segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Resenha do filme Sherlock Holmes

Sherlock Holmes é um dos personagens mais adaptados da história do cinema.

Há inúmeros filmes dedicados a ele, sendo que o mais antigo - "The Adventures of Sherlock Holmes" foi filmado em 1905. Na década de 40, Basil Rathborne personificou o destemido detetive em nada menos que 14 filmes. Rathborne não apenas atuou, ele emprestou sua face a Holmes. Foi a partir dele que Holmes ganhou sua imagem mais conhecida. Mas o ator sul-africano não foi o único que encarnou o personagem nos cinemas: Charlton Heston, Christopher Lee, Michael Caine, Peter Cushing, Peter O´Toole, Frank Langela... todos vestiram a capa xadrez, o chapéu de caça e fumaram o cachimbo de Holmes.

Mas os tempos mudam.

Não que Holmes tenha perdido seu encanto, longe disso. Porém muitos acreditavam que o personagem precisava de uma releitura e de uma nova roupagem para entrar no século XXI e ser apresentado a toda uma nova geração de fãs em potencial.

É essa a proposta do filme que está em cartaz e que desponta, desde já, como um dos blockbusters do ano.

"Sherlock Holmes" faz uma aposta arriscada ao investir em ação vertiginosa para conquistar o público jovem que costuma lotar os cinemas. Os mais puristas podem torcer o nariz, pois o resultado remete a um Máquina Mortífera na era Vitoriana: cenas de luta coreografadas, explosões, perseguições, tiroteios e humor ocasional.

Essa mudança faz de Sherlock Holmes um mau filme?

A resposta felizmente é não. Sherlock Holmes é um filme extremamente divertido que conta com um elenco inspirado cuja sintonia é contagiante.


Todos já devem saber que Robert Downey Jr é quem vive o personagem título. A escolha parecia fadada ao fracasso: o ator não tem qualquer similaridade física com o detetive inglês, descrito como alto e esguio. Downey ganhou carta branca do diretor Guy Ritchie (de Snatch e Jogos, trapaças e dois canos fumegantes) para criar em cima do personagem, abandonando certas características consagradas e adaptando outras. O Holmes de Downey Jr é um tipo cheio de energia, arrogante, brilhante e meio malandro.

A fórmula talvez não funcionasse com outro ator, mas Downey Jr tem uma atuação que esbanja carisma e conquista a platéia desde a primeira cena. Seu Holmes talvez seja diferente fisicamente, mas as características que acompanham o personagem desde sua criação estão todas lá. O raciocínio apurado, a capacidade de observação e o poder de dedução continuam sendo suas marcas registradas. Detalhes menores também se fazem presentes: o violino desafinado, as experiências químicas, os disfarces infalíveis, as deduções feitas a partir da observação...

O elenco de apoio conta com um Jude Law quase perfeito. Fisicamente compatível no papel, Watson não é mais um mero ajudante do detetive, ele se mostra como peça fundamental na investigação. Além de ajudar Holmes analisando as pistas, ele se torna seu braço direito quando é preciso enfrentar os vilões seja com armas de fogo ou com os punhos. Watson e Holmes dividem um aparatamento e apesar das brigas e picuinhas, possuem uma profunda afeição e respeito, que estão sendo postos a prova pelo casamento do bom doutor.

Não é exagero afirmar que os melhores momentos do filme são proporcionados pela perfeita química estabelecida entre a dupla.

Rachel MacAddans é a protagonista feminina no papel da dinâmica Irene Adler. Na mitologia de Holmes ela já era retratada como uma mulher fascinante à frente de seu tempo. Holmes tinha uma profunda admiração por ela. No filme ela se apresenta como interesse romântico para o detetive e uma personagem misteriosa cujas motivações ficam ocultas até o fim.

A trama não faz parte do cânone de Arthur Conan Doyle. Holmes e Watson precisam deter a ameaça de um certo Lorde Blackwell (Mark Strong), um soturno nobre, envolvido com bruxaria e satanismo (nos moldes de um Alesteir Crowley) que é responsável por assassinatos ritualísticos no coração de Londres. Após ser capturado e condenado à morte, o vilão promete que retornará dos mortos para extrair sua vingança. Logo a promessa de Blackwell se faz cumprir e as pessoas que ele jurou eliminar começam a morrer de forma bizarra.

Holmes precisa desvendar o mistério da ressurreição de Blackwell, o envolvimento de uma sociedade secreta, antigos rituais místicos e pessoas poderosas, a fim de salvar a cidade mergulhada no terror.

A estória é bem amarrada e a trama envolvendo forças sobrenaturais ajuda a criar um clima de suspense. O inimigo clássico de Holmes, o Professor Moriarty aparece brevemente, contudo seu rosto não é revelado deixando um gancho para a inevitável continuação.

Guy Ritchie consegue imprimir um bom ritmo no filme, embora cometa o pecado de deixá-lo um pouco longo.

A parte técnica de Sherlock Holmes é impecável. O figurino e a direção de arte são de cair o queixo, recriando nos mínimos detalhes a escura e claustrofóbica Londres Vitoriana. Os cenários grandiosos, abusando dos efeitos digitais, são realmente impressionantes e merecem ser enaltecidos. A Londres de Sherlock Holmes não fica devendo nada a apavorante recriação contemporânea de Do Inferno.

Igualmente irretocável são os efeitos sonoros e a empolgante trilha sonora de Hans Zimmer que pontua os momentos mais intensos do filme. Não espere algo profundo ou um mistério intrincado, Sherlock Holmes se propõe a ser um filme divertido, nada além disso. Para quem mantiver isso em mente, pode ter certeza, vai se divertir a valer.


Achou interessante? Talvez você também goste:

- Harry Houdini e sua amizade com Arthur Conan Doyle:


- Os personagens mais famosos de Conan Doyle:


- As aventuras de Sherlock Holmes:


8 comentários:

  1. Sinceramente odeie, li apenas alguns livros dele mais isso de tentar transformar ele em algo mais moderno e decolado para atrair jovens é uma tremenda bobeira na minha opinião.

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  2. Achei alguns momentos interessantes, como o raciocínio lógico mostrado pelo Holmes em certas ocasiões. Foi bem fiel aos livros.

    Agora as cenas e combate corporal foram totalmente dispensáveis. Não o imagino fazendo isso.

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  3. Gostei do filme,mas como fiquei sabendo o livro mostra o Sherlock Holmes de uma outra forma no filme.O Holmes mais "moderno",mais vamos dizer "lutador" e nao imagino ele desta forma.Gostei da critica que foi citada acima e acho que tem alguns exageros nele.

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  4. Um sherlock Holmes com habilidades de luta nada mais interesante para um genio da dedução como holmes em muitas vezes a luta e determinada pela astucia do lutador e capacidade de prever os golpes de si proprio e do oponente se uma pessoa for fria o bastante para que num momento qualquer da luta cosiga racicinar assim certamente ela adquirirá vantagem sobre o oponente, enfim, essa versão de holmes repaginada é muito melhor do que o mitologico holmes de historias anteriores.o filme é incrivel.

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  5. Nossa eu adorei o filme do Sherlock é muito legal.Eu assisti esse filme na escola , pra mim eu acho que todo mundo gostou.
    A parte do filme que eu mais gostei foi quando o Sherlock Holmes luta com o Blackwell nossa foi a minha parte favorita do filme.Mais agora a minha professora de portugues pediu pra gente fazer uma resenha vamos ver como eu vou me sair né!!
    ass:anônimo

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  6. Olá,

    Só dando meus vinte e cinco cents às discussão. Sherlock lutava nos livros, ele praticava boxe (Signo dos Quatro, um ex-pugilista o reconhece por ter sido nocauteado pelo detetive). Fora que Conan Doyle também o retrata como praticante do baritsu, que corresponderia ao bartitsu, uma arte marcial bastante praticada na Inglaterra naquela época. Sem mencionar sequencias de ação e aventura ao longo dos livros. O filme foi completamente fiel aos livros, ele foi realmente uma remodelagem, mas da imagem produzida pelos filmes anteriores.

    E pra quem leu os livros, ver o Sherlock como realmente é - fora o Watson que era um jovem soldado que foi aposentado precariamente por causa do ferimento no joelho - ainda tinha muitas referências a materiais dos livros, como o garoto da brigada aparecendo no meio da perseguição, a loja de penhores, o relógio velho e riscado e são tantas referências a materiais dos livros que a pessoa assiste mais umas duas vezes só pra tentar pegar as referências. :)

    Por isso, pra mim, o filme foi bastante fidedigno ao ritmo dos livros que sempre foi mais de aventuras do que de investigação em si - o livro usa um logro pra manter o clima de investigação, que é a narrativa em primeira pessoa, do Watson, que não reconhece as pistas e portanto não fala tanto delas quando elas estão na cena, só revelando-as posteriormente na fala do Sherlock. :)

    Bonanças.

    Atenciosamente,
    Leishmaniose
    (que viu gente reclamando da falta do chapeu e da capa, mas elas nunca foram descritas pelo Conan Doyle como vestimentas dele... :D)

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  7. Nossa! gostei bastante,estou pensando em ler os livros,mas queria como todo bom leitor dar uma pesquisada antes pra conhecer um pouco mais e ver a opinião da galera,obrigada! ;)

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