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terça-feira, 28 de abril de 2026

Maldições Japonesas - Sobre Espadas Mortais e Pilares Malditos no Japão


Continuando o artigo sobre coisas malditas e amaldiçoadas no Japão.

As maldições no Japão vão muito além dos jogos, quadros e brinquedos amaldiçoados. E quando se fala nesse tema, um tipo de objeto em particular merece seu próprio capítulo, eu me refiro, obviamente, às famosas espadas amaldiçoadas do folclore japonês. 

Com sua longa história de guerras feudais e guerreiros samurais, a espada, geralmente chamada de katana em japonês, era muito mais do que apenas uma arma; era um objeto sagrado e reverenciado, quase uma ferramenta que permitia um modo de vida. Para os samurais que as empunhavam, suas katanas eram uma extensão de si mesmos, resultado do trabalho meticuloso de mestres ferreiros que elevaram sua arte a tal ponto que a katana japonesa se tornou mundialmente renomada por sua qualidade superior, beleza e letalidade. Considerando essa longa tradição de qualidade suprema, reverência e o quão intrinsecamente ligada à cultura estão, as katanas se tornaram, sem motivos para surpresa a fonte de inúmeros mitos e lendas. Não faltam histórias sobre os acirrados duelos de espadas entre samurais e sobre os ferreiros que trabalhavam arduamente para forjar suas lâminas mortais. Ao buscar no folclore nipônico encontramos relatos de katanas que se tornaram tão conhecidas por seus misteriosos poderes quanto pela maestria de quem as empunhava. 

Entre os maiores e mais lendários ferreiros do Japão, destaca-se Muramasa Sengo, que viveu e exerceu sua arte durante o período Muromachi (séculos XIV e XV d.C.). Tanto Muramasa quanto sua escola de fabricação de espadas eram renomados pela extraordinária qualidade e pelas lâminas afiadas, o que tornava as armas altamente valorizadas e cobiçadas por guerreiros. De fato, Muramasa tornou-se não apenas um dos melhores ferreiros de todos os tempos, mas também ficou famoso por seu temperamento instável e por uma suposta maldição que pairava sobre suas espadas.

Muitos desses rumores tiveram origem na personalidade abrasiva e venenosa do próprio Muramasa. Além de ser obviamente um brilhante ferreiro, também se dizia que ele era insano e propenso a acessos repentinos de fúria violenta, durante os quais atacava qualquer um que tivesse o azar de estar por perto. Essa mente desequilibrada, que oscilava à beira da loucura, combinada com seu perfeccionismo implacável e paixão desenfreada por forjar espadas letais, resultava em uma mistura instável de genialidade, sede de sangue, foco intenso e insanidade, qualidades que, dizia-se, eram transmitidas às katanas que ele forjava. Soma-se a isso o suposto hábito de Muramasa de rezar fervorosamente para quem quisesse ouvir, pedindo que suas espadas se tornassem "grandes destruidoras". Não é por acaso, portanto, que suas armas ganharam uma reputação bastante sinistra, apesar de sua popularidade e alta demanda.

Inúmeras qualidades sombrias e sinistras foram atribuídas à suposta maldição das espadas de Muramasa. Talvez a crença mais persistente fosse a de que as espadas tinham uma certa tendência a possuir seus portadores, levando-os a um estado de fúria e, em algumas versões, concedendo-lhes uma habilidade superior, além de força sobre-humana e resistência à dor e ferimentos. Dizia-se também que as espadas Muramasa tinham sede de sangue e que, se não fossem saciadas pelo sangue derramado do inimigo, se voltariam contra seus donos, forçando-os ao suicídio para aplacá-las. De fato, era comum dizer que, assim que uma lâmina Muramasa era desembainhada, ela exigia sangue antes de ser guardada na bainha, o que significava morte quase certa para o portador se não houvesse ninguém por perto para descarregar a sede de sangue da espada. Mesmo quando não desembainhadas, as espadas às vezes clamavam por libertação ou tentavam compelir seus donos a sair à caça de alguma alma infeliz para assassinar.

Embora inegavelmente poderosas e formidáveis ​​em batalha, essa maldição sombria supostamente tornava as espadas e seus portadores perigosos para todos ao redor. Muitas histórias surgiram sobre espadas Muramasa se voltando contra seus donos, atacando e bebendo o sangue de qualquer um ao seu alcance, incluindo não apenas inimigos, mas também aliados e até mesmo familiares, algo que o portador nada podia fazer para impedir enquanto subjugado pela fúria maligna da espada. Inúmeras histórias descreviam samurais armados com espadas Muramasa atacando amigos queridos, aliados e familiares enquanto assistiam impotentes à sua própria morte. Dizia-se que, em seu estado mais sanguinário e furioso, as espadas mal discriminavam entre amigos e inimigos, usando seus donos meramente como instrumentos para matar. Não era incomum ouvir falar de donos de espadas Muramasa enlouquecendo lentamente à medida que eram corrompidos e subjugados pela vontade demoníaca de suas armas, às vezes cometendo suicídio para escapar da prisão sombria e insana.

Essa sinistra reputação acabou sendo ainda mais difundida quando o Xogunato Tokugawa, o último governo feudal do Japão, foi estabelecido em 1603 pelo xogum Tokugawa Ieyasu, que acreditava firmemente que as espadas Muramasa eram amaldiçoadas e as culpava pela morte de muitos de seus amigos, aliados e parentes. De fato, aparentemente o pai do xogum, Matsudaira Hirotada, e seu avô, Matsudaira Kiyoyasu, foram mortos quando seus vassalos foram tomados por um transe assassino enquanto empunhavam tais espadas. Tokugawa chegou a afirmar que havia sido gravemente ferido por uma katana Muramasa que estava sendo carregada por um de seus guardas samurais enquanto inspecionava suas fileiras. Mais tarde, sua própria esposa e filho adotivo teriam sido executados com uma espada Muramasa. Tudo isso alimentou rumores de que as espadas Muramasa tinham uma espécie de vingança contra a família Tokugawa e que possuíam uma afinidade especial por matar membros de seu clã.

Essa noção tornou-se tão difundida que Ieyasu Tokugawa acabou por banir as katanas Muramasa de seus domínios. Muitas delas foram posteriormente derretidas ou destruídas, mas, como eram tão reverenciadas por sua qualidade excepcional, outras foram escondidas ou tiveram suas características distintivas alteradas ou removidas, mesmo sob severas punições para quem as possuísse, geralmente o suicídio ritual, ou seppuku. Apesar disso, as katanas Muramasa continuaram sua trajetória rumo ao status lendário. Considerando que se acreditava que essas katanas eram capazes de encontrar e matar o xogum e sua família, houve também uma demanda renovada por elas entre os inimigos de Tokugawa, o que levou alguns ferreiros menos habilidosos a forjar réplicas falsificadas para obter lucro. De fato, devido ao número de falsificações produzidas durante essa época, é até hoje difícil determinar com certeza se uma suposta katana Muramasa é autêntica ou não.


Outra espada japonesa supostamente mágica e amaldiçoada é a conhecida como Kusanagi, também chamada de Kusanagi-no-Tsurugi, ou "Espada Cortadora de Grama", ou ainda pelo seu nome original, Ame-no-Murakumo-no-Tsurugi, que significa "Espada das Nuvens que se Reúnem no Céu". Segundo a lenda, um deus das tempestades chamado Susanoo travou uma batalha contra uma serpente maligna de oito cabeças chamada Yamata-no-Orochi, a qual ele acabou derrotando e então começou a cortar cada uma de suas cabeças e caudas. Dentro de uma das caudas da temível besta foi encontrada uma espada fabulosa, que ele chamou de Ame-no-Murakumo-no-Tsurugi e presenteou à deusa do sol Amaterasu. Séculos depois, essa espada passou para as mãos de um guerreiro chamado Yamato Takeru, que a levou para a batalha e descobriu que possuía poderes extraordinários.

Em um episódio, conta-se que Yamato foi emboscado durante uma caçada por um grupo de guerreiros que mataram seu cavalo e incendiaram o campo de capim alto com flechas flamejantes. Pensando que estava condenado a uma morte ardente ele começou a cortar freneticamente o capim em chamas para conter o avanço do fogo. Yamato se surpreendeu ao descobrir que sua espada, a Ame-no-Murakumo-no-Tsurugi, tinha o poder de controlar o vento, direcionando rajadas poderosas para onde quer que ele a golpeasse. Isso lhe permitiu empurrar o fogo na direção de seus inimigos e escapar daquela provação, após o que ele rebatizou sua espada mágica de Kusanagi-no-Tsurugi.

Essa história é muito difundida no folclore japonês e aparece no antigo texto do século VIII, o Kojiki, ou "Registros de Assuntos Antigos", um tomo de mitos históricos, bem como no Nihon Shoki, também chamado de "Crônicas do Japão", um texto do século VIII com registros históricos mais factuais. Embora a Kusanagi-no-Tsurugi, com sua história de origem bizarra e supostos poderes eólicos, pareça ser uma construção puramente mítica, ela é considerada há muito tempo uma espada real. De acordo com o Nihon Shoki, um registro amplamente confiável, essa espada realmente existiu e foi transferida do Palácio Imperial para o Santuário Atsuta em Nagoya, província de Aichi, em 688, porque acreditava-se que ela estivesse amaldiçoada e era culpada pela saúde debilitada do Imperador Tenmu. Apesar dessa nova e sinistra reputação de portadora de doenças, a Kusanagi-no-Tsurugi era considerada um precioso tesouro nacional, uma das Insígnias Imperiais do Japão, e foi guardada em segurança dentro do santuário.

Após a espada chegar ao Santuário Atsuta, ela foi escondida do público, supostamente envolta em uma caixa de madeira com uma pedra incrustada. Supostamente, ela só é exibida em ocasiões muito especiais, como cerimônias de coroação imperial, e mesmo assim permanece protegida por várias camadas de tecido e dentro de sua caixa. A espada é mantida em tanto segredo que pouquíssimas pessoas a viram, e de fato, não se sabe ao certo se ela realmente existe no santuário. Os sacerdotes xintoístas do santuário se recusam a exibi-la, e a maioria deles nunca viu a espada em si, apenas sua caixa.


Diz-se que aqueles que contemplaram a espada sofreram grande infortúnio, como foi o caso do sacerdote xintoísta Matsuoka Masanao e alguns companheiros, que afirmaram tê-la visto furtivamente enquanto recolocavam a caixa da espada durante o período Edo. Embora tenham conseguido descrever que a caixa de madeira continha outra caixa de pedra revestida de ouro, bem como a aparência da própria espada, com uma lâmina em forma de folha de cálamo com cor branca metálica, todos que a viram supostamente adoeceram violentamente e morreram, sendo Matsuoka o único sobrevivente. Esta é a última vez que se tem notícia de que a espada foi vista fora de sua caixa, e mesmo dentro dela raramente é avistada. Aparentemente, a última vez que esta caixa foi vista por alguém foi durante a cerimônia em que o Imperador Akihito ascendeu ao trono imperial em 1989.

Embora o santuário de Atsuta seja o local de repouso mais aceito atualmente para a Kusanagi-no-Tsurugi, sua existência ainda é questionada e existem outras histórias que falam de destinos diferentes para a espada lendária. De acordo com alguns relatos, como um de uma coleção de histórias históricas chamada "O Conto de Heike", a espada se perdeu no mar quando o Imperador cometeu suicídio, atirando-se ao mar com ela nos braços após uma derrota em uma batalha naval em 1185, durante a Batalha de Dan-no-ura. Outra história conta sobre um monge visitante traiçoeiro que roubou a espada e, em seguida, deixou seu navio afundar durante a fuga. Nessa versão dos eventos, a Kusanagi-no-Tsurugi teria sido encontrada em uma praia em Ise, onde foi acolhida por sacerdotes locais e depois desapareceu no desconhecido. Por sua vez, o governo japonês nunca confirmou nem negou nenhuma dessas histórias, nem mesmo se a misteriosa espada realmente existe.

É difícil dizer se alguma dessas espadas realmente possuía os supostos poderes ou maldições que lhes foram atribuídos. Muitas dessas histórias têm um fundo de verdade que se entrelaçou tanto com a lenda e o mito que é difícil separar os dois, e mesmo relatos históricos relativamente confiáveis ​​da época nem sempre são claros sobre o quanto foram influenciados pelo folclore. Ainda assim, esses contos e relatos oferecem um olhar fascinante sobre o mundo das supostas espadas mágicas e a história desses objetos dentro do folclore japonês. Se seus poderes eram reais ou não, nossa fascinação por essas histórias e por sua natureza intrigante e misteriosa certamente existe.

Mas há mais maldições, além das espadas na cultura do Japão. Além de objetos como caixas de quebra-cabeça, pinturas, brinquedos e espadas, algumas coisas amaldiçoadas no Japão estão ligadas a um lugar específico. Localizado nos jardins do Castelo de Himeji, na província de Hyogo, encontra-se um poço octogonal peculiar, cercado por 32 pilares de pedra dispostos em um padrão. Além de sua aparência única, o poço é envolto em lendas assustadoras. 


Diz-se que o poço é a prisão de uma mulher espectral conhecida apenas como "Okiku", presa a ele por uma maldição, e que ela sai do poço todas as noites para vagar pelos jardins do castelo. Existem diferentes histórias sobre como ela chegou lá, mas talvez a mais popular seja a de que ela era uma criada na propriedade de um samurai e que rejeitou suas investidas frequentes. Depois disso, o samurai alegou que lhe faltava um dos 10 valiosos pratos decorativos, e que ela o havia roubado, sendo a pena a morte. A jovem procurou por toda parte o décimo prato, mas não o encontrou. Enquanto isso, o samurai lhe disse que a pouparia se ela se tornasse sua amante. Okiku recusou, e, enfurecido, o samurai a atirou no poço do Castelo de Himeji, matando-a. A maioria das versões diz que o prato foi intencionalmente escondido ou quebrado pelo próprio samurai para manipulá-la, ou pela esposa dele em busca de vingança. De qualquer forma, a alma de Okiku ficou presa ao poço após a morte, buscando para sempre o décimo prato perdido.

Diz-se que Okiku é geralmente inofensiva, mas, em algumas ocasiões, ela se torna sinistra. A versão principal da história conta que, se alguém desagradar Okiku, ou se essa pessoa se parecer com o samurai que a matou ou com sua esposa, ela começará a contar até chegar a nove (o número de pratos), após o que gritará, saltará do poço e aterrorizará a vítima. Se a vítima não deixar o local imediatamente, supostamente sofrerá alguma grande desgraça, acidente ou morte. A única maneira de combater essa versão desequilibrada de Okiku é gritar "Dez!" (referindo-se ao prato que falta e que a colocou nessa situação) no momento exato em que ela estiver contando. Se isso for feito no momento certo, ela a deixará em paz. Além da aparição de Okiku, o poço também supostamente evoca sentimentos de desânimo, pavor e até mesmo terror absoluto em quem se aproxima. Até hoje, o poço está aberto a visitantes, então talvez valha a pena uma visita para conferir pessoalmente e tirar suas próprias conclusões.

Além do poço amaldiçoado, o Japão também possui pilares malditos. Diz-se que, antigamente, uma prática conhecida como hitobashira, literalmente "pilares humanos", era por vezes utilizada na construção de muros, castelos, túneis e pilares. Humanos eram enterrados vivos dentro das estruturas, acreditando-se que isso as tornaria mais resistentes e duráveis, além de criar uma ligação entre humanos e deuses, já que se dizia que divindades podiam ser consagradas dentro de pilares e postes. Outra crença persistente era a de que as almas daqueles que se sacrificavam para serem sepultadas nessas estruturas poderiam servir como espíritos guardiões contra forças sobrenaturais malignas.

Existem inúmeros relatos dessa prática ao longo da história japonesa, e muitas escavações nesses locais revelaram ossos e crânios humanos nas ruínas, frequentemente em pé, o que alimenta ainda mais as lendas. Em Hokkaido, existe o Túnel Jomon, construído em 1914, que passou por reparos após um grande terremoto. Para surpresa das equipes de construção, eles teriam encontrado inúmeros esqueletos em pé dentro das estruturas de concreto. Há muitas histórias semelhantes por todo o Japão, com um grande número de construções que supostamente utilizam esses pilares humanos, e alguns afirmam que, às vezes, os nomes daqueles ali enterrados estão gravados nas construções macabras.

As lendas que cercam esses pilares sempre envolvem sons, ruídos e sussurros que são ouvidos em determinadas noites. Supostamente, são as almas, aprisionadas nos pilares de sustentação chamando e relatando a tragédia de suas existências. Há inúmeras lendas relatando experiências desagradáveis de pessoas entrando em um lugar com tais colunas e sentindo a presença sobrenatural. Em alguns relatos esses espíritos desejam apenas partilhar suas histórias e infortúnios, mas em certas narrativas, as almas aprisionadas podem ser muito mais cruéis, sendo capazes de agarrar e encantar suas vítimas, fazendo com que percam a razão e se tornem obcecadas pelas construções. Em alguns casos, as histórias terminam com o suicídio da pessoa encantada, sempre diante de um desses pilares malditos. 


Algumas dessas histórias assustadoras têm um toque inegavelmente paranormal, como o caso do Castelo de Matsue, do século XVII, na província de Shimane. Segundo a lenda, as estruturas de pedra do castelo eram propensas a desabar, o que levou os construtores a encontrarem uma bela jovem, que eles então atraíram e selaram dentro das muralhas. Infelizmente para eles, diz-se que o espírito vingativo da mulher passou a assombrar o local desde então. O espírito atormentado por essa injustiça seria tão forte que era capaz de causar terremotos e fazer toda estrutura vibrar.

Em outra história semelhante, uma velha foi enganada e transformada em um pilar humano com a promessa de que seu filho se tornaria um samurai em troca. Eles cumpriram o acordo e ela se tornou um pilar do Castelo de Maruoka, na província de Fukui, mas os construtores renegaram a promessa. Isso aparentemente enfureceu o espírito da velha, pois ela supostamente foi responsável por causar inundações frequentes no fosso ao redor do castelo. Embora a existência desses pilares humanos seja tratada principalmente como um mito, a história, sem dúvida é muito curiosa.

Casos como esses mostram que o Japão é realmente um lugar misterioso, com coisas estranhas à espreita na periferia de nosso conhecimento. Coisas sobre as quais podemos apenas especular. Alguma dessas histórias são verdadeiras outras são passam de lendas elaboradas criadas com o propósito de assustar e maravilhar os ouvintes. Seja como for, todas essas lendas contribuem para criar uma bizarra tapeçaria sobre a Terra do Sol Nascente.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Lugares Estranhos: Bonehenge - O Círculo de Ossos de Mamute na Sibéria


Imagine se for capaz...

Em uma noite gélida nas estepes siberianas luzes de tocha iluminam a noite escura. O bater ritmado de tambores ecoava pela plácida taiga coberta de neve. No firmamento, na abóboda celeste luzes do norte se formam maravilhando os observadores com suas luzes azuis-arroxeadas.

Homens de aspecto rude, cobertos de peles para se proteger do clima gélido se aproximam em reverência. Eles vem de longe, de terras distantes atravessando distâncias consideráveis em uma época em que não existem estradas, mapas ou marcos. Eles vem com o objetivo de se reunir para uma festividade, uma celebração e um ritual ancestral que honrava os Deuses esquecidos de uma época primitiva.

Muitos traziam oferendas: peles, animais, totens e principalmente presas de marfim. Essa era a maior das oferendas, as presas dos poderosos mamutes que um dia marcharam pelas planícies em rebanhos imensos. Animais que se tornavam cada vez mais raros, mas que um dia caminharam fazendo o solo tremer sob o seu peso.

Os homens eram caçadores, eles portavam lanças, facas e machados talhados em pedra. Alguns dominam a recém descoberta técnica da arquearia que lhes dava a vantagem de matar à distância. Eles vinham de longe e quando avistavam seu destino caiam de joelhos extenuados. Muitos ouviram falar daquele lugar mas nunca viram a estrutura. Eles admiram sua grandiosidade e simbolismo místico, não há nada igual no mundo - mesmo as pirâmides do Egito apenas surgirão daqui a milhares de anos.

Após uma longa jornada, enfim eles chegaram ao Círculo de Ossos.


Essa misteriosa estrutura circular se encontra na atual Rússia, em uma região isolada conhecida como Korokov 11. Ela foi apelidada de Bonehenge, não apenas por ser incrivelmente antiga, mas por lembrar o famoso Stone Henge, o circulo de Pedras da Inglaterra. O Bonehenge foi construído por volta de 20.000 mil anos atrás, quando a humanidade ainda era jovem e tentava sobreviver às intempéries desse planeta hostil.

Mais conhecido como o "Circulo de Ossos", a estrutura central era formada por centenas de ossadas de animais de grande porte. Elas foram levados até lá e arranjada em um círculo que compõem uma das mais antigas estruturas construídas por mãos humanas.

Acredita-se que a construção do círculo tenha se iniciado durante a última Era do Gelo, ela foi erguida por tribos de Caçadores-Coletores do Paleolítico. Nesse período da historia, a temperatura despencou para -20º com nevasca e gelo constante cobrindo a paisagem. De fato, o Círculo foi erguido durante o auge da Era do Gelo, quando o frio era mais intenso. Este período compreendeu entre 70 mil e 20 mil anos anos e foi um dos mais severos para a manutenção da humanidade. Francamente, é notável que a raça humana tenha conseguido perseverar diante de tamanha provação.

O Dr. Alexander Pryor, um Arqueólogo Paleolítico da Universidade de Exeter liderou o estudo do local e falou a respeito do severo ambiente que as pessoas enfrentaram. 

"As pesquisas arqueológicas estão mostrando como nossos ancestrais conseguiram sobreviver em condições desesperadoras, num frio inconcebível e com enorme falta de recursos", ele prossegue "Na maior parte da Europa, em latitudes similares houve um grande êxodo em busca de áreas mais abundantes em comida, água e abrigo, contudo, o Círculo de Ossos é uma demonstração da capacidade de adaptação e sobrevivência do povo das estepes".


A estrutura mais antiga do círculo mede cerca de 20 metros de diâmetro e foi erguida inteiramente com ossos de Mamutes das planícies, o que inclui 64 crânios, 51 mandíbulas, além de quase 400 presas de marfim alinhadas como uma parede. Os ossos foram dispostos em uma estrutura mais ou menos redonda, parcialmente enterrada e unida com amarras. Mais ossos foram achados em seu interior bem como três enormes fossos escavados onde eram acendidas fogueiras.

Enquanto a maioria esmagadora dos ossos pertencem a Mamutes, há uma quantidade significativa de ossos de cavalos, renas, lobos, ursos e raposas do ártico, outros animais que dividiam a região com as tribos primevas. 

Ao redor dessa estrutura central maior existiam círculos menores, ao menos 30 deles, dispostos pelo perímetro formando o que seria uma espécie de comunidade ou vilarejo capaz de hospedar algo entre 400 e 600 indivíduos, garantindo a eles abrigo diante do rigor climático.

Além dos ossos, arqueólogos encontraram restos de plantas, madeira usada para as fogueiras, carvão e pedras talhadas. Os indícios sugerem que as estruturas serviam como uma espécie de alojamento para as tribos. A especialização de algumas estruturas surpreendeu os estudiosos que encontraram alojamentos que funcionavam como cozinhas comunitárias, depósitos, oficinas e até mesmo uma enfermaria primitiva onde eram estocadas ervas, raízes e plantas medicinais. Uma das oficinas produzia roupas, barbante e peles essenciais para a sobrevivência.

Além disso, eles encontraram evidências de ferramentas primitivas que são muito mais avançadas do que quaisquer outras achadas nesse período e nesse local. "É como encontrar uma sociedade organizada em meio a vizinhos primitivos que mal conheciam os rudimentos da confecção de roupas".


O mais notável, entretanto são as descobertas feitas no círculo maior de ossos exatamente no centro da comunidade. 

"É sensacional! Impossível não associar essa estrutura com algum tipo de templo religioso primitivo", comenta o Dr. Pryor. 

Os arqueólogos descobriram sinais inequívocos de que o lugar servia para reunir os participantes de cerimônias religiosas de suma importância. Além das fogueiras acesas em fossos, onde se preparava comida, a área central era usada para danças ritualísticas e cerimônias. 

O povo das estepes possuía um conjunto de crenças religiosas que só recentemente começaram a ser compreendidas. É provável que eles prestassem reverência a divindades naturais que eram representadas pelo sol, pela lua, pela terra e pelo fogo, além de forças espirituais na forma de animais totêmicos. De fato, escavações revelaram a existência de totens de quase 18 mil anos representando mamutes, lobos e renas.

"Estes povos apesar de primitivos possuíam crenças enraizadas em seus costumes e se reuniam nessa estrutura impressionante para honrar seus deuses, pedir a eles força e fartura na caça."

Pryor acredita que rituais eram executados no grande salão, com a iniciação de jovens caçadores e a união de tribos por laços de cooperação. 

A descoberta de ossos humanos carbonizados nas piras sugere que sacrifícios humanos para os deuses também era algo frequente no Círculo. Dentre as plantas medicinais foram achadas substâncias que provavelmente eram consumidas pelos participantes ou queimadas nas piras para criar efeitos alucinógenos. 


Restos de instrumentos de percussão, com chocalhos de ossos e tambores de pele completam o cenário de uma celebração ruidosa e espontânea. 

"Seja lá quais fossem os deuses e entidades que esses indivíduos cultivavam, não é exagero dizer que este era um grande centro de devoção. Ele atraía viajantes de terras distantes que provavelmente ouviam falar desse círculo de ossos. Eles empreendiam verdadeiras jornadas pelas estepes agrestes afim de conhecer o templo onde os deuses se manifestavam. Devia ser algo muito significativo comparecer a essas festividades".

Os sacerdotes tinham uma tradição xamânica e eram responsáveis por comunicar aos mortais a vontade divina. Após consumir doses maciças de substâncias alucinógenas, eles experimentavam visões proféticas que precisavam ser interpretadas. Eles também conduziam os rituais que muitas vezes envolviam violência e sacrifício. Os sacerdotes barbudos, cobertos de pele e com galhos de renas brotando dos cabelos, portavam clavas usadas para golpear os sacrifícios na cabeça. 

"As divindades totêmicas representavam forças da natureza primaz, que precisavam ser apaziguadas ou satisfeitas para permitir ao grupo prosperar. Não oferecer o sacrifício correto, era, aos olhos dos xamãs, um risco que poderia decretar a morte de todos".

Só podemos imaginar o teor desses rituais selvagens e alucinantes. Mas apesar da violência eles podem ter representado um fator de união que permitiu a essas tribos sobreviver em um ambiente inconcebível. 

Para as tribos que ainda hoje habitam a região de Korokov 11, as ruínas do velho Círculo de Ossos constituem um tabu. Seu folclore menciona que esse lugar foi tocado por deuses e espíritos selvagens e que estes uma vez invocados por ritos de seus ancestrais, jamais partiram. 


Os velhos que ainda mantém as tradições de seus antepassados falam de fantasmas e espíritos que vagam no limiar do real e imaginário. Há ainda a lenda do Monstro Labynkir, uma criatura feroz e incontrolável, fera gigantesca e poderosa que vagava pelos arredores devorando tudo que conseguia agarrar. 

O Labynkir possui uma origem medonha, como um espirito desencarnado que era trazido para o mundo contra duas vontade e forçado a possuir algum animal selvagem, tornando-o uma besta com implacável sede de sangue. 

"O folclore local é rico em todos tipo de criatura e monstro" diz o Dr Pryor que salienta "muitos deles com uma ordem extremamente antiga. Algumas lendas podem ter se originado milhares de anos atrás, sendo transmitidas de pais para filhos ao longo de gerações".

O Círculo também representava uma espécie de proteção contra essas feras terríveis, naturais e sobrenaturais, um lugar seguro em que as pessoas podiam descansar, honrar os deuses e pedir pela sua intercessão. Tudo isso em meio a um dos períodos mais dramáticos de nossa historia, quando o Circulo de Ossos era a única coisa entre a sobrevivência e a morte certa.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Sepultado pela Eternidade - As precauções contra o retorno de um temido morto vivo


Um dos medos mais antigos, presente em diversas culturas e difundido entre incontáveis povos do passado era o medo dos mortos voltarem a vida.

Parece uma tolice hoje em dia, mas nossos antepassados aparentemente dedicavam boa parte de seu tempo livre tentando encontrar maneiras de impedir que as pessoas enterradas retornassem para incomodá-las. O terror era tamanho que há relatos no mínimo bizarros sobre práticas de contenção. Por exemplo, os persas contratavam vigias para manter guarda no perímetro de cemitérios e observar por pelo menos sete dias e sete noites se o morto não se erguia do lugar onde havia sido enterrado. Na Rússia medieval também havia essa preocupação e os caixões por vezes eram cobertos com pesadas pedras, lacrados com correntes ou então amarrados com cordas. Em algumas partes da China era um costume bastante difundido prender nos tornozelos de cadáveres suspeitos bolas de ferro para restringir seu movimento.

Mas sempre há casos que extrapolam e vão longe demais.

Arqueólogos escavando um sítio da antiga cidade romana de Sagalassos, no sudoeste da Turquia, se depararam recentemente com uma tumba do século II d.C. que foi preparada para impedir que seu ocupante perambulasse por aí. Uma área de aproximadamente 30 metros ao redor do mausoléu em questão foi especialmente preparada para impedir o cadáver de incomodar os vivos.

Os especialistas relataram a descoberta do mausoléu que se difere de todos outros depósitos funerários da antiga necrópole. Neste contexto específico, os restos humanos foram cercados por uma série medidas cautelares que incluem até memso armadilhas visando deter o morto à qualquer custo. Johan Claeys, arqueólogo da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, descreveu além dos obstáculos, rituais mágicos e truques com o intento de preservar o homem debaixo da terra. 

O mausoléu remonta a 100-150 d.C., quando Sagalassos estava sob domínio romano. Claeys e sua equipe trabalham como parte do Projeto de Pesquisa Arqueológica local e a primeira coisa que chamou a atenção deles foi a maneira como este homem foi depositado no mausoléu. Em funerais normais o cadáver era colocado em uma profundidade de 1,50 metros (os proverbiais sete palmos), mas esse morto foi colocado a quase 4 metros abaixo do nível do solo. O caixão foi lacrado com pregos, acorrentado e atado com uma corda. Além disso na tampa do ataúde foram desenhados cuidadosamente símbolos cujo propósito era apaziguar o espírito.

Mas os cuidados não pararam por aí!

Seja lá quem tenha enterrado esse cadáver, seu objetivo era não deixar nenhuma brecha para o inesperado. Os arqueólogos encontraram os restos de 5 gatos que teriam sido sacrificados e sepultados no mesmo espaço - gatos eram tidos como guardiões do mundo espiritual, portanto sua função era impedir qualquer incidente não natural. 

Próximo dos felinos foi erguida uma mureta com um metro de altura composta de tijolos isolando uma camada grossa de cal viva, colocado ali para causar queimaduras em quem andasse sobre ela. O estudo observa que cal viva era usada como uma prevenção a necrofobia e como medida protetiva contra vampiros, carniçais e fantasmas. No entanto a quantidade da substância chama a atenção. O cal podia ser frequentemente utilizado para evitar a putrefação ou para proteger os vivos de qualquer doença que o falecido tivesse, mas essa não parece ter sido a principal razão aqui.
 
O mais impressionante, entretanto, foi a descoberta de uma derradeira medida protetiva - uma legítima armadilha. Telhas finas de terracota foram colocadas cuidadosamente sobre um fosso de três metros, escavado ao redor da tumba. No fundo dessa trincheira haviam centenas de pregos de ferro. Os pregos eram ferramentas comuns para afastar o mal - Plínio, o Velho, escreveu sobre o uso de pregos para combater pesadelos, enquanto outros textos se referem a eles afastando espíritos malignos. Neste caso, era claramente a maneira de dissuadir o morto de sair do seu descanso eterno. 

"Nós já havíamos encontrado práticas de proteção similares na região, mas o fato delas estarem todas presentes aqui chama a atenção. A combinação de métodos restritivos, de medidas místicas, o uso da cal e da armadilha com pregos denota que tudo foi projetado por um medo profundo do cadáver. Independentemente da causa da morte ter sido traumática, misteriosa ou ainda o efeito de uma doença contagiosa ou punição, ela parece ter levado os vivos a temer uma possível retaliação do morto", relatou Claeys.

Mas quem seria o indivíduo ali sepultado e o que justificava tantos cuidados?

Infelizmente a lápide e as pedras que marcam o sepulcro não identificam quem está enterrado lá. Esse tipo de coisa é especialmente curiosa já que era costumeiro identificar as pessoas, sobretudo em um mausoléu de aparência tão impressionante. Os arqueólogos acreditam que dado o luxo da cripta a pessoa tenha sido alguém de posses: um mercador bem sucedido ou nobre de status social elevado.

Seja lá quem fosse esse homem falecido, ele obviamente aterrorizava aqueles que o enterraram. Os arqueólogos observam que todo o rito funerário aqui é confuso. Enquanto o falecido foi tratado com respeito e enterrado de maneira apropriada, foram as práticas posteriores ao enterro que demonstravam estar longe do normal. É como se o morto tivesse sido tratado de forma correta, mas posteriormente medidas tivessem sido adotadas para certificar que sua morte seria definitiva.  

Após a publicação das observações, estudiosos sugeriram outra possibilidade. 

Talvez o temor não fosse à respeito do morto retornar, mas de que alguém o incomodasse. Nessa interpretação a família do falecido o estaria protegendo da ação dos vivos e não o contrário. Na época do enterro, a região de Sagalassos era atormentada pela presença de necromantes - magos que interrompiam o descanso dos mortos e podiam usar partes deles em seus feitiços. Os restos de pessoas famosas ou ilustres eram, segundo a crença os mais valiosos.

O Professor Claeys, no entanto acredita que as medidas eram no sentido de evitar a fuga do morto, um temos muito mais palpável, do que o inverso.

"Algumas pessoas continuavam a ser temidas mesmo depois da morte. Estes indivíduos especialmente poderosos ou influentes mantinham essa aura de autoridade mesmo após serem declaradas mortas. Outra possibilidade é que o indivíduo tenha experimentado uma morte traumática, violenta ou incomum. Talvez até ele possa ter sofrido algum efeito de terceiros, o que justificaria o temor destes. Mortos retornando com o intuito de extrair vingança dos vivos era uma crença comum no período".  

Há muitas questões à respeito desse mausoléu peculiar e seu ocupante misterioso, mas os estudiosos esperam resolver ao menos algumas dentro em breve. Há planos para a abertura do caixão e uma investigação criteriosa de seu conteúdo, isto é, se realmente ainda existir alguém sepultado ali.

Hmmmm... abrir um mausoléu milenar repleto de armadilhas e coberto de avisos para não fazê-lo, o que poderia dar errado, certo?

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

A Lança do Destino - O Artefato que tornava exércitos invencíveis

Dentre as Armas Christi, a Lança do Destino é sem dúvida o artefato mais conhecido e poderoso. Ela faz parte de várias histórias, apareceu em documentários, contos e narrativas, além de figurar, mais recentemente em filmes, séries de televisão e quadrinhos.

Segundo a lenda, a Lança teria sido usada pelo centurião romano Longinus para ferir Cristo durante a Crucificação. A ponta dela teria sido empregada para perfurar o flanco de Cristo fazendo seu sangue verter sobre o metal, incorporando nele propriedades místicas. O ato de Longinnus não ficou sem punição, sendo ele amaldiçoado pela eternidade a vagar pelo mundo sem descanso até o dia que purgasse seus pecados.

Segundo os rumores, a arma concederia ao seu portador o poder de governar o mundo. De fato, a lenda que cerca o artefato afirma: "quem detiver esta Lança Sagrada e entender os poderes que ela possui, segura em suas mãos o destino do mundo para o bem ou para o mal". Essa lenda talvez seja o motivo pelo qual uma longa lista de líderes, reis, imperadores e conquistadores ao longo da história registrada a procuraram e alegaram tê-la empunhada. A lista inclui nomes como Átila, o Huno, Herodes, o Grande, Constantino, Maurício, o Maniqueu, Alarico, Teodorico, Carlos Martel, Carlos Magno, o Grande, Frederico Barbarossa, Henrique I, Otão I, o Grande, e o Papa João XII, entre muitos outros, todos os quais relataram grandes sucessos com a lança.


A Lança do Destino seria a fonte de um poder místico que cerca seu detentor. Seus exércitos se tornam invencíveis, suas ordens são obedecidas a risca, suas tropas se mostram implacáveis lutando sem cansaço ou limitações físicas. Segundo outras fontes, a arma comandaria também o clima podendo conjurar tempestades, chuvas leves para saciar a sede e tempestades de areia. Ainda há relatos de que ela forneceria ao seu portador um carisma sobrenatural que o tornava irresistível aos seus comandados, tornando-o um líder nato.

Esses predicados de sucesso eram exatamente o que Adolf Hitler aspirava possuir. Conhecendo as lendas ao redor da Lança do Destino, a Hitler incumbiu a Ahnenerbe de encontrar sua localização e trazê-la para ele como um prêmio definitivo para consolidar sua liderança. Com a Lança do Destino, os nazistas seriam invencíveis.

O problema é que a lança havia se perdido na história e nem era certo se esses líderes já haviam segurado o artefato ou mesmo se ela realmente existiu ou não. De fato, há dezenas de contos conflitantes sobre o que aconteceu com a lança, para onde ela foi e até mesmo como ela era. Tudo se tornou ainda mais duvidoso pelo fato de que havia inúmeras falsificações e recriações que foram criadas ao longo dos séculos para enganar aqueles que a buscavam. Durante a suposta posse de Constantino, o Grande, com a relíquia, seu conselheiro espiritual, Eusébio de Cesareia, a descreveu assim:

"Era uma lança longa, revestida de ouro. No topo estava fixada uma coroa de ouro e pedras preciosas, e dentro dela o símbolo do nome do Salvador, duas letras indicando o nome de Cristo por meio de seus caracteres iniciais - aquelas letras que o imperador tinha o hábito de usar em seu capacete em um período posterior. Da lança também estava suspenso um pano, uma peça real, coberta com um bordado profuso das mais brilhantes pedras preciosas e que, sendo também ricamente entrelaçada com ouro, apresentava um grau indescritível de beleza ao observador. O imperador constantemente fazia uso deste sinal de salvação como uma salvaguarda contra todo poder adverso e hostil, e ordenou que fosse carregado à frente de todos os seus exércitos."

O fascínio de Hitler pela Lança do Destino começou muito antes de ele ser o notório líder nazista, quando ele era apenas um humilde estudante de arte. Enquanto visitava a Casa do Tesouro de Hofsburg em Viena em 1912, seus olhos caíram sobre uma das lanças que se dizia ser a verdadeira Lança do Destino, que havia sido guardada ali para proteção após uma longa história de troca de mãos e de ser perdida e encontrada inúmeras vezes. Não havia certeza alguma de que a lança dourada que estava em Viena, que era chamada de Lança Sagrada de Longinus, era a lendária Lança do Destino, e de fato haviam outras relíquias semelhantes ao redor do mundo que faziam a mesma afirmação na época. Contudo, o próprio Hitler parecia convencido de que aquele era o artefato real, dizendo sobre a primeira vez que a viu:

"Eu soube imediatamente que este era um momento importante na minha vida... Fiquei ali quieto olhando para ela por vários minutos, completamente alheio à cena ao meu redor. Parecia carregar algum significado interno oculto que me escapava, um significado que eu sentia que conhecia interiormente, mas não conseguia trazer à consciência... Eu senti como se eu mesmo a tivesse segurado em minhas mãos antes em algum século anterior da história - que eu mesmo a havia reivindicado como meu talismã de poder e segurado o destino do mundo em minhas mãos. Que tipo de loucura era essa que estava invadindo minha mente e criando tal turbulência em meu peito?"


Acreditando que este artefato fosse a verdadeira Lança do Destino, uma das primeiras coisas que o Fuhrer fez quando os nazistas tomaram Viena em 1938 foi roubá-la para si mesmo e enviá-la para Nuremberg. Houve até teorias de que a verdadeira razão de Hitler para começar a Segunda Guerra Mundial era se apossar dela. Pouco antes de dar início a Invasão da Polônia, Hitler teria tomado a Lança do Destino em suas mãos e a usado para tocar o ombro de seus Generais de Campo, afirmando que eles a partir de então seriam invencíveis.

Seja isso verdade ou não, Hitler conseguiu sua lança, embora ela não pareça ter lhe concedido grande poder quando ele mais precisava, e sua planejada invasão da Inglaterra falhou, seguida por sua devastadora derrota na Batalha da Normandia em 6 de junho de 1944. Depois disso, não está claro o que aconteceu com a suposta Lança do Destino de Hitler. Ela supostamente foi devolvida a Viena, mas há teorias de que esta era na verdade uma cópia e que a verdadeira foi reclamada por algum dos aliados vencedores. Ela ainda estaria por aí, trocando de mãos, passando de um comandante para outro.

Uma teoria é que a Lança do Destino estava escondida em um dos muitos bunkers subterrâneos, cavernas e catacumbas que os nazistas usavam para armazenar os inúmeros tesouros que saquearam de seus inimigos. Outra é que ela era mantida pelas forças aliadas, e que o famoso general George S. Patton ficou obcecado por ela, acreditando até mesmo ser uma reencarnação de alguém que a empunhara no passado. Ele fez grandes esforços para convencer os Estados Unidos a retê-la e devolver uma falsa à Áustria. Nesse cenário, a lança real ainda estaria em posse dos Estados Unidos, e seria essa a razão pela qual o país conseguiu permanecer como uma potência mundial por tanto tempo. Outra ideia era que o líder da SS Himmler a reclamou e que ela foi entregue nos dias finais da guerra aos cuidados de uma sociedade secreta que ele formou chamada "Os Cavaleiros da Lança Sagrada".


Uma teoria ainda mais selvagem foi apresentada nos livros de 1988-89 do Dr. Howard A. Buechner, Hitler's Ashes - Seeds Of A New Reich e Adolf Hitler and the Secrets of the Holy Lance, nos quais ele afirma que o líder nazista mandou a lança para uma base secreta na Antártida após a guerra, após a qual ela foi recuperada novamente em 1979 por uma expedição liderada por um indivíduo misterioso conhecido como Coronel Maximilian Hartmann, o que por sua vez levantou teorias da conspiração de que a verdadeira Lança do Destino está na posse desta cabala sombria empenhada em dominar o mundo. No final, embora saibamos que Hitler roubou esta lança, ninguém tem ideia se era a verdadeira Lança do Destino e, na verdade, não temos ideia alguma se ela já foi um objeto real ou se nao passava de uma cópia. 

A lendária Lança do Destino se tornou um ímã para várias teorias da conspiração, e as histórias insanas de envolvimento nazista se tornaram combustível para incontáveis rumores ao longo dos anos.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Artefatos Fora de seu Tempo - Objetos impossíveis e que não deveriam existir no passado


Em abril de 1886, um grupo de mineiros de carvão que trabalhava em uma mina em Broad Top Hills, no centro da Pensilvânia, encontrou algo ao mesmo tempo intrigante e notável. Enquanto extraíam carvão, descobriram um pedaço de ardósia que parecia trazer uma série de rostos humanos toscamente esculpidos. Eles acharam a descoberta notável o suficiente para removê-la com cuidado e mostrá-la aos seus empregadores e à imprensa. 

A descoberta causou grande alvoroço, sendo relatado no Lewistown Gazette em 25 de abril de 1886. As figuras foram descritas como se tivessem sido "cortadas com um cinzel de gravador" e trazendo imagens de rostos humanos com "queixo, boca, bochechas, testa e olhos claramente delineados." Dada a profundidade da camada de carvão e a época em que ela teria sido construída, as esculturas teriam que ter sido feitas milhões de anos antes de qualquer um dos ancestrais da humanidade perambular e trabalhar em pedra, para não falar, ter a tecnologia para produzir ferramentas capazes de realizar esse trabalho.

Então, qual a explicação para tal coisa existir?

Um editor do jornal, rapidamente arriscou o palpite de que as imagens eram "uma formação fossilifica de mofo ou germes que floresceu ali". Não seria nada, senão uma enorme coincidência parecerem rostos humanos. Os mineiros mantiveram sua história e as descrições das testemunhas colocaram em dúvida tal explicação. As testemunhas insistiram que se tratava de esculturas de rostos humanos, mesmo que não estivessem à altura dos escultores modernos. Foram tiradas fotos da placa, mas, infelizmente, nenhuma delas sobreviveu até a era atual. Ainda assim, as esculturas da mina de carvão Broad Top eventualmente tomaram seu lugar como um dos menos relatados, mas numerosos relatórios do que é amplamente conhecido como Artefatos Fora do Lugar, ou Ooparts

Há muitos exemplos desses artefatos ao redor do mundo, mas a maioria dos cientistas tradicionais buscam diligentemente encontrar explicações razoáveis para eles. Para estes pesquisadores, eles não passam de fenómenos prosaicos e meras coincidências que não devem ser usados como base para questionamentos sobre a cronologia da ciência e progresso humano. 

Muitas vezes as “explicações” são convincentes e acabam explicando a real natureza desses artefatos, contudo há aqueles que desafiam qualquer argumento racional. São artefatos tão estranhos, tão incomuns e tão fora de seu tempo que não há uma explicação razoável para sua mera existência.

Há apenas dois anos, um relatório foi divulgado nas redes sociais apresentado a sensacional descoberta feita por  jovem nas margens de um rio perto de Watertown, Nova Iorque. Ao extrair do leito do rio uma placa de xisto, ele encontrou preso a ela o que parecia ser um relógio de bolso do início do século XX. A descoberta não parecia nada demais, exceto pelo fato de que o relógio era bastante peculiar por não ter símbolos convencionais em seu mostrador ou qualquer indicação de para que ele servia. Mas não era só isso... A misteriosa peça, chamada de relógio, estava incrustada na rocha, com evidente fossilização e cristalização que não poderiam se formar em apenas um século. Para isso, seriam necessários milhões de anos.

Não obstante, o relógio estava ali, desafiando a cronologia e uma explicação razoável.


Este não é o único artefato Oopart  descoberto que passa incólume diante de refutações normais.

Um dos artefatos Fora do Lugar mais famosos é a conhecida Bateria de Bagdá. Encontrada no Iraque em meados de 1940, a peça foi estimada como sendo de 250 a.C. Ela é composta de uma simples jarra de barro com tampa feita de asfalto. Pendurada nessa tampa está acoplada uma barra de ferro envolvida por um cilindro de cobre. Testes foram realizados na era moderna mostrando que se você enchesse a jarra com vinagre (substância comum na época), ela seria perfeitamente capaz de produzir uma pequena quantidade de eletricidade. 

Como o responsável por essa criação teria essa noção? Os pesquisadores que tiveram acesso a Bateria de Bagdá  atestaram que todos os materiais usados para sua criação eram de uso comum na época. Contudo, sua combinação é no mínimo estranha. Para que alguém envolveria uma barra de ferro com cobre e encheria uma jarra com vinagre se não para gerar uma reação química? A combinação é muito inusitada para não ser proposital. Não existe nenhuma menção a iraquianos em 250 aC pesquisando à respeito de geração de eletricidade, então quem criou essa coisa? E como ele sabia que ela geraria eletricidade?

Outro item curioso do passado é o lendário Mecanismo de Anticítera, que tem aparecido em tantos documentários que muitas pessoas sem dúvida já ouviram falar dele. Datado de uma época antes de Cristo, parece ser um engenho incrivelmente complexo de engrenagens e alavancas, capaz de realizar todos os tipos de cálculos de navegação com base em observações celestes. Numerosas reproduções modernas do dispositivo foram criadas e ele parece totalmente funcional. Em resumo, o artefato poderia ser o primeiro GPS da história.


Mas como seus criadores tinham noção de tal coisa? Eles estavam simplesmente muito à frente de seu tempo em termos de criação de engrenagens e alavancas? E o que dizer de sua notável capacidade de observação dos céus? Nada explica como eles foram capazes de construir tal coisa em uma época em que a tecnologia e ciência eram mera superstição. Tal como acontece com outros exemplos, talvez fossem pessoas excepcionalmente inteligentes que estavam à frente do seu tempo, mas cujo conhecimento se perdeu até que o resto da civilização os alcançasse. Infelizmente as explicações sobre "pessoas extraordinariamente capazes" em um determinado tempo e lugar deixam muito a desejar. 

Há um monumento apelidado de "A Grande Muralha do Texas", descoberto em 1852 que desperta dúvidas sobre quem, como e por que ele foi erguido. Trata-se de uma enorme construção de pedra erguida quando os indígenas eram os únicos habitantes da América do Norte. As pedras são enormes e quase simétricas, encaixando-se como um quebra-cabeça. As pessoas que viviam na região nessa época sequer possuíam montarias equestres, para não falar da capacidade de mover enormes monólitos. Especialistas afirmam que o monumento poderia ser uma formação natural, mas essa explicação não parece satisfatória. Ao observar as pedras é impossível deixar de perceber o encaixe perfeito delas e o fato de serem peças diferentes. 

Dizem o mesmo da infame Estrada Bimini, localizada no litoral das Bahamas. A "estrada" é formada por enormes pedras com centenas de toneladas perfeitamente encaixadas, resultando no que parece ser uma arquitetura inteligentemente projetada. Mais incrível ainda, ela se encontra num lugar submerso, no fundo do oceano há ​​milhares de anos. Como então teria sido montado esse arranjo? Não poderia ser mera coincidência ou decorrência da ação natural.


Alguns dos mais notáveis exemplos de Oopart são difíceis de refutar e as explicações oferecidas pelos céticos parecem ser, na melhor das hipóteses, um esforço de imaginação.

Consideremos o Cubo de Salzburgo, também conhecido como a Peça de Ferro Wolfsegg. Embora não tenha realmente a forma de um "cubo perfeito", ele é um pedaço de ferro de altíssima pureza dotado de uma estranha ranhura no centro. Foi descoberta numa mina de carvão em Wolfsegg am Hausruck, na Áustria, no ano de 1885 e se encontra em exibição no Museu de Viena. O que o torna notável é que foi encontrado dentro de um bloco de carvão que os mineiros estavam processando. Essa camada externa de carvão mineral se formou ao longo de aproximadamente 60 milhões de anos. A única explicação sugere que "de alguma forma" ele ficou incrustado no carvão durante o processamento. Contudo carvão é muito frágil e inserir um objeto de ferro tão refinado em um bloco de carvão sem quebrá-lo é algo praticamente impossível. Para todos efeitos, o cubo parece ser algo de outro mundo. Como ele foi construído? Como chegou lá? E quem o moldou nessa forma quase perfeita?

Depois, há o caso da Fuente Magna que foi descoberta no início do século XX, uma peça de cerâmica lindamente gravada com estranhas figuras de animais e escrita no interior em pelo menos dois idiomas diferentes. Sendo que um deles foi traduzido como sumério antigo! O que torna esta descoberta verdadeiramente única é o fato de ter sido descoberta a cerca de 75 quilômetros da cidade de La Paz, na Bolívia. Na mesma escavação arqueológica foram recuperados outros artefatos datados de muito antes de os primeiros exploradores europeus chegarem América do Sul. 

Como poderia alguém na Bolívia estar familiarizado com a língua suméria séculos atrás? Alguns críticos argumentaram que o texto sumério dentro da tigela contém erros na forma como os caracteres são formados, mas outros apontam que os escritos evoluíram ao longo do tempo. Outros céticos simplesmente levantaram as mãos e declararam que a tigela deve ser uma farsa, mas mesmo assim, ela permanece um mistério até hoje.


Outro objeto que desafia teimosamente a maioria das explicações convencionais é o Martelo de London. Em 1934, um operário chamado Max Hahn o descobriu numa escavação nos arredores de London, Texas. O artefato é formado por uma pedra de aparência curiosa com um pedaço de madeira semelhante a um cabo de ferramenta firmemente embutido nela. Sem pensar muito à respeito, a família Hahn o colocou em uma prateleira durante anos, até que um de seus filhos ficou curioso e conseguiu quebrar a pedra para investigá-la melhor.

No interior da rocha, encontraram a cabeça de um martelo claramente feito pelo homem, provavelmente do final do século XIX. Os restos do cabo de madeira eram velhos o suficiente para que partes dele se transformassem em carvão. Como ele foi inserido em pedra sólida ou como rocha se formou ao redor dele? Os céticos afirmam que o martelo foi perdido por alguém e a pedra ao redor se formou através do processo de concreção mineral. Mas o London Hammer não parece estar envolto em substâncias simples, mas em rocha muito sólida. Como isso aconteceu? Não há uma explicação razoável para tal coisa no reino da geologia.

O martelo está em exibição no Creation Evidence Museum e constitui um enigma até os dias atuais. Ninguém foi capaz de oferecer uma teoria para tal formação inusitada. 

Diante de todas essas peças incomuns, o que podemos dizer?

O tema Artefatos fora do Tempo é realmente fascinante e desperta debates acirrados na comunidade científica. Sem dúvida, existem aqueles que são quase certamente o resultado de fraudes, interpretações erradas ou uma má compreensão das capacidades tecnológicas das sociedades antigas. No entanto, há casos realmente inexplicáveis que não possuem uma explicação razoável. 


Uma possibilidade defendida por alguns pesquisadores metafísicos é que poderíamos estar diante do que é conhecido como Fenômeno dos Objetos Desaparecidos (DOPs). Muitas pessoas experimentam isso. Seriam objetos comuns que aparentemente desaparecem, apenas para reaparecer mais tarde em um lugar onde ninguém esperava ou supunha ser possível seu surgimento. Não se sabe como tais objetos poderiam entrar e sair da nossa realidade e que força seria responsável por isso, mas os postulantes afirmam que a causa seria um aparente deslocamento de matéria. 

Alternativamente há os postulantes da Teoria dos Deuses Astronautas que especulam sobre visitantes alienígenas que estiveram em nosso mundo há milhões de anos atrás. Eles teriam deixado pistas de sua passagem, sendo que algumas sobreviveram à passagem das eras. Algumas dessas ferramentas poderiam ter sido esquecidas e acabaram encapsuladas pela passagem do tempo em formações geológicas que demandam milhões de anos. Há ainda a hipótese levantada por alguns de que os artefatos não teriam origem extraterrestre, mas sim de homens capazes de viajar através do tempo. Estes teriam visitado pontos do passado remoto e lá esqueceram suas ferramentas que acabaram incorporadas ao ponto focal do espaço/tempo após seu descarte.

Se nenhuma dessas explicações preencher adequadamente as lacunas, honestamente não restam muitas outras opções. Seriam extraterrestres ou viajantes do tempo descuidados? Civilizações avançadas desconhecidas? Uma espécie de Falha na Matrix? 

Talvez nunca saibamos com certeza, mas o que sabemos é que os céticos nem sempre são capazes de explicar os mistérios que surgem. O universo e as coisas que o constituem parecem ser muito mais complexos do que ousamos imaginar. Nossa compreensão do tempo e da realidade ainda é muitíssimo vaga e os Artefatos Fora do Tempo podem ser as peças de um quebra-cabeça incrivelmente complexo.

quinta-feira, 11 de julho de 2024

O Czar e os alienígenas - Quando extraterrestres implantaram um chip em Ivan, o Terrível


Um estranho pormenor do fenômeno ufológico, é aquilo que estudiosos convencionaram chamar implantes alienígenas. Pequenos objetos que seriam inseridos no corpo de indivíduos que supostamente tiveram contato com seres extraterrestres. Esses implantes, geralmente chips, peças de metal ou fios seriam inseridos cirurgicamente no indivíduo abduzido por razões desconhecidas.

Essa crença só se tornou realmente popular no inconsciente coletivo por volta da década de 1960, mas, a história é estranha e se você quiser acreditar em alguns relatos, há casos similares ocorrendo há séculos, inclusive com pessoas importantes. Entramos em um território estranho envolvendo uma abdução alienígena, implantes bizarros e um governante notório da história russa.

Ivan IV Vasilyevich, mais conhecido como Ivan, o Terrível, é frequentemente mencionado como um dos déspotas mais notórios da história e um dos grandes idealizadores do Império Russo. Nascido em 1530, filho de Vasili III, o governante do Grão-Ducado de Rurikid que incluía Moscou, Ivan logo provaria ter um destino forte. Nascido na realeza e se tornando o Grão-Príncipe de Moscou com apenas 3 anos de idade, mais tarde se tornou o primeiro Czar da Rússia aos 16 anos. Como governante, ele é considerado uma figura formidável, famoso por suas numerosas campanhas militares ferozes e épicas que colocaram sob seu punho de ferro vastas extensões e território que ajudaram a transformar a Rússia de um estado medieval em um poderoso império. No entanto, ninguém ganha um apelido como “O Terrível” sem boas razões, e Ivan Vasilyevich é igualmente conhecido por sua astúcia, crueldade e imensa inteligência.

Segundo relatos, Ivan sempre foi negligenciado em sua juventude e tinha uma propensão a torturar pequenos animais e não mostrar sinais de remorso por más ações. Foi essa educação que talvez tenha impulsionado seus atos perversos como um governante sanguinário. Quando Ivan tinha apenas 13 anos, ele já clamava pelo assassinato de seus inimigos, matando um príncipe e toda a sua família e servindo seus corpos aos cães e embora as pessoas comuns o respeitassem pelas reformas que trouxe ao país, eles estavam absolutamente aterrorizados com ele. Ivan foi descrito como um indivíduo incrivelmente instável, propenso a ataques de raiva repentinos vindos do nada. Ele batia a cabeça no chão, destruía móveis e atirava animais das paredes do Kremlin. Esses acessos turbulentos de raiva podiam ser desencadeados pelas menores coisas ou mesmo por nenhuma razão discernível. 


Em alguns casos esses acessos de raiva tornaram-se mortais até mesmo para pessoas próximas, como um incidente em que ele assassinou seu filho mais velho, também chamado Ivan. Ele também obrigou sua esposa grávida a abortar, espancando-a por perceber que ela usava roupas indecentes em público. Esses acessos de raiva esporádicos e imprevisíveis eram muitas vezes acompanhados de episódios intensos de paranoia. Quando a primeira de muitas esposas, Anastasia, faleceu, após 13 anos de casamento, ele estava convencido de que ela havia sido envenenada e frequentemente acusava seus assessores mais próximos de conspirar contra ele. 

Com o passar dos anos, Ivan ficou tão paranoico que, para ter certeza de que ninguém tentaria nada contra ele, reuniu seus próprios guarda-costas escolhidos a dedo, a Oprichnik para ficar de olho na população e aterrorizá-la. Os homens vestiam-se de couro negro e cavalgavam cavalos igualmente negros pelas ruas. Para efeito dramático levavam cabeças de cães decepadas presas às selas deixando um rastro de sangue após sua passagem. Esse bando servia como olhos e ouvidos do Czar, destinada a reprimir a oposição e punir qualquer um que falasse mal de seu chefe. A Oprichnik executava tanto plebeus quanto nobres com impunidade e sem julgamento. Estima-se que eles mataram milhares de nobres e incontáveis ​​civis. Também se envolveram em misteriosos rituais e missas negras. Corriam boatos de que alguns praticavam feitiçaria e até mesmo canibalismo.

Havia um contingente de trezentos destes Oprichniki que o serviam com lealdade beirando o fanatismo. Eles viviam no interior do extenso castelo de Ivan, onde alegadamente realizavam sacrifícios humanos, tortura de vítimas capturadas e mortes ritualísticas.

À medida que envelhecia, os ataques de raiva, paranoia e depravação de Ivan só pioravam. Ele era conhecido por torturar pessoalmente aqueles que considerava criminosos ou como uma ameaça ao seu governo absoluto. E ele o fazia de maneiras horríveis: atiçando seus ferozes cães famintos sobre vítimas amarradas, promovendo esquartejamento, morte por fervura, empalamento, usando de ferros em brasa ou assando-os vivos. Ivan também ordenava o massacre de supostos inimigos, fez um ataque à cidade de Novgorod onde matou milhares de pessoas, simplesmente porque tinha a ideia de que os nobres da cidade iriam desertar para o estado da Livônia. Alguns de seus métodos de limpeza em Moscou também eram extremos, como a vez em que ele afogou em um lago todos os mendigos que seus capangas conseguiram prender. Seu governo foi uma demonstração horrível de crueldade desenfreada e, apesar de todas as mudanças que trouxe, Ivan era visto como um dos tiranos mais opressivos e sádicos que o país já tinha visto.


Nos seus últimos anos, a saúde de Ivan se deteriorou e ele acabaria por dissolver a Oprichnik, chegando até a tornar crime mencioná-los novamente. Ele morreria de acidente vascular cerebral em 1598, deixando para trás um vácuo de poder que daria início a uma era de revoltas, guerras e fome chamada Tempo das Perturbações. Ao fim desta milhões teriam morrido, trazendo ainda mais dificuldades à Rússia. Ivan, o Terrível, certamente deixou sua marca sangrenta na história, e tem havido muito debate e discussão sobre por que ele era tão instável, depravado e propenso aos tais ataques de ira extrema. 

Uma ideia é que ele simplesmente teve uma infância difícil que o transformou em um monstro, enquanto outras teorias dizem que ele sofria de dores crônicas ou que sofria por envenenamento de mercúrio devido a pomadas que usava nas articulações, ou possivelmente, ele era simplesmente louco.  Mas há relatos ainda mais estranhos envolvendo alienígenas e é aqui que damos uma guinada brusca em nossa história e entramos no reino do bizarro.

O pesquisador de OVNIs Albert S. Rosales conseguiu rastrear um artigo bastante curioso em um jornal russo sobre OVNIs chamado Inoplanetyane. Escrito por Alexander Bogatikov, o relato sugere que o comportamento bizarro de Ivan, o Terrível, a inteligência incomumente elevada e a depravação desenfreada foram causados ​​não por uma infância difícil ou por dores ou ainda, envenenamento de qualquer tipo, mas sim por um implante alienígena que foi colocado em sua cabeça. durante uma abdução quando ele era criança. 

Existem muitas evidências oferecidas para esta teoria, incluindo que Ivan supostamente teve vários encontros com pequenos seres humanoides, tratados como fadas, em seu quarto. Essas "fadas" pequeninas com grandes olhos e corpo frágil, levavam o Príncipe em viagens em seu reino "brilhante e imaculado". Ivan contava até o fim da vida essas histórias e tudo indica acreditava que elas realmente haviam, acontecido. Também há relatos de que o Czar era propenso a tocar um ponto em sua cabeça com frequência. O ponto, exatamente onde o objeto estava alojado, na têmpora direita, deveria ser fonte de algum tipo de desconforto, embora ele nunca tenha reclamado com os médicos sobre algo errado ali.


Contudo, a principal evidência oferecida seria a suposta descoberta de um acadêmico e antropólogo chamado Dr. Rudolph Vanzhaev. De acordo com o artigo, publicado na década de 1990, Vanzhaev teve acesso ao crânio de Ivan com o propósito de reconstruir suas características faciais. Ao examinar o crânio, encontrou um “minúsculo objeto metálico com saliências semelhantes a dentes afiados”. O item incomum lembrava algum tipo de chip de computador e media pouco mais de um centímetro de diâmetro. Esta “placa metálica diminuta” estava coberta de osso, diz o artigo:

"Uma descoberta impressionante foi feita pelo acadêmico e antropólogo Dr. Rudolph Vanzhaev, que no final do século XX estava reconstruindo as características faciais do famoso czar russo Ivan (ou Ivan, o Terrível). Dr. Vanzhaev descobriu uma pequena placa metálica no crânio de Ivan enquanto a estudava. O estranho artefato, com pouco mais de um centímetro de diâmetro, lembrava um complicado mecanismo eletrônico. O Doutor concluiu que este objeto de alguma forma aumentava as habilidades intelectuais do Czar, mas, ao mesmo tempo, causava seus periódicos ataques descontrolados de raiva. O minúsculo objeto metálico com saliências semelhantes a dentes afiados foi descoberto acidentalmente. Vanzhaev estava estudando o esqueleto exumado de Ivan, o Terrível, tentando encontrar a causa fisiológica de sua morte (mais tarde foi estabelecido que os ossos do czar continham uma enorme quantidade de mercúrio). Movendo a mão ao longo da superfície interna do crânio de Ivan, Vanzhaev sentiu uma pequena protuberância. Tentando ver melhor, pegou uma grande lupa e viu algo muito pequeno e metálico, coberto por tecido ósseo.

O dispositivo era semelhante a um chip eletrônico usado em computadores ou outros equipamentos eletrônicos. Quando o dispositivo foi estudado mais de perto, utilizando diferentes técnicas e equipamentos, parecia ser um transmissor em miniatura de impulsos elétricos para o cérebro e coração. Tais impulsos, enfatizou o Dr. Vanzhaev, aumentaram drasticamente a capacidade do cérebro de resolver tarefas intelectuais difíceis, mas, ao mesmo tempo, criavam efeitos colaterais que influenciaram a psique do homem. A camada de tecido ósseo que cresceu ao redor do dispositivo metálico era bastante perceptível. Isso significava, de acordo com Vanzhaev, que quando Ivan foi “implantado”, ele era muito jovem, possivelmente na infância. Outro pesquisador baseado em Moscou, Vladimir Alexeevich Smemshuk, também mencionou em seus livros que Ivan, o Terrível, estava sob “controle alienígena” e experimentou vários encontros de terceiro grau à noite, quando estava sozinho em seu quarto.

Bem, o que diabos está acontecendo aqui? Considerando que a fonte parece ser bastante fraca, sem nenhuma corroboração real e sem nenhuma maneira de saber se esse Vanzhaev é mesmo real, é definitivamente algo para se duvidar. Mas existiria alguma verdade nessa história bizarra? Ou seria tão somente uma notícia falsa e bombástica? Um dos maiores tiranos da história humana foi controlado ou influenciado por alienígenas? Provavelmente não... mas ainda assim é delicioso imaginar tal coisa. 

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Cidade do Demônio - A Cidadela criada pelo Vento no coração da Mongólia


O gigantesco e aparentemente interminável Deserto de Gobi, na Mongólia Central, é um lugar assustador e perigoso.

Trata-se de uma vasta extensão inóspita, formada por nada além de areia, vento e um calor infernal. Na antiguidade, os exploradores que ousaram vagar por seu interior comparavam o Gobi como o Fim do Mundo. Outros o chamavam de "o lugar onde Deus abandonava a Terra", pois não podia haver local mais hostil ao homem na criação.

Se você caminhasse por suas extensões remotas, poderia acreditar que nada seria capaz de se estabelecer naquelas estepes. Nada exceto escorpiões e espíritos malignos. No entanto, nômades garantiam existir em seu interior implacável estranhas construções projetando-se no horizonte árido - enormes castelos, grandes monumentos e formações incomuns. Muitos acreditavam que essas narrativas alucinantes não passavam de meras lendas ou devaneios causados pelo esmagador sentimento de isolamento. O calor do deserto, afinal de contas, podia mexer com a percepção de um homem e fazê-lo acreditar em visões e miragens.

O rico folclore das tribos mencionavam povos ancestrais que ali viveram muito antes do homem. Seria uma raça de gigantes com pele cor de cobre que ergueram construções imponentes que lhes servia de lar. Seriam eles os antepassados dos homens, contudo, maiores, mais poderosos e implacáveis. Segundo a cultura local, esses gigantes escravizaram os homens antigos e os obrigaram a construir suas cidades de pedra. Em algum momento, os gigantes deixaram de existir, mas suas cidadelas rochosas permaneceram para sempre. Tamerlão, o terrível conquistador mongol, que levou a morte ao ocidente afirmava que em suas veias corria o sangue desses gigantes.

Ao longo dos séculos, a crença de que as ruínas eram habitadas por fantasmas e espíritos malignos se espalhou. Não por acaso a ruína tornou tabu para os viajantes do deserto cujas caravanas passavam ao largo, evitando até mesmo olhar na sua direção. Nem mesmo uma tempestade de areia faria com que eles buscassem proteção nesses redutos malignos. 

Chamavam o lugar de Cidade do Demônio e a evitavam a todo custo.


As lendas se mantiveram intactas por gerações, e apenas quando estrangeiros e forasteiros vieram explorar o interior insalubre da Mongólia é que a cidadela foi enfim vasculhada.

As tribos das estepes que habitam a orla possuíam muitas histórias sobre as formas surreais na paisagem agreste. Além do mito dos gigantes de cobre, alguns acreditavam que aquelas estruturas colossais estavam fadadas a um dia se erguer e andar e que quando o fizessem, destruiriam o mundo com sua fúria.

Os contadores de historias também afirmavam ouvir vozes fantasmagóricas vindas do coração do deserto. Elas cantavam, gemiam e lamentavam com uma voz inumana proveniente do vazio. Essas palavras podiam levar um homem à loucura, obrigá-lo a vagar pelo deserto e até forçá-lo a matar seus amigos e a si mesmo. Para espantar essa força maligna os locais estalam os dedos e repetem mantras para nublar o chamado.

Mas qual a origem da Cidade do Demônio? De onde vieram essas enormes formações rochosas únicas no mundo?

Foi o vento selvagem que varre o Gobi o responsável por criar a cidadela. Ele soprou sobre os montes de terra, dilapidando as ravinas e moldando as enormes rochas. Lentamente elas foram transformadas, dando forma a estruturas massivas que lembravam castelos, animais e até os tão temidos demônios que atormentavam o sonho dos locais. 

Localizada atualmente na Reserva Geológica de Yadan, a Cidade do Demônio fica a 180 quilômetros de Dunhuang, o assentamento mais próximo. A paisagem poeirenta é marcada por algo conhecido como Relevo de Yadan, formações criadas ao longo de milhões de anos por erosão éolica, clima seco e terríveis tempestades. Essas condições são essenciais para esculpir as pedras gerando suas formas desconcertantes. 


Pesquisadores acreditam que durante o Período Cretáceo, há cerca de 100 milhões de anos, o lugar não era um deserto, mas sim um enorme lago de água doce. Com o tempo, este lago recuou para expor rochas sedimentares, pedregulhos e desfiladeiros originalmente submersos, que então foram transformadas pelas forças da natureza no impressionante conjunto de esculturas espalhadas pela reserva. Acredita-se que os acidentes geográficos de Yadan em seu estado atual tenham sido formados durante um período de 300 a 700 mil anos. A reserva possui o maior número de formações desse tipo no mundo.

Alguns relevos tem até 20 metros de altura e foram esculpidos de tal maneira que é difícil acreditar que não foram feitos por mãos humanas e por um engenhoso senso artístico.

Nos anos 1920, expedições estrangeiras que estiveram na Mongólia descreveram as Estruturas de várias maneiras. Elas foram chamadas de castelos, de escadas, templos, pagodes e palácios. A Expedição americana liderada pelo famoso arqueólogo Roy Chapman Andrews, explorou o lugar cuidadosamente entre 1921 e 1930. Eles chegaram a anunciar a descoberta de uma civilização desconhecida responsável por erigir aqueles monumentos. Em seus diários, Andrews citou monumentos em que era possível distinguir rostos humanos, animais estranhos e criaturas aterrorizantes. 

A suspeita era de que o lugar seria um sítio arqueológico ancestral, um dia habitado por povos com enorme sensibilidade artística e conhecimentos de arquitetura e engenharia, capazes de moldar os monólitos daquela maneira. Expedições posteriores, no entanto concluíram a origem natural das "obras de arte", desacreditando a hipótese delas serem resultado de alguma ação humana. De fato, não havia sinal de ocupação da área em momento algum da história humana, quase corroborando as lendas de que ali "o mundo terminava".


Em meio aos acidentes geográficos mais impressionantes encontra-se a infame Moguicheng, a esplanada principal da Cidade do Demônio. A área possui enorme concentração de Estruturas de Yadan que realmente criam a ilusão de ser uma cidade abandonada com edifícios, praças e monumentos deliberadamente esculpidos.

As mais notáveis formações são aquelas que as tribos reconheciam como demônios. É fácil entender porque os nativos supersticiosos temiam esses megálitos imponentes. Não é preciso usar de muita imaginação para enxergar a face aterrorizante de bestas gigantes, com presas recurvadas e prontas para atacar. Essas feras assustadoras pairam sobre a paisagem como sentinelas vigiando seus domínios. Numerosas pedras multicoloridas nas colinas que cercam a área contribuem para o efeito surreal e místico. Parece um outro planeta, uma realidade paralela de estranheza alienígena. 

Um dos aspectos mais bizarros da Cidade do Demônio são os sons misteriosos e inexplicáveis ​​que parecem emanar da área circundante. Os sons tem muitas variações. Diz-se que durante o dia pode-se ouvir sons de cordas de violão sendo dedilhadas, o toque de sinos e vozes humanas sussurrando, gritando e até cantando. Ainda mais assustador, há momentos em que esses sons que permeiam o ar assumem a qualidade de gemidos, gritos, brigas ou o choro de bebês. À noite e quando os frequentes ventos que açoitam a região sopram areia e cascalho pelo ar, os sons misteriosos transformam-se numa cacofonia assustadora que é descrita como uma reminiscência de leões rugindo, lobos uivando, elefantes trombeteando e porcos sendo abatidos.

A origem desses sons estranhos não são claras e, na maioria das vezes, dizem que parecem vir de todas as direções ao mesmo tempo, como se se materializassem no próprio ar. É provável que os sons sejam algum efeito ainda pouco compreendido do vento passando pelas formas incomuns de Relevo de Yadan. Mas o estranho fenômeno acústico ainda é muito debatido e os testes para explicar sua origem se mostraram inconclusivos. Finalmente, a área também exibe um nível incomum de magnetismo que sugere haver grandes depósitos de ferro e hematita. Não é estranho que bússolas falhem e que objetos de metal se mostrem estranhamente imantados.


A Reserva Geológica de Yadan e sua Cidade do Demônio estão abertos a visitação de turistas, muitos dos quais vêm na esperança de vivenciar o estranho fenômeno dos ruídos por si próprios. Ele é bastante comum e muitos saem impressionados pelo efeito bizarro.

O parque é alcançado após uma viagem de cerca de duas horas saindo de Dunhuang em um ônibus operado por várias empresas de turismo localizadas lá. Os visitantes dessa região castigada pelo vento e pelo sol encontram um lugar cheio de beleza natural e mistério inescrutável. É um sítio antigo que inspira um profundo sentimento de admiração e apreço pelas forças poderosas que moldaram o nosso planeta. Mais do que isso, muitos mencionam uma sensação de esmagadora insignificância, quase como se os Gigantes de Cobre ou Demônios do Deserto, realmente os estivessem observando.

E quem duvida que realmente estejam?