sexta-feira, 24 de junho de 2022

Mesa Tentacular: O Deus Pálido no Diversão Offline 2022 em São Paulo


Salvem Investigadores e Cultistas,

Nossa tradicional Mesa Tentacular está de volta, com o relato da muito especial e aguardada Mesa que rolou no Diversão Offline 2022.

Depois desse "longo inverno" sem poder narrar presencialmente em eventos ou mesmo comparecer a encontros de RPG, é um alívio e uma alegria conseguir rodar uma mesa presencial para jogadores.

Eu ponderei bastante a respeito de qual aventura escolheria para esse evento em especial, e depois de pensar bastante acabei decidindo por "O Deus Pálido" (The Pale God) do livro The Great Old Ones.

Eu já devo ter narrado essa história uma dúzia de vezes e sempre achei a proposta dela e o desfecho muito bons. De uma forma geral é uma aventura que oferece boas oportunidades para interpretação e momentos bem climáticos de tensão e horror.

Além disso, ela tem um começo que já coloca os jogadores na ação e não demora a engrenar. Quando eles percebem, já estão no meio dos acontecimentos pavorosos e sanguinolentos.

A premissa é incrivelmente simples, começando com o tradicional telefonema de um amigo que não é visto há anos no meio da noite. Um encontro é marcado, mas logo a reunião se transforma em um espetáculo de horror com uma cena macabra e perda maciça de sanidade. Os investigadores recuperam da cena sangrenta as pistas que servirão para entender no que seu amigo havia se envolvido e o que eles precisam fazer para reverter um horror ancestral.

O cenário tem um roteiro bastante intuitivo, os jogadores tendem a seguir um encadeamento de pistas que vão sendo encaixadas uma a uma e levam ao próximo estágio. Logo eles ficam sabendo qual o mistério e invariavelmente seguem para uma casa com fama de ser mal assombrada numa região isolada da Nova Inglaterra. A exploração desse lugar e de seus segredos conduz o grupo a um novo pesadelo do qual parece não haver escapatória. E justo quando eles imaginam que conseguiram escapar, tudo começa de novo.

Eu adoro essa aventura! Ela é perfeita para encontros e one-shot no estilo moedor de carne.

Quando ela é narrada para o grupo certo de jogadores, flui muito bem e geralmente o resultado é ótimo. 

AS FICHAS DE PERSONAGENS:  

Eu sempre gostei de fichas diferentes para os personagens, mas geralmente costumo usar a ficha básica que vem no livro. Mas para essa sessão encontrei na internet essas fichas coloridas que podem ser preenchidas e impressas.

Achei o material de ótima qualidade, tudo é bem fácil de encontrar e apesar delas estarem em inglês e eu preferir em eventos oferecer fichas em português, acho que funcionaram muito bem. 


Criei cinco personagens para a aventura, um grupo bem clássico (e com alguns estereótipos) de Chamado de Cthulhu.

Um Detetive Particular Durão, uma Diletante ricaça, um Médico bastante curioso, um Atleta forte e de bom coração e um Autor de contos de Terror. Escrevi um background curtinho com a história dos personagens e colei num cartão para ficar diante do jogador, com o nome do personagem do outro lado.

O mix do grupo ficou bom. 


OS RECURSOS/ PISTAS

Eu já tinha prontos a maioria dos recursos e pistas desse cenário, mas quis dar uma arrumada neles e torná-los mais bacanas. Imprimi novas versões das fotografias com papel fotográfico, plastifiquei algumas pistas e envelheci alguns papéis para que eles parecessem antigos.

Essas pistas ajudam a criar a ilusão de que o grupo está analisando e processando aquilo que foi encontrado numa cena de crime. 


Eu gosto de esconder pistas e deixar o grupo procurar por elas, por isso usei uma carteira velha e coloquei vários documentos dentro dela, deixando o grupo procurar em cada compartimento por alguma pista escondida.


Deus Pálido tem um dos meus Recursos do Guardião (Handouts) favoritos de Chamado de Cthulhu. Trata-se do desenho de um monstro bizarro feito por uma criança que não sabia exatamente o que estava vendo.

Eu pedi para meu afilhado, que tinha 6 anos na época, para desenhar o monstro a medida que eu ia descrevendo ele, então ficou bem condizente com aquilo que uma criança veria. Não se preocupem, a parte dos corpos e do sangue eu coloquei depois. 

Esse handout funciona que é uma beleza... quando os jogadores o veem pela primeira vez, eles invariavelmente se entreolham.

A CRIATURA NO VIDRO:


Para essa história quis fazer a criatura para representar visualmente aquilo que o grupo encontra durante a investigação. Nem deu muito trabalho criar esse monstrinho com massa bisqui e enfiar ele num vidro de amostras.

Esse tipo de prop é ótimo para evocar aquilo que o grupo está encontrando. Toda vez que eu falava que um dos monstrinhos aparecia na aventura um dos jogadores olhava para o vidro em cima da mesa.

A CADERNETA DE NOTAS:


O outro acréscimo a essa mesa foi a Caderneta achada pelos personagens.

Eu usei uma caderneta de notas criada pelo meu colega Ricardo Ramada que fez um trabalho de primeira envelhecendo as páginas com café. O trabalho ficou tão bom que perguntei a ele se poderia aproveitar o espaço que ainda estava vago para colocar as pistas dessa aventura.

Pretendo usar a mesma caderneta para outras aventuras em que os personagens encontram um caderno contendo pistas/ anotações. Em um próximo artigo vou falar mais à respeito desse prop...



Caprichei na caligrafia bem rebuscada e cheia de estilo e usei uma pena com tinta marrom que deu um visual envelhecido às anotações.

A ideia é que a caderneta continha as notas feitas por um investigador ao longo de um caso em que ele estava trabalhando. Então ela tinha que ser meio bagunçada e caótica com notas de rodapé e considerações aleatórias, como se ele estivesse escrevendo algo para lembrar mais tarde.  



Outra sacada muito boa foi a sugestão do Ricardo de usar uma tesoura especial para recortar as fotos e desenhos que iam ser colados nas páginas. 

As fotos ficaram com essa borda em filigrana que é bem típica de fotografias antigas, tipo álbum de avó. O resultado ficou ótimo!


Eu imprimi as imagens em papel fotográfico e desbotei, escolhendo um tom de sépia condizente com a revelação da época.

Deu um pouco de trabalho para criar a caderneta, mas acho que o resultado final ficou muito bom.

O Jogo:

Com tudo pronto, eu rolei essa aventura no domingo (19/06) no espaço disponibilizado pela Editora New Order no Diversão Off Line.

O jogo foi divertidíssimo e faz toda a a diferença quando os jogadores são bons e se deixam levar pela histórias e pela investigação.

Aqui estão as fotografias que tirei na ocasião:


O grupo de investigadores analisa a caderneta de notas e processa as pistas encontradas na cena do crime.


O monstrinho pálido que em certo momento está em toda parte nesse cenário.


A leitura das anotações é um dos momentos mais importantes desse cenário. O grupo a partir desse ponto traça a sua estratégia de investigação e o que deverão fazer em seguida.


Aquele "Oi" básico durante a sessão.


Isso na mão do meu colega Douglas, acreditem ou não, é uma mega Torre de Dados que nos emprestaram para usar na mesa. 

O negócio parece realmente uma estatueta do Grande Cthulhu e quando fica no meio da mesa impõe respeito.


E essa fotografia final é o já tradicional "placar" da sessão. Os três jogadores agachados na frente perderam seus personagens enquanto os dois ao meu lado sobreviveram às agruras do "Deus pálido" e sua horda.

Bom é isso...

Mais um dia em Chamado de Cthulhu, até a próxima!


quarta-feira, 22 de junho de 2022

Diversão Offline 2022 - O Retorno de um Evento muito esperado

Salvem Investigadores e Cultistas,
No final de semana passado tivemos o Diversão Off Line 2022, evento que celebra a Cultura Geek em todas as suas vertentes e em todas as suas cores. Foi ótimo poder rever os colegas, velhos e novos amigos, gente com quem nós estabelecemos intimidade falando apenas pela internet, ou aquela galera que não se via desde eventos passados e que ansiava por se encontrar novamente.

Posso dizer que, como rato de evento que sou, essa edição foi especial, não apenas por trazer gente de todos os cantos e oferecer um verdadeiro "Quem é Quem" da comunidade de RPG/Boardgame brasileiro, mas por ser o primeiro evento pós-pandemia. Passado esse "longo inverno" todos estavam ansiosos pelo retorno e aproveitar um evento. Com os devidos cuidados, isso foi perfeitamente possível, provando que as coisas estão decididamente voltando ao normal.

E foi ótimo que esse recomeço se dê através do Diversão Off Line, evento que nos últimos anos vem se estabelecendo como o mais importante encontro para o público que curte o segmento de jogos não digitais - Boardgames (Jogos de Tabuleiro) e RPG. O encontro reuniu várias editoras, empresas, lojas e pessoas que trabalha com o segmento de Boardgames, RPG e Mídia Geek para dois dias de muito bate-papo, reencontros, jogos, dados rolando e Diversão à vera.

Ouvi de muitos amigos na internet que o DoffL hoje em dia é mais um evento de Boardgame do que de RPG e que este vem perdendo cada vez mais espaço. Peço licença para respeitosamente discordar dessa opinião. O evento continua sendo de ambas as coisas, atraente tanto para quem busca Boardgames quanto para quem não dispensa o RPG. Da minha parte, eu gosto das duas coisas e acho ótimo que estejam presentes de forma a se integrar e complementar, não para disputar espaço ou medir quem tem mais e quem tem menos seguidores.

No que diz respeito a RPG, tive a chance de não apenas transitar pelos estandes das principais editoras no cenário nacional (New Order, Buró, Jambô, Dungeonist e Retropunk) mas também conversar com os responsáveis por elas. Saber o que está programado para o futuro, conhecer os últimos lançamentos, obter informações sobre produtos e até rolar uns dados amistosamente. Com um pouco de barganha, também deixei o evento carregando mais alguns livros para a coleção. Já no que tange aos Boardgames, as principais empresas também estavam presentes em mega-stands abarrotados com o seu material. Galápago, Bucaneiros, Conclave, Calamity e Funbox ofereciam um excelente espaço para demonstração de jogos, com a maioria oferecendo amostras e gente explicando as regras. Como sempre tivemos o espaço para game designers oferecer uma mostra de seus protótipos. Também haviam stands onde se podia comprar aqueles complementos opcionais que todos adoramos incluir: material para jogos, dados, tokens, sleeves e tudo mais que o aficionado precise (ou não) para sua mesa.

O DoffL aconteceu pela primeira vez no pavilhão do Centro de Eventos Pró-Magno, Zona Norte de São Paulo. É preciso aplaudir a escolha do local para essa edição. O Pró-Magno oferece uma excelente estrutura para esse tipo de evento. Os corredores são bem amplos, as áreas comuns podiam ser percorridas calmamente sem esbarrar uns nos outros e o acesso aos estandes se mostrou tranquilo. A praça de alimentação talvez tenha deixado um pouco a desejar, mas haviam opções para todos os gostos e restaurantes do lado de fora. A localização também me pareceu excelente, com boas opções para acomodações nas redondezas e transporte.

Não seria nada mal, se a organização do Diversão Off Line considerasse a mesma localização para seus futuros eventos. Na minha opinião, esta foi, de longe, a edição que ofereceu a melhor estrutura.

Acredito também que esse tenha sido o evento mais cheio desde que comecei a frequentar o Diversão Off Line. Sábado, a fila dava voltas e voltas no saguão de entrada. Dentro estava bem cheio, mas como o espaço era grande, ficou confortável para quem queria andar pelos estandes ou sentar numa mesa para jogar alguma coisa. Não sei dos números oficiais, mas me parece que sábado foi mais cheio, ainda que domingo também estivesse bastante concorrido.

Como sempre, aproveitei o sábado (18/06), primeiro dia do evento, para passear pelo local e me familiarizar com a geografia do evento. A disposição dos estandes ficou ótima, com as editoras ocupando três faixas do pavilhão. Passei mais tempo na parte destinada a RPG, na companhia de amigos de editoras, mas ainda sobrou um tempinho para jogar um boardgame maroto. Ah sim, aproveitei também para pegar minhas edições devidamente autografadas de Busões e Boletos (do coleguinha Thiago Queiroz e Luiz Lindroth) e o novíssimo Cordel do Reino do Sol Encantado (do Pedro Borges).

Foi ótimo também reunir quase toda galera do Mundo Tentacular, poder trocar ideias e ainda conhecer vários leitores do Blog, dos grupos de Mídia Social e do Servidor Discord. Recebemos várias sugestões, algumas muito interessantes.

No fechamento do primeiro dia, tivemos no auditório a Premiação do Goblin de Ouro, os prêmios oferecidos para os títulos de RPG que mais se destacaram no ano. Embora não tenha ganho na categoria em que estava concorrendo, Melhor Aventura com "No Coração das Trevas", me dou por satisfeito de ter perdido para um excelente título que é A Bandeira do Elefante e da Arara. Quem sabe numa próxima...

Os vencedores do Goblin de Ouro em cada categoria foram:

Melhor aventura: Flagellum Amazonis, A Ilha Abandonada, da Devir
Melhor suplemento: Thordezilhas, Mar de Lírios, de Universo Simulado
Melhor Livro Básico: Tormenta 20, da Jambô Editora
Melhor Coesão de Regras: Ceifadores, da AVEC Editora
Melhor Arte: O Cordel do Sol Encantado, New Order Editora
Melhor Cenário: O Cordel do Sol Encantado
Melhor Mídia Escrita: New Order Magazine, da New Order Editora
Melhor Podcast, Café com Dungeon, do Regra da Casa
Melhor Canal: Biblioteca das Ancestrais
Melhor Produtor de Conteúdo: Prof. Luciano Jorge de Jesus

O domingo (19/06) foi o dia que reservei para narrar RPG e escolhi, é claro, Chamado de Cthulhu como já é tradição. Narrei no estande da Editora New Order que tinha um espaço para os mestres ensinarem regras e apresentar as ambientações da casa. O jogo foi ótimo e será tema de uma próxima postagem específica da Mesa Tentacular.

Terminada a sessão, ainda deu tempo de dar mais uma volta aqui e ali, aproveitar os descontos que invariavelmente aparecem faltando algumas horas para o fechamento e curtir os últimos momentos do encontro.

No geral, posso dizer que o DoffL 2022 foi excelente!

O evento cumpriu todas as minhas expectativas quanto ao retorno de eventos de grande porte e me deixou animado para retornar ano que vem. Eventos como o Diversão Off Line são uma ótima oportunidade para celebrar nosso hobby e reunir num mesmo local pessoas que trabalham ou simplesmente amam esse mundo fantástico.

A espera foi longa, mas valeu a pena.




























terça-feira, 21 de junho de 2022

Anomalias Históricas - Objetos que desafiam nossa compreensão


A história está repleta de todos os tipos de mistérios que continuam a nos deixar perplexos. Muitos deles permanecem até os tempos modernos nos intrigando e desafiando a fornecer uma explicação para sua mera existência. De muitas maneiras, por vezes, parece que há tanto que não sabemos quanto o que sabemos. 

Dentre as maiores estranhezas que surgem das profundezas da história encontram-se os "artefatos fora do tempo", itens que desafiam uma classificação razoável pois não se enquadram no período histórico em que foram criados. Esses objetos misteriosos podem simplesmente nos causar confusão, mas outros ameaçam mudar a história como a conhecemos. São anomalias indescritíveis que custamos a compreender o propósito, como foram feitos e por quem. 

Há artefatos surpreendentes que simplesmente não deveriam existir, mas que continuam a aparecer em escavações arqueológicas, em tumbas ancestrais ou nos restos de naufrágios. Aqui está uma seleção de estranhas Anomalias Históricas que foram encontradas ao longo dos anos.

Muitas dessas descobertas assumem a forma de artefatos achados em lugares onde não deveriam estar. Em 1933, uma escavação arqueológica liderada pelo arqueólogo José García Payón no Vale de Toluca, a apenas 70 quilômetros da Cidade do México, encontrou algo bastante estranho entre os muitos artefatos pré e pós-colombianos desenterrados no local. A área foi reconhecida como sendo um túmulo e, como tal, continha muitas oferendas deixadas por visitantes há muito esquecidos. Vários objetos eram feitos com metais e pedras preciosas; de ouro, cobre, turquesa, cristal de rocha, azeviche, osso, concha e cerâmica, todos datados de entre 1476 e 1510 dC. Entretanto, em meio a estes tesouros mais mundanos, foi encontrada uma pequena cabeça de terracota que não se encaixava em nenhuma das representações familiares a pessoas daquela região. 


Quando a cabeça foi examinada, ficou imediatamente claro que ela era muito mais antiga que os demais objetos e que tinha um estilo distinto. De fato, era muito semelhante aos artefatos encontrados na Roma antiga, o que não parecia fazer nenhum sentido, pois foi achada num Túmulo pré-colombiano em pleno México. A datação posterior realizada por carbono colocou as origens da peça em algum lugar entre os séculos IX e XI dC, tornando-a consideravelmente mais antiga do que o local em que foi encontrada e gerando teorias de que seria evidência de algum tipo de contato entre os antigos romanos e os mesoamericanos. 

De sua parte, o próprio Payón varreu a estranha descoberta para debaixo do tapete, não publicando nada sobre a descoberta até 1960. Em anos posteriores, o que veio a ser conhecido como a cabeça Tecaxic-Calixtlahuaca foi mais discutido e analisado. Em 2001, ela foi examinado pelo arqueólogo Romeo H. Hristov, da Universidade do Novo México. Hristov chegou à conclusão de que na verdade datava do século II dC, e que devido à sua idade e ao penteado e barba característicos da figura representada, ela deve ter sido um artefato romano que foi trazido para a região em tempos pré-colombianos , afirmação que seria compartilhada por Bernard Andreae, diretor emérito do Instituto de Arqueologia em Roma, que escreveria:

"[a cabeça] é, sem dúvida, romana, e a análise de laboratório confirmou que é bastante antiga. O exame estilístico diz-nos mais precisamente que se trata de uma obra romana de por volta do século II d.C., e o penteado e a forma da barba apresentam os traços típicos do período dos imperadores severianos [193-235 d.C.], exatamente à 'moda ' da época. Não haveria como tal objeto ter surgido em uma cultura distinta, pois até memso o estilo de sua confecção se iguala ao usado na Roma Antiga no referido período".


As origens da misteriosa cabeça e como ela teria aparecido no México continuaram a ser discutidas e debatidas, e muitas outras ideias surgiram sobre o assunto. Para alguns, se tratava simplesmente de um artefato trazido pelos primeiros exploradores europeus ou mesmo pelos vikings nos tempos pré-colombianos, embora não esteja claro como ela acabou indo parar naquele túmulo. Ela também poderia ter sido trazida em algum momento por comerciantes da Ásia, como China ou Índia, onde de alguma forma chegou até aquele local. Poderia até mesmo ter, de alguma forma, se deslocado para o México a partir de algum naufrágio romano distante ou ainda, poderia ser tão somente uma farsa completa que foi plantada no local como uma brincadeira. O mistério persiste, mas uma coisa é certa, não existe uma explicação sobre como uma antiga cabeça romana de terracota teria surgido na Cidade do México.

Quase tão estranha foi uma descoberta feita em 1954, quando um arqueólogo amador chamado Guy Mellgren tropeçou em algo decididamente estranho enquanto explorava no estado de Maine, nos Estados Unidos. Mellgren estava vasculhando o local do que foi um assentamento de nativos americanos em Naskeag Point, quando encontrou um depósito de antigos artefatos nativos. Enquanto vasculhava sua descoberta, encontrou o que parecia ser uma antiga moeda de prata, terrivelmente deslocada ali entre as relíquias nativas. Sem saber o que havia encontrado, Mellgren levou a moeda a especialistas e então, as coisas ficariam ainda mais estranhas.


Especialistas que examinaram o objeto altamente corroído, a princípio pensaram que se tratava de uma moeda britânica do século XII. Ela foi posteriormente arquivada com outras relíquias como uma mera curiosidade. Contudo, em 1978 a moeda foi reexaminada e descobriu-se que era de fato uma moeda muito mais antiga. Era uma moeda norueguesa, que remonta ao reinado de Olaf Kyrre, que foi rei da Noruega entre os anos de 1067 a 1093 dC. Esse dado foi confirmado por outros especialistas e não está realmente em disputa, mas o que é menos claro é como ela acabou indo parar em um assentamento nativo americano que data de algo em torno de 1240? 

Embora saibamos que os navegadores nórdicos montaram assentamentos na Groenlândia e que de lá se lançaram na direção da Terra Nova, muito antes de Colombo, chegar até o litoral do Maine seria uma façanha pouco provável. As teorias variam desde que os vikings viajaram para o sul, onde fizeram contato com os nativos da região, o que reescreveria a história como a conhecemos, ou que os nativos do norte trocaram a moeda com outras tribos, após o que, ela fez o seu caminho para o Maine. 

O que torna tudo ainda mais desconcertante é que entre os 30.000 artefatos encontrados no local, esta moeda é a única coisa de origem nórdica descoberta. Um contato entre dois povos não deveria ter gerado algo mais além de uma simples moeda? É claro que também existe a ideia de que a moeda não passaria de uma fraude, mas no final a "Goddard Coin", também chamada de "Maine Penny", continua sendo um curioso mistério não resolvido.


Mas nem todos artefatos que podem ser chamados de Anomalias Históricas são pequenos e conseguiriam ser transportados facilmente de um canto para o outro do mundo. Um bom exemplo desse tipo de descoberta impressionante é um gigantesco pedregulho de 80 toneladas encontrado em uma encosta da Hidden Mountain, no estado do Novo México no ano de 1933. Ele foi achado por Frank Hibben, um arqueólogo da Universidade do Novo México e desde então tem causado grande alvoroço. 

Um guia local, alegou que ela havia sido encontrada pela primeira vez na década de 1880, e foi este guia quem levou Hibben até a notável pedra monolítica. Sobre uma enorme laje de rocha sólida havia uma área achatada sobre a qual foi inscrita cuidadosamente uma passagem no que parecia ser hebraico antigo. Tudo isso era muito estranho, considerando que a data da inscrição foi estimada entre 500 a 2.000 anos. Isso a coloca bem fora do período de tempo para os antigos habitantes da região e para qualquer presença de hebreus na América do Norte.

Especialistas que examinaram o que veio a ser conhecido como a Pedra do Decálogo de Las Lunas, acreditam que ela pode ter sido usada como uma antiga mezuzá samaritana, que eram pedras colocadas em sinagogas e outros lugares importantes e gravadas com passagens do Decálogo. Objetos similares foram encontrados no Oriente Médio e algumas partes do Norte da África, contudo, isso não explica como essa foi parar no Novo México 2 mil anos atrás. 


Embora algumas pessoas considerem que a pedra possa ser evidência de visitação pré-colombiana por exploradores semitas, também há muitas críticas que atestam ser ela provavelmente uma farsa engendrada por colonos no século XIX ou talvez até mesmo realizado pelo próprio Hibben. O arqueólogo Kenneth Feder está entre os céticos e negou a autenticidade da pedra, dizendo:

"Não há antigos assentamentos hebreus pré-colombianos, nem sítios contendo os detritos cotidianos de uma comunidade de antigos hebreus, nada que mesmo um conhecimento superficial de como as formas de registro arqueológico exigiriam que existisse. Do ponto de vista arqueológico, isso é claramente impossível."

No entanto, a pedra ainda é amplamente discutida e debatida, e seu mistério está longe de ser resolvido. É difícil estudá-la, pois seu tamanho imenso a torna incapaz de ser movida para um museu. Vândalos destruíram parte das inscrições e nunca houve um consenso sobre de onde veio essa pedra misteriosa ou por que ela contém trechos em hebraico antigo. Essa pedra monstruosa com suas marcas enigmáticas é evidência da presença pré-colombiana de colonos de língua hebraica no Novo Mundo, ou é tudo falso? 


Algumas anomalias históricas, não estão necessariamente fora de lugar, mas ainda assim conseguem permanecer enigmáticas. Em 1929, o teólogo alemão Gustav Adolf Deissmann estava catalogando itens na vasta biblioteca do Palácio Topkapi, em Istambul, na Turquia, quando se deparou com um maço velho e empoeirado de pergaminho de pele de gazela aparentemente descartado. Teria parecido basicamente lixo na época, mas quando o pergaminho foi desenrolado, viu-se que continha dentro de si uma descoberta surpreendente.

Ali sobre o pergaminho havia parte de um mapa intrincado, diferente de tudo que Deissmann já tinha visto, e quando foi analisado por especialistas, descobriu-se que foi feito pelo almirante e cartógrafo otomano Piri Reis no ano de 1513 dC. Embora apenas um terço do mapa estivesse intacto, faltando o restante, descobriu-se que este não era apenas um mapa antigo comum, pois parecia ser parte de um planisfério real. A carta era ainda mais chocante por ser incrivelmente precisa para a época em que foi confeccionada. Aquele era um mapa que delineava corretamente terras tão distantes como Europa, África, ilhas do Caribe e até América do Sul, ilhas como Açores e Ilhas Canárias e Japão, bem como áreas até então desconhecidas, como Nova Escócia, a costa da Antártida e a Cordilheira dos Andes. Tudo isso em uma época em que muitos desses lugares ainda não haviam sido descobertos.

O mais intrigante é que todos esses lugares eram descritos com uma precisão impressionante, virtualmente impossível para a época. De fato, alguns especialistas chegaram a afirmar que o mapa simplesmente não poderia ter sido feito sem contar com imagens de satélite, pois os recortes da costa e litoral, eram incrivelmente apurados. E tudo isso num mapa elaborado em 1513!



Ninguém conseguia explicar como tais informações poderiam estar presentes naquela carta náutica. Como Piri Reis poderia ter obtido aquelas informações? No entanto, havia indícios de que o mapa listava outras fontes, incluindo vários outros mapas árabes e indianos, e até mesmo mencionando um mapa mítico supostamente compilado por Cristóvão Colombo antes dele empreender sua viagem. Acredita-se que este mapa perdido pudesse ter sido o primeiro mapa do mundo e especula-se que ele foi feito no século XII. Este mapa nunca foi encontrado, mas supõe-se que Piri Reis o viu e o usou junto com cerca de vinte outros mapas na criação de sua própria carta geográfica.

Até hoje, a impressionante precisão do Mapa de Piri Reis persiste como uma anomalia desconcertante que deixa os historiadores sem palavras. Como ele conseguiu essas informações? Como foi capaz de mapear lugares que sequer haviam sido descobertos na época? O que as porções perdidas revelariam?

Algumas anomalias históricas são ainda mais intrigantes, pois ninguém sabe ao certo o que são e qual o seu propósito. Ao longo de muitas partes do que já foi o Império Romano, foram encontrados centenas de pequenos objetos de bronze medindo de 2 a 5 polegadas de diâmetro e com uma forma única de 12 faces pentagonais planas com buracos e botões sobre eles. Embora muitos exemplos desses artefatos tenham sido encontrados, e eles tenham certamente origem romana, ninguém tem a menor ideia de para que eles foram usados. Não há registros escritos ou planos de design conhecidos para eles, e esses "dodecaedros" foram considerados como ferramentas de navegação, instrumentos do zodíaco, ferramentas de astronomia, instrumentos de tricô, calendários, castiçais ou até brinquedos infantis. 



Seu palpite é tão bom quanto o de qualquer um e, embora existam muitos desses objetos e eles pareçam bastante comuns, provavelmente os dodecaedros romanos permanecerão um mistério impenetrável.

Nem todos os objetos históricos enigmáticos são tão antigos, e também houve algumas dessas estranhezas em tempos mais recentes. Em 1968, um prédio em Chicago, nos Estados Unidos, estava sendo reformado quando um muro foi derrubado para revelar que lá se escondia uma motocicleta novinha em folha da Primeira Guerra Mundial. Seu design contudo era o que a tornava única, era tão distinto que ninguém jamais havia visto tal coisa. Ela tinha um design de motor único, desconhecido nas motocicletas da época, um sistema de freio inovador, peças feitas especialmente para esse modelo e detalhes jamais vistos em outras motocicletas da época. 

No geral, ela era muito mais avançada do que qualquer outra coisa criada em sua época. Além disso, o veículo ainda funcionava sem problemas e não parecia ter se desgastado após décadas escondido atrás de uma parede. O mais estranho de tudo, a motocicleta tinha uma única palavra escrita nela, "Traub" cujo significado é quase tão enigmático quanto quem e como ela foi construída.


Quando os primeiros proprietários do prédio foram localizados, eles conseguiram esclarecer um pouco do mistério, dizendo que seu filho havia roubado a motocicleta e a escondido atrás do muro antes de partir para lutar no exterior durante a Grande Guerra. Contudo, isso de pouco adiantou. para explicar de onde veio ou quem a construiu. A misteriosa moto desde então passou a fazer parte da coleção do Museu Wheels Through Time, e até hoje não foi encontrado nenhum outro exemplar desta moto com seu design moderno. Não surgiu também quaisquer outras peças para ela, modelo, planta ou equipamento. Ninguém sabe quem a fez, e continua sendo um artefato impossível.

Ainda mais recentemente, em 2014, foi feito um achado incomum por guardas florestais no Great Basin National Park, em Nevada. Enquanto patrulhavam uma área bastante remota do parque, eles encontraram uma árvore no meio do nada que tinha encostado nela um rifle de aparência muito antiga, apenas cuidadosamente apoiado e abandonado naquele ermo. Logo se descobriu que o rifle era um antigo rifle Winchester Modelo 1873 que havia sido fabricado entre os anos de 1873 e 1919, e que teria sido considerado uma valiosa herança. 

A arma também estava em muito boas condições, e mesmo agora ninguém consegue descobrir por que alguém simplesmente deixaria essa arma antiga simplesmente encostada na árvore. Ela foi deixado lá por algum pioneiro, garimpeiro ou caçador do século XIX? Foi abandonada por um colecionador de armas por razões que nunca saberemos? Ou ainda, foi deixado para trás por um viajante do tempo? Quem sabe? A arma está em um museu sem dono conhecido.


Neste artigo vimos apenas algumas amostras de Anomalias Históricas que conseguiram escapar da compreensão por estarem fora do lugar, vindo do nada ou que são simplesmente muito estranhas. É interessante imaginar que, por mais que pensemos que conhecemos a história, ainda sabemos muito pouco sobre nosso passado. 

Esses artefatos que surgem de tempos em tempos desafiam nossas percepções e constituem enigmas que talvez jamais venhamos a resolver. Certamente parece que a história ainda está longe de ser inteiramente decifrada, uma vez que, escondida nos cantos, ainda existem sombras difíceis de iluminar.