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quinta-feira, 17 de julho de 2025

O Lado Obscuro da Corrida Espacial - Ordens Secretas, Rituais Bizarros e Sacrifícios Mortais


Seria seguro supor que o fator que levou a humanidade ao espaço foi puramente o método científico combinado com a engenhosidade humana. No entanto, de acordo com alguns pesquisadores, esse pode não ser exatamente o caso. Diversas pessoas – pesquisadores acadêmico, com argumentos convincentes – têm defendido que as origens do conhecimento tecnológico que levou a humanidade às estrelas reside em rituais ancestrais e comunicações ritualísticas estabelecidas com inteligências não humanas.

Basicamente esse conceito leva a teoria dos "Deuses Astronautas" a um novo patamar.

A Dra. Diana Walsh Pasulka, professora de estudos religiosos na Universidade da Carolina do Norte em Wilmington, fez algumas afirmações notáveis sobre conexões entre encontros com inteligências não humanas e relatos bíblicos em dois livros de seus livros: American Cosmic: UFOs, Religion, Technology (Cosmicismo americano: OVNIs, Religião e Tecnologia) e Encounters: Experiences with Non-Human Intelligences (Experiências com Inteligências não-humanas). Ela não a única a se inclinar sobre o tema, o veterano pesquisador e investigador paranormal Steve Mera também declarou recentemente que muitos alegados "relatos de aparições religiosas e o contato com seres divinos" seriam, na verdade, relatos perfeitamente detalhados do que entendemos como "interação entre humanos e alienígenas"

Em última análise, Mera declarou que certos documentos — muitos dos quais alega se encontrarem nos Arquivos do Vaticano — são narrativas de contato alienígena adaptadas para uma visão teológica. Assim, alguns supostos encontros com anjos e seres sobrenaturais descritos na Bíblia, como por exemplo as histórias da "A Roda de Ezequiel" e "A Escada de Jacó", seriam na realidade o avistamento de veículos aéreos incompreensíveis e de seres alienígenas que dominavam tecnologia avançada.

Pasulka vai mais distante em suas conclusões.

As misteriosas conexões da Bíblia com alienígenas
 
Essas mesmas inteligências não humanas teriam participado e influído diretamente em vários momentos da Corrida Espacial. Segundo ela os programas espaciais, em ambos os lados da Guerra Fria (americanos e soviéticos), teriam "uma história incrivelmente estranha" que incluiria rituais de ocultismo. 

Para sustentar suas teorias Pasulka salienta que muitos dos "idealizadores dos cálculos que nos levaram ao espaço – os cientistas de foguetes – participavam ativamente de rituais bem estranhos!" Esses rituais visavam "abrir portais estelares" e "portas para outros reinos da existência". Além disso, enquanto esses rituais eram realizados por engenheiros nos Estados Unidos, cerimônias muito similares eram conduzidas pelos cientistas espaciais soviéticos acreditando que estavam se comunicando com seres de esferas superiores.

A estrutura de crenças, em ambos os lados, como Pasulka observou, era a mesma, e essas comunicações provenientes de rituais visavam "obter informações" que, por sua vez, levavam à criação de "tecnologias reais". Era uma especie de trica de ideias, entre cientistas interessados no progresso de seus projetos e supostos seres avançados que elogiam fornecer a expertise necessária para esses avanços.

As tecnologias eram obtidas por intermédio da comunicação com os alienigenas. Tais conhecimentos se provaram uma necessidade imprescindível para o avanço da humanidade. Sem ela, nao conseguiríamos chegar ao espaço.

A infame Divisão Novogorod ativa na União Soviética se dedicavam ao estudo de motores de propulsão, mas segundo rumores, vários de seus membros compunham um círculo místico que só pode ser definido como uma cabala. Esta se dedicavam a estudar o mundo oculto e realizar experimentos com psiquismo e expansão mental. Nao é exagero dizer que os dois trabalhos estavam intimamente relacionados .

Dentre os que realizaram rituais estranhos logo após a Segunda Guerra Mundial estava Jack Parsons, um indivíduo que viria a fundar o Laboratório de Propulsão a Jato um ramo intimamente ligado a viagens espaciais. Parsons é um nome controverso pelas suas crenças estranhas, mas ele é também um dos fundadores da NASA. Antes de analisarmos a vida de Jack Parsons – que, aliás, acabou sendo forçado a deixar o JPL devido às suas conexões com o ocultismo – vale a pena dedicarmos nossa atenção a outro místico famoso, ninguém menos que Aleister Crowley.

O Sr. Crowley observa o Passado

Crowley é, sem dúvida, uma das pessoas mais interessantes da história e alguém que frequentemente encontramos ligado a alguns dos acontecimentos mais importantes do século XX. Talvez seja por isso que alguns pesquisadores até sugeriram que ele tinha ligações com os serviços de inteligência britânicos, no final da década de 1890, ligação que seguiu durante o período das Grandes Guerras, até o fim de sua vida - ele faleceu em 1947.

Independentemente de ter ou não se envolvido com a Inteligência, Crowley certamente viajou bastante após mundo afora, com uma de suas viagens mais famosas ocorrendo em 1904, quando foi ao Egito, onde, segundo consta, realizou rituais diante da Grande Pirâmide de Gizé. Foi durante esses rituais e cerimônias que Crowley afirmou ter se comunicado com os antigos deuses egípcios e com uma "entidade incorpórea" chamada Aiwass. Essa entidade foi responsavel por ditar o que se tornaria O Livro da Lei, um texto fundamental para as crenças ocultas.

Nos anos seguintes, Crowley continuou a viajar extensivamente. Uma jornada particularmente interessante o levou até a montanha Kanchenjunga, no Himalaia, Nepal. Crowley teria sido atraído para esse local com o intuito de se comunicar com outras entidades não humanas. Por volta dessa época, e até 1906, ele passou um tempo considerável na China, durante o qual teria usado uma grande quantidade de ópio. Para alguns, um dos objetivos de Crowley era testar o uso de substâncias que permitissem expandir sua mente para planos superiores, permitindo assim a comunicação com entidades de planos elevados.

Seja qual for a verdade, as atividades de Crowley durante a primeira metade do século XX foram particularmente intrigantes. Entre 1909 e 1911, o Místico passou um período na Argélia, tempo no qual continuou a testar rituais de contato com seres superiores. Um dos seus propósitos era estabelecer contato com os alegados "Grandes Mestres" que supostamente forneciam conhecimento desconhecido.

Foi nessa época que ele afirmou ter iniciado na Ordo Templi Orientis (a O.T.O, sua Ordem de Natureza mística), vários membros de alto escalão do que viria a ser o Terceiro Reich. Estes indivíduos com profundo interesse no ocultismo foram fundadores da infame Sociedade Vril, uma Sociedade secreta dedicada a comunicação com inteligências não humanas. Os membros da Sociedade Vril, que mais tarde deu lugar a Amnenerbe Nazista, acreditavam que tecnologias avançadas poderiam ser obtidas com entidades alienígenas que lhes ensinariam os segredos do Universo. Para eles a troca de informações com mentes alienígenas lhes abriria o caminho para a conquista mundial.

A Ahnenerbe foi um dos ramos nazistas dedicados ao sobrenatural

Anos mais tarde, entre 1917 e 1918, quando Crowley estava em Nova York, ele alegadamente realizou um de seus rituais mais importantes. Este tentaria abrir um canal de comunicação com seres que ele identificava como Lam. O mais interessante sobre essas entidades é a descrição que Crowley fazia delas – criaturas de constituição magra, cabeça e olhos excessivamente grandes e pele pálida, essencialmente uma descrição do que a maioria dos ufólogos chama hoje em dia de alienígenas cinzentos (Grey). Devemos lembrar que isso foi três décadas antes do suposto acidente de Roswell, e pelo menos quatro décadas antes que alienígenas cinzas se estabelecessem no inconsciente coletivo.

Se essas entidades eram ou não alienígenas cinzas permanece em aberto; no entanto, nos anos e décadas que se seguiram, desenvolveu-se um "Culto de Lam", essencialmente composto por pessoas que foram seguidores de Crowley. Eles acreditavam que os Lam podiam fornecer sabedoria e progresso científico.

Um desses seguidores era Jack Parsons, que mencionamos anteriormente – o mesmo Jack Parsons que, de acordo com a pesquisa de Diana Pasulka, participava de rituais ocultistas no deserto da Califórnia. Suas experiências visavam abrir um canal de comunicação similar ao que Crowley mencionava. Seu objetivo final: obter tecnologia com os Lam.

Vale a pena retornar à O.T.O. e sua estreita ligação com a Sociedade Vril e os membros ilustres do Terceiro Reich, incluindo engenheiros de foguetes e cientistas. Há boatos de que estes cientistas estavam ligados a muitos rituais de ocultismo antes e mesmo depois de se tornarem impostantes recursos humanos no desenvolvimento de tecnologias para a máquina de guerra nazista. 

Muitos desses seriam cooptados no final da Segunda Guerra Mundial por forças soviéticas e norte-americanas. O lado americano dessa missão foi chamado Operação Clipe de Papel (Paperclip), que conseguiu trazer centenas de engenheiros e cientistas nazistas para os Estados Unidos com o intuito de continuar seu trabalho em solo americano. Muitos desses engenheiros acabaram trabalhando nos programas espaciais, com Wernher von Braun sendo um dos nomes mais notáveis. Nem é preciso dizer que von Braun foi um dos fundadores da NASA e que seus foguetes permitiam ao homem chegar à Lua. O que precisa ser dito é que ele tinha enorme interesse em ocultismo e nas "comunicações com esferas exteriores".

Werner Von Brau na época que tinha outros patrões

Podemos nos perguntar se há uma conexão entre esses cientistas do Terceiro Reich – muitos dos quais, lembre-se, eram membros de sociedades ocultistas secretas – e as supostas práticas rituais na época da corrida espacial de ambos os lados da Guerra Fria.

Com tudo isso em mente, este seria um bom momento para voltar nossa atenção para a notável relação da Maçonaria com o programa espacial Apollo e, especificamente, com a missão Apollo 11 (que levou o homem à Lua). Entre 1961 e 1968, James Webb, foi o administrador da NASA que mais teve influência na Missão Apollo. Ele era um maçom conhecido e um indivíduo ligado ao misticismo. Outro Diretor do programa Apollo, Kenneth Kleinknect, também era um maçom, assim como vários dos astronautas, antes e depois da missão de pouso da Apollo 11. Gordon Cooper, Virgil Grissom, Donn Eisele, John Glenn, todos eram maçons devotos.

Talvez o mais interessante de tudo, seja a segunda pessoa a pisar na Lua, Buzz Aldrin, que era um maçom de 33º grau do Rito Escocês. Acredita-se que Aldrin até levou um lenço de seda com símbolos maçônicos na missão Apollo 11. Posteriormente ele doaria o lenço para a Casa Maçônica da Jurisdição Sul, em Washington, D.C.

No entanto, foi o próprio pouso da Apollo 11 na Lua que despertou a maior curiosidade quanto a certos aspectos místicos.

Começamos pelo local do pouso – o Mar da Tranquilidade –, uma área suspeita, pelo menos para alguns. A razão oficial para a escolha deste local pela NASA foi que ele oferecia um local de pouso ideal devido ao seu terreno relativamente plano. No entanto, segundo alguns, este local em particular foi escolhido para que Aldrin pudesse realizar um ritual antigo na superfície lunar. Talvez o que dê mais peso a essas alegações seja o fato de que a pessoa responsável pela seleção deste local, bem como pelos horários exatos da missão, seja Farouk El-Baz, um especialista em rituais egípcios antigos.

Na Lua, um Ritual que saúda os Deuses de Orion

De acordo com algumas pesquisas, o local foi escolhido porque exatamente 33 minutos após o pouso, o Cinturão de Órion estaria perfeitamente alinhado com o horizonte lunar, momento em que Aldrin realizaria um ritual simples, essencialmente um agradecimento e louvor ao Deus egípcio, Osíris. É claro que o número 33 é de particular importância para a Maçonaria. Só para demonstrar essas aparentes conspirações em torno de tais assuntos, vários anos após as missões de pouso na Lua, quando o primeiro ônibus espacial retornou à Terra, pousou na Pista de Pouso 33. Além disso, a única plataforma de lançamento em White Sands, no Novo México, é chamada de Plataforma 33.

E qual seria o propósito dessa cerimônia egípcia antiga conduzida em solo lunar? De acordo com as lendas do antigo Egito, realizar tais cerimônias e fazer tais oferendas diretamente sob o Cinturão de Órion abriria comunicações com Osíris. Estariam alguns indivíduos ligados às missões espaciais Apollo em busca de contato com um deus do Egito Antigo? Quem seriam eles, de onde vinham e onde residiriam essas divindades ancestrais? Por mais bizarras e quase ultrajantes que essas alegações possam ser, todas se encaixam perfeitamente – em última análise, aqueles que buscam levar a humanidade ao espaço, aparentemente estiveram em contato com entidades não humanas e usaram rituais e até sacrifícios para chegar onde desejavam.

Voltemos a Jack Parsons e os rituais que ele, juntamente com outros, incluindo L. Ron Hubbard, conduziram no Deserto de Mojave, na Califórnia, nas primeiras semanas de 1946. Em uma entrevista recente, o já mencionado Steve Mera falou sobre esse assunto. Segundo Mera, Parsons desejava aumentar seu conhecimento aeronáutico e para tanto planejou um ritual através do qual poderia falar com os seres elevados. O Ritual de contato demandou dedicação total de todos os envolvidos, e algo mais...  Sacrifício de sangue!

Segundo Mera, um dos métodos de se contatar os Seres Superiores que habitavam as estrelas distantes, envolvia algum tipo de sacrifício. Os portais místicos escancarados por magia ritual só podiam ser mantidos assim por intermédio de algum sacrifício que o justificasse. Mera afirma que Parsons e seus companheiros estavam decididos a fazer qualquer coisa para estabelecer a comunicação com os seres superiores inclusive praticar sacrifícios. Animais seriam um sacrifício à altura, cabras, ovelhas, pombos... mas certos círculos de magia ritualística, iam mais longe mencionando a necessidade de sacrifícios humanos. Essa ideia parece inconcebível, mas muitos dos que conheceram Parsons sabiam de sua determinação e comprometimento com o mundo sobrenatural. Ademais, o afastamento dele da NASA ocorreu depois de alguns colegas alegarem que seu envolvimento com "coisas estranhas" ter ido longe demais.

O brilhante e estranho Jack Parsons

Parsons morreu em um acidente no deserto do Mojave, ocasião em que sofreu queimaduras horríveisno corpo enquanto testava um protótipo para um veículo de propulsão. Muitos de seus amigos achavam que ele estava desequilibrado em seus dias finais, perseguindo uma tecnologia de maneira obsessiva.

Para a maioria, até mesmo para os mais radicais teóricos da conspiração, a ideia de cientistas tentando estabelecer contato com inteligências não humanas ancestrais, parece um absurdo especulativo. Porém parece haver pelo menos algumas verdades em tais alegações.

Um caso que merece nossa atenção seria um dos incidentes mais bizarros registrados no mundo dos OVNIs – conhecido como o Caso das Máscaras de Chumbo. O relato foi detalhado pelo conceituado ufólogo Jacques Vallee em seu livro Confrontations, embora várias outras publicações também tenham abordado o incidente. 

O relato começa com a descoberta de dois cadáveres em uma clareira na mata em 20 de agosto de 1966, na cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Um adolescente havia visto dois homens na mesma clareira dias antes em 17 de agosto. Ele alegou tê-los observado à distância por vários minutos  antes de seguir seu caminho. Posteriormente encontrou os dois homens deitados na clareira imóveis. Foi somente quando os viu daquela maneira que decidiu relatar a outros moradores, que, por sua vez, comunicaram o ocorrido à polícia.

Quando as autoridades se aventuraram até o local encontrou os mortos. Ambos estavam vestidos com ternos e gravatas novos, com uma capa de chuva novinha em folha por cima. Talvez o mais estranho de tudo fosse o fato de cada um deles usar uma estranha máscara de chumbo, de fabricação rudimentar, sobre os olhos. Os homens foram finalmente identificados como José Viana, de 43 anos, e Manuel Pereira da Cruz, de 32, dois eletricistas da vila vizinha de Atafona. As investigações iniciais sugeriram que ambos eram muito queridos em sua comunidade, sem inimigos conhecidos e sem motivo para as autoridades suspeitarem de seu envolvimento em qualquer tipo de atividade ilícita. Além disso, não havia sinais de qualquer tipo de luta no local onde os corpos foram encontrados. 

O que foi realizado naquela clareira em Niterói?

Para a polícia, parecia que os dois homens simplesmente haviam se deitado lado a lado e falecido pacificamente. Quando as autópsias iniciais foram realizadas, determinou-se que ambos haviam morrido de ataque cardíaco fulminante – com segundos de diferença. Como podemos imaginar, as chances de isso acontecer são astronômicas. De fato, a polícia acreditava que algo, fosse o que fosse, devia ter causado os ataques cardíacos repentinos nos dois homens ao mesmo tempo.

Enquanto a polícia conduzia suas investigações, começou a receber relatos do avistamento de objetos estranhos, emitindo uma luz laranja, pairando sobre a mesma clareira onde os corpos foram descobertos. Também houve relatos de um estranho feixe de luz emanando do objeto para a clareira. Um desses relatos, o da Senhora Gracinda Coutinho da Sousa, chegou a ser publicado pela imprensa local. O objeto brilhante e laranja foi visto por dezenas de testemunhas, pairando sobre a floresta onde tudo aconteceu. Gracinda afirmou que o objeto estava "emitindo raios em todas as direções" enquanto pairava sobre a cabeça deles.

Por mais estranhos que fossem esses relatos, o caso sofreria uma reviravolta quando os investigadores souberam de outro incidente bizarro algumas semanas antes. Na noite de 13 de junho, uma "explosão violenta" abalou Atafona após vários dias de relatos persistentes de OVNIs. Apesar dos relatos iniciais de jornais brasileiros, estes abandonaram repentinamente a história. Uma espécie de acobertamento foi colocado sobre o caso. Os investigadores descobriram, no entanto, que alguns moradores relataram ter visto uma "bola de fogo" cruzando o céu pouco antes da explosão, enquanto pescadores atestaram ter visto um "objeto voador misterioso" cair no mar. Rumores também circulavam localmente sobre algum tipo de experimento bizarro envolvendo os eletricistas locais como responsáveis pela estranha explosão. 

Talvez o mais estranho seja o fato de Viana e Cruz estarem presentes nesse evento bizarro alguns dias antes de morrerem. Teria essa sido uma experiência preliminar do que viria a acontecer em Niterói dias depois? O que visavam atingir os dois homens com as Máscaras de Chumbo? 

Por muitas décadas ufólogos cogitavam que os dois homens poderiam estar envolvidos em uma tentativa de contatar discos voadores, mas a Dra. Pasulka crê que o objetivo deles era outro: contatar seres superiores através de um Portal e se reunir com eles. 
 
O Misterioso caso das Máscaras de Chumbo

Seja lá o que eles tencionavam realizar naquela clareira, o resultado parece ter saído do controle deles acarretando na morte acidental dos dois. É inegável que o caráter ritualístico do que eles cogitavam atingir deixa margem para muitas especulações. Seria um experimento científico? Uma busca por contato alienígena? Ou algo ainda mais misterioso? E qual o propósito das máscaras de chumbo que precisavam ser usadas sobre os olhos quando o momento chegasse?

O que torna esse caso inquietante ainda mais interessante é a aura de mistério que cerca o incidente. Há boatos de que radiação teria sido liberada no local e que a vegetação por anos apresentou uma deterioração localizada no ponto exato em que os corpos foram encontrados. Também havia o boato de que os cadáveres brilhavam no escuro, resultado de uma alegada descarga de radiação que os banhou pouco antes deles morrerem. Finalmente falou-se de militares brasileiros escoltando especialistas estrangeiros para visitar ao local onde tudo aconteceu. Amostras de terra teria sido obtidas para análise. 

E há o avistamento do OVNI testemunhado por vários moradores locais antes mesmo da descoberta dos cadáveres. Teriam eles, de alguma forma, invocado a nave usando métodos ritualísticos semelhantes aos de Jack Parsons? Teriam usado métodos experimentais nos moldes daqueles empregados por sociedades secretas? E mais importante o que visavam conseguir com o experimento? Não há como saber... mas o fato de as mortes permanecerem sem solução até hoje atesta sua enorme estranheza.

Seja qual for a verdade, investigadores de OVNIs descobririam um caso quase idêntico, cerca de quatro anos antes. Neste um técnico de televisão foi encontrado na mesma posição, também com uma máscara de chumbo sobre os olhos. Dizer que essa descoberta é apenas uma coincidência beira o ridículo. Além disso, relatos da época sugeriam a existência de algum tipo de Sociedade Secreta, formada por engenheiros eletricistas que realizavam experimentos com "ondas de pensamento de alta frequência" usando LSD para "aumentar o estado de alerta mental" e "alterar a frequência cerebral". 

Quando foi levado para interrogatório, o morador local Elci Gomes, amigo próximo de Viana e Cruz, alegou que ambos faziam parte de um grupo misterioso, cujos membros eram "especialistas e entusiasta de mistérios antigos". Embora Gomes tenha afirmado desconhecer o objetivo dos amigos, revelou que eles se dedicavam a descobrir uma forma de comunicação com seres do outro lado. Segundo Gomes, foram Viana e Cruz os responsáveis pela queda do objeto que explodiu em junho de 1966, apenas algumas semanas antes das mortes repentinas e trágicas. Ele supôs que os dois amigos estavam assustados com o que havia acontecido e com sua participação no incidente. Talvez tentassem corrigir algum erro.

Aqueles que responde ao chamado

Se essas duas mortes estão de alguma forma conectadas às práticas rituais utilizadas por cientistas e engenheiros, não há como dizer. Certamente parece que os tentáculos de tais alegações se estendem a muitas áreas diferentes. Se, como argumentamos anteriormente, a Corrida Espacial encontra eco em práticas ocultistas idealizadas por Crowley e testadas no Terceiro Reich, poderíamos nos perguntar quando essa comunicação entre a humanidade e inteligências não humanas teve início. Teria havido uma comunicação longa e contínua, talvez transmitida por sociedades secretas ao longo dos séculos? E se for assim, essas comunicações remontam ao início da Maçonaria ou antes?

Claro, se tudo isso for verdade, mesmo que apenas em parte, então poderíamos nos perguntar se essa comunicação ocorre atualmente e, em caso afirmativo, quem está envolvido nela nos dias atuais.

O mistério prossegue...

sábado, 16 de dezembro de 2023

RPG do Mês: Delta Green - Conspirações, Agentes e Horror Lovecraftiano no Mundo Moderno

 

A notícia é que Delta Green, enfim vai chegar ao Brasil.

A Editora Retropunk anunciou essa semana que Delta Green, o irmão quintessencial de Chamado de Cthulhu moderno, focado em conspirações e intriga no Universo do Mythos será lançado em um Financiamento Coletivo em 2024. 

Para celebrar essa notícia sensacional, o Mundo Tentacular reedita uma de nossas resenhas mais populares sobre esse livro sensacional.

*     *     *

Delta Green possui um status quase lendário no universo dos Roleplaying Games.

O jogo, publicado originalmente pela Pagan Publishing no ano de 1997, conquistou um lugar de destaque, tornando-se referência entre os jogadores que buscavam histórias envolvendo investigação e horror. Com uma pegada fortemente influenciada pelo fenômeno Arquivo X, que na época fazia um sucesso estrondoso, Delta rapidamente se converteu em um jogo referencial. Juntando conspirações governamentais, operações clandestinas, discos voadores e horror lovecraftiano, ele é tido como um dos melhores jogos inspirados pelo universo do Cthulhu Mythos. Um caldeirão de intrigas e terrores, com uma pitada da angst daquele período.

Em sua versão original Delta Green contava as aventuras de uma organização agindo através de outras agências governamentais, recrutando membros do FBI, ATF, CDC, DEA ou CIA para trabalhar em missões secretas. Estas operações envolviam o que se convencionou chamar de "última linha de defesa contra a ameaça sobrenatural", um perigo que na ambientação teria sido descoberto em 1928, quando o governo americano conduziu uma operação na pequena cidade pesqueira de Innsmouth. No rescaldo dessa dramática intervenção militar, o governo se viu diante de um perigo até então desconhecido: cultos apocalípticos, horrores dimensionais, magia negra e entidades poderosas estavam entre nós. As barreiras que separavam fato e rumor, superstição e verdade caíram de um dia pra o outro.


Da necessidade de enfrentar essa grave ameaça, surgiu um programa destinado a lidar com todo tipo de questão sobrenatural. Durante a Segunda Guerra, a organização teve grande importância, estabelecendo uma rivalidade com as forças do Eixo, que tinham um programa similar. Os embates entre Aliados e Eixo, representados pelo Delta Green de um lado e a Karotechia, do outro foram determinantes para o desfecho da guerra.

Com o fim do conflito e o início da Guerra Fria, o mundo se transformou em um palco para a disputa entre as superpotências emergentes. Nesse período, americanos e russos travavam uma disputa de ideologias, tanto no campo político quanto pela hegemonia sobre o sobrenatural.

Em 1947, a descoberta de uma nave alienígena acidentada no deserto do Novo México transformou de vez as operações do Delta Green e mudou seu foco. Do misticismo para a tecnologia alienígena e seu controle estratégico. A noção de que não estávamos sozinhos no universo, se tornou um elemento essencial para a organização. Estudar e compreender a misteriosa raça alienígena - os cinzentos, era de suma importância, bem como acobertar sua existência do grande público.


Mas o próprio Delta Green terminaria por se implodir. Em algum momento no final da década de 60, agentes se envolveram em uma operação moral e eticamente condenável no Camboja. Uma que resultou em um retumbante fiasco. Depois disso, o Delta Green foi desmantelado e passou a operar exclusivamente na clandestinidade. As aventuras de Delta Green em sua versão original se passavam exatamente nesse período, com os jogadores interpretando agentes metidos em investigações alucinantes.

Mas apesar dos elogios e de ter colecionado prêmios, Delta Green sempre foi um jogo de nicho. A Pagan Publishing era uma editora menor, ainda que conhecida pelos excelentes livros, como o lendário Countdown, tido com um dos melhores suplementos de todos os tempos. Como resultado, Delta Green se converteu em um RPG cult, muito comentado e elogiado mas infelizmente pouco jogado pelo grande público. Curiosamente, Delta Green jamais foi descontinuado; de tempos em tempos, a Pagan lançava um suplemento ou livro de contos para não deixar seus entusiastas no vácuo. Os fãs respondiam de imediato e suplementos como Eyes Only e Targets of Oportunity se tornaram tesouros muito disputados. Ainda assim, o jogo estava caminhando para um inegável limbo.

Em 2015, após o sucesso do Financiamento Coletivo de Call of Cthulhu, a Pagan acabou mudando de nome, transformando-se na Arc Dream Publishing. Uma de suas decisões mais acertadas foi revitalizar seu jogo mais famoso. Assim ressurgiu das cinzas o RPG Delta Green, atualizado para o mundo atual em que a Guerra ao Terror descambou para a atual Administração Trump. Saem de cena as conspirações envolvendo alienígenas e discos voadores e entra um conturbado cenário sócio-político, no qual, o homem é o responsável pela maioria de suas tragédias. E é claro, os Mythos estão ali para manipular e empurrá-lo na direção do precipício. Ambiguidade e Niilismo estão na ordem do dia! Delta Green é um jogo pessimista e cinzento, com doses maciças de terror.


Bem, carregue sua arma, atire para matar, mas guarde a última bala para si mesmo.

A nova encarnação do Delta Green é composta de dois livros, Delta Green: Agents Handbook (O Livro do Agente) e Delta Green: Handlers Guide (O Guia do Operador). O primeiro deles, apresenta as Regras Básicas do sistema e o Background para a criação de seus investigadores - ou agentes como são conhecidos os personagens em Delta Green. O segundo livro, um mega compêndio de 400+ páginas, contém material voltado para o narrador, apresenta os detalhes e a história da ambientação, seus segredos e a verdadeira natureza do mundo e do universo. Como você já deve ter presumido, em uma analogia ao D&D, o primeiro livro funciona como o Livro do Jogador, o segundo faz as vezes de um Livro do Narrador.

Em comum o fato de serem excelentes livros básicos com vasto material cobrindo cada aspecto da ambientação, suas nuanças e meandros de uma maneira que beira a obsessão. Não estou exagerando, o grau de detalhismo e pesquisa é tamanho que em certos momentos o material parece documental. Uma produção que se refere a algo real, e não a uma organização fictícia.


Os personagens em Delta Green são agentes membros de organizações governamentais norte-americanas, responsáveis por manter e cumprir a lei como o Bureau Federal de Investigação (FBI) ou a Agência de Imigração (ICE), podem ser também membros do Departamento de Defesa ou das Forças Armadas, integrantes do Centro de Controle de Doenças ou ainda de órgãos de inteligência como a Agência Central de Inteligência (CIA) ou Agência de Segurança Nacional (NSA). Alguns podem ser civis, em geral especialistas de algum tipo que acabam sendo alistados pelo governo americano. O que eles tem em comum é que o governo os achou de alguma forma recursos valiosos para o Delta Green. Talvez o personagem tenha presenciado algo, talvez em uma investigação ele tenha encontrado indícios de uma conspiração ou ainda enfrentado um horror sobrenatural... seja lá o que for, a partir disso, ele passou a ser visto como um membro em potencial.

Os agentes que formam o grupo foram de alguma forma cooptados pelo Programa, e passam a operar com a tarefa de investigar, conter e acobertar ameaças não naturais e eventos que são um perigo não apenas para a América, mas todo o mundo. O Programa atua em total sigilo, através de pequenas células independentes instruídas por operadores responsáveis por distribuir as operações. Seus membros não sabem qual é a estrutura interna, o tamanho do Delta Green ou quem são os líderes por trás de tudo. Isso garante um álibi e negação plausível. Os agentes atuam ainda com um orçamento apertado e com poucos aliados dispostos a auxiliá-los. Ainda assim são a última linha de defesa e realizam um serviço que ninguém em sã consciência aceitaria desempenhar.


As consequências diretas de enfrentar o desconhecido acarretam em sérios dramas para os agentes. O contato com "coisas que não deveriam existir" e "horrores além da razão", acabam por corroer a sanidade e consequentemente perturbam o bem-estar mental dos agentes. Pior que isso, os relacionamentos profissionais e pessoais começam a sofrer danos irreversíveis. É nesse ponto que reside um dos elementos mais interessantes dessa nova versão do jogo.

Acompanhar como a vida dos personagens vai sendo aniquilada pelo seu trabalho, é parte central da ambientação. Entre uma aventura e outra, acompanhamos a gradual deterioração dos vínculos dos personagens: casamentos terminam, famílias se separaram, amigos se afastam e os elos se partem um a um. Nada sobrevive a um trabalho tão estressante e perturbador e isso também se reflete em abusos físicos e psíquicos que vão sendo incorporados. Sim, a coisa é hardcore... membros do Delta Green sofrem a cada investigação e aos poucos nada resta para eles a não ser a dura realidade do trabalho.


As aventuras de Delta Green seguem um caminho um tanto diverso das histórias de Chamado de Cthulhu, no sentido de que o objetivo não é apenas compreender o desconhecido ou deter um culto de maníacos. Aqui, um dos objetivos principais é acobertar as revelações, evitar à todo custo que a população tome conhecimento da existência desses horrores. Nas aventuras, o horror sobrenatural está sempre permeando a trama, ainda que raramente ele se manifeste. Quando o faz, entretanto, surge com enorme letalidade.

É claro que o Operador - como o Guardião é conhecido em Delta Green, bem como os jogadores mais veteranos, não terão dificuldade em reconhecer alguns elementos como parte dos Mitos de Cthulhu. Ainda assim, o termo não é citado em momento algum! A premissa é que o horror sobrenatural na ambientação é tão incompreensível que mesmo os agentes mais experientes não sabem o que diabos vão enfrentar quando o operador telefona para eles. As investigações são um mergulho em uma zona de perigo e horror da qual ninguém emerge incólume.


Em teoria, os agentes possuem um treinamento e capacidade superior aos personagens civis, afinal eles são "os melhores entre os melhores", contudo, mesmo eles sofrem demasiadamente. Poucos jogos possuem um sistema tão cruel. Ele literalmente vai moendo os personagens a medida que estes avançam. Um veterano de Delta Green carrega cicatrizes tanto no corpo quanto na mente e também no espírito. Aceitar essa fardo é vital para compreender a proposta do jogo.

Não se engane... é provável que uma campanha de Delta Green não tenha um final feliz para seus personagens.

Já te convenci a nos seguir na continuação dessa resenha? Vem com a gente então, porque ainda falta falar do sistema de regras e de elementos únicos desse fantástico jogo. E quando eu terminar, duvido que você não vai estar salivando.

Vamos falar do sistema?

Em Delta Green, os agentes são definidos por seis características (ou atributos) base - Força, Destreza, Constituição, Inteligência, Poder e Carisma. Destes derivam atributos que representam força e resistência física e mental. As estatísticas podem ser roladas livremente ou escolhidas em um conjunto fixo de números se o jogador preferir.

Assim como ocorre em CoC, não existe classe de personagem, mas profissões que definem as áreas de conhecimento e as habilidades possuídas por cada um. As habilidades compõem uma longa lista que recebe modificadores e pontos que devem ser distribuídos gerando assim suas especializações. As habilidades são bastante centralizadoras, como por exemplo Prontidão (Alertness) que reúne ouvir, ver, sentir e perceber o mundo ao redor ou Atletismo (Ahtletics) que congrega todas as atividades físicas desde correr e pular, até nadar e arremessar. Também, como ocorre em CoC, os valores são expressos em porcentagens. Quanto mais alto um número, maior o conhecimento naquele determinada área de conhecimento e maior a chance de ter sucesso em um teste. Para fazer um rolamento o jogador usa o dado de porcentagem (dois D10) e tenta obter um valor igual ou menor do que o expresso na ficha. Números repetidos, concedem resultados críticos, sejam positivos ou negativos.


Cada profissão garante uma pontuação inicial para os personagens, enquanto os atributos fornecem pontos adicionais para a customização. De um modo geral, os agentes em Delta Green são bem mais capazes do que os personagens de Call of Cthulhu. Eles já iniciam o jogo com algumas habilidades em alto nível e conseguem se virar bem durante os testes que irão aparecer. Isso se dá pelo fato de que os personagens são treinados para esse fim.

Os agentes devem definir no momento da criação os seus Vínculos (Bonds). Estas são as suas conexões pessoais e particulares: esposas, maridos, filhos, parentes, amigos, mentores ou grupos de ajuda do qual o personagem faz parte. São essas ligações que ajudam o personagem a tocar sua vida e que se traduzem em um apoio quando o mundo ao seu redor começa a desmoronar. Um personagem sem vínculos começa a sofrer, perde seu referencial com a humanidade e abraça de vez o niilismo de suas missões. Ele não se importa com mais nada, pois abandonou o mundo e por ele se sente igualmente abandonado. Portanto, preservar os vínculos é essencial se você quer durar nesse jogo. Os personagens possuem também motivações que auxiliam a trabalhar o lado psicológico e usar válvulas de escape para suportar o dia a dia. Motivações podem ser qualquer atividade, desde fazer cooper e montar quebra-cabeças, até escrever romances ou passear com seu cachorro. Existe uma mecânica complementar que permite empregar essas motivações para recuperar pontos de sanidade perdidos.


Além das habilidades, os personagens possuem "Treinamentos Especiais" que são campos de conhecimento e saber obtidos através de aulas, treinamento e atividades específicas de aprimoramento. Nesse caso, o personagem pode receber vários treinamentos, expandindo a lista de coisas que ele sabe fazer. Os treinamentos vão desde mergulho (scuba), paraquedismo e interrogatório, até pilotar jatos e desarmar explosivos.

As típicas profissões em Delta Green envolvem Federais, Consultores e Militares. Há uma grande quantidade de opções a serem escolhidas e o jogador tem diante de si uma boa lista de ocupações. O ideal, na minha opinião, é tentar montar um grupo homogêneo onde cada personagem desempenhe uma função. Por exemplo, é interessante haver um médico ou biólogo, um personagem com background acadêmico, ao menos um com conhecimento em tecnologia e operação de computadores e outro capaz de enfrentar ameaças e proteger seus colegas recorrendo a armas. Entretanto, não é obrigatório que a célula tenha personagens cumprindo essas atribuições.


É claro, sanidade tem grande importância na ambientação. É o atributo sanidade que mede a deterioração do personagem e a medida que os pontos de sanidade vão se esvaindo ele começa a perder o controle. Uma sacada muito interessante no sistema de Delta Green é dividir a sanidade em três campos distintos: Violência, Impotência e Sobrenatural. Dessa maneira, um agente pode perder pontos de sanidade por ver uma cena de violência, por ser submetido a uma situação vexatória ou ainda por encontrar uma criatura.

Essa divisão faz sentido mecanicamente, uma vez que os agentes podem se adaptar a uma determinada situação e "endurecer" no decorrer da campanha. Um agente que é submetido a violência constante começa a se acostumar com aquilo e perde a sensibilidade diante de cenas que deveriam ser revoltantes ou chocantes. Assim como um soldado endurecido pelo fogo da batalha ele passa a aceitar a violência como parte do risco. O mesmo acontece com um agente que é capturado e torturado: ele acaba se acostumando depois de um tempo e não perde mais sanidade após se adaptar.


Se por um lado parece vantajoso se "adaptar" dessa maneira, tudo tem um custo... uma pessoa que deixa de se "importar" com a violência ao seu redor ou com o sofrimento começa a manifestar outros tipos de problema que, com o tempo, cobrarão seu preço. Já a sanidade perdida diante do Sobrenatural (em termos de jogo "Unnatural") não é passível de adaptação - esse horror é impossível de contornar. Quando uma determinada quantidade de pontos de sanidade é perdida em um único rolamento, o personagem começa a manifestar um quadro agudo de insanidade. Já quando um determinado limite for atingido (o que é chamado de Breaking Point) o personagem adquire perturbações mentais mais severas. Como se trata de um jogo lovecraftiano há uma longa lista de insanidades e perturbações mentais.

Outro elemento interessante das regras diz respeito a Força de Vontade (Willpower). Cada personagem possui um determinado número de pontos que podem ser empregados para superar a perda de sanidade e as crises que advém da loucura. O agente pode reunir suas forças e superar alguma adversidade, recorrendo para isso, a concentração e frieza... contudo, nada nesse jogo é de graça! Ao recorrer à força de vontade, o personagem negligencia um de seus vínculos, fraturando ainda mais seus elos pessoais. É preciso sabedoria ao empregar a força de vontade, pois abusar dela acabará invariavelmente trazendo mais danos do que benefícios. Além disso, a Força de Vontade pode se esgotar e nesse caso, acredite, seu agente estará em maus lençóis.

A criação de personagens é um processo relativamente rápido e guiado. Ele envolve escolher opções e distribuir pontos em habilidades específicas. Não há nada de remotamente complicado nisso. Fazer a fichas requer no máximo 10 minutos, com algumas escolhas e poucos cálculos. Com isso, sobra tempo para se dedicar ao histórico e definir detalhes mais profundos sobre seu agente.


Mecanicamente, Delta Green parece uma variação do Basic Roleplay (BRP), o sistema da Chaosium para Call of Cthulhu. Os rolamentos são aplicados com penalidades e bônus ajuizados pelo Operador de maneira muito simples e prática. Um narrador, mesmo que seja iniciante, não encontrará grandes dificuldades em se organizar e assimilar as bases do sistema para sua primeira experiência de jogo. De certa forma, o sistema é até mais simples e enxuto do que o da sétima edição.

No que diz respeito a combate, é preciso abrir um parenteses sobre mortalidade nesse sistema. O Combate em Delta Green é especialmente perigoso e muitas armas possuem um atributo chamado "Letalidade". Armas potentes como metralhadoras, explosivos, granadas e espingardas podem matar com desconcertante facilidade. Uma arma que possui letalidade, tem um valor fixo expresso numa porcentagem. Essa é a chance dela eliminar o alvo imediatamente (!)

Uma granada, por exemplo tem 15% de chance de matar quando detonada perto de um alvo. Um rolamento abaixo do valor causa a morte. Mas mesmo que o teste de letalidade falhe, ele é suficiente para ferir gravemente o personagem, já que o dano dessas armas é aplicado somando os valores dos dados rolados individualmente. Por exemplo, a granada tem 15% de chance de matar imediatamente, mas digamos que o narrador role um valor de 71. A explosão, nesse caso provoca 8 pontos de dano (7+1). Cada personagem mediano tem 10-13 pontos de vida, que é incrivelmente pouco!


É óbvio que Delta Green não é um jogo orientado para o combate. Estes tem o seu lugar, mas o grau de mortalidade, deve ser o suficiente para desencorajar os personagens e fazer com que eles sejam cautelosos, mesmo que tenham à sua disposição um arsenal pesado.

Outra interessante mecânica do sistema é definida sob o título Lar (Home). Entre uma operação e outra, o agente tem a chance de voltar para sua família e escolher o que fará em seu tempo livre, até ser chamado para a próxima missão. Cada jogador interpreta uma situação na qual o seu agente explora suas mudanças pessoais e como a missão o afetou. Também é o momento de tentar lidar com a perda de sanidade, encarando tratamento psiquiátrico, tirando férias, cumprindo obrigações para reavivar vínculos, trabalhando para melhorar habilidades ou fazendo algum treinamento especial. Alternativamente um agente pode continuar se dedicando ao trabalho, usando o seu tempo livre para ler um tomo com conhecimento profano ou perseguir inimigos que escaparam, afundando ainda mais em uma existência voltada para sua carreira. Embora essa fase de jogo adicione complexidade a regra de sanidade, ela também permite ao jogador escolher o caminho a ser seguido pelo personagem de maneira sutil e interessante. Os Vínculos ajudam a ressaltar como as missões afetam cada personagem e fornecem ótimos ganchos para roleplay.

O Livro do Agente fornece uma série de detalhes a respeito de armas e veículos que podem ser usados durante uma missão, bem como uma lista completa de equipamentos de segurança e espionagem que vão desde escutas eletrônicas e sensores térmicos, passando por celulares e computadores de última geração. Boa parte do livro é devotado a apresentar as várias agências governamentais ligadas ao Governo Americano, como elas operam, qual o seu grau de influência e jurisdição, além de suas atribuições. Pode parecer maçante, mas essa apresentação é tão bem feita que nada soa repetitivo ou exagerado. Cada agência recebe de duas a três páginas e como resultado fornecem informações para que os agentes filiados a elas possam ser interpretados corretamente.


Finalizando o Livro dos Agentes temos uma série de apêndices. Esses fornecem informações a respeito de temas como vigilância, interrogação e perseguição, até coisas mais específicas (e assustadoras!) como por exemplo, como se livrar de um cadáver ou como comprar armas no mercado negro. Glossários também fornecem uma lista de termos para equipamentos, pessoas, localizações, operações e assim por diante. Tudo isso, extremamente útil para compor os elementos do jogo e adaptar o jargão técnico e profissional.


Fisicamente Delta Green: Agent’s Handbook é impressionante. Possui uma capa dura resistente com papel brilhante de alta qualidade e ilustrações coloridas. Não é exagero dizer que o livro é muito bonito e tem um acabamento de primeira qualidade. A escrita é fluida e de fácil assimilação, os índices ajudam bastante a encontrar os itens procurados e a distribuição dos textos, recorrendo a caixas é correta. O livro é um recurso valioso para qualquer narrador interessado em usar agentes federais em suas mesas, uma vez que os conceitos podem ser transferidos para outras ambientações facilmente.

A essa altura, vocês devem ter percebido que eu falei relativamente pouco a respeito da ambientação dessa nova versão de Delta Green. Eu devo pedir a vocês desculpas, mas isso ocorre por uma excelente razão. Todos os elementos ligados ao universo do jogo fazem parte do Handler's Guide (O Guia do Operador) que funciona como um Livro do Narrador e francamente, eu não me sinto muito à vontade para descrever todos os tópicos distribuídos em suas mais de 400 páginas.


De fato, acho que eu estaria incidindo em um enorme SPOILER se o fizesse pois estaria entregando de bandeja detalhes centrais da trama. Por exemplo, o livro descreve como o Delta Green se formou, como ele opera, quem são os seus chefes, quais os seus objetivos, o que eles pensam, o que eles sabem a respeito do inimigo, que missões foram realizadas, quais foram um sucesso e quais foram um fiasco. Descreve detalhes sobre a fatídica Operação que condenou a organização, bem como seu ressurgimento das cinzas. Descreve as principais bases, laboratórios e instalações militares, o que está guardado nesses lugares, o que descobriam ao longo dos anos e o que ainda falta entender.

O que posso afirmar sem medo de expor demasiadamente a ambientação é que a História do Delta Green é longa e rica em detalhes. Cada página do livro fornece uma série de informações suculentas que por si só, são material para a criação de histórias e ganchos para montar cenários. As ramificações da Organização também são material de primeira que pode ser explorado pelo narrador.

Além disso, o Handler´s Guide faz uma análise dos inimigos do Delta Green com um bestiário completo de cada entidade e criatura bizarra encontrada pelos agentes ao longo de sua história. Mais do que uma série de estatísticas de monstros e abominações conhecidas pelos jogadores e mestres de Cthulhu, o livro sugere maneiras de apresentar esses seres a partir de uma abordagem diferente. Como fazer um Shoggoth parecer um monstro totalmente diferente? Como tornar um Byakhee uma ameaça ainda mais estranha? Como inserir o Grande Cthulhu em uma trama sem torná-lo óbvio? De que maneira Hastur pode ser trazido para uma campanha? O livro fornece respostas para todas essas perguntas e oferece muitas ideias. Algo muito interessante é analisar as mudanças no contexto de alguns cultos e divindades. Coo elas se transformaram ao longo do século XX e no século XXI. Há também uma lista de livros e tomos, bem como magias e feitiços que podem ser usados contra os agentes.


O livro inteiro é uma obra de arte, diagramado com caixas de informações que se assemelham a relatórios, memorandos, folhas de arquivo e rascunhos nos quais membros do Delta Green fizeram apontamentos e observações sobre diferentes tópicos. Esses podem ser facilmente copiados e oferecidos como recursos de jogo já prontos aos jogadores.

A forma como o livro oferece as informações é diferente e chama a atenção pela quantidade de detalhes e a fluidez do texto. Não estranhe se você começar a ler esse livro e não conseguir colocar ele de lado por dias, talvez até semanas... e não estranhe também que, ao pegar ele tempos depois, ainda continue encontrando detalhes que passaram desapercebidos.

Eu já li muitos livros de RPG que aconselham a JAMAIS permitir que os jogadores tenham acesso aos segredos da ambientação para não estragar as surpresas. Na maioria das vezes, esse aviso tende a ser um tanto inócuo, mas em Delta Green, o segredo, o mistério e o sigilo fazem parte da ambientação e quanto menos se falar a respeito dela, melhor.


É por essa razão que repito: não me sinto à vontade para estragar surpresas e revelar detalhes sobre o que o narrador encontrará nesse fantástico livro. O que posso dizer sem medo de errar é que ele fornecerá centenas de informações e entretenimento, na forma de uma história incrivelmente bem pesquisada e notavelmente bem formulada.

Delta Green é uma ambientação que vale a pena conhecer à fundo e que oferece inúmeras possibilidades para Narradores e Jogadores de viverem aventuras carregadas de drama, ação e loucura.

Francamente, eu não poderia indicar mais um RPG!

quinta-feira, 6 de julho de 2023

O Fenômeno "Eu sou Deus" - Um mistério contemporâneo da internet


A internet possui incontáveis mistérios.

Alguns deles se mostraram reais, outros se provam não passar de bem engendradas farsas. Mas certos mistérios se mostraram tão enigmáticos que continuam sem uma explicação razoável apesar de terem sido investigados e analisados ao longo dos anos.

Um desses mistérios envolve um sinistro arquivo do 4chan que deu margem a um caso muito debatido, conhecido mundialmente como o Fenômeno do "Eu sou Deus".

Tudo começou em meados de junho de 2014 quando um usuário do 4Chan iniciou um novo thread no tópico "Incidentes Paranormais" do fórum. Para resumir do que se tratava, o usuário relatava que um amigo vinha experimentando estranhas anomalias em sua casa: sons misteriosos, luzes piscando e a inconveniente sensação de estar sendo observado. Isso começou com estranhos e-mails e mensagens que surgiam em seu computador, enviadas por pessoas que ele não conhecia. Ele terminava a sua postagem perguntando aos demais usuários se eles acreditavam haver uma explicação lógica para esses acontecimentos ou se algo sobrenatural estaria ocorrendo.

Vários usuários expressaram seus pensamentos acreditando que o mais provável é que fosse um malware e que as ocorrências tinham uma explicação razoável. Entretanto, um dos usuários pediu que fossem repassadas a ele as mensagens de email para que pudesse analisá-las em busca de algum indício de quem as havia enviado. Ao abrir os arquivos ele descobriu que as mensagens sempre vinham acompanhadas de um fragmento de imagem. Ao abrir a primeira imagem ele tentou entender do que se tratava, mas a forma era muito vaga e pouco discernível.

A segunda imagem veio dois dias depois e os usuários começaram a conjecturar qual poderia ser a ligação entre os dois fragmentos.

Alguns especulavam se elas não poderiam conter uma mensagem oculta, um encaixe ou quem sabe até ser uma espécie de mapa. Finalmente, um dos usuários sugeriu que a imagem parecia ser parte de um rosto humano, o que a maioria acabou concordando se tratar.

Após algumas edições da imagem eles concluíram que o mais provável é que se tratava realmente de um rosto humano pintado de vermelho. Um caso tão curioso chamou a atenção de mais e mais pessoas que fizeram um esforço coletivo para tentar entender do que se tratava. Em determinado momento, um dos usuários percebeu que havia uma leve descoloração na porção superior esquerda da primeira imagem. Quando ele aplicou alguns filtros de cor, estranhos caracteres apareceram formando o que mais tarde foi reconhecido como um código binário oculto. Estes números quando traduzidos para uma linguagem verbal resultavam em uma única palavra:

DEUS

A palavra deixou os usuários que estavam se dedicando a tarefa embasbacados. Realmente não podia ser uma simples coincidência.

Poucas horas depois de obter essa informação, um terceiro arquivo foi repassado contendo um novo fragmento da imagem. Trabalhando essa imagem, invertendo e colando da maneira mais adequada ela se mostrou encaixar perfeitamente nas anteriores. Um novo trecho em linguagem binária resultou em uma confluência de letras que aparentemente não faziam muito sentido, mas que quando lançadas em um decodificador geraram a seguinte tradução:

"EU SOU" em gaélico.

Juntando os dois pedaços de informação os usuários concluíram que a mensagem não poderia ser outra. Inequivocamente a frase era "EU SOU DEUS".

Diante dessa revelação, usuários simplesmente desistiram de prosseguir na tarefa de decodificação. Alguns, no entanto, alegaram uma razão bem curiosa para desistir de analisar o quebra cabeça. Enquanto alguns disseram ter perdido o interesse, outros afirmavam terem experimentado "coisas estranhas" ocorrendo cada vez mais frequentemente ao seu redor. Três usuários supostamente estariam ouvindo estranhos sons em suas casas e tendo sensações desagradáveis, como se uma estranha presença os estivesse observando. Outro usuário foi mais longe afirmando ter tido um pressentimento muito forte de que deveria encerrar qualquer participação naquele projeto.

Alguns usuários disseram que provavelmente seus colegas estavam inventando aquilo, mas um número cada vez maior de indivíduos envolvidos na decodificação alegaram nos dias seguintes sentir o mesmo desconforto ao lidar com os códigos.

Enquanto isso, o usuário original que havia iniciado o thread no 4Chan disse que seu amigo, aquele que recebia as mensagens codificadas havia sumido. Supostamente saído de sua casa por não aguentar mais os misteriosos incidentes que o atormentavam. Sua mensagem final para o amigo era muito breve:

"Estou saindo de casa. Não me sinto seguro aqui. Vou arrumar uma mochila e sair o quanto antes."

Junto com essa mensagem ele enviou também um vídeo curto no qual andava pelo apartamento antes de ir embora. O vídeo em questão não revelava muito, contudo em um determinado momento, aqueles que o assistiram disseram ter percebido algo estranho perto da sua conclusão: uma imagem estranha com formato vermelho.

A pessoa que filmou não parece perceber, mas muitos que assistiram o video sugeriram que a forma seria semelhante a face humana contida nos arquivos. Além disso, trabalhando nos canais de som foi possível isolar um trecho o que parece ser a frase "Não fuja de mim".

Posteriormente ele recebeu mais um email com outro fragmento que foi repassado ao 4share. Não foi preciso muito para perceber que ela encaixava perfeitamente junto com as demais, quase completando a imagem de uma face humana avermelhada.

A essa altura, vários usuários relataram que também estavam tendo uma sensação difícil de descrever ao analisar o material. Um deles tentou explicar recorrendo a uma analogia - "era como se, a cada vez que eu examinasse o desenho tivesse uma sensação de que alguém estava me observando, ou mais bizarro ainda, que aquela imagem estivesse olhando para mim".

Outro usuário, antes de se despedir, aconselhou os demais a parar de investigar. Ele disse que luzes estavam acendendo e apagando em sua casa e que ouvia claramente ruídos, sobretudo nas altas horas da madrugada. "É como se tivesse alguém andando pela casa", arriscou ele.

A essa altura, o número de usuários interessados na thread já era bastante grande e a curiosidade sobre as misteriosas imagens e seu significado haviam gerado diferentes interpretações e um acalorado debate uma vez que mais e mais pessoas alegavam experimentar aquela mesma sensação perturbadora.

"Ouvi sons estranhos em minha casa, mesmo sabendo que estava sozinho. Eu fiquei apavorado!" escreveu um usuário. Outro prosseguiu: "Eu não sei o que é, mas era como se eu tivesse convidado alguém, ou alguma coisa a entrar na minha casa através da imagem na tela do meu monitor". Um terceiro usuário concluiu: "Estou apavorado! As luzes aqui em casa não param de piscar e eu tenho ouvido coisas. Juro que parece ter alguém sussurrando".

Ainda que a maioria dos usuários tenham acusado seus colegas de que estes meramente tentavam fabricar um hoax, era impressionante a quantidade de pessoas garantindo terem experimentado algo inexplicável depois de mexer com os arquivos e manipular as imagens. Alguns chegaram até a relatar terem recebido mensagens incompreensíveis por email, whatsapp ou em seus telefones.

Um usuário conjecturou que as imagens poderiam conter algum vírus ou um tipo de malware capaz de obter endereço de IP ou dados daqueles que o manipulavam por muito tempo. Contudo, ninguém chegou a uma conclusão sobre o fenômeno.

A imagem final do quebra cabeças foi repassada cerca de uma semana depois. Ela trazia a peça final que montava a imagem da face e uma outra mensagem cifrada que dizia: "Por favor, não perca dessa vez".

Os usuários conjecturavam o que era a imagem, contudo ninguém chegou a uma conclusão sobre o seu significado. Muitos acreditam que a face era a mesma vista de relance no vídeo, mas ninguém foi capaz de dizer com certeza. As mensagens pararam logo depois e mais nenhum arquivo chegou ou foi repassado pelo usuário que abriu o thread. De fato, o perfil dele foi apagado!

O estranho incidente capturou a atenção de inúmeras pessoas e se tornou objeto de análise e investigação de muitas pessoas. 

Ainda hoje muitos afirmam que esses arquivos e essa imagem despertam sentimentos dúbios que não se consegue explicar inteiramente.

O caso se tornou conhecido como o fenômeno "Eu sou Deus" e se espalhou pela internet desde então. Há diferentes versões para a história e incontáveis variações do tema, mas essa é uma das mais sinistras na minha opinião. 

Diante de tudo, o que podemos concluir? 

O mais provável e que isso não passa de um HOAX bem construído com o objetivo de gerar repercussão e debate - a semente de uma creepypasta, e nada mais do que isso. Por outro lado, diante do assombroso número de pessoas que alegam terem sido afetadas pela imagem, quem pode saber ao certo?

Uma teoria muito interessante e controversa afirma que a internet teria ajudado a dar forma a manifestações do inconsciente coletivo, cristalizando elementos da ficção no mundo real. Por essa linha de pensamento, se um número considerável de indivíduos acreditar piamente em algo e essa crença se espalhar, ela poderia se tornar verdadeira. Esse conceito encontra respaldo na lenda do TULPA que é parte do folclore tibetano. Ele  defende que um pensamento pode ser alçado a condição de materialidade se estes pensamentos forem poderosos o bastante.

Enquanto não se define qual a natureza e razão de ser do Fenômeno "Eu sou Deus", nos resta acreditar no que acharmos mais conveniente.

quarta-feira, 15 de junho de 2022

O Aviário - Uma Sociedade Secreta que pretende revelar a verdade sobre os Alienígenas


Não é de hoje que existem histórias sobre Sociedades e Organizações Secretas sombrias que espreitam nos bastidores de eventos governamentais e mundiais. Esses grupos envoltos em sombras, puxam as cordas e manipulam as coisas como as conhecemos. Os Maçons, os Illuminati e outros grupos, há muito povoam conversas sobre conspirações em larga escala. Tais organizações misteriosas são apontadas como patrocinadoras de todo tipo de eventos mundiais e suas ações moldam o mundo. As vezes trabalhando com governos mundiais, mas muitas vezes trabalhando completamente pelas costas destes para manter o status quo vigente. 

O tema alienígenas certamente esta inserido em gigantescas teorias conspiratórias envolvendo sociedades secretas arquitetando e vendo frutificar seus planos. Uma dessas sociedades secretas é uma organização ultra secreta de indivíduos com permissões de segurança extremamente altas que foram unidas para apurar informações e colher evidências sobre o fenômeno OVNI. Seus arquivos poderiam mudar o mundo para sempre se um dia tais segredos viessem à público.

Tratado como uma espécie de órgão não-oficial dentro do governo norte-americano, esse grupo é conhecido vulgarmente como Majestic 12 (ou MJ-12 para abreviar). Eles se notabilizaram por coletar informações sobre OVNIs e mantê-las em segredo custe o que custar. Supostamente o grupo foi estabelecido no ano de 1947, após a queda de uma espaçonave em Rosswell, Novo México. O MJ-12 foi formado por uma ordem executiva do então presidente dos EUA, Harry S. Truman. Sua função era facilitar a recuperação e investigação de espaçonaves alienígenas, estabelecer uma espécie de diplomacia extraterrestre e estudar tecnologia recuperada. Seus membros são cientistas, militares de alta patente e funcionários do governo encarregados de guardar as informações sobre OVNIs tão confidenciais que nem mesmo o presidente dos Estados Unidos tem acesso a elas. O MJ-12 é frequentemente considerado o grupo de controle e política de informações ufológicas no governo, operando completamente no escuro. Não por acaso ele tem sido pivô de inúmeras conspirações de OVNIs.


Contudo, embora o MJ-12 possa ser o mais infame dos grupos, certamente ele não é o único. Há outra organização secreta talvez ainda mais sombria que opera nos bastidores e que monitora uma agenda própria de controle de informações e divulgação pública. Eles não buscam ocultar a verdade, pelo contrário, seu maior objetivo é difundir aquilo que descobrem.

As raízes dessa organização remontam aos anos 70, quando um seleto grupo de indivíduos que estavam trabalhando em vários ramos de pesquisa extraterrestre, decidiu se juntar. Seu objetivo era analisar e compartilhar descobertas, correlacionar dados e discutir pesquisas sobre alienígenas e espaçonaves acidentadas. No início tudo era muito informal, mas com o passar do tempo, o grupo começou a se transformar em uma organização mais coesa e afinada em seus ideais. Uma dúzia ou mais de indivíduos compõem essa cabala exclusiva usando nomes de pássaros como codinomes, levando-os a serem conhecidos como "O Aviário". 

A lista de supostos membros reunia ex-figurões das forças armadas americanas, pesquisadores consagrados e pessoas profundamente envolvidas no campo da ufologia. Segundo boatos, os três membros fundadores eram:


- Dr. Christopher “Kit” Green, Médico Ph.D, membro do Departamento de Ciências Biomédicas do Governo, que usava o codinome "Blue Jay". 

- Ron Padolfi, ex-coordenador dos arquivos de OVNIs da CIA e vice-diretor para a Divisão de Ciências e Tecnologia da CIA, codinome "Pelican". 

- Bruce Maccabee, Ph.D, pesquisador em física óptica e aplicações de armas a laser no Laboratório de Armas de Superfície Naval dos EUA, Maryland, e prolífico autor de supostos dados de OVNIs do governo vazados, codinome "Cardinal". 

Além destes membros, haviam também:

- Hal Puthoff, engenheiro teorista e físico do Instituto de Pesquisa Avançada em Austin, Texas, conhecido como "Coruja".

- John Alexander, Ph.D. em Ciências;  tenente-coronel do Comando de Inteligência e Segurança do Exército dos EUA e diretor do Departamento de Armas Não Letais, conhecido como "Pinguim". 

- O Comandante. C.B. Scott Jones, Ph.D, ex-oficial do Escritório de Inteligência Naval e pesquisador eminente da Agência Nuclear de Defesa, codinome "Chickadee". 

- O ex-astrofísico e famoso pesquisador de OVNIs Jacques Vallee, Ph.D, codinome "Papagaio".

- O ex-capitão Bob Collins, aposentado da USAF; Agente Especial no Escritório de Investigações da Força Aérea, codinome "Condor".

- Richard “Dick” Doty, Agente Especial no Escritório de Investigações da Força Aérea, codinome "Falcão" 

- Ernie Kellerstrauss, piloto da aeronáutica, supostamente habilitado para informações de OVNIs e que trabalhou na Base Aérea de Wright na década de 1970, codinome "Vulture".

- Dale Graff, um pesquisador de Percepção Extra-Sensorial no Laboratório Nacional de Los Alamos, conhecido por seus colegas como "Águia"

- Jaime Shandera, contato e especialistas em desinformação, que por acaso é Produtor de Hollywood, codinome "Nightgale".


Diferente de outras organizações à serviço do governo, o Aviário parecia estar mais interessado em reunir informações ultrassecretas não para escondê-las, mas para vazá-las ao público em uma ampla campanha de divulgação. Seu posicionamento diretamente em desacordo com o que o MJ-12, que tenta reter as informações com mão de ferro, criou certo atrito entre os dois grupos. Membros de cada organização tentando se infiltrar constantemente no outro grupo e sabotar suas informações. 

No entanto, também há rumores de que membros do Aviário discordam sobre o que fazer com suas informações, com alguns sentindo que o público merece saber tudo o que é apurado, enquanto outros optam por manter certas informações, em especial as mais chocantes, em sigilo. Essa disputa aparentemente causou uma ruptura dentro do próprio Aviário. O pesquisador do fenômeno UFO, o Dr. Richard J. Boylan, escreveu livros sobre as ações do Aviário ponderou sobre essa situação:

"Relatos vazados de fontes próximas ao Aviário sugerem que há uma divisão filosófica dentro do grupo. De um lado estão os membros que sentem que as informações sobre contato com alienígenas devem ser amplamente divulgados. Eles defendem que o público está pronto para receber essas informações. Outros contudo resistem a tal ideia. Eles não querem perder o poder que seu “monopólio da informação” lhes concede. Além disso, alguns se envolveram em projetos e operações complexas, até ilícitas. A divisão está criando um clima em que os vazamentos estão aumentando, já que alguns tentam forçar a divulgação desses casos. A maioria dos membros do Aviário são cientistas bem-intencionados ou ex-oficiais militares ou ainda da inteligência com carreiras sólidas durante a Guerra Fria. Eles sabem que o tempo para se pronunciar está se esgotando".


Algumas das informações às quais os membros do Aviário supostamente tem acesso são, se verdadeiras, bastante impressionantes, incluindo evidências de acidentes com OVNIs e a captura de alienígenas ainda vivos. Até mesmo casos recentes, como o Incidente Varginha, são de conhecimento do Aviário que teve acesso aos fatos.

Um dos boatos mais incríveis afirma que o Aviário têm acesso a um documento chamado de "Livro Amarelo", que seria um extenso registro de entrevistas com um alienígena chamado EBE-1. Este ser foi resgatado em um acidente e mantido sob custódia pelo MJ-12. O Livro Amarelo é guardado cuidadosamente e cópias de seu conteúdo são terminantemente proibidas. 

 O Aviário possui um segundo registro conhecido apenas como "Livro Vermelho", que é supostamente um compêndio de informações derivadas do contato direto entre humanos e extraterrestres ao longo dos anos. Ele contém séculos de incidentes detalhados além de previsões sobre eventos mundiais, desastres, catástrofes ambientais e todos os tipos de revelações surpreendentes. Esse livro contêm ainda revelações sobre a origem do homem, algumas delas conectadas com a Bíblia.


Richard J. Boylan explica sobre esse pormenor:

"Os Livros Vermelho e Amarelo contém a previsão de que em breve haverá um princípio de guerra que levará a civilização humana bem perto de sua ruína. Mas antes dessa guerra escalar, seres extraterrestres irão estabelecer contato e transmitir para os humanos seu conhecimento. E este conhecimento estará intimamente ligado a revelações surpreendentes que envolvem a religião cristã. Isso irá mudar nossa percepção diante da origem do homem e nosso papel num universo muito mais vasto do que podemos supor". 

O Aviário está bastante preocupado que grupos cristãos fundamentalistas experimentem um profundo choque espiritual, senão ontológico, com a revelação da participação de ETs em trechos da Bíblia. Uma das revelações sugere que Jesus Cristo (e outras figuras religiosas) teriam conexão com seres extraterrestres ou que poderiam, eles mesmos, serem alienígenas. Tais revelações poderiam criar enorme controvérsia e causar fricção entre porções conservadoras da religião cristã.


Adicionando mais combustível a polêmica, uma estação de televisão europeia informou que especialistas nas Profecias de Fátima, ligados ao Vaticano, pediram uma reunião à portas fechadas com representantes do governo do Reino Unido, França, Alemanha e EUA. O tema discutido seria a terceira Profecia jamais divulgada pela Igreja Católica. Há rumores de que essa Profecia lidaria com a visitação de ETs. Um porta-voz do Vaticano teria confirmado que a reunião de fato aconteceu em 2019 deixando os convidados estarrecidos com o que foi discutido. Um dos objetivos da reunião era iniciar uma preparação para que a civilização ocidental conseguisse absorver a revelação. O teor da reunião teria sido vazado justamente por membros do Aviário que viram a necessidade de divulgar tal acontecimento. 

Há ainda rumores atestando que o Aviário detém em sua posse artefatos alienígenas realmente importantes que poderiam comprovar a existência de seres extraterrestres. Persiste ainda o boato de que eles mantém contato regular com interlocutores alienígenas, até mesmo se encontrando com eles e agindo como ponte entre governos humanos e seres extraterrestres. Tal conexão seria um trunfo para o Aviário e uma forma deles se manterem seguros diante de outros grupos interessados em preservar o sigilo. 

Com tudo isso, o que podemos concluir? Será que o Aviário realmente existe e ainda atua? Que tipo de informação eles estão protegendo? Quando eles receberão sinal verde para expor tais verdades? Não há como saber se essa é apenas mais uma história bizarra relacionado a Extraterrestres ou uma revelação sensacional que nos coloca cada vez mais próximos da verdade.