quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sociedade Forteana - Uma nova Estrutura de Campanha para Rastro de Cthulhu


A Sociedade Forteana

Fundada em 1931, um ano antes da morte de Charles Fort, a Sociedade dos Amigos de Fort ou Sociedade Forteana é uma espécie de clube ou confraria que reúne interessados, entusiastas ou curiosos atraídos pela "doutrina" de seu benemérito. Estas pessoas em sua grande maioria não são investigadores profissionais, estão mais para indivíduos que em algum momento de suas vidas toparam com algo estranho ou inexplicável e agora sentem a compulsão de encontrar uma explicação que preencha a lacuna deixada por esse evento. Os Forteanos mais determinados trabalham em "grupos de pesquisa" ou "equipes de campo" que vasculham locais onde algum evento inexplicável ocorreu e tentam levantar o maior número de informações a respeito dele. Outros se interessam por pesquisar bibliotecas e os arquivos da sociedade para correlacionar acontecimentos e traçar o paralelo entre eventos similares.

Ambientação

As Sedes da Sociedade Forteana variam muito de lugar para lugar. Em algumas cidades, a sede pode não passar de um aposento na casa de um membro que dedica seus finais de semana a revisar a correspondência e os jornais atrás de matérias sensacionais. O arquivo pode não passar de uma coleção de recortes guardados em uma caixa de sapatos ou registros num caderno escolar.

Cidades maiores possuem sedes maiores situadas em mansões, onde os membros se reúnem, consultam arquivos organizados e trocam idéias. Estas sedes também são supridas por contatos na mídia ou mesmo na polícia, hospitais e cortes de justiça. Em Nova York a Sede funciona como um clube social, em Boston os Forteanos se reúnem toda primeira sexta feira do mês para discutir acontecimentos estranhos e em Londres as reuniões tem lugar em um aposento reservado na Biblioteca do Museu Britânico.

Acima: A Propriedade em Prairie County que serve de Sede para a Sociedade Forteana em Boston. À esquerda pode servista a biblioteca que contém o arquivo de incidentes.

Os Forteanos não costumam ser investigadores em tempo integral, no entanto, reservam seu tempo livre em nome da paixão de revelar (ou tentar revelar) os segredos e mistérios do mundo. Um grande recurso é ter um amigo rico que se interesse em financiar viagens e pesquisas pelo país.

Campanhas e cenários envolvendo os Forteanos podem acontecer em qualquer lugar onde um fato estranho ou inexplicável teve lugar. Os Foretanos os chamam de "Incidentes". Uma manchete a respeito de uma "chuva de sangue" em Pittsburgh ou o avistamento de um "Homem Peixe" nos arredores de Gloucester são o bastante para atrair a atenção desses destemidos investigadores do insólito. Eles também podem estar presentes em conferências sobre o sobrenatural, palestras espiritualistas e em sítios arqueológicos onde rumores e lendas acabam emergindo. s Forteanos não gozam de muito prestígio entre acadêmicos e estudiosos mais convencionais. É possível que a mera menção do nome Charles Fort afaste um professor ou pesquisador mais tradicional.

Um típico cenário forteano pode se iniciar com um rumor numa pequena cidade, com o interesse de especular a respeito de uma lenda quase esquecida ou uma morte misteriosa.

Estilo

Em geral cenários envolvendo os Forteanos parecem destinados ao estilo purista. Uma vez que se trata de uma sociedade que realmente existiu (ou melhor, existe) um toque de realidade viria bem a calhar.
Por outro lado, os investigadores podem tencionar algo mais heróico, com os investigadores fretando veleiros para caçar um misterioso monstro marinho ou se meter nos Everglades para encontrar cara a cara o monstro que vive no coração daquele pântano. Nesse caso o estilo pulp cai como uma luva.

Mythos

O Guardião deve decidir até onde os Forteanos ou os membros de uma determinada sede sabem.

O mais provável é que o Mythos seja descoberto acidentalmente, afinal ninguém poderia suspeitar que aquele estranho "culto da serpente" no Novo México, é na verdade uma ramificação do temido culto de Yig, pai das Cobras. Leve em consideração que os Forteanos apenas suspeitam que o mundo é um lugar insólito, mas eles não fazem idéia do quanto.

Outra abordagem interessante é que um grupo descubra algum tomo ou artefato do Mythos e que a partir dessa descoberta se lance em uma cruzada para descobrir mais detalhes a respeito daquilo. Os Forteanos são verdadeiros ratos de biblioteca e podem desencavar coisas realmente interessantes vasculhando as prateleiras da Biblioteca do Congresso, nos armário da Universidade Miskatonic ou no Museu Britânico.

Investigadores

Os investigadores podem ter qualquer ocupação. Qualquer um pode se interessar pela proposta da Sociedade Forteana e se dedicar a ela em maior ou menos grau. Em geral essas pessoas desenvolveram uma grande curiosidade e uma sede por saber que pode colocá-los em risco. Desde o autor interessado em escrever um romance sobre o mundo estranho, passando pelo investigador particular que encontrou um homem que jurava estar morto até o professor universitário às voltas com o que poderia ser uma legítima maldição da múmia, todos estes são sérios candidatos à Sociedade Fort.

Alternativamente os personagens podem ter algum interesse escuso numa descoberta incomum. Um deles pode ser um jornalistas de um tablóide atrás de estórias bizarras, fotógrafos amadores querendo estampar a foto do pé-grande em seu jornal ou um cineasta tentando produzir aquilo que poderia ser definido como documentário verdade (uma versão anos 30 de Bruxa de Blair?)

Os membros da Sociedade Forteana não são submetidos a qualquer triagem, portanto, todos aqueles que se dizem interessados no tema tendem a ser aceitos. A estrutura da sociedade é totalmente informal, salvo pelas sedes maiores onde pode existir algum tipo de hierarquia.

Coadjuvantes Recorrentes

Charles Hoy Fort

O homem que inspirou toda a formação da Sociedade e que emprestou seu nome a ela. Fort pode ser uma grande fonte de estórias e de informações, infelizmente ele não viveu para ver suas idéias desabrochar em uma sociedade. Fort morreu em 1932, a sociedade foi fundada um ano antes e sequer chegou a receber seu patrono em pessoa. Se o grupo tiver acesso a ele pode conseguir algumas informações adicionais de seus arquivos ou ainda um relato em primeira mão de algum mistério intrigante.

Burt Tenninson (Presidente da Sede de NY)
Esse velho repórter investigativo trabalhou mais da metade de sua vida nas redações de jornais da Big Apple. Alguns dizem que em suas veias corre tinta de impressão. Com contatos nas principais agências de notícia do mundo (Associeted Press e Royters apenas para citar duas), Burt coleta notícias antes delas chegarem às prensas. Ele é um antigo colaborador de Fort e um amigo fiel nos bons e maus momentos. Embora seja um jornalista "sério", Tennison adora notícias estranhas e sempre que pode busca cooptar colaboradores para investigar uma notícia intrigante. Como presidente da Sociedade Forteana de Nova York ele comanda as sessões que acontecem no Clube 23 no Queens.

Dorothea Lawson (Presidente da Sede em Boston)
Poetiza e artista plástica, filha e única herdeira de um conceituado médico, Dorothea é a presidente da Sociedade Forteana em Boston. Ela é a patrocinadora principal da Sociedade na Nova Inglaterra e um dos membros mais atuantes no país. As reuniões acontecem na sua propriedade em Prairie County. Dorothea tem muitos amigos e conhecidos na sociedade local que participam dessas reuniões e de círculos de debate. Ela se define como uma espiritualista e seutema favorito é a vida após a morte. Sem nunca ter casado e com poucos parentes, ela já contatou seus advogados para deixar parte de sua fortuna para a Sociedade Forteana. É sua vontade que a propriedade se transforme na Sede da sociedade. Um sobrinho interessado na herança tem planos de contestar a legitimidade desse testamento.

Gervison Cates (Jornalista de Tablóide)
Se a imprensa marrom tivesse um rosto, este poderia ser o de Gervinson Cates. O mais obstinado, teimoso e anti-ético dos jornalistas free-lance. Gervison trabalhou para uma dezena de jornais e foi demitido da maioria por inventar estórias e criar fatos. Embora suas matérias nem sempre sejam confiáveis ele é um legítimo investigador, sempre disposto a cavar uma estória e emergir d eum mar de lama com uma manchete. Membro da Sociedade Forteana em Nova York ele vê nas investigações da sociedade farto material para produzir suas manchetes bombásticas.

Dr. Homer Swift (Parapsicólogo)
Muito criticado pelos seus colegas médicos, o Dr. Swift foi um dos primeiros a reconhecer a recém surgida ciência da parapsicologia, considerada por muitos como charlatanismo. O Dr. Swift serviu como consultor para o livro Talentos Selvagens escrito por Fort e cnduziu dezenas de estudos sobre capacidades psíquicas. Os dois se tornaram bons amigos e trocaram cartas até a morte de Fort. Swift ingressou na Sociedade Forteana logo em seguida e é um dos membros mais conceituados em Boston.

Morgan Talbot (Testemunha em busca de respostas)
Morgan é o arquétipo dos investigadores da Sociedade Forteana. Em 1932, ele testemunhou um incidente inxeplicável: uma luz clara que iluminou a noite e formas estranhas voando no céu sobre a cidade de Bufalo. Desde então ele se tornou um caçador do inusitado, disposta a entender o que aconteceu naquela noite. Atraído pelas teorias de Fort a respeito de vida extraterrestre, Morgan passou a se dedicar a estudar fenômenos dessa natureza sabendo que o que ele viu simplesmente não era desse mundo.

M.E. Merrick (Escritor Pulp)
Um escritor de menor expressão com alguns contos publicados em revistas pulp com a Weird Tales e Savage Adventures, M.E. Merick foi um dos membros fundadores da Sociedade Forteana em Nova York. Ele trabalhou com Charles Fort na revisão de textos e se apaixonou pelo seu trabalho na investigação do sobrenatural. Merick tem grande interesse em fantasmas e assombrações, tema de um livro que ele está escrevendo. Seus colegas na sociedade o consideram uma autoridade no assunto.

Bertrand P. Monroe (Editor do Correio do Desconhecido)
Presidente e único membro da Sede Forteana em Calumet City, interior do estado de Illinois. Bertrand sempre se interessou pelo insólito e quando Fort ainda era vivo, os dois chegaram a trocar correspondência. Bertrand enviou para Fort um dossiê completo a respeito de uma "chuva de sapos" no distrito de Elbow. O trabalho detalhado que incluia fotografias, testemunhos e espécimes recuperados causou uma grande impressão e se tornou referência de trabalho de campo. Atualmente Bertrand edita o "Correio do Desconhecido" uma gazeta bimestral com notícias para a comunidade forteana.

Bill Putney (Radialista)
Apresentador do programa de rádio "Impossível!", Bill Putney trabalha para a Rádio KBBZ em Bufford Springs, Philadelphia transmitindo para toda a Costa Leste. Seu programa é especulativo e investiga acontecimetos estrahos em cenas dramatizadas por artistas ao vivo. Putney não é um Forteano, mas simpatiza com os membros da sociedade e já aceitou recebê-los em várias ocasiões no seu programa de rádio que vai ao ar nas noites de sexta feira.

Miranda O'Hallaran (Bibliotecária)
A solteirona Srta. O'Hallaran é bibliotecária na Universidade de Harvard e uma conhecedora de edições antigas e volumes raros. Embora não seja uma forteana, ela é conhecida entre os membros da Sociedade por encontrar referências sobre livros e obras que valem a pena ser consultadas. Se o membro estiver disposto a relevar os comentários ranzinzas da Srta O'Hallaran, sem dúvida encontrará nela uma boa fonte de informações e uma pesquisadora absolutamente dedicada.

Variações de Regras

Rede de Informações - Os membros da Sociedade Forteana costumam utilizar o correio para trocar idéias e divulgar incidentes. Os investigadores podem receber informes e notícias a respeito de um determinado evento e do progresso de uma investigação através desses dossiês.

Essa é uma forma interessante de iniciar um cenário, a carta de um colega Forteano com as palavras "Caro fulano, aconteceu algo incomum por aqui." e a descrição do tal incidente.

Arquivos da Sociedade Forteana - É possível que os Forteanos também concedam algum tipo de informação quando solicitados, os investigadores podem consultar os arquivos onde quer que exista uma Sede da Sociedade.

O tamanho e importância do Arquivo depende apenas do Guardião, ele pode ser um álbum com jornais colados ou um grande arquivo de metal com pastas a respeito de cada ocorrência estranha nos últimos anos.

Considere que uma vez por partida, os investigadores membros da Sociedade Forteana podem investigar os arquivos em busca de alguma pista relacionada ao caso investigado. Essa pista, se o guardião julgar conveniente existir no arquivo, poderá ser encontrada após 1d6+1 horas de busca. Adicionalmente, os investigadores podem à critério do Guardião ganhar 1 ponto adicional para ser usado em alguma Habilidade Investigativa após pesquisar os arquivos da Sociedade.

Tom

"Tudo pode acontecer". Os investigadores podem ser um bando de investigadores sérios ao estilo Arquivo X nos anos 30 perseguindo "A verdade lá fora" ou um bando de desocupados caçando luzes estranhas, pragas bíblicas, o "Diabo de Jersey" ou o Chupacabras.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"Eu sou um Forteano" - A vida insólita de Charles Fort, investigador do incomum

"Proponho que existe um mundo ainda desconhecido e a humanidade apenas conquistará seu direito como proclamado senhor de tudo, quando este mundo for totalmente explorado e compreendido".

- Charles Fort

Charles Hoy Fort teve uma vida extremamene curiosa.

Nascido em 1874 em uma próspera família em Albany, interior de Nova York, Fort, hoje é considerado o verdadeiro iniciador dos estudos e pesquisas de tudo quanto existe de insólito e misterioso na face da Terra. Talvez tenha sido ele o primeiro pesquisador a buscar explicações para fenômenos inexplicáveis pela ciência oficial.

Aos 18 anos, Fort deixou sua casa e passou a viajar pelo mundo querendo ganhar experiência de vida. Ele conheceu os Estados Unidos de costa a costa e viajou para a Europa e África, acumulando dezenas de empregos temporários que o levavam de um lugar para o outro. No tempo livre, fazia anotações a respeito de folclore, superstições e fábulas de cada local que conhecia. Envolveu-se em todo tipo de desventura trabalhando como marinheiro e conheceu vários países.

Com 24 anos resolveu encerrar suas jornadas e decidiu retornar aos Estados Unidos e se estabelecer em Nova York, onde acabou casando com Anna Filling. Charles se tornou jornalista free-lancer, correspondente e escritor nas horas vagas tendo escrito mais de 10 novelas de ficção científica.

Ele também continuava fascinado por fenômenos inexplicáveis e escrevia constantemente a respeito deles, além de realizar pesquisas. Se algo inusitado acontecia, Fort viajava até o local e entrevistava pessoalmente as testemunhas, tirava fotos e em alguns casos reencenava o ocorrido para captar detalhes. Seu olhar meticuloso ajudava a separar relatos verdadeiros de farsas.

Trabalhando para agências de notícias, Fort reunia notas e reportagens retiradas de jornais e revistas de todo o mundo, que lhe eram enviadas por amigos e incentivadores. Fort chegou a catalogar mais de 60 mil ocorrências inexplicáveis, envolvendo acontecimentos estranhos no campo do oculto, do paranormal e do sobrenatural. Na sua coleção constavam casos de aparições de fantasmas, possessão demoníaca, monstros marinhos, alienígenas, luzes misteriosas, desaparecimentos no Triângulo das Bermudas, avistamento de criaturas mitológicas e principalmente sobre as chamadas "chuvas bizarras". Todo esse material era armazenado em seus arquivos e usado como referência para os artigos publicados em uma revista artesanal, uma espécie de fanzine da época, chamado "Science and the Unknown" (Ciência e o desconhecido).

Em 1925, Fort deixou a América para viver na Inglaterra. Ele passou a residir em Londres próximo ao Museu Britânico, onde costumava passar horas vasculhando o acervo atrás de livros e documentos. Durante os 8 anos em que viveu na Inglaterra, Fort visitou a biblioteca do Museu diariamente, prosseguindo em sua pesquisa de material.

Fort foi um dos primeiros a defender a hipótese de vida extraterrestre e da existência de seres alienígenas vivendo na Terra, espionando e colonizando aos poucos o nosso planeta. Para apoiar as suas teorias ele apresentava "artefatos" alienígenas e fotografias obtidas e enviadas pelos seus leitores. Charles acreditava que governos mundiais tinham conhecimento da existência de seres extraterrestres e que vigorava uma espécie de acordo entre os líderes mundiais e essas raças.

Charles também era um leitor compulsivo e se dizia um cético disposto a mudar de opinião se provas lhe fossem apresentadas. Participante ativo de grupos de discussão, figura fácil em círculos espíritas e um entusiasta das chamadas ciências proibidas, ele alegava ter ingressado em várias sociedades secretas dedicadas ao oculto.

Seu trabalho intenso de pesquisa, que envolveu estudos em uma série de ramificações das ciências foi transformado em um livro publicado em 1919, O Livro dos Danados (The Book of Damned). O livro foi recebido com entusiasmo pelos seus seguidores e com absoluta indiferença por outros, que o julgavam um louco desvairado. No Livro dos Danados, Fort analisava os fenômenos mais impressionantes com os quais havia cruzado durante suas investigações, ele também lançava um desafio aberto para que qualquer cientista capaz de desvendar a natureza desses fenômenos, o fizesse. Ninguém o fez!

Em 1923, ele publicou "Terras Novas", a respeito de mitos sobre cidades e civilizações perdidas, no qual dedicou vários parágrafos a cidades ocultas no interior do Brasil.

Ele escrevu ainda "Lo!" e "Talentos Selvagens", menos conhecidos mas ainda assim reverenciados nos Estados Unidos e Inglaterra. Este último livro versa a respeito de parapsicologia, um campo em que Fort realmente depositava esperanças de se converter em uma ciência capaz de explicar os enigmas do mundo. Em "Talentos", Fort analisava as capacidades mediúnicas, a telepatia, telecinese, o fenômeno poltergeist e teleportação (termo que ele mesmo inventou).

Fort morreu em 1932, vítima de uma "doença misteriosa" que o matou em poucos meses(acredita-se que ele sofria de leucemia). Após sua morte, suas teorias controversas, começaram a ganhar força em círculos de estudiosos (composto tanto por eruditos quanto curiosos) que se reuniam para discutir as idéias. Assim nasceu a Sociedade dos Amigos de Charles Fort ou Sociedade Forteana, um grupo devotado a dar prosseguimento ao estudo no campo do desconhecido.

O primeiro a declarar seu apoio a Fort foi o roteirista de cinema Ben Hecht, que em uma resenha a respeito do Livro dos Danados declarou: "Eu sou o primeiro discípulo de Charles Fort... daqui para frente sou um Forteano". Vários escritores conhecidos e indivíduos de renome se tornaram parte da sociedade que funcionava como um clube de debate com sede nas principais cidades norte-americanas e na Grã-Bretanha. Nessas sedes, Forteanos discutiam a existência de certos fenômenos e apresentavam evidências de outros.

O primeiro "mandamento" da Sociedade é ter a mente aberta para novas idéias e linhas de pensamento, mesmo aquelas que desafiam a compreensão. Ao mesmo tempo. o Forteano tem que conservar um olhar cético.

A Sociedade Forteana existe até os dias atuais, o número de membros nunca foi tão grande. Eles estão presentes em círculos de pesquisa, espalhados pela internet e em qualquer lugar onde há uma teoria da conspiração prestes a surgir.

Charles Fort como contato em cenários de Call of Cthulhu/ Rastro de Cthulhu

Contar com um aliado como Charles Fort pode ser interessate para os investigadores do Mythos. Eu tenho suspeitas que o personagem Jackson Elias, um escritor e aventureiro, apresentado na campanha "Masks of Nyarlathotep" foi inspirado em Charles Fort.

Algumas teorias defendidas por Fort (e pelos seus seguidores) são incrivelmente estranhas, bizarras até, por isso a noção de um mal ancestral ameaçando toda a existência, talvez não seja encarada de todo absurdas. Fort, no entanto, se dizia um cético e a não ser que os investigadores tenham provas mínimas da existência do Mythos ele se mostrará reticente.

Em uma abordagem diferente, o "pai do inusitado" pode ser ele próprio um investigador do Mythos, dedicado a compreender e combater essas forças tenebrosas. Ao longo de sua carreira como pesquisador é bem possível que Fort tenha encontrado indícios da existência e da ação do Mythos ao redor do mundo. Nas suas viagens como marinheiro é bem possível que ele tenha ouvido lendas referentes aos Profundos ou mesmo Cthulhu. Suas pesquisas de campo podem ter lhe fornecido um insight a respeito da ação de cultos e de bruxos. Fort também pesquisou cidades e civilizações perdidas, ele pode ter relacionado algumas dessas lendas com entidades do Mythos.

É bem provável também que um estudioso de tudo que é estranho tenha em algum momento ganho acesso a tomos dedicados ao conhecimento antigo. Em sua estada em Londres, Fort teria pesquisado o acervo da Biblioteca Britânica que possui vários livros do Mythos, inclusive uma edição do Necronomicon.

Se Fort é um conhecedor ou não do Mythos cabe ao guardião determinar, assim como cabe a ele dizer qual a reação do pesquisador a essa descoberta e mesmo se a "morte misteriosa" dele foi consequência de algo mais sinistro.

Charles Hoy Fort, pesquisador do insólito, meados de 1925

STR 10 CON 12 DEX 10 SIZ 14
APP 10 INT 15 POW 15 EDU 16
Damage Bonus: +0
Sanidade: 65%

Habilidades: Accounting 30%, Anthropology 40%, Archeology 50%, Art (Writing) 49%, Astronomy 25%, Biology 15%, Bargain 39%, Credit Rating 63%, Fast Talk 50%, Geology 10%, History 45%, Library Use 86%, Natural History 40%, Occult 55%, Persuade 45%, Photography 36%, Psychology 32%, Spot Hidden 55%, Folclore 76% Pilot (Boat) 47%

Idiomas: Espanhol 42%, Francês 15%, Latin 25%

Cthulhu Mythos: 8% (se o guardião considerar Fort como um investigador do Mythos)

Para Rastro de Cthulhu

Considerem que trata-se de um personagem veterano com habilidades já desenvolvidas.

Ocupação: Autor
Motivação: Curiosidade

Habilidades Investigativas: Antropologia 1, Arqueologia 3, Biologia 1, História 3, Idiomas 3(Espanhol, Francês, Latim), Ocultismo 3, Usar Biblioteca 4, Bajulação 1, Convencimento 2, Crédito 3, Interrogação 3, Coletar Evidência 2, Fotografia 1

Habilidades Gerais: Atletismo 5, Disfarce 7, Estabilidade 6, Furtividade 4, Fuga 7, Ocultação 5, Precaução 10, Psicanálise 4, Sanidade 8, Sentir Perigo 9, Vitalidade 7, Pilot (Barco) 7

Mythos de Cthulhu: 1

sábado, 12 de fevereiro de 2011

"De cair o queixo" - Possivelmente a mais luxuosa campanha de RPG em todos os tempos


Antes de começar a ler, saiba que não estou exagerando no título.

Estava dando uma olhada em algumas páginas quando me deparei com essa notícia que fez o meu queixo cair.

Eu sempre soube que as edição francesa (pela editora Sans Detour) e alemã (Pegasus Spiele) do RPG Call of Cthulhu eram incrivelmente luxuosas: coloridas, papel especial, fotografias ao invés de desenhos e arte primorosa que estão a anos-luz de qualquer outro livro lançado nos Estados Unidos. Mas agora os caras conseguiram me deixar sem palavras.

Trata-se de uma caixa em edição limitada e numerada (há apenas 100 no mundo) da campanha "Beyond the Mountains of Madness".

Conhecida como uma das maiores e mais completas campanhas da história dos RPG, esse livro marcou época quando foi lançado pela Chaosium no início do ano 2000. É literalmente um catálogo telefônico, uma campanha de RPG tão volumosa quanto as páginas amarelas.

Os franceses da Sans Detour, no entanto, conseguiram ir além e estabelecer um novo conceito para livros de RPG.

As imagens falam por si só, mas vou dando alguns detalhes a respeito dessa edição de luxo.


Primeiro o visual externo - Os componentes vem dentro de um caixote de madeira simulando as caixas que levam o equipamento da expedição à Antártida.


Na tampa da caixa - que vem pregada - está marcado o nome da Expedição de 1933. Em si a caixa é um prop maravilhoso, mas vamos adiante.



Eis um outro ângulo da caixa. Eu tive que perguntar se a caixa era realmente de madeira e tive a confirmação. Ela sozinha pesa 2 quilos e para ser aberta é necessário usar um martelo a fim de retirar os pregos. Carregada com os livros, o peso da caixa e de 6,8 quilos. Nem queropensar no custo do frete.

Na lateral de cada caixa vem um número gravado da edição limitada.


Quando você abre essa caixa é preciso fazer um rolamento de sanidade. Olha só a quantidade de coisas que saem de dentro do caixote.

Abrindo a caixa é que vem o primeiro choque.
O que acompanha a caixa:

- O livro da Campanha "Beyond the Mountains of Madness" com 672 páginas (!!!)
- Um livreto destacável com os Handouts da Campanha
- Um portfólio com 9 pranchas coloridas em papel couchè em um envelope
- Uma bandeira da Expedição Starkweather-Moore (com 80 x 120 cm)
- Um poster da Campanha com 60 x 40 cm
- O livro "As Aventuras de Arthur Gordon Pyn" de Edgar Allan Poe
- O caderno de notas de William Dyer contendo a novela "At the Mountains of Madness"
- Keeper´s Screen com 5 painéis contendo tabelas e detalhes da campanha
- Um CD com música para a campanha e com material adicional para CD ROM
- Certificado de Autenticidade


As pranchas contendo gravuras coloridas são exclusivas dessa edição especial e podem ser usadas como handouts ou para servir de auxílio visual para os jogadores.

São desenhos simplesmente deslumbrantes de cenas da campanha, como se fossem fotografias tiradas pela expedição em várias etapas da viagem.


Eis uma imagem do livro principal em capa dura, papel couchè, fotografias e dois marcadores de páginas.

Só para constar o livro americano (que já era um senhor calhamaço, tinha 470 páginas) Esse possui quase 200 páginas a mais de conteúdo: textos, gráficos, desenhos e fotografias feitas exclusivamente para essa edição especial.

Um detalhe da capa do livro antes de ser aberto. A capa também segue a formatação dos livros de Call of Cthulhu lançados na França.


Uma comparação da lombada do livro básico de Call of Cthulhu, na versão francesa editada pela Sans Detour e do "Par Della-les Montagnes Hallucínées", o livro de Campanha.


Esse é o poster da campanha.


Aqui em detalhe, a bandeira da Expedição Starkweather-Moore com o símbolo. Ela pode ser usada também como prop. A gravura na parte direita é mais uma das pranchas coloridas.


O pacote acompanha um CD ROM com música para deixar rolando durante as aventuras. Ele contém também uma série de mapas interativos, recursos para fazer um diário de campanha, gerenciar as fichas dos personagens e controlar a campanha.


Esse livrinho contém a novela "At the Mountains of Madness" escrita por Lovecraft. O livro é escrito com letras cursivas e contém vários desenhos feitos à mão livre. O visual dele é concebido dessa forma para parecer o diário da Expedição Miskatonic (1930-31), escrito pelo Professor William Dyer.


Essa versão do "Aventuras de Arthur Gordon Pyn" também pode ser usada como prop. Ela contém anotações nas bordas feitas pelos personagens que eram o livro.

Depois disso resta a pergunta que não quer calar: quanto custa essa caixa?

Infelizmente, a Edição comemorativa já está esgotada. As caixas foram vendidas exclusivamente no site da Sans Detour, ao preço de 199 Euros (mais ou menos, 550 reais).

Dizem que se esgotaram no primeiro dia.

Bom aí está, não exagerei não é?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Elenco dos Sonhos para "At the Mountains of Madness" - Escolhendo os melhores atores para cada papel


Eu bem sei que seria difícil conseguir um elenco dessa categoria para "At the Mountains of Madness", mas não custa sonhar alto com um elenco de estrelas e nomes consagrados.


Escolhi os atores abaixo com base em filmes em que eles atuaram anteriormente e que poderiam servir como base para a escolha do elenco.

Optei propositalmente por alguns atores mais velhos e que poderiam interpretar sem problema professores e especialistas da Miskatonic University.

Acho que daria um bom elenco, com certeza eu assistiria esse filme, mesmo que não soubesse nada a respeito de Lovecraft. Eu preferi não usar o Tom Cruise, nem acho ele um ator ruim ou que ficaria mal no filme, mas sinceramente exstem outros que serviriam melhor nos papéis nos quais ele encaixaria.


Liam Neeson (A Lista de Schindler, Rob Roy, Michael Collins) como William Dyer

O narrador de "At the Mountains of Madness" e o personagem que conduz a trama. Ele é um professor de Geologia na Universidade Miskatonic e o líder da desastrosa Expedição para a Antártida em 1930–31.

Liam Neeson emprestou a sua voz empostada e sua interpretação pontuada para uma enorme variedade de personagens. Neeson é também um ator conhecido, popular e respeitado do tipo que confere autenticidade imediata a um personagem.



James McAvoy (O Procurado, As Crônicas de Narnia, Desejo e Reparação) como Danforth


Estudante e graduando na Universidade Miskatonic. Como parte da Expedição, Danforth acompanha Dyer no vôo sobre a Cidade Ancestral dos Elder Things. Apesar de enloquecer por completo, trata-se d eum dos personagens principais da trama. Ele é descrito como "um leitor habitual de livros bizarros", e faz alusões a Edgar Allan Poe e ao Necronomicon.

O nome de James McAvoy está ligado ao projeto praticamente desde o seu anúncio. Fontes seguras afirmam que James McAvoy estará no filme e terá um papel central. Como se trata de um ator jovem, bem que ele poderia interpretar o instável Danforth, o piloto que acompanha Dyer na exploração à cidade dos Mythos.



Jeremy Irons (O Reverso da Fortuna) como Frank Pabodie


Um membro do Departamento de Engenharia da Universidade Miskatonic, o Professor Pabodie inventou a perfuratriz usada pela Expedição e acompanhou os homens até o sítio arqueológico onde foram encontrados os espécimes enterrados.

Pabodie é uma espécie de gênio, um homem cheio d eidéias que consegue adaptar e improvisar mesmo nas piores situações. Dele dependem todos os veículos e o maquinário.

Jeremy Irons me parece um bom nome para interpretar um engenheiro da Nova Inglaterra. Seria um papel coadjuvante, mas tenho certeza que ele defenderia o personagem muito bem.



Edward Norton (As Duas faces de um crime, A Outra História Americana) como Professor Percy Lake

Lake é o professor titular do Departamento de Biologia da Universidade Miskatonic. É ele quem descobre as Montanhas da Loucura como resultado de uma incansável e insistente busca por alguma descoberta no interior do continente gelado. É ele quem faz a descoberta dos Elder Things enterrados no gelo e que os relaciona com monstros dos mitos primordiais comentados no Necronomicon. É Professor Lake quem comanda boa parte da narrativa, comandando a equipe que é atacada pelas criaturas.

Edward Norton é considerado um dos mais talentosos atores de sua geração. Ele se destaca fazendo personagens problemáticos e cheios de dualidade. Ele seria perfeito para interpretar o obstinado Professor Lake.



Ralph Fiennes (O Paciente Inglês, Harry Potter) como Professor Donald Atwood

Professor Atwood é um físico respeitado e quieto. O personagem tem pouca participação no conto, mas ele aparece em um dos momentos centrais da trama, quando o acampamento de Lake na base das Montanhas da Loucura é atacado por criaturas ancestrais.

Ralph Fiennes já interpretou personagens contidos antes como o arqueólogo de O Paciente Inglês e o embaixador de O Jardineiro Fiel. É um grande ator e seria um ótimo acréscimo a esse filme.



Viggo Mortensen (O Senhor dos Anéis, A Estrada, Marcas da Violência) como Bodreau

Boudreau é um dos especialistas em sobrevivência e um dos homens de confiança que ajuda a Expedição Miskatonic durante a missão exploratória nas Montanhas da Loucura.

Viggo Mortenssen seria um ótimo nome para interpretar Boudreau. Quem assistiu ao filme "A Estrada" percebeu com esse ator pode passar uma série de emoções apenas com o olhar perdido. 

Além disso, seria um nome interessante para as cenas de ação ao lado de Ron Perlman.



Rachel Weisz (Constantine, O Jardineiro Fiel, A Múmia) como "Personagem - Feminina Alternativa"

Algumas fontes confiáveis garantem que o filme terá pelo menos uma personagem feminina no elenco. No conto original não há nenhuma personagem feminina, nem mesmo entre os coadjuvantes, o que nesses tempos, é uma coisa complicada. Nada contra se não desvirtuar o filme.

Há outros nomes igualmente interessantes, mas eu pensei em Rachel Weisz para o papel. Trata-se de uma atriz capaz de se sair bem em filmes de ação como A Múmia (que já tinha uma pitada pulp) até filmes de arte.

E então? O que vocês acham dessas opções?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Nas Montanhas de Del Toro - O que sabemos até o momento sobre o filme "At the Mountains of Madness"

Com informações aparecendo lentamente, vamos tentar nos organizar a respeito do que sabemos até o momento a respeito do filme "At the Mountains of Madness" baseado na obra de H.P. Lovecraft.

Para quem não sabe do que estou falando segue um resumo do que trata a estória. Em Mountains of Madness, uma expedição americana nos anos 30 ruma para a Antártida. Uma vez no continente gelado, eles fazem uma descoberta surpreendente na base de uma imensa montanha. Várias criaturas inumanas e ancestrais enterradas no gelo e no topo dela encontram uma cidade perdida construída por uma raça de seres alienígenas no passado distante da Terra. Enquanto exploram a cidade, os cientistas descobrem que algo sobreviveu a passagem das eras e que a presença deles despertou uma força muito antiga. Essa é uma das novelas mais conhecidas e comentadas, escritas por Lovecraft.

Nos últimos dias andei buscando na internet rumores e fatos a respeito do filme que se encontra em estágio de pré-produção, um momento delicado em que o elenco e equipe estão sendo escolhidos para os papéis principais e para as funções técnicas.

Essas são as informações que colhi pesquisando em várias fontes.

Os Fatos

O que sabemos é que o filme será produzido e distribuído por um grande estúdio de Hollywood, no caso a Universal Pictures em associação com a Angry Films. A Universal é um nome de peso no mercado cinematográfico e mantém uma longa tradição de filmes de horror.

Há previsões de que o orçamento de Mountains deva girar em torno de 160 milhões de dólares, uma cifra alta mas não tão alta quanto filmes blockbuster atuais (Iron Man 2, custou 210 milhões). Com esse montante, é possível conseguir uma ou duas estrelas e uma equipe técnica extremamente competente com efeitos digitais, som e figurino de primeira qualidade. Para efeitos comparativos é o mesmo orçamento de "A Origem" e "Tron - O Legado".

É quase certo também que Mountains será lançado em formato 3-D. Na minha opinião, podem contar com isso como fato. Filmes em 3-D são a nova galinha dos ovos de ouro dos estúdios e não há nada que indique que esse estilo de filme terá se desgastado até o lançamento de Mountains.

A data prevista para o lançamento mundial é 2013. A pré-produção já se iniciou e as filmagens em estúdio devem se iniciar em meados de 2011. A partir de 2012, as filmagens externas devem ser concluídas, sabemos que os produtores estão em busca de locações. Como se trata de um filme que provavelmente terá grande quantidade de efeitos especiais, é de se supor que a pós-produção, quando todos os elementos digitais e o som são inseridos, deva consumir boa parte de 2012.

Os produtores executivos do filme são Susan Montford e James Cameron. Esse segundo, aliás é um nome de peso. O produtor está ligado a filmes gigantescos como Titanic e Avatar, "apenas" os dois filmes mais rentáveis de todos os tempos. Cameron é um entusiasta de ficção científica, devemos lembrar que ele dirigiu clássicos como Exterminador do Futuro e Aliens, o Resgate.

Embora Cameron não vá ser o diretor, sua presença como produtor executivo concede a ele direito de intervir em vários elementos da produção, por exemplo, escolha de elenco. Em entrevistas recentes, Cameron deixou claro que "esse é um filme de Guillermo Del Toro" e que "ele é soberano para todas as suas decisões". Mas sinceramente, não creio que Cameron vá ficar afastado desse filme em especial, tanto que ele, já foi convidado para ser colaborador criativo. Tenho certeza também que Del Toro não vai querer bater de frente com Cameron, o mais provável é que os dois trabalhem juntos e dessa união podemos esperar bons resultados.

Falando em Guillhermo Del Toro, na minha opinião, não poderia haver nome mais feliz para adaptar um filme de H.P. Lovecraft. Del Toro ja declarou repetidas vezes ser um fã hardcore de Lovecraft, o tipo do cara que anda por aí com um anel de formatura da Universidade Miskatonic e que não se aperta na hora de citar os nomes de vários Old Ones. Quem assistiu o início de Hellboy sabe do que ele pode fazer em se tratando de filmes de época e horror.

Del Toro, para quem não conhece, é um diretor mexicano que esteve à frente de blockbusters como Hellboy e Blade II e conquistou admiração por filmes intimistas como O Labirinto do Fauno e "A Espinha do Diabo". Ele chegou a ser contratado para dirigir a adaptação de "The Hobbit" baseado na obra de J.R.R. Tolkien, mas divergências fizeram com que ele abandonasse a produção que o manteria ocupado por pelo menos quantro anos. Afastado do Hobbit, Del Toro anunciou quase que imediatamente seu interesse em Mountains, antes porém ele poderá ser visto dirigindo Frankenstein (2012) que tem a ambição de ser a adaptação mais fiel da obra de Mary Shelley.

Equipe Técnica:

Ainda não foi definido qual companhia será responsável pelos efeitos digitais do filme. Havia um rumor de que a Weta de Peter Jackson estaria à cargo dessa tarefa, mas depois da saída de Del Toro da direção de Hobbit, acho bem difícil que isso aconteça.

Eu acho possível que Del Toro recorra ao pessoal da Spectral Motion Inc e o Tippet Studio que foram responsáveis pelos excelentes resultados em Hellboy e em sua sequêcia. Também é bem provável que o filme conte com a companhia de Rick Baker, o papa da maquiagem e equipamento prostético ganhador de uma penca de Oscars, considerado um dos melhores do mundo em seu ofício. Baker esteve envolvido com os dois Hellboy. Del Toro também é um grande entusiasta de técnicas de animatrônicas que emprega bonecos e não apenas inserção digital.

Um nome confirmado é de Guillermo Navarro para a fotografia do filme. Navarro é um colaborador de longa data de Del Toro e esteve à cargo da fotografia em quase todos os seus filmes, além de ter ganho um Oscar na categoria por "O Labirinto do Fauno".

Elenco:

Já foi dito que os produtores querem pelo menos um grande nome para estrelar "At the Mountains of Madness".

Del Toro costuma trabalhar com astros menos conhecidos, mas não acho que ele iria se sair mal com um filme de elenco estelar. Desde que o filme foi confirmado tem havido uma grande especulação a respeito de quem serão os atores do filme.

O primeiro a ser apontado para o filme foi o inglês James McAvoy (Narnia, O Último Rei da Escócia e o novo X-Men First Class). McAvoy é um nome que transita com facilidade tanto em filmes blockbuster como "O Procurado" ao lado de Angelina Jolie, quanto em produções menores como o drama de guerra "Desejo e Reparação". Me parece uma boa opção, ainda que ele não seja exatamente uma estrela facilmente reconhecido ou um nome que atraia o público.

Logo depois começaram a circular rumores a respeito do interesse de Tom Cruise no filme. Sem dúvida a adição de um nome famoso como Tom Cruise representaria muito para o filme em termos de destaque na mídia. Mesmo em filmes menores Tom Cruise consegue atrair a atenção e não acharia de todo ruim se ele confirmasse sua participação (como protagonista já tenho minhas dúvidas). Cruise quando se esforça e quando evita os traquejos e afetação é um bom ator, vide "Nascido em Quatro de Julho" e "O Último Samurai". Em terror ele tem uma passagem por outra adaptação conturbada na qual conseguiu se sair muito bem: "Entrevista com o Vampiro" onde embora sua participação à princípio tenha sido muito criticada pelos fãs acabou se mostrando adequada.

Recentemente os rumores que tem circulado pela internet envolvem os seguintes nomes que já teriam sido cogitados para papéis: Liam Neeson (A Lista de Shindler), Hugh Jackman (Wolverine), Ralph Fiennes (O Paciente Inglês) e Chris Pine (Star Trek). Todos são nomes interessantes dependendo do papel e acho, seriam aquisições interessantes para o filme.

De concreto apenas a participação de Ron Perlman (Hellboy) no papel de Larson, o responsável pelos cães que puxam os trenós da expedição. Seria difícil que Pearlman não estivesse presente num filme dessa magnitude, sendo ele um dos atores preferidos de Del Toro. Nada contra; Perlman já mostrou a cara feia (na maioria das vezes carregada de maquiagem) em mais de duas dezenas de filmes, em geral como coadjuvante roubando a cena.

Outro nome fácil para apostar as fichas é Doug Jones (Hellboy) que costuma trabalhar na maioria dos projetos de Del Toro, em geral de baixo de toneladas de maquiagem fazendo o papel de alguma criatura fantástica. Em Hellboy ele fez o papel de Abe Sapien e em Labirinto do Fauno ele era o próprio fauno, além de fazer vários outros personagens.

Um ponto delicado que vem causando discussão entre os fãs é a inclusão de uma personagem feminina na trama. Lovecraft escreveu Mountains em 1931, nessa época não se cogitava a participação de personagens femininas em uma Expedição à Antártida, mas é possível que Del Toro acabe cedendo nesse ponto e transforme um dos personagens masculinos originais em mulher. Na minha opinião iria depender muito do papel da personagem e de sua importância para a trama, não acho algo profano fazer essa alteração, mas com certeza muitos fãs vão "subir nas tamancas" para reclamar.

O Roteiro

O roteiro está sendo escrito por Del Toro, ou seja, estará nas mãos dele a responsabilidade de ser fiel ao texto original. Pessoalmente eu confio em Del Toro e imagino que ele não vai cometer nenhuma heresia na estrutura da estória. Mountains será bastante fiel ao conto original.

Por outro lado, é preciso lembrar que o texto original de "In the Mountains of Madness" é incrivelmente árido. Lovecraft escreveu a novela quase como uma descrição científica de uma expedição, sem deixar espaço sequer para diálogos. Tudo isso são lacunas que terão de ser preenchidas por Del Toro. Em duas horas de filme, é provável que ele tenha de inventar um grande número de situações para conduzir a trama.

Não acho que ele vá se sair mal nessa tarefa, Del Toro escreveu os roteiros de vários de seus filmes inclusive Labirinto do Fauno que concorreu ao Oscar. Adaptar Mountains será complicado mas acredito que estará à altura de seu talento.

Resta apenas uma questão essencial quanto ao roteiro: será que ele vai ser escrito para os fãs de Lovecraft ou para o público em geral?

Mountains não é apenas uma estória de horror, ela contém muitos elementos de Fição Científica, mas contém referências claras ao Mythos de Cthulhu. Será que essas referências estarão no filme de forma clara ou as menções ao Necronomicon e a Cthulhu serão atenuadas?

Pessoalmente eu adoraria ver tudo isso na tela grande, mas estou ciente de que alguma coisa poderá ser cortada a fim de tornar o filme mais acessível para o público que desconhece essas coisas e que está em busca apenas de diversão.

Uma ótima notícia é que Del Toro já deixou claro que não fará concessões para esse filme. Seu objetivo é transmitir para a tela todo o pessimismo e sentimento claustrofóbico contido no texto de Lovecraft.

"Não haverá um final feliz" isso ele já garantiu em mais de uma entrevista contradizendo os rumores de que o estúdio poderia forçar um final mais simpático e um clima menos pesado (para diminuir a classificação etária).

Um diretor capaz de manter a visão de Lovecraft é algo muito bem vindo, sobretudo para esse conto que aborda dois dos mais importantes elementos na biografia de Lovecraft: o horror diante do desconhecido e a insignificância da humanidade.

Em resumo:

Bom, muita coisa ainda vai acontecer e muito possivelmente algumas dessas previsões não vão se concretizar, mas estaremos atentos para quaisquer notícias sobre a produção de "At the Mountains of Madness".

Vamos esperar que o filme seja tudo aquilo que os fãs desejam. Uma adaptação fiel, com produção caprichada que tem tudopara ser o melhor filme baseado na obra de H.P. Lovecraft.