram refúgio nesse último baluarte, convertido a partir de então em um gigantesco mausoléu.

Nessas ruínas, Cthulhu aguarda pacientemente o dia em que uma nova conjunção irá se formar permitindo que ele e suas crias retornem triunfantes. O tempo, pouco importa. A passagem de Eras nada mais é do que um piscar de olhos para aquele cuja existência é ilimitada.

Na atual conjuntura, nenhuma força existente no planeta pode fazer frente ao colossal poder de Cthulhu. Seu despertar, quando ocorrer, terá repercussões catastróficas para a humanidade e o mais provável é que nada sobreviva a esse evento.

O que é Cthulhu?

Alguns tomos proibidos contendo extenso saber do Mythos, tentam determinar qual o papel de Cthulhu no Universo.

Em alguns tratados esotéricos Cthulhu é chamado de Sumo Sacerdote de R´Lyeh, mas não há consenso a respeito de qual seria a entidade que ele venera se é que isso é cabível. Certos textos dizem que Cthulhu serve aos intentos de Yog-Sothoth, o que seria razoável se consideramos verdadeira sua suposta migração transdimensional. A ausência de símbolos devotados a Yog-Sothoth nas ruínas de R´Lyeh faz com que essa teoria seja polêmica. Da mesma forma, os Profundos (Deep Ones) que veneram Cthulhu, evitam qualquer menção a Yog-Sothoth nos seus ritos religiosos o que não faria sentido se Cthulhu fosse seu sacerdote.

O nome de Cthulhu é mencionado muito mais frequentemente do que o de qualquer outro Grande Antigo. Seu culto é e sempre foi o mais difundido e atuante no planeta. Não há como traduzir em números, mas e plausível supor que cultos devotados a Cthulhu sempre estiveram presentes na história humana, desde a Atlântida, passando pela primitiva Idade da Pedra, pelas civilizações da Babilônia e Egito, por Roma, até a Idade das Trevas e nos dias atuais. Cthulhu -- ou alguma manifestação dele por outro nome, é citado na filosofia chinesa, nos vhedas hindus, em trechos dos Manuscritos do Mar Morto, no Talmud e alegoricamente na Bíblia e no Alcorão.

Algumas passagens no Texto de R´Lyeh, sugerem que Cthulhu será o primeiro dos Grandes Antigos a despertar e que caberá a ele a tarefa de acordar os demais. Os Tabletes de Zanthu afirmam algo semelhante ao chamá-lo de Arauto do Despertar, "aquele que irá anteceder todos os outros".

Isso sugere que Cthulhu goza de certa importância diante dos demais Antigos, embora nem todas as divindades possam ser compreendidas como seus aliados. Na verdade, existe algum tipo de inimizade entre Cthulhu e seu "meio-irmão" Hastur, o Impronunciável. Novamente, as raízes desse conflito são desconhecidas, embora os cultistas de Cthulhu e Hastur se enfrentem até os dias atuais honrando essa antiga rusga.

Ao longo das eras, alguns escritos apócrifos tentam lidar com o enigma de Cthulhu. Em alguns textos, Cthulhu é apontado como um Elemental da Água, mas essa teoria é no mínimo controversa uma vez que o oceano parece bloquear seus sinais telepáticos para a humanidade. Como um ser que representa um elemento poderia ser contido por este próprio elemento?

O Manuscrito de Sussex, afirma que Cthulhu seria uma manifestação extremamente poderosa de Nyarlathotep, embora nenhum outro tratado o veja dessa forma. Outra interpretação controversa defende que Cthulhu é mais do que um Grande Antigo, na verdade ele seria um Deus Exterior que representa o poder da Gravidade e a Coesão gravitacional que permite o funcionamento das engrenagens cósmicas. Mas se isso é verdade, como Cthulhu poderia ser contido pelo próprio balé cósmico das estrelas? A maioria dos acadêmicos do Mythos refutam essas duas teorias, mas como saber ao certo?

Quando se trata de Cthulhu, nada é conclusivo ou absoluto.

Sua própria existência física é colocada em xeque por estudiosos que o interpretam apenas na esfera conceitual. Cthulhu para esses teóricos é uma entidade infradimensional que reverbera na mente humana desde o início dos tempos. Por isso, dizem eles, os sonhos são a base de sua comunicação. O Despertar de Cthulhu seria uma metáfora à descoberta da humanidade dessa herança ancestral ainda ativa no inconsciente coletivo humano. Por mais insana que fossem essas noções, elas encontraram defensores, sobretudo nos anos 1960-70 quando drogas eram usadas para apliar os sentidos na esperança de acessar a mente de Cthulhu e forçar um despertar.

A Forma de Cthulhu

A representação clássica de Cthulhu é aquela presente nas bizarras estatuetas usadas pelos seus cultistas. A maioria dessas estatuetas foram construídas por indivíduos que receberam as emanações telepáticas de Cthulhu e que moldaram pedra ou argila na forma daquilo que viam nos seus devaneios oníricos.

Muitos comentam que as estatuetas de Cthulhu causam uma violenta reação emocional naqueles que as vêem pela primeira vez. É possível que o subconsciente humano, de alguma forma, esteja condicionado a reconhecer Cthulhu como uma suprema ameaça. Em resumo, algo na figura grotesca de Cthulhu tráz à tona uma sensação de medo primitivo irracional implantada na mente do homem desde o início dos tempos.

[Nota: Essa é uma das melhores explicações sobre porque o Mythos causa insanidade na mente humana. É a explicação a qual eu costumo recorrer quando algum jogador afirma que nem todas as criaturas do Mythos ou seu conhecimento deveria ter um custo em sanidade. A loucura nesse caso não é causada pela informação em si, mas pela maneira que a mente humana registra essa informação e a interpreta por um viés de horror primitivo. Mas voltando ao texto...]

As estatuetas por mais tenebrosas que sejam, não são capazes de fazer frente ao verdadeiro horror que é contemplar o Grande Cthulhu. Nenhum artista humano, por mais inspirado ou degenerado, seria capaz de dar forma ao terror supremo. O Grande Cthulhu é a própria essência dos mais negros pesadelos.

Medindo mais de 40 metros de altura, ele é uma montanha antropomórfica. Sua cabeça se assemelha a um imenso octopus ou lula, dotada de milhares de longos tentáculos que se agitam sem parar e escorrem pela face como uma barba viva. Esses tentáculos são delicados, mas capazes de agarrar e apertar com enorme poder de constrição. Um tentáculo pode dobrar um vergalhão de ferro ou esmagar cada osso no corpo de uma vítima.

A multidão de tentáculos ululantes oculta uma boca dotada de fileiras e mais fileiras de dentes afiados que rasgam e dilaceram qualquer coisa lançada na garganta cavernosa. Uma substância escorregadia semelhante a bile goteja do orifício em longos fios de nauseante saliva. A boca é dotada de uma língua que raramente é vista, e embora a criatura provavelmente seja capaz de articular palavras, telepatia é sua primeira opção de comunicação.

Embora durante sua hibernação Cthulhu não careça de alimento, quando desperto ele precisa de nutrição. Inúmeras referências a fome de Cthulhu atestam que ele deve ser um carnívoro com predileção pela carne de criaturas sentientes.

Os olhos de Cthulhu irradiam a mais pura maldade e brilham com inteligência e propósito inumano. Toda a enorme cabeça bulbosa se assemelha a uma medonha massa fungóide, recoberta por uma película de óleo brilhante. Ela é esponjosa e flácida com carne que lembra borracha vulcanizada.

O corpo de Cthulhu é titânico e colossal, representado na iconografia como algo geralmente humanóide. Ele se curva horrivelmente ante o peso da cabeça desproporcional, acocorado sobre as pernas curtas em uma posição obscena. Seus braços muito longos e esguios terminam em dedos dotados de garras recurvas semelhantes a imensas cimitarras, afiadíssimas. Os membros inferiores possuem garras semelhantes. Embora flácidas, elas são capazes de rasgar chapas de aço e de cortar um humano em pedaços sangrentos.

Para sustentar a imensa massa corporal, Cthulhu é dotado de um par de asas que muitos comparam a asas de morcego. Na verdade, essas estruturas aladas são formadas por uma membrana cartilaginosa. Ao mover-se, o Grande Cthulhu usa as asas para manter seu equilíbrio batendo-as repetidas vezes. As asas embora sejam pequenas em comparação ao corpanzil são possantes o bastante para permitir alçar vôo e impulsioná-lo pelo ar.

Há fortes indícios de que a carne que compõe o corpo de Cthulhu não seja inteiramente material. Cthulhu seria portanto capaz de controlar a própria densidade corporal, tornando-se mais ou menos denso conforme sua vontade. É possível que o controle pleno dessa faculdade só se manifeste quando ele estiver definitivamente liberto dos efeitos das estrelas. Isso explica porque o corpo de Cthulhu pode ser desfeito por ataques diretos, como digamos, o choque do navio Alert. Mesmo com essa restrição, Cthulhu é capaz de se reintegrar em poucos minutos e assumir a forma original.

Nenhuma força conhecida pela humanidade é capaz de destruir seu corpo. Mesmo sob o efeito nocivo das estrelas, Cthulhu é capaz de reintegrar sua forma por completo não importando a potência da arma usada contra ele. Supondo que ele fosse bombardeado por um artefato nuclear, mesmo nesse caso, poderia se reintegrar em poucos instantes, tornando-se no processo radioativo e duplamente letal.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Quando Cthulhu chama - Série de artigos sobre a maior criação de Lovecraft


Nas profundezas do Oceano Pacífico, muito abaixo da superfície, encontra-se a cidadela de R'lyeh com sua arquitetura colossal, suas torres arqueadas e muralhas construídas com blocos ciclópicos de pedra esverdeada. Em insondáveis profundidades repousa a sepulcral R'Lyeh, erguida por mãos inumanas quando a Terra ainda era jovem.

Nessas ruínas submersas, habita um ser de poder inimaginável. Não morto, mas sonhando pela eternidade. A mera sugestão de seu nome se traduz na aniquilação da sanidade e obliteração do espírito.

CTHULHU!

Incontáveis eras se passaram desde seu aprisionamento na cadavérica R´Lyeh, e ele continuará cativo até que as estrelas se alinhem corretamente no firmamento. Este evento cósmico marcará o despertar de Cthulhu e o fim do mundo como nós conhecemos, pois a mácula da humanidade será apagada de imediato.

O célebre escritor norte-americano H.P. Lovecraft considerado o pai do Horror Cósmico e da Weird Fiction, foi o criador de Cthulhu. A mitologia de Lovecraft inclui uma vasta coleção de criaturas abomináveis, incompreensíveis raças ancestrais e entidades alienígenas de poder incomensurável. A importância de Cthulhu pode ser medida pelo fato de seu nome ser usado para designar todas as demais entidades dessa mitologia particular: O Mythos de Cthulhu

A primeira menção a Cthulhu surgiu em 1926 no conto "O Chamado de Cthulhu", escrito por H.P. Lovecraft. Na estória, a entidade é uma espécie de manifestação cuja presença é percebida inicialmente apenas através de sonhos captados por indivíduos sensíveis ao redor do mundo. Mesmo aprisionado, Cthulhu envia ondas mentais pelo globo, inflamando cultos que o veneram. A mensagem é compreendida: as estrelas estão prestes a se alinhar, Cthulhu está próximo de retornar.

O conto narra a busca de um pesquisador pela verdade do Mythos. Uma jornada através de revelações fatais e estarrecedoras na qual o protagonista é apenas um observador impotente. Não por acaso, "O Chamado de Cthulhu" é considerado como dos maiores clássicos da literatura de horror.

Em sua primeira estória, Lovecraft revela bem pouco sobre a biografia de Cthulhu.

Tudo o que sabemos é que o Grande Cthulhu é uma entidade extraterrestre que no passado imemorial dominou a Terra. Um misterioso cataclisma de proporções cósmicas teria forçado seu confinamento na ilha de R´Lyeh. Uma profecia, no entanto, atesta que um dia ele se libertará. Sabemos também que embora Cthulhu seja impedido de deixar R´Lyeh sua poderosa mente é capaz de enviar sonhos premonitórios captados por mentes humanas.

Cthulhu é servido por um Culto que possui ramificações em todo o mundo. Seus fanáticos seguidores vagam pelos pântanos da Louisiana, pelas tundras da Sibéria, e cobrem as planícies geladas da Groenlândia... artefatos em poder desses maníacos lançam pistas sobre a bizarra forma de Cthulhu. Um monstro antropomórfico com corpo de homem, cabeça de polvo, dotado de garras e asas colossais nas suas costas. A visão de sua forma hedionda e gigantesca é capaz de pulverizar a razão do mais sensato dos homens.

Mesmo isolados, os cultos tem em comum a cega devoção ao Grande Antigo. Venerado em datas especiais com sacrifícios sob a luz de fogueiras os cultistas acreditam que a volta de Cthulhu é inevitável.

De acordo com Lovecraft, os seres humanos jamais serão capazes de compreender o que realmente é Cthulhu. Sua existência vai além da compreensão mortal e não há como conhecer seus mistérios por inteiro.

Essa série de artigos busca lançar uma luz sobre Cthulhu.