quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Top 5: As Cinco Melhores Campanhas de Call of Cthulhu

Artigo originalmente publicado em 1 de janeiro de 2011.

Ao longo de seus quase 30 anos de Caos produzindo material para o RPG Call of Cthulhu, a Chaosium conseguiu estabelecer um padrão de qualidade.

Dentre os materiais mais interessantes, com certeza estão as campanhas. Uma Campanha é basicamente uma coleção de cenários (ou aventuras) integradas formando uma continuidade que leva a uma conclusão comum.

As Campanhas podem ser curtas com apenas 3 ou 4 aventuras integradas ou enormes com mais de 10 aventuras até que se chegue ao final.
Abaixo a minha lista das Cinco Melhores Campanhas de Call of Cthulhu lançadas até os dias de hoje.

Quinta Posição - Tatters of the King

Tatters of the King é a campanha mais recente de Call of Cthulhu. Lançada em 2006, ela trata da ameaça do Caos e da Entropia, personificados pelo tenebroso Rei Amarelo, Hastur em pessoa.

A Campanha composta de 12 cenários é estruturada em três capítulos cada um tratando de uma diferente etapa da longa investigação que leva o grupo da movimentada Inglaterra até o isolado Nepal de 1930. Tatters é uma grande campanha com boas idéias e uma estrutura bem linear. Ela parece ter um início bem simples com uma investigação convencional, passando para uma luta acirrada contra um culto terrível e seus membros mais ilustres.

Eu acabei de narrar em dezembro passado e o grupo que jogou gostou bastante do resultado e oq ue há para não gostar? Em Tatters o keeper poderá lançar seus jogadores em uma busca desesperada, fazer com que eles enfrentem monstros terríveis, percam muita sanidade, morram horrivelmente e quem sabe até salvem o mundo.

O Bom - A idéia central é bem interessante com um aproveitamento muito bom de situações. A caracterização dos personagens é muito boa com cultistas e inimigos multi-facetados. Em Tatters você não encontra inimigos unidimensionais, os cultistas não são necessariamente malignos por serem... tudo tem uma razão de ser.

O Feio e o Mau - Tatters me deu um trabalho do cão. Eu não fiquei satisfeito com algumas das soluções da campanha e por isso operei muitas mudanças para que ela ficasse como eu queria. Isso incluiu mudar partes enormes da estrutura. Para falar a verdade quando a campanha acabou ela estava tão mudada que pouco mais do que os personagens principais, idéia central e algumas situações continuavam iguais. Isso significa que a campanha na sua forma origianl é ruim?

Não necessariamente. Tenho colegas que leram e mestraram da forma que ela foi concebida e gostaram muito do resultado.

Talvez eu seja malvado.. achei que estava muito mole e apimentei as coisas.

Quarta Posição - Day of the Beast

Olha confesso que tenho um carinho muito especial por Day of the Beast ("Dia da Besta"). Ela foi afinal a primeira campanha de Call of Cthulhu que eu mestrei lá pelos idos de 1995, ainda quando ela se chamava "Curse of Cthulhu" (não me perguntem por que esse nome, eu nunca entendi por que uma campanha tem esse nome, se Cthulhu não é a criatura central da trama).

De qualquer maneira, "Day of the Beast" é outra campanha com grandes idéias mas cuja execução infelizmente não é das melhores. A idéia é suculenta: os investigadores descobrem uma mega conspiração mundial envolvendo a destruição do Planeta inteiro orquestrada por um cabal de cultistas imortais. O Culto da Besta do título planeja destruir a humanidade em nome de sua causa e a única força capaz de impedi-los são os investigadores.

Essa não é uma campanha para os fracos e é bem possível que os personagens no final dela não sejam mais os mesmos do início. Os investigadores devem visitar vários países, a coisa começa em Nova York, segue para Boston e depois para a Romênia, Egito, Peru e termina em San Francisco. Ah sim... com uma breve passada em um planeta distante nas Pleiades, constelação de Touro.

O Bom - A idéia de uma campanha "Globe Trotter" sempre é bem vinda. Da mesma forma que "Masks of Nyarlathotep", "Beast" é uma campanha que lança os jogadores em cenários exóticos, aventuras com elementos pulp, terror inexplicável e inimigos realmente perigosos. Se o keeper gosta de momentos de tensão, encontrará uma infinidade deles.

O Feio e o Mal - A dificuldade da campanha pode ser um dos problemas. Ao meu ver é quase impossível completar essa campanha da forma que está no livro. Então algumas mudanças devem ser feitas para que não termine de forma frustrante para os jogadores.

Outroponto delicado: essa resenha se refere ao livro antigo. Não sei como ficou a versão final lançada com o nome "Day of the Beast", mas a que veio no livro "Curse of Cthulhu" infelizmente é mal escrita pra caramba. Eu não me refiro a erros, mas a simplificação extrema das situações. Nos velhos tempos, aventuras prontas eram meio simplistas, haviam as situações mas não se ponderava muito a respeito do que os jogadores poderiam inventar. Esse é um problema grave nessa campanha que espero possa ter sido solucionado na sua segunda edição.

Terceira Posição - Beyond the Mountains of Madness

"Beyond the Mountains of Madness" é a mais assustadora e intimidadora experiência em RPG que eu já tive. Para começar, o livro é um volume do tamanho de um catálogo telefônico. Não estou exagerando! O Livro é mais grosso do que muitos livros básicos, mais grosso que o Livro de Regras de Call of Cthulhu, beirando quase 500 páginas.

Quando foi lançado a Chaosium quase faliu! (ou ao menos é o que diz a lenda). O livro era grande demais e caro demais.

BtMoM é uma campanha totalmente calcada em cima de uma novela de H.P. Lovecraft, no caso "Mountains of Madness". A campanha segue os acontecimentos imediatamente posteriores a mal fadada expedição da Universidade Miskatonic a Antártida. Ela coloca os investigadores no papel de exploradores cujo objetivo é descobrir o que diabos aconteceu com o grupo anterior. Fazendo parte da Expedição Starweather-Moore, o grupo se lança em uma exploração que os levará a descobertas desconcertantes, horrores ancestrais e uma cidade perdida oculta nos confins do continente gelado.

O Bom - A Campanha é imensa. O livro é imenso! Os perigos são imensos! Tudo é colossal! Tudo é hiperbólico, grandiloquente, absurdo, incomensurável!

BtMoM é uma das campanhas mais detalhadas que já vi. Qualquer informação necessária para o jogo, pode ter certeza estará em algum lugar do livro. Tudo isso para proorcionar uma experiência diferente de jogo para os jogadores (e enloquecer o keeper).

O Feio e o Mau - O grande problema de BtMoM é justamente o tamanho dela. Acreditem a coisa é assustadora, um verdadeiro pesadelo de logística e organização. Para começar o mestre terá de lidar com um elenco com mais de 50 NPC's. Quando mestrei eu tinha um caderno com a ficha de cada personagem organizada em ordem alfabética e um keeper screen de controle. E mesmo assim eu me perdia...

E isso sem falar das aventuras. Meu Deus! Ao contrário do que se pode pensar, Mountains não se limita apenas a expedição no gelo... oh, não! Ela trata de cada aspecto da organização e elaboração da Expedição. Ou seja, os investigadores tem que lidar com a compra de material, contratar outros personagens, enfrentar crises e até greves. O grupo só chegará na Antártida lá pela quinta ou sexta aventura.
O nível de detalhismo é perturbador... o pior é que quando mestrei a mesa era composta por 8 jogadores, cada um com três personagens. Vou te dizer, foi uma experiência inesquecível que me custou uns bons pontos de sanidade.

Segunda Posição - The Masks of Nyarlathotep

Muitos dos veteranos de Call of Cthulhu vão estranhar por que "Masks", a queridinha dos keepers está em segundo lugar nessa lista. Pois bem, vou ser ousado e dizer que Masks não é minha campanha favorita e a considero meio que super-valorizada.

Se eu ainda estiver vivo depois de dizer isso, vou tentar explicar por que.

Masks foi a primeira Mega-Campanha "Globe Trotter" de Call of Cthulhu. Nela os investigadores descobrem a existência de uma entidade venerada ao redor do mundo por diferentes seitas que em comum planejam a queda da humanidade. A idéia novamente é muito boa, mas atrapalhada por alguns problemas na estrutura que tornam a campanha quase impraticável.

Eu adoro Nyarlathotep e cada uma das máscaras que aparecem nessa trama complexa, mas certas coisas não se encaixam. Há alguns elementos um tanto exagerados e outros que não se encaixam. Não me entendam mal, trata-se de um grande livro, ainda melhor em função da segunda ediçãoq ue aparou as arestas e incluiu um dos cenários mais interessantes da trama na Austrália.

Bom, embora não seja minha favorita, eu respeito a opinião geral e coloco Masks na segunda e honrosa posição.

O Bom - Muito bem feita, a campanha dá a
opção do mestre organizar da melhor maneira que achar a ordem de cenários. Ou seja, o grupo pode investigar as pistas obtidas na primeira aventura da forma que achar melhor, sem ter de seguir uma estrutura pré-concebida.

Masks também tem um roll de vilões memoráveis, alguns dos sujeitos mais perigososl bem preparados e maníacos que eu já vi reunidos em uma série de aventuras. Talvez sejam estes vilões a razão principal para os elogios a respeito de Masks.

O Feio e o Mal - Não vou cutucar onça com vara curta. Eu já disse quais são os problemas de Masks. O principal no entanto é que se a aventura for metrada do jeito que foi escrita, você vai precisar de um personagem para cada cenário.

O outro porém é que Masks ao meu ver envelheceu um pouco... as idéias ainda são boas, mas várias situações me parecem meio datadas.

Primeira Posição - Horror on the Orient Express

E eis a vencedora. 

Aqueles que gostam de clássicos deveriam procurar saber mais a respeito de "Horror on the Orient Express". Ele é um tesouro de uma época em que RPGs vinham em caixas e as campanhas eram luxuosas.

Horror é uma baita campanha do começo ao fim. Nela, os investigadores ficam sabendo através de outro investigador da existência de um artefato maligno chamado Sedefkar Simulacrum, uma estátua dividida em seis pedaços espalhados pela Europa. cabe ao grupo correr contra o tempo, recuperar cada um dos fragmentos do Simulacrum antes que uma Irmandade de cultistas turcos as obtenham. Na disputa terão de enfrentar também uma misteriosa ameaça que parece seguir cada um de seus passos.

Para percorrer a árdua jornada, o grupo embarca no luxuoso Orient Express que passará por cada uma das grandes cidades européias onde uma parte do Simulacrum repousa.

O Bom - Essa é A Campanha de Call of Cthulhu. Bem escrita, bem feita, cheia de momentos marcantes, repleta de perigos, reviravoltas, situações imprevisíveis e perigos.

Foi por causa dessa campanha que eu tomei gosto por Call of Cthulhu. Pode-se dizer que foi a partir dela que me apaixonei por esse universo.

O que chama a atenção em Horror é que as aventuras são simples, mas em sua simplicidade escondem armadilhas e momentos de grande inspiração dos vários autores que a costuraram junta. Apesar de muito detalhada, trata-se de uma campanha até certo ponto fácil de ser mestrada, o que considerando os 12 cenários que a compõem não é pouca coisa.

Outro elemento é o luxo. Hoje em dia, a caixa nem parece grande coisa. Mas na época em que foi lançada era o "crème de la crème". Não à toa ganhou vários prêmios. Os mapas eram ótimos, com livros de referência, tickets de bagagens, handouts, props e até uma linda réplica de passaporte.
Eu tenho várias boas lembranças dessa campanha! Sendo que a primeira é que conheci minha esposa jogando "Horror on the Orient Express".

O Feio e o Mal - Não sei... sinceramente são poucas as coisas que me desagradam nessa campanha. Há sim alguns cenários melhores que outros, mas cada um tem uma boa idéia.

Menção Honrosa: Walker in the Wastes


A melhor campanha de Call of Cthulhu que eu jamais joguei!

Na verdade joguei apenas o primeiro cenário e gostei muito do que vi.

Walker é a mais extensa campanha da Pagan Publishing. Faz alguns anos comprei a versão em PDF e pude matar a curiosidade que sempre tive a respeito.

Walker in the Wastes é mais um "Globe Trotter Campain", com mais cenários até do que Masks e Beast e em mais páíses que os dois juntos. O grupo nessa campanha vai de um ponto a outro do globo, enfrentando uma ameaça ancestral que coloca em risco o planeta. A mistura de elementos de terror e pulp aqui é ainda mais acentuada com batalhas aéreas, expedições arqueológicas, mafiosos, buscas e cidades perdidas.

* * *

Bom é isso... esse acaou sendo o primeiro artigo desse ano, embora ele estivesse sendo planejado faz um tempinho.

7 comentários:

  1. Luciano, mto bom o artigo!!

    Assino embaixo a sua seleção, talvez com somente algumas alterações nas posições, Mas os escolhidos seriam os mesmos.

    Vou fazer alguns comentários sobre as campanhas, q como vc lerá, são bem similares aos seus:

    TotK: mestre somente a primeira aventura. parece mto bem feita, só pecando no quesito motivação inicial;

    DotB: somente li e não mestrei. Bem estilão Masks, mas os seus comentários são iguais as minhas impressões iniciais;

    BtMoM: INSANA!!!!!! É de dar medo mesmo! Mestrei com somente 3 players e já foi dificil, mas é um P-U-T-A aventura! As decisões morais são cruéis!

    MoN: excelente. porém, do jeito q está no livro, é impossível de ser completada, como bem vc disse. Demoramos cerca de 13 meses de jogo pra fechar

    Já a primeira q mestrei, foi a WitW. É excepional mesmo, superando a MoN em minha humilde opinião. Levamos 18 meses para fechar, considerando jogos e mtodos os domingos, exceto por um Janeiro em que viajei..saudade desse tempo...

    Não tive o prazer de jogar Horror ainda, mas deve ser espetacular.

    Até mais

    Clayton Mamedes

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  2. Grande Mamedes, como vai essa força?

    Qual seria o seu Top 5? Fiquei curioso. =)

    WitW parece muito boa, eu dei uma lida mas não tive coragem de mestrar. Tatters que acabou mês passado levou 15 meses para terminar (com um recesso longo entre Janeiro-Abril de 2009)

    Grande abraço

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  3. Olá Luciano!

    Bem, as minhas escolhas seriam as mesmas campanhas, variando somente as posições:

    5° - DotB;
    4° - TotK;
    3° - BtMoM;
    2º - MoN;
    1° - WitW

    Menção Honrosa: Horror (não mestrei - quem sabe pode pular para o topo da parada!)

    Até mais e continue com o blog!

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  4. Fantástico estou adorando o seu Blog ! Parabéns !

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  5. Aventuras bem interessantes. :O
    Cada vez mais fico curiosa sobre Call of Cthulhu, mas, como noob que sou, fico super perdida sobre quais livros seriam melhores para eu ler primeiro e dar o primeiro mergulho nesse mundo complexo. :/

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  6. Vou procurar estas campanhas imediatamente. Sou novo nos RPGs de Cthulhu e, infelizmente, não possuo os livros do CoC, mas possuo o livro basicod o RdC...será que dá pra adaptar essas campanhas sem grandes perdas?

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  7. Gostaria de sugerir-lhe que faça o mesmo tipo de resenha sobre vários livros de CoC que parecem abordar a face oculta e sinistra de vários locais do mundo:Secrets of San Francisco, Secrets of Kenya,of Tibet,etc.Bem,a lista tem mais nomes porém,acho que já deu pra pegar a ideia.

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