terça-feira, 9 de outubro de 2012

"Achtung! Cthulhu" I Mythos, Segunda Guerra e Missões Secretas atrás das linhas inimigas


É curioso notar que, mesmo após 30 anos e de possuir inúmeros trabalhos publicados por vários editores, Call of Cthulhu jamais teve um suplemento especificamente dedicado a Segunda Guerra Mundial.

O leitor que conhece as publicações para Call of Cthulhu pode contestar essa afirmação uma vez que o cenário "Where the Byakhee Dare" (ótimo título por sinal!) da monografia "Toying with Humans" e outros quatro cenários em "Shadows of War", transcorrem durante o conflito. Mas todos fazem parte das Monografias e, portanto, só estão disponíveis para venda através da Chaosium. Além disso estou falando de suplementos. O cenário "Dig for a Dead God" também trata de nazistas às voltas com uma ruína na África, mas esse é apenas um pequeno fragmento de uma mini-campanha. A Pagan Publishing, foi um pouco mais longe e contou a estória suja do envolvimento do Mythos na guerra, ao tratar de Delta Green. Contudo, o foco da ambientação não é propriamente a Guerra e sim o estranho mundo construído a partir da nova ordem mundial nascida das ruínas da guerra.


De fato, a Segunda Guerra sempre foi um território pouco explorado pelas ambientações cthulhianas. O que é estranho, se você considerar como tal conflito desperta o interesse de jogadores e mestres. Quem não adoraria eliminar nazistas/cultistas em pleno maior conflito da História Humana?

Bem, para quem sempre quis saber o que teria acontecido nesse período e conhecer uma interpretação histórica sobre como nazistas e aliados se enfrentaram no campo do paranormal, aqui está um jogo que foca exatamente nessas questões.

"Achtung! Cthulhu - Zero Point Part 1 - Three Kings", é o primeiro lançamento de uma nova editora, a Modiphius Press. A linha "Achtung! Cthulhu" promete ação incessante, tiroteios em campos de batalha e apresenta a "guerra secreta" contra nazistas em busca de mistérios aterrorizantes, máquinas de guerra lendárias e pactos com criaturas absurdas. Os editores prometem várias campanhas, sendo "Três Reis", apenas a primeira delas. O cenário está disponível por enquanto apenas em formato PDF no sistema BRP de Cthulhu, contudo versões para Savage Worlds, Trail of Cthulhu, e, eventualmente, em um sistema próprio da Modiphius, estão nos planos.

Tecnicamente, "Achtung! Cthulhu - Zero Point Part 1"  não se passa durante a Segunda Guerra Mundial, mas poucos meses antes do início oficial do conflito. A aventura se inicia alguns meses depois da Invasão alemã à Tchecoslovaquia. O governo britânico sabe que a guerra com a Alemanha é inevitável e concede refúgio aos governantes tchecos que se exilou em Londres.

Alguns Membros da Resistência Tcheca (os Três Reis do título) compartilham com o Serviço Secreto Britânico algumas informações assustadoras. Os nazistas parecem estar realizando algum tipo de experiência paranormal no Castelo Karlstein, nos arredores de Praga. Essas experiências envolvem forças sobrenaturais e o uso de prisioneiros como cobaias. Os ingleses decidem formar um órgão altamente secreto, a "Seção D", cuja função é tratar desse tipo de ameaça. Um grupo é montado às pressas para uma incursão em território ocupado a fim de averiguar as informações. Sua missão é saltar de para-quedas atrás da linhas, contatar os membros da resistência e determinar o que está acontecendo por detrás dos muros do Castelo.

A estrutura do cenário é bem aberta, quase um freeform. Entre o início da aventura, com o briefing da missão em Londres até o desfecho dentro do Castelo Karlstein, os investigadores tem liberdade para agir como bem quiserem. O Keeper recebe as informações necessárias para cobrir qualquer curso de ação que os jogadores escolham tomar. Isto inclui um farto material de apoio que detalha a área em torno do Castelo Karlstein, as forças inimigas e quem são os membros da resistência. Caberá ao grupo planejar a invasão de acordo com o que eles próprios descobrirem. 

O material de suporte inclui Mapas e Handouts informativos, simulando documentos de época, bem como quatro personagens prontos que podem ser usados pelos jogadores. O livro apresenta algumas habilidades adicionais (típicas para cenários de guerra), novas ocupações, como Agente da Inteligência e Comando Militar, e regras adicionais que cobrem o uso da tortura e interrogatório. Por fim, sugestões são dadas quanto à forma de executar o cenário com personagens que não são membros da Inteligência Britânica.

Disponível como um PDF com 44 páginas, o arquivo de 22 MB em cores é um suplemento muito bem feito. Ele custa $9.99 na página oficial da Modiphius.

Visualmente, a arte interna é agradável e remete à época em que se passa o cenário, sem grandes novidades. Os Handouts e Mapas, no entanto são excelentes. Eles conseguem captar o clima de uma missão militar secreta e o espírito de filmes de guerra/espionagem como "Os Canhões de Navarone" ou "O Desafio das Águias" (e, porque não, Bastardos Inglórios).

Infelizmente, "Achtung! Cthulhu" não é perfeito. A trama em si está longe de ser original, mas, sem dúvida, um grupo dedicado a viver esse tipo de estória irá conseguir compensar o lugar comum do roteiro. Além disso, este é apenas o cenário introdutório de uma campanha, projetado para situar os jogadores e o keeper no contexto e para deixar aquele "gostinho de quero mais" para a sequência. Nesse sentido, a aventura consegue atrair os jogadores e fazer com que eles queiram saber como as coisas vão terminar. 


Um dos problemas mais sérios com o cenário é que o tom não combina inteiramente com as regras básicas do BRP. O tom excessivamente pulp da aventura não se encaixa bem nas regras, e como resultado, é bem provável que boa parte do grupo (talvez todos personagens) acabem mortos. Há muito mais ação do que investigação, mais violência do que persuasão aguardando o grupo. As cenas envolvem ataques coordenados, armadilhas e confronto direto contra inimigos muito bem armados. E qualquer jogador veterano de CoC sabe como um tiroteio pode ser letal.

Indiscutivelmente, o sistema Savage Worlds é uma opção mais adequada a essa aventura. Ele permite aos personagens momentos de heroísmo gratificante quando balas começarem a zunir e granadas explodirem por todo lado. Talvez a ação desenfreada desanime alguns jogadores mais conservadores, mas para os jogadores que sempre desejaram ter acesso a armas realmente potentes, o cenário oferece uma sand box quase ilimitada. E não estou falando de acesso a espingardas e metralhadoras, mas a bazucas e tanques de guerra! Para os fãs do game "Operation Wolfenstein" ou dos quadrinhos de Hellboy, essa aventura é mais do que recomendada.  


"Achtung! Cthulhu" reúne dois elementos de vilania clássica - nazistas e o mythos no mesmo balaio de gatos. Ele estabelece bases promissoras para campanhas empolgantes envolvendo duas das forças mais nefastas a ameaçar o mundo e a chance de frustrar seus planos malignos. É o tipo do jogo que permite descer o dedo no gatilho no inimigo e fazer buracos sem piedade (ou remorso) nas aberrações tentaculares e nos malditos chucrutes. Afinal de contas, todos eles merecem! 

A Modiphius parece ter começado com o pé direito, vamos esperar que ela continue nesse caminho e que seus próximos lançamentos atinjam a expectativa criada.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Mesa Tentacular I Digging for a Dead God com o keeper Clayton Mamedes

Por Clayton Mamedes

Esses tempos reuni o pessoal para uma jogatina rápida de Call of Cthulhu. Como queria experimentar algo diferente, acabei optando pelo primeiro ato do Curse of the Yellow Sign do John Wick (já resenhado aqui mesmo no blog): Digging for a Dead God, onde os jogadores interpretam membros de um pelotão da SS na África.

Durante a semana preparei os props, com direito a ordens contidas dentro de envelopes com insígnia nazista e outras detalhes, como as descrições dos flashbacks, mapas e fotos dos veículos presentes no acampamento. Para melhorar a imersão. Jogadores adoram isso.

Jogamos na casa do meu camarada de longa data, o César, aproveitando que a sua esposa e filinha de 1 ano sairiam. Assim, sentaram-se à mesa os indivíduos de sempre: César, Celso, João, Walter, Daniel Pezão e o seu camarada, debutante no grupo e em Cthulhu, Jairo – casa cheia com seis players.

SPOILERS ALERT!!! SPOILERS ALERT!!! SPOILERS ALERT!!! SPOILERS ALERT!!!

DfaDG mostrou-se uma aventura desafiadora, tanto para o Mestre quanto para os players. Devido a sua natureza de Player VS Player, a taxa de mortalidade seria alta e os conflitos inevitáveis, levando a segregação de alguns jogadores da mesa principal para planos paralelos, emboscadas e similares.

Na verdade, a minha preparação foi mínima: além dos props, apenas planejei mentalmente os eventos dentro do templo (onde entregava as respectivas descrições de flashbacks) e também havia organizado algumas cenas com as aparições tentadoras do Homem de Preto. Foram as únicas coisas planejadas e foram as únicas que usei. Levei a fundo a dica do John Wick: “tudo que você poderia planejar, vai para o buraco com a abertura do templo.” E foi o que aconteceu.

Os PCs até que exploraram o templo juntos, como se ninguém tivesse alguma agenda paralela. Investigaram os esqueletos estranhos, coletaram as peças de ouro e ficaram desconfiados com os flashbacks. Tudo normal. Contudo, ao final da exploração, a descoberta dos pergaminhos metálicos cilíndricos foi o divisor de águas: o jogador interpretando o Capitão já chamou o seu Tenente de confiança de lado e planejou uma retirada. Aproveitando-se da distração e de uns gritos de horror na Sala do Portal (um dos personagens surtou após vislumbrar o teto do aposento), o personagem arqueólogo saiu com a desculpa de pegar algo para guardar os artefatos. Foi barrado no meio do caminho, mas inventou a desculpa de levar o temporariamente insano dali. Porém, o que ele fez foi mais agressivo: pegou várias bananas de dinamite e selou a todos no Templo, e ainda matou a sangue frio o insano, com um tiro de Luger na cabeça. Alegando traição perante o resto do pelotão, o Tenente usou o seu cargo de comando para dissuadir os soldados e fugiu desesperadamente, com um soldado em um Kubelwagen, inutilizando o outro veículo leve e um caminhão Opel Blitz. Fugiu para a mata, com destino ao rio e daí, o porto mais próximo. Sua missão estava cumprida.

Contudo, o jogador fugitivo não contava com um resultado medonho no teste de Demolições. As dinamites foram plantadas muito próximas à resistente porta de pedra do Templo, o que causou somente um desmoronamento parcial do túnel de acesso. O correto seria tentar implodir este túnel, mas afinal foi muita correria na fuga...

Livres e possessos, os oficiais re-estabeleceram a ordem no acampamento e ainda conseguiram reparar o Opel Blitz (o último veículo a ser avariado e ainda tinha condições de reparo). E assim seguiram, com a ajuda dos cães, o rastro do fugitivo.

Com muita vantagem de tempo, o fugitivo planejou derrubar uma árvore na rodovia, impossibilitando a passagem de algum veículo. Contudo o mesmo já estava sendo atormentado pelo Homem de Preto, que aparecia como um forasteiro conversando com ele sobre a operação (ele até pensou que seria um agente da Sociedade Thule) e como o Tenente que ele havia matado no acampamento – uma assombração.

Resumo da ópera: o Homem de Preto causou uma bagunça generalizada durante a fuga e tentativa de bloqueio da estrada, resultando na explosão do Kubelwagen e ao conflito entre o fugitivo e o soldado. Assim fugiram pelo mato a pé, somente para serem atormentados sem piedade pelo Homem de Preto. O fugitivo ficou tão abalado que resolveu voltar ao Templo para devolver os artefatos. Obviamente, no caminho de volta ele encontrou os outros membros do pelotão. Ocorreu um intenso tiroteio, com uma baixa de cada lado.

Voltando ao acampamento, o fugitivo foi interrogado brevemente, mas acabou sendo executado. O Capitão então ordenou a devolução de todos os artefatos “estranhos” e confiscou o ouro. Selou a porta do Templo com outra explosão (eficiente desta vez). Destruiu o acampamento, executou todos os escravos e soldados (!!!) e fugiu pra a Suíça. O Homem de Preto conseguiu o que queria...

O momento pós-aventura também foi engraçado: fui questionado sobre a explicação para os eventos ditos como sobrenaturais (aparições, diálogos com assombras, etc.). Apenas respondi que não havia sobrenatural. Nem inimigo. Eles mesmos que tinham causado toda a confusão por simples conflito de interesses. Discutimos mais sobre o assunto e foi muito agradável. Na saída pedi para que pensassem sobre possíveis explicações (fiz a mesma coisa quando mestrei um cenário baseado em As Máscaras de Chumbo). No outro dia trocamos alguns emails e acabei respondendo um com todo o background do Homem de Preto e Hastur. Os jogadores gostaram da idéia de acharem alguma solução lógica. Em bacana.

Ao final do dia, tivemos uma aventura diferente, que provocou alguns momentos marcantes, com as discussões entre os personagens, sempre paranóicos. Este cenário não dá trabalho para o Mestre na preparação, porém exige muito jogo de cintura durante o jogo, devido a sua imprevisibilidade e situações de conflito entre jogadores. E ainda o fato de separar os jogadores durante algum ponto da narrativa. Isto sempre é de difícil condução.

Se você já é Mestre por algum tempo e quer algo diferente pra os seus jogadores, experimente. Eles gostarão também. Agora, se você tem pouca experiência coordenando mesas ou conflitos assim, ou sente que o seu grupo não está maduro para tal tipo de situações, é melhor escolher um cenário mais tranqüilo para ambos.

Aqui estão algumas imagens dos props e Handouts usados nessa mesa:




sábado, 6 de outubro de 2012

Algo Cthulhiano em New Brunswick - Estátua bizarra aparece misteriosamente em floresta



Existe arte que desafia, que compele, que faz pensar... e existe arte que é  um tanto assustadora. Alguns artistas conseguem criar coisas absolutamente estranhas a partir de seu ofício, coisas que você realmente não gostaria de encontrar em sua vizinhança à noite.

O artigo a seguir, recai exatamente nesse último caso.

Uma bizarra estátua apareceu recentemente na estrada que dá entrada a uma floresta em Fredericton, próximo a cidade de New Brunswick, em MinessotaEstados Unidos. Ela se encontra no alto de um monte e pode ser vista por quem passa a caminho do parque municipal.

A estátua supostamente foi criada por um artista local que vive na região, embora esse artista, conhecido pelas suas obras polêmicas negue a autoria. Ela simplesmente "apareceu" naquele lugar e ninguém sabe ao certo quem a trouxe, porque ou o que ela representa.

A obra foi montada a partir do corpo de um manequim feminino, mas o artista combinou pelo, couro e partes de diversos animais empalhados para chegar a um estranho resultado que remete a uma espécie de sátiro, ou algo que você encontraria em algum filme de horror. Há pelagem de coelho e castor, galhadas, crina de cavalo, cascos e até patas de cervos, todos animais típicos da região.

Alguns moradores de New Brunswick pediram a remoção da estátua, que provavelmente vem causando pesadelos nas crianças, mas outros conseguiram enxergar algum mérito artístico na misteriosa obra e pediram para que ela seja deixada no local ou então transferida para outro ponto. Alguns dizem que a estátua poderia até ter sido construída por nativos americanos e que seria uma espécie de totem místico.

Seja o que for, a presença dela vem dividindo opiniões.

No entanto, nós do Mundo Tentacular, conseguimos ver nas entrelinhas e entender que essa estátua muito provavelmente é um ídolo de devoção a Shub-Niggurath, uma representação da Deusa com mil crias.

Sem dúvida, algo muito cthulhiano está acontecendo em New Brunswick e seria melhor os investigadores daquela região ficarem atentos a atividade do temido culto. Fogueiras crepitando nas noites sem lua, mulheres dançando nuas ao redor dessas mesmas fogueiras, sacrifícios de sangue e loucas orgias são a marca registrada de seus seguidores blasfemos.

Para os que querem ter alguns pesadelos aqui estão mais algumas fotos:





Da série "Algo Cthulhiano" em outros lugares:

Algo Cthulhiano na Louisiana - O Modelo de Pickman fotografado?

Algo Cthulhiano próximo ao Sol - O que seria essa coisa?

Algo Cthulhiano no Paquistão - Árvores cobertas de Teias

Algo Cthulhiano em Bonito, Mato Grosso do Sul - Estátua de Cthulhu em Caverna?

Algo Cthulhiano no Alasca - Estranha substância desconhecida

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A Cruz na Selva - Nazistas exploram a Amazônia brasileira em 1935-1937


Há uma enorme cruz de madeira com três metros de altura fincada em um humilde cemitério numa ilhota no Rio Jari, entre os estados do Pará e o Amapá.

Não seria nada de incomum, exceto pelo fato da cruz ser adornada por uma suástica - o símbolo nazista - e ter palavras escritas em alemão gravadas. Para os que são capazes de ler o idioma, ali está escrito:

"Joseph Greiner faleceu aqui em 2/1/1936, de febre, em serviço de exploração para a Alemanha"

Poucas pessoas sabem quem foi esse homem de nome incomum e o que ele veio fazer naquele fim de mundo. Menos gente ainda sabe que esse marco é um dos únicos símbolos que restaram da passagem de uma expedição patrocinada pelo Terceiro Reich em território brasileiro em plena década de 30.

É isso mesmo. Entre os anos 1935 e 1937, uma expedição nazista permaneceu no Rio Jari, na foz do Amazonas, realizando pesquisas, mapeando caminhos e explorando um dos pontos mais estratégicos, senão o mais importante local de acesso à região amazônica. Identificando-se como uma expedição de caráter científico os homens mapearam o que seria a porta de entrada para uma invasão aos últimos enclaves sul-americanos, dominados por seus inimigos ingleses, franceses e holandeses, as Guianas.

Contudo, momentos dramáticos envolvendo desafios intransponíveis e perigos inimagináveis se seguiram, apresentando aos nazistas todas as nuances do Inferno Verde amazônico. A expedição, idêntica à Alemanha nazista - ambiciosa, confiante de que dominaria o mundo e levada pelo sentimento de superioridade racial - terminou afogada em delírios de poder.

A expedição era patrocinada por Hermann Göering e chegou ao Brasil em meados de 1935, desembarcando em Belém do Pará. Os alemães diziam estar em missão especial do governo do Reich, e que tencionavam fazer um levantamento da geografia, da fauna e dos povos da região amazônica. Tudo em caráter inteiramente científico e com dados a serem compartilhados com o governo brasileiro.

Os jornais do Rio de Janeiro, noticiavam a chegada com reservas, contestando o fato de que os objetivos fossem pacíficos. Poucos acreditavam que aqueles aviadores tão jovens e com notável carreira militar pudessem também ser cientistas. Diante disso, o líder da expedição, Otto Schulz-Kampfhenkel, teve que viajar para a Capital e pedir uma permissão especial do governo brasileiro, comandado por Getúlio Vargas. Em poucas conversas, o governo mostrou-se disposto a ajudar no que fosse necessário.

O Brasil vivia uma verdadeira lua de mel com a ideologia nazista. Vargas, e uma parcela significativa das forças armadas, não escondiam a simpatia pela Alemanha de Hitler. O país, ora adulava a Alemanha, ora os Estados Unidos. E assim caminhava no fio da navalha, às vésperas da 2ª Guerra Mundial sem decidir para que lado pender. A Alemanha de Hitler – tudo sinalizava – era a bola da vez para dominar o mundo, era uma das mais poderosas nações do planeta. Fazia sentido manter boas relações com aqueles caras.

Sem mais delongas, os estrangeiros deram início à viagem, agora na companhia de um quarto integrante: Joseph Greiner, um alemão radicado no Brasil que serviria de capataz na expedição.

A expedição era robusta e nada modesta. Ela contava com um hidroavião adaptado aos rios amazônicos e cedido pela Luftwaffe, o Ministério da Aeronáutica Nazista que seria largamente utilizado para testes de técnicas de mapeamento aéreo, posteriormente usadas para fins militares. Um acordo entre os ministérios das Relações Exteriores e da Guerra de Brasil e Alemanha assegurou a isenção de impostos para mais de 30 toneladas de material trazido da Europa. O equipamento incluía modernos aparelhos fotográficos e de filmagem, material agrimensor para mapeamento, além de armamento pesado e 5000 cartuchos de munição.

Foram contratados 30 mateiros, caboclos conhecedores da selva, desbravadores de rios, e que circulavam com naturalidade num meio hostil, dominado por cobras, malária, piranhas, mosquitos e predadores. Índios que conheciam os segredos da mata e dominavam remédios naturais também faziam parte da expedição. Os Aparaí, uma das mais selvagens tribos da região, cedeu guerreiros para escoltar aqueles estranhos de pele clara e cabelo amarelo, pelo interior da floresta.

Os alemães ficaram impressionados com os nativos que descreviam como "construídos como atletas olímpicos (...) parecendo estátuas de bronze modeladas por um artista". Trataram logo de fazer amizade com os índios, oferecendo a eles presentes em troca de informações sobre a região. A integração foi imediata. Os alemães foram adotados pela tribo Aparaí, que chamavam o visitantes de papa e onkel, ou seja, "papai" e "tio" em alemão.

O roteiro já estava minuciosamente planejado e provavelmente fora definido anos antes em algum quartel na Alemanha. Subiriam o Rio Jari, até alcançar a Guiana Francesa demarcando minuciosamente todo o trajeto pela mata aberta a golpes de facão. O hidroavião, batizado de “Água Marítima” faria o mapeamento aéreo e daria suporte a expedição em terra.

Mas as coisas começaram a dar errado logo no início, a aeronave - peça essencial nos planos - perdia-se constantemente já que não haviam referenciais para o piloto se guiar com precisão - tudo era floresta a se perder de vista. O veículo encontrava dificuldades para pousar e decolar. O leito do Rio Jari guardava surpresas sob a superfície, pedras e madeira. Após uma tentativa de pouso o avião foi seriamente avariado no meio de toras. Usado exclusivamente para transportar mantimentos, teve ainda o trem de pouso destruído. Totalmente inútil no meio da selva, foi desmontado e enviado de volta à Alemanha.

Dali em diante, a expedição seguiria a bordo de canoas, devidamente conduzidas pelos guias da região. O transporte não era dos mais rápidos, mas era mais adequado para a observação da fauna. Decididos a levar espécimes como troféus, os alemães disparavam em qualquer alvo que se movesse, praticavam tiro ao alvo com papagaios e araras, abatendo tatus e preguiças aos montes, derrubavam macacos das árvores com tiros de espingarda. Quando não estavam atirando, estavam ensinando os índios a atirar usando lentes telescópicas. Em troca aprendiam a usar zarabatanas e tacapes. No campo da troca de informações, as técnicas mais letais eram o principal assunto compartilhado.

Apesar disso, o azar continuava; a floresta parecia repudiar a expedição como se fosse uma infecção combatida por anticorpos.

Uma das canoas que levava a maior parte do material de precisão necessário para a cartografia afundou durante uma violenta enchente. Para piorar, parte das provisões estragaram, forçando a equipe a caçar e tirar sustento do que pudesse extrair da floresta. Os indios e mateiros podiam suportar isso, os estrangeiros não. Foi nessa ocasião que Joseph Greiner foi incumbido de seguir para o povoado de Santo Antonio para comprar suprimentos. No meio do caminho, contraiu malária e morreu fulminado pela doença poucos dias depois. Foi enterrado ali mesmo, numa ilha do Rio Jari.

Os outros também enfrentavam perigos. Otto Kampfhenkel quase morreu ao tentar subir as violentas corredeiras do Jari. Dois de seus colegas tiveram apendicite e outro pegou malária, mas sobreviveu. Para os índios, os alemães estavam sendo punidos pelo desrespeito a natureza e principalmente por matar uma sucuri de 7 metros, um animal sagrado.

Apesar dos infortúnios e do temor dos indígenas, os alemães estavam decididos a seguir rio acima. Queriam chegar à Guiana Francesa de qualquer maneira e fariam uma última tentativa nesse sentido. No esforço, vários guias morreram afogados, as chuvas de janeiro estavam fortes demais e criavam corredeiras selvagens contra as quais não havia como lutar. Diante de um quadro de deserção cada vez mais óbvio, decidiram interromper a viagem ali mesmo sem atingir o objetivo.

A Amazônia havia se mostrado um desafio grande demais até para o Terceiro Reich.

Em fevereiro de 1937, a equipe desceu o rio Jari para atingir um povoado onde reabasteceram as provisões e iniciaram o caminho de volta. Mas a expedição não saiu de mãos vazias, havia coletado valiosas informações sobre a região. Mais de 500 peles de mamíferos, 2500 fotografias e 2700 metros de filme. Receberam congratulações do ministro de Propaganda do Reich, Josef Goebbels, que o considerou "politicamente valioso e de grande valor educativo para o povo".

Tudo, ou quase tudo, nessa incursão beira o bizarro. Apesar de toda a propaganda alardeada sobre pureza racial, Otto Kampfhenkel, membro do Partido Nazista, terminou vivendo uma tórrida paixão, pela filha de um cacique Aparaí, disso resultando um cruzamento da “superior” raça alemã com uma selvagem. A carne é fraca, ainda mais nos doces trópicos. A caboclinha batizada Cessé, de olhos estonteantemente azuis, passou a ser chamada, pelos seus contemporâneos, de “alemoa”.

A tranqüilidade do convívio entre alemães e índios era notável. Havia respeito e simpatia entre os povos, o que é surpreendente se pensarmos na doutrina nazista que contemplava uma suposta superioridade racial. À noite, os membros da expedição se juntavam ao redor da fogueira para ouvir valsas e marchas militares que saíam do gramofone trazido de Berlim. Antes de ir dormir, os índios davam seu boa-noite conforme haviam sido ensinados: "Gute nacht" diziam.

A documentação sobre a expedição foi analisada e o alto-comando nazista considerou a possibilidade futura de uma incursão militar na região. As jazidas minerais e riquezas do Brasil, eram um prêmio pelo qual valia a pena lutar, mas nessa altura a guerra prometida já ocupava toda atenção dos alemães e eles não ousariam dispensar tropas em uma missão que podia esperar a resolução do conflito. Não há dúvidas de que no caso de um cenário positivo ao fim da guerra, os alemães seguiriam com seus planos para ocupar o norte da América do Sul.

Em carta para Hitler, em 3 de abril de 1940, o oficial da SS Heinrich Peskoller, que analisou a logística da operação afirmou categoricamente que os metais preciosos da região – ouro e diamantes – seriam o bastante para acabar com a dificuldade financeira da Alemanha contraídas durante o esforço de guerra. Além do interesse financeiro, Peskoller manifestou que a região seria um bom lugar para a raça ariana viver: “O empenho e a técnica alemã poderiam domar as inúmeras cachoeiras na forma de usinas hidrelétricas colossais, podendo fazer uma rede elétrica em todo o país" escreveu Peskoller em seu memorando.

Apesar de todo planejamento, uma segunda expedição jamais saiu do planejamento. A decisão de não prosseguir com o plano foi do líder da SS, Himmler, que ponderou que a guerra havia ganhado proporções maiores e seria mais inteligente focar as forças alemãs no front europeu.

De qualquer forma, é assustador imaginar o interesse dos nazistas em nossas riquezas e que se a guerra tivesse pendido para o lado do Eixo, as coisas teriam sido bem diferentes para nós também. Ao menos, a única suástica em território nacional foi aquela gravada em uma cruz nos arredores do Rio Jari. Um marco silencioso para uma expedição sobre a qual ainda se sabe muito pouco.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Nazistas no Tibete - A Expedição Schäfer (1938) encontra artefato inestimável


Parece uma daquelas estórias fantásticas tiradas de um conto ou de uma aventura de Indiana Jones, mas é a mais pura verdade.

Uma estátua budista antiga, recuperada por uma expedição nazista em 1938 foi recentemente analisada por uma equipe de cientistas liderados pelo Dr. Elmar Buchner, do Instituto de Planetologia da Universidade de Stuttgart. A estatueta, que tem provavelmente 1.000 anos de idade é chamada de "Homem de Ferro" e representa o Deus Vaisravana. Acredita-se que ela faça parte da cultura pré-budista Bon que surgiu no século XI. Por muito tempo a estátua ficou em poder de colecionadores privados, até ser leiloada em 2007.

Análises geoquímicas realizadas pela equipe de pesquisa germânica-austríaca revelou que a inestimável objeto foi esculpido a partir de um fragmento de ataxite, uma liga muito rara de ferro, níquel e cobalto, que combina com a composição de outros pedaços de meteoro.

Acredita-se que a estatua que mede pouco mais de 24 centímetros e pesa aproximadamente 10 quilos seja a mais antiga figura humana esculpida em material proveniente de fora da Terra.


A estátua foi esculpida a partir de um fragmento de um grande meteoro que caiu em Chinga uma área na fronteira entre a Mongólia e Sibériacerca de 15.000 anos atrás. Os primeiros detritos foram descobertos oficialmente em 1913 por garimpeiros que faziam prospecção na área. É provável que esse fragmento individual tenha sido recolhido muitos séculos antes, forjado e moldado artisticamente por volta do século XI.

Qual seria o interesse dos nazistas nessa estatueta e por que levá-la até a Alemanha? E a propósito, o que nazistas estavam fazendo no Tibete, para começo de conversa?

A estatueta foi descoberta por uma expedição de cientistas alemães liderados pelo renomado zoólogo Ernst Schäfer. A expedição visava oficialmente realizar um levantamento completo sobre a fauna, topografia, clima e antropologia do Tibete. Os membros da expedição, entretanto, estavam diretamente subordinados ao temido Heinrich Himmler - Chefe da SS e homem de confiança de Hitler. A verdadeira missão da expedição, mantido em segredo, era encontrar as raízes do povo ariano, que segundo a doutrina nazista, constituía a raça superior que teria dado origem aos povos nórdicos e germânicos.

Os alemães dedicavam enorme importância a esse tema e criaram a Ahnenerbe, um órgão oficial, especializado em assuntos raciais e de herança cultural. Seu propósito era "defender a raça alemã" e garantir sua "pureza". Outra atribuição da Ahnenerbe era organizar expedições de cunho científico à diferentes regiões do mundo. Vários arqueólogos e antropólogos eram forçados a se tornar membros da SS, a fim de tomar parte nas expedições, garantindo assim total lealdade dos envolvidos. A base da Arqueologia Nazista, constituía um eficaz instrumento de propaganda, usado para perpetuar o orgulho nacionalista dos alemães e fornecer justificativas científicas para suas conquistas. Afinal, se os alemães fossem realmente descendentes de uma "raça superior", era seu direito natural governar os outros povos.

A Ahnenembe acreditava que a raça ariana descendia da mítica Atlântida e que essa civilização extremamente avançada havia sido destruída por um cataclismo cósmico, possivelmente o choque de um planeta milênios atrás. A partir dessa tragédia, o povo ariano que habitava a Atlântida teria se espalhado pelo mundo, colonizando diferentes regiões do planeta. A Ahnenerbe afirmava que os arianos teriam deixado indícios de sua presença e que estes ainda poderiam ser encontrados.

Dessa forma, tentavam desenterrar artefatos perdidos e conduziam escavações na Islândia,Tróia e no Oriente Médio. Os pesquisadores, no entanto, supunham que uma das mais prósperas colônias de arianos teria se estabelecido no coração da Ásia: nas Montanhas do Tibete. Para provar essa teoria, uma audaciosa expedição foi organizada com o intuito de explorar uma das regiões mais misteriosas do planeta. Até essa época, o Tibete se encontrava fechado para estrangeiros e os poucos viajantes que cruzaram suas fronteiras contavam estórias sobre uma terra exótica de incríveis riquezas e elaborados costumes. A cidadela de Llasa, no topo do mundo, era seu centro de poder.


Liderados por Schäfer a expedição partiu de navio em 1937, mas encontrou obstáculos logo ao chegar a costa da India onde pretendia desembarcar. As autoridades britânicas desconfiavam das verdadeiras intensões da expedição e negaram acesso aos portos sob seu controle. Schäfer e Himmler ficaram furiosos e fizeram uma queixa formal. Temendo um incidente diplomático, o Primeiro Ministro britânico Neville Chamberlain garantiu um salvo conduto para que a Expedição prosseguisse.

O grupo rapidamente comprou equipamento e provisões, marchando rumo ao Norte com uma caravana de 50 mulas, guias sherpas e uma multidão de carregadores. Levavam ainda rifles, morteiros, explosivos e a bandeira nazista que tremulava como um estandarte de conquistador. Durante o caminho tiravam fotos, faziam mapas, recolhiam espécimes animais e da vegetação, tudo isso sem esquecer sua principal meta. Existem filmagens que mostram antropólogos medindo o tamanho do crânio dos tibetanos e examinando criteriosamente sua anatomia a fim de comparar os resultados com as supostas medidas dos arianos. Foram feitas dezenas de máscaras de gesso com as feições de nativos também para efeito de comparação e dizem cemitérios foram violados em busca de amostras de ossos.

Outro aspecto curioso da Expedição é que ela buscava aprofundar a compreensão sobre o misticismo tibetano. De fato, Himmler, era fascinado pelo ocultismo e acreditava em várias doutrinas herméticas. Acredita-se que ele próprio era um mago e que recorria a tradições antigas adaptadas de cerimônias pagãs que passaram a fazer parte da filosofia da SS. A expedição devia pesquisar a religião local e seus muitos rituais. De enorme interesse eram as práticas de meditação, cura e viagem psíquica, Himmler também desejava saber mais sobre reencarnação.    


Não era a primeira vez que os nazistas se interessavam pelos ensinamentos orientais. Dezoito anos antes, o partido havia adotado a suástica como sua insígnia oficial. A suástica, um símbolo que remonta ao período Neolítico foi encontrado pela primeira vez nas civilizações do Vale do Indo na Índia. Mais tarde, foi utilizada no hinduísmo, budismo, jainismo para simbolizar boa sorte. Outros significados do símbolo incluíam "fazer o bem", "ser superior", e mesmo "eternidade". Os nazistas cooptaram a suástica, invertendo sua posição usando-a para simbolizar arianismo, anti-semitismo e impulso para a frente em moto-perpétuo (progresso contínuo). Ela se tornou nos anos seguintes o símbolo universal do ódio e intolerância - uma corrupção completa de seu significado original.

Olhando para trás, e voltando a expedição de 1938, só podemos imaginar a alegria dos nazistas, quando a equipe de Schäfer descobriu a estátua de ferro com uma grande suástica adornando o peito da figura esculpida. Cegos pela ideologia e interpretações bizarras, eles esperavam reescrever a história.

Não é possível dizer exatamente como Schäfer e seus homens obtiveram a estátua, os detalhes se perderam no pós-guerra, mas supõe-se que os nazistas tenham se aproximado de contrabandistas e saqueadores de tumbas oferecendo a eles recompensas por tais tesouros. Também é possível que a estátua tenha sido dada de bom grado por algum líder tribal ou chefe regional que relacionou o símbolo na estátua com a bandeira que aqueles estrangeiros carregavam orgulhosamente.

A expedição estabeleceu relações cordiais com os nativos e conseguiu inclusive permissão para adentrar a cidade sagrada de Llasa. Tal honra raramente era concedida a estrangeiros, ainda mais ocidentais. A visita foi documentada em várias fotografias e filmagem. Schäfer ofereceu ao Regente de Llasa vários presentes e recebeu em troca uma cópia da Enciclopedia do Budismo Tibetano (livro central na filosofia budista, um dos três únicos exemplares oferecidos a ocidentais na história).  

Além do "homem de ferro", a expedição recolheu inúmeros outros artefatos levados clandestinamente para a Alemanha no interior de caixotes contendo espécimes da fauna e da flora local. Uma indumentária que teria sido usada por um dalai-lama foi ofertada como presente ao Führer Adolf Hitler. A expedição tirou mais de 20 mil fotografias em preto e branco e 2 mil coloridas, reuniu máscaras e um dossiê completo sobre o povo tibetano foi reunido para ser analisado.

Schäfer retornou a Alemanha em Agosto de 1939, sendo recebido como herói em Munique. Himmler em pessoa o condecorou com o anel da S.S. e a adaga de honra. Com o início da guerra ele trabalhou no escritório central da Ahnenerbe. Após a derrota, Schäfer conseguiu fugir e imigrou para a Venezuela.  Ele voltou a Europa em 1954 e foi acessor do Rei Leopold III da Bélgica.

Ernest Schäfer terminou sua carreira como curador de um Museu na Saxônia. Até o final da vida ele alegou que sua ligação com a SS havia sido uma imposição política.

É um exercício ao mesmo tempo curioso e assustador tentar imaginar como a história da humanidade poderia ter sido reescrita caso os nazistas tivessem vencido a guerra. Com certeza, as conclusões no dossiê obtido pela Expedição Schäfer teriam sido usados como prova inconstestável das teorias da Ahnenerbe.

Tudo leva a crer que os nazistas jamais tenham suspeitado que o material usado para esculpir a estatueta do "Homem de Ferro", tenha vindo do espaço. Mas é uma idéia incrivelmente tentadora supor que membros dentro da SS soubessem desse detalhe e justamente por isso cobiçassem a estatueta. Talvez eles acreditassem que a estátua tivesse propriedades desconhecidos dada a sua origem incomum e que aquele que a detivesse ganharia algum poder especial. Com as estranhas crenças da SS e da Ahnenerbe quem pode afirmar que não era esse o caso? 

Por vezes, o mundo real oferece farto material para a ficção.

Aqui está um vídeo com imagens originais dessa expedição: