terça-feira, 10 de setembro de 2013

Explorando os Mythos mais Obscuros: Daoloth, o Senhor dos Planos e Dimensões


Daoloth aparece pela primeira vez no conto "The Render of the Veils" de Ramsey Campbell

Daoloth é conhecido como "Dilacerador dos Véus". Não se sabe exatamente quando surgiu esse epíteto, mas ele parece acompanhar a entidade desde que Ela começou a ser venerada e descrita em tomos contendo saber do Mythos

Daoloth é um Deus Exterior de considerável poder e influência, embora seja extremamente obscuro e comparativamente menos conhecido do que Azathoth, Nyarlathotep, Shub-Niggurath e Yog-Sothoth, os quatro deuses exteriores canônicos dos Mythos. Ocupando o posto de Entidade Cósmica, Daoloth rege o conceito do Espaço Interdimensional, governando as passagens, portões e janelas dimensionais e legislando sobre realidades diversas e alternativas. Para alguns, ele próprio é uma espécie de portão dimensional consciente que permite ou lacra dimensões ao seu bel prazer. Para alguns teóricos não há como se deslocar através de planos e dimensões sem recorrer a Daoloth. 

Em virtude dessa sua importante função, Daoloth é venerado em uma miríade de realidades no tecido do tempo-espaço. Há cultos estabelecidos em Yuggoth onde ele disputa junto com a Deusa Shub-Niggurath as atenções dos Fungos de Yuggoth. O Dilacerador também é reverenciado em Tond, onde ele se converteu em um dos principais deuses, igualmente temido e reverenciado pelas estranhas criaturas que habitam esse mundo. Há rumores que os insondáveis Andarilhos Dimensionais sirvam de alguma forma a esse ser, mas esta conjectura jamais foi comprovada e sempre foi controversa, uma vez que essa raça serviçal jamais foi inteiramente compreendida.

Além de conceder a permissão de deslocar matéria através dos planos, Daoloth também domina a complexa ciência da Cronocinese faculdade que lhe permite perceber e manipular as linhas do tempo como se fossem os cursos de um rio. Usando seus poderes, Daoloth é capaz de alterar o fluxo temporal e toda uma linha de tempo e cronologia estabelecida. Através de sua percepção cronocinética ele pode examinar diferentes linhas temporais e operar mudanças no fluxo temporal como bem entender. Isso significa, em essência, dizer que Daoloth é capaz de "ver" todas as probabilidades de um acontecimento como se fosse um espectador consciente das variáveis intrínsecas. É por essa razão que certos cultistas se referem a Ele como "aquele que não pode ser enganado" ou "Aquele que conhece passado e futuro".

Daoloth em um padrão bem organizado
O poder de Daoloth sobre a Cronocinese permite a ele compartilhar uma espécie de visão atemporal com outros seres, permitindo que eles contemplem brevemente o fluxo temporal e suas variáveis. Essa espécie de benção só é estendida aos seus cultistas mais confiáveis que muitas vezes são vistos como videntes. A mente humana se mostrou incapaz de lidar com a percepção atemporal e a maioria dos indivíduos abençoados dessa maneira acabam eventualmente enlouquecendo. Criaturas com um padrão mental puramente analítico, estabelecido por encadeamento de pensamentos, como os Mi-Go, são capazes de suportar essas visões.     

O termo Dilacerador de Véus se refere ao incrível poder de aniquilar uma linha de tempo se nesta surgir alguma anomalia ou singularidade que desagrade a noção de Daoloth de ordem dimensional. Manipulando o fluxo de tempo, Daoloth é capaz de dilacerar totalmente uma dimensão, acentuando as variáveis que levarão a sua conflagração. Uma vez apagada por inteiro, uma dimensão se desfaz e ela é remodelada conforme a vontade da entidade. Parece, entretanto, existir um limite para o poder de Daoloth, ele não é capaz de aniquilar um plano habitado ou protegido por outro Deus Exterior. Também existem rumores que certas dimensões são naturalmente resistentes ao seu poder de aniquilação, as chamadas 25 primeiras dimensões, são imutáveis. Como elas se formaram ou porque sua coesão é perpétua não se sabe.

Daoloth não possui um corpo físico. Quando decide se manifestar, Ele simplesmente atravessa os planos, emergindo através de um ínfimo espaço entre as dimensões como se surgisse do nada. A entidade domina a bio-fissão, faculdade que lhe permite dividir e replicar seu ser em qualquer lugar escolhido. Dessa forma, a essência de Daoloth jamais deixa sua Dimensão nativa, algum ponto dentro das primeiras 25 dimensões.

Imagem do CoC 4ed
Daoloth é descrito como uma massa informe de cores fosforescentes e texturas multi-cromáticas que não podem ser descritas em palavras. Essa forma flutuante é cercada por hastes plásticas e estruturas poliédricas que rodopiam em diferentes velocidades mantendo a massa armazenada em seu interior. Em meio a essa forma indefinida e confusa, estruturas sensoriais (para alguns olhos) parecem surgir e se desfazer a cada momento.

Muito se fala em círculos de ocultistas e de estudiosos da metafísica a respeito das graves consequências de se encarar conscientemente Daoloth. Seus cultistas, cientes desse perigo, tendem a invocá-lo apenas na completa escuridão onde Ele não pode ser visto em toda a sua glória. Alguns chegam ao ponto de vendar ou perfurar os próprios olhos para não serem tomados pela curiosidade. Contemplar a forma de Daoloth equivale a obter um vislumbre da grandiosidade do cosmos e todas suas inconcebíveis variáveis. É o mesmo que captar simultaneamente infinitas dimensões, planos e realidades que se alternam e se revelam em um turbilhão sensorial do qual não se pode escapar. Aqueles que ao longo da história experimentaram esse vislumbre tiveram suas mentes obliteradas pelas revelações em poucos segundos. Magos e feiticeiros de enorme poder conjecturam que vislumbrar atrás dos véus de Daoloth é contemplar os maiores segredos e mistérios do universo, uma experiência que a mente humana não pode suportar.

Há rumores que a lenda do Véu de Isis tenha sido de alguma forma inspirada por esse Deus Exterior e que o ato de espiar por trás do véu da deusa, obtendo assim a iluminação, seja uma clara alusão a experiência de vislumbrar a forma de Daoloth e assim obter os segredos do cosmos.

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domingo, 8 de setembro de 2013

Mistério no Pacífico - O estranho Projeto Hornsleth de Depósito nas Profundezas


Essa notícia possivelmente é uma das mais bizarras dos últimos tempos e, é claro, merece um espaço aqui no Mundo Tentacular. Ela foi trazida pelo colega José Luiz F. Cardoso no grupo do Facebook.

Esse é o artigo da PC & Tech Authority, de longe o mais divertido a respeito:

Se você já leu algum dia algo da obra de H.P Lovecraft (e se não leu, faça esse favor a você mesmo), você deve saber que um dos temas centrais é a ideia de que a humanidade não passa de um joguete nas mãos de Deuses ancestrais, muitos desses habitando as profundezas escuras de nossos oceanos. Nós estamos falando dos Profundos, e do próprio Grande Cthulhu, que dorme profundamente na cidade ciclópica em algum lugar do Pacífico, entre a Australia e Nova Zelândia.
Outro tema central é a ideia de que a humanidade está sempre mexendo com esses seres, desde cultos que veneram esses deuses em busca de poder transitório, passando por almas perdidas, curiosas demais para seu próprio bem, até aqueles particularmente amaldiçoados por estarem no lugar errado, na hora errada. 
O líder do Projeto (Cultista? Alguém tem dúvida?)
Mas porque falar a respeito de coisas fictícias (ainda que estranhamente, arrepiantes) como deuses abomináveis, raças alienígenas e monstros tenebrosos? Bem, ao que tudo indica, um estranho projeto que mistura expressão artística, salvaguarda do futuro da raça humana e exploração marítima está prestes a se iniciar, materializando alguns elementos que poderiam tranquilamente figurar em um conto escrito por  Lovecraft.
Ele recebeu o nome Hornsleth Deep Storage Project (Projeto Hornsleth de Depósito nas Profundezas), e a coisa é genuinamente aterrorizante, estranha e inusitada.
Eis aqui o plano resumidamente: 

Passo 1) Colete amostras de DNA de 5000 pessoas de todo o mundo, 


Passo 2) Coloque todo esse material genético no interior de uma escultura geometricamente bizarra,

Passo 3) Lance a coisa no abismo oceânico mais profundo do planeta, as Fossas Marianas.
DNA humano dentro de uma escultura que lembra um símbolo cabalístico definitivamente remanescente dos ângulos não euclidianos, lançado a onze quilômetros de profundidade, dentro do abismo marítimo, onde apenas criaturas cegas, sem ossos residem.
O que possivelmente poderia dar errado... Ah claro, Cthulhu. 
A página oficial do projeto é apenas um pouco menos excêntrica que o projeto em si. O nome do projeto,  Hornsleth, está escrito na página inicial com uma fonte que parece retirada de um filme de horror que lembra respingos de sangue. Há um texto redigido por um historiador que fala a respeito de Nietzsche e sua filosofia de Ubermensch (O Super-Homem). Há um outro texto dedicado a explicar o pensamento por trás do projeto para crianças. Sem falar de fotos do artista dinamarquês que desenhou a escultura, que se não for um cultista insano dos Mythos, disposto a sacrificar a humanidade para coisas que o homem não deveria conhecer, eu não sei o que mais poderia ser....
O Design da Escultura
Há ainda uma esquisita racionalização a respeito das razões de trazer para a equação uma escultura completamente estranha e por que escolher as fossas marianas, um dos lugares mais inacessíveis do planeta. Existem projetos de preservação de DNA em todo mundo, que pensam seriamente em salvaguardar informações genéticas de plantas, animais e, sim da raça humana. Mas nenhum deles se compara com a visão singular do Projeto Hornsleth.

Vejam esse trecho por exemplo:
“Kristian von Hornsleth sugere que a monumental escultura a ser lançada nas profundezas do oceano contendo o arquivo de DNA de 5000 pessoas é uma espécie de presente para o futuro. 5000 pessoas que deliberadamente acreditam em um futuro melhor e que esperam um dia, serem redescobertos .”
Redescobertos... isso mesmo, um dos objetivos do projeto é efetivamente que humanos num futuro muito distante - que sejam capazes de acessar as profundezas dos oceanos  – um dia sejam capazes de utilizar o material genético preservado dentro da escultura para trazer de volta esses voluntários de uma época ancestral.
Essa coisa é simplesmente estranha demais para ser levada à sério. Então vamos terminar com um trecho de um poema (que está na página) celebrando a descida para as profundezas... possivelment da loucura.
Cristo Vitorioso da Tecnologia
Eis aqui um sacrifício a nossa própria destruição da Natureza
Uma expiação para uma deusa mãe irada
O sangue do homem
A descida para um inferno gelado
E a espera por uma ascenção após 500 anos
Ceeeeeeerto...
*     *     * 

A localização onde a primeira escultura deve ser lançada
Na página do "projeto", eu encontrei esse trecho que me chamou a atenção:

No final de 2013 algo extraordinário irá acontecer. Algo tão estranho e cativante, que ouvir a proposta já faz sua imaginação alçar vôo.

Visualize o seguinte; Uma enorme escultura de aço, 8 mestros de altura, por 8 metros de comprimento por 8 de largura, será descida nas águas do Oceano Pacífico até uma profundidade de 11 mil metros. Esta será apenas a primeira de uma série de outras esculturas idênticas a serem depositadas ao redor do mundo.  A primeira será lançada em um ponto a 200 milhas da costa da Ilha de Guam entre o Japão, as Filipinas e a Indonésia. Agora aqui vem a grande reviravolta. Ela estará cheia de sangue humano, cabelo e amostras de DNA.  

Isto é arte e ciência colidindo. 30 localizações ao redor do mundo atraíram a atenção de 5000 doadores ou investidores se assim preferir. Todos serão recompensados com um certificado que institui que eles escolheram acreditar em uma segunda chance.

A Ciência está progredindo mais rápido do que os grandes filósofos e pensadores ousavam prever, então, quem pode dizer que não haverá um momento no futuro quando essas amostras poderão ser usadas para trazer espécies ameaçadas e mesmo pessoas de volta? Isso pode demorar 500 ou 100,000 anos. Quem sabe? Mas existe uma chance de fazer parte disso quando acontecer!


Como teremos evoluído? O quão diferentes serão os humanos então? O Projeto de Depósito nas Profundezas luta contra a decadência e a erosão que vitima tudo o que conhecemos. As pessoas estão dispostas a abraçar esse ideal, e fazendo isso, eles estão dispostos a se tornar uma voz que será ouvida no futuro.

 *     *     * 

Só para constar, aqui está o mapa das localizações onde se planeja lançar uma dessas esculturas. Percebam que há um bem próximo da costa meridional do Brasil, possivelmente na altura de Santa Catarina ou Rio Grande do Sul.


Os outros pontos escolhidos pelo Projeto Hornsleth
Sinceramente, eu pensei que tudo isso pudesse ser um HOAX enorme. Mas aparentemente a coisa é legítima e a primeira está prestes a ser lançada no abismo profundo.

Muito bem... se isso não é material de primeira grandeza para construir uma estória de Conspiração eu não sei o que mais seria. O negócio quase que se escreve sozinho...

Para fazer funcionar, é só alterar alguns elementos: Troque os membros desse projeto por um culto completamente maluco (nem é preciso ir muito longe para isso), adicione no lugar do artista idealizador da coisa um sacerdote que lidera o culto (também nem é preciso mudar muita coisa). Em seguida, adicione  alguns elementos do Mythos, como a ambição dos cultistas dementes desejando contatar "aqueles que habitam as profundezas" e você tem um ótimo tecno-thriller.

Quando o Mundo estiver sob ameaça, quem você vai chamar?
O formato "não euclidiano" da maldita escultura (que parece realmente um símbolo ligado ao Mythos), as suas dimensões 8 x 8 (o número que representa a eternidade), o plano de convencer pessoas que essa é uma causa séria, o fato dele estar sendo lançado nos mares, em especial no abismo marinho mais profundo do planeta, a desculpa "artística" e "científica" para dar uma legitimidade ao projeto, o discurso típico de um culto: "desperte em um lugar melhor"... tudo se encaixa no contexto de uma conspiração global no melhor estilo Delta Green.

Pode ser que eu seja paranóico (e essas coisas que eu gosto de ler tenham feito mal ao meu melhor julgamento!), mas sinceramente esse negócio tem o cheiro ocre de uma conspiração. Vai ver, essas esculturas servem para marcar o planeta, para contatar alguma coisa que dorme lá em baixo e mandar uma mensagem de "olá, o jantar está servido! Venham enquanto está quente!"

Como sempre, fica a máxima que é repetida muitas vezes aqui no Mundo Tentacular: "Não há nada na ficção que seja tão estranho, tão incomum e surpreende quanto o que acontece no mundo real. Basta abrir o jornal..."

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O Slender Man está entre nós! - O Poder de um Mito Moderno


Existem lendas e mitos conhecidos há séculos que deixaram uma marca distinta em nossas mentes e em nossa cultura. O mito do vampiro ou do lobisomem, por exemplo, são incrivelmente antigos e continuam a apavorar e perturbar inúmeras pessoas.

Contudo, existem aqueles mitos que foram trazidos a tona mais recentemente e se apresentam como os pesadelos de toda uma nova geração. Por vezes, eles nascem a partir de medos íntimos enterrados no nosso subconsciente, praticamente desconhecidos. Uma dessas lendas que ganhou força é a do Slender Man.

Neste blog eu bem sei o efeito que tem o Slender Man.

Embora o Mundo Tentacular seja dedicado ao horror cósmico e ao Mythos é inegável a atração dos frequentadores do blog por essa lenda urbana, consagrada nos últimos anos como uma das mais populares. Não por acaso a postagem mais lida aqui do Blog é sobre ele, totalizando mais de 100 mil acessos.

A criatura conhecida como Slender Man é um monstro saído dos pesadelos, legítimo representante de uma época conturbada de informação. Rapidamente ele se espalhou como um mito digital compartilhado à exaustão. Sua aparência é mais estranha do que abominável. Ele não é uma criatura de completa malevolência, como eram os monstros góticos, os demônios e espíritos vingativos, suas intenções são misteriosas, quase tanto quanto seu rosto pálido destituído de feições.


De um modo geral, ele não é tão assustador quanto se poderia pensar. Mas espere um momento! Recentemente uma pesquisa apontou o Slender Man como um dos monstros mais temidos nos EUA, mais até do que vampiros, lobisomens, extraterrestres e zumbis.

Com quase dois metros e meio de altura, o Slender Man (ou homem esguio) é uma criatura nascida de anseios e do inconsciente coletivo. Sua gênese se deu através de uma brincadeira, mas logo a criatura se tornou tridimensional e passou a pertencer a todos. Cada grupo ou indivíduo acrescentando alguma característica ou peculiaridade a sua biografia. Alguns dizem que ele pode se transformar no maior medo daquele que tem o azar de encontrá-lo. Outros dizem que seu propósito é arrastar crianças e jovens para sua "casa", seja lá onde fica sua morada. Para alguns, o Slender Man tem inúmeros membros que se agitam como se fossem tentáculos e ele persegue apenas algumas determinadas pessoas, escolhidas sem aparente motivo ou razão. Há tantas lendas, tantas estórias que hoje, já não se sabe ao certo, o que poderia ser chamado de cânon.

Certos aspectos no entanto são imutáveis. O Slender Man é um perseguidor silencioso que se esconde à vista de todos, preferindo áreas florestais escuras, onde ele pode se misturar a árvores e galhos, confundindo-se com a paisagem. Quando ele escolhe uma vítima, passa a segui-la onde quer que ela vá. Mais perturbador é quando ele permite ser visto pela vítima. Não fica claro o que acontece então: para alguns ele utiliza algum tipo de hipnose que compele o indivíduo a eventualmente andar até os seus longos braços. Para outros, ele começa a aparecer repetidas vezes, sendo visto apenas "com o canto dos olhos", quando e onde menos se espera. Na tela de uma televisão desligada, no espelho retrovisor do carro ou através da janela. Esses vislumbres segundo a lenda começam a minar a sanidade da vítima que vai se tornando cada vez mais paranoica, incapaz de precisar se as experiências são reais ou fruto de alucinações. 

Em comum, todas as versões aludem para o fato de que o Slender Man vai se aproximando cada vez mais da pessoa escolhida. No início, ele é uma sombra distante que observa do outro lado da rua ou no fundo de um depósito. Mas a cada experiência, ele parece mais próximo. Ele observa através do vidro da janela do quarto, ele está no pátio da casa ou dentro do próprio quarto de sua vítima que nada pode fazer para deter esse invasor. 

Uma versão recente afirma que o Slender Man teria sido em vida um criminoso cruel e degenerado que matava e torturava suas vítimas sadisticamente. Esse assassino teria sido acuado logo após ter cometido um crime que palavras não podiam descrever. Enfurecida, uma turba o capturou e arrastou até um descampado próximo a uma floresta onde ele foi despido e surrado. A multidão não satisfeita o torturou puxando seus braços e pernas até deslocá-los. Quando ele estava à beira da morte resolveram empalá-lo com um galho e amarrá-lo a uma árvore para que morresse ao relento. Seu corpo deformado pelo castigo, no entanto, se negava a morrer e ele acabou ressurgindo como uma entidade sobrenatural disposta a extrair vingança.

É interessante notar que essa versão da lenda urbana não é precisa em relatar quando ou onde aconteceu. A lenda, como um todo, não carece de detalhes... o linchamento poderia ter ocorrido na Costa Oeste na década de 1950, nas florestas de Vermont no século XIX ou em plena Europa Medieval em algum momento da Era das Trevas.      

Em grupos de discussão na internet comenta-se que o Slender Man surgiu em um concurso do website Somethingawful.com. Seu "criador", o usuário Victor Surge disse recentemente em uma entrevista que não se recordava sequer de ter enviado informações a respeito do Slender Man para o tal concurso. Ele contou que não gostaria mais de falar sobre o personagem e desde o início do ano não responde a nenhum pedido de entrevista. Em seu último contato público ele teria escrito: "Me arrependo enormemente de ter me envolvido com essa estória, se eu soubesse as dimensões que ela tomaria, jamais teria colocado meu nome nisso. Jamais teria me envolvido em algo assim". Golpe publicitário? Provavelmente, mas quem sabe...


Muitos dizem que o fato do Slender Man ter surgido em um concurso de ficção, derruba qualquer chance de haver um mistério legítimo por trás da estória. Há no entanto, aqueles que afirmam que o concurso foi apenas a maneira pela qual a lenda ganhou notoriedade. Para estes, o Slender Man já existia há muito mais tempo. Há uma vertente que diz que a estória já era contada no século XVIII, entre escravos catadores de algodão na Louisiana que o conheciam como o Homem de Braços Longos. Supostamente ele era o espírito de um escravo cujos braços ficaram presos em uma máquina de descaroçar algodão. Outros dizem que uma entidade semelhante, o Takkenmann (Homem Galho) era conhecida na Holanda desde o século XVI. O Takkenmann era um espírito maligno com braços longos em forma de galhos que levava as suas vítimas até o centro de florestas.

Mas o mito do Slender Man vai ainda mais longe. Nos últimos anos, uma teoria se tornou especialmente popular entre os seguidores da lenda. Uma figura bizarra do folclore germânico chamada Der Grossman, traduzido do alemão como "o homem grande", teria sido a base para a lenda do Slender Man. Diz a lenda, relatada no século XIII, que crianças desaparecidas na Floresta Negra falavam a respeito de um homem alto que só elas conseguiam enxergar, isso, poucos dias antes de sumirem sem deixar vestígios. Esse homem seria muito alto e esguio, com longos braços usados para imobilizar e sufocar as suas vítimas. Ele não falava nada, se misturava à vegetação da floresta e só podia ser visto pelos muito jovens, ou aqueles à beira da morte abandonados no coração da mata.  

Não raramente, as superstições medievais criavam monstros e entidades sobrenaturais que pudessem assumir a culpa por tragédias. Se uma crianças desaparecia, o culpado poderia ser um duende ou fada maligna. Se animais eram encontrados mortos, a culpa poderia ser de um lobisomem. Talvez esse seja o caso do Der Grossman, uma manifestação que supostamente vivia no centro da floresta, servida por crianças por ele abduzidas, crianças estas que nunca mais eram vistas. É inegável, que o Grossman guarda similaridades com o Slender Man, que vão muito além da aparência.  

Uma lenda do folclore romeno menciona duas irmãs gêmeas chamadas Sorina e Stela que foram levadas para a floresta pela mãe. Elas já haviam visto o Grossman e desde então tinham medo de entrar na mata. A medida que andavam elas perceberam aquela figura as seguindo furtivamente escondido atrás de árvores e arbustos. A mãe, no entanto, não nada via e mandava que elas parassem de inventar estórias. Finalmente, na parte mais escura da floresta, as três se depararam com o monstro: seus longos braços sem ossos serpenteando como cobras se estendendo.

A mãe aterrorizada com a visão pensou primeiro nas filhas e se atirou entre elas e a criatura. Ela gritou para as duas fugirem e as duas obedeceram. Ao longe ouviram os gritos abafados da mãe que havia se sacrificado por elas. Correram até se perder na floresta. Em uma clareira, o Grossman surgiu novamente, Stela foi agarrada, mas Sorina brigou para libertar a irmã e acabou ela própria presa. Stela não retribuiu o gesto da irmã e fugiu sem olhar para trás. Os gritos de desespero da irmãzinha mais nova implorando por socorro, chegavam até ela.

Ela correu e chegou até a casa da família, onde encontrou o pai rachando lenha. Incapaz de falar o que havia acontecido, ela apenas apontou para a floresta e o homem percebendo que havia algo errado apanhou o machado e correu para ajudar o resto da família. "Venha comigo! Mostre o que aconteceu", mas Stela acenou com a cabeça e se escondeu em baixo da cama. Minutos depois, ela ouviu os gritos do pai. Tomada de medo, ela acabou desmaiando.

Horas depois, quando já era noite, ela acordou com as batidas na porta. "Abra a porta, é seu pai!" disse a voz. A menina se negou. Abra a porta, é a sua mãe", a voz continuou pouco depois. Uma terceira vez a porta retumbou: "Abra a porta, é sua irmã Sorina!", mas Stela continuou se recusando a abrir a porta.

Finalmente ela tomou coragem e espiou pela fresta quem estava batendo e a visão a congelou de terror. Era aquela horrível criatura pálida de braços compridos como chicotes. Ela carregava a cabeça de seu pai, de sua mãe e de sua irmã presas na cintura. Os três choravam e soluçavam sem parar.

“Por que?” gritou Stela para a coisa. “Porque?” perguntou o monstro com uma voz de surpresa, “Ora, você não se importou com eles antes. Os abandonou para morrer, mesmo aqueles que a salvaram. O que lhe importa o destino deles agora?".

A menina abriu a porta. "Então pode me matar também! Quero ficar com minha família." disse engolindo as lágrimas amargas que queimavam na sua face. 

"Ah não" respondeu o monstro, "você não irá com eles, virá comigo. E lembrará para sempre a escolha que fez. Você negou a morte em nome da covardia, pois bem, viva ficará. Venha agora, está na hora de irmos..." e os braços do Homem Esguio se esticaram para agarrar Stela. Em silêncio ela desapareceu e nunca mais foi vista.

A lenda é muito antiga, uma fábula cuja moral é jamais abandone a família ou aqueles que ama, pois seu destino poderá ser pior do que a morte.

Poderia o Der Grossman ser o precursor do Slender Man?

Ficção da internet ou não, o Grossman parece ter voltado a existir depois do fenômeno do Slender Man. Uma lenda das ermas regiões rurais da Europa Medieval resgatada por uma típica lenda urbana dos dias da internet. O que faz esses mitos serem algo apavorante tanto para o povo ignorante da Alemanha Medieval quanto para as pessoas na era da informação? Talvez seja o fato de que alguns realmente questionam a existência dessa horrível criatura. Há websites inundados com testemunhos de pessoas afirmando ter visto o Slender Man. 

Ao que parece, o mito veio para ficar, ao menos enquanto a lenda continuar viva em nossos lábios...

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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Mutilações na Grã-Bretanha - Os Bizarros Rituais do Culto da Besta Lunar


adaptado do artigo de James Blackwell

Alguns dias atrás, eu estava examinando meus arquivos, e me deparei com uma série de anotações que estavam no fundo da gaveta. Uma delas em particular me chamou a atenção. Em 31 de agosto de 2000, cerca de um ano antes de me mudar para os Estados Unidos - um homem chamado Rob Lea me telefonou, e de uma forma ansiosa, e claramente preocupada, disse que tinha uma estória para contar. É claro, eu recebo várias dessas ligações, por isso, perguntei se ele podia adiantar qual o assunto que queria tratar. Ele ponderou por um instante e então em uma voz vacilante perguntou o que eu sabia a respeito de rituais de sacrifício e mutilação de animais que vinham ocorrendo no Reino Unido.

A pergunta me pegou de surpresa. Eu não sabia nada a respeito e ele me garantiu que vinha fazendo uma pesquisa a respeito desses incidentes realizados por membros de uma elite interessados em antigas cerimônias de cunho místico-religioso, que tinham como objetivo obter riqueza, poder e, em alguns casos, eliminar inimigos e desafetos usando magia.

Nem é preciso dizer que eu queria, e de fato precisava ouvir mais. Dois dias depois, eu marquei um encontro em um antigo pub no pitoresco vilarejo britânico de Milford, para encontrar meu preocupado informante. Rob havia lido um de meus artigos em uma edição do jornal Chase Post, na qual eu mencionava a controvérsia a respeito de mutilação de animais o que o levou a me contatar. Logo que cheguei, ele me reconheceu e acenando com a mão pediu que eu sentasse, oferecendo em seguida uma caneca de cerveja preta.

Rob, era um devoto do estilo gótico. Vestia um jeans surrado preto, coturnos pesados e um sobretudo de couro sobre uma camisa com a capa de um álbum de Siouxsie and the Banshees. Um boton com a perturbadora e inconfundível cara de Charles Manson completava sua indumentária. Pálido e emaciado, Rob bebeu seu primeiro copo de Guiness e pediu um segundo enquanto eu tinha bebericado apenas um ou dois goles do meu. Ele revelou que gostava de fazer pesquisas e que se considerava uma espécie de investigador, sempre interessado em temas incomuns. Eu apenas concordei e coloquei sobre a mesa um bloco de papel para fazer algumas anotações imaginando se não estava diante de um fá de Arquivo X que havia levado a devoção ao seriado longe demais.  Como a estória podia render algo interessante, resolvi ouvir o que Rob tinha a dizer, embora num primeiro momento quase tenha desistido.

Finalmente, depois de falar um pouco sobre seu trabalho, Rob resolveu abordar o assunto que motivou o nosso encontro. Ele contou que como resultado direto de um horrível incidente ocorrido em 1989 em Newport, próximo a fazenda onde ele e seus pais viviam, ele desenvolveu uma profundo interesse em casos envolvendo mutilação de animais.


Felizmente, Rob não era um defensor paranoico de teorias conspiratórias tentando validar estórias a respeito de alienígenas realizando experiências em animais de fazenda. Ele também não via conspirações governamentais para acobertar experimentos com vírus ou armas biológicas. Não! A pesquisa empreendida por Rob o havia conduzido por um caminho bastante diferente - e justamente isso acabou me atraindo para sua estória, toda aquela noção sombria envolvendo misticismo e crenças ancestrais.

Tudo começou segundo Rob em agosto de 1989, quando seu pai, um fazendeiro de Newport descobriu que cinco de suas ovelhas haviam sido mortas na calada da noite. Os animais estavam dispostos em um círculo a cerca de dois quilômetros da casa da fazenda. Todas as ovelhas haviam sido mortas da mesma maneira: a garganta cortada cuidadosamente por um instrumento afiado. Em seguida, vários de seus órgãos haviam sido removidos e empilhados em uma montanha sangrenta depositada no centro do círculo. Haviam ainda estranhos símbolos desenhados ao redor do círculo, símbolos que ele soube mais tarde serem derivados de crenças pagãs e tradições místicas muito antigas. Coisas que ele julgou serem de natureza demoníaca na época, pois ele identificou pentagramas e números marcados com cal no solo.

Acreditando estar diante do trabalho de um culto satânico ou de arruaceiros com interesse pelo ocultismo, o pai de Rob voltou para casa apavorado. A família rapidamente telefonou para a polícia e comunicou o que havia descoberto na sua propriedade. As autoridades vieram imediatamente e encontraram várias pegadas na área evidenciando que pelo menos meia dúzia de pessoas haviam sido responsáveis pelo estranho ritual que ocorrera ali. Um documento oficial foi preenchido, e os dois policiais que visitaram a fazenda pediram que a família não divulgasse o ocorrido a fim de evitar publicidade e não motivar imitadores.

Infelizmente, nenhuma pista que levasse aos responsáveis foi encontrada. A polícia segundo Rob agiu de forma rápida e sequer fotografou o local. Os investigadores disseram apenas que aquilo era um lamentável acontecimento isolado que provavelmente não iria se repetir. Mas aquele incidente sinistro deixou em Rob uma impressão duradora, e é claro, a coisa não terminou por ai.

Rob sorriu, e apanhou uma valise que estava ao seu lado no chão e a colocou sobre a mesa do bar. Eu afastei imediatamente os copos, cinzeiros e talheres para dar lugar a seja lá o que ele desejava me mostrar. Eu já estava intrigado pela narrativa e queria saber o que mais ele tinha para mostrar.

De dentro da valise, ele começou a retirar vários envelopes de cor parda com datas anotadas com caneta pilot na frente. Após examinar o conteúdo, ele o abriu e mostrou sete fotografias coloridas mostrando as cenas da carnificina que havia ocorrido na fazenda de seus pais onze anos antes. Rob contou que apesar da polícia não ter tirado fotografias, ele cuidou de registrar aquela cena dantesca. As fotos eram ampliações que ao menos validavam aquela parte da estória. Elas mostravam exatamente o que ele havia descrito, uma cena medonhamente sangrenta envolvendo carcaças de animais massacrados dispostos em círculo. Próximo a um amontoado de pedaços haviam os tais símbolos cuidadosamente escritos no chão. É claro, essa era apenas a introdução do caso que ele queria apresentar e muito estava por vir.

Ele prosseguiu, com um leve tom nervoso em sua voz, admitindo que no início ele próprio acreditava que a morte de animais estaria de alguma forma relacionada a experimentos ou até com a teoria de que visitantes extraterrestres por alguma razão estavam por trás dessas mortes bizarras.  No decorrer de sua investigação, entretanto, Rob desceu cada vez mais fundo no coração do mistério, e descobriu que algo muito mais perturbador estava acontecendo.


Por volta dos anos 1990, Rob viajou por várias regiões das Ilhas Britânicas em busca de outros casos que ajudassem a entender o que estava acontecendo, e encontrou evidências de que havia tropeçado inadvertidamente em uma sinistra, e possivelmente letal, sociedade secreta, formada por um grupo baseado na cidade de Bristol, todos indivíduos interessados em magia negra. Rob batizou esse grupo com o nome "Culto da Besta Lunar" uma espécie de cabal que promovia antigos rituais de morte e sacrifícios de animais. Ele começou a colocar sobre a mesa vários envelopes contendo documentos, anotações, artigos de jornal e fotografias que relatavam a descoberta de animais mortos com aquele mesmo estilo ritualístico. Ele disse que havia encontrado mais de cinquenta casos, mas que deveriam haver muito mais. 

O objetivo desses ritos e rituais, alguns extremamente elaborados conforme princípios arcanos muito antigos, era oferecer o sangue e a vida desses animais para invocar entidades monstruosas e seres malignos para que esses realizassem ações na nossa realidade. Era umas espécie de pagamento para que essas criaturas místicas cometessem quaisquer atrocidades que os mestres do Culto da Besta Lunar desejassem. 

Rob contou que havia encontrado várias ocorrências de massacres de animais semelhante a que ocorreu na fazenda de seu pai. Ele coletou estórias, ficou sabendo de sacrifícios, por vezes de dezenas de animais e começou a investigar aqueles estranhos símbolos cabalísticos que apareciam nos locais onde aquilo acontecia, sempre em áreas rurais isoladas. Ele passou a pesquisar história antiga, rituais pagãos, bruxaria e superstições, desconfiado de que os motivos para aquelas estranhas mortes estava em algum tipo de tradição hermética. 

Ele consultou também alguns professores universitários e especialistas em folclore medieval e acabou fazendo um belo trabalho de pesquisa chegando até a identificar vários dos símbolos encontrados nas cenas de sacrifício. Aparentemente havia fundamento no que ele havia descoberto, por mais inacreditável que fosse aquilo. Ele chegou a localizar testemunhas que afirmavam ter visto um grupo de indivíduos vestindo mantos e portando tochas, realizar o que parecia uma missa negra nos arredores de um pequeno vilarejo em Bath. Segundo suas investigações, o grupo promovia esses rituais sangrentos em noites propícias, quando a Lua cheia surgia no céu, permitindo que os canais de comunicação entre nosso mundo e o além estivessem mais abertos.

Rob disse que a quantidade de mortes era alarmante, mas que apenas uma fração daquela estória sórdida chegava ao público, porque os membros do Culto além de serem cuidadosos com as suas ações, contavam com a ajuda de pessoas influentes. Nesse momento, ele deve ter percebido a minha expressão de dúvida, e salientou que sabia o que eu estava pensando, deixando claro, que compreendia o quanto estranhas eram aquelas noções. Para reforçar seu ponto, ele mostrou uma série de fotos obtidas segundo ele em cenas de abate de animais (ovelhas em sua grande maioria) que sequer haviam sido publicados pelos jornais ou devidamente investigadas pela polícia. Na Grã-Bretanha, crimes contra animais são competência do Serviço de Investigação, um órgão que costuma levar à sério qualquer ocorrência. Crueldade com animais é um crime sério, que não prescreve. Contudo, nenhuma daquelas cenas dantescas havia entrado no sistema do Serviço de Investigação, ou seja, era como se não existisse, ainda que na maioria das vezes, os indivíduos lesados prestassem queixa. Rob comentou que até mesmo o caso ocorrido na fazenda de seu pai, anos antes, havia sido convenientemente apagado dos registros e a única anotação existente afirmava que apenas um animal havia sido abatido, possivelmente em algum tipo de acidente, A cópia do inquérito, segundo ele havia sido assinada por um policial que não estava presente no dia em que a polícia foi até sua fazenda e até mesmo a assinatura de seu pai, como queixante havia sido grosseiramente falsificada.

A essa altura, Rob havia conseguido despertar minha curiosidade novamente. Perguntei a ele como havia chegado ao Culto da Besta Lunar e ele sorriu ao responder: "Eles sempre estiveram por aí". A Sociedade segundo ele era bem antiga, sendo que na virada do século XIX havia tido seu ápice, em uma época na qual esse tipo de sociedade mística era muito popular nas classes mais elevadas da sociedade inglesa. Ele tomou conhecimento sobre essa sociedade através de um professor de Bristol que vinha realizando uma pesquisa por conta própria e pensava em escrever um trabalho a respeito. Rob deixou claro que o título pelo qual ele chamava esse grupo de ocultistas, o "Culto da Besta Lunar", fora inventado por ele mesmo apenas para poder nomeá-los de alguma forma. Ele contou ainda que vinha investigando as atividades desse grupo há pelo menos sete anos.


O que ele havia apurado, é que a Sociedade tinha como área de atuação Bristol, que realmente estava no centro do mapa que ele apresentou, assinalado com vários locais onde, segundo ele, haviam ocorrido sacrifícios de animais. Os membros, um grupo de pelo menos quinze indivíduos - mas possivelmente muitos outros, se espalhavam por várias cidades do oeste como Ipswich; Staffordshire, Cannock em Exeter, nos arredores de Devonshire e alguns em Bromley, no condado de Kent.

Rob relatou como ele próprio havia rastreado o movimento do grupo e clandestinamente seguido alguns de seus membros proeminentes até o local em que rituais ocorreram. Em pelo menos três ocasiões, Rob havia presenciado à distância a realização desses ritos ou encontrado o resultado das estranhas cerimônias pouco depois delas acontecerem. Em 2004, próximo ao Ingrestre Park Golf Club, nas profundezas da floresta de Cannock ele encontrou os restos de oito ovelhas e seis cabras recém abatidas. No bosque de Staffordshire, ele chegou a tirar fotos de um desses rituais - fotografias bastante escuras que ele levava na sua valise. As fotos mostravam o que parecia ser um grupo de pessoas ao redor de uma fogueira, mas não havia nenhum animal ou carcaça que eu pudesse perceber. Em pelo menos uma ocasião ele havia sido visto e teve que fugir depois que vários dos cultistas gritaram que ele estava invadindo e que seria preso. Isso ocorreu no Morehouse Park, outro famoso campo de golfe nos arredores de Ipswick. Ele havia conseguido identificar algumas daquelas pessoas pelo nome e garantiu que alguns eram personalidades públicas, pessoas influentes em vários níveis sociais, acima de qualquer suspeita. Gente com grande projeção econômica e influência em seus campos de atuação. Ele, no entanto, não estava disposto a revelar nenhum nome, por achar que tal coisa poderia ser perigosa.

Mas o que exatamente essas pessoas esperam conseguir com esses rituais?” eu perguntei. 

De acordo com as pesquisas, o Culto da Besta Lunar estava envolvido com rituais de feitiçaria e magia negra semelhantes ao praticado por congregações medievais na Europa Ocidental. Eles acreditavam que sacrificando animais e oferecendo-os em suas cerimônias, junto com palavras e um elaborado simbolismo religioso, seriam capazes de invocar entidades sobrenaturais nativas de planos e dimensões distantes que co-existiam com a nossa própria realidade. Ele acrescentou que certos lugares na Britânia - e de fato, ao redor do globo - possuíam uma natureza favorável para garantir o acesso a esses outros reinos. Neles era mais fácil romper a barreira, abrir janelas ou portais a fim de estabelecer a comunicação. Segundo a crença do grupo, com os devidos rituais era possível enfraquecer a barreira e fazer com que, ao menos por algum tempo, as entidades ouvissem seus apelos e recebessem suas oferendas. O Culto teria um profundo conhecimento a respeito das antigas cerimônias de oferta e sacrifício, aprendidas ao longo de sua existência e passadas aos membros eleitos para presidir os ritos. Quanto aos lugares, eles eram encontrados através de magias divinitórias que permitiam apontar em que localização o contato seria favorecido.

Sim, mas novamente, porque eles estão fazendo isso? Com que propósito?” eu pressionei em busca de uma resposta.

Rob olhou seriamente nos meus olhos, e após um ou dois segundos de silêncio, murmurou: 

Assassinato".

Assassinato,” eu repeti em um tom que era muito mais uma declaração do que uma pergunta.

O informante acenou com a cabeça e explicou que as entidades invocadas pelo cabal não eram criaturas comuns de carne e osso, mas sim seres inteligentes de natureza espiritual. Muitos místicos e ocultistas mencionam a existência de planos astrais povoados por seres que não são iguais aos que temos na Terra. Seres estes que são capazes de fazer coisas que nós podemos apenas classificar como sobrenaturais. Alguns ocultistas chamam essas criaturas de parasitas astrais, e eles são conhecidos por se alimentar de emoções e forçar pessoas a agir de forma incomum. Alguns seriam capazes de se alojar próximo ao seu alvo, causar doenças e até envenenar o corpo e a mente. Várias tradições antigas possuem estórias sobre esse tipo de entidade astral, algumas religiões as chamam por nomes que variam de Gênios, Dibuk, espíritos malignos, sombras, loas, tulpa... e é claro, demônios.  Muitas tradições os descrevem como criaturas sem um corpo físico, meras presenças invisíveis capazes de afetar terceiros e fazer com que o alvo sofra. Como a maioria das criações sobrenaturais, a forma delas mudaria de acordo com o observador, sendo que eles poderiam assumir a aparência que bem entendessem.


Ok,” eu disse. “O que você está dizendo é que essas pessoas estão conjurando demônios para matar seus inimigos. E que esses seres são chamados e pagos através de sangue?

Rob se recostou na cadeira com uma expressão calma. “Eu não estou dizendo que acredito nessas coisas, estou apenas relatando o que o culto acredita. E o que eles estão dispostos a fazer para promover essa crença. O poder da mente é algo assustador, o poder da sugestão pode ser algo muito forte".

Se o grupo deseja alguma coisa, e encontra um obstáculo eles agem para removê-lo. É claro, nem todos os seres que eles invocam agem no sentido de matar, muitos afetam a mente, o espírito, a vontade da pessoa. Minando sua resistência, fazendo com que a pessoa esmoreça diante deles. Fazem com que ela sinta estar sendo atacado, drenado ou enfraquecido em um plano espiritual. Talvez os rituais existam para combinar a vontade do grupo contra o alvo, como uma maneira de focar e canalizar energias negativas.

O fato é que eles acreditam nisso. E o custo para promover essas ações é consideravelmente baixo, uma vez que eles devem apenas sacrificar alguns animais e recitar algumas palavras em alguma língua morta. Isso é bem menos dramático do que contratar um assassino profissional ou um arsonista para incendiar uma casa e fazer parecer um acidente. O acaso é o aliado deles.   

Certo, eu posso entender isso. Mas o que há de tão especial nesse grupo de pessoas que precisam remover tantos oponentes e inimigos?"

Rob se ajeitou na cadeira e explicou que o Culto da Besta Lunar está ligado a importantes membros da sociedade exercendo influência em todo país. Eles são indivíduos cujas atividades tem grande repercussão, pessoas que colecionam inimigos e que precisam fazer com que seus pontos sejam reforçados. Eles comandam instituições poderosas, bancos, indústrias, fazem e aprovam leis e coordenam os pilares da sociedade moderna... Nem todos são membros da sociedade secreta, mas alguns ouvem falar dela, em sussurros e acabam contratando seus serviços para remover algum adversário político. É por isso, segundo Rob que tudo é investigado com certo desdém, a própria polícia recebe ordens para não se meter nas atividades, a mídia também é cortada e coagida a ficar em silêncio. 


Como ele explicou: “Digamos que você seja um político e que tenha de aprovar um contrato qualquer. Digamos que exista um adversário de um partido opositor ao seu capaz de anular seus planos e fazer o tal contrato ser rejeitado. Você procura por essas pessoas, e eles garantem que vão cuidar do problema. O custo disso será alguns animais sacrificados e uma contribuição. E semanas depois o adversário que está causando problemas tem um ataque cardíaco, escorrega na banheira ou tem que se aposentar devido a uma doença repentina ou ainda, se afasta após uma morte na família. Esse é o negócio deles.”

Um culto antigo realizando rituais macabros em pleno século XXI? Mortes sendo orquestradas através da invocação de criaturas malignas, subornadas com sangue? Uma conspiração que chega até pessoas importantes, verdadeiros pilares da sociedade britânica? 

Rob Lea afirmava que tudo aquilo era verdade.

Finalmente eu fiz a pergunta que me atormentava: "Você não teme que eles possam mandar essas coisas atrás de você"? 

O sujeito sorriu sem-graça: "Toda noite!" disse ele guardando as fotografias, mapas e documentos de volta na valise. "Mas eu sou apenas um pequeno incômodo. Eu não fui capaz de causar nenhum dano com minha investigação. E sinceramente, nem sei se poderia causar. De certa forma, para uma conspiração permanecer nas sombras, mais do que sigilo, atualmente é necessário que ela seja desacreditada. Que as pessoas acreditem que tudo não passa de bobagem inventada por algum paranoico". 

Eu concordei amargamente, ele afinal estava certo... eu mesmo não sabia se devia levar à sério a estória que ele acabara de me contar.

Nos anos seguintes perdi o contato com Robin Lea - por sinal, esse é um nome inventado, eu não iria revelar sua identidade verdadeira caso ele esteja por aí. Eu me correspondi com ele após nossa conversa no pub, mas não o encontrei mais pessoalmente. Recebi mensagens de e-mail, mas estranhamente elas pararam de ser enviadas cerca de dois anos depois. Tentei entrar em contato, mas não recebi nenhuma resposta. De volta a Grã-Bretanha tentei encontrar algum sinal dele, mas nada... o sujeito parecia ter sumido do mapa. É possível que ele tenha se apresentado com um nome falso? Talvez...

Hoje, treze anos depois daquela noite, na qual Rob Lea revelou uma estranha e perturbadora estória, ela ainda me provoca arrepios e deixa no ar um sentimento de ameaça. Será que em alguma área rural da Inglaterra, o Culto da Besta Lunar está fazendo um de seus trabalhos sangrentos?

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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Mesa Tentacular: "The Burning Stars"no Dungeon Carioca de Agosto


Semana passada (25 de agosto) tivemos aqui no Rio de Janeiro mais uma edição do Dungeon Carioca, evento que acontece mensalmente e reúne jogadores e mestres de RPG. Esta última edição foi especial para nós do Mundo Tentacular, uma vez que vários encontros são temáticos e este último teve como tema H.P. Lovecraft, em comemoração ao seu aniversário.

O encontro contou com cerca de 70 pessoas e várias mesas onde foram jogadas diferentes cenários ligadas ao Horror Cósmico, mas não necessariamente nas ambientações inspiradas por Lovecraft. Havia por exemplo mesas de Dungeons and Dragons onde aberrações tentaculares eram o centro das atenções, uma mesa do Mundo das Trevas em que o horror gótico dava lugar a entidades ancestrais, e assim por diante.

Como sempre, o encontro foi muito divertido, e tenho certeza que todos os presentes se divertiram bastante vivenciando típicas investigações do Mythos e se metendo com "coisas que a mente humana não está preparada para conhecer".

Aproveitei a ocasião especial para narrar um cenário diferente que eu nunca havia tentado antes. Na verdade, eu nunca havia ousado narrar essa aventura porque a proposta dela é bem diferente, cheia de reviravoltas peculiares e situações estranhas, para dizer o mínimo.

Aqueles que leram o cenário "The Burning Stars" do livro "Terrors from Beyond" devem saber a que me refiro. Essa aventura começa de forma diferente e a medida que os mistérios vão sendo revelados e a investigação vai se aprofundando, os personagens (e porque não dizer, os jogadores) começam a sentir que a coisa não vai acabar bem.

E de fato não acaba...

"The Burning Stars" (As Estrelas que Queimam) é o último cenário de uma antologia de aventuras para Call of Cthulhu clássico BRP. Ela foi escrita pelo australiano David Conyers, na minha opinião um dos melhores escritores de aventuras de CoC, responsável pelo livro Secrets of Kenya e pela coleção de contos XXX. A quantidade de detalhes dessa estória e a originalidade do roteiro me deixaram impressionado. Não é todo dia que a gente se depara com uma estória que poderia ser transformada em um roteiro de filme, e é exatamente essa impressão que "The Burnig Stars" deixa.

De certa forma, eu cheguei a me sentir um tanto intimidado por essa aventura. Cheguei a pensar que eu não conseguiria passar o clima dela, ou traduzir na sessão de jogo a sensação sufocante de um pesadelo do qual não se consegue despertar... é uma estória difícil, cheia de reviravoltas que ao meu ver precisa contar com a boa vontade e um determinado grau de envolvimento dos jogadores. Se alguma coisa sair da linha, a coisa pode dar errado e a aventura toda perde o choque, a carga dramática e o próprio sentido. Por essas e outras, eu não queria desperdiçar esse cenário...

E felizmente, peguei o grupo certo para o jogo.

Peço desculpas a todos por estar sendo tão vago nesse "report da sessão". Reconheço que em alguns momentos, escrever sobre as experiências de jogo, essas Mesas Tentaculares, acaba sendo complicado, pois tento não revelar os detalhes da trama, uma vez que pretendo narrá-las novamente. E nesse caso em especial, contar demais acabaria estragando o divertimento alheio. O que posso dizer com certeza é que "The Burning Stars" é uma das melhores aventuras que já narrei. Sem dúvida ela está no meu TOP 5 e pretendo reprisar essa estória de horror e loucura nos anos 1930. 

Bem, se não posso dar detalhes sobre a trama, ao menos posso colocar aqui as fotografias de como foi o jogo e dos props/ handouts que usei na sessão. 

Fotos da Sessão:


A mesa contou com cinco jogadores. Eu cheguei a achar em um primeiro momento que essa estória deveria ser jogada apenas por veteranos que conhecessem Call of Cthulhu e a proposta do jogo. Mas surpresa das surpresas, dois dos jogadores estavam em sua primeira investigação lovecraftiana e se saíram muitíssimo bem.

Call of Cthulhu é um dos únicos RPG que eu conheço que se vale do benefício dos jogadores desconhecerem o cenário. De certa forma, quanto menos um iniciante souber a respeito do universo do Mythos melhor... ele assim não sabe o que esperar, não imagina o que vai encontrar e onde seu personagem está se metendo. Isso aumenta e muito a sensação de "soco na boca do estômago" que se experimenta em um cenário de horror cósmico - ainda mais nesse em especial.


Cinco jogadores entram, apenas um sai vivo. "The Burning Stars" é um daqueles cenários em que você sente que as coisas não vão terminar bem logo nas primeiras cenas. As ameaças que vão se avolumando são colossais e lá pelas tantas, o risco de seu personagem perder a sanidade, a vida (e a própria alma) faz com que o pesadelo niilista se instaure em todos. 


Espero que o pessoal tenha gostado, da minha parte foi um prazer deixá-los loucos (com direito a insanidade total) e arrancar seus membros um a um. E acreditem, não estou falando em sentido figurado.

Props/ Handouts e Material de Jogo

Eu queria fazer algo diferente para esse cenário, investir no visual dos handouts e oferecer uma ficha que fosse específica para o jogo.


Estes personagens prontos são específicos para o jogo, eles se encaixam perfeitamente na ambientação. A introdução do cenário até permite que os jogadores criem ou usem seus próprios personagens, mas acho que para o cenário funcionar perfeitamente o grupo deve usar os personagens indicados.

É claro, eu fiz algumas mudanças de última hora. Inclui um personagem que não estava na lista e preferi cortar dois que poderiam dificultar a interpretação. No final das contas ficou na medida certa.


O grupo era formado por dois detetives particulares de uma agência de investigação de Nova York, indivíduos contratados para solucionar um estranho caso de desaparecimento. Eles eram acompanhados por um consultor, com contatos no submundo, o tipo do sujeito capaz de encontrar as pessoas certas e estabelecer uma negociação. Fechavam o grupo, o sujeito que contratou os serviços da agência, um obstinado financista e milionário americano e seu guarda costas de confiança.


Gostei das imagens dos personagens e da biografia de cada um deles. Personagens desse tipo sempre fornecem elementos para os jogadores trabalharem.

Outra coisa que eu sempre me divirto é quando os jogadores começam a ler a ficha e descobrem que seus personagens possuem habilidades combativas e farto armamento à sua disposição. "Isso não pode ser boa coisa", os mais experientes comentam.


Essa é uma daquelas aventuras extremamente investigativas. Boa parte do cenário envolve andar de um canto para o outro e coletar pistas que vão servir para entender o mistério. "The Burning Stars" faz o caminho inverso da maioria das aventuras. As pistas já foram reunidas, mas os investigadores precisam descobrir como elas se encaixam a fim de montar o quebra-cabeças.

Eu fiz várias dos Handouts usando diferentes fontes e papel de impressão de gramatura diferente para dar a impressão de que algumas delas eram jornal ou documentos oficiais.


Foi uma boa oportunidade para usar essa imagem "Fight Satanism!" (Combata o Satanismo!) que não faz parte originalmente da aventura, mas que encaixou perfeitamente num trecho que inseri na trama.


Essas cartas de tarot não fazem parte do cenário. 

Originalmente eu pretendia utilizar cartas de tarot de verdade, mas no fim acabei preferindo essas aqui. Elas são do Tarokka Deck (o baralho usado pelos ciganos na ambientação de Dungeons and Dragons - Ravenloft). Eu sei, eu sei... algumas dessas cartas não existem no baralho de tarot, visto que são adaptadas para uma ambientação de fantasia. Por outro lado, esse baralho é bonito demais para ficar guardado no fundo da gaveta.

Era a chance de usá-lo novamente, depois de um bom tempo.


A aventura tinha dois props físicos que não deram muito trabalho para fazer. O primeiro era essa chave do quarto de Hotel ocupada pelos personagens.


A outra já deu um trabalhinho...

Um pote de vidro de uma espécie de empório, o Sugarcane, que negocia objetos ligados a práticas vodu. O Sugarcane realmente existe, é uma loja estabelecida em Nova York no início do século por uma suposta sacerdotiza Vodu. A loja, oferece e negocia artigos incomuns. 


Dentro do pote, uma curiosa mariposa morta. Eu pensei em arranjar uma mariposa de verdade para colocar no pote, mas quem disse que a gente encontra essas coisas quando precisa?

Tive que quebrar o galho achando uma imagem condizente que imprimi, cortei e colori. No final das contas ficou perfeito. Parecia realmente um inseto de verdade no fundo do vidro e o pessoal ficou meio reticente quanto a abrir o frasco e ver o que estava dentro.


Bom pessoal, é isso...

O espirituoso Barão Samedi diz boa noite à todos e aguarda novos jogadores em breve para esse cenário.