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terça-feira, 7 de novembro de 2023

Procissão das Criaturas - Monstros ganham as ruas no Halloween

Semana passada tivemos o Halloween, uma data festiva que rende uma das festas mais divertidas de nosso calendário.

Pela primeira vez aproveitei da festividade na minha cidade natal, Santa Cruz do Sul, RS, e descobri como essa festa é grande por essas bandas.

Batizado pelos organizadores de Procissão das Criaturas, o evento que ocorre desde 2015 surgiu espontaneamente com um grupo de pessoas que foi se juntando para simplesmente vestir fantasias assustadoras e desfilar pelas ruas do centro da cidade. De lá para cá, em menos de 10 anos, a Procissão passou de um grupinho de 200 indivíduos para uma multidão que na semana passada atingiu mais de 60 mil pessoas. Considerando que se trata de uma cidade de 150 mil habitantes não é pouca coisa. E veio gente de toda região para participar, adultos, crianças, casais, idosos e famílias inteiras.

Nem o tempo frio e nem a chuva que caiu afastou as "criaturas" que se reuniram na Praça Central para o início da caminhada que cobre 5 quadras. Entre Jasons, Freddy Kruggers, Leatherfaces, Michael Myers, Wandinhas e outros personagens, havia espaço para todo tipo de figura popular proveniente de filmes, séries, literatura, quadrinhos ou da cultura pop. É impressionante a dedicação e comprometimento do pessoal que cria as fantasias e investe na superprodução, ainda que nem precise de tudo isso já que qualquer fantasia está valendo para se juntar ao desfile.

Essa foi minha primeira participação, então escolhi encarnar um personagem que realmente gosto - ninguém menos do que o Dr. Herbert West, o protagonista do conto Herbert West: Reanimator de H.P. Lovecraft. Famoso pela atuação antológica de Jeffrey Combs no filme Reanimator de 1986, esse é um clássico do cinema trash e um dos filmes icônicos da minha infância/adolescência. Fico feliz de que várias pessoas reconheceram o personagem. 

Não foi tão difícil montar a fantasia de Herbert West: um jaleco, gravata e calça preta, óculos e uma seringa com um líquido verde fosforescente e pronto! Ah sim, sangue, muito sangue! O suficiente para simular alguém que realizou ao menos meia dúzia de autópsias em pacientes que ainda se moviam. Fantasia pronta!

E assim participei da minha primeira Procissão das Criaturas em Santa Cruz. Primeira de muitas!

Bom ver que o Halloween está vivo e forte e ainda existem lugares onde as pessoas estão dispostas a se reunir com o intuito único de se divertir personificando os monstros que tanto amam.

À seguir, algumas das fotos que eu tirei no evento, nelas é possível perceber o quanto o pessoal leva a sério a brincadeira!































Bom é isso aí. Feliz Dia das Bruxas!!!!

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Mesa Tentacular - A Necrópole no Diversão Offline 2023


Ainda tratando do Diversão Off-Line 2023, rolou no evento minha tradicional Mesa Tentacular de Chamado de Cthulhu.

Desde a primeira edição, eu mantenho a tradição de levar ao evento ao menos uma mesa de demonstração do meu RPG favorito.

A Editora New Order, responsável por Chamado de Cthulhu em terras brasileiras como sempre, forneceu o espaço em seu stand para que eu pudesse arrancar um pouco de horror, sangue e sanidade dos interessados.

E foi uma mesa pra lá de animada e disputada!

É gratificante ter na mesa jogadores de primeira viagem, que conhecem pouco (ou quase nada!) das regras e ambientação, mas que querem mergulhar no universo dos Mythos com a peculiar curiosidade dos incautos. O que posso dizer? Além de vieram ao lugar certo!

Foi ótimo, e se dessa experiência inicial resultar interesse pelo jogo, tanto melhor! Mais um para o culto que cresce a cada dia, em algum lugar lá nas profundezasd o Grande Cthulhu agita os seus tentáculos ansioso.

O cenário que escolhi para a ocasião foi A Necrópole, uma aventura curta que se encaixa muito bem no gênero PULP. Ela envolve os membros de uma pequena Expedição no Egito em pleno ano de 1920. O grupo interessado em obter fama, glória e riqueza está colecionando fracassos consecutivos, incapaz de localizar uma tumba no Vale dos Reis. Perto de declarar o fim de sua escavação, um guia se aproxima com uma proposta que parece boa demais para ser verdade: "acompanhá-lo até o deserto, onde seu mestre tem uma irrecusável proposta a fazer".

E esse é o trampolim que dá início a uma exploração na tumba esquecida em que possivelmente repousam os restos de um dos mais obscuros Faraós do Egito, o lendário Nephren-Ka. O que o grupo encontrará lá dentro, além de perigo e horror, marcará a vida de todos - ao menos daqueles que conseguirem escapar da Necrópole com vida.

Esse cenário foi adaptado do material original contido no suplemento Portais para o Terror (cuja resenha pode ser lida no link https://mundotentacular.blogspot.com/2020/05/gateways-to-terror.html).

Originalmente trata-se de uma aventura simples e "direta ao ponto" para ser resolvida em pouco mais de uma hora de jogo. Dei uma temperada na história, inclui uma introdução diferente em que os investigadores são atraídos para o deserto onde recebem uma oferta de um arqueólogo local. Também inclui alguns detalhes adicionais quanto a Tumba, entre os quais algumas salas adicionais e a identidade de seu dono. Finalmente, como se tratava d eum cenário one-shot, nada mais justo que aumentar o nível da dificuldade e incluir alguns perigos a mais.

O resultado? Diversão rápida, aventuresca e mortal!

Aqui estão algumas fotos de como foi o jogo.

Ah sim, eu aproveitei a ocasião para me vestir de acordo, sei que o modelo não é lá essas coisas, mas eu fiquei orgulhoso do traje de explorador que improvisei. Sem mais delongas...


 

Uma vez que o "Traje de Exploração" (que é muito diferente de "fantasia") foi criado em menos de uma semana, acho que funcionou bem demais. Ainda mais se considerar que foi tudo improvisado. A calça era uma dessas calças bags dos anos 90, o lenço a parte de baixo de um pijama velho e a camisa uma que eu não usava fazia anos.


E é claro, eu tive que sentar no trono da New Order para a foto protocolar.


Sem mencionar que ainda deu tempo de caçar, abater e empalhar um espécime de Homem do Cordel Encantado (Homo cordelicus encantatus).


A gente consegue cada troféu nesses encontros de RPG...

Mas, as fotos da mesa.

MATERIAL E PROPS:


O material da aventura, com alguns props, as fichas de personagens e imagens para ilustrar a exploração nas profundezas da Tumba de Nephren-Ka.



Como sempre, um diário mostra o caminho em Chamado de Cthulhu

FOTOS DA MESA:


Pessoal se divertindo durante a exploração da tumba.



E a tradicional fotografia final com o placar da sessão. Quem está na frente ajoelhado, é que morreu, desapareceu ou enlouqueceu. Ao meu lado é quem saiu vivo e relativamente bem.

Bom foi isso...

Mais uma tarde de diversão, rolando dados na dileta companhia dos Mythos de Cthulhu.

Nos vemos no Diversão off Line 2024.

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Mesa Tentacular: O Deus Pálido no Diversão Offline 2022 em São Paulo


Salvem Investigadores e Cultistas,

Nossa tradicional Mesa Tentacular está de volta, com o relato da muito especial e aguardada Mesa que rolou no Diversão Offline 2022.

Depois desse "longo inverno" sem poder narrar presencialmente em eventos ou mesmo comparecer a encontros de RPG, é um alívio e uma alegria conseguir rodar uma mesa presencial para jogadores.

Eu ponderei bastante a respeito de qual aventura escolheria para esse evento em especial, e depois de pensar bastante acabei decidindo por "O Deus Pálido" (The Pale God) do livro The Great Old Ones.

Eu já devo ter narrado essa história uma dúzia de vezes e sempre achei a proposta dela e o desfecho muito bons. De uma forma geral é uma aventura que oferece boas oportunidades para interpretação e momentos bem climáticos de tensão e horror.

Além disso, ela tem um começo que já coloca os jogadores na ação e não demora a engrenar. Quando eles percebem, já estão no meio dos acontecimentos pavorosos e sanguinolentos.

A premissa é incrivelmente simples, começando com o tradicional telefonema de um amigo que não é visto há anos no meio da noite. Um encontro é marcado, mas logo a reunião se transforma em um espetáculo de horror com uma cena macabra e perda maciça de sanidade. Os investigadores recuperam da cena sangrenta as pistas que servirão para entender no que seu amigo havia se envolvido e o que eles precisam fazer para reverter um horror ancestral.

O cenário tem um roteiro bastante intuitivo, os jogadores tendem a seguir um encadeamento de pistas que vão sendo encaixadas uma a uma e levam ao próximo estágio. Logo eles ficam sabendo qual o mistério e invariavelmente seguem para uma casa com fama de ser mal assombrada numa região isolada da Nova Inglaterra. A exploração desse lugar e de seus segredos conduz o grupo a um novo pesadelo do qual parece não haver escapatória. E justo quando eles imaginam que conseguiram escapar, tudo começa de novo.

Eu adoro essa aventura! Ela é perfeita para encontros e one-shot no estilo moedor de carne.

Quando ela é narrada para o grupo certo de jogadores, flui muito bem e geralmente o resultado é ótimo. 

AS FICHAS DE PERSONAGENS:  

Eu sempre gostei de fichas diferentes para os personagens, mas geralmente costumo usar a ficha básica que vem no livro. Mas para essa sessão encontrei na internet essas fichas coloridas que podem ser preenchidas e impressas.

Achei o material de ótima qualidade, tudo é bem fácil de encontrar e apesar delas estarem em inglês e eu preferir em eventos oferecer fichas em português, acho que funcionaram muito bem. 


Criei cinco personagens para a aventura, um grupo bem clássico (e com alguns estereótipos) de Chamado de Cthulhu.

Um Detetive Particular Durão, uma Diletante ricaça, um Médico bastante curioso, um Atleta forte e de bom coração e um Autor de contos de Terror. Escrevi um background curtinho com a história dos personagens e colei num cartão para ficar diante do jogador, com o nome do personagem do outro lado.

O mix do grupo ficou bom. 


OS RECURSOS/ PISTAS

Eu já tinha prontos a maioria dos recursos e pistas desse cenário, mas quis dar uma arrumada neles e torná-los mais bacanas. Imprimi novas versões das fotografias com papel fotográfico, plastifiquei algumas pistas e envelheci alguns papéis para que eles parecessem antigos.

Essas pistas ajudam a criar a ilusão de que o grupo está analisando e processando aquilo que foi encontrado numa cena de crime. 


Eu gosto de esconder pistas e deixar o grupo procurar por elas, por isso usei uma carteira velha e coloquei vários documentos dentro dela, deixando o grupo procurar em cada compartimento por alguma pista escondida.


Deus Pálido tem um dos meus Recursos do Guardião (Handouts) favoritos de Chamado de Cthulhu. Trata-se do desenho de um monstro bizarro feito por uma criança que não sabia exatamente o que estava vendo.

Eu pedi para meu afilhado, que tinha 6 anos na época, para desenhar o monstro a medida que eu ia descrevendo ele, então ficou bem condizente com aquilo que uma criança veria. Não se preocupem, a parte dos corpos e do sangue eu coloquei depois. 

Esse handout funciona que é uma beleza... quando os jogadores o veem pela primeira vez, eles invariavelmente se entreolham.

A CRIATURA NO VIDRO:


Para essa história quis fazer a criatura para representar visualmente aquilo que o grupo encontra durante a investigação. Nem deu muito trabalho criar esse monstrinho com massa bisqui e enfiar ele num vidro de amostras.

Esse tipo de prop é ótimo para evocar aquilo que o grupo está encontrando. Toda vez que eu falava que um dos monstrinhos aparecia na aventura um dos jogadores olhava para o vidro em cima da mesa.

A CADERNETA DE NOTAS:


O outro acréscimo a essa mesa foi a Caderneta achada pelos personagens.

Eu usei uma caderneta de notas criada pelo meu colega Ricardo Ramada que fez um trabalho de primeira envelhecendo as páginas com café. O trabalho ficou tão bom que perguntei a ele se poderia aproveitar o espaço que ainda estava vago para colocar as pistas dessa aventura.

Pretendo usar a mesma caderneta para outras aventuras em que os personagens encontram um caderno contendo pistas/ anotações. Em um próximo artigo vou falar mais à respeito desse prop...



Caprichei na caligrafia bem rebuscada e cheia de estilo e usei uma pena com tinta marrom que deu um visual envelhecido às anotações.

A ideia é que a caderneta continha as notas feitas por um investigador ao longo de um caso em que ele estava trabalhando. Então ela tinha que ser meio bagunçada e caótica com notas de rodapé e considerações aleatórias, como se ele estivesse escrevendo algo para lembrar mais tarde.  



Outra sacada muito boa foi a sugestão do Ricardo de usar uma tesoura especial para recortar as fotos e desenhos que iam ser colados nas páginas. 

As fotos ficaram com essa borda em filigrana que é bem típica de fotografias antigas, tipo álbum de avó. O resultado ficou ótimo!


Eu imprimi as imagens em papel fotográfico e desbotei, escolhendo um tom de sépia condizente com a revelação da época.

Deu um pouco de trabalho para criar a caderneta, mas acho que o resultado final ficou muito bom.

O Jogo:

Com tudo pronto, eu rolei essa aventura no domingo (19/06) no espaço disponibilizado pela Editora New Order no Diversão Off Line.

O jogo foi divertidíssimo e faz toda a a diferença quando os jogadores são bons e se deixam levar pela histórias e pela investigação.

Aqui estão as fotografias que tirei na ocasião:


O grupo de investigadores analisa a caderneta de notas e processa as pistas encontradas na cena do crime.


O monstrinho pálido que em certo momento está em toda parte nesse cenário.


A leitura das anotações é um dos momentos mais importantes desse cenário. O grupo a partir desse ponto traça a sua estratégia de investigação e o que deverão fazer em seguida.


Aquele "Oi" básico durante a sessão.


Isso na mão do meu colega Douglas, acreditem ou não, é uma mega Torre de Dados que nos emprestaram para usar na mesa. 

O negócio parece realmente uma estatueta do Grande Cthulhu e quando fica no meio da mesa impõe respeito.


E essa fotografia final é o já tradicional "placar" da sessão. Os três jogadores agachados na frente perderam seus personagens enquanto os dois ao meu lado sobreviveram às agruras do "Deus pálido" e sua horda.

Bom é isso...

Mais um dia em Chamado de Cthulhu, até a próxima!