quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

The Awakened - Jogo de PC que coloca o maior detetive do mundo em um caso envolvendo os Mitos de Cthulhu

Se um dia Sir Arthur Conan Doyle e H.P. Lovecraft tivessem se juntado para escrever um romance, o resultado bem que poderia ser algo como Sherlock Holmes: The Awakened. Esta aventura, a terceira desenvolvida pela empresa Frogwares Game, apresenta o protagonista de clássicos da literatura de mistério como "O Cão dos Baskerviles" e "O Símbolo dos Quatro", enfrentando os Mitos de Cthulhu. Enquanto tal combinação pode soar como um tipo de fan-fiction, a verdade é que o resultado consegue ser surpreendentemente bom. A estória é narrada de forma brilhante, e a mecânica da aventura tem um encadeamento tão lógico quanto o legendário detetive.

O jogo não é nada fácil, Holmes e seu companheiro inseparável, Watson, terão de ser extremamente cuidadosos e observadores para derrotar os cultistas de Cthulhu que planejam destruir o mundo. A maior diferença entre The Awakened e as aventuras convencionais é que você terá de abordar os enigmas através da ótica de Holmes. Isso significa que você terá de examinar cada cena em busca de pistas, mantendo os olhos bem abertos a pegadas, fios de tecido e indícios quase imperceptíveis, se quiser resolver o caso.

O mistério em si tem início com estranhos desaparecimentos de imigrantes em Londres e se torna uma investigação ao redor do mundo envolvendo indescritíveis horrores de além do tempo e espaço.

Felizmente, o jogo não é uma tediosa caça aos pixels. As pistas não são difíceis de serem encontradas, existe a opção de zoom in e zoom out que permite aproximar as imagens, como se o detetive estivesse usando sua fiel lupa. Se todas as pistas forem encontradas, a investigação seguirá de forma consistente e lógica, remetendo ao real trabalho de um detetive processando pistas e tirando conclusões com base nelas.

Nesse jogo, não basta encontrar as pistas. Holmes deverá analisar suas descobertas, isso envolve submeter as provas a exame em seu laboratório químico (no famoso apartamento no 221-B), misturar reagentes, ferver misturas, comparar padrões e fazer exames minucioso com ajuda do microscópio.

No entanto, meramente estudar as provas não será o suficiente para deter os cultistas e seu plano macabro de invocar Cthulhu. Existem muitos enigmas para serem resolvidos ao longo do jogo, incluíndo combinações para abrir passagens secretas, desvendar um complicado código para abrir um cofre, decodificar intricados símbolos e até desenhar o Elder Sign corretamente.

O visual faz com que você tenha o controle do jogo na ponta dos seus dedos. Diferente dos jogos tradicionais de terceira pessoa, The Awakened coloca o jogador em primeira pessoa vendo o mundo através dos olhos de Holmes ou Watson, permitindo assim uma perfeita apreciação e interação com o ambiente.

Ao longo da aventura, Holmes terá de viajar de Londres para a América, investigar acontecimentos macabros na Alemanha e em Nova Orleans e retornar à Grã-Bretanha para o final apocalíptico. Tudo isso visitando manicômios, explorando cavernas, vasculhando pântanos, zonas portuárias e outros lugares perigosos. Alguns gráficos em 3D parecem um tanto achatados, mas essa pequena falha é compensada pelo belíssimo trabalho gráfico nos personagens perfeitamente detalhados.

As ruas vazias são a única coisa que interfere com a ilusão de andar pela capital do mundo no século XIX. Os arredores da Baker Street que deveriam fervilhar com transeuntes parecem sempre desertos, os únicos cidadãos à vista são o vendedor de jornais, um cocheiro e uma mulher vendendo flores. Esse ambiente estéril lembra bem pouco as ruas lotadas trazidas à vida nas estórias de Conan Doyle.

O trabalho dos dubladores é excelente com o cuidado deles usarem termos de época e o típico sotaque regional de cada lugar explorado. Nas ruas de Londres por exemplo, os trabalhadores falam com forte sotaque cockney, enquanto que em Nova Orleans predomina a fala arrastada notória do sul dos Estados Unidos. O roteiro deixa claro que o escritor é muito familiarizado com elementos das obras clássicas tanto de Doyle quanto Lovecraft.
Um problema é que há muitos diálogos e não existe um recurso para avançar esses trechos. O jogador é obrigado a ouvir todas as conversas e os personagens parecem muito interessados em bater papo. Se por um lado isso obriga o jogador a prestar atenção na estória, por outro pode ser um tanto cansativo para os que preferem ir direto para a ação. Holmes é incrivelmente falador nesse jogo, e nessas horas a ausência de um botão para avançar (e fazer ele calar a boca!) é bastante sentida.
A trilha sonora é envolvente e se encaixa muito bem com o clima do jogo sendo digna de uma série de televisão ou filme.
Fiel aos personagens em que é inspirado, Sherlock Holmes - The Awakened é uma excelente aventura e um mistério atraente. Amantes do mistério com um gosto pelo sobrenatural e pelo horror se sentirão em casa com essa aventura.
Veja o Trailer -
Texto com base em resenhas do jogo na página Game Spot.

3 comentários:

  1. Muito legal, vou ver se baixo este jogo aqui depois :) Valeu pela sugestão Luciano!

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  2. Terminei esse jogo semana passada. Achei razoável: algumas idéias do Sherlock parecem mais coisa de McGyver (o jogo deixa pegar objetos aleatórios e Holmes fala "this may be useful", a razão aparecendo bem mais tarde). Holmes também é mais arrogante que nos livros, chegando a ser pedante, apesar de algumas tentativas de humor (existe até uma referência a Hercule Poirot). Os quebra-cabeças ás vezes caem no clichê "o dono da casa era fanático por quebra-cabeças e passagens secretas". Um dos planos de Holmes mostra severas tendências suicidas, ele se infiltra no inimigo com apenas uma colher que ele usa para abrir fechaduras (aliás, abre só duas, todas as outras você tem que achar a chave, imagine se não abrisse a chave da cela dele!) A parte mais interessante é mesmo analisar as pistas com a lupa, é o que mais faz sentir o clima de ser Holmes. Em suma, dá para se divertir, mas poderia ser bem mais próximo dos livros...

    Hoje acabei outro jogo: "Scratches", gostei bem mais, é um adventure estilo "Myst" em uma casa sinistra e com influência lovecraftiana. Recomendo!

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  3. Ué? Sherlock vai sofrer pela insanidade mental quando ver as criaturas Cthulhu Mythos! LOL!
    Vou jogar isto, valeu pela sugestão!

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