terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Morte Silenciosa - Os Venenos e Toxinas mais famosas da história


Uma vez que as pessoas descobriram que era possível matar umas às outras discretamente usando substâncias tóxicas ao invés da violência, o proverbial ovo da serpente foi chocado. Venenos se tornaram uma arma letal usada com astúcia por assassinos com o intuito de eliminar desafetos, para cumprir contratos de morte e garantir o desaparecimento de oponentes. 

Para o bem ou para o mal, os venenos fazem parte da história humana e nos acompanham literalmente desde que nasceram as intrigas. Em tempos bíblicos, venenos já eram usados para matar reis. Provadores de comida e de vinho tinham um trabalho bastante perigoso. Na Roma e na Grécia, o veneno era empregado tanto por senadores e nobres quanto por concubinas e escravos. Na Idade Média, os venenos se tornaram uma maneira rápida de se livrar de oponentes políticos sem levantar suspeitas. Lucrécia Bórgia se tornou notável pelo seu uso. Em meio a intrigas palacianas, o veneno foi proeminente entre nobres e plebeus que mataram e morreram na Revolução Francesa. Venenos e toxinas se tornaram a arma preferida dos espiões, dos dissimulados e dos covardes que não se importavam com honra ou bravura.   

Em tempos mais recentes as pessoas começaram a compreender como funcionavam os venenos e passaram a desconfiar de seu uso sempre que certas circunstâncias surgiam. Alguns venenos se tornaram pouco práticos e acabaram saindo de moda, mas eles ainda são usados e despertam um misto de medo e horror. 


Substâncias Clássicas: Cicuta e Acônito

Vamos começar pelos Clássicos. Quando as pessoas não sabiam a quem recorrer para se livrar de um problema, a cicuta oferecia uma opção mortal. Ela é famosa por ter sido o veneno usado pelo Filósofo Sócrates que bebeu uma dose letal para cometer suicídio. A morte provocada por cicuta não era uma particularmente agradável. Cronistas do período afirmavam que se tratava de uma morte tranquila, apenas uma leve sensação de sonolência, um leve torpor e tudo estava acabado. Infelizmente não é bem assim! Cicuta age como uma substância paralisante que preserva a mente desperta. Ele atinge os músculos e então começa a atingir o sistema respiratório. A morte vem através de asfixia, e o indivíduo permanece consciente até o fim. Sua respiração vai diminuindo até a falência completa.

Acônitos é um veneno natural extraído de uma planta conhecida como capuz de monge. Ele também é conhecido por ter feito uma vítima famosa: o Imperador Claudius teria sido envenenado por sua esposa que colocou acônito em um prato de cogumelos. Acônito também se tornou conhecido como o "veneno das sogras", talvez por que na Roma antiga ele tenha sido usado mais de uma vez para eliminar genros ou noras problemáticos.

A planta do Acônito
As vítimas de acônito também não partem de maneira silenciosa. Os primeiros efeitos da toxina incluem ânsia de vômito e diarreia severa. O organismo da vítima tenta a todo custo expelir a substância que o arruína por dentro. Mas não há como sobreviver a essa exposição. O veneno causa uma arritmia na função cardíaca que vai se intensificando até o coração literalmente não suportar o esforço. O resultado é um ataque cardíaco fulminante. 
     
Cicuta e acônito eram os venenos favoritos dos gregos e romanos. Contudo, eles raramente usavam esses venenos em sua forma natural, ao invés disso, procuravam mascará-lo na carne de cotovias, que segundo alguns disfarçava o gosto. Vinhos fortes também podiam receber uma pequena quantidade de cicuta que os envenenadores dosavam lentamente para que os efeitos fossem disfarçados. Um assassino talentoso podia matar sua vítima sem que essa sentisse nada além de um mal estar confundido com indigestão. Pequenas doses também podias ser colocadas em poços ou cisternas, matando além da vítima desejada todos os habitantes de uma casa. Manipulado cuidadosamente, esses venenos podiam ser indetectáveis. 

Por que esses povos gostavam tanto de usar essas plantas? Bem, primeiro porque era fácil ter acesso a elas. Os médicos da época utilizavam e prescreviam as duas substâncias para uma série de tratamentos comuns, sempre com o alerta de que uma grande quantidade podia ser letal. Cicuta era administrado para espasmos musculares e como um calmante eficiente. Acônito servia para o tratamento de dores de cabeça e para febres. Eles também eram bastante baratos e fáceis de encontrar em boticários do período. De fato, mesmo que a pessoa vivesse no campo, não era difícil encontrar as plantas na natureza e prepará-las para serem usadas como veneno.

Cicuta em espécie
Meticulosos como podem parecer, envenenadores por vezes usam aquilo que está mais à mão quando precisam matar alguém. Um método muito usado por assassinos era fazer com que as pessoas acreditassem que uma morte havia sido acidental. Uma vez que ambas as substâncias estavam na despensa de qualquer pessoa, era perfeitamente natural que acidentes acontecessem. Um descuido numa medida podia levar à morte. E de fato, mortes acidentais por dosagens erradas aconteciam. Um truque usado por envenenadores era substituir uma dosagem prescrita por um boticário por uma mais forte que levava invariavelmente à morte. Por essa razão, venenos eram sempre mantidos em compartimentos trancados. Nobres e pessoas importantes contavam com seu próprio boticário que preparava as dosagens adequadas no momento de usar.  

Os venenos clássicos começaram a ser preteridos quando os efeitos deles se tornaram muito conhecidos. Logo, médicos eram capazes de diagnosticar o que acometia uma pessoa envenenada apenas observando os efeitos. É claro, com a prática vieram aos métodos de tratar e evitar a morte. Além disso, antídotos começaram a se tornar difundidos e indivíduos que se preocupavam com sua própria segurança, passaram a ter ao seu alcance contra-medidas para uma emergência. É claro, o fato dessas civilizações serem tão cosmopolitas, permitiu a introdução de toxinas trazidas de terras distantes que gradualmente substituíram os venenos clássicos.

Por vezes, cicuta e acônito aparecem como opções para envenenadores, mas como muitos deles descobriram os médicos passaram a identificar e tratar essas substâncias com grande nível de sucesso. Ao que parece, ser um envenenador demanda estar em sintonia com as novidades.  

Venefício Medieval: Beladona e Mandrágora


Belladonna
Beladona ganhou seu nome por ser uma substância utilizada por mulheres que a passavam sob os olhos. Tanto as camponesas quanto as nobres se impressionavam com o fato daquela substância deixar as pupilas dilatadas e os olhos brilhantes, por isso seu nome sugestivo. Ela tembém podia ser usada para passar nas bochechas fazendo com que os vasos sanguíneos se dilatassem criando um rubor desejável. Homens e mulheres adoravam aquilo e logo beladona se tornou uma febre na Europa Medieval.

Mercadores italianos foram os primeiros a descobrir o atrativo da substância para o público feminino, embora aquelas que abusavam do cosmético ganhavam mais do que uma aparência angelical. Beladona foi proibida em várias partes da Europa, considerada perigosa e vã, mas coo sempre, a proibição apenas a tornou mais desejada. Algumas mulheres pagavam verdadeiras fortunas por um pouco de beladona e a raridade da substância acabava tornando-a ainda mais perigosa.

Alguns acreditam que a Beladona foi usada para matar ao menos um papa. Outros dizemq ue Macbeth usou Beladona para assassinar um exército inimigo. Ela se notabilizou como o veneno ideal para assassinas que a utilizavam da maneira mais dissimulada: tornavam-se imunes - ou ao menos resistentes aos seus efeitos pelo uso prolongado, e passavam uma quantidade na face ou nos lábios para que esta fosse transferida para seus amantes. Algumas assassinas especialmente criativas podiam aspergir uma pequena quantidade em partes estratégicas de seu corpo, sobretudo aquelas que teriam contato íntimo com a vítima.

Um de seus usos mais frequentes era como alucinógeno. Segundo o folclore ocidental, as bruxas utilizavam pequenas quantidades em seus sabás e tinham uma sensação de flutuar ou mesmo voar. Em outras ocasiões, sob influência de beladona as mulheres viam figuras sinistras, demônios e diabretes saindo de fogueiras ou do interior de caldeirões. Sob a ação dessas alucinações afirmavam ouvir vozes, falar com seres sobrenaturais e se sentiam imunes ao fogo. Não é de se estranhar que muitas que confessavam essas alucinações, acabavam sendo chamadas de bruxas.

Infelizmente a beladona era uma substância extremamente perigosa. Quando uma dose muito grande é consumida - e uma dose grande demais podia ser apenas uma folha, as pessoas sentiam sua ação quase imediatamente. Efeitos comuns incluem náusea, alucinações sensoriais, suor, salivação, pulsação descompassada e arrepios. Por fim, ela provoca hemorragias, cegueira e taquicardia, a morte vinha logo em seguida.

Mandrágora
Já o uso de Mandrágora se tornou difundido na Europa a partir do século XIII, até então ela estava confinada na região onde o tipo mais potente crescia, Espanha e Portugal. Por muito tempo, Mandrágora foi conhecida como um veneno ibérico e seus utilizadores quase todos vinham dessa parte do continente. 

A Mandrágora Ibérica produz um tipo de fruto comestível muito apreciado para produzir licor, já a raiz, não deve ser consumida. Em estado natural ela já é suficientemente perigosa. Por muito tempo a raiz devidamente tratada foi usada para se livrar de verrugas ou para induzir o vômito quando diluída em água. 

Envenenadores ferviam a raiz produzindo uma bebida perigosa, mas o verdadeiro especialista sabia como tratar o resíduo, secar e produzir uma poeira que potencializava a toxidade da substância. Com isso, a Mandrágora podia ser usada para batizar bebidas, em especial alcoólicas já que ela tinha um sabor agradável ou para dispor sobre alimentos. Nobres podiam ser mortos por uma pequena quantidade de poeira misturada com açúcar, por exemplo. Já camponeses podiam ser envenenados com uma pequena quantidade misturada em seu mingau. 

Quando envenenadores da Europa souberam dos efeitos da Mandrágora a planta foi levada para outras paragens e se tornou bastante difundida na Inglaterra, França e Itália. A raiz foi responsável por renovar toda uma cultura de venefício na Europa. O efeito mais danoso da Mandrágora atua sobre os rins, produzindo uma falência múltipla. A vítima sofre uma morte lenta e dolorosa.   

Mandrágora e Beladona foram usados amplamente até que seus efeitos se tornaram bastante conhecidos entre médicos que podiam identificar facilmente seus efeitos nos pacientes. Com o devido tempo de resposta e o antídoto adequado, a vítima podia ser poupada do pior. A medida que as populações começaram a se deslocar para cidades, tornou-se mais difícil colocar as mãos em Mandrágora da espécie correta ou manter um arbusto de beladona em segredo.

Lucrécia Bórgia que ganhou fama como a maior envenenadora de sua época.
Para aqueles que estão sentindo falta de Digitális, um dos venenos mais conhecidos da literatura medieval, aqui vai uma revelação. Nem de longe ele era tão difundido quanto se imagina, em parte por não ser também muito letal. Envenenadores recorrendo a essa planta tinham que saber como destilar a substância o que demorava e precisavam balancear a fórmula para que ela adquirisse a toxidade desejada. 

Digitalis também era bastante rara de obter e exalava um cheiro característico desagradável que a denunciava. Outro problema é que ela era pouco eficiente, muitas vezes, a vítima sentia os efeitos mas se recuperava após vomitar eliminando assim o perigo. Isso não impediu que digitalis ganhasse uma sinistra fama de ser um veneno empregado para matar crianças, bem mais suscetíveis aos seus efeitos danosos. 

Toxinas Industriais: Cianeto, Estricnina e Arsênico   



Pode parecer absurdo, mas cianeto está em todo canto. Ele é usado como conservante na maioria das comidas que ingerimos. Ele está presente também em muitos produtos químicos que utilizamos no dia a dia. Embora substâncias contendo traços de cianeto possam ser traçadas ao longo da história, não foi antes de 1782, quando um químico sueco chamado Scheele destilou hidrogênio cianídrico, que seu potencial tóxico foi compreendido. Ele foi usado primeiro em tinturas e pigmentos muito apreciados pela sua coloração azulada (daí o nome "ciano"). Infelizmente logo descobriu-se que pessoas que usavam essa substância terminavam envenenadas e muitas morriam - geralmente de forma rápida.

Militares começaram a fazer uso de cianeto ainda nas Guerras Napoleônicas quando a substância era usada em prisioneiros de guerra. Espiões famosos carregavam capsulas de cianeto para serem usadas em caso de captura. Os oficiais nazistas possuíam pílulas semelhantes e muitos dos figurões do alto escalão do Terceiro Reich morreram consumindo uma dose fatal de cianeto. Gangsters em Chicago mergulhavam suas balas em cianeto para torná-las ainda mais mortais. 

Este foi o veneno usado para matar o Monge louco Rasputin - embora ele tenha sobrevivido ao envenenamento e morto de outras formas. A famosa assassina Lizzie Borden poderia te sido condenada se o juri recebesse a informação de que ela estava perguntando à farmacêuticos sobre "Ácido da Prússia" (um dos nomes do veneno). Isso pouco antes da suspeita morte de seu pai e madrasta à machadadas. Há um persistente rumor de que os primeiros astronautas da NASA carregavam duas cápsulas em suas viagens espaciais, para o caso de necessidade.

O cianeto causa inconsciência quase imediata, seguido de convulsões e da impossibilidade da absorção de oxigênio pelas células, o que leva à morte. Uma das características que tornam o cianeto um veneno muito popular entre suicidas é a noção de que ele é relativamente indolor. A inconsciência faz com que os efeitos sejam pouco sentidos e mesmo durante os espasmos finais, a vítima permanece desacordada. Por isso ele tinha o apelido de "sono azulado". 

Cianeto era usado amplamente na medicina até o início do século XX, para dores de cabeça, insônia e distúrbios nervosos. Farmácias vendiam a substância no balcão e raramente se preocupavam em fazer perguntas a respeito de seu uso. Era também um veneno presente em fazendas e áreas rurais, para lidar com pestes típicas do campo. Frascos de Cianeto, na forma de um pó refinado de cor azulada, estavam presentes na maioria dos armários de banheiro, e por algum tempo ele foi uma droga muito popular. 


Estricnina levou algum tempo para chegar ao ocidente. Antes disso, ela era bastante conhecida e usada como veneno (e possivelmente remédio) na China e na India. Por séculos foi utilizada por médicos, farmacêuticos e, é claro, assassinos que se valiam de suas propriedades tóxicas. A substância foi apresentada aos europeus no final de 1700 e estes levaram para o continente mudas da árvore Strychnos nux-vomica de onde ela é extraída.

O preparo do veneno exige uma procedimento bastante complicado de isolamento, destilação e coagem. Mesmo químicos experientes consideram a produção dele - sem equipamento próprio, um grande risco já que sua toxidade é alta. Uma vez pronto ela se tornava um veneno que nas plantações afastava pássaros e nas cidades matava os ratos. Os chineses lançavam a substância nos esgotos para eliminar milhões de ratos o que ajudou a conter pestes e epidemias. 

Estricnina, no entanto, é um veneno potente e bastante cruel. Ele causa espasmos musculares incontroláveis, espuma na boca e severas câimbras, eventualmente vem a asfixia quando os músculos tensionam e se tornam incapazes de permitir a respiração. Não por acaso, estricnina era reservada na India aos traidores, prisioneiros condenados por crimes graves e desertores. Era a morte ideal para dar exemplo e "fazer justiça", tanto que haviam execuções públicas através de envenenamento.

O primeiro caso de envenenamento por estricnina registrado na Inglaterra envolveu o Dr. William Palmer, que assassinou seus credores de jogo em 1856. Mas foi o infame caso de Thomas Neil Cream que tornou o veneno famoso. Cream foi condenado por envenenar várias prostitutas, e se gabava de ter matado mais mulheres do que Jack, o estripador, ao menos até ser capturado e enforcado. Agatha Christie ajudou a popularizar esse veneno em suas histórias, como no famoso mistério "The Mysterious Affair at Styles". Ainda que a morte por estricnina seja rápida e dramática, é difícil os efeitos do veneno não serem identificados por um médico. Isso torna a substância um recurso utilizado por indivíduos que querem vingança e pretendem fazer sua vítima sofrer. Atualmente pequenas quantidades de estricnina são usadas na produção industrial, para tingimento e até para realçar sabores de alimentos. 


E chegamos ao topo de nossa lista com aquele que provavelmente é o veneno mais usado de todos os tempos, o Arsênico. Sem dúvida ele é o que está há mais tempo em atividade. Tecnicamente seu uso pode ser traçado até o tempo dos romanos, tendo sido usado fartamente na antiguidade clássica. Encontrado na natureza na forma de metal, ele é bastante similar ao mercúrio. Nãopor acaso, ele já foi chamado de Rei dos Venenos, e caiu nas graças dos Bórgias, que o tinham como seu instrumento favorito para remover oponentes de seu caminho. Há rumores de que Napoleão, George III e Simon Bolivar teriam sido envenenados com arsênico, bem como um bom número de Prelados, Bispos, Cardeais e, é claro, Pontífices. Arsênico era líquido e certo, uma dose bem calculada matava sem risco e deixando relativamente poucos indícios de sua ação letal. 

Mas foi apenas na Era Victoriana que ele ganhou popularidade. Essa perigosa toxina foi descoberta e usada primeiro como um cosmético que tinha o efeito inverso da beladona, comprimindo as veias e concedendo uma face pálida, branca como a neve. As mulheres aprendiam a respeito das propriedades e perigos do arsênico e carregavam o veneno em pequenos frascos cujo conteúdo era diluído em água quente antes do banho. A substância não deixava gosto, cheiro ou alterava a cor da água. Entretanto, era preciso ter cuidado, alguns poucos grãos poderiam matar e de fato, muitas moças da época morriam para ter a palidez que tanto desejavam.

Não demorou para que muitas mulheres vitorianas descobrissem que a substância poderia ser muito útil. O arsênico se tornou um veneno feminino: as mulheres matavam usando arsênico! Algumas poucos grãos eram o bastante para se livrar de um marido tirânico, de um amante indesejado ou de um déspota cruel. 

O caso mais infame de envenenamento por arsênico aconteceu em 1857 e envolveu Madeleine Smith. Ela era uma dama da sociedade que escolheu o amante errado, um homem que começou a fazer chantagem e exigir uma fortuna para não divulgar cartas comprometedoras. Quando ele ameaçou entregar a correspondência indiscreta ao pai de Madeleine, ela decidiu agir. Convidou o sujeito para um chocolate quente e sem perceber, ele bebeu 17 grãos de arsênico. O único azar de Madeleine é que a polícia realizou uma autópsia e encontrou no estômago do casanova o veneno e em seu bolso uma das cartas indecorosas. Juntando as pistas foi fácil apontar o culpado. Mas surpreendentemente Madeleine acabou inocentada das acusações por uma série de tecnicalidades bem exploradas pelos seus advogados. Depois do julgamento ela imigrou para os Estados Unidos levando consigo a fama de ser uma mulher perigosa - apelidada de Lady Arsenic.

"Arsênico Seguro" para senhoras que querem uma compleição pálida. 
Para ser honesto, não só mulheres faziam uso dele. O explorador britânico Charles Francis Hall, famoso pelo tratamento severo - quase desumano, que reservava aos seus subordinados foi morto por uma dose de 40 grãos colocados em seu café. Os responsáveis? Seus próprios homens irritados com a rotina desumana. Na América ele ganhou fama entre golpistas que atraíam mulheres mais velhas e as eliminavam depois destas os incluírem em testamentos.

O caso Smith e o fato da ciência médica ter avançado a ponto de ser possível contar quantos grãos de arsênico uma vítima havia consumido, um exame chamado Teste Marsh, marcaram o fim de uma era. Ainda assim, o arsênico continuou sendo utilizado, mesmo depois da Era Vitoriana. Até o início do século XX ele era fácil de ser comprado em qualquer farmácia ou boticário, bastava pedir. Seus usos justificavam o fácil comércio, médicos prescreviam para uma infinidade de tratamentos que iam de cólicas, dores crônicas até enjoo matutino causado pela gravidez (!). Os farmacêuticos prescreviam a quantidade mais adequada para cada caso e as pessoas tinham de tomar muito cuidado para não exceder. 

Os efeitos diretos do arsênico incluem suor, confusão mental, severas câimbras musculares e dores de estômago que muitas vezes podiam ser confundidos com indigestão. A medida que o arsênico começou a se popularizar em todos os continentes, nenhum médico, por mais inexperiente seria capaz de deixar de perceber os efeitos e atestar seu uso. 

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Quando o objetivo é matar, a história humana atesta que existe muita criatividade nos métodos e meios empregados pelos envenenadores de plantão.

3 comentários:

  1. Matéria curiosa. Senti falta de informações sobre o famigerado curare. :-D

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  2. Não esquecendo do cloreto de postássio, usado em injeções letais, se aplicado diretamente na veia faz o coração parar. Cloreto de postássio é vendido nos supermercados sob o nome "sal light".

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  3. Bastante interessante. Saber que na natureza há tantas formas de encontrar um fim infeliz, faz lembrar do caso do homem que ingeriu frutas venenosas naquele filme, " Na Natureza Selvagem ". Excelente matéria. Espero uma continuação com animais venenosos.

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