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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Na Calada da Noite - Encontros apavorantes com o misterioso Rastejante Cinzento


Entre os muitos encontros estranhos no mundo do paranormal, existem aqueles que se destacam por sua singularidade. São casos que pairam além da nossa capacidade de classificá-los ou nomeá-los. Seriam fantasmas, animais misteriosos, extraterrestres ou o quê? Não há respostas claras nesses relatos, que permanecem à margem do paranormal. Entre esses relatos bizarros, encontramos histórias de seres magros e pálidos, frequentemente curvados, andando agachados ou rastejando como se saíssem de um pesadelo. Essas coisas medonhas ficaram conhecidas coletivamente como "Rastejantes Cinzentos" e são tão assustadores quanto se pode imaginar. Aqui, analisaremos uma seleção de relatos dessas entidades enigmáticas e insondáveis.

Começaremos com uma seleção de encontros dos arquivos do pesquisador paranormal Albert S. Rosales que dedicou boa parte de sua carreira como investigador a buscar relatos sobre a coisa que ele passou a chamar de Rastejador Cinzento. Rosales, um repórter investigativo com trinta anos de serviço e um currículo invejável possui um extenso arquivo com mais de 100 relatos de pessoas que tiveram experiências com essa entidade. Segundo ele, essas criaturas pertencem a uma espécie de criptídeo desconhecida, vista com mais frequência no norte dos Estados Unidos perto da fronteira com o Canadá. Os casos foram registrados desde os anos 1970, mas tudo indica que avistamentos são reportados muito antes disso.

Vamos começar com um caso especialmente estranho ocorrido no outono de 1978. Uma testemunha chamada Tim McConnaugh estava em um evento da igreja com seus pais em Clearville, Pensilvânia, quando se afastou para perto do cemitério da igreja à noite. Enquanto estava naquele lugar escuro e sepulcral, ouviu alguns ruídos vindos de um dos antigos pinheiros que circundavam a área arborizada e, ao olhar para cima, viu olhos demoníacos brilhando para ele na escuridão. Enquanto observava, chocado, uma criatura saltou do alto da árvore e caiu no chão, olhando para ele por uma fração de segundo antes de fugir em disparada pelo campo. Tim conseguia vê-la claramente naquele momento, descrevendo-a como tendo cerca de 2,1 metros de altura, extremamente magra, com uma cabeça grande e bulbosa. Os olhos enormes brilhavam refletindo como os de gatos e suas pernas estavam dobradas para trás em um "ângulo acentuado em relação ao corpo". Tim ficou paralisado de medo diante daquela monstruosidade sobrenatural, mas em um instante a criatura desapareceu e o pavor se dissipou. Ele contaria para sua família, mas ninguém acreditaria nele. O que ele teria visto, afinal de contas?
 
Na primavera de 1983, um estudante do último ano do ensino médio chamado Robert Bruster voltava do trabalho para casa em Piton, Maine, quando fez uma curva na estrada e viu algo magro e cinza sob os faróis andando no acostamento. A pele da criatura era aparentemente lisa e brilhante, sem pelos visíveis e sem roupas, e seus olhos eram de um amarelo intenso. A testemunha a descreveria como "branca e reluzente". Ela teria olhado para ele por um instante antes de pular para um barranco do outro lado. A testemunha disse que era algo que nunca tinha visto antes. 


Em maio de 1986, uma testemunha não identificada estava passeando com seu cachorro em Sorrento, Colúmbia Britânica, Canadá, quando notou um "brilho laranja/vermelho" à frente, no final da estrada. Ao se aproximar, conseguiu ver uma clareira banhada por uma luz que não parecia vir de lugar algum. Em seguida afirmou ter visto uma figura pálida que parecia estar rastejando sob essa luz. A criatura parecia não ter cabelos, sua pele possuía coloração cinza e ela era muito magra, quase esquelética. Disse ainda que ela "parecia estar de joelhos e cotovelos no chão, movendo-se como se arrastando. A cabeça estava abaixo dos braços dobrados, o que era muito estranho".
 
Em 1992, Rosales também relatou um caso interessante e bizarro na região de Troy, Pensilvânia. Um homem chamado Victor Sayles e sua namorada, Amanda Bayers estavam dirigindo por uma estrada rural quando viram um movimento próximo à beira da estrada. Inicialmente, pensaram que a figura fosse um homem nu rastejando pelo chão, o que já era bastante estranho, mas, à medida que se aproximavam, perceberam que era algo ainda mais bizarro. O relatório de Rosales diz:

"O motorista parou a cerca de 9 metros de distância com as luzes concentradas diretamente sobre a figura incomum. Logo perceberam que não se tratava de uma pessoa, mas sim de uma criatura que rastejava rente ao chão. Enquanto observavam, a criatura assumiu uma posição de agachamento, com as costas completamente retas, algo semelhante à postura de um canguru. Os braços da criatura estavam firmemente presos ao corpo e eram longos e finos. Eles pareciam terminar em longas garras, semelhantes às de uma águia. Estimou-se que as garras tivessem entre 20 e 25 centímetros de comprimento. A criatura tinha um corpo delgado. A cabeça da besta tinha uma forma oval, sem orelhas ou nariz, limitando-se estes a buracos escuros. Os olhos também eram pequenos e pretos, brilhando de forma tênue refletindo a luz do farol. Sua boca no entanto era longa e rasgada de uma ponta a outra doa face. Segundo as testemunhas, a criatura inteira era cinza, enrugada e destituída de pelos."

Eles conseguiram ver a criatura claramente o que lhe permitiu verificar esses detalhes. Ela ficou agachada pelo tempo todo, deveria ter cerca de 1,20 metro de altura. Enquanto o casal observava, perplexo, a criatura começou a se esticar. O homem disse que, nesse instante, ela se levantou sobre as patas traseiras, ao mesmo tempo em que se apoiava nos braços. O motorista disse ainda que, nessa posição semiereta, a criatura parecia ter entre 1,8 e 2,1 metros de altura.  Ela então virou a cabeça para a direita e olhou na direção do veículo. O motorista disse que ela olhou diretamente para eles e a viu respirar fundo. Ele teve a sensação de que a criatura estava perdida ou confusa e que, quando percebeu a presença deles ali, reagiu com preocupação. Inclinou-se então para trás e estendeu as garras para a frente. A criatura então deu um salto tremendo, ultrapassou um barranco de dois metros e desapareceu de vista em uma área arborizada. Os dois estimaram que o salto teve cerca de doze metros de comprimento. Enquanto saltava, estava perfeitamente reta e mantinha os braços dianteiros estendidas para a frente.

O motorista salientou: "Sua forma era completamente diferente de quando estava agachada". A mulher afirmou que ela "assumiu outra forma". Ela achou que era marrom-escura e que poderia ser algo alienígena. Ela estimou que, quando saltou para a mata, a criatura tinha cerca de 2 metros de altura. Após a experiência, o homem pesquisou na internet para tentar descobrir o que tinha visto e disse ao investigador que a descrição mais próxima que conseguia encontrar seria a de uma gárgula sem asas. O homem comentou em seu depoimento a Rosales: "Nunca me esquecerei do que vimos naquela noite, foi apavorante."


Mas estes não são os únicos testemunhos à respeito dessa coisa estranha.

Em 1996, Jansen Willard dirigia para a casa de seu pai por uma estrada deserta na Pensilvânia cercada por bosques densos e escuros, pontilhados por casas abandonadas e campos agrícolas sem uso. Em determinado momento, a testemunha parou para urinar, e foi aí que as coisas ficaram estranhas. Enquanto fazia suas necessidades, Willard foi repentinamente tomado por uma sensação de pavor. O restante do relato diz:

"Ele terminou rapidamente e, impulsionado pela súbita sensação de pânico, correu de volta para sua caminhonete, entrou e trancou as portas. Acendeu os faróis e deu partida no motor com tanta força que era possível ouvir as engrenagens rangendo. Assim que começou a voltar para a estrada, saindo do acostamento, seus faróis iluminaram a vala e captaram algo do outro lado da estrada, a cerca de trinta centímetros do asfalto. Seu estômago revirou imediatamente.

Havia algo rastejando para fora da vala, de quatro. Estava agachado como um animal, mas seu corpo parecia quase humano, embora não fosse exatamente humano. Não tinha cabelos e sua cor era uniforme, um tom cinza amarelado. Sua cabeça grande tinha formato oval, mas não possuía orelhas ou nariz visíveis. A boca era muito, muito larga e parecia uma linha fina e reta que se estendia por todo o rosto da criatura. Era ligeiramente curvada para cima nas bordas, como um leve sorriso. Os olhos eram muito pequenos e brilhantes. 

Como estava a cerca de dois metros de distância, tinha certeza de que não era apenas uma pessoa usando uma máscara. O corpo nu e enrugado parecia um tanto "estranho", mas ele não conseguia identificar o porquê. Não conseguia ver pés nem mãos, pois havia cerca de trinta centímetros de grama na beira da estrada. Seja lá o que fosse, tinha o tamanho de um adolescente. Assim que os faróis o iluminaram, ele percebeu, pelos movimentos, que a criatura estava subindo lentamente a vala em direção à estrada e, quando a luz a atingiu, ela recuou um pouco, como se tivesse se surpreendido ao ser descoberta. A testemunha então pisou fundo no acelerador e correu para a casa do pai, onde passou a noite em claro.

A parte da experiência que mais a assustava era que a coisa estava definitivamente subindo aquela vala para alcançá-lo enquanto ele estava de costas. "Se eu não tivesse sido alertado por aquela sensação estranha de pânico, ela iria me pegar pelas costas".


Outro relato vem de uma testemunha do Canadá chamado Charles Oder, que em 1999 descreveu para Rosales uma experiência semelhante. A testemunha diz que estava voltando para casa quando ouviu os cachorros da vizinhança latindo loucamente. Oder achou estranho, mas continuou caminhando normalmente até que as coisas ficaram bizarras. Ele contou o seguinte:

"O que eu vi quando virei a esquina fez meu coração parar. Congelei por um segundo ao ver algo se arrastando pela rua muito rápido. Havia apenas um poste de luz que iluminava sua figura. Era cinza e muito magro, seu corpo era esguio como o de um cadáver e desproporcional. Muito alto. Ele se arrastava rente ao chão, a barriga para cima e as pernas em um ângulo que não fazia sentido com joelhos dobrados e apoiado nas mãos. Estava se aproximando e foi quando gritei e corri o mais rápido que pude, quase escorregando. Quando cheguei em casa e senti que havia escapado a descarga de adrenalina foi tamanha que comecei a chorar sem parar.

Na minha cabeça, pensei que aquela coisa queria me pegar. Moro perto da mata, então provavelmente foi dali que ela veio. Não saí à noite por um tempo e ficava assustado quando passava naquele trecho pois foi uma experiência traumatizante. Não sou de inventar coisas desse tipo, meus amigos ficaram surpresos com meu ataque de histeria. Espero nunca mais ver aquela coisa." 

Há muitas histórias de avistamentos dessas criaturas em reservas indígenas ao longo dos anos. De fato, os mitos indígenas mencionam uma criatura semelhante ao Rastejante Cinzento em suas tradições milenares. Conforme o folclore dos povos Objwa e Metis que habitam a região compreendendo os Grandes Lagos e a Colúmbia Britânica, esses seres fazem parte de uma raça de habitantes primordiais que antecedem as tribos locais. Embora haja pequenas diferenças culturais eles sempre são retratados como seres desprezíveis e cruéis.

Os Algonquin chamam essas entidades de Pukwudgies e os descrevem como criaturas maiores que um homem que se movem furtivamente, arrastando-se pelo chão com as grandes pernas dobradas e os braços compridos sendo usados como apoio. Os Pukwudgies são maliciosos e perversos, gostando de capturar crianças que são então transformadas em seus servos ou escravos. A criatura tende a criar seu cativo tratando-o com crueldade, impondo castigos severos e ameaçando de que qualquer tentativa de fuga será punida com surras, tortura e até, em alguns casos, a amputação de um membro. Quando a criança cresce e se torna adolescente, o monstro a liberta uma vez que prefere criados que possa controlar. Em alguns casos, se ele captar um desejo de vingança, ele pode matar seu servo e substituí-lo por outro mais fácil de amedrontar.

Uma lenda similar existe entre os povos da Tribo Wabanaki que conhecem o Rastejante Cinzento como Skadegamutc um tipo de espírito que possui seu escolhido e a transforma em uma criatura magra e enrugada que anda rastejando pelo chão, acocorada e com as mãos servindo de apoio quando corre. Segundo a lenda essa criatura era um xamã que realizou algum tipo de feitiçaria proibida e que acabou sendo punida pelos seus atos reprováveis. O Skadegamutc vive apenas para espalhar o caos, recorrendo a truques e dissimulação para atrair as pessoas e capturá-las. 

Finalmente os Metis que habitam vastas áreas do Canadá Meridional conhecem o Rastejante Cinzento como o Stikini, o homem cinzento que tem olhos pretos cheios de maldade, uma boca repleta de dentes afiados e disposição para o canibalismo. O Stikini vive em túneis estreitos e de difícil acesso que apenas eles com seu corpo maleável conseguem adentrar. Seus ossos são flexíveis e podem se curvar e dobrar de uma maneira não natural permitindo que se escondam em lugares apertados como troncos de árvores e espaços sob pedras. Essa abominação adora devorar mulheres e crianças que eles conseguem agarrar e levar até seus esconderijos afastados. O covil desse monstro está sempre repleto de ossadas roídas e de cabelos que ele regurgita por não conseguir digerir.   


As antigas lendas de nativos americanos parecem se encaixar perfeitamente nos relatos bizarros sobre criaturas cinzentas e esqueléticas, criando um dos criptídeos mais populares da região fronteiriça entre os Estados Unidos e Canadá. De fato, o Rastejante Cinzento é uma lenda local que só perde em popularidade para a do Pé Grande ou Sasquatch. Soma-se a isso o número considerável de desaparecimentos aleatórios de pessoas ao longo dos anos nas florestas e bosques canadenses e temos uma lenda constantemente renovada através de relatos bizarros e assustadores.

Em 2005, uma câmera automática instalada por guardas florestais na Floresta de Alberta Falls no Canadá registro algo estranho e que causou sensação nas redes sociais. A fotografia de uma criatura magra e estranha, claramente não humana dividiu a opinião pública com muitos afirmando se tratar de uma montagem muito bem feita ou de alguém usando uma fantasia convincente. A imagem foi bastante debatida e para alguns ela é a prova incontestável da existência do Rastejante Cinzento. A imagem em questão está no alto dessa postagem, julgue por você mesmo.  

Mas no final das contas, o que estaria por trás dessas narrativas terríveis sobre um monstro sobrenatural espreitando nas matas de coníferas? 

Esses relatos parecem estar além de qualquer classificação. As teorias variam enormemente aceitando diferentes hipóteses  desde algum tipo de criptídeo, passando por fantasmas, intrusos interdimensionais e é claro, seres alienígenas. Mas o que seriam essas coisas se é que elas realmente existem? Obviamente, os casos parecem ir muito além dos relatos incomuns, deixando-nos com a reflexão sobre o que poderia estar acontecendo nessa região. Sejam quais forem as respostas, os Rastejantes Cinzentos são algo que ninguém gostaria de encontrar numa estrada escura à noite cruzando o caminho dos faróis de seu carro.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Tribos Desconhecidas - Incríveis encontros com Nativos Misteriosos: Os Maricoxi


A história guarda muitas peculiaridades que talvez nunca sejamos capazes de compreender. Muitas vezes por documentação incompleta, desinteresse da época ou simplesmente por um grande ponto de interrogação que paira sobre todos algumas coisas parecem destinadas a nunca serem explicadas. Entre estas, encontram-se as misteriosas tribos perdidas que foram encontradas em todos os cantos do globo, muitas vezes desaparecendo antes que realmente as compreendêssemos. Elas são conhecidas apenas por relatos esparsos, deixando-nos perplexos sobre suas origens. Aqui, examinaremos misteriosas tribos perdidas de homens-macaco, índios de olhos azuis, tribos místicas com poderes telepáticos, entre outras.

Vamos começar pelas selvas remotas da América do Sul que têm sido fonte de contos de criaturas e lendas estranhas há séculos. Há numerosos avistamentos de uma tribo de seres humanoides semelhantes a macacos vivendo em áreas selvagens da qual sabe-se muito pouco.

A descrição dessas criaturas variava enormemente: com uma estatura que ia de diminutos 90 centímetros até gigantescos 3,6 metros de altura eles eram selvagens. Os nativos e viajantes frequentemente afirmavam que estes seres habitavam aldeias próprias, usavam ferramentas e arcos e flechas primitivos para caça e guerra. Tinham ainda uma linguagem própria de grunhidos e assobios. Mais impressionante eram cobertos de pelos crespos e escuros que lhes concedia um aspecto animalesco. Embora os nomes regionais possam variar, eles eram classificados sob o nome genérico Maricoxi e, em sua maior parte constituem um enigma completo.

Os Maricoxi sempre foram um mistério, sendo descritos por exploradores do século XVI em diante. As matas fechadas em que eles viviam eram prudentemente evitadas pelas demais tribos que os consideravam perigosos. 

Talvez um dos encontros mais bem documentados e angustiantes com essas criaturas misteriosas tenha sido detalhado pelo famoso explorador britânico o Coronel Percival H. Fawcett, mais frequentemente chamado de Percy Fawcett, que desapareceu na selva durante uma expedição para encontrar a misteriosa cidade perdida de Z. Fawcett era conhecido por escrever extensos diários de suas viagens, muitos dos quais seriam posteriormente compilados em livros por seu filho Brian. Em um desses livros, intitulado "Trilhas Perdidas, Cidades Perdidas", encontra-se uma história bastante curiosa de um encontro com os Maricoxi.


O incidente ocorreu em 1914, quando Fawcett estava em uma expedição para mapear a região inexplorada do sudoeste do Mato Grosso. A partir da Bolívia, sua expedição penetrou na selva escura rio acima. As tribos locais conheciam histórias bizarras de homens-feras peludos que supostamente habitavam aquele mar de árvores e os advertiram sobre eles. Embora parecesse algo fantasioso, a informação era o suficiente para mantê-los cautelosos com o que os cercava e com o que encontrariam em sua jornada. Ivan Sanderson escreveu sobre as histórias de Fawcett em seu livro "Things", de 1967, no qual escreve:

“Essas criaturas eram chamadas de Maricoxis pelos Maxubis. Eles viviam a nordeste deles. A leste, dizia-se que havia outro grupo de pessoas baixas e negras, cobertas de pelos, que eram canibais e caçavam humanos para se alimentar, cozinhando os corpos em espetos na fogueira e arrancando a carne em nacos. Os Maxubis consideravam esses seres repugnantes e inferiores pelos seus hábitos. Em uma viagem posterior, o Coronel Fawcett foi informado de um "povo-macaco" que vivia em tocas no chão, também cobertos de pelos escuros e que tinham hábitos noturnos, de modo que eram conhecidos pelos vizinhos como Povo-Morcego. Esses tipos erma chamados de Cabelludos ou "Povo Peludo" pelos falantes de espanhol, e Tatus, por vários grupos ameríndios, porque viviam em tocas como esses animais. Fawcett registrou relatos de ameríndios na floresta que os Morcegos tinham um olfato incrivelmente bem desenvolvido, o que levava esses caçadores a sugerir que eles tinham um "sexto sentido".

Apesar das narrativas, o grupo se embrenhou bravamente ao longo do rio, encontrando algumas peculiaridades ao longo do caminho. A primeira descoberta interessante foi uma tribo ameríndia até então desconhecida, que se identificava como Maxahubis e exibia algumas características curiosas, como sua religião de adoração ao Sol. Demonstravam também um conhecimento inexplicável dos planetas do sistema solar, que conseguiam deduzir com uma precisão notável. Teria sido interessante estudar isso mais a fundo, mas Fawcett e companhia não estavam lá para fazer trabalho antropológico e, depois de passar alguns dias com a tribo, retornaram à selva envolta em névoa, deixando esse povo fascinante para trás, e cruzando para uma região completamente desconhecida para forasteiros, tão remota e estranha que poderia muito bem ser a superfície de algum planeta alienígena.

Após vários dias lidando com inúmeros perigos dessa terra indomável, a expedição se deparou com uma trilha misteriosa no meio do nada e presumiram ser ela usada pelos nativos da região. Enquanto estavam ali, decidindo se seguiriam a trilha ou não, Fawcett escreve que viram duas figuras se movendo a cerca de 90 metros de distância, aparentemente conversando em alguma língua desconhecida e carregando arcos e flechas. Embora a princípio se presumisse que fossem de uma tribo local, uma inspeção mais detalhada mostrou que eram decididamente mais estranhos, e Fawcett os descreveu:

“Não conseguíamos vê-los claramente por causa das sombras salpicadas em seus corpos, mas me pareceu que eram homens grandes e peludos, com braços excepcionalmente longos e testas inclinadas para trás a partir de arcos oculares pronunciados, homens de um tipo muito primitivo, na verdade, e completamente nus. De repente, eles se viraram e se dirigiram para o mato, e nós, sabendo que era inútil segui-los, começamos a subir o trecho norte da trilha.”


Parece bastante óbvio, a essa altura, que Fawcett não considerava estes estranhos como seres humanos desenvolvidos. Talvez isso já fosse suficientemente estranho, mas as coisas ficaram ainda mais bizarras. Ao anoitecer, a floresta subitamente ganhou vida com o som do que pareciam ser trombetas ecoando na escuridão distante. Os membros da expedição ficaram imediatamente em alerta, pois instintivamente sabiam que se tratava de um som agressivo emitido com a promessa de ameaça. Fawcett escreveria sobre essas trompas e o que se seguiu:

“Na luz suave do entardecer, sob a alta abóbada de galhos nesta floresta inexplorada pelo homem civilizado, o som era tão assustador quanto as notas iniciais de uma ópera fantástica. Sabíamos que os selvagens tinham feito aquilo e que eles estavam agora em nosso encalço. Logo pudemos ouvir gritos e tagarelices acompanhados pelos chamados ásperos das trompas — um estrondo bárbaro e implacável, em nítido contraste com a furtividade do selvagem comum.

A escuridão, ainda distante acima das copas das árvores, estava se instalando rapidamente ali, nas profundezas da mata, então procuramos ao redor um local de acampamento que oferecesse alguma segurança contra ataques e, finalmente, nos refugiamos em um matagal de taquaras. Ali, os selvagens nus não ousariam nos seguir por causa dos enormes espinhos. Enquanto pendurávamos nossas redes dentro da paliçada natural, podíamos ouvir os selvagens tagarelando por todos os lados, mas sem ousar entrar. Então, quando a última luz se extinguiu, eles nos deixaram e não ouvimos mais falar deles."

É uma imagem assustadora, com certeza, este acampamento solitário de exploradores desgrenhados, aterrorizados pela visão de homens peludos e assediados por trombetas misteriosas na noite, pontuado pelo chilrear de alguma língua estranha. Na manhã seguinte, a equipe verificou cautelosamente os arredores e não encontrou nenhum sinal de que qualquer um dos "selvagens" tivesse se intrometido nas proximidades. Nem mesmo as pegadas estavam claras. Eles continuaram por uma das trilhas bem delineadas e acamparam novamente naquela noite, sem incidentes. Na manhã seguinte, partiram do acampamento e, a cerca de um quilômetro de distância, tropeçaram no que parecia ser a aldeia da estranha tribo, povoada por criaturas que obviamente não eram humanas. Fawcett descreve o que aconteceu de forma bastante espetacular:

“De manhã, seguimos em frente e, a menos de quatrocentos metros, chegamos a uma espécie de guarita de folhas de palmeira. Então, de repente, chegamos a uma clareira ampla. A vegetação rasteira desapareceu, revelando entre os troncos das árvores uma aldeia de abrigos primitivos, onde se agachavam alguns dos selvagens mais estranhos que já vi. Alguns estavam ocupados fabricando flechas, outros apenas ociosos — grandes brutos, verdadeiramente simiescos que pareciam ter evoluído pouco além do nível de animais selvagens.

Assobiei, e uma criatura enorme, com pelo áspero e escuro levantou-se de um salto no abrigo mais próximo, encaixou uma flecha em seu arco num piscar de olhos e subiu dançando de uma perna para a outra até estar a apenas quatro metros de distância. Emitindo grunhidos que soavam como "Eck! Eck! Eck!", ele permaneceu dançando, e de repente toda a floresta ao nosso redor se encheu de vida com aqueles horríveis homens-macaco, todos grunhindo "Eck! Eck! Eck!" e dançando de uma perna para a outra esticando as flechas em seus arcos. Parecia uma situação muito delicada para nós, e eu me perguntei se seria o fim. Fiz propostas amigáveis ​​em maxubi, mas eles não me deram atenção. Era como se a fala humana estivesse além de sua capacidade de compreensão.

A criatura à minha frente interrompeu sua dança, ficou imóvel por um momento e então puxou a corda do arco para trás até que ela ficasse na altura da orelha, ao mesmo tempo em que erguia a ponta farpada da flecha até a altura do meu peito. Olhei diretamente nos olhos, meio escondidos sob as sobrancelhas salientes, e conclui que ele iria disparar. Mas tão deliberadamente quanto a havia erguido, ele abaixou o arco e recomeçou a dança lenta e aquele absurdo "Eck! Eck! Eck!"


Este "homem-macaco" continuou a fazer aquilo várias vezes, mirando o arco apenas para continuar com sua dança estranha e desconexa e então mirar novamente. No entanto, Fawcett parecia saber que a qualquer momento aquela flecha poderia disparar, e sua mão estava firmemente apoiada na coronha da pistola. Em algum momento, Fawcett diz que começou a temer seriamente por sua vida e decidiu assustá-los com sua arma, disparando uma bala que atingiu perto da criatura. O som estrondoso ecoou pela selva. Ele conta sobre a sequência de eventos que se seguiu:

"Saquei uma pistola Mauser que eu tinha no quadril. Era uma arma grande e desajeitada, de um calibre inadequado para uso na floresta, mas eu a trouxe porque, ao prender o coldre de madeira à coronha da pistola, ela se transformava em uma carabina e era mais leve de carregar do que um rifle de verdade. Usava cartuchos de pólvora negra calibre .38, que faziam um barulho desproporcional ao seu tamanho. Eu nunca o levantei; apenas puxei o gatilho e o disparei no chão aos pés do homem-macaco.

O efeito foi instantâneo! Uma expressão de completo espanto tomou conta do rosto hediondo, e os olhos se arregalaram. Ele largou o arco e saltou tão rápido quanto um gato para desaparecer atrás de uma árvore. Então as flechas começaram a voar. Disparamos contra os galhos, esperando que o barulho assustasse os selvagens e os deixassem mais receptivos, mas eles não pareciam nem um pouco dispostos a nos aceitar, e antes que alguém se machucasse, desistimos, pois não tínhamos esperança, e recuamos pela trilha até o acampamento desaparecer de vista. Não fomos seguidos, mas o clamor na aldeia continuou por um longo tempo enquanto rumávamos para o norte, e imaginávamos ainda ouvir o "Eck! Eck! Eck!" dos nativos enfurecidos.

Este relato pode parecer completamente sensacionalista a ponto de ser fácil para os mais céticos descartá-lo de imediato, mas há razões pelas quais ele tem fundamento e merece consideração. A primeira é que provavelmente não se tratava de uma história fictícia que Fawcett estava contando. Ela fazia parte de suas anotações meticulosas sobre a expedição, e estava ali, entre observações mais mundanas da vida selvagem e dos diversos povos da região. Fawcett era um aventureiro profissional e membro da Royal Geographical Society, além de explorador e agrimensor muito respeitado e experiente no seu campo. Não há nenhuma razão para que ele quisesse inventar tal história e deixá-la no meio de seu diário, que de outra forma, é perfeitamente normal. Por que ele faria isso, correndo o risco de arruinar sua reputação? Com ​​que objetivos? 


Fawcett também foi acusado de ter exagerado em suas relações com os nativos e, neste caso, tê-los retratado como brutos peludos por motivos racistas. Mas, se fosse esse o caso, por que existem outros registros de suas relações com os nativos que são completamente precisos na descrição tanto de aparência quanto comportamento? É verdade que Fawcett era conhecido por ter opiniões fortes sobre as tribos mais primitivas, mas ele parece nunca ter deixado que isso comprometesse a maneira objetiva como registravam os povos nativos. Sanderson tem muito a dizer sobre esse aspecto dos registros do diário, escrevendo:

“Ele (Fawcett) não era etnólogo, antropólogo ou arqueólogo, mas foi com essas disciplinas que ele entrou em conflito expressando sentimentos de amargura. Em suas extensas viagens por territórios até então inexplorados, ele descobriu grupos de pessoas pela primeira vez, conviveu com eles, muitas vezes aprendeu suas línguas, registrou o que pôde de seus costumes e tentou alguma classificação de suas origens. Ele gostava muito disso! Considerava um dos aspectos mais importantes de seu trabalho. Mesmo assim, as teorias de Fawcett estavam em total desacordo com o que era então, aceito pelos estudiosos. Mas embora essas teorias tenham sido fortemente criticadas, a veracidade dos relatos coletados jamais foi questionada."

Isso coloca seu relato dos Maricoxis sob uma luz completamente diferente, independentemente do fato de que sua palavra nunca foi posta em dúvida. Mais tarde o que ele viu foi confirmado por outros exploradores, em relatos que lhe foram transmitidos por várias pessoas que travara contato com os Maricoxi. Muitos falavam desses seres peludos como mais animais que homens...

Portanto, somos compelidos a aceitar o relato feito na íntegra; um relato que afirma que no ano de 1914, tribos de hominídeos de aspecto primitivo, quase bestial, viviam a nordeste da Serra dos Parecis, no Mato Grosso. Uma tribo completamente desconhecida. 

Embora Sanderson possa parecer precipitado demais para acreditar na história completa, certamente é um relato que se destaca entre os escritos de Fawcett e que, em última análise, deixa mais perguntas do que respostas. O que Fawcett e seus companheiros de expedição encontraram naquela selva? Seriam eles de fato os lendários Maricoxi? É realmente lamentável que, considerando que Fawcett não estava particularmente interessado em investigar o assunto, e parece tê-lo considerado principalmente um obstáculo e uma estranheza, ele nunca tenha se esforçado para descobrir o que eram as criaturas de seu relato. Será que essa tribo de homens-macaco peludos realmente existiu como Fawcett os descreveu? E, se sim, o que eram eles e como se encaixavam na lenda de Maricoxi? A resposta pode permanecer para sempre escondida naquele covil proibido da selva.

sexta-feira, 26 de abril de 2024

Um Monstro Marinho do mundo real - O terrível Mosassauro Thalassotitan


Entusiastas de histórias de monstros marinhos nem sempre são levados à serio. Nem todas pessoas aceitam as teorias, por vezes inusitadas, sobre a existência factual dessas criaturas. De fato, muitos acham que tais seres habitam apenas o Reino do Imaginário.

Entretanto, recentes descobertas feitas por paleontólogos no Marrocos apontam para a existência de uma criatura monstruosa bem similar aos monstros das lendas. As ossadas sugerem se tratar de uma criatura que viveu nos rios que floresceram há centenas de milhões de anos atrás no que hoje é o norte da África. Muitos fósseis de plesiossauro - um réptil marinho de pescoço longo, já haviam sido encontrados nesse mesmo sítio. No passado remoto a paisagem hoje desértica era formada por uma bacia pantanosa, quente e com vegetação exuberante.

Curiosamente os ossos datam de um período posterior à grande extinção dos dinossauros ocorrida 66 milhões de anos atrás. Os plesiossauros parecem ter encontrado um refúgio lá apesar das mudanças climáticas devastadoras para as demais espécies.

Entretanto, antes dos plesiosauros também serem extintos, eles encontraram um adversário para sua sobrevivência tão grande quanto o clima. Este era um réptil marinho maior, mais feroz e mais implacável do que qualquer plesiosauro. Estas feras caçavam e comiam qualquer coisa que estivesse ao seu alcance. Nada nos oceanos pré-históricos estava à salvo desses enormes predadores. 

Um novo estudo feito por pesquisadores no Marrocos descobriu aquele que pode ser a maior e mais terrível espécie de Mosassauro - um verdadeiro monstro que pode ser o predador definitivo... ameaçando até mesmo outros Mosassauros. 


Batizado Thalassotitan, essa criatura era o equivalente a um pesadelo no mundo real, capaz de andar, correr, nadar e matar com enorme facilidade. Acredite, era algo que você positivamente não iria querer encontrar.

"O Thalassotitan era um animal terrível. Imagine um Dragão de Komodo misturado com um Tubarão Branco, com a ferocidade de um Tiranossauro e o vigor de uma baleia assassina. Todos esses elementos faziam dele o incontestável Rei dos pântanos e águas pré-históricas".

Nick Longrich, um paleontólogo e biólogo evolutivo da Universidade de Bath liderou o grupo de pesquisa que encontrou os fósseis do Thalassotitan atrox – o maior mosasauro que já nadou nos mares da Terra. Como ele explicou em uma publicação recente no Journal of Cretaceous Research, o Marrocos foi um ambiente rico em seres marinhos a cerca de 55 milhões de anos, oferecendo um habitat seguro para todo tipo de monstruosidade.

Os Mosassauros, como sabemos, estavam no topo da cadeia alimentar. Embora fossem classificados como lagartos marinhos, não há nenhuma criatura atualmente na natureza que seja semelhante a ele. É surpreendente que o parente mais próximo deles não sejam os crocodilos modernos, mas iguanas e anacondas. 

O solo rico em fosfato do Marrocos ajudou a preservar os fósseis de muitas espécies de Mosasauros com mandíbulas titânicas repletas de dentes capazes de rasgar e dilacerar peixes e lulas, além de esmagar animais com escamas. Os Mosasauros comiam de tudo - peixes, cefalópodes, tartarugas, pássaros, megalodons e até mesmo outros mosassauros. Eles eram bestas sempre famintas que caçavam solitariamente. O Thalassotitan era uma máquina de matar que não parava diante de nada, o predador definitivo. 


"O Thalassotitan, tinha um crânio enorme medindo 1.80 metros e seu corpo podia crescer até atingir 16 metros de comprimento, maior que qualquer crocodilo moderno. Ainda que muitos mosassauros tivessem uma mandíbula longa e dentes finos para agarrar peixes, o Thalassotitan tinha um focinho mais curto e dentes cônicos como das baleias orca. Isso permitia a ele uma força de mordedura ainda maior capaz de dilacerar os ossos de suas presas com uma única bocada".

Os dentes desses monstros eram adaptáveis, eles rachavam e cresciam novamente mais fortes que antes, capazes de atravessar a couraça de répteis marinhos, inclusive outros mosassauros. Nada que caía na bocarra do Thalassotitan sobrevivia à sua voracidade. A mordida era tão potente que superava a do atual crocodilo de água salgada em aproximadamente 18 vezes. Fragmentos de fósseis encontrados perto de ossadas de Thalassotitan incluem os restos de peixes predadores, cascos de tartaruga Marinha partidos e até a cabeça de um plesiosauro - arrancada com uma única mordida e semi-digerida antes de ser regurgitada.

Os fósseis de presas também incluíam as mandíbulas e dentes de outras espécies de Mosassauro o que demonstra o espírito competitivo da espécie. Marcas deixadas em ossos revelam que os Thalassotitan lutavam frequentemente entre si, disputando comida ou parceiras para a procriação.

"Nos 25 milhões de anos antes do meteoro se chocar com a Terra, os Mosassauros estavam se tornando mais e mais diversos. Adaptados e especializados em dominar o meio em que viviam. Sem falar que seu tamanho continuava aumentando. Se não tivessem sido extintos, quem sabe até que tamanho poderiam chegar".

Embora a descoberta desse predador alfa do Período Cretácio constitua uma descoberta fascinante, a verdadeira revelação vinda dessa câmara de tesouros de fósseis é a constatação de que esses animais não estavam em declínio como acreditavam alguns estudiosos. Longrich discorda de que os Mosassauros estavam em decadência mesmo depois das mudanças climáticas deflagradas pelo choque do meteoro na Península de Yucatan que decretou o fim de seu reinado. 


"Os fósseis de Mosassauros mostram que o ambiente não estava se deteriorando, pelo contrário, estava em expansão".

Até onde sabemos, a região que hoje compreende o Marrocos possuía vida marinha em abundância. Os mosassauros que lá viviam, inclusive o Thalassotitan tinham muita comida, muito espaço e perspectivas de sobrevivência. O que aconteceu é que as outras espécies não conseguiram se adaptar tão bem quanto eles e começaram a desaparecer.

Longrich supõe que os Mosassauros em um determinado momento de seu reinado ficaram sem presas que pudessem satisfazer seu apetite voraz. "Eles literalmente comeram todos animais que estavam à sua volta e tiveram que lutar uns contra os outros por comida. Era comer ou ser comido!"

No fim, o que colocou fim ao domínio desses monstros marinhos foi a sua própria incapacidade de conter seu apetite voraz. Eles esgotaram o seu ambiente paradisíaco e quando não encontraram mais nada capaz de lhes satisfazer disputaram uma arena na qual restaria apenas um deles. E este inevitavelmente também acabaria perecendo sem comida.

É divertido pensar em criaturas como o Thalassotitan vivendo nos dias atuais ou despertando para reivindicar os sete mares, mas para o bem ou para o mal tais monstros marinhos estão extintos há muito tempo. Ainda assim, nos faz pensar o que aconteceria se tal criatura nadasse em nossos mares.  

domingo, 4 de dezembro de 2022

Rastros na Neve - A descoberta de misteriosas pegadas do Yeti no Norte da India


Desde que as majestosas montanhas do Himalaia estão lá, elas sempre foram fonte para incríveis histórias sobre misteriosas criaturas. Parte central no folclore do Nepal e do norte da India; real para alguns, mito para outros, o Yeti, também conhecido como Abominável Homem das Neves possui uma lenda muito difundida.

Um monstro humanoide, gigantesco, coberto de pelos e dono de uma ferocidade incomparável. Ele se confunde com a paisagem gelada, desaparecendo nas escarpas e ravinas espreitando aqueles que ousam adentrar nos seus domínios. Ninguém realmente viu a criatura, ao menos ninguém que tenha conseguido provar sua existência como fato. Muitas vezes, no entanto, sua existência é presumida pela descoberta de enigmáticas pegadas deixadas na neve.

Um dos avistamentos mais sensacionais de pegadas de Yeti nos últimos tempos – que gerou bastante agitação nas mídias sociais – foi relatado pelo exército indiano em 19 de abril de 2019. Nele, as autoridades oficiais afirmavam que uma expedição militar de montanhismo havia visto e fotografado pegadas de um animal desconhecido medindo gigantescas 32x15 polegadas (aproximadamente 81cm de comprimento por 38 cm de largura). 

O tweet emitido pelos militares indianos dizia:

"Pela primeira vez, uma equipe de montanhistas do Exército Indiano localizou pegadas da besta mítica 'Yeti' medindo 32x15 polegadas perto do acampamento base de Makalu em 09 de abril de 2019. Este ser indescritível foi avistado no Parque Nacional Makalu-Barun no ano passado".


A Base de Campo Makalu fica no leste do Nepal e está situada a uma altitude de 4.870 m, na base do Monte Makalu - o quinto pico mais alto do mundo que atinge 8.485 m. Esta parte do remoto Himalaia foi aberta para o mundo exterior na década de 1950, quando o montanhista britânico Eric Shipton fez uma expedição pioneira na região. Desde então ela permaneceu relativamente inacessível e pouco explorada, exceto para um punhado de aventureiros que arriscaram suas vidas nesse ambiente perigoso. De fato, seria o lugar perfeito para uma fera solitária como o Yeti se esconder e permanecer oculta por tanto tempo.

Por sinal, foi o próprio Eric Shipton quem fotografou pela primeira vez pegadas reputadas ao Yeti em 1951, quando liderava uma expedição ao Everest. Shipton buscava possíveis rotas para chegar ao cume e esbarrou na descoberta fantástica. Na bacia de Menlung, a 5800 metros, sua expedição encontrou uma série de rastros de um bípede de grande porte. As pegadas desciam a geleira por cerca de uma milha e depois se perdiam. O colega montanhista de Shipton, Tom Bourdillon, escreveu na parte de baixo de uma das fotos: "Estou certo de que não é nenhum animal conhecido no Himalaia e que tem um tamanho considerável, bem maior que um homem"

Curiosamente, as fotografias compartilhadas pelo exército indiano mostram que as supostas pegadas do Yeti estão em linha reta, sem cambalear para a direita ou para a esquerda, como seria de esperar de um animal bípede. É quase como se o Yeti estivesse desfilando pelo terreno coberto de neve com desenvoltura incrível. As passadas, no entanto, são gigantescas, e as marcas na neve são profundas, indicando que ela foi feita por um enorme bípede, com mais de 250 quilos e cuja natureza permanece desconhecida.

Sempre que o tema das pegadas do Yeti surge em algum estudo, as pessoas supõem que de fato elas pertençam a Ursos Marrons do Himalaia. Estes animais embora raros, são bastante conhecidos por montanhistas e deixam pegadas bastante curiosas. Contudo, dessa vez, eles não parecem ter sido os responsáveis por tais rastros. 

O primeiro ponto que devemos ter em mente é que ursos não são bípedes. Eles geralmente se locomovem sobre quatro patas, especialmente em encostas íngremes e cobertas de neve. Eles se levantam nas patas traseiras apenas para forragear ou se defender. Por outro lado, quase todas as pegadas registradas do Yeti foram fritas por um bípede. Além disso, as pegadas são muito maiores do que qualquer uma deixada por ursos. Os maiores de ursídeos, os Kodiak habitam o arquipélago de mesmo nome, no sudoeste do Alasca. O maior urso Kodiak registrado pesava 751 kg e tinha uma pata com 46 centímetros de comprimento. Ou seja, muito menor que os rastros achados em Makalu.


Não temos outra opção a não ser admitir que, se as pegadas gigantescas realmente foram deixadas por animal selvagem, este não é um animal conhecido pelo homem. Nesse caso, a teoria de que elas são do lendário Yeti, ganha força.

O povo Sherpa que vive nessa região isolada do mundo possui inúmeras lendas à respeito de animais espirituais e seres sobrenaturais habitando as montanhas desde os primórdios. Eles não estão preocupados com o ceticismo dos cientistas que consideram o Yeti como um mito. A existência da criatura, para eles, é um fato entrelaçado em seu folclore e faz parte de suas vidas. Os sherpas vivem principalmente da criação de iaques, do cultivo de batatas e liderando expedições de montanhismo nessas encostas traiçoeiras. Conhecem estas paisagens como a palma da mão e são, reconhecidamente os melhores guias da região. 

Não faltam histórias sobre pegadas de Yeti achadas pelos sherpa nas encostas nevadas. Alguns relatam ter ouvido os peculiares assobios e ruídos guturais que o Yeti faz durante suas aventuras noturnas, ou ainda, sentiram seu odor corporal vil e pungente. Os sherpas descrevem o Yeti como uma besta semelhante a um macaco com cabeça cônica, mãos longas, rosto humano com nariz achatado, corpo coberto de cabelos avermelhados ou pretos (cobertos de neve por vezes). Embora ande ereto, às vezes é visto correndo pelas encostas das montanhas muito rapidamente usando as mãos e os pés.

Os sherpas acreditam que a razão pela qual o Yeti não pode ser visto regularmente é porque ele é um animal noturno. Qualquer montanhista poderá dizer seguramente que ninguém costuma se aventurar pelas montanhas depois do anoitecer e que fazê-lo pode ser um erro fatal. Além disso, é tido como mau presságio ver um Yeti. Aqueles que vislumbram a criatura estão fadados a sofrer um acidente ou morrer nas montanhas e por essa razão, costumam guardar para si a experiência. Muitos exploradores foram abandonados pelos seus próprios companheiros depois de relatar ter visto o monstro. Finalmente, o folclore dos povos que habitam essa parte do mundo afirma que o Yeti tem à sua disposição certos poderes sobrenaturais, entre os quais a faculdade de desaparecer à vontade e de fazer a spessoas esquecerem de tê-lo encontrado. 

Há diferentes interpretações para o que ocorre quando uma pessoa encontra o Yeti. Se a criatura vir a pessoa primeiro, os Sherpas acreditam que ela lançará algum tipo de feitiço que impedirá o indivíduo de se mover. Então o Yeti irá devorá-lo. 


Qualquer sherpa dirá que a única chance de escapar de um Yeti é correr ladeira abaixo, o mais rápido possível. Por vezes, o Yeti não seguirá a presa ou desistirá se esta correr sem olhar para traz. O contato visual no folclore sherpa irrita a criatura e faz com que ele veja o indivíduo como um inimigo em potencial. Um Yeti que inicia a perseguição se desloca com grande velocidade e geralmente consegue alcançar a presa. Ele pode também conjurar uma forte ventania que ergue a neve e cega a presa, dificultando sua fuga. Em geral, o Yeti não é hostil aos humanos e prefere apenas se defender. O melhor é deixar a criatura quieta; fazer de conta que não a viu e se afastar com calma, sem fazer movimentos bruscos, ao menos até estar longe o bastante para correr. 

O Yeti se alimenta principalmente de pequena fauna, como sapos, pequenos ratos e lebres amplamente difundidos pelo Himalaia. No entanto, eles são conhecidos por atacar e matar iaques, que são grandes animais de tração. É possível que eles vejam esses animais como inimigos ou que seu tamanho avantajado cause uma sensação de desafio. Há muitas histórias sobre iaques sendo massacrados pelas garras e presas afiadas de Yetis raivosos. Os sherpas acreditam que expedições organizadas para capturar ou caçar o Yeti nunca darão frutos pois eles são dissimulados demais. 

O que torna as pegadas do Yeti compartilhadas pelo exército indiano ainda mais interessantes é que, ela guardam semelhança com pegadas encontradas quase 80 anos atrás. Estas foram registradas pelo Major Bill Tilman em 1937, um dos primeiros aventureiros a explorar a região. Coube a ele apresentar ao ocidente a lenda do Yeti e inaugurar o nome pelo qual a criatura ganharia fama: "Abominável Homem das Neves".

O trecho de Tilman dizia: 

“Enquanto contornamos o sopé entre duas geleiras alimentadoras, vimos na neve os rastros do Yeti, que os sherpas chamam de Abominável Homem das Neves. As pegadas tinham mais de 50 centímetros de comprimento. Elas haviam sido deixadas sobre a neve que caíra na semana e portanto tinham entre três e quatro dias. O mais notável era que elas estavam em linha reta uma atrás da outra, sem pender para direita ou esquerda, diferente do movimento natural de alguém que caminha sobre duas pernas."

 

Um animal de quatro patas caminhando lentamente se desloca colocando o sobrepé à frente e o antepé atrás, deixando marcas características de sobreposição. Isso ajuda a identificar vários tipos de ursos. No entanto, as pegadas vistas na neve não eram de um urso, ou assim disseram todos os especialistas que avaliaram as evidências. O animal também era pesado, com pegadas deixando sulcos com mais de vinte centímetros de profundidade. Essas informações tornavam a identidade do animal desconhecida e acentuavam o mistério à respeito dele. Ele não se movia como um urso, iaque ou qualquer outro animal da região.

Tillman registrou ter seguido o rastro por cerca de uma milha, quando eles desapareceram em uma formação rochosa. Os rastros vinham de um vale nevado, mais precisamente de um lago onde ele provavelmente havia bebido água. Na beira do lago haviam mais rastros evidenciando que um animal de grande porte havia se colocado na margem.

Os sherpas que acompanhavam Tillman julgaram que as pegadas pertenciam a um yeti. Explicaram ao Major, fascinado pelas histórias, que haviam duas espécies distintas de Yeti: a menor, cujo rastro eles haviam encontrado, que pertencia a um animal que se alimenta de homens, enquanto que o outro, maior se limita a uma dieta de iaques. A observação do explorador de que pretendia capturar o animal e levá-lo para a Inglaterra não caiu bem entre os sherpas. Eles consideraram as palavras como uma brincadeira de mau gosto e inoportuna, ainda que Tillman estivesse falando sério. Para os Sherpas tal coisa era como ir atrás de uma tragédia. 

Quando o Major mencionou que estava falando sério, os sherpas que o acompanhavam declararam que não serviriam como guias para um propósito tão absurdo. Diante da postura dos guias tão necessários para o trabalho de campo, Tillman teve de desistir de seus planos, do contrário temia ser abandonado por eles. Ele retornaria outras tantas vezes à essas montanhas, sempre disposto a ver o Yeti, mas seus planos foram frustrados e ele (até onde se sabe) jamais encontrou ou viu a criatura.

É fascinante que as pegadas do Yeti vistas pelo Major Tillman, há mais de 80 anos, tenham uma correlação com as encontradas pela Expedição Militar Indiana em Makalu. A diferença mais significativa, dizia respeito ao tamanho delas, já que as de Makalu eram ainda maiores do que as vistas pelo Major Tillman. Se as pegadas vistas pelo Major Tillman eram da “variante menor” do Yeti, parece justo assumir que as pegadas em Makalu pertencem a “variante maior” que se alimenta de iaques.


O folclorista britânico Graham Hoyland, um especialista nas lendas do Himalaia estuda o mito do Yeti há mais de 20 anos. Com base em suas interações com aldeões em toda a cordilheira do Himalaia, de Arunachal Pradesh a Ladakh, ele atestou haver três tipos de Yeti:

O primeiro, e maior, é o aterrorizante dzu-teh, que tem 2,5 metros de altura quando está apoiado nas patas traseiras. Ele pode matar um iaque com um golpe de suas garras. 

Há o menor, chu-the, uma criaturinha de cor avermelhada do tamanho de uma criança que anda sobre duas pernas e tem braços longos. Ele é visto nas florestas de Sikkim e em boa parte do Nepal.

Finalmente, há o meh-teh, que é mais parecido com um homem e tem pelos vermelho-alaranjados em seu corpo. Ele ataca os humanos e é o mais frequentemente retratado nas pinturas murais dos mosteiros. Yeti é uma mutação de seu nome. Ele se parece mais com a imagem que nós, ocidentais temos dos Yeti como o Abominável Monstro da Neves.

Com base na classificação de Hoyland, as pegadas de Makalu pertenceriam a um dzu-teh de 2,5 metros de altura, um espécime especialmente grande. Uma das histórias narradas por Hoyland fornece uma pista importante para entender a verdadeira natureza do Yeti a partir do contexto das tradições mitológicas da Ásia central. 


Segundo ele, o primeiro relato ocidental de um "gigante selvagem" no Himalaia, foi feito por Brian Hodgson em 1832. Hodgson foi o primeiro residente britânico do Nepal e o primeiro inglês com permissão para visitar esta terra proibida. Ele escreveu em seu diário:

"Certa vez, meus guias ficaram alarmados nos arredores do Vale de Kachár com a aparição de um "gigante selvagem", possivelmente um ourang, mas duvido de sua precisão. Eles confundiram a criatura com um demônio ou raksha e fugiram dele apavorados em vez de atirar nele. A criatura se movia, diziam, ereto como um homem, era grande, coberto por longos cabelos escuros e não tinha cauda. Eles ficaram assustados e disseram que tal criatura possui poderes mágicos".

O fato de os atiradores nepaleses terem chamado o Yeti de “Rakshas” é curioso, pois os Rakshasas são parte importante de dois poemas épicos indianos, o Ramayana e o Mahabharata. Eles são geralmente descritos como seres noturnos demoníacos, de aparência feroz, alguns dos quais tratados como "devoradores de homens". Quando o mundo inteiro vai dormir, é quando eles emergem de seus covis e vagam pelas florestas em busca de presas. Eles têm corpos enormes cobertos de cabelos ruivos e são extremamente poderosos. Os humanos não são páreo para sua força. Eles habitam florestas densas e remotas e as encostas inacessíveis do Himalaia. Sua força e poderes de ilusão são dramaticamente ampliados próximo do crepúsculo – amanhecer e anoitecer – que é quando eles devem ser evitados a todo custo. Os Rakshasas podem usar seus poderes mágicos para desaparecer, voar pelo céu, assumir forma de animais e, em geral, usar ilusões para afetar a frágil mente humana.

O Mahabharata tem várias histórias sobre esses monstros devoradores de homens, mas as mais interessantes são aquelas que envolvem uma luta entre um Rakshas e o príncipe Bhima – que era um semideus e sem dúvida o homem mais forte do mundo de seu tempo. 


"Certa vez, Bhima e seus irmãos estavam passando por uma densa floresta à noite, na qual morava um Rakshasa chamado Hidimva. Os irmãos de Bhima haviam adormecido enquanto ele ficava acordado para vigiá-los. Foi quando os Rakshas sentiram o cheiro de presas humanas, em sua floresta." 

O texto continua: 

"Possuído de grande energia e destreza, Hidimva era um cruel canibal com seus dentes longos e afiados. Ele estava sempre com fome e desejando carne humana. Seu corpo coberto de pelos grossos avermelhados, seus ombros largos com o pescoço grosso como o tronco de uma árvore; suas orelhas pontudas e olhos selvagens". 

Depois de algumas reviravoltas na história, Bhima se envolve em um terrível combate corpo a corpo com o Rakshasa, ​​os dois rolando no chão e lutando, emitindo rosnados altos e golpes devastadores. É neste ponto que o irmão mais novo de Bhima, Arjuna, acorda de seu sono e aconselha Bhima a matar o monstro antes que seus poderes de ilusão aumentem pouco antes do amanhecer.

Eventualmente, Bhima prevalece sobre o Rakshasa e o mata quebrando sua espinha com uma chave devastadora. É curioso pois em outro trecho, o Rakshasa é descrito como "um gigante enorme, muito forte, de olhos vermelhos, barba e cabelos ruivos. Um ser terrível de se ver, mais fera que homem.” Claramente, os monstros noturnos comedores de homens do Mahabharata estavam cobertos de cabelo ruivo, assim como a variante menor do Yeti Nepalês, o monstro que devora humanos.

O Mahabharata (na menos que o livro mais sagrado da India) também nos conta que os Rakshasas geralmente habitavam florestas densas, particularmente aquelas localizadas nas encostas remotas do Himalaia. Existem várias passagens no Mahabharata que confirmam isso. Por exemplo:

"O Himalaia é inacessível e está repleto de Rakshasas, procurando por presas. Eles vagam pelas montanhas, sempre famintos e cobiçando a carne dos homens."


O que podemos concluir desses relatos antigos é que o Yeti está intimamente ligado aos monstros assustadores dos épicos indianos chamados Rakshasas. Talvez eles sejam exatamente as mesmas criaturas.

Uma vez que a maioria dos cientistas e acadêmicos atualmente desprezem as lendas antigas como se fossem mera fantasia, nos encontramos em uma situação complicada em que não podemos explicar os numerosos avistamentos de seres estranhos e bizarros, como o Yeti, o Pé Grande, Sasquatch e outros. Ainda assim, as pistas e indícios de sua existência continuam surgindo nos recantos mais afastados do mundo. Talvez um dia possamos provar que eles são mais do que apenas lendas, mas por enquanto eles seguem habitando a fronteira entre o real e o imaginário.

sábado, 10 de setembro de 2022

O Ataque dos Habitantes da Atmosfera - Criaturas inacreditáveis vivendo nas Nuvens


Monstros atmosféricos são criaturas bizarras e aparentemente impossíveis. Essas estranhas bestas voam silenciosamente acima da raça humana, desafiando as leis convencionais da física, e suas origens e intenções continuam sendo um dos mistérios mais intrigantes e fascinantes nos reinos da ufologia e da criptozoologia.

A maioria dos indivíduos inteligentes admitiria prontamente que os oceanos da Terra ainda não revelaram todas as formas de vida que habitam suas vastas profundezas. Alguns cientistas sugeriram que há quase um milhão de espécies desconhecidas à espreita, aguardando nas profundezas salgadas, enquanto outros insistem que o número seria muito maior. Mas, embora os cientistas não tenham problemas em aceitar que os mares estão repletos de formas de vida não identificadas, eles rejeitam a ideia de que o oceano de ar acima de nossas cabeças possa ser igualmente povoado por espécies únicas, e até hoje, não classificadas.

O consenso dos cientistas determina que nossa atmosfera se estende a aproximadamente 998 quilômetros acima da superfície do planeta. Isso é muito espaço, muito mesmo.

Quando pegamos todo esse espaço e comparamos com os quilômetros quadrados de água, a diferença é esmagadora em favor do espaço atmosférico. Então, se admitirmos que o oceano abriga um monte de formas de vida desconhecidas, será possível ignorar o mesmo potencial dos céus, muito mais expansivos, acima de nós?

Estudiosos da Criptozoologia, aquele ramo obscuro da ciência que tenta classificar seres misteriosos e estranhos, acreditam que esse vasto ambiente pode ser o habitat de criaturas sobre as quais sabemos muito pouco. Mas haveria algo habitando a atmosfera? Seria possível que criaturas misteriosas vivam nos céus? E como nós não percebemos sua presença? 

Os chamados Habitantes da Atmosfera, ou Monstros Atmosféricos, supostamente estão com a humanidade há séculos. As descrições variam de entidades vaporosas, semelhantes a nuvens, a "baleias do ar" e "krakens do espaço" até águas-vivas flutuantes e translúcidas que mergulham entre as nuvens sem meios visíveis de propulsão aerodinâmica. Há também os lendários "peixes do céu", animais mitológicos que supostamente nadam em pleno ar, como se estivessem no fundo do mar agitando suas nadadeiras para se mover graciosamente. 


Geralmente esses seres são retratados como bestas gigantescas com vários metros de comprimento. Seus corpos sinuosos flutuam pelo ar delicadamente, como balões vivos. Segundo os criptozoólogos, no passado, eles foram avistados por testemunhas que os identificavam erroneamente como nuvens estranhas. Em tempos mais recentes, eles são incorretamente identificados como aviões, balões meteorológicos, dirigíveis e até discos voadores 

Os defensores da existência de tais seres sugerem que – assim como muitos outros animais, eles também são capazes de criar uma camuflagem que os deixa virtualmente invisíveis a olho nu. Eles poderiam se misturar a paisagem de tal maneira que seria quase impossível perceber seus contornos, mais ainda por conta da altitude que sustentam na maior parte do tempo. Apenas ao se moverem, através de nuvens é que sua presença poderia ser traçada, e ainda assim de forma bastante discreta.  

Alguns defendem que a substância conhecida como "gelatina das estrelas", frequentemente associada a chuvas de meteoros pode muito bem vir a ser os restos em decomposição dessas bestas ostensivamente invertebradas forçadas para a terra. Talvez estrelas cadentes e outros detritos terrestres atinjam essas criaturas no meio do voo, rasgando-as com a força de seu impacto e enviando-as ao chão em pedaços ainda não identificáveis.

A origem dos Habitantes da Atmosfera também permanece como um ponto de discórdia entre os defensores da existência desses seres. Há diferentes vertentes sobre o que são essas criaturas: se elas seriam entidades alienígenas ou criaturas nativas da Terra. A maioria dos adeptos acredita que, de onde quer que esses animais venham, eles são animais não inteligentes que vivem suas vidas no céu confiando no instinto e não no intelecto. Mas, é claro, eles podem estar errados.


O famoso autor e investigador paranormal, Ivan T. Sanderson, formulou a teoria de que essas bestas do céu seriam uma forma de vida ainda a ser compreendida. Ele especulou que vários relatos de OVNIs poderiam se referir ao avistamento de "animais de densidade extremamente baixa nativos das nuvens".

Sanderson não está sozinho em sua crença à respeito de animais atmosféricos. Até mesmo o célebre cosmólogo Carl Sagan propôs que o conceito de tais bestas com forma similar a de um balão, poderia ser perfeitamente viável do ponto de vista biológico. Sagan chegou a formular que tais seres poderiam se desenvolver nos céus de gigantes gasosos como Júpiter. Ele chegou a especular que tais seres poderiam ter se formado na Terra.

Em 1975, o renomado ufólogo Trevor James Constable, propôs em seu livro "The Cosmic Pulse of Life" que o fenômeno dos discos voadores provavelmente não seria um exemplo de tecnologia extraterrestre, mas de colossais criaturas semelhantes a amebas que habitam a atmosfera da Terra. Ele coloquialmente apelidou esses animais teóricos de "criaturas do ar".

Constable propôs ainda que esses monstros atmosféricos passavam a maior parte do tempo em um estado de baixa densidade virtualmente invisível, mas quando aumentaram sua densidade (possivelmente enquanto procuravam sustento), essas estranhas formas de vida se tornavam parcialmente visíveis. Ele também defendia que o uso de dispositivos de radar e a perturbação causada por veículos aéreos de alguma forma perturbou essas bestas, forçando-as de seu estado geralmente oculto para um mais perceptível. Isso justificaria o relato de "coisas estranhas vistas nos céus".


Como se isso não bastasse, Constable sugeriu a premissa literalmente horripilante de que essas "criaturas" não eram apenas carnívoras, mas que provavelmente seriam responsáveis ​por uma infinidade de mutilações de animais, bem como de milhares de mortes e desaparecimentos de seres humanos todos os anos. Nem é necessário dizer que a noção da existência de predadores imensos, vorazes e praticamente indetectáveis é bem pouco reconfortante. Curiosamente, vários povos do passado mencionam em suas lendas e mitos entidades estranhas que vivem nos céus, entre as nuvens e que descem de tempos em tempos para interagir com humanos, geralmente tornando-os vítimas de um ataque inesperado.

Dentre os encontros mais famosos envolvendo supostos monstros atmosféricos, encontramos um incidente supostamente ocorrido em Crawfordsville, Indiana. Segundo o relato, publicado na edição do Indianapolis Journal, por volta das 2 horas da manhã do dia 4 de setembro de 1891, dois homens estavam consertando uma carroça quando olharam para o céu e ficaram chocados ao ver o que descreveram como uma "aparição horrível" pairando sobre eles.

Os homens afirmaram que a criatura sem cabeça, retangular e com várias barbatanas "nadava em pleno ar" a não menos de 30 metros acima deles. Eles calcularam seu tamanho em aproximadamente dois metros de largura e seis metros de comprimento. Os homens mais tarde confirmariam aos repórteres que a fera parecia definitivamente viva. Eles assistiram que enquanto a criatura se movia com suas numerosas barbatanas, circulava exatamente acima de uma casa próxima. O monstro eventualmente desistiu de seu assédio e desapareceu subindo abruptamente rumo ao firmamento. 

É curioso, que na mesma noite outras pessoas testemunharam a mesma aparição misteriosa nos céus. Um fazendeiro e sua família avistaram a mesma criatura cerca de meia hora depois flutuando acima de uma plantação. Os membros da família, seis pessoas ao todo, descreveram o ser como uma forma amorfa translúcida que subia e descia, como um enorme balão. A criatura também foi vista no município vizinho por diferentes testemunhas idôneas que garantiram ser o monstro algo vivo.  

Tais narrativas totalmente bizarras poderiam ser descartadas como uma alucinação infundada ou uma farsa total, não fosse a corroboração de indivíduos com reputação impecável. Outra testemunha ocular foi o Reverendo G. W. Switzer, um pastor metodista local que, junto com sua esposa, também afirmou ter visto a estranha besta aérea.


Como se isso não bastasse, nas noites seguintes a coisa reapareceu, mas desta vez não se mostrou apenas para um punhado de observadores isolados. De acordo com o relatório publicado pelo Indianapolis Journal, centenas de testemunhas contaram ter visto a entidade anômala no céu noturno.

Observadores descreveram a fera de maneira similar, mas alguns desta vez notaram um "olho" vermelho ciclópico e flamejante. Eles também discerniram que a fera que se contorcia emitia um "ruído queixoso e sibilante" e por vezes "se contorcia" no que parecia ser um movimento agonizante. 

A criatura de Crawfordsville ondulou acima de uma multidão de espectadores a uma altura de cerca de 90 metros, até que abruptamente despencou em direção à terra, caindo perto de um grupo de aterrorizados espectadores. Os que viram os restos da criatura juraram que podiam sentir seu "hálito quente" enquanto ela desmanchava diante de seus olhos incrédulos. O monstro parecia uma coisa gelatinosa, amorfa, translúcida e de consistência similar a uma água viva. 

O famoso pioneiro da pesquisa paranormal, Charles Fort, estudou o fenômeno e visitou Crawfordsville anos depois para ouvir o relato de pessoas que testemunharam o incidente. Ele concluiu que as histórias eram consistentes e os relatos por serem tão semelhantes indicavam um grau elevado de verossimilhança. Fort entrevistou dezenas de testemunhas oculares envolvidas com esse avistamento em massa, e escreveu que: “Todos os relatos se referiam ao misterioso objeto como um ser vivo". Fort ficou tão impressionado com o que ouviu que deu início a uma campanha para que leitores enviassem relatos de histórias parecidas. Nada menos do que 470 relatos detalhados mencionando "criaturas do ar" chegaram ao seu conhecimento - muitos simples tolices, mas outros tantos corroborados por testemunhas ilibadas.

Fort estava tão convencido de que tais seres existiam que ofereceu uma recompensa para quem conseguisse fotografar tais seres ou demonstrar sua existência em fatos.


Outro incidente notável envolvendo Habitantes da Atmosfera vem das pequenas ilhas do arquipélago de Shetland, na Escócia. As Ilhas Shetland são um local remoto e envolto em névoas a cerca de 80 quilômetros a nordeste de Orkney. É um lugar ermo conhecido por abrigar um monstro que os ilhéus conhecem apenas como "aquilo". 

Os moradores locais descrevem o ser como uma espécie de verme vaporoso que habita os céus, escondendo-se em meio às nuvens. Por razões desconhecidas, ocasionalmente ele faz descidas para a terra firme, supostamente para se alimentar. Aqueles que entraram em contato com a entidade não sofreram qualquer ferimento, relatando uma sensação física semelhante a de ser lambido por uma enorme "língua macia". Embora esse efeito não seja danoso, ele foi descrito como muito desagradável.

Um incidente relatado em 1914 detalha um contato com a criatura. O incidente teve lugar quando um policial estava andando de bicicleta em sua rota de patrulha. O homem alegou que "aquilo" o envolveu criando a sensação de estar enrolado em um "cobertor extremamente macio" que cheirava a "mofo". O ser, que o oficial insistiu estava vivo, o manteve aprisionado por alguns instantes até soltá-lo e se afastar para o céu acendendo como um balão. O oficial abalado afirmou que tinha sido uma das experiências mais aterrorizantes de toda a sua vida.

Desde a introdução da fotografia dezenas de fotos de supostos objetos voadores foram apresentadas como evidência de "coisas estranhas flutuando nos céus". Esses objetos anômalos tem as mais variadas formas, muitos se assemelhando a veículos, mas outras tendo uma clara natureza orgânica. Estes se movem de maneiras que parecem inusitadas para uma nave voadora de base tecnológica.

Uma das mais intrigantes fotografias representando tais seres atmosféricos foi tirada pelo jornalista Bruno Ghibaudi na tarde de 27 de abril de 1961. No dia em questão ele estava dirigindo pela estrada adjacente à praia de Montesilvano, na Itália, quando estourou um pneu. Enquanto trabalhava para deixar o carro em ordem, Ghibaudi notou um "objeto bizarro", com várias asas ou possivelmente barbatanas, pairando sobre o oceano a baixa altitude. A coisa estava indo em sua direção a uma velocidade considerável. O jornalista não entrou em pânico, ao invés disso pegou sua câmera para registrar o que estava vendo. Ghibaudi conseguiu tirar uma única foto da criatura antes que ela desaparecesse de vista. Enquanto alguns afirmam que a imagem mostra um veículo interestelar, há outros que acreditam que na verdade é uma criatura viva.



Uma imagem registrada na França por um turista foi obtida em julho de 1999 e mostra uma coisa singular semelhante a um ser vivo flutuando no ar. Supostamente, o objeto parecia uma espécie de lula ou água viva, com pele translúcida levemente amarela-esverdeada. Ela era muito grande, talvez com mais de 10 metros e ficou estática por longos minutos antes de começar a subir e desaparecer à certa altura. 

Outro caso conhecido envolve um fotógrafo da Nova Zelândia chamado Michael White, que em abril de 2008 estava tirando fotos do céu quando notou o que descreveu como uma "nuvem escura de aparência estranha que parecia se mover conscientemente". A estranha nuvem, segundo ele, permanecia imóvel por longos períodos de tempo e então se movia sozinha, mesmo que as demais próximas a ela permanecessem estacionadas. Após registrar em câmera a nuvem se comportando dessa forma inusitada, ele percebeu que ela simplesmente ascendeu cada vez mais alto até sumir.

White conseguiu tirar várias fotos da nuvem, mas só depois de revelar as imagens é que percebeu o caráter único do que havia registrado. Na foto, ele descobriu um objeto misterioso que se assemelhava a uma espécie de criatura orgânica, semelhante a uma arraia manta de tamanho absurdo. A parte mais intrigante da história de White é que ele alegou que não percebeu o "objeto" no interior da nuvem quando tirou as fotos. White insistiu que tudo o que viu foi uma "nuvem" que ele descreveu como "fibrosa" e "de aparência peculiar", movendo-se de maneira incomum.

Poderia a criatura estar usando a nuvem como um tipo de camuflagem para se manter disfarçada? Se este for o caso, então isso dá origem à suposição de que entidades estranhas e ondulantes podem estar constantemente cruzando as nossas cabeças e tudo o que nossos olhos humanos percebem são nuvens comuns. Se isso for verdade, então nosso mundo é realmente um lugar bem mais estranho do que podemos imaginar. 


Para finalizar, eis aqui um relato supostamente ocorrido na tarde de 3 de novembro de 1973 envolvendo um banqueiro mexicano e sua família. Eles avistaram um objeto estranho voando na direção oeste sobre Cocoyoc, México. A esposa do banqueiro alegou que o objeto era arredondado e não se assemelhava a nenhuma aeronave tradicional que ela conhecesse. O banqueiro parou o carro para ver melhor o objeto incomum. Ele e sua esposa rapidamente saíram do veículo e observaram o objeto se mover "como se estivessem nadando no ar", não simplesmente voando, mas literalmente deslizando como um gigantesco peixe faria na água.

Felizmente, o banqueiro teve a presença de espírito de pegar sua câmera e conseguiu tirar uma foto da coisa antes que ela sumisse de vista. A coisa lembrava uma espécie de anêmona gigantesca voando no céu.

Os casos acima representam apenas um punhado de relatos e fotografias do que podem ser monstros atmosféricos, uma forma de vida desconhecida. Apesar das imagens, o consenso geral permanece de que esses animais podem não modificar seu tamanho e densidade, bem como empregar uma forma única e extremamente eficaz de camuflagem para se esconder. Isso significa que, se essas criaturas realmente existem, podem haver em grande número, flutuando acima de cada um de nós neste exato momento sem que percebamos. 

Talvez essas especulações não sejam nada mais do que mera fantasia, contudo se provadas verdadeiras, mudariam tudo o que sabemos, ou acreditamos saber à respeito de nosso mundo.