quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Rápido! Divertido! Furioso! - Savage Worlds vem aí!


Quem acompanha o lançamento de livros no mercado de RPG brasileiro deve saber que a editora Retropunk anunciou recentemente que irá publicar o excelente SAVAGE WORLDS. A venda do livro já se iniciou em sistema de Financiamento Coletivo, onde os interessados fazem a compra do volume que será publicado quando a meta estabelecida de arrecadação for atingida. No caso do Savage World a meta fixada já foi ATINGIDA e ULTRAPASSADA. Daqui para frente, a editora sinaliza com várias "recompensas" a cada valor alcançado.

Para mais informações, basta clicar no link abaixo e assistir o vídeo do Guilherme Morais:


Mas o que exatamente é o Savage World?

O Livro Básico que a Retropunk lançará é a última edição que contém as regras do sistema que abre as portas para aventuras em vários cenários.
Escrito pelo premiado autor de RPG Shane Lacy Hensley, Savage Worlds tem a proposta de ser um sistema: Divertido! Rápido! Furioso! (Fun! Fast! Furious!).

De fato, Savage Worlds é fácil de aprender, gostoso de jogar e empolgante. As resoluções privilegiam a rapidez e agilidade da narrativa, dando espaço para o mestre improvisar e conduzir as estórias de forma emocionante e dramática. O sistema tem tudo para ser o lançamento do ano, ganhar admiradores e arregimentar uma legião de fãs aqui no Brasil.

A grande vantagem do Savage World é que o Narrador pode situar as suas aventuras em qualquer ambientação que deseje. Desde o clássico fantasia medieval, passando por um cenário de guerra contemporâneo, pelo Oeste Selvagem ou quem sabe situando a ação em um futuro muito distante com viagens espaciais, raças alienígenas e armas de laser. Todas opções são viáveis!

Já escrevemos anteriormente aqui no Mundo Tentacular a respeito de uma das ambientações prontas usando o engine (sistema) Savage World. Estou me referindo ao deslumbrante livro "The Savage World of Solomon Kane" que foi resenhado aqui no Blog em 2009.

De lá para cá, a Pinnacle Enterteinment Group - editora americana responsável pelo jogo - lançou diversas outras propostas de cenário. Eu tive a oportunidade de jogar e narrar algumas delas. Cenários em Deadlands Reload, por exemplo, a versão com regras de Savage World para a clássica ambientação de Faroeste Bizarro. Além de Deadlands, joguei Slipstream (que trata de ficção científica), Rippers (sobre caçadores de monstros às voltas com vampiros, lobisomens e outros horrores góticos) e Pirates of the Spanish Main (a respeito de pirataria nas grandes rotas de navegação do século XVI). É claro, o lançamento do Savage Worlds em português também será a oportunidade que eu vinha esperando para reativar minhas aventuras de Sundered Skies, uma ambientação de fantasia medieval se passando em um mundo destruído no qual os sobreviventes (humanos, elfos, anões) vagam em embarcações voadoras, singrando o vazio espacial e vivem aventuras explorando o que restou.

Mas as opções não param por aí... Savage World permite a utilização de seu sistema de regras em praticamente qualquer ambientação. Isso quer dizer que o único limitador para a diversão é a imaginação do mestre e dos seus jogadores. Se você quer adaptar Vingadores para sua mesa de jogo isso está ao seu alcance. Se você quer fazer um jogo inspirado em Matrix, Walking Dead, Game of Thrones... tudo isso pode ser alcançado com algumas adaptações das regras genéricas.

Para quem quer conhecer um pouco mais sobre o Savage Worlds, a Retropunk publicou uma resenha assinada por Diogo Nogueira na última edição da RolePunkers ( http://www.mediafire.com/?51hs7l69ib948vz ).

Também é possível baixar um Test Drive gratuito do jogo para conhecer os principais pontos da mecânica ( http://www.peginc.com/freebies/SWcore/TD06_Portuguese.pdf )

Para quem tem facilidade com o idioma inglês, aqui está a resenha do Game Geeks como mestre Kurt Wiegel no qual ele fala sobre a primeira edição do Savage Worlds (e Deadlands):



E aqui uma video resenha do Livro em sua Edição Especial, exatamente a que a Retropunk irá lançar:


Pessoal, Savage World vale a pena ser conhecido, testado, mestrado e jogado. Altamente recomendado e enormemente sugerido para qualquer grupo que busca horas de entretenimento e diversão numa mesa de jogo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Misterioso Cilindro gigante mergulha em Vulcão no México - O que seria esse enorme objeto?


Na quinta feira passada, dia 26 de outubro um fenômeno estranho e que permanece sem uma explicação razoável ocorreu no Sul do México.

As câmeras do canal de televisão TELEVISA estavam filmando continuamente a cratera do vulcão Popocatéptl que apresentava atividade sísmica quando de repente, algo se precipitou do céu em alta velocidade, aparentemente mergulhando na cratera e desaparecendo sem deixar vestígios.

O objeto brilhante em forma de cilindro poderia ser um avião ou mesmo um satélite, contudo os especialistas que analisaram o vídeo não conseguiram chegar a uma conclusão quanto a sua origem e tragetória. Não há uma confirmação de onde ele veio e a filmagem nãomostra sua tragetória original. Um objeto em queda livre a essa velocidade deveria causar uma imediata reação ao cair, o que no entanto não ocorreu. O objeto parece desaparecer logo depois de mergulhar na cratera fumegante.

Ainda segundo os especialistas que analisaram o vídeo, o misterioso objeto teria algo em torno de um quilômetro de comprimento por 200 metros de largura. É um corpo cilíndrico luminoso que emite uma sombra bastante distinta.

Membros da União Astronômica Internacional assistiram ao vídeo e se mostraram intrigados pelas imagens. Os cientistas descartaram que possa se tratar de material incandescente expelido pelo vulcão regressando ou algum tipo de meteorito em tragetória descendente. Algumas características chamaram a atenção dos astrônomos, como o fato do objeto possuir uma linha reta bem definida e bordas brilhantes de diferentes cores. Um detalhe curioso é que o objeto não parece interagir com os gases e fumaça em torno da boca do vulcão.

Observadores comentaram que o objeto é apenas mais um inusitado evento captado no topo do Vulcão Popocatéptl. Desde o dia 15 de outubro, quando o vulcão começou a apresentar atividade, luzes estranhas e misteriosos objetos voadores foram vistos na área. Moradores dos arredores contaram que objetos voadores sobrevoando o cume do vulcão são relativamente comuns, sobretudo quando o Popocatéptl está ativo.

Especialistas afirmaram que o vídeo poderia ter sido manipulado ou que a imagem seria um defeito de filmagem. Uma única imagem, segundo os cientistas, não é suficiente para corroborar um fenômeno. Não obstante, a UAI está realizando estudos e vigilância contínua na área tentando descobrir indícios do que pode ter acontecido.

Abaixo, o curioso vídeo apresentado pelo canal Televisa em seu programa jornalístico:



Tudo bem. Tem a maior cara de ser um daqueles HOAX monstruosos...

Mas de qualquer forma é algo que não se vê todo dia. Um objeto desse tamanho é no ínimo inusitado, ainda mais quando é captado por uma rede de televisão (não por um cinegrafista qualquer) que afirma categoricamente não ter havido manipulação de qualquer natureza. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Resenha de "Mysteries of the Worm" - Coletânea de Contos do mestre Robert Bloch



Iä, Iä Cultistas,

Escrevi uma resenha do livro "Mysteries of the Worm" editado pela Chaosium contendo uma farta coletânea de contos escritos por Robert Bloch. Pouco depois de concluir o trabalho - Oh, desgraça das desgraças!!!! - meu computador (essa máquina demoníaca idealizada, engendrada e patenteada por Nyarlathotep) deu pau e perdi tudo.

Há poucas coisas piores do que perder o trabalho escrito dessa forma... você até é capaz de lembrar trechos do que escreveu, mas é quase impossível escrever exatamente igual. E o exercício de tentar lembrar de algum trecho exatamente como estava sempre resulta em frustração.

Assim sendo, vou tomar o caminho dos fracos e nem tentar fazê-lo...

Por outro lado, eu não deixaria de fora dessa série de artigos sobre o Bloch, a resenha de um livro que contém seus mais importantes contos dentro do Mythos. Por isso, fui atrás de uma resenha pronta e BINGO! Encontrei uma escrita por W(illum).H(opfrog). Pugmire um conhecido autor devotado aos Mythos e um completo maluco que se define como "a rainha do horror ancestral" (e que é ainda identificado como uma rainha diva do punk rock).

De um modo geral, a resenha dele (dela?) é bem parecida com o que eu tinha pensado e ele (ela?) consegue ser mais conciso e direto ao ponto. Pugmire é uma figura, quem não conhece deveria buscar seus contos para obter uma visão contemporânea do Mythos.

Ficamos então com essa resenha que eu tomei a liberdade de traduzir.
por W.H. Pugmire
Robert Bloch escreveu alguns dos melhores contos de ficção fantástica de todos os tempos, e algumas de suas pérolas mais raras estão presentes nesta coleção. Estou me referindo a terceira edição, nova e ampliada, publicada em 2009. Esta edição inclui um novo prefácio escrito pelo editor Robert M. Price, e quatro contos adicionais que não foram incluídos nas duas primeiras edições: "The Opener of the Way", "The Eyes of the Mummy", "Black Bargain", e "Philtre Tip". O prefácio curto é seguido por um ensaio maravilhoso intitulado "Sobre o De Vermis Mysteriis". Aqui, Bob Price nos concede um relato da criação de Bloch deste tomo e seu uso em contos. Bloch inventou dois grimórios com conhecimento do Mythos, O De Vermis Mysteriis e o Cultes des Goules. Eu adoro citar ambos os livros em meus próprios contos, ao invés do NECRONOMICON, o mais famoso livro do Mythos. Lovecraft, de fato, tinha um dedo na criação de Bloch, como é relatado pelo editor:

"Bloch tinha originalmente intitulado o nefasto tomo simplesmente "Os Mistérios do Verme", mas Lovecraft o aconselhou a acrescentar um pouco mais de erudição. Se a obra imortal de Prinn foi escrita em latim, você deve criar o título nesse idioma. Assim nasceu o "De Vermis Mysteriis" um dos mais conhecidos livros a figurar no catálogo bestial".

Naturalmente, foi H.P. Lovecraft quem influenciou Robert Bloch a começar a escrever ficção fantástica, quando Bloch começou a se corresponder com HPLainda na adolescência. Alguns contos inseridos nessa antologia são seus primeiros trabalhos no gênero horror fantástico, escritos sob a orientação de Lovecraft e publicados na Weird Tales. Cada conto é introduzido com uma página de comentário por Bob Price, em que ele discute pontos da história e em que circunstâncias o conto foi escrito. Estas notas introdutórias são sempre fascinantes. As linhas de abertura revelam que alguns contos foram escritos por um Bloch muito jovem, fortemente influenciado pela centelha gótica de seu tutor: "O vento uivava estranhamente sobre um túmulo à meia-noite A lua pendurada como um bastão de ouro sobre os túmulos antigos, olhando através da névoa pálida. com seu olho funesto". Lovecraft deu vários conselhos e a prosa de Bloch realmente melhorou com o passar do tempo a medida que Lovecraft lia os contos originais enviados pelo correio e arriscava palpites  sobre eles.
 
O conto "The Shambler from the Stars" (o Errante das Estrelas - publicado aqui no Mundo Tentacular) indica que o jovem Bloch entendeu as dicas de Lovecraft. Esse conto mostra que Bloch havia "sacado" as noções essenciais por trás do horror cósmico e do Mythos de Cthulhu. Ele marca o início da arrasadora carreira de Bloch como um dos expoentes no Círculo Lovecraftiano. Como agradecimento ao seu tutor, Bloch prestou uma homenagem e inseriu Lovecraft como um dos personagens da estória, justamente aquele que tem o fim mais trágico. Na ocasião, os editores ponderaram que o personagem era tão claramente inspirado em Lovecraft que Bloch deveria se resguardar, obtendo uma permissão formal assinada por Lovecraft na qual ele concordava em ser incluído daquela maneira. Lovecraft, com muito bom humor redigiu uma permissão detalhada com o testemunho signatário de Abdul Alhazred. Isso prova que Lovecraft estava longe de ser um chato sisudo e bolorento. Pelo contrário, ele gostava de uma boa brincadeira.

Além disso, Lovecraft retribuiu o favor alguns anos depois e matou Bloch em uma de sua próprias estórias, a clássica "The Haunter in the Dark", um dos últimos contos que ele escreveu. Anos mais tarde Bloch escreveu uma continuação para a história de Lovecraft, "The Shadow at the Steeple" que  é meu conto favorito dentro do universo do Mythos escrito por alguém que não Lovecraft. Derleth deliciosamente publicou esses três contos em seqüência, uma trilogia essencial para os fãs do gênero.

Em muitos dos contos desse livro, Bloch mostra seu talento precoce, que cresceu e cresceu até ele se tornar um Mestre. Algumas dessas histórias são absolutamente clássicas, material essencial para qualquer admirador do Horror Cósmico: "The Faceles God", "The Mannikin" e "Notebook Found in a Desert House" apenas para citar três exemplos.

Robert Bloch, é simplesmente magnífico e seus contos são um deleite. Mysteries of the Worm é uma mina de ouro, escura e deliciosa, na qual o leitor deve mergulhar cada vez mais profundamente a fim de emergir com tesouros inestimáveis de medo e assombro.

Conteúdo do Livro:

Dedicação
De Vermis Mysteriis: Um Prefácio (por Robert M. Price)
The Secret in the Tomb
The Suicide in the Study
The Shambler from the Stars
The Faceless God
The Grinning Ghoul
The Opener of the Way
The Dark Demon
The Brood of Bubastis
The Mannikin
The Creeper in the Crypt
The Secret of Sebek
Fane The Eyes of the Mummy
The Sorcere´s Jewel
Black Bargain
The Unspeakable Betrothal
The Shadow from the Steeple
Notebook Found in a Desert House
Terror in Cut-Throat Cove
Philtre Tip
After Word (Robert Bloch)
Demon-Dreaded Lore (Lin Carter)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O Prodígio da Weird Tales - Robert Bloch e sua contribuição para criar o Mythos


baseado no texto de Lin Carter

Quando Robert Bloch era apenas um rapaz de quinze anos, em meados de 1933, ele começou a se corresponder com H.P. Lovecraft, tornando-se um dos mais jovens membros do chamado Círculo Lovecraftiano. Como os demais, Bloch era um aspirante a escritor que tinha, em comum, o gosto pela ficção macabra e o entusiasmo pelo horror. Ele escreveu para a legendária revista Weird Tales e desde o início da carreira estabeleceu uma cordial amizade com Lovecraft, que se tornou uma espécie de mentor. Alguns membros dessa primeira geração do círculo, como Clark Ashton Smith já eram profissionais, outros como o próprio jovem Robert Bloch, eram amadores. Com o tempo alguns continuaram, tornando-se nomes recorrentes nas capas da Weird Tales, enquanto outros caíram no esquecimento.

Bloch, é claro, construiu seu próprio nome. A partir de sua primeira estória publicada ("The Feast in the Abbey", Weird Tales, janeiro de 1935), ele conseguiu vender nada menos do que oitenta e cinco contos para essa revista e suas concorrentes diretas. Algumas estórias foram escritas com a ajuda de colaboradores, outras sob um nome fictício (Tarleton Fiske), mas é impressionante que ele tenha atingido a marca de 85 contos em apenas 17 anos.

Já em sua segunda aparíção na Weird Tales ("The Secret in the Tomb", em maio de 1935), Bloch assumiu seu lugar ao lado de Clark Ashton Smith e Robert E Howard escrevendo contos relacionados com a fantástica mitologia criada por Lovecraft, os Mythos de Cthulhu. Mais tarde, obviamente, ele enveredou por temas mais modernos que se encaixavam na sua própria personalidade - Bloch obteve enorme sucesso como roterista para séries de televisão, rádio e cinema. De fato, ele é lembrado como o autor da novela que inspirou Psicose (Psycho) que se tornou um dos filmes mais populares da carreira de Alfred Hitchcock - e até hoje o filme preto e branco mais bem sucedido da história. Ironicamente, Bloch não foi chamado para adaptar sua obra para o cinema, fato do qual ele sempre se ressentiu.

Mas é como contribuidor para a mitologia de Cthulhu que vamos focar nesse artigo.

O Mythos de Cthulhu é uma coleção heterogênea de estórias curtas, algumas novelas, poemas, sonetos, e uma miscelânea de outras coisas, ambientado num mesmo universo fictício. Uma mitologia, se você preferir. Muito bem, uma demonologia, melhor dizendo. Os autores que contribuiram com ele - e os autores que ainda contribuem, uma vez que o Mythos continua em expansão - jogam conforme as regras definidas por Lovecraft, Smith e Howard, que foram os primeiros a se aventurar no gênero. As regras são que cada novo autor deve inventar um ou dois demônios / deuses / entidades, um tomo ancestral de conhecimento blasfemo, e se possível uma ambientação, em geral um povoado decadente, ou uma cidade semi-abandonada, com uma onipresente aura de feitiçaria ou de cultos demoníacos em seu passado... E geralmente em seu presente também.

Lovecraft inventou Cthulhu, Yog-Sothoth, Nyarlathotep, Shub-Niggurath, e a tenebrosa bíblia do Mythos o profano Necronomicon do árabe Abdul Alhazred. Clark Ashton Smith criou o Ubbo-Sathla, Tsathoggua e Abhoth, e o legendário Livro de Eibon. Robert E. Howard inventou Golgoroth, Koth (algumas vezes confundido como sendo uma cidade, um símbolo cabalístico misterioso, ou uma coisa demoníaca), e o Unaussprechlichen Kulten de Von Junzt. Auguste Derleth tomou emprestado de Ambrose Bierce o mito de Hastur, Cthugha, os Fragmentos de Celaeno, e o Cultes des Goules do Comte d’Erlette. Lovecraft populou a Nova Inglaterra com decadentes cidades como Arkham e Kingsport, além de lugarejos obscuros como Innsmouth e Dunwich para suas estórias - a chamada Lovecraft County. Smith situava as suas na pré-histórica Hyperborea ou na Averoign medieval. E assim por diante.

Em sua segunda estória, “The Secret of the Tomb”, Bloch deu sua contribuição para a biblioteca do Mythos cheia de livros proibidos, mencionando a Cabala of Saboth e o Occultus of Hierarchus, e é claro, o ocultista Ludwig Prinn. Prinn foi o único que ele desenvolveu além de uma única estória, embora tenha criado ainda o Black Rites of Luveh-Keraph, do sacerdote egípcio da Deusa Bast, e uma quantidade de livros e lendas redigidas por Simon Maglore e Edgard Gordon, ambos personagens centrais de seus contos.
Foi entretanto o feiticeiro flamenco Ludwig Prinn, e seu livro infernal De Vermis Mysteriis (ou os Mistérios do Verme), que se tornaram e que continuam sendo a maior contribuição de Robert Bloch para o universo do Mythos. Em sua estória “The Shambler from the Stars” - que incidentalmente ele dedicou à Lovecraft - ele constrói a vida e história de Prinn e revela o terrível conteúdo de seu tomo. Citando o conto em questão: “o volume certamente pertencia à mesma prateleira empoeirada, ao lado de tomos como Unaussprechlichen Kulten e o Livre d’Ivonis”.

Além de tudo, Robert Bloch tinha um enorme senso de humor. Humor e horror jamais estiveram tão profundamente misturados quanto na obra de Bloch. Os companheiros de Círculo Lovecraftiano não tratavam seu trabalho com grande solenidade. De fato, eles se deleitavam em fazer piadas uns com os outros em suas estórias. Por exemplo, o Comte d’Erlette, que é o autor do Cultes des Goules, foi sugerido por Lovecraft como uma piada para o sobrenome de Derleth. Da mesma forma, Bloch criou o escriba egípcio Luveh-Keraph como uma corruptela de Lovecraft. Além disso, fez deste personagem uma adorador de gatos, coisa que Lovecraft também era. Também Lovecraft acrescentou em uma de suas estórias uma referência ao “Ciclo Mitológico de Commoriom”, escrito pelo alto sacerdote Atlante Klarkash-Ton, uma óbvia brincadeira com Clark Ashton Smith.

Por volta de 1935, Bloch escreveu a Lovecraft perguntando se ele se importaria de ser transformado em personagem de um de seus contos. Lovecraft respondeu enviando um documento de permissão formal ratificado por Abdul Alhazred, autor de Necronomicon, Gaspard Du Nord, tradutor do Livro de Eibon, e o Grande Lama Tcho-Tcho de Leng, no qual autorizava a criação e utilização deste personagem. Bloch escreveu então sobre um jovem autor, que aspirava deixar sua marca no mundo da ficção (obviamente uma referência a si mesmo). Vivendo em uma região isolada do Meio-Oeste Americano, ele se corresponde com “um eremita das montanhas do oeste” (Smith), “um sábio das montanhas do norte” (Derleth) e “um místico sonhador da Nova Inglaterra” (vocês sabem quem). O narrador e este místico sonhador juntos investigam rituais secretos no “Mistérios do Verme”, e é este pobre coitado (o místico) que acaba sendo devorado vivo por um monstro invisível.

Não muito tempo depois, foi a vez de Lovecraft retribuir a “homenagem” com “The Haunter of the Dark”, no qual um jovem e promissor escritor do Meio-Oeste, um certo Robert Blake (não Bloch: Blake) acaba sofrendo um fim ainda pior ao investigar um mistério em Providence, Rhode Island (onde Lovecraft vivia). Incapaz de resistir, Bloch escreveu uma espécie de continuação para o conto no qual um amigo de Blake, chamado Edmund Fiske retoma o caso e prossegue na investigação. Nem é preciso lembrar que Fiske era um dos nomes que Bloch usava em algumas estórias.

Quando essa continuação foi publicada, Lovecraft havia acabado de falecer prematuramente e de forma repentina. Muitos de seus correspondentes sequer sabiam que sua saúde estava tão precária. Em uma carta a Lin Carter, Bloch sintetizou o sentimento de todos os correspondentes e amigos sobre a morte de seu mentor: “A brincadeira perdeu toda a graça depois disso”. Aos poucos Bloch foi se afastando dos Cthulhu Mythos e passou a buscar trabalhos que lhe concederam maior viabilidade e retorno financeiro. Ele escreveu alguns romances, entre os quais Psicose, assinou o roteiro de séries de televisão bem sucedidas como Star Trek, Alfred Hitchcock Presents e Twilight Zone (nosso Além da Imaginação).

Apesar de cada membro do Círculo criar seus próprios deuses demoníacos, Bloch preferia outra abordagem de seus horrores ancestrais. Ele descreveu o Velho Han e a Serpente barbada Byathis (depois desenvolvida por Ramsey Campbel), mas jamais se aprofundou muito na origem destas entidades. A razão disso parece envolver o interesse de Bloch no folclore e mitologia do Egito Antigo. Ele fez dessa terra e dessa época o pano de fundo para contos como “The Faceless God” e “The Fane of the Black Pharaoh”, usou a religião egípcia como base para “The Secret of Sebek” e as superstições envolvendo maldições em “The Eyes of the Mummy”. Bloch era um entusiasta da egiptologia e seu interesse transparece na sua ficção. Aos poucos, ele foi inserindo elementos que ligavam uma das mais sinistras criações de Lovecraft ao místico passado do Egito. Nyarlathotep se tornou figura recorrente em vários de seus contos ambientados nas terras do Nilo, envolvendo dinastias negras de faraós e sacerdotes corruptos devotados ao Caos Rastejante. Foi Bloch o responsável por expandir o papel de Nyarlathotep no panteão dos Deuses Exteriores sacramentando títulos como “Demônio Mensageiro”, “Deus do Deserto”, “Mensageiro de Karnetter” (o inferno egípcio) entre outros que ajudaram a definir a biografia de um dos monstros preferidos do Mythos.

No fim de sua carreira, Bloch retornou às suas origens e escreveu alguns contos envolvendo o Mythos de Cthulhu deixando claro que não havia qualquer ressentimento ou negação ao início de sua carreira. Ele sempre deixou claro que muito do que ele aprendeu sobre o ofício de escrever havia sido ensinado por Lovecraft quando ele ainda era um rapaz de quinze anos almejando uma carreira nas letras.

 Robert Bloch faleceu em 1994, após uma longa luta contra um câncer. Ele inspirou vários escritores com suas estórias e sempre será lembrado como um senhor bem humorado que por acaso sabia escrever sobre coisas apavorantes.   

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Sede de Sangue - Anatomia dos Vampiros Espaciais


Os tomos esotéricos com conhecimento profano do Mythos, afirmam que existem coisas medonhas habitando os confins do espaço sideral. Uma das mais tenebrosas Raças Independentes que vivem entre as estrelas, sem dúvida são os Vampiros Espaciais.

Não se sabe qual o lar original dessas abominações extraterrestres, nenhum estudioso do Mythos é capaz de intuir de onde eles vieram, embora existam teorias não inteiramente corroboradas. Para Ludwig Prinn, que escreveu a respeito dessas terríveis criaturas no célebre "De Vermis Mysteriis", os Vampiros Espaciais teriam se originado em um outro plano de realidade, em algum universo paralelo e migrado para nosso plano de existência mediante alguma distorção espacial ou singularidade não inteiramente identificada. Prinn afirma ser possível que os Vampiros tenham sido invocados através de portais dimensionais que temporariamente ligam o nosso universo a outros. Os raríssimos Manuscritos Pnakoticos, uma coleção de escritos copiados pelos cronistas abduzidos da Grande Raça mencionam que os Vampiros Espaciais seriam uma espécie de praga cósmica que é atraída em busca de alimento, para planetas que suportam formas de vida . Os Yithianos, responsáveis por catalogar o conhecimento do universo em seus livros, chamam a atenção para o incrível perigo que essas criaturas representam. Segundo um trecho contido no Pnacótika, os Vampiros Espaciais foram responsáveis pela devastação de inúmeras esferas planetárias.

Eles também são conhecidos pelos Fungos de Yugoth. Os Mi-Go realizam uma cuidadosa vigilância contra essas criaturas e sempre que registram o aparecimento de uma agem imediatamente para eliminar sua presença uma vez que temem o surgimento desses invasores em seus domínios. Há indícios de que bases dos Mi-Go em planetas distantes já sofreram ataques por parte de hordas famintas de Vampiros Espaciais. Se isso for verdade, essas criaturas estariam em um patamar equivalente aos Pólipos Voadores no que diz respeito a agressividade e animosidade com outras raças do Mythos.

Vampiros Espaciais já foram avistados na Terra, espécimes solitários que foram atraídos pela perspectiva de se alimentar das formas de vida existentes. Felizmente estes ficaram pouco tempo em nosso planeta partindo logo depois de se saciar. É possívelq ue nossa atmosfera não seja ideal para os Vampiros, o que explica porque nenhum espécime, até onde se sabe, jamais se fixou na Terra. 

A grande maioria dos vampiros encontrados em nosso planeta, foram invocados através de magias envolvendo conceitos de hiper-matemática e metafísica. Alguns livros explicam os encantamentos e ensinam os rituais para invocação de tais entidades. 

Ao longo dos séculos, feiticeiros usaram essas magias para trazer Vampiros Espaciais e tentar submetê-los ao seu controle. Nem todos foram bem sucedidos nesse intento e vários feiticeiros morreram durante suas tentativas obstinadas de controlar essas forças cósmicas. Por alguma razão, vários livros afirmam que os Vampiros Espaciais podem ser compelidos a realizar tarefas designadas por aqueles que os invocam. Essa afirmação é apenas meia verdade. Há casos de famosos magos que, de fato, conseguiram esse feito que exige força de vontade inquebrantável. O famoso ocultista Barão Hauptmann, líder do perigoso secto Irmandade da Besta e o arquiteto mor de uma conspiração global, gabava-se ter em seu poder um Vampiro Espacial que protegia o Observatório em seu Castelo na Transilvânia contra invasores. Ephraim Waite, um velho feiticeiro de Arkham também mantinha sob seu poder um pergaminho no qual havia anotado um encantamento que lhe permitia invocar um Vampiro Espacial sobre o qual ele exercia controle. Não se sabe ao certo se essa informação procede, mas conhecendo a carreira mística de alguém como Waite, a possibilidade existe.

Há ainda um rumor que aponta como tendo sido um Vampiro Espacial a criatura responsável pela morte do erudito árabe Abdul Al-Hazred, autor do Al-Azif, obra mais conhecida no ocidente como Necronomicon. Segundo um biógrafo persa, Al-Hazred teria sido feito em pedaços por um "demônio invisível em plena luz do dia num bazar de Damasco". É possível que Hazred tenha sido eliminado por um inimigo que invocou um Vampiro Espacial para cumprir a tarefa? Ou teria sido ele vítima de uma criatura que ele próprio tentou dominar, mas que rompeu seu controle? Há muitos mistérios sobre a vida de Al-Hazred e sua morte não poderia ser menos enigmática.

Vampiros Espaciais são normalmente invisíveis, ainda que um observador cuidadoso possa discernir uma leve distorção no ar quando eles se movem. Essas criaturas são compostas de uma substância estranha à nossa realidade que reflete o espectro luminoso, criando um mecanismo natural de camuflagem. A presença deles, no entanto, pode ser detectada por um som gutural, descrito em alguns casos como um tipo de ronco gorgolejante ou chiado asmático. Alguns preferem atribuir a esse som uma característica ainda mais humana, definindo o ruído peculiar como uma risada sinistra.
Eles são atraídos por animais de sangue quente e provavelmente possuem algum tipo de sensor térmico que os avisa da presença de presas com essas características. Os Vampiros Espaciais não possuem olhos, mesmo assim são plenamente capazes de se guiar e perceber o que está ao seu redor. Eles também possuem um olfato extremamente sensível, sendo capazes de farejar o odor cúprico do sangue à uma distância de pelo menos 500 metros. Na ausência de um sistema auditivo, eles podem discernir sons, através de vibrações no ar, detectadas por finas cerdas corporais. Embora seja impossível estabelecer uma conversa coerente com essas criaturas usando idiomas humanos, alguns estalos e soluços emitidos por Vampiros parecem compor um rudimentar sistema de comunicação que pode ser interpretado. Essas criaturas possuem uma inteligência equivalente a dos seres humanos, podendo aprender, interpretar e racionalizar problemas.

O termo "Vampiro" decorre da voraz forma de alimentação dessas criaturas. Eles são hematófagos, alimentando-se exclusivamente de sangue de criaturas vivas. Um Vampiro extrai proteínas e lipídios diretamente do plasma, incorporando ao seu organismo os nutrientes necessários para sua sobrevivência. O sangue adicional é depositado em glândulas semelhantes a bolsas, repletas de anti-coagulante que mantém seu conteúdo líquido para ser sorvido quando necessário. Esse mecanismo permite ao Vampiro estocar  alimento para suas longas viagens espaciais, de modo semelhante ao que o urso polar faz ao consumir grande quantidade de gordura antes de hibernar.

Uma característica peculiar aos Vampiros Espaciais é que eles se tornam visíveis logo depois de se alimentar. Quando invisíveis, eles são consideravelmente menores, dilatando-se a medida que se alimentam. O sangue no interior de seus organismos circula por vasos capilares que se diletam conduzindo o material extraído, para o estômago pendular e bolsas coletoras. O processo, entretanto, se mantém por poucos instantes, o suficiente para que a forma do Vampiro possa ser vista em todo seu glorioso horror.

Um vampiro recém alimentado (e portanto visível) se assemelha a uma bolha pulsante avermelhada e inchada, de aspecto repulsivo, pingando sangue. Ele flutua delicadamente no ar como um balão de ar quente. Uma massa de tentáculos tubulares de coloração escarlate se move na superfície, cada qual dotado na sua extremidade de uma boca arredondada. Esse mecanismo bucal possui em seu interior cerdas ósseas, semelhantes a agulhas ocas que são usadas para furar e sugar o sangue mais facilmente. No momento que uma dessas bocas alcança a vítima, centenas de cerdas perfuram a pele profundamente e começam a sugar o sangue. Uma vez afixada, a boca tentacular administra uma saliva anti-coagulante para facilitar a extração e manter o fluxo constante. Logo em seguida, vários outros tentáculos se aproximam com o intuito de drenar a vítima. Em menos de 15 segundos, uma única boca é capaz de sugar 1 litro de sangue. Um Vampiro Espacial pode drenar totalmente um homem adulto em menos de um minuto se conseguir fixar bocas extratoras suficientes em sua vítima.


Alguns membros dessa raça possuem uma grande bocarra, repleta com os mesmos dentes finos e afiados, mas curiosamente nem todos os membros da espécie possuem essa característica. O que sugere a existência de mais de uma espécie com diferenças anatômicas marcantes entre si.

Para auxiliar o ataque e imobilização da presa, o Vampiro é dotado de um par de braços esguios a ponto de parecerem descarnados, com tendões a mostra, mas que são incrivelmente fortes. Cada um destes braços compridos possui uma mão com quatro dedos e garras recurvas. Ao agarrar uma presa com esses membros, o Vampiro tenta arrastá-la para a massa corporal a fim de morder. Em alguns casos os braços podem ser usados para segurar, afastar ou golpear os oponentes. Os dedos são hábeis o bastante para manipulação, permitindo ao vampiro executar tarefas como virar maçanetas, apanhar objetos e destrancar portas.

Os Vampiros Espaciais podem flutuar livremente em nossa atmosfera e se deslocar dessa forma como se estivessem levitando. O corpo dessas criaturas supostamente é preenchido por um gás neutro mais leve que o ar. O modo de ataque preferido dessa criatura é flutuar sobre a vítima, aproveitando sua invisibilidade e cair sobre ela mordendo logo de início. Em alguns casos o som de sua "risada macabra" pode alertar o alvo e permitir um instante de reação, antes do bote fatal.

Com os meios disponíveis em nosso planeta é extremamente difícil matar um Vampiro Espacial. O material alienígena de seu corpo é resistente a balas e reage como uma armadura de borracha vulcanizada diante da maioria das agressões. Explosivos surtem um efeito mais eficaz, mas mesmo granadas e dinamite, tem sua potência mitigada. Estes seres não precisam respirar, resistem bem ao frio do vácuo espacial e ao calor de raios solares. 

Diante da ineficácia de tais armas, magia parece ser a melhor opção para lidar com tais criaturas. Alguns feiticeiros acreditam que a melhor maneira de submeter essas aberrações a seu serviço é demonstrando seu conhecimento de magias poderosas a ponto de causar dano ao Vampiro. Isso e um estoque regular de sangue pode garantir a devoção das criaturas, ao menos por algum tempo.