segunda-feira, 20 de agosto de 2018

"A Maior Assombração da História Americana" - A Lenda da Bruxa de Bell


O cinema tem explorado a fascinação pelo sobrenatural na construção da América através de produções como "A Bruxa" que ganhou grande fama nos últimos anos. A despeito de imagens assustadoras e do interesse que o filme conseguiu conjurar, algumas vezes, o mundo real é capaz de oferecer coisas ainda mais perturbadoras.

Coisas como a lenda da "Bruxa de Bell"

Essa sinistra figura invisível teria atormentado uma família de pioneiros na fronteira selvagem do Estado do Tennensee entre 1817 e 1821. Diferente de filmes e da maioria das histórias de fantasmas, os incidentes envolvendo a Bruxa de Bell afetaram pessoas de carne e osso, além de um número substancial de testemunhas, observadores e indivíduos que assistiram impressionados o fenômeno estarrecedor. Diversos documentos e manuscritos foram redigidos por essas pessoas, dando testemunho da veracidade dos acontecimentos por mais fantásticos que parecessem. Cidadãos acima de qualquer suspeita afirmavam categoricamente terem experimentado a assombração em pessoa.  Esta diferença marcante, fez com que o respeitado pesquisador do sobrenatural e psiquiatra de renome, Dr. Nandor Fodor, chamasse a lenda da Bruxa de Bell de "A Maior História de Fantasmas americana". 

Vamos falar portanto dessa história fantástica, de um tempo mais simples e puro, quando o trabalho duro e as dificuldades do dia a dia moldavam o caráter e o espírito e quando a família era o bem mais precioso da vida de um homem.

No início de 1800, John Bell se mudou com a família da Carolina do Norte para os arredores do Condado de Robertson, Tennensee. Eles foram pioneiros naquela região agreste que constituíram a comunidade de Red River, nos dias atuais a Cidade de Adams. Bell comprou um terreno e uma grande casa para sua família. Ao longo dos anos seguintes, ele adquiriu mais terra, aumentando sua propriedade para cerca de 328 acres. Com muito esforço a família também limpou o terreno, criou pastos e campos para plantio. A comunidade prosperou junto com os Bell, e o patriarca da Família se tornou um dos membros do Conselho da Cidade e da Igreja Batista local. A Família cresceu, com o nascimento de mais três crianças depois que se mudaram para o Tennensee. Elizabeth (Betsy) nasceu em 1806, Richard em 1811 e Joel em 1813.


Certo dia, em 1817, John Bell estava inspecionando o milharal de que tinha tanto orgulho quando avistou algo estranho se movendo entre as fileiras. Ele ficou chocado com o que viu, uma criatura acocorada e estranha. A cabeça parecia a de uma pessoa, mas com orelhas grandes como as de uma lebre e olhos brilhantes. O corpo escuro se assemelhava ao um grande cão, mas com as patas compridas e finas. A coisa ficou encarando Bell, enquanto o fazendeiro tentava entender do que se tratava. Ele correu para apanhar uma espingarda e atirou. A coisa então fugiu e se embrenhou no milharal onde desapareceu. Bell não pensou mais a respeito do incidente, ao menos até a hora do jantar. Naquele fim de tarde, a família começou a ouvir o som de algo farejando e arranhando as paredes de madeira da casa.      

Os misteriosos sons continuaram, aumentando em frequência e intensidade ao longo da noite. Bell e seus filhos saíam de casa para tentar flagrar o animal que estava produzindo aquele ruído. Mas não encontravam nada! Estranhas marcas foram deixadas na fachada, arranhões produzidos pelas garras de algum animal. As crianças estavam assustadas, ouviam o som do que acreditavam ser um rato muito grande roendo atrás das paredes. Mas não havia nada...

Aquele foi apenas o início!

Noite após noite, algo parecia espreitar à noite. Correndo, arranhando, cheirando e deixando estranhas marcas de pegadas. Os moradores da casa chegavam a ficar de guarda no alpendre, esperando pela coisa, mas não viam nada. A coisa parecia invisível e capaz de atravessar as paredes como um espírito etéreo.


Com o tempo, a Família Bell começou a ouvir outros sons. Sussurros, murmúrios, rosnados e o que pareciam ser os sons de uma mulher rezando muito baixo. Ninguém sabia de onde vinha ou o que estava sendo dito. A mulher de Bell sugeriu que era o som de um hino religioso, a filha dizia que era uma canção de ninar, um dos rapazes achava que era um murmúrio que repetia profanidades. 

Os incidentes continuaram cada vez mais bizarros. A filha mais nova de Bell, Elizabeth começou a experimentar brutais encontros com a entidade. A coisa invisível puxava seus cabelos, arranhava suas costas, a empurrava e até mordia. Em certa ocasião, produziu uma mordida tão forte em sua coxa que deixou as marcas de dentes. Betsy, como era chamada, era o principal alvo da entidade, que em certa ocasião rasgou suas roupas e se insinuou de "maneira imoral".

O fenômeno, que Bell alertou a família, deveria ser mantido em segredo, continuou aumentando e finalmente chegou a um ponto em que os vizinhos tomaram conhecimento. James Johnston, um amigo da família e sua esposa decidiram passar uma noite na casa dos Bell e lá testemunharam os fenômenos apavorantes que vinham incidindo sobre a Família há semanas. Cobertores eram puxados, velas apagavam sem qualquer vento, rosnados eram ouvidos, bem como o ruído de alguma coisa grande andando no telhado ou atrás das paredes. 

Johnston, um homem religioso temente a Deus, apanhou um crucifixo e gritou para a coisa invisível: "Em nome de Nosso Senhor, vá embora! Deixe essas pessoas em paz". Ele sentiu então um tapa violento na face que o jogou no chão. Depois disso, ao menos a coisa parece ter se retirado e o restante da noite passou em relativa tranquilidade.

Mas a assombração sempre retornava. Uma voz parecia surgir em meio aos ruídos e ela começou a ficar cada vez mais discernível. A coisa realmente cantava hinos religiosos, citava as escrituras sagradas, conversava sozinha, repetia as palavras das pessoas com escárnio e xingava. As pessoas que ouviam a voz sentiam um desconforto incontrolável, um medo as dominava, como se aquele ruído os afetasse fisicamente.

Os rumores a respeito desse fenômeno sobrenatural começaram a se espalhar entre as cidades e vilarejos vizinhos, chegando até Nashville, onde o então Major do Exército Andrew Jackson demonstrou grande interesse pelo assunto.

Três dos filhos mais velhos de Bell lutaram sob o comando de Jackson na Batalha de Nova Orleans. Em 1819, Jackson resolveu visitar a fazenda da Família atraído pelas histórias que chegaram até ele. O grupo do Major era formado por vários oficiais e pessoas influentes da sociedade local. O grupo se dirigiu para a propriedade em carruagens, mas quando estas se aproximavam, repentinamente os animais estacaram. Os cavalos não avançavam um centímetro sequer.    


Após muitas tentativas de acalmar os cavalos e puxá-los pelos arreios, Jackson disse: "Nunca vi nada parecido! Deve ser por conta da Bruxa de Bell". Então Jackson disse ter ouvido uma voz feminina sussurrar em seu ouvido que ele poderia seguir em frente. De maneira muito estranha, os cavalos se acalmaram e a carruagem conseguiu seguir em frente e entrar na propriedade. 

A Família recebeu o Major Jackson para o almoço e depois o patriarca se retirou com seus convidados para a sala onde conversaram vários assuntos. Por fim, a história se dirigiu para os acontecimentos sobrenaturais. Um dos homens que acompanhava a comitiva disse ser uma espécie de "domador de bruxas", uma pessoa com experiência em situações inexplicáveis. Jackson pediu autorização do dono da casa para que o homem realizasse uma tentativa de expulsar o mal que existia na casa. Bell concordou com a proposta.

O homem, um dos oficiais  serviço do Major produziu uma pistola brilhante e proclamou que a arma havia sido municiada com balas de prata abençoadas que matariam o espírito se este se manifestasse. O homem também afirmou que o espírito estava tranquilo e não agia desde a chegada deles a propriedade, simplesmente por "temer" a arma letal.

Imediatamente o homem soltou um grito e seu corpo começou a ser sacudido de um lado para o outro por um força invisível. Uma marca grande de mordida surgiu na sua barriga, assim como a forma de um pé nas suas costas, onde ele se queixou d elevar um chute. Furiosa, a entidade se manifestou com murmúrios e xingamentos que aterrorizaram todos os presentes. Ela foi ouvida perfeitamente através de palavras que não pareciam vir de lugar nenhum.

Os homens de Jackson começaram a deixar o lugar, alguns profundamente assustados com o ocorrido. Mas o Major insistiu que deveria ficar e esperar pelo que aconteceria a seguir. Os homens começaram a montar um acampamento na frente da casa, enquanto Jackson e Bell entraram na casa para discutir alguma coisa. Ninguém sabe o que houve então, mas os comandados de Jackson disseram que o Major saiu da casa e ordenou que o acampamento fosse desfeito e que eles se pusessem a caminho de Nashville o quanto antes. Os homens prontamente obedeceram.

Andrew Jackson evitou comentar o ocorrido na fazenda e jamais disse o que transcorreu para que ele decidisse deixar o lugar às pressas contrariando seus planos iniciais. Tudo o que se sabe é que ele teria dito ao se despedir da família:

"Desejo à vocês a melhor das sortes e que Deus interceda por vocês. Estarei rezando por todos".

A assombração continuou atacando a Casa dos Bell nos meses que se seguira, mas com o passar do tempo, os casos foram se tornando mais esparsos. Finalmente Betsy, passou a ser cortejada por Joshua Gardner, um jovem rapaz que vivia nas proximidades. Com a benção de seus parentes, o casal pretendia se casar. Todos estavam felizes com o enlace matrimonial, ou quase... Por razões desconhecidas, a entidade, começou uma campanha para que Betsy não casasse com Joshua Gardner.


Sempre que Gardner ia até a propriedade dos Bell para visitar sua noiva, algo inusitado acontecia. Em uma ocasião um grito de gelar o sangue se fez ouvir quando ele colocou os pés na casa. Em outra, o rapaz sentiu um empurrão e foi atirado para a frente caindo no chão da sala. As perturbações pareciam ser mais frequentes quando Joshua estava próximo e isso se tornou um desafio ao relacionamento. Na Páscoa de 1821, o casal decidiu caminhar pelo campo, e quando retornaram à propriedade descobriram que um galpão havia se incendiado sem razão aparente. Assustado com a perspectiva de viver na casa, o rapaz decidiu romper o noivado.

Nas semanas seguintes, a assombração se acalmou. Mas pouco depois ela voltou a atacar com força total. John Bell foi a vítima dessa vez, sendo mordido na face. Depois disso ele passou a se queixar de não conseguir engolir comida sólida e de sentir a garganta se fechando. No outono de 1820, seu estado de saúde já estava debilitado e ele se viu obrigado a ficar de cama. Em uma noite, o fantasma se aproximou e sussurrou em seu ouvido: "Velho Jack Bell", você estará morto antes do ano novo.

John Bell respirou seu último suspiro em 20 de dezembro de 1820, depois de cair em um estado de coma um dia antes. Pouco depois de sua morte, um de seus filhos descobriu um pequeno frasco de vidro contendo uma substância desconhecida. O filho mais velho, colocou uma gota no dedo e forçou o gato da família a experimentar. O animal morreu imediatamente.

Naquela mesma madrugada, enquanto o funeral do patriarca dos Bell era realizado, uma voz sussurrante teria dito em um tom sarcástico: "Jack Bell agora está aqui comigo! Ele ficará comigo para sempre! Ele manda lembranças para seus filhos e chora pelo seu destino".

O frasco foi destruído na lareira da casa, e a família que viu a cena, disse que quando o frasco foi atirado no fogo produziu um clarão e depois uma fumaça azulada que subiu pela chaminé iluminando a noite.   


O enterro de John Bell foi um dos maiores do Condado de Robertson. Família e amigos o conduziram até o cemitério. No trajeto, a carruagem que carregava o caixão perdeu o controle e correu livremente atropelando cinco pessoas que se machucaram. Na casa, exatamente no mesmo momento, criados disseram ter ouvido uma risada medonha. Ainda, durante o enterro, em dado momento fez-se um silêncio e então o ministro afirmou ter sentido um mau estar súbito que o obrigou a fazer uma pausa para não desmaiar.

Com a morte de John Bell, os ataques da entidade maligna se tornaram menos frequentes. Ao que parece, o alvo principal era o patriarca e com sua morte ela deixou a família descansar um pouco. Até mesmo a lápide de Bell no cemitério local amanheceu certo dia quebrada de lado a lado.

Em abril de 1821, a entidade visitou a viúva de John Bell, Lucy, e disse que voltaria dentro de sete anos. A assombração então desapareceu, voltando em 1828. como prometido. A maior parte de suas visitas se concentravam então em John Bell Jr, o filho mais velho que sucedeu ao pai na administração dos negócios da fazenda. A coisa teria dito, certa noite que uma Guerra muito sangrenta estava se aproximando e que muitos dos filhos de John Bell morreriam antes do final desse conflito. A Guerra Civil americana aconteceria poucos anos depois conforme previsto e alguns filhos de Bell realmente morreriam em decorrência da luta entre a União e Confederados.

A entidade desapareceu, prometendo que retornaria a visitar os descendentes dos Bell depois de 107 anos. O ano seria 1935, e o membro mais próximo era o Dr. Charles Bailey Bell que vivia em Nashville. A família havia se mudado para a cidade e a fazenda foi vendida na virada do século XX. O Dr. Bell, por sinal era um conhecedor da lenda de sua família e chegou a escrever um livro a respeito do ocorrido, que foi publicado em 1934. Ele faleceu em 1945.

A Misteriosa Entidade atormentou a Família Bell por quase 200 anos. Ela foi culpada por vários acontecimentos estranhos na propriedade, mesmo depois que ela passou dos Bell para outros proprietários que arrendaram o terreno e colocaram a fazenda abaixo. Ruídos guturais, sussurros, hinos religiosos e luzes bizarras eram algo que acontecia no lugar com frequência alarmante.

Em uma ocasião, um trabalhador da fazenda teria ouvido uma pessoa chamando para dentro do milharal. Ao entrar, o homem simplesmente desapareceu e nunca foi encontrado. Tratores e máquinas usadas para a colheita décadas mais tarde teimavam em falhar e se desligar como que por encanto. Fotografias tiradas nos arredores da fazenda também resultam muitas vezes em imagens desfocadas, algumas fotos aparecem com estranhas bolas luminosas, nevoeiro e figuras estranhas que não estavam lá quando as fotos foram tiradas. Além disso, em pelo menos cinco ocasiões, silos de estocagem de grãos e depósitos se incendiaram sem qualquer explicação. 


Há uma longa e dramática lista de ocorrências inexplicáveis na Fazenda, fenômenos registrados desde os anos 1900 através de fotos, filmagens e captação de som. O que causa essa manifestação sobrenatural permanece desconhecido, mas não faltam testemunhas para mencionar algo horrível e estranho ocorrendo nos arredores da propriedade rural. O mistério permanece depois de 200 anos. 

Muitas teorias tentam explicar as razões para essa maldição. Alguns acreditam que a bizarra criatura vista por Bell no milharal era uma espécie de animal familiar de uma bruxa que habitava a região e que ao alvejar o animal que se arrastou para o milharal para morrer, Bell acabou ferindo mortalmente também a feiticeira - já que esses animais tem ligação com seus mestres. O fantasma da feiticeira então teria prometido atormentar a Família Bell como vingança.

Outra teoria afirma que uma bruxa realmente vivia nas proximidades da Fazenda dos Bell e que ela teria sido advertida a deixar o lugar pelo novo dono. A bruxa teria usado uma forma não-humana para espionar seus novos vizinhos. Foi quando o tiro disparo por Bell a feriu e terminou por matá-la. Do além túmulo, a feiticeira lançou uma maldição prometendo continuar a atormentar os Bell para todo o sempre.

Uma outra explicação dá conta de que uma das principais vítimas da "bruxa" poderia ser também a responsável pelos incidentes. Há um ramo da Parapsicologia que afirma serem os alegados fantasmas e assombrações, uma energia psíquica desencadeada por pessoas especialmente sensitivas. Nesse caso, Elizabeth Bell poderia ser a causadora das manifestações, externando sem querer, suas aflições e medos através de poderes psíquicos que ela sequer sabia ter. Uma vez que muitos dos incidentes aconteciam enquanto ela estava próxima, Betsy poderia ter algum envolvimento direto no ocorrido sem jamais ter sabido.


A maioria das pessoas que escreveu a respeito da Bruxa de Bell disse que a Propriedade enquanto existiu, causava uma sensação inquietante de medo e desconforto. Muitos simplesmente desmaiavam ao passar diante do portão ou sentiam as energias malignas da Bruxa à distância. A casa foi destruída em 1901 e nada restou da fazenda. 

Hoje o lugar é uma propriedade rural, usada para a agricultura. Os únicos que vivem lá são os zeladores, responsáveis por vigiar silos e máquinas.

A Maldição da Bruxa de Bell entrou para os anais da história americana como um dos incidentes paranormais mais documentados e comentados de todos os tempos. Para muitos, ele é a prova de que quando o mundo sobrenatural decide incidir sobre o Mundo Material, consequências terríveis podem ser desencadeadas.

Em tempo: As imagens desse artigo foram feitas no século XIX e publicadas em jornais e semanários que cobriram os incidentes na Fazenda Bell. Algumas delas são especialmente sinistras e soturnas, deixando claro como o tema era, ao mesmo tempo, fascinante e aterrorizante.

sábado, 18 de agosto de 2018

TOP 5: Os Nomes mais impronunciáveis dos Mythos


Em geral as criaturas do Mythos de Cthulhu atendem por nomes que mais parecem uma miscelânea de letras misturadas.

Esses nomes incrivelmente estranhos e humanamente impronunciáveis foram criados propositalmente dessa forma. A idéia é que são nomes surgidos entre entidades alienígenas, portanto, nada mais natural que seres humanos tenham dificuldade em proncunciá-los corretamente.

Uma das piadas mais legais da sátira "Calls for Cthulhu" é quando alguém pergunta a ele qual a pronúncia correta do seu nome.

Cthulhu pára, pensa por um instante e responde: "Filho, sua boca tem pelo menos 1,80 de largura ou você possui 12 linguas bífidas?"

O sujeito é claro, responde "não".

"Então desista! Vocês humanos não são anatomicamente capazes de pronunciar meu nome corretamente".

Mas Cthulhu está longe de ser o nome mais complicado do Universo dos Mythos. Eis aqui uma coleção de cinco nomes de criaturas retiradas da Cthulhu Mythos Encyclopedia. Em ordem de complexidade (ou nó na língua) aqui vai:

Quinto Lugar:


A pronúncia deve ser algo como "KZA-zu-kluf".


Trata-se de uma cria andrógina de Azathoth que por sua vez é avô de Tsathoggua. Ele e seus filhos vagaram por Yuggoth, por milênios até que uma mudança no eixo planetário obrigou (lá vamos nós de novo) CXAXUKLUTH a canibalizar suas próprias crias. 

Posteriormente Ele abandnou Yuggoth permitindo assim o desenvolvimento da civilização dos Mi-Go. Essa criatura é temido e reverenciado pelos Fungos de Yuggoth que devem saber como pronunciar seu nome com propriedade.

Quarto Lugar:

Esse é difícil... um nome com não apenas um, mas dois apóstrofes e um hífem, nãopode ser boa coisa. Mas vou tentar uma pronunciação: "PTA-ti-ia-li"

A quem interessar possa, esse nome se refere a uma fêmea Deep One com trezentos mil anos de idade. Ela vivia na cidade submersa de Y'ha-nthlei na costa da Nova Inglaterra e foi consorte de Dagon, com quem gerou toda uma geração de Deep-Ones.

Onde andava Hydra (a esposa de Dagon) nessa época eu não sei...

Terceiro Lugar:

Acho que seria algo como "sis-til-ZEN-gui".

Conhecido como o senhor dos insetos e das pragas, esse Grande Antigo habita o planeta Urano onde permanece aprisionado. Felizmente trata-se de uma entidade obscura... talvez tenha a ver com o fato de que ninguém sabe pronunciar seu nome.

Segundo Lugar:

Vou chutar que deve ser algo como "Ic-nag-ni-ss"



Não, não foi erro de digitação. O nome é composto de três "S" seguidos. São 12 letras, sendo apenas duas vogais.

Essa criatura pertence a outro universo e surgiu em nossa realidade através de um buraco negro nas proximidades da estrela de Zoth. Pouco se sabe a respeito além do fato dele estar de alguma forma ligado a família de (adivinha quem?) Tsathoggua.

Primeiro Lugar:

Esse é o infeliz que vai para o trono! Eu só posso cogitar que o nome seja algo como "Hi-ziu-cuo-igman-za".

Se é isso mesmo não me pergunte,. Possivelmente nem o responsável pela criação desse nome sabe a pronúncia correta.

Esse Grande Antigo também habitou Yuggoth por algum tempo, até partir rumo ao planeta Yaksh onde se converteu na entidade reverenciada pelos nativos daquele mundo. Ele estaria dormindo em uma ilha sagrada num dos mares desse planeta.

Depois disso, Cthulhu parece um nome fácil, não?

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Palavras Terríveis - Idiomas de Raças Não-Humanas e outros horrores


Dando sequência ao artigo a respeito de idiomas ancestrais da humanidade, dessa vez com uma lista de idiomas que não apenas são extremamente antigos, mas que são, por definição, NÃO-HUMANOS.

ESCRITA DOS SERES ANCESTRAIS



Essa escrita foi encontrada nas montanhas escarpadas da Antártida, na cordilheira descoberta em 1931 pela Expedição da Universidade Miskatonic e nomeada com o mesmo nome. Os primeiros artefatos encontrados contendo estes hieroglifos complexos foram placas de rocha vulcânica, cuidadosamente entalhadas de ambos os lados. Posteriormente, os mesmos caracteres começaram a ser encontrados em estruturas que denotavam arquitetura incomum: muros, fachadas e calçamento de pedra.

A princípio, mesmo os arqueólogos da Expedição tiveram dificuldade em categorizar os estranhos glifos como uma forma de escrita, contudo a medida que mais e mais deles apareciam, resgatados das profundezas geladas de cavernas seladas há eras, se tornou claro que se tratava de uma espécie de linguagem extremamente complexa, dissociada de qualquer tipo usado pela raça humana.

Embora uma infinidade de artefatos contendo a estranha escrita tenham sido resgatados das profundezas, e outros tantos fotografados quando o que parecia ser uma "cidadela" foi explorada, a comunidade científica ainda reserva dúvidas a respeito desse idioma. Curiosamente, alguns objetos de pedra igualmente antigos também possuíam inscrições semelhantes, sendo que estes foram descobertos em localidades improváveis como na Patagônia Argentina, na Irlanda do Norte, Suécia e Nova Zelândia. Os itens mais estranhos a trazer estas inscrições teriam sido encontrados na cidade de Arkham, na Nova Inglaterra, durante o Período Colonial. Os itens em questão eram uma estatueta de aspecto incomum, uma adaga curva e uma bacia feita de metal todos encontrados na lendária "Casa da Bruxa" na parte mais antiga da cidade. Todos esses objetos, coincidentemente reunidos no Museu da Universidade Miskatonic, possuíam inscrições similares às encontradas pela expedição séculos depois. É possível que os caracteres, que a princípio poderiam ser considerados como resultado do acaso, produzido pela erosão da rocha, apenas foram reconhecidos depois que acadêmicos que tiveram acesso aos itens reconheceram as semelhanças. Como esse peculiar tipo de escrita apareceu em localidades tão distintas ainda desafia explicações.

Entre os teóricos dos Mythos de Cthulhu, não resta dúvida de que essa escrita, marcada por múltiplos pontos arredondados e traços alongados, dispostos em um radiano pertencem aos obscuros Seres Ancestrais (Elder Things). Essa espécie, considerada por muitos como a primeira raça inteligente a habitar a Terra, construiu imensas cidades em Terra, principalmente no que hoje conhecemos como Antártida. Há dúvidas a respeito da origem de tais seres, mas tudo indica que eles não eram aborígenes da Terra. Suas magníficas cidades caíram em decadência depois de ataques frequentes de invasores vindos das estrelas, entre os quais a espécie dos Xothianos, que descendem do Grande Cthulhu em pessoa. Após uma revolta de seus temíveis servos, os Shoggoth, os Seres Ancestrais migraram para os abismos profundos dos mares.

A complexa escrita dos seres ancestrais é extremamente complexa de ser assimilada por seres humanos visto que nossa espécie não está "equipada" com os apêndices necessários para produzir os sons que constituem seu idioma. A posição de cada ponto dentro do radiano significa um tom de sopro que em conjunto formam a linguagem corrente dessas criaturas. O Necronomicon explica o funcionamento básico do idioma e permite compreender alguns dos símbolos e seu significado factual, ainda assim decifrar trechos da escrita desses seres é tarefa quase impossível, exceto para os mais gabaritados linguistas. 

Trechos do idioma estão presentes como notas de rodapé do Vermiis Mysteris, em sua versão original em latim datada de 1542. Por ter sido considerado uma falha tipográfica o trecho composto de pontos e linhas foi removido das traduções seguintes. Dada a antiguidade desse idioma, sua raridade e a impossibilidade dele ser compartilhado, não é de se estranhar que não haja intérpretes vivos dele. Os últimos de que se tem conhecimento, capazes de compreender essa escrita foram supostamente a bruxa Keziah Mason, o feiticeiro de Flandres Ludwig Prinn e o iemenita Abdul Al-Hazred, um trio de ilustres estudiosos dos Mythos.

ESCRITA MI-GO



Não existe um vocabulário humano correlato para a obtusa escrita empregada pelos Fungos de Yuggoth. Os Mi-Go possuem uma mente racional, de fria lógica e absolutamente analítica, Não causa estranheza, portanto. que sua escrita siga como exemplo esses ditames ao transmitir seu conhecimento. A escrita dos Mi-Go inclui o que poderia ser compreendido como uma série de teoremas matemáticos, expressões de cálculo avançado e arrazoados de toda a natureza que carecem do escrutínio de um talentoso matemático para fazer algum sentido.

Os "livros" dos Mi-Go também são diferentes de tudo o que a raça humana já concebeu em matéria de escrita. Escritos em páginas na forma de pentágonos decorados com caracteres intrincados, cada série de 11 "páginas" é encadernada em um bastão cristalino. Posicionando cada página em uma determinada configuração resulta em fórmulas e expressões tridimensionais que são então interpretadas pelas mentes analíticas dos Mi-Go. Cada trecho, por menor que seja, carece de cálculos e verificações, sendo que o menor erro resulta em uma quebra em todo padrão. Através deste método, textos bastante exíguos podem conter milhares de informações.

Acredita-se que os Mi-Go possuam imensas bibliotecas que reúnem seu conhecimento adquirido ao longo das eras. Infelizmente estas são restritas aos seus mundos de origem e principais bases. Os zelosos seres fungos são conhecidos por manter seu conhecimento apenas para si e raramente compartilham qualquer traço de informação com outras raças. Isso explica porque é extremamente difícil encontrar na Terra amostras de seus "livros" de aspecto alienígena. Talvez os únicos exemplares descobertos até hoje sejam os misteriosos Códices Maias descobertos na América Central e que ainda hoje não foram decifrados. Uma porção do célebre Códice Grolier, encontrado em 1965 em uma Caverna no México é supostamente o mais completo Livro Mi-Go existente em nosso planeta.

Não há muitas pessoas capazes de decifrar a escrita dos Mi-Go e portanto são incrivelmente raros aqueles capazes de compreender seus textos. Há boatos de que em 1958, o Governo Norte-Americano realizou um esforço envolvendo vários gênios matemáticos para tentar decifrar certos trechos encontrados enterrados em uma missão no Novo México. O trecho parcialmente compreendido, decifrado por computadores rudimentares desenvolvidos pela IBM, teria sido identificado como uma Elegia a Entidade Exterior, Shub-Niggurath.

No que tange aos Tomos com conhecimento esotérico, o Necronomicon e o Fragmentos Pnakoticos são os únicos livros que falam a respeito dessa escrita. Há rumores de que nas páginas do Fragmentos de Celaeno, escrito por Laban Shrewsbury, haveria uma equação oculta capaz de decifrar a base do idioma Mi-Go e fazer com que ela fosse compreendida. Uma vez que esse livro existe apenas nas Câmaras mais profundas da celestial Biblioteca de Celaeno, checar a veracidade dessa informação parece pouco provável.

GLIFOS DE R'LYEH


Uma das linguagens alienígenas mais "comuns" encontradas em nosso paneta, os crípticos Glifos de 
R´Lyeh são bem mais antigos do que as paredes da cidadela negra habitada pelo Hibernante Cthulhu. Os estudiosos dos Mythos acreditam que ela foi trazida por Cthulhu e suas Crias estelares quando estas desceram das estrelas e adotaram a Terra em um passado Pré-Histórico como sua nova residência. 

Os Seres que compõem a Raça Xothiana, na qual Cthulhu está inserido, incluem ainda Ghatanathoa, Bugg-Shash, Dagon, Hydra e muitas outras abominações que teriam vindo para a Terra durante a migração transdimensional de Cthulhu e seu séquito. Diferente de outras deidades cósmicas, os Glifos de Cthulhu foram compartilhados com os primeiros humanos e formaram a base para que estes venerassem tais seres como deuses. Não é raro encontrar altares e monólitos de pedra cobertos com estes símbolos nos locais escolhidos pelos cultos para venerar Cthulhu. De fato, muitas estatuetas apresentam as mesmas inscrições recobrindo a superfície dos pedestais onde elas se encontram equilibradas.

Os glifos de Cthulhu raramente aparecem em outras fontes além de pedras cuidadosamente talhadas. As famosas pedras esverdeadas que possuem uma coloração doentia e limosa encontradas em templos são muito utilizadas pelos cultistas como tábula para seus "textos sagrados". Da mesma forma, as paredes e pilastras da macabra cidade de R'Lyeh, são, supostamente recobertas pelos mesmos símbolos que dão testemunho de toda a história do Grande Cthulhu. 

Altos Sacerdotes, gurus e lamas devotados ao serviço religioso do Grande Cthulhu aprendem a interpretar os Glifos de R'Lyeh e entender seu significado, mas apenas uma casta especial de cultistas tem a permissão de talhar as pedras e reproduzir os símbolos. Talvez isso explique por que embora muito difundida, existam relativamente poucas amostras da escrita. Um exemplo clássico de objeto contendo os glifos é a estranha estatueta em baixo-relevo recuperada pela polícia de Nova Orleans que se encontrava em poder de um Culto degenerado nos pântanos da Louisiana. Os glifos presentes nessa estatueta foram decifrados pelo falecido Professor George Gammel Angell em meados de 1926-27.

Se os Glifos de R'Lyeh são bastante difundidos entre as congregações de cultistas em diferentes partes do mundo (da Groenlândia à Africa Ocidental, do Oriente Médio ao Pacífico Sul), o mesmo não se pode dizer da linguagem. As expressões e a fala dos Xothianos é absolutamente alienígena e dificilmente poderia ser reproduzida pelos seres humanos. Boa parte das expressões usadas pelos cultistas provavelmente são interpretações livres dos termos. Mesmo a famosa expressão "Iä! Iä! Cthulhu Fhtagn" não passa disso, uma interpretação.

Algumas formas de escrita peculiares como o misterioso rongo rongo da Ilha de Páscoa, podem ter surgido a partir de adaptações das Runas de R'Lyeh. Outros povos como os habitantes de Ponape e da Polinésia possuem escrita que decorre destes mesmos caracteres alienígenas. É curioso, mas raramente as raças submarinas fazem uso desses glifos e preferem adotar sua própria forma de escrita. É possível que para os Abissais, estes símbolos sejam considerados tabu, e por isso eles preferem usar dialetos derivados do Aklo.

Os Glifos de R'Lyeh podem ser encontrados em vários Tomos dos Mythos. O Chaat Aquadingen possui um capítulo que discute a linguagem e significado das Runas, servindo como uma espécie de "gramática" para os que desejam aprender o básico a respeito da escrita. Da mesma forma a versão Muviana das Escrituras de Ponape possui um capítulo inteiro escrito em Glifos de R'Lyeh e a chave para aprender o básico a respeito dela. O Manuscrito Hoag, escrito no século XVIII possui também um post scriptum com traduções bastante elucidativas. Parte do Texto de R'Lyeh também tem trechos inteiros com as Runas de mesmo nome, e é um dos pré-requisitos conhecer o mínimo do idioma para entender seu conteúdo. Finalmente os Tabletes de Zanthu dispõem de fartos trechos em que as runas figuram de modo proeminente.

CURSIVO YITHIANO 



Conhecida como a Grande Raça, os Yithianos talvez sejam, dentre as muitas espécies não-humanas que um dia habitaram a Terra, aquela que tinha maior cuidado em coletar e preservar seu conhecimento. Considerados como os grandes historiadores e acadêmicos do Cosmos, os Yithianos conquistaram o título de "Grande Raça" graças a sua capacidade de empreender viagens através do tempo. Uma vez nessas jornadas pelo curso do tempo, os Yithianos reúnem seu conhecimento adquirido e os transferem para suas incríveis bibliotecas.

Os "livros" Yithianos são enormes tomos com páginas membranosas extremamente finas encadernadas com uma placa de metal. Sua escrita, chamada comumente de Cursivo Yithiano, tem a  forma de símbolos curvilíneos escritos da esquerda para a direita em linhas dispostas ao longo da página. Assim como ocorre em outras raças do Mythos, é virtualmente impossível reproduzir verbalmente os sons produzidos pelos Yithianos já que a sua comunicação depende de um ruído produzido pela ação de arranhar a superfície de seu corpo cônico. Diferentes ruídos e intensidade fornecem o significado fonético que apenas outros membros da raça conseguem decifrar.

É possível, entretanto, reconhecer os padrões dos glifos em Yithiano e fazer uma interpretação da linguagem. Ao longo das eras, artefatos cobertos com esses símbolos foram descobertos e interpretados por linguistas. Curiosamente, indivíduos que tiveram a mente cooptada pela Grande Raça e habitaram seus corpos no passado distante demonstraram capacidade de compreender o Cursivo Yithiano com suficiente tempo e dedicação. 

Foram encontrados resquícios da escrita em diferentes cantos do mundo: Egito, Palestina, Austrália, América do Sul e Sibéria apenas para elencar alguns. Muitos estudiosos respeitados consideram a existência desse idioma comum em rincões diferentes do planeta uma grande farsa. É possível que essa presunção tenha sido orquestrada por agentes à serviço dos Yithianos para que sua existência permaneça oculta. 

Os Fragmentos de Celaeno contém um longo trecho com uma interpretação da escrita Yithiana uma vez que muitos dos tomos existentes na Biblioteca Cósmica são parte do acervo desses seres. O autor desse livro, Laban Shrewsbury, teria aprendido a ler o idioma em sua versão original. É possível entretanto que ele tenha sido um agente Yithiano em algum momento de sua vida. A maior fonte do idioma, contudo são os Fragmentos Pnakóticos, uma coleção de documentos que decorrem de um mesmo trabalho, a Pnakotika, uma obra em grego clássico que mistura a linguagem dos Seres Ancestrais e dos Yithianos. Alguns estudiosos consideram o Pnakótika uma obra quase tão abrangente quanto o célebre Necronomicon.

SÍMBOLOS DO SUBTERRÂNEO (GHOUL)



Os Símbolos das Profundezas não são exatamente uma linguagem propriamente dita, e por isso, por muito tempo eles ficaram relegados a um segundo escalão dentre os idiomas dos Mythos de Cthulhu. Entretanto, é inegável que os Símbolos as Profundezas tem a sua importância. 

Eles são encontrados em todo mundo: em Cavernas Naturais no Benin, até passagens subterrâneas em Londres, em necrópoles abandonadas em Bagdá até túneis de metrô em São Paulo. Trata-se de uma estranha escrita, talvez mais um código simbólico usado pelos habitantes do subterrâneo para marcar as paredes de seus covis insalubres. Segundo teóricos, foram os Ghouls, o povo carniçal que se farta com os repastos da tumba, os responsáveis por sua criação, como uma forma de comunicação não verbal. Tais símbolos são uma incoerente coleção de riscos e rabiscos usados para estabelecer o domínio sobre uma determinada região, alertar sobre perigos, apontar um lugar seguro, onde é possível se aproximar em paz e onde existe disputa com outros horrores inomináveis.

Colônias de ghouls deixam esses rastros que são facilmente interpretados pelos ghouls ou mesmo por aqueles que tem o potencial de se transformar, por intermédio de uma dieta antropófaga, em tais criaturas. É possível que Ghouls guardem uma espécie de memória genética a respeito desses símbolos, o que explicaria como alguns indivíduos são capazes de compreender o que eles pretendem transmitir, mesmo sem jamais tê-los visto. Outra possibilidade é que essa compreensão venha através de visitas à Terra dos Sonhos, onde tal conhecimento é passado para os neófitos na transição para a bestialidade.

O estilo da linguagem guarda semelhança com os "Hobo Signs" uma linguagem própria usada por vagabundos para comunicar aos seus companheiros de estrada informações úteis. É possível que os sinais dos vagabundos tenham sido de alguma forma adaptados a partir dos Símbolos das Profundezas, já que estes são muito mais antigos. Presume-se que estes símbolos chegaram a Terra trazidos por Ghouls que habitavam os recessos da Terra dos Sonhos e que foram assimilados por grandes colônias e então compartilhados com carniçais mundo à fora.

Algumas obras dentro dos Mythos tratam desse idioma simbólico e se referem a ele com nomes variados como "Língua da Escuridão", "Dialeto do Porão" e "O Idioma dos Túneis". Embora existam algumas variações, os símbolos das Profundezas em geral podem ser compreendidos por todos os Ghouls. 

O medonho Cultes des Goules é o tomo definitivo para aqueles que desejam aprender o significado dos símbolos. Francois Honore-Balfour foi o responsável por catalogar cerca de 400 glifos e o seu significado, a maioria deles encontrados em cemitérios, em especial nas Catacumbas abaixo da Cidade de Paris. Especula-se que algumas edições deste livro, provavelmente a edição francesa original, possuía um apêndice com os símbolos e sua tradução. Edições posteriores tiveram esse trecho censurado.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A Dama das Dunas - Assassinato brutal e uma investigação ainda aberta


A "Dama das Dunas" estava nua e em decomposição - sua cabeça quase decapitada, um dos pulsos cortados, a mão amputada, quando seu cadáver foi descoberto em Julho de 1974 em um aglomerado de árvores perto da Praia de Race Point em Provincetown, Massachusetts.

Ela estava deitada de bruços em uma toalha de praia verde. Uma bandana azulada havia sido colocada em sua cabeça, tampado um horrível ferimento que afundou seu crânio. Uma calça e macacão jeans foram dobrados e dispostos como um travesseiro.

Na extremidade de cada braço, onde as mãos deveriam estar haviam pilhas de sementes de pinheiro.

A despeito de seu estado lamentável, seja la quem a matou, preparou um ambiente sereno e tranquilo. Quem a visse de longe acharia que ela estava dormindo em paz. Nao se pode determinar ao certo se ela havia sofrido violencia sexual, ou nao.

O local onde ela foi deixada, ficava a apenas alguns metros de uma trilha usada por pessoas que se dirigiam para a praia. Havia rastro de sangue, mas as autoridades sustentavam que ela tivesse sido morta em outra localidade e levada para lá, alguns dias antes, ou mesmo semanas.

O local onde o corpo foi encontrado

"Ela foi colocada naquela posição encenada", recordou Warren Tobias, policial do Departamento de Provincetown. "Ela estava deitada na toalha como se estivesse se bronzeando". Sua pele ficou queimada e escurecida pela exposição, com grandes feridas e cascas. Insetos haviam sido atraídos pelo cheiro, moscas e outros animais rasteiros que ali proliferaram. O corpo foi muito deteriorado.

Na falta de verdadeira identidade, ela passou a ser chamada de Dama das Dunas um apelido decorrente do local onde foi achada. Mesmo com exames de DNA, seu nome e o assassino jamais foram confirmados.

"Após 44 anos, nos ainda não sabemos quem era ela", explicou Tobias, que esteve envolvido com o caso ao longo de decadas: primeiro como recruta, depois detetive e mais recentemente como civil.

A morte da mulher permanece como um mistério - e um imã para incontáveis teorias sobre quem seria o responsável. Alguns especuladores afirmam que o crime pode ter sido encomendado pelo famoso gângster James "Whitey" Bulger, envolvido em vários crimes e com um modus operandi semelhante. White tentava evitar a identificação de suas vítimas  a todo custo. Há aqueles que suspeitam de Tony Costa um assassino em série que atacou na região de South Boston e que abandonava suas vítimas em cenas cuidadosamente encenadas. Entretanto ao tempo em qie provavelmente ocorreu o crime, Costa ja estava detido.

O caso voltou a despertar a atenção  do publico recentemente graças ao envolvimento do escritor Joe Hill, filho do famoso novelista Stephen King.

A hipótese de Hill a respeito do crime, que foi citada pela primeira vez em seu blog no mês de agosto de 2015, ganhou os jornais em face de comentários em um podcast dedicado ao filme Tubarão de Steven Spielberg de 1975.

Sua teoria? Antes de encontrar seu assassino, a Dama das Dunas pode ter participado do filme como figurante. A producao foi rodada em Martha's Vineyard, próximo do local onde o corpo foi descoberto. O filme envolveu a contratação de muitas pessoas para compor as cenas.

Hill chamou a atenção especificamente para um momento a cerca de 54 minutos e 2 segundos do início do filme, nas cenas que se passam no feriado de Quatro de Julho, quando uma moça jovem vestindo jeans e uma bandana azul pode ser vista no fundo. A moça guarda realmente uma notável semelhança com o retrato falado feito por artistas forenses que examinaram o corpo.


Ele ponderou que, "a jovem vítima poderia estar bem aparente em um filme clássico e ninguém jamais percebeu".

"E se,", ele escreveu em 2015, "a imagem pertencesse ao fantasma da Dama das Dunas que assombrava a filmagem, quase como se pedisse socorro"?

Nesse mesmo artigo, Hill também cogita que muitas pessoas, em especial mulheres jovens foram atraídas para a região durante a produção do filme, para participar dele. O filme usou muitos extras, sobretudo nas cenas se passando na praia e basicamente qualquer um interessado em participar bastava aparecer no set para ser aceito. Talvez por conta disso, ela não tenha sido reconhecida e nenhum desaparecimento de uma moça semelhante foi comunicado na área.

Não seria de estranhar uma moça que tivesse vindo participar das filmagen, aproveitasse alguns dias a mais explorando o Cabo na época de férias.

Em seu blog, Hill disse ter entrado em contato com um agente do FBI a respeito de suas suposições. Em resposta este disse que a teoria poderia ser interessante, sobretudo porque filmes guardam a relação detalhada com o nomedetodos que participam da produção, e se a Dama das Dunas esteve presente como extra, seu nome estaria em alguma lista.

Além disso, "ideias mais estranhas já ajudaram a resolver casos misteriosos", refletiu o agente.

"Meu trabalho e escrever livros de misterio", disse Hill, "esse exercício de imaginar diferentes cenários e possibilidades ajuda a pensar no que poderia ter acontecido e talvez até

Joe Hill

Falando com jornalistas, o investigador chefe da Polícia de Provincetown, Detetive Meredith Lobur, declinou de dar detalhes sobre seu procedimento. "Qualquer coisa que ajude a promover um caso e gera interesse, é bom".

O Detetive Labor disse também que a Polícia está seguiando qualquer teoria capaz de elucidar o caso e fornecer alguma informação adicional.

Hill concorda: "existem pessoas que trabalharam no filme e que podem lembrar de algum detalhe. Que talvez se recordem de uma moça de banda na azul presente nas filmagens de Tubarão.

"Duas coisas atípicas aconteceram em Cape Cód no verão de 1974", -ele explicou. "A primeira foi a filmagem de um filme enorme que atraiu a atenção de inúmeras pessoas que vieram acompanhar a produção. A segunda a descoberta de uma mulher assassinada nos arredores de Provincetown, uma cidade extremamente tranquila. É possível que as duas coisas estejam de alguma forma relacionadas".

O caso deixou investigadores perplexos por décadas, desde que o cadáver foi descoberto por uma garota passeando com seu cão, O assassino tentou ocultar sua identidade de todas as maneiras, por isso errou suas mãos e arrancou vários dentes com um alicate.

Os cabelos da moça também foram parcialmente cortados, mas o assassino parece ter desistido de fazê-lo em determinado momento, Ele pode ter planejado decapitar a moça, mas também desistiu de seu intento.

Lapide no cemitério que marca o local onde a vítima foi enterrada.

Tobias o policial aposentado que dedicou parte de sua carreira ao caso ressaltou que a mulher tinha entre 18 e 25 anos. Era digno de nota o fato dela ter coroas dentárias no valor de 10 mil dólares, o que aponta para o fato de que ela era alguém com dinheiro.

Embora o corpo da Dama das Dunas tenha sido exumado duas vezes para coleta de DNA e reconhecimento através de reconstrução facial, nada significativo foi obtido e os esforcos não deram resultado.

Radar de profundidade foi usado para buscar suas mãos, análise de maré (caso tivessem sido jogadas no mar), conexões da máfia foram sondadas, bem como gangues de motoqueiros ativas na área. Nada disso deu alguma pista a respeito. Até mesmo uma vidente foi contratada, sem nenhum sucesso.

Tobias contou que um criminoso, o serial killer Hadden Clark preso em Maryland confessou o crime 20 anos atrás, mas as autoridades não acreditaram no sujeito. Diagnostocado com esquizofrenia paranoide, Hadden gostava de assumir crimes para ganhar importância. O detetive Tobias, que se juntou a Polícia local no ano em que o cadáver foi encontrado, continuou no caso até 1989 e trabalhou como consultor até 2009. Ele ainda está envolvido como civil e é tido como um especialista no caso.

Ele apreciou o interesse de Hill na investigação, mas acha que a pista depois de tanto tempo pode ter esfriado. Tobias se mostra cético a respeito e acredita ser difícil encontrar uma solução para o mistério.

"Eu penso que a moça no filme pode ser ela, mas é difícil dizer. Sim, existe a possibilidade. Mas é altamente improvável que isso nos leve a algo definitivo.".

Infelizmente o diretor de elenco que trabalhou em Tubarão faleceu há muitos anos e os registros dos extras do filme, se é que ainda existem, precisariam ser analisados. Além disso, na época eles não eram tão meticulosos quanto atualmente a respeito da presença de extras nas filmagens.

A Universal, estúdio responsável por Tubarão se prontificou a ajudar no que for possível. Mas depois de tanto tempo, e pouco provável que exista algum documento útil.

"Nos não vamos desistir do caso. Jamais! " disse o ex-policial, "mas é preciso admitir que existem grandes dificuldades em casos desta natureza. Da minha parte estou em paz que tudo que podia ser feito, foi feito".

A Dama das Dunas aguarda ainda pela justiça. Passados 44 anos ela espera que seu nome possa ser descoberto e seu assassino punido.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Idiomas Perdidos - Línguas esquecidas de Civilizações Ancestrais



O artigo anterior dedicado ao Idioma Aklo levantou uma dúvida: afinal, quantos idiomas pré-humanos e não-humanos existem?

Uma quantidade surpreendente de idiomas ancestrais, usados por Civilizações Perdidas e Raças Não- humanas aparecem em Tomos que reúnem o saber dos Mythos de Cthulhu. O Aklo talvez seja o mais conhecido e aparentemente o vocabulário mais difundido, contudo ele obviamente não é o único. Seja em páginas amareladas de compêndios esotéricos repletos de conhecimento profano, ou placas de argila, barro cozido, folhas curtidas ou pedras talhadas, o conhecimento dos Mythos encontra seu caminho para ser transmitido através dos mais estranhos e confusos vocabulários.

Segue um levantamento dos Idiomas Perdidos da Mitologia Cthulhiana. 

AKLO 



O Aklo já foi mencionado o artigo anterior, mas ainda há alguns detalhes e peculiaridades a respeito dele que valem a pena ser comentados. Segundo rumores, o idioma seria uma adaptação da ancestral linguagem do Povo Serpente. Ela teria surgido no antigo Império da Valusia, em um período muito distante que precedeu a legendária Era Hiboriana e a submersão de Atlântida. O Povo Serpente teria ensinado essa linguagem aos sacerdotes de Yig que o levaram aos demais povos que cultuaram o Pai das Serpentes ao longo das eras. Ele recobria as paredes de antigas ruínas de basalto, resquícios de uma época em que as serpentes andavam sobre duas pernas e conspiravam a extinção da humanidade. Muitos objetos forjados pelo Povo Serpente traziam inscrições em Aklo e alguns deles sobreviveram, ainda que deteriorados.

A marca do Idioma Aklo pode ser encontrado também em relíquias do misterioso povo de K'na´yan que talhava pedras com esses símbolos e o usava com devoção religiosa. Em civilizações humanas, ele está presente em petróglifos de tribos habitando das Grandes Planícies da América, em códices Astecas e Maias e em alguns artefatos Incas. Dentre povos primitivos da Bacia Amazônica ele pode ter sido confundido com meros rabiscos. Não é de se estranhar a presença maciça no continente uma vez que o Culto de Yig foi preponderante em toda América. Similarmente, pedras talhadas com Aklo foram encontradas no sul das Ilhas Britânicas (País de Gales principalmente), na França Normanda e no Lestre Europeu. O Aklo também foi usado por enclaves no Sudeste Asiático, na Indonésia e Austrália.

O idioma foi (e ainda é!) muito usado por acadêmicos dos Mythos, sendo preponderante entre feiticeiros e bruxos para esconder o conteúdo de seus escritos ou denotar seu domínio de um dos mais importantes idiomas esotéricos. Para alguns feiticeiros é uma demonstração de erudição conhecer Aklo. Supostamente a Scolamance exigia conhecimento básico do Aklo dos seus alunos. Trechos do idioma aparecem no Livro de Dzyan, nos Fragmentos de Eltdown, no Liber Ivonis e é claro no nefasto Necronomicon, que possui uma espécie de Léxico na sua edição grega, a fonte primordial para a compreensão do idioma. 

Curiosamente a língua falada é pouco usada para comunicação entre humanos e seres do Mythos uma vez que seu domínio é extremamente complexo. Ademais, qualquer erro de dicção pode colocar tudo a perder. Apenas os mais respeitados acadêmicos devotados aos estudos linguísticos são capazes de compreender as raízes fonéticas do Aklo e pronunciá-lo corretamente, ainda assim, com enorme dificuldade.

Os símbolos Aklo são particularmente sinuosos e cada pequena mudança nas curvas e ondulações alteram o sentido do que se deseja transcrever. Existe uma crença de que o Aklo teria influenciado o árabe, mas não se sabe ao certo. Não por acaso, decifrar qualquer trecho do idioma se mostra uma tarefa árdua, mesmo para os mais experientes linguistas.

SENZAR ATLANTE



Senzar é o antigo idioma atlante, falado na Capital do Continente Perdido e muito difundido no período áureo da civilização. Por muito tempo, apenas os sacerdotes podiam escrever o Senzar, pois este era considerado um idioma religioso, uma forma de se comunicar com os Deuses e entidades superiores. O Senzar com o tempo passou a ser compartilhado com os nobres e indivíduos da alta estirpe. Era o idioma das castas elevadas, reservado para cerimônias religiosas e momentos importantes. Ensiná-lo indiscriminadamente era passível de pena de morte e punições severas como arrancar a língua dos que falavam ou vazar os olhos dos que o liam.

O Cataclismo que se abateu sobre Atlântida e a submergiu sob as ondas foi ironicamente responsável por disseminar o idioma. As tribos sobreviventes que empreenderam jornadas pelo mar em busca de colônias distantes se encarregaram de levar papiros produzidos com folhas de palmeira contendo o idioma. É possível que este seja o idioma mais antigo criado por seres humanos e usado por eles em comunicação e escrita.

O Senzar foi carregado na grande migração dos atlantes, levado para o Oriente Médio (berço de várias civilizações antigas), Norte da África e Europa Mediterrânea. Ele foi a base para o fenício, babilônico e sumério, sendo adaptado e sofrendo mudanças com o passar dos séculos. 

Curiosamente o Senzar sobreviveu preservado em sua raiz mais culta, graças a monges que habitavam o lendário Platô de Leng. O Livro de Dzyan, a chamada Versão Atlante, teria sido escrita pelos Mahatmas no idioma Senzar e posteriormente traduzido para o Sânscrito. Ele fez seu caminho pelo Tibet onde monges brâmanes e yoggis chamavam o Senzar de "idioma dos sábios" e "daqueles tocados pelos deuses". 

O Senzar possui um alfabeto cuneiformes com símbolos em forma de cunha. Ele é bastante similar aos escritos minoanos não decifrados que causaram alvoroço no século XVIII e foram atribuídos aos atlantes. Os proponentes dessa controversa teoria não estavam errados em suas suposições.  

Para todos efeitos, o Senzar é um idioma morto há milênios, apenas uns poucos esotéricos ainda dominam a língua e conhecem a escrita. No Platô de Leng ele ainda é falado e aqueles que pleiteiam uma audiência com os Mestres precisam dominá-lo. Também é possível encontrar nos confins da Terra dos Sonhos locais em que o Senzar é falado.   

TSATH-YO HIBERBÓREO



O povo da remota terra da Hiperbórea usava uma linguagem hieroglífica da qual restaram pouquíssimos exemplares.

A Hiperbórea se localizava no extremo norte do globo, em uma terra de selvas perfumadas, florestas tropicais e animais pré-históricos que dividiam o mega continente com pré-humanos. A civilização foi devastada por mudanças climáticas acentuadas, alterações do pólo magnético e eras glaciais que fizeram os povos residentes migrarem para o sul em busca de paragens mais amenas. Em seus últimos dias, a civilização foi atacada pelos Voormis, feras selvagens que massacraram seus últimos bastiões. 

Os poucos resquícios dessa civilização avançada que no seu ápice dominou ciência e magia, se encontram em ruínas cobertas por neve e gelo. Na Groenlândia encontram-se as maiores e mais significativas ruínas construídas pelos Hiperbóreos, algumas delas ainda com paredes de pedra esculpida e colossais estátuas entalhadas. As lendas sobre Última Thule decorem da descoberta de tais ruínas feitas no início do século XX. 

Algumas dessas ruínas, pertencentes a ancestrais colônias de Hiperbóreos em sua jornada em busca de novos territórios para se estabelecer, foram ao longo dos séculos confundidos com a presença de vikings. A Colônia de Vinland, na Newfoundland (atual Canadá), ainda é considerada como um assentamento viking, quando provavelmente se trata de uma colônia Hiperbórea.

Os hieróglifos Tsath-Yo são complexos e de difícil interpretação. Por muitos séculos eles foram usados pelos sábios hiperbóreos para transmitir seu conhecimento e educar novas gerações que estudavam as ciências e a profunda filosofia mística. Os poucos artefatos encontrados contendo os símbolos Tsath-Yo raramente são interpretados como um idioma, o que dificulta enormemente sua tradução. Na década de 1930, na Islândia teriam sido encontradas peles de animais contendo trechos em Tsath-Yo. Uma vez que as peles eram de animais pré-históricos a teoria foi desconsiderada pela maioria dos arqueólogos e antropólogos como um embuste. 

Dentre os tomos com conhecimento dos Mythos, apenas o Liber Ivonis contém símbolos que podem ser positivamente identificados com o idioma hiperbóreo ancestral. A versão hiperbórea, cuja mera existência foi por muito tempo questionada supostamente possuía uma tradução para o grego clássico. As versões mais antigas do Livro de Eibon, escritas em Grego Púnico continham as mesmas traduções dos caracteres que permitiam decifrar a escrita da Hiperbórea. Uma vez que tais textos se perderam há séculos é provável que ele não possa mais ser corretamente traduzido, ao menos nessa realidade. Exploradores que se aventuraram no Mundo dos Sonhos teriam encontrado sábios que ainda retinham o conhecimento do idioma e que compartilharam esse saber.

MUVIANO NAACAL



Outra importante civilização ancestral pré-humana possuía sua própria escrita. Mu, localizada na porção sudoeste do Pacífico floresceu há cerca de 200 mil anos, "enquanto a Hiberbórea era acossada pelas mudanças climáticas e pelos sanguinários Voormis".

Segundo alguns teóricos, o fato do povo de Mu ter abandonado sua devoção aos Deuses Antigos resultou na destruição da civilização. Vários cultos profanos encontraram terreno fértil para se desenvolver em Mu, entre eles Shub Niggurath, os horrores gêmeos Nug e Yeb e  Yig. Enfurecidos por terem sido trocados por estes cultos de horrores alienígenas os Deuses teriam decretado o Fim de Mu como castigo. O continente ou ilha em que Mu se localizava afundou pouco mais de mil anos depois da Atlântida. A tragédia similar de Mu fez com que muitas vezes ela e Atlântida fossem confundidas como o mesmo lugar.  Embora teosofistas como Blavatsky prefiram ignorar a existência de Mu, alguns teóricos acreditam que o Continente tenha sido um dos berços da humanidade, ou ao menos de uma das espécies que se espalharam pelo globo após enfrentar seu cataclismo.

Depois da destruição de sua Metrópole, Muvianos vivendo nas colônias insulares declararam sua independência e ajudaram a forjar as principais civilizações no Pacífico Sul. Cada qual adotou seus próprios costumes e ao longo dos séculos seguintes mudaram o suficiente sua cultura a ponto de se distinguirem umas das outras. 

Resquícios dessa Civilização comum podem ser encontrados em várias ilhas do Pacífico Sul e incluem as misteriosas Estátuas na Ilha de Páscoa e as curiosas construções ciclópicas de Nan Madol na Ilha de Ponape. Nas ilhas da Melanesia e Polinésia existem traços da passagem desses povos logo depois da destruição de Mu. Infelizmente terremotos, maremotos e tsunamis destruíram muitos destes postos avançados que submergiram, alguns ainda estão intactos nas profundezas abissais. 

Muito do que sabemos a respeito dos de Mu e dos muvianos, decorre de velhas tábuas de pedra que estariam em poder de ordens monásticas na India e Tibet. Escritas em Naacal, estes documentos contam a rica história do continente: registram seus grandes feitos, suas conquistas e sua decadência. Manuscritos e códices também sobreviveram, alguns no interior de templos abandonados ou ruínas perdidas sendo encontrados de tempos em tempos por aventureiros e exploradores. Uma coleção de antigos manuscritos foram encontrados em 1878 em uma pequena ilha ajudaram a decifrar, ainda que parcialmente, alguns trechos do intrincado idioma Naacal.

Vários tomos possuem trechos com inscrições no idioma Muviano Naacal. As célebres "Escrituras de Ponape", escritas em folhas de palmeira e achadas na Polinésia talvez sejam as mais famosas. "Os Tabletes de Zanthu", um compêndio disposto em doze tabuletas de madeira, foram descobertos pelo arqueólogo Harold Hadley Copeland em 1913 e se encontram no Instituto Sanborne de Estudos do Pacífico na Califórnia. Escrito por feiticeiros, ele narra a adoração de divindades aterrorizantes como Zoth-Ommog, Ghatanathoa, Dagon, Hidra, Chulhu entre outros horrores. Finalmente, o raríssimo "Cthulhu no Necronomicon" possui um capítulo inteiro escrito em caracteres Naacal com uma invocação das Crias Estelares de Cthulhu que felizmente jamais foi decifrada por inteiro.