terça-feira, 3 de abril de 2012

Investigando os Mythos mais obscuros - Baoht Z'uqqa-Mogg

Que tal fugir um pouco do óbvio?

Uma das coisas interessantes à respeito do Mythos de Cthulhu é que essa mitologia particular não é estática. Ela está sempre em movimento, sempre em expansão. Cada novo autor acrescenta algo, uma lenda, um tomo, um horror...

Dentro desse universo em expansão, sempre há espaço para algo novo e terrível, a idéia desses tópicos é investigar alguns destes horrores obscuros e trazer à luz essas criaturas pouco conhecidas.

Vamos começar com algo especialmente desagradável:

BAOTH Z'UQQA-MOGG

O Grande Antigo Baoht Z'uqqa-Mogg é uma aberração quase desconhecida, obscura mesmo para os parâmetros do Mythos de Cthulhu.

Descrito em alguns poucos tomos, ele é chamado de "Disseminador da Pestilência", embora seja também conhecido como "Aquele que traz as doenças" e "A Peste Rastejante".

Baoht Z'uqqa-Mogg é descrito como uma monstruosidade semelhante a um imenso escorpião, coberto por placas segmentadas de quitina negro-esverdeada. A face do Grande Antigo é uma massa bulbosa dotada de uma quelícera gotejando veneno e uma infinidade de olhos insetóides multifacetados abrindo e fechando. Ele possui duas garras de caranguejo que estalam ruidosamente e vários pares de pernas cobertas de grosso cabelo escuro e áspero. O corpo brilhante e oleoso verte uma espécie de pus nauseante que atrai uma infinidade de insetos que se abrigam cavando e se escondendo nos recessos de seu exoesqueleto e espaços entre suas asas dorsais. No segmento final, ergue-se uma cauda serrilhada com um afiado ferrão na ponta, usado como arma.

Poucas coisas podem ser mais tenebrosas que a proximidade dessa aberração hedionda.

O fedor que exala da criatura é indescritível. Uma mistura de ninho de inseto, leite estragado e terra que pode ser sentida a longa distância. Outro fator que tende a denunciar a proximidade de Baoht Z'uqqa-Mogg é a presença de insetos de todos os tipos e tamanhos infestando a área por ele tocada. Infestações desse tipo podem se manter ativas por anos, como se a presença da criatura fosse um fator que congregasse todos insetos de uma região. Em alguns casos, mudanças podem ser percebidas em insetos que apresentam crescimento além do normal, coloração doentia e alterações grotescas.

Há rumores que Baoht Z'uqqa-Mogg seja nativo de Shagghai, o mesmo planeta que um dia abrigou uma raça de insetos dotados de inteligência e malevolência. Assim como os Sham, o Great Old One de alguma maneira conseguiu escapar da destruição de Shaggai, embora os meios utilizados por ele sejam ignorados. Não se sabe ao certo qual o seu lar atual, mas alguns teóricos acreditam que Baoht Z'uqqa-Mogg só constrói um corpo físico quando invocado, sendo normalmente uma força incorpórea habitando outra realidade.

Talvez isso explique porque ele só pode ser invocado em lugares onde impera um cenário de sujeira e corrupção, como depósitos de lixo, pântanos, esgotos e cemitérios. Quando o ritual para invocar Baoht Z'uqqa-Mogg é concluído, ele emerge do solo, escavando o chão ruidosamente, em meio a uma verdadeira erupção de sujeira, terra e bile virulenta. Não demora até que uma massa rastejante e voadora de insetos, seja atraída recobrindo cada centímetro de seu corpo como se fosse uma enorme casca de ferida viva.

Não há um culto humano devotado a Baoht Z'uqqa-Mogg, sua natureza insalubre tende a afastar mesmo os mais degenerados cultistas.

No entanto, há rumores que no passado essa divindade foi venerada, sobretudo em períodos de provação em meio a pestes e pragas. No Império Bizantino do século VI aflorou um culto devotado a essa entidade nefasta. Os cultistas acreditavam que a entidade era o causador da Praga de Justiniano que assolou o império. Para se livrar da doença eles ofereciam sacrifícios ao Grande Antigo. Não é preciso dizer que nada disso acontecia.

Na caótica Europa Central, durante o conturbado século XIII uma ordem monástica seguidora de Baoht Z'uqqa-Mogg surgiu em Praga. Essa ordem tencionava disseminar doenças e aniquilar a humanidade, acreditando que apenas aqueles livres de pecado seriam poupados da doença. Embora a ordem tenha falhado, a destruição deflagrada por inúmeras doenças -- entre as quais a peste negra -- devastou quase 60% dos habitantes da Europa no período. Se a ordem teve ou não relação com essa alta taxa de mortalidade, nunca saberemos.

Uma das razões que tornam o menor contato com Baoht Z'uqqa-Mogg perigoso é o fato dele ser portador de terríveis doenças contagiosas.

A bile que goteja do Grande Antigo é um verdadeiro coquetel de toxinas letais que causam uma infecção quase incontrolável. Vítimas mordidas pela quelícera, picadas pelo ferrão ou expostas à substância no corpo do Grande Antigo são infectados automaticamente. Estas experimentam uma morte horrenda e dolorosa à medida que cada órgão no corpo apodrece, desmancha e se liquefaz.

A doença avança rapidamente e pode ser transmitida através de contato físico. As vítimas sofrem com efeitos que se assemelham ao estágio terminal da lepra. Insetos que tem contato com a substância que recobre o monstro, podem se converter em vetores da doença, embora nesse caso a potencialidade seja mitigada. A picada desses insetos pode transmitir uma versão menos potente -- ainda que altamente debilitante -- da doença.

Em 1998, uma equipe do Centro de Doenças Infecciosas (CDI) foi chamado para lidar com um foco de infecção (hot zone) até então desconhecida no México. O foco principal na cidade de Jalisco foi neutralizado, junto com um grupo de cultistas que havia inadvertidamente invocado Baoht Z'uqqa-Mogg. No entender dos epidemiologistas envolvidos no episódio a situação esteve próxima de fugir do controle e criar uma zona de contágio em larga escala. Apesar do CDI negar, em seus laboratórios são mantidas amostras com a cepa dessa doença misteriosa.

Felizmente a influência de Baoht Z'uqqa-Mogg sobre a humanidade continua sendo discreta.

* * *

Recentemente o ilustrador Paul Carrick, um dos mais talentosos artistas a dar vida ao Mythos apresentou esse trabalho com base em Baoht Z'uqqa-Mogg.

O desenho é para o futuro lançamento da Editora Chaosium, Cthulhu Atomic Age (que deve trazer cenários centrados na paranóia dos anos 50).

Acompanhe abaixo a evolução do desenho feito por Carrick:

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