quinta-feira, 10 de julho de 2014

O Homem que Inventou o futuro - Nikola Tesla e suas realizações incríveis

Sim, essa é uma postagem antiga como os leitores mais antigos do Mundo Tentacular devem saber.

Acontece que hoje, dia 10 de Julho comemora-se o aniversário do genial cientista croata Nicola Tesla, uma data que vem sendo chamada Tesla Day.

*     *     *

Colorado Springs, 1899Aquele celeiro com uma torre de 27 metros de altura guardava segredos incríveis. Pouco se sabia sobre o que estava acontecendo lá, mas uma coisa era certa: era algo que beirava o sobrenatural.

A população de Colorado está curiosa sobre o que o grande inventor está tramando, mas respeita os sinais ao redor do perímetro onde está escrito: "MANTENHA A DISTÂNCIA - GRANDE PERIGO". Mesmo assim, eles logo sentem os efeitos da experiência. Faíscas saem do chão conforme eles andam pelas ruas, penetrando em seus pés pelos sapatos. A grama ao redor do prédio brilha com uma pálida luz azul. Objetos de metal segurados próximos a hidrantes descarregam raios elétricos em miniatura á vários centímetros de distância. Lâmpadas acendem espontaneamente a quinze metros de sua torre sem nenhum contato com fios e mesmo com interruptores desligados. É uma cena esquisitíssima!

Os assistentes montaram um laboratório único nos arredores da cidade, que parecia mais com um grande celeiro embaixo de uma torre. Este era o "Transformador Amplificador", que dizem ser a maior das invenções. Naquele momento estavam apenas sintonizando o equipamento. Estes eram os efeitos colaterais do ajuste do transformador amplificador à Terra. Uma vez que ele estava adequadamente calibrado, o cientista estava pronto para conduzir a maior obra de sua carreira, usando todo o planeta como cenário.

Numa noite de 1899, o cientista aciona sua máquina em força total na esperança de produzir um fenômeno que ele chamará de "crescente ressonante". Sua torre descarrega na Terra dez milhões de volts. A corrente atravessa o planeta na velocidade da luz, forte o bastante para não morrer antes do final. Quando ela chega ao lado oposto do planeta, ela é rebatida de volta, como círculos de água voltando à sua origem. Ao voltarem, a corrente está bem fraca, mas o cientista emite uma série de pulsos que se reforçavam um ao outro, resultando em um forte efeito cumulativo.

No ponto de observação, de onde o cientista e seus assistentes controlam o experimentam, a crescente ressonante manifesta-se como uma demonstração alienígena de raios que ainda estão até hoje catalogados como a maior descarga elétrica da história. A corrente de retorno forma um arco voltaico que eleva-se até o céu por dezenove metros. Trovões apocalípticos são ouvidos a trinta e três quilômetros de distância. O cientista, antes, preocupado com a possibilidade de haver um limite para a geração de descargas ressonantes, descobre, naquele evento, que o potencial é ilimitado. A experiência faz com que o gerador de força de Colorado Springs incendeie e isso faz com que o fornecimento de energia, antes gratuito para as suas experiências, venha a ser interrompido.

O cientista dessa história chama-se Nikola Tesla, nascido em 9 de julho de 1856, na vila de Smiljan, na Croácia, exatamente à meia noite.Desde o início de sua infância, ficou claro que Tesla era uma mente extraordinária. Seu pai, Milutin Tesla, o ajudou a fortalecer sua memória e raciocínio através de uma grande variedade de exercícios mentais. Sua mãe, Djouka Tesla, vinha de uma longa linhagem de inventores. Tesla tornou-se famoso por suas palestras ao demonstrar invenções e conceitos como mágica. Os leigos ficavam encantados pelos raios elétricos que saíam de suas bobinas brilhantes, e lâmpadas sem fio que se acendiam ao entrarem em contato com sua mão. Isso fez com que Tesla ficasse conhecido como um ilusionista, tamanho o espanto que provocava.

A transmissão sem fio de energia elétrica foi a maior pesquisa de sua carreira. Ele descobriu que um tubo de vácuo colocado em proximidade com uma bobina instantaneamente começa a brilhar, sem fios e nem sequer um filamento dentro do tubo. Ressonância elétrica era a base da descoberta. Ao determinar a frequência da corrente elétrica necessária, Tesla era capaz de ligar e desligar séries de lâmpadas diferentes à metros de distância.

Ele tornou-se um cidadão americano em 1891, e sua nova tecnologia seria seu presente de agradecimento para seu país adotivo: Um meio de transmitir energia instantâneamente, através de qualquer distância, pelo ar. Energia grátis para todos. Aqui Tesla comete o seu primeiro e o pior de todos os seus erros. Ser um humanista na terra onde o capitalismo fez sua morada. Os americanos queriam a inteligência de Tesla para ganhar dinheiro, não para fazer solidariedade. J.P. Morgan e Westinghouse detestavam ouvir falar na palavra "grátis".

A tragédia marcou a infância de Tesla, ainda criança provocou a morte acidental de seu irmão mais velho, Dane. O remorso o perseguiu por toda a sua vida, e não importava o tamanho de suas descobertas, ele jamais se perdoou.

Tesla sofria particularmente de um mal no qual flashes de luz apareciam diante de seus olhos, acompanhados de alucinações. Na maioria dos casos, as visões estavam ligadas a uma palavra ou item que ele poderia vir a encontrar no futuro, simplesmente ao ouvir o nome do item, ele involuntariamente o visualisava em perfeitos detalhes. Quando atingiu sua adolescência, aprendeu a reprimir essas visões. Quando elas ocorriam, tinham uma natureza que poderia ser descrita como psicótica.

Certa vez Tesla tentou nadar por debaixo de uma estrutura que se estendia além do que ele havia imaginado. Viu-se preso debaixo d'água, sem sinal da superfície, um flash apareceu e com ele Tesla viu uma pequena abertura que levava a um bolsão de ar. Sua visão estava correta, e sua doença o salvou da morte certa. Quando seus pais morreram, Tesla afirmou ter tido uma premonição detalhada do que aconteceria. Dizia ter o dom da telepatia e afirmava ser capaz de transmitir mentalmente imagens a pessoa situada em outra sala.

Tesla ocupava sua mente lendo tudo o que era capaz. Aprendia tudo o que estava ao seu alcance absorvendo as informações como se fosse uma esponja. Os sentidos físicos de Tesla eram hipersensíveis. O tic-tac de um relógio de pulso o ensurdecia, mesmo a vários quartos de distância. Ele usava almofadas de borracha nos pés de sua cama para aliviar as vibrações das pessoas que passavam fora do quarto. Para ele parecia um terremoto. A exposição à luz era dolorosa, não somente à seus olhos, mas também a sua pele. Tempos depois a hipersensibilidade voltava ao normal e ele prosseguia em seus experimentos.

As dificuldades fisiológicas e emocionais de Tesla o fizeram um homem de mente brilhante e excêntrico. Detestava contato físico com outras pessoas e tinha raiva quando tocavam seu cabelo. Para evitar um aperto de mãos, ele mentia dizendo que havia se acidentado. Ele nunca teve uma relação amorosa de qualquer tipo. Uma mulher certa vez tentou beijá-lo e ele saiu correndo. Ainda assim, Tesla exibia uma clara apreciação por mulheres e exigia que suas secretárias se vestissem bem.

Tesla parecia sofrer de T.O.C. (Transtorno-Obsessivo-Compulsivo). Tudo ele fazia em três partes ou etapas. Quantidades de vinte e sete eram as suas prediletas, pois é três ao cubo. Tesla calculava o peso da comida antes de ingerí-la. Media as porções com uma régua e mergulhava pedaços na água para determinar quantos centímetros cúbicos eles tinham. Gostava de bolachas de sal por causa da uniformidade de volume que elas apresentam. Tesla esquecia de comer e trabalhava por dias sem dormir. A certa altura, sua devoção ao laboratório lhe causou tal stress que ele esqueceu quem era.

Tesla assumia que só tornaria-se um inventor ao atingir a maturidade.

Tesla iniciou sua educação superior no Instituto Politécnico de Graz, perseguindo o estudo no tópico que mais o fascinava: eletricidade. Ele estudava muito, quase durante todo o dia, em uma rotina que ia das 3:00 da manhã às 11:00 da noite todos os dias.

Aluno extraordinário irritava seus professores, questionando o status quo tecnológico com um insight que por muito superava o de seus instrutores. Ele era contra a idéia que a corrente contínua era o único meio de distribuir energia elétrica. A corrente contínua era ineficiente e incapaz de transmitir energia a longas distâncias. Deveria haver um outro método. A idéia da corrente alternada era vista pela comunidade científica com descaso, em muitos aspectos tal como a fusão a frio é hoje.

Durante o curso superior, seu pai morreu e Tesla abandonou a escola politécnica. Sem dinheiro para financiar sua instrução, torna-se um operador de telégrafo. Tesla desenvolve o sonho de migrar para a América e tornar-se um pioneiro em energia elétrica. Testa é acometido de uma nova visão: Duas bobinas, posicionadas em ângulo reto e alimentadas com uma corrente alternada à noventa graus de fase entre si poderiam fazer um campo magnético girar, sem a necessidade do comutador utilizado em motores de corrente contínua. Tesla sabia que isto iria funcionar.

Este era o método de Tesla para desenvolver invenções através de toda a sua carreira: sem cadernos, diários ou protótipos. Sua capacidade de transformar idéias em visualizações concretas que o haviam transtornado durante a juventude, havia finalmente voltado a seu favor. "No momento em que uma pessoa constrói um aparelho para levar a cabo uma idéia crua, ela se encontra inevitavelmente envolvida com os detalhes deste aparelho", disse Tesla em sua autobiografia. "Conforme ele procede em tentar melhorar e reconstruir o aparelho, sua força de concentração diminui e ele perde de vista o Grande Propósito".

Em 1882, ele arrumou um emprego na Companhia Continental Edison em Paris, distinguindo-se como um bom engenheiro. Dois anos mais tarde, viajou à Nova York para conhecer o presidente da companhia: o próprio Thomas Edison.

Este encontro não foi bom como havia sonhado. Edison o observou com desprezo e certamente não tinha intenção em colaborar com qualquer esquema AC. Edison via AC como uma ameaça a seu império DC. Tesla prometeu aumentar a eficiência de dínamos em 25% em dois meses. Edison disse a ele que se assim conseguisse, ele lhe pagaria cinqüenta mil dólares. Conseguiu cumprir com a promessa, melhorando os dínamos por uma margem maior do que a prometida a Edison. Mas, quando pediu por seu pagamento, Edison recusou-se a honrar o acordo, dizendo que estava apenas ‘brincando’. Tesla demitiu-se e nunca mais trabalhou com Edison.

Tesla foi contatado por um grupo de investidores que desejavam vender a lâmpada de arco que ele havia inventado e assim, nasceu a Companhia Elétrica Tesla. Tesla estava ansioso por esta oportunidade de trazer a corrente alternada ao mundo, mas seus investidores nada queriam com ela. Assim, Tesla foi rejeitado pela companhia que tinha seu próprio nome.

Na bancarrota, uma das mentes mais brilhantes do mundo estava reduzida a trabalhos braçais faturando um dólar por dia. Planejou cometer suicídio no seu trigésimo aniversário, à meia noite em ponto, hora do seu nascimento. Antes que isso ocorresse, porém, A. K. Brown da Western Union soube da situação de Tesla. Brown, determinado a devolver o gênio a seu lugar no mundo, ofereceu-lhe um laboratório próprio, e a chance de pesquisar a corrente alternada.

Salvo, Tesla imediatamente começou a trabalhar em seu dínamo AC. O dínamo funcionou exatamente como previu todos estes anos dentro de sua mente. Tesla demonstrou sua invenção ao público, e logo tornou-se a sensação da comunidade de engenheiros. Dentre os convertidos por suas palestras à corrente alternada, estava George Westinghouse, quem negociou com Tesla a fabricação dos dínamos. A primeira aplicação desta tecnologia: As cataratas do Niagara. Westinghouse venceu a concorrência para a utilização do Niagara, oferecendo metade do que Edison ofereceu para a instalação de um sistema DC. Em 1895, O sistema de energia AC de Niagara foi inaugurado sem uma única falha, transmitindo energia até Buffalo, a aproximadamente trinta e três quilômetros de distância, uma total impossibilidade com corrente contínua. Não mais uma comodidade luxuosa reservada aos ricos, a energia elétrica agora era para todos.

Pela primeira vez em sua vida, Nikola Tesla era imbatível.

A fama de Tesla fez com que ele fosse procurado para construir aparelhos com fins militares. Sua primeira invenção utilizava uma espécie de automação tecnológica, com a qual o trabalho de seres humanos poderia ser substituído por máquinas. Tesla concebeu idéias para barcos e submarinos controlados remotamente. O governo nunca aceitou a oferta de Tesla, mas ele conseguiu um contrato militar com a marinha alemã. O produto eram as turbinas sofisticadas que o almirante Von Tirpits usou com grande sucesso em sua armada de navios de guerra. Quando começou a Primeira Guerra Mundial, cancelou o contrato com os alemães. Não queria ser acusado de traição.

Com os Estados Unidos à beira da guerra, Tesla idealiza o "Raio da Morte", aparentemente uma espécie de acelerador de partículas. Não há certeza se usou seu Raio da Morte, ou se ele sequer chegou a construí-lo. Mas existe uma história relatada do que aconteceu naquela noite em 1908, quando Tesla testou sua arma.

Naquela época, Robert Peary estava fazendo sua segunda tentativa em se chegar ao polo norte. Tesla notificou a expedição que eles estariam tentando entrar em contato com eles de alguma forma, e eles deveriam relatar qualquer coisa incomum que eles observassem. Na noite de 30 de junho, acompanhado por seu associado, George Scherff, na torre de Wardenclyffe, Tesla apontou seu raio através do atlântico, para o ártico, a um ponto calculado como estando a oeste da expedição de Peary. Tesla ligou o equipamento. Uma coruja que voou de seu ninho no topo da torre em direção ao raio foi desintegrada instantaneamente. Isso concluiu o teste. Tesla observou os jornais e enviou telegramas para Peary na esperança de confirmar o raio da morte. Nada foi respondido. Já disposto a admitir derrota, recebeu notícias de um estranho evento ocorrido na Sibéria.

Em 30 de junho, uma enorme explosão havia devastado Tunguska, uma área remota na floresta da Sibéria. Quinhentos mil acres quadrados de terra foram destruídos por algo com força equivalente a quinze megatons de TNT. Tunguska é a mais poderosa explosão ocorrida na história, nem mesmo as explosões termonucleares ultrapassaram sua força. A explosão foi audível a 930 quilômetros de distância. Os cientistas falaram de um meteorito ou fragmento de um cometa, mas nenhum impacto ou restos minerais de tal objeto foram encontrados.

Tesla acreditava que seu raio da morte tinha ultrapassado o alvo calculado e atingido Tunguska. Apavorado com as implicações de sua arma, Tesla desmontou o raio da Morte, queimou todos os registros e plantas da arma.

Seis anos mais tarde, o fim da Primeira Guerra fez com que Tesla escrevesse ao presidente Wilson, revelando o segredo do teste do Raio da Morte. A única resposta de Tesla à sua proposta foi uma carta formal de apreciação da secretária do presidente. Ninguém acreditava em sa estória!

Tesla fez mais uma tentativa de ajudar seu país na guerra em 1917. Ele concebeu uma estação emissora de ondas exploratórias de energia, permitindo que seus operadores determinassem com precisão a localização de veículos inimigos distantes. O departamento de guerra riu e rejeitou o "raio explorador" de Tesla. Por trás dessa ironia e reprovação estava ninguém menos que Thomas Edison e a inveja que tinha de Tesla.

Uma geração mais tarde a invenção ajudaria os aliados a vencerem a Segunda Guerra Mundial. Era o radar.

Em uma de suas experiências com tecnologia ressonante em Nova York, seu laboratório foi invadido por um esquadrão de policiais, exigindo que Tesla parasse com seus experimentos. A ilha de Manhattan estava vibrando por quilômetros de distância. Tesla não sabia que ondas ressonantes tornam-se mais fortes quanto mais elas viajam. O estranho equipamento foi batizado de "Máquina de Terremotos de Tesla".

Em seus últimos dias, Tesla ficou fascinado com a idéia da Luz como sendo tanto partícula como onda - a proposição fundamental do que se tornaria a física quântica. Foi este campo de investigação o levou à criação do Raio da Morte. Tesla também tinha a idéia de criar uma "parede de luz". Esta misteriosa parede de luz permitiria que o tempo, espaço, matéria e até gravidade fossem manipuladas à vontade do operador, e concebeu uma grande variedade de propostas que parecem hoje sair diretamente da ficção científica, incluindo naves anti-gravidade, tele transporte e viagens no tempo.

Tesla afirmava que todo o pensamento criado pela Mente Humana criava uma imagem correspondente na retina, e a informação elétrica desta transmissão neural poderia ser lida e gravada em uma máquina e visualizada como padrões visuais em uma tela.

Em seus últimos anos de vida, Tesla experimentou uma forte campanha, quase uma cruzada contra sua pessoa e suas idéias.

As indústrias haviam virado suas costas a ele. A comunidade científica ignorava suas idéias. O público o conhecia como um lunático cujas teorias eram apenas úteis para tablóides sensacionalistas.

Grandes empresários e o governo dos Estados Unidos conspiraram para suprimir seu gênio inventivo. No topo da lista de suspeitos, está Thomas Edison, que temia o sucesso de seu antigo empregado com a corrente alternada, e efetivamente liderou uma campanha para destruir o nome de Tesla. Ele organizou demonstrações nas quais animais eram eletrocutados letalmente com equipamentos AC. Edison também fez parte da mesa de conselheiros do departamento de guerra que rejeitou as propostas de Tesla para o Raio da Morte e seu radar.

J. P. Morgan também foi implicado na Teoria da conspiração anti-Tesla. Morgan efetivamente ampliou sua já monumental fortuna explorando as idéias do inventor, até que ele descobriu que sua idéia era a criação de livre energia, uma idéia assustadora a qualquer capitalista respeitável.

O FBI ordenou que o escritório de propriedades estrangeiras se apoderasse de todos os documentos de Tesla. Tesla era cidadão americano desde 1891, não era estrangeiro. Considerado inofensivo para a segurança nacional seu arquivo foi encerrado em 1943 e reaberto em 1957, após saberem que os russos estariam realizando experiências com sua tecnologia. Muitos estão convencidos que o Pentágono realizou várias experiências baseadas na tecnologia de Tesla.

Uma última teoria é a de que Tesla arruinou sua própria reputação com suas invenções e propostas fora de época. Tesla nunca aceitou o trabalho de Albert Einstein. Em termos práticos, estes argumentos estão provavelmente corretos. Um sistema de energia livre, hoje, ainda não seria aceita.

Em 7 de janeiro de 1943, Nikola Tesla morreu em Nova York aos 87 anos. Ele estava literalmente quebrado, vivendo no hotel New Yorker, em uma sala que dividia com um bando de pássaros, quem ele considerava seus únicos amigos.

O verdadeiro legado de Tesla está sendo reconhecido. A Corte Suprema dos Estados Unidos declarou pouco após sua morte que Tesla era o verdadeiro inventor do rádio e não Guglielmo Marconi. Tesla foi reconhecido como o inventor da lâmpada fluorescente, o tubo amplificador a vácuo e a máquina de raios X. Os livros de história começam a reparar tamanha injustiça. As pessoas bem sucedidas podem não ser as mais brilhantes, mas sim aquelas que sabem lidar com as regras do jogo da fama e da riqueza. Tesla era um discípulo da ciência pura e não da ciência aplicada e não sabia como lucrar com suas idéias. Seus parceiros de negócios frequentemente não agiam com lisura e Tesla contribuía tomando desastradas decisões financeiras.

A história de Tesla trás grandes lições que puxam a uma reflexão individual por vezes dolorosa. Tesla chegou a ser indicado ao Prêmio Nobel de Física, juntamente com Edison, mas recusou-se a recebê-lo.

O que sabemos é que quanto mais avançamos na tecnologia mais escutamos falar de Tesla. Como um fantasma cuja energia nunca acaba, Tesla retorna a zombar da nossa pobre capacidade de lidar com o novo e aliado a ele o que chamamos de moderna tecnologia.

Adaptado do texto de Luis SucupiraBlog Saíndo da Matrix

terça-feira, 8 de julho de 2014

O Horror no Hospital - Impressionantes Incidentes ocorridos em hospitais


Enquanto as florestas são cheias de coisas inexplicáveis e assustadoras, elas estão longe de concentrar o monopólio de ocorrências sobrenaturais. Se apenas uma parcela das estórias relatadas por profissionais da área médica forem reais, hospitais, casas de saúde, ambulatórios e outros estabelecimentos médicos também apresentam casos inexplicáveis envolvendo assombrações, especialmente as de natureza diabólica.

Enfermeiros lidam com aspectos da morte diariamente, e não é de causar surpresa que muitos se voltem para a religiosidade para encontrar sabedoria ou conforto. Entretanto, encontros com forças diabólicas podem influenciar o ponto de vista dos enfermeiros na eterna batalha entre o bem e o mal?  Uma página chamada AllNurses.com, reúne relatos de profissionais da área médica que compartilham experiências intrigantes que tiveram com pacientes à beira da morte.

Uma enfermeira contou um incidente perturbador. Certa vez, ela vinha tratando um paciente que sofria com uma doença terminal que seguramente o levaria a morte. Era questão de tempo até que seu organismo perdesse a luta. Apesar de medicado, o homem ainda resistia, pois estava aterrorizado com a noção de morrer. 

Toda vez que seu monitor de frequência cardíaca bipava, ele sussurrava, "Não me deixe morrer! Não me deixe morrer," escreveu a enfermeira. Um acompanhante designado tentou lhe dar algum conforto espiritual, mas ele continuava tenso repetindo que não podia morrer. Naquela mesma noite, algo inexplicável aconteceu. 

O paciente, internado no quarto 602, estava piorando, e a enfermeira fazia a ronda de rotina levando os medicamentos prescritos. Contudo, ela não estava preparada para o que encontrou quando abriu a porta.

"O homem estava estirado na cama, seu corpo hirto, rindo sem parar," escreveu a enfermeira. "Sua face toda tinha mudado, o rosto contorcido em uma expressão cheia de ódio e malícia. Seus olhos tinham um brilho que eu só posso definir como, maligno e um sorriso medonho nos lábios. Quando ele me viu parada na porta, segurando a bandeja com os medicamentos ele rosnou com uma voz gutural: "Nem pense em dar isso a ele. Sua vagabunda estúpida, deixe-o morrer de uma vez'". Em seguida o corpo do paciente se ergueu, flutuando alguns centímetros acima do colchão, ele estremeceu violentamente derrubando o soro e ao aparelho de monitoramento de sinais vitais. O corpo então caiu pesadamente sobre a cama".

Depois desse assustador incidente, o paciente teve um ataque cardíaco. Os médicos correram com o equipamento ressuscitador, mas o paciente morreu vinte minutos depois. Seus olhos foram fechados e um lençol colocado sobre seu corpo. O terror, entretanto, ainda não havia terminado. Poucos minutos depois que um médico confirmou a morte, os enfermeiros começaram a limpar o aposento, quando ouviram um gorgolejar vindo do corpo coberto. 


Ao se aproximar uma das plantonistas jurou ouvir as palavras: "Vocês me deixaram morrer". Uma das enfermeiras que ajudava na limpeza saiu correndo do quarto apavorada enquanto a outra puxou o lençol e se deparou com o cadáver com os olhos abertos a encarando e um filete de sangue correndo de sua boca. 

"Depois disso, coisas estranhas começaram a acontecer no quarto 602: sussurros, lamentos e alguns mencionavam até risadinhas abafadas. Tivemos mais três pacientes que não sobreviveram no quarto 602 em um período de poucas semanas, uma média de óbitos maior do que nos outros quartos", contou a enfermeira, "Nós, é claro, evitávamos falar a respeito, mas era impossível não perceber que havia algo estranho naquele quarto".

Por "estranho", a enfermeira apontou momentos em que o aposento ficava estranhamente frio, equipamentos elétricos simplesmente deixavam de funcionar, como se tivessem sido desligados da tomada, e um persistente cheiro de queimado. Os pacientes em recuperação também não gostavam do lugar: "Muitos se queixavam de inconvenientes, de arrepios e pesadelos. Outros diziam que estavam sentindo um pressentimento estranho. Uma senhora contou que não conseguia dormir enquanto estava no quarto e que não queria ficar ali sozinha de jeito nenhum, quando ela foi movida para outro aposento ela ficou mais calma e se recuperou".

"Por algum tempo, nós evitamos o quarto 602. Sempre que possível preferíamos colocar os pacientes em outro aposento, dando como desculpa um problema técnico, e mesmo quando tínhamos de colocar alguém lá, trocávamos tão logo surgia outra vaga. Uma noite, quando o 602 vazio, algo inexplicável aconteceu. Ouvimos um grito muito alto e todos que estavam de plantão correram para ver o que havia acontecido. Ao abrir a porta encontramos o quarto todo bagunçado como se um furacão tivesse varrido o lugar. A cama estava atravessada e o colchão jogado de lado. O cheiro de queimado era forte".

A enfermeira conta que depois desse acontecimento, a diretoria do hospital que pertencia a uma ordem religiosa, ordenou que o quarto 602 fosse fechado. Posteriormente houve rumores de que religiosos foram chamados para inspecionar o aposento, falou-se em um ritual de exorcismo mas ninguém soube ao certo qual a providência que foi tomada. Meses depois os incidentes foram diminuindo até que tudo voltasse ao normal.

"O pessoal mais antigo conhece a estória, mas ninguém gosta de falar à respeito do assunto. Só quem viu com os próprios olhos sabe o que aconteceu ali". 

Mas esta não é a única estória de horror relatada por enfermeiras na página. Uma outra profissional descreve uma terrível visão poucos minutos antes da morte de uma paciente.

"Eu estava cuidando de uma senhora que estava sob forte medicação, e que passava a maior parte do tempo inconsciente", escreveu a enfermeira que na época trabalhava em uma unidade de oncologia. Numa noite, já de madrugada, entrei no quarto para ministrar a medicação, a paciente continuava dormindo e enquanto eu checava os instrumentos pensei ter ouvido alguma coisa. Eu me abaixei próximo a ela e ouvi um débil sussurro: "Não deixe que ele me leve, por favor, não deixe que ele me leve".


Apesar de chocada com o pedido, a enfermeira acreditou que ela apenas estava tendo algum tipo de pesadelo e que não havia porque se alarmar com a situação, afinal ela mesma já havia ouvido coisas piores.

Dias mais tarde, ela estava de plantão quando sentiu um súbito pressentimento de que havia algo errado com aquela senhora e resolveu averiguar. Ao abrir a porta sentiu um cheiro desagradável e uma sensação inexplicável de medo, "como se houvesse algo ruim ali dentro", mesmo assim deu um passo adiante e caminhou até a cama.

A paciente estava com os olhos abertos, a boca escancarada em um grito silencioso, seu corpo tremia sem parar como se estivesse em choque. A enfermeira se aproximou e apertou o botão de emergência e enquanto tentava oferecer ajuda, percebeu que os olhos da paciente se voltavam para o teto, logo acima de suas cabeças. Tomada de um medo súbito a enfermeira se voltou para ver o que aterrorizava a paciente. Ela descreveu o que viu da seguinte maneira:

"Era uma coisa escura que flutuava perto do teto. Parecia uma sombra que pulsava, surgindo e desaparecendo diante dos meus olhos. Tinha os contornos de uma pessoa, muito alta e esguia, mas dotada de um aspecto maligno. O susto foi tão grande que eu quase perdi os sentidos, nesse momento a senhora me segurou com força, enterrando as unhas no meu braço e dizendo: 'Não deixe essa coisa me levar'. Eu olhei de novo e a sombra desapareceu".

Os ajudantes entraram no quarto em seguida e fizeram o máximo para ajudar, mas foi inútil. A paciente morreu poucas horas depois com os olhos escancarados como se vissem algo ameaçador, algo que só ela podia enxergar, exceto por alguns segundos, quando a enfermeira também presenciou aquela sombra.

"Depois disso, larguei o emprego. Passei por um período muito difícil em que me sentia incapaz de cuidar de outras pessoas. Fui diagnosticada com depressão e tenho certeza de que a causa foi me deparar com aquela coisa. Mas consegui me recuperar e voltei a trabalhar. Mas ainda ouço as palavras daquela senhora aterrorizada: "não deixe ele me levar, não deixe ele me levar".


Enfermeiros no entanto não são os únicos profissionais que testemunham acontecimentos sinistros em sua profissão. Um paramédico contou na página EMCity uma experiência bizarra.

Ele estava transportando na ambulância um homem que havia sido encontrado inconsciente em um beco. Após prestar os primeiros socorros e prendê-lo na maca, o veículo seguia por uma avenida movimentada em direção a um hospital. 

"O sujeito de uns quarenta anos estava desacordado, mas por vezes abria os olhos e murmurava alguma coisa sem sentido: 'Oh, não, não, por favor', escreveu o paramédico. "Ele olhava para os lados, esquivando-se a cada momento, tentando levantar os braços como se para espantar uma presença invisível. Eu consegui acomodá-lo na maca e o prendi com as cintas. Pensei se tratar de alguém que havia consumido drogas, perguntei se ele havia usado algo, mas ele apenas respondia "Oh não, meu Deus, mande ele embora'.

A medida que a ambulância avançava, as coisas começaram a ficar estranhas.

"O paciente de repente abriu os olhos e soltou um grito horripilante. Seus olhos estavam vidrados e ele se agitou na maca de tal forma que pensei estar sofrendo um tipo de ataque. Corri para cima dele preparado para contê-lo, mas então ele começou a falar em uma língua que eu jamais tinha escutado. Ele falava sem parar, como se estivesse guinchando e entre uma palavra e outra gritava e gargalhava. Já vi de tudo trabalhando nas ruas, mas aquilo me deixou apavorado. Meu parceiro que dirigia a ambulância perguntou o que estava acontecendo e eu apenas consegui gritar de volta 'continue dirigindo".

"Finalmente chegamos a entrada do hospital, meu colega estacionou e abrimos a parte de trás da ambulância para retirar a maca. Enquanto fazíamos o transporte, o sujeito gritava, cuspia e tentava nos morder. Eu já vi episódios causados pelo uso de drogas pesadas, mas nada como aquilo".

"Seguimos com a maca até um grupo de enfermeiros que fazia a triagem vir ao nosso encontro nos auxiliar. Enquanto seguíamos pelo corredor, o sujeito gritava naquela língua estranha. Em seguida, enquanto eu reportava as condições gerais do paciente para um plantonista, ouvimos um grito ainda mais medonho vindo da sala para onde ele havia sido levado. Corremos para lá e nos deparamos com uma cena que jamais vou esquecer. O sujeito estava gargalhando enquanto os três enfermeiros que prestavam os primeiros socorros estavam caídos no chão, desmaiados".


O homem foi levado para uma sala de triagem onde sofreu uma convulsão e em seguida parada cardíaca fulminante. Ele morreu imediatamente. 

Os enfermeiros quando reanimados não foram capazes de explicar o que havia acontecido, eles simplesmente desmaiaram. Um deles, entretanto, foi categórico em afirmar que as "palavras do homem foram responsáveis pela repentina inconsciência". 

Investigações posteriores revelaram que o sujeito sofria de episódios recorrentes, e que quando mais jovem havia sido diagnosticado como esquizofrênico. Mas nada explica o que causou o desmaio dos enfermeiros que tentavam ajudá-lo ou mesmo a súbita parada cardíaca que causou a morte do sujeito.

Desde os seus primórdios, a Ciência Médica tenta traçar uma linha divisória entre o conhecimento e a espiritualidade. Uma fronteira bem definida que separa as nossas crenças religiosas daquilo que a ciência é capaz de compreender. Mas em certos momentos essa linha parece ser ultrapassada por coisas que não podem ser inteiramente compreendidas ou satisfatoriamente explicadas.

Nos relatos de alguns profissionais da área médica, encontramos vestígios de nossas superstições mais básicas a respeito da morte e da existência de entidades desconhecidas cujo propósito parece ser fazer o mal.

Seriam algumas pessoas à beira da morte perseguidas por essas entidades malignas? Com que objetivo?

sábado, 5 de julho de 2014

Bem Vindos ao Front - Um Guia sobre a vida dos Soldados na Grande Guerra (II)


Comunicações

Estabelecer um canal de comunicações entre o Quartel-General e as unidades na linha de frente era vital para a situação militar, ainda mais na Grande Guerra onde a Infantaria realizava seus ataques coordenada com os disparos da artilharia. Qualquer erro de cálculo poderia ser fatal para as tropas avançando.

Comunicações da Linha de Frente para os quartéis regimentais ou divisionais era realizada por intermédio de telefones de campo.  Estes eram grandes e desajeitados dispositivos alimentados por geradores de manivela. Para funcionar, os telefones precisavam de quilômetros de fiação que ficava espalhada pelo campo ou eram colocadas em postes que ficavam à mercê dos rigores do clima e dos bombardeios inimigos. Não à toa, os comandantes sabiam muito bem que não podiam confiar plenamente nesse método que frequentemente saia do ar. Dadas as dificuldades de transporte, esse meio de comunicação não era utilizado pelas unidades que avançavam e raramente pelas que se encontravam na linha de frente.


As tropas possuíam um grupo de soldados que faziam o papel de mensageiros ou corredores, responsáveis por transitar as ordens essenciais para a realização das manobras. Os mensageiros eram de suma importância para o funcionamento das tropas. Para se deslocar entre a linha de frente e as bases de operações onde apanhavam as ordens, eles usavam automóveis, motos e até bicicletas. O trabalho era extremamente perigoso, os corredores eram alvos prioritários para os atiradores inimigos.

As unidades também se valiam de pombos correio para enviar mensagens., Mais de 25 mil pombos foram usados pelo exército francês na Grande Guerra. Esses animais carregavam mensagens para as bases e para as linhas de frente e sua eficácia era reconhecida. Segundo fontes militares, cerca de 85% das mensagens enviadas para os quartéis, através dos pombos chegavam ao seu destino final, incluindo uma em que se lia "Fiquem com esses bichos aí! Não aguento mais carregar esse malditos animais!".

Um pássaro bem treinado poderia representar a diferença entre a vida e a morte de uma companhia inteira. O célebre Batalhão Perdido foi salvo graças a pombos correio que enviaram informações sobre a posição dos homens na Floresta das Ardenas.

Medicina

Medicina no campo de batalha praticamente não existia.

Cada soldado carregava um kit de primeiros socorros bastante rudimentar para ajudar algum companheiro ferido. Este era levado em uma bolsa presa no cinturão e os soldados aprendiam o básico a respeito de socorros médicos para usá-lo. Mas havia a consciência de que um soldado ferido, dificilmente seria salvo apenas com os componentes desse kit. A ideia, era apenas fazer com que o soldado ferido recebesse algum alívio, tempo o bastante para levá-lo até um hospital de campanha ou enfermaria.

Homens feridos em geral precisavam de quatro companheiros para serem carregados através do solo irregular da Terra de Ninguém, isso de baixo de tiros e explosões. Muitas vezes, os soldados feridos acabavam abandonados à própria sorte, sobretudo quando a gravidade do ferimento não compensava o risco do transporte. Ferimentos na cabeça ou no peito eram considerados os mais graves e muitos soldados sequer se davam ao trabalho de verificar a severidade deles.


Aqueles que tinham "sorte" conseguiam chegar até uma das enfermarias dentro da trincheira. Nas enfermarias (também chamadas de "Postos de Ajuda" ou Aid Posts) era feita uma triagem e os feridos recebiam um diagnostico. Recebiam também algum tratamento preliminar na forma de injeções (sobretudo analgésicos e antibióticos rudimentares) para suportar as dores lancinantes. Cirurgias eram realizadas apenas como última alternativa já que as condições próximas ao fronte eram no mínimo insalubres. As enfermarias viviam cheias de homens gritando em camas improvisadas e macas. O sangue estava em todo canto, misturado a vômito e excremento salpicado de serragem. O fedor era insuportável. Apesar dessas condições decadentes, amputações eram realizadas de maneira frenética já que infecções por septicemia podiam se instalar com rapidez e levar a morte.

Os feridos que passavam pela triagem nas enfermarias eram transportados para uma Enfermaria auxiliar nas dugouts onde aguardavam o transporte para um hospital onde podiam receber um tratamento mais profissional. Nas enfermarias auxiliares freiras e enfermeiras se destacavam para ajudar os feridos. O transporte era feito em ambulâncias ou carroças dependendo da gravidade do ferimento.


Nos hospitais a maioria das cirurgias eram realizadas por médicos voluntários. O emprego de medicamentos, sobretudo antibióticos, aumentava as chances de sobrevivência dos feridos, mas os riscos de uma cirurgia ainda eram grotescos. Amputação ainda era a melhor solução para lidar com a maioria das hemorragias e para ossos partidos por balas. Pouco se sabia a respeito de anestesia e a maioria das cirurgias era realizada com um lenço embebido com éter ou uma dose de bebida alcoólica para aliviar o sofrimento do paciente.

Ironicamente, apenas 23% dos feridos levados aos Hospitais eram vítimas de tiros. A grande maioria era ferida por fragmentos de granada ou artilharia pesada. Estilhaços podiam infligir ferimentos realmente horríveis: um fragmento fumegante podia arrancar um membro, castrar ou estripar um homem com facilidade. Ferimentos na cabeça eram ainda mais sérios: olhos eram furados por pontas, orelhas e narizes cortados. Relatos de homens encontrados na terra de ninguém cortados ao meio, com o maxilar despedaçado ou o topo do crânio aberto a ponto do cérebro estar visível, eram razoavelmente comuns e não impressionavam os veteranos.

A Batalha

Defender uma linha de trincheiras era o serviço principal dos soldados e francamente não era das tarefa mais complicadas. Os homens ficavam dispostos lado a lado no interior da trincheira, colocavam os rifles para fora da borda, municiavam as metralhadoras e atiravam nos inimigos a medida que eles avançavam na sua direção. 

Disparar contra os alvos no espaço entre as linhas, a chamada Terra de Ninguém, não era tão simples quanto pode parecer. O terreno irregular fazia com que os alvos repentinamente sumissem da alça de mira e a fumaça das armas podia ser um fator complicador para acertar um tiro em cheio. Mesmo assim, um soldado mediano conseguia efetuar repetidos disparos contra os alvos à medida que eles se aproximavam. Os defensores tinham uma posição extremamente confortável dentro de suas trincheiras.


O que era MUITO difícil era tentar tomar uma trincheira.

As táticas de batalha haviam mudado muito pouco. Em 1700, durante as Guerras Napoleônicas os homens se posicionavam lado a lado e marchavam em formação pelo campo de batalha posicionando-se e atirando com seus mosquetes. Essas armas não eram muito precisas, portanto havia a necessidade de juntar muitos homens em uma grupo homogêneo para que os disparos deles se concentrassem e acertassem os alvos.

Por volta de 1800, a tecnologia das armas de fogo havia avançado para um estágio em que os rifles eram bem mais precisos e rápidos. Arregimentar as tropas como no século anterior resultaria em um massacre, porque formações eram um alvo fácil quanto mais para armas potentes, cuja munição podia atravessar um alvo e atingir quem estivesse atrás. Para lidar com isso, os homens marchavam pelo campo de batalha em intervalos, para que fosse mais difícil concentrar os disparos neles.

Em 1910, quando as metralhadoras surgiram as coisas se complicaram novamente, e as táticas de batalha existentes se tornaram obsoletas. Metralhadoras montadas em tripés eram capazes de derrubar centenas de homens, não importando como eles se moviam pelo campo de batalha. Os contantes bombardeios da artilharia faziam com que o espaço se tornasse um grande terreno irregular com enormes crateras, poças de água estagnada, lama, sangue, corpos e restos de vegetação em pedaços. Os comandantes não estavam cientes do poder destrutivo das metralhadoras ou das armas automáticas. Quando as primeiras metralhadoras foram colocadas no topo das trincheiras elas se mostraram letais. Milhares de soldados eram mortos todo dia, uma vez que bastava para os operadores das metralhadoras ajustar o ângulo de disparo para aumentar sua área de ação. Com três ou quatro ninhos de metralhadoras protegendo uma trincheira, era virtualmente impossível se aproximar o suficiente, e mesmo que alguém conseguisse fazê-lo, a quantidade de atacantes seria reduzida de tal maneira que não havia como ter sucesso na conquista.


Em virtude dos fracassos em avançar e tomar posições, a Guerra se estagnou de tal maneira que os soldados lutavam para conquistar poucos metros do território inimigo ao custo de centenas de homens.    

A tática de ataque consistia em aprontar um grande contingente de soldados borda da trincheira. A Artilharia disparava uma barragem para manter os inimigos abaixados e assim cobrir a saída. Quando um sinal era dado, os homens deixavam a trincheira e corriam o mais rápido possível, tentando avançar em direção a posição inimiga sendo saudados por disparos, granadas e rajadas cortando o ar.

Como resultado, muitos soldados não conseguiam avançar mais do que 10 metros em meio aos disparos efetuados pelos inimigos. Calcula-se que em cada ataque a chance de um soldado ser ferido ou morto era de pelo menos 60%.

Levou algum tempo, mas eventualmente os comandantes reconheceram que não haveria vencedores naquela guerra se eles não mudassem a maneira de lutar. Eles precisavam encontrar uma maneira de permitir a mobilidade dos homens, protegê-los de maneira mais eficiente e fazer com que os inimigos fossem expulsos das trincheiras. Novas armas eram uma necessidade para que as coisas tivessem resultado.

Para lidar com o problema da mobilidade, o Exército britânico inventou uma nova máquina, originalmente chamada de "nave de terra", os veículos motorizados e blindados que hoje conhecemos como tanques. Os tanques eram uma máquina revolucionária quando começaram a ser usados em 1916. 


Eles permitiam avançar pela Terra de Ninguém sem que os disparos fossem de grande importância para os homens em seu interior. Os veículos blindados também podiam conceder cobertura e fazer com que soldados que vinham atrás encontrassem alguma chance de sucesso na investida. Equipados com canhões e metralhadoras rotatórias, morteiros e lança chamas, os veículos blindados motorizados concediam um trunfo para os atacantes.

A Artilharia também se modernizou com armas cada vez mais potentes capazes de demolir as trincheiras com disparos precisos e devastadores. O alcance e precisão faziam toda a diferença, e engenheiros trabalhavam incansavelmente para construir peças de artilharia cada vez mais destrutivas. Eventualmente, os grandes canhões, eram capazes de acertar dentro de cidades a quilômetros de distância.

Finalmente, os exércitos desenvolveram uma das mais infames armas do período. Ela marcou o início da mais devastadora das inovações da Grande Guerra com uma nova maneira de matar, empregando para isso gás.     

O Terror da Guerra Química

A arma mais terrível empregada na Grande Guerra, sem dúvida, foi o Gás. Usado pela primeira vez em abril de 1915, o gás se tornou uma arma usada pelos dois lados até a conclusão do conflito. O gás de cloro foi o primeiro a ser utilizado com fins militares, em seguida o fosfogênio e finalmente o terrível gás mostarda.

O gás era disseminado através de projéteis de artilharia disparados dentro das trincheiras a fim de expulsar os soldados da posição defensiva. Para um soldado na Grande Guerra, nada podia ser mais assustador do que se ver preso numa trincheira bombardeada com gás. O terror era tanto que os homens largavam tudo e tentavam correr o mais rápido possível, para assim, quem sabe, sobreviver.


O Gás de Cloro, o primeiro a ser empregado ofensivamente, tinha um odor de abacaxi e reagia com a água nos olhos, na mucosa da garganta e nos pulmões, criando ácido hidroclorido, que por sua vez causava danos maciços aos olhos e sistema respiratório. A morte por asfixia podia acontecer rapidamente com afogamento ou ao longo de semanas de agonia. O Gás de Cloro amarelado podia ser visto como uma fumaça fosforescente soprada pelo vento. Quando ela foi usada pela primeira vez seus efeitos foram tão medonhos que os soldados que investigaram a trincheira onde ele tinha sido lançado voltaram para sua posição apavorados.

Gás de Fósforo, foi a inovação seguinte. Ele tinha um cheiro nauseante de peixe podre e a forma de uma neblina cinzenta que pairava no ar. Seu efeito era dramático quando respirado, produzindo queimaduras internas na garganta e nos pulmões que depois viravam grandes feridas sangrentas. Os homens expostos ficavam cegos imediatamente, em seguida sufocavam com inchaço nas vias respiratórias. Ao menos, a morte vinha rápido para aqueles expostos ao elemento.

Para lidar com esse horror, os exércitos passaram a usar máscaras de borracha com filtros para diminuir o efeito nocivo do gás. As máscaras protegiam o rosto, sobretudo olhos e a boca, impedindo que o soldado aspirasse o gás. Infelizmente nem sempre as máscaras eram eficientes, sem falar que eram desconfortáveis, quentes e limitavam a visão. Além disso, elas não ofereciam nenhuma proteção para a pele que era afetada da mesma maneira.  

Para limitar a eficiência das máscaras, criou-se uma nova e mais devastadora arma química, o Gás Mostarda.

Esse gás amarelo tinha um odor adocicado como baunilha ou sabonete perfumado. Seus efeitos podiam demorar até 12 horas para aparecer, mas eram simplesmente dantescos quando se manifestavam. Ele irritava a pele, assim como os olhos e pulmões. Induzia náusea e vômito, e criava bolhas ardentes que assumiam uma coloração mostarda-amarelada da qual decorria seu nome. O gás destruía as membranas revestindo os pulmões, causando uma secura nos brônquios que levava a dores escruciantes. A morte decorrente da exposição ao gás mostarda podia demorar até 5 semanas para ocorrer, e nesse período nada podia ser feito pelas vítimas senão amarrá-las às camas para não enlouquecer em agonia.

Um dos legados da Grande Guerra foi motivar as nações a assinar tratados para conter a proliferação e impedir o uso indiscriminado de Armas Químicas. Milhares de soldados sobreviventes da Guerra de Trincheiras, carregaram pelo resto de suas vidas as marcas da exposição às armas químicas, cicatrizes que jamais saravam.    

Uma Guerra de Cavalheiros

Apesar de todo horror e devastação desencadeado pela Guerra, haviam episódios curiosos de cavalheirismo entre oponentes. Aos olhos dos oficiais, a Guerra por mais selvagem e desesperada não deveria ser uma desculpa para fazer aflorar a falta de civilidade entre os povos.

Uma quase camaradagem vigorava entre as forças opostas que passavam a maior parte do tempo a poucos metros uns dos outros. Por vezes, soldados entravam em acordo para que artilharia e atiradores cessassem fogo ao menos no café da amanhã ou jantar. Em alguns casos, as linhas eram tão próximas que, quando de um lado os soldados cantavam, seus inimigos podiam ouvir e aplaudiam ou então se juntavam a cantoria. Soldados em ambos os lados também permitiam uma pausa para que mortos e feridos fossem removidos da Terra de Ninguém e enterrados.


Soldados deviam se respeitar e era considerado descortês a realização de ataques em dias santos ou feriados. Ingleses e alemães chegaram ao cúmulo de respeitar o horário de chá. Oficiais podiam se tratar pelo nome, porém soldados mesmo de uma nação inimiga deviam demonstrar respeito e cortesia diante de oficiais inimigos. Os oficiais também se congratulavam à cerca de seus objetivos, havia um amplo canal de comunicação entre oficiais de diferentes exércitos, onde táticas eram elogiadas, mesmo aquelas usadas contra o próprio exército.

Um dos momentos mais emocionantes da Grande Guerra ocorreu no Natal de 1915. Os próprios soldados declararam um armistício no Fronte Ocidental na noite do dia 24 de dezembro. Há relatos de que combatentes alemães e britânicos cruzaram a terra de ninguém para trocar presentes e cantar “Noite Feliz” em conjunto. Na manhã seguinte reuniram-se na Terra de Ninguém para um animado jogos de futebol entre membros dos dois exércitos. As notícias chegaram ao Alto Comando das tropas que proibiu tais confraternizações.

Com o tempo, a Guerra foi se tornando cada vez mais feroz e as cortesias dos primeiros anos foram sendo deixadas de lado. O Conflito entrara na sua fase mais devastadora e a alegada "civilidade" deu lugar a barbárie.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Bem vindos ao Front - Um Guia sobre a vida dos soldados na Grande Guerra (I)


Do início de 1914 até novembro de 1918, o mundo estava em guerra. 

Não uma guerra comum, "A" Grande Guerra como ficou conhecida, converteu-se rapidamente no maior conflito armado de todos os tempos. Mais de seis milhões de combatentes morreram em campos de batalha, em combates tão devastadores que muitos julgavam iriam causar o fim da humanidade.

O conflito colocou Aliados: Canadá, França, Itália, Austrália, Nova Zelândia, Grã-Bretanha e Rússia contra a Entente: Turquia, Alemanha e o Império Austro-Húngaro. Os Estados Unidos entraram na Guerra em 1918 ao lado dos Aliados. A Grande Guerra foi um desastre humano de proporções épicas.

Uma das imagens mais famosas do sangrento conflito foram sem dúvida as Trincheiras. A Guerra de Trincheira, foi um estilo de batalha brutal, desgastante, doentio e nauseante. A vida de um soldado nas trincheiras era um verdadeiro inferno, um pesadelo do qual não se conseguia despertar.

A partir de 1914 até o fim da Guerra, as trincheiras que dividiam as linhas inimigas se tornaram a casa dos soldados e para muitos sua sepultura. Mas como deveria ser viver nesse ambiente tenebroso? Qual o ponto de vista de um soldado na Grande Guerra e como era sua rotina?

Esta é a Vida do Soldado, um resumo de como era a vida dos combatentes na Frente Ocidental, o lugar mais terrível para se lutar entre 1914 e 1918.

Cavando Trincheiras

Antes de poder lutar, era necessário escavar trincheiras. Cavar trincheiras não era um trabalho fácil, pelo contrário, era demorado e cansativo mesmo quando executado por centenas de homens com pás. Trincheiras tinham algo entre 1,80 m e 2,20 m de profundidade, e 1,80 m de comprimento, com um sistema de drenagem no fundo, coberto com ripas de madeira formando um piso rudimentar. 

As trincheiras se estendiam por quilômetros e quilômetros. Do sul da França, elas rasgavam o solo da Europa, todo o caminho até atingir o litoral do Mar do Norte. E não era, é claro, uma única trincheira. Haviam dúzias delas ligando uma trincheira principal que demarcava a linha de frente com as demais que lhe davam suporte e comunicação, além de uma defender a outra. As trincheiras eram as linhas de defesa onde eram montados ninhos de metralhadora cercados de arame farpado, protegidas por minas terrestres e sacos de areia empilhados em um paredão quase intransponível. Tudo isso fazia com que as trincheiras fossem difíceis de ser capturadas. Elas eram como pequenas fortalezas onde os defensores tinham vantagem contra os atacantes.


Depois das trincheiras haviam os "dugouts". O dugout era um túnel subterrâneo que se abria em um verdadeiro labirinto de câmaras escavadas onde eram estocados armas, suprimentos, munições e material. Também eram usados como alojamentos, hospitais de campanha e salas de comando onde os oficiais podiam determinar suas ações. Muitos deles tinham geradores que produziam eletricidade e linhas de telégrafo que permitiam a comunicação com a base. As dugouts funcionavam como pequenas cidades improvisadas. Em geral, elas eram reforçadas com madeira e metal, concedendo um pouco de conforto aos seus habitantes.

Mais atrás ficavam as peças de artilharia, canhões e obuses, posicionados de tal forma que pudessem disparar contra as linhas inimigas. Uma vez que as peças de artilharia tinham alcance e potência semelhante, as posições estavam além de sua alça de mira e não podiam ser atingidas. Ao menos, até armas mais potentes entrarem em ação.

Rotina da Guerra

Uma vez que as trincheiras estavam escavadas e fortificadas, os soldados passavam a viver dentro delas.

É claro, nenhuma unidade ficava nas trincheiras durante todo o curso da guerra. A rotina anual de um soldado na Grande Guerra variava de exército para exército e de unidade para unidade, mas em geral, um combatente tinha de servir de 100 a 110 dias no front ou nas linhas de suporte das trincheiras por ano. Além disso, 120 dias ele passava na reserva (a uma distância de um dia de marcha até o fronte) e outros 165 dias podia descansar, ficar no hospital ou em alguma cidade. Apenas o Exército Alemão mantinha suas tropas por mais de um mês nas trincheiras, as nações Aliadas costumavam deslocar suas forças através do Fronte Ocidental regularmente para evitar esse desgaste. As tropas costumavam ser mobilizadas através de marcha ou pelo sistema de trens.


Unidades na reserva ocupavam seu tempo com serviços de logística, ajudando o transporte de suprimentos ou produzindo materiais para serem usados nas trincheiras como postes e sacos de areia. As tropas europeias recebiam permissão para voltar para casa enquanto estavam na reserva, enquanto os americanos se reuniam em grandes cidades, em especial Paris para aproveitar suas folgas. Os períodos no fronte eram chamados de "tours", e podiam ter uma duração de até 30 dias. Entretanto, já no fim da guera, tours na linha de fogo da trincheira, podiam durar até 50 dias.

O Tour nas trincheiras era o serviço mais temido pelos soldados na Grande Guerra. A tarefa incluía turnos de guarda e observação, nos quais os soldados vigiavam a movimentação dos inimigos à poucas centenas de metros. Alguns soldados podiam ficar em seus postos por até 48 horas, sem dormir, passando frio e com poucas rações. Outro trabalho essencial era realizar a manutenção nas trincheiras que precisavam de constantes reparos, vitais para evitar que elas desmoronassem. Escavar, mover equipamento, estender arame farpado e encher sacos de areia era um serviço extremamente pesado e perigoso. Atiradores de elite inimigos aguardavam por qualquer descuido para efetuar disparos fatais.

Dormir na linha de frente era muito difícil. Os exércitos costumavam se valer de uma tática desumana para impedir que seus oponentes relaxassem, disparando projéteis de artilharia continuamente. Peças modificadas cheias de pólvora negra explodiam com um rugido seco que tornava impossível sequer fechar os olhos. As explosões, clarões e o som de apitos também sugeria ataques surpresa que nem sempre se concretizavam. A fatiga era algo tão comum que apenas uma semana no front era o bastante para deixar os soldados mais sensíveis a um passo do colapso nervoso.

Pequenas unidades eram enviadas em patrulhas na Terra de Ninguém para espionar o inimigo (um serviço especialmente perigoso). A ideia era verificar como estavam as defesas, contabilizar mortos, descobrir falhas nas linhas e assim obter alguma vantagem. Missões desse tipo contavam com soldados especialmente endurecidos pela batalha, já que essas incursões envolviam ter de matar friamente e em silêncio. Os homens vestiam uniformes pretos, pintavam o rosto com graxa, cerravam o cano de seus rifles e preparavam um arsenal com porretes cheios de pregos e facas afiadíssimas para matar em silêncio. A ideia dessas missões era chegar o mais perto possível da posição inimiga o que muitas vezes acarretava em confronto mano a mano. Algumas unidades se especializavam nesse tipo de ataque, uma forma de desmoralizar ou diminuir o moral do inimigo, produzindo uma matança sanguinária.

Ao contrário do que se pensa, as batalhas eram extremamente raras! Os soldados recebiam duas, talvez três ordens de avançar por mês. Avançar na Terra de Ninguém era um exercício de futilidade que se provava letal. Muitos soldados passaram pelo fronte sem ver um soldado inimigo, exceto pelas lentes de binóculos. A não ser que estivessem em uma grande ofensiva ou que a artilharia conseguisse atingir de maneira considerável uma linha, os ataques eram evitados.

Um fator terrível da Grande Guerra diz respeito ao tempo de serviço dos soldados. Na Grande Guerra ainda não havia serviço por tempo, o que significava que um soldado alistado deveria lutar até o final do conflito a despeito de ter se alistado no primeiro ano ou no último. Mesmo que fosse ferido, se o soldado viesse a se recuperar seria uma vez mais enviado para o serviço.

A difícil vida nas trincheiras

Uma coisa com que os comandantes não contavam quando ordenaram a construção de trincheiras eram as condições do solo. Em alguns trechos era possível escavar dois metros ou mais de profundidade sem problemas, mas em outros era impossível ir além de um metro e meio sem atingir um lençol freático. A região onde a maioria das trincheiras foram escavadas eram ricas em lençóis dessa natureza e escavar no lugar errado acarretava em transformar sua trincheira num verdadeiro canal. O problema era especialmente grave próximo ao litoral onde inundações se tornaram um problema recorrente para os soldados. 

A água em alguns casos podia atingir dois ou três pés, o suficiente para se espalhar de uma trincheira para a outra causando inundações e um efeito dominó de erosão capaz de fazer desmoronar toda uma linha escavada com muito custo. E dadas as condições climáticas da Europa, sobretudo no inverno, ter uma trincheira alagada podia ser muito inconveniente.  

Mas haviam problemas maiores do que a inundação.

A medida que a guerra prosseguia, os cadáveres se multiplicavam aos milhares e eram enterrados nos arredores dos campos de batalha em covas rasas. Não havia muito espaço para colocar esses corpos e eles acabavam sendo depositados em grandes valas no solo. Não era raro que uma escavação para construir novas trincheiras ou a erosão natural do solo fustigado por bombardeios revelasse esses cemitérios improvisados. E esses corpos atraíam ratos. Milhares deles! Os ratos se alimentavam dos cadáveres de tal forma que tudo que restava eram esqueletos. Esses animais cresciam cada vez mais famintos e não era incomum para os soldados passar o dia atirando, não em inimigos, mas em ratazanas imensas. Eles tentavam de tudo para se livrar dos ratos, e há suspeitas inclusive, de que o uso de gás foi implementado pela primeira vez como forma de eliminar a proliferação de ratos nas trincheiras.

Com a grande população de ratos uma série de doenças se espalhava velozmente. Os soldados contraíam desde leptospirose até raiva nas trincheiras infestadas pelos roedores. Medidas extremas eram tomadas para conter a população e o extermínio de ratos se tornou uma preocupação para todos os exércitos.

As necessidades mais básicas dos combatentes eram supridas por linhas de suprimento.

Estas linhas eram extremamente importantes, pois possibilitavam a chegada de alimentos, munições, equipamentos, novos soldados e até de cartas para aqueles que estavam no front. No que diz respeito a correspondência, tropas britânicas e francesas recebiam correspondência regularmente. Suas cartas por outro lado, levavam duas semanas para serem entregues, pois tinham de passar pela análise de um comitê de censura que lia cada carta e separava aquelas que podiam revelar detalhes importantes sobre a defesa.

Abastecer os soldados com comida também era um desafio. As cozinhas localizadas nas dugouts, em teoria deviam proporcionar alimentos frescos e refeições quentes para os soldados nas trincheiras, mas imagine os problemas que os responsáveis pela preparação dos alimentos deveriam ter com os constantes bombardeios, ratos e inundações. Além disso, escassez de comida é um dos primeiros sintomas de uma guerra.

Com efeito, muitos homens sobreviviam com comida enlatada ou preservada. Os soldados tinham uma dieta bastante pobre, baseada em biscoitos, massa, carne salgada, chocolate e leite em pó. Eles complementavam essas refeições com quaisquer verduras que conseguissem encontrar, sobretudo batatas, nabos e hortaliças. Frutas eram extremamente raras, e a falta de vitamina C ocasionava epidemias de escorbuto que deixava os homens com lábios grossos, gengivas sangrentas e dentes frágeis.

Outras necessidades (sobretudo as fisiológicas) também constituíam um problema. As trincheiras não possuíam banheiros ou um sistema de esgoto. Todo o material era lançado em grandes fossas que depois eram aterradas, contudo a necessidade de escavar o solo fazia com que tudo aquilo, mais cedo ou mais tarde, voltasse a superfície, tornando-se vetores para doenças e causando proliferação de insetos. A construção de fossas para receber os dejetos sanou em parte o problema, mas nas épocas de chuvas torrenciais essas fossas transbordavam e tudo acabava escoando para as trincheiras usadas pelos soldados.

Doença e Higiene


Dadas as condições gerais de vida nas trincheiras não é de se estranhar que doenças fossem uma GRANDE preocupação. Colocando as coisas de uma maneira direta, podemos dizer que a vida nas trincheiras era abominavelmente imunda.

Os homens não costumavam se barbear ou mesmo tomar banho regularmente, uma vez que não havia um suprimento razoável de água limpa e muito menos aquecida. Logo eles se viam cobertos de piolhos e carrapatos, e dormindo lado a lado, estes se espalhavam com rapidez assustadora. Para lidar com essas epidemias soldados se viam obrigados a cortar os cabelos até ficarem carecas e tomar banhos de querosene para matar as infestações de pele.

Quase todas as maiores doenças conhecidas pela humanidade com exceção da Peste Negra encontraram terreno fértil para se desenvolver no curso da Guerra de Trincheiras. Pior do que a severidade de algumas doenças era a fragilidade dos homens. Um resfriado corriqueiro podia ser fatal e durante um inverno severo, muitos homens sucumbiam a doenças cujo tratamento podia ser simples.

Havia entretanto uma condição, mais do que uma doença, pela qual a Grande Guerra ficou famosa, algo chamado Pé de Trincheira (Trench Foot).

Pé de Trincheira é uma condição de pele resultado do uso contínuo de meias e botas úmidas em contato direto com o pé. Uma breve imersão na água e em seguida um dia inteiro usando a mesma meia era suficiente para desencadear o processo. As condições de perpétua umidade nas trincheiras tornava quase impossível evitar o pé de trincheira. Durante a Guerra 74,711 soldados britânicos foram hospitalizados devido a casos extremos de pé de trincheira. A condição se assemelhava muito ao congelamento, o pé ficava dormente, assumia uma coloração vermelha, depois azulada, inchava, e em casos extremos era acometido de gangrena.

Vários remédios eram usados para sanar o problema, mas com limitado sucesso. Soldados costumavam trocar meias regularmente e passar uma pomada feita de gordura de baleia, cânfora e talco como proteção. Mas nem sempre eles podiam contar com esses ingredientes, ou mesmo com pares extras de meias. Para lidar com a questão colocavam jornal ou palha dentro das botas para isolar a umidade, o que nem sempre funcionava, sobretudo com as inundações.

Como resultado direto do mal, milhares de soldados perderam dedos ou a sensibilidade no pé. Uma vez que os oficiais não costumavam sofrer de problemas semelhantes, muitos consideravam que soldados incapazes de marchar em decorrência do pé de trincheira estavam exagerando nos sintomas e portanto precisavam ser disciplinados.

(cont...)

terça-feira, 1 de julho de 2014

Centenário da Grande Guerra - A Guerra para acabar com todas as Guerras


Com base no texto de Ricard Overy

Há 100 anos o mundo como se conhecia mudou para sempre.

Em 28 de julho de 1914 um tiro que feriu mortalmente o Imperador Franz Joseph da Áustria. O assassinato deu início a Grande Guerra que seria declarada pelas principais nações europeias 3 dias depois.

Porque devemos lembrar desse conflito? Porque devemos nos importar com ele? Porque devemos pensar a respeito de algo que aconteceu tantos anos atrás?

A resposta é simples: A Primeira Guerra Mundial pode reivindicar com justiça o posto de ser o acontecimento mais decisivo da era moderna, mudando o mundo radicalmente em aspectos que nem mesmo a Revolução Francesa conseguiu.

Com o fim da Grande Guerra haviam muito poucas pessoas nos países envolvidos que não tinham sido diretamente afetadas pelo conflito. A guerra mudou a vida de todos de uma forma ou de outra. Homens se alistaram, ou eram convocados, aos milhões, sendo enviados para combater em lugares distantes que eles sequer sabiam existir. Crianças cresceram sob a sombra das batalhas, onde perderam seus pais. Mulheres se envolveram, assumindo pela primeira vez o trabalho na indústria e agricultura, uma vez que seus mardos haviam partido para lutar. Em meados de 1918, mesmo elas podiam se alistar e servir à pátria. Foi um conflito global. A vida mudou para sempre. Nada seria igual novamente.

Quando a Guerra explodiu oficialmente em agosto de 1914, ninguém poderia ter previsto exatamente o cataclismo que iria se seguir. Alguns supunham que a guerra seria rápida e que tudo estaria acabado em menos de meio ano. Após quatro anos da guerra de custos mais elevados na história humana, ninguém poderia ter mais qualquer dúvida sobre o erro cometido. O mapa político do mundo havia se transformado; o longo período de paz do século XIX foi destruído; a a crescente confiança nas liberdades sociais e no capitalismo acabou arranhado. O principal legado da Primeira Guerra foi uma atmosfera de ódio e ressentimento entre as nações, classes e raças, cujas consequências seriam sentidas nas amargas lutas políticas dos anos 1920 e 1930, e o eventual deslizar para uma segunda guerra, ainda mais destrutiva, apenas vinte anos após a suposta, "Guerra para terminar com todas as guerras".


No início da Grande Guerra, a maior parte do mundo era governada por Impérios Dinásticos cujo poder se espalhava pelo globo. Por volta de 1920, a maior parte deles se fora. Os grandes impérios europeus - os Habsburgos, o russos e o alemão - haviam sido aniquilados, substituídos por repúblicas modernas. O Império Otomano estava derrotado e desmembrado; uma ditadura nacionalista tomou seu lugar no que é a Turquia dos dia atuais. Um grupo de novos estados emergiu do Báltico ao Golfo Pérsico baseados no desejo de independência. A velha Europa das grandes monarquias, dominada pela aristocracia e o exército, já estava em declínio, mas a guerra acelerou e distorceu a sua queda. A Europa de antes não era nada parecida coma  Europa de hoje, ela foi toda remodelada pela Grande Guerra.

Mas não apenas a Europa foi decisivamente afetada. Na esfera internacional, os Estados Unidos entraram tarde no conflito,  mas foi a partir dele que iniciaram sua longa ascensão para o status de super-potência. O desejo de pôr um fim definitivo ao horror das guerras deu frutos em 1920 à Liga das Nações, a primeira tentativa de unir o mundo em torno de um mesmo sistema de leis e regulamentos. Apesar de suas muitas fragilidades, a Liga estabeleceu os fundamentos para a colaboração internacional em muitas questões que se tornariam chave para firmar as Nações Unidas, pós 1945.

Outro fruto da Grande Guerra foi a ruína definitiva do Império Russo, sacudido pela Revolução Bolchevique em outubro de 1917. Se a Grande Guerra não tivesse acontecido, desestabilizando o governo do Czar Nicolau II, será que a mobilização engendrada pelos revolucionários seria capaz de derrubar o regime e colocar os comunistas no poder? E foi justamente esse movimento que iniciou o duradouro conflito entre capitalismo e comunismo que colocou o mundo sob grave ameaça e resultou na Guerra Fria que só foi terminar em 1989.


A Guerra também mudou a natureza do estado moderno. Nunca antes tantos homens foram chamados para defender suas bandeiras. Nunca a economia de nações inteiras foram voltadas quase que inteiramente para o esforço de guerra. Em todo o mundo, estados buscavam aumentar suas fontes de abastecimento, modernizavam suas armas, investiam em pesquisa científica com fins militares para construir armas e meios de suprir as necessidades dos homens no fronte. As indústrias trabalhavam insanamente, construindo veículos, armas, munições, uniformes, utensílios, equipamentos. A propaganda e a informação jamais foi usada de forma tão ativa quanto na guerra. O patriotismo aflorou e incendiou o coração dos homens e fez com que velhos, jovens e crianças se juntassem no clamor pela Guerra.

"Oh que beleza é a guerra, que motiva o homem a desejar morrer pelas cores de sua nação" entoavam as crianças a caminho da escola na Alemanha. "A Guerra faz vir à tona o melhor dos homens", diziam os poetas britânicos.

A única coisa que a Guerra não fez foi mudar sua natureza letal.

Logo no início do confronto, seja no Oeste ou no Leste, ficou claro que os armamentos modernos elevariam incrivelmente a contagem de vítimas. Os exércitos podiam contar com um contingente nunca antes visto de soldados, mas as armas usadas por eles eram capazes de dizimar esse número rapidamente. O combate evoluiu para uma escala maior do que qualquer outra já vista. 

O caldeirão da inventividade foi generosamente agitado e se provou extremamente criativo. Novas maneiras de guerrear se apresentaram. Quantidades incalculáveis de bombas, projéteis e munições estavam pela primeira vez à disposição. Mas na maior parte de sua duração, a guerra foi travada por navios de batalha, artilharia pesada, metralhadoras e cavalos que dominavam os campos de batalha. Os aviões, estavam ainda em sua infância; os submarinos eram escassamente usados, assim como os tanques, uma das invenções mais modernas para o combate em terra. Essas armas seriam usadas na batalha, nos últimos anos principalmente, mas seu potencial completo para a destruição só seria empregado no conflito seguinte.


Contudo, o que existia se mostrava eficiente para deflagrar destruição e morte. Para se proteger, os soldados rastejavam pelo solo enlameado pontilhado de crateras profundas, escavavam trincheiras cobertas de arame farpado e trocavam tiros com inimigos a poucos metros, separados pelo que se convencionou chamar de Terra de Ninguém. O ar tinha cheiro de fumaça, gasolina e pólvora. Os céus estavam negros, os rios vermelhos com o sangue e o mar sujo de óleo. Como consequência desse novo estilo de combate, a guerra, especialmente no Fronte Ocidental, se estagnou, enquanto ambos os lados desenvolviam novas armas e formulavam estratégias para romper as linhas inimigas.

Períodos de relativa tranquilidade eram quebrados pela sinalização e ordens para avançar. Os soldados se erguiam de suas trincheiras e marchavam em uma desabalada corrida suicida na direção dos oponentes. Boa parte deles ficavam pelo caminho, espalhados no chão ou pendurados no arame como espantalhos, colhidos pelos disparos impiedosos das metralhadoras. Barragens de artilharia faziam cair uma chuva de bombas e estilhaços que desfiguravam e amputavam membros inteiros. Os hospitais de campanha tratavam de todo o tipo de ferimento, alguns violentos demais para serem catalogados, outros ferimentos despedaçavam o espírito e a própria alma dos combatentes. Foi nessa época que o mundo foi apresentado a termos como shell shock e trauma de batalha.

A Guerra não foi exclusivamente européia. Ela se alastrou pelo globo, eclodindo em territórios sob o controle das nações protagonistas, mas também contagiando países coadjuvantes que tiveram sua primeira experiência com o horror da batalha moderna. Em Gallipoli soldados australianos combateram numa faixa de deserto sem valor, em Port Arthur, japoneses e russos se enfrentaram pelo controle do Oriente distante, no Norte da África soldados disputaram centímetros na areais do Egito, enquanto o Oriente Médio tremia com o levante de povos árabes contra o jugo dos turcos otomanos. Talvez essas frentes de batalha não sejam tão famosas quanto Ypres, Somme, Brugges ou Marne, mas em cada um deles homens lutaram, sofreram e morreram.

Mais de nove milhões de soldados perderam suas vidas em consequência direta de combate. 


Falta de comida, algumas vezes causada por bloqueios e algumas vezes resultante de falta de colheitas, enfraqueciam as populações nas cidades. Faltava luz, energia, combustível, comida. Quase seis milhões de civis morreram de doença ou fome. Mais de um milhão de civis tombaram vítimas de ações militares. Ao todo, o número de mortos resultantes da Guerra passou de 16 milhões, isso vem falar nos feridos. Vinte e um milhões de indivíduos, muitos deles jamais seriam curados.

O elevado custo da Guerra fez nascer um disseminado pessimismo, um mórbido temor do declínio. Nos anos 1920, milhares de jovens enfurecidos rejeitavam os princípios das gerações anteriores que os tinham enviado para a frente de batalha e ansiavam por se vingar daqueles que culpavam pelo desastroso confronto. Na Itália e na Alemanha, os veteranos Mussolini e Hitler usaram a sede de violência política para construir movimentos nacionalistas radicais que chegaram ao pode rapidamente, primeiro na Itália em 1922, e depois na Alemanha em 1933. Rejeitando a paz, os novos ditadores enxergavam na guerra a maneira de despertar uma nova era militarista que iria forjar os novos impérios.

Se a Primeira Guerra não tivesse acontecido, quase que certamente a humanidade teria sido poupada de horrores como guerra civil, terrorismo político e uma segunda guerra total e genocida. Mas em que mundo nós viveríamos hoje?


Milhões de pessoas ao redor do mundo ainda sentem os ecos da Grande Guerra. Eles conhecem os nomes de familiares que participaram da guerra e que tiveram o curso de suas vidas alterados por ela. O legado político ainda reverbera no Leste Europeu, nas nações que buscam independência e que pleiteiam o separatismo. A guerra ainda ruge nos discursos ultra-nacionalistas e xenofóbicos nos palanques de partidos extremistas. Ela ainda está presente nas questões territoriais e econômicas que dividem os povos. Ela está viva na corrida armamentista e nas armas que nasceram durante esse tempo de provações. A Primeira Guerra Mundial criou um senso comum na história que, mesmo cem anos depois, ainda liga pessoas de muitas nações em uma teia de tragédia que se manterá firme por muito tempo.

Em alguns momentos, a Grande Guerra parece história antiga. O tipo de coisa vista em filmes em preto e branco, com gente vestindo roupas antigas e com cavalos puxando carroças, tudo parece completamente datado e esquecido. Ainda assim, ela está desconfortavelmente próxima.

Se desejamos entender o mundo de hoje, precisamos lembrar do que aconteceu ontem.