quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A Arte de Esfolar - Detalhes a respeito de uma das mais horrendas torturas conhecidas pelo homem


Com base no texto de Laura Allan do Blog Ranker

As vezes é chocante imaginar o quanto as pessoas podem ser cruéis.

Não é agradável descobrir o quanto alguns homens podem ser perversamente criativos quando o assunto é infligir dor e tormento em seus inimigos. A morte surge como um objetivo menor, é sim desejada, mas a tortura é o principal intento.

Entre as muitas modalidades de tortura existentes, uma se sobressai como especialmente perversa e hedionda. Ser esfolado vivo pode ser considerada uma das formas mais terríveis de tortura imagináveis pelo ser humano. É um processo lento e doloroso, no qual a vítima estará consciente o tempo todo e do qual não há escapatória.

O esfolamento (também chamada de depelar ou flagelar) foi documentado como um método de execução praticado desde o ano 800 a.C no Norte da África. Desde então, o esfolamento foi usado como forma de tortura ao longo dos séculos, em todas as épocas, em cada canto do planeta. Ele foi praticado pelos Astecas em seus rituais de sacrifício ao Deus Sol, esteve presente na Civilização Grega, na China Imperial, e no Continente Africano. Vários mártires cristãos sofreram com o esfolamento, sendo que São Bartolomeu é o Santo mais conhecido por ter enfrentado esse destino por ordem do Rei da Armênia. É claro, o esfolamento foi amplamente realizado durante a Era Medieval, como punição para traidores, saqueadores e criminosos. Até o século XVIII era uma punição empregada pela Igreja contra heréticos e indivíduos que negavam a existência de Deus. Os japoneses ironicamente a usaram contra missionários cristãos que tentavam introduzir sua fé no oriente. O esfolamento era comum em Papua Nova Guiné, uma forma de reconhecer o valor de um morto ilustre era arrancar sua pele e esticá-la na parede de casa. Birmaneses, os povos dos Urais, Indianos, os habitantes da Terra do Fogo, muitas tribos de nativos americanos (os Apaches e Cree, em especial) e os anglo-saxões.

Todos utilizavam o esfolamento!    

Embora o esfolamento seja raramente empregado hoje em dia (ainda bem!), isso não torna o conceito menos apavorante. Muitas pessoas se sentem morbidamente curiosas a respeito de como era conduzida essa tenebrosa tortura. Uma vez que não e nada recomendável tentar isso em primeira mão, vamos falar a respeito do que acontece durante a experiência,  passo a passo, rumo ao amargo fim.

Nem é preciso dizer que o texto a seguir e as imagens - todas elas autênticas obras de arte onde o esfolamento constitui o tema principal, podem ser profundamente perturbadoras. Portanto esse material deve ser evitado por pessoas impressionáveis, prossiga por sua própria conta e risco.

1 - A vítima precisa ser preparada para que sua pele saia mais fácil.



Como você pode imaginar, arrancar a pele inteira do corpo de um ser humano não é a tarefa mais fácil do mundo. Com isso em mente, você deve corretamente imaginar que quando alguém esfola a pele de outra pessoa, é preciso haver certo grau de preparação antes de iniciar os trabalhos.

Pensando nisso, algumas culturas estabeleceram regras procedimentais para o esfolamento. Por exemplo, esquentar a pele com panos aquecidos era uma maneira de soltar a pele dos músculos e fazer com que os tecidos epiteliais soltassem mais facilmente. Os Astecas costumavam deixar a vítima dourar ao sol durante um dia inteiro, por vezes passando sobre seus corpos óleo de milho ou girassol. Isso não apenas preparava a pele, como permitia que a tortura fosse mais longa, já que os músculos permaneciam aquecidos por mais tempo. A pele vermelha e queimada pelo sol era mais fácil de ser removida de uma só vez. O segundo método era mais extremo. Usado frequentemente durante a Idade Média ele consistia em cozinhar a vítima em um grande caldeirão de água fervente e/ou óleo. Cozinhando a vítima por pelo menos 30 minutos imersa em um tacho, os músculos naturalmente irão relaxar permitindo o trabalho do esfolador. Era importante não deixar a vítima tempo demasiado no banho quente para evitar que ela fosse cozinhada viva.

2 - O esfolamento se inicia com cortes longos



Então, como se dava início ao trabalho de esfolar uma pessoa?

A tortura se iniciava com alguns cortes bastante específicos e bem calculados. Em geral, a primeira pele a ser removida era a da face; depois dela, o corpo era marcado em vários lugares permitindo que pedaços inteiros fossem removidos em uma única peça (ou no menor número de peças possível). Essa marcação envolvia realizar cortes transversais precisos que dependiam de certo conhecimento de anatomia humana. Em especial, era preciso conhecer o mínimo sobre a musculatura, para determinar como as camadas de pele se distribuem pelo corpo. Uma marcação básica, estabelecida pelos gregos e aprimorada pelos romanos, envolvia fazer cortes ao longo dos braços até os pulsos, na lateral das pernas até os tornozelos e no peito até o pescoço. Com esses cortes calculados era possível descascar a pele mais facilmente.

Para serem efetivos, esses cortes não precisavam ser necessariamente profundos. Contudo, eles precisavam se estender através das camadas de tecido, atingido a porção entre a pele e o músculo. Os turcos seljúcidas, mestres na arte da esfolação, acreditavam que quanto mais afiada a faca, menor seria a dor provocada e com menos trauma produzido, maiores as chances da tortura perdurar por horas. Por essa razão, os torturadores especializados em esfolar, mantinham seu equipamento em perfeito estado e as lâminas sempre afiadas. 

3 - A pele era removida em grandes pedaços 



Aparentemente, não havia propósito em esfolar uma pessoa se tudo o que restava dela, no final, fossem pequenos pedaços. Em geral, o ato de esfolar envolvia remover a pele em porções grandes, isso porque muitas culturas gostavam de expor as peles recém arrancadas como um símbolo de poder e justiça.

Historiadores sabem disso através de indícios bastante sinistros.

Existem não apenas relatos históricos escritos a respeito do destino de peles esfoladas, mas evidência física. Por exemplo, na antiga Igreja de Hadstock em Essex, existe a lenda de um saqueador dinamarquês que foi acusado de sacrilégio e que acabou esfolado como punição. Segundo os registros da época, sua pele foi esticada e pregada na porta da Igreja como um aviso para que nenhum outro saqueador ousasse profanar o templo sagrado. Séculos mais tarde, quando a porta teve de receber reparos, foram achados restos de pele humana sob a ponta de pregos antigos que ainda estavam cravados na madeira. A distância entre os pregos indicava o notável tamanho do pedaço de pele ali disposto. Da mesma maneira, na Catedral de Worcester está guardada uma grande prancha de madeira que foi usada para expor um pedaço de pele humana pertencente a outro saqueador nórdico, um dinamarquês acusado de tentar roubar o sino da igreja.

4 - A vítima sentia cada nervo sendo esticado ao máximo



Uma das perguntas centrais a respeito dessa horrível forma de tortura diz respeito a quanta dor ela irá produzir na vítima? A resposta curta e grossa é que será provavelmente a maior e mais lancinante dor que a pessoa jamais experimentou. As terminações nervosas se estendem até as ramificações mais profundas da pele, possibilitando o sentido do tato. É por essa razão que as pontas de nossos dedos são tão sensíveis, e por essa razão qualquer dano na pele tem uma pronta resposta em nossas terminações nervosas. Estas avisam imediatamente ao cérebro que o corpo está em perigo. A resposta é desencadeada por nervos sensoriais chamados nociceptores que captam os estímulos de dor.

Quando alguém é esfolado, a pele é literalmente rasgada, não apenas cortada em pequenos pedaços. A ação de rasgar entretanto, não implica em danos às terminações nervosas, que continuam ativas, enviando para o cérebro sinais de dor.   

5 - A Vítima irá perder uma enorme quantidade de Sangue



Como é de se imaginar, ter a pele arrancada não deve ser especialmente bom para o sistema circulatório. Há muitas maneiras do esfolamento resultar na morte da vítima e uma delas é pela perda maciça de sangue, algo chamado exsanguinação. Entretanto, essa modalidade de morte não é tão frequente como se pode imaginar. Acredite ou não, pessoas podem sobreviver a uma perda acentuada de sangue. Em termos gerais, é possível sobreviver a perda de aproximadamente 40% ou até mais de sangue antes disso se tornar letal.

Assumindo que a vítima seja pendurada de cabeça para baixo, como era frequentemente o caso, o sangue escorria mais rapidamente para a cabeça e dali para o chão, lavando o corpo inteiro em uma torrente escarlate. Nesse caso a exsanguinação podia ocorrer, terminando o suplício mais rapidamente. Sabendo disso, muitos torturadores evitavam deixar a vítima de ponta cabeça, prolongando assim seu martírio.

6 - A Infecção vai começar imediatamente



Embora mil coisas pudessem matar a vítima do esfolamento, a infecção constitui um sério problema. A pele é um órgão vital que protege o sangue e os músculos de agentes externos como bactérias e virus no ar. Sem a camada protetora da pele, cada parte do corpo está mais exposta ao ataque de micro-organismos hostis. Insetos são naturalmente atraídos por sangue, e supõe-se que a descarga de adrenalina faça com que urina e dejetos sejam evacuados durante a tortura, o que é um elemento agravante de impurezas. Lâminas e objetos de tortura com restos de sangue também podem ser uma fonte de doenças.

Infecções conseguem penetrar no sistema circulatório e dali se espalhar pelos órgãos vitais, instalando um quadro de septicemia em poucas horas. Assumindo que o indivíduo sobreviva, digamos, caso a tortura seja interrompida ou cancelada na metade, uma infecção provavelmente acabaria por terminar o serviço. 

7 - A vítima vai sentir muito frio



Uma das funções da pele é regular a temperatura corporal. A pele fornece uma das principais defesas do organismo contra o frio. Sem ela, o sangue, os músculos e nervos ficam expostos ao ar e esfriam com grande facilidade. De fato, uma das possíveis causas de morte por esfolamento pode ser a hipotermia.

Por sorte, hipotermia é uma morte relativamente indolor, o que levava alguns torturadores a manter o ambiente em que ocorria a tortura aquecido.

8 - A Vítima vai entrar em choque...



A medida que a tortura se inicia, o corpo, o cérebro e os nervos enlouquecem por completo, registrando todos os estímulos até o ponto de entrar em curto. Impulsos elétricos literalmente saem de controle, e o cérebro tem que lidar com essa elevada descarga sensorial. Diante da enorme quantidade de estímulos ele acaba se desligando, então, como seria de se imaginar, o resultado é o choque.

O choque ocorre quando não há sangue suficiente se movendo em seu sangue para oxigenar as suas células. A pessoa está perdendo muito sangue, sua pressão estará alterada pelo horror, sinais claros de que o choque é iminente. Em termos gerais, isso resulta em tontura, confusão e falta de ar. A pessoa experimenta um frio profundo, paralisia nas extremidades, náusea e dores agudas no estômago. E possivelmente, se a vítima tiver sorte...

9 - ...é provável que perca os sentidos.



Um dos sintomas principais de entrar em choque é perder a consciência. Os torturadores sempre tentam manter a vítima acordada por vários métodos, incluíndo agressão, queimaduras, banhos de água ou colocando a pessoa de ponta cabeça. Porém, em certos momentos, a perda de sangue será grande demais. O cérbero, percebendo que não há uma maneira de lidar com a situação, em um ato de auto-preservação tende a desligar. A pressão sanguínea cai muito rapidamente e a pessoa simplesmente desmaia, um estado do qual possivelmente jamais irá despertar.

É importante perceber que esse desmaio é muito comum em vítimas de esfolamento. Alguns relatos mencionam que a maioria das vítimas de esfolamento perdiam a consciência antes que a pele do torso fosse removida. Dada a medonha sensação de ser esfolado vivo, estes desmaios eram uma benção bem vinda. 

10 - A pessoa irá morrer, sem dúvida.



Uma questão recorrente que surge envolve as chances de sobrevivência após ser esfolado vivo. A resposta mais direta é: "Não existem chances de sobreviver". Embora possa não parecer, a pele é um dos nossos órgãos vitais. Ela contém infecções, protege nossos músculos e sangue, e age como uma barreira contra os elementos. O mais grave é que apenas uma porção da pele é capaz de regenerar, portanto, se a pessoa perde uma grande quantidade de sua pele não haverá tempo dela crescer antes de alguma infecção se mostrar mortal.

Pessoas com queimaduras severas que perdem parte de sua pele sofrem algo semelhante. Existem várias camadas de pele revestindo o corpo, queimaduras, assim como o esfolamento faz com que uma grande quantidade doa proteção seja perdida. Demora mais ou menos um mês para que a pele cresça novamente, e não há como sobreviver por tanto tempo nessas condições. É por isso que vítimas de queimaduras precisam de enxertos de pele para prevenir infecções e proteger dos elementos que podem ser mortais. Mesmo assim, as chances de sobrevivência são relativamente pequenas. Além disso, há outro problema no esfolamento, visto que esse envolve uma perda acentuada de sangue, um elemento importante para a recuperação da pele. 

11 - Pode demorar muito até a vítima expirar. 



Então, exatamente quanto tempo leva para uma pessoa perecer depois de ser esfolada? Infelizmente, esse tipo de tortura tende a durar muito tempo. É verdade que a vítima pode morrer de perda de sangue, hipotermia ou choque em poucas horas, e muitos perdem a consciência e não recobram os sentidos. Mas é bem possível que a vítima se manterá consciente ao longo de toda tortura e algumas horas depois dela ser concluída. Os relatos obtidos por cronistas antigos dão conta de que pessoas conseguiram sobreviver por várias horas e até dias após serem esfoladas, presumivelmente em dor excruciante até o fim. 

*          *          *

Diante de tudo isso, a que conclusões podemos chegar?

Em se tratando de criatividade e crueldade, a raça humana demonstrou ao longo dos séculos um inenarrável potencial para torturar, ferir e matar seus semelhantes. Se o esfolamento é o pior ou não, o auge de nossa perversidade, é difícil saber ao certo, mas sem dúvida essa modalidade tenebrosa de tormento imposta por uma pessoa a outra, encontra-se na lista das mais atrozes.

UPDATE - Me pareceu extremamente curiosa a quantidade de pinturas renascentistas com o tea de um Sátiro (criatura mitológica semelhante a um homem com patas e chifres de carneiro) sendo esfolado vivo.

Pesquisei um pouco a respeito e descobri que se trata do Mito de Marsias.

Marsias era um músico extremamente talentoso e arrogante que encontrou a flauta pertencente a Deusa Atena perdida na Terra. Tomando o instrumento de sopro, ele se converteu em um músico tão perfeito e convencido de seu dom que teve a ousadia de desafiar o Deus grego Apolo para uma competição. Pelas regras da disputa, o vencedor teria o direito de punir o derrotado da maneira que desejasse.

O sátiro tocou sua flauta e se saiu extremamente bem, tanto que aqueles que julgariam o desafio afirmaram que Apolo não teria chance de se sair vitorioso. Os comentários irritaram o Deus de tal maneira que ele se esmerou ao máximo em sua apresentação com a Lira, um instrumento até então desconhecido na Terra. Impressionando a todos com sua performance, Apolo foi apontado como vencedor da disputa.

Em um momento de crueldade típica dos deuses do Olimpo, Apolo decidiu que o fauno seria punido da maneira severa por ousar se achar melhor que um Deus. Como punição ele seria esfolado vivo - uma punição à altura da heresia por ele cometida. Sem pensar duas vezes, o Deus amarrou o pobre sátiro em uma árvore e começou a arrancar sua pele, tortura que resultou em sua morte.

Segundo versões do Mito, as lágrimas de Marsias teriam dado origem a um rio de águas salgadas com o mesmo nome.


Moral da história? Jamais desafie um Deus para uma disputa, mas se o fizer, tenha certeza de que vai vencer...

3 comentários:

  1. Muito bom o post... e arrepiante '-'

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  2. Cacete, esfolamento acaba de passar "O touro de bronze" como a pior forma de tortura para mim. Graças a deus o cérebro tem essa mania de se "auto desligar" diante de tanta dor. E quanto ao choque, eu fico imaginando, é esse tipo de coisa que mata alguém só de olhar pro seres como o Cthulhu? Como os 2 ou três (não me recordo exatamente agora) marinheiros que vieram a falecer só de ver o grande antigo despertando.
    Ah, belo texto, como sempre! ;)

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