domingo, 28 de outubro de 2012

Ruínas na Síria - A Fantástica descoberta do "Stonehenge Sírio"


A situação de instabilidade política e o risco de uma longa Guerra Civil na Síria, afugentou uma equipe de  arqueólogos que recentemente realizavam um importante trabalho de escavação naquele país.

A equipe liderada pelo canadense Robert Mason espera poder retornar em breve para prosseguir nas escavações a 60 quilômetros ao norte de Damasco, acreditando que no passado essa região desértica foi muito mais habitável e que pode ter comportado uma engenhosa civilização.

Hoje, a área onde a equipe se concentrava, faz parte do inclemente Deserto da Síria, uma vasta região árida e desolada onde a única coisa que se destaca na paisagem alaranjada são formações rochosas. Contudo, essas mesmas formações poderiam esconder tesouros arqueológicos notáveis: círculos de pedra, linhas desenhadas no solo e restos de um povo sobre o qual ainda se sabe muito pouco.

Análise de fragmentos e ferramentas de pedra encontradas na área sugerem que os objetos encontrados datam possivelmente do Período Neolítico ou Idade do Bronze inicial, de 6000 a 10000 anos atrás. Na Europa Ociedental construções megalíticas envolvendo o uso de pedra não foram datadas antes de 4500 ac. Isto significa que o sítio sírio pode ser mais velho doq ue qualquer coisa construída na Europa.

Ironicamente a descoberta do importante sítio se deu quase ao acaso. Em 2009, o arqueólogo Robert Mason do Royal Ontario Museum, chegou a região para realizar um trabalho de pesquisa e análise no mosteiro de Deir Mar Musa. O mosteiro foi erguido no século IV ou início do século V, e possui curiosos afrescos pintados posteriormente, possivelmente no século XI.  

De acordo com a equipe, o mosteiro possuia originalmente uma torre em estilo romano que foi parcialmente destruída por um terremoto. O arqueólogo estava procurando restos dessa antiga torre quando se deparou com uma série de formações rochosas que chamaram sua atenção: eram linhas de pedra claramente erigidas por mãos humanas. Seguindo essas construções ele descobriu outros círculos de pedra e o que pareciam ser restos de edificações funerárias.

Mason também descobriu formações de pedra conhecidas como "desert kites", que teriam sido usadas para manter gazelas e animais capturados, como se fosse um curral rudimentar. Estruturas similares foram achadas próximo às ruínas de Palmira, no Norte da Síria, mas os pesquisadores não conseguiram ainda relacionar qualquer evidência de ligação entre os povos que as construíram.  


A região está seca hoje ("muito cênica, se você gosta de rochas", disse Mason), mas era provavelmente mais verde milênios atrás. Os habitantes deveriam dispor de fontes de água - talvez até reservatórios, que permitiriam a eles desenvolver agricultura. A descoberta de certas ferramentas indica que os habitantes não eram nômades, mas um povo que utilizava a área regularmente tendo modelado o ambiente para facilitar sua permanência prolongada. A quantidade de sepulturas também é um indício de ocupação por um longo período. Escavações mais cuidadosas com certeza poderiam revelar mais informações sobre o sítio, infelizmente a evacuação da equipe ocorreu antes de novos trabalhos poderem ser inciados. 
Em uma palestra em 2010, Mason disse que sentia como se tivesse tropeçado na Planície de Salisbury na Inglaterra, onde está localizado Stonehenge. A comparação levou as formações a serem apelidadas de "Stonehenge Sírio."

Na mesma palestra, o arqueólogo falou sobre o mosteiro de Deir Mar Musa, foco inicial da expedição.

O antigo mosteiro foi ocupada até meados de 1800, por uma ordem de monges ortodoxos. Apesar de ser repetidamente danificado pela ação de terremotos, o prédio foi usado extensivamente a partir do século V e reconstruído inúmeras vezes. Os monges utilizaram, para isso, pedras retiradas do deserto, o que pode ter danificado algumas estruturas mais antigas, erigidas pelo povo que habitava a região muito antes da chegada dos religiosos.  
O mosteiro tem importância histórica por guardar em seu interior diversos afrescos - alguns bastante danificados - representando cenas cristãs, santas do sexo feminino e o Julgamento Final. As paredes adornadas por esses desenhos ainda conservam as cores deixadas pelos artistas.


Mason também localizou uma série de pequenas cavernas que ele acredita terem sido escavadas pelos monges nas fundações do prédio. É possível que esses túneis subterrâneos tenham sido utilizados como catacumbas ou criptas. A equipe que contava com a permissão do governo para realizar escavações, havia localizado ossadas nessas catacumbas, além de alguns artefatos deixados pelos monges.

Com a descoberta das ruínas antigas, arqueólogos levantaram a hipótese de que o complexo do monastério tenha sido construído sobre uma estrutura antiga pré-existente. A equipe localizou alguns muros baixos e paredes dentro do monastério que parecem ter sido erguidos com pedras talhadas por ferramentas rudimentares. Se essa hipótese se confirmar, o monastério pode reservar algumas surpresas para os arqueólogos quando for seguro retomar os trabalhos.
*  *  *

Não sei quanto a vocês, mas eu consigo enxergar um roteiro para uma bela aventura pulp com toques clássicos de arqueologia, baseada nesta notícia. A coisa quase se escreve sozinha...

Primeiro passo: trazer essa descoberta para os anos 20-30, quando Damasco estava sob o controle de autoridades britânicas e já despertava enorme interesse de arqueólogos interessados em revelar seu fascinante passado.

Basta juntar na estória um passado sinistro envolvendo esse "povo ancestral", quem sabe eles fossem seguidores de alguma entidade do Mythos como Chaugnar Faugn, Nyogtha, Daoloth ou até mesmo Yog-Sothoth.

Esse povo teria desaparecido em algum tipo de catástrofe, eu imagino uma invocação desastrosa de um desses titãs cósmicos, que acabou com toda a civilização de uma vez por todas. O trágico episódio deixou relíquias, como por exemplo algum artefato que pode ser usado para invocar uma vez mais essas entidades bizarras dos recônditos do Universo.

Os monges, sabendo desse perigo construíram o monastério em cima de um tipo de templo dedicado a entidades do Mythos a fim de impedir que essa ameaça fosse libertada. Com o tempo o conhecimento se perdeu, e o propósito se desfez, embora nas fundações do prédio ainda haja pistas para descobrir essa estória.

Entram em cena os personagens que inadvertidamente descobrem nas ruínas o artefato que invoca a criatura. E pronto!

Aí estão os investigadores diante de um mistério ancestral, tendo de lidar com horrores do Mythos e uma iminente invocação.

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