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quinta-feira, 21 de maio de 2026

A Vingança do Necromante - O Plano para matar um Rei e a misteriosa morte dos Conspiradores


Morte por Magia!

Pode parecer estranho e absurdo para nós, em pleno século XXI, acreditar que tal coisa já foi considerado um temor real e uma preocupação justificável. Na Idade Média, haviam feiticeiros e bruxas que podiam ser contratados para praticar malefícios com o intuito de matar os desafetos de quem os contratava. 

A prática parecia ser incrivelmente comum e a magia parecia uma maneira rápida e letal de eliminar os inimigos. Claro, a eficácia dependia muito de quem era o mago contratado e de quem seria a vítima. Os métodos também poderiam variar, bem como os custos... Curiosamente há registros detalhados daquele que é reconhecido como um dos mais famosos casos de assassinato por magia da Inglaterra.

Nossa história começa numa noite de novembro de 1323. Um grupo de 27 cavalheiros de Coventry e Warwickshire se reuniu e foi até a casa de um certo John de Nottingham. O homem que vivia afastado tinha fama de ser um renomado curandeiro e um conhecedor de plantas e raízes que prescrevia para a cura de uma infinidade de males. Mas segundo os rumores da época, ele também era conhecedor de certas técnicas misteriosas que incluíam o contato com os mortos, a leitura da sorte, a criação de poções mágicas e a intermediação junto de forças diabólicas com o objetivo de firmar pactos. Para todos os efeitos John de Nottinghan era um homem com acesso ao mundo sobrenatural, um feiticeiro e um necromante renomado.   

O grupo era liderado por Robert Latoner, que servia de porta-voz para seus companheiros. Ele explicou a Nottingham que eles tinham inimigos nos mais altos escalões do país: o Prior de Coventry, o Conde de Winchester, o "favorito" real Hugh le Despenser e — por último, mas certamente não menos importante — o próprio Rei Eduardo II. Latoner disse que pagaria a Nottingham o total de 20 libras e ao assistente do feiticeiro, Robert Mareschal, 10 libras, se eles conseguissem usar suas artes de bruxaria para matar o Rei e os outros inimigos mencionados. Eles também prometeram a Nottingham que, uma vez consumado o feito, ele teria hospedagem em qualquer casa religiosa que escolhesse. Após assassinar o rei, supostamente receberia uma identidade falsa de sacerdote e ficaria escondido num mosteiro de sua escolha.


Nottingham aceitou a proposta dos conspiradores, então, em dezembro de 1323, uma semana após a Festa de São Nicolau, recebeu um adiantamento parcial do pagamento, juntamente com dois grandes blocos de cera e dois rolos de tela necessários para seu importante trabalho. Ele usou esses materiais para moldar figuras de cera representando o Rei, o Conde de Winchester e o prior, Hugh le Despenser. O plano era utilizar esses bonecos semelhantes aos alvos, projetar neles o malefício e assim afetá-los à distância. Para demonstrar sua habilidade, Nottinghan decidiu talhar uma quarta efígie em cera com as feições de um camponês chamado Robert de Sowe, que seria usado como demonstração. 

Após algumas semanas realizando rituais ocultos e preparando as imagens, Nottingham convidou alguns dos conspiradores para testemunhar a cerimônia. Ele ergueu a imagem de Sowe e entoou um encantamento de gelar o sangue enquanto seu assistente cravava uma estaca na cabeça da figura. Na manhã seguinte, Nottingham enviou Mareschal à casa de Sowe para observar os resultados.

O que Mareschal encontrou foi de fato muito satisfatório. Da noite para o dia, Sowe enlouqueceu completamente, como se dominado por uma força diabólica. Ele gritava histericamente, havia perdido a razão e não reconhecia ninguém ao seu redor. O pobre Sowe permaneceu nesse estado por alguns dias, até que Nottingham removeu o alfinete da cabeça de cera do boneco e a enfiou no coração. Sowe morreu cerca de uma semana depois.

Os clientes de Nottingham ficaram muito impressionados e aliviados de que o dinheiro investido valia a pena. O necromante era realmente poderoso e capaz de matar à distância, exatamente como eles desejavam.

O grupo decidiu então agir sem perda de tempo. Sua próxima vítima seria o próprio Eduardo II, Rei da Inglaterra. Felizmente para o monarca, antes que o plano pudesse ser executado, Mareschal ficou receoso. Matar algumas pessoas era fácil, mas o Rei da Inglaterra era outra história. Ele não estava disposto a arriscar uma acusação de regicídio por míseras 10 libras. Marechal foi até o Xerife de Warwickshire com uma bela história para contar. O resultado foi que o Xerife, sob as ordens pessoais do Rei, ordenou a imediata prisão de Nottingham. Sob tortura, o feiticeiro revelou quem eram os 27 conspiradores. Como era de se esperar eles negaram tudo. Alguns conseguiram se eximir, outros pagaram multas ou foram banidos, mas nenhum deles, nem mesmo Robert Latoner chegou a ser formalmente acusado.

 

Nottingham e Mareschal foram colocados sob a custódia do Xerife Robert de Dumbleton, um homem famoso pela sua violência e crueldade. Quinze dias após a Páscoa, Dumbleton recebeu ordens para levar John de Nottingham perante o Rei como cabia nas acusações de regicídio. Infelizmente, suspirou o Xerife, isso era impossível. O prisioneiro havia morrido repentinamente, talvez devido às torturas que havia sofrido na masmorra para revelar os nomes dos conspiradores, mas possivelmente por suicídio. Os registros oficiais afirmam que este é o fim da história, Nottingham morreu e sem o seu depoimento não foi possível acusar formalmente seus contratantes.

Contudo, há lendas que cercam esse caso misterioso e que conferem a ele toda uma aura macabra que inclui a pérfida "vingança além do túmulo".

Diz a lenda que John de Nottingham morreu sussurrando uma maldição contra os traidores que o contrataram e que escaparam convenientemente pelos meandros do processo. Por serem poderosos eles se sentiam intocáveis e inatingíveis. O Necromante teria escrito o nome de cada um dos 27 conspiradores na parede de sua cela, usando o sangue de suas veias. Em seguida, ele cuspiu nos nomes e os amaldiçoou implorando às forças do inferno que respondessem ao seu pedido para que eles não escapassem de sua ira.

E assim, segundo os boatos, a Maldição do Feiticeiro começou a agir logo após a sua morte.

Acidentes estranhos, quedas, doenças repentinas e outros estranhos acontecimentos teriam atingido os 27 homens jurados de morte pelo bruxo. Um a um, num espaço de menos de um ano, eles foram morrendo ou desaparecendo. A história registra que Robert Latoner, o chefe dos conspiradores teria perecido após um inexplicável acidente de caça. Um teria sido jogado de seu cavalo quebrando o pescoço, outro contraiu uma moléstia desconhecida e outro ainda, morreu vítima do amante de sua esposa. Vinte e Sete mortes no período de um ano, atingindo todos envolvidos na conspiração parece ser algo grande demais para ser tratado como mera coincidência. 


Segundo as lendas, a Maldição de John de Nottingham foi ainda mais potente, atingindo as gerações seguintes, vitimando o filho mais velho de cada um dos conspiradores, que também estaria fadado a morrer em estranhos acidentes e acontecimentos inusitados.

No entanto, a vingança mais terrível seria direcionada ao antigo ajudante do Necromante, Robert Mareschal, aquele que denunciou a conspiração e o trabalho de seu mestre.

A lenda menciona que após o ocorrido, Mareschal tentou se proteger de todas as formas possíveis, sabendo que a maldição começava a corroer o círculo de conspiradores um a um. Ele teria buscado proteção em um monastério e pedido a ajuda de um monge que conhecia toda sorte de encantamento. 

Mas de nada adiantou... eventualmente a morte o encontrou de maneira terrível e aterrorizante. Há relatos de que o corpo de Robert Mareschal foi devorado por lobos e outros dizem que ele teria morrido esganado em um quarto trancado por dentro. Finalmente, alguns supõem que ele teria cedido à loucura e, atormentado por pesadelos, se lançou do alto de uma torre para a morte certa. 

Infelizmente não há como precisar esse relato, os acontecimentos são muito antigos e já é um milagre que os registros sobre o caso tenham sobrevivido. O que transcorreu depois do procedimento é mera especulação e rumor, mas não deixa de ser fascinante imaginar que um Feiticeiro poderia ser capaz de matar usando para isso uma maldição proferida pouco antes dele próprio morrer.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Maldições Japonesas - Sobre Espadas Mortais e Pilares Malditos no Japão


Continuando o artigo sobre coisas malditas e amaldiçoadas no Japão.

As maldições no Japão vão muito além dos jogos, quadros e brinquedos amaldiçoados. E quando se fala nesse tema, um tipo de objeto em particular merece seu próprio capítulo, eu me refiro, obviamente, às famosas espadas amaldiçoadas do folclore japonês. 

Com sua longa história de guerras feudais e guerreiros samurais, a espada, geralmente chamada de katana em japonês, era muito mais do que apenas uma arma; era um objeto sagrado e reverenciado, quase uma ferramenta que permitia um modo de vida. Para os samurais que as empunhavam, suas katanas eram uma extensão de si mesmos, resultado do trabalho meticuloso de mestres ferreiros que elevaram sua arte a tal ponto que a katana japonesa se tornou mundialmente renomada por sua qualidade superior, beleza e letalidade. Considerando essa longa tradição de qualidade suprema, reverência e o quão intrinsecamente ligada à cultura estão, as katanas se tornaram, sem motivos para surpresa a fonte de inúmeros mitos e lendas. Não faltam histórias sobre os acirrados duelos de espadas entre samurais e sobre os ferreiros que trabalhavam arduamente para forjar suas lâminas mortais. Ao buscar no folclore nipônico encontramos relatos de katanas que se tornaram tão conhecidas por seus misteriosos poderes quanto pela maestria de quem as empunhava. 

Entre os maiores e mais lendários ferreiros do Japão, destaca-se Muramasa Sengo, que viveu e exerceu sua arte durante o período Muromachi (séculos XIV e XV d.C.). Tanto Muramasa quanto sua escola de fabricação de espadas eram renomados pela extraordinária qualidade e pelas lâminas afiadas, o que tornava as armas altamente valorizadas e cobiçadas por guerreiros. De fato, Muramasa tornou-se não apenas um dos melhores ferreiros de todos os tempos, mas também ficou famoso por seu temperamento instável e por uma suposta maldição que pairava sobre suas espadas.

Muitos desses rumores tiveram origem na personalidade abrasiva e venenosa do próprio Muramasa. Além de ser obviamente um brilhante ferreiro, também se dizia que ele era insano e propenso a acessos repentinos de fúria violenta, durante os quais atacava qualquer um que tivesse o azar de estar por perto. Essa mente desequilibrada, que oscilava à beira da loucura, combinada com seu perfeccionismo implacável e paixão desenfreada por forjar espadas letais, resultava em uma mistura instável de genialidade, sede de sangue, foco intenso e insanidade, qualidades que, dizia-se, eram transmitidas às katanas que ele forjava. Soma-se a isso o suposto hábito de Muramasa de rezar fervorosamente para quem quisesse ouvir, pedindo que suas espadas se tornassem "grandes destruidoras". Não é por acaso, portanto, que suas armas ganharam uma reputação bastante sinistra, apesar de sua popularidade e alta demanda.

Inúmeras qualidades sombrias e sinistras foram atribuídas à suposta maldição das espadas de Muramasa. Talvez a crença mais persistente fosse a de que as espadas tinham uma certa tendência a possuir seus portadores, levando-os a um estado de fúria e, em algumas versões, concedendo-lhes uma habilidade superior, além de força sobre-humana e resistência à dor e ferimentos. Dizia-se também que as espadas Muramasa tinham sede de sangue e que, se não fossem saciadas pelo sangue derramado do inimigo, se voltariam contra seus donos, forçando-os ao suicídio para aplacá-las. De fato, era comum dizer que, assim que uma lâmina Muramasa era desembainhada, ela exigia sangue antes de ser guardada na bainha, o que significava morte quase certa para o portador se não houvesse ninguém por perto para descarregar a sede de sangue da espada. Mesmo quando não desembainhadas, as espadas às vezes clamavam por libertação ou tentavam compelir seus donos a sair à caça de alguma alma infeliz para assassinar.

Embora inegavelmente poderosas e formidáveis ​​em batalha, essa maldição sombria supostamente tornava as espadas e seus portadores perigosos para todos ao redor. Muitas histórias surgiram sobre espadas Muramasa se voltando contra seus donos, atacando e bebendo o sangue de qualquer um ao seu alcance, incluindo não apenas inimigos, mas também aliados e até mesmo familiares, algo que o portador nada podia fazer para impedir enquanto subjugado pela fúria maligna da espada. Inúmeras histórias descreviam samurais armados com espadas Muramasa atacando amigos queridos, aliados e familiares enquanto assistiam impotentes à sua própria morte. Dizia-se que, em seu estado mais sanguinário e furioso, as espadas mal discriminavam entre amigos e inimigos, usando seus donos meramente como instrumentos para matar. Não era incomum ouvir falar de donos de espadas Muramasa enlouquecendo lentamente à medida que eram corrompidos e subjugados pela vontade demoníaca de suas armas, às vezes cometendo suicídio para escapar da prisão sombria e insana.

Essa sinistra reputação acabou sendo ainda mais difundida quando o Xogunato Tokugawa, o último governo feudal do Japão, foi estabelecido em 1603 pelo xogum Tokugawa Ieyasu, que acreditava firmemente que as espadas Muramasa eram amaldiçoadas e as culpava pela morte de muitos de seus amigos, aliados e parentes. De fato, aparentemente o pai do xogum, Matsudaira Hirotada, e seu avô, Matsudaira Kiyoyasu, foram mortos quando seus vassalos foram tomados por um transe assassino enquanto empunhavam tais espadas. Tokugawa chegou a afirmar que havia sido gravemente ferido por uma katana Muramasa que estava sendo carregada por um de seus guardas samurais enquanto inspecionava suas fileiras. Mais tarde, sua própria esposa e filho adotivo teriam sido executados com uma espada Muramasa. Tudo isso alimentou rumores de que as espadas Muramasa tinham uma espécie de vingança contra a família Tokugawa e que possuíam uma afinidade especial por matar membros de seu clã.

Essa noção tornou-se tão difundida que Ieyasu Tokugawa acabou por banir as katanas Muramasa de seus domínios. Muitas delas foram posteriormente derretidas ou destruídas, mas, como eram tão reverenciadas por sua qualidade excepcional, outras foram escondidas ou tiveram suas características distintivas alteradas ou removidas, mesmo sob severas punições para quem as possuísse, geralmente o suicídio ritual, ou seppuku. Apesar disso, as katanas Muramasa continuaram sua trajetória rumo ao status lendário. Considerando que se acreditava que essas katanas eram capazes de encontrar e matar o xogum e sua família, houve também uma demanda renovada por elas entre os inimigos de Tokugawa, o que levou alguns ferreiros menos habilidosos a forjar réplicas falsificadas para obter lucro. De fato, devido ao número de falsificações produzidas durante essa época, é até hoje difícil determinar com certeza se uma suposta katana Muramasa é autêntica ou não.


Outra espada japonesa supostamente mágica e amaldiçoada é a conhecida como Kusanagi, também chamada de Kusanagi-no-Tsurugi, ou "Espada Cortadora de Grama", ou ainda pelo seu nome original, Ame-no-Murakumo-no-Tsurugi, que significa "Espada das Nuvens que se Reúnem no Céu". Segundo a lenda, um deus das tempestades chamado Susanoo travou uma batalha contra uma serpente maligna de oito cabeças chamada Yamata-no-Orochi, a qual ele acabou derrotando e então começou a cortar cada uma de suas cabeças e caudas. Dentro de uma das caudas da temível besta foi encontrada uma espada fabulosa, que ele chamou de Ame-no-Murakumo-no-Tsurugi e presenteou à deusa do sol Amaterasu. Séculos depois, essa espada passou para as mãos de um guerreiro chamado Yamato Takeru, que a levou para a batalha e descobriu que possuía poderes extraordinários.

Em um episódio, conta-se que Yamato foi emboscado durante uma caçada por um grupo de guerreiros que mataram seu cavalo e incendiaram o campo de capim alto com flechas flamejantes. Pensando que estava condenado a uma morte ardente ele começou a cortar freneticamente o capim em chamas para conter o avanço do fogo. Yamato se surpreendeu ao descobrir que sua espada, a Ame-no-Murakumo-no-Tsurugi, tinha o poder de controlar o vento, direcionando rajadas poderosas para onde quer que ele a golpeasse. Isso lhe permitiu empurrar o fogo na direção de seus inimigos e escapar daquela provação, após o que ele rebatizou sua espada mágica de Kusanagi-no-Tsurugi.

Essa história é muito difundida no folclore japonês e aparece no antigo texto do século VIII, o Kojiki, ou "Registros de Assuntos Antigos", um tomo de mitos históricos, bem como no Nihon Shoki, também chamado de "Crônicas do Japão", um texto do século VIII com registros históricos mais factuais. Embora a Kusanagi-no-Tsurugi, com sua história de origem bizarra e supostos poderes eólicos, pareça ser uma construção puramente mítica, ela é considerada há muito tempo uma espada real. De acordo com o Nihon Shoki, um registro amplamente confiável, essa espada realmente existiu e foi transferida do Palácio Imperial para o Santuário Atsuta em Nagoya, província de Aichi, em 688, porque acreditava-se que ela estivesse amaldiçoada e era culpada pela saúde debilitada do Imperador Tenmu. Apesar dessa nova e sinistra reputação de portadora de doenças, a Kusanagi-no-Tsurugi era considerada um precioso tesouro nacional, uma das Insígnias Imperiais do Japão, e foi guardada em segurança dentro do santuário.

Após a espada chegar ao Santuário Atsuta, ela foi escondida do público, supostamente envolta em uma caixa de madeira com uma pedra incrustada. Supostamente, ela só é exibida em ocasiões muito especiais, como cerimônias de coroação imperial, e mesmo assim permanece protegida por várias camadas de tecido e dentro de sua caixa. A espada é mantida em tanto segredo que pouquíssimas pessoas a viram, e de fato, não se sabe ao certo se ela realmente existe no santuário. Os sacerdotes xintoístas do santuário se recusam a exibi-la, e a maioria deles nunca viu a espada em si, apenas sua caixa.


Diz-se que aqueles que contemplaram a espada sofreram grande infortúnio, como foi o caso do sacerdote xintoísta Matsuoka Masanao e alguns companheiros, que afirmaram tê-la visto furtivamente enquanto recolocavam a caixa da espada durante o período Edo. Embora tenham conseguido descrever que a caixa de madeira continha outra caixa de pedra revestida de ouro, bem como a aparência da própria espada, com uma lâmina em forma de folha de cálamo com cor branca metálica, todos que a viram supostamente adoeceram violentamente e morreram, sendo Matsuoka o único sobrevivente. Esta é a última vez que se tem notícia de que a espada foi vista fora de sua caixa, e mesmo dentro dela raramente é avistada. Aparentemente, a última vez que esta caixa foi vista por alguém foi durante a cerimônia em que o Imperador Akihito ascendeu ao trono imperial em 1989.

Embora o santuário de Atsuta seja o local de repouso mais aceito atualmente para a Kusanagi-no-Tsurugi, sua existência ainda é questionada e existem outras histórias que falam de destinos diferentes para a espada lendária. De acordo com alguns relatos, como um de uma coleção de histórias históricas chamada "O Conto de Heike", a espada se perdeu no mar quando o Imperador cometeu suicídio, atirando-se ao mar com ela nos braços após uma derrota em uma batalha naval em 1185, durante a Batalha de Dan-no-ura. Outra história conta sobre um monge visitante traiçoeiro que roubou a espada e, em seguida, deixou seu navio afundar durante a fuga. Nessa versão dos eventos, a Kusanagi-no-Tsurugi teria sido encontrada em uma praia em Ise, onde foi acolhida por sacerdotes locais e depois desapareceu no desconhecido. Por sua vez, o governo japonês nunca confirmou nem negou nenhuma dessas histórias, nem mesmo se a misteriosa espada realmente existe.

É difícil dizer se alguma dessas espadas realmente possuía os supostos poderes ou maldições que lhes foram atribuídos. Muitas dessas histórias têm um fundo de verdade que se entrelaçou tanto com a lenda e o mito que é difícil separar os dois, e mesmo relatos históricos relativamente confiáveis ​​da época nem sempre são claros sobre o quanto foram influenciados pelo folclore. Ainda assim, esses contos e relatos oferecem um olhar fascinante sobre o mundo das supostas espadas mágicas e a história desses objetos dentro do folclore japonês. Se seus poderes eram reais ou não, nossa fascinação por essas histórias e por sua natureza intrigante e misteriosa certamente existe.

Mas há mais maldições, além das espadas na cultura do Japão. Além de objetos como caixas de quebra-cabeça, pinturas, brinquedos e espadas, algumas coisas amaldiçoadas no Japão estão ligadas a um lugar específico. Localizado nos jardins do Castelo de Himeji, na província de Hyogo, encontra-se um poço octogonal peculiar, cercado por 32 pilares de pedra dispostos em um padrão. Além de sua aparência única, o poço é envolto em lendas assustadoras. 


Diz-se que o poço é a prisão de uma mulher espectral conhecida apenas como "Okiku", presa a ele por uma maldição, e que ela sai do poço todas as noites para vagar pelos jardins do castelo. Existem diferentes histórias sobre como ela chegou lá, mas talvez a mais popular seja a de que ela era uma criada na propriedade de um samurai e que rejeitou suas investidas frequentes. Depois disso, o samurai alegou que lhe faltava um dos 10 valiosos pratos decorativos, e que ela o havia roubado, sendo a pena a morte. A jovem procurou por toda parte o décimo prato, mas não o encontrou. Enquanto isso, o samurai lhe disse que a pouparia se ela se tornasse sua amante. Okiku recusou, e, enfurecido, o samurai a atirou no poço do Castelo de Himeji, matando-a. A maioria das versões diz que o prato foi intencionalmente escondido ou quebrado pelo próprio samurai para manipulá-la, ou pela esposa dele em busca de vingança. De qualquer forma, a alma de Okiku ficou presa ao poço após a morte, buscando para sempre o décimo prato perdido.

Diz-se que Okiku é geralmente inofensiva, mas, em algumas ocasiões, ela se torna sinistra. A versão principal da história conta que, se alguém desagradar Okiku, ou se essa pessoa se parecer com o samurai que a matou ou com sua esposa, ela começará a contar até chegar a nove (o número de pratos), após o que gritará, saltará do poço e aterrorizará a vítima. Se a vítima não deixar o local imediatamente, supostamente sofrerá alguma grande desgraça, acidente ou morte. A única maneira de combater essa versão desequilibrada de Okiku é gritar "Dez!" (referindo-se ao prato que falta e que a colocou nessa situação) no momento exato em que ela estiver contando. Se isso for feito no momento certo, ela a deixará em paz. Além da aparição de Okiku, o poço também supostamente evoca sentimentos de desânimo, pavor e até mesmo terror absoluto em quem se aproxima. Até hoje, o poço está aberto a visitantes, então talvez valha a pena uma visita para conferir pessoalmente e tirar suas próprias conclusões.

Além do poço amaldiçoado, o Japão também possui pilares malditos. Diz-se que, antigamente, uma prática conhecida como hitobashira, literalmente "pilares humanos", era por vezes utilizada na construção de muros, castelos, túneis e pilares. Humanos eram enterrados vivos dentro das estruturas, acreditando-se que isso as tornaria mais resistentes e duráveis, além de criar uma ligação entre humanos e deuses, já que se dizia que divindades podiam ser consagradas dentro de pilares e postes. Outra crença persistente era a de que as almas daqueles que se sacrificavam para serem sepultadas nessas estruturas poderiam servir como espíritos guardiões contra forças sobrenaturais malignas.

Existem inúmeros relatos dessa prática ao longo da história japonesa, e muitas escavações nesses locais revelaram ossos e crânios humanos nas ruínas, frequentemente em pé, o que alimenta ainda mais as lendas. Em Hokkaido, existe o Túnel Jomon, construído em 1914, que passou por reparos após um grande terremoto. Para surpresa das equipes de construção, eles teriam encontrado inúmeros esqueletos em pé dentro das estruturas de concreto. Há muitas histórias semelhantes por todo o Japão, com um grande número de construções que supostamente utilizam esses pilares humanos, e alguns afirmam que, às vezes, os nomes daqueles ali enterrados estão gravados nas construções macabras.

As lendas que cercam esses pilares sempre envolvem sons, ruídos e sussurros que são ouvidos em determinadas noites. Supostamente, são as almas, aprisionadas nos pilares de sustentação chamando e relatando a tragédia de suas existências. Há inúmeras lendas relatando experiências desagradáveis de pessoas entrando em um lugar com tais colunas e sentindo a presença sobrenatural. Em alguns relatos esses espíritos desejam apenas partilhar suas histórias e infortúnios, mas em certas narrativas, as almas aprisionadas podem ser muito mais cruéis, sendo capazes de agarrar e encantar suas vítimas, fazendo com que percam a razão e se tornem obcecadas pelas construções. Em alguns casos, as histórias terminam com o suicídio da pessoa encantada, sempre diante de um desses pilares malditos. 


Algumas dessas histórias assustadoras têm um toque inegavelmente paranormal, como o caso do Castelo de Matsue, do século XVII, na província de Shimane. Segundo a lenda, as estruturas de pedra do castelo eram propensas a desabar, o que levou os construtores a encontrarem uma bela jovem, que eles então atraíram e selaram dentro das muralhas. Infelizmente para eles, diz-se que o espírito vingativo da mulher passou a assombrar o local desde então. O espírito atormentado por essa injustiça seria tão forte que era capaz de causar terremotos e fazer toda estrutura vibrar.

Em outra história semelhante, uma velha foi enganada e transformada em um pilar humano com a promessa de que seu filho se tornaria um samurai em troca. Eles cumpriram o acordo e ela se tornou um pilar do Castelo de Maruoka, na província de Fukui, mas os construtores renegaram a promessa. Isso aparentemente enfureceu o espírito da velha, pois ela supostamente foi responsável por causar inundações frequentes no fosso ao redor do castelo. Embora a existência desses pilares humanos seja tratada principalmente como um mito, a história, sem dúvida é muito curiosa.

Casos como esses mostram que o Japão é realmente um lugar misterioso, com coisas estranhas à espreita na periferia de nosso conhecimento. Coisas sobre as quais podemos apenas especular. Alguma dessas histórias são verdadeiras outras são passam de lendas elaboradas criadas com o propósito de assustar e maravilhar os ouvintes. Seja como for, todas essas lendas contribuem para criar uma bizarra tapeçaria sobre a Terra do Sol Nascente.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Japão Sinistro - Três Objetos Macabros e Malditos da Terra do Sol Nascente


É inquestionável que o Japão é uma terra ancestral repleta de lendas e folclore. 

Mais do que isso, é um lugar permeado pelo sobrenatural com uma infinidade de lendas sobre fantasmas, espíritos, assombrações e vários tipos de demônios. Dentre todas essas histórias, encontramos muitos contos envolvendo objetos amaldiçoados, que abrigam poderes sombrios além da nossa compreensão. 

O Japão tem muitas lendas e aqui veremos alguns dos objetos mais estranhos da Terra do Sol Nascente. Veremos peças raras, objetos estranhos e coisas amaldiçoadas, assombradas ou ambos.

AS MALIGNAS CAIXAS KOTORIBAKO


Começamos com a sinistra lenda de um objeto amaldiçoado que à primeira vista parece ser algo básico e inofensivo. Mas nada pode estar mais longe da verdade. Estas simples caixas de madeira, supostamente foram imbuídas com magia negra do pior tipo. Chamadas de kotoribako esses objetos se apresentam como pequenas caixas de madeira, geralmente adornadas com entalhes, desenhos incrustados e símbolos arcanos em suas tampas. Elas medem algo entre 20 a 30 centímetros de comprimento e pesam algumas poucas gramas.

Como uma caixa pode ser tão perigosa é o que veremos a seguir...

Segundo a lenda, a caixa é difícil de abrir, tendo uma tranca complexa bastante intrincada. Como ocorre com essas caixas, obviamente há um truque que permite a ela abrir facilmente quando desvendado. Pode parecer algo mundano até aqui, mas, uma vez aberta, a caixa supostamente libera uma poderosa maldição sobre suas vítimas desavisadas. A kotoribako é geralmente criada para atingir um inimigo específico contra quem seu criador nutre rancor. Um símbolo representando a pessoa que se deseja atingir é colocado na tampa. A caixa é simplesmente deixada próxima do alvo para que ele a encontre e uma vez aberta, libera sua devastadora magia. 

Os efeitos da maldição da kotoribako se manifestam imediatamente, com a vítima experimentando um surto de tontura, náusea e desconforto. Esses sintomas progridem rapidamente e a vítima então passa a vomitar sangue e sentir seu corpo perder vitalidade a medida que órgãos internos se rompem ou até mesmo se liquefazem. Se a caixa permanecer nas proximidades do alvo, a pessoa morrerá de forma agonizante em até 24 horas após a exposição. 

Costuma-se dizer que as kotoribako têm um número determinado de cargas, ou seja, de vezes que podem ser usadas, e que a cada uso subsequente seus poderes diminuem até se tornar uma caixa de madeira inerte e comum, que geralmente é levada a um santuário para passar por um ritual de purificação, garantindo que esteja livre de toda sua energia negativa. 

Em algumas versões da história, a caixa mantém seus poderes sombrios e é passada de geração em geração, com a família ou santuário que a detém realizando rituais elaborados e seguindo protocolos de armazenamento para contê-la. Ou seja: ela jamais deixa de ser um perigo e seu mal, quando muito, pode ser atenuado.

As origens das caixas kotoribako remontam à era Meiji do Japão (um período compreendendo entre 1869 e 1912). Segundo a lenda elas surgiram depois que um grupo de dissidentes deixou a Província de Shimane para escapar da perseguição do governo. Conta-se que um dia um misterioso estranho chegou à vila em busca de abrigo, fugindo ele próprio de uma revolta nas ilhas Oki. O homem era um feiticeiro e desejava se vingar dos seus inimigos. Em troca de proteção, o feiticeiro ensinou aos moradores de um vilarejo como criar esse poderoso objeto amaldiçoado. Eles então começaram a confeccionar o que viriam a ser conhecidas como as primeiras caixas kotoribako.

A construção da caixa não é nada agradável e inclui rituais bizarros. 

Uma vez confeccionada de forma convencional com madeira nobre, a caixa é preenchida com o sangue coletado de uma jovem virgem. Ela é deixada em repouso por uma semana de preferência exposta à luz da Lua cheia. Depois disso, é necessário que sejam feitos sacrifícios humanos, geralmente de crianças recém-nascidas, sendo o número de sacrifícios dependente do alvo pretendido e da potência desejada. Segundo a tradição um kotoribako exige de um a oito sacrifícios humanos. A caixa recebe símbolos arcanos especiais e é submetida a diferentes rituais para completar o processo de criação. 

Segundo a lenda, os aldeões que receberam o segredo logo perceberam o quão perigosas essas caixas podiam ser e juraram não criar outras, mas isso aparentemente não impediu que algumas pessoas inescrupulosas repassassem secretamente os segredos para a criação do kotoribako, sempre zelosamente guardados.

Não há um consenso à respeito de quantas caixas kotoribako foram criadas ao longo dos anos, nem quantos ainda existem, mas há relatos de santuários e famílias que afirmam possuir algumas, às quais são mantidas em segredo e longe dos olhos do público.

O último registro histórico de uma kotoribako data de 1910, quando uma caixa foi oferecida a um chefe militar com o objetivo de matá-lo. Ele descobriu a natureza da caixa e não a abriu... posteriormente ela foi doada ao Museu Histórico e de Arte da cidade de Osaka. E não, ela jamais foi aberta. 

A PINTURA DE HIKARU SAN


Um tipo de objeto amaldiçoado paranormal são as pinturas assombradas que se espalharam ao redor do mundo e que encontraram seu caminho até o Japão. O país abriga ao menos uma dessas pinturas que é bastante conhecida e temida. Em 1970, essa tela foi pendurada na Universidade de Matsuyama, na província de Ehime

À primeira vista ela parece bastante normal, embora um pouco sinistra. Intitulada Shojo ou "Garota", ela também é conhecida como a "Pintura de Hikaru San", devido à assinatura de "Hikaru Sato" no verso. Trata-se de uma tela a óleo que retrata uma jovem de longos cabelos negros, vestindo uma blusa amarela, sentada em uma cadeira e olhando para um ponto ligeiramente à direita do observador. Não é uma pintura particularmente bem executada e de fato, parece bem convencional. No entanto, essa pintura tornou-se infame como uma das mais amaldiçoadas telas do mundo.

Segundo os rumores, assim que a pintura foi exposta se iniciaram os estranhos relatos sobre ela. Um dos primeiros rumores foi que os olhos da mulher retratada seguiam os observadores, ou que sua expressão facial e a postura mudava sutilmente. Parece algo inofensivo, mas não demorou muito para que surgissem rumores de que pessoas que examinavam a pintura com atenção, posteriormente relatavam incidentes inexplicáveis. Ela seria a causadora de muitos infortúnios: doenças, acidentes e até mesmo mortes. Diziam ainda que se alguém tocasse a pintura, perderia o membro. Histórias espetaculares contam que a garota na pintura às vezes saía da tela para andar por aí à noite, e persistia um conto de como alguns estudantes universitários assustados tentaram destruir a tela com fogo, apenas para encontrar a pintura milagrosamente restaurada no mesmo lugar na manhã seguinte. 

Mas o pior, sem dúvida, eram os acidentes horríveis e bizarros. Supostamente pessoas morreram atropeladas, afogadas, sufocadas, caíam de sacadas ou foram alvejadas em acidentes bizarros. Uma pessoa teria morrido ao ser sugada pela hélice de um barco, outra foi picada por abelhas até a morte e uma terceira sofreu um ferimento mortal decorrente de um disparo de arpão que estava sendo limpo. Os estranhos incidentes estavam relacionados a alguém ligado à pintura.  

A obra assustou as pessoas por quase uma década antes de ser removida e trancafiada em um depósito na universidade. Depois disso, a atividade paranormal alegadamente cessou.

Há muito debate sobre as origens da pintura e por que ela pode ser considerada amaldiçoada, assombrada ou ambas as coisas. Não se sabe se "Hikaru" é o nome da mulher retratada ou do pintor, já que esse nome pode ser usado tanto para homens quanto para mulheres no Japão. Aparentemente não há registros da universidade sobre como a obra foi adquirida ou quando. A história mais popular é que a jovem retratada era a parceira romântica do pintor e que ela morreu pouco depois de concluído o quadro. Nessa versão, seu espírito teria sido transferido para a pintura, onde continuaria a guardar rancor por ter sido aprisionada ali. Outra versão da história conta que a retratada foi acidentalmente presa no porão da universidade, onde morreu. Sua alma se transferiu para o retrato carregando uma maldição vingativa conhecida como ju-on no japão. 

De tempos em tempos vem a superfície histórias sobre esse quadro maldito e ele continua atraindo a atenção.

RIKKA CHAN e OUTRAS BONECAS DIABÓLICAS


Outro objeto amaldiçoado e aparentemente malévolo tem suas origens na década de 1960 e se apresenta na forma de um brinquedo infantil. Uma linha de brinquedos popular entre meninas no Japão, até os dias atuais, é a das bonecas "Rikka Chan". Basicamente, são bonecas de plástico que vêm com várias roupas e acessórios, e são mais ou menos uma versão japonesa das bonecas Barbie do Ocidente. A história conta que, em 1967, o fabricante das bonecas criou acidentalmente algumas bonecas com o defeito de terem três pernas em vez das duas padrão, e que essas bonecas Rikka Chan de três pernas foram, por algum motivo, amaldiçoadas.

Ao longo dos anos, surgiram muitas versões sobre o que poderia acontecer ao encontrar uma boneca Rikka Chan de três pernas. A boneca geralmente se comporta como a maioria das bonecas assombradas, mudando de posição, desaparecendo e reaparecendo em diferentes partes da casa ou andando pela casa à noite. De forma ainda mais sinistra, diz-se que as bonecas amaldiçoadas sussurram coisas assustadoras para seus donos, como "Eu sou Rikka Chan e sou amaldiçoada", além de causar pesadelos vívidos e horríveis. A verdadeira maldição se manifesta se alguém tentar jogar fora ou se desfazer da boneca maldita. Se ela for retirada da casa ou deixada em algum lugar, retornará, às vezes até telefonando para o dono para anunciar que está voltando, após o que apresentará um comportamento mais violento ou o dono se envolverá em um infeliz "acidente". 

Se alguém tentar destruir a boneca, isso eventualmente resulta numa morte horrível. Aparentemente, o único recurso é tentar conter a boneca maligna levando-a a um santuário para um ritual de purificação, mas dizem que nem sempre este funciona. Não se sabe quantas bonecas Rikka Chan de três pernas ainda existem por aí, ou mesmo se elas realmente existiram, mas tornou-se uma lenda urbana persistente no Japão.

Ainda falando de bonecas amaldiçoadas, temos o bizarro e enigmático ritual japonês chamado Ushi no Koku Mairi, que se traduz aproximadamente como "Uma visita ao santuário na hora da raposa", geralmente entre 1 e 3 da manhã, uma espécie de "hora das bruxas" no Japão. O ritual em si é aparentemente praticado desde tempos imemoriais e envolve o uso de um tipo de boneca amaldiçoada feita de palha trançada, chamada waraningyo, usada para atingir inimigos ou desafetos. Esta boneca representa a pessoa a quem se deseja causar infortúnio ou mesmo a morte. Ela deve ser feita pelas próprias mãos da pessoa que deseja causar o mal.

Semelhante a uma típica boneca vodu, a waraningyo leva em seu interior algum objeto pessoal da pessoa a ser amaldiçoada, como cabelo, pele, sangue ou lascas de unhas, embora uma fotografia também seja considerada eficaz. O criador da boneca deve então vestir um traje tradicional específico, composto por um quimono branco, um espelho no peito, um chapéu chato, três velas acesas nas pernas e um pente de madeira preso entre os dentes. A boneca é levada a uma das árvores encontradas em santuários xintoístas, chamadas shinboku, e pregada a ela com longas estacas de ferro conhecidas como gosunkugi. Algumas dessas árvores sagradas em santuários famosos são cobertas com inúmeras cicatrizes de séculos de pregos cravados nelas por aqueles que executavam a maldição.

Durante todo o processo, existem certas regras que precisam ser obedecidas. A mais importante é que ninguém deve ser visto ou ouvido realizando o ritual sombrio, pois diz-se que isso fará com que a maldição sinistra retorne diretamente para quem a lançou, a menos que a testemunha seja morta. Isso é tão essencial e sério que se diz que, antigamente, aqueles que realizavam o ritual costumavam carregar uma faca ou espada consigo com o propósito de matar qualquer um que porventura se deparasse com seu ato macabro. O ritual também só pode ser realizado na hora da raposa, e há uma ordem específica para martelar os pregos na boneca, com o prego na cabeça por último. Embora existam inúmeras variações do ritual, esses detalhes são, em sua maioria, consistentes.

O suposto procedimento também varia. Dependendo da tradição local, a maldição pode ser realizada de uma só vez ou deve ser feita ao longo de várias noites, e os efeitos podem variar muito. Algumas tradições afirmam que essa maldição fará com que a pessoa adoeça gradualmente e morra de alguma doença, que ela terá azar ou que simplesmente cairá morta quando o último prego for cravado na cabeça de sua efígie. Outros dizem que o alvo será assombrado por um espírito vingativo, um demônio ou até mesmo um deus, ou kami. O ritual Ushi no Koku Mairi é levado bastante a sério no Japão e, independentemente de funcionar de fato ou ser apenas uma lenda urbana, aparentemente ainda existem leis para punir e processar qualquer pessoa flagrada tentando realizá-lo.

É incrível como tradição e folclore se fundem para criar estranhos e incomuns costumes. Mas estes são apenas alguns do Japão Sinistro, na sequência deste artigo, veremos outros.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Perdidos na Selva - Encontros com Tribos Desconhecidas: O Povo Pálido e os lendários Mayoruna

Continuando nosso artigo sobre tribos perdidas na Amazônia.

Além das tribos misteriosas de supostos não-humanos nas profundezas das selvas brasileiras, uma outra lenda persiste desde os tempos dos missionários espanhóis do século XVI. Os religiosos que chegaram à região amazônica relataram encontrar tribos de nativos altos, de pele e cabelos claros, olhos azuis e aparência decididamente caucasiana, que viviam nas áreas mais remotas e inacessíveis da selva. 

Um dos primeiros relatos de encontros com essas pessoas misteriosas foi feito pelo missionário dominicano espanhol Gaspar de Carvajal, que escreveu em 1542 sobre ter encontrado um grupo de mulheres tribais muito altas, muito brancas, de aparência europeia, que usavam seus longos cabelos loiros trançados e enrolados na cabeça. O relato foi incluído em seu livro "Relato da Recente Descoberta do Famoso Grande Rio".

Outro famoso relato sobre tribos amazônicas brancas é consideravelmente mais recente e vem do explorador americano Alexander Hamilton Rice, que viajou pela Amazônia em uma expedição entre 1924 e 1925. Rice realizou a maior parte de sua exploração usando hidroaviões que sobrevoavam a selva e pousavam em rios e lagoas. Ao retornar de uma dessas expedições, ele contou a história de um de seus companheiros exploradores, o Tenente Hinton, que avistou uma tribo de índios brancos enquanto sobrevoava as nascentes do Rio Parima.

Intrigado, Rice organizou uma viagem de canoa rio acima para tentar descobrir a origem dos misteriosos nativos brancos. Por fim, localizaram uma cabana que se acreditava pertencer aos índios brancos e ouviram uma série de gritos agudos que assustaram alguns dos membros da expedição e deixaram o grupo restante nervoso a ponto de pegar em armas. Foi então que dois nativos brancos saíram da floresta, aparentemente em paz.

Os supostos índios brancos da Amazônia

Esses nativos foram descritos como tendo pigmentos pintados no rosto que obscureciam suas feições, mas eram considerados "inegavelmente brancos". Os dois pareciam frágeis e desnutridos, não usavam roupas e carregavam arcos com flechas com pontas envenenadas. Falavam em uma língua única, desconhecida de qualquer outra tribo, o que dificultava a comunicação. Quando os membros da expedição ofereceram contas e lenços como presentes, os dois membros da tribo teriam gritado para a selva, o que fez com que mais nativos de pele clara saíssem de seus esconderijos.

A esses estranhos nativos foi oferecida comida, mas esta foi recusada. Aparentemente eles preferiam se alimentar apenas da comida que haviam trazido e que era carregada em bolsas feitas de folha de bananeira. Durante o encontro, a estranha tribo não demonstrou nenhum interesse ou admiração particular pelas roupas, equipamentos, armas ou hidroavião dos ocidentais. A expedição fez esforços para tentar se comunicar com a tribo, mas a barreira da língua dificultou a comunicação e, depois de um tempo, os índios brancos desapareceram na floresta, movendo-se "entre as árvores como onças, sem fazer barulho ou farfalhar as folhas".

A década de 1920 foi, de fato, um período de muitos encontros estranhos e os misteriosos nativos de pele branca, aparecem com frequência nos relatos de aventureiros que estiveram vagando pela região amazônica. O já mencionado Coronel Percy Fawcett estava convencido de que essas pessoas eram habitantes de uma cidade mística perdida nas profundezas da selva, um lugar que ele chamava simplesmente de "Z". Ele estava tão certo de que essa cidade e seu povo existiam, que a sua busca chegou às raias da obsessão. Fawcett acabaria penetrando cada vez mais longe na selva. Sua derradeira expedição em busca da cidade de Z ocorreu em 1925 e resultou em seu desaparecimento da face da Terra. Nenhum vestígio dele ou de seus companheiros jamais foi encontrado.

Relatos e encontros com nativos brancos na Selva Amazônica continuaram sendo relatados esporadicamente na década de 1940. Em 1945 o jornalista britânico Harold T. Wilkins assumiu a responsabilidade de compilar uma variedade de relatos que remontam ao século XVI em seu livro "Mistérios da Antiga América do Sul". A obra, bastante sensacionalista mencionava tribos de homens e mulheres brancas que habitavam as regiões mais ermas da floresta, sobrevivendo como uma tribo fechada que não se misturava com os demais indígenas. Ele os chamava de Tapicha Moroti, que no idioma tribal tupi significa Povo Pálido.

Esse povo pálido teria como característica marcante justamente a pele de cor clara, praticamente caucasiana, altura superior com média de 1,70, além de olhos e cabelos de compleição clara. Essa tribo, segundo Wilkins seria de descendentes de colonos vindos de terras distantes, possivelmente do norte da África milênios atrás, um grupo de exploradores que teria se perdido nessa região inóspita, adotando o estilo de vida dos nativos. Outra teoria controversa era de que esses nativos seriam os descendentes de alguma civilização desaparecida, tragada pelas águas que se espalharam pelo mundo em uma diáspora que se seguiu a um apocalipse. As lendas da Lemúria, de Mu e da legendárias Atlântida permeavam essas teorias que por sua vez se amparavam nas ideias teosóficas de Helena Blavatsky.


Mesmo nos tempos modernos, houve relatos de encontros com essas tribos enigmáticas. Em 1977, uma expedição conjunta britânica/brasileira relatou ter sido cercada por uma tribo de nativos loiros, incomumente altos, com olhos azuis e pigmentação notavelmente branca, alguns dos quais tinham barba espessa. Todos estavam nus e falavam um dialeto que nenhum especialista jamais ouvira antes. Essas pessoas eram chamadas de Acurinis e foram novamente encontradas por outra expedição na mesma região em 1979. Neste caso, os misteriosos homens da tribo foram vistos apenas brevemente antes de desaparecerem no mato.

Abundam teorias sobre o que poderia estar por trás desses encontros surpreendentes. Uma das teorias é que esses nativos poderiam ser descendentes de náufragos, vikings, exploradores perdidos ou mesmo missionários ocidentais que voluntariamente deixaram a civilização para trás para viver entre os nativos, que os absorveram. De fato, há a crença de que o próprio Percy Fawcett tivesse se convertido em um nativo e que seus descendentes e dos membros de sua expedição, poderiam explicar a existência de nativos de pele clara. 

Nos últimos anos, uma tribo chamada Aché, conhecida por ter pele, cabelos e olhos claros e barbas espessas foi encontrada por uma expedição. Embora tenha sido demonstrado que eles não tinham evidências genéticas de terem se misturado com europeus, sua aparência única sugeria que eles seriam a fonte de pelo menos alguns dos relatos. É improvável que algum dia saibamos com certeza as origens precisas desse mistério.

Um relato bastante peculiar que vem das terras selvagens da Amazônia é o de um explorador intrépido que chegou aqui em busca de mistérios e logo encontraria mais do que esperava, embarcando em uma jornada que incluiria tribos perdidas e isoladas e estranhos poderes da mente. Loren McIntyre foi um explorador, fotojornalista e escritor para publicações conceituadas como National Geographic, Time, Life, Smithsonian, entre outras. 

Ele foi, em muitos aspectos, uma espécie de Indiana Jones da vida real, dedicando grande parte de sua vida a explorar obstinadamente os confins impenetráveis ​​da floresta amazônica. De fato, foi ele o primeiro a descobrir a nascente do Rio Amazonas, quando realizou uma expedição com esse objetivo em 1971. McIntyre faria história ao descobrir que o maior, mais longo e mais caudaloso rio do mundo nascia com um escoamento de neve em uma montanha nos Andes peruanos chamada Mismi. O explorador traçou o curso do rio de sua nascente até onde ele desaguava, através de uma jornada sinuosa por algumas das regiões selvagens mais remotas da Terra. No entanto, embora a expedição tenha se concentrado na origem do Amazonas, certamente esta não foi a sua única descoberta. Durante outra expedição ele teria um encontro inesperado, que ele guardaria para si por anos.

Os Matsés, seriam parentes dos Mayoruna

Em 1969, McIntyre embarcou em uma excursão às profundezas inexploradas da selva amazônica brasileira. Seu alvo era uma tribo pouco conhecida, os Mayoruna, parentes dos Matsés, tão esquivos que nunca haviam sido contatados com sucesso por estrangeiros. Quase nada se sabia sobre essa tribo enigmática vislumbrada apenas fugazmente por algumas testemunhas oculares. Eram como fantasmas, e McIntyre tinha pouco em que se basear quando adentrou o perigoso Vale do Javari, na fronteira entre o Brasil e o Peru. Mal sabia ele que seriam os Mayorunas que o encontrariam.

À medida que o explorador avançava pela selva desconhecida ele acabou percebendo que estava irremediavelmente perdido. Sua jornada se transformou em uma peregrinação à esmo pela perigosa região selvagem que ele imprudentemente havia invadido sozinho. Ele começou a se conformar com o fato de que poderia acabar se tornando mais um explorador perdido, como seu ídolo de infância, Percy Fawcett. Para tornar a jornada ainda mais sinistra, McIntyre se deparou com uma clareira repleta de corpos do que pareciam ser lenhadores, meio devorados por formigas e com flechas saindo de seus cadáveres inchados.

Essa descoberta sinistra fez com que o explorador observasse atentamente as árvores enquanto vagava sem rumo, meio que esperando que a morte o alcançasse a qualquer momento. Parecia certo que ele nunca veria a civilização novamente. Foi nesse momento desesperador que algumas figuras saíram da floresta à sua frente. Era, altos, tinham espinhos cravados no rosto, colares feitos de ossos humanos e lanças compridas. Olhavam para ele com uma mistura de desconfiança e surpresa, mas não demonstraram agressividade. Eram sem dúvida os Mayoruna, e aquele era o mais perto que qualquer forasteiro já chegara deles. Pelo menos qualquer um que ainda estivesse vivo.

O explorador ofereceu alguns presentes que havia trazido para o caso de realmente fazer contato. De sua bolsa, tirou tecidos e espelhos, que colocou diante dos homens da tribo, que os observavam com expressões inescrutáveis ​​em seus rostos perfurados. Eles se aproximaram para aceitar os presentes e então pareceram acenar para que ele os seguisse pela floresta. O cansado McIntyre cambaleou atrás de seus guias, mal conseguindo acompanhar sua ágil navegação pela selva, e assim começaria o próximo capítulo de sua estranha aventura.


O grupo chegou ao que parecia ser um acampamento improvisado habitado por outros membros da tribo, que demonstravam curiosidade com aquele estranho. Retiraram suas botas e as queimaram até virar cinzas, seu relógio, que acharam fascinante, também acabou destruído. De fato, a maioria de seus pertences seria roubado ou destruído, inclusive sua câmera. Embora não tenha havido agressão direta contra ele, havia alguns lembretes sombrios de que ele estava em grande perigo. McIntyre alegou que a tribo usava adereços feitos de ossos humanos, tinham cordas de tendões e que bebia água em cabaças de crânios. Eles também estavam muito bem armados e nunca se afastavam de seus arcos e lanças. Um membro da tribo, sem dúvida um guerreiro, com o rosto pintado de vermelho, a quem ele apelidou de "Bochecha Vermelha", começou a ameaçá-lo e a encará-lo com uma expressão furiosa.

McIntyre ficou com essa tribo perdida por dois meses e, durante esse tempo, fez muitas observações. Percebeu que eles estavam em constante movimento, mudando-se para um novo acampamento a cada semana, às vezes repentinamente e sem aviso. Tinham um estilo de vida nômade, típico de caçadores-coletores. Também pareciam não ter noção de posses individuais, compartilhando livremente tudo uns com os outros e pegando ou usando o que quisessem sem repercussões. Ainda mais estranho, ele notou que essas pessoas frequentemente se moviam de forma bastante bizarra em sincronia, sabendo o que os outros fariam sem precisar falar uns com os outros. Por algum tempo, ele ponderou sobre essa anomalia, mas logo descobriria que a explicação era muito mais estranha do que qualquer coisa que ele tivesse imaginado.

Um dia, ele foi abordado por aquele que supôs ser o chefe da tribo, um homem mais velho, musculoso e grisalho, tratado com respeito pelos demais. Quando o chefe se aproximou e falou com McIntyre, o explorador descobriu que, estranhamente, conseguia entender o que ele tinha a dizer. Isso o deixou perplexo, mas logo ele percebeu que o chefe não movia a boca ao falar, e que estava falando diretamente em sua mente, usando o que ele supôs ser uma espécie de telepatia! Mais tarde ele chamaria essa forma de comunicação não verbal de "transmissão" ou "a outra língua".

O ancião explicou que a tribo existia como uma espécie de consciência coletiva e que seus pensamentos estavam todos interligados, embora apenas os anciãos da tribo fossem capazes de concentrar esse poder telepático. McIntyre aprendeu que não havia um "eu" real na tribo, para eles, o conceito de indivíduo fazia pouco sentido. O chefe também explicou que eles estavam sob constante ameaça de inimigos e que essa era a razão pela qual a tribo se mudava com frequência. Os nativos procuravam sua terra natal onde tencionavam viver, mas eles não sabiam onde ela ficava. Chamavam esse lugar de "O Início" e diziam que era uma terra mística onde os antepassados dos Mayoruna nasceram e para onde seus espíritos migravam.

O fluxo do tempo, passado, presente e futuro, ao mesmo tempo.

O chefe convidou McIntyre para acompanhá-los em sua jornada rumo ao “Início” e, nas semanas seguintes, ele os seguiu  e se envolveu nos seus estranhos ritos. O explorador partilhou de misturas psicoativas extraídas de ervas e raízes que distorciam suas percepções. Ele alegou ter visões de cenas de seu passado e futuro, vistas com inacreditável realidade. Era como se aquelas drogas tivessem aberto sua percepção para um fluxo de tempo que poderia ser visitado. Era como viajar no espaço e no tempo sem sair do lugar, uma experiência que deixou o explorador estarrecido.

Ele também descobriu que, se se concentrasse, poderia captar uma espécie de névoa estática que continha os pensamentos interligados de todos os membros da tribo. Era como pressentir emoções e pensamentos alheios. No entanto, apesar de tudo aquilo, ele sabia que em algum momento teria que deixar para trás aquela selva para retornar à civilização. O único problema era que o explorador não tinha ideia de onde estava e se os seus novos companheiros o deixariam partir. Ele não tinha ilusões de que era um prisioneiro e que eles poderiam matá-lo se tentasse fugir. 

Contudo, o destino se encarregou de dar uma ajuda. Uma enchente varreu a região após chuvas torrenciais, e McIntyre aproveitou a chance para escapar agarrado a uma balsa, despejada no rio. Ele foi encontrado dias depois por madeireiros que o levaram de volta a um vilarejo de onde conseguiu contato com a civilização que já o havia dado como morto. Haviam se passado três meses desde seu desaparecimento.  

Ao retornar McIntyre manteve o que lhe aconteceu em segredo e é bem provável que sua história fantástica jamais fosse partilhada se não fosse por um cineasta romeno chamado Petru Popescu. Em 1987, Popescu conheceu McIntyre por acaso durante uma viagem de barco pelo Rio Amazonas. Os dois homens se deram bem e, por algum motivo McIntyre confidenciou a ele o que havia acontecido na selva. Foi tudo bastante surpreendente, e quando Popescu perguntou por que ele nunca havia contado a ninguém sobre isso, McIntyre disse que não achava que alguém acreditaria na história. Sua reputação como um respeitado explorador poderia ser arranhada por uma narrativa tão surreal que incluía telepatia e viagens no tempo.

Popescu conseguiu convencer McIntyre a deixá-lo escrever um livro sobre suas aventuras e, em 1991 ele lançou "O Encontro", obra que narrava os acontecimentos ocorridos décadas antes e cobria o período do explorador na companhia dos misteriosos Mayoruna. A obra dividiu opiniões e atraiu a atenção de místicos que apontaram as experiências como uma demonstração da sabedoria da floresta. 

Uma das últimas fotografias de Loren McIntyre

Quanto à tribo não se soube mais nada! 

Ela desapareceu nas profundezas da Selva e o próprio McIntyre disse que por um pressentimento sentia que eles não estavam mais acessíveis - se morreram, desapareceram ou chegaram ao "Início", ele não soube precisar. Na sua concepção, era como se eles tivessem sumido. Na sua opinião ninguém os encontraria e expedições de busca jamais teriam êxito. Os Mayoruna nunca foram formalmente achados, embora relatos a respeito de sua existência tenham sido colecionados por exploradores que entrevistaram nativos da região. 

Loren McIntyre faleceu em 2003 sem emitir mais opiniões sobre os acontecimentos na década de 1970 ou a tribo com a qual ele andou. Ele afirmava saber exatamente quando e em que circunstâncias morreria, graças às drogas que tomou nos rituais que abriram sua mente para essa visão. Surpreendentemente ele disse a amigos que sua morte estava próxima, cerca de 2 meses antes dela ocorrer de fato. 

É difícil conceituar a estranha narrativa de McIntyre, mas a despeito de sua confirmação, inegavelmente trata-se de algo fantástico. O livro de Popescu, baseado nas entrevistas que ele conduziu, funciona como uma janela para conhecer essa tribo desconhecida, seus costumes e rituais, mas a verdade sobre a sua existência de fato, isso, provavelmente, jamais saberemos.

quarta-feira, 26 de março de 2025

Os Ressurretos - Vida, Morte e Ressurreição ao redor do mundo

Concluindo nosso artigo sobre a Ciência da Ressurreição e casos de pessoas que voltaram à vida.

A partir da década de 1950, uma nova forma de ressuscitar os mortos fez sua primeira aparição; o novo campo da criobiologia, que consiste em usar temperaturas extremamente baixas para congelar os cadáveres após o que eles são trazidos de volta à vida. 

Um dos pioneiros desse campo foi um cientista chamado James Lovelock, que faria uma das primeiras tentativas de usar a criobiologia em uma série de experimentos realizados no Instituto Nacional de Pesquisa Médica Mill Hill da Grã-Bretanha na década de 1950. Nos experimentos, hamsters foram congelados por imersão em um banho de menos 5 graus Celsius por 60 a 90 minutos, essencialmente congelando-os e tornando-os para todos os efeitos clinicamente mortos. Após verificar se os animais estavam completamente congelados, muitas vezes cortando-os com uma faca, o coração era aquecido pela aplicação de água morna, enquanto o corpo também era gradualmente aquecido. Tais esforços foram bem-sucedidos e, mais tarde, o uso de água morna para trazer o coração de volta à vida, o que às vezes queimava os animais, seria substituído pelo uso mais humano de transmissores de radiofrequência para gerar micro-ondas.

Este procedimento inovador se tornaria quase comum na década de 1960 e serviu ao propósito de demonstrar que os organismos poderiam ser levados a temperaturas abaixo de zero e revividos com sucesso. Ele se tornaria a base da tecnologia médica usada até hoje para o armazenamento de órgãos destinados a transplantes, cirurgias de baixa temperatura e alguns tipos de técnicas experimentais de ressuscitação cardíaca, que levaria à descoberta das propriedades crio preservativas como o glicerol usado até hoje. Também formaria a base do campo da criogenia, que envolve o congelamento de animais maiores, como humanos, em cubas para futura reanimação. Mas há experimentos um pouco mais medonhos envolvendo criogenia. Este foram realizados pelo pesquisador Isamu Suda na Universidade de Kobe, no Japão, na década de 1960. Suda congelou os cérebros de gatos em misturas de glicerol e então relatou que a atividade das ondas cerebrais foi detectada após aquecê-los até dois anos e meio depois.


Embora um senso mais rígido de ética tenha se consolidado nos últimos anos, essencialmente colocando um fim a muitos desses experimentos com animais, houve pelo menos um caso notável de experimentos dramáticos ocorrido em 2002, em Pittsburgh, Pensilvânia. Liderado pelo Dr. Patrick Kochanek, os experimentos um tanto perturbadores envolviam cães que foram completamente drenados de sangue e suas veias preenchidas com uma solução salina gelada que colocou os espécimes em um estado de hipotermia extrema. Isso os deixou clinicamente mortos, sem sinais de batimento cardíaco, respiração ou atividade cerebral, mas preservou os tecidos em um estado de animação suspensa frígida. Os animais foram então trazidos de volta à vida com sucesso até 3 horas após a morte, retornando gradualmente o sangue aos corpos enquanto se fornecia oxigênio puro e estimulava o coração com choques elétricos. Os experimentos tiveram resultados mistos, com alguns dos cães não ficando piores pelo desgaste de sua provação, enquanto outros apresentavam danos cerebrais graves ou "problemas comportamentais". 

Algumas das histórias mais dramáticas e fantásticas de pessoas retornando dos mortos têm a ver com aqueles que parecem ser nada menos que zumbis da vida real. Muitos desses relatos vêm da nação caribenha do Haiti, onde há muito tempo existe uma crença na reanimação de cadáveres por meio da magia de poderosos feiticeiros conhecidos como bokor. De longe, o caso mais conhecido de um zumbi é o de um homem chamado Clairvius Narcisse.

Tudo começou com ele sendo declarado morto em 2 de maio de 1962, no Hospital Schweitzer em Deschapelle, no Haiti, após sofrer de uma doença desconhecida. Posteriormente, ele recebeu um funeral e sepultamento. Esse seria o fim de tudo por 18 anos, quando a irmã de Narcisse o encontrou vagando sem rumo em um mercado, aparentemente em um estado confuso entre a vida e a morte. A irmã chocada e espantada o confrontou e Narcisse tinha uma história bizarra para contar.

Ele alegou que havia sido colocado sob o feitiço de um bokor e que foi essa magia negra sinistra que o matou e depois o trouxe de volta à vida. Segundo ele, depois que ele foi enterrado, o bokor veio para desenterrá-lo e então forçá-lo à escravidão fazendo trabalho braçal em uma plantação. Supostamente outros zumbis também eram usados ​​como mão de obra, algo não particularmente incomum no Haiti. Depois de dois anos trabalhando na plantação, ele conseguiu escapar, depois disso vagou sem rumo pelo interior enquanto as memórias de sua vida lentamente voltavam para ele. Ele finalmente se viu no mercado e encontrou sua irmã por puro acaso. Quando perguntado por que ele não voltou antes, ele explicou que suspeitava que seu irmão era o responsável por contratar o bokor para zumbificar ele e por isso estava com medo de voltar para casa.

Há outros relatos semelhantes no Haiti que parecem ser notavelmente semelhantes ao de Narcisse. Em 1996, uma mulher de 30 anos morreu de uma doença grave e foi enterrada em um túmulo de família ao lado de sua casa. Três anos depois, a mulher "morta" foi encontrada por um amigo da família andando em transe perto da vila. Ela estava muda e descoordenada, supostamente incapaz até de se alimentar, e não parecia ter nenhuma lembrança de quem era. Quando o túmulo foi aberto, foram encontradas pedras onde o corpo da mulher deveria estar. A família suspeitou que seu marido a havia transformado em zumbi após suspeitar que ela era infiel, e ela foi deixada aos cuidados de um hospital psiquiátrico em Porto Príncipe. Não está claro o que aconteceu com ela depois disso.


Outro caso estranho é o de um homem de 26 anos conhecido apenas como WD. Filho de um policial que aos 18 anos contraiu uma doença misteriosa que lhe deu febre, deixou seus olhos amarelos, causou inchaço intenso no corpo e o fez "cheirar a morte". Ninguém conseguia descobrir o que era a estranha doença, e a família começou a suspeitar que o homem havia sido alvo da magia negra criada por um bokor. Eles buscaram o conselho de um feiticeiro para ajudá-los a combater a maldição, mas WD morreu alguns dias depois e foi enterrado. O pai de WD reconheceria seu filho 19 meses depois em uma rinha de galos. Não está claro o que ele tinha feito durante aquele tempo no seu estado zumbificado. Havia uma forte suspeita de que o tio do jovem era o responsável por tê-lo transformado em um morto vivo.

Também no Haiti temos o caso de uma garota de 18 anos que também adoeceu de uma doença desconhecida que a matou em poucos dias. Sua família suspeitou de feitiçaria negra como a causa. A garota posteriormente apareceria vagando pelo campo 13 anos mais tarde. Ela alegou ter sido reanimada e tomada como escrava de um bokor em uma vila distante. Ela conseguiu escapar quando o feiticeiro morreu. A mulher alegou que havia se arrastado para a natureza selvagem a pé tentando voltar para casa. Esses tipos de histórias de zumbis envolvem casos de amnésia grave, alucinação induzida por drogas, mas se supõe que eles sejam o resultado de neurotoxinas potentes. Os bokor são considerados mestres na criação de misturas e extratos que afetam a percepção. Uma vez administrados eles criam a ilusão de morte, de doença mental, dano cerebral e até mesmo casos de identidade equivocada. 

Semelhante aos contos de zumbis haitianos, há um estranho ritual realizado pelo povo Toraja, um grupo étnico de indígenas que vivem nas montanhas da Indonésia. Os Toraja são famosos por suas esculturas em madeira e suas peculiares casas tradicionais com telhados pontiagudos que se erguem como um barco, conhecidas como tongkonan. No entanto, são seus elaborados e bizarros ritos funerários e locais de sepultamento que chamam mais a atenção. Esse fascínio macabro pela morte pode ser visto em todos os lugares nas aldeias Toraja. Seus elaborados cemitérios são esculpidos diretamente em penhascos escarpados decorados com chifres de búfalos, peles de animais e runas místicas. São os ritos funerários que mostram a cultura Toraja e seu interesse pela morte.

Os Toraja têm uma forte crença na vida após a morte, e o processo de sepultamento é muito elaborado. Quando uma pessoa morre, o cadáver é normalmente lavado e mantido no tongokonan enquanto aguarda seu funeral e subsequente sepultamento. Em famílias mais pobres, o corpo pode simplesmente ser mantido em outro cômodo da própria casa. Como a cerimônia fúnebre Toraja é tipicamente um evento extravagante ele exige que todos os parentes estejam presentes, não importa quão longe estejam. Os corpos são geralmente sepultados em caixões colocados em cavernas funerárias meticulosamente escavadas nos penhascos de calcário. Semanas ou até meses podem se passar entre a morte e o sepultamento. Esse tempo é necessário para que os arranjos sejam feitos, parentes sejam reunidos e para que o dinheiro seja economizado para pagar o funeral e o sepultamento caros. Isso não é incomum, nem desagradável para os moradores. Na sociedade Toraja, acredita-se que o processo de morte é longo, pois a alma gradualmente faz seu caminho para a vida após a morte, conhecida como Puya; o País das Almas.


Cavernas funerárias de Toranja

Durante o período de espera, o cadáver é tratado como se ainda estivesse vivo, pois acredita-se que a alma permaneça aguardando sua jornada para o Puya. O corpo é vestido, preparado e limpo, e até recebe refeições todos os dias, como se ainda fosse um membro vivo da família. Não é incomum que os convidados agradeçam ao cadáver por ser um anfitrião gracioso. Quando todos os arranjos foram feitos e todos estão presentes, a cerimônia fúnebre finalmente começa.

Dependendo do nível de riqueza que o falecido desfrutou em vida, o ritual pode ser incrivelmente extravagante, o que inclui festas que duram dias. Durante a cerimônia, centenas de parentes e familiares expressam sua tristeza com cantos, execução de música e cânticos. Uma característica comum nesses eventos, especialmente para os ricos, é a oferta de búfalos e porcos para sacrifício. Acredita-se que esses animais sejam necessários para o espírito do falecido quando ele passa para a vida após a morte. Quanto mais animais são sacrificados, mais rápida é a jornada. Para esse fim dezenas de búfalos e centenas de porcos podem ser abatidos, com o evento atraindo uma fanfarra de foliões que dançam ou tentam capturar o sangue dos animais em bacias. Depois que os animais são mortos, as cabeças dos búfalos são alinhadas em um campo para aguardar seu dono morto. Acredita-se que o derramamento de sangue na terra seja um componente importante da transição da alma para o Puya.

Quando as festividades do funeral terminam, o corpo está pronto para o enterro. Normalmente, o cadáver é colocado dentro de uma caixa de madeira, após o que será enterrado não no chão, mas sim em uma caverna funerária especialmente esculpida para esse propósito. A razão para colocar os mortos tão alto é que os Toraja acreditam que eles devem ser posicionados entre o Céu e a Terra. Assim o espírito encontrará seu caminho para a vida após a morte. Dentro das cavernas funerárias são colocadas as ferramentas e equipamentos que o espírito da pessoa pode precisar após a morte, incluindo dinheiro e caixas de cigarros. Também são dispostas fileiras de efígies de madeira em tamanho real do falecido que são destinadas a protegê-lo de maus espíritos. Alguns túmulos têm mais de 1.000 anos, com os caixões completamente apodrecidos e nada além de ossos e crânios restantes.

No entanto, esta não é a última vez que alguém verá os corpos, pois é após o enterro real que os Toraja realizam seu ritual mais incomum em relação aos mortos. Uma vez por ano, em agosto, os moradores retornam às cavernas funerárias para remover os corpos e trocar suas roupas, escová-los e banhá-los, bem como reparar o máximo possível qualquer dano que os caixões possam ter sofrido. Este ritual é conhecido como Ma'nene, ou "A Cerimônia de Limpeza de Cadáveres", e é realizado no falecido, não importa há quanto tempo ele esteja morto ou qual seja sua idade. Alguns dos cadáveres estão nas cavernas há tanto tempo que foram mumificados. Depois que os cadáveres são refrescados, os moradores os seguram em pé e "caminham" com eles pela aldeia até o local da morte. Depois disso, o corpo é colocado de volta em seu caixão e devolvido à sua caverna até o ano seguinte, quando todo o processo mórbido será repetido.

Embora tudo isso possa parecer um tanto macabro e bizarro, algumas áreas remotas praticam uma cerimônia ainda mais antiga e estranha, na qual se diz que os mortos literalmente andam por conta própria. Uma coisa comum a todas as cerimônias Toraja é que, para que o espírito possa passar para a vida após a morte, certas condições devem ser atendidas. Se essas condições não forem atendidas, diz-se que a alma permanecerá para sempre em torno de seu corpo em um estado de limbo, e incapaz de viajar para Puya. Até que o façam, uma crença que nos velhos tempos de total afastamento dissuadia a maioria de viajar muito longe de sua aldeia para que não ficassem presos e amarrados ao seu corpo morto em algum lugar distante. Tudo isso representou alguns desafios no passado, pois antes do século XX e da subsequente colonização pelos holandeses, os Toraja viviam em aldeias remotas e autônomas que eram completamente isoladas umas das outras e do mundo exterior. Quando um morador morria longe de seu local de nascimento, era difícil para a família resgatar o corpo e carregá-lo de volta por terrenos montanhosos até seu local de origem. A solução para esse problema era única, para dizer o mínimo.

Para garantir que o cadáver pudesse ser devolvido à sua aldeia natal, xamãs foram procurados, os quais supostamente tinham o poder de trazer os mortos de volta à vida temporariamente. A magia negra usada pelos feiticeiros trazia os mortos de volta à vida no sentido mais rudimentar. Os cadáveres ambulantes eram em grande parte inconscientes de seus arredores e não respondiam, eram inexpressivos e descoordenados, capazes apenas de realizar as tarefas mais básicas, como andar. Ao ser trazido de volta à vida, o morto vivo cambaleava em direção à sua aldeia natal, geralmente guiado pelo xamã ou por uma procissão de familiares. Corredores especiais saíam na frente do grupo para avisar os outros que um cadáver estava passando. A caminhada de volta à aldeia é um assunto sombrio, e dizem que se alguém se dirigisse ao cadáver diretamente pelo nome, ele imediatamente entraria em colapso e perderia qualquer poder que o animasse.


Agora, antes que alguém lendo isso entre em pânico e comece a se preparar para um inevitável surto de zumbis, é importante notar que o processo é apenas temporário, e os efeitos duram apenas até que o cadáver chegue ao seu local de nascimento. Durante todo esse tempo, o "zumbi" não é uma criatura descerebrada que ataca os vivos, mas um ser passivo que não demonstra interesse ou reconhecimento de seus arredores. Uma vez que o morto-vivo chega à sua aldeia, ele volta a ser um mero cadáver para aguardar seu funeral. Em algumas tradições, o corpo será reanimado mais uma vez para chegar ao caixão em que será enterrado.

Os xamãs que ressuscitam os mortos não se restringem apenas aos seres humanos. Dizem que em algumas cerimônias fúnebres, magia é usada sobre as carcaças de animais abatidos para sacrifício. Há histórias de xamãs trazendo búfalos sem cabeça à vida para andar por aí, ou para fazer as cabeças decapitadas se moverem, olharem ao redor, fazerem caretas ou gritarem. Às vezes, diz-se que a mesma coisa é feita com porcos e galinhas abatidas. Muitas vezes, o propósito dessa exibição macabra era para que o xamã pudesse demonstrar suas habilidades em uma exibição pública de poder.

Hoje em dia, o suposto ritual dos mortos-vivos é amplamente visto como desnecessário e a prática diminuiu, sendo rara de se encontrar mesmo na sociedade Toraja. De fato, muitos da geração mais jovem não acreditam em tais histórias. No entanto, algumas aldeias remotas ainda supostamente a praticam. Uma vila isolada chamada Mamasa é particularmente conhecida por sua prática desse rito macabro, e há relatos ocasionais de pessoas avistando esses zumbis andando pela natureza ou entre uma procissão de familiares. Nos últimos anos, fotos desses supostos zumbis circularam e provocaram debate e controvérsia. Embora os cadáveres nessas fotos certamente pareçam reais, eles são frequentemente descartados como nada mais do que uma farsa ou talvez sejam pessoas sofrendo de alguma doença como a lepra, que causa uma ilusão de morte.

Alguma coisa disso é real ou é tudo mero folclore e trapaça? Os Toraja têm o poder de ressuscitar temporariamente os mortos e fazê-los andar? Seja qual for o caso, certamente há uma forte tradição que sustenta essa crença. De qualquer forma, é sem dúvida uma tradição assustadora nesta sociedade fascinante que levou a morte e os funerais a um nível totalmente novo.

Mas há casos ainda mais estranhos. Um número assustador de pessoas acordam após serem declaradas mortas, despertando em seus caixões, em seus próprios funerais, ou mesmo enquanto estavam passando por uma autópsia. 

Um caso surpreendentemente ocorreu nas Filipinas em 2014, quando uma menina de 3 anos morreu tragicamente após sofrer de febre intensa por vários dias. A menina foi declarada clinicamente morta e seu corpo foi colocado em um caixão para seu funeral em uma igreja em Aurora, nas Filipinas. Durante o processo, um amigo da família levantou a tampa do caixão para arrumar o cadáver e notou a cabeça da menina se mover levemente, depois disso ela se sentou e olhou ao redor. A menina recebeu um copo de água e foi levada ao hospital para ser cuidada antes de se recuperar totalmente e voltar para casa com seus pais.


Um caso emblemático ocorreu em 1915 envolvendo uma mulher de 30 anos chamada Essie Dunbar, que morreu após uma grande crise epilética e foi colocada em um caixão para seu funeral. O funeral foi adiado por vários dias enquanto sua irmã, que morava longe, fazia arranjos para comparecer, e o tempo todo o cadáver de Essie permaneceu morto e imóvel em seu caixão. No dia do funeral, a irmã chegou atrasada, durante os procedimentos. O caixão já havia sido fechado, mas a irmã exigiu que fosse aberto para que ela pudesse ver sua irmã morta uma última vez. Quando a tampa foi aberta, o cadáver imóvel supostamente sentou-se ereto e Essie Dunbar sorriu para sua irmã estupefata. Os participantes do funeral ficaram tão assustados com o que aconteceu que muitos fugiram em pânico. Essie teve que voltar para a cidade sozinha, onde muitos a consideravam um zumbi. Essie Dunbar viveria uma vida longa, finalmente morrendo permanentemente em 1962 aos 77 anos.

Em outro caso, um homem acordou dos "mortos" depois de ter sido colocado em uma caixa de metal no necrotério. Em 1993, Sipho William Mdletshe, de Joanesburgo, África do Sul, se envolveu em um acidente de carro enquanto dirigia com sua noiva, o que causou ferimentos tão graves que ele foi declarado morto. Seu corpo foi colocado em uma caixa de metal em um necrotério enquanto os preparativos para o funeral estavam sendo feitos e ele ficou lá por 2 dias antes de acordar de repente. Não é de surpreender que acordar em uma caixa de metal tenha sido um caso bastante assustador, e ele imediatamente começou a gritar, o que alertou os trabalhadores sobre sua presença. Depois de ser libertado de sua provação horrível, ele voltou para sua noiva, mas ela estava aparentemente tão convencida de que ele era um zumbi que não queria nada com ele.

Talvez ainda mais aterrorizante do que acordar dos mortos em um funeral ou dentro de um caixão seja voltar à vida após ser enterrada. Em 1937, um jovem de 19 anos chamado Angelo Hayes sofreu um terrível acidente de moto na vila de St. Quentin de Chalais, França, durante o qual bateu a cabeça em uma parede e foi declarado morto. Ele foi posteriormente enterrado, mas quando os inspetores de seguros exumaram o corpo 3 dias depois, Hayes foi encontrado ainda respirando em estado de coma. O jovem finalmente foi trazido de volta à vida e se tornou uma celebridade na França devido à sua incrível provação.

Se voltar à vida no solo já é ruim o suficiente, que tal durante sua própria autópsia? Em 2007, um venezuelano de 33 anos chamado Carlos Camejo foi declarado morto após sofrer um terrível acidente de trânsito. Ele acordou algum tempo depois com uma dor excruciante enquanto os médicos cortavam seu rosto com um bisturi para iniciar uma autópsia. Quando Camejos acordou bruscamente. 

Um homem que evitou por pouco um destino semelhante foi Walter Williams, de 77 anos, de Lexington, Mississippi. Em 2014, Williams foi declarado morto por um legista após nenhum pulso ou batimento cardíaco ser detectado. Seu corpo estava fechado em um saco mortuário e estava sendo preparado para embalsamamento quando seus pés de repente começaram a chutar e ele foi levado para o hospital. O legista não tinha explicação para isso e o xerife, disse: "Perguntei ao legista o que aconteceu, e a única coisa que ele conseguiu dizer é que foi um milagre." O próprio gerente da funerária disse sobre o incidente desconcertante: "Nunca experimentei nada parecido." Outra pessoa que voltou à vida bem a tempo, dessa vez para evitar a cremação, foi um homem na Libéria que morreu de Ebola. Após ser declarado morto, o corpo foi carregado e levado para um crematório para evitar a propagação da doença, onde o homem começou a recuperar a consciência bem quando se preparavam para queimá-lo até virar cinzas.


Embora alguns desses casos possam provavelmente ser atribuídos a simples erros e negligência médica ao declarar uma pessoa morta, há pelo menos um caso estranho em que a pessoa em questão estava inequivocamente morta, ao menos, até acordar novamente. Em 2008, Val Thomas, de 59 anos, de Charleston, sofreu um ataque cardíaco fulminante e foi levada ao hospital, onde foi conectada a um ventilador e a uma máquina que induz hipotermia, mas considerando que ela já estava sem batimentos cardíacos por cerca de 20 minutos, não se esperava que ela sobrevivesse. De fato, embora um batimento cardíaco tenha sido detectado, a mulher sofreu mais dois ataques cardíacos antes de ficar imóvel. No entanto, Thomas foi mantida no ventilador apenas por precaução. A mulher permaneceria assim, sem nenhum sinal de atividade cerebral detectável com rigor mortis se instalando, antes que o plugue fosse retirado. A família estava tratando da remoção de seus órgãos para doação, quando Thomas de repente se sentou e começou a falar como se nada tivesse acontecido. Sua recuperação incrível não pode ser explicada por médicos e é considerada um milagre por sua família.

A ideia de ser capaz de trazer os mortos de volta à vida é sedutora. Talvez não seja de se admirar que a humanidade tenha se esforçado tanto para perseguir tal coisa; quem não gostaria de ganhar um pouco mais de tempo e ter mais uma chance de viver novamente? A ideia de viver mais uma vez é quase inebriante, mas é realmente possível vencer a morte? A morte chega para todos no final. Ou não? 

Parece que em alguns casos há pessoas que conseguiram se esquivar da investida da morte. Mas ela pode apenas ser enganada, pois o destino final parece ser inevitável, apesar da ciência, pelas forças do acaso ou mesmo pela magia negra. A morte é uma perseguidora implacável, e embora possa ser ludibriada de vez em quando, ela nunca falha.