quinta-feira, 17 de abril de 2014

Arqueólogos encontram esqueletos bizarros na Rússia

Uma equipe de arqueólogos da Universidade de Oremburg, na província de Stavropol Frai na Rússia alega ter feito uma incrível descoberta, descrita como dois esqueletos de aspecto incomum pertencentes a animais/criaturas até o momento desconhecidas.
Liderada pelo professor Sergey Savenko, a expedição realizava escavações em um mound, uma estrutura circular de terra com centro oco, provavelmente erguida antes na Idade Média. Eles haviam encontrado no início do ano alguns ossos e artefatos que levantaram a suspeita de que o lugar seria um cemitério usado entre o séculos X e XIII.
Segundo as notícias divulgadas, os estranhos esqueletos estavam dentro do mound, e foram encontrados mediante uma escavação que se concentrou em descobrir um acesso que levasse ao interior da estrutura. Após semanas de trabalhos, uma abertura foi encontrada e detritos removidos até que fosse possível rastejar para dentro através de um estreito túnel.
"Além de vários ossos e alguns artefatos interessantes, achamos espécimes que podem resultar numa significativa descoberta no campo da macro evolução" disse o professor Savenko.
Os arqueólogos encontraram uma ossada que foi descrita como "semelhante a um sátiro".
Savenko disse que ainda é cedo para categorizar a descoberta, mas em um primeiro momento ele afirmou "não haver uma explicação científica razoável para o que foi desenterrado".

Teria sido a descoberta de uma criatura ainda desconhecida pela humanidade? 
Os primeiros pesquisadores e antropólogos a analisar a ossada disseram que o esqueleto possui um corpo com características que poderiam ser achadas tanto em um caprino quanto em um ser humano. A cabeça, tórax e membros superiores seriam similares a um humano, contudo as pernas teriam características que remetem a um bode. As pessoas que tiveram acesso a ossada passaram a chamar a criatura de sátiro. O que se sabe até o momento é que a ossada pertence a um homem adulto com idade entre 20 e 25 anos quando morreu. Ele teria uma estatura de apenas 1,52 m.
O Sátiro, faz parte da Mitologia Grega, eles são os companheiros do Deus Dionísio. Nas histórias, os sátiros possuem aparência humana com algumas características que remetem a bodes e cabritos, em geral nas pernas, orelhas e genitais. Em alguns mitos os sátiros (também chamados de faunos pelos romanos) possuíam rabo, cascos e chifres no topo da cabeça. Ainda conforme os mitos, os sátiros cumpriam o papel de serviçais do Deus Pã, devotados a proporcionar alegria e prazeres ao seu senhor. Eles também tinham fama de serem amantes de bebida, música e mulheres, de não se furtarem a exageros da gula e da luxúria, tomando parte em qualquer celebração. Consideradas criaturas silvestres, os gregos acreditavam que florestas e bosques, eram a morada dos sátiros.
Relativamente próximo ao pequeno esqueleto do "sátiro", a expedição fez uma segunda descoberta tão inusitada quanto a anterior: Uma grande banheira de pedra que estava semi-enterrada no centro da câmara principal do mound
A peça de granito trabalhado com adornos parece ter função religiosa sendo utilizada para banhos ritualísticos de purificação com ervas.
Mais curioso ainda, a banheira estava cheia de grama e capim, e no seu fundo dela repousava a ossada de um enorme cavalo. O animal, inicialmente tratado como um cavalo de guerra de enormes dimensões, recebeu várias honras e tudo indica o próprio mound foi construído para servir como seu sepulcro. Esse tipo de dedicação dispensado a um animal não condiz com os costumes de nenhum povo conhecido que tenha habitado a região de Stavropol.
"A ossada pertence a um animal enorme, com uma altura assombrosa - quase dois metros na altura de seu ombro. Embora ele pareça um cavalo, não podemos ainda afirmar ao certo se estes restos pertencem a um equino ou a um primo distante que embora guarde similaridades, aparenta ser algo diferente", disse Anna Shvyreva, diretora do Departamento de Biologia do Museu de Stavropol ela não afastou a possibilidade de que os ossos pertençam a algum mamífero pré-histórico.
Os esqueletos foram transportados para o Museu de Ciências Naturais da Província para serem examinados por especialistas em antropologia e biólogos. Enquanto isso, especialistas de outros países, refutam as fantásticas teorias e pedem permissão para examinar a descoberta.
Nenhum resultado foi divulgado até o momento.
Para quem duvida, aqui está um vídeo que mostra as estranhas descobertas, infelizmente está em russo:
   

*     *     *

Eu me pergunto se Shub-Niggurath, a Cabra Negra com mil crias, deu pela falta de uma das suas crianças.

Nesse caso ela não estaria muito contente...

terça-feira, 15 de abril de 2014

O Talentoso Dr. West - A Biografia do perigoso e genial inventor da Re-animação


"Blasfemia? Diante de que? Deus? Um deus insensível com a humanidade que Ele criou a sua própria imagem e semelhança? Eu não serei algemado pelas falhas de seu Deus. A única verdadeira blasfêmia é chafurdar na insignificância. Eu me ergui contra as falhas de Deus e triunfei. Aqui! Aqui está minha criação!" 

Herbert West é um "Anti-Herói" - talvez o maior dos anti-heróis criados por H.P. Lovecraft, e o protagonista na série de contos curtos que compõem a estória "Herbert West - Reanimator".

No início do conto, West é um jovem e brilhante médico residente da Universidade Miskatonic. Arrogante até a raiz do cabelo, dono de uma incomparável genialidade acadêmica no campo da anatomia e bio-química, West talvez seja um dos personagens mais obstinados criados por Lovecraft, o que não é pouca coisa, considerando seus muitos exploradores do desconhecido. A medida que acompanhamos suas experiências, ao longo de vários anos, vemos o progresso do médico cuja sanidade vai se fragmentando em meio a sua obsessão.

West é descrito como "um jovem de baixa estatura, esbelto, de óculos, com feições delicadas, cabelos loiros, olhos azuis claros e voz macia". Não é em absoluto a imagem que se espera de um maníaco dedicado a roubar cadáveres para usá-los em experiências macabras. 

Muitas pessoas associam a imagem e os trejeitos de Herbert West com os criados pelo ator Jeffrey Combs que interpretou o personagem em uma trilogia de filmes intitulados Re-Animator, por sua vez inspirados pelo conto original.

O Herbert West de Jeffrey Combs é um sujeito cínico e irônico. Um médico brilhante que acredita ser capaz de provar teorias controversas e que não via nenhum impedimento ético ou dilema moral em testar sua fórmula em cadáveres roubados. 

Nesse artigo, misturei informações sobre o personagem conforme visto no filme e também no conto e criei uma espécie de biografia dele. O texto que se segue é uma versão de fã que eu usei como base para o personagem quando o inseri em um cenário do RPG Call of Cthulhu. Considerei esses acontecimentos como minha cronologia envolvendo Herbert West.

O Jovem Mestre West

Não se sabe praticamente nada a respeito da infância e da família de Herbert West a não ser que ele nasceu em 1892. Especula-se que ele seja o filho único de um médico e que tenha muito cedo entrado em contato com livros e material da profissão que um dia viria a seguir. Acredita-se que ainda muito jovem ele tenha ajudado o pai como assistente e instrumentador em alguns procedimentos cirúrgicos. Herbert teria aprendido muito a respeito de anatomia observando o pai exercendo o seu ofício o que lhe causou uma fascinação notável.

Fala-se também da mãe de West, uma figura protetora, quase angelical, em contraste com o marido extremamente rígido. A mãe teria se ferido em um trágico acidente e Herbert esteve com ela em seus momentos finais. Versado em técnicas de socorro, o rapaz teria tentado em vão ressuscitar a mãe e não se deu por vencido, até que o pai o afastou bruscamente declarando que a mulher estava morta e nada mais podia ser feito.

Até que ponto essa experiência traumática marcou o jovem Herbert West, só podemos supor.

Embora jamais tenha mencionado a família, Herbert parece ter conseguido uma bolsa na Universidade Miskatonic graças ao seu pai que cobrou favores de conhecidos.

Com apenas 16 anos, Herbert convenceu o Corpo Docente da Miskatonic que tinha conhecimento suficiente para acompanhar seus colegas mais velhos. Ele foi aceito na Escola de Medicina em meados de 1908, após realizar uma cirurgia exploratória e reconhecer vários órgãos em um cadáver. Há relatos de que o talento de Herbert West beirava o sobrenatural. Um dom ofuscado apenas pela arrogância e impaciência diante de professores que ele considerava ineptos. Não se sabe exatamente em que circunstâncias, e os registros da Universidade parecem ter sido apagados a respeito, mas Herbert foi temporariamente suspenso do Curso de Medicina em seu último ano. Alunos comentam que ele teria sido flagrado conduzindo alguma experiência e que em circunstâncias normais ele deveria ter sido expulso, contudo dado o seu talento, preferiu-se meramente uma advertência.

Educação na Suíça

Apesar de sua obstinação, ou talvez por causa dela, Herbert acabou atraindo a atenção de um professor residente chamado Hans Gruber que estava visitando a Miskatonic. É claro, West já ouvira falar de Gruber e das suas controversas teorias envolvendo a morte cerebral. Quando o médico suíço perguntou se ele estaria interessado em acompanhá-lo de volta a Europa para ajudá-lo como assistente, West engoliu o seu orgulho e aceitou.

Pouco se sabe a respeito do período em que West passou em Zurique entre 1911 e 1913. Ao que tudo indica ele foi hóspede na casa do Dr. Hans Gruber, um sobrado em Frankenstrasse. Apesar de Herbert não ter se formado como médico, o Dr. Gruber obteve credenciais especiais para que seu ajudante o acompanhasse ao Instituto de Medicina onde as pesquisas eram conduzidas. Cerca de seis meses depois de retornar a Suíça, Gruber decidiu transferir os experimentos para sua casa. Um laboratório foi construído no porão da propriedade e os dois passavam a maior parte do tempo lá em baixo fazendo suas pesquisas em total privacidade. 

O problema com o Dr. Hans Gruber
Em algum momento durante sua estadia em Zurique, a dupla passa a se concentrar no desenvolvimento de um reagente químico capaz de reanimar tecidos mortos. West jamais revelou quem foi o responsável pela criação da fórmula, mas aqueles próximos a ele ouviram-no dizer que suas pesquisas foram vitais para aprimorar o composto básico. Essa obsessão o acompanharia dali em diante.

Alguns meses depois, vizinhos que residiam próximos a casa do Dr. Gruber passaram a reclamar de gritos e odores desagradáveis durante a noite. Uma faxineira ignorando as ordens de jamais perturbar a dupla no laboratório acabou se deparando com algo perturbador e chamou a polícia. Os inspetores chegam a tempo e salvaram West que estava sendo atacado pelo Dr. Hans Gruber aparentemente tomado por um descontrole emocional. Gruber foi mortalmente ferido pelos policiais e West levado para a chefatura onde prestou um confuso testemunho. Durante o interrogatório ele teria dito que o Dr. Gruber estava morto há semanas e que seu reagente permitiu "trazê-lo de volta". 

Na ausência de provas, ele foi liberado, mas as autoridades suíças revogaram seu visto de permanência e o convidaram a deixar o país.

A Primeira Noite de Horror

West retornou a Nova Inglaterra em 1914 e foi aceito na Universidade Miskatonic para concluir seus estudos. Ele alugou um quarto com outro estudante de medicina Dan Cain e converteu o porão da casa em seu laboratório pessoal. Houve certa animosidade entre West e um dos membros do Conselho da Faculdade o emérito Dr. Carl Hill. West declarou que Hill havia se apropriado de teorias formuladas pelo falecido Dr. Hans Gruber.
Enquanto cursavam as aulas de graduação, Dan descobriu que West havia reanimado um gato atropelado dias antes. Depois de ouvir a explicação de West para a miraculosa reanimação do felino, os dois acabaram concordando em se tornar colegas de pesquisa. 
Furioso com as declarações de West, Hill convenceu o Reitor da Universidade de Medicina, o Dr. Halsey, a suspender a dupla e impedir que eles continuassem utilizando o laboratório para suas experiências. Os dois acabam entrando no necrotério a fim de conduzir testes com o reagente em espécimes humanos. Como resultado eles conseguem reanimar um cadáver, infelizmente, o morto revivido os ataca selvagemente. Para piorar as coisas, o reitor acaba sendo morto pelo espécime. Apesar da violência e tragédia, West pondera que o corpo do reitor talvez possa ser revivido, uma vez que ele está "fresco o bastante". West injeta em Halsey o reagente e este voltou à vida em um estado de confusão mental.  

Hill prendeu o ex-reitor em uma cela acolchoada no hospital e começou a buscar informações sobre qual o teor das pesquisa de West. Quando ficou sabendo com o que os dois estudantes estavam envolvidos, Hill confrontou West em seu laboratório ameaçando entregá-los à polícia se eles não compartilharem os resultados de seus experimentos. Quando Hill se distraiu, West o decapitou usando uma pá. Tomado de mórbida curiosidade, ele reanimou a cabeça e o corpo separadamente com doses do reagente. Enquanto interrogava a cabeça, o corpo do médico subitamente atacou West o deixando inconsciente. 

De posse da fórmula e dos resultados da pesquisa, Hill se refugiou no necrotério onde planejou sua vingança. Utilizando doses roubadas do reagente ele aplicou a fórmula em dezenas de cadáveres que animados passaram a vagar pelo campus como uma horda furiosa. O pânico se alastrou e em meio a confusão West, acompanhado de Dan conseguiram chegar ao Necrotério para enfrentar Hill. Aplicando em seu inimigo uma overdose do reagente, o corpo de Hill sofre uma medonha mutação antes de ser feito em pedaços.

Em meio ao caos no qual se transformou a área do hospital universitário e o campus adjacente, West e Dan escaparam levando consigo as anotações sobre seus estudos.
A Grande Guerra 
Oito meses após os eventos da Noite de Terror, em meados de março de 1915 os doutores Herbert West e Dan Cain se alistaram no Corpo Médico Militar para servir como voluntários na Grande Guerra. Eles foram enviados para servir em um hospital de campo na França, atrás das linhas em St. Eloi. West recebeu autorização para montar um laboratório provisório num galpão para realizar experimentos novos e radicais de tratamento de casos de mutilação. Lá West se sobressaiu, trabalhando como um açougueiro em meio aos seus ensaguentados instrumentos. Às vezes realizando prodígios de cirurgia em soldados, mas na maioria das ocasiões fazia trabalho bem menos filantrópico encerrado atrás das pesadas portas. Por vezes, na calada da noite ouvia-se o estampido do revólver de West colocando fim a algum experimento fracassado.  

A única fotografia do Dr. West no Hospital em St. Eloi
Em meio ao caos da batalha com milhares de baixas, os dois estavam livres para realizar experimentos com o reagente. Além dos espécimes humanos, West começou a trabalhar com as propriedades misteriosas de um repelente tecido embrionário de um réptil que ele vinha cultivando em seu laboratório. Durante essas experiências, West animou dezenas de cadáveres usando essa nova fórmula, buscando uma dosagem e fórmula ideais. Dentre as suas cobaias, eles reanimaram o cadáver de Sir Eric Clapham-Lee um oficial britânico condecorado, cujo corpo foi medonhamente trucidado em um acidente aéreo. Em seu laboratório improvisado num barracão perto do front, West e Cain assistiram a reanimação e verificaram que o soro conseguiu devolver ao herói de guerra parte de sua consciência.

Contudo, a artilharia alemã impediu qualquer comemoração, pois bombas começaram a explodir ao redor da barraca em um ataque impiedoso do qual apenas os dois médicos conseguiram escapar incólumes.

Após esse episódio, West e Cain sumiram de circulação por algum tempo. Supostamente eles continuaram trabalhando no Corpo Médico com nomes falsos, alguns até sugerem que pouco antes do fim do conflito, West mudou de lado a fim de trocar experiências com médicos alemães que podia ajudar com algumas questões envolvendo sua experiência. Ele também teria visitado a Suíça para resgatar papéis pertencentes ao falecido Dr. Gruber. 

Após a guerra, existem rumores de que a dupla tenha, por sugestão de West viajado para a América do Sul, em busca de espécimes do réptil que lhe proporcionou um vislumbre de sucesso em seu projeto de reanimação. A sangrenta guerra civil no Peru fez com que os dois abandonassem esses planos e planejassem seu retorno a América.

De volta às origens

Em 1920, West e Cain finalmente voltam a Massachussetts onde retomaram seus empregos como médicos na Universidade Miskatonic e no Hospital Universitário.

A dupla montou um laboratório no porão de uma casa convenientemente localizada próxima de um antigo cemitério colonial e de uma casa funerária. Utilizando cobaias retiradas do necrotério do Hospital e do mortuário, West começou a estudar os efeitos do reagente sob partes humanas separadas. Ele ficou determinado a criar uma pessoa a partir de partes humanas independentes.

Os planos encontraram forte objeção por parte do Dr. Dan Cain, horrorizado diante da coisa blasfema que West estava construindo no laboratório a partir de várias partes humanas resgatadas. Nauseado pelo que viu, ele se negou a prosseguir na parceria e deixou o projeto.  

A conclusão da montagem da criatura coincidiu com o retorno de fantasmas do passado que ressurgiram para atormentar West. Eram duas de suas experiências malsucedidas que uniram força para colocar um fim às suas pretensões científicas. O laboratório foi invadido por Clapham Lee e o que havia restado do Dr. Carl Hill, mantido na morgue do Hospital desde a Noite de Horror. Os dois conseguiram animar a criatura abominável criada por West e a utilizaram para destruir seu projeto de uma vez por todas.

West sobreviveu ao banho de sangue resultante, mas dessa vez acabou sendo capturado pelas autoridades que o culparam de um enorme incêndio que destruiu sua casa. No porão encontrara corpos e partes de corpos que serviram como base para condenar West. Durante o controverso julgamento, o Dr Cain prestou depoimento em favor da acusação e foi instrumental para a sentença que decretou o confinamento do médico no Asilo Arkham para pacientes mentalmente perturbados. 

Começando Novamente

Nos primeiros seis anos de encarceramento o Dr. Herbert West foi um paciente modelo.

Em 1926, West ajudou a salvar um colega, vítima de um trágico acidente. Se não fosse seu auxílio a vítima teria morrido e graças a essa ato altruísta ele conseguiu ganhar a simpatia da nova direção da instituição. 

West ganhou o benefício de trabalhar no ambulatório do Asilo. Não demorou para que ele reavivasse sua paixão pelo seu antigo ofício. Aos poucos, subtraindo equipamento e componentes químicos ele voltou a produzir pequenas doses de seu reagente para testar à princípio em ratos. Usando de sua persuasão ele conseguiu também convencer o médico responsável a permitir que ele realizasse testes com partes de corpos. 

O projeto avançou lentamente, mas como sempre os experimentos do brilhante médico acabaram desencadeando caos. Em 1928, três das criaturas reanimadas por West, mantidas em seu laboratório improvisado escaparam e deixaram um rastro de morte e destruição. 

Depois disso, West simplesmente sumiu e seu paradeiro permanece desconhecido.

Dr. Herbert West, o Reanimador, 36 anos (c. 1928)

Ocupação: Médico, anatomista, bioquímico, cientista 
Formação: Universidade Miskatonic (Medicina)
Local de Nascimento: Desconhecido (possivelmente Arkham, com certeza no estado de Massachussetts)
Sexo: Masculino

Desordens Mentais: Pesadelos e Obsessão com suas pesquisas. 

Nota: West passou a utilizar uma versão diluída da sua fórmula bio-restauradora como estimulante em seu organismo. A fórmula permite que ele se mantenha acordado e alerta por longos períodos de tempo, maiores que 48 horas. Em compensação ele adquire paranoia nesses momentos. 

Episódios de Insanidade: Quando viu pela primeira vez o resultado de sua fórmula de animação.

FOR 11          DES 15          INT 18 (IDEA 90%)
 CON 13         APA 12          POD 18 (LUCK 90%)
   TAM 09                                EDU 23 (KNOW 99%)

Damage Bonus: +0
Pontos de Sanidade: 10%

Notas a respeito de Sanidade: Embora a sanidade de West seja extremamente baixa, ele é capaz de manter o controle e agir normalmente em sociedade escondendo suas desordens mentais. Em situações de crise, no entanto, sua personalidade civilizada pode ser rompida, deixando aflorar um comportamento implacável e homicida.

Habilidades: Anatomia 80%, Bargain 75%, Chemistry 65%, Credit Rating 40%, Dodge 55%, Electrical Repair 55%, Fast Talk 50%, First Aid 65%, Hide 40%, Library Use 60%, Listen 5%, Inventar desculpas plausíveis 60%, Mechanical Repair 45%, Medicine 79%, Pharmacy 60%, Photography 20%, Selecionar Sistemas Nervosos 55%, Sneak 39%, Spot Hidden 70%, Track 18%

Armas: Bisturi 90%, dano 1d4
                Seringa Hipodérmica 80%, dano 0, crítico libera substância venenosa de POT 16

Línguas e idiomas: Inglês 90%, Latim 45%

domingo, 13 de abril de 2014

A Velha Malvada - Um relato de Paralisia do Sono


O artigo a respeito de Paralisia do Sono se tornou extremamente popular aqui no Mundo Tentacular nos últimos meses. Acho que o principal motivo para essa popularidade (quase 20 mil acessos e mais de 40 comentários!) se deve ao fato de que muitas pessoas se identificaram com a situação de "acordar e se ver preso em um pesadelo".

O texto menciona que essa condição é mais comum do que se imagina e que um número considerável de pessoas sofre de Paralisia do Sono frequentemente.

Desde a publicação do artigo original, recebi algumas mensagens e e-mails de leitores que queriam contar o seu próprio caso. Eu guardei alguns e-mails que mencionavam episódios estranhos envolvendo desde sombras sem forma, até cachorros pretos, passando por demônios vermelhos e outras coisas estranhas que visitaram essas pessoas na calada da noite.

Faz algumas semanas, recebi o e-mail de uma leitora aqui do Blog, que vou chamar de Thais. Ela escreveu a respeito de suas medonhas experiências com Paralisia do Sono desde a infância. Achei a narrativa interessante e perguntei a ela se eu poderia reproduzir o conteúdo de sua mensagem aqui no Mundo Tentacular. Ela concordou, pedindo apenas que eu não divulgasse o seu verdadeiro nome e endereço de e-mail.

Eu comecei a preparar a mensagem para colocar no ar, quando alguns dias depois ela mandou um segundo e-mail.

Uma vez que ela deu permissão de postar a mensagem original, não vejo motivos para não fazê-lo, e embora ela não tenha dado permissão para a segunda, vou reproduzi-la sem citar nomes. A postagem abaixo está na íntegra, não alterei nenhum elemento, nem mesmo eventuais erros de português ou digitação, marcados com um (sic).

*     *     * 


E-mail recebido em 29 de março de 2014

Oi.

Não sei se as pessoas que escreveram esses comentários tiveram mesmo alguma experiência com paralisia do sono ou se inventaram para fazer assunto. Algumas pessoas as vezes inventam coisas para contar um caso.

Mas posso falar por mim mesma e dizer que eu sofro dessas paralisias desde criança, é uma coisa assustadora, muito ruim mesmo. Quem já teve não gosta nem de falar a respeito, às vezes por vergonha, mas também por medo de que falar sobre isso pode fazer acontecer de novo. Sei que é bobagem, mas eu mesma sinto um pouco de afliçaum (sic) apenas de mencionar o assunto.

Achei esse blog por acaso quando pesquisava a respeito de Paralisia do Sono e fiquei impressionada pela quantidade de pessoas nos comentários dizendo que também sofre com isso. Por um lado é bom saber que não estou sozinha, por outro é ruim descobrir que outros são atormentados por algo que nos deixa impotentes

Quando era menina eu não conseguia dormir sozinha. Precisava ter alguém ao meu lado, meu pai ou minha mãe. Para dormir eu tinha que ter um deles do meu lado, de vez em quando eles até precisavam resar (sic) comigo. Nossa família não é muito religiosa, mas resar (sic) às vezes me tranquilizava e deixava eu pegar no sono.  

Quando acordava de madrugada tinha tanto medo que chamava por eles baixinho, torcendo para que só eles ouvissem minha voz. Na maioria das vezes eles vinham e ficavam do meu lado até eu dormir de novo. Tive sorte porque meus pais ficavam comigo sabendo que o que eu sentia era medo de verdade e não birra de criança.

Com uns doze anos mais ou menos, fui passar as férias do colégio com meus tios na casa de férias deles que ficava em S(...). Era muito bom porque eu tinha a  chance de brincar com meus primos e primas e sendo criança era ótimo aproveitar a companhia deles para fazer bagunça. Uma noite, meus tios foram a uma festa e nós, ficamos em casa prometendo que íamos ver um filme, brincar e depois ir dormir. Estávamos no interior e naquela época (era 1988) as coisas eram mais tranquilas e seguras.

Por volta da 01:00 da manhã já estávamos cansados e fomos dormir. Eram seis crianças com idades entre 10 e 14 anos, as quatro meninas ficaram em um quarto e os dois meninos no outro. Tudo estava tranquilo e silencioso e depois de um dia agitado eu lembro de estar bem cansada por isso dormi rápido.

Mas naquela noite, meu sono seria tudo menos tranquilo.

Eu lembro que o pesadelo começou quando eu ouvi os latidos do cachorro da casa. Abri os olhos assustada achando que alguém estava tentando entrar pela porta dos fundos mais (sic) no momento em que tentei falar, as palavras não saíram da minha boca. O meu rosto estava paralisado, eu não podia abrir a boca pra falar, a língua parecia pesada e dormente. Sabe quando você recebe uma anestesia no dentista? Era a mesma coisa!

Meu corpo ficou todo pesado, parecia que eu tinha sido amarrada. Nisso, percebi que minha prima mais nova também estava de olhos abertos, pálida com uma expressão de agonia no rosto como se ela também estivesse lutando para se mover. Eu ouvia ela gemendo baixo e rangendo os dentes. O rosto dela estava virado pro teto e ela estava chorando.

Pensei no que poderia ter assustado ela daquela maneira e acompanhei os seus olhos para o teto do quarto e vi uma coisa horrível lá em cima. Eu tentei gritar, tentei chamar ajuda ou correr, mas não conseguia me mexer. O que estava no teto do quarto parecia uma pessoa mas era algo que eu não conseguia descrever. Ela flutuava no ar, como se não tivesse peso e permanecia ali, imóvel sem se segurar em nada. A coisa era do tamanho de uma pessoa e eu podia ver ela mesmo no escuro. Parecia coberta com um véu preto, como uma cortina feita de seda. Os braços eram compridos e os dedos terminavam em unhas pontudas. Ela estendia os braços na direção da minha prima e passava aquelas unhas a poucos centímetros do seu rosto como se estivesse tentando arranhá-la. 

Mas o pior naquela forma assustadora era quando o véu destampava seu rosto e permitia que eu visse o que estava ali em baixo. Eu juro que mesmo agora, eu sinto um desconforto ao falar a respeito, um temor que quase me fez apagar esse texto duas vezes,. Aquela coisa era tão assustadora que pensar nela ainda me dá arrepios. Primeiro achei que era um homem, mas depois vi que era uma mulher velha. Ela sequer parecia uma pessoa, ao menos, não alguém vivo. Os olhos eram brancos, como os de um cego. Os cabelos compridos brancos e oleosos voavam no ar. Mas o pior era a boca, que abria e fechava sem parar e cada vez que ela o fazia estalava os lábios. Dentes feios e acavalados mordiam os beiços grossos e ela parecia chupar o ar. Cada vez que o fazia aquilo, sorria deixando à mostra os dentes amarelados em uma expressão maldosa.

Eu fechei os olhos, torcendo para que aquilo sumisse. Estava apavorada demais para continuar olhando, mas quando ouvi um som mais próximo não resisti. Abri os olhos e ela estava ali me encarando. Fluituava (sic) a poucos centímetros do meu rosto, tão perto que eu podia sentir um fedor de leite azedo em seu hálito. E quando ela estalou os lábios, senti saliva quente pingando no meu rosto. ela estava babando em cima de mim.  E aí tudo ficou escuro...

O que eu lembro em seguida é do meu tio me sacudindo e minha tia com olhar preocupado tentando acalmar as outras crianças repetindo "está tudo bem, está tudo bem" sem parar. Eu despertei sem fôlego, lutando para respirar.

Contei o que havia acontecido e eles ficaram procupados (sic), meus pais vieram no dia seguinte e foram muito pacientes. Não duvidaram da minha estória. Minha prima disse que não havia visto nada de estranho e apesar de jurar que não viu aquela coisa flutuando no teto, nunca mais quis dormir no mesmo quarto que eu. Engraçado como são as coisas, ela era minha prima mais próxima, mas depois daquilo nunca mais fomos amigas. Não a vejo há anos, imagino que ela tenha ficado tão assustada com o que aconteceu que nunca me perdoou pelo susto. Ou quem sabe ela viu aquela coisa e não quis adimitir (sic). 

O que aconteceu naquela noite eu nunca esqueci. Uma das meninas acordou achando que eu estava me engasgando, ela teve presença de espírito de chamar meus tios e eles vieram rápido para me socorrer.

Aquilo serviu para que eu lembrasse. Eu me dei conta que aquela não era a primeira vez que sonhava com aquela presença e que ficava paralisada meio acordada, meio dormindo. Meus pais contaram que eu havia sonhado com algo semelhante quando devia ter entre 5-6 anos. Na ocasião fiquei sem ar, desmaiei e fiquei tão pálida, que chegaram a pensar que eu estava tendo um ataque chamaram até um médico.

Após esse incidente, minha mãe disse que eu chorava de medo da coisa que eu chamava de velha malvada. Foi nessa época que comecei a ter um medo profundo de dormir sem alguém por perto que pudesse me acordar caso tivesse um pesadelo com a velha. Lá pelos 9 anos a coisa foi sumindo e eles acharam que eu tinha superado o medo, ao menos até aquele dia na casa dos meus tios.

Depois daquilo, a velha malvada apareceu mais algumas vezes, principalmente quando eu era adolescente. Em pelo menos duas ocasiões o medo me paralisou, mas acabei acordando por conta própria. Nas vezes em que ela me visitou, o sonho foi sempre o mesmo: ela surge andando no teto, escalando as paredes ou suspensa no ar imóvel sobre a cama. Ela tem um cheiro ruim, de coisa velha e estragada - que me faz sentir muito mal quando sinto um cheiro parecido. Também tenho um pouco de medo de pessoas velhas, não é um medo que me impede de chegar perto delas, mas sempre fico com receio de chegar perto de velhinhas (parece bobagem kkk (sic). 

Às vezes a velha murmurava alguma coisa mas eu jamais consegui entender o que ela dizia. Na maioria das vezes, ela apenas fica olhando, como se estivesse adorando me deixar apavorada. Uma das coisas que mais me dá medo, é justamente um dia conseguir entender o que ela fala. É como se fosse algum tipo de segredo, quem sabe, o dia em que eu vou morrer ou alguma coisa parecida.

Faz um bom tempo que a velha malvada me visitou pela última vez. Meu marido sabe da história e sempre brinca a respeito, ele nunca teve paralisia e não sabe como é. Como disse, é bom poder escrever a respeito e saber que não sou a única pessoa que sofre com essas coisas. É algo muito ruim que eu não desejo a minha pior inimiga.

Obrigado pela matéria, foi bem esclarecedora. 

*      *      * 


E foi isso.

O que a Thais descreveu é considerado como um dos tipos mais comuns de Paralisia do Sono, algo que chamam de "Old Hag Syndrome" no qual a pessoa vê um tipo de "velha feia" (old hag). Em geral essa aparição tende a ser passiva, se limitando a olhar, falar mal ou fazer gestos obscenos, mas há relatos de pessoas que sofrem falta de ar a medida que a "velha" tenta sufocá-los sentando sobre seu peito.

De fato, histórias a respeito de velhas assustadoras: enrugadas, com cabelos grisalhos e aparência de uma bruxa de contos de fada, são mais comuns do que se pensa. Se não me engano tem até uma figura do folclore brasileiro chamada "pisadeira" que é uma velha que tenta pisar ou sentar sobre as pessoas quando elas estão deitadas.

Seja como for, quatro dias depois da primeira mensagem, a Thais mandou um segundo e-mail mais curto que eu reproduzo abaixo. A mensagem foi enviada de madrugada:

E-mail recebido em 03 de Abril de 2014

Eu fiquei apavorada e ainda estou tremendo. Acordei de supetão, eu venho tendo sonhos muito ruins nos últimos dias, mas acho que não chegou a ser Paralisia do Sono. São só sonhos muito ruins, embora não lembre detalhes sobre eles. Quando acordo não sei dsobre o que eram. Fica só aquela aflição.

Meu marido disse que eu tenho me mexido muito e que cheguei a falar algumas coisas enquanto dormia, mas que ele não conseguiu entender.

Mas essa noite, o que nos acordou foi outra coisa. ouvimos gritos no quarto ao lado e levantamos assustados para ver o que era. O meu filho estava deitado na cama com o rostinho cheio de lágrima e o corpo coberto de suor gelado. Nunca vi ele daquele jeito ele estava apavorado e tinha molhado a cama. É a mesma forma como eu ficava. Ele se agarrou no pai e ficou chorando e só depois de um tempo contou que tinha visto uma velha feia andando na parede do quarto e não conseguia se mexer. Ele só acalmou quando eu levei ele para nosso quarto.

Nunca contei sobre os pesadelos que tinha na idade dele, porque ele podia ficar impressionado. O que ele falou se parece demais com o que eu via quando tinha a idade dele.

Nem sei o que pensar.


*     *     *

Desde então tentei entrar em contato com a Thais, mas nenhum dos e-mails foi respondido. Na última vez que tentei, recebi uma mensagem dizendo que esse endereço não existia mais.

Claro, é bem provável que seja apenas invenção, sabem como é, "quem conta um conto, aumenta um ponto" (não é o que dizem?), mas nunca se sabe...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

ORIGINS AWARD - Saíram as indicações para a premiação dos melhores do RPG e Boardgames de 2014

E aí pessoal,

Saíram as indicações do Origins Award 2014, a premiação que escolhe os melhores RPG e os melhores materiais ligados ao nosso querido hobby. Essa é a quadragésima edição do prêmio que ao longo de sua existência apontou as novas tendências e agraciou grandes jogos, destacando o que há de melhor no mundo do RPG e jogos de tabuleiro (também dá prêmios para cards e miniaturas, mas como não é o nosso foco aqui no blog, acabei cortando essa parte).

Os candidatos (e os meus favoritos) são os seguintes:

Best Roleplaying Game

13th Age – Pelgrane Press

FATE Core System – Evil Hat Productions, LLC

Mummy: the Curse – White Wolf Game Studio

Numenera - Monte Cook Games

Shadowrun: Core Rulebook – Catalyst Game Labs

Meus favoritos: Cara que categoria complicada. Muita coisa boa em um ano que realmente prometia e que nos trouxe grandes jogos. É uma categoria em que qualquer um realmente poderia ganhar. O novo Shadowrun foi muito elogiado, foi quase que uma unanimidade no que ouvi falar em várias resenhas de que é uma das melhores edições até hoje (e isso de um jogo clássico não é pouca coisa!). O Mummy também foi incrivelmente elogiado, dizem que é de longe a melhor coisa que a White Wolf lançou em muitos anos. O 13th Age "apenas" se tornou uma proposta para o Dungeons and Dragons que prometia tornar a polêmica quarta edição mais palatável, e ao meu ver consegue ser bem interessante. O FATE por sua vez desponta como uma grande proposta de sistema que ganha uma legião de fãs cada vez maior. Mas, eu tenho que ser fiel ao meu vício atual: NUMENERA na minha opiniãoé um dos melhores livros que foram lançados nos últimos tempos, a prova cabal de que ainda tem muita coisa bacana em matéria de ambientação e sistema de regras para ser inventado.

Best Roleplaying Supplement

DC Adventures Universe – Green Ronin Publishing

Heart of the Wild – Cubicle 7 Entertainment

Transhuman – Posthuman Studios

Night’s Watch – Green Ronin Publishing

Eternal Lies – Pelgrane Press

Meus favoritos: Outra que vai ser difícil apontar apenas um sem ser de alguma forma injusto com os demais. Muita coisa boa nessa categoria. Sobre o DC Adventures Universe eu só ouvi elogios rasgados, alguns que afirmam que ele é um dos melhores livros de supers lançados até hoje. O Transhuman também chamou a atenção e colecionou elogios da galera dedicada ao gênero Sci-Fi. Já o Nights Watch da Green Ronin consegue introduzir elementos novos e acrescentar detalhes a já rica mitologia de Westeros (Game of Thrones). Eu particularmente gostei do Heart of the Wild, que tem a mesma (sensacional) qualidade de tudo o que foi lançado até o momento para a ambientação de "The One Ring". Achei que o livro poderia ser um pouco mais profundo, mas ainda assim é um ótimo título. Contudo, vou ser um pouco bairrista aqui e votar no candidato tentacular. ETERNAL LIES é uma Mega-Campanha em que tudo é grandioso, sensacional, espantoso e megalomaníaco. Texto muito bem escrito e detalhado que remete aos áureos tempos das grandes campanhas para salvar o mundo dos horrores dos Mythos. 

Melhor Jogo de Tabuleiro

Trains – Alderac Entertainment Group

Time n Space – Stronghold Games

Space Cadet: Dice Duel – Stronghold Games

Krosmaster Arena – Japanime Games

City of Iron – Red Raven Games

Meus Favoritos: Nesse caso, vou votar nos que conheço e não nos que ouvi falar. O Time n Space e Space Cadet são bem divertidos. Eu vi o pessoal jogando e achei bem interessante, embora não tenha aparecido uma vaga para eu participar. Mas aqui eu fico com o CITY OF IRON que é um daqueles jogos de gerenciamento de recursos onde você precisa construir uma nação a partir do nada e disputar com seus adversários até a última rodada do jogo. Eu gostei da proposta dele de juntar magia e tecnologia, além de oferecer raças que fogem do lugar comum (temos homens porcos e homens sapos, onde se viu isso antes?). Mecânica bem engendrada e visual agradável que resulta em um divertimento agradável sem ser desgastante ou desnecessariamente longo. 

Melhor Acessório de Jogo

Krosmaster: Fire & Ice – Japanime Games
Shadowrun GM Screen – Catalyst Game Labs

Fate Dice – Evil Hat Productions, LLC

Space Gaming Mat – HC+D Supplies

Pathfinder Battles: Skull and Shackles – WizKids Games


Meus Favoritos: Caras, eu conheço apenas o Shadowrun GM Screen que é bem legal e meus colegas que compraram elogiaram. Mas sinceramente, um Screen não é exatamente uma novidade... pesar de gostar muito de usar divisórios de mestre, eu concordo que esse recurso se presta a uma função que muitas vezes é deixada de lado por muitos narradores. Ao invés de votar direto nele, resolvi dar uma olhada nos outros candidatos. O Fate Dice na minha opinião é legal e tal, mas não para receber o título de "melhor acessório", foi então que vi o PATHFINDER BATTLES: SKULL AND SHACKLES. Que negócio maneiro! Via de regra eu não sou muito fã de miniaturas, mas essa coleção dedicada exclusivamente a piratas e monstros marinhos, eu compraria com prazer. Realmente excelente!
  
Best Historical Board Game

SOS Titanic – Ludonaute

Navajo Wars – GMT, designed by: Joel Toppen

Freedom: The Underground Railroad – Academy Games

1775: Rebellion – Academy Games

Francis Drake – Eagle Games

Meus Favoritos: Embora eu tenha ficado curioso com o SOS Titanic e tenha achado ele simpático não achei o mais bacana dessa seleção. Outro legal é o Freedom, embora o tema da ferrovia secreta que supostamente funcionou durante os anos da escravidão e ajudou na fuga de escravos do Sul dos EUA para o Norte, seja mais interessante para os próprios americanos. Mas aqui tive pouco trabalho em selecionar o meu favorito: FRANCIS DRAKE. Esse jogo reúne elementos que me interessaram bastante. Primeiro o tema da Exploração e Conquista do Novo Mundo diante de todas as adversidades e desafios. Depois a fase de preparação para organizar a melhor expedição possível (comprando canhões, contratando a melhor tripulação e capitão, gastando recursos em equipamento de qualidade, etc.). E finalmente o visual das peças, tabuleiro e componentes (com destaque para o baú do tesouro e as caravelas). Grande jogo, excelente valor de produção e diversão garantida!

Best Game Related Publication

Khan of Mars – Evil Hat Books

Fire for Effect – Catalyst Game Labs

ICv2 - Editor: Milton Griepp

Dork Tower – Editor: John Kovalic

TableTop – Wil Wheaton, Felicia Day

Meus Favoritos: O Dork Tower do Jon Kovalic é um clássico indiscutível. Eu adorei a proposta do Khan of Mars, nada pode ser mais pulp do trazer aventuras narradas por um personagem ao mesmo tempo nobre, erudito e valente, que por um acaso do destino é um gorila inteligente. Mas apesar disso, meu favorito é o TABLE TOP, página do Wil Wheaton que se reinventou de ator mirim insuportável (quem lembra do Wesley Crusher?) em promotor de Cultura Geek. A página dele muito organizada, cheia de informações e vídeos cumpre o seu papel de apresentar novidades com destaque para jogos de tabuleiro. Vale a pena a visita, e não se surpreenda se você acabar voltando regularmente para saber "o que há de novo".

Os vencedores serão anunciados na Origins Awards Ceremony no dia 14 de Junho.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Cinema Tentacular (das Antigas): Re-Animator


Ok, já passou da hora de reparar uma grande injustiça cometida aqui no Mundo Tentacular.

O Blog a respeito de H.P. Lovecraft está no ar já faz um bom tempo e até hoje não havíamos feito uma resenha decente sobre um dos melhores filmes inspirados pela literatura de Lovecraft. (E enquanto Guilhermo Del Toro não lançar seu "Nas Montanhas da Loucura" deve continuar dessa forma). 

Estou falando de Reanimator de Stuart Gordon!

Considerado para muitos como um clássico da tosqueira, muito imitado, jamais igualado. Para outros um absurdo, um desrespeito com a memória de Lovecraft que daria voltas no caixão se visse meio minuto do filme. Para a maioria, no entanto, Reanimator é um dos filmes de horror mais divertidos de todos os tempos.

É engraçado como alguns filmes marcam a gente. Eu já relatei em outros artigos as minhas lembranças sobre alguns filmes de horror que assisti quando era moleque (entre 11 e 15 anos). Uma das minhas maiores diversões, nessa época, era encontrar os amigos depois do colégio, ir até a locadora e alugar filmes de terror toscos para assistir a tarde inteira. Houve um tempo (muito antes da TV à cabo e dos DVDs) em que as videolocadoras ofereciam diversão barata para quem queria mergulhar de cabeça em estórias de horror sem muito sentido, com direito a baldes de sangue, mutilações absurdas, violência sem noção e nudez gratuita.

"Vejamos qual o melhor diagnóstico"
Tudo bem, a maioria dos filmes eram bobos e esquecíveis. Mas garanto que aqueles que estão na minha faixa etária (30 e vários), devem lembrar com carinho de pelo menos alguns filmes de horror dos anos 80. Filmes que eram tão ruins, mas tão ruins que acabavam sendo bons. Eu tenho vários prediletos que reconheço, eram meia boca, mas que eu adorava: "Colheita Maldita", "Eles Vivem", "Phantasm", "Quadrilha de Sádicos", "Pague para entrar, reze para sair"... isso sem falar de coisas como "A Maldição de Samantha", "Noite dos Demônios" ou "A Noite das brincadeiras Mortais"...

Só que Reanimator estava num outro nível.

Reanimator era muito mais do que um filminho descartável que ficava na memória por apenas alguns minutos depois de rebobinar a fita (sim, me sinto um velho caquético tendo escrito isso!). Já naquela época, ele tinha algo que os outros não tinham, pode chamar de magnetismo, de personalidade ou de carisma, ele se destacava. Hoje em dia, não é preciso se sentir culpado em admitir a satisfação que filmes como esse, por anos massacrados por críticos metidos a besta, inspiram nos verdadeiros fãs do Horror B. Filmes da lavra de Reanimator ganharam o status de Cult e uma legião de fãs dispostos a defendê-los com unhas e dentes.

E Reanimator é de tirar o fôlego: ultrajante, sanguinolento, ridículo, chocante, vibrante, bizarro, grotesco e acima de tudo divertido. Ele consegue ao mesmo tempo te deixar nauseado e arrancar risadas como se você fosse uma hiena.

"Saia da frente, Dan"

Reanimator foi o primeiro filme de Stuart Gordon, adaptando um roteiro levemente baseado em uma das estórias mais subestimadas de H.P. Lovecraft, considerada pelo próprio, como uma bobagem escrita para ganhar um trocado. Tomando emprestado ideias e conceitos de “Frankenstein”, “Herbert West, Re-Animator” conta a estória de um cientista louco interferindo com a natureza. Na versão de Gordon, a estória é transferida para meados dos anos 1980, com direito ao acréscimo de uma personagem feminina que se torna interesse romântico de um dos protagonistas e muito sangue. O roteiro se concentra na obsessão doentia de um estudante de medicina, que desenvolve um tipo de composto químico, o reagente reanimador (um líquido verde fosforescente) capaz de devolver a vida a pessoas mortas. O grande problema é que quando as cobaias despertam, estão completamente fora de controle. Talvez a culpa seja da dosagem, algum erro quanto ao frescor do morto... de fato, Herbert West não dá a mínima. Em sua busca por sucesso, ele testa o reagente em qualquer cadáver em que consegue enfiar a agulha.

Foi com base nessa premissa simples que Gordon e seus co-roteiristas William J. Norris e Dennis Paoli expandiram a narrativa criando situações pra lá de bizarras. Junte a essa fórmula baldes de tripas, nudez frontal e senso de humor do mais negro, elementos que fariam Lovecraft perguntar "em nome de Cthulhu, porque?!?", e pronto...

Uma visita noturna ao necrotério

O roteiro fornece um herói que é exemplo de retidão, Dan Cain (Bruce Abbott), para servir como referencial para a audiência. Em termos gerais, ele é um dos únicos personagens sãos do filme. Cain é um estudante de medicina na boa e velha Universidade Miskatonic, disposto a  realizar algo memorável em sua carreira. No início do filme, o sujeito parece estar no caminho certo para o sucesso: ele é respeitado entre os colegas e professores, tido como um aluno de primeira, além de estar envolvido com Megan Halsey (Barbara "Whoa Baby" Crampton) filha do Reitor Halsey (Robert Sampson). Cain está procurando por um colega para dividir a casa onde vive e acaba encontrando um sujeito esquisito chamado Herbert West, um estudante que foi transferido da Suíça depois de ter tido "alguns problemas" com seu mentor, o Dr. Hans Gruber. A famosa introdução do filme, dizem foi incluída para fisgar o público, já que nas sessões testes se reclamou que a ação demorava a começar.

Dean acaba aceitando West como colega de quarto e mais tarde como parceiro em suas experiências malucas que envolvem reviver gatos e cadáveres roubados do necrotério. O roteiro tem espaço ainda para um vilão maquiavélico, o Dr. Carl Hill, que ao ficar sabendo da existência da fórmula, e literalmente "perde a cabeça" tentando obtê-la. É claro, nem isso detém o Dr. Hill que depois de decapitado, morto e revivido, ainda tem disposição para dar asas às suas fantasias sexuais envolvendo a saliente filha do reitor. O que dá margem para uma das cenas mais notórias do filme quando a cabeça do bom Doutor planeja explorar intimamente seu objeto de desejo amarrada numa maca.

Grosseiro? Claro! 

De Mal gosto? Pode apostar! Mas não deixa de ser uma cena incrivelmente divertida. A própria Barbara Crampton, conta na faixa de comentários do DVD que seus pais jamais viram o filme por conta dessa cena. Como um filme tão gráfico e explícito pode resultar em algo tão divertido? Talvez seja por conta de que todos os envolvidos na produção de Reanimator tenham tido o bom senso de não se levar à sério em momento algum. Tudo no filme é tão selvagem e surreal, que não há como levar nada do que é mostrado à sério. Há algumas cenas que para os padrões da época (e mesmo para os atuais) poderiam ser consideradas chocantes, mas que em face do clima caótico, acabam tendo o mesmo efeito da violência de desenho animado. 

"Eu sempre admirei a sua beleza minha querida".
Contudo, nada disso desmerece Reanimator como filme de horror, nem mesmo o fato de que em algumas cenas você se pergunte se está assistindo na verdade uma comédia pastelão.

Muito disso se deve ao toque do Diretor. Stuart Gordon não por acaso passou a ser considerado um dos Mestres do Horror dos anos 1980 depois desse filme. Em Reanimator ele está em sua melhor forma. Pena nunca ter conseguido igualar o sucesso que obteve com Reanimator, nem mesmo com From Beyond, uma tentativa de reeditar o sucesso, usando outro conto de Lovecraft, com a mesma equipe e elenco.

Outra razão para o sucesso de Reanimator reside na escolha acertada do elenco. Bruce Abbott consegue criar um personagem simpático com quem o espectador se identifica. Barbara Crampton também está bem, em todos os sentidos. O Dr. Hill por sua vez é perverso e maldoso na medida certa. Mas é o Herbert West interpretado por Jeffrey Combs que rouba todas as cenas em que aparece. O personagem é obsessivo como o Dr. Frankenstein e dono de uma língua ferina digna de Oscar Wilde. Ele é ao mesmo tempo o cara mais esperto e mais insano na tela. O grande mérito de Combs é ter encontrado o perfeito equilíbrio entre loucura e carisma. O Herbert West que ele criou não conhece o significado das palavras ética, moral ou bom senso, mas mesmo assim, você não consegue deixar de gostar dele. Talvez ele tenha sido o primeiro geek genial e ranzinza que estabeleceu empatia. Uma cena é emblemática para provar do que o Dr. West é capaz. Quando ele surpreende seu algoz atormentando a deliciosa filha do reitor, arremata sem piedade: 

"Francamente Dr. Hill, eu estou muito desapontado com o senhor. Você rouba o segredo da vida e da morte, e eu o encontro com essa estudante cabeça oca. Você não é nem um cientista de segunda categoria. Arrume trabalho em um circo de variedades"!


"Weeeeeesssssst... ssssseeeeeu.... bassssssssstardo"
Reanimator, que aqui recebeu um ridículo subtítulo, "A Noite dos Mortos Vivos", é daqueles filmes que você não cansa de assistir. Lembro dele passando picotado nas tardes do Cine-Trash da Bandeirantes, apresentado pelo lendário Zé do Caixão. Assistia ele sempre que possível, com a dublagem original que era um espetáculo à parte... "Vá procurar emprego num mafuá, Dr. Hill".

Para quem não viu essa pequena joia dos anos 80, eu só posso aconselhar uma coisa. Procure esse filme imediatamente. Assista ele na companhia de seus amigos, bebendo uma cerveja e prepare-se para 86 minutos de diversão indecorosa.

Ah sim, uma boa notícia para quem gosta de colecionar filmes. Re-Animator recebeu uma edição super caprichada alguns anos atrás com o selo Anchor Bay Collection. Para quem não conhece, a Anchor Bay é especialista em criar edições especiais e comemorativas para filmes Cult de horror.

A Edição Dupla de Re-Animator (também disponível em Blu-Ray) foi remasterizada em alta definição de som e imagem, acrescido de uma infinidade de extras exclusivos, vistos aqui pela primeira vez. São faixas de comentários, trailers, spots, cenas deletadas, behind the scenes, galerias de fotos, entrevistas, o script completo do filme e um super documentário megazorde de 70 minutos (quase a metragem do filme!) chamado RE-ANIMATOR RESSURRECTUS que conta toda a saga do filme e o legado deixado por ele para o gênero.


A edição especial da Anchor Bay
Que acompanha esse marca texto em forma de seringa

Na melhor tradição dos filmes dos anos 1980, o sucesso do filme motivou duas continuações. A primeira, "A Noiva de Re-Animator" (1990) é passável, embora não tenha o mesmo frescor e ritmo do original. A segunda continuação, "Re-Animator - Fase Terminal", bem é melhor nem comentar...

Existe uma lenda de que Re-Animator será refilmado e outra que fala de uma possível série de televisão e até um musical, mas nenhum desses projetos chegou a ser levado à cabo.

Sinceramente, na minha opinião uma refilmagem não iria conseguir a façanha que o filme original conseguiu.

Trailer:



E que tal o filme inteiro legendado em português?