quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Identidade Confirmada - Será que Jack o Estripador foi enfim desmascarado?


Jack, o Estripador foi um imigrante polonês de 23 anos chamado Aaron Kosminski.

Ao menos, de acordo com um autor que afirma ter desvendado a identidade do mais famoso assassino em série de todos os tempos, utilizando uma evidência de DNA.

Russell Edwards, que descreve a si mesmo como “detetive honorário”, acredita que a identidade do famoso assassino que aterrorizou a Londres Vitoriana enfim foi descoberta após 120 anos de mistério e conjecturas.

Segundo Edwards, Kosminski, que morreu confinado em um asilo para doentes mentais, é "definitiva, categórica e absolutamente" o homem por trás das sinistras mortes ocorridas em Whitechapel, no East End, em 1888.

O nome não é totalmente estranho aos pesquisadores e conhecedores dos famosos crimes. A polícia londrina havia identificado Kosminski como um suspeito, mas nunca reuniu evidências suficientes para levá-lo ao banco dos réus. 

O Inspetor Chefe Donald Swanson, que liderou a parte final da investigação dos notórios crimes, sugeriu o nome de Kosminski em anotações pessoais. Segundo ele, o imigrante foi denunciado por um de seus vizinhos que desconfiava de suas atitudes. Nas palavras de Swanson, ele era "extremamente suspeito", tendo um comportamento marginal, fronteiriço ao criminoso e familiarizado com a violência. Ele também teria um grande ressentimento de mulheres, especialmente prostitutas com quem discutia frequentemente. Além disso, em uma outra anotação, Kosminski teria se gabado para um amigo que era o assassino e que sozinho havia colocado a cidade de joelhos e ainda escapado impunemente. 

O indesejável Sr. Kosminski - Por muito tempo essa foi a única imagem do suspeito.
Swanson descrevia o seu suspeito como um polonês de baixa classe social, pertencente a religião judaica e cuja família vivia nos arredores de Whitechapel.

As anotações, doadas por descendentes do Inspetor ao Museu do Crime da Scotland Yard em 2006, incluem um memorando do Inspetor Assistente, Sir Melville Macnaghten afirmando que Kosminski "tinha um grande ódio de mulheres… com fortes tendências homicidas".

Um imigrante judeu nascido na Polônia, o suspeito fugiu da perseguição religiosa em sua terra natal, na época em que o país se encontrava sob o controle da Rússia. Ele teria chegado a Inglaterra em 1881, acompanhado de sua família que se estabeleceu na Mile End, no leste de Londres, uma região pobre com cortiços ocupados em sua maioria por outros imigrantes empobrecidos. 

Segundo documentos oficiais, Kosminski exercia o ofício de barbeiro em Whitechapel, mas há indícios que ele tenha também trabalhado em um abatedouro e num curtume. Pouco se sabe a respeito de sua família, mas os registros de imigração mencionam que ele chegou à Inglaterra acompanhado de pai, mãe, duas irmãs, um cunhado e um número ignorado de crianças (suas sobrinhas). Nos primeiros anos na Capital ele teria dividido um apartamento de quarto e sala com os demais, mas posteriormente passou a alugar quartos em pensões na vizinhança. Kosminski tinha um "gênio ruim", era violento - tendo brigado com o cunhado e com vizinhos, e a partir de então, andava armado com uma faca, que mostrava a quem o ameaçasse. Ele não chegou a ser preso, mas alguns policiais que o abordaram após uma bebedeira o tinham como baderneiro e criador de confusão. Seus desentendimentos com prostitutas, muito comuns na vizinhança em que ele residia, eram frequentes.

Havia uma forte onda de anti-semitismo na época em que ocorreram os assassinatos, sobretudo, depois que uma mensagem teria sido escrita num muro em Goulston Street, próximo ao local onde duas vítimas do maníaco foram encontradas. Para alguns, a mensagem identificava o assassino como judeu, por isso a inscrição foi apagada para evitar possíveis distúrbios. A autenticidade da mensagem tem sido contestada desde então. 

Trabalho forense no xale pertencente a Catherine Eddowes
A conclusão de que Kosminski seria Jack, o estripador veio através de um xale ensanguentado, pertencente a uma das vítimas do assassino. A peça foi a leilão em Bury St Edmunds, Condado de Suffolk, em 2007. Ela foi utilizada como base para uma cuidadosa pesquisa forense. Além de estar manchada com o sangue da vítima, um dois peritos encontrou traços de sêmen, que podiam pertencer ao assassino. 

O sr. Edwards comentou: "Eu tive acesso a única peça de evidência forense em todo o caso de Jack, o estripador. Passei 14 anos analisando essa evidência, e com base no que descobrimos posso afirmar que o caso está resolvido. Apenas aqueles que desejam perpetuar eternamente o mito levantarão dúvidas sobre o resultado.

O matador teria assassinado pelo menos cinco mulheres, cortando suas gargantas, removendo seus órgãos internos e deixando corpos mutilados em becos escuros. 

Edwards, de 48 anos, nascido em Barnet, norte de Londres, sempre foi fascinado pelo mistério e investigou o caso ao longo de vários anos. Ele acreditava que os crimes jamais seriam resolvidos, até descobrir que o xale estaria a venda e que poderia conceder alguma pista valiosa que não havia sido encontrada. A peça de vestuário, pertencia a Catherine Eddowes, e ela o estava vestindo quando foi atacada pelo assassino. 

Eddowes foi uma das primeiras vítimas canônicas - definitivamente identificadas com a série de cinco crimes atribuídos a Jack, o estripador, em agosto de 1888. Seu corpo foi achado em Mitre Street na Cidade de Londres, com a garganta cortada, o abdomen rasgado e parte do rim e ovário removidos.

Com a ajuda de Jari Louhelainen, um expert em biologia molecular, Edwards utilizou técnicas pioneiras para analise de DNA em cada milímetro do xale, num processo que demorou três anos e meio para ser concluído.

"Quando encontramos traços de sêmen, que até então não sabíamos que estavam ali, ficamos animados, mas sabíamos que podia ser um tiro no escuro". 

O xale havia sido retirado da cena do crime pelo Sargento Amos Simpson, que estava de serviço na noite em que o corpo de Eddowes foi descoberto. Ele retirou a peça para presentear sua esposa, mas quando o caso ganhou notoriedade, preferiu guardá-lo. O item foi mantido cuidadosamente em uma caixa e passado como um macabro souvenir de família por gerações, nunca lavado ou usado até a data do leilão.

Desenho da época noticiando a descoberta do cadáver de Eddowes
Louhelainen cruzou os dados de DNA obtidos com a amostra coletada com seis dos mais famosos suspeitos dos crimes de Jack. A ideia era que, se algum dos notórios suspeitos possuísse um padrão condizente ao obtido, as chances dele ser o matador aumentariam consideravelmente. Descendentes de seis suspeitos cederam amostras de DNA que poderiam ser cruzadas com aquela deixada no xale, e no caso do descendente direto de Kosminski - seu bis-neto, a assinatura genética se encaixou com perfeição.

"Foi como um sonho! O perfil genético se encaixou como uma luva, com uma exatidão estarrecedora. O sêmen no xale só poderia pertencer a Kosminski ou alguém de sua família. A evidência é clara e inquestionável".

A evidência apresentada, não foi, entretanto, universalmente aceita como uma prova em definitivo. Sir Alec Jeffreys, o homem que desenvolveu a técnica que permitiu o reconhecimento de DNA há mais de 30 anos, descreveu o método usado como "interessante mas passível de análise cuidadosa por parte de outros peritos". Segundo Jeffreys é necessário realizar uma análise mais detalhada do material colhido no xale e a natureza do material obtido com os descendentes de Kosminski. "Nenhum outro perito teve acesso a esses resultados, o que é essencial para determinar a imparcialidade dos envolvidos".

Segundo críticos do processo empregado é preciso considerar que o xale realmente jamais foi lavado ou limpo nos últimos 126 anos. O maior problema é que a questão da contaminação. Por exemplo, a prova material poderia ter de alguma maneira se contaminado com o DNA dos descendentes de Kosminski no próprio laboratório o que resultaria em um reconhecimento positivo. 

ASSASSINATO ATERRORIZANTE
Quando laboratórios são contratados para trabalhar com DNA tão antigo, tal como os ossos de Neandertais e os restos da Família Romanov, a última dinastia real da Rússia, os técnicos tem de ser extraordinariamente cuidadosos para evitar qualquer contaminação. Eles também trabalharam com amostras falsas para assegurar que a análise fosse realizada sem qualquer preconceito. Além disso, para registrar um resultado positivo, os laboratórios exigiam análises duplicadas de cada amostra. Nenhum desses procedimentos, até onde se sabe, foi realizado por peritos isentos.

Se Kosminski realmente foi Jack, o Estripador, talvez jamais venhamos a saber com certeza. Ele morreu meses depois do último e mais aterrador crime atribuído ao matador de Whitechapel ocorrer. O homem que pode ter sido o mais terrível matador do século XIX, teve um fim inglório. Depois de ser internado em um sanatório para tratar de um ferimento na perna, Kosminski morreu por complicações decorrentes de uma simples infecção. 

Ele foi enterrado como indigente em local ignorado.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Caçadores Caçados (Parte 2) - Personagens de Penny Dreadful para Chamado de Cthulhu


É claro que não esquecemos a continuação das estatísticas para os personagens da série Penny Dreadful.

Aqui estão os personagens principais que faltavam.

DR. VICTOR FRANKENSTEIN
Harry Treadaway

Ocupação: Cientista/ Pesquisador/ Médico e Anatomista
Local de Nascimento: Cantembury, Inglaterra
Idade: 21

Quote: "Você quer me ameaçar com a morte? Se você quer me ameaçar, me ameace com a vida"

Desordens Mentais: Egomania

Habilidades Principais: Arte (Desenho com carvão) 45%, Arte (Poesia) 52%, Astronomia 5%, Barganha 10%, Biologia 87%, Crédito 20%, Direito 10%, Esconder 15%, Escutar 20%, Farmácia 59%, História 32%, História Natural 15%, Medicina 68%, Ocultar 22%, Ofício (Dissecação anatômica) 89%, Ofício (fabricar ferramenta cirúrgica) 48%, Persuadir 30%, Pesquisar Biblioteca 57%, Primeiros Socorros 80%, Psicologia 30%, Psicoanálise 20%, Química 63%, Reparo Elétrico 67%

Idiomas: Inglês 99%, Grego 10%, Latim 48%, Alemão 20%, Francês 10%

Armas e Ataques: Seringa Hipodérmica 45%, Bisturi cirúrgico 48%, Colt 45 Revólver 23%

FORça               08          DEStreza           15          INTeligência     18
CONstituição     09         APArência         13          PODer               11
TAManho          13                                                   EDUcação        20

Background Resumido: Mais um poeta romântico do que um cirurgião, Dr. Frankenstein é uma alma jovem e gentil, fascinado pelos mistérios da vida e da morte. Ele se dedicou a pesquisar o que faz os seres vivos funcionarem, e sacrificou tudo para responder os seus profundos questionamentos científicos. Ele mesmo sabe que está brincando com fogo, e que seus resultados podem trazer consequências devastadoras para sua vida e para sua sanidade.

A CRIATURA 
Rory Keneer

Ocupação: Alma perdida
Local de Nascimento: Desconhecido
Idade: 35 (no momento de sua morte natural)

Quote: "Eu preferia ser o cadáver que eu era, a me tornar o homem que sou"

Desordens Mentais: Depressão, Tendência Homicida, Comportamento Anti-social

Habilidades Principais: Arremessar 45%, Arte (Poesia épica) 38%, Disfarce 39%, Escalar 70%, Esconder 70%, Escutar 45%, Furtividade 72%, História 29%, Localizar 39%, Ocultar 30%, Ofício (Efeitos Teatrais) 55%, Ofício (Produção Teatral) 41%, Reparo Mecânico 32%

Idiomas: Inglês 50%, Latim 15%

Armas e Ataques: Soco/Golpe 69%, Agarrar 70%*, Porrete 40%

* O método predileto de ataque da Criatura envolve agarrar uma vítima e quebrar seu pescoço em um movimento brusco lateral. Se a criatura capturar um oponente, na rodada seguinte ele testa na Tabela de Resistência sua FORça contra o TAManho do cativo. Em caso de sucesso, ele causa 3d6 pontos de dano, se esse número é suficiente para superar o TAManho da vítima, esta é morta.

Proteção: Nenhuma, mas armas produzem dano mínimo na Criatura. Fogo, Eletricidade e compostos químicos infligem dano normal.

FORça               24          DEStreza           12          INTeligência     15
CONstituição     18         APArência         04          PODer               10
TAManho          17                                                   EDUcação        10
HP: 18, Bônus de Dano: +2d6

Custo de Sanidade: 1/1d6 pontos de Sanidade por ver a Criatura.

Background Resumido: A criação original do Dr. Frankenstein, A Criatura é um ser medonho, cheio de cicatrizes e feridas (físicas e psicológicas) que jamais se fecham. Para os padrões da sociedade victoriana ele atrai a atenção pelas deformações causando um misto de curiosidade, escárnio e piedade. Sua alma é angustiada, ansiosa por compreensão e companhia. Sua horrível aparência e incapacidade de se relacionar com as pessoas o torna um solitário atormentado por episódios coléricos que não raramente descambam para a violência.

DORIAN GRAY
Reeve Carney

Ocupação: Dilletante, Artista (poseur)
Local de Nascimento: Londres, Inglaterra
Idade: 18 (aparente)

Quote: "Todos nós interpretamos papéis em nossa vida. O meu é parecer humano".

Desordens Mentais: Alcoolismo, Vício (várias drogas ilegais, em geral opiáceos), Neurose Sexual

Habilidades Principais: Arte (Pintura, apreciação de retratos) 88%, Arte (Pintura) 31%, Arte (Poesia) 58%, Arte (escultura) 30%, Arte (Arquitetura) 52%, Arte (Floricultura) 43%, História da Arte 66%, Barganha 43%, Crédito Social 50%, Esconder 30%, Escutar 40%, Farmácia 40%, Furtividade 66%, História 28%, Lábia 50%, Localizar 41%, Ocultar 67%, Ocultismo 45%, Ofício (Conhecer Drogas) 76%, Ofício (Atividade Sexual) 96%, Persuadir 40%, Psicologia 81%, Sedução 98%

Idiomas: Inglês 60%, Francês 45%, Italiano 38%

Armas e Ataques: Faca (incrivelmente afiada) 35%

Proteção: Nenhuma, contudo Dorian Gray é imune a qualquer dano provocado, a menos que seu quadro seja destruído.

FORça               12          DEStreza           13           INTeligência    12
CONstituição     14         APArência         19           PODer              12
TAManho          13                                                   EDUcação        14

Custo de Sanidade: O medonho quadro de Dorian Gray possui uma potente aura sobrenatural que ocasiona 1/1d6 pontos de Sanidade. Se o quadro for destruído, Gray sofre uma mutação medonha na qual se transforma em uma massa sangrenta e pustulenta, assistir tal cena tem um custo de 1/2d3.

Background Resumido: Dorian Gray é um jovem fabulosamente rico, um cavalheiro de beleza indescritível que muitos poderiam considerar incômoda. Sua pele parece radiar um brilho intoxicante dourado de juventude eterna. Um sensualista por natureza, sua atitude diante do mundo é de total abandono em busca de prazeres e hedonismo. Drogas, bebida, sexo, todos os excessos são permitidos e perseguidos sem trégua. Nada, no entanto, satisfaz o tédio que se mostra seu principal inimigo. A mansão de Gray, numa das regiões mais nobres de Londres, é como uma teia de aranha que ele usa para atrair os escolhidos para seu deleite.


BRONA CROFT
Billie Piper

Ocupação: Prostituta/ Imigrante
Local de Nascimento: interior da Irlanda
Idade: 22

Quote: "Brona, é o nome Gaélico para tristeza."

Desordens Mentais: Fatalismo (em face de doença letal - Tuberculose)

Habilidades Principais: Arte (Teatro) 15%, Barganha 45%, Disfarce 15%, Esconder 45%, Escutar 40%, Esquiva 35%, Farmácia 15%, Furtividade 46%, Lábia 54%, Localizar 48%, Ofício (Prostituição) 55%, Primeiros Socorros 37%, Psicologia 35%,

Idiomas: Inglês 45%, Gaélico 25%

Armas e Ataques: Todos em seu nível básico.

FORça               10 (12)*          DEStreza           15               INTeligência     12
CONstituição     09 (12)*         APArência         14 (16)*      PODer              12
TAManho          13                                                                  EDUcação        09

* Valores em face da doença. Entre parênteses o valor original.

Background Resumido: Brona é uma pobre imigrante irlandesa que se mudou para a Londres Victoriana tentando escapar de seu passado sórdido. Em Gaélico seu nome significa "tristeza", ainda assim ela permanece amável, alegre e sexualmente ativa.  Ela forma um elo com Ethan Chandler que fará qualquer coisa por ela. Seu destino, no entanto parece estar ligado a Criatura inumana construída pelo Dr. Frankenstein. Seja como for, tudo leva a crer que o horror a transformara muito em breve.

domingo, 7 de setembro de 2014

Incidente Kenosha - Quando o inexplicável acontece em um dia como outro qualquer


Em 1991 um estranho incidente ocorreu na rodovia Interestadual 94, nos arredores da cidade de Kenosha, Wisconsin - Estados Unidos. O estranho acontecimento se deu logo após uma forte tempestade de neve no dia 16 de fevereiro de 1991, e foi amplamente ignorado pela maioria dos grandes veículos de imprensa dos EUA, porém o fato se converteu nos anos seguintes numa popular lenda local.

Era um dia como qualquer outro. Um pouco frio, mas nada que apontasse a ocorrência de um incidente tão estranho.

Era 16 de fevereiro e o dia transcorria de forma rotineira. Não haviam mais ou menos automóveis cruzando a rodovia Interestadual 94, pessoas ainda trabalhando, gente indo buscar os filhos, fazendo compras ou simplesmente passeando.

As câmeras de vigilância começaram a captar algo estranho por volta das 3:30 da tarde. Um carro parou no acostamento sem ligar pisca alerta ou dar sinal. Depois outro, mais um, seguido de um caminhão, um veículo de entregas e assim por diante. Os veículos simplesmente desaceleravam e paravam, logo eles paravam em qualquer lugar, não necessariamente no acostamento já lotado. Milagrosamente não houve nenhum acidente, mesmo quando os veículos paravam no meio da pista.   

Mas a estranheza continuaria em seguida. Entre 150 a 200 pessoas deixaram os carros que ocupavam enquanto trafegavam, e se colocaram primeiro ao lado dos veículos como se estivessem aguardando alguma coisa. Ficaram paradas por volta de 15 ou 20 segundos como mostravam as imagens das câmeras, e só então começaram a se mover. 

Inexplicavelmente, a pequena multidão passou a se deslocar a pé para um viaduto próximo, onde em meio a neve, e sem motivo aparente, começaram a se reunir. Durante os 30 minutos seguintes um grande número de motoristas e passageiros continuaram a deixar seus veículos para se juntar aos que já estavam próximos ao viaduto. Apesar das duras condições e contratempos causados pelo acúmulo de neve, escalaram o ingrime aterro que dava acesso a parte elevada do viaduto. Uma vez atingindo o alto, as pessoas pararam e simplesmente ficaram olhando para o céu como se estivessem aguardando alguma ordem.

Os controladores de trânsito comunicaram a polícia rodoviária que respondeu prontamente ao chamado para verificar o que acontecia, e o motivo pelo qual tantos automóveis estavam parados. Eles tiveram muitas dificuldade para chegar ao local, devido ao gigantesco congestionamento que já havia se formado. Vários veículos foram abandonados com as portas abertas. Aqueles que chegaram ao local onde as pessoas estavam aglomeradas, descreveram uma situação desconcertante. 

As pessoas que estavam no viaduto pareciam "desorientadas e aparentemente inconscientes de suas ações". Como se estivessem sob a influência de algum tipo de transe.

Todos olhavam para o céu, como se tentando ver alguma coisa. As nuvens naquele dia estavam muito fechadas e caía uma neve fina, fazia muito frio. Contudo, ninguém parecia se importar com isso, de fato, mesmo aqueles que estavam dirigindo com aquecedor ligado não sentiam desconforto pela brusca mudança de temperatura. Alguns não estavam vestidos de acordo para aquele clima gélido.

Quando os policiais finalmente chegaram ao local e questionaram as pessoas, receberam olhares confusos e respostas desconexas que não condiziam com as perguntas feitas. Alguns diziam: "O ônibus escolar está chegando", "provavelmente sábado o tempo vai melhorar" ou "meu cão fugiu". As expressões eram de serenidade e tranquilidade, mas ninguém reagiu, mesmo quando um policial com auto-falante ordenou que a multidão dispersasse.

Então, de repente, tão rápido quanto começou, as pessoas foram voltando ao seu estado normal. Todo o incidente, transcorreu no espaço de 26 minutos.

Nenhum dos presentes soube explicar o que os motivou a agir daquela maneira. Alguns não entendiam como haviam chegado até o viaduto, sendo que a última lembrança que tinham era de estar dirigindo. Dadas as condições gerais, os policiais instruíram as pessoas a retornar aos seus veículos e seguir viagem. Alguns tiveram de receber ajuda e foram encaminhadas aos hospitais da região com problemas respiratórios e sintomas de hipotermia por causa da exposição ao frio intenso. Um homem teria sido levado em estado grave para o hospital por causa de um choque diabético. Os demais foram liberados e voltaram para suas casas sem qualquer lembrança do incidente.

Mas o que aconteceu em Kenosha?

A notícia foi divulgada pela imprensa local, que nos dias seguintes fez grande estardalhaço a respeito do incidente inexplicável. Vídeos de segurança mostrando o que aconteceu, no entanto, não foram obtidos. O consórcio que cuidava da rodovia Interestadual 94, não divulgou o vídeo. Segundo rumores, a filmagem teria sido confiscada pela polícia ou autoridades federais que expediram um mandato de segurança para que as imagens não viessem à público. Os advogados do consórcio foram instruídos a não comentar a situação e posteriormente disseram que todas as fitas foram apagadas após um erro de um dos funcionários.

Jornais locais não se deram por vencidos. Eles procuraram motoristas e passageiros envolvidos no incidente, pessoas que de repente se tornaram celebridades em Kenosha. Centenas de pessoas foram entrevistadas, mas nenhuma explicação razoável foi oferecida. Muitos mencionaram um ruído de estática ou assovio momentos antes do incidente. Alguns falaram de luzes e de uma estranha sensação de bem estar. Pelo menos três mulheres afirmaram ter visto crianças correndo junto com elas enquanto elas se dirigiam para o viaduto. Essa imagem as marcou porque todos andavam em passos lentos, enquanto essas crianças (segundo uma delas vestidas de branco) se moviam normalmente, correndo e organizando o grupo para que ninguém se dispersasse. 

Uma rede de televisão local contratou um psicoterapeuta que conduziu uma sessão de hipnose com três voluntários que participaram do incidente. Dois deles não concederam nenhuma informação adicional, mas a terceira pessoa, uma mulher de 44 anos, reagiu a sessão de maneira histérica a ponto do profissional ter sido obrigado a romper o transe para lhe ministrar um tranquilizante. A mulher afirmou ter visto formas estranhas na neve e luzes nos céus nublados. Posteriormente descobriu-se que ela tinha histórico de abuso de drogas, e seu testemunho foi quase que inteiramente desconsiderado.

Nos anos seguintes, boatos circularam pela internet de que vários dos envolvidos no Incidente Kenosha haviam cometido suicídio. Uma reportagem contabilizou que 23 pessoas que estiveram na estrada naquele dia, haviam morrido no espaço de 3 anos, sendo que mais da metade pelas próprias mãos. Chegou-se a falar que várias pessoas manifestaram episódios anti-sociais e de depressão nos anos seguintes. Nenhuma dessas informações jamais foi validada, e muitos as consideram fabricadas pela mídia sensacionalista.   

Devido à natureza incomum do incidente, jamais se soube ao certo se alguém desapareceu na ocasião. Dos mais de 100 veículos envolvidos, quatro não foram reclamados pelos motoristas, sendo que três deles eram roubados. O último veículo deixado para trás estava registrado em nome de uma empresa local. A empresa não soube explicar quem estava usando o automóvel na ocasião, mas não deu pela falta de nenhum funcionário. Os veículos não reclamados foram leiloados publicamente no ano seguinte.

Entusiastas do fenômeno OVNI, teóricos de conspirações e outros pesquisadores se dividem a respeito do incidente. Há muitas teorias sobre que poderia ter ocorrido, nenhuma no entanto com uma base sólida. Tanto tempo depois, os registros sobre o ocorrido e as possíveis pistas esfriaram como a neve que caiu naquela estranha tarde.

*     *     *

HOAX? Provavelmente.

Lenda Urbana sem comprovação? Certamente.

Mesmo assim, de causar arrepios...

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Caçadores Caçados (Parte 1) - Personagens de Penny Dreadful para Call of Cthulhu

Os personagens principais de Penny Dreadful são perfeitos para incorporar a uma campanha de Chamado de Cthulhu.

Para ler os trechos contendo Spoilers, "escureça" o trecho clicando o botão direito do mouse.

A seguir, as estatísticas dos personagens.

SIR MALCOLM MURRAY
Timothy Dalton

Ocupação: Aristocrata/ Dilletante
Local de Nascimento: Oxfordshire, Grã-Bretanha
Idade: 56

Quote: "Eu abandonei um filho para sofrer sozinho, eu não farei o mesmo com minha filha."

Desordens Mentais: Obsessão

Habilidades Principais: Crédito Social 77%, História Africana 66%, Barganha 68%, Negociar com Nativos 74%, Arqueologia 44%, Antropologia 40%, Escalar 70%, Esquiva 50%,  Primeiros Socorros 48%, História 50%, Escutar 43%, História Natural 88%, Navegação 67%, Cavalgar 43%, Organizar Expedição 78%, Localizar 41%, Nadar 66%, Arremessar 52%, Rastrear 81%, Sobrevivência na Selva 82%, Ocultismo 35%, Geografia 45%, Ofício (Cartografia) 62%, Ofício (Organizar Palestra) 47%, Persuadir 62%

Armas e Ataques: Soco/Golpe 62%, Faca de Caça 47%, Espingarda de Matar Elefante 66%, Rifle de Caça (alta precisão) 74%, Revólver Mauser Broonhandle (protótipo) 57%, Bengala Espada 67%

Idiomas: Inglês 80%, Dialetos Africanos 58%, Arabe 15%, Francês 10%, Alemão 10%

FORça               13          DEStreza           12          INTeligência     14
CONstituição     18         APArência         13          PODer              16
TAManho          14                                                   EDUcação        16
HP: 16, Bônus de Dano: +1d4

Background Resumido: Um endurecido explorador do continente africano em uma profunda missão pessoal, Sir Malcolm pagou um alto preço por uma carreira de sucesso e aventura. Embora sua luxuosa propriedade seja preenchida com maravilhosos troféus de suas viagens, ela é vazia de calor familiar e de pessoas que se importem. Com a ajuda de Vanessa, ele está determinado a corrigir os erros de seu passado, contudo, sua mais perigosa jornada ainda está adiante.

SEMBENE

Ocupação: Valete, secretário e ajudante pessoal.
Local de Nascimento: Algum lugar da África Oriental
Idade: 40

Quote: "Eu acredito em tudo!"

Habilidades Principais: Barganha 40%, Folclore Africano 77%, Misticismo Africano 73%, Ocultismo 20%, Escalar 48%, Esquiva 45%, Primeiros Socorros 40%, História Natural 80%, Ouvir 70%, Furtividade 80%, Esconder 50%, Localizar 78%, Arremessar 43%, Rastrear 71%, Sobrevivência na Selva 73%, Intimidação 66%, Ofício (Serviço de Criado) 48%, Ofício (Armeiro) 71%, Ofício (Organizar Caçada) 50%, Pulo 48%, Navegação 67%

Armas e Ataques: Soco/Golpe 63%, Agarrar 60%, Chute 51%, Cabeçada 40%, Pranga (Faca de Combate africana de lâmina longa)* 84%, Rifle de Caça 45%, Calibre .455 Revolver 33%

* Sembene pode usar duas prangas ao mesmo tempo, fazendo dois ataques por rodada com uma penalidade de -20% em cada ataque.

Idiomas: Swahili 50%, Inglês 45%, Dialetos Africanos 80%

Proteção: Sembene possui um bônus de +2 em Testes na Tabela de Resistência graças às suas cicatrizes rituais, para resistir a feitiços e magia negra lançados contra ele.

FORça              15          DEStreza           15          INTeligência     14
CONstituição    16         APArência         08          PODer               14
TAManho          13                                                  EDUcação        10
HP: 15, Bônus de Dano: +1d4

Background Resumido: Sembene é o ajudante pessoal africano de Sir Malcolm. Um homem misterioso com a face marcada por profundas cicatrizes e rituais de escarificação. Ele possui um ar soturno e uma aura heróica, que o compele a enfrentar as trevas com uma determinação inquebrantável. O elo que o liga a Sir Malcolm parece ser mais forte do que a simples relação de servidão.

VANESSA IVES
Eva Green

Ocupação: Aristocrata/ Dilletante
Local de Nascimento: Oxfordshire, Grã-Bretanha
Idade: 29

Quote: "Talvez sempre tenha estado comigo, aquela coisa, aquele demônio dentro de mim"

Desordens Mentais: Possível esquizofrenia

Habilidades Principais: Arte (Dança) 43%, Arte (Piano) 40%, Arte (Canto) 45%, Ofício (Brocado inglês) 20%, Barganha 30%, Crédito Social 40%, Chaveiro 15%, Esquiva 35%, Ocultar 40%,  Primeiros Socorros 39%, Localizar 72%, Etiqueta Social 61%, Cavalgar 34%, Lábia 58%, Pesquisar Biblioteca 44%, Sedução 70%, Ouvir 49%, Ocultismo 59%, Cartografia 79%, Psicologia 55%, História 33%, Esconder 48%, Furtividade 66%, Persuadir 43%, Estabelecer Transe Mediúnico 80%, Dogmas Cristãos 51%

Armas e Ataques: Soco/Golpe 55%, Morder, arranhar e cuspir 77% (quando em crise)

Idiomas: Inglês 75%, Francês 20%, Italiano 15%, Latim 22%

Notas (Spoiler): Vanessa Ives é suscetível a possessão de natureza ainda desconhecida. Nas ocasiões em que seu corpo é cooptado por uma força sobrenatural ela fala línguas mortas, manifesta poderes telecinéticos e é capaz de ler mentes e interpretar emoções com acuidade. Ela também manifesta força sobre-humana e uma notável tolerância a castigo físico. É provável que quando possuída, Vanessa detenha conhecimento de magias e rituais.

FORça               10          DEStreza           16          INTeligência     18
CONstituição     12         APArência         15          PODer              18
TAManho          12                                                  EDUcação        15
HP: 12, Bônus de Dano: +0

Background Resumido: Postada, educada e auto-centrada, Vanessa é uma dama fascinante e formidável, o produto feminino ideal da Era Vitoriana. Cheia de segredos e perigos ela flerta com forças negras que ameaçam tomar sua alma. Ela é uma observadora mordaz -- ao ponto de dominar a clarividência -- bem como uma experiente médium. Suas habilidades sobrenaturais são ao mesmo tempo uma benção e uma maldição e ela carrega um pesado fardo ligado aos seus pecados do passado. Seus demônios internos são mais reais do que se pode imaginar, e eles exigem liberdade, ou em sua fúria destruirão seu corpo e sua sanidade. 

ETHAN CHANDLER
Josh Hartnett

Ocupação: Artista Circense, pistoleiro 
Local de Nascimento: ?, Estados Unidos 
Idade: 25

Quote: "O trabalho é alguma coisa ilegal? Esqueça, realmente não faz diferença".

Desordens Mentais: Alcoolismo 

Habilidades Principais: Arremessar 50%, Arte (Entretenimento Circense) 45%, Arte (Maquiagem Teatral) 15%, Barganha 32%, Cavalgar 61%, Crédito 25%, Esconder 35%, Esquiva 44% Furtividade 45%, Lábia 45%, Localizar 70%, Ofício (Armeiro) 70%, Ofício (laços, nós e cordas) 40%, Ocultar 50%, Rastrear 45%, Pulo 52%, Escutar 62%, Ocultismo 15%, Persuadir 35%, Consumir enorme quantidade de álcool 70%

Armas e Ataques: Soco/Golpe 72%, Cabeçada 54%, Agarrar 56%, Chute 48%, .45 Colt Revolver 92%, Rifle Winchester 59%, Espingarda 12-calibre 45%, Faca de Caça Bowie 42%

Idiomas: Inglês 65%, Francês 5%,  Latim 20%

FORça               15          DEStreza           18          INTeligência     11
CONstituição     15         APArência         15          PODer               13
TAManho          15                                                  EDUcação         13
HP: 15, Bônus de Dano: +1d4

Nota (Spoiler): Ethan Chandler é atormentado por uma maldição. De tempos em tempos, sob períodos ligados a regência lunar, ele se transforma em uma besta assassina, um licantropo ou lobisomem. Vestindo a pele dessa fera bestial, ele age com instinto assassino. Chadler não possui lembranças do que acontece durante esses episódios. Uma vez assumindo a forma de lobo, Chandler manifesta força, resistência e capacidades sobre-humanas que ainda são pouco compreendidas.

Background Resumido: Um charmoso americano, membro de um espetáculo do Oeste selvagem que se encontra aprisionado nos recantos mais obscuros da Londres Vitoriana. A atitude de Ethan é como um imã para as mulheres, encantadas pelos seus modos rústicos. Ele é convocado por Sir Malcolm para ajudar em sua missão e mergulha de cabeça nesse mundo assustador. Por trás dos olhos de Ethan se escondem muitos segredos. Ele está fugindo de alguma coisa, e não vai demorar até que seu passado o alcance para um ajuste de contas.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Penny Dreadful - Resenha da Série de Horror Gótico da HBO


Heróis recalcitrantes e Monstros aterrorizantes!

Magia Negra e Sangue! 

Quem é caça e quem é o caçador?

No final do século XIX, em plena Londres Vitoriana publicações em papel barato faziam muito sucesso. Essas revistinhas que custavam apenas um penny, apresentavam estórias de suspense, de crime, fantasia e principalmente de horror para um público faminto por emoções e arrepios. Não é exagero dizer que as Penny Dreadful foram essenciais para consolidar o gênero horror gótico e assegurar a sua longevidade. Foram elas que ajudaram a sedimentar o culto ao redor de vampiros, lobisomens e maldições egípcias no imaginário mundial.

O Canal Showtime mergulha no universo dos Penny Dreadful emergindo com uma empolgante série inspirada pelo universo gótico vitoriano.

Penny Dreadful é todo a respeito de estilo. Pompa e Circunstância! Uma das grandes apostas do canal para essa temporada, não foram poupados recursos para torná-la verossímil. O caprichado trabalho de reconstituição de época, figurino, cenários, maquiagem e fotografia não são menos que sensacionais, dignos das super-produções dessa safra que já ficou conhecida como a Era de Ouro da televisão.


Tudo em Penny Dreadful parece calculado para tirar o fôlego do espectador. A Londres recriada em detalhes - das majestosas mansões vitorianas, passando pelo porto carregado de mercadorias e caixas, até as ruas lotadas e os cortiços decadentes, a cidade que um dia foi a Capital do Império Britânico é muito mais do que um pano de fundo para a trama, ela é quase uma personagem da estória. Além da perfeita reconstituição, minuciosa nos mínimos detalhes, cada quadro deixa evidente a aura sombria que permeia Penny Dreadful. As sombras são uma presença onipresente nesse contexto, escuras como nunca, elas emolduram um mundo opressivo e impiedoso do qual não há escapatória.

Logo na primeira cena, a série deixa clara sua proposta: incomodar o público.

O roteiro não economiza sangue e violência, produzindo uma sequência que já vem sendo chamada de "uma das mais medonhas da história da televisão". Nela, uma humilde família londrina morando em um casebre é feita em pedaços por uma besta que retalha mãe e filha com a selvageria de um ciclone de navalhas. Comparações com o sanguinolento trabalho de Jack, o estripador são inevitáveis quando acompanhamos os policiais no exame da cena do crime. Há marcas de sangue em todo o canto, órgãos e tripas. A direção de arte se esmera em deixar tudo medonhamente real.  


Essa é a introdução perfeita para lançar o espectador de encontro a tensa abertura, uma homenagem ao estilo gótico que reúne em pouco mais de um minuto tudo aquilo pelo qual o gênero ficou famoso. Os acordes de um violino estridente, preenchem uma colagem de cenas chocantes - insetos, erotismo, morcegos, cicatrizes, crucifixos e sangue, muito sangue. Desde já, essa entrada vai para o topo das minhas favoritas, pela forma como ela simultaneamente consegue atrair e repelir.

Mas Penny Dreadful não chama a atenção apenas pelos seus (muitos) requisitos técnicos.

O soberbo elenco, conta com um grupo de atores e realizadores consagrados que revisitam as bases que construíram o gênero gótico. O roteiro assinado pelo celebrado John Logan (roteirista de Skyfall e vencedor do Oscar por O Aviador) é um primor alternando divagações existenciais, tristeza e excitação, fatores que se somam perfeitamente para um elenco cheio de rostos conhecidos brilhar.

Embora haja uma grande quantidade de subtramas e reviravoltas que prometem desenvolver os personagens, o foco da série nessa primeira temporada é a implacável busca por Mina, uma jovem que foi abduzida por uma criatura não inteiramente humana. E essa busca deixará um rastro de horror e montanhas de cadáveres.  


O pai de Mina, o grande explorador Sir Malcolm Murray (o ex-James Bond, Timothy Dalton) descobre que uma força maligna está por trás do sequestro e resolve reunir um grupo de indivíduos com talentos únicos para auxiliá-lo no salvamento. O próprio Sir Malcolm é uma espécie de Allan Quartermain, o grande caçador branco do império, um aventureiro endurecido, veterano de expedições aos cantos mais distantes da África de onde emergiu incólume. Dalton, um ator considerado canastrão tem o seu melhor desempenho em anos, emprestando dignidade ao líder do grupo.  

A aliada mais próxima de Sir Malcolm é a bela Senhorita Vanessa Ives (Eva Green) uma espécie de médium com um talento único para acessar o mundo sobrenatural. Seja lendo cartas de tarô ou interpretando sonhos premonitórios aterrorizantes, ela é sua maior esperança para determinar a localização de Mina e da criatura que a mantém cativa. Dona de um senso de humor sardônico e de uma existência amargurada, Ives é uma figura magnética que parece imersa em uma tragédia emocional que a ligou para sempre aos Murray. E como descobrimos ao longo da série através de medonhos flash backs, o passado de Vanessa retornará para testá-la.

A necessidade por "poder de fogo" leva Sir Malcolm a recorrer ao pistoleiro Ethan Chandler (Josh Hartnet) um americano que trabalha num show itinerante do Oeste Selvagem. Chandler é o "dedo no gatilho", capaz de sacar duas pistolas e disparar de forma rápida e mortal. Nos primeiros episódios descobrimos que ele tem um passado conflituoso com o pai e que sua viagem para a Europa envolve uma tentativa desesperada de fugir da família. Chandler reconhece que já fez muitas escolhas erradas na sua vida, e quando a dupla oferece a ele dinheiro para alugar suas armas para um "trabalho noturno", ele aceita de bom grado sem saber no que está se metendo.


O trio ganha a companhia de um especialista nos assuntos da vida e morte, o talentoso médico Victor (Harry Treadway), que movido pela curiosidade científica aceita se juntar ao grupo na qualidade de consultor. É claro, Victor não é outro senão o notório Dr. Frankenstein do romance gótico de Mary Shelley. Como não poderia deixar de ser, ele também está conduzindo suas próprias experiências no campo da revitalização humana e os resultados de seus experimentos blasfemos retornarão para assombrá-lo na forma da "Criatura" (Rory Kinnear), seu primeiro e mais terrível sucesso. O monstro que assombra Victor está muito mais próximo da figura presente no romance de Shelley, um ser inteligente transbordando de ressentimento e frustração, do que para a criatura monossilábica que nos habituamos a ver. Algumas das melhores linhas da série são proferidas por ela, enquanto tenta se encaixar no mundo dos vivos. 

Este grupo de almas perdidas, acrescido de Sembene (Danny Sapani), o fiel criado africano de Sir Malcolm, formam uma espécie de sociedade devotada a enfrentar o mal. No início, os personagens não estão certos de qual será o papel de cada um ou mesmo o que estão enfrentando, mas aos poucos eles compreendem que diante do horror que ameaça Londres (e a própria humanidade), alguém precisa fazer o que é certo. O rapto de Mina parece ser apenas a ponta do iceberg, que esconde uma ameaça invisível que irá se desenhar ao longo das próximas temporadas.

Como fã do gênero é um alívio encontrar uma série tão bem feita que se encarrega de resgatar a imagem dos monstros clássicos do horror gótico, devolvendo a eles suas características originais. Os vampiros em Penny Dreadful, tanto os horríveis seres calvos de olhos vermelhos quanto seus asseclas de cabelos brancos, são aberrações sanguinárias e implacáveis, nenhum deles divaga sobre sua condição existencial e menos ainda "brilha no sol". Eles não tem tempo para isso pois são monstros, se comportam como monstros e assustam como monstros. Se há um mérito no roteiro é o de devolver aos monstros sua condição original, da qual nós fãs, sentíamos saudades.


Outro acerto da série é fazer com que os protagonistas não se comportem como heróis. Pelo contrário, cada um deles possui gritantes falhas de caráter e dúvidas de que são os mais adequados para a tarefa monumental diante deles. Os "caçadores" são egocêntricos e arrogantes, por vezes, se deixam levar pelas suas paixões mesmo sabendo que o orgulho pode arrastá-los para a perdição. Malcolm destruiu a família em nome da fama e renome e quer se redimir salvando Mina nem que para isso tenha de "assassinar o mundo", Vanessa é tentada pelas trevas que lhe oferecem poder e ela não consegue dizer não a elas, Victor não conhece ética para seus experimentos científicos e Chandler prefere criar uma nova identidade, escondendo seu passado sob uma faceta rude. Há espaço de sobra para aprofundar o background de cada um desses personagens, e logo fica claro que eles escondem muitos segredos que aos poucos serão revelados. 

Mais do que um arremedo de "Liga dos Cavalheiros Extraordinários", essa equipe de "caçadores do sobrenatural" começa a sua carreira lutando contra hordas de vampiros em sórdidos covis de ópio, no escuro zoológico de Londres e nos claustrofóbicos porões de um navio abandonado. Em cada um desses cenários eles encontrarão pistas que os levarão mais próximo de Mina e do confronto final com seu tenebroso "Mestre" (não o seu raptor, mas alguém mais perigoso que nós sabemos muito bem de quem se trata).

A segunda trama de Penny Dreadful, que consome quase dois episódios inteiros, envolve Vanessa, de longe um dos personagens mais cativantes da série. A progressiva queda da personagem, seu tormento nas mãos de uma entidade demoníaca (o próprio diabo ou quem sabe uma divindade egípcia, não se sabe ao certo) e a consequente possessão demoníaca que ela experimenta estão entre os pontos altos da primeira temporada. Eva Green simplesmente dá um show nessas cenas. Eu me pergunto que outra atriz seria capaz de uma interpretação tão carregada de energia emocional, angústia e entrega. Lá pelas tantas, com os cabelos raspados, nua e gritando em uma língua morta não há como ficar indiferente à sua presença.    


Além dos protagonistas centrais, várias figuras orbitam ao redor deles. Os mais interessantes são dois personagens extraídos da literatura gótica do período, o Professor Amadeus Van Helsing (David Warner) e o imortal dândi Dorian Grey (Reeve Carney). Ainda saberemos qual será o papel de Dorian Grey nas temporadas seguintes e se ele será aceito no grupo como aliado, ou se tem potencial para se converter em um vilão. As incursões de Dorian em seu palacete decadente a uma masmorra secreta onde repousa o quadro amaldiçoado responsável por sua beleza perpétua, indica que ele terá um papel central no futuro. Seja como for, embora ele ainda não tenha "se juntado ao grupo", é óbvio que sua presença abalou os demais. O fato desses personagens clássicos das obras de Bran Stoker e Oscar Wilde, estarem presentes, sem dúvida nos deixa curiosos para saber se ao longo das próximas temporadas teremos outros nomes pinçados das páginas da literatura clássica.

Finalmente fechando a lista de coadjuvantes temos Brona Crowley (Billie Piper), uma imigrante irlandesa, outra personagem que promete crescer no curso da série. Sofrendo de um quadro terminal de tuberculose a prostituta acaba se apaixonando por Chandler e se vê involuntariamente arrastada para o mundo de trevas que cerca seus colegas e de onde ela definitivamente, deve emergir... transformada.  

Em uma série com tanta coisa acontecendo, é incrível como o roteiro consegue o milagre de resumir tudo dentro de apenas oito episódios com menos de uma hora cada. É claro, a primeira temporada termina deixando aquele cruel gostinho de quero mais e permitindo inúmeras pontas soltas para a próxima temporada amarrar. O Canal Showtime já renovou a série para uma nova temporada, dessa vez com 12 episódios.

Que a espera seja curta e que Penny Dreadful retorne o mais rápido possível com muito sangue e horror.

Abertura de Penny Dreadful:


Trailer do primeiro episódio: