segunda-feira, 15 de julho de 2013

A Floresta da Agonia - O Horror que dorme sob Oakigahara


A Floresta de Oakigahara tem uma longa e assustadora história de morte, desespero e melancolia.

O lugar fica na sombra do lendário Monte Fuji no oeste do Japão, possui uma infinidade de lendas e rumores que a maioria das pessoas considera meras superstições que não tem (ou não deveriam) ter lugar no moderno Japão. Mas embora muitos prefiram acreditar que as estórias não passam de crendices e que as pessoas que buscam a floresta para dar cabo de suas vidas, são indivíduos com problemas pré-existentes, é inegável que há algo muito errado nesse lugar. E mesmo o mais cético materialista, é capaz de perceber isso.

Algumas pessoas parecem atraídas para esse lugar ermo e desolado. Como se algum tipo de energia maligna e ainda assim sedutora, atraísse essas almas atormentadas para o interior da floresta. Alguns falam sobre uma música mefítica, a respeito de sons convidativos e sonhos recorrentes. Uma espécie de convite sussurrado, repleto de promessas de que a "dor irá cessar" e "tudo ficará bem no final".  Todos que são atraídos, acabam convergindo para a floresta como se uma maré negra, os conduzisse hipnoticamente.

Há relatos de guardas que encontraram pessoas que não sabiam como chegaram à floresta ou por qual razão visitaram o local. Descobriram ainda indivíduos vagando como sonâmbulos ou marionetes, os passos guiados por cordões invisíveis que anulavam qualquer resquício de vontade. Em meio ao mar de árvores da Floresta dos Suicidas de Oakigahara, parece haver uma força consciente que atrai, instiga e corrompe. Uma força sobrenatural determinada a devorar a esperança e consumir almas humanas.

Tal força realmente existe...


Ancestral, poderosa e implacável, uma coisa inumana habita o coração da Floresta. Ela dorme sob o solo negro, tocada pelas raízes das árvores que descem profundamente em busca de nutrientes e que acabam contaminadas pela sua seiva venenosa. Conspurcadas por esse mal primordial, as árvores nos limites dessa floresta crescem conscientes e famintas por servir a força negra que as controla. 

Essa presença invisível não tem nome e nem forma. Ela é uma espécie de emanação de energia, um tipo de vórtice psíquico que não pertence à nossa realidade. Uma coisa que pode ter escorrido do interior de um portal dimensional aberto acidentalmente ou se precipitado dos céus como um meteoro, incontáveis milênios atrás. Há rumores de que ele possa ser um Lloigor de enorme poder, uma criatura que manipula as emoções humanas causando surtos de pessimismo na área que escolhe viver. Mas, o mais provável, é que essa abominação seja um dos incontáveis Grandes Antigos, alguma entidade obscura e letal demais para um dia ter sido cultuado e conhecida pela humanidade.

Seja lá o que for, essa manifestação encontrou um lugar confortável para se estabelecer, um refúgio seguro para crescer. Ao longo de sua existência, ela sondou os arredores da floresta e tocou a mente de seres humanos ainda primitivos. Descobriu que eles eram suficientemente inteligentes e capazes de lhe proporcionar experiências sensoriais que ela considera extremamente prazerosa.

Por séculos, ela convenceu pessoas a se aventurar na floresta, a vagar pelos seus caminhos ermos cobertos de folhas. Por muito tempo ela também incidiu sobre outros, forçando-os a enviar os fracos para morrer em seu interior. A Floresta os abraçou, e os consumiu indiscriminadamente.   

Lançando suas emanações psíquicas através das árvores da floresta, como se estas fossem uma espécie de rede neural capaz de ampliar suas capacidades, ela busca indivíduos instáveis, cuja vontade pode ser quebrada. Focando nessas mentes dontes, a força oferece uma espécie de alívio para suas angústias, a medida que estabelece um domínio, semelhante a hipnose. Aos poucos, a vontade da vítima começa a ser minada e a pessoa acaba atraída para a morada da entidade.

A força é tão onipresente em Oakigahara que pode preencher o interior de qualquer árvore ou arbusto nos seus limites. Migrando de uma árvore para outra, essa consciência pode viajar rapidamente de um canto a outro da floresta em poucos segundos. Nada que acontece no mar de árvores passa desapercebido. 

Uma vez habitando uma árvore, ela é capaz ainda de controlar raízes, galhos e troncos, fazendo com que eles se movam conforme a sua vontade, agindo como terríveis apêndices e poderosos membros capazes de agarrar, imobilizar ou destroçar suas vítimas. As árvores possuídas por essa força se transformam em aberrações com expressões humanas retorcidas e hediondas. Nada dá mais prazer a essa força nefasta do que levar uma pessoa a loucura e convencê-la a cometer suicídio enforcando-se em algum galho baixo. Transportando sua consciência para uma árvore, onde a vítima pende em espasmos mortais, ela se alimenta dos últimos resquícios de suas memórias, experimentando um êxtase obsceno.

Em certos casos, a entidade considera apropriado poupar uma vítima da morte certa a fim de criar serviçais. Ela preserva a vida do suicida no último momento, mas não antes de absorver suas memórias, inundando o que restou de sua mente com perversas emanações psíquicas que a colocam em um estado de permanente submissão. O resultado é uma casca vazia destituída de vontade própria que obedece às vontades da entidade de Oakigahara. Esses pobres indivíduos, levados a uma condição extrema, se escondem nas profundezas da Floresta e são a origem das lendas sobre os yurei, os fantasmas da mata. Esses seguidores fiéis aos poucos deterioram a um estado irracional e chegam a sofrer mutações físicas, não podendo mais ser considerados humanos.

O Horror de Oakigahara, Deus da Agonia

Essa entidade não possui uma forma física, ele é uma espécie de vórtice de energia consciente. Embora seja invisível e sem forma, o Deus da Agonia pode enviar sua consciência para preencher o interior de árvores e animá-las conforme a sua vontade.

Quando ocupa um hospedeiro vegetal, geralmente optando por alguma árvore grande e antiga, a entidade é capaz de alterar sua aparência, fazendo com que o hospedeiro assuma feições distorcidas, com uma paródia asquerosa de humanidade. Os galhos se tornam ágeis e vivos como tentáculos chicoteantes, os troncos nodosos se partem gerando "bocarras" e sulcos se aprofundam criando "olhos" escuros. As raízes se desenterram brotando do solo como se fossem serpentes sibilantes que tentam agarrar e arrastar. Essas árvores são incapazes de se mover, mas projetando sua consciência de um hospedeiro para outro, a criatura é capaz de se deslocar e empreender perseguição. 

O horror pode controlar apenas uma árvore por vez, e mesmo que seu hospedeiro seja destruído é capaz de expelir sua consciência antes de ser afetada. Esse recurso faz com que seja muito difícil, senão impossível destruir fisicamente essa entidade. Magias capazes de restringir a troca de mentes ou aprisionar uma consciência em um corpo, oferecem uma maneira de restringir suas ações.

Felizmente ela é incapaz de projetar sua consciência para dentro de um hospedeiro fora dos limites da Floresta de Oakigahara. Portanto, se um sobrevivente conseguir deixar a floresta e se afastar o suficiente estará fora do alcance físico da criatura. Podendo no entanto, ainda ser alvo de suas emanações psíquicas a longo prazo.

As estatísticas à seguir se referem a força usando uma árvore como hospedeiro.

ESTATÍSTICAS PARA CHAMADO DE CTHULHU

Força (STR) 40
Constituição (CON) 80
Tamanho (SIZ) 50
Inteligência (INT) 25
Poder (POW) 25
Destreza (DEX) 03

HP: 60
Bônus de Dano: +5d6

Ataques: Raízes    40%, dano imobilização
              Mordida 35%, dano 1d6 + bônus de dano
              Galhos flexíveis 50%, dano 1d6 (pode efetuar 1d6 desses ataques por rodada)

Emanações Psíquicas - A entidade de Oakigahara é capaz de focar a sua poderosa mente para afetar humanos em um raio de 100 quilômetros da floresta. Indivíduos atacados pelas emanações sentem uma poderosa onda de negativismo, frustração e desalento. O alvo deve fazer um teste de POWER, iniciando com POW x3 e diminuindo para POW x2 na semana seguinte. Em caso de fracasso, a vítima perde 1d6 pontos de sanidade enquanto uma sugestão mental o compele a se aproximar da floresta como se lá ele pudesse encontrar a solução para seus problemas.

Armadura: 8 pontos de madeira contra dano físico e armas de fogo. Eletricidade, fogo, veneno e herbicidas surtem efeito. Se ferida até metade de seus HP, a força irá migrar sua consciência para outra árvore, abandonando a casca anterior.

Magias: Todas magias que o mestre achar conveniente.

Custo de Sanidade: 2/ 1d10 +1

ESTATÍSTICAS PARA RASTRO DE CTHULHU

Habilidades: Briga 25, Vitalidade 20

Limiar de Acerto: 3 (grande)

Modificador de Alerta: +4 (plenamente consciente de tudo ao seu redor)

Modificador de Furtividade: +4 (mistura-se a floresta)

Ataques: +5 (mordida), +1 (galhos), +0 (raízes). As raízes não causam dano ao alvo, mas elas o imobilizam e restringem seus movimentos. Um alvo preso dessa forma pode tentar se libertar rolando Fuga ou Atletismo, contra a Briga da entidade.

Emanações Psíquicas: As poderosas emanações psíquicas da entidade tem um alcance de 100 quilômetros e podem ser focadas em um alvo. A criatura gasta 1 ponto de sua vitalidade para drenar um ponto de estabilidade do humano escolhido. Ela pode drenar até 3 pontos por dia dessa maneira, inserindo na mente da vítima uma sugestão hipnótica que a compele a se dirigir para a floresta.

Armadura: A madeira é naturalmente resistente ao dano físico. Armas de fogo e projéteis causam apenas metade do dano (arredondado para cima). Eletricidade, fogo, veneno e herbicidas causam efeito normal. No entanto, se a criatura perder metade de sua vitalidade, ela irá migrar para outra árvore.

Perda de Estabilidade: +0 (+1 para árvore muito grandes ou particularmente distorcidas)

INVESTIGAÇÃO: 

História Oral: A garota olha na sua direção com um a expressão perdida e cansada. Ela pensa por alguns instantes e enfim responde: "Eu não sei porque vim aqui. Mas dói muito... sabe, é como se a dor aqui fosse menor. A floresta... aqui eu posso encontrar alívio". Ela sorri levemente, mas ao mesmo tempo uma lágrima escorre de seus olhos.

Sentir Perigo: Você passou por essas árvores antes. Mas elas parecem estranhas agora. Os galhos estão arqueados e o vento... que estranho! Você jura que o vento está soprando para lá, mas aquelas folhas estão balançando para esse lado!

Sobrevivência: É estranho, mas nessa floresta há tão poucos animais, pássaros, até mesmo insetos! Seria de se esperar encontrar mais animais silvestres em uma área tão vasta e coberta de vegetação. Mas não é o que acontece aqui. Tudo parece tão quieto e sossegado. Demais até!

Ciência Forense: O corpo estava pendendo levemente em um galho mais baixo, a corda esticada até o ponto máximo de tensão. O pescoço torcido em um ângulo horrível. A língua se projetava para fora e a face havia se contorcido em uma máscara de indescritível agonia. O mais estranho no entanto era a árvore onde o cadáver pendia. Parecia haver algo de horrivelmente humano nela, uma espécie de face transfigurada com uma expressão de indescritível prazer. Mas é provável que fosse apenas imaginação.

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