domingo, 10 de agosto de 2014

Algo Cthulhiano em Zimbabwe - População teme ataque de Goblins (?!?)


Quatro escolas no sudoeste do Zimbabwe, próximas a cidade de Tchabalala suspenderam suas aulas e mandaram as crianças para casa, após queixas de pais e alunos sobre a presença de goblins na região. Crianças teriam sido perseguidas, encurraladas e até sequestradas por essas diabólicas criaturas.

"Nós estamos todos sob ataque", disse Safana Nyagueto, diretor de uma das escolas. "Não podemos continuar funcionando sob tais circunstâncias. As coisas podem sair do controle a qualquer momento se as crianças continuarem a ser ameaçadas por estas criaturas".

Segundo funcionários de escolas próximas, crianças começaram a falar a respeito de estranhas criaturas "não-humanas" de aspecto diabólico vivendo nas florestas. A princípio, ninguém levou a sério, mas os casos continuaram se multiplicando. Algumas crianças disseram que estes "goblins" as perseguiam e atiravam pedras contra elas. No caso mais grave, um grupo de alunos chegou a escola de Lumunzi em pânico, gritando em desespero, afirmando que criaturas bizarras estavam atrás delas.

Aparentemente este não é o primeiro caso envolvendo o encontro com goblins no Zimbabwe. Entre 2012 e 2013, mais de 10 casos foram noticiados na mesma região. Criaturas humanóides d epequena estatura fazem parte das lendas e da mitologia dos povos nativos do Zimbabwe. Há um grande número de duendes e goblins segundo o folclore local.

Uma estatueta tribal de um goblin do Zimbabwe
O caso da Família Sithoule se tornou notório em todo o país, sendo divulgado na mídia local com grande destaque. Os membros dessa família, residentes de Chisumbanje afirmam que goblins foram responsáveis por uma série de infortúnios em sua fazenda. As criaturas teriam buscado vingança depois que as crianças da família, atiraram pedras contra uma delas. A criatura foi ferida, mas conseguiu escapar. Desde então, animais domésticos apareceram mortos, plantações foram destruídas e um poço de água foi envenenado. Segundo o patriarca da família, goblins seriam os responsáveis por todos os acontecimentos negativos. Naquele que parece ser o mais grave ataque de goblins à família, desde o início das investidas, a casa dos Sithoule foi incendiada até o chão, forçando-os a viver em barracas.

Os "goblins" vem sendo descritos como pequenos, tendo a altura de uma criança com no máximo 1,20 de altura. As criaturas segundo os rumores tem a pele branca, cabelos pretos e compridos, olhos grandes e a boca repleta de dentes pequenos, porém afiados. Eles não usam roupas, andam com uma postura levemente arqueada e se escondem habilmente na vegetação, desaparecendo quando perseguidos. Elas parecem inteligentes, embora sejam descritas como primitivas e dotadas de um senso nato para cometer maldades. Elas utilizam pedras como arma e costumam arremessá-las com precisão notável. As pessoas que alegam ter encontrado os goblins, sempre mencionam terem sido atacadas por pedradas e por um número considerável de criaturas surgindo do nada. Alguns boatos afirmam que os goblins são canibais e que preferem a carne de crianças acima de qualquer outra, por essa razão elas são as principais testemunhas de aparições.

Em janeiro de 2014, um bizarro incidente ocorreu em uma delegacia de polícia na cidade de Tchabalala. Dois moradores locais não identificados (por temerem represálias) teriam alvejado um Goblin com um disparo fatal. A criatura foi morta e rapidamente colocada em uma mochila, para ser entregue aos policiais. Segundo as autoridades, ao abrir a mochila na delegacia se depararam com uma pequena e bizarra criatura. Assustados, os policiais pediram o aconselhamento de um famoso feiticeiro local que ordenou a imediata destruição do cadáver. Uma única foto da criatura (essa que está no alto do artigo) foi tirada antes que a carcaça fosse incinerada e suas cinzas espalhadas conforme as ordens do bruxo.

"As pessoas de outros países não acreditam. Acham que estamos inventando essas coisas, mas nós sabemos que elas existem coisas muito estranhas aqui no Zimbabwe", contou um dos policiais que preferiu não se identificar.

*     *     *

Certo... Zimbabwe de novo. Não faz muito tempo, a construção de uma hidroelétrica no mesmo país africano foi suspensa em decorrência dos ataques de supostos "homens peixe" que impediam o represamento de um rio.  Aqui você encontra o link para esse artigo de março de 2013: Homens peixe no Zimbabwe

Agora temos "goblins".

A descrição desses diabinhos me parece próxima demais de outra criatura do universo lovecraftiano: o Degenerado Povo Tcho-Tcho.


Repara só na descrição dessas criaturas humanóides, mas não necessariamente "humanas" contida no conto "The Lair of the Star Spawn" por August Derleth e Mark Schorer:

"Nossos atacantes eram uma horda de homens diminutos, o mais alto deles com não mais do que quatro pés de altura (1,20m). Os olhos singularmente pequenos em uma cabeça no formato arredondado de cuia. Esses atacantes caíram sobre nosso grupo e começaram a matar homens e animais com facas brilhantes antes mesmo dos homens terem tempo de sacar suas armas".

Seria o Zimbabwe um dos últimos enclaves do sórdido povo Tcho-Tcho, um grupo dissidente que por alguma razão acabou deixando a Asia Central para se estabelecer nas selvas da África onde regrediram a um estado de primitivismo tamanho que são vistos como "goblins". E se Tcho-Tchos estão habitando as selvas ao redor de Tchabalala, com certeza eles teriam estabelecido algum tipo de aliança com os Antigos ou até com os malignos "Abissais" que vivem nos rios e afluentes tentando deter o progresso e frear a construção de usinas hidroelétricas.

Atenção Investigadores do Mythos, o Zimbabwe precisa de ajuda o quanto antes, a situação por lá parece perigosa.


Achou interessante? Leia também outras notícias vindas da África:





E se você tiver coragem de saber sobre os Tcho-Tcho:




sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Mesa Tentacular: Estréia como Keeper de Call of Cthulhu com a clássica aventura "The Haunting"


Por Fábio Silva

Em 2011, junto com o lançamento de Rastro de Cthulhu, iniciava-se minha trajetória no universo Lovecraftiano. Achei o Mythos fascinante, e a partir desse ponto me dediquei cada vez mais ao jogo. Comprei cenários, suplementos e mais recentemente a primeira campanha, Eternal Lies.

Nesse meio tempo havia ouvido falar de Call of Cthulhu com seu incrível histórico e currículo de cenários e suplementos. Comprei alguns, li e testei o sistema BRP que acompanha o jogo, mas nunca havia tido a oportunidade de jogá-lo a fundo. 

Com o lançamento do Chamado de Cthulhu no Brasil, meu grupo e eu decidimos explorar mais as possibilidades que esse clássico possibilita, e a experiência foi exuberante! Segue as nossas impressões.

Nosso Primeiro Contato Com Chamado de Cthulhu


A noite era fria e chuvosa quando nos reunimos à mesa para o jogo. Inicialmente os jogadores optaram por transferirem seus personagens de Rastro de Cthulhu para a nova planilha, de Chamado de Cthulhu, ideia que se dissipou ao se depararem com a proposta da primeira aventura. No bate-papo inicial, achamos interessantes que os antigos investigadores se tornassem um grupo de estudiosos da Universidade Miskatonic, os quais poderiam ser consultados em futuros cenários (sim, isso está acontecendo agora, em No Limiar das Trevas. Dois deles apareceram) - mantendo assim a sua importância e ligação afetuosa dos jogadores por seus antigos companheiros.

Então apresentei a planilha de personagem, que todos olharam meio intrigados no começo, pela quantidade de informações dispostas (diferente de Rastro de Cthulhu que se concentra apenas nas habilidades). Porém, quando expliquei e resumi a criação do investigador a dois passos (atributos e habilidades) tudo ficou mais fácil e em cerca de 30 minutos todos tinham os personagens prontos para o início do cenário.

Optei por narrar The Haunting (A Assombração), um dos quatro cenários básicos que se apresenta no livro, por ser simples, rápido e prático, mas fiz algumas modificações, principalmente para testar a praticidade do sistema em situações de tensão.


Sem muitos "spoilers", acresci um Mi-Go que tinha executado os procedimentos em Corbin, e alguns cultistas. Todos se encontravam "in vitro" e toda forma de comunicação era feita através de uma máquina especial que projetava um holograma do indivíduo que era conectado (bem na pegada Um Sussurro Nas Trevas). Fora isso, o procedimento investigativo seguiu como o mostrado no cenário do livro (com exceção da cena na antiga capela, que eu como um Guardião empolgado e distraído, esqueci de colocar - mas realoquei todas as pistas para as cenas posteriores assim que percebi a gafe).

O andamento da investigação foi rápido e fluente, apesar de meu medo inicial de tornar as coisas chatas ou paradas, por não conhecer bem o sistema ou pela lenda urbana do "falha no teste, perde a pista" (sim, vou comentar isso algumas vezes aqui). Todos conseguiram ir de uma cena à próxima, unindo pistas e avaliando os handouts que dispunha na mesa à medida que eles realizavam as buscas e pesquisas. Um dos pontos altos da comunidade que joga o Chamado de Cthulhu é a disponibilidade de acessórios para as partidas, coisa que sinto muita falta na comunidade do Rastro de Cthulhu, afinal alguns podem dizer que os handouts são compatíveis e tudo mais, porém o material que encontro quando realizo buscas relacionadas a Chamado de Cthulhu são bem melhores em qualidade e quantidade, e direcionado a cenários específicos, do que alguns cenários do Rastro de Cthulhu (sim, estou falando da comunidade internacional).


Digo isso porque não só é esse cenário que preparei. Além dos quatro cenários básicos do livro, estou preparando no momento o Mansion of Madness e os handouts que consegui encontrar são muito mais do que quando preparei cenário para Rastro de Cthulhu. Isso talvez não seja um grande ponto, mas chega a ser significativo quando se trata de jogos Cthulhianos, pois um dos pontos fortes dos cenários é o incentivo a que os jogadores toquem e avaliem as pistas pessoalmente (e não apenas em descrições e diálogos). Acredito que 90% dos handouts que possuo para cenários de Rastro de Cthulhu foram criados por mim.

Sobre o sistema e... tudo mais!

De mim, Guardião habituado ao Gumshoe, posso dizer que sentir a praticidade do d100, a violência do sistema, com rolagens marcantes e significativas para o drama do jogo e para a vida e sanidade dos investigadores. Um dos pontos altos do Gumshoe é o sucesso automático para a obtenção de pistas, e esse é um dos principais contrastes apresentados entre ambos os jogos (são vários, eu sei, mas esse é o mais comentado). Para mim, realmente foi minucioso o trabalho de administração de informação e distribuição de pistas, mas grande parte disso se deu a meu hábito do sucesso automático.

Permiti que a falha dos investigadores nas rolagens do d100 não representassem um empecilho na obtenção de pistas, mas sim um inconveniente durante a trajetória. Pesquisas em bibliotecas se tornaram mais lentas, entrevistas e interrogatórios se tornaram constrangedores, pesquisas científicas se tornaram confusas, etc. Nada que viesse a interferir diretamente, mas que gerou situações adversas que os investigadores deveriam contornar, e não uma falha que represente que eles são um bando imbecis despreparados - e assim deixassem uma pista passar.


Claro que, até onde li (sim, ainda não li o livro básico todo, mas estou chegando lá) essa foi uma abordagem que decidi usar representando as falhas e que talvez não represente a abordagem usual do sistema. Não me julgo certo ou errado por tomar tal atitude, fiz assim pelo receio da lenda "falha é igual a pista perdida" que tanto senti nos comentários espalhados em publicações e pela internet - que vem junto com a diminuição do ritmo da partida. Como era minha primeira narração "oficial", preferi não arriscar, mas à medida que formos jogando vou testando melhor e sentindo a praticidade do jogo.

No quesito sistema, meu grupo habitual de Rastro de Cthulhu chegou a comentar que o Chamado de Cthulhu é mais intenso, em grande parte pelo fato de aumentar o número de rolagens e da tensão do sucesso/falha em situações chaves. Isso porque em Rastro a obtenção de pistas é automático, o que os faz pensar sobre a utilidade de seus investigadores se você não for um Guardião cuidadoso, e em Chamado, mesmo em uma obtenção de pista algo pode dar errado (criando um drama, além de conseguir a pista).


Uma coisa que senti bastante falta no Chamado de Cthulhu e que já havia me habituado no Rastro de Cthulhu são os testes de Estabilidade. No sistema Gumshoe, a Estabilidade representa a resistência mental e emocional a traumas de qualquer tipo, humano ou sobrenatural. Já a Sanidade é a habilidade em conhecer e temer os aspectos da humanidade que formam o caráter e filosofia coletiva. É o quão você acredita nas mentiras confortáveis do dia-a-dia. Ou seja, momentos tensos e decisivos abalam sua Estabilidade e o Mythos destrói sua Sanidade. No Chamado há apenas Sanidade e ela representa apenas isso: sua condição mental em vista dos traumas de qualquer tipo. É a sua condição mental em receber e reagir a informações, bem como perceber como as coisas estão acontecendo ao seu redor, seja natural ou sobrenatural. É bom e mais direto, porém eu estava acostumado ao charme que a divisão das habilidade pode proporcionar. Acredito que com o tempo eu me habituo melhor.

Sobre o Mythos...

Comprei alguns cenários que me indicaram no grupo do Mundo Tentacular no facebook e me deparei com muita coisa boa, porém bem diferente do que estava acostumado, e meus jogadores também notaram isso. Ao termino da partida, sentamos para debater os pontos altos e baixos (e novamente uma semana depois, quando assistimos a Um Sussurro Nas Trevas) e eles me apresentaram a curiosidade na forma violenta como o Mythos se apresentou. Em todos os cenários de Rastro de Cthulhu que adquiri e tivemos a oportunidade de jogar, o Mythos era mais discreto, sombrio e sorrateiro. Os investigadores têm muito poucas chances de combater e revidar, e precisam de coragem e petulância para isso (e uma boa reserva de vitalidade, estabilidade e sanidade).

No Chamado sempre há alguma criatura do Mythos que se apresenta aos investigadores no clímax da investigação, viagens dimensionais, contato com seres extra-dimensionais, cidades ancestrais, rituais e atividades estranhas a serem realizadas e há uma boa chance de eles descobrirem as coisas escondidas por trás das cortinas do universo (se saírem vivos ou sãos). Ou seja, o Mythos foi uma experiência mais direta e intensa. Sentimos que o Chamado é mais maduro, violento e cru, enquanto o Rastro é mais tenebroso, soturno e sinistro. Não sei se li e interpretei ambos os jogos de minha forma, mas comprei bastante coisa de ambos, li e comparei e isso foi o que sentir com relação a eles.

No Rastro sinto que o Mythos é mais discreto e está nos vigiando, a espera do momento certo para nos tragar. Somos meros humanos deparados com questões universais de peso assombroso e destruímos nossa mente e nosso corpo na tentativa de barrar tais. Claro que há cenários como Inacreditáveis Casos Sobrenaturais e Shadows Over Filmland, que têm uma pegada mais pulp e ativa, mas mesmo desses não senti diretamente a estranheza de combater o Mythos. No Chamado eu sinto a violência do Mythos mais direta, com cenários repletos de rituais, psiquismo e confronto direto com criaturas do Mythos. Em Rastro de Cthulhu, para meu grupo e eu, isso sempre foi muito sutil. Na verdade, eu senti que o Mythos se tornou mais violento no Rastro de Cthulhu com o lançamento dos suplementos Cthulhu Apocalypse, Inacreditáveis Casos Sobrenaturais e Magia Bruta. De fato, sempre senti que o sobrenatural e Rastro de Cthulhu é mais tênue e macabro.

*     *     *

Essas foram minhas impressões iniciais. Ainda estou preparando mais alguns cenários (no momento em que escrevo, estamos jogando No Limiar das Trevas) e queremos jogar mais vezes para sentir de forma mais completa o jogo, pois como dito no título, esse foi o nosso primeiro contato e nossa primeira impressão. No mais, digo que nossa receptividade à proposta do jogo foi muito positiva e entusiástica. Meu carinho por Rastro de Cthulhu é eterno, e sou muito apegado à sua escrita moderna e gótica, soturna e tétrica, mas o Chamado de Cthulhu tem conquistado uma boa posição entre meus jogos favoritos (a prova disso é que já temos mesa fixa, semanal).

Se você jogar ambos, assim como nós, notará que não é muito complicado converter e usar os cenários e ideias de um em outro. Continuo a jogar Rastro de Cthulhu (e após 4 anos apenas como Guardião, finalmente consegui treinar e incentivar o surgimentos de novos Guardiões que também possuem o mesmo apego ao Rastro) e preparo os cenários da Pelgrane Press para nossas partidas de Rastro, bem como preparo cenários e campanhas de Chamado para Rastro. São bons jogos separados, são excelentes jogos juntos, cada um com seus altos e baixos.

Não sei se concordam ou discordam com algo, mas na verdade foi o que eu senti durante a preparação e partida, e a interpretação é algo dinâmico que pode variar de indivíduo para indivíduo. Sinto, na verdade, que comecei a ler e jogar o Rastro, bem como entrar no mundo Lovecraftiano, de foma exótica, com cenários e ideias que fogem do habitual, e talvez isso tenho distorcido minha visão sobre ambos os jogos. De qualquer forma, o tempo e as partidas refinarão melhor nossos conceitos sobre esse clássico, que se provou um grande jogo para nós.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Virus Mortal - Epidemia de Ebola está fora de controle na África


Essa é a imagem de uma das mais graves ameaças do nosso século.

O surto já vem sendo chamado de "a pior epidemia do Ebola na história", ainda assim informações fora da África tem sido esporádicas. Nos Estados Unidos, as notícia a respeito se concentram nos dois cidadãos norte-americanos - médicos de um programa de ajuda humanitária, que foram infectados. Enquanto isso, a doença já matou 932 pessoas (números da Agência Mundial de Saúde) na África Ocidental e mais de 2,000 foram infectadas desde o ressurgimento da doença em meados de março. 

Estariam as informações a respeito dessa epidemia sendo encobertas para evitar o pânico? 

O vírus ebola foi descoberto apenas nos anos 70, nas florestas da África. Os cientistas acreditam que o vírus viva nos morcegos da fruta, que ocupam as cavernas da região subsaariana. Nele o vírus não provoca doença. Mas uma fruta meio comida por um morcego e encontrada por outro animal pode dar início à epidemia.

Primatas são muito vulneráveis. Em apenas uma epidemia, mais de cinco mil gorilas morreram. Humanos contraem o vírus ao comer frutas ou caça contaminadas, ou ao manipular um animal morto.

A taxa de mortalidade do Ebola está na casa dos 60 a 90 por cento, as pessoas infectadas se não são tratadas imediatamente tem poucas chances de recuperação. Os efeitos comuns são febre, vômito e diarreia, sintomas que podem ser confundidos com uma vasta gama de outras doenças. Nas fases posteriores, o dano se torna mais sério com hemorragia. Das muitas maneiras que o vírus pode ser transmitido, as principais incluem a transferência de fluidos, o que coloca os médicos trabalhando com os doentes em grave risco. Os profissionais que estão realizando a ajuda humanitária nos precários hospitais montados às pressas, utilizam material de proteção que inclui respiradores, roupas e máscaras de borracha grossa. Um número significativo de médicos foram contaminados desde o início da epidemia.


Os sintomas do Ebola tem um tempo de incubação de até 21 dias para se manifestarem após a infecção. Isso significa dizer que um portador do vírus pode parecer perfeitamente saudável e transmiti-lo para muitas outras pessoas antes de se proteger. Foi justamente o que aconteceu com um Patrick Sawyer, um cidadão da República da Libéria, que carregou o vírus em seu corpo para Lagos na Nigéria, a mais populosa cidade da África. Das pessoas que tiveram contato com Patrick, sete apresentaram os sintomas da doença, sendo que quatro morreram em decorrência da infecção. 

Como resultado, tumultos se formaram nos arredores de hospitais que estão oferecendo tratamento de pacientes. Os manifestantes culpam os estrangeiros pelo surgimento da doença. Ataques a estrangeiros e violência tem se multiplicado em Lagos desde que o primeiro caso foi reportado. O jornal New York Times informou recentemente que uma milícia armada se formou na Nigéria e está em atividade nas principais cidades, com o propósito de impedir a entrada de trabalhadores estrangeiros no país. Guardas de fronteira tem realizado uma triagem nas pessoas que entram no país, contudo com a extensão territorial do país é virtualmente impossível controlar quem passa pelas fronteiras diariamente. 

Em Serra Leoa, que tem o maior número de casos de Ebola confirmados até o momento, o governo decretou estado de calamidade. Carros com equipamento de som circularam pelas cidades avisando as pessoas que deveriam ficar em suas casas e evitar se deslocar, qualquer pessoa apresentando os efeitos devia se apresentar imediatamente. A falta de informação a respeito da doença causou pânico: em Runte um vilarejo do país, uma mulher foi agredida por populares que diziam ser ela portadora do vírus. Depois de ter sido apedrejada ela foi abandonada à própria sorte. 
Em Kenema, a polícia usou gás lacrimogênio para dispersar protestantes que se concentravam diante de um centro de tratamento. O tumulto se intensificou principalmente em face dos rumores de que a doença era uma cobertura para a realização de "rituais de canibalismo" que vinham ocorrendo no interior do hospital. Outras fontes de procedência desconhecida, afirmavam que a doença havia surgido através do uso de vacinas no início do ano. Em Serra Leoa a superstição ainda é forte quanto a métodos de tratamento médico modernos e a população desconfia das campanhas de eliminação de doenças, por esse motivo o país possui um dos mais altos índices de doenças infecciosas do continente. No caso mais grave registrado em fevereiro, dois agentes de saúde foram assassinados e um posto médico incendiado por uma multidão que culpava a equipe pela morte de uma criança que havia recebido vacinação.


Há diversas outras teorias conspiratórias mundo à fora.

Alguns acreditam que a cepa do Ebola ressurgiu após um acidente numa estação de pesquisas biológicas mantida pelo governo norte-americano na África. Essa base secreta, disfarçada como agência de saúde internacional, realizaria experimentos com elementos perigosos para utilização em guerra biológica. Ativistas de movimentos pela erradicação de armas dessa natureza acreditam que possa ter havido uma quebra de protocolo de segurança que infectou funcionários dessa estação. Verdade ou mero boato, uma estação de pesquisas privada em Serra Leoa recentemente foi desativada, contudo a ligação com o governo norte-americano não foi confirmada e parece ser mera especulação.

Tribos que vivem nas selvas da Guine culpam os primatas pela disseminação da doença em seu território. Desde o início do ano, macacos de diversas espécies foram abatidos por populares que queimam os animais para assim "dissipar os maus espíritos" em seus corpos. As autoridades tentam conscientizar as pessoas das reais formas de transmissão, mas as crendices populares são muito fortes e tem se mostrado um obstáculo.

O controverso Dr. Leonard Horowitz, em seu livro, "Emerging Viruses" sugere que o Ebola possa ter sido manipulado em laboratório, possivelmente pelo governo americano, para ser usado na África Central. Segundo o Dr. Horowitz a estrutura em espécimes colhidos do Ebola apresentam indícios de manipulação o que remete a uma possível criação laboratorial. A criação de um vírus letal e de seu controle através de um antídoto, estariam dentro da tática empregada pela guerra biológica. Comntudo, e preciso lembrar que Horrowitz tem opinioes polemicas e muitas delas sao duramente refutadas.

A epidemia de Ebola segundo fontes na AMS está entre as maiores ameaças globais desse século. Trata-se do segundo virus mais letal conhecido, perdendo apenas para a canine rabies que tem um índice de letalidade de 95%, mas que dispõe de vacinas. É possível que alguém infectado pelo Ebola saia da Africa, viaje para Heathow no Reino Unido e contamine em pouco mais de seis horas pelo menos 15 pessoas.

O bio-terror, uma modalidade de terrorismo ainda não empregada também é uma preocupação existente. Várias nações já manifestaram preocupação a respeito do uso de vírus como arma letal para ataques terroristas. O Ebola pode ser lançado no ar em forma de aerosol com relativa facilidade, bastando para isso o trabalho de um epidemiologista disposto a duplicá-lo em laboratório. Com o surto, amostras podem ser facilmente obtidas.

Depois disso, quem além de mim está preocupado com uma possível epidemia do Ebola?

*     *     *

Caras, vou dizer uma coisa... em matéria de horror real, esse tipo de Epidemia é algo que realmente me deixa apavorado.

Quando esse tipo de coisa começa a se espalhar pelo mundo as coisas rapidamente saem do controle. A desinformação nesses casos é o catalizador para violência e loucura. No início do século XX, nós tivemos algo parecido com a notória Gripe Espanhola que devastou populações inteiras no mundo inteiro. A chance de algo assim se repetir, num futuro próximo, segundo importantes pesquisadores é muito maior do que seria confortável imaginar.

Eu fico pensando como uma epidemia mundial iria afetar a todos nós, ainda mais diante da escalada populacional e do aparecimento de grandes centros urbanos no último século, onde a proximidade das pessoas acaba sendo total. 

E num contexto do Mythos, fico imaginando um Nyarlathotep com um sorriso sardônico entregando para um grupo terrorista uma valise contendo amostras do Ebola para experiência e produção em massa.

domingo, 3 de agosto de 2014

Peça Sangrenta - Montagem de Shakespeare provoca choque e desmaios


A noite de abertura da mais nova montagem da peça Titus Andronicus de William Shakespeare apresentada no tradicional Teatro Globe de Londres terminou de forma incomum.

Pelo menos duas pessoas desmaiaram e outras tantas tiveram de deixar a platéia para tomar um ar durante a encenação da mais sangrenta obra do celebrado dramaturgo. Titus Andronicus é conhecida como a peça mais violenta de Shakespeare, uma obra onde o sangue ocupa um espaço central, e onde as ações dos personagens sempre terminam em maior derramamento de sangue. Contudo, as montagens sempre censuraram, ao menos em parte, a violência crua do texto. A nova montagem que teve sua estréia na semana passada, agiu na contra-mão a esse conceito, abraçando a brutalidade e saudando os espectadores com um show de violência como não se via desde os espetáculos do Grand Guignol.

A trama de Titus Andronicus gira em torno de um general romano que comete o erro fatal de não demonstrar piedade para o filho mais velho de Tamora, a Rainha dos Góticos, que ele havia derrotado em batalha. A crueldade do romano, será paga em espécie, com uma vingança alucinada.

Nem todas as pessoas presentes no público estavam preparadas para o que estava por vir quando a cortina foi aberta. Vários dos groundlings - os espectadores da primeira fila, se surpreenderam com a entrada da atriz Flora Spencer-Longhurst, no papel de Lavinia, adentrando o palco coberta de sangue depois de ser estuprada e ter a língua e as mãos cortadas pelos romanos. Os gritos abafados da atriz, que caminhava trôpega, esbarrando em quem estivesse próximo, deu a partida para o espetáculo visceral.


Em poucos minutos, pelo menos oito pessoas na audiência tiveram de deixar o teatro às pressas, evidenciando o impacto emocional e visual da obra. Os suspiros e arfares dos presentes continuaram durante a performance, a medida que personagens tinham suas gargantas cortadas, membros amputados e uma mulher era estuprada e morta com uma espada. O sangue cenográfico era tanto que se tornou impossível evitar que ele espirrasse nas primeiras filas, manchando os espectadores.

A produção havia alertado que o espetáculo da Companhia Lucy Bailey apresentaria cenas "grotescamente violentas e ousadamente experimentais".

Um porta-voz do Teatro Globe disse que desmaios não são incomuns nas montagens da Companhia. Em 2006, uma apresentação da mesma peça, terminou com pelo menos seis desmaios. Até mesmo a equipe de produção teve que se acostumar com o caráter brutal da peça, alguns membros da equipe não suportaram as imagens e pediram desligamento da montagem. 


"Shakespeare não fez concessões quando escreveu Titus Andronicus – trata-se de uma peça brutal em que a violência é celebrada em seu ápice e a Companhia buscou se aproximar ao máximo da visão original do autor. O objetivo é manter o impacto visual, e portanto recomendamos que pessoas sensíveis não assistam a performance".


Apesar dos avisos, a montagem está com todos os ingressos vendidos para a temporada. Após a abertura e o burburinho que se seguiu, os últimos tickets se esgotaram rapidamente.

A crítica especializada dos principais jornais londrinos escreveu resenhas positivas sobre a montagem:

"Não se trata apenas de uma orgia de sangue. A selvageria é sempre perturbadora e o sadismo realmente desperta repulsa nos espectadores mais sensíveis. Contudo, a franqueza e fidelidade ao texto de Shakespeare, amparado por performances arrebatadoras, torna a apresentação sensacional", escreveu o crítico do jornal The Guardian.

A crítica teatral do Dance and Theater, Sarah Hemming escreveu: "Trata-se de uma produção que cegamente combina detalhes psicológicos com energia extraída da selvageria e do horror, mergulhando o espectador em um pesadelo sangrento"


Emily Francis, atriz da Companhia Hither Green que assistiu a apresentação, disse ter se sentido "vagamente enjoada". Ela contou ainda: "Quando uma das personagens tem as mãos serradas, senti que poderia passar mal e precisei deixar meu assento para tomar um ar e me recuperar".

A brutalidade da peça é tão extrema - terminando com a infame cena em que uma mãe é obrigada a comer pedaços de seus próprios filhos, que a platéia ficou atordoada. Por alguns instantes, após fechar as cortinas, as pessoas não conseguiam reagir, sem saber se deviam aplaudir ou simplesmente deixar o teatro em silêncio.

Jennifer Todd, crítica teatral do London Times, relatou: "Eu jamais vi esse nível de sanguinolência num palco antes, mas a montagem buscou ser fiel aos detalhes do texto. Em se tratando de uma adaptação ela é brilhante". 

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Impossível ler esse artigo, pinçado de vários sites sobre teatro e não lembrar da peça "O Rei Amarelo" concebida por Robert Chambers para sua obra mais conhecida.

No universo lovecraftiano, "O Rei Amarelo" (The King in Yellow) é uma peça teatral tão chocante e assustadora que o público se via de um momento para o outro arrebatado por uma poderosa sensação de horror, choque e loucura. 

Nas ocasiões em que a peça é encenada, o público reage de forma impulsiva e primal: causando a destruição do teatro, agredindo selvagemente quem estivesse por perto ou simplesmente sendo tomado por um choque tão profundo que é incapaz de qualquer reação.

Sempre imaginei se uma peça de teatro, no mundo real, poderia causar tamanho impacto e gerar uma resposta emocional palpável, deixando a platéia fisicamente atordoada. Aparentemente tal coisa é possível, como vimos nesse artigo...

E isso sem recorrer ao Mythos em nenhum momento.


Achou interessante? Leia também esse artigo sobre o Grand Guignol os espetáculos sanguinolentos que faziam sucesso na Europa no início do século XX.

E porque parar por aí? Leia também a respeito dos Insanos Cabarés da Belle Epoque.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Campanha Tentacular - Golden Dawn - Cthulhu Gaslight, os cenários



Desculpem o atraso...

Essa é a continuação do artigo sobre a Campanha Golden Dawn - Cthulhu by Gaslight que acabou mês passado.

A campanha teve início em janeiro de 2013 e terminou em Julho de 2014, apesar de terem sido seis cenários, a maioria precisou de duas ou até três sessões para ser concluído uma vez que as estórias eram bem longas, cheias de detalhes e, é claro, complementadas por excelente roleplay.

Os cenários foram adaptados de dois livros: The Golden Dawn (da Pagan Publishing) e Sacraments of Evil (da Chaosium). Outros livros usados na campanha foram as duas edições de Cthulhu by Gaslight e o suplemento Dark Designs.




Mas vamos aos cenários da campanha:

The Room Beyond (O Quarto Lacrado)
Cenário do Livro Golden Dawn, por John Tynes

1888 - Os investigadores, recém aceitos na Hermetic Society of the Golden Dawn são convidados por um membro mais experiente, o poeta irlandês William Butler (W.B) Yeats para uma reunião de negócios. Yeats tem uma proposta; ele deseja que os investigadores o auxiliem em uma missão oficial para a Golden Dawn. O grupo deve viajar até Loughton onde fica a propriedade de Sir Arthur Pelgrane, um nobre que deseja ingressar na Golden Dawn direto no Círculo Interno. Pelgrane oferece em troca de sua admissão um suborno tentador. Ele permitirá que os investigadores explorem um aposento secreto em sua mansão, um estúdio lacrado há várias décadas, desde que uma tragédia se abateu sobre seu avô, um famoso ocultista e alegado feiticeiro.

Após viajar até a Mansão e vasculhar o aposento lacrado, o grupo emerge com valiosos tesouros esotéricos. Tudo seria muito bom, se a presença de estranhos não tivesse perturbado a tênue fronteira que separa nosso mundo de uma perigosa dimensão.

Os investigadores descobrem que foram seguidos por parasitas dimensionais que atravessaram um portal invisível no quarto lacrado. Após sofrer ataques dessas criaturas, eles concluem que é necessário fechar novamente a passagem. Enquanto isso, em Loughton as criaturas dimensionais espalharam caos, morte e destruição.

Grande Momento: Os investigadores retornam a Propriedade em Loughton e se deparam com um cenário dantesco: Cadáveres espalhados pelo jardim, janelas arrebentadas, portas escancaradas e um grave silêncio. Um nevoeiro denso e cinzento impede que se possa ver além de alguns metros. De repente uma nuvem escura de pequenas criaturas se ergue do chão, zumbindo como uma colmeia de insetos zangados. Aqueles que correm em desabalada fuga conseguem chegar até a casa, onde fecham a porta, mas os que estão não são rápidos o suficiente se vêem cobertos de milhares de bizarros insetos que picam, zumbem e entram em suas roupas.   

The Room Beyond foi narrado no Dungeon Carioca
A Golden Dawn dá as boas vindas a seus novos (e promissores) membros
A capa do Diário da Campanha
Atrás da parede um quarto lacrado, e mais além?
O diagrama do quarto lacrado e as muitas manchas de sangue.
The Eyes of a Stranger (Os Olhos de um Estranho)
Cenário do Livro Sacraments of Evil, por Scott David Aniolowski

1890 - Uma sessão mediúnica pretende acessar por intermédio de um estranho artefato uma outra realidade. Os investigadores são convidados a participar dessa experiência que aparentemente resulta em fracasso, contudo, na manhã seguinte eles descobrem que John Bidwel, o responsável pelo experimento foi brutalmente assassinado.

Iniciando as investigações, o grupo entra em contato com um complô de pessoas influentes na sociedade britânica, que buscam ocultar o possível envolvimento de Bidwel nos sangrentos crimes de Jack, o estripador. Estaria o aristocrata envolvido nas mortes de cinco prostitutas em White Chapel

A medida que as pistas levam os investigadores em uma corrida contra o tempo, cadáveres começam a se empilhar nos decadentes distritos do East End londrino. Qual seria o interesse da maçonaria em ocultar esses fatos? De que maneira membros do submundo criminoso chinês, os Si Fan, liderados pelo maquiavélico Dr. Fu Manchu, estariam envolvidos no caso? E qual seria a verdadeira natureza do misterioso artefato capaz de acessar outros mundos?

Misturando assassinatos brutais, conspirações maçônicas, terríveis emboscadas e até mesmo uma invasão em larga escala de uma raça de alienígenas conquistadores, esse sem dúvida foi um dos meus cenários favoritos.

Grande Momento: Arthur Whitehead tenta descobrir qual o propósito do estranho artefato, o cubo de cristal azulado obtido com enorme dificuldade. Ele examina o objeto, passando as mãos sobre a sua superfície polida e percebe que dentro do cubo há um pequeno disco de prata com símbolos misteriosos. A medida que ele gira o cubo em suas mãos, tentando ler as inscrições, um brilho tênue atrai sua atenção. E então, o mundo se desfaz diante de seus olhos a medida que a consciência do investigador é catapultada milhares de anos luz de distância, para o corpo de uma criatura horrivelmente alienígena nativa do distante mundo de Yekub. E por reciprocidade, a mente do imenso verme pálido, um habitante de Yekub, desperta no corpo humano, que em choque emite gritos e guinchos aterradores que um humano jamais seria capaz de produzir.       

Novamente no Dungeon Carioca
Todos felizes por terem sobrevivido a invasão Yekub
Props da aventura com direito a fotos das vítimas de Jack, o estripador
Mapas, fotografias bizarras e documentos contendo pistas vitais para elucidar o caso
Plant Y Daer
Cenário do Livro Sacraments of Evil, por Kevin A. Ross

1893 - Os investigadores viajam até o País de Gales, terra de natureza exuberante e recantos selvagens ainda intocados. Eles tentam compreender a estranha sina do jovem Nathan Hardwick, cujo tio foi assassinado nas estradas desertas da região. A morte do tio acende uma série de suspeitas a respeito de Nathan, agravadas por seu comportamento peculiar. O que teria causado a tragédia nessa remota fazenda encravada entre montanhas negras e vales verdejantes.

Tendo acesso às raízes de lendas locais sobre o mítico Povo Pequeno e cruzando informações com um perigoso oponente, o grupo desvenda o aterrador segredo da família Hardwick e a verdade sobre o nascimento de Nathan.

Quando tudo começa a fazer sentido, os investigadores tem que procurar por conta própria a origem do mito ancestral e sua natureza. Por fim, correndo para salvar suas vidas em um cenário improvável do qual parece não haver escapatória eles precisam barganhar com os seres do Mythos.

Grande Momento: Os investigadores fogem pelas planícies de Gales, perseguidos por uma horda de criaturas híbridas. O Povo Pequeno está atrás deles: desejando vingança, ansiando por sangue. Ao voltar para a fazenda eles conseguem barrar as portas, mas as criaturas não estão dispostas a desistir e a batalha para defender a casa e impedir que eles entrem acaba sendo furiosa e sangrenta. Armas de fogo contra garras e presas afiadas. No fim, o povo pequeno retrocede, deixando para trás dezenas de mortos e feridos. Mas eles não irão desistir... naquela mesma noite, sua líder surge, disposta a barganhar a rendição dos investigadores.  

Tudo preparado para explorar o País de Gales. 
Mapa de Gales e da propriedade isolada
Invasão e cerco a fazenda - quando as coisas ficaram desesperadoras!
Hell Hath no Fury... (Nem o Inferno conhece fúria maior...)
Cenário do Livro Golden Dawn, por Steve Hatherley

1895 - Um colega da Golden Dawn está em sérias dificuldades. Sobre os ombros de Jacob Black parece pesar uma terrível maldição proferida por uma feiticeira executada por seu ancestral séculos atrás.

Os investigadores viajam até a propriedade de Black e logo concluem que algo sinistro, de fato, está em ação nesse lugar. O que estaria provocando os ruídos atrás das paredes da casa? O que desencadeou uma verdadeira epidemia de inexplicáveis incidentes sobrenaturais? E mais importante, seria realmente a feiticeira Black Annie a responsável por perpetuar uma vingança sórdida através do tempo e espaço?

A descobertas de certas pistas conduzem os investigadores até Oakwood, uma porção intocada da floresta tão sinistra e maligna que eles precisarão de toda sua bravura para se embrenhar nessa mata. Lá, nas profundezas eles encontrarão o coração pulsante das trevas, na forma de uma mulher desprezada, cujo ódio jamais esfriou.

Hath no Fury é especialmente importante para a campanha, pois um dos grandes mistérios lançados nesse cenário permanece sem solução até a aventura final, Sheela Na Gig, cinco anos depois.

Grande Momento: Os investigadores descobrem o que vinha causando os ruídos que se ouvia atrás das paredes da casa de Black. Pendleton e Whitehead são amarrados nas suas camas por cruéis diabretes. As criaturas escalam os investigadores, apavorados e incapazes de se mover. Um trapo é forçado na boca de um deles, impedindo que ele grite e expondo seus dentes. Uma das criaturas posiciona o prego enferrujado na base do dente, pressionando-o sobre a gengiva. O outro ergue o pequeno martelo com determinação e... BANG!

Props da investigação, com as imagens do julgamento de Black Annie
Imagem subliminar - Cthulhu dominando o globo terrestre
A bruxa Black Annie emerge de sua cabana para confrontar os investigadores
Sacraments of Evil (Sacramentos do Mal)
Cenário do Livro Sacraments of Evil, por Fred Behrendt

1898 - O Decano (cargo similar a um Arcebispo na Igreja Anglicana) da cidade de York, pede à Golden Dawn que investigue uma série de brutais assassinatos na Região da Catedral. Seriam esses crimes decorrentes de ódio religioso? O violento matador apelidado "Cathedral Mile Murderer" pela imprensa está fazendo vítimas, escolhendo mulheres e crianças como presas em um perigoso jogo de gato e rato.

Os investigadores precisam correr contra o tempo, descobrir quem são os responsáveis pelos crimes hediondos e separará-los dos inocentes que estão sendo atormentados por uma força ancestral que habitava York antes mesmo do surgimento da humanidade.

Essa aventura é especialmente interessante por ser uma investigação no estilo "quem é o culpado?" com uma longa lista de suspeitos.

Mais do que uma simples investigação de horror, esse cenário foi o responsável por apresentar um oponente absolutamente aterrorizante e por fazer com que a paranoia dominasse o grupo, afinal, um deles era suspeito dos crimes.

Grande Momento: Os investigadores descobrem onde fica o covil do assassino da Cathedral Mile. Na entrada de seu esconderijo jazem os cadáveres mutilados de mulheres anônimas de quem ninguém sentiu falta. O topo de seus crânios removidos e o cérebro remexido para que o maníaco pudesse extrair a porção que desejava. Mais adiante, o grupo ouve as palavras doentias do louco. Ele reza para seu Deus, prostrado de joelhos, implorando diante de uma antiga estátua medieval. Trata-se de um Jesus barroco, com olhar severo e traços grotescos, que em nada lembram o nazareno, filho de Deus. O maníaco implora para ser ouvido e então, num momento de supremo horror, a estátua atende suas preces... e abre os olhos.

Pistas para agarrar o Assassino da Catedral Mile
Mapa da cidade de York com a localização e o resumo dos crimes.
Fichas dos vários suspeitos, cada um com as devidas informações para auxiliar o inquérito.
"Algo mais antigo que a humanidade habita nas profundezas de York".
Sheela Na Gig
Cenário do Livro Golden Dawn, por John Tynes com Garrie Hall e Alan Smithee

1899 - Às portas do novo século, os membros da Golden Dawn enfrentam seu maior desafio na forma de um ardiloso inimigo que retornou através dos corredores do tempo. Libertado após um longo período de aprisionamento, esse cultista imortal planeja derrubar a monarquia britânica assassinando toda a Família Real britânica, jogando o Império no caos.

Os investigadores precisam compreender a verdadeira natureza de seu inimigo e determinar sua identidade, algo que apenas o mais poderoso dos feiticeiros britânicos, Merlin, será capaz de fazer.

Escapando de atentados mortais de espectros vingativos, vasculhando bibliotecas secretas no centro de Londres, recorrendo a aliados obtidos nos demais cenários e contando com suas habilidades (e com uma boa dose de sorte), os investigadores travam uma batalha de nervos desigual contra um oponente cujos planos foram cuidadosamente arquitetados. E acima de tudo, a sombra ameaçadora da Sheela Na Gig, parece descer sobre eles como um manto de corrupção e perversidade.

O cenário final, marcou ainda a ruína da Golden Dawn. Mal sabem os investigadores que suas ações terminam por desarticular a Sociedade Hermética, plantando as sementes das disputas internas entre membros de renome como W.B. Yeats e Aleister Crowley.

Sheela Na Gig é uma daquelas aventuras cheias de reviravoltas, de plots repletos de detalhes intrincados e de escolhas pessoais que podem condenar ou absolver os investigadores. Não é para menos que uma vez concluída essa estória, os sobreviventes prefiram aposentar seus personagens.

Grande Momento: No epílogo da campanha, o grupo consegue frustrar os planos de assassinato de seu terrível oponente, mas eles ainda precisam confrontá-lo em seu esconderijo, na parte mais escura de uma floresta ancestral. É o mesmo lugar onde o cultista foi aprisionado há mais de um milênio. A medida que se aproximam do local, algo aterrorizante se faz ouvir na floresta. E os investigadores concluem que afinal de contas, a Sheela Na Gig, não deixaria seu filho favorito desprotegido. O Guardião está a caminho para defendê-lo.    

Os preparativos para o capítulo final
Explorando as lendas britânicas medievais - Do Graal a Arthur Pendragon
O envolvimento de Aleister Crowley
E a batalha final para impedir o triunfo da conspiração
Foi uma longa e divertida jornada pela Inglaterra Vitoriana e pelo fascinante gênero gótico.

Na minha opinião, uma das campanhas mais detalhadas da história de Call of Cthulhu.

Os sobreviventes até receberam um certificado de conclusão da campanha:

Eu adoro fazer essas bobagens...


Aos colegas jogadores eu só tenho elogios e que venham novas campanhas!

Foto final da nossa última sessão de jogo
Ah sim, já consigo ouvir o som de um apito de trem ao longe...