sábado, 22 de dezembro de 2012

Este é o Fim do Mundo... ou não? - Algumas previsões sinistras do Fim dos Tempos


Bom o dia 21/12/20121 veio e se foi, e o mundo continua aí...

O tal do Calendário Maia furou. TOTAL FAIL! 

Pode sair de seu bunker, caro leitor.

Não teve noite substituindo o dia, dilúvio ou terremoto, não rolou o início de uma segunda Era do Gelo, o Sol não explodiu, um meteoro do tamanho do Texas não se chocou com a Terra, os polos magnéticos do planeta continuam no lugar, tsunamis não engoliram os continentes, zumbis não levantaram para comer o cérebro dos vivos, o Apocalipse não se concretizou e mais importante: R'Lyeh continua submersa e o Grande Cthulhu (esse dorminhoco!) permanece roncando.

É, não foi dessa vez... mas não desanime, logo, logo alguém vai descobrir alguma profecia biruta ou presságio sombrio garantindo que o mundo vai acabar e uma nova contagem regressiva vai se iniciar para  a humanidade. Se tem uma coisa certa é que desde que o mundo é mundo tem alguém prevendo que ele vai terminar.

De qualquer forma, os entusiastas do fim do mundo que acreditavam na veracidade do Calendário Maia não estão sozinhos. Ao longo da história MUITOS outros previram o Fim do Mundo.

Eu reuni uma coletânea de previsões absolutamente furadas do Fim do Mundo, mas que de alguma forma causaram comoção:

O Negro ano de 992


O estudioso e filósofo alemão, Bernardo da Turíngia baseou-se em uma série de cálculos matemáticos para prever que a legendária Serpente do Apocalipse iria se libertar no final de 992 e transformaria o mundo em um Inferno. Suas previsões se espalharam rapidamente pela Europa, da Inglaterra até a Grécia, passando pela França e pela Alemanha. A notícia bombástica talvez tenha sido levada em conta pelo fato de Bernardo ser amplamente respeitado.

Seja como for, a previsão fez com que inúmeras pessoas largassem tudo e peregrinassem para a Terra Santa, local que alguns acreditavam seria o único ponto seguro para sobreviver ao Apocalipse. Cronistas da época descrevem o movimento de peregrinos como "algo nunca visto antes". Quando eventualmente o ano terminou e o mundo não acabou, Bernardo abandonou tudo e se converteu em um eremita. Ele passou então a dizer que o mundo terminaria dentro de 32 anos. Algumas pessoas levaram em consideração essa previsão, mas a maioria nessa época não tinha muito com o que se preocupar já que a expectativa de vida não era lá muito grande. Quando os 32 anos se encerraram pouca gente lembrava da funesta previsão do eremita que já tinha morrido na obscuridade.

Seja como for, as previsões equivocadas de Bernardo de Turíngia, que incluíam cenas que pareciam chupadas de um filme de Godzila com direito a colossais monstros marinhos surgindo das profundezas, merecem destaque. Foi uma das primeiras previsões registradas a atingir um grande número de pessoas e causar comoção. 

31 de Dezembro de 999 - Histeria varre a Europa

Um dos Livros Apócrifos da Bíblia dizia claramente que o Juízo Final aconteceria mil anos após o nascimento de Jesus Cristo. O final do primeiro milênio seria marcado pelo Apocalipse e o retorno de Jesus para julgar os vivos e os mortos. Ao longo do ano houve casos documentados de histeria em massa, suicídios e pânico de que a destruição viria de forma dramática com direito a fogo e chamas, água e peste.

Reza a lenda que o pânico era tamanho, que a população de um país inteiro, a Islândia, teria se convertido ao cristianismo no decurso do ano temendo morrer como pagãos. Há relatos coletados pelos historiadores da época de pessoas distribuindo seus bens como forma de garantir um lugar no paraíso e de indivíduos se entregando a oração para expiar seus pecados. Novamente a Terra Santa era um dos destinos preferidos para aqueles que queriam estar seguros no momento do fim. Peregrinos marchavam pelas estradas, orando, gritando e se auto-flagelando.

Há relatos de que alguns povos ainda pagãos da Europa Oriental se assustaram de tal forma ao ver o movimento de pessoas se dirigindo para a Terra Santa que temeram se tratar de uma invasão. Cidades se fecharam para essa multidão e foram incendiadas pela massa histérica. Casas foram invadidas, colheitas devastadas e embarcações roubadas para que elas os levassem até Jerusalém, aparentemente valia tudo para chegar a Cidade Santa antes do fim.

Em Roma, o Papa Silvestre II presidiu uma missa solene realizada na noite de 31 de dezembro. Conta-se que as mãos do pontífice tremiam, suas vestes estavam encharcadas de suor e que ele não foi capaz de concluir a celebração, tamanho seu horror. Precisamente a meia-noite, os clérigos presentes começaram a chorar copiosamente, houve soluços e gritos de desespero entre os presentes. Vários caíram de joelhos, e permaneceram prostrados em silêncio aguardando o fim que viria a qualquer momento: deu uma, duas, quatro e nada... o sol nasceu e um novo dia começou como se nada tivesse acontecido. 

Para todos os efeitos, Deus parecia ter se apiedado dos homens e concedido a eles o direito de viver por mais algum tempo. Alguns não satisfeitos disseram que a previsão estava errada e que a data do fim dos tempos estava marcada para 1000 anos após a Morte e Ressurreição de Cristo, ou seja, a data fatal seria 1033.   

1 Fevereiro 1524 - O Grande Dilúvio


Essa previsão apocalíptica foi marcante sobretudo por ter se iniciado através com rumores espalhados por astrólogos. Vários planetas aparentemente estavam em conjunção com a Casa de Peixes, o que significava: água, muita água à caminho!

Em junho de 1523 um grupo de influentes astrólogos que viviam em Londres concluíram que a capital inglesa seria o marco zero de uma imensa enchente que engoliria não apenas a Inglaterra, mas todo o continente europeu. Não haveria terras intocadas pela fúria das águas que se ergueriam mais de 100 metros engolindo terras baixas e tragando a vida de todos em seu caminho. A data final foi prevista com exatidão: 1 de fevereiro de 1524.

O pânico se espalhou rapidamente, mais de 20 mil pessoas em Londres abandonaram as suas casas e se dirigiram para colinas e lugares elevados onde talvez estivessem protegidos do dilúvio. Em St. Bartholomey, o priorado organizou a construção de um fosso e murada para proteger o monastério da ferocidade da água. Nobres e ricos senhores de terras começaram a estocar alimentos para um longo período, em Leeds houve revoltas quando a população protestou contra leis que confiscavam a comida. Mas o temor não foi sentido apenas na Inglaterra. Na Alemanha, a histeria fez com que um êxodo ocorresse para áreas mais elevadas. Na França, um certo Conde Igglenhein ordenou a construção de uma grande embarcação, uma arca se preferirem, onde ele planejava enfrentar o dilúvio como um verdadeiro Noé. A construção da arca demandou meses de trabalho árduo empreendido por camponeses e pessoas contratadas especificamente para essa tarefa.

Em 1 de fevereiro, muita gente deve ter ficado desapontada quando não houve sequer uma chuvinha. Provavelmente, ninguém ficou mais chateado do que o Conde Iggenhein que foi apedrejado até a morte quando ficou óbvio que o mundo não iria terminar e que ele não tinha dinheiro para pagar a construção da sua arca.

Diante do que havia acontecido, os astrólogos se reuniram e descobriram que haviam cometido um erro de cálculo em sua previsão. O mundo terminaria da forma como eles haviam previsto, isso era certo (!!!), mas eles erraram por 100 anos. No mesmo dia em 1624 astrólogos ficaram desapontados por se encontrarem vivos e totalmente secos.

1666 - O Ano da Besta


A segunda metade do século XVII foi marcada por diversos fenômenos astronômicos impressionantes, incluindo dois eclipses solares completos, a passagem de importantes cometas riscando os céus e frequentes eclipses lunares. As pessoas que assistiam assombradas a esses fenômenos dominando os céus, ficavam naturalmente aflitas imaginando se aqueles eventos sinalizavam tempos ainda mais tenebrosos.

Havia a certeza de que o mundo caminhava em direção a uma catástrofe que poderia significar o Fim dos Tempos. A data mais propícia para isso, sem dúvida era o ano de 1666. A data por si só vinha acompanhada de desconfiança, afinal de contas o número 666 era conhecido como o "número da besta", aquele que identificava a presença do demônio ("yep, six, six, six... the number of the beast").

É claro, a Grande Peste que varreu a Europa em 1665 não ajudou a tranquilizar o panorama de nervos à flor da pele. Milhares de pessoas morriam de Peste Bubônica e os cadáveres se acumulavam nas ruas e campos. Cidades eram abandonadas às pressas quando sinais da doença se tornavam evidentes. Guerras haviam varrido nações inteiras e o flagelo da fome flutuava sobre as populações desmazeladas como um espectro sombrio. Não deve ter sido uma visão agradável e se há uma coisa que ajuda a criar o clima ideal para a crença no fim do mundo, essa coisa é a incerteza no futuro. Em 1666 as pessoas não tinham realmente certeza se iriam continuar vivas, parecia que forças demoníacas realmente estavam em ação. 

Boatos sobre o fim dos tempos se alastravam entre pregadores itinerantes em toda Europa Ocidental que carregavam notícias sobre maus augúrios afirmando que os sinais eram claros. Em Meinz, um homem chamado Joachin Clinger conduzia uma carroça abarrotada de gaiolas contendo ratos pretos. Ele dizia que aqueles ratos eram a prole de Satã e que os animais haviam saído do ventre de mulheres durante um eclipse lunar. Em Salamanca, outro pregador do apocalipse, Thiago de Ajueba, dizia que a única maneira de afastar o demônio era purificando as cidades da presença dos pecadores. Sua idéia de purificação incluía crucificar prostitutas e mulheres adúlteras nas amuradas da cidade. Até na distante Constantinopla, um ex-rabino, Sabbatai Zevi, afirmava ser ele próprio o novo messias judeu que salvaria seus seguidores do apocalipse que se aproximava.

Felizmente 1666 não foi o ano do Fim do Mundo, embora os habitantes de Londres pudessem contestar essa afirmação. Em setembro daquele ano a cidade ardeu em um Incêndio como jamais visto na história da Grã-Bretanha. Mais de 13 mil casas foram destruídas e algo em torno de 80 mil pessoas perderam as suas vidas. Quando o fogo chegou ao fim, quatro dias depois de ter se iniciado, tudo o que restava da cidade eram ruínas fumegantes e destruição. A data ficou conhecida como "O Grande Incêndio de Londres", mas para alguns foi o Fim do Mundo.  

1840 - O Apocalipse dos Milleritas 


William Miller talvez seja um dos mais famosos auto-proclamados Profetas do Apocalipse. Por volta de 1830, o ex-pastor batista norte-americano William Miller começou a pregar ardorosamente a Segunda Vinda de Jesus e consequentemente o Fim do Mundo. O Profeta baseava a sua previsão na Profecia de Daniel 8:14, na qual o mundo terminaria em meio a fogo e chamas purificadoras. À princípio, o pastor declinou de revelar a data exata do fim dos tempos, contudo seu rebanho implorou para que dissesse a data fatal, que segundo seus estudos ocorreria em algum momento do ano de 1844.

Talvez em função dessa profecia, o movimento millerita se transformou de um obscuro movimento regional que congregava poucas centenas de pessoas em uma campanha nacional de conversão que se espalhou velozmente pelos Estados Unidos. O movimento Millerita contava com importantes indivíduos no ramo gráfico e editorial, o que garantiu uma ampla divulgação de suas idéias na forma de livros, panfletos e cartazes alertando as pessoas dos tempos difíceis que estavam por vir. 

Em um espaço de tempo relativamente curto, os milleritas já contavam com mais de 100.000 seguidores. Entre os mais fiéis havia um pastor chamado Samuel S. Snow, que a partir de cálculos pessoais determinou que o Fim dos Tempos ocorreria precisamente em 22 de agosto de 1844. A notícia, que passou a ser conhecida como a "Mensagem do Sétimo Dia", abalou os seguidores e se espalhou entre seguidores e não seguidores de forma similar. A América passou a viver em tremenda expectativa a medida que a data se aproximava.

Finalmente o dia marcado para o Juízo final chegou e (surpresa!) nada aconteceu. Miller foi duramente criticado e o movimento perdeu inúmeros seguidores, muitos dos quais haviam vendido ou dado tudo o que tinham como ato de redenção antes do fim. Houve episódios de violência e depredação de templos milleritas, pastores tiveram de procurar abrigo diante de uma turba furiosa. A data ficou conhecida como "O Grande Desapontamento". Um número considerável de milleritas decepcionados com as falsas previsões, abandonaram de vez o culto e engrossaram as fileiras dos Quakers, enquanto um grupo formou a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

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