sábado, 13 de julho de 2019

Oeste Macabro - Uma lista de Filmes de Horror e Western



Dentre os muitos subgêneros e combinações possíveis para filmes de terror, o Oeste Macabro parece ser uma mistura digna de nos causar pesadelos. O Oeste era rico em elementos assustadores:  o isolamento, o sempre presente temor pela fome, animais perigosos e nativos hostis, acrescido com as condições brutais do deserto, do clima e das superstições... No oeste selvagem, além da fronteira da civilização, a impressão é que tudo, praticamente tudo, conspirava contra você para te ferir, enlouquecer ou matar.

A vida no oeste era dura, brutal, violenta e jogar um punhado de horror nesse ambiente torna tudo ainda pior, de uma forma ideal para o gênero. Que outro lugar ou época fornece um pano de fundo tão adequado para florescer a paranoia, o medo e o terror? 

Bom, sem me alongar muito, aqui estão alguns filmes de Oeste Macabro para assistir e se inspirar.

A CASA DOS PÁSSAROS MORTOS 
(Dead Birds/ 2004) 


Vamos começar com um pequeno filme chamado "A Casa dos Pássaros Mortos", que infelizmente é pouco conhecido.

A história se passa em 1863 e acompanha um bando de desertores confederados nos anos que se seguiram ao fim da Guerra Civil. Depois de roubar um carregamento de ouro enviado para um forte (em um assalto extremamente violento logo no início do filme), os criminosos procura um esconderijo para escapar das autoridades. Eles decidem se esconder em em uma velha fazenda nos arrebaldes do Alabama. O lugar parece ter sido abandonado durante a guerra e cercado por um vasto milharal, eles se sentem seguros. Enquanto esperam a poeira baixar, o grupo começa a experimentar uma série de acontecimentos sobrenaturais e um por um os bandidos começam a temer pela sua sanidade e pelas suas vidas. 

Vez ou outra, você acaba esbarrando em um filme que passou desapercebido e que acaba sendo melhor do que você imaginava. "A Casa dos Pássaros Mortos" é um desses filmes que se transforma numa grata surpresa! Ele oferece uma história simples, mas com uma boa dose de medo, paranoia, desconfiança e terror. 

Lançado direto no mercado de video sem muito alarde, o filme tem um elenco acima da média e uma condução segura, ainda mais se considerar que é o primeiro filme do diretor Alex Turner. Ele tem o mérito de criar uma atmosfera de ameaça, mesmo que tudo que você esteja vendo e ouvindo sejam sombras e ruídos estranhos. Sim, o filme abusa de alguns clichés típicos de casa mal assombrada e de filme de monstro, mas é bem acima da média. E os elementos de western são bastante convincentes. Além disso, a produção consegue superar o orçamento apertado e embora abuse do gore funciona bem.    


OLHOS DE FOGO

(Eyes of Fire/ 1983)



Esse eu assisti apenas uma vez na televisão, faz uns bons anos e acabou me marcando bastante. Confesso que não lembrava o nome e tive que fazer uma pesquisa a respeito para relembrar alguns detalhes da trama.

Esse pequeno filme de baixo orçamento merece destaque nessa lista por fugir do lugar comum. A história mistura drama de época, folk horror e bruxaria tendo como pano de fundo as pradarias americanas bem no início da colonização em direção ao pacífico. É um filme que possui uma aura mística carregada e bem construída, com uma atmosfera invejável para uma produção menor de terror dos anos 80.

Na trama, Will Smythe, um hipócrita reverendo de uma cidadezinha nos cafundós do oeste é acusado de adultério e poligamia. A população local fica tão furiosa que ameaça enforcar o sujeito, mas ele consegue escapar graças a sua protegida (uma moça com fama de ser filha de uma bruxa - e que possui poderes sobrenaturais). Acompanhado de um pequeno grupo de seguidores fiéis, ele foge para uma região deserta e lá convence os demais da existência de uma terra prometida onde eles devem construir seu povoado. 

O grupo acaba encontrando esse santuário em um território isolado, evitado pelas tribos locais que consideram a profanação dessas terras por homens brancos não apenas uma invasão, mas uma grave ameaça. A medida que tentam se fixar no lugar, os colonos enfrentam além do ataque de índios hostis, uma presença maligna que está impregnada no próprio solo, nas árvores e pedras.

O filme explora bem uma faceta pouco comum em produções do gênero Western: bruxaria e magia negra. Tudo parece muito autêntico, em especial a maneira como as superstições, o folclore nativo e o temor diante de um lugar desconhecido, são explorados.

Eu queria muito assistir novamente, mas infelizmente esse filme é extremamente difícil de encontrar.

Apenas um aviso, antes de assistir ao trailer abaixo, já deixo claro que ele não faz jus ao filme. De fato, é uma das piores propagandas de um filme que eu já vi. Parece até que o objetivo era espantar o público. Mas como foi o único trailer que encontrei, assista, mas não pense nele como a tosqueira que esses 2 minutos e 15 segundos sugerem com todas as suas forças. Olhos de Fogo é um filme bem interessante.


ESCAVADORES 
(The Burrowers/ 2006)


Antes de se tornar famoso como criador e designer de video-games, J.T. Petty (responsável pela série Outlast) escreveu e dirigiu alguns filmes de horror e ficção. O mais conhecido deles foi essa pequena produção de Western Macabro de 2006.

Contando com um elenco reunindo Clancy Brown, Doug Hutchison, Jocelin Donahue, e outros, Escavadores é um filme danado de sinistro. Tendo como ambientação as pradarias do Território de Dakota, o filme acompanha um grupo de resgate enviado para uma região agreste em busca de uma família de colonos que teria desaparecido em circunstâncias inexplicáveis. Teme-se que os responsáveis pelo sumiço sejam índios, mas logo fica claro que algo mais sanguinário e aterrorizante está por trás dos acontecimentos. A produção consegue conciliar dois elementos de maneira muito eficaz: temos a tensão racial entre colonos brancos e nativos americanos e a mitologia muito bem construída de estranhos monstros responsáveis pelo terror sobrenatural.

Passando-se em 1879, época de grandes transformações na região, por conta da descoberta de ouro e a chegada de uma multidão tentando fazer fortuna, o filme retrata sem pudores a ambição dos pioneiros que arriscavam tudo em busca de riqueza. A produção é acima da média, com uma excelente caracterização dos personagens e grande atenção aos detalhes do figurino e da direção de arte. 

As criaturas subterrâneas chamadas de "Escavadores" pelos nativos, começam a atacar homens por conta da escassez de alimento provocada pelo abate sistemático de búfalos nas pradarias. Os monstros literalmente nadam sob a terra e surgem do nada para agarrar e arrastar suas vítimas para as profundezas. Ninguém sabe quando e onde eles vão aparecer e isso contribui para uma sensação de insegurança constante. As criaturas até podem lembrar os monstros de "O Ataque dos Vermes Malditos" (Tremors), mas o tom desse filme é bem mais sério, como cabe a um filme de horror.


AMALDIÇOADA
(Brimstone/2016)


"Amaldiçoada" não é exatamente um filme de horror, no sentido que ele não apresenta monstros ou criaturas sobrenaturais como os demais, porém incluí ele por retratar outras faces medonhas do período. O filme de Martin Koolhoven não poupa o espectador de cenas brutais e violentas, com direito a tortura e sadismo, tudo isso para falar de fanatismo e intolerância temas muito presentes na época (e que ainda nos assombram). 

"Brimstone", significa Enxofre e é um termo usado para definir religiosos que em seu sacerdócio adotam um postura severa e exigem de seu rebanho um comportamento austero. Qualquer transgressão é considerada uma falta grave e os desvios de conduta são punidos com todo rigor. A história é pesada, difícil de assistir e repleta de injustiças que fazem a gente ter que parar de vez em quando para tomar um ar.

Com um elenco de primeira, o filme tem como protagonista Dakota Fanning, no papel de uma mulher muda, tratada como amaldiçoada pela comunidade e Guy Pearce como um reverendo que se identifica com um Cão de Caça à serviço de Deus. O embate dos dois chega a soltar faíscas! A personagem de Fanning, Liz, se vê acossada pelo novo reverendo que chega à uma pequena cidade na fronteira e rapidamente impõe sua lei de tolerância zero com tudo que ele considera errado aos olhos de Deus. Temendo pela sua vida e de sua família, Liz se lança em uma fuga desesperada pela paisagem inóspita em pleno inverno, sendo perseguida de perto pela posse enviada atrás dela.   

O filme é claustrofóbico, sufocante e em alguns momentos mais assustador do que muitos de horror mais clássico incluídos nessa lista. Vale a pena assistir muito mais pela reflexão proposta do que pelo entretenimento, além disso, é uma ótima sugestão para quem gosta de filmes densos.
      

NOITE DE HISTÓRIAS DE TERROR 
(Grim Prairie Tales/1990)


"Você quer ouvir uma história"?

Com essa pergunta, o filme "Noite de Histórias de Terror" se desenrola, narrando o encontro entre um jovem e inexperiente viajante do deserto que planeja encontrar sua esposa e um calejado e cínico Caçador de Recompensas que leva sua sinistra presa amarrada no cavalo. Essa dupla incomum divide um acampamento nas pradarias do oeste, e enquanto tentam se aquecer na fogueira, trocam histórias de terror que ouviram em suas andanças. As histórias envolvem uma vingança de nativos contra o profanador de um cemitério, uma pioneira às voltas com uma gravidez em pleno deserto, um pistoleiro assombrado por suas vítimas e uma família forçada a participar de um linchamento e tendo que viver com suas consequências. Como se trata de uma antologia, algumas histórias são melhores que outras, e nem todas são de horror, mas envolvem situações bizarras.

O melhor do filme é a interação entre os dois personagens que contam as histórias. Brad Dourif (o Grima, Língua de Serpente do Senhor dos Anéis) é um baita ator, mesmo em início de carreira e se sai bem como um jovem que sabe muito pouco sobre os perigos do oeste. Já o seu parceiro é ninguém menos que o grande James Earl Jones (a voz de Darth Vader em pessoa) que empresta seu físico avantajado e principalmente o vozeirão empostado para criar a atmosfera de terror.

Eu gosto desse filme, mas é inegável que ele envelheceu um bocado e tem um certo ranço de produto dos anos 1980, ainda assim vale como curiosidade.    

Para quem quiser experimentar, aqui está o filme inteiro legendado, não apenas o trailer. 


HOMEM MORTO

(Dead Man/1995)



E agora, um momento para algo completamente diferente.

Dead Man não é para todos, reconheço isso, mas essa lista não estaria completa sem esse filme pra lá de esquisito. Em preto e branco, contando com um elenco de estrelas em papéis secundários e personagens bizarros, ele deixa um gosto estranho na boca. É daqueles filmes que alguns metidos gostam de chamar de "filme de arte", mas na minha opinião é simplesmente uma das coisas mais estranhas que eu vi em se tratando de western. Sequer sei se dá para chamar ele de "western de horror", embora as situações mostradas sejam bem compatíveis com o gênero.

Na trama, Johnny Depp é William Blake, um pacato contador nascido na Filadélfia que viaja para a fronteira do oeste selvagem onde tem uma oferta de trabalho. Ele está longe de ser alguém preparado para esse lugar ríspido, tanto que todos o olham com uma expressão de reprovação e condescendência. Um mal entendido acaba resultando em um tiroteio, morte, e ele tem a cabeça colocada à prêmio por um rico magnata das ferrovias. Um bando de caçadores de recompensa é incumbido de trazê-lo vivo ou morto e dá início a caçada. Em sua jornada pelos cantos mais soturnos do oeste, ele encontra personagens misteriosos e se alia a um índio letrado que o confunde com o poeta britânico William Blake e passa a acompanhá-lo esperando absorver sua sabedoria. 

Dead man é um filme reflexivo e bastante lento, a história avança em seu próprio ritmo a medida que o personagem de Depp começa a abandonar a civilidade e abraçar a selvageria do ambiente que o cerca. O melhor, no entanto, são as figuras que ele encontra no caminho, em especial o trio de Caçadores de Recompensas mandado em seu encalço, personagens cheios de maldade e dispostos a tudo para cumprir seu contato. 

Um filme um tanto obscuro, mas que vale a pena arriscar.   


MORTOS DE FOME
(Ravenous/ 1998)



Guardando semelhança com o sinistro caso da Passagem Donner, um famoso caso de canibalismo e morte nas montanhas rochosas, Mortos de Fome é um filme no mínimo estranho. Tendo lugar na pouco explorada Califórnia de 1840, a história envolve folclore, mitos dos nativos americanos e uma boa dose de terror (e por que não, humor).

 A chegada de um estranho a um forte, no auge de um inverno especialmente gelado, traz a notícia de que uma família que vive em uma região isolada precisa ser resgatada antes que congele. Há também rumores de desaparecimentos e estranhos relatos de atividade de índios hostis. Um grupo de soldados são enviados para o salvamento, mas estes acabam se perdendo numa nevasca e logo se vêem ameaçados pela presença de um assassino canibal entre eles. O jogo de gato e rato vai se intensificando a medida que uma aura de bizarrice acompanha a jornada pela paisagem deslumbrante do oeste. Mortos de Fome também é feliz ao invocar a sinistra Lenda do Wendigo, o monstro canibal que espreita no norte, e reinterpreta o mito para tirar proveito dele.

Amparado por um elenco de primeira em que se destacam Guy Pearce e Robert Carlyle, a diretora Antonia Bird consegue equilibrar suspense, horror e uma dose generosa de humor negro no roteiro. Reconheço que esse é um filme que foi me ganhando aos poucos. Quando assisti pela primeira vez, achei meio bobo, mas quando vi novamente alguns anos depois, comecei a gostar e hoje ele é um dos meus favoritos dentro do Oeste Macabro.


RASTRO DE MALDADE
(Bone Tomahawk/2015)


Esse filme se destaca quando tratamos do gênero Oeste Macabro.

Rastro de Maldade é um daqueles filmes brutos e impiedosos que não poupa nada e ninguém. Ele demole conceitos e pulveriza qualquer romantismo a respeito do Velho Oeste. A história é seca, com uma narrativa crua repleta de sangue, sadismo e horror. Se você se sente incomodado com essas coisas é bom passar longe, mas para quem adora uma boa gore-fest, esse filme é praticamente obrigatório.

Reunindo um elenco impecável, onde se destacam Kurt Russel, Patrick Wilson e Richard Jenkins, Bone Tomahawk (que se refere a legendária machadinha usada pelos indígenas) é agonizante. O retrato da vida cotidiana dos pioneiros que habitavam os limites da civilização é apresentado sem qualquer glamour. Tudo é rude, áspero e abrasivo ao extremo!

A história é simples, mas funciona muito bem. Um pequeno povoado pelos idos de 1890, ironicamente batizado de Bright Hope (Esperança Brilhante) é atacado por misteriosos nativos que na calada da noite roubam cavalos e sequestram alguns habitantes. O xerife da cidade, organiza uma posse para ir atrás dos nativos e se possível trazer de volta seus vizinhos e entes queridos. A jornada pelo deserto é marcada por condições desfavoráveis, ferimentos e perigos. Mas nada prepara o grupo de resgate para o que eles encontram nas cavernas habitadas por um tenebroso clã de trogloditas responsáveis pelo ataque.

Kurt Russel (que estava filmando "Os Oito Odiados" quase ao mesmo tempo) lidera o grupo em busca de vingança e esbarra em algo inimaginável. Mesmo um bando de pessoas acostumadas com a dureza do oeste não poderia imaginar o horror no qual estão mergulhando! A tribo degenerada é adepta de canibalismo e de rituais sádicos de tortura e sacrifício que são mostrados sem dó nem piedade. Em alguns momentos a riqueza de detalhes soa incômoda, mas isso não atrapalha o espetáculo sanguinolento que é Rastro de Maldade.

Um filme para os fortes, ou para os que querem encarar um legítimo Oeste Macabro.     


O VENTO (The Wind/2019)



Esse filme acabou de sair e vinha sendo aguardado ansiosamente pelos fãs do gênero.

Valendo-se de uma narrativa lenta que vai escalando, saindo do drama de época e adentrando o horror, o Vento tem momentos sinistros e agoniantes. A diretora Emma Tammi aposta em uma pitada de terror gótico, mistério e nuances de um horror incompreensível - e que jamais é explicado, habitando as pradarias.

Na história se passando no final do século XIX, Elizabeth, uma mulher forte e determinada vive em um território praticamente deserto com seu marido Isacc. As dificuldades e o isolamento são esmagadores, por isso eles se alegram quando outro casal, bastante parecido com eles, decide se mudar para uma cabana próxima. A familiaridade acaba juntando os dois casais, mas quando a vizinha engravida, ela começa a reclamar de estranhas entidades que vagam pelo deserto e que parecem interessadas na criança que ela está carregando. Depois de uma tragédia, Elizabeth fica sozinha, tomando conta da propriedade e acaba sendo visitada por essa manifestação diabólica.

O filme é bem interessante, um retrato brutal da dureza da vida na fronteira. Por vezes, não se ouve nada a não ser o vento onipresente que sopra pela pradaria apagando velas e batendo portas, o sinal de que o oponente sobrenatural está por perto. A trilha sonora também se encaixa bem nas cenas e a trama é costurada em flashbacks que narram a história com a cronologia indo e vindo.

Imagino que não seja para todos os gostos, mas sem dúvida é uma produção acima da média que vale a pena assistir.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Regra da Casa - Podcast do "Café com Dungeon" com o Mundo Tentacular

Para quem não assistiu, essa foi nossa participação no podcast do Regra da Casa - Café com Dungeon.

Neste segundo episódio da coluna com o Mundo Tentacular, Rafael Balbi recebeu Luciano Giehl e Thiago Queiroz, para resgatar conhecimentos proibidos de tomos empoeirados e blasfemos, para versar sobre as muitas eras de Cthulhu, dando uma passeada incrível pela história dos mitos, desde antes de Cristo até o futuro distante, comentando publicações e jogos interessantíssimos que cobrem cada período.


Foi uma conversa bem legal e o pessoal do Regra Da Casa tem um excelente podcast!

Para quem quiser ouvir, está aqui:

quarta-feira, 10 de julho de 2019

RPG do Mês: Down Darker Trails - O Horror Cósmico visita o Velho Oeste


"Cowboys e Índios" habitam o coração de nosso hobby.

Um grande roleplaying game lá em sua gênese tentou explicar o que era um jogo de interpretação de papéis traçando paralelo entre roleplay e brincadeiras de "cowboys e índios" (assim como polícia e ladrão) que fazem parte da infância de todas as crianças. Portanto, não causa surpresa que nosso hobby tenha vários jogos que usam a temática do Velho Oeste como pano de fundo para contar histórias. O primeiro foi Boot Hill, lançado pela TSR no distante ano de 1975, mas muitos outros o seguiram. GURPS Old West da Steve Jackson Games, Deadlands da Pinnacle, Aces & Eighties da Kenzer, o Faroeste Arcano, Dustdevils, para citar apenas alguns dos mais conhecidos. 

Jogos se passando no oeste parecem atrair todo tipo de público, provavelmente pelo fascínio que essa época selvagem e violenta naturalmente desperta em todos nós. Ironicamente, não é de hoje, que muitas ambientações centradas no Velho Oeste combinam o ambiente da fronteira bravia com pinceladas de Terror. Deadlands talvez seja o mais conhecido dos jogos que fundem com maestria horror e tiroteios, medo e cavalgadas, cowboys e mortos vivos...

É inegável que a combinação foi bem recebida pelo público e crítica. Deadlands foi agraciado com o prêmio Origins como melhor RPG e tem um público fiel até hoje. Mas embora ele se esmere em misturar Velho Oeste e Terror, nunca houve um jogo que trabalhasse especificamente o Horror Cósmico de H.P. Lovecraft para esse ambiente. Alguns suplementos de Deadlands arranharam a superfície, mais notoriamente o conhecido "Adios, A-Mi-Go" que colocava os jogadores no papel de cowboys enfrentando uma ameaça vinda de Yuggoth. Outros bons exemplos foram as aventuras "The Good, the Bad, and the Utterly Insane" (o Bom, o Feio e o completamente Insano) publicado na revista Worlds of Cthulhu e "Madness Shall Rise to Devour the West" (A Loucura se levantará para devorar o Oeste) um cenário da campanha Red Eye of Azathoth de Call of Cthulhu. Sem esquecer ainda Devil’s Gulch, uma ambientação do Basic RolePlaying se passando em um oeste sobrenatural usando o BRP como plataforma.


Mas foi o suplemento Down Darker Trails: Terrors of the Mythos in the Old West que sem dúvida foi mais longe na tarefa de combinar o Velho Oeste com as criaturas Cthulhianas.

Publicado pela Chaosium em 2018, Down Darker Trails (doravante DDT) é um suplemento oficial da sétima edição de Chamado de Cthulhu. Contudo, ele não é exatamente Call of Cthulhu como conhecemos, uma vez que foi concebido para ser usado - como opção - em Pulp Cthulhu. A ideia é que o ambiente do oeste pode ser usado para cenários de terror sim, mas com personagens capazes de enfrentar essa ameaça em pé de igualdade. Para mais informações, sobre Pulp Cthulhu, vale a pena ler a resenha desse livro aqui no Mundo Tentacular (nesse link colorido). Essa proposta aproxima, DDT mais dos contos e histórias de horror escritas por Robert E. Howard, do que de H.P. Lovecraft. Não me entendam mal, o horror continua lá, firme e forte, mas há espaço de sobra para aventura, exploração, coragem e sangue. Trocando em miúdos, é um jogo de "aventuras sinistras" ao invés de "terror niilista".

Down Darker Trails é uma ambientação para construir histórias no Oeste americano, nominalmente entre 1850 e 1900, quando o Oeste Selvagem chamava por mais e mais pessoas interessadas em domar essa terra selvagem ou morrer tentando. Ele fornece todo tipo de informação sobre o período, cobrindo em detalhes pungentes e crus toda a brutalidade, selvageria e violência antes de mergulhar nos elementos sobrenaturais.


Uma das coisas mais interessantes do suplemento é que ele busca destacar as diferenças existentes entre o jogo clássico que se passa em 1920 e a época de Down Darker Trails. Há um trabalho apurado de pesquisa que ajuda a apresentar com clareza quase didática o ambiente social do final do século XIX. Racismo por exemplo, mostra sua face mais feia no Oeste americano, quando a escravidão havia acabado de ser abolida, nativos americanos ainda eram tratados como selvagens e hispânicos como cidadãos de segunda classe. O livro não tapa o sol com a peneira, ele expõe de forma bem explícita o tratamento dispensado a minorias no período. Também não esconde a brutalidade e violência que fazia parte do dia a dia nas terras da fronteira, onde roubo, vingança, injustiça e assassinato estavam em todo canto. O velho oeste era um lugar perigoso e assustador e apenas os mais fortes conseguiam sobreviver nele.

Um dos aspectos mais interessantes na ambientação é pegar esse lugar já abrasivo e insalubre pela ação dos homens e torná-lo ainda mais assustador, ainda mais aterrorizante, graças a inclusão dos Mythos. Mas sobre isso, falaremos mais adiante.

Os personagens dos jogadores em Down Darker Trails são criados essencialmente da mesma maneira que o descrito no Livro Básico de Chamado de cthulhu sétima edição. O jogador escolhe uma ocupação, rola os seus atributos, distribui pontos em uma lista de habilidades e constrói seu background. O livro introduz 26 ocupações, algumas exclusivas para DDT, como por exemplo Cowboy/Cowgirl, Dilettante/Greenhorn, Jogador Profissional, Fora da Lei. Rancheiro, Rastreador, Caçador de Recompensas, Homem da Montanha entre outras. Um toque genial é correlacionar personagens históricos com as ocupações, bem como personagens da ficção, de filmes e televisão para explicar cada uma das ocupações descritas. Isso ajuda os jogadores e o Guardião a visualizar o tipo de personagem que será criado.




Além disso, algumas habilidades foram alteradas para se enquadrar na ambientação. Por exemplo, a chance básica em uma habilidade como Reparos Elétricos foi reduzida uma vez que nessa época se tratava de um conhecimento recente. Da mesma maneira, a chance básica de outras habilidades, como por exemplo, Cavalgar, foi aumentada já que praticamente todas as pessoas estavam minimamente familiarizadas com cavalos. Novas habilidades também foram adicionadas,incluindo Jogatina, Usar Cordas e Fazer Armadilhas. 

Para os que adotarem a vertente Pulp do jogo - que eu considero especialmente adequada para a proposta do jogo, há quatro tabelas listando Talentos de natureza Física, mental, Combativa e Miscelânea. Outros talentos já existentes no Pulp Cthulhu foram remodelados para se encaixar no Velho Oeste e ter o Flavor da ambientação. Se o Guardião usar o Pulp Cthulhu, pode esperar personagens mais capazes e heroicos, com maiores chances de superar desafios envolvendo tiroteios, sobrevivência no deserto e perigos convencionais. Também terão uma chance um pouco melhor contra ameaças sobrenaturais. Há dicas para construir personagens condizentes e sugestões para trabalhar o background. Outra regra bem vinda contempla criar personagens mais experientes, com uma carga extra de conhecimentos e habilidades, mas com algumas desvantagens atreladas. Por exemplo, é possível criar um veterano da Guerra Civil Americana, com várias habilidades extras obtidas nos campos de batalha, ao custo de cicatrizes físicas, mentais ou emocionais. 

  
Outras regras opcionais que encaixam bem na ambientação inclui aumentar os pontos de vida dos personagens - para diminuir a letalidade de tiroteios e a falta de recursos médicos. Também há regras específicas para simular duelos, atirar com duas armas, lutar além de seus limites etc. No geral, são pequenas mudanças que permitem aos personagens resistir e atuar de maneira mais efetiva. Mas não se preocupe, embora as regras melhorem a capacidade combativa e resistência dos personagens, eles não são imunes aos horrores dos Myhos e seu poder esmagador. Portanto, se por um lado, os personagens conseguem sobreviver a tiroteios e perseguições contra inimigos humanos, por outro eles continuam em franca desvantagem contra as depredações do sobrenatural.

O suplemento apresneta regras específicas para situações clássicas do gênero Western, como perseguições à cavalo, guiar carroças e tem um tratamento especial no que diz respeito a perda de sanidade. O consumo de álcool, algo comum no oeste pode de fato, ajudar a superar o terror e conceder alguma capacidade de lidar com a insanidade. É claro, também há espaço de sobra para regras se referindo a novos equipamentos, armamento e animais de carga.

A história do Velho Oeste começa com a chegada de espanhóis no século XVI e termina com o assassinato do Presidente William McKinley em 1901. O foco do livro, no entanto é o período exatamente posterior a Guerra Civil, com a Guerra recebendo destaque especial como um divisor na vida dos habitantes do oeste americano. O livro no entanto cobre uma vasta gama de temas, tudo, desde Caçada a Búfalos e guiar um rebanho de gado de um estado para o outro, da vida nas cidades e povoados, até a atuação da lei e ordem e aspectos sociais é apreciado de uma maneira muito detalhada. O Guardião não vai se sentir desamparado em momento algum, mesmo que seja alguém que conhece bem pouco sobre o período. As descrições de lugares históricos, das cidades, campos de batalha e territórios é excelente e você sente imediatamente que tudo é fruto de pesquisa e dedicação. De um modo geral, o livro cumpre o papel de apresentar a ambientação e abrir o leque de possibilidades para o Guardião.




O capítulo dedicado às tribos de nativos americanos também é bem completo. Cerca de vinte tribos são descritas em detalhes suficientes para compreender o modo de vida e costumes desses povos. É perfeitamente possível construir personagens que sejam nativos dessas tribos, o que abre a opção de criar uma campanha com nativos. Há um "quem é quem" do período, descrevendo algumas personalidades marcantes do Oeste Americano, incluíndo chefes tribais, generais da Guerra Civil, homens da lei, criminosos e muito mais. Muitos nomes vão soas familiares e as estatísticas desses indivíduos são uma curiosidade bem interessante. Achei especialmente curiosa a inclusão de Ambrose Bierce, escritor americano que escreveu muitos contos de horror e desapareceu misteriosamente no México. 

A seção sobre o Velho Oeste ocupa quase metade das páginas de Down Darker Trails, deixando o restante do livro para revelar os mistérios do Oeste Sobrenatural. Esta seção começa com um exame das criaturas e entidades dos Mythos que podem ser encontradas nessa região. Em geral, muitas das entidades, como os Habitantes da Areia (Sand-Dwellers), Povo Serpente (Serpent People), K’n-yanians, e Yig, são oq ue a maioria dos fãs de Lovecraft esperam encontrar em uma ambientação centrada nessa parte da América. Entretanto, há algumas boas surpresas. Por exemplo, o Deus sem Face (Faceless God), um obscuro avatar de Nyarlathotep, mais conhecido como uma Esfinge do Egito, vaga pelos desertos do meio-oeste… Um pequeno problema é que algumas criaturas e entidades não estão presentes no livro básico e sim no Malleus Monstrorum, um suplemento que está fora de impressão atualmente. Há vários Tomos dos Mythos que podem ser encontrados pelo Oeste Sobrenatural, bem como alguns novos. Além disso, o livro apresenta diversos cultos e sociedades secretas, além de estilos de magia como Magia Rústica e tradições xamânicas.


As coisas se tornam ainda mais estranhas (e bastante pulp) no capítulo dedicado aos Mundos Perdidos do Oeste. Nele, quatro localidades perdidas ou onde os investigadores podem se perder são apresentadas. Duas delas são baseadas em contos famosos: O Vale Perdido de Robert E. Howard e os subterrâneos de  K’n-Yan no qual o conto "The Mound" de  H.P. Lovecraft e Zealia Bishop se baseia. Os outros dois são o "Deserto Sombrio", descrito como uma sinistra dimensão paralela de nosso mundo que pode ser adentrada fisicamente ou através de sonhos, e onde o tempo parece não passar.  As ideias para construir aventuras usando esses lugares poderiam ser um pouco mais elaboradas, mas ele confere algumas sugestões interessantes para uma pequena campanha usando esses cenários. 

Concluindo Down Darker Trails temos a descrição de duas típicas cidades (ou melhor povoados) do Oeste Selvagem, com respectivas aventuras se passando nelas. Pawheton é uma daquelas cidades da corrida do ouro no Território de Dakota, no melhor estilo Deadwood. O lugar é mais um assentamento com tendas e cabanas do que uma cidade estabelecida, enquanto San Rafael é uma cidade de rancheiros na divisa do Texas com o Mexico. A primeira é claramente inspirada na série de TV, Deadwood, enquanto a segunda parece muito aqueles vilarejos empoeirados dos filmes de Faroeste Spaghetti italiano. Uma delas é mais suja e violenta, a outra mais clássica e romantizada. Ambas, no entanto, oferecem opções na forma de segredos, rumores e NPCs, muitos deles relacionados aos Mythos.

A primeira aventura tem o título "Something from Down Bellow There" (Alguma coisa lá de baixo) e pode ser situada em qualquer uma das cidades base apresentadas. Nela os jogadores são contratados para descobrir o que aconteceu a um grupo de garimpeiros que trabalhavam perto da cidade e que desapareceram se deixar vestígios. O desafio aqui é tentar negociar com aquilo que os garimpeiros encontraram enquanto escavavam uma mina. Há um ar de Robert E. Howard na trama. A segunda aventura é "Scanlon Daughter" (A Filha de Scanlon) que se passa em San Rafael. Ela pode ser descrita como uma versão sangrenta de Romeu e Julieta com um acréscimo dos horrores lovecraftianos no caldo. Esse cenário irá demandar planejamento e diplomacia, muito mais do que habilidade com armas, mas é claro, há espaço para um ou dois tiroteios.


Fisicamente DDK é um livro que segue o modelo da Chaosium para a sétima edição de Call of Cthulhu. Ou seja, capa dura, interior colorido e uma bela arte que combina bem com os elementos do texto. De fato, muitas das ilustrações foram pinçadas em compêndios e ilustrações do período e são incrivelmente bonitas e detalhadas. O livro também se vale de muitas fotografias de época de celebridades do período e de localidades famosas. Os mapas são excelentes e o trabalho de cartografia com San Rafael é brilhante. A arte mais recente, feita especificamente para o livro, é comparativamente inferior, não chega a comprometer, mas destoa do restante. O livro tem um texto fluido e gostoso de ler, e quem já gosta do assunto encontrará uma arca do tesouro de curiosidades.  

Ao contrário de tentativas anteriores que buscavam trazer o Velho Oeste para o universo dos Mythos, Down Darker Trails faz o caminho inverso. Ele apresenta o Oeste Selvagem de uma maneira vibrante e detalhada e só então se preocupa em inserir os elementos sobrenaturais nele. Essa mudança de postura faz toda a diferença e trás o contexto histórico para frente da ambientação. O jogo é primeiramente a respeito do Oeste e dentro dele aparecem de maneira mais discreta os elementos de horror cósmico.


Além disso, o livro é muito bem escrito e pesquisado, com referências e uma rica bibliografia que pode servir para futuras consultas. Ele fornece uma base sólida para o Guardião construir sua própria ambientação de horror no Oeste selvagem que pode descambar para uma campanha. Há muitas sugestões e ideias a serem aproveitadas ao longo das páginas. Para os fãs é um suplemento imperdível com ação e aventura nas planícies e uma boa dose de horror além do tempo e espaço. 

O resultado é uma mistura curiosa na qual vale a pena apostar.


domingo, 7 de julho de 2019

O Monge Negro - Uma das mais terríveis assombrações na Inglaterra


Fantasmas e atividade poltergeist não são algo novo, e os estudiosos do paranormal catalogaram incontáveis exemplos desse fenômeno perturbador. Ainda assim, de tempos em tempos, algum caso inexplicável parece vir à superfície apresentando algo novo e aterrorizante que merece destaque. Localizada no centro da Inglaterra, em uma vizinhança aparentemente convencional, existe uma antiga casa de aparência simples que a despeito de tudo isso, desponta como um dos endereços mais assombrados da nação. Nesse domicílio habita uma força antiga, violenta e aterrorizante conhecida como o Monge Negro. 

O ano era 1966 e uma família formada por Jean e Joe Pritchard se mudara para a propriedade com seus dois filhos Phillip de 15 e Diane de 12. Eles haviam escolhido a casa de tijolos vermelhos no número 30 da East Drive, em Pontefract, Yorkshire. Tudo parecia bem e eles estavam felizes. Mas não demorou muito para que eles percebessem que coisas estranhas aconteciam na casa. O que eles não sabiam é que aqueles incidentes, à princípio inocentes, dariam origem a uma das mais apavorantes narrativas de assombração de que se tem notícia.

O primeiro incidente inexplicável ocorreu em primeiro de setembro de 1966, quando o filho mais velho do casal, Phillip, estava na companhia de sua avó Sarah Scholes, enquanto o restante da família havia viajado para Devon. Certa noite, os dois únicos ocupantes da casa sentiram uma estranha sensação de frio, a despeito de ser verão. Estranhando aquela situação atípica, os dois investigaram a casa e descobriram que o frio emanava da sala da frente. Enquanto estavam lá ouviram o que parecia ser passos ecoando no telhado. Quando correram para ver do que se tratava, não encontraram nada, embora ao voltar para casa tenham visto estranhas poças de água que surgiram misteriosamente. As tais poças pareciam ter sido deixadas por uma pessoa entrando no aposento, o que era inexplicável já que não havia ninguém.   


Na ocasião eles pensaram que aquilo não era nada além de algum vazamento ou cano quebrado e resolveram chamar um técnico para fazer os reparos necessários. Entretanto, após uma inspeção cuidadosa, este não conseguiu encontrar qualquer problema na instalação. Estranhamente, apesar do diagnóstico, as poças de água continuaram aparecendo quase todos os dias, desafiando uma explicação razoável.

Dias mais tarde, o estranho fenômeno foi acrescido de outro estranho incidente. A cozinha foi totalmente destruída quando os moradores da casa não estavam. Estranhamente, a porta estava trancada e até onde se sabe ninguém invadiu a propriedade. Não obstante, o lugar parecia ter sido varrido por uma tempestade, como se alguém tivesse furiosamente lançado cada prato e utensílio no chão, quebrado copos, louça e arrancado as portas dos armários e virado mesas e cadeiras. Tamanha era a violência que garfos foram entortados e lâminas quebradas. A geladeira foi arrastada e os alimentos em seu interior espalhados pelo chão. A comida havia se deteriorado rapidamente e nuvens de moscas zumbiam sobre os alimentos estragados. Não havia uma explicação razoável: nada foi roubado e a tranca da porta estava em perfeito estado. 

Enquanto limpavam a bagunça provocada, a família foi interrompida por batidas secas na porta e nas paredes. Ao correr para ver o que provocava aquele estrondo, não havia ninguém à vista. Jean Pritchard percebeu ainda que as plantas que era colocadas no pátio da casa haviam sido viradas e a terra dos vasos espalhada em questão de segundos. 


Esse foi apenas o início de uma longa escalada de atividade sobrenatural na casa. Nos dias seguintes  os objetos na cozinha pareciam vibrar e balançar como se uma força invisível incidisse sobre eles. Gavetas e portas de armários se abriam. Por vezes, os pratos e copos simplesmente rolavam de seu lugar e se despedaçavam no chão, quadros e fotografias não paravam nas paredes. Além disso, as lâmpadas piscavam sem parar, acendiam do nada ou se apagavam sem que ninguém mexesse. Uma cafeteira elétrica esquentou e se incendiou misteriosamente e por pouco a casa não pegou fogo. O ataque mais forte aconteceu quando um pesado armário que ficava no quarto se moveu sozinho e rolou escadaria abaixo causando um grande estrondo. 

A família decidiu deixar a casa temendo pela segurança das crianças. Eles procuraram abrigo na casa de um vizinho e alarmados ouviram o som de objetos quebrando a noite inteira, pancadas na parede e passos pesados. Na manhã seguinte retornaram e encontraram muitos objetos quebrados, mas nenhum outro sinal de atividade paranormal. De fato, tudo parecia estranhamente quieto. Os Pritchard acreditavam que seja lá o que havia atacado seu lar, havia se dissipado tão rápido quanto havia aparecido e que eles estavam livres daquilo.

Demorou mais dois anos para que algo fora do ordinário voltasse a se manifestar na Casa, mas quando aconteceu, foi como se o pior estivesse sendo guardado.  


O longo período de calmaria fez com que o choque fosse ainda mais profundo. As estranhas poças de água voltaram a aparecer na cozinha, móveis se moviam de lugar, uma espuma esverdeada de odor nauseante se formava nas pias, batidas secas e pancadas violentas podiam ser ouvidas a qualquer hora do dia e da noite. As portas não ficavam abertas e o conteúdo de armários eram encontrados espalhados pelo chão. Certa noite, a família encontrou fotografias destruídas como se o papel tivesse queimado. Havia ainda um fedor emanando de todo canto, um cheiro de putrefação que atraia insetos e era absurdamente repulsivo. Diane, então com 14 anos contou ter ouvido um som assustador como se alguém respirasse em seu ouvido e sussurrasse palavras de baixo calão. em outra ocasião, membros da família ouviram o ruído de animais de fazenda. As manifestações se tornaram tão comuns que a família apelidou a força de Fred, para colocar uma face no invasor que os importunava sem parar.

A situação continuou em uma escalada de intensidade, com objetos sendo destruídos por mãos invisíveis e outros flutuando no ar. Testemunhas que visitaram a casa afirmaram ter visto cenas inacreditáveis envolvendo entre outras coisas, um vaso flutuando e uma cadeira sendo atirada repetidas vezes contra a parede até se despedaçar por completo. Eles perceberam que quando pessoas de fora visitavam a casa, os fenômenos se tonavam mais violentos como se fosse uma reação à presença de estranhos. A polícia foi chamada repetidas vezes, assim como o vigário local: todos ficaram impressionados pela atividade poltergeist que se manifestava no lugar. Diane se tornou um alvo recorrente da atividade que parecia se divertir em assustá-la. Ela ouvia vozes, coisas voavam na sua direção e em mais de uma oportunidade ela descreveu algo semelhante a mãos tocando seu corpo enquanto dormia. A entidade parecia interessada em atormentar cada membro da família por vezes empurrando, batendo e socando os moradores que sentiam a presença se tornar cada vez mais agressiva.

O fenômeno parecia agir em círculos, com períodos de grande atividade e depois certa calmaria. Por vezes, a tranquilidade era quebrada por algum incidente menor, mas então os fenômenos voltavam com força. Diante de todos acontecimentos, a Família Pritchard decidiu buscar ajuda na Igreja. Diversos exorcismos foram realizados na casa, mas eles apenas pareciam tornar  espírito mais furioso. Durante um dos exorcismos, um crucifixo foi arrancado da mão de um padre e torcido. Em certa oportunidade uma cama foi arrastada quase dois metros e erguida para então se quebrar no meio. Em outra vez uma cadeira foi lançada contra o padre que estava conduzindo a oração e o homem sofreu um corte no supercílio. Nada parecia deter o fenômeno e parecia ser questão de tempo até alguém ser ferido com gravidade. 


Logo após a realização do quinto exorcismo mal sucedido, algo aconteceu na casa. Uma forma sombria se manifestou de maneira visível diante de Jean e Joe. Era uma forma etérea suspensa a quase dois metros de altura, flutuando próximo do teto. Ela vestia um tipo de manto religioso de cor escura, marrom ou preto, preso com uma corda em volta da cintura. Sua face estava oculta por um capuz pontudo, bem como os braços. Ele parecia um monge medieval, o que lhe valeu o apelido de "Monge Negro".

Depois disso, o Monge passou a ser visto frequentemente pelos membros da família Pritchard. Até mesmo alguns vizinhos afirmavam sentir a presença e em mais de uma ocasião ver o fantasma vagando pelo pátio e pela frente da casa. Para tornar tudo ainda mais sinistro, o fantasma começou a falar com as pessoas e sua voz gutural parecia ecoar elos aposentos vazios. Diane passou a apresentar ferimentos no corpo, arranhões nas cosatas, braços e pernas que pareciam ter sido produzidos por unhas afiadas. Em duas ocasiões ela sentiu o equivalente a uma mordida que deixou marcas claras de dentes na sua pele. Algo também puxava seu cabelo, a empurrava e a chamava de "vadia". 

O desespero da família fez com que eles recorressem a especialistas no sobrenatural. O famoso investigador paranormal Tom Cuniff, começou a fazer pesquisas a respeito da história da área e descobriu que o local havia sido usado no século XVI como prisão para conter religiosos. De fato, uma pesquisa revelou que no exato lugar onde a casa havia sido erguida haviam transcorrido execuções públicas, em especial a de Monges que foram aprisionados pelos homens do Rei Henrique VIII durante a Reforma Protestante. Segundo o levantamento realizado, pelo menos sete monges haviam sido enforcados no local. Cuniff acreditava que o espírito que atormentava a casa pertencia a um monge que havia sido prisioneiro na casa e que posteriormente havia sido executado. 


Estranhamente, a despeito da intensa atividade paranormal que permeava na residência, ela parou por completo certo dia. Os moradores da casa estavam desconfiados de que uma vez mais essa pausa seria temporária, e esperavam que mais cedo ou mais arde o pesadelo se reiniciasse. Mas estranhamente tudo ficou quieto. Os Pritchard eventualmente conseguiram comprar outra casa e se mudaram, enquanto a propriedade se tornou um endereço popular entre investigadores do paranormal interessados em desvendar o mistério do Monge Negro. 

Um casal muito popular de investigadores do sobrenatural, Nick Groff e Katrina Weidman, conduziu um estudo detalhado do local. Eles comandavam um programa de TV chamado Paranormal Lockdown, que decidiu fazer um episódio especial na casa. A proposta era passar um final de semana inteiro na residência e determinar se as histórias sobre ela eram verdadeiras. Tão logo as portas se fecharam, os fenômenos inexplicáveis começaram a se manifestar. Tudo começou com uma sensação sinistra que contagiou a todos. Groff explicou que eles podiam sentir que não estavam sozinhos e que algo ali parecia emanar uma aura de ódio perceptível. Logo portas começaram a bater, sons de passos foram ouvidos e um cheiro de podridão pode ser sentido. Katrina mais tarde contou qual foi a sua impressão a respeito desse trabalho: 

"Tão logo cruzamos a porta de entrada senti que essa seria uma experiência diferente. Havia uma energia negativa na propriedade e era possível sentir que aquela presença, fosse ela o que fosse, não estava satisfeita. Quando você encontra um lugar realmente assombrado, é possível sentir que existe alguma coisa errada. Há um senso de estranheza no ar, você sente arrepios e percebe que alguma coisa está contaminando o ambiente com uma presença que não é natural. Quando entramos na casa do Monge Negro, minha primeira reação foi sair dali e correr sem olhar para trás. Ás vezes, queria ter feito isso..."  

A equipe do programa se recorda de ter ouvido batidas, portas batendo e móveis se mexendo. O fedor onipresente se espalhava por todo ambiente e se tornou tão forte que em determinado momento, um dos cameras começou a passar mal. Contudo, um dos grandes momentos foi quando Nick Groff propôs ao espectro do Monge Negro que movesse um objeto, no caso uma bola de tênis colocada sobre uma mesa. A bola se moveu sozinha, caiu no chão e continuou se movendo como se empurrada por uma força invisível. Em seguida objetos foram arrancados das paredes e lançados no ar violentamente. Um relógio de parede caiu e se despedaçou no chão. 

Outra cena bizarra ocorreu quando Groff perguntou ao espírito: "Você precisa de muita energia para mover objetos"? Por instantes nada foi ouvido, mas então, um dos técnicos de som disse ter captado algo nos microfones que estavam sendo usados para gravar a cena. Ele voltou a fita e o grupo pode ouvir claramente uma voz sussurrar a palavra "Desperata", que significa "Desespero" em Latim.

No auge disso, a temperatura do aposento caiu drasticamente, quase 7 graus segundo os termômetros instalados na sala. De repente uma figura sombria apareceu em um canto do aposento, sendo captada brevemente pelas câmaras. A figura parecia uma sombra amorfa que aparecia em cinco quadros e depois desaparecia como se jamais tivesse estado ali. Para tornar udo ainda mais ameaçador, uma faca caiu na escada e rolou pelos degraus. A equipe também começou a reclamar de sofrer empurrões e arranhões. Finalmente, Katrina soltou um grito. Ela expôs então a barriga afirmou ter sentido uma mordida. E lá estava uma marca perfeita deixada por dentes. 

"Nós podíamos sentir essa presença se movendo entre nós. Ea era invisível, mas sentíamos quando ela encostava ou esbarrava. A temperatura caiu bastante e sentíamos um frio horrível, muito embora do lado de fora a temperatura fosse de 21 graus, lá dentro podíamos ver a nossa respiração criar nuvens de condensação. Eu me considero um veterano nesse tipo de reportagem, já vi coisas realmente estranhas, mas nunca em minha carreira senti tanto medo. Aquilo era assustador, não apenas pela situação que estávamos experimentando, mas por que estava claro que aquela presença era agressiva. Ela queri nos ferir e o faria sem hesitar se pudesse".

Após um final de semana inteiro, a equipe deixou a Casa acreditando que tinham reunido provas suficientes de que a presença na Casa continuava ativa e que era um dos casos mais emblemáticos de poltergeist na história. Infelizmente, muitas pessoas levantaram questionamentos sobre as filmagens alegando que a equipe simulou a maioria (ou todos) os eventos.

Outros pesquisadores tentaram sua sorte na Casa e na maioria das vezes a assombração se manifestou provocando uma sensação palpável de terror. Alguns parapsicólogos expressaram choque com a magnitude da atividade paranormal que habitava a residência, com muitos afirmando que as energias presentes eram tão fortes que conseguiam provocar reações físicas nos visitantes. Isso significa dizer que a assombração era tão forte que conseguia mexer com as emoções das pessoas.


Não por acaso, estudiosos apontaram o Monge Negro como uma das mais violentas e poderosas manifestações sobrenaturais registradas. Outra dupla de investigadores do paranormal, que apresentavam o programa Ghost Dimension disseram:

"Quando cheguei na casa, eu estava animado em conhecê-lo, mas pensava que as histórias deviam ser um exagero. Minhas pesquisas levantaram tantos relatos absurdos que eu pensei comigo mesmo: "Não é possível!" Mas ao entrar pude sentir aquela presença maligna. Eu jamais experimentei um fenômeno sobrenatural tão forte e contínuo".

A causa foi comprada por um homem chamado Phillip Painter e mais tarde vendida para um produtor de cinema chamado Bil Bungay, que pensava em transformá-la em um tipo de atração macabra para turistas. Ele alugou a propriedade para vários programas de televisão a respeito de investigações sobrenaturais e eventualmente permitiu que o filme When The Lights Go Out (2012), dirigido por Pat Holden, fosse filmado na casa. A equipe de produção do filme afirmou que tiveram várias experiências sobrenaturais e que chegaram a filmar algumas cenas em que uma presença fantasmagórica podia ser vista. É claro, como quase sempre acontece, há muitas alegações de que as imagens foram manipuladas para criar um burburinho que ajudasse na divulgação do filme. E de fato, esse pode ser o caso. 

Ainda hoje, a casa continua existindo e de tempos em tempos ela volta a ser objeto de debate e discussão acalorada atraindo curiosos. Muitos que a exploram acreditam que ela é um dos endereços mais assombrados da Inglaterra. O marco zero de incontáveis fenômenos inexplicáveis e ocorrências bizarras.  O Monge Negro é tratado quase como uma celebridade entre estudiosos do paranormal que tentam desvendar seus mistérios. 

Seja lá o que acontece nesse endereço amaldiçoado, uma coisa é certa: a presença continua se manifestando e aparentemente continuará se fazendo sentir, por muito tempo. 

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Ennies Awards 2019 - Os Indicados ao Oscar do RPG mundial


E aqui estamos nós mais uma vez.

Os indicados ao Ennies Awards foram anunciados com toda a pompa e circunstância e temos a lista dos livros, suplementos, material de ajuda e produtos digitais que mais chamaram a atenção no ano de 2018. Para quem não sabe do que diabos estou falando, saiba que existe uma premiação anual que congrega os melhores do RPG ao longo do ano. A festividade na qual os prêmios são entregues acontece no último dia da GenCon em Indianapolis. 

A lista desse ano reúne alguns nomes de peso, algumas certezas e várias surpresas.

Como acontece todo ano, o Mundo Tentacular consulta as linhas do destino, joga os búzios, tira as cartas de tarô e vai fundo para trazer aos leitores a nossa lista de favoritos e nossas previsões de quem deve ganhar cada prêmio.

Algumas vezes acertamos em cheio, outras passamos vergonha, mas sempre chegamos perto. Será que esse ano será diferente? Acompanhe a seguir e fique atento para os resultados em breve.

Melhor Aventura

Masks of Nyarlathotep,  Chaosium Inc.
  Authors: Larry DiTillio, Lynn Willis, Mike Mason, Lynne Hardy, Paul Fricker, Scott Dorward
Mothership: Dead Planet, Tuesday Knight Games
  Authors: Donn Stroud, Fiona Maeve Geist, Sean McCoy
Slaves of the Machine God, Monte Cook Games
  Author: Bruce R. Cordell
The Persephone Extraction, Pelgrane Press
  Authors: Gareth Ryder-Hanrahan, Heather Albano, Emma Marlow, Will Plant, Bill White
Winter’s Daughter, Necrotic Gnome
  Authors: Gavin Norman, Frederick Münch, Nicholas Montegriffo

Nosso Favorito: Melhor aventura é um dos meus quesitos favoritos, afinal RPG não é a respeito de aventurar-se? Pois bem, uma boa aventura pressupõe uma história bem contada, uma narrativa coesa, um interesse contínuo e uma boa mistura entre surpresas e reviravoltas. Trabalhar conceitos e personagens, oferecer opções e tornar tudo muito atraente para os jogadores, dentro do possível facilitando o trabalho do mestre. Ufa! Parece muita coisa... e de fato é.

Dessa lista eu tenho três favoritos. O primeiro é Persephone Extraction, uma aventura de Nights Black Agents da Pelgrane Press, um baita jogo de mistério, espionagem e horror no qual os agentes tentam lidar com uma conspiração de vampiros. Caras, é muito legal! Um jogaço e essa mini-campanha atende às diretrizes centrais do jogo. Parece muito bom! Outro que me chama a atenção é Slaves of the Machine God, para Numenera. Além de um título maneiro demais (que lembra aqueles discos de metal dos anos 80), a campanha parece ser ouro puro. Sabe aquelas histórias que expandem, abrem e torcem as opções de uma ambientação? Pois é... o livro tem duas aventuras espalhadas ao longo de 144 páginas que podem ser jogadas separadamente ou como uma mini-campanha. Eu folheei esse livro, e quero muito jogar esse negócio. Não só por ser Numenera (que eu amo), mas por ser assinada pelo talentoso Bruce Cordell!

"Mas e o terceiro?", o leitor pergunta. Bem, o terceiro é a reedição de uma campanha que já vem sendo jogada desde os anos 80. E na sua versão mais bonita e completa. Estou falando obviamente de Masks of Nyarlathotep, uma campanha de Call of Cthulhu que tem um prestígio enorme e um status quase mitológico como uma das melhores e mais mortais campanhas de todos os tempos. Nesse quesito, Masks dribla o fato de não ser exatamente uma novidade, oferecendo novos pontos de vista e opções para o narrador e jogadores. Eu amo essa campanha e não tem como deixar de elogiar a maneira que ela foi apresentada nessa edição. Então, assim sendo, Masks tem meu voto.

Quem deve Ganhar: Esse quesito tem dois favoritos.

Numenera e Call of Cthulhu. Os dois estariam muito bem representados se ganhassem, mas como só pode haver um, eu acredito que a base de fãs de Chamado, aqueles birutas que amam esse sistema e jogo (eu conheço minha laia!) vão votar em peso e dar a ele a vitória. Masks, afinal, é Masks...

Melhor Acessório de Ajuda – Digital


Nosso Favorito: Acessórios digitais ganham espaço dia a dia. A mídia de suplementos e acessórios escritos apenas para a versão digital cresce a cada ano. Houve um tempo que quem jogava RPG com um laptop ou um tablet na mesa era considerado um exibido. Hoje, esses aparelhos são extremamente úteis, fornecendo subsídios para as campanhas.

Nessa lista eu gosto do DunGen, o gerador de masmorras do Discord que é útil, bacana e cumpre o objetivo de ajudar o mestre a narrar online. O Dungeonfog segue a mesma premissa com um fazedor de mapas bacana e sempre à mão. O aplicativo para celular, Magwa também é muito legal com vários itens mágicos, entre armas, equipamento e armaduras. Bacana ter à mão esse material.



Bom, eu fico com o DunGen, já que é inegável que jogos online estão conquistando cada vez mais público e se tornando uma ferramenta muitíssimo útil. Voto garantido!

Quem deve Ganhar: Pelos motivos acima, o DunGen deve ganhar. E vai estar em ótimas mãos.

Melhor Acessório de Ajuda – Não Digital

Masks of Nyarlathotep Gamer Prop Set, The H. P.Lovecraft Historical Society Inc.
Numenera Ruin Deck, Monte Cook Games

Nosso Favorito: Ah, o Deck of Ruins para Numenera é muito útil. O que pode ser mais bacana do que usar um baralho personalizado para descrever salas e aposentos de uma masmorra? O que pode ser mais útil para o narrador? E é Numenera seguindo a tradição dos demais baralhos de Cifras e monstros. Um belíssimo complemento para o jogo. Em segundo temos o Big Book of Sci-Fi Mats. Que coisa linda e incrivelmente legal para aqueles que amam combate estratégico ou em massa. Eu reservei o meu Combat Mat para cenários de Fantasia, mas esse sci-fi é lindo demais.

Mas não tem pra ninguém... algum desses outros tem props em qualidade incrível? Tem handouts confeccionados em papel especial? Tem um cilindro de cera que toca de verdade? caras.... eu NUNCA vi nada sequer parecido com o Gamer Prop Set de Masks of Nyarlathotep. A mega-super-ubber caixa de props de Masks é de chorar de tão linda! E ela faz parte de uma campanha amada há mais de 30 anos. Não tem como... Masks Gamer Prop Set for the win!




Quem deve Ganhar: Não se brinca com Masks of Nyarlathotep, filho. Não mesmo! A caixa deve ganhar fácil, é o lanámento mais ousado da H.P. Lovecraft History Society, um grupo de malucos que se encarrega de transformar em props objetos descritos nas aventuras de Chamado de Cthulhu. Não é de hoje que eles merecem um prêmio, e ele será mais do que merecido.

Melhor Arte - Capa

  Artist: Rebecca Yanovskaya
  Artist: M. Wayne Miller
Coriolis – Emissary Lost, Free League Publishing
  Artist: Martin Grip
  Artist: Bastien Lecouffe-Deharme
Winter’s Daughter, Necrotic Gnome
  Artist: Mish Scott

Nosso Favorito: Arte é uma questão de gosto. Realmente, o que define a escolha pela "melhor arte" é algo inteiramente subjetivo. Como dizem, "a beleza está no olho de quem vê" e cada um interpreta de maneira diferente o significado de uma ilustração. Dito isso, eu tenho meus prediletos.

Coriolis sempre é lindo de morrer, eu simplesmente adoro essa arte do épico sci-fi da Free League, e a capa de Emissary Lost é deslumbrante. Já a capa de Terror Australis eu achei legal, mas nada que chame a atenção, assim como a simplicidade do Bluebeard. A capa do Winters Daughter é bonita, mas nada de mais. Desse modo fica a capa do KULT: Divinity Lost que é para mim uma arte lindíssima e com um grau de detalhe e realismo assustador. Eu fico com essa, embora não tenho certeza se ele vai conseguir ganhar votos suficientes.



Quem deve Ganhar: Eu penso que por justiça deveria ser Coriolis ou KULT, mas não duvido que o peso dos fãs faça a diferença mais uma vez e que Terror Australis acabe recebendo esse prêmio.


Melhor Arte, Interior

Invisible Sun, Monte Cook Games
  Artists: Samuel Araya, Chris Cold, Martin de Diego, Jason Engle, Inkognit, Aldo Katayanagi, Eric Lofgren, Irina Nordsol, Jim Pavelec, Roberto Pitturru, Sam Santala, David Seidman, Joe Slucher, Zoa Smalley, Lee Smith, Matt Stawicki
  Artists: Bastien Lecouffe-Deharme, Marcin Tomalak, Ander Plana, Daniel Comerci, Kamil Mickiewicz, Ashen Studios, Krzysiek Poznanski, Anton Semenov, Alfred Khamidullin, Anton Kuzko, Daniel Karlsson, Bastien Lecouffe-Deharme, Sam Denmark, Evgeny Maloshenkov
  Artists:  Tithi Luadthong, Oli Jeffery
  Artists:  Rick Becker, Bernard Bittler, Simon Bray, William Church, Miguel Coronado, Gene Day, Andrey Fetisov, Piotr Foksowicz, Lisa Free, Merle Insigna, Tomasz Jedruszek, Kalin Kadiev, Roman Kisyov, Rachel Kahn, Jennifer Lange, Rhonda Libbey, Michelle Lockamy
Symbaroum Monster Codex, Järnringen / Free League Publishing
  Artists: Martin Grip


Nosso Favorito: Assim como eu disse quanto a arte de capa, a arte interna depende muito de quem está analisando e de seu gosto pessoal. No fim das contas, o que realmente importa é qual das artes apelou mais aos sentidos de cada pessoa e o que esta captou a partir dessa arte. Quesito um tanto subjetivo já que isso pode variar de modo radical.

Aqui eu indico dois ou três favoritos. Invisible Sun que é uma apoteose de beleza e cuja arte espelha todo o luxo e riqueza do livro. Não por acaso, esse material da Monte Cook tem sido tratado mais como uma obra de arte do que como um jogo. Talvez a proposta dele seja um tanto confusa, mas é inegável que é um belíssimo material. Legacy: Among Ruins é outro livro lindo de morrer! A começar pela capa que poderia estar no quesito anterior, mesmo caso de Symbaroum Monster Codex. Esses dois tem um projeto de arte incrível e sem dúvida poderiam figurar entre os melhores nesse quesito.

Mas aqui eu abro um parenteses para falar da arte de KULT: Divinity Lost. Pessoal, esse livro é corajoso. Tem poucos livros que são capazes de ousar tanto e de entregar um trabalho tão bizarro, assustador e perturbador. KULT é daqueles livros que você ao folhear as páginas se detém em algumas imagens e custa a entender o que está vendo. As imagens de anjos e demônios, criaturas e horrores se multiplicam e cada uma oferece um vislumbre do quão abrasiva é essa ambientação. Sem falar que poucas vezes vi um livro de RPG ser tão corajoso em mostrar nudez e sexo de forma nua e crua. Não se trata de um livro para todo público, mas as imagens desse livro conjuram toda a mística desse RPG e fazem com que a gente se sinta igualmente incomodado e fascinado.



Quem deve Ganhar: Kult tem as suas chances, mas acho que perde por ser incômodo demais para alguns paladares mais sensíveis. Não são todos os votantes que vão depositar seu voto no desfile de bizarrice sem precedente que é esse livro.

Aqui acho que pode dar Legacy ou Invisible Sun, com Symbaroum correndo por fora. Mas ainda que não se possa descartar o peso de Runequest e de seus muitos fãs. Aliás que livro lindo essa coleção de Runequest reunida numa slipcase.

De longe é a categoria mais difícil... mas acho que Runequest pode surpreender no fim das contas e levar.

Melhor Cartografia 

A New Map of Hot Springs Island, Swordfish Islands
  Cartographer: Jason Thompson
  Cartographers: Tobias Tranell and Nils Gulliksson
  Cartographer: Toby Lancaster
Silent Titans, Swordfish Islands
  Cartographer: Dirk Detweiler Leichty
The Midderlands Expanded, MonkeyBlood Design & Publishing
  Cartographer: Glynn Seal

Nosso Favorito: Cartografia trata de mapeamento e a maneira como os mapas de um jogo são concebidos, a forma como eles podem ser usados na trama e a maneira como os jogadores e mestre interpretam as informações contidas na carta. É curioso, mas em geral a gente não pensa como mapas são importantes para o RPG, ao menos até se deparar com um mapa ruim.

Eu gostei do trabalho do Midderlands que tem mapas em um estilo bem clássico que me remete aos mapas básicos do D&D. Ficou bem feito e direto ao ponto, aquilo que você espera de mapas úteis em jogo e funcionais para a mesa. Ouvi muitos elogios para o Lamp's Sanitarium uma aventura para D&D 5th que se passa em uma enorme mansão transformada em manicômio. Dizem que ficou bem legal com o conceito de passagens secretas e interiores fugindo do óbvio.

Mas ao meu ver, esse prêmio deve ir para quem mais se esmerou em tornar mapas parte da ambientação e fazer com que eles fossem um diferencial no jogo. Forbidden Lands é um RPG sobre exploração e os mapas além de deslumbrantes, fornecem um vislumbre de um mundo repleto de possibilidades. Mais do que isso, o mapa acompanha adesivos que podem ser colados no mapa da ambientação para determinar onde se localizam ruínas, cidades e lugares importantes. Ideia sensacional! Quando se fala de cartografia, a gente fala dessa sensação de surpresa ao olhar um mapa e se perguntar, "o que existe depois daquela montanha"? Com Forbidden Lands, nenhum mapa será igual ao outro... Fico com ele pela inovação.


Quem deve Ganhar: Difícil dizer... acho que essa premiação pode acompanhar meu favorito, mas francamente há outras possibilidades. Midderlands pode ter um apelo na memória dos jogadores veteranos e conquistar votos. Assim como Silent Titans que tem um conceito de arte bem diferente do convencional.

Se eu tiver de apontar um fico com o Forbidden Lands, mas aqui qualquer um pode ganhar.

Melhor Livro Eletrônico

Dinosaur Princesses, Ardens Ludere
  Authors: Hamish Cameron, Dana Cameron, Mary Rosalind Valentine
Fear’s Sharp Little Needles, Stygian Fox Publishing
  Authors: Christopher Smith Adair, Joe Trier, Glynn Owen Barrass, Simon Brake, Stuart Boon, Chad Bowser, Brian Courtemanche, Scott Dorward, Adam Gauntlett, Allan Goodall, Helen Gould, Tyler Hudak, Jo Kreil, Jeff Moeller, Andi Newton, Oscar Rios, Brian M. Sammons, Matthew Sanderson, Jennifer Thrasher, Joe Trier, Jason Williams, Matt Wiseman, Simon Yee
Ironsworn, Shawn Tomkin
  Author: Shawn Tomkin
  Author: Michael E. Shea
Uncaged Volume 1, Ashley Warren Writes
  Authors: Alicia Furness, Alison Huang, Annabeth Lennon, Asa Wheatley, Awkward Bard, Bianca Bickford, Catherine Evans, Dierdre Donlon, Elise Cretel, Emily Smith, lourescentWolf, Gwen Bassett, Hla Rosa, Jen Vaughn, Jessica L. Washburn, Jessica Marcrum, Jessica Ross, Johanna Taylor, Judy Black, Johanna Taylor, Kat Kruger, Kayla Cline, Kelly Dayton, Kristina Sisto Kindel, Liz Gist, Luciella Elisabeth Scarlett, Lynne M. Meyer, Lysa Chen, Ma’at Crook, Maryska Connolly, Masha Lepire, Mellanie Black, Natalie Wallace, Sammy Ward, Samantha Darcy, Wouter Florusse


Nosso Favorito: E-books tem ganhado cada vez mais espaço no mercado de RPG, o que torna esse quesito muito justo. 

Eu gosto do Ironsworn que é uma proposta clássica de fantasia dark medieval em um formato legal de ser usado em tablet. O Uncaged também é uma boa aposta com uma proposta de reinterpretar monstros e criaturas para D&D 5th e torná-los mais interessantes ou usá-los de uma forma diferente. Boa ideia sem dúvida.

Contudo, é no meu medo de coisas pequenas e afiadas que repousa meu voto. A antologia de aventuras da Stygian Fox para Chamado de Chulhu nos dias atuais ganhou meu coração. Ele é uma espécie de continuação do vencedor do ano passado The Things we leave behind e manter o nível de qualidade poderia ser difícil, a não ser que você tenha muita competência. E isso é algo que não falta a essa equipe.




Quem deve Ganhar: Eu acredito que meu preferido tem boas chances, mas ele pode ser incomodado tanto pelo Uncaged (por ser 5th D&D e ter um bom público) e pelo Sly Flourish Lazy Dungeon Master, ambos muito bons e com chances reais de levar esse prêmio para casa.

Melhor Jogo ou Produto para a Família

Dinosaur Princesses, Ardens Ludere
  Authors: Hamish Cameron, Dana Cameron, Mary Rosalind Valentine
The Hidden Halls of Hazakor, Insane Angel Studios
  Author: Scott Fitzgerald Gray
Kids on Bikes, Renegade Game Studios/Hunters Entertainment
  Authors: Doug Levandowski and Jonathan Gilmour
  Author: Bebarce El-Tayib
  Authors: Jacqueline Bryk, Banana Chan, Patrick Clapp, MIichael Faulk, Glenn Given, Doug Levandowski, Kira Magrann, Alex McConnaughey, Brian Neff, Tim Notcon, Ty Oden, Chris O’Neill, Heather O’Neill, Hannah Shaffer, Moira Slater, Scott Slater, Barret Stowe, James Stowe, Tim Notcon, Jay E Treat III, Heather Wilson


Nosso Favorito: Sabe aqueles jogos para relaxar e sentar com os filhos e passar algumas horas brincando? Pois é... jogos para a família são em geral leves, com uma mecânica intuitiva e fácil de aprender. Uma porta de entrada para jovens jogadores e iniciantes de qualquer idade. 

Eu gostei de dois que tem uma temática bem parecida. The Tragedies of Middle Scholl que é bem bacana para a molecada e mistura mistério com investigação num colégio. E Kids on Bikes, porque francamente, quem não gosta de crianças em bicicletas se metendo em confusões e vivendo aventuras? Eu escolho o Kids on Bikes.



Quem deve Ganhar: Apesar do apelo destes dois ser grande, e chamar a atenção, não se pode esquecer do fator "dinossauros" quando o assunto é um jogo para crianças. A molecada adora isso e Dinosaur Princesses é tão bonitinho e bacana que pode conquistar muitos votos. Não seria nenhuma surpresa se ele ganhasse.

Melhor Jogo/Produto Gratuito

Die Laughing, Sliced Up, NerdBurger Games
  Author: Craig Campbell
Ironsworn, Shawn Tomkin
  Author: Shawn Tomkin
The Executioner’s Daughter, Ashley Warren Writes
  Author: Ashley Warren
  Author: Luka Rejec
  Author: Charlie Brooks, Calder CaDavid, Robert Cameron, Benjamin Chason-Sokol, Jeremy Corff, Jason Daugherty, Matthew Duval, Robert Feather, Kim Frandsen, Wojciech Gruchała, Amy C. Goodenough, Taylor Hubler, Luke Hudek, Chris L. Kimball, John Laffan, Crystal Malarsky, Randal Meyer, Jacob W. Michaels, Daniel Angelo Monaco, Stewart Moyer, Dennis Muldoon, Andrew Mullen, Dave Nelson, Nicholas S. Orvis, Emily Parks, Lyn Perrine, Amanda Plageman, Matt Roth, André Roy, Stephen J. Smith, Kendra Leigh Speedling, Jeff Taft, Brendan Ward, Christopher Wasko, Nicholas Wasko, Kerney Williams

Meu Favorito: Vou ser franco e dizer que aqui não conheço ninguém... Não dá para escolher um baseado apenas no nome e em uma descrição rápida. Então vou ficar em cima do muro.

Quem deve Ganhar: Sei não... acho que devo aproveitar e baixar alguns já que são gratuitos e ver qual é a deles. Se eu tivesse de chutar, apostaria nos produtos com temática de fantasia medieval.

Melhor Jogo

Companions’ Tale, Sweet Potato Press
  Author: Laura Simpson
  Authors: Kathryn Hymes and Hakan Seyalioglu
Dream Askew/Dream Apart, Buried Without Ceremony Games
  Authors: Avery Alder and Benjamin Rosenbaum
Liminal, Wordplay Games
  Author: Paul Mitchener
  Author: Sean McCoy

Nosso Favorito: Rapaz, eu conheço apenas um dos candidatos nessa categoria. Fica meio sem graça eu votar no Dialect apenas por ser o único que sei do que trata, mas a proposta dele é tão inovadora e bacana que vou correr esse risco.

Quem deve Ganhar: Eu vou votar no Dialect, mas volto a afirmar, não conheço os demais.

Melhor Layout e Design

Bluebeard’s Bride: Book of Mirrors, Magpie Games – Miguel Angel Espinoza
Mini-Dungeon Tome, AAW Games – Justin Andrew Mason and Thomas Baumbach
Secrets of Silent Streets, Monte Cook Games – Bear Weiter
Symbaroum Monster Codex, Järnringen / Free League Publishing – Johan Nohr
The Black Hack 2nd Edition, Squarehex – David Black

Nosso Favorito: Essa categoria julga a forma com o texto se conforma no interior do livro. Eu sei que os livros da Monte Cook Games primam por isso, fazendo com que o material seja perfeitamente organizado e bem distribuído pelas páginas. Secrets of Silent Streets poderia ser uma boa opção, não fosse a presença do Symbaroum Monster Codex na lista. Caras, que livro bacana e bem feito. Na minha opinião, um dos melhores livros lançados no ano passado e que não poderia sair de mãos abanando.



Quem deve Ganhar: Fica complicado apontar um deles, já que todos, em geral que são indicados aqui fazem um bom trabalho. Eu vou apostar no Monte Cook aqui, mas não vou me surpreender se Symbarum ou Black Hack vencerem.

Melhor Livro de Monstro/Adversário

  Authors: Wolfgang Baur, Dan Dillon, Richard Green, James Haeck, Jeremy Hochhalter, James Introcaso, Jon Sawatsky, Chris Harris
  Authors: Kenneth Hite, Gareth Ryder-Hanrahan, Becky Annison, Helen Gould, Ruth Tillman
  Author: Sandy Petersen
Symbaroum Monster Codex, Järnringen / Free League Publishing
  Authors: Martin Grip, Mattia Lilja, Mattias Johnsson
Tyrants & Hellions, 2CGaming, LLC
  Authors: Steven Gordon, Ryan Servis, and Johnathon Kelly

Nosso Favorito: Bestiários de criaturas e monstros estão entre os livros mais populares, perdendo apenas para os Livros Básicos. Quem não gosta de folhear as páginas repletas de criaturas bizarras, suas descrições e estatísticas. É um material clássico, responsável por alimentar os mestres de ideias para suas aventuras e fazer os jogadores perderem o sono.

Esse ano temos uma briga de cachorro grande! 

Se por um lado temos o guia de Sandy Peterson para os Mythos na 5th edição de D&D, o que é maneiro demais, temos também o Creature Codex da mesma 5th. E esses livros são excelentes! Material de primeira que dispensa apresentações, O problema é que não são apenas esses... tem ainda o Symbaroum Monster Codex que é de cair o queixo, apresentando algumas criaturas para a ambientação dark medieval da Free League. Esse livro é incrível e se ganhasse, eu ficaria feliz. Contudo não é só... ainda tem o Hideous Creatures, um livro para Rastro de Cthulhu que inclusive passou por Financiamento Coletivo aqui no Brasil. 

Rapaz, qualquer um desses poderia ganhar e o prêmio estaria em boas mãos... mas se eu tiver de escolher apenas um, vou ficar com o Hideous Creatures que é assinado pelo Kenneth Hite que escreve coisas incríveis e que tem o dom de transformar palavras em ouro.



Quem deve Ganhar: Esses quatro que citei acima disputam o prêmio em nível de igualdade. São suplementos incríveis e que cumprem a proposta de apresentar monstros e criaturas para suas ambientações de uma maneira nova, arrojada e interessante.

Por se tratar de D&D acho que o Creature Codex e o Sandy Petersen Cthulhu Mythos levam uma pequena vantagem sobre os dois outros. Não vou me surpreender se o Sandy vencer, pois ele é uma pessoa muito querida no meio do RPG e vai granjear os votos da base de fãs lovecraftianos.

Melhor Conteúdo Online

Cannibal Halfling Gaming, Cannibal Halfling Gaming
Molten Sulfur Blog, Molten Sulfur Press
Seth Skorkowsky, Seth Skorkowsky
The Alexandrian, The Alexandrian
Questing Beast Podcast, Questing Beast

Não conheço esses indicados. Vou me abster de escolher já que não sei nem do que se trata a maioria desse material.

Melhor Jogo Organizado

Cypher Play Numenera Season 18-2: Building Amber Keep, Monte Cook Games – Sean K. Reynolds and Bruce R. Cordell
Minsc and Boo’s Guide to Stuff and Things, Adventure League Admins and Rich Lescouflair
Ooze There?, Neo Tokyo Project – Darryl Ho and Jason Koh
Vacant, Ma’at Crook

Nosso Favorito: Em geral esse quesito sempre é complicado visto que eu não tenho acesso a esses jogos organizados. Mas eis aqui um que eu assisti e que me agradou demais! 

Cypher Play Numenera, com Sean Reynolds e Bruce Cordell vale a pena! Muito legal mesmo.



Quem deve Ganhar: Agora a questão quem deve ganhar me intriga.

Não conheço os demais e fica difícil apontar um favorito nessa lista, ainda que Minsc e Boo me pareça uma opção viável por se tratar de personagens adorados por muita gente. E quem resiste a um Space Giant Hamster miniatura? 

Melhor Podcast


Nosso Favorito: A disputa ao meu ver fica entre o Plot Points e o incrível Ken and Robin Talk About Stuff. Os dois são excelentes e preservam um nível de qualidade que tem se mantido inabalável.

Todo ano eles estão entre os candidatos diretos e conseguem se destacar em meio aos trocentos podcasts indicados.

Meu favorito ainda é o Ken and Robin Talk About Stuff, mas esse ano pode pintar alguma surpresa. Não significa que eles estão perdendo o fôlego, mas que a concorrência está se esforçando.



Quem deve Ganhar: Em termos de popularidade e público Ken and Robin continua muito bom e atraindo público. Mas em tempos de representatividade, não vou achar estranho se o She´s a Super Geek acabar levando esse. Não conheço, mas fala-se bem a respeito desse. Então, vou com ele.

Melhores Valores de Produção


Nosso Favorito: Mais uma briga de cachorro grande nesse quesito que discorre sobre a qualidade do material, produção e acabamento. Francamente, no fim, o prêmio vai para o material mais bonito e que consegue superar os demais no Fator WHOA. Sabe quando você vê um novo lançamento e faz uma cara de bobo e diz "Uau". Pois é...

Esse ano tem coisas lindas na lista de indicados. O Forbidden Lands é o primeiro a me chamar a atenção. Material lindo, mapas luxuosos, arte e acabamento de primeira. Poderia ser meu favorito fácil em outros anos. Mas esse ano não é para principiantes.

Temos o Invisible Sun Black Cube que "pelamordedeus" é um desbunde. Por sinal, o que é aquilo senhoras e senhores? O negócio parece um baú mágico do qual não param de sair coisas estranhas e bacanas. Eu nem liguei muito para a proposta desse jogo, achei meio viagem demais na maionese para meu gosto (e olha que eu gosto de viagem e adoro maionese), mas é inegável que o valor de produção aqui é altíssimo e tem todas as chaces de ganhar.

Mas eu vou nadar contra a correnteza e escolher algo mais simples para ganhar meu voto. Não que simples se aplique a qualquer coisa que a Monte Cook Games produz. O material desses caras é de cair o queixo. E o Slipcase Discover and Destiny para Numenera 2 é algo que merece aplausos. Vou votar nele pois, às vezes, "menos é mais", já dizia minha querida avó...



Quem deve Ganhar: Por outro lado, minha avó também gostava de coisas bonitas. 

Quando eu olho para uma caixa como a de Invisible Sun eu penso nas palavras sábias do carnavalesco Joãozinho Trinta que cravou: "As pessoas gostam de luxo, quem gosta de pobreza é intelectual". Nesse caso, concordo e Invisible Sun é o luxo encarnado em material de RPG. Não sei se vale quanto cobram pelo Black Cube, mas que é lindo, isso é. Então deve atrair muitos votos e levar esse com facilidade.

Melhor Produto Relacionado a RPG


Nosso Favorito:  Esse é o quesito de produtos que são facilmente reconhecidos como coisas que jogadores de RPG querem ter, mas que não são necessariamente coisas criadas para eles. Deu para entender? 

Nessa lista tem algumas coisas bem legais. Eu adorei a proposta do jogo Miskatonic University do Knizia, um dos maiores nomes na indústria dos jogos de tabuleiro. Ele é famoso por criar jogos rápidos e fáceis de aprender, e mais fáceis ainda de se viciar. Não joguei esse ainda, mas assisti uma mesa na internet e gostei muito. 

Mas o Dark Adventure da H.P. Lovecraft Historical Society vai levar meu voto. Ele é um programa de rádio no qual atores usando equipamento semelhante ao dos anos 20-30 narram episódios envolvendo os acontecimentos da campanha Masks of Nyarlathotep. Dá para ser mais retro que isso? Dá para ser mais esquisito e cool?


Quem deve Ganhar: Não sei quem pode levar isso, mas acho que os dois que citei são boas pedidas. Ainda que o Bluebeard corra por fora... por uma questão de ser bacana, voto no Dark Adventure, que me conquistou só na vinheta de abertura.

Melhores Regras

  Authors:  Mike Mason, Paul Fricker, Lynne Hardy, Sandy Petersen, Lynn Willis
  Authors:  Tomas Härenstam, Erik Granström, Christian Granath, Nils Karlén, Kosta Kostulas
  Authors:  Jay Iles, Douglas Santana Mota, Elizabeth Iles, Jason D’Angelo, Rebecca Curran
  Author: Sean McCoy
Warhammer Fantasy Roleplay Core Rulebook, Cubicle Seven Entertainment Ltd.
  Authors: Dave Allen, Gary Astleford, Graeme Davis, Jude Hornborg, Andy Law, Lindsay Law, Andrew Leask, TS Luikart, Dominic McDowall, Clive Oldfield

Nosso Favorito: Regras são os elementos de coesão de nosso hobby. Sem as regras, o que seria dos jogos? Nos últimos tempos, regras mais simples e intuitivas tem ganho espaço, com as regras complexas ficando em um segundo plano, ainda que muitos fãs de mecânica busquem esses jogos.

Warhammer é o primeiro que chama a minha atenção. Por mais que eu tenha gostado da edição anterior da Fantasy Flight na qual o Warhammer virava quase um RPG de tabuleiro, eu tenho que admitir que as regras ficavam muito complicadas e engessadas. É um alívio ver essa ambientação retornando a um sistema mais amigável com iniciantes. Em segundo lugar, temos Legacy que funciona com um hack do Apocalipse Engine e tem uma proposta maneira de aventura e ficção. Da mesma forma, o Starter Set de Cthulhu é uma boa opção para quem está interessado em conhecer uma versão light do sistema. A caixa é bem feita e a proposta dela remeter a caixa clássica da primeira edição é uma excelente sacada. Ficou bem legal!

Mas só posso escolher um, então vou votar em Forbidden Lands, um cenário que tem sido muito comentado e que parece realmente promissor. Eu gostei desse jogo e o sistema simples parece ser uma joia a ser polida e refinada! Ainda quero testar ele, mas pelo que vi tem tudo para ser uma boa pedida.



Quem deve Ganhar: A meu ver, esse prêmio será de Call of Cthulhu ou Warhammer, os dois com um número grande de fãs votantes. Mas pode ser que meu preferido nesse quesito, Forbidden Lands surpreenda e mostre de uma vez por todas que a Free League veio para ficar.

Melhor Ambientação

  Authors: Penelope Love, Mark Morrison, Dean Engelhardt, Marion Anderson, Phil Anderson, Geoff Gillan, Richard Watts, Darren Watson, Vian Lawson, John Hughes, Tristan Goss, James Haughton, Sandy Petersen, Brian M. Sammons, with Mike Mason, Lynne Hardy
Dream Askew/Dream Apart, Buried Without Ceremony Games
  Authors: Avery Alder and Benjamin Rosenbaum
  Authors:  Tomas Härenstam, Erik Granström, Christian Granath, Nils Karlén, Kosta Kostulas
Invisible Sun, Monte Cook Games
  Author: Monte Cook
The Fall of DELTA GREEN, Pelgrane Press
  Author: Kenneth Hite

Nosso Favorito: Ambientação é o pano de fundo no qual transcorrem as aventuras e onde as histórias são contadas. Uma ambientação pode ser descrita ao longo de um livro básico, estendida em suplementos ou acrescida com detalhes em alguns módulos.

Esse foi um ano que viu o retorno e consolidação de sistemas clássicos. Call of Cthulhu reeditou Terror Australis que é uma bela pedida para os jogadores interessados em encarar os terrors dos Mythos Down Under, na terra dos Aussies. Gostei, mas não despertou minha paixão...

Invisible Sun tinha tudo para ser a grande novidade nesse quesito, mas é difícil eu conseguir afastar a sensação de que ele é um belíssimo "bolo do casamento", lindo por fora, incrível de se ver, mas sem muito sabor. Pode ser que eu esteja errado, mas se a primeira impressão é a que fica, a minha de Invisible Sun não bateu fundo.

Temos também The Fall of Delta Green, livro da Pelgrane que francamente eu esperava ver em mais indicações. É um tanto frustrante perceber que ele só teve essa indicação, mas que poderia tranquilamente figurar em muitas outras, sobretudo melhor arte e escrita.

Meu favorito? Forbidden Lands mais uma vez. Embora a ambientação pareça bastante clássica com um mundo de Fantasia Medieval épico, há um sabor de novidade em meio aos elementos comuns da ambientação. Sim nós temos uma terra amaldiçoada, orcs, magos, muralhas que separam a civilização da barbárie etc... já vimos tudo isso em outras ambientações, mas aqui é tão bem feito e tão ricamente detalhado que me parece valer a pena apostar nele. Se vai ganhar não sei... mas eu precisava reconhecer seus méritos.


Quem deve Ganhar: Invisible Sun pode ganhar aqui por ser simplesmente estranho demais para passar em branco. A ambientação tem seus méritos, muitos... mas será que a estranheza inicial vai conquistar o voto da maioria? Acho que isso pode impedir dele colocar as mãos nesse Ennie.

Bom, se não vai ser Invisible Sun, então quem? Fico dividido entre dois, meu favorito Forbidden Lands que pode muito bem ganhar aqui e se tornar o maior vencedor da noite, ou então a zebra passar galopando e dar Delta Green. Não seria uma surpresa tão grande, já que Delta Green já colecionou dezenas de Ennies, mas seria um mico que ele ganhasse quando foi esnobado nas demais categorias.

Melhor Suplemento

  Authors:  Shannon Campbell, Dillon MacPherson, Malcolm Wilson
  Authors:  Elizabeth Chaipraditkul, Meghan Fitzgerald, Jack Geiger, Aaron Pollyea, John Snead
  Authors:  Oscar Rios, William Adcock, Stuart Boon, Chad Bowser, Charles Gerard, Jon Hook, Mike Mason, Jeffrey Moeller
The Book of Ages, Pelgrane Press
  Author: Gareth Ryder-Hanrahan
The Glorantha Sourcebook, Chaosium Inc.
  Authors:  Greg Stafford, Jeff Richard, Michael O’Brien, Sandy Petersen

Nosso Favorito: Suplementos sofrem por estarem condicionados ao Livro Básico de cada sistema. Eles são um adendo, um capítulo extra, uma parte que ficou de fora do livro principal. Ainda assim, suplementos são essenciais para expandir os conceitos dos jogos e torná-los mais completos. E acredite ou não, já li suplementos que acabam sendo melhores do que os Livros Básicos.

Aqui nós temos alguns indicados bem interessantes. O primeiro que me chama a atenção é o livro de Star Trek dedicado a Divisão de Ciências da Federação. Que material bacana! Não é pouca coisa correlacionar elementos das séries Star Trek com a linguagem do RPG e adaptar toda a mitologia das séries, filmes, quadrinhos e literatura para outro formato. E a Modiphius fez um belo trabalho aqui. 

Temos ainda Glorantha! GLOR"fucking"ANTHA, um dos mais clássicos RPG de todos os tempos. Dizem que quem joga isso precisa ter como pré-requisito 40+ anos de idade e 20+ anos de jogo. Verdade ou mentira não sei, mas é inegável que se trata de um RPG para os verdadeiramente iniciados.

Mas caras... eu amo Cthulhu, e adoro Roma antiga. Misture os dois e é como Bacon coberto de chocolate meio-amargo (hmmm... isso deve ser bom!). Cthulhu Invictus da Golden Goblin Press é tudo o que você fã de Cthulhu e de história antiga poderia querer. E eu quero... quero mais do que agora a pouco, quero muito mesmo!


Quem deve Ganhar: Mas existe uma diferença fundamental entre quem deve ganhar e quem gostaríamos que ganhasse. Não adiante apenas "querer".

Embora meu favorito tenha perfeitas chances de levar nesse quesito, os oponentes batem pesado. Tem Star Trek (com seus milhares de fãs) e Glorantha (com toda ala da terceira idade). E esse pessoal voa em peso em tudo que tem o nome de seus produtos favoritos. Bom... eu diria que Glorantha leva, mas tudo pode acontecer.

Melhor Escrita

  Authors: Marco Behrmann, Martin Fröjdh, Ola Jentzsch, Robin Liljenberg, Petter Nallo, Andreas Nordlund, Krister Sundelin, Anton Wahnström
Liminal, Wordplay Games
  Author: Paul Mitchener
Silent Titans, Swordfish Islands
  Author: Patrick Stuart
Troika! Numinous Edition, Melsonian Arts Council
  Author: Daniel Sell
Warhammer Fantasy Roleplay Core Rulebook, Cubicle Seven Entertainment Ltd.
  Authors: Dave Allen, Gary Astleford, Graeme Davis, Jude Hornborg, Andy Law, Lindsay Law, Andrew Leask, TS Luikart, Dominic McDowall, Clive Oldfield

Nosso Favorito: Escrever bem é transmitir ideias de maneira clara, empolgante e distinta. Um bom livro alimenta os leitores e impulsiona a leitura além das páginas iniciais e nos compele a ler do início ao fim sem pausa. Tem livros de RPG que falham miseravelmente nisso, que não empolgam e que tornam a leitura truncada, outros ao contrário são um prazer de devorar.

Eu tive a chance de ler alguns destes e não é fácil escolher apenas um. Silent Titans é bem bacana e chama a atenção pelo formato inovador. Warhammer como sempre é Warhammer e caras, quem não gosta desse dinossauro do RPG de fantasia que está de volta para mais uma encarnação? 

Mas vamos falar de KULT. Que outro jogo será capaz de provocar, desafiar e fascinar os leitores dessa maneira? Que outro livro tem a coragem de mergulhar tão profundamente no lado escuro e nos entregar textos tão viscerais? Eu li KULT inteiro e fiquei realmente triste (e de certa maneira aliviado) quando terminei. Que livro! Que coisa assustadora e aterrorizante bem escrita. Meu voto é de quem ousou mais e entregou algo perfeitamente balanceado no que diz respeito a arte e texto.


Quem deve Ganhar: Embora eu torça freneticamente para que KULT vença nessa categoria, acho que a fanbase de Warhammer deve falar mais alto aqui. O que não é necessariamente ruim, já que é um belo trabalho. 

Kult tem as suas chances, mas acho que perde por ser incômodo demais para alguns paladares mais sensíveis. 

(Hmmm... tenho a impressão de já ter escrito algo parecido).  

Produto do Ano

Companions’ Tale, Sweet Potato Press
Dinosaur Princesses, Ardens Ludere
Dream Askew/Dream Apart, Buried Without Ceremony Games
Invisible Sun, Monte Cook Games
Liminal, Wordplay Games
Masks of Nyarlathotep Gamer Prop Set, The H. P.Lovecraft Historical Society Inc.
Silent Titans, Swordfish Islands

Nosso Favorito: E chegamos ao Big Kahuna da noite. O título mais importante do ano e aquele que jogadores e mestres vão olhar com maior carinho e atenção, que vai estar em várias listas de compras e que acabará indo parar nas mesas. A lista esse ano trás vários títulos interessantes e chego a ficar dividido a respeito dos candidatos.

Primeiro Invisible Sun... o Magnum Opus da Monte Cook Games, concebido para ser uma "experiência na arte de narrar e jogar RPG", com uma proposta diferente e arrojada. Mas me pergunto porque seu sistema não teria sido incluído entre os candidatos de melhor regra? Tenho lá minhas reservas a respeito dele e receio de que se ele receber muitos prêmios possa se tornar uma tendência investir em jogos de alto padrão e luxo (e portanto, muito mais caros).

Ainda que eu tenha amado o Prop Set de Masks of Nyarlahotep, e eu amei, não vejo ele como o grande vencedor. Ainda que lindo e cheio de qualidades, não se trata de um RPG (não, per se) e acho que para Produto do Ano, o vencedor deveria ser um livro. Então com todo respeito a Historical Society, vou colocá-lo de lado.

Uma das coisas que sempre observo para escolher meu favorito no Produto do Ano é quantos Ennies cada candidato recebeu, em geral isso tende a ser um bom indicativo. E se eu levar isso em consideração, nenhum produto foi mais favorito do que Forbidden Lands.

Então vou manter minha coerência e votar nele como meu favorito.



Quem deve Ganhar: Francamente Invisible Sun pode receber esse Ennie por muita gente confundir Produto do Ano com Valor de Produção. As pessoas tendem a votar no livro mais chamativo e não se pode negar que Invisible Sun chama muito a atenção.

O mesmo vale para o Prop Set da H.P. Lovecraft Historical Society, mas ainda acho que ele não ganha por não ser um livro, suplemento ou sistema.

Então quem? 

Se querem uma zebra, tem o Dinosaur Princesses que pode sinalizar com algo novo, voltado para um público infanto juvenil. Se queremos algo mais tradicional tem o Silent Titans que eu não dei como vencedor em nenhuma categoria, mas que ainda assim pode surpreender na mais importante. Tem ainda o Dialect que é um tipo diferente de jogo de interpretação e assim como o Dinossaur é um jogo para a família.

Ou... bem tem o Forbidden Lands! E eu acho que é bem possível que esse jogo da Free League se torne o grande vencedor da noite. Trata-se do tipo do jogo que larga com vantagem nessa categoria, tendo várias vantagens sobre os oponentes. É um Livro básico, a Ambientação é bem clássica, tem um bom sistema de regras, a arte é interessante, foi um sucesso e sua editora está se consolidando. Tudo o que costuma atrair os votantes.

Acho que esse vai ser o ano da Free League.

Judges’ Spotlight Winners

Benjamin AdelmanThe Stygian Library, Dying Stylishly Games, Author: Emmy Allen
Christopher GathArchives of the Sky, Aaron A. Reed, Author: Aaron A Reed
Alexander HolleySIGMATA: This Signal Kills Fascists, Land of NOP LLC, Author: Chad Walker
Brent Jansplot ARMOR, Mostly Harmless Games, Author: DC
Brian NowakThe Elephant & Macaw Banner: Player’s Guide, Porcupine Publishing Author: Christopher Kastensmidt

E finalmente é importante abrir um ENORME parenteses para os Vencedores do Judges Spotlight. Categoria que premia livros de RPG fora da briga nas categorias acima.


Ela contempla material que chamou a atenção dos juízes e que mereceram seu reconhecimento especial.

Chamo a atenção dos leitores para o último item dessa lista, indicado pelo juiz Brian Nowak. Trata-se do Livro do Jogador de uma ambientação chamada "The Elephant and the Macaw Banner" por um tal Christopher Kastensmidt. Sim caros leitores, a Bandeira do Elefante e da Arara, publicado aqui no Brasil recebeu um justo reconhecimento e está entre os melhores do ano. 

Isso não é pouca coisa!

Parabéns ao nosso colega Christopher pelo seu trabalho marcante e por esse prêmio merecidíssmo.

*          *          *
Bom pessoa, é isso...

Esse post ficou enorme e deu trabalho, mas sempre é um prazer fazer esse scoop anual sobre o que teremos nos Ennies. Os prêmios serão anunciados na Gen Con dia 2 de agosto em uma cerimônia especial. 

Assim que saírem os vencedores faremos os devidos comentários.