segunda-feira, 9 de março de 2015

Os Chifres da Silat - Uma raça de criaturas terríveis saídas das Mil e uma noites


Ainda com relação ao artigo anterior.

A filmagem da aparição na estrada me deu um monte de ideias de como usar isso em uma crônica apavorante. Por mais que a gente saiba que é uma armação, não tem como deixar de reconhecer que a situação é bem apavorante.

Quando assisti pela primeira vez, sem saber onde havia sido feita a filmagem e sem fazer ideia do que se tratava, fiquei empolgado. Além disso, lembrei de imediato de uma lenda do Oriente Médio, a respeito da Silat.

Provavelmente a associação foi feita por causa dos gritos em árabe dos ocupantes do carro. Logo pensei que o vídeo poderia ter sido feito durante uma travessia de faixa desértica num rincão isolado do Oriente Médio. O fato da filmagem ter sido supostamente colhida no interior da Inglaterra foi meio que um banho de água fria nas minhas pretensões.

Se fosse a aparição de uma Silat, uma espécie de bicho papão da cultura árabe, sem dúvida, seria bem mais interessante e assustadora do que um suposto monge do século XVII.

Para quem não conhece, a Silat é uma figura aterrorizante, pertencente ao folclore do Oriente Médio, disseminada principalmente na região da Arábia, Iraque e Iêmen. A origem, contudo, é indeterminada; manuscritos árabes do século X, mencionavam a silat ao lado de gênios, ghûls e outros seres fantásticos que povoavam as lendas das mil e uma noites. Até mesmo o célebre poeta Omar Kayan mencionou as Silat na sua obra.

A criatura é um tipo de bruxa que vaga pelas estradas do interior e pela borda dos desertos, raramente visitando cidades grandes, preferindo vilarejos e povoados isolados. Quando se aproxima da civilização, utilizam disfarces mágicos, fazendo-se parecer com velhas inofensivas apoiadas em bengalas.

Em sua forma verdadeira, as Silat não são nada singelas. Elas pertencem a uma raça de gigantes ou gênios, com a pele enrugada e pálida tendendo para uma complexão amarelada ou verde. Na cabeça elas possuem um tipo de chifre de carneiro recurvo, geralmente escondido sob um lenço ou chapéu de aparência incomum e bojuda. Uma vez que esse chifre é a fonte de seus poderes mágicos, elas preferem escondê-lo para que ninguém reconheça sua natureza mística. O tamanho do chifre e a quantidade de curvas dele denotam a idade da Silat, cada espiral completa indica que a criatura tem pelo menos um século. As anciãs mais veneráveis possuem chifres incrivelmente grandes com várias curvas que são difíceis de disfarçar. O cabelo das Silat é comprido e semelhante a teias de aranha, caindo sobre seu rosto e ombros. Algumas vezes ele é branco feito giz, mas alguns relatos afirmam que ele pode ser preto ou acompanhar o tom da pele. Os olhos são profundos, com uma cor azulada não-natural, brilhando na escuridão. O hálito das bruxas é ofensivo aos sentidos, e sua respiração pode ser vista, emanando como uma fumaça azulada. Os dentes e unhas são compridos com um tom de marfim amarelado, mas resistentes e afiados como lâminas. As Silat se vestem com trapos velhos e andrajos amarrados cobrindo seu corpo arquejado. Elas são altas e magras, mas extremamente fortes, traindo a primeira impressão de que não passam de velhas com a saúde debilitada. Uma Silat é capaz de conter um homem adulto e levantá-lo do chão com apenas uma mão.

Curiosamente, nada se sabe a respeito de machos da espécie. Nenhuma narrativa assume a existência de Silat do sexo masculino, o que leva a crer que essas criaturas se reproduzem com outras espécies. Gênios - seres criados pela fagulha elemental, são os principais candidatos a consortes da Silat. Trechos de folclore atestam que a espécie é imortal e que as poucas Silat restantes no mundo teriam assassinado os machos da raça milênios atrás para que outras jamais nascessem.

Segundo algumas fontes, a Silat é uma entidade única, mas a maioria das lendas dão conta que existem várias delas e que estas costumam se encontrar de tempos em tempos, muito embora sejam solitárias por natureza.

Em comum, as lendas atestam que a Silat é uma criatura maligna, sempre disposta a enganar e ludibriar os inocentes. A principal preocupação destes seres é obter sustento ou escravos que satisfaçam as suas vontades. As Silat tem predileção por carne, e quando saem em busca de comida não se importam com a procedência dela. Em alguns relatos elas buscam especificamente por carne humana, agarrando e cozinhando qualquer pessoa em quem coloquem suas garras. Aceitar a comida de uma velha que repentinamente oferece um banquete, era considerado uma temeridade em alguns lugares, pois havia o risco de ser uma silat disfarçada servindo carne humana ou de porco (um haram na crença islâmica). É por isso que em alguns lugares, as cozinheiras preparam as refeições diante dos convidados. Em culturas nômades do deserto, permanecer muito tempo em um único lugar podia ser perigoso, já que isso poderia atrair a atenção das criaturas. Da mesma forma, um inexplicável desaparecimento no deserto, podia ser atribuído a alguma tramoia empreendida por uma Silat com o intuito de fazer um peregrino perder seu caminho.


As Silat raramente se estabelecem em algum lugar fixo, mas em pelo menos uma narrativa elas são vistas refugiadas em cavernas localizadas em oásis no meio do deserto. Esses recantos verdejantes são convidativos e funcionam como armadilhas para viajantes cansados. Nas Mil e uma noites, heróis deixam uma oferenda de carne seca na entrada de um oásis como tributo para uma possível Silat residente e só depois disso, adentram o oásis, muito embora estivessem sedentos. Depredar a vegetação de um oásis ou reclamar da qualidade da água é uma ofensa que a Silat dificilmente irá perdoar. Em uma estória, um viajante perdido reclama de sua sorte por encontrar um oásis com águas turvas e acaba sendo devorado pela silat, enfurecida pelas críticas dele à sua morada.

Outro elemento sempre presente no mito (e esse é que me chamou mais a atenção quando comparado com as imagens do vídeo) diz respeito ao fato das Silat, não importa em que forma, sempre utilizem uma bengala para se equilibrar. A bengala da Silat é uma ferramenta extremamente necessária, elas não conseguem se mover sem o amparo dela. A bengala em geral é descrita como um pedaço de madeira inócuo, mas a observação cuidadosa dela, revela que se trata de algo diferente. A bengala possui várias inscrições, entalhes e símbolos de origem mística. É através da bengala que essas criaturas conseguem mudar sua aparência e assumir disfarces. 

Não é nada fácil tirar a bengala das mãos dessas criaturas, elas seguram com força e jamais as soltam. Contudo, se uma silat perder seu amparo, ela não conseguirá se mover, caindo no chão impotente. Se a bengala for capturada, a criatura se torna submissa, oferecendo sua ajuda na realização de desejos de quem detém o objeto. Extremamente sagaz, a silat, apenas aguarda uma oportunidade de reaver sua bengala para se vingar. Se a bengala for quebrada ou destruída, a silat morre imediatamente. Ela começa a definhar e desaparece em um monte de poeira. 

Eu já vi essa lenda adaptada em pelo menos dois RPG.

Em Al Qadim - uma das ambientações de AD&D nos tempos da TSR - e uma das minhas preferidas, as Silat apareciam no Livro de Monstros, e eram um inimigo extremamente perigoso. As Silat eram chamadas de de S'lat em um compêndio de Ars Magica (infelizmente não lembro o título) sendo apresentadas como um horror que assombrava os peregrinos à caminho da Terra Santa.

Em se tratando de uma raça de criaturas estranhas com origem mística, acho que as Silat são perfeitas candidatas a figurar no universo de Chamado de Cthulhu. Talvez elas componham apenas um cabal de feiticeiras que há séculos realizam rituais terríveis nos recônditos mais isolados da civilização. Possivelmente elas são servas de Shub-Niggurath, Yog-Sothoth ou Nyarlathotep, interessadas em disseminar o mal e a submissão aos horrores do Mythos.

Outra opção viável é que elas povoem uma porção da Terra dos Sonhos (Dreamlands), correspondente a uma versão onírica do Oriente Médio, onde as Mil e Uma Noites são muito mais do que lendas. Nesse ambiente, as Silat poderiam se associar aos tenebrosos Homens de Leng já que possuem algumas características similares.

Se esse for o caso, as Silat poderiam ser inimigos de peso para qualquer grupo de investigadores na região, desde soldados da Legião Estrangeira, passando por prospectores de petróleo, até militares na ocupação do Iraque ou até mesmo competidores de algum rali estilo Paris-Dakar. 

Não faltariam oportunidades de introduzir essas criaturas em uma estória de terror.

sábado, 7 de março de 2015

Fantasma ou Farsa? - Assombração de Blackburn filmada em estrada inglesa


Semanas atrás um vídeo de aproximadamente três minutos se tornou viral na internet.

As imagens teriam sido feitas através de celular por dois amigos que estavam retornando à noite de uma reunião e passavam pela estrada que liga as cidades de Blackburn e Lancashire, na Inglaterra. Os dois ocupantes do veículo falam árabe e parecem genuinamente assustados por toparem com uma espécie de vulto branco e brilhante que parece uma velha andando com uma bengala. Eles gritam repetidas vezes, sempre que a estranha forma avança na direção do carro e parece persegui-los.

Os gritos são em árabe, mas foram traduzidos como:

"Vá para trás! Não passe perto dela... dê ré, dê ré! Continue dando ré! Meu Deus! Meu Deus! Fique longe dela! Vamos embora daqui!"

Várias pessoas imediatamente fizeram uma ligação das imagens com lendas locais. Essa região da Inglaterra é famosa pelas aparições de fantasmas, sendo que a mais célebre assombração é conhecida como o Fantasma de Blackburn. Esse espírito inquieto pertenceria a um monge que foi executado na Torre de Turton em 1643, durante a Guerra Civil. O monge teria sido enforcado e seu corpo pendeu suspenso no alto da torre por vários dias. Por essa razão, seu pescoço parece deslocado em um ângulo impossível. Desde a sua morte, o monge vagaria sem destino pelas estradas, por vezes perseguindo quem passa pelo lugar, em outras ocasiões repetindo salmos em latim ou cânticos religiosos.

Segundo o folclore local, o fantasma é visto mais frequentemente em janeiro, mês no qual se deu sua execução no século XVII. Ao longo do século XIX, o Fantasma de Blackburn teria sido visto repetidas vezes, atraindo a atenção de espiritualistas famosos como Arthur Conan Doyle. Outros dois célebres interessados no mundo sobrenatural, o estudioso Harry Price e o escritor Algeorn Blackwood,  também escreveram a respeito dessa assombração e pesquisaram as raízes do mito.

O mais provável é que o vídeo não passe de um bem elaborado Hoax.

Já circularam informações de que os seus criadores são estudantes de cinema, o que explica o fato do farol tentar frequentemente iluminar a aparição da forma mais eficiente para ela ser filmada.

Apesar disso, o vídeo ainda é bem estranho e consegue causar alguns arrepios, sobretudo se você assistir ele sozinho e no escuro.

Aqui está a filmagem, julgue por conta própria:

quinta-feira, 5 de março de 2015

Resenha do Cenário Degraus para o Abismo


Degraus para o Abismo – uma resenha.
Por Eli Andreoli

“Após alguns anos no ramo da investigação particular, posso dizer que já vi um pouco de tudo, e isso é o suficiente para subestimar casos que parecem resolvidos antes mesmo de se levantar a bunda da cadeira – mas isso não é um conto de Sherlock Holmes e esse erro de julgamento é um grande risco em minha profissão.

Cometi esse tolo equívoco quando o Dr. Cordeiro nos contratou para investigar o desaparecimento de Otávio Camargo: um playboy de vida desregrada cujos colunistas sociais dos jornais adoravam acompanhar suas traquinagens para dar mais assunto às dondocas da alta sociedade carioca que adoravam um mexerico sussurrado nos cantos dos salões dos bailes chiques da zona sul. Se dependesse de Otávio, os jornalistas especializados em fuxicos jamais ficariam sem emprego – um jovem relaxado, irresponsável que jamais trabalhou na vida e não conseguia terminar a faculdade devido à total incapacidade de ficar longe da boemia.

Tão logo o advogado da família Camargo nos informou que seu cliente desaparecera, supus que deveria ser mais uma traquinagem de um jovem que jamais saíra de sua infância, mas que já tinha idade para se apresentar legalmente como dono de seus próprios orifícios nasais. Isso obscureceu meu julgamento e essa tola análise prematura custou a vida de dois de meus associados e quase cobrou de mim também seu preço em sangue. Jamais imaginaria que um caso que julgava enfadonho iria me lançar à uma trama sinistra na qual posso dizer que só saí vivo por pura providência divina.

Apesar de sair dessa intempérie com vida, jamais poderei dizer que saí ileso, pois decerto foram fatos nefastos que se cravaram a fogo em minha agora fragilizada mente. Ninguém acreditaria nas medonhas experiências que vivi e nem no relato fantástico que posso dar. Sei apenas que em um par de dias minha vida monótona foi chacoalhada e me mostrou o horror que nenhum homem jamais deveria saber que existe.” – Relato de Dr. Edgar von Farber, Médico Forense e Investigador Particular.

Degraus para o Abismo é um cenário escrito pelo já conhecido Luciano Giehl e publicado pela Terra Incógnita. Uma excelente opção para quem busca uma alternativa em português para se divertir com jogadores experientes ou iniciantes no mundo aterrorizante dos Mitos de Cthulhu. Mestrei o cenário tão logo quanto eu o recebi e o resultado foi realmente muito bom. Portanto venho fazer uma breve resenha e relato sobre a sessão de jogo – tentando obviamente deixar esse texto longe dos malditos spoilers.


Ambientado no Rio de Janeiro de 1926, a história gira em torno do desaparecimento de Otávio, um playboy desregrado, herdeiro único cujo pai se encontra em leito do hospital, fragilizado e doente. Dr. Cordeiro é o responsável por administrar os negócios da família e contata os investigadores para desvendar onde estaria metido o embrulhão. A única pista de seu paradeiro é que seu inseparável amigo Edgar fora encontrado completamente desnorteado no meio do Campo de Golfe de Gávea e levado ao Hospital de Alienados da Praia Vermelha. Diagnosticado com sintomas de estresse pós-traumático, após estabilizada sua histeria entrou em catatonia profunda.

O cenário oferece flexibilidade ao Guardião para optar quanto ao papel dos investigadores no cenário. A história assume que os investigadores são Detetives Particulares, mas permitem também jornalistas em busca de um furo, membros da família Camargo (talvez interessadas na herança), policiais, psicólogos que receberam o paciente catatônico, dentre outras maneiras dos investigadores se relacionarem com o desaparecido. Nenhum investigador precisa ser versado no paranormal, já que o cenário se encarregará de lançar os personagens em fatos inacreditáveis que mudarão suas vidas para sempre.

Uma vez iniciada as investigações elas se desenrolam de uma forma supreendentemente rica em detalhes, porém fluída, jogando gradualmente as investigações de um caso comum e entediante à uma trama sórdida que envolve o obscuro mundo dos mitos. Para transitar de uma investigação banal à uma trama mortal, o cenário conta com alguns Recursos (Props, para os puritanos). São textos relativamente curtos e objetivos, o que agiliza o cenário e faz com que aqueles jogadores que não gostam muito de ler não percam o interesse na história (principalmente no caso de iniciantes nos Mitos de Cthulhu).

Um ponto interessantíssimo do cenário que explora uma das formações geológicas que mais trazem teorias controversas para a antropologia e história nacional. A Pedra de Gávea – um local real – é localizado no Rio de Janeiro, cujas inscrições nas paredes das cavernas fazem com que estudiosos reflitam sobre a própria história do país. Você nunca ouviu falar da Pedra de Gávea? Vamos lá, faça uma pesquisa rápida no Google, tenho certeza que achará intrigante as hipóteses levantadas sobre esse misterioso local que faz parte de nossa história e folclore.


Uma crítica positiva ao cenário, é que o Guardião consegue se sentir à vontade para expandir ou comprimir o tempo de jogo conforme sua necessidade, alterando pouco ou até nada da descrição do cenário, bastando para isso o Guardião ser menos ou mais detalhista. A sessão pode durar de poucas 2 horas até uma tarde (ou noite) inteira se assim o grupo desejar. Além disso permite que seja uma sessão isolada no meio de uma campanha ou até mesmo o início de uma.

Um ponto crítico no cenário depende do Guardião considerar-se ou não um purista e fiel às histórias Lovecraftianas. Afinal, uma característica dos cenários de Luciano Giehl (que considero um purista) é que normalmente as investigações preliminares não apresentam riscos mortais aos investigadores, mas isso tudo muda quando se chega ao clímax do cenário. São muitos rolamentos e uma falha ocasionalmente pode levar algum investigador a óbito prematuro. Em minha mesa, metade dos investigadores morreram por terem azar nos dados, mesmo não estando em combate. O Guardião deve refletir se o nível de dificuldade da cena final pode prejudicar ou não a diversão do grupo, principalmente se o cenário for inserido em uma campanha. Contudo, como uma sessão isolada, o Guardião não deve se incomodar mandar uma ou duas almas para o limbo.

Quanto ao livro, este é distribuído digitalmente em formato PDF. São 15 páginas mais capa, sabiamente já preparadas para impressão preto e branco. As imagens são fotomontagens que ajudam a deixar o Guardião e aos jogadores se ambientarem ao cenário. A única crítica ao livreto encontra-se no fato de não haver um apêndice com todos os Recursos (Props) reunidos para serem impressos de uma única vez, tendo que imprimir algumas páginas em duplicata, desperdiçando um pouco de tinta e algumas folhas.

Enfim, é um excelente cenário. Recomendo tanto para mestres experientes ou talvez iniciantes nas artes do obscuro. O livro é distribuído em PDF pela Terra Incógnita, tem um preço módico de R$9,90 e pode ser comprado a partir do link: http://www.terraincognitaeditora.com.br/

segunda-feira, 2 de março de 2015

Os Crimes da Fazenda Hinterkaifeck - Assassinatos misteriosos na Alemanha permanecem sem solução


Crimes e mistérios envolvendo assassinatos sempre despertaram a atenção de curiosos. Casos notórios como o do assassino Zodíaco ou de Jack, o estripador se tornaram incrivelmente populares, sendo debatidos ao longo de décadas, com especialistas discutindo a verdadeira identidade dos assassinos e sua motivação. É provável que casos como esses ainda sejam debatidos daqui há muitos anos. Curiosamente, quanto mais misterioso, sanguinolento e tenebroso o crime, maior o fascínio que ele desperta. Talvez seja parte da natureza humana se manifestar dessa forma.

Um desses mistérios surgiu nas majestosas florestas alpinas da Bavária, na Alemanha. A idílica paisagem montanhosa, de natureza exuberante, se tornou o palco de um dos mais violentos e horripilantes assassinatos ocorridos naquele país. 

O ano era 1922 e tudo aconteceu em uma fazenda conhecida como Hinterkaifeck.

Hinterkaifeck era uma propriedade rural localizada na floresta fora de Groebern, entre as cidades bávaras de Ingolstadt e Schrobenhausen, a pouco mais de uma hora de carro de Munique. A fazenda era a residência da Família Grueber, que consistia do marido Andreas, sua esposa Cazilia, sua filha Viktoria, que havia se tornado viúva pouco antes e duas crianças Cäzilia (7) e Josef (2). 

Eles viviam em relativo isolamento, uma vez que o lugar ficava a aproximadamente um quilômetro da cidade mais próxima, Kaifeck. As trilhas que ligavam a fazenda aos seus vizinhos eram tortuosas e por isso os Grueber raramente recebiam visitas.

The Hinterkaifeck farm
A Fazenda Hinterkaifeck
Apesar de viverem distantes, a família Grueber era bastante conhecida na região, embora não pelas melhores razões. Andreas Grueber tinha fama de ser um homem violento que batia na esposa frequentemente. As pessoas o evitavam pois sabiam que ele tinha fama de andar armado e não levar desaforo para casa. Ninguém de fato gostava muito dele. Boatos maldosos davam conta de que o neto mais novo, o pequeno Josef de apenas dois anos, era o resultado de uma relação incestuosa de Andreas com a filha Viktoria. A jovem havia ido morar com os pais depois que seu marido morreu nas trincheiras da Grande Guerra. Comentava-se que os ciúmes de Andreas pela sua filha beiravam a obsessão e que ele mantinha a garota sob estrito controle. Ela era proibida de sair de casa desacompanhada do pai e nas raras ocasiões em que era vista na cidade, ninguém podia falar com ela sem a autorização do tirânico patriarca.

O outro filho do casal, Emil havia supostamente deixado a fazenda alguns anos antes e nunca se soube de seu paradeiro. Alguns diziam que ele partira para Munique em 1921, mas outros afirmavam que ele havia ido mais longe para escapar do pai, quem sabe para Berlim ou Frankfurt. Andreas não falava sobre o filho e se referia a ele como "aquele ingrato". A relação com os pais desde sempre fora tempestuosa, e se agravara com a chegada da irmã que era a favorita do patriarca. O rapaz havia trocado socos com o pai em uma visita ao povoado, pouco antes de supostamente fugir na calada da noite. Alguns ficaram aliviados que Emil tivesse partido, pois estavam certos de que as coisas terminariam mal se ele continuasse a viver na Fazenda.

A maneira brutal como Andreas tratava a esposa também era bem conhecida, a mulher frequentemente aparecia na cidade tentando esconder marcas roxas pelo corpo. Andreas nunca escondeu que era ele o responsável por aquelas agressões, e ai de quem falasse alguma coisa. Em geral, a família era estranha e reclusa. A única que tinha uma boa reputação era a pobre Cazilia, que cantava no coral da igreja, e que segundo alguns tinha uma bela voz.
As coisas começaram a ficar estranhas na fazenda quando uma faxineira que havia sido contratada para ajudar Cazilia, desistiu repentinamente do trabalho. Quando questionada porque ela decidiu partir de maneira tão abrupta, Maria - a faxineira, contou que havia ouvido sons estranhos: vozes guturais e gargalhadas nos arredores da fazenda. Ela jurou ter ouvido também o som de passos subindo e descendo as escadas que levavam ao sótão, mesmo quando todos os membros da família estavam reunidos na mesa de jantar. As crianças segundo a empregada choravam sem parar e estavam sempre aterrorizadas como se fossem capaz de "ver alguma coisa que os adultos eram incapazes de enxergar". Maria estava convencida que a fazenda era assombrada e intimidada pela suposta presença fantasmagórica, decidiu deixar o lugar, mesmo após ser advertida por Andreas que não seria paga se o fizesse. Andreas espalhou que Maria era simplesmente uma idiota de mente fraca.
Seis meses depois, as coisas se tornaram ainda mais bizarras. Em meados de março de 1922, Andreas estava limpando o quintal após uma nevasca, quando se deparou com estranhas pegadas deixadas na neve. As trilha levava em direção à floresta. Andreas vasculhou toda propriedade em busca de algum invasor, revistou a casa, o barracão e o galpão nos fundos, sem encontrar ninguém. Alarmado pela possível presença de um invasor em sua propriedade ele foi até a cidade e advertiu a todos que, qualquer pessoa vagando em suas terras, seria abatida.  
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Pegadas na Neve
Na mesma noite em que as pegadas surgiram, a família Grueber foi acordada no meio da madrugada por inexplicáveis ruídos vindos do sótão. Lembrando do que a faxineira havia dito sobre os ruídos no sótão, Andreas vasculhou o lugar, mas não encontrou ninguém. Na manhã seguinte, novas pegadas cobriam a parte da frente da propriedade, estas se afastavam da fazenda em direção à floresta e desapareciam repentinamente. No final de maio, Andreas visitou Kaifeck, ele parecia cansado e mais nervoso do que o normal. Na ocasião contou que ninguém na Fazenda Hinterkaifeck conseguia dormir há mais de uma semana, por conta dos estranhos ruídos ouvidos na madrugada. Ele relatou ainda, que marcas semelhantes a arranhões haviam aparecido na porta de madeira de um galpão.

Alguns sugeriram que o estranho não era outro senão Emil Grueber, o filho de Andreas que havia retornado e estava atormentando o velho. Mas Andreas deixou claro que não podia ser Emil o que alguns interpretaram como sendo uma certeza um tanto preocupante.

Em 31 de Maio, apesar dos relatos estranhos e dos boatos que circulavam no povoado, uma nova faxineira chamada Francisca Bohrman foi contratada para ajudar na fazenda. Mas o primeiro dia de trabalho da mulher também seria o seu último. No fim da tarde, ela apareceu no vilarejo dizendo que de modo algum passaria a noite "naquele lugar amaldiçoado". Quando questionada, Franscisca contou que enquanto estava lavando roupas sozinha no quintal, viu a figura fantasmagórica de um rapaz correr em direção à floresta. Aterrorizada pela experiência ela deixou a fazenda enquanto ainda havia luz do sol. 

Francisca Bohrman seria lembrada como a última pessoa a ver os Grueber com vida.

Em 4 de abril de 1922, as pessoas no vilarejo demonstravam preocupação com os membros da Família Grueber, sobretudo com Cazilia e as crianças. A última notícia da fazenda havia sido trazida por Francisca e desde então, ninguém havia ido até o lugar. O domingo havia passado sem que os Grueber aparecessem na igreja para a missa semanal, o que era estranho. Alguns cidadãos resolveram então visitar a Fazenda Hinterkaifeck para verificar o que estava acontecendo. Ao atingir a cerca que delimitava a propriedade, o grupo começou a chamar os moradores, mas não obteve resposta. Mais do que isso, não havia sinal dos Grueber e sobre a fazenda pesava uma inquietante atmosfera de silêncio e apreensão.

Apesar das promessas de Andreas de receber invasores à bala, o grupo decidiu adentrar a fazenda. Perceberam que haviam muitas pegadas deixadas na neve que se dirigiam para o galpão e ao abrir a porta se depararam com uma cena aterradora. Os corpos dos Grueber estavam empilhados uns sobre os outros e cobertos com palha. Eram quatro cadáveres: Andreas, sua esposa Cazilia, sua filha Viktoria e a neta mais velha, Cäzilia. O fedor de sangue coagulado era quase insuportável, lembrando um matadouro. O grupo, após verificar que o pequeno Josef não estava entre os mortos, procedeu em uma busca desesperada pela fazenda. Eles enfim encontraram o menino no quarto, morto. Toda Família Grueber havia sido massacrada à sangue frio.     
Gruesome discovery in the barn
A horrível descoberta no galpão fotografada pelas autoridades
O grupo imediatamente chamou a polícia, e em poucas horas investigadores do Departamento de Polícia de Munique chegaram a cena do crime. A autópsia preliminar mostrou que todas as vítimas haviam sido mortas com golpes na cabeça desferidos por uma ferramenta pesada. O corpo de Viktoria também mostrava sinais de estrangulamento, mas não foi possível determinar se essa foi a causa da sua morte. O assassino aparentemente era alguém muito familiarizado com o manejo de ferramentas pesadas, já que todos os corpos apresentavam o mesmo tipo de ferimentos: um golpe perfurante no crânio. As vítimas morreram imediatamente, com exceção de Cäzilia, que levou várias horas para sucumbir apesar do ferimento brutal no crânio. As vítimas estavam vestindo pijamas, com exceção de Viktoria, que trajava roupas do dia a dia. O pequeno Josef apresentava um ferimento de corte na garganta e havia sido deixado na cama onde sangrou até morrer. Apenas depois o assassino usou a mesma arma para arrebentar a cabeça do menino. Os investigadores acreditavam que as mortes haviam ocorrido na madrugada do dia 31 de março.

A arma usada no crime não foi encontrada apesar das buscas empreendidas. Tudo indicava que ela seria uma ferramenta agrícola comum em uma fazenda, provavelmente uma picareta e que o assassino teria carregado ela consigo ou escondido em algum lugar ignorado.

Um dos peritos chegou a conclusão de que o assassino havia conseguido ludibriar Andreas Grueber, sua esposa, filha e neta a entrar no galpão um de cada vez. Lá ele os executou com golpes certeiros de picareta. Em seguida, ele teria entrado na casa e eliminado o menino usando uma faca. Eles concluíram no inquérito que Viktoria e Cäzilia foram os primeiros a serem mortos e que o sumiço deles teria motivado Andreas e a esposa a ir até o galpão. Os corpos foram cobertos com palha seca e alguns sugeriram que o assassino pretendia atear fogo neles, mas que desistiu disso imaginando que a fumaça poderia atrair curiosos. O corpo de Josef estava coberto com um lençol empapado em sangue e um travesseiro foi colocado sobre a sua cabeça antes do golpe com a picareta ser desferido.
A pickaxe, the Hinterkaifeck Killer's weapon of choice
A picareta usada no crime da Fazenda Hinterkaifek
O crime já continha vários elementos macabros, mas uma análise criteriosa da cena do crime revelou detalhes ainda mais estranhos. O cachorro da família, que não foi importunado pelo assassino, tinha comida e água fresca. Os animais da fazenda, vacas e porcos também haviam sido devidamente alimentados. Essas evidências sugeriam que o assassino poderia ter passado alguns dias na fazenda, mesmo depois de executar brutalmente suas vítimas.

Além disso, tufos do cabelo de cada vítima foram cortados por razões desconhecidas. Os longos cabelos de Cazilia foram cuidadosamente aparados, bem como o bigode de Andreas. O que teria levado o assassino a fazer tal coisa? 

A polícia continuou buscando algum motivo, mas tudo o que descobriu conduzia a novas questões difíceis de serem respondidas. No início, acreditava-se que a motivação para o massacre fosse o roubo. Os quartos estavam revirados, como se alguém tivesse vasculhado cada aposento em busca de dinheiro. Os Grueber tinham um padrão de vida confortável e não era raro encontrar vagabundos no interior da Alemanha naquela época - a guerra havia terminado poucos anos antes e muitos perderam tudo no conflito. A descoberta de uma caixa contendo jóias e moedas de ouro no quarto de Andreas fez com  que a polícia começasse a pensar em outra motivação para o crime. O assassino afinal de contas havia estado no aposento e seria impossível não ter visto a caixa contendo os itens de valor. A carteira de Andreas, com 150 marcos, uma bela soma em dinheiro, estava numa gaveta aberta, e ela sequer foi tocada.
The maid's room
Um dos quartos revirados
Os policiais começaram a desconfiar que os crimes podiam ter uma motivação passional. As suspeitas recaíram sobre um veterano de guerra chamado Lorenz Schilittenbauer que supostamente havia visitado a fazenda semanas antes e que desde então estava vivendo em Munique. Ele teria manifestado interesse em Viktoria, mas este não foi correspondido. Lorenz afirmava ser um colega do marido de Viktoria e dizia ter estado com ele no momento de sua morte nas trincheiras, ocasião em que prometeu cuidar de sua esposa e filhos. Schilittenbauer teria ficado furioso com a recusa da viúva e isso teria alimentado seu ódio por ela e o restante da família. O pouco que se sabia a respeito de Lorenz dava conta de que ele tinha um gênio difícil e que era naturalmente violento. Alguns dos seus colegas e oficiais o consideravam mentalmente instável. Schilittenbauer chegou a ser preso, mas conseguiu providenciar um álibi que o isentou da culpa pelos assassinatos. Ele estaria na companhia de um casal de amigos na noite fatídica e teria sido visto em um bar por várias testemunhas que o reconheceram posteriormente. Com o principal suspeito inocentado, a polícia se viu uma vez mais sem pistas.

A essa altura, muitos já mencionavam os acontecimentos sobrenaturais e as assombrações vistas meses antes dos horríveis crimes.

As estranhas pegadas na neve chamaram a atenção dos detetives, mas ninguém foi capaz de precisar se elas estavam lá antes dos corpos terem sido descobertos ou se elas foram produzidas pelo próprio grupo que visitou a fazenda no dia 4 de abril. Alguns afirmavam que o massacre havia sido promovido por espíritos ou assombrações vingativas que repudiavam o estilo de vida dos Grueber.

Dois meses depois das mortes, a polícia alemã continuava sem um rumo. 

Os investigadores decidiram então vasculhar a floresta e os arredores da fazenda uma vez mais. E dessa vez, encontraram uma pista surpreendente. Próximo a um descampado, a cerca de 2 quilômetros da fazenda eles localizaram uma picareta suja de sangue com fios de cabelo humano mais tarde identificados como pertencentes aos membros da família Grueber. A ferramenta sem dúvida era a arma do crime. Ela havia sido embrulhada em um lençol idêntico ao encontrado no quarto do pequeno Josef e enterrada na lama.

A polícia de Munique continuou investigando os crimes da Fazenda Hinterkaifeck ao longo da década de 1920, mas o responsável pelo terrível massacre jamais foi descoberto. Mais de 100 suspeitos, a maioria destes, vagabundos, foram interrogados e liberados. Ninguém jamais foi processado ou julgado por esse crime. As razões para os atrozes assassinatos permanecem desconhecidas e o crime, um dos mais famosos da história da Alemanha no período entre as guerras, continua sem uma solução.

The Hinterkaifeck farmhouse
A Fazenda onde ocorreram os crimes
Mas esse não é o fim da história.

Muitas pessoas acreditam que a solução para o caso da Fazenda Hinterkaifeck reside no exame das pistas sob um ponto de vista sobrenatural. Estes apontam para uma vingança além-túmulo conduzida por ninguém menos do que Emil Grueber, o filho desaparecido de Andreas e Cazilia.
Na época em que Emil desapareceu, no final de 1921, muitos afirmaram que o rapaz não teria coragem de deixar a fazenda de seu tirânico pai e que este preferia matá-lo a permitir-lhe escapar de seu controle. Emil era descrito como um rapaz corpulento, que mal havia completado os 17 anos, mas cujos músculos haviam sido talhados pela labuta no campo. Era um rapaz quieto, que não havia concluído os estudos e que se dedicava exclusivamente ao trabalho na fazenda. Suas brigas com o pai eram famosas e todos que haviam testemunhado esses tristes episódios afirmavam que o ódio entre os dois era quase palpável. Algumas fofocas davam conta de que Emil teria uma relação não-natural com a irmã e que o ciúme do pai foi determinante para que a menina casasse com o primeiro pretendente que surgiu, um soldado.
Quando Viktoria retornou a Fazenda como viúva muitos comentaram o fato dela ter engravidado novamente. Mas embora houvesse especulação a respeito da identidade do pai, ninguém foi capaz de determinar se Josef era um filho ilegítimo de Andreas, de Emil ou de uma terceira pessoa desconhecida. Seja como for, o retorno de Viktoria ao convívio da família foi devastador para seu irmão. Logo depois disso, os desentendimentos se tornaram frequentes e resultaram em sua "fuga".
Muitos habitantes de Kaifeck desconfiavam que a "fuga" de Emil, não passava de uma farsa. Para eles, Andreas havia matado o próprio filho, talvez após uma discussão mais áspera. Com o intuito de tapear as autoridades e manter as aparências, ele simplesmente teria enterrado o corpo em uma cova rasa na floresta e inventado a fuga. Talvez por saber do paradeiro final de Emil, Andreas afirmasse categoricamente que não poderia ser o seu filho o misterioso invasor que visitou repetidamente a fazenda e deixou os rastros na neve.
Estudiosos da parapsicologia acreditam que assombrações e espectros podem retornar ao mundo dos vivos sobretudo quando tem contas a acertar com aqueles que os mataram. Em casos de profundo ódio, esses espíritos se erguem para extrair de seus algozes vingança. O folclore chama esses espíritos de Revenants.
Seria Emil o fantasma responsável pelos ruídos inexplicáveis na fazenda? Seria ele a presença fantasmagórica vista por Francisca Bohrman na fazenda? Será que o rapaz teria se erguido de uma cova rasa para executar todos aqueles que ele culpava pela sua morte?
É um fato conhecido que a polícia de Munique buscou o paradeiro de Emil Grueber ao longo de toda investigação, mas não logrou qualquer êxito de localizar o rapaz. Para todos os efeitos ele simplesmente desapareceu sem deixar vestígios em 1921. É razoável assumir que, se ele estivesse vivo na época em que a família foi assassinada, seria virtualmente impossível não tomar conhecimento do caso, já que este foi amplamente divulgado em toda Alemanha. A polícia chegou a publicar em jornais notas em que procurava Emil Grueber, mas ninguém jamais respondeu a elas. Para todos os efeitos ele desapareceu e nunca mais foi visto.
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Em 1965, um parapsicólogo alemão chamado Frederick Hoffner publicou um controverso artigo no qual dava uma solução atípica para o Caso da Fazenda Hinterkaifeck. Segundo ele, Emil Grueber havia sido morto em novembro de 1921 por seu pai Andreas e enterrado na floresta nos arredores de Groebern. Nos meses seguintes, o ódio mortal e o ressentimento que ele nutria pela família teriam feito com que ele retornasse do túmulo em busca de vingança como um espírito em busca de justiça; um Ravenant.
Hoffner ia ainda mais longe em sua explicação. Ele afirmava que em 1947, pouco depois do fim da Segunda Guerra, uma ossada humana fora encontrada próxima ao descampado, onde a picareta usada para massacrar a família Grueber, tinha sido achada. Os ossos bastante antigos, foram removidos da cova rasa onde descansavam e enterrados numa cova sem nome. Segundo o parapsicólogo, os ossos pertenciam a Emil Grueber. 
O enigma da Fazenda Hinterkaifeck continua desafiando os caçadores de mistérios e hoje ele não está mais próximo de ser resolvido do que em 1922. A Polícia de Munique reabriu o caso em duas ocasiões, em 1986 e em 2007, mas em ambas as tentativas de elucidar o caso não houve qualquer progresso. As autoridades disseram que o mais provável é que o caso jamais tenha uma solução, uma vez que tantos anos se passaram, e as evidências se tornaram escassas com o passar dos anos. Isso no entanto não detém os intrépidos detetives amadores que buscam por um fechamento para esse crime.

Na Alemanha, o Caso Hinterkaifeck se tornou uma lenda, e é matéria de diversos livros, artigos e filmes. A fazenda em si desapareceu há muito tempo, tendo sido demolida em 1923 por vizinhos insatisfeitos com aquele monumento de morte e horror tão próximo de suas casas. Tudo o que resta atualmente é um marco de pedra erguido em homenagem aos que morreram naquele lugar lúgubre. Um marco e velhas árvores.

Ao que parece, essas árvores são as únicas que sabem o segredo da Fazenda e o que aconteceu naquela noite sangrenta.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Kit de Viagem - Prop para a Campanha Horror on the Orient Express


A jornada de terror através da Europa teve início semana passada com o primeiro capítulo de Horror on the Orient Express. Em breve planejo colocar no ar o relato de como foi a primeira parte, correspondendo aos cenários "Dancers in a Evening Fog" e "Doom Train".

Por hora, aqui estão algumas fotos do Kit de Viagem dos jogadores.

Eu queria fazer algo diferente nessa campanha, um tipo de prop que pudesse acompanhar os jogadores ao longo de todos os cenários e que fosse de alguma forma útil.

Eu já tinha tido a ideia do kit de viagem faz tempo, mas custei a encontrar algo que pudesse remeter diretamente a um grupo de viajantes. A solução veio por acaso, quando encontrei essas pastas em formato de maleta que simulam bem uma valise.


Uma vez que são oito jogadores na mesa, a logística de preparar os kits de viagem foi meio tumultuada, mas no final, cada valise continha o mesmo material.

A ideia é que na parte de trás das valises possamos colar stickers com o nome dos lugares para onde o grupo está seguindo, fazendo com que as valises fiquem "decoradas" ao estilo da bagagem de viajantes dos anos 1920.


Cada valise tem a identificação dos personagens do jogador em uma etiqueta. Depois de ponderar um bocado a respeito de imprimir, achei que escrever à mão em caligrafia cursiva daria um "toque vintage" à coisa. 

Ademais, a medida que os personagens sofrerem "acidentes" que os incapacitem de seguir viagem, os nomes serão devidamente riscados.


Próximo da alça coloquei as iniciais dos jogadores para identificar mais facilmente as valises.


E esse é o interior delas com os props.


Esse é o conteúdo de um dos kits de viagem que irão receber o acréscimo de material ao longo da campanha. Papéis, blocos de notas, passaportes, material de escritório, pasta para guardar recursos,  uma pasta para proteger as ficha, fotos dos personagens, mapas, etc...


Os blocos de anotações são bem práticos e úteis para o grupo registrar tudo aquilo que for relvante durante a investigação. Há um bloco pautado para as pistas, um bloco em branco para anotações gerais, um para NPCs e outro para lugares visitados ou à visitar. Lápis, caneta e borracha sempre à mão também é uma boa.

Eu adoraria ter personalizado alguns lápis e canetas para o kit, mas infelizmente o custo de gravar o nome da campanha era proibitivo, a não ser que eu mandasse fazer no mínimo 250.


Eu gosto especialmente do Cartão de Embarque do Orient Express (Boarding Pass) usado pela Compagne Internacionale des Wagons-Lits.

Encontrei uma versão dele na internet e copiei o texto para ficar mais autêntico. Embora o símbolo esteja diferente eu gosto das letras douradas no alto e as bandeiras dos países por onde o trem passa.


Esse é um mapa do roteiro do Orient Express. Eu tirei uma cópia reduzida do Mapa que vinha na caixa antiga do Orient Express. 

Fiz uma marcação dos principais destinos e tracei uma linha do percurso, assim o pessoal pode saber qual é seu próximo destino e onde vai se passar o próximo cenário.


Este aqui também ficou bacana. É um envelope e papel de carta com o timbre do Orient Express. Os passageiros tinham à disposição um papel de carta semelhante a esse para enviar sua correspondência. As cartas eram deixadas nas estações e enviadas gratuitamente pela Companhia. O próprio Orient Express por vezes transportava correspondência uma vez que era o método mais rápido de fazer as cartas chegarem ao seu destinatário.

Quando eu joguei a campanha usávamos um papel de carta semelhante que foi usado para mandar mensagens entre os personagens que acabaram se separando em uma parte da jornada. Foi um prop bem legal!


Esse é um modelo de ficha backup para os personagens. Essas fichas ficam sempre dentro do kit para o caso de extravio ou de algum jogador esquecer as suas fichas em casa.


Os passaportes da Campanha Horror on the Orient Express são famosos pelos seus detalhes. Se você pegar imagens dos passaportes originais do período, vai descobrir que essas cópias são idênticas aos documentos que se usava na época.

Até o momento temos passaportes americanos, britânicos, alemães e turcos. Faltam ainda os documentos concedidos pela Itália e França. O bacana desses documentos é que eles podem ser preenchidos a medida que os investigadores chegam a um novo destino. Tem uma página com os carimbos oficiais que podem ser impressos e colados no passaporte. Acredito que vai ficar ótimo.


Para registrar os acontecimentos da campanha, os jogadores tem esse caderno de viagem.

O caderno serve como uma espécie de diário no qual os jogadores podem registrar nomes, acontecimentos, pensamentos dos personagens ou trechos marcantes. Para incentivar os jogadores a utilizá-lo, cada vez que anotações forem inseridas, os personagens recebem uma pequena "vantagem" na forma de um ponto de confidence, que conta como uma espécie de "ponto de força de vontade". Se o jogador precisa muito realizar um teste, e falha, ele pode utilizar esse ponto para rolar novamente e tentar uma vez mais ser bem sucedido. Essa é uma house rule que eu adotei algumas vezes em certas campanhas e que funcionou bem.


O diário de viagem ao lado de uma garrafa retirada do bar do Orient Express.

Para seguir viagem alguns personagens podem necessitar de um pouco de "coragem líquida". Especialmente se esta for envelhecida por 12 anos.

Na próxima postagem irei apresentar os personagens da Campanha.