segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Deus Equivocado ou Deus Adormecido? - Transformando uma notícia do mundo real em um horror lovecraftiano

Transformando uma notícia do mundo real em material para abastecer uma investigação sobrenatural do Mythos. Guardadas as devidas proporções, há similaridades com o clássico conto "O Chamado de Cthulhu" de H.P. Lovecraft.

O texto abaixo foi publicado dia 13/10/2012 no site de notícias "Surgiu" (fonte de Meio Norte), a respeito da prisão de um Falso Profeta que previa o fim do mundo em Teresina.



Falso Profeta diz em depoimento que "Deus se equivocou"
Aproximadamente mil pessoas cercaram as duas casas da seita, que Luís Pereira chamava de Arca e onde ficariam as pessoas puras de coração


Em depoimento na DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente), Luís Pereira, o "Profeta", teria afirmado que "Deus se equivocou", e por isso o apocalipse não chegou.

Luís Pereira responderá pelo crime de estelionato.

O ex-vigilante de condomínio Luís Pereira dos Santos, de 43 anos, que se dizia profeta e há quatro anos pregava o juízo final e criou uma seita, com 131 seguidores, que esperava em duas casas no Parque Universitário, na zona Leste de Teresina, o fim do mundo às 16 horas de ontem, foi o primeiro a ser preso pela Polícia Militar (PM), dez minutos antes do horário do apocalipse.

Aproximadamente mil pessoas cercavam as duas casas da seita, que Luís Pereira chamada de Arca e onde ficariam as pessoas puras de coração e amantes de Deus, que seriam arrebatadas, como um anjo o teria informado há quatro anos. Às 16 horas, as pessoas passaram a jogar pedras nas casas e em 40 policiais da Tropa de Choque da Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone).

Os policiais fizeram um cerco às casas onde moravam 131 seguidores da seita. Jogaram gás lacrimogênio, gás de pimenta e prenderam dez pessoas que jogaram pedras e rojões contra a tropa de choque. Também foi preso o seguidor da seita, “Zé da Égua”, que é auxiliar do falso profeta.

O local virou uma praça de guerra. O tenente Tanaka Hitler, da Rone, disse que as pessoas queriam depredar a casa e linchar Luís Pereira dos Santos por ter retirado membros de suas famílias de casa, dos empregos e deixaram de garantir o sustento de suas famílias porque esperavam o fim do mundo.

O coronel José Albuquerque, coordenador de Operações Especiais da Polícia Militar, negociou com os seguidores da seita para que deixassem a Arca e voltassem pra suas famílias já que o mundo não tinha acabado.

O coronel José Albuquerque disse que Luís Pereira foi levado à Central de Flagrantes de Teresina para ser interrogado e indiciado por crimes que ainda estavam sendo tipificados.

Entre os detidos estavam José Walter Rodrigues Pereira e K.S.C., de 25 anos, acusados de jogarem pedras na tropa de choque da Polícia Militar. Também foram detidos o ajudante de pedreiro Ronaldo Duarte de Oliveira, de 26 anos, e o carroceiro José Ronaldo Ferreira por conflito com policiais. José Ronaldo foi acusado de disparar rojões contra os policiais.

No momento da prisão, Luís Pereira disse que estava muito tranquilo. Ele declarou que estava indo por questão de segurança e que acreditava em Cristo.

Eu sou uma pessoa de Deus”, disse Luís Pereira. Em depoimento para a delegada de Proteção à Criança e ao Adolescentes, Andréia Magalhães, Luís Pereira disse que “Deus se equivocou”.

Para dispersar a população, a polícia jogou bombas de efeito moral e spray de pimenta. Muitas pessoas passaram mal com o efeito das bombas.

Por volta das 15 horas, a dona de casa Maria do Rosário Silva, 57 anos, saiu da casa e relatou que os seguidores estavam se preparando para o fim do mundo. Ela disse que acredita que Jesus Cristo está no corpo do profeta e que acredita nele. Maria do Rosário comentou que permanecem em oração. Dentro da casa, policiais do Rone apreenderam uma caixa de margarina contendo doce de caju com uma senhora. A preocupação é que poderia estar contaminado com algum produto tóxico.

Duas viaturas do Corpo de Bombeiros, de resgate e combate a incêndio entraram na Arca. O coronel Alberto Meneses, comandante de policiamento da capital, disse que foram empregados em torno de 50 homens e 10 viaturas na operação surpresa, deflagrada às 16 horas.

Duas mulheres tentam invadir a casa para retirar a mãe e o irmão. Maria Madalena Silva, de 39 anos, e Carmelita Aguiar dos Santos, de 40 anos, contaram que a mãe tem 58 anos e frequenta o local há 9 meses.

“Queremos retirar enquanto é tempo. A minha mãe está de juízo virado. Parece uma lavagem cerebral”, disse Maria Madalena.

Luís Pereira permitiu que conselheiros tutelares entrassem por duas vezes na Arca. O conselheiro tutelar José Welton Melo Soares, do Conselho Leste/Sudeste, disse às 16 horas que 40 pessoas estavam na residência porque alguns fiéis da seita tinha saído, mas novos fiéis tinham aderido ao fim do mundo.


Bom, esse é o artigo conforme noticiado. 

Mas, passando por um "filtro lovecraftiano" a notícia se transformaria em algo semelhante a isso: 

Cena de Horror, Profeta diz que "Seu Deus despertará!"
Aproximadamente mil pessoas cercaram as duas casas da seita, que Luiz Fortunato chamava de Tabernáculo e onde os seguidores esperavam ser arrebatados

Em depoimento na DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente), Luiz Fortunato, o "Profeta do Deus Adormecido", afirmou que "seu Deus irá despertar não importa o quanto tentem detê-lo" .


Fortunato responderá pelos crimes de incitação a desordem, cárcere privado, sequestro e assassinato.

O ex-vigilante Luiz Antonio da Costa Fortunato, de 43 anos, que se dizia profeta e há quatro anos pregava o juízo final, criou uma seita chamada "Discípulos do Deus Adormecido". A Seita contava com 131 seguidores, que se reuniram em duas casas no Sítio Universitário, na zona Sul de Teresina para realizar uma espécie de Ritual visando invocar seu Deus, às 16 horas de ontem - evento que segundo o "profeta", causaria o "fim da realidade como conhecemos". A Polícia Militar invadiu o Templo, dez minutos antes do ritual ser concluído.

Aproximadamente mil pessoas cercavam as duas casas da seita chamada "Tabernáculo do Deus Adormecido" onde se reuniriam os fiéis atraídos pelas "emanações psíquicas e sonhos reveladores" do Deus. Os seguidores esperavam ser arrebatados por "Crias Estelares", conforme o profeta havia sonhado quatro anos antes. Às 16 horas, vizinhos do templo começaram a jogar pedras no Templo e policiais da Tropa de Choque da Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone) foram chamados para intervir.

Os policiais fizeram um cerco ao Templo onde moravam os 131 seguidores da seita. Jogaram gás lacrimogênio, gás de pimenta e prenderam dez pessoas que reagiram com armas improvisadas a ação da tropa de choque. Também foi preso o seguidor da seita, “Zé da Águia”, apontado como sacerdote auxiliar do líder do culto.

O local virou uma praça de guerra. O tenente Tomé Stalin, da Rone, disse que as pessoas tentavam entrar na casa para linchar Fortunato. Muitos populares acusaram o alegado profeta e seus seguidores de raptar mulheres e crianças, para serem usadas nos rituais do culto. A seita já havia sido investigada pelas autoridades, mas nenhuma prova havia sido obtida até então ligando a seita aos casos de desaparecimento na região.

O coronel Gilmar de Mello, coordenador de Operações Especiais da Polícia Militar, tentou negociar com os seguidores da seita para que deixassem o Templo, mas suas ordens foram ignoradas. Sem opções, a Tropa de Choque recebeu ordem de invadir o lugar. No interior das casas encontraram uma cena dantesca: os seguidores do Culto dançavam e cantavam nus, com seus corpos pintados com sangue, evoluindo ao redor de uma horrenda estátua de pedra. A tal estátua "uma verdadeira abominação" nas palavras do coronel, representava o "Deus Adormecido do Culto" para o qual eles ofereciam adoração incondicional. A polícia encontrou quatro vítimas penduradas pelos pés em cordas que pendiam no teto do templo - os sacrifícios do tal Ritual de Despertar! 

O coronel Mello disse que 128 membros da seita foram capturados (sete destes feridos) e três acabaram mortalmente baleados durante a invasão após oferecer resistência à ordem de prisão. Todos os indivíduos foram levados à Central de Flagrantes de Teresina para interrogatório e indiciamento. Uma comissão está sendo formada para avaliar a responsabilidade criminal dos acusados, já que muitos apresentam sinais claros de perturbação mental.

Entre os mortos está o ex-detento Rodrigo Pereira Branco, de 25 anos, acusado de atacar os policiais militares quando estes entraram no Templo. Rodrigo portava uma faca curva de aparência incomum e vestia uma máscara de couro com tentáculos. Ele é apontado como um dos seguidores mais fiéis da seita e responsabilizado por vários sequestros na região. Também foram mortos o ajudante de pedreiro Romualdo Durante de Carvalho, de 26 anos, e o carroceiro João Siqueira. Siqueira foi acusado de ferir um policial com um facão. 

No momento da prisão, Fortunato que presidia o ritual estava muito tranquilo. Ele declarou que "o despertar de seu Deus é questão de tempo, se não através de seu culto, então através da ação de outros". Protegido pela polícia sob forte esquema de segurança ele foi escoltado à delegacia.

Sou um servo do meu Deus”, disse Fortunato repetindo aos gritos o nome quase impronunciável de sua divindade e bradando palavras em algum idioma desconhecido. Extra-oficialmente detetives que presenciaram o interrogatório se disseram profundamente abalados e afirmaram que o acusado obviamente sofre de algum tipo de doença mental grave. 

Fortunato e seus seguidores permanecerão presos aguardando triagem e avaliação psiquiátrica.

Para dispersar a população que tentou destruir o templo, a polícia jogou bombas de efeito moral e spray de pimenta. Muitas pessoas passaram mal com o efeito das bombas.

A dona de casa Monica Ramalho da Silva, 57 anos, contou que dese o início do dia havia algo estranho acontecendo no local. Muitos contaram ter ouvido gritos, batuque de tambores, cantos em alguma língua desconhecida e horríveis sons vindos das casas.

No interior do Templo, policiais do Rone recolheram objetos que eram usados pelo culto em seus rituais: estranhos candelabros com velas negras, estatuetas e máscaras bizarras, além de um antigo livro de páginas amareladas escrito em latim. Foi encontrada ainda uma garrafa contendo bebida alucinógena. É possível que os fiéis tenham compartilhado esse coquetel e que ele tenha provocado alucinações. A estatua do "deus" foi encaixotada e será remetida para a Delegacia a fim de servir como prova. Não foi permitido fotografar nenhum desses objetos.   

Duas viaturas do Corpo de Bombeiros, de resgate e combate a incêndio foram usadas na operação no "Tabernáculo do Deus Adormecido". O coronel Augusto Maciel, comandante de policiamento da capital, disse que foram empregados em torno de 50 homens e 10 viaturas na operação surpresa.

Duas mulheres, parentes de crianças desaparecidas tentaram invadir a casa. Beatriz Silva, de 39 anos, e Carmem Albuquerque, de 40 anos, contaram que seus filhos e sobrinho, respectivamente estão desaparecidos há mais de uma semana. Elas acreditam que a Seita esteja envolvida nesses crimes. 

Queremos saber o que aconteceu. Eles são loucos capazes de fazer qualquer coisa. São fanáticos! O Profeta deles é o próprio diabo, ele fez lavagem cerebral em cada um”, disse Carmem.

Médicos legistas estão realizando procedimento de perícia técnica no Templo. Até o momento não foram reveladas as identidades das vítimas da seita, os corpos foram transferidos para o Instituto Médico Legal. Há rumores de que o quintal estaria sendo escavado pela polícia em busca de ossadas  enterradas naquele local, o porta-voz da polícia não negou ou confirmou esses boatos. 


Notas:

Obviamente os nomes dos envolvidos foram alterados.

Embora a notícia seja semelhante, os acontecimentos descritos no segundo artigo, foram totalmente inventados não correspondendo a nenhum incidente realmente ocorrido.

No mais fica a máxima: "A ficção de hoje, é a realidade de amanhã e vice versa".

Mais sobre cultos?





domingo, 14 de outubro de 2012

Cinema Tentacular: The Tall Man - Mistério e reviravoltas em um suspense acima da média


Vamos direto ao assunto para que ninguém faça confusão:

"The Tall Man" NÃO é um filme de terror. 


A forma como este filme vem sendo comercializado e o fato dele ser dirigido pelo francês Pascal Laugier, leva a esperar que esse filme seja um terror da melhor espécie, uma experiência perturbadora como MARTYRS filme de 2008 também dirigido por Laugier. A propósito, ele vem sendo cotado para a refilmagem de "Hellraiser", o que me parece ser uma boa idéia.

Eu assisti ao trailer antes de ver o filme e sinceramente não tem como afastar a sensação de que "The Tall Man" tem sido  falsamente vendido como horror, mesmo que, na verdade, ele esteja mais para um drama com generosas pitadas de suspense. Francamente, quem olha para o cartaz aí em cima, não tem dúvida sobre o gênero do filme. Além disso, muita gente tem comentado erroneamente que o monstro nesse filme seria o Slender Man, a famosa lenda urbana. Mas não! Esse é mais um rumor infundado e quem for esperando por isso, vai ficar chateado.

Mas então, se "The Tall Man" não é horror e nem trata de monstros sobrenaturais, porque ele está recebendo uma resenha no Mundo Tentacular (que é um Blog de horror?).

Para começo de conversa, "The Tall Man" é um filme muito interessante a respeito de como a impotência, o medo e a paranóia podem desestabilizar a população de uma pequena comunidade. A maneira como a desesperança é retratada nesse filme faz com que a gente sinta até uma certa claustrofobia. É um filme que pode não tratar de monstruosidades sobrenaturais, mas não deixa de ser bastante assustador ao seu modo.

O resumo da ópera é o seguinte:


 A pequena cidade de Cold Rock, no estado de Washington é o cenário sombrio em que se passa "The Tall Man". A cidade enfrenta uma série de graves problemas. Após o fechamento da mina de carvão que empregava a maioria dos moradores, Cold Rock afunda em dificuldades econômicas, sofrendo com a falta de recursos e perspectivas futuras. Aqueles que podiam, foram buscar a sorte em outro lugar, os que ficaram, sofrem com a lenta decadência da cidade na forma de uma escalada no crime, miséria e no sentimento geral de desesperança. Para piorar esse quadro de desalento, crianças da cidade estão desaparecendo das ruas, quintais e até mesmo de seus próprios quartos.



Teorias não faltam para explicar o que está acontecendo. Molestadores de crianças! Sequestradores! O diabo! Ou talvez seja o Tall Men (o homem alto), uma lenda urbana de Cold Rock: uma figura misteriosa que supostamente sequestra meninos e meninas e as leva para a floresta ou para as profundezas da mina desativada. Seja o que for, crianças continuam sumindo e uma vez desaparecidas, jamais são vistas novamente.

A Enfermeira Julia Denning (Jessica Biel), veio de fora da cidade e não acredita em lendas urbanas. Ela é a única pessoa com treinamento médico que restou em Cold Rock depois que seu marido, o médico da cidade, morreu anos atrás. Apesar das dificuldades e limitações, ela heroicamente ajuda os membros da comunidade local, faz visitas na casa de seus clientes, se preocupa com os pacientes e estende a mão para ajudar quem estiver com problemas. Todos gostam dela e dentro do possível ela é feliz. 


Julia vive em uma casa próxima da floresta, com seu filho David, que ela obviamente adora e com quem se preocupa. Em suma, ela é a antítese de Cold Rock: uma figura generosa, atenciosa, perseverante em uma atmosfera de apreensão desprovida de qualquer esperança. Numa bela noite, após beber um pouco além da conta, Julia é despertada por um rádio bradando uma série de furiosos sermões religiosos. Ao chegar na cozinha para ver o que está acontecendo, descobre que sua babysitter foi agredida e amarrada e que há um invasor dentro de casa. David é carregado por uma figura mascarada e sinistra. Naturalmente, Julia tenta de tudo para deter o sequestrador e dá início a uma perseguição de roer as unhas.



Por alguns instantes o filme brinca cruelmente com o medo de todos pais. Ter o filho sequestrado por um estranho bem diante de seus olhos e ser incapaz de deter essa pessoa por mais que tente. Sabe aqueles pesadelos em que você tenta alcançar uma pessoa e jamais consegue chegar perto o bastante? Pois é, a sequência do sequestro se estende por longos minutos, nos quais a personagem tenta de tudo para reaver seu filho e sempre que está perto falha por centímetros. 

O que se segue é um turbilhão de acontecimentos e a construção de um mistério que vai se tornando cada vez mais complexo. Lá pelas tantas, tudo o que imaginamos ser verdade acaba virado de cabeça para baixo. O sequestrador, é claro, não é o Homem Alto, mas isso não significa que o Homem Alto não exista. Logo descobrimos que existem mais segredos ocultos do que se possa imaginar e que os moradores de Cold Rock parecem estar escondendo algo. O roteiro consegue criar uma excelente estória, e quando você está confortável com o que sabe, há uma reviravolta que deixa o espectador totalmente perdido e sem fôlego. 

De certa forma, "The Tall Man" parece dois filmes absolutamente diferentes em um. A partir da reviravolta inesperada, o panorama se altera, um filme convencional de suspense, torna-se algo mais profundo e com implicações morais tratando de temas como segunda chance, comprometimento e escolhas.


Eu imagino que nem todo mundo vai gostar do final, eu mesmo tive impressões contraditórias ao terminar de assistir. Por um lado achei interessante, por outro fica uma certa frustração difícil de afastar. Realmente eu gostaria que o desfecho fosse mais bem amarrado e explicado com mais detalhes, acho que a maneira como ficou, deixa um pouco a desejar. Além disso, seria interessante que o roteiro falasse um pouco mais sobre a tal lenda do Homem Alto e como ela influenciou a pequena comunidade.

Apoiado por um elenco afinado que conta com William B. Davies (o canceroso de Arquivo X) e com Jessica Biel na melhor atuação da sua carreira, "The Tall Men" está acima da média, mas é preciso deixar claro: não é um terror convencional.

Trailer:

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Resenha de outros Filmes Tentaculares:





sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Algo estranho nos céus - Na Idade Média a Verdade já estava lá fora!


Adaptado de um artigo do site Io9


A Arte Medieval às vezes pode ser surpreendente, com suas cores ricas e temas expressivos. Ela é um dos melhores registros dessa era conturbada. Mas, às vezes, ao apreciar essas obras você é pego de surpresa ao perceber a presença de coisas inusitadas no fundo das imagens. Coisas que ninguém esperaria encontrar em um quadro do século XIV, como por exemplo, objetos voadores.
É incrível como a arte desse período é frequentada por imagens desses estranhos objetos, vagando pelos céus como testemunhas dos importantes acontecimentos retratados. Em vários quadros eles podem ser vistos: discos reluzentes lançando raios ou veículos esféricos flutuantes.


Imagine que você está andando pelas ruas de Metohia, na República da Sérvia e decide visitar o Mosteiro Decani Visoki, um prédio que atrai milhares de turistas anualmente. Você se deixa envolver pela atmosfera medieval, examinando a bela arquitetura do prédio, construído em 1330 para hospedar o sarcófago de madeira pertencente ao Rei Stefan. A medida que avança na direção do altar, sua atenção é atraída para o magnífico afresco acima dele retratando a crucificação de Cristo. A placa informa que o painel foi concluído no ano de 1350. Observando com um pouco mais de atenção, é impossível deixar de perceber algo deslocado na imagem. Algo que não parece certo. 

No alto dela, há um tipo de objeto voador, uma espécie de bola de fogo reluzente emanando luminosidade e que carrega em seu interior uma pessoa enquanto voa pelo céu. Muitos supõem que se trata da representação de um cometa, cuja cauda deixa um rastro atrás de si, mas outros poderiam insinuar que parece um veículo tripulado voando velozmente.



Mas isso não é tudo! Do outro lado, no mesmo afresco, há uma representação curiosa, uma espécie de embarcação arredondada com um cone pontudo na frente (semelhante a um foguete?) e uma espécie de cockpit onde viaja outra figura humana. Na parte de trás desse "veículo" há três pontas que parecem suportes de pouso. A forma e estética são tão familiares e contemporâneas que é impossível ver a imagem e tratá-la como algo além de uma nave espacial.

Muitos tentam descreditar as imagens afirmando que elas poderiam representar anjos ou outras entidades celestiais, contudo duas características tradicionais dos anjos retratados no período não estão presentes: asas e auréolas. Além disso, quem já ouviu falar de anjos usando algo além de suas asas para voar? E que símbolo curioso em forma de estrela seria aquele na fuselagem de um dos veículos? O que ele representa e de onde o artista tirou a inspiração para criá-lo?

Essa é uma das pinturas mais famosas de OVNIs presentes na arte medieval e renascentista, mas está longe de ser a única obra apresentando algo estranho no céu. Há outras obras igualmente enigmáticas.

No impressionante quadro intitulado "O Batismo de Cristo" do artista flamenco Aert De Gelder, pintado em 1710 pode-se ver claramente um objeto prateado e arredondado, lançando o que parecem ser luzes sobre João Batista e Cristo às margens do Rio Jordão. Os personagens centrais são totalmente iluminados por essa luz que obviamente emana desse objeto. O que teria inspirado o artista a pintar tal coisa que não é mencionada nas escrituras?



Na galeria do Palazzo Vecchio de Florença, existe um famoso quadro da Escola Lippi, cujo autor permanece desconhecido. Chamada de "A Virgem com Santo Giovannino" a pintura à óleo data do século XV. Sobre o ombro esquerdo da Virgem Maria pode ser visto um objeto brilhante em forma de disco, flutuando no céu sem nuvens.



Examinando com mais cuidado, é possível perceber um homem mais atrás, que observa o objeto cuidadosamente, inclusive protegendo os olhos com a mão para vê-lo com mais clareza. De qualquer perspectiva, o objeto parece estar em uma posição de observação da cena. Ao lado do homem, há um cão de boca aberta que também olha para o céu. O animal parece estar latindo, como se estivesse estranhando aquele estranho objeto. 

Outra coisa que chama a atenção é a presença de uma silhueta ao lado do observador e do cão. Essa silhueta encontra-se borrada como se tivesse sido retocada várias vezes ou até mesmo ocultada. O que seria originalmente esta forma nebulosa?


Em meados de 1400, o artista florentino Masolino de Panicale pintou "O Milagre da Neve", obra que atualmente adorna a Igreja de Santa Maria Maggiore. Ela mostra Jesus e a Virgem Maria em uma espécie de nuvem lenticular (chata e circular), quase como uma imagem projetada nos céus. Abaixo deles, uma frota de estranhos objetos em forma de disco parecem escoltá-los preenchendo o horizonte com sua presença inexplicável.


Esta pintura de autoria desconhecida adorna um gaveteiro e peça de mobiliário pertencente ao Conde D'Oltremond um nobre da Bélgica. Trata-se de uma obra do século XVII, que detalha Moisés recebendo as tábuas contendo os Dez Mandamentos. Moisés é retratado com chifres de fogo em seus cabelos, um erro comum de interpretação de uma passagem da Bíblia que reputa ao patriarca essa estranha peculiaridade. Mais estranho, no entanto são os objetos voadores na paisagem atrás dele. Alguns destes objetos parecem ter uma forma arredondada e deixam um rastro de luz a medida que passam. 


Essa obra também é muito conhecida e causa uma impressão inquietante. Chamada de "A Anunciação com Santo Emidio" ela foi pintada por Carlo Crivelli em 1486 e está atualmente em exposição na Galeria Nacional de Londres. A cena retrata o momento em que a Virgem Maria recebe a notícia que será a mãe do Salvador Jesus Cristo, um momento importante na história da cristandade.


Muitas coisas curiosas parecem estar acontecendo ao mesmo tempo nessa tela à óleo. Um objeto voador prateado aparece no céu e lança uma espécie de raio luminoso que atravessa a parede da casa e atinge a cabeça de Maria. Para muitos seria Deus ou o Anjo Gabriel dando a Maria ciência de que ela havia sido escolhida. É curioso que na Bíblia, a anunciação ocorre com o Anjo manifestando-se fisicamente, não através de um misterioso raio luminoso lançado por um objeto em forma de disco. 

Além disso, a Bíblia não cita testemunhas desse acontecimento. No entanto, no alto dos prédios vizinhos pessoas observam o estranho objeto e apontam para o céu como se intrigadas se perguntassem "o que é aquela forma estranha"?

O quadro possui além disso uma série de símbolos enigmáticos e glifos de origem desconhecida que ainda confundem os especialistas e criptólogos.


No detalhe, é possível perceber que o objeto claramente tem um formato de disco e que o raio de coloração amarelada é projetado a partir dele na direção da virgem que de nada suspeita. O céu também parece agitado, as nuvens estão fora de lugar como se a presença do objeto tivesse de alguma forma perturbado os céus. Talvez seja isso que as pessoas observam impressionadas.

É interessante notar que em quase todo esses quadros, é dia e as condições de observação do firmamento são boas permitindo uma visão privilegiada dos objetos. Eles não parecem se esconder em momento algum.


A "Assunção da Virgem" de autor desconhecido, mas datado como sendo de meados de 1490. Essa gravura mostra intrigantes "nuvens" no formato de discos. Poderiam tantas formas voadoras curiosas surgir de uma única vez nos céus? O que esses objetos estariam fazendo nos céus e qual o interesse deles em testemunhar acontecimentos importantes nas escrituras cristãs.

Mas não apenas cenas religiosas apresentam inexplicáveis formas voadoras nos céus. Existem pinturas medievais e renascentistas em que tais objetos são retratados detalhadamente, cenas que se referem a avistamentos de coisas inexplicáveis vagando pelos céus, criando confusão e pânico em testemunhas estupefatas.



Essas duas tapeçarias francesas são contemporâneas do século XV. Ambas estão em exposição na Basílica de Notre Dame em Beaune, Burgundia e mostram cenas do cotidiano de damas da mais alta nobreza. As duas mostram também objetos em forma de chapéu que podem ser vistos claramente voando no céu. O que representariam esses objetos não identificados e não relacionados com nada que pudesse existir na época em que a obra foi realizada?


Apesar dos objetos aparecerem de modo discreto, é impossível que as pessoas na imagem não  percebessem sua presença. Elas parecem não se importar com sua aparição.    



Essa tela de Samuel Coccius também é bastante conhecida por retratar um acontecimento inexplicável que teria sido testemunhado por uma multidão de pessoas na cidade de BaselSuíça em 1566. Segundo cronistas da época inúmeros globos flamejantes cortaram os céus, sendo perseguidos por outros globos de coloração escura. Houve uma espécie de batalha aérea sobre a cidade com estrondo semelhante a trovões e explosões como nunca antes vistas.


O fenômeno permaneceu por várias horas deixando a população em pânico. De repente, os globos convergiram para o céu e desapareceram sem deixar rastro.  

Vários estudiosos e autoridades religiosas deliberaram sobre o que havia acontecido e chegaram a enviar um ofício para o Arcebispo pedindo orações e proteção. A tela de Coccius representa o que os moradores de Basel viram naquele estranho dia. Atualmente ela se encontra na Coleção Wickiana, na Biblioteca Nacional de Zurique.



Um fenômeno semelhante dominou os céus da cidade de Hamburgo, na Alemanha em 4 de novembro de 1697. Enormes objetos descritos por testemunhas como "grandes rodas brilhantes de carruagem" surgiram nos céus girando e fazendo vôos rasantes sobre os prédios.




Testemunhas escreveram na época que as pessoas saíram às ruas para ver os estranhos objetos que iluminavam a noite e que puderam ser vistos até as primeiras horas da manhã. Alguns destes objetos eram muito grandes e observadores com lunetas afirmaram que eles eram feitos de metal. 




Muitos estudiosos supõem que o fenômeno tenha sido algum tipo de chuva de meteoros, contudo cientistas da época já conheciam esse fenômeno celestial e se mostraram estupefatos, afirmando categoricamente que não eram meteoros o que cruzou os céus de Hamburgo naquela data. 





Essa imagem pertence a um manuscrito do século XII, os "Annales Laurissenses" uma série de crônicas que relatam experiências de guerra e acontecimentos importantes durante a campanha dos saxões contra seus oponentes, os normandos. O trecho relevante se refere ao cerco do Castelo de Sigisburg, na França no ano de 776. Os saxões haviam cercado totalmente o castelo e aguardavam a rendição do inimigo, quando estranhas luzes iluminaram a noite. O cronista responsável pelas anotações descreveu as luzes como enormes "escudos flamejantes" que voaram sobre as tropas saxônicas lançando luzes e fazendo sons apavorantes. Acreditando que as luzes defendiam a cidade, o cerco foi levantado e os saxões abandonaram a área. Curiosamente, os habitantes do Castelo acreditavam que os saxões haviam enviado aqueles estranhos objetos para atacá-los e estavam prestes a oferecer rendição.





A forma desses curiosos objetos voadores é inquietante. É possível perceber o formato deles, realmente como um escudo (metálico e chato) ou uma espécie de disco luminoso que deixava um rastro a medida que passava. O cronista afirma que os objetos brilhavam mais do que a lua e as estrelas, o que causou pânico nos soldados e animais. 




Finalmente um avistamento curioso e mais recente, ocorrido em 18 de agosto de 1783 e descrito pelo observador da Real Academia, Matthew Hurley.

Segundo Hurley, testemunhas que observavam o céu noturno do terraço do Castelo de Windsor viram luzes coloridas surgir repentinamente Essas luzes se aproximaram o suficiente para que as pessoas pudessem perceber que elas emanavam de estranhos objetos oblongados que se moviam atrás das nuvens. Uma série de objetos menores parecendo globos de luz azulados muito intensos se desprenderam desse objeto maior e voaram por vários minutos subindo e descendo. Em alguns momentos eles descreveram vôos rasantes sobre a cidade iluminando o povoado como se fosse dia. Após vários minutos de evoluções, os objetos retornaram a nuvem que se afastou até desaparecer na linha do horizonte.    

O fenômeno foi tão impressionante que o observador real contratou um artista chamado Thomas Sandby para fazer um desenho retratando tudo o que foi visto pelas testemunhas. O desenho foi enviado a Londres e apresentado para outros cientistas e curiosos que não conseguiram explicar o que eram as luzes.
Diante de todas essas imagens e descrições fica a questão central: o que poderiam ser esses objetos misteriosos, registrados desde a antiguidade por artistas e curiosos?

A impressão é que coisas estranhas sempre foram vistas nos céus, desafiando explicações razoáveis. 

É possível que jamais venhamos a entender inteiramente esses fenômenos, a não ser que em algum momento um desses estranhos objetos decida se revelar abertamente. E nesse caso, é bem provável que a reação inicial da humanidade fosse semelhante a dos nossos antepassados medievais/renascentistas... uma inquietante sensação de medo e desconfiança diante do desconhecido.

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terça-feira, 9 de outubro de 2012

"Achtung! Cthulhu" I Mythos, Segunda Guerra e Missões Secretas atrás das linhas inimigas


É curioso notar que, mesmo após 30 anos e de possuir inúmeros trabalhos publicados por vários editores, Call of Cthulhu jamais teve um suplemento especificamente dedicado a Segunda Guerra Mundial.

O leitor que conhece as publicações para Call of Cthulhu pode contestar essa afirmação uma vez que o cenário "Where the Byakhee Dare" (ótimo título por sinal!) da monografia "Toying with Humans" e outros quatro cenários em "Shadows of War", transcorrem durante o conflito. Mas todos fazem parte das Monografias e, portanto, só estão disponíveis para venda através da Chaosium. Além disso estou falando de suplementos. O cenário "Dig for a Dead God" também trata de nazistas às voltas com uma ruína na África, mas esse é apenas um pequeno fragmento de uma mini-campanha. A Pagan Publishing, foi um pouco mais longe e contou a estória suja do envolvimento do Mythos na guerra, ao tratar de Delta Green. Contudo, o foco da ambientação não é propriamente a Guerra e sim o estranho mundo construído a partir da nova ordem mundial nascida das ruínas da guerra.


De fato, a Segunda Guerra sempre foi um território pouco explorado pelas ambientações cthulhianas. O que é estranho, se você considerar como tal conflito desperta o interesse de jogadores e mestres. Quem não adoraria eliminar nazistas/cultistas em pleno maior conflito da História Humana?

Bem, para quem sempre quis saber o que teria acontecido nesse período e conhecer uma interpretação histórica sobre como nazistas e aliados se enfrentaram no campo do paranormal, aqui está um jogo que foca exatamente nessas questões.

"Achtung! Cthulhu - Zero Point Part 1 - Three Kings", é o primeiro lançamento de uma nova editora, a Modiphius Press. A linha "Achtung! Cthulhu" promete ação incessante, tiroteios em campos de batalha e apresenta a "guerra secreta" contra nazistas em busca de mistérios aterrorizantes, máquinas de guerra lendárias e pactos com criaturas absurdas. Os editores prometem várias campanhas, sendo "Três Reis", apenas a primeira delas. O cenário está disponível por enquanto apenas em formato PDF no sistema BRP de Cthulhu, contudo versões para Savage Worlds, Trail of Cthulhu, e, eventualmente, em um sistema próprio da Modiphius, estão nos planos.

Tecnicamente, "Achtung! Cthulhu - Zero Point Part 1"  não se passa durante a Segunda Guerra Mundial, mas poucos meses antes do início oficial do conflito. A aventura se inicia alguns meses depois da Invasão alemã à Tchecoslovaquia. O governo britânico sabe que a guerra com a Alemanha é inevitável e concede refúgio aos governantes tchecos que se exilou em Londres.

Alguns Membros da Resistência Tcheca (os Três Reis do título) compartilham com o Serviço Secreto Britânico algumas informações assustadoras. Os nazistas parecem estar realizando algum tipo de experiência paranormal no Castelo Karlstein, nos arredores de Praga. Essas experiências envolvem forças sobrenaturais e o uso de prisioneiros como cobaias. Os ingleses decidem formar um órgão altamente secreto, a "Seção D", cuja função é tratar desse tipo de ameaça. Um grupo é montado às pressas para uma incursão em território ocupado a fim de averiguar as informações. Sua missão é saltar de para-quedas atrás da linhas, contatar os membros da resistência e determinar o que está acontecendo por detrás dos muros do Castelo.

A estrutura do cenário é bem aberta, quase um freeform. Entre o início da aventura, com o briefing da missão em Londres até o desfecho dentro do Castelo Karlstein, os investigadores tem liberdade para agir como bem quiserem. O Keeper recebe as informações necessárias para cobrir qualquer curso de ação que os jogadores escolham tomar. Isto inclui um farto material de apoio que detalha a área em torno do Castelo Karlstein, as forças inimigas e quem são os membros da resistência. Caberá ao grupo planejar a invasão de acordo com o que eles próprios descobrirem. 

O material de suporte inclui Mapas e Handouts informativos, simulando documentos de época, bem como quatro personagens prontos que podem ser usados pelos jogadores. O livro apresenta algumas habilidades adicionais (típicas para cenários de guerra), novas ocupações, como Agente da Inteligência e Comando Militar, e regras adicionais que cobrem o uso da tortura e interrogatório. Por fim, sugestões são dadas quanto à forma de executar o cenário com personagens que não são membros da Inteligência Britânica.

Disponível como um PDF com 44 páginas, o arquivo de 22 MB em cores é um suplemento muito bem feito. Ele custa $9.99 na página oficial da Modiphius.

Visualmente, a arte interna é agradável e remete à época em que se passa o cenário, sem grandes novidades. Os Handouts e Mapas, no entanto são excelentes. Eles conseguem captar o clima de uma missão militar secreta e o espírito de filmes de guerra/espionagem como "Os Canhões de Navarone" ou "O Desafio das Águias" (e, porque não, Bastardos Inglórios).

Infelizmente, "Achtung! Cthulhu" não é perfeito. A trama em si está longe de ser original, mas, sem dúvida, um grupo dedicado a viver esse tipo de estória irá conseguir compensar o lugar comum do roteiro. Além disso, este é apenas o cenário introdutório de uma campanha, projetado para situar os jogadores e o keeper no contexto e para deixar aquele "gostinho de quero mais" para a sequência. Nesse sentido, a aventura consegue atrair os jogadores e fazer com que eles queiram saber como as coisas vão terminar. 


Um dos problemas mais sérios com o cenário é que o tom não combina inteiramente com as regras básicas do BRP. O tom excessivamente pulp da aventura não se encaixa bem nas regras, e como resultado, é bem provável que boa parte do grupo (talvez todos personagens) acabem mortos. Há muito mais ação do que investigação, mais violência do que persuasão aguardando o grupo. As cenas envolvem ataques coordenados, armadilhas e confronto direto contra inimigos muito bem armados. E qualquer jogador veterano de CoC sabe como um tiroteio pode ser letal.

Indiscutivelmente, o sistema Savage Worlds é uma opção mais adequada a essa aventura. Ele permite aos personagens momentos de heroísmo gratificante quando balas começarem a zunir e granadas explodirem por todo lado. Talvez a ação desenfreada desanime alguns jogadores mais conservadores, mas para os jogadores que sempre desejaram ter acesso a armas realmente potentes, o cenário oferece uma sand box quase ilimitada. E não estou falando de acesso a espingardas e metralhadoras, mas a bazucas e tanques de guerra! Para os fãs do game "Operation Wolfenstein" ou dos quadrinhos de Hellboy, essa aventura é mais do que recomendada.  


"Achtung! Cthulhu" reúne dois elementos de vilania clássica - nazistas e o mythos no mesmo balaio de gatos. Ele estabelece bases promissoras para campanhas empolgantes envolvendo duas das forças mais nefastas a ameaçar o mundo e a chance de frustrar seus planos malignos. É o tipo do jogo que permite descer o dedo no gatilho no inimigo e fazer buracos sem piedade (ou remorso) nas aberrações tentaculares e nos malditos chucrutes. Afinal de contas, todos eles merecem! 

A Modiphius parece ter começado com o pé direito, vamos esperar que ela continue nesse caminho e que seus próximos lançamentos atinjam a expectativa criada.