segunda-feira, 2 de março de 2015

Os Crimes da Fazenda Hinterkaifeck - Assassinatos misteriosos na Alemanha permanecem sem solução


Crimes e mistérios envolvendo assassinatos sempre despertaram a atenção de curiosos. Casos notórios como o do assassino Zodíaco ou de Jack, o estripador se tornaram incrivelmente populares, sendo debatidos ao longo de décadas, com especialistas discutindo a verdadeira identidade dos assassinos e sua motivação. É provável que casos como esses ainda sejam debatidos daqui há muitos anos. Curiosamente, quanto mais misterioso, sanguinolento e tenebroso o crime, maior o fascínio que ele desperta. Talvez seja parte da natureza humana se manifestar dessa forma.

Um desses mistérios surgiu nas majestosas florestas alpinas da Bavária, na Alemanha. A idílica paisagem montanhosa, de natureza exuberante, se tornou o palco de um dos mais violentos e horripilantes assassinatos ocorridos naquele país. 

O ano era 1922 e tudo aconteceu em uma fazenda conhecida como Hinterkaifeck.

Hinterkaifeck era uma propriedade rural localizada na floresta fora de Groebern, entre as cidades bávaras de Ingolstadt e Schrobenhausen, a pouco mais de uma hora de carro de Munique. A fazenda era a residência da Família Grueber, que consistia do marido Andreas, sua esposa Cazilia, sua filha Viktoria, que havia se tornado viúva pouco antes e duas crianças Cäzilia (7) e Josef (2). 

Eles viviam em relativo isolamento, uma vez que o lugar ficava a aproximadamente um quilômetro da cidade mais próxima, Kaifeck. As trilhas que ligavam a fazenda aos seus vizinhos eram tortuosas e por isso os Grueber raramente recebiam visitas.

The Hinterkaifeck farm
A Fazenda Hinterkaifeck
Apesar de viverem distantes, a família Grueber era bastante conhecida na região, embora não pelas melhores razões. Andreas Grueber tinha fama de ser um homem violento que batia na esposa frequentemente. As pessoas o evitavam pois sabiam que ele tinha fama de andar armado e não levar desaforo para casa. Ninguém de fato gostava muito dele. Boatos maldosos davam conta de que o neto mais novo, o pequeno Josef de apenas dois anos, era o resultado de uma relação incestuosa de Andreas com a filha Viktoria. A jovem havia ido morar com os pais depois que seu marido morreu nas trincheiras da Grande Guerra. Comentava-se que os ciúmes de Andreas pela sua filha beiravam a obsessão e que ele mantinha a garota sob estrito controle. Ela era proibida de sair de casa desacompanhada do pai e nas raras ocasiões em que era vista na cidade, ninguém podia falar com ela sem a autorização do tirânico patriarca.

O outro filho do casal, Emil havia supostamente deixado a fazenda alguns anos antes e nunca se soube de seu paradeiro. Alguns diziam que ele partira para Munique em 1921, mas outros afirmavam que ele havia ido mais longe para escapar do pai, quem sabe para Berlim ou Frankfurt. Andreas não falava sobre o filho e se referia a ele como "aquele ingrato". A relação com os pais desde sempre fora tempestuosa, e se agravara com a chegada da irmã que era a favorita do patriarca. O rapaz havia trocado socos com o pai em uma visita ao povoado, pouco antes de supostamente fugir na calada da noite. Alguns ficaram aliviados que Emil tivesse partido, pois estavam certos de que as coisas terminariam mal se ele continuasse a viver na Fazenda.

A maneira brutal como Andreas tratava a esposa também era bem conhecida, a mulher frequentemente aparecia na cidade tentando esconder marcas roxas pelo corpo. Andreas nunca escondeu que era ele o responsável por aquelas agressões, e ai de quem falasse alguma coisa. Em geral, a família era estranha e reclusa. A única que tinha uma boa reputação era a pobre Cazilia, que cantava no coral da igreja, e que segundo alguns tinha uma bela voz.
As coisas começaram a ficar estranhas na fazenda quando uma faxineira que havia sido contratada para ajudar Cazilia, desistiu repentinamente do trabalho. Quando questionada porque ela decidiu partir de maneira tão abrupta, Maria - a faxineira, contou que havia ouvido sons estranhos: vozes guturais e gargalhadas nos arredores da fazenda. Ela jurou ter ouvido também o som de passos subindo e descendo as escadas que levavam ao sótão, mesmo quando todos os membros da família estavam reunidos na mesa de jantar. As crianças segundo a empregada choravam sem parar e estavam sempre aterrorizadas como se fossem capaz de "ver alguma coisa que os adultos eram incapazes de enxergar". Maria estava convencida que a fazenda era assombrada e intimidada pela suposta presença fantasmagórica, decidiu deixar o lugar, mesmo após ser advertida por Andreas que não seria paga se o fizesse. Andreas espalhou que Maria era simplesmente uma idiota de mente fraca.
Seis meses depois, as coisas se tornaram ainda mais bizarras. Em meados de março de 1922, Andreas estava limpando o quintal após uma nevasca, quando se deparou com estranhas pegadas deixadas na neve. As trilha levava em direção à floresta. Andreas vasculhou toda propriedade em busca de algum invasor, revistou a casa, o barracão e o galpão nos fundos, sem encontrar ninguém. Alarmado pela possível presença de um invasor em sua propriedade ele foi até a cidade e advertiu a todos que, qualquer pessoa vagando em suas terras, seria abatida.  
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Pegadas na Neve
Na mesma noite em que as pegadas surgiram, a família Grueber foi acordada no meio da madrugada por inexplicáveis ruídos vindos do sótão. Lembrando do que a faxineira havia dito sobre os ruídos no sótão, Andreas vasculhou o lugar, mas não encontrou ninguém. Na manhã seguinte, novas pegadas cobriam a parte da frente da propriedade, estas se afastavam da fazenda em direção à floresta e desapareciam repentinamente. No final de maio, Andreas visitou Kaifeck, ele parecia cansado e mais nervoso do que o normal. Na ocasião contou que ninguém na Fazenda Hinterkaifeck conseguia dormir há mais de uma semana, por conta dos estranhos ruídos ouvidos na madrugada. Ele relatou ainda, que marcas semelhantes a arranhões haviam aparecido na porta de madeira de um galpão.

Alguns sugeriram que o estranho não era outro senão Emil Grueber, o filho de Andreas que havia retornado e estava atormentando o velho. Mas Andreas deixou claro que não podia ser Emil o que alguns interpretaram como sendo uma certeza um tanto preocupante.

Em 31 de Maio, apesar dos relatos estranhos e dos boatos que circulavam no povoado, uma nova faxineira chamada Francisca Bohrman foi contratada para ajudar na fazenda. Mas o primeiro dia de trabalho da mulher também seria o seu último. No fim da tarde, ela apareceu no vilarejo dizendo que de modo algum passaria a noite "naquele lugar amaldiçoado". Quando questionada, Franscisca contou que enquanto estava lavando roupas sozinha no quintal, viu a figura fantasmagórica de um rapaz correr em direção à floresta. Aterrorizada pela experiência ela deixou a fazenda enquanto ainda havia luz do sol. 

Francisca Bohrman seria lembrada como a última pessoa a ver os Grueber com vida.

Em 4 de abril de 1922, as pessoas no vilarejo demonstravam preocupação com os membros da Família Grueber, sobretudo com Cazilia e as crianças. A última notícia da fazenda havia sido trazida por Francisca e desde então, ninguém havia ido até o lugar. O domingo havia passado sem que os Grueber aparecessem na igreja para a missa semanal, o que era estranho. Alguns cidadãos resolveram então visitar a Fazenda Hinterkaifeck para verificar o que estava acontecendo. Ao atingir a cerca que delimitava a propriedade, o grupo começou a chamar os moradores, mas não obteve resposta. Mais do que isso, não havia sinal dos Grueber e sobre a fazenda pesava uma inquietante atmosfera de silêncio e apreensão.

Apesar das promessas de Andreas de receber invasores à bala, o grupo decidiu adentrar a fazenda. Perceberam que haviam muitas pegadas deixadas na neve que se dirigiam para o galpão e ao abrir a porta se depararam com uma cena aterradora. Os corpos dos Grueber estavam empilhados uns sobre os outros e cobertos com palha. Eram quatro cadáveres: Andreas, sua esposa Cazilia, sua filha Viktoria e a neta mais velha, Cäzilia. O fedor de sangue coagulado era quase insuportável, lembrando um matadouro. O grupo, após verificar que o pequeno Josef não estava entre os mortos, procedeu em uma busca desesperada pela fazenda. Eles enfim encontraram o menino no quarto, morto. Toda Família Grueber havia sido massacrada à sangue frio.     
Gruesome discovery in the barn
A horrível descoberta no galpão fotografada pelas autoridades
O grupo imediatamente chamou a polícia, e em poucas horas investigadores do Departamento de Polícia de Munique chegaram a cena do crime. A autópsia preliminar mostrou que todas as vítimas haviam sido mortas com golpes na cabeça desferidos por uma ferramenta pesada. O corpo de Viktoria também mostrava sinais de estrangulamento, mas não foi possível determinar se essa foi a causa da sua morte. O assassino aparentemente era alguém muito familiarizado com o manejo de ferramentas pesadas, já que todos os corpos apresentavam o mesmo tipo de ferimentos: um golpe perfurante no crânio. As vítimas morreram imediatamente, com exceção de Cäzilia, que levou várias horas para sucumbir apesar do ferimento brutal no crânio. As vítimas estavam vestindo pijamas, com exceção de Viktoria, que trajava roupas do dia a dia. O pequeno Josef apresentava um ferimento de corte na garganta e havia sido deixado na cama onde sangrou até morrer. Apenas depois o assassino usou a mesma arma para arrebentar a cabeça do menino. Os investigadores acreditavam que as mortes haviam ocorrido na madrugada do dia 31 de março.

A arma usada no crime não foi encontrada apesar das buscas empreendidas. Tudo indicava que ela seria uma ferramenta agrícola comum em uma fazenda, provavelmente uma picareta e que o assassino teria carregado ela consigo ou escondido em algum lugar ignorado.

Um dos peritos chegou a conclusão de que o assassino havia conseguido ludibriar Andreas Grueber, sua esposa, filha e neta a entrar no galpão um de cada vez. Lá ele os executou com golpes certeiros de picareta. Em seguida, ele teria entrado na casa e eliminado o menino usando uma faca. Eles concluíram no inquérito que Viktoria e Cäzilia foram os primeiros a serem mortos e que o sumiço deles teria motivado Andreas e a esposa a ir até o galpão. Os corpos foram cobertos com palha seca e alguns sugeriram que o assassino pretendia atear fogo neles, mas que desistiu disso imaginando que a fumaça poderia atrair curiosos. O corpo de Josef estava coberto com um lençol empapado em sangue e um travesseiro foi colocado sobre a sua cabeça antes do golpe com a picareta ser desferido.
A pickaxe, the Hinterkaifeck Killer's weapon of choice
A picareta usada no crime da Fazenda Hinterkaifek
O crime já continha vários elementos macabros, mas uma análise criteriosa da cena do crime revelou detalhes ainda mais estranhos. O cachorro da família, que não foi importunado pelo assassino, tinha comida e água fresca. Os animais da fazenda, vacas e porcos também haviam sido devidamente alimentados. Essas evidências sugeriam que o assassino poderia ter passado alguns dias na fazenda, mesmo depois de executar brutalmente suas vítimas.

Além disso, tufos do cabelo de cada vítima foram cortados por razões desconhecidas. Os longos cabelos de Cazilia foram cuidadosamente aparados, bem como o bigode de Andreas. O que teria levado o assassino a fazer tal coisa? 

A polícia continuou buscando algum motivo, mas tudo o que descobriu conduzia a novas questões difíceis de serem respondidas. No início, acreditava-se que a motivação para o massacre fosse o roubo. Os quartos estavam revirados, como se alguém tivesse vasculhado cada aposento em busca de dinheiro. Os Grueber tinham um padrão de vida confortável e não era raro encontrar vagabundos no interior da Alemanha naquela época - a guerra havia terminado poucos anos antes e muitos perderam tudo no conflito. A descoberta de uma caixa contendo jóias e moedas de ouro no quarto de Andreas fez com  que a polícia começasse a pensar em outra motivação para o crime. O assassino afinal de contas havia estado no aposento e seria impossível não ter visto a caixa contendo os itens de valor. A carteira de Andreas, com 150 marcos, uma bela soma em dinheiro, estava numa gaveta aberta, e ela sequer foi tocada.
The maid's room
Um dos quartos revirados
Os policiais começaram a desconfiar que os crimes podiam ter uma motivação passional. As suspeitas recaíram sobre um veterano de guerra chamado Lorenz Schilittenbauer que supostamente havia visitado a fazenda semanas antes e que desde então estava vivendo em Munique. Ele teria manifestado interesse em Viktoria, mas este não foi correspondido. Lorenz afirmava ser um colega do marido de Viktoria e dizia ter estado com ele no momento de sua morte nas trincheiras, ocasião em que prometeu cuidar de sua esposa e filhos. Schilittenbauer teria ficado furioso com a recusa da viúva e isso teria alimentado seu ódio por ela e o restante da família. O pouco que se sabia a respeito de Lorenz dava conta de que ele tinha um gênio difícil e que era naturalmente violento. Alguns dos seus colegas e oficiais o consideravam mentalmente instável. Schilittenbauer chegou a ser preso, mas conseguiu providenciar um álibi que o isentou da culpa pelos assassinatos. Ele estaria na companhia de um casal de amigos na noite fatídica e teria sido visto em um bar por várias testemunhas que o reconheceram posteriormente. Com o principal suspeito inocentado, a polícia se viu uma vez mais sem pistas.

A essa altura, muitos já mencionavam os acontecimentos sobrenaturais e as assombrações vistas meses antes dos horríveis crimes.

As estranhas pegadas na neve chamaram a atenção dos detetives, mas ninguém foi capaz de precisar se elas estavam lá antes dos corpos terem sido descobertos ou se elas foram produzidas pelo próprio grupo que visitou a fazenda no dia 4 de abril. Alguns afirmavam que o massacre havia sido promovido por espíritos ou assombrações vingativas que repudiavam o estilo de vida dos Grueber.

Dois meses depois das mortes, a polícia alemã continuava sem um rumo. 

Os investigadores decidiram então vasculhar a floresta e os arredores da fazenda uma vez mais. E dessa vez, encontraram uma pista surpreendente. Próximo a um descampado, a cerca de 2 quilômetros da fazenda eles localizaram uma picareta suja de sangue com fios de cabelo humano mais tarde identificados como pertencentes aos membros da família Grueber. A ferramenta sem dúvida era a arma do crime. Ela havia sido embrulhada em um lençol idêntico ao encontrado no quarto do pequeno Josef e enterrada na lama.

A polícia de Munique continuou investigando os crimes da Fazenda Hinterkaifeck ao longo da década de 1920, mas o responsável pelo terrível massacre jamais foi descoberto. Mais de 100 suspeitos, a maioria destes, vagabundos, foram interrogados e liberados. Ninguém jamais foi processado ou julgado por esse crime. As razões para os atrozes assassinatos permanecem desconhecidas e o crime, um dos mais famosos da história da Alemanha no período entre as guerras, continua sem uma solução.

The Hinterkaifeck farmhouse
A Fazenda onde ocorreram os crimes
Mas esse não é o fim da história.

Muitas pessoas acreditam que a solução para o caso da Fazenda Hinterkaifeck reside no exame das pistas sob um ponto de vista sobrenatural. Estes apontam para uma vingança além-túmulo conduzida por ninguém menos do que Emil Grueber, o filho desaparecido de Andreas e Cazilia.
Na época em que Emil desapareceu, no final de 1921, muitos afirmaram que o rapaz não teria coragem de deixar a fazenda de seu tirânico pai e que este preferia matá-lo a permitir-lhe escapar de seu controle. Emil era descrito como um rapaz corpulento, que mal havia completado os 17 anos, mas cujos músculos haviam sido talhados pela labuta no campo. Era um rapaz quieto, que não havia concluído os estudos e que se dedicava exclusivamente ao trabalho na fazenda. Suas brigas com o pai eram famosas e todos que haviam testemunhado esses tristes episódios afirmavam que o ódio entre os dois era quase palpável. Algumas fofocas davam conta de que Emil teria uma relação não-natural com a irmã e que o ciúme do pai foi determinante para que a menina casasse com o primeiro pretendente que surgiu, um soldado.
Quando Viktoria retornou a Fazenda como viúva muitos comentaram o fato dela ter engravidado novamente. Mas embora houvesse especulação a respeito da identidade do pai, ninguém foi capaz de determinar se Josef era um filho ilegítimo de Andreas, de Emil ou de uma terceira pessoa desconhecida. Seja como for, o retorno de Viktoria ao convívio da família foi devastador para seu irmão. Logo depois disso, os desentendimentos se tornaram frequentes e resultaram em sua "fuga".
Muitos habitantes de Kaifeck desconfiavam que a "fuga" de Emil, não passava de uma farsa. Para eles, Andreas havia matado o próprio filho, talvez após uma discussão mais áspera. Com o intuito de tapear as autoridades e manter as aparências, ele simplesmente teria enterrado o corpo em uma cova rasa na floresta e inventado a fuga. Talvez por saber do paradeiro final de Emil, Andreas afirmasse categoricamente que não poderia ser o seu filho o misterioso invasor que visitou repetidamente a fazenda e deixou os rastros na neve.
Estudiosos da parapsicologia acreditam que assombrações e espectros podem retornar ao mundo dos vivos sobretudo quando tem contas a acertar com aqueles que os mataram. Em casos de profundo ódio, esses espíritos se erguem para extrair de seus algozes vingança. O folclore chama esses espíritos de Revenants.
Seria Emil o fantasma responsável pelos ruídos inexplicáveis na fazenda? Seria ele a presença fantasmagórica vista por Francisca Bohrman na fazenda? Será que o rapaz teria se erguido de uma cova rasa para executar todos aqueles que ele culpava pela sua morte?
É um fato conhecido que a polícia de Munique buscou o paradeiro de Emil Grueber ao longo de toda investigação, mas não logrou qualquer êxito de localizar o rapaz. Para todos os efeitos ele simplesmente desapareceu sem deixar vestígios em 1921. É razoável assumir que, se ele estivesse vivo na época em que a família foi assassinada, seria virtualmente impossível não tomar conhecimento do caso, já que este foi amplamente divulgado em toda Alemanha. A polícia chegou a publicar em jornais notas em que procurava Emil Grueber, mas ninguém jamais respondeu a elas. Para todos os efeitos ele desapareceu e nunca mais foi visto.
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Em 1965, um parapsicólogo alemão chamado Frederick Hoffner publicou um controverso artigo no qual dava uma solução atípica para o Caso da Fazenda Hinterkaifeck. Segundo ele, Emil Grueber havia sido morto em novembro de 1921 por seu pai Andreas e enterrado na floresta nos arredores de Groebern. Nos meses seguintes, o ódio mortal e o ressentimento que ele nutria pela família teriam feito com que ele retornasse do túmulo em busca de vingança como um espírito em busca de justiça; um Ravenant.
Hoffner ia ainda mais longe em sua explicação. Ele afirmava que em 1947, pouco depois do fim da Segunda Guerra, uma ossada humana fora encontrada próxima ao descampado, onde a picareta usada para massacrar a família Grueber, tinha sido achada. Os ossos bastante antigos, foram removidos da cova rasa onde descansavam e enterrados numa cova sem nome. Segundo o parapsicólogo, os ossos pertenciam a Emil Grueber. 
O enigma da Fazenda Hinterkaifeck continua desafiando os caçadores de mistérios e hoje ele não está mais próximo de ser resolvido do que em 1922. A Polícia de Munique reabriu o caso em duas ocasiões, em 1986 e em 2007, mas em ambas as tentativas de elucidar o caso não houve qualquer progresso. As autoridades disseram que o mais provável é que o caso jamais tenha uma solução, uma vez que tantos anos se passaram, e as evidências se tornaram escassas com o passar dos anos. Isso no entanto não detém os intrépidos detetives amadores que buscam por um fechamento para esse crime.

Na Alemanha, o Caso Hinterkaifeck se tornou uma lenda, e é matéria de diversos livros, artigos e filmes. A fazenda em si desapareceu há muito tempo, tendo sido demolida em 1923 por vizinhos insatisfeitos com aquele monumento de morte e horror tão próximo de suas casas. Tudo o que resta atualmente é um marco de pedra erguido em homenagem aos que morreram naquele lugar lúgubre. Um marco e velhas árvores.

Ao que parece, essas árvores são as únicas que sabem o segredo da Fazenda e o que aconteceu naquela noite sangrenta.

3 comentários:

  1. Ótima matéria!!!! Bem bizarra O___o

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  2. Tenho quase certeza que Emil é o assassino, como ele pode desaparecer depois da morte da sua família? O assassino na maioria dos casos, tem alguma relação com alguém que o assassinou, nesse caso não é descartado a hipótese de que Emil (aquele que mais demostrou ressentimentos pelo pai) pode ter matado sua família

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