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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Medo de Palhaços - O Infame Pânico que varreu a América em 2016


O chamado Pânico de Palhaços de 2016 pode ser rastreado até um bizarro incidente em agosto daquele ano. Palhaços sinistros supostamente foram vistos andando pelos arredores de Greenville, na Carolina do Sul, supostamente atraindo crianças para áreas desertas atrás de blocos de apartamentos. Era  assustador e alarmante  - não importa se era verdade ou mero rumor.

A maioria desses relatos vinham de crianças. Ninguém foi de fato ferido por esses palhaços ameaçadores que segundo algumas crianças viviam em uma casa próxima de um lago no final de uma trilha na floresta próxima. A polícia que investigou essa historia estranha a lá João e Maria não encontrou indícios de atividade criminosa, menos ainda, qualquer suspeito vestido de Palhaço. 

De acordo com uma fonte da emissora NBC na época, "um morador disse que estava na frente do prédio uma tarde quando um de seus filhos foi até ele apavorado, afirmando ter visto palhaços na floresta sussurrando e fazendo sons esquisitos".

O morador acrescentou que dado o estado de nervos da criança, ele achou melhor verificar o que estava acontecendo. Ao entrar na mata se deparou com três ou quatro indivíduos vestindo fantasias de palhaço apontando luzes esverdeadas de laser na sua direção. Quando ele tentou se aproximar o bando fugiu. Se esse relato deve ser levado em conta, sugere que brincalhões seriam os responsáveis- talvez adolescentes usando máscaras para pregar uma peça nos meses anteriores ao Halloween. Seja lá o que fosse, esse foi apenas um dos acontecimentos bizarros envolvendo palhaços sinistros. Logo dezenas de outros relatos surgiam ao redor do pais.

Palhaços começaram a ser visto com frequência cada vez maior: espiando, espreitando, invadindo... o sentimento de Courofobia (o medo crônico de palhaços) foi às alturas. 


A maioria das histórias sobre palhaços malignos não passam de ficção, mas alguns poucos, como o caso do infame assassino em série John Wayne Gacy são horrivelmente reais. Gacy, um cidadão acima de qualquer suspeita de Chicago, se vestia como Pogo uma figura que ganhou notoriedade pela sua imagem aterrorizante. Pogo, um palhaço diabólico, foi a inspiração para o palhaço Pennywise do romance IT de Stephen King.

Mas alguns acreditavam que haviam outros palhaços perversos vagando pelas ruas e parques, perseguindo crianças inocentes e tentando raptá-las - ainda que ninguém tenha sido preso ou processado. Alguns dizem que esses palhaços eram reais, enquanto outros afirmam que eles não passavam de imaginação. Essas figuras ficaram conhecidas como Palhaços Fantasma, uma expressão criada pelo autor Loren Coleman em seu livro "América Misteriosa".

Segundo Coleman, os primeiros relatos de Palhaços Fantasmas remontam a meados de maio de 1981, quando várias crianças da vizinhança de Brookline, Massachusetts, relataram ter encontrado homens vestidos como palhaços que tentaram atrai-los com a promessa de doces. A polícia vasculhou a área mas não encontrou nada. No dia seguinte, pais preocupados de Boston demonstraram preocupação quando seus filhos comentaram a respeito de adultos vestidos de palhaço. Outros relatos vieram à tona em cidades vizinhas nos meses seguintes, sempre com o mesmo padrão. Pais demonstravam preocupação, crianças eram avisadas para não falar com estranhos e policiais ficavam em estado de alerta. Mas a despeito de todo cuidado, nenhuma evidencia foi obtidas.

Apesar disso as pessoas continuavam receosas sem saber o que pensar, sobretudo porque muitas crianças continuavam falando sobre palhaços assediando e observando. Os casos continuaram esporadicamente, sendo que o auge dos relatos ocorreu em 2016, quando uma verdadeira febre de avistamentos varreu os EUA. 

Sociólogos e psicólogos estudaram o fenômeno por anos, tentando compreender o que ele significava. A folclorista Sandy Hobbs e o historiador David Cornwell, escreveram um livro com o título "Inimigos Sobrenaturais - A Presença do Estranho e Inesperado nos quintais da América". O livro dedicava um longo capítulo aos Palhaços Fantasmas e analisava as raízes desse mito, como ele se espalhava e a justificativa para o pânico existente.


Para começar descobriram que o temor e a desconfiança quanto a palhaços era mais antigo do que se podia imaginar. Uma origem possível seriam os Espetáculos Itinerantes (Carnivals ou Carnivales) uma prática bastante comum na América do século XIX e inicio do século XX. Os Carnivales eram companhias de artistas que viajavam pelo país, visitando cidades pequenas no interior, oferecendo diversão e atrações circenses. Dentre as atrações haviam artistas com maquiagem espalhafatosa, que remetiam a vagabundos clássicos da Comedia de l'Arte. Esses personagens, que muitas vezes faziam alusão a ciganos e outras minorias estigmatizadas, ficaram associados a prática de sequestrar crianças e levá-las consigo quando o bando partia.

Esse temor parece ter se cristalizado no imaginário coletivo em várias cidades do interior, com pais e responsáveis incutindo nas crianças a noção equivocada de que palhaços eram estranhos e potencialmente perigosos. Soma-se a isso as famílias que ameaçavam seus filhos dizendo que se eles não se comportassem, os palhaços as levariam embora. Os espetáculos itinerantes tiveram seu auge na década de 1930 durante a Grande Depressão e sem dúvida contribuíram para o medo dos palhaços vagabundos que foi passado de geração em geração. 

A pesquisa concluiu que o ressurgimento do Pânico dos Palhaços se deu por uma combinação da ação dos pais, da polícia e da mídia, cada qual ajudando a legitimizar rumores absurdos e infundados. Crianças mais velhas ouviam essas histórias e as repassavam aos mais jovens. Lendas Urbanas vinham à superfície depois de ficarem adormecidas por décadas. Dentro das narrativas surgiam o nome de crianças sequestradas e detalhes sobre casos ocorridos no passado: todos "ouviam falar e acrescentavam mais um pequeno fragmentos à narrativa, fazendo com que ela crescesse. Quando professores, autoridades, pais e os jornais compartilhavam alerta sobre uma ameaça, os relatos acabavam ganhavam legitimidade.

Em seu livro "Terrores Inesperados", lançado em 2024, Robert Bartholomew e Paul Weatherhead também examinam essa Lenda Urbana. Os casos geralmente estão associados com uma epidemia de rumores sensacionalistas e o relato de avistamento de figuras elusivas vestidas como palhaços. Além de causar estranheza, esses personagens pareciam surgir e desaparecer sem deixar vestígios, criando uma sensação de grande estranheza.


O Pânico de Palhaços se encaixa perfeitamente na categoria dos temores diante do desconhecido. As pessoas não sabem o que significa o aparecimento de pessoas vestidas de palhaço. Diante do inusitado, concluem que é algo perigoso e maligno. Afinal, a pergunta: "O que eles querem"? não tinha resposta fácil.  

Ao longo do último Pânico dos Palhaços não houve qualquer caso confirmado de criança subtraída por alguém vestido dessa forma. No entanto, se for perguntado, muitas pessoas dirão conhecer casos e irão confirmar incidentes. Isso sugere um tipo de construção social ou mesmo histeria coletiva. Se os casos aconteceram como muitos acreditam, como nenhum deles chegou à polícia? Como explicar que nenhum suspeito foi preso e praticamente nenhum caso resultou em confirmação de ocorrência?

Observado de forma objetiva é difícil acreditar que uma pessoa vestida de palhaço poderia invadir uma casa para cometer um sequestro sem que ninguém percebesse. Palhaços com suas roupas espalhafatosas e maquiagem gritante são qualquer coisa, menos discretos. 

Buscando um pouco mais fundo nos relatórios feitos pela policia de Greenville, é possível encontrar relatórios curiosos; um deles, preenchido em 21 de agosto menciona que "várias crianças da comunidade viram palhaços perambulando pela área florestal próxima do prédio D, e que estes palhaços tentaram persuadir menores a adentrar na floresta, oferecendo em troca brinquedos, doces e até dinheiro".

Este é um detalhe insidioso. Palhaços usando de métodos maliciosos para atrair crianças, oferecendo doces ou sorvetes. Essa narrativa parece um típico exemplo de lenda urbana e moral moderna, aquela mesma que adverte crianças a jamais aceitar doces de estranhos. 


Os relatos sobre palhaços em Greenville provavelmente não passaram de brincadeira, equívocos, lenda urbana ou uma combinação dessas três coisas. As chances de uma ou mais pessoas vestidas de palhaço estarem realmente tentando sequestrar crianças são remotas. Muitas pessoas perceberam isso, mas pais e policiais, compreensivelmente manifestaram seus temores. Com efeito, vídeos se tornaram virais, muitos deles originados (ou compartilhados) nas redes sociais, resultaram no aumento de patrulhas policiais e, em alguns casos, lockdowns completos. 

Em setembro de 2016, a polícia de Flomaton, Alabama, investigou o que foram consideradas ameaças críveis aos alunos da escola local. Mensagens ameaçadoras apareceram nos muros da cidade: "Vai acontecer hoje à noite", prometia uma delas. Cerca de 700 alunos da Flomaton High School e da vizinha Flomaton Elementary School foram instruídos a se abrigarem enquanto as escolas, seguindo o protocolo, foram colocadas em lockdown durante grande parte do dia. Dezenas de policiais e outros agentes da lei vasculharam o local em busca de ameaças. As investigações atraíram até mesmo o FBI que encontrou os responsáveis pela ameaça: um adulto e dois adolescentes foram presos e condenados pela brincadeira sem graça. 

Esses incidentes deixaram pais e professores se perguntando se os "Lockdowns de Palhaços" seriam o novo normal ou se aquilo não passava de exagero? Em outra ameaça escolar também no Alabama, duas pessoas vestidas de palhaço apareceram em um vídeo no Facebook brandindo facas e gritando: "Vamos atrás de você em Troy". A polícia identificou os dois indivíduos no vídeo, que já havia sido visto mais de 50.000 vezes. Eles eram estudantes locais de uma Escola na cidade de Troy. A polícia não indiciou os dois meninos, mas alertou outros potenciais imitadores de que tais brincadeiras não seriam toleradas.

Os boatos podem, é claro, ter consequências graves.

Embora as crianças tenham pouco a temer de palhaços, a lenda urbana pode representar um perigo real. Nos relatórios de Greenville, cidadãos alarmados dispararam armas de fogo na esperança de matar os palhaços à espreita na floresta. Felizmente, ninguém se feriu, mas a situação poderia ter se tornado fatal. Em meio aos boatos e sustos, uma menina de onze anos na Geórgia levou uma faca para a escola por ter medo dos palhaços. Outra criança, um menino de 11 anos, foi detido em Athens, após uma revista descobrir uma pistola 45 em sua mochila. Ele disse que pegou a arma do pai para se defender dos palhaços. 


Em meados de outubro, o Pânico dos Palhaços assustadores se espalhou por todo o país, chegando a dezenas de estados. O incidente tornou-se tão sério que foi abordado em um briefing na Casa Branca em 4 de outubro. O secretário de imprensa Josh Earnest disse: "Não sei se o presidente foi informado sobre esta situação específica... Obviamente, esta é uma situação que as autoridades policiais locais levam muito a sério, e elas devem analisar minuciosamente as ameaças à segurança da comunidade, e agir da maneira mais adequada."

Além dos vídeos, muitos dos relatos foram reconhecidos como invenção. Um homem na Carolina do Norte alegou falsamente que um palhaço havia batido em sua janela à noite, ele foi preso por forjar o incidente. Já uma mulher de Ohio alegou que um palhaço com uma faca a atacou a caminho do trabalho e cortou sua mão, mas depois admitiu que inventou a história.

Também havia pessoas se fantasiando de palhaços para assustar os outros. Dois adolescentes canadenses vestidos de palhaços se divertiram em um parque assustando crianças. Em Wisconsin, um homem vestido de palhaço foi visto repetidas vezes. Posteriormente se descobriu que ele era parte de uma campanha de marketing para um filme de terror. Um ano antes, um palhaço assustador foi avistado do lado de fora de um cemitério de Chicago.

Em qualquer outro momento da história, relatos de palhaços ameaçadores provavelmente teriam sido ignorados, mas esses incidentes ocorreram em um momento em que ameaças terroristas e tiroteios em escolas estavam nos noticiários. O medo se molda e se transforma para admitir novas faces.
 
Pânicos sociais infelizmente são algo comum no mundo moderno. O Pânico dos Palhaços de 2016 não foi o primeiro desse tipo e certamente não será o último. Quando o próximo evento acontecer — e acontecerá — é importante ter em mente que a melhor defesa contra o temor diante do desconhecido é o ceticismo e o pensamento crítico.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Triskaidekophobia - A Fobia do número 13 e seus significados ocultos


Para celebrar a data...

Desconfiança e medo sempre cercaram o número 13. O “azarado” número 13 ainda é temido nos dias atuais e a profundidade da fobia ultrapassa e muito a mera superstição. Existe até um nome clínico, ela é chamada de Triskaidekaphobia, o medo patológico do número 13 e de tudo o que ele representa.

Parece bobagem? Mas não é.

A fobia do número 13 é estudada pela psiquiatria moderna e mereceu reconhecimento em publicações importantes como a Revista de Psiquiatria Americana.

Uma pessoa que demonstra problemas com o número 13, em geral é apenas supersticiosa. No entanto, verdadeiras fobias se desenvolvem como resultado de fortes superstições ou crenças enraizadas no subconsciente coletivo, dentre elas o do número 13, frequentemente associado a azar.

Temer ou ter receio do número 13 não chega a ser algo fora do comum para a maioria das pessoas. Muitos tendem a achar perfeitamente normal desconfiar das implicações do número 13, por mais ilógico que seja temer um simples número. Na sociedade, evidência da fobia que cerca o número 13 está em todo lugar. Pode ser chocante contemplar o quanto um simples número é evitado mesmo na sociedade moderna.

O Número 13 raramente aparece em prédios marcando aquele que seria o Décimo-Terceiro Andar. Nos Estados Unidos 87% dos prédios que tem mais de 13 andares, pulam do andar 12 direto para o 14. Da mesma forma alguns restaurantes possuem como regra não aceitar mesas com 13 indivíduos. Na contingência de uma reserva dessa natureza, o restaurante aceita receber um décimo quarto cliente gratuitamente. Para alguns esse costume remete a Última Ceia, quando 12 apóstolos sentaram a mesa na companhia de Cristo (ou seja 13 indivíduos). O resultado todos nós sabemos!

O número 13 é comumente evitado como data para cirurgias e intervenções médicas. Segundo uma pesquisa nos dias 13 de cada mês o índice de internações diminui em 60%, sendo que em sexta feira 13, ele sofre uma redução vertiginosa, caindo em 80%. E isso não afeta apenas aos pacientes; cerca de 50% dos médicos relatou que evitam realizar cirurgias nessa data. Algo semelhante acontece em viagens. O dia 13 é no calendário um dos dias com menos pessoas viajando. As companhias aéreas registram uma sensível mudança nas reservas de passageiros nessas datas.

Da mesma maneira, assentos marcados com o número 13 são preteridos. Em vôos a poltrona 13 muitas vezes fica vazia e comumente os agentes de viagem deixam ela por último, designando passageiros para elas somente em caso de lotação. Mesmo em cinemas ou teatros, os assentos com número 13 ficam vazios.

Botes salva vidas, prefixos de voo e veículos de socorro também muitas vezes não possuem o número 13 que é convenientemente ignorado.

As raízes do significado do número 13 podem ser traçadas até as religiões pagãs da Europa. O número 13, segundo algumas tradições, possuía uma conotação mística e auspiciosa. Um número de sorte para muitos povos da antiguidade eles estava associado a transformações, mudanças drásticas e alterações profundas. Alguns povos, como os celtas viam o 13 como um número mágico.

Quando o cristianismo se tornou dominante na Europa, o número 13 passou a ser associado a datas de infortúnio como uma espécie de propaganda negativa que visava nublar o significado original do número. O 13 também passou a representar o número cabalístico das feiticeiras, que se associavam em grupos de 12 membros, sendo o décimo-terceiro seu patrono: o Diabo.

O medo do número 13, no entanto, se torna ainda mais forte quando agregado a uma data em especial, a sexta-feira.

A sexta feira para os cristãos sempre foi uma data de azar, supostamente parte da mesma propaganda negativa contra as religiões pagãs, que festejavam esse dia. Jesus expirou na cruz em uma sexta feira, esse portanto não deveria ser um dia de festejos ou de sorte. Além disso, segundo a tradição judaica, incorporada ao cristianismo, foi em uma sexta feira que o Dilúvio contemplado na Bíblia teve início. Chuvas que não pararam por 40 dias e 40 noites e que cobriram o mundo com água trazendo destruição sem precedente. Ainda segunda a Bíblia, teria sido em uma sexta feira que Eva ofereceu a Adão a infame maçã que decretou sua expulsão do Paraíso.

O folclore e as tradições orais se espalharam pelo mundo e a origem do temor da sexta-feira 13, hoje constitui um mistério perdido no tempo. 

Há, no entanto, teorias:

Segundo o Mito Nórdico, Frigga, a deusa devotada ao amor e fertilidade era reverenciada pelos povos nórdicos e germânicos. Quando eles se converteram ao cristianismo, Frigga teria se exilado em desgosto nas montanhas e passou a ser vista como uma Bruxa. Segundo o mito, toda a sexta-feira ela se reunia com 12 outras feiticeiras para operar malefícios. Na Escandinávia a sexta feira é considerada dia de bruxas, um dia para tomar cuidado com o que acontece e postegar decisões importantes.

Os Nórdicos por sinal, possuíam outra história a respeito da simbologia do 13. Segundo eles em uma importante ceia, haviam 12 guerreiros sentados à mesa. Com a chegada de Loki, eles se tornaram 13, e justamente o décimo terceiro teria causado uma discussão que terminou com a morte de Balder, um dos presentes. Daí decorria a crendice de que 13 pessoas à mesa é um convite ao infortúnio.

Outra teoria famosa se refere a lendária queda dos Cavaleiros Templários, cuja ordem foi proscrita pelo Rei Felipe de França em 13 de Outubro de 1307, uma sexta feira 13. Para recordar essa data, os Templários sobreviventes teriam consagrado o costume de reconhecê-la como uma data de profundo azar.

Uma teoria difundida na Inglaterra, dá conta de que a sexta feira 13 se tornou uma data de profecia ligada a má sorte quando o Rei Harold II decidiu liderar seu exército na Batalha de Hastings no ano de 1066. Na ocasião o monarca não ouviu seus conselheiros que lhe advertiram para descansar com a tropa após uma árdua jornada antes de empreender o ataque. O Rei sem se importar com o conselho ordenou o avanço das tropas e como resultado sofreu uma amarga derrota. Harold acabou morto, seu exército desmantelado e os sobreviventes acabaram amaldiçoando a data.

Seja qual for a origem, a Sexta Feira 13 sempre será lembrada como a data do azar e do mau agouro. Portanto não faz mal evitar hoje os gatos pretos, passar por baixo de escadas e não mexer em espelhos.

Se eu tivesse de apostar em uma data para o retorno dos Antigos, provavelmente essa data seria uma Sexta Feira 13.

Como curiosidade, eis aqui a Triskaidekophobia - Uma fobia para Chamado e Rastro de Cthulhu.

Um personagem sofrendo dessa fobia pode tê-la desenvolvido a partir de uma forte superstição. É possível que o número remeta a um acontecimento traumático ou a uma data que causou o choque original.

O personagem vítima de Triskaidekophobia teme o número e tudo o que ele representa. Ele não sai de casa nos dias 13 de cada mês e sente-se apavorado nos dias que antecipam essa data. Ele teme falar a respeito e se comporta demonstrando ansiedade e certo grau de paranóia.

O indivíduo não aceita se hospedar em quartos de hotéis com esse número, não apanha taxis com a placa terminando em 13, não apanha trens que saem da estação às 13 horas, não visita amigos ou faz compras em casas de número 13. Ele jamais sentará em uma mesa com treze indivíduos.

Em casos graves, o indivíduo se torna compelido a fazer contas e negar tudo aquilo cujo resultado remete ao número 13.

Se forçado a fazer qualquer uma dessas coisas o indivíduo reage como se estivesse diante de um objeto de temor, em certos casos ele pode reagir violentamente, ter uma crise nervosa ou até ficar catatônico.

Eu vi apenas uma vez um personagem ser acometido dessa fobia. O personagem havia desenvolvido um medo patológico de que o relógio desse 13 badaladas, o que acabaria por condená-lo a ficar para sempre na terra dos Sonhos. Foi bem divertido (sobretudo porque não era com meu personagem!).

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Monstros no Armário - Histórias de criaturas medonhas escondidas na escuridão


Um medo recorrente para muitas crianças envolve o clássico monstro escondido no armário e a coisa embaixo da cama. Que criança jamais imaginou que o "bicho papão" estaria espiando de dentro do armário, esperando o momento das luzes se apagarem para assustar e atormentar? Embora esse conceito pareça existir apenas no reinos da imaginação hiper ativa e nas fantasias infantis, será que há mais além disso.

E se os monstros que vivem no armário forem de alguma forma reais? A metáfora para um medo que existe e que se manifesta, enraizado em nossos temores primordiais? Há histórias que sugerem existir algo realmente aterrorizante nos relatos de crianças que temem, com razão, aquilo que divide com elas o quarto de dormir. 

Histórias a respeito de monstros que habitam o armário ou vivem embaixo da cama aparecem em todos os cantos do mundo e assumem várias formas. 

Um dos relatos mais antigos data de 1852 e foi colhido na Alemanha por um médico que estudava pesadelos infantis. Ele cita um tipo de goblin ou kobold medonho chamado Galgenmännlein que vivia nos armários e só saia dele quando a casa se encontra em silêncio e na completa escuridão. Esta criatura diminuta se enfiava por qualquer fresta e ocupava os menores espaços. Ele era conhecido por sorrir e piscar para as crianças que olhassem na direção do armário sumindo logo em seguida. Não parece muito assustador, contudo, esse duende podia ser bastante perverso. Com um fraco por brincadeiras de péssimo gosto, a criatura gostava de tampar o nariz e a boca das crianças para sufocá-las, de se pendurar na guarda da cama, colocar insetos e ratos no travesseiro, urinar no colchão e cometer outras travessuras. 

O relato vai além, diz que esse monstrinho tinha por hábito morder e produzir uma ferida através da qual sorvia o sangue, deixando uma marca que ficava para sempre. Uma vez tendo experimentado esse contato, ele sempre poderia encontrar a criança, não importa para onde ela fosse, não importa que ela crescesse.

Não por acaso, o assassino em série alemão Peter Künt (conhecido como Vampiro de Dusseldorf) acreditava ter sido marcado por um desses kobolds, e ele próprio ter se tornado uma criatura que se alimentava do medo e sofrimento das crianças. Preso e executado em 1931 após ter cometido pelo menos nove assassinatos (e supostamente mais de 30 tentativas) ele foi posteriormente considerado insano.


Não fica claro se o kobold no folclore alemão estaria apenas se escondendo no armário ou se o estaria usando como um tipo de ligação para seu mundo original, seja lá de onde ele vem. O armário de qualquer maneira parece ser de extrema importância. Segundo a crença, para eliminar a presença da criatura, o armário precisava ser iluminado e quando a luz estivesse acesa, uma peça de roupa deveria ser virada do avesso e jogada dentro dele como uma espécie de oferenda. Se o Galgenmännlein ficasse satisfeito, iria embora carregando o presente em busca de outra criança para importunar.

Essa lenda é bastante difundida, mas o que seria essa criatura? Uma entidade estranha que desafia categorização ou uma simples fábula criada para assustar os pequenos? Seja qual for a resposta, ela não é a única...

Outra narrativa sobre monstro do armário diz respeito a uma criatura que desafia uma classificação convencional. Segundo a história registrada em 1910, uma menina estava com seu irmão mais velho ajudando a arrumar as coisas para se mudar. De repente ambos ouviram o pai gritar pedindo ajuda em algum outro cômodo da casa. Os irmãos descobriram que os gritos vinham do armário do seu quarto, onde eles suspeitavam vivia uma espécie de monstro. A porta se encontrava trancada, o que era bastante estranho já que ela originalmente não possuía tranca. Os dois decidiram forçar o armário e tiveram de puxar com toda sua força já que a tranca não parecia ceder um mínimo centímetro. Finalmente, quando a porta se abriu eles se depararam com algo inexplicável.

O pai estava dentro do armário, que por sua vez, era muito maior e vazio do que elas lembravam. Estava muito escuro e ele flutuava no ar como se alguma coisa invisível estivesse segurando-o. Seus gritos pareciam cada vez mais distantes e abafados a medida que ele ia se afastando, mais e mais para o fundo. Ele parecia tão aterrorizado que era impossível deixá-lo daquele jeito. A menina tentou entrar para segurar sua mão que estava estendida em uma súplica desesperada, mas seu irmão conseguiu contê-la. Os gritos continuavam, cada vez mais desesperados e a menina tentava se desvencilhar do abraço do irmão que a impedia de entrar. "Por que está me impedindo? Não vê que ele precisa de ajuda?" perguntou furiosa.


Então o irmão disse que aquele não podia ser o pai deles, pois este acabara de chegar. O irmão havia ouvido o barulho da porta da casa batendo e passos apressados subindo a escada. Alguém no andar de baixo perguntava o que estava acontecendo e que gritaria era aquela. Nesse momento, a coisa que estava no armário tentou agarrar o braço da menina e puxá-la para dentro. Seu rosto se deformou em uma carranca medonha, seus olhos ficaram brancos, sua boca se abriu mostrando horríveis dentes afiados e seus braços se estenderam a uma distância absurda. A coisa segurou a menina, mas seu irmão foi mais forte e lutou para não deixá-la ser levada.

Nisso a porta do quarto se abriu, mas antes que o pai pudesse ver com o que seus filhos lutavam, a coisa deu-se por vencida e desistiu daquele cabo de guerra. A porta do armário bateu com força e as crianças caíram no chão. O pai jamais viu aquela coisa horrível que tentou se fazer passar por ele, mas o relato das crianças aterrorizadas o convenceram de que algo muito ruim havia acontecido. O relato termina com o pai lacrando a porta do armário com pregos e a família deixando a casa para nunca mais voltar.

O que poderia ser essa coisa? Seria ele um vampiro, um demônio, um fantasma ou algo diferente de tudo? Parece interessante o fato de que toda a família testemunhou o acontecimento, portanto a possibilidade de se tratar de uma alucinação ou imaginação é improvável. 

No site Phantons & Monsters há outra narrativa de um encontro aterrorizante com uma criatura habitando os recessos de um armário. A narrativa teria sido coletada em 1950 e se tornou uma das mais conhecidas a respeito de monstros do armário. A narrador, um menino de 10 anos conta que acordou certa noite, por volta das 3 da manhã e descobriu estar coberto de suor e com um frio inexplicável. Ao lado, seu irmão dormia tranquilamente na cama. Ele tinha uma forte sensação de estar sendo observado por alguma coisa que permanecia oculta no armário. Ele relatou em suas próprias palavras o que aconteceu a seguir:


"Eu olhei em volta do quarto esperando encontrar a minha mãe parada na porta, mas não havia ninguém ali. A luz do corredor permanecia acesa durante a noite, de modo que era possível ver perfeitamente na penumbra. Foi então que senti uma forte sensação de ameaça, e lentamente comecei a virar para olhar na direção do armário. Eu sabia que era dali que vinha meu medo. E lá estava ele: era algo estranho com uma cabeça branca e ovalada como uma lua cheia. Não tinha cabelos e seus olhos eram estranhamente grandes e arredondados com uma coloração esbranquiçada como se fossem cobertos de cataratas. Mas ele podia enxergar, disso eu sabia, pois sua cabeça virava para mim e depois para meu irmão. Ele percebeu então que eu o havia visto e arqueou os lábios, arreganhando os dentes para fora como se fosse um roedor. Em um primeiro momento, eu pensei que aquilo era um sonho, uma vez que eu sempre fui uma criança cheia de imaginação. A coisa então escorreu para fora do armário. Eu digo escorreu, pois foi essa a sensação que aquele movimento me passou, ele era fluido como se ele estivesse deslizando até o chão e se arrastando como uma serpente. Eu não conseguia vê-lo, fiquei imediatamente paralisado de terror. Tudo o que conseguia fazer era observar. Ouvi então ele farejando o ar e se aproximando da minha cama. Sua cabeça apareceu na cabeceira e ele estendeu uma mão com dedos compridos. Eu senti suas unhas ásperas tocarem a planta do meu pé como se estivesse fazendo cócegas. Foi então que ouvi um grito que não era meu. Meu irmão havia acordado e se deparou com aquela coisa horrível inclinada sobre a minha cama. Com o grito, o monstro voltou para o armário, escorrendo pelo chão daquela maneira medonha. Eu e meu irmão jamais falamos a respeito daquilo, mas nunca mais conseguimos dormir com a luz apagada".

Novamente, nós ficamos com uma descrição medonha e sem qualquer explicação. O que seria essa coisa e porque ela estava escondida no armário?  

No reino das narrativas bizarras a respeito de monstros do armário existem histórias realmente escabrosas. Uma delas data de meados dos anos 1980 e foi publicada em uma Revista de Psicologia que analisava casos de crianças amedrontadas por supostos monstros. A testemunha dos fatos, que hoje em dia alega ser uma espécie de pesquisador de casos sobrenaturais, relata que quando tinha 7 anos experimentou um contato com uma coisa habitando o armário de seu quarto. Ele contou a seguinte história:

"Eu percebi que a porta do armário do quarto estava abrindo devagar, até que ela ficou totalmente escancarada. Eu sei que isso pode soar absurdo, mas comecei a ouvir sons malucos, como se um pássaro estivesse dentro do armário. Eu fiquei assustado, mas não conseguia me mover ou pedir ajuda. A coisa então saiu de dentro do armário: era muito alta e coberta de penas e com um bico laranja. Ele andava como um homem, mas tinha braços extremamente compridos e garras afiadas. Ele granou e avançou contra mim, fazendo um barulho esquisito e tentando me bicar no rosto. Meu terror foi tão grande que desmaiei. Eu levei anos para lembrar todos os detalhes e desenvolvi depois disso um medo absurdo do escuro que me segue até hoje. O mais estranho na história é que quando meus pais vieram, avisados pelo meu irmão que acordou com meus gritos, eu não estava na minha cama, mas caído dentro do armário. Eu sei que aquela coisa me colocou lá e me levaria embora se tivesse tempo". 


Mas o que diabo seria isso? Um pesadelo com Garibaldo da Vila Sésamo? A testemunha desse acontecimento foi submetida a tratamento psicológico que incluía hipnotismo, e sob efeito de transe hipnótico reviveu o acontecimento em circunstâncias controladas. A reação dele fez com que o psicólogo concluísse que o indivíduo realmente acreditava que o incidente havia ocorrido. Era como se sua mente racionalizava aquela experiência como um fato.

Outros relatos parecem seguir um padrão mais próximo das tradicionais assombrações embora sempre focados em armários. Vem da conceituada publicação médica American Psychology Journal um artigo a respeito de pesadelos infantis. É um relato impressionante a respeito de uma experiência que teria ocorrido no estado norte-americano da Pennsylvania nos anos 1990. A testemunha, um menino de 6 anos de idade, alegava que assim que a família se mudou para a casa de sua avó, onde eles residiram por algum tempo, começou a sofrer com pesadelos extremamente vívidos. Nestes sonhos, ele via o que chamava de "espírito diabólico" que habitava o armário do quarto em que dormia. Segundo a família contou, a criança jamais havia sofrido com terrores noturnos, mas logo na primeira semana residindo na casa estes começaram, acrescidos de um medo irracional do armário do quarto, enurese e crise aguda de nervos. Em uma entrevista conduzida anos mais tarde por um profissional, a testemunha contou o seguinte:

"Nós havíamos nos mudado para  acasa em outubro. Eu sempre achei que o lugar era estranho e de alguma forma opressivo, mas não me recordo de achar que a casa fosse assombrada. Minha família estava se ajeitando em nosso novo lar e tudo parecia normal. Lembro que o assoalho rangia e eu comecei a ouvir aquele som de madrugada e parecia que cada rangido repetia o meu nome. Depois veio a sensação desagradável de estar sendo constantemente observado. Para uma criança de seis anos, aquilo era angustiante... eu sentia como se algo estivesse sempre olhando por cima do meu ombro. Vivia tendo arrepios, como se estivesse sempre em perigo. Eu corria entre um cômodo e outro, sem olhar para as salas temendo que lá pudesse haver uma sombra ou um vulto. Toda vez que eu entrava no meu quarto a porta do armário estava aberta... eu não conseguia explicar aquilo, mesmo que eu a fechasse segundos depois ela aparecia aberta.

Nós tínhamos um gato, Felix que de vez em quando dormia no meu quarto. Certa vez, de madrugada, acordei com um barulho vindo do armário. A porta, como era de costume havia aberto por conta própria. Mesmo em meio a escuridão do quarto eu conseguia perceber que havia um vulto na frente da entrada: era escuro e grande. Felix estava perto dele, olhava apreensivo, da forma que os gatos costumam fazer quando são acuados. A coisa então se moveu e agarrou Felix pelo pescoço. Ele soltou um chiado alto e a coisa começou a voltar para o armário carregando o pobre bichinho... eu ouvi então uns ruídos medonhos, como de nozes sendo abertas ou de gravetos quebrando. Eu achei que tivesse tido um pesadelo... vivia dizendo para mim mesmo que monstros não existiam, mas o fato é que nunca mais vimos Felix... ele sumiu depois daquela noite.

Outro caso, estudado pela mesma publicação ocorreu no estado da Virgínia. A testemunha no caso tinha 11 anos de idade e acreditava que um tipo de demônio habitava o armário do quarto principal. Ele alegava ouvir estranhos ruídos, murmúrios e pancadas secas que pareciam sempre vir de dentro do armário. Um incidente aterrorizante teria acontecido quando uma entidade tentou puxar a irmã caçula para dentro do armário.     

Segundo ele a criatura em questão parecia uma pessoa, mas era extremamente magra, ao ponto de ser quase esquelética, sua pele pálida parecia esticada sobre os ossos e a face era vazia, ausente de emoções. Essa criatura, segundo as crianças, habitava o armário que se localizava em um vão, entre o quarto dos pais e o banheiro. O lugar ficava sempre escuro, fosse dia ou noite e as crianças temiam ter de passar por ele sempre que precisavam ir ao banheiro.


Certa noite, a menina saia do banheiro, quando percebeu que a porta do armário estava aberta. Ela ficou temerosa de sair e ter de passar diante dele, por isso achou melhor chamar seu irmão. Quando o menino apareceu no corredor se deparou com uma cena bizarra: a porta estava aberta, e em meio às roupas penduradas em cabides era possível ver aquela coisa cadavérica agachada no canto, como se estivesse esperando que a menina deixasse o banheiro, prestes a agarrá-la. Ele contou:

"Era uma coisa horrível, com olhos fundos e uma boca enorme. Estava agachada, mas mesmo assim, era da minha altura. Quando ela percebeu que eu estava ali e podia vê-la, ela abriu a boca e se projetou para fora do armário esticando os braços para tentar me agarrar. Os braços eram longos e ossudos e por pouco não conseguiram me alcançar. Eu gritei para minha irmã voltar para o banheiro e ela apavorada ao ver aquele vulto se trancou no banheiro. A coisa então voltou para o armário e bateu a porta tão forte que a madeira chegou a rachar".

Mais tarde, quando os pais chegaram, constataram que as roupas dentro do armário haviam sido arrancadas e atiradas no chão, enquanto outras estavam rasgadas. Tiveram de arrombar a porta do banheiro uma vez que a menina que se trancou nele, estava em estado de choque deitada na banheira. Ela teve de se submeter a tratamento psicológico por anos para superar seu medo de ficar sozinha.

Seria isso um demônio, um espírito maligno ou algo completamente diferente? Seria apenas a imaginação de crianças criando monstros assustadores?

Especialistas em fobias juvenis defendem que durante os anos de formação de sua personalidade, crianças são propensas a desenvolver uma imaginação fértil e uma criatividade para elementos surreais. Elas percebem o mundo à sua volta de uma maneira muito particular, por vezes absorvendo as coisas que lhes causam insegurança e dando a elas forma através de sua imaginação. É um princípio semelhante às crianças que criam amigos imaginários. A grande diferença é que aqui elas criam coisas medonhas que são a cristalização de seus medos e anseios mais profundos. 


Existe muita controvérsia a respeito, mas alguns pesquisadores acreditam que em certos casos extremos, os medos podem ser tão reais que se equiparam de muitas maneiras a alucinações. As crianças de fato acreditam estar vendo a razão de seus temores assumindo uma forma física. E essa crença é tão forte que pode ser até mesmo compartilhada com outras crianças (em geral irmãos) que passam a ter a mesma aflição. O temor parece se combinar, criando as condições ideais para se alastrar como uma alucinação compartilhada.

Em geral, o medo de monstros do armário ou da coisa embaixo da cama tende a ser superado a medida que as crianças crescem e ganham um maior discernimento a respeito das coisas que as cercam. Compreendendo o funcionamento das coisas, e do próprio mundo, as crianças passam a descartar certos elementos como fruto de sua imaginação, o que ajuda a diminuir os seus temores.

Mas a coisa muda de figura quando examinada por indivíduos que colecionam histórias sobre o bicho papão e vêem essas manifestações como um tipo de atividade sobrenatural. Existem muitas teorias a respeito de tais criaturas poderem ser fantasmas, demônios e até alienígenas. Alguns estudiosos contextualizam que certos casos são simplesmente inexplicáveis. Apontam que crianças sofrendo com terrores noturnos, ao passar por mapeamento de atividade cerebral, não demonstram qualquer sinal de estímulo nas regiões ligadas a alucinação. E se nada do que ela descrevem de fato aconteceu, teríamos que acreditar que elas simplesmente estariam mentindo. Entretanto, como podemos afirmar que casos como os relatados acima, são mera invenção?

O que pensar de casos extremos de fobia crônica e PTSD (Post-traumatic Shock Disorder) que algumas crianças desenvolvem em face de experiências após alegados encontros com Monstros do armário? Tudo isso nos faz pensar: poderia a mente infantil criar uma armadilha como essa? Será que mão existe nada além, escondido nos recessos de armários esperando o momento de sair e agarrar os inocentes.

É difícil dizer... nosso senso comum nos impede de acreditar em tal coisa e nossa razão nos impele a buscar explicações razoáveis e científicas. Talvez esse seja um assunto que você deva pensar na próxima vez em que estiver sozinho em seu quarto escuro e a porta do armário estiver parcialmente aberta.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Madeira Morta - Árvores incrivelmente assustadoras e terrivelmente sinistras


O nome é Dendrophobia.

Enquanto a maioria das pessoas acham a visão de árvores algo tranquilizador e pacífico, aqueles que sofrem de Dendrophobia ficam absolutamente aterrorizados ao encarar galhos retorcidos e folhagem densa.

O medo irracional de árvores é algo muito mais comum do que se pode imaginar. 

Na verdade, árvores são categorizadas entre os cinco itens que mais causam aflição e terror nas pessoas ao redor do mundo. A fobia possui mais casos diagnosticados do que medos considerados comuns como aracnophobia (medo de aranha), cynophobia (medo de cães) e aquaphobia (medo da água).

Diferentes tipos de árvores podem afetar a pessoa afligida por essa condição, evocando uma sensação indescritível de ansiedade e paranoia. Em casos realmente graves, a pessoa desmaia, sofre ataques de pânico ou fica paralisada se forçada a se aproximar de uma árvore.

Mas o que causa esse medo tão específico?

O receio de ser esmagado por uma árvore em queda é um gatilho conhecido de Dendrophobia. O indivíduo evita florestas ou áreas com densa vegetação acreditando que pode ser vítima da queda fatal de uma árvore. O peso e o tamanho de algumas árvores despertam o terror no indivíduo. Às vezes, árvores sofrem infestações ou apodrecem por dentro e é isso que causa o medo irracional. A ideia de que árvores escondem em suas cascas insetos ou fungos pode também ser a causa da angústia.

Para alguns o medo só vem à noite, quando árvores anciãs projetam sombras sinistras como se seus galhos secos e contorcidos fossem braços se esticando para agarrar e puxar. A literatura gótica usava muito a imagem de velhas árvores - olmos, castanheiras e carvalhos - cujos galhos secos balançavam ao sabor do vento.

As lendas sobre árvores vivas - os Treants (Entes no folclore nórdico e na literatura do Senhor dos Anéis de Tolkien) - são muito antigas e remontam a Grécia, sendo também difundidas entre os povos britânicos e celtas. Longe de serem guardiões benevolentes da natureza interessados em proteger as florestas e matas virgens, as Árvores Vivas do mito original são entidades vingativas que odeiam os homens por cortar suas irmãs. Eles perseguem e esmagam aqueles que entram nas florestas em busca de lenha.

Em outros mitos difundidos na Idade Média, certas árvores podiam se tornar malignas quando cresciam nos arredores de cemitérios, valas e campos de batalha onde notoriamente haviam ocorrido muitas mortes violentas. No folclore medieval, as árvores que cresciam nesses lugares eram envenenadas a medida que suas raízes profundas tocavam nos cadáveres sepultados e deles se alimentavam. O próprio solo se tornava negro com as carcaças e isso repercutia na vegetação, sobretudo nas árvores. Quando uma árvore crescia se contorcendo acreditava-se que isso representava a agonia dos mortos sepultados aos seus pés.

Na mesma época, algumas árvores passaram a ser associadas com crueldade e sofrimento. As árvores dos enforcados (hangman tree), eram usadas para executar criminosos conforme a brutal justiça medieval. Árvores de troncos grossos e fortes eram escolhidas para essa tarefa. Ao redor deles se lançava uma corda e na ponta o condenado era pendurado até sufocar. Após a morte, o corpo ficava pendurados por dias a fio como recado para outros criminosos. No entender medieval, as árvores ficavam contaminadas pelo mal dos homens nelas enforcados ou fantasmas podiam possuí-las malignamente.

Mas nem sempre foi assim. Antes da Cristandade se instalar na Europa, algumas árvores eram consideradas sagradas por culturas pagãs. Os Druidas celtas e bretãos reverenciavam as grandes e antigas árvores que cresciam magnânimas nas florestas primordiais da Europa. Aquelas que eram tocadas pelos deuses (por exemplo um carvalho atingido por um raio) eram consideradas ainda mais importantes para os rituais. Nas celebrações pagãs, as árvores desempenhavam um papel fundamental como testemunhas dos deuses, daí o costume de entalhar rostos humanos nos troncos.

Talvez por terem representado uma comunhão divina para as comunidades pagãs, é que os primeiros cristãos difundiram a ideia que certas árvores eram malignas. Quando os cultos pagãos foram desarticulados, centenas de árvores vieram abaixo com eles. É possível que o temor pelas árvores seja uma reminiscência desse temor antigo ainda causando danos psicológicos.

Vou confessar uma coisa: árvores me deixam nervoso. Longe de ser uma fobia, mas não me sinto muito à vontade perto delas, sobretudo aquelas que tem troncos parecidos com rostos distorcidos ou galhos que lembram braços.

Mas acho que não seria o único a ficar intimidado diante de árvores bizarras como estas das imagens à seguir:



Essas árvores estão em um Parque do Canadá e são consideradas (junto com a árvore no topo desse artigo) como as três árvores de aparência mais sinistra do mundo. Essa mais de baixo é incrível, parece ter sido moldada como um ídolo com braços erguidos, uma barba espinhosa e costelas na base do "corpo".


Essa daqui é bisonha demais... parece a face deformada de um animal. Olhos, nariz e boca ficam muito claros nessa ângulo.



Ruínas de Angkor Wat, no Camboja

Árvores com mais de 1000 anos virtualmente engoliram os restos da antiga cidade crescendo (quase se derramando) por cima dos prédios de pedra que sobreviveram. As raízes são tão grandes que destruíram o piso de pedra e envolveram as construções fundindo-se a elas de maneira orgânica.



Uma árvore particularmente bizarra em Ontário, Canadá. 

Um dos principais parques nacionais do Canadá, o Ridgemont Reserve, é considerado o parque com os mais bizarros troncos do mundo. Uma placa na entrada do parque possui inclusive um aviso para que pessoas impressionáveis evitem entrar sozinhas.


Screaming Trees (Árvores gritadoras), no parque Hither Hills, interior de Nova York.


As árvores do Parque de San Francisco, na Califórnia, são consideradas as mais contorcidas da América. Elas tem a estranha característica de se torcer de maneira absurda e seus galhos parecem imensos tentáculos.


Um dos temores mais recorrentes entre os indivíduos afligidos pela Dendrophobia é justamente o temor de serem agarrados e ter seus movimentos restringidos por galhos de árvore. Estas pessoas tem verdadeiro pavor de encostar em galhos e o simples roçar da pele em madeira causa um efeito danoso.

Em 2001, uma pesquisa feita pela Associação de Psiquiatria Norte Americana relacionou os materiais que mais causavam desconforto nos entrevistados. O primeiro lugar foi para substâncias porosas, a segunda posição coube a madeira.


Rostos distorcidos, faces macabras e sorrisos maldosos nos tronco de árvores.


Na antiguidade algumas religiões pagãs acreditavam que árvores antigas eram capazes de reter a alma das pessoas que ficavam aprisionadas pela eternidade. Isso fazia surgir nos troncos os rostos transfigurados em agonia dessas pessoas. 

Alguns rituais celtas envolviam sacrifícios ocorridos em florestas nos quais o Druida executava a vítima amarrada no tronco de uma árvore afim de que seu espírito se fundisse com a madeira. O sangue da vítima por vezes era drenado e injetado no interior do caule, ou então derramado nas raízes para que pudesse ser sorvido. A ideia é que o sangue da vida se misturava à seiva da árvore unindo os dois para sempre.

Embora fosse uma punição cruel, alguns Druidas se submetiam a esse ritual para se converter em eternos guardiões das clareiras sagradas.


Essa famosa árvore do interior da Nova Inglaterra foi usada como base para a criação da "Twisted Tree" que aparece no filme "A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça" e também no filme "Alice no País das Maravilhas", ambos do diretor Tim Burton. 


A clássica árvore no meio do nada... não dá uma sensação estranha imaginar porque apenas essa árvore restou no local?

sábado, 4 de junho de 2016

Chilodopophobia - Fatos fascinantes sobre pequenos monstros de muitas pernas


O nome é Chilodopophobia.

Um nome complicado para algo simples.

Esse é o nome que se dá ao medo irracional (ou nem tão irracional) de Centopeias. Eu parto do princípio que, se já existe um medo que se refere a insetos como um todo (entomophobia), a existência de uma fobia especifica para centopeias, demonstra o quão horríveis são esses bichos e como eles ocupam uma posição marcante na psique das pessoas.

Que me desculpem aqueles que não vêem nada de mais em centopeias. Desculpem, mais ainda aqueles que acham esse bicho saído dos pesadelos "inofensivo". Você pode passar a sua vida inteira sem ver uma centopeia cara a cara e ser absolutamente feliz, mas todos aqueles que encontraram uma centopeia tem uma estória para contar, e raramente é uma estória agradável.

De fato, segundo a Associação Americana de Psiquiatria, responsável por estudar fobias e aflições, o Medo de Centopeias está na lista dos dez medos mais recorrentes nos Estados Unidos. As pessoas tem mais medo de centopeias do que de ratos por exemplo, de morrer afogado ou de sofrer uma acidente automobilístico. A sensação de sentir o toque de uma centopeia está na lista das cinco sensações mais desagradáveis para as pessoas. E pasme, uma centopeia instalada no ouvido, está entre os medos irracionais mais profundos das pessoas, assinalado em uma lista em que "morrer queimado" e "sofrer tortura" estavam entre as opções.

É curioso, mas o medo de centopeias é algo relativamente novo. Há trinta anos ele não figurava entre os mais citados. É curioso, pois esses animais sempre estiveram entre nós e eles não mudaram muito nos últimos 430 milhões de anos. Exceto pelo tamanho, as centopeias sempre foram da maneira que são na atualidade: criaturas sinuosas, dotadas de antenas, com corpo quitinoso brilhante e segmentado, dotados de muitas, muitas, muitas patas dispostas em pares. Talvez nós tenhamos mudado, nós tenhamos nos tornado mais suscetíveis a estas criaturas. 

Há poucos animais mais estranhos e positivamente alienígenas na natureza. É provável que seja justamente a aparência bizarra dos miriápodes (a classe desses animais) que causa nosso horror, asco e repulsa. Elas não tem nada de remotamente familiar conosco. Não é por acaso que muitos autores de ficção, entre os quais se destaca William S. Burroughs, colocam as centopeias no patamar de abominações alienígenas em seus contos e novelas de horror e ficção científica. Nesse contexto, centopeias são o que existe de pior, de mais alienígena e aberrante.

Ah, mas você é daqueles que não enxergam nada de ruim nesse bicho. Valei-me Deus, você é um daqueles que até admiram a criatura. Tudo bem... mas que tal tentar mudar isso através de alguns fatos fascinantes sobre o animal? Contra fatos, dizem, não há argumento.

Lembrem-se, esse é um blog dedicado ao Horror e essa semana foi decretada a "Semana da Centopeia", já que o animal tem um potencial de horror quase inesgotável. Sendo assim, vamos tentar desenvolver um saudável sentimento de Chilodophobia com essas curiosidades:

Predadores Naturais

Todas espécies conhecidas de centopeias são predadoras. 

Animais de hábitos noturnos os miriápodes caçam e capturam criaturas menores que eles, dando preferência a vermes anelídeos, grilos, besouros, aranhas e moluscos. Contudo, isso não impede que as Centopeias procurem presas maiores e mais perigosas: cobras, sapos, ratos, escorpiões e pássaros podem fazer parte de sua dieta abrangente e estritamente carnívora. 

As centopeias utilizam suas mandíbulas (chamadas forcípulas) para trucidar suas presas. A potência da forcípula da centopeia gigante se assemelha a uma prensa hidráulica, capaz de esmagar, rasgar e despedaçar ao mesmo tempo. A centopeia procura paralisar suas vítimas com as pernas, enrolando-se ao redor da presa, ao mesmo tempo que desfere mordidas que arrancam enormes pedaços que são cuspidos. A centopeia não se alimenta imediatamente desses pedaços arrancados, ela se concentra em matar a presa através de despedaçamento ou com seu veneno e só então se preocupa em comê-la.

Habitat

Centopeias são animais terrestres que procuram lugares úmidos, mas nada impede que elas se adaptem a outros ambientes. Centopeias não são exigente, havendo umidade mínima, escuridão e alimento é o bastante para que elas se fixem. 

A má notícia é que essas condições podem incluir o interior de nossas casas. Centopeias caseiras encontram refúgio em rachaduras nas paredes, atrás de quadros, dentro de caixas de papelão, em pequenos buracos no assoalho, no ralo de pias e chuveiros, em qualquer lugar. Pior é que centopeias estão sempre em busca de esconderijos e costumam explorar o ambiente entrando em sapatos, escondendo-se em roupas, meias, roupas íntimas, chapéus, etc. Muitas pessoas que são mordidas nem percebem a presença do animal até ser tarde demais... até ele estar em contato com a pele.

Glândulas Venenosas

Algumas centopeias possuem pernas frontais adaptadas para transmitir uma toxina venenosa composta de Cianeto de Hidrogênio e Ácido Benzóico, produzidos por glândulas microscópicas. O mero contato causa um efeito de queimação e provoca uma alergia que se manifesta por uma coloração avermelhada e posteriormente descoloração na área. 

A mordida das centopeias (e das lacraias em geral) também é venenosa, mas raramente causa danos graves - exceto para aqueles especialmente alérgicos a toxina que podem sofrer um choque anafilático. Recomenda-se que crianças e idosos recebam atenção especial, sobretudo no verão, quando o veneno se torna mais concentrado. 

Mesmo não sendo mortal, a dor causada pela substância na corrente sanguínea se mostra agonizante, criando um inchaço no local da picada e muito desconforto. Febres, calafrios, tremores e suores também são frequentes naqueles que são vitimados. Em casos extremos, indivíduos picados nos dedos e em extremidades, podem sofrer danos mais sérios, podendo inclusive perder membros em face de necrose. Existe uma estória especialmente medonha que envolve um sujeito que ao urinar junto de um tronco não percebeu que ali havia um ninho de centopeias oculto na casca. Não é preciso dizer que essa estória não teve um final feliz.

Alta Velocidade

Centopeias podem ter entre 15 e 190 pares de pernas. Todos esses membros cujo tamanho varia de acordo com a espécie, permitem que esses animais se movimentem com rapidez desconcertante seja para caçar ou para escapar. A centopeia gigante se move a até 50 centímetros por segundo, enquanto a centopeia caseira pode empreender uma perseguição a uma velocidade ainda maior. Seu corpo sinuoso permite que elas façam manobras para superar obstáculos e mantenham sua estabilidade durante todo percurso. A antena permite que elas definam o relevo à frente e captem ondas de choque no chão, sabendo onde estão seus perseguidores. A má notícia é que mesmo escalando, elas mantém sua velocidade. Felizmente, nem todas centopeias correm atrás de oponentes maiores, preferindo se esconder quando acossadas.

Vida Longa       

Comparadas com outros artrópodes, centopeias tem uma vida bastante longa. Não é estranho que um espécime possa viver 2 ou 3 anos, sendo que alguns sobrevivem por até cinco anos. Há relatos de Centopeias Gigantes da Amazonia com mais de oito anos.

Uma curiosidade é que as centopeias continuam crescendo ao longo de suas vidas, mesmo depois de atingirem a idade adulta elas ainda crescem. Elas também conseguem se recuperar da perda de membros, regenerando pernas a partir de pedaços arrancados. Não é estranho encontrar espécimes mais velhos com múltiplas patas surgindo no mesmo segmento e membros mais compridos ou curtos que outros.

Reprodução

A Reprodução das Centopeias é curiosa, esquisita e (pra variar!) desagradável. O processo tem início com o macho agitando seus membros inferiores produzindo uma substância filamentosa semelhante a uma teia. Eles usam essas teias para carregar suas células reprodutivas como se fossem bolsas contendo sêmen. Esses pacotes são presos aos genitais das fêmeas, servindo como tampões e são responsáveis pela inseminação que se dá internamente. A medida que os ovos se formam, a fêmea busca um local protegido para depositá-los. Uma centopeia pode carregar centenas de ovos que deformam seu corpo longilíneo ao ponto de ficar horrivelmente inchado e deformado (o que não deve ser nada bonito de ver).

Troncos ocos, buracos ou sob pedras são os lugares preferidos para esconder os ovos, mas as fêmeas também escavam o solo. Os ovos são depositados em uma massa transparente e gosmenta, responsável por grudar os ovos semi-transparentes e impedir que eles sejam removidos por predadores. A ideia é que eles pareçam uma criatura única o que lhes concede certo grau de proteção natural.

O Ciclo dos Filhotes

As fêmeas de algumas espécies ficam juntas dos ovos até haver a eclosão. Elas envolvem seu corpo ao redor da massa de ovos assim protegendo os filhotes contra predadores. Quando as pequenas centopeias emergem, elas parecem bastante com os adultos, apenas menores, mas com corpos segmentados, antenas e pernas já desenvolvidas. Os filhotes devoram a massa e os restos dos ovos e aquelas mais desenvolvidas então comem seus irmãos mais fracos. No cruel mundo das centopeias, não há piedade ou clemência, os espécimes maiores devoram as demais e quando se sentem seguras o bastante simplesmente partem e iniciam suas vidas. Ironicamente é nesse ponto que as mães abandonam os filhotes, não por eles terem encerrado seu papel, mas porque, se ficarem, elas também podem ser devoradas pelas crias famintas.

Alimentação e Medicina Tradicional

Em alguns países do oriente, Centopeias são consumidas e consideradas como uma iguaria. Na China, é um prato tradicional e relativamente comum, vendido em feiras livres e muito apreciado. As centopeias são atravessadas em varetas de madeira ou pequenos espetos de metal e fritas ainda se debatendo em óleo fervente. 

No extremo oriente, sobretudo no Vietnã, Laos, Indonésia e Tailândia, centopeias ainda vivas são colocadas em garrafas de bebidas alcoólicas para "realçar" o sabor e potencializar seu teor etílico. Quanto maior a centopeia afogada no vasilhame, mais potente se torna a bebida, ou ao menos é o que se acredita. Não há entretanto uma correlação direta entre o teor e o animal. 

Também vem da China o uso de centopeias e especialmente da toxina produzida como matéria prima de vários remédios pertencentes a Medicina Tradicional. Centopeias são vendidas em farmácias e utilizadas para dezenas de preparos que vão desde afrodisíaco até reguladores das funções hepáticas e tranquilizantes.   

Perigos para os Ouvidos

Lembra que eu escrevi lá em cima que centopeias gostam de se esconder? Bem, isso acontece porque elas desidratam com muita facilidade e precisam escapar da luz do sol que pode ser mortal para elas. Para se refugiar da claridade centopeias são capazes de se encolher de tal forma a caber em pequenas frestas, fazendo com que seus corpos preencham o interior de espaços bastante apertados. 

E isso, obviamente é uma PÉSSIMA notícia para nós. 

Há milhares de casos anualmente de centopeias que entram nas fossas nasais, na boca (e garganta) ou no ouvido de pessoas durante o sono. O grande problema é que centopeias reagem violentamente quando se dão conta de que estão em um ambiente perigoso e começam a morder. Mordidas na boca e no nariz podem ser perigosas visto que atingem mucosas e tecidos cartilaginosos que podem sofrer dano permanente. Mas o pior ocorre quando o animal se aloja no espaço do ouvido interno. Há descrições de centopeias de até 15 centímetros no interior do ouvido de pessoas, alojadas de tal maneira que sua remoção tem que ser feita com pequenas doses de veneno para que o animal não comece a morder. Indivíduos podem perder a audição dessa maneira. Uma precaução comum em regiões onde há muitas centopeias é dormir com tampões nos ouvidos ou máscaras que bloqueiem as vias aéreas.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Coulrofobia - A História e a Psicologia por trás do Medo de Palhaços


Existe uma palavra que embora não seja reconhecida pelo Dicionário Inglês Oxfordou por manuais de psicologia, se refere diretamente ao medo patológico de palhaços: Coulrofobia.

Não são muitas pessoas que sofrem de uma fobia debilitante de palhaços; um bom número de indivíduos no entanto, simplesmente não gosta deles. Faça uma busca no "Google" por "Eu odeio palhaços" (I hate clowns) e a você encontrará vários sites sobre pessoas intimidadas por eles. No facebook existe um grupo chamado "Eu odeio palhaços" que conta com mais de 500 mil membros. Alguns circos aceitaram prestar um serviço de utilidade pública, mostrando seus artistas se maquiando antes das apresentações a fim de provar que são apenas pessoas por trás da maquiagem. Em Sarasota, Florida, em 2006, um estranho sentimento de pavor tomou conta da população, quando a cidade foi escolhida para sediar um encontro de palhaços vindos de várias partes do mundo. Moradores da cidade chegaram a mover um abaixo assinado pedindo que outro lugar fosse escolhido e justificaram sua reprovação pela sensação de medo diante dos visitantes. No mesmo mês, o número de crimes aumentou na cidade e alguns acreditam que foi devido ao medo que algumas pessoas sentia.

Mesmo aqueles que deveriam gostar dos palhaços - as crianças - muitas vezes não gostam deles. Em 2008, um estudo da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, entrevistou 250 crianças com idade entre quatro e dezesseis anos e concluiu que um grande número delas tinha uma reação de medo diante das faces maquiadas dos palhaços. Um estudo encomendado pela BBC descobriu que as crianças nos dias atuais se sentem pouco à vontade assistindo a apresentação de um palhaço. Para a maioria das crianças entrevistadas eles não parecem engraçados, pelo contrário eles são estranhos de uma maneira categorizada como perturbadora. 

É claro, a maioria dos palhaços não estão tentando ser estranhos. Eles tentam transmitir doçura através de suas travessuras, diversão encarnada. Então surge a questão: quando os palhaços, supostamente figuras que personificam alegria infantil, se tornaram algo que causa apreensão e temor? Quando os palhaços se tornaram assustadores?

A verdade é que, talvez, eles sempre tenham sido.

Palhaços, brincalhões, bobos, arlequins, e incontáveis tipos de bufões sempre estiveram presentes nas sociedades humanas. Eles aparecem na maioria das culturas - Anões vestidos como palhaços faziam os Faraós rirem em 2500 A.C; na antiga China imperial, um palhaço chamado YuSze era, de acordo com registros históricos o único que podia apontar erros no plano do Imperador Qin Shih Huang de pintar a Grande Muralha da China. Os nativos americanos Hopi tinham em sua tradição uma figura semelhante a um palhaço cuja função era amenizar o ar de seriedade de certos rituais através de brincadeiras. Na Roma antiga, artistas circenses chamados stupidus eram muito apreciados por todas as classes sociais; os bobos da corte da Europa Medieval gozavam do direito de fazer graça com qualquer pessoa, inclusive nobres e poderosos; e nos séculos XVIII e XIX a pantomima ganhou espaço na Europa ocidental e Grã-Bretanha.

Mas palhaços sempre tiveram um lado negro associado a eles. Alguns afirmam que isso decorre do fato de que eles espelham uma visão distorcida da sociedade. Eles são como um reflexo caótico da normalidade, capazes de subverter tudo que é convencional. O bufão sempre foi visto como uma espécie de duende endiabrado, capaz de fazer o que bem quisesse e ter o comportamento que desejasse à margem das convenções ditadas pela convivência humana.  

Andrew Stott, pesquisador da Universidade de Buffalo escreveu vários artigos a respeito de palhaços e sobre o pavor que algumas pessoas sentem deles. Stott é o autor de uma biografia centrada na figura de Joseph Grimaldi, o mais famoso artista da Pantomima que fez sucesso na Inglaterra Victoriana chegando a se apresentar no palco do London Regency.  

Grimaldi foi o responsável por criar a imagem dos palhaços modernos. Ele é a razão pela qual palhaços ainda são chamados de "Joeys" na Inglaterra. Em sua época, Grimaldi foi incrivelmente popular, alguns jornais diziam que os espetáculos do artista atraiam tanta gente que mais de 80% da população de Londres já havia assistido uma de suas apresentações. Em 1820, a fama de Grimaldi era tão grande que seu rosto era mais conhecido do que o do Primeiro Ministro. Grimaldi se apresentava em teatros, não em circos. Antes dele, os palhaços usavam apenas um pouco de maquiagem no rosto, o suficiente para sugerir estarem meio embriagados. Grimaldi foi o primeiro a pintar o rosto com tinta branca, destacar os olhos e a boca com círculos coloridos e usar uma bola vermelha no nariz. Para compor o personagem ele usava uma peruca azul e roupas brilhantes. Ele era um mestre da comédia física - saltava no ar, fazia malabarismo e dava piruetas com desenvoltura. Sua habilidade para imitar os trejeitos das pessoas e satirizar os acontecimentos do dia a dia lhe valeram críticas de Bispos e políticos, mas a população em geral adorava suas brincadeiras. 

Grimaldi era uma verdadeira estrela, mas sua vida pessoal estava longe de ser uma comédia. Na biografia, Stott disseca a personalidade sombria por trás da máscara. Nascido em um lar dividido, Grimaldi era filho de um pai tirânico e abusivo que o surrava constantemente e que foi responsável pela morte da esposa. Ele cresceu nas ruas, tornando-se um batedor de carteiras. Nos reformatórios descobriu seu talento para imitar as pessoas e conquistar sua confiança através da comédia. Começou a se apresentar nas ruas de Londres até ser descoberto por um agente de talentos. Dali foi catapultado para o estrelato rapidamente. Grimaldi no entanto, tinha mudanças drásticas de personalidade, possivelmente sofria de um quadro maníaco-depressivo. Havia se casado e tratava a mulher e filhos de maneira brutal disciplinando-os com surras e deixando as crianças passar fome. Um de seus métodos preferidos de "ensinar lições" aos filhos era deixá-los quase a beira da inanição e mandar preparar ceias suntuosas. As crianças eram obrigadas a assistir o pai se fartar, sem ter permissão de tocar em nada.

Tornara-se um alcoólatra para compensar as dores que sentia pelas quedas durante os shows de malabarismo. Em mais de uma ocasião, dizem, se apresentou completamente bêbado, quase incapaz de ficar de pé. As coisas se agravaram ainda mais quando a esposa de Grimaldi morreu ao dar a luz ao quarto filho do casal.

Eu sou severo o dia inteiro, mas faço vocês rirem a noite.” repetia o palhaço frequentemente. Há rumores (nunca corroborados) de que Grimaldi era um pedófilo e um cliente costumeiro de bordéis em Londres, onde pagava fortunas para ser espancado, chicoteado e ridicularizado. Outros boatos atestam que no fim da vida ele casou legalmente com uma menina chinesa de 13 anos. O filho de Grimaldi cometeu suicídio e essa perda foi a derrocada na carreira do artista que nunca mais se apresentou.

Joseph Grimaldi morreu em 1837, literalmente na sarjeta, sem um tostão e vítima de um quadro crônico de cirrose. O autor britânico Charles Dickens escreveu um romance em série, publicado em jornais, baseado na vida de Grimaldi. Na versão de Dickens as risadas do público provocavam no palhaço dores incomensuráveis. Para Stott, a descrição vívida de Dickens da vida dupla do palhaço atormentado foi o início do mito dos palhaços assustadores. O que Dickens fez foi tornar difícil olhar para um palhaço sem imaginar quem ele realmente era por trás da máscara. A versão romanceada da vida de Grimaldi se tornou extremamente popular na Europa e América, servindo talvez para alterar a percepção a respeito dos palhaços. 

No rastro do sucesso de Grimaldi, outra figura se tornou extremamente popular na Europa, o francês Jean-Gaspard Deburau Pierrot, um palhaço silencioso que usava tinta branca no rosto, baton vermelho e sobrancelhas escuras para divertir seu público. Deburau começou sua carreira nas ruas de Paris, atraindo admiradores que o reconheciam mesmo sem a maquiagem. Mas na medida que Grimaldi era trágico, Deburau era sinistro: Em 1836, ele matou um garoto de 11 anos com um golpe de sua bengala depois que o menino gritou insultos para ele na rua. O palhaço foi inocentado das acusações, mais em função de sua fama do que qualquer outra coisa. Conta-se que Debureau era intempestivo, com arroubos de fúria nos quais agredia e xingava quem estivesse perto. Em um desses surtos teria avançado contra pessoas numa apresentação. Pierrot, que popularizou a figura do palhaço triste teve sua carreira abreviada por esses episódios.

Dois dos mais conhecidos palhaços eram homens cheios de problemas por baixo da face pintada. Depois de Grimaldi e de Pierot, as apresentações de pantomima mudaram consideravelmente; palhaçadas deixaram de ser encenadas em teatros e passaram para a arena de circos. Os circos itinerantes se tornaram populares apenas na segunda metade do século XVIII com espetáculos equestres e com animais exóticos. Com a adição de malabaristas, trapezistas e mágicos, vieram os palhaços. Seguindo o estilo de Grimaldi, eles faziam apresentações usando maquiagem e roupas espalhafatosas. 

Os palhaços serviam basicamente como alívio cômico para os espetáculos envolvendo desafios e façanhas de outros artistas. A medida que esse estilo de humor começou a ganhar espaço, os palhaços foram se tornando populares. Mas sempre havia algo de obscuro em sua comédia como escreveu Edmond de Goncourt, um crítico francês em 1876: “O palhaço personifica um tipo de arte repleta de ansiedade e apreensão. Tudo o que ele faz remete ao caos, confusão e ao asilo de loucos. E a loucura não é divertida, é assustadora” A ópera italiana, Pagliacci (Palhaço) de 1892, na qual o personagem principal, um artista no estilo de Grimaldi assassina sua esposa infiel, mostra como os palhaços eram considerados assustadores - e uma fonte para o drama.

A Inglaterra exportou o circo e os palhaços para a America, onde o gênero floresceu; no início do século XIX. Os circos deixaram de ter um único picadeiro e passaram a ser espetáculos grandiosos que viajavam de cidade em cidade. Muita coisa mudou nos circos, mas os palhaços continuavam os mesmos - Emmett Kelly, por exemplo, era o mais famoso dos "palhaços vagabundos" americanos. Com seu ar cínico que não se permitia jamais sorrir, conseguia ainda assim ser hilariante.

Palhaços tiveram um tipo de apogeu nos EUA com os programas televisivos dos anos 1950 onde artistas como Clarabell, o palhaço, Howdy Doody e Bozo disputavam a atenção das crianças. Bozo, em meados dos anos 1960, tinha um programa asistido diariamente por milhares de crianças e longas filas de espera para participar do show. Em 1963, a rede de lanchonetes McDonalds criou Ronald, o palhaço feliz, para vender hamburgers e promover a marca. tornando o rosto de seu "embaixador" famoso internacionalmente.

Mas essa "época de ouro" não duraria muito tempo. Antes do século XX, palhaços não eram uma diversão infantil, os artistas de pantomima, por exemplo, tinham piadas e viviam situações destinadas ao público adulto. Alguns espetaculos eram grotescos, cheios de palavrões, violência e preconceito. A mudança dos palhaços para o entretenimento infantil ocorreu de forma abrupta, sem alterar a figura original do personagem mantendo sua maquiagem espalhafatosa e humor caótico. A máscara sempre despertou certa desconfiança também: "Onde há mistério, existe desconfiança".

Muitos palhaços não escondem nada, são apenas artistas devotados ao entretenimento que desempenham o papel com alegria e entusiasmo. Mas assim como Grimaldi e Pierot, é o sentimento de que palhaços tem uma vida dupla que mexe com a percepção das pessoas e alimenta certos temores. Temores que atingiram a estratosfera na década de 1970.

Quando Bozo ainda fazia sucesso, um palhaço mais sinistro começou a aterrorizar o meio-oeste dos EUA. Publicamente, o negociante John Wayne Gacy era um sujeito amigável e trabalhador; que também se apresentava para crianças como o palhaço Pogo (foto ao lado). Mas entre 1972 e 1978, Gacy atacou sexualmente e assassinou mais de 35 jovens da região de Chicago. “Sabe como são as coisas... nada melhor do que um palhaço para controlar crianças" teria dito a policiais logo depois de ser preso.

Gacy foi julgado culpado de 33 delitos graves e executado em 1994. Ele entrou para a história como “O Palhaço Assassino” um apelido exaustivamente utilizado pela mídia para identificá-lo. Bizarramente, enquanto cumpria sua pena no corredor da morte, Gacy fazia pinturas; a maioria delas de palhaços tristonhos retratados como Pogo. Gacy, não apenas assumia a identidade de Pogo, mas fazia uso dela para se aproximar de crianças e planejar seus crimes. O caso alimentou os medos de "predadores sexuais", e transformou palhaços em objeto de suspeita. 

Depois que Gacy chocou a América, a figura do palhaço sofreu uma mudança de rumo. Antes, filmes como a super produção de 1952, "O maior espetáculo da Terra" de Cecil B. DeMille podia brincar com a noção do palhaço trágico, mas agora, palhaços eram usados como elemento de medo.

Em 1982, o filme Poltergeist - o fenômeno, colocou uma típica família de subúrbio americano como vítima de espíritos malignos. Em uma determinada cena, um palhaço de brinquedo serviu como agente do sobrenatural tentando arrastar um garoto para de baixo da cama. Em 1986, o escritor Stephen King lançou o romance It, no qual um ser demoníaco assume a identidade de Pennywise, o Palhaço Dançarino para matar crianças inocentes. Em 1988, o filme B, "Killer Klowns from Outer Space" se tornaria um inesperado sucesso no filão trash. No ano seguinte Clownhouse, um filme cult mostrava doentes mentais perigosos assumindo o papel de palhaços para aterrorizar uma comunidade rural. O vilão do filme e dos quadrinhos do personagem Spawn usa maquiagem de palhaço. E o que dizer do maior inimigo do Batman, o Coringa que deixou de ser um simples palhaço para se converter em um homicida aterrorizante? A partir da década de 1980, o palhaço passou a ser associado muito mais a horror do que comédia, transformando-se num bicho-papão tão frequente quanto vampiros e lobisomens.

Muitos circos chegaram a suspender a aparição de palhaços em seus espetáculos para não assustar crianças. A figura negativa de palhaços dispostos a se aproveitar da inocência infantil para os mais horríveis atos ficou tão enraizada no inconsciente coletivo que terapeutas acreditam que essa imagem se sobrepôs a de palhaços divertidos. Por sinal, na internet existem mais imagens de palhaços assustadores do que de palhaços alegres. 

Isso gera uma espécie de círculo vicioso que alimenta um medo irracional de palhaços. É claro, é muito difícil determinar quantas pessoas sofrem de uma real fobia de palhaços, mas há casos comprovados de indivíduos que simplesmente congelam diante da presença deles, sendo incapazes de reagir. Outras sentem falta de ar, suor nas mãos, boca seca ou simplesmente um desconforto.    


Da perspectiva psicológica, o medo de palhaços se inicia na infância. Existe inclusive um trecho no famoso guia Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM, em que se atesta a existência do medo de palhaços, embora ela esteja incluída na categoria da fobia pediátrica de indivíduos vestindo fantasias (desde Papai Noel até Coelho da Páscoa, passando por Mickey Mouse). “Esse medo se inicia geralmente com crianças de dois anos, quando elas desenvolvem um grau de ansiedade na presença de estranhos” explica a Dra. Brenda Wiederhold, do centro de tratamento de fobia e ansiedade de San Diego.

Na opinião dela, a Coulrofobia é muito real. A maioria das pessoas, cresce e esquece esse medo, mas um pequeno número de indivíduos - talvez 2% dessas pessoas, carregam para a idade adulta a ansiedade diante de palhaços que tinham quando crianças. Pessoas que sofrem de Coulrophobia, relatam que um dos elementos mais perturbadores a respeito de seu temor, diz respeito ao fato deles não conseguirem determinar as reais emoções na face do indivíduo maquiado como palhaço. Em segundo lugar, está o medo de que o palhaço possa perder o controle e fazer o que bem entender sem ser reconhecido, por usar um disfarce.

O medo, no fim das contas, é algo estranho. Como ele se manifesta na mente de uma pessoa e porque certas coisas despertam um pavor irracional em outras é uma questão ainda não inteiramente resolvida.