terça-feira, 1 de outubro de 2013

Krokodil - Droga que "come a pele" das pessoas toma a Rússia


Esse é um blog de horror e estamos sempre atrás de estórias estranhas, incomuns, bizarras...

Às vezes, procuramos relacionar algumas delas ao universo dos Mythos de Cthulhu criado por H.P. Lovecraft, mas tem algumas ocasiões em que a coisa é terrível demais e poderia quase que por conta própria ser inserida nesse universo perturbador.

Esse artigo por exemplo, Eu soube a respeito por acaso e confesso que num primeiro momento achei que deveria ser algum exagero, mas não... é algo verídico.

Estou falando de uma substância chamada KROKODIL.

Tudo a respeito do Krokodil parece fantasioso, exagerado ou inventado. Parte de um roteiro de filme de ficção retratando um futuro decadente e marginal onde uma droga corrói a sociedade. Mas a coisa é verdadeira e está sendo comercializada, distribuída e consumida já faz uma década na Rússia. 

Krokodil é uma droga barata e extremamente viciante que está se convertendo rapidamente num flagelo na Rússia e que agora ameaça se espalhar para outros países do Leste Europeu. A substância administrada através de seringa e agulha direto na corrente sanguínea, age rapidamente; ela tem esse nome (Krokodil = crocodilo)  em decorrência de um dos efeitos colaterais de seu uso contínuo. A droga torna a pele escamosa e levemente esverdeada nos primeiros dias após o seu uso. Mas o Krokodil é muito mais terrível. O uso contínuo faz a pele descamar, formando pústulas verde-amareladas, até que finalmente estas feridas escurecem se tornando negras pelo efeito de necrose. Nos estágios mais avançados, os tecidos abrem deixando expostos os músculos e até os ossos. 

Há alguns videos na internet mostrando os efeitos gangrenosos e a aparência reptiliana das pessoas que fazem uso de krokodil. Eu não recomendo, para os que são sensíveis a cenas grotescas, assistir esses vídeos, é algo realmente bizarro.

O que faz uma pessoa usar uma droga que literalmente desintegra o próprio corpo, a ponto de deixar ossos expostos. Porque sua epidemia se deu na Rússia e por tanto tempo ficou confinada a esse país?  
         
Para início de conversa, Krokodil é uma substância muito barata usada como substituto de outra droga, no caso, a heroína. A química por trás do krokodil a desomorfina, esteve disponível como um substituto da morfina desde a sintetização da substância para fins medicinais em 1932. Desomorfina é quase dez vezes mais potente do que morfina usada para fins terapêuticos. A utilização de desomorfina é restrita a Europa, particularmente Suíça. A estrutura sintética é, no entanto, muito semelhante a heroína, e em alguns casos pode não ser reconhecida como algo diferente desta. 

A Codeína, um narcótico que pode ser encontrado em farmácias e vendido sob prescrição médica, pode ser transformado em desomorfina em um laboratório caseiro através de simples reações químicas, ficando pronta para o uso. Enquanto uma dose de heroína pode custar US $ 150 para ser produzida, uma caixa de tabletes de codeína - que são a base para produzir o krokodil, custa apenas US $ 8.

Ironicamente, o grande problema é que o krokodil tende a ser produzido de forma caseira pelos próprios viciados. O produto final, destilado pelos consumidores é um verdadeiro coquetel tóxico. Quando o procedimento é realizado em um laboratório, a transformação da codeína em desomorfina é algo bastante fácil, uma síntese em três etapas usando os componentes corretos. Mas quando cozinhado em um laboratório caseiro, os usuários de krokodil tendem a substituir alguns materiais por gasolina, usada como solvente junto com fósforo vermelho (tirado de palitos de fósforo), iodo e ácido hidro clorídrico que fazem o papel de reagentes. Uma dose pode ser preparada em menos de uma hora, numa cozinha comum.      

O resultado final é um líquido alaranjado, um verdadeiro suco venenoso, capaz de causar irritação quando meramente exposto à pele. Essa substância é lançada diretamente na corrente intravenosa, em geral no braço, desencadeando a reação grotesca, e a eventual destruição das camadas de epiderme. Uma vez que a área no entorno da injeção é danificada, ela se torna propensa a desenvolver gangrena, o que leva a necrose em toda área da perfuração, descamação progressiva e consequente desintegração do tecido. 

A pior parte é que a droga causa dependência quase imediata, basta um primeiro contato com a substância para ela agir no cérebro e causar uma pane nos sentidos que registram uma necessidade quase insuportável de obter uma nova dose. Uma vez lançada na circulação sanguínea, os efeitos são imediatos, mas ao contrário da heroína, eles tem uma duração muito curta. Enquanto os efeitos de outros opiáceos podem demorar entre quatro a até oito horas até se dissiparem do organismo, o krokodil perde os seus efeitos narcóticos em no máximo uma hora.


A frustração com a curta duração dos efeitos, faz com que os viciados na substância se tornem extremamente dependentes dela: cozinhando, preparando e administrando krokodil, 24 horas do dia. É claro, os efeitos danosos das injeções são multiplicados a cada dose lançada no organismo. As autoridades russas estimam que um indivíduo viciado em krokodil não vive mais do que um ou dois anos, sendo que alguns acabam morrendo menos de seis meses após experimentar a substância pela primeira vez. O choque da droga, dependendo da concentração de substâncias nocivas presentes numa dose, pode causar um choque fatal, o que leva muitos dos viciados a se referir ao krokodil como a nova "roleta russa".

Livrar-se da dependência de krokodil exige uma incrível força de vontade. Como todos os opiáceos, é muito difícil suportar a necessidade de uma nova dose. No caso de krokodil, às vezes é até mais difícil de suportar o período de carência, já que as doses sucessivas mascaram a dor quase insuportável que o indivíduo experimenta, à medida que a carne é "comida" pela gangrena. Reabilitação é possível, mas o governo russo não oferece clínicas públicas para o tratamento desse vício. De fato, parte da sociedade sente que os viciados em krokodil ao menos morrem rapidamente e em suas casas.   

Mas porque, afinal de contas, o Krokodil é tão comum na Rússia e relativamente raro em qualquer outro lugar do mundo? 

A razão é simples e deveras preocupante. Codeína pode ser comprada na Rússia sem prescrição médica - qualquer um pode entrar em uma farmácia e comprar uma caixa da substância, levar para casa e sintetizar a droga no fogão precisando de alguns poucos ingredientes. O acesso aos analgésicos é algo muito discutido na Rússia, as autoridades acreditam que proibir o acesso a essas substâncias faria surgir traficantes que ficariam ricos oferecendo krokodil para os viciados.

Há ainda questões econômicas envolvidas. A indústria farmacêutica na Rússia deve quase 25% de seus lucros ao mercado crescente de tabletes de codeína. É um grande e rentável negócio! A indústria continua crescendo exponencialmente, graças a facilidade que é comprar a substância onde e quando bem entender. Os efeitos da droga são debilitantes, o consumidor regular, vai se esvaindo de forma muito semelhante ao que ocorre com o usuário de crack

O krokodil já se tornou um flagelo em grandes centros urbanos na Rússia, na Sibéria e presente até mesmo em Moscou.

Há indícios que tabletes de codeína estejam sendo enviados por contrabando para outros países, atravessando fronteiras graças à integração da União Européia. Em março, uma carga ilegal de codeína produzida na Rússia foi interceptada à caminho da Alemanha, onde a substância é controlada e necessita de prescrição. Krokodil já apareceu apareceu na Suécia, Finlândia, Romênia, Ucrânia, Polônia e Bulgária, onde traficantes tentaram introduzir a droga, até o momento, felizmente, sem sucesso.

*     *     *

Eu fico pensando: o que faz uma pessoa usar algo tão terrível?

Usando o Krokodil como parâmetro, eu imagino o que poderia surgir em um mundo onde as entidades do Mythos do Cthulhu existem. As estranhas drogas, substâncias e misturas que poderiam surgir a partir dessa interação são material para verdadeiros pesadelos.

Infelizmente saber que tais coisas não existem, também não ameniza a sensação de saber o que existe e o que as pessoas estão dispostas a fazer...

O mundo é um lugar muito, muito estranho que não cansa de nos chocar.

PS - Pessoal, eu pensei a respeito de acrescentar ao artigo fotos que mostram pessoas vítimas do krokodil. Depois de ver algumas, achei melhor não colocar no blog. Acho que algumas vezes cabe um certo distanciamento. Aqueles que estiverem interessados poderão encontrar fotos bastante gráficas em uma pesquisa rápida pela internet.   

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. O que eu não entendo é o motivo de alguém traficar essa droga, visto que é baratíssima e o cliente morre rápido. Nem Cthulhu teria tanta maldade no coração haha

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O mentor disso e lucifer q visa a vida do viciado que valor maior q uma vida ?

      Excluir
  3. As fotos dos viciados são de dar arrepio!

    ResponderExcluir