terça-feira, 5 de junho de 2018

O Carniceiro de Uganda - O Canibal, torturador e Tirano Idi Amin


Quando o então presidente de Uganda, Idi Amin Dada descobriu que sua ex-esposa Kay tinha um amante, ele jurou vingança. O todo poderoso governante da nação africana ordenou que ela fosse assassinada, mas que sua morte servisse como um aviso para que ninguém mais ousasse desafiá-lo.

Kay era a filha de um respeitado sacerdote cristão - inteligente, bonita, e articulada. Ela havia dado a luz a vários filhos para Amin durante seu casamento. Kay estava grávida, mas dessa vez o filho não era do ditador e isso ele não podia suportar. Seu amante, um médico, ficou aterrorizado e planejou realizar um aborto, apesar da gravidez já estar avançada. O que aconteceu a seguir não se sabe ao certo, mas os dois foram retirados de uma clínica particular e levados até um lugar ignorado onde acabaram mortos. Os corpos desmembrados do casal foram achados dias mais tarde em um necrotério da capital Kampala.

Amin ordenou que os membros de Kay fossem costurados de volta no corpo, mas eles foram reposicionados invertidos de modo que braços e pernas esquerdos fossem colocados no lado direito e vice versa. Então, para coroar sua perversão chamou os filhos para ver a própria mãe naquele estado. 

"Sua mãe era uma mulher má!" ele disse às crianças, "vejam o que acontece com gente má!" Depois disso o nome de Kay passou a ser proibido e não deveria ser mencionado por ninguém.

Essa é apenas uma das muitas histórias de terror do brutal tirano Idi Amin Dada de Uganda. Amin foi uma das figuras mais controversas da África durante o século XX, comandante de um governo que eliminou mais de 400 mil de seus cidadãos. Ele era um megalomaníaco que tinha prazer em extrair vingança contra seus desafetos e que não se poupava de derramar sangue. De fato, suas práticas homicidas eram apenas a ponta do iceberg. Muito se fala a respeito de seu comportamento errático e suas ações impensadas, ao ponto de muitos acreditarem que ele sofria de alguma doença mental. Há muitos rumores também a respeito de suas práticas bizarras, que iam desde promover rituais de sangue, massacrar a população e finalmente, devorar carne humana.


Amin nasceu em 1928 na tribo Kakwa descendentes dos orgulhosos Núbios que habitavam as terras na fronteira entre Uganda e o Sudão. Sua mãe, embora fosse educada nos preceitos cristãos havia se tornado uma espécie de feiticeira que prestava serviços como adivinha e bruxa especializada em rogar maldições. Muitos soldados na época vinham até a sua cabana para pedir proteção ou que ela lançasse uma maldição sobre algum inimigo. A mulher ganhou fama aconselhando, entre outras coisas, que os soldados devorassem a carne de seus oponentes para que assim obtivessem sua força. Muitas tribos núbias tinham fama de beber o sangue de seus inimigos e comer sua carne, por isso em Uganda eles eram vistos com desconfiança. De acordo com um de seus ministros, Amin se orgulhava de manter costumes núbios, entre os quais comer carne humana. Ele próprio não escondia seus hábitos e teria dito: "Eu já comi carne humana, ela é salgada, ainda mais do que a carne de leopardo".

A mulher logo deixou o pai de Amin e se juntou com um cabo da Companhia Colonial de Rifles, um destacamento de soldados africanos que servia ao Império Britânico. Amin cresceu num quartel e se tornou um rapaz forte que logo foi aceito no serviço militar onde se tornou assistente de cozinha. Ele era o tipo do soldado que os britânicos gostavam de ter em suas fileiras: forte, alto (media mais de 1,95 m) e suficientemente educado para entender as ordens e cumprir sem fazer perguntas. Ele se tornou soldado em 1950 e se tornou parte de uma companhia de oficiais escoceses que o recrutaram para jogar rugby e lutar boxe. Subindo na hierarquia militar ele conquistou o posto de efendi, o mais alto disponível para soldados negros.

Ele se converteu em um importante Comandante Militar, apesar de muitos de seus companheiros o considerarem instável e sádico. Quando a tribo Mau-Mau se revoltou, Amin foi enviado para resolver a situação. Sua técnica para interrogar inimigos envolvia castrar e fazer os soldados comerem os próprios genitais. Em uma ocasião ele castrou oito chefes tribais até que o nono concordou em encerrar o levante.

Com Uganda ganhando sua independência em 1962, o presidente Obote fez de Amin seu Ministro da Defesa. Meses depois, durante uma viagem oficial o presidente acabou deposto por um golpe arquitetado por Amin e com apoio dos britânicos que acreditavam, na época, que dado seu histórico, ele seria favorável aos seus interesses na região. O povo apoiava Amin que tinha um discurso prometendo democracia e progresso. Mas é claro, as coisas não seriam como ele havia dito.


Para muitos, Amin não passava de um bufão, um idiota egocêntrico governando uma nação sub-desenvolvida e criando para si mesmo títulos como "senhor de todas as feras da terra e peixes do mar" ou "Conquistador do Império Britânico na África e Senhor de Uganda". Mas o povo de Uganda logo entendeu que não havia nada de engraçado no estilo de seu governante. Amin deu início a uma campanha sangrenta de repressão contra tribos tradicionalmente rivais dos núbios e que não aceitavam seu governo. Perseguiu, massacrou e devastou vilarejos inteiros, com a desculpa de que estava realizando uma limpeza de inimigos do país. Ele fez acordos econômicos com nações estrangeiras como Líbia e Arábia Saudita, obrigando a população a se converter ao islã, que se tornou a religião oficial. Católicos e protestantes foram expulsos do país e igrejas saqueadas. Aqueles que se negavam eram exilados para a fronteira ou assassinados. O próprio Amin conduzia muitos desses massacres alinhando pessoas em fila e ordenando que fossem abatidas com metralhadoras.

Há histórias medonhas a respeito desse período turbulento. O presidente em pessoa, acompanhado de um esquadrão da morte, vagava pelo interior do país em jipes especialmente adaptados para "cumprir a justiça". Na parte de trás dos veículos era possível montar uma guilhotina, usada para promover execuções públicas. As cabeças dos inimigos eram colocadas em estacas e deixadas para os abutres se fartarem.

Mas a loucura o acompanhava para todo canto. Certa vez, em um jantar oficial, diante de seus comandantes, Amin anunciou que um de seus Generais seria o convidado de honra da ocasião. Após pedir a presença dele, ajudantes trouxeram a cabeça do sujeito e a colocaram sobre a mesa para que servisse de adorno durante a refeição. O General havia feito críticas ao ditador e pagou um alto preço por emitir sua opinião. Em outra ocasião, Amin ordenou que quatro soldados que haviam tentado desertar para a Tanzânia fossem mortos com golpes de marreta empunhadas por outros soldados. Havia o rumor de que o tirano teria adquirido crocodilos do Nilo e que estes eram tratados como bichos de estimação. Amin gostava de jogar para eles seus inimigos e ouvir seus gritos desesperados. Ele ficou tão satisfeito com esse método de se livrar de corpos que mandou importar centenas de crocodilos e soltá-los nos rios do país. Dali em diante vítimas do estado não eram mais sepultados e sim jogados nos rios para que os répteis fizessem o serviço. Os pântanos e reservatórios ficaram repletos de cadáveres putrefatos já que os animais não comiam carne apodrecida. Até mesmo o corpo do Primeiro Ministro de Uganda acabou sendo encontrado nas margens do Lago Victoria.


Os jornais estrangeiros faziam grande alarde a respeito da situação caótica em Uganda. Amin havia criado péssimas relações diplomáticas com vários líderes, entre as quais a própria Rainha Elizabeth da Inglaterra. Havia também causado constrangimento ao declarar a si mesmo "O Último Rei da Escócia"  e afirmar que estava disposto a conceder a independência do país.

Em 1972 um grupo de repórteres viajou para o país a pedido do presidente com o intuito de diminuir a desconfiança a respeito de seu governo e mostrar que "ele não era louco como muitos pensavam". Contudo, havia um rumor de que Uganda planejava invadir o país vizinho, a Tanzânia, e quando os jornalistas começaram a fazer perguntas a respeito, Amin se irritou e mandou encerrar a coletiva. Mais tarde ele mandou prender a todos e negou a saída do país criando um incidente internacional. Na mesma ocasião ele ordenou que fossem feitas fotografias em que homens brancos carregassem uma espécie de trono no qual ele estava sentado. As fotos foram publicadas pela imprensa internacional. No mesmo ano ele exilou cerca de 80 mil cidadãos de Uganda que tinham descendência asiática, confiscou suas terras e bens e ordenou que marchassem para fora do país sob escolta militar. Não parecia haver limites para sua loucura.

Nos bastidores do poder, entre seus conselheiros e ministros reinava um clima de medo e paranoia. 

Comentava-se que Amin havia se rendido a costumes tribais banidos há tempos por serem imorais e obscenos. Ele fazia de conta que era um devoto muçulmano, sobretudo para agradar seus aliados árabes, mas longe dos olhos de todos, patrocinava rituais sangrentos que envolviam sacrifício, tomar banho de sangue e, é claro, fazer refeições de carne humana. Havia o terrível boato de que ele tinha vários filhos com empregadas e que mandava sacrificar os recém nascidos para então devorar o coração das crianças como forma de manter sua juventude e vigor físico. É claro, muitos desses rumores parecem exagerados, mas sabe-se que Amin adorava consumir o coração de animais (leões e leopardos principalmente) e que afirmava que assim ganhava sua força e resistência. Os famosos banhos de sangue de Amin também eram fonte dos mais terríveis rumores. Há quem diga que ele possuía uma banheira de mármore carrara que era preenchida com sangue humano para seu deleite. O ditador ficava tomando seu banho rejuvenescedor enquanto corpos eram pendurados pelos tornozelos e exsanguinados.


As histórias a respeito de canibalismo eram bastante conhecidas e Amin passou a ser evitado por líderes de outras nações. Ele voltou a ganhar evidência com a Crise dos Reféns Israelenses sequestrados durante um voo internacional. O ditador esperava obter reconhecimento e se tornou intermediador da situação. Ele aceitou que o avião pousasse no Aeroporto Internacional de Entebbe e garantiu que haveria uma solução pacífica para o impasse. Mas antes disso, um comando israelense organizado às pressas resgatou os reféns, executou os sequestradores e escapou bem debaixo do nariz do ditador. Furioso ele cobrou providências e rompeu relações diplomáticas com Israel. Na ocasião disse que "Hitler não havia matado judeus o suficiente na segunda guerra".

Eventualmente a própria paranoia do ditador acabou causando sua derrocada. 

Para unir o povo de Uganda sob seu comando e eleger um inimigo comum, ele mandou espalhar um boato infundado de que a Tanzânia planejava realizar uma invasão. Para tornar tudo ainda mais real, Amin enviou tropas para proteger a fronteira e repelir os invasores. O presidente da Tanzânia Julius Nyerere, que tinha seu país já lotado de refugiados ugandenses fugindo do regime, decidiu que seu vizinho havia ido longe demais. Suas tropas foram organizadas e realizaram uma invasão que até então não estava em seus planos. A insatisfação geral dos militares de Uganda e a péssima organização fez com que o exército oferecesse pouca ou nenhuma resistência.

Sentindo-se traído pelos seus oficiais, Amin sabia que era questão de tempo até ser capturado. Ele conseguiu fugir para a Líbia em 1979 e depois encontrou refúgio na Arábia Saudita. Pelos 24 anos que se seguiram viveu em relativo luxo na cidade de Jedah, com um salário pago pelos seus aliados sauditas em nome da "solidariedade islâmica".

Até sua morte em 2003 ele podia ser encontrado nas ruas de Jedah acompanhado de guarda costas dirigindo seu automóvel Cadillac, nadando no Mar Vermelho, lendo o Corão e assistindo programas de televisão americanos. Várias de suas esposas, o visitavam levando seus mais de 22 filhos. 

Para um monstro como Idi Amin Dada, a justiça jamais veio.

Um comentário:

  1. Legal saber que a série sobre segredos sobrenaturais de ditadores continua .

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