terça-feira, 16 de setembro de 2014

"A Arte que não deveria ser" - Livro com as delirantes ilustrações de Walter Pax em Financiamento Coletivo


O Mundo Tentacular sempre apoia Financiamentos Coletivos interessantes e quando eles aparecem nada mais justo do que divulgar para que o maior número possível de pessoas tomem conhecimento.

E este é especialmente interessante pois envolve diretamente os Mythos de Cthulhu. Trata-se de "Love - A Arte que não deveria ser" com ilustrações de Walter Pax, o responsável pelos excelentes desenhos da Edição Brasileira de Chamado de Cthulhu.

Aqui está o release da Página no Catarse:
 
Fã do universo de Lovecraft, o ilustrador Walter Pax escolheu as descrições mais marcantes de O Chamado de Cthulhu, Nas Montanhas da Loucura e outras obras de H. P. Lovecraft e deu forma às incríveis e indiscritíveis criaturas da mitologia do autor americano. As passagens e os desenhos compõem o livro bilíngue Love – The art that should not be by W. Pax ou, em português, Love – A arte que não deveria ser de W. Pax. 
Sobre o Livro 
Com 100 páginas ilustradas, o livro apresenta cerca 50 desenhos em preto e branco feitos por Walter Pax acompanhadas de algumas breves, mas marcantes, citações de obras de Lovecraft. O tamanho do livro é de 25×16cm, com capa fosca e verniz em alguns detalhes. A edição conta também com um prefácio do ilustrador argentino Salvador Sanz e um posfácio sobre a vida e a obra do autor americano. Ah sim! O livro é bilíngue, então além das passagens originais em inglês de H.P. Lovecraft, o texto estará também em português. 

 Para viabilizarmos a publicação, precisamos de uma quantia de R$15 mil. E os que apoiarem vão receber pôsteres, livros ou recompensas ainda mais especiais de acordo com o pacote que comprarem. 
Quem é quem? 
H. P. Lovecraft (1890 – 1937) foi um autor de terror, fantasia e ficção científica. Em sua mitologia, o universo e a vida são incompreensíveis ao ser humano. Monstros alienígenas e entidades anti-humanas estão à espreita, apenas aguardando o momento de retornar. 
Walter Pax (1973) é um ilustrador gaúcho e fã de Lovecraft. Foi responsável, entre outros, pelas ilustrações do livro A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, da adaptação brasileira do aclamado RPG_O Chamado de Cthulhu e também participou das coletâneas Irmãos Grimm em Quadrinhos e The Workman, indicada ao Eisner Awards, um dos prêmios mais respeitados do mundo no segmento de quadrinhos. 

Recompensas 
Para apoiar o projeto, basta entrar no link do Catarse e clicar no botão verde "Apoiar este projeto" e selecionar o valor e as recompensas que desejar, ou clicar direto numa das recompensas. Você pode apoiar com qualquer valor e começa a receber recompensas a partir de R$18. Se ainda não tiver um cadastro, o catarse vai pedir para você se cadastrar – é bem rápido e pode usar a conta do facebook. As recompensas são pôsteres com ilustrações do livro, o próprio livro ou ainda outras vantagens, como autógrafo, o livro com capa dura, ilustrações originais ou a possibilidade de escolher uma passagem do Lovecraft que vai integrar a obra.
Para mais detalhes do Financiamento, acesse a página do Catarse através do link abaixo e escolha uma das opções de apoio.

CATARSE - LOVE - "A Arte que não deveria ser"

O trabalho parece muito promissor e baseado nas amostras dos desenhos que já vimos no PDF do Chamado de Cthulhu, fica claro que o Pax consegue traduzir no papel todo o horror delirante das abomináveis criaturas criadas por Lovecraft.

domingo, 14 de setembro de 2014

Regnum Congo - O aterrorizante Livro sobre Canibalismo que inspirou Lovecraft



Originalmente publicado no Blog Miskatonic Museum
Texto de Ahtzib

Um dos mais infames livros citados nos trabalhos de H. P. Lovecraft é Regnum Congo, a peça central no conto "The Picture in the House" (A Estampa na Casa Maldita).

Nota: Eu uso a tradução da edição da Francisco Alves, que embora eu tenha de admitir, não é a mais correta, é a que estou mais familiarizado.

O próprio Lovecraft reconheceu em suas correspondências que jamais havia lido o livro verdadeiro, escrito em 1591 por Filippo Pigafetta, que teve edição publicada em inglês, sob o extenso título, "A Report of the Kingdom of Congo, and the Surrounding Countries, Drawn Out of the Writings and Discourses of the Portuguese, Duarte Lopez" - traduzido como "Uma Narrativa sobre o Reino do Congo, e países vizinhos, retirado dos escritos e discursos do português Duarte Lopez".

Ao invés de ler esse livro, Lovecraft teve acesso ao volume editado por Thomas Huxley, "Evidence to Man's Place in Nature" (Evidências do lugar do Homem na Natureza) que menciona longamente a obra de Pigafetta. Em seu livro, Huxley não economizou nas descrições dantescas ao falar da tribo congolesa dos Anziques, canibais que defendiam ferozmente seu território contra as investidas de outras tribos e de estrangeiros europeus. Huxley não destacava como incomuns os costumes dos Anziques, afinal, muitas tribos na região praticavam o canibalismo. O costume era recorrente em períodos de guerra e usado como forma de intimidação dos inimigos. Várias tribos consideravam que devorar seus inimigos lhes garantia força e habilidade. O que tornava os Anziques únicos era o fato deles canibalizarem os membros de sua própria sociedade, revogando um tabu humano ancestral, o de  não se alimentar de seus semelhantes.

Do Capítulo 5 do livro, podemos extrair o seguinte parágrafo:

"Eles tinham cabanas para o abate de outros seres humanos, como nós temos para animais. Eles comiam os inimigos mortos no próprio campo de batalha, mas por vezes os capturavam como escravos para tentar vendê-los. Se no entanto, não conseguiam um bom preço; ficavam satisfeitos em levá-los até o açougueiro da tribo, que os matava, cortava em pedaços, cozinhava ou curava sua carne em troca de uma fatia. É um fato peculiar da história desse povo, que quando cansados da vida, ou desejando se provarem bravos e corajosos, era tido como um ato de grande honra sujeitar-se a morte ritualística nas mãos de um desses açougueiros. Assim, eles compareciam voluntariamente para o matadouro, oferecendo não apenas a sua vida para o restante da tribo, mas sua própria carne para ser devorada pelos demais. É verdade que muitos povos tem o costume de comer seres humanos, como nas Índias Orientais, no Brasil, e outros lugares, mas devorar a carne de amigos, vizinhos e até parentes, é algo sem paralelo, ocorrendo apenas entre as tribos Anzique".

Hoje em dia, o povo que já foi conhecido como Anzique é chamado Bateke, e vive na República Democrática do Congo e no Gabão. Eles fazem parte do grupo linguístico Bantu e são uma minoria étnica. Como ocorria em muitas estórias a respeito de canibalismo, os cronistas europeus exageravam nas descrições de seus "costumes selvagens", tornando a veracidade de tais estórias questionável, sem evidências adicionais.

Mas isso não impedia que as estórias continuassem a se espalhar ao longo dos séculos.

O famoso ilustrador Theodor de Bry foi um dos que se deixou influenciar por essas estórias. Foi De Bry quem criou a imagem usada por Huxley em seu livro, a mesma que inspirou o macabro conto de Lovecraft sobre uma casa na Nova Inglaterra onde as práticas dos Anzique vigoravam. Ilustrações como a de De Bry eram exploradas em cartões postais muito populares na Europa do século XVII. Ele dava forma às narrativa de vários viajantes e exploradores que se embrenhavam na África ou nas Américas. Suas imagens eram sempre perturbadoras e fascinantes, com um realismo primitivo. Seus estudos dos nativos da Virginia se encontram em várias galerias de arte e na Universidade da Carolina do Norte.

Theodor de Bry também ilustrou uma edição de Bartolome de las Casas, intitulada "A Brief Account of the Destruction of the Indies" (Uma breve narrativa da Destruição das Índias), um polêmico trabalho a respeito das cruéis práticas coloniais dos espanhóis nas colônias americanas. As imagens nesse trabalho estão entre as mais medonhas assinadas por de Bry, o que não é pouca coisa, considerando a gravura sinistra que influenciou Lovecraft a escrever "The Picture in the House". O livro e principalmente as gravuras foram instrumentais para estabelecer a terrível fama dos espanhóis, retratando-os como verdadeiros monstros, endossando tortura e genocídio. Sem dúvida, houve uma boa dose de crueldade e destruição, mas é importante salientar que os espanhóis não detinham o monopólio dos massacres praticados pelas nações europeias em sua busca por riquezas no Novo Mundo. Além disso, havia um fundo depreciativo e propagandista em mostrar os espanhóis como tiranos, já que eles competiam diretamente com várias outras nações. É fato que os excessos perpetrados pelos espanhóis na América se tornaram conhecidos em toda Europa, uma notoriedade que continuou presente nas guerras religiosas do século XVI, XVII e que chegou até o século XX através da Guerra Civil que varreu a nação.

Eu mesmo tive uma experiência que me recordou "The Picture in the House." Antes do meu trabalho como arqueólogo da Conquista Espanhola, trabalhei em uma escavação em El Salvador. Trouxe de lá alguns livros, inclusive uma cópia de "Knights of Spain, Warriors of the Sun: Hernando de Soto" (Cavaleiros da Espanha, Guerreiros do Sol: Hernando de Soto), que apresentavam algumas ilustrações feitas por de Bry. Estas ilustrações me causavam enorme aflição. 

Canibalismo também fazia parte das imagens, mas por alguma razão, os pedaços de pessoas e especialmente a face das vítimas esfoladas ou mutiladas, era o que mais me incomodava. Eu sabia das estórias sobre nariz e orelhas cortados como forma de punição por rebelião na Europa feudal, mas quando captados por de Bry aquelas imagens ganhavam vida de forma medonha. Pelo restante de minha estada no projeto, um período de vários meses, aquelas imagens continuavam me atormentando. Eu tentava evitá-las enquanto lia o livro que era importante para o trabalho, ainda assim acabava atraído para elas. Só quando deixei El Salvador, e o claustrofóbico apartamento onde eu morava, que consegui encarar o livro sem a aura de opressão que ele causava. Hoje ele não me incomoda da mesma maneira, mas naquela época de grande incerteza, vivendo em um país estrangeiro, onde aquelas coisas realmente haviam acontecido, as imagens  concebidas por de Bry me deixavam apavorado.

*     *     *

Recentemente, eu narrei o cenário "Consumption" de Brian Sammons que busca inspiração direta no conto "A Estampa na Casa Maldita". Para ser mais preciso, a estória é uma espécie de continuação dos eventos narrados no conto original.

Lá pelas tantas, na estória, os personagens conseguem obter não apenas a macabra "Estampa XII" mencionada no conto, mas páginas do Regnum Congo.

Eu achei que essas páginas dariam um prop legal - muito mais interessante do que simplesmente descrever as páginas antigas e cheias de imagens sinistras de canibalismo, morte e corrupção.

Para criar minha versão do Regnum Congo, recorri a imagens colhidas na internet que pertencem a gravuras feitas por Theodor de Bry. Através delas, finalmente consegui ver a imagem original da Estampa XII (o açougue de carne humana que deixou Lovecraft tão chocado).

Também descobri que as imagens mais famosas que ilustram as viagens do aventureiro alemão Hans Staeden pelo Brasil colonial (em especial sua captura por tribos canibais na nossa costa) são de autoria do próprio de Bry. Percebendo essa inevitável conexão inclui na estória uma menção a jornada de pesadelos de Staeden por essas bandas e sua estadia entre os índios Tupinambás.

Estas são a imagens do Regnum Congo que eu usei para Consumption:

Alguns props do cenário
As páginas com estampas de de Bry no Regnum Congo
A estampa XII, é claro, merece destaque.
Essa imagem se refere a viagem de Hans Staeden e o período em que ele foi hóspede dos Tupinambás
O que não faltam são imagens bizarras sobre canibalismo.
Para quem achou o tomo interessante, aqui estão algumas informações e estatísticas de jogo que permitem inseri-lo no universo do Mythos de Cthulhu:

Informações sobre o livro Regnum Congo
Os detalhes do Tomo:


REGNUM CONGO

Este livro com capa de couro e reforçado com placas de metal foi escrito por Filippo Pigfetta um viajante genovês do século XVI que esteve na África em expedições coloniais. A edição foi publicada originalmente em Frankfurt na Alemanha, em 1858. Essa cópia amarelada foi avariada pelo fogo e perdeu várias de suas ilustrações que foram arrancadas. O texto interno foi escrito em Latim e possui informações de natureza antropológica a respeito de práticas de canibalismo em várias partes do mundo, com uma visão particular da África oriental. Os capítulos mencionam práticas funerárias e rituais onde o consumo de carne humana é o ápice da celebração. A narrativa menciona religiões obscuras, deuses desconhecidos e crenças primitivas com inquietante riqueza de detalhes. Dois capítulos se referem especificamente a rituais testemunhados pelo autor enquanto este viajava pela África, ocasião em que foi capturado por tribos primitivas. O livro cita outras experiências de viajantes que cruzaram o caminho com tribos selvagens adeptas da antropofagia – o caso de Hans Staeden, mercenário alemão que naufragou na costa brasileira e foi capturado dos Tupinambás e Gregory Cathem “hóspede” de tribos maori na Nova Zelândia. Finalmente, o livro ensina como conduzir rituais místicos envolvendo canibalismo.

Regnum Congo, em latim, Cthulhu Mythos +2%, Custo de Sanidade: 1/1d8, sete semanas para ler e compreender. Magias: Consumir a Aparência, Consumir a Mente, Devorar a Força do Inimigo, Ceia da Purificação, Comida da Vida e Segunda Pele. Cada magia carece de um teste de INT x3.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Identidade Confirmada - Será que Jack o Estripador foi enfim desmascarado?


Jack, o Estripador foi um imigrante polonês de 23 anos chamado Aaron Kosminski.

Ao menos, de acordo com um autor que afirma ter desvendado a identidade do mais famoso assassino em série de todos os tempos, utilizando uma evidência de DNA.

Russell Edwards, que descreve a si mesmo como “detetive honorário”, acredita que a identidade do famoso assassino que aterrorizou a Londres Vitoriana enfim foi descoberta após 120 anos de mistério e conjecturas.

Segundo Edwards, Kosminski, que morreu confinado em um asilo para doentes mentais, é "definitiva, categórica e absolutamente" o homem por trás das sinistras mortes ocorridas em Whitechapel, no East End, em 1888.

O nome não é totalmente estranho aos pesquisadores e conhecedores dos famosos crimes. A polícia londrina havia identificado Kosminski como um suspeito, mas nunca reuniu evidências suficientes para levá-lo ao banco dos réus. 

O Inspetor Chefe Donald Swanson, que liderou a parte final da investigação dos notórios crimes, sugeriu o nome de Kosminski em anotações pessoais. Segundo ele, o imigrante foi denunciado por um de seus vizinhos que desconfiava de suas atitudes. Nas palavras de Swanson, ele era "extremamente suspeito", tendo um comportamento marginal, fronteiriço ao criminoso e familiarizado com a violência. Ele também teria um grande ressentimento de mulheres, especialmente prostitutas com quem discutia frequentemente. Além disso, em uma outra anotação, Kosminski teria se gabado para um amigo que era o assassino e que sozinho havia colocado a cidade de joelhos e ainda escapado impunemente. 

O indesejável Sr. Kosminski - Por muito tempo essa foi a única imagem do suspeito.
Swanson descrevia o seu suspeito como um polonês de baixa classe social, pertencente a religião judaica e cuja família vivia nos arredores de Whitechapel.

As anotações, doadas por descendentes do Inspetor ao Museu do Crime da Scotland Yard em 2006, incluem um memorando do Inspetor Assistente, Sir Melville Macnaghten afirmando que Kosminski "tinha um grande ódio de mulheres… com fortes tendências homicidas".

Um imigrante judeu nascido na Polônia, o suspeito fugiu da perseguição religiosa em sua terra natal, na época em que o país se encontrava sob o controle da Rússia. Ele teria chegado a Inglaterra em 1881, acompanhado de sua família que se estabeleceu na Mile End, no leste de Londres, uma região pobre com cortiços ocupados em sua maioria por outros imigrantes empobrecidos. 

Segundo documentos oficiais, Kosminski exercia o ofício de barbeiro em Whitechapel, mas há indícios que ele tenha também trabalhado em um abatedouro e num curtume. Pouco se sabe a respeito de sua família, mas os registros de imigração mencionam que ele chegou à Inglaterra acompanhado de pai, mãe, duas irmãs, um cunhado e um número ignorado de crianças (suas sobrinhas). Nos primeiros anos na Capital ele teria dividido um apartamento de quarto e sala com os demais, mas posteriormente passou a alugar quartos em pensões na vizinhança. Kosminski tinha um "gênio ruim", era violento - tendo brigado com o cunhado e com vizinhos, e a partir de então, andava armado com uma faca, que mostrava a quem o ameaçasse. Ele não chegou a ser preso, mas alguns policiais que o abordaram após uma bebedeira o tinham como baderneiro e criador de confusão. Seus desentendimentos com prostitutas, muito comuns na vizinhança em que ele residia, eram frequentes.

Havia uma forte onda de anti-semitismo na época em que ocorreram os assassinatos, sobretudo, depois que uma mensagem teria sido escrita num muro em Goulston Street, próximo ao local onde duas vítimas do maníaco foram encontradas. Para alguns, a mensagem identificava o assassino como judeu, por isso a inscrição foi apagada para evitar possíveis distúrbios. A autenticidade da mensagem tem sido contestada desde então. 

Trabalho forense no xale pertencente a Catherine Eddowes
A conclusão de que Kosminski seria Jack, o estripador veio através de um xale ensanguentado, pertencente a uma das vítimas do assassino. A peça foi a leilão em Bury St Edmunds, Condado de Suffolk, em 2007. Ela foi utilizada como base para uma cuidadosa pesquisa forense. Além de estar manchada com o sangue da vítima, um dois peritos encontrou traços de sêmen, que podiam pertencer ao assassino. 

O sr. Edwards comentou: "Eu tive acesso a única peça de evidência forense em todo o caso de Jack, o estripador. Passei 14 anos analisando essa evidência, e com base no que descobrimos posso afirmar que o caso está resolvido. Apenas aqueles que desejam perpetuar eternamente o mito levantarão dúvidas sobre o resultado.

O matador teria assassinado pelo menos cinco mulheres, cortando suas gargantas, removendo seus órgãos internos e deixando corpos mutilados em becos escuros. 

Edwards, de 48 anos, nascido em Barnet, norte de Londres, sempre foi fascinado pelo mistério e investigou o caso ao longo de vários anos. Ele acreditava que os crimes jamais seriam resolvidos, até descobrir que o xale estaria a venda e que poderia conceder alguma pista valiosa que não havia sido encontrada. A peça de vestuário, pertencia a Catherine Eddowes, e ela o estava vestindo quando foi atacada pelo assassino. 

Eddowes foi uma das primeiras vítimas canônicas - definitivamente identificadas com a série de cinco crimes atribuídos a Jack, o estripador, em agosto de 1888. Seu corpo foi achado em Mitre Street na Cidade de Londres, com a garganta cortada, o abdomen rasgado e parte do rim e ovário removidos.

Com a ajuda de Jari Louhelainen, um expert em biologia molecular, Edwards utilizou técnicas pioneiras para analise de DNA em cada milímetro do xale, num processo que demorou três anos e meio para ser concluído.

"Quando encontramos traços de sêmen, que até então não sabíamos que estavam ali, ficamos animados, mas sabíamos que podia ser um tiro no escuro". 

O xale havia sido retirado da cena do crime pelo Sargento Amos Simpson, que estava de serviço na noite em que o corpo de Eddowes foi descoberto. Ele retirou a peça para presentear sua esposa, mas quando o caso ganhou notoriedade, preferiu guardá-lo. O item foi mantido cuidadosamente em uma caixa e passado como um macabro souvenir de família por gerações, nunca lavado ou usado até a data do leilão.

Desenho da época noticiando a descoberta do cadáver de Eddowes
Louhelainen cruzou os dados de DNA obtidos com a amostra coletada com seis dos mais famosos suspeitos dos crimes de Jack. A ideia era que, se algum dos notórios suspeitos possuísse um padrão condizente ao obtido, as chances dele ser o matador aumentariam consideravelmente. Descendentes de seis suspeitos cederam amostras de DNA que poderiam ser cruzadas com aquela deixada no xale, e no caso do descendente direto de Kosminski - seu bis-neto, a assinatura genética se encaixou com perfeição.

"Foi como um sonho! O perfil genético se encaixou como uma luva, com uma exatidão estarrecedora. O sêmen no xale só poderia pertencer a Kosminski ou alguém de sua família. A evidência é clara e inquestionável".

A evidência apresentada, não foi, entretanto, universalmente aceita como uma prova em definitivo. Sir Alec Jeffreys, o homem que desenvolveu a técnica que permitiu o reconhecimento de DNA há mais de 30 anos, descreveu o método usado como "interessante mas passível de análise cuidadosa por parte de outros peritos". Segundo Jeffreys é necessário realizar uma análise mais detalhada do material colhido no xale e a natureza do material obtido com os descendentes de Kosminski. "Nenhum outro perito teve acesso a esses resultados, o que é essencial para determinar a imparcialidade dos envolvidos".

Segundo críticos do processo empregado é preciso considerar que o xale realmente jamais foi lavado ou limpo nos últimos 126 anos. O maior problema é que a questão da contaminação. Por exemplo, a prova material poderia ter de alguma maneira se contaminado com o DNA dos descendentes de Kosminski no próprio laboratório o que resultaria em um reconhecimento positivo. 

ASSASSINATO ATERRORIZANTE
Quando laboratórios são contratados para trabalhar com DNA tão antigo, tal como os ossos de Neandertais e os restos da Família Romanov, a última dinastia real da Rússia, os técnicos tem de ser extraordinariamente cuidadosos para evitar qualquer contaminação. Eles também trabalharam com amostras falsas para assegurar que a análise fosse realizada sem qualquer preconceito. Além disso, para registrar um resultado positivo, os laboratórios exigiam análises duplicadas de cada amostra. Nenhum desses procedimentos, até onde se sabe, foi realizado por peritos isentos.

Se Kosminski realmente foi Jack, o Estripador, talvez jamais venhamos a saber com certeza. Ele morreu meses depois do último e mais aterrador crime atribuído ao matador de Whitechapel ocorrer. O homem que pode ter sido o mais terrível matador do século XIX, teve um fim inglório. Depois de ser internado em um sanatório para tratar de um ferimento na perna, Kosminski morreu por complicações decorrentes de uma simples infecção. 

Ele foi enterrado como indigente em local ignorado.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Caçadores Caçados (Parte 2) - Personagens de Penny Dreadful para Chamado de Cthulhu


É claro que não esquecemos a continuação das estatísticas para os personagens da série Penny Dreadful.

Aqui estão os personagens principais que faltavam.

DR. VICTOR FRANKENSTEIN
Harry Treadaway

Ocupação: Cientista/ Pesquisador/ Médico e Anatomista
Local de Nascimento: Cantembury, Inglaterra
Idade: 21

Quote: "Você quer me ameaçar com a morte? Se você quer me ameaçar, me ameace com a vida"

Desordens Mentais: Egomania

Habilidades Principais: Arte (Desenho com carvão) 45%, Arte (Poesia) 52%, Astronomia 5%, Barganha 10%, Biologia 87%, Crédito 20%, Direito 10%, Esconder 15%, Escutar 20%, Farmácia 59%, História 32%, História Natural 15%, Medicina 68%, Ocultar 22%, Ofício (Dissecação anatômica) 89%, Ofício (fabricar ferramenta cirúrgica) 48%, Persuadir 30%, Pesquisar Biblioteca 57%, Primeiros Socorros 80%, Psicologia 30%, Psicoanálise 20%, Química 63%, Reparo Elétrico 67%

Idiomas: Inglês 99%, Grego 10%, Latim 48%, Alemão 20%, Francês 10%

Armas e Ataques: Seringa Hipodérmica 45%, Bisturi cirúrgico 48%, Colt 45 Revólver 23%

FORça               08          DEStreza           15          INTeligência     18
CONstituição     09         APArência         13          PODer               11
TAManho          13                                                   EDUcação        20

Background Resumido: Mais um poeta romântico do que um cirurgião, Dr. Frankenstein é uma alma jovem e gentil, fascinado pelos mistérios da vida e da morte. Ele se dedicou a pesquisar o que faz os seres vivos funcionarem, e sacrificou tudo para responder os seus profundos questionamentos científicos. Ele mesmo sabe que está brincando com fogo, e que seus resultados podem trazer consequências devastadoras para sua vida e para sua sanidade.

A CRIATURA 
Rory Keneer

Ocupação: Alma perdida
Local de Nascimento: Desconhecido
Idade: 35 (no momento de sua morte natural)

Quote: "Eu preferia ser o cadáver que eu era, a me tornar o homem que sou"

Desordens Mentais: Depressão, Tendência Homicida, Comportamento Anti-social

Habilidades Principais: Arremessar 45%, Arte (Poesia épica) 38%, Disfarce 39%, Escalar 70%, Esconder 70%, Escutar 45%, Furtividade 72%, História 29%, Localizar 39%, Ocultar 30%, Ofício (Efeitos Teatrais) 55%, Ofício (Produção Teatral) 41%, Reparo Mecânico 32%

Idiomas: Inglês 50%, Latim 15%

Armas e Ataques: Soco/Golpe 69%, Agarrar 70%*, Porrete 40%

* O método predileto de ataque da Criatura envolve agarrar uma vítima e quebrar seu pescoço em um movimento brusco lateral. Se a criatura capturar um oponente, na rodada seguinte ele testa na Tabela de Resistência sua FORça contra o TAManho do cativo. Em caso de sucesso, ele causa 3d6 pontos de dano, se esse número é suficiente para superar o TAManho da vítima, esta é morta.

Proteção: Nenhuma, mas armas produzem dano mínimo na Criatura. Fogo, Eletricidade e compostos químicos infligem dano normal.

FORça               24          DEStreza           12          INTeligência     15
CONstituição     18         APArência         04          PODer               10
TAManho          17                                                   EDUcação        10
HP: 18, Bônus de Dano: +2d6

Custo de Sanidade: 1/1d6 pontos de Sanidade por ver a Criatura.

Background Resumido: A criação original do Dr. Frankenstein, A Criatura é um ser medonho, cheio de cicatrizes e feridas (físicas e psicológicas) que jamais se fecham. Para os padrões da sociedade victoriana ele atrai a atenção pelas deformações causando um misto de curiosidade, escárnio e piedade. Sua alma é angustiada, ansiosa por compreensão e companhia. Sua horrível aparência e incapacidade de se relacionar com as pessoas o torna um solitário atormentado por episódios coléricos que não raramente descambam para a violência.

DORIAN GRAY
Reeve Carney

Ocupação: Dilletante, Artista (poseur)
Local de Nascimento: Londres, Inglaterra
Idade: 18 (aparente)

Quote: "Todos nós interpretamos papéis em nossa vida. O meu é parecer humano".

Desordens Mentais: Alcoolismo, Vício (várias drogas ilegais, em geral opiáceos), Neurose Sexual

Habilidades Principais: Arte (Pintura, apreciação de retratos) 88%, Arte (Pintura) 31%, Arte (Poesia) 58%, Arte (escultura) 30%, Arte (Arquitetura) 52%, Arte (Floricultura) 43%, História da Arte 66%, Barganha 43%, Crédito Social 50%, Esconder 30%, Escutar 40%, Farmácia 40%, Furtividade 66%, História 28%, Lábia 50%, Localizar 41%, Ocultar 67%, Ocultismo 45%, Ofício (Conhecer Drogas) 76%, Ofício (Atividade Sexual) 96%, Persuadir 40%, Psicologia 81%, Sedução 98%

Idiomas: Inglês 60%, Francês 45%, Italiano 38%

Armas e Ataques: Faca (incrivelmente afiada) 35%

Proteção: Nenhuma, contudo Dorian Gray é imune a qualquer dano provocado, a menos que seu quadro seja destruído.

FORça               12          DEStreza           13           INTeligência    12
CONstituição     14         APArência         19           PODer              12
TAManho          13                                                   EDUcação        14

Custo de Sanidade: O medonho quadro de Dorian Gray possui uma potente aura sobrenatural que ocasiona 1/1d6 pontos de Sanidade. Se o quadro for destruído, Gray sofre uma mutação medonha na qual se transforma em uma massa sangrenta e pustulenta, assistir tal cena tem um custo de 1/2d3.

Background Resumido: Dorian Gray é um jovem fabulosamente rico, um cavalheiro de beleza indescritível que muitos poderiam considerar incômoda. Sua pele parece radiar um brilho intoxicante dourado de juventude eterna. Um sensualista por natureza, sua atitude diante do mundo é de total abandono em busca de prazeres e hedonismo. Drogas, bebida, sexo, todos os excessos são permitidos e perseguidos sem trégua. Nada, no entanto, satisfaz o tédio que se mostra seu principal inimigo. A mansão de Gray, numa das regiões mais nobres de Londres, é como uma teia de aranha que ele usa para atrair os escolhidos para seu deleite.


BRONA CROFT
Billie Piper

Ocupação: Prostituta/ Imigrante
Local de Nascimento: interior da Irlanda
Idade: 22

Quote: "Brona, é o nome Gaélico para tristeza."

Desordens Mentais: Fatalismo (em face de doença letal - Tuberculose)

Habilidades Principais: Arte (Teatro) 15%, Barganha 45%, Disfarce 15%, Esconder 45%, Escutar 40%, Esquiva 35%, Farmácia 15%, Furtividade 46%, Lábia 54%, Localizar 48%, Ofício (Prostituição) 55%, Primeiros Socorros 37%, Psicologia 35%,

Idiomas: Inglês 45%, Gaélico 25%

Armas e Ataques: Todos em seu nível básico.

FORça               10 (12)*          DEStreza           15               INTeligência     12
CONstituição     09 (12)*         APArência         14 (16)*      PODer              12
TAManho          13                                                                  EDUcação        09

* Valores em face da doença. Entre parênteses o valor original.

Background Resumido: Brona é uma pobre imigrante irlandesa que se mudou para a Londres Victoriana tentando escapar de seu passado sórdido. Em Gaélico seu nome significa "tristeza", ainda assim ela permanece amável, alegre e sexualmente ativa.  Ela forma um elo com Ethan Chandler que fará qualquer coisa por ela. Seu destino, no entanto parece estar ligado a Criatura inumana construída pelo Dr. Frankenstein. Seja como for, tudo leva a crer que o horror a transformara muito em breve.

domingo, 7 de setembro de 2014

Incidente Kenosha - Quando o inexplicável acontece em um dia como outro qualquer


Em 1991 um estranho incidente ocorreu na rodovia Interestadual 94, nos arredores da cidade de Kenosha, Wisconsin - Estados Unidos. O estranho acontecimento se deu logo após uma forte tempestade de neve no dia 16 de fevereiro de 1991, e foi amplamente ignorado pela maioria dos grandes veículos de imprensa dos EUA, porém o fato se converteu nos anos seguintes numa popular lenda local.

Era um dia como qualquer outro. Um pouco frio, mas nada que apontasse a ocorrência de um incidente tão estranho.

Era 16 de fevereiro e o dia transcorria de forma rotineira. Não haviam mais ou menos automóveis cruzando a rodovia Interestadual 94, pessoas ainda trabalhando, gente indo buscar os filhos, fazendo compras ou simplesmente passeando.

As câmeras de vigilância começaram a captar algo estranho por volta das 3:30 da tarde. Um carro parou no acostamento sem ligar pisca alerta ou dar sinal. Depois outro, mais um, seguido de um caminhão, um veículo de entregas e assim por diante. Os veículos simplesmente desaceleravam e paravam, logo eles paravam em qualquer lugar, não necessariamente no acostamento já lotado. Milagrosamente não houve nenhum acidente, mesmo quando os veículos paravam no meio da pista.   

Mas a estranheza continuaria em seguida. Entre 150 a 200 pessoas deixaram os carros que ocupavam enquanto trafegavam, e se colocaram primeiro ao lado dos veículos como se estivessem aguardando alguma coisa. Ficaram paradas por volta de 15 ou 20 segundos como mostravam as imagens das câmeras, e só então começaram a se mover. 

Inexplicavelmente, a pequena multidão passou a se deslocar a pé para um viaduto próximo, onde em meio a neve, e sem motivo aparente, começaram a se reunir. Durante os 30 minutos seguintes um grande número de motoristas e passageiros continuaram a deixar seus veículos para se juntar aos que já estavam próximos ao viaduto. Apesar das duras condições e contratempos causados pelo acúmulo de neve, escalaram o ingrime aterro que dava acesso a parte elevada do viaduto. Uma vez atingindo o alto, as pessoas pararam e simplesmente ficaram olhando para o céu como se estivessem aguardando alguma ordem.

Os controladores de trânsito comunicaram a polícia rodoviária que respondeu prontamente ao chamado para verificar o que acontecia, e o motivo pelo qual tantos automóveis estavam parados. Eles tiveram muitas dificuldade para chegar ao local, devido ao gigantesco congestionamento que já havia se formado. Vários veículos foram abandonados com as portas abertas. Aqueles que chegaram ao local onde as pessoas estavam aglomeradas, descreveram uma situação desconcertante. 

As pessoas que estavam no viaduto pareciam "desorientadas e aparentemente inconscientes de suas ações". Como se estivessem sob a influência de algum tipo de transe.

Todos olhavam para o céu, como se tentando ver alguma coisa. As nuvens naquele dia estavam muito fechadas e caía uma neve fina, fazia muito frio. Contudo, ninguém parecia se importar com isso, de fato, mesmo aqueles que estavam dirigindo com aquecedor ligado não sentiam desconforto pela brusca mudança de temperatura. Alguns não estavam vestidos de acordo para aquele clima gélido.

Quando os policiais finalmente chegaram ao local e questionaram as pessoas, receberam olhares confusos e respostas desconexas que não condiziam com as perguntas feitas. Alguns diziam: "O ônibus escolar está chegando", "provavelmente sábado o tempo vai melhorar" ou "meu cão fugiu". As expressões eram de serenidade e tranquilidade, mas ninguém reagiu, mesmo quando um policial com auto-falante ordenou que a multidão dispersasse.

Então, de repente, tão rápido quanto começou, as pessoas foram voltando ao seu estado normal. Todo o incidente, transcorreu no espaço de 26 minutos.

Nenhum dos presentes soube explicar o que os motivou a agir daquela maneira. Alguns não entendiam como haviam chegado até o viaduto, sendo que a última lembrança que tinham era de estar dirigindo. Dadas as condições gerais, os policiais instruíram as pessoas a retornar aos seus veículos e seguir viagem. Alguns tiveram de receber ajuda e foram encaminhadas aos hospitais da região com problemas respiratórios e sintomas de hipotermia por causa da exposição ao frio intenso. Um homem teria sido levado em estado grave para o hospital por causa de um choque diabético. Os demais foram liberados e voltaram para suas casas sem qualquer lembrança do incidente.

Mas o que aconteceu em Kenosha?

A notícia foi divulgada pela imprensa local, que nos dias seguintes fez grande estardalhaço a respeito do incidente inexplicável. Vídeos de segurança mostrando o que aconteceu, no entanto, não foram obtidos. O consórcio que cuidava da rodovia Interestadual 94, não divulgou o vídeo. Segundo rumores, a filmagem teria sido confiscada pela polícia ou autoridades federais que expediram um mandato de segurança para que as imagens não viessem à público. Os advogados do consórcio foram instruídos a não comentar a situação e posteriormente disseram que todas as fitas foram apagadas após um erro de um dos funcionários.

Jornais locais não se deram por vencidos. Eles procuraram motoristas e passageiros envolvidos no incidente, pessoas que de repente se tornaram celebridades em Kenosha. Centenas de pessoas foram entrevistadas, mas nenhuma explicação razoável foi oferecida. Muitos mencionaram um ruído de estática ou assovio momentos antes do incidente. Alguns falaram de luzes e de uma estranha sensação de bem estar. Pelo menos três mulheres afirmaram ter visto crianças correndo junto com elas enquanto elas se dirigiam para o viaduto. Essa imagem as marcou porque todos andavam em passos lentos, enquanto essas crianças (segundo uma delas vestidas de branco) se moviam normalmente, correndo e organizando o grupo para que ninguém se dispersasse. 

Uma rede de televisão local contratou um psicoterapeuta que conduziu uma sessão de hipnose com três voluntários que participaram do incidente. Dois deles não concederam nenhuma informação adicional, mas a terceira pessoa, uma mulher de 44 anos, reagiu a sessão de maneira histérica a ponto do profissional ter sido obrigado a romper o transe para lhe ministrar um tranquilizante. A mulher afirmou ter visto formas estranhas na neve e luzes nos céus nublados. Posteriormente descobriu-se que ela tinha histórico de abuso de drogas, e seu testemunho foi quase que inteiramente desconsiderado.

Nos anos seguintes, boatos circularam pela internet de que vários dos envolvidos no Incidente Kenosha haviam cometido suicídio. Uma reportagem contabilizou que 23 pessoas que estiveram na estrada naquele dia, haviam morrido no espaço de 3 anos, sendo que mais da metade pelas próprias mãos. Chegou-se a falar que várias pessoas manifestaram episódios anti-sociais e de depressão nos anos seguintes. Nenhuma dessas informações jamais foi validada, e muitos as consideram fabricadas pela mídia sensacionalista.   

Devido à natureza incomum do incidente, jamais se soube ao certo se alguém desapareceu na ocasião. Dos mais de 100 veículos envolvidos, quatro não foram reclamados pelos motoristas, sendo que três deles eram roubados. O último veículo deixado para trás estava registrado em nome de uma empresa local. A empresa não soube explicar quem estava usando o automóvel na ocasião, mas não deu pela falta de nenhum funcionário. Os veículos não reclamados foram leiloados publicamente no ano seguinte.

Entusiastas do fenômeno OVNI, teóricos de conspirações e outros pesquisadores se dividem a respeito do incidente. Há muitas teorias sobre que poderia ter ocorrido, nenhuma no entanto com uma base sólida. Tanto tempo depois, os registros sobre o ocorrido e as possíveis pistas esfriaram como a neve que caiu naquela estranha tarde.

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HOAX? Provavelmente.

Lenda Urbana sem comprovação? Certamente.

Mesmo assim, de causar arrepios...