segunda-feira, 10 de junho de 2013

A Queda dos Cultistas - As últimas horas de Hitler de um ponto de vista lovecraftiano

Eu já havia colocado no grupo do Facebook, mas não custa reeditar.

Um vídeo inspirado pelo excelente filme "A Queda - As últimas horas de Hitler" ("Der Untergang"/ 2004) e uma cena que já foi legendada de todas as maneiras possíveis.

Aqui, um exemplo de como teria sido a queda do Terceiro Reich se os eventos ocorressem  no universo do Mythos de Cthulhu, com direito a nazistas cultistas reunidos no Bunker de Berlim, aliados investigadores e um certo grande antigo que teima em não aparecer justamente quando seus seguidores mais precisam.


E que sirva de lição: "Quando se sacrifica virgens e faz o ritual, o maldito polvo tem que aparecer..."

sábado, 8 de junho de 2013

Teatro de Sangue - Os assustadores espetáculos do Grand Guignol de Paris


Seis noites por semana e todo domingo à tarde, frequentadores do cenário teatral de Paris recebiam sua parcela de sangue, decapitação, desmembramento e torura. As cenas apresentadas no palco eram tão explícitas e realistas que médicos contratados pelo teatro ficavam à postos, prontos para administrar primeiros socorros com sais de cheiro e uma dose de brandy revigorante para os que desmaiavam.

Aqueles que sentavam nas primeiras filas recebiam respingos de sangue cenográfico (na maioria das vezes, embora sangue de animais também fosse usado) e sentiam a angústia de testemunhar quase que em primeira mão as mais grotescas torturas acontecendo a poucos metros de distância.
Haviam salas especiais abaixo das coxias onde os espectadores podiam se retirar, se eles ficassem muito chocados com os horrores apresentados. Não é exagero afirmar que desmaios e pessoas passando mal, literalmente urinando nas calças ou vomitando, era algo corriqueiro durante a apresentação. Dizem que mesmo o veterano militar americano, o General George Patton, que compareceu a uma performance durante a ocupação americana de Paris nos últoimos dias da Segunda Guerra, admitiu sentir um tremendo incômodo diante do espetáculo. Pode ou não ser algo significante mencionar que Herman Goering, um dos arquitetos do regime nazista foi um grande entusiasta desse tipo de show.

Estamos falando do Grand Guignol. 

O Grand Guignol (pronuncia-se guinô) surgiu em 1894 criado por Oscar Méténier. As performances ocorriam em um pequeno teatro de Paris, chamado Grand Guignol. Construído no início do século XIX, o prédio era originalmente uma capela. Um famoso padre parisiense chamado Didion, conhecido por seus discursos beirando o fantatismo e descrições do inferno e do suplício das almas, usava o púlpito de forma teatral atraindo um rebanho impressionado pela sua verborragia, isso até o dia em que a igreja pegou fogo. Alguns anos depois, o lugar em ruínas foi arrendado pelo artista Georges Rochegrasse, um pintor, cuja obra mais importante - a infame tela "Rape of the Sabine Women" (O Estupro das Sabines) - causou sensação em uma exposição, em face das imagens gráficas de extrema brutalidade.

Méténier comprou o local depois que Rochegrasse partiu afirmando que as ruínas eram  assombradas. O agente teatral espalhou o boato e aproveitou a pesada arquitetura gótica para acentuar dramaticamente as estórias que já eram conhecidas em Paris. Ele tomou emprestado o nome “Guignol” de um crítico teatral popular na época, famoso por destruir a reputação de montagens teatrais. Desde o início o objetivo de Méténier era chocar e conseguir repercussão. Sua primeira produção foi levada ao público parisiense em 1896 e terminou com correria, pessoas passando mal e a polícia sendo chamada. Na peça, havia uma cena com a execução na guilhotina. A decapitação era reproduzida nos mínimos detalhes e com tanto realismo que parecia realmente ter acontecido diante de todos. Os espectadores, pegos de surpresa acharam que o ator havia sido grotescamente decapitado e a peça foi interrompida. 

O teatro foi fechado temporariamente e Métérier multado, mas a repercussão já ganhava as ruas e todos queriam assistir a peça. Quando o Grand Guignol abriu novamente, as filas faziam volta na esquina. Sabendo que havia encontrado um filão rentável, Méténier passou a apresentar semanalmente novos espetáculos, tentando sempre superar o banho de sangue, horror e choque da peça anterior.
  
Em 1898, Métérier vendeu o teatro Grand Guignol para Max Maurey responsável por transformar o teatro em uma verdadeira Casa dos Horrores. Dizem que Maurey media o sucesso de uma apresentação com base na quantidade de pessoas que desmaiavam durante a performance.  

As peças, às vezes eram livres adaptações de autores clássicos do horror como Edgar Allan Poe. Outras eram escritas especificamente para o Grand Guignol. "A Marca da Besta", uma das mais conhecidas apresentava a tortura de um leproso com tochas, "O Horrível Experimento" tinha em seu ápice uma cirurgia cerebral, em "O Guardião do Farol", um homem enforcava seu filho acometido pela raiva. Outras peças tratavam de temas grotescos como necrofilia, lepra, sífilis. Horríveis torturas praticadas por sádicos eram o ponto alto de várias peças. Maurey havia adquirido instrumentos de tortura medievais originais e outros tantos haviam sido construídos com base em modelos que realmente existiram. Essas medonhas ferramentas eram empregadas nas apresentações acrescidas de truques de cena que passavam a sensação de absoluto realismo.     

A peça intitulada "Um Crime na Casa de Loucos" obteve enorme notoriedade e foi um sucesso de público. Encenada inúmeras vezes, durante o auge do Grand Guinol entre os anos 1930 e 1940, o roteiro foi escrito por André de Lorde, um dramaturgo descoberto por Maurey e apelidado "O Príncipe do Terror", que assinou mais de 100 obras. Ambientada em um manicômio, a peça contava a estória de uma adolescente que foi aprisionada na casa erroneamente e estava prestes a ser libertada. A notícia de que ela seria solta causa uma rebelião entre os internos, muitos deles maníacos com horríveis deformidades, que não querem permitir que a jovem, chamada Esperança, os abandone. Furiosos com a tentativa de fuga, eles a levam para as profundezas de uma masmorra nos porões do hospício onde encontram inúmeros instrumentos de tortura. Em uma das cenas mais terríveis, um dos internos, um demente que acredita que um pássaro vive dentro da cabeça da jovem tenta libertar o animal com um martelo e cinzel.       

A peça era tão grotesca que ao longo das duas horas de apresentação, registrou-se certa noite um recorde de 38 desmaios entre os espectadores. Isso de um público com pouco mais de 80 pessoas.
Os sinistros efeitos especiais eram um segredo guardado a sete chaves. Um delegado de polícia apenas concedeu ao Grand Guignol alvará para funcionamento depois de ser informado como funcionavam alguns dos truques de cena. Isso para ter certeza de que ninguém era de fato morto. Mesmo o sangue artificial tinha uma fórmula secreta. Um dos cartazes do teatro alertava: "Nosso sangue é sempre fresco e os clientes que não quiserem levá-lo para casa em suas roupas, devem evitar os assentos próximos do palco". O aviso nem sempre era levado em consideração: por vezes quem estava atrás também se sujava, não que isso fosse um problema para muitos espectadores. Ser salpicado pelo sangue no Grand Guinol era considerado uma honra.

Camille Choisy foi diretor do teatro entre 1914 e 1930, contribuindo com seu conhecimento de causa já que havia cursado a faculdade de medicina e conhecia muito de anatomia. Ele foi sucedido por Jack Jouvin, que suavizou um bocado as apresentações e diminuiou o choque de algumas peças depois que um espectador sofreu um ataque cardíaco fulminante. Durante a Segunda Guerra, o diretor passou a ser o cineasta britânico Alexander Dundas radicado em Paris e sua esposa, a comediante anglo-francesa Eva Berkson, que segundo o marido "era uma ótima vítima para as torturas, pois gritava como nenhuma outra atriz".

A dupla esteve a frente do teatro no decorrer da ocupação nazista. Em 1943, uma das peças apresentou soldados alemães conduzindo sessões de tortura a civis, o que irritou as autoridades e obrigou o casal a fugir. Os nazistas substituíram o casal por outro diretor e o teatro continuou em funcionamento, atraindo multidões de curiosos. Após a guerra o casal retornaria ao teatro de forma triunfante. 

Dentre as atrizes a se apresnetar no Grand Guignol, Paula Maxa talvez tenha sido a mais popular. Especialista em personificar vítimas ela ganhou fama como "a mulher mais assassinada do mundo". Em vinte anos de trabalho, estreiando em 1917, ela esteve em cena mais de 10,000 vezes, sendo "assassinada" de 60 maneiras diferentes e "estuprada" pelo menos 3,000 vezes. Ela foi alvejada, torturada, estrangulada, esfaqueada, estripada, desmembrada, guilhotinada, massacrada, crucificada, queimada, envenenada e até devorada viva em cena. Em uma peça muito famosa, sobre a Inquisição Espanhola, Maxa foi "torturada" ao longo de uma apresentação especial que durou 8 horas.  

Surpreendentemente, nenhum ator do Grand Guignol jamais sofreu um acidente em cena ou se feriu durante as apresentações. Para todos os efeitos os membros aceitos na companhia se consideravam uma grande família.
O Teatro Grand Guignol fechou as suas portas em 1962.

A audiência começou a diminuir após o fim da Segunda Guerra Mundial. Segundo o diretor teatral Charles Nonon, na época à frente da casa: "Nós nunca conseguiríamos igualar os horrores de Buchenwald ou Auchwitz em nossas peças. De certa forma, tudo o que fazíamos para chocar havia sido amplificado no mundo real". Ademais, as pessoas pareciam estar enjoadas de sangue e horror, tendo presenciado muito daquilo nos anos mais medonhos da Guerra.

É claro, esse estilo de espetáculo foi copiado e encenado em vários países, obtendo sucesso e sendo considerado algo decadente e absurdo em vários cantos do planeta. Em alguns países espetáculos de grand Guinol ainda são proibidos por força de lei. A polêmica sempre seguiu o Grand Guignol onde quer que ele fosse apresentado.

O prédio do antigo teatro ainda existe em Paris, mas atualmente hospeda o International Visual Theatre, que apresenta peças para deficientes audio-visuais.

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As Catacumbas de Paris

A Canção do Suicídio

O Curioso Museu do Diabo

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Explorando os Mitos mais Obscuros - Quachil Uttaus, o Andarilho do Pó


Quachil-Uttaus apareceu pela primeira vez no conto "The Treader of Dust" de Clark Ashton Smith.

No universo do Mythos de Cthulhu, a mera existência de certas entidades representa perigo incalculável. Criaturas de incrível poder e torpeza, cujo mais breve contato é suficiente para desencadear uma reação irrefreável de loucura, morte e danação.

Dentre a extensa lista de horrores impronunciáveis que podem ser invocados pelos audazes exploradores do Mythos, aquelas almas ávidas por desvendar os mistérios ancestrais, o Grande Antigo que atende pelo nome Quachil Uttaus talvez seja um dos que oferece maior risco.

Não é de se estranhar que ele seja uma entidade obscura até para os padrões do Mythos de Cthulhu. Descrito apenas no incrivelmente raro tomo intitulado "Testamento de Carnamagos", Quachil Uttaus está ligado a noções entrópicas de tempo, morte e corrupção. Ele é uma força que age fisicamente sobre seus arredores, operando traiçoeiras alterações no ambiente para o qual é invocado.

No passado distante, ele foi venerado por feiticeiros da legendária Era Hiboriana, entre os quais o próprio Carnamagos. Informações sobre a pérfida barganha firmada entre o mago e a criatura constam em algumas versões do Testamento, copiadas por monges greco-bactrianos no século IX. Esses manuscritos contém orações e mantras que podem ser utilizados para acessar um estado de percepção sensorial elevada que permite o contato com Quachil Uttaus. A razão para buscar o Grande Antigo se explica pelo rumor de que ele pode conceder a imortalidade, uma vez que ele dita o processo de corrupção de todas a matéria do universo. Ocultistas de renome tentaram ao longo das eras ganhar sua atenção e pleitear sua benção.

Até onde se sabe, poucos foram bem sucedidos em seu intento e mesmo estes, não tiveram aquilo que aspiravam, tendo obtido a almejada imortalidade, mas gozando dela em corpos envelhecidos e doentes.

Sabe-se que o extraordinário feiticeiro Eibon escreveu em seu tomo uma sábia advertência: "Invocar Quachil Uttaus é em última análise, cortejar a perdição, a obliteração e o esquecimento. E mesmo os frutos de um aparente sucesso, tendem a ser amargos como a poeira em que vaga o Andarilho". Este trecho por sinal concedeu a Quachil Uttaus o seu epíteto: "O Andarilho do Pó".

Desenho do Livro de Eibon
A aparência desse Grande Antigo é bizarra e incomum. Ele não é um horror abominável, gigantesco ou tentacular, pelo contrário. Sua aparência remonta a certa humanidade, ainda que aniquilada e destituída de vigor. Descrito como uma espécie de múmia do tamanho de uma criança humana, ele não mede mais do que um metro e vinte de altura. A forma se apresenta encolhida, murcha e seca, com os membros atrofiados terminando em cotos imóveis acometidos por um perene rigor-mortis. A pele seca e cinerícia se estica sobre os ossos a ponto de quase se romper como um tecido coreáceo. Há uma camada fina de poeira com eras de idade sobre todo seu corpo desnudo.

A face enigmática não possui feições, é apenas uma massa sombria na qual não se identificam olhos, nariz, boca ou orelhas. Não obstante, ele parece ser capaz de perceber os seus arredores. Em sua condição de eterna imobilidade, Quachil Uttaus flutua delicadamente no ar como se fosse uma sombra cinzenta, planando em meio a uma luminosidade empalidecida vinda do alto sempre que ele se manifesta. Essa luz é descrita pelos poucos que a vislumbraram como um brilho mortiço, a anátema de tudo aquilo que vive. "As Luzes Mortas" escreveu um ocultista do século XVIII, e continuou: "Um brilho que não é luminosidade e nem calor, que pelo contrário, se mostra frio e angustiante. Algo cujo mero vislumbre transmite ondas de repulsão e é capaz de aniquilar a vida em poucos segundos".

Em alguns casos, credita-se a existência de uma espécie de halo metálico que flutua sobre a entidade, e deste provém o tal brilho. Para alguns essa é uma espécie de "janela" ou "portal" para uma dimensão de completa entropia que permite a passagem mínima da luz. Há conjecturas de que, se essa passagem fosse maior, a luz poderia se alastrar e afetar todo o planeta.    

O Andarilho possui certo grau de controle sobre o tempo, e pode ao seu bel-prazer influenciar anomalias temporais. Para isso ele faz incidir sobre uma determinada área ou especificamente sobre um indivíduo a luz que o acompanha. O efeito é imediato e tudo que é banhado por essa luminosidade encanecida começa a envelhecer de modo acelerado. Anos passam em segundos, e qualquer material exposto apresenta sinais óbvios e permanentes de desgaste e corrupção. Se a luz incide sobre uma pessoa, por um mero segundo que seja, ela é capaz de produzir alterações significativas em sua constituição física. Jovens se tornam adultos em um lampejo e indivíduos maduros se vêem como anciões alquebrados de um momento para o outro. Os cabelos ficam grisalhos, os ossos enfraquecem, uma compleição pálida e fantasmagórica se espalha, bem como rugas e manchas senis que denotam uma venerável decrepitude. Se a luz incidir por tempo suficiente sobre uma pessoal, seu corpo irá continuar envelhecendo cada vez mais rápido, até que após alguns instantes tudo o que reste sejam ossos amarelados e descarnados. Se ela persistir, mesmo estes irão seguir deteriorando, até se partirem e se esfacelar em uma fina poeira. E é justo dessa medonha qualidade que o Andarilho do Pó, deixa impressas suas pegadas.
Representação de Quachil Utaus em um papiro chinês

Em face desse risco colossal, não é de se surpreender que muitos feiticeiros optam se abster de qualquer contato com esse Grande Antigo. O nome Quachil Uttaus é até evitado em certos círculos místicos tamanha a sua reputação. 

Isso não quer dizer que alguns não tenham tido êxito em estabelecer um acordo com ele.    

Quachil é capaz de se comunicar telepaticamente com aquele que o invocou fisicamente. O Testamento de Carnamagos cita algumas palavras místicas que o feiticeiro interessado em realizar uma barganha deve repetir em voz alta na sua presença: "Exclopios Quachil Uttaus!".

Uma espécie de saudação, aparentemente reconhecida pela entidade. Se o Grande Antigo julgar o pleiteante digno, ele simplesmente não o destruirá com sua luz pálida. Há rumores que aqueles dispostos a se sujeitar em servitude eterna, por vezes recebem como recompensa conhecimento esotérico e em alguns casos até mesmo poderosas magias. Contudo, Quachil Uttaus não é conhecido pela sua paciência ou clemência, qualquer ato que o desagrade é punido com severidade resultando na destruição do feiticeiro. 

Isso talvez explique porque jamais existiu um culto devotado ao Andarilho do Pó e porque ao longo das eras ele foi quase esquecido. Hoje, mesmo entre exploradores calejados pelo contato com o Mythos, Quachil Uttaus é um nome sussurrado com medidas iguais de medo e respeito.

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Nyogtha

Y´Golonac

Eihort

Shub-Niggurath

Mi-Go

Star-Vampire

terça-feira, 4 de junho de 2013

O Andarilho do Pó - Um conto do Mythos do mestre Clark Ashton Smith

O Andarilho do Pó

por Clark Ashton Smith
Traduzido por Arthur Ferreira Jr. do Blog Dominio Publicano, gentilmente cedido.

"…Os antigos magos o conheciam, e o nomearam Quachil Uttaus. Poucas vezes é ele revelado: pois habita além do mais exterior dos círculos, no limbo soturno do tempo e espaço não-esféricos. Temível é a palavra que o convoca, palavra jamais pronunciada exceto em pensamentos: Pois Quachil Uttaus é a corrupção definitiva; e o momento de sua chegada é como a passagem de muitas eras; e nem a carne, nem a pedra, podem suportar suas andanças, pois todas as coisas ruem sob seus pés, átomo por átomo. E por esta razão, alguns o têm chamado O Andarilho do Pó".

-- Testamento de Carnamagos


     

Foi após intermináveis debates e argumentações consigo mesmo, após muitas tentativas de exorcizar a legião incorpórea e turva de seus medos, que John Sebastian retornou à causa que havia deixado tão apressadamente. Havia estado ausente por três dias; mas mesmo isto fora uma interrupção sem precedentes na vida reclusa e erudita a qual havia entregado-se totalmente após herdar a velha Mansão, junto com uma generosa quantia. Em momento algum havia definido por completo as razões de sua fuga: todavia a fuga parecera obrigatória. Havia uma certa urgência medonha que o impelira; mas agora, que havia se resolvido a retornar, a urgência havia estabelecido-se na forma de nervos exaustos pela dedicação excessivamente íntima e prolongada a seus livros. Ele havia imaginado certas coisas: mas essas coisas imaginadas eram patentemente absurdas e sem base alguma.

Mesmo se o fenômeno que o havia perturbado não fosse de todo imaginário, deveria haver alguma solução natural que não havia pensado com sua mente sobrecarregada. O amarelar súbito de um caderno recém-comprado, o desfazer das bordas das folhas, eram sem dúvida devido a imperfeições latentes do papel; e o estranho desvanecer de seus registros que, quase do dia para a noite, haviam tornado-se tênues, como se fossem escrita antiga – era claramente resultado de substâncias químicas baratas e falhas na tinta. O aspecto de antiguidade bruta, quebradiça e roída por vermes, que havia manifestado-se em certos elementos da mobília, certas porções da mansão, não mais era que a súbita revelação de uma desintegração oculta, que havia ocorrido sem que ele notasse, enquanto estava absorto pela dedicação meticulosa às pesquisas soturnas. E foi a mesma dedicação, com seus anos contínuos de esforço e confinamento, que trouxe seu envelhecimento prematuro; de modo que, ao contemplar-se no espelho, na manhã de sua fuga, ficara chocado e apavorado como se diante da aparição de uma múmia encarquilhada. Quanto ao criado, Timmers – bem, Timmers já era velho, e todos lembravam-se dele assim. Fora apenas o exagero dos nervos doentes que recentemente pensou ver em Timmers uma decrepitude tão extrema que o faria cair, sem o estado intermediário da morte, direto na podridão do túmulo.

De fato, podia explicar tudo que o havia perturbado, sem fazer referência aos conhecimentos selvagens e remotos, às demonologias e sistemas esquecidos que havia sondado. Aquelas passagens no Testamento de Carnagos, sobre as quais havia ponderado com esquisito desânimo, eram relevantes apenas aos horrores evocados por feiticeiros loucos de eras passadas.

Sebastian, firme em tais convicções, voltou à sua casa ao pôr do sol. Não tremia ou desfalecia quando cruzou o terreno que recebia a sombra dos pinheiros, e correu célere pelos degraus da fachada. Imaginou, embora sem certeza, se haviam de fato sinais de dilapidação nesses degraus; e a própria casa, conforme aproximava-se, parecia ter ficado um tanto derrubada, como se houvesse ocorrido erosão nos alicerces; mas isto, disse a si mesmo, era apenas ilusão trazida pelo crepúsculo que se iniciava.

Nenhuma lâmpada acesa, mas Sebastian não surpreendera-se com isto, pois sabia que Timmers, se deixado sozinho, costumava caminhar nas trevas como uma coruja senil, muito após o momento apropriado do acender das luzes. Sebastian, por outro lado, sempre havia tido aversão à escuridão ou mesmo às sombras; e recentemente a aversão havia aumentado bastante. Resoluto, acendeu todos os bulbos da casa tão logo a luz do dia começou a faltar. E agora resmungando sua irritação com a incompetência de Timmers, empurrou a porta e buscou apressado a fechadura do corredor.

Talvez devido a uma agitação nervosa que não percebera em si mesmo, perdeu um bom tempo sem achar o interruptor. O corredor era estranhamente sombrio e um reluzir do pôr-do-sol cinzento emanava entre os altos pinheiros para dentro do vão da porta por trás dele, mas sem conseguir penetrar além da soleira. Não conseguia enxergar coisa alguma; era como se a noite das eras mortas houvesse feito do corredor seu covil; e as narinas de Sebastian, ali onde ele havia parado, foram assaltadas por uma pungência seca, como se vinda de pó ancestral, odor como de cadáveres e caixões há muito indistintos na decadência pulverulenta.



Finalmente achara o interruptor; mas a iluminação que reagia era de algum modo tênue e insuficiente, e ele parecia detectar um pisca-pisca de sombras, como se o circuito estivesse falhando. Contudo ficou reconfortado em perceber que a casa, aparentemente, estava como ele a havia deixado. Talvez inconscientemente temesse encontrar os painéis de carvalho esfarelando-se numa podridão fragmentária, o tapete transformado em frangalhos comidos pelas traças; havia pensado ouvir o quebrar de tacos poderes sob seu andar.

E agora, imaginava, onde estava Timmers? O envelhecido faz-tudo, apesar de sua crescente senilidade, sempre havia sido rápido em atender; e muito embora não houvesse ouvido seu mestre entrar, o ligar das luzes teria sinalizado o retorno de Sebastian. Porém, muito embora Sebastian atentasse com dolorosa insistência, não ouvia o ranger dos familiares passos debilitados. O silêncio envolvia a tudo, como uma mortalha fúnebre e imperturbada.


Sem dúvida, pensou Sebastian, haveria alguma explicação mundana para tal. Timmers havia ido à aldeia próxima, talvez para reabastecer a despensa, ou na esperança de receber comunicação de seu mestre; e Sebastian havia dele se desencontrado, ao retornar da estação. Ou talvez o velho houvesse adoecido e agora jazesse vulnerável em seu quarto. Pressuroso com este último pensamento, foi direto ao dormitório de Timmers, que ficava no andar térreo, nos fundos da mansão. Estava vazio, e a cama estava primorosamente feita e obviamente não fora ocupada na noite anterior. Com um suspiro de alívio que pareceu retirar um horrendo íncubo de seu peito, decidiu Sebastian que a primeira conjectura estava correta.

Mas agora, ao esperar o retorno de Timmers, havia sentido nos nervos outro ato de inspiração, e marchou até o estúdio. Não admitia a si mesmo, com precisão, o que temia ver; mas à primeira vista, o aposento não havia mudado em nada, e todas as coisas estavam como no momento de sua partida apressada. A pilha alta e confusa de manuscritos, volumes e cadernos em sua mesa de escrever estava intocada por ninguém exceto sua própria mão; e as prateleiras da estante de livros, com seus acervos bizarros e aterrorizantes de autoridades em diabolismo, necromancia, goétia e em todas as ciências ridicularizadas ou proibidas, estavam imperturbadas e intactas. Sobre o velho atril, ou porta-livro, usado para os tomos mais pesados, estava o Testamento de Carnamagos, com sua capa marroquim e sua tranca de ossos humanos, estava aberto na mesma página que o havia assustado tão irracionalmente, com suas intimações sobrenaturais.

E então, ao passar para o espaço entre o atril e a mesa, percebeu pela primeira vez o inexplicável empoeiramento sobre tudo. O pó acumulava-se em toda parte; um pó fino e cinzento, como polvilho de átomos mortos. Havia coberto os manuscritos com um filme profundo, assentado-se espesso sobre as cadeiras, abajures e volumes; e os ricos vermelhos e amarelos como papoula das tapeçarias orientais eram desfeitos pelo acúmulo do pó. Era como se muitos anos desolados houvessem passado na câmara desde sua partida, e houvessem espanado de seus invólucros amortalhados a poeira de todas as coisas em ruínas. O mistério daquilo fez tremer Sebastian; pois ele sabia que o aposento havia sido varrido com rigor apenas três dias antes; e Timmers havia de espanar a cada manhã, cuidadosa e meticulosamente, durante sua ausência.

E agora o pó ascendia numa nuvem leve e rodopiante ao seu redor, preenchendo as narinas de Sebastian com o mesmo odor seco, como se oriundo de uma dissolução fantasticamente antiga, que o havia encontrado no corredor. Ao mesmo tempo percebeu o vento tempestuoso e frio que de alguma forma penetrava o aposento. Ele imaginara que uma das janelas havia sido deixada aberta, mas um olhar assegurou-o de que elas haviam sido fechadas por cortinas avassaladoras; e a porta havia se fechado por trás dele. O vento era leve como o suspirar de um fantasma, mas onde quer que passasse, levantava o fino pó sem peso, enchendo o ar e mais uma vez caindo numa lentidão imensa. Sebastian sentiu um estranho alarme, como se houvesse soprado nele um vento das dimensões desconhecidas, ou por uma oculta fenda de ruínas; e simultaneamente foi tomado por um paroxismo de tosse prolongada e violenta.

Ele não conseguira localizar a fonte do vento. Mas enquanto movia-se descuidado e impaciente, seu olhar foi atraído por uma pilha baixa e longa de pó cinzento, que até então havia sido oculto de sua visão pela mesa. Estava logo abaixo da cadeira que usava para escrever. Próximo à pilha de poeira estava o espanador usado por Timmers em sua rodada diária de limpeza.

Pareceu a Sebastian que o rigor de uma grande e letal frialdade havia invadido todo seu ser. Ele não conseguiu mexer-se por vários minutos, contemplando o inexplicável monturo. No centro deste via uma vaga depressão, que poderia ser a marca de uma pegada bastante diminuta, meio apagada pelos sopros de vento que evidentemente haviam levado muito do pó e espalhado-o pela câmara.

Finalmente o poder do movimento voltara a Sebastian. Sem reconhecer conscientemente o impulso que o impeliu a tal, abaixou-se para pegar o espanador. Mas quando seus dedos o tocaram, o cabo e as penas dissolveram-se em fina poeira que, assentada numa pequena pilha, preservava de maneira vaga os contornos do objeto original.

Uma fraqueza assolou Sebastian, como se o fardo da idade e mortalidade absolutas esmagasse seus ombros entre um instante e outro. Houve um rodopiar de sombras vertiginosas diante de seus olhos, sobre a luz da lâmpada, e ele pensou que desfaleceria, se não sentasse de imediato. Colocou a mão na cadeira ao seu lado – e a cadeira, com o toque, desfez-se instantaneamente em nuvens leves de pó, que assentavam-se atraídas pelo chão.


Depois disso – quanto tempo depois, não conseguiria precisar – encontrou-se sentado na cadeira alta, diante do trecho onde o Testamento de Carnamagos se abria. Surpreendeu-se de modo vago pela cadeira não ter-se desfeito sob seu peso. Assaltava-o novamente a urgência da fuga rápida e repentina daquela casa amaldiçoada; mas parecia que ele havia ficado velho demais, encarquilhado e débil demais; e que nada mais importava muito – nem mesmo aquele destino final apavorante que entrevia.

Agora, sentado num estado mesclando o terror e o estupor, seus olhos foram atraídos pelo volume magista diante de si: os escritos do sábio e vidente maligno Carnamagos, que foram recobrados mil anos passados, em alguma tumba greco-bactriana, e transcritos por um monge apóstata no grego original, usando o sangue de um monstro procriado por íncubos. Naquele volume estavam as crônicas dos grandes feiticeiros da antiguidade, e as histórias de demônios terrenos e ultracósmicos, e os encantamentos verdadeiros através dos quais os demônios poderiam ser controlados e dispensados. Sebastian, estudante profundo de tais conhecimentos, há muito acreditara que o livro era apenas uma lenda medieval; e ficara tanto espantado quanto gratificado quando encontrara a esta cópia nas prateleiras de um comerciante de velhos manuscritos e incunábulos. Dizia-se que apenas duas cópias haviam existido, e que a outra havia sido destruída pela Inquisição Espanhola, no começo do século XIII.

A luz piscava como se asas ominosas houvessem batido perto dela; e os olhos de Sebastian ficaram baços de um corrimento cada vez mais profuso, conforme lia mais uma vez aquela passagem fatal e sinistra que havia conseguido provocar-lhe medos tão soturnos:

Embora Quachil Uttaus atenda – mas atenda raramente, foi bem documentado que seu advento nem sempre ocorre em resposta à runa pronunciada e ao pantáculo desenhado... Poucos magos, de fato muito poucos convocariam um espírito assim tão agourento... Mas que fique perfeitamente claro que aquele que lê sozinho, no silêncio de sua câmara, a fórmula dada mas abaixo, correrá graves riscos se em seu coração abrigar aberta ou disfarçadamente o mínimo desejo de morte e aniquilação. Pois pode acontecer que Quachil Uttaus a ele atenda, trazendo aquele destino final que, com o mais leve toque, transforma o corpo no pó eterno, e torna a alma num vapor para toda a eternidade dissolvido. E o advento de Quachil Uttaus é pressagiado por certos indícios; pois na pessoa do evocador, e possivelmente nas pessoas mais próximas a ele, aparecerão os sinais da súbita idade avançada; e sua casa, e os pertences que houver tocado, assumirão as marcas de decadência e antiguidade apressadas...'

Sebastian não percebera que resmungava as sentenças em voz baixa, quando as lia; que também resmungara o terrível encantamento que seguia ao alerta... Seus pensamentos rastejaram como se envoltos por algo frio e congelante. Numa certeza embotada e mórbida, soube que Timmers não havia ido à aldeia. Devia ter avisado a Timmers antes de partir; deveria ter escondido e trancado o Testamento de Carnamagos... pois Timmers, a seu modo, era também um erudito, e a ele não faltava curiosidade sobre os estudos ocultistas de seu mestre. Timmers estava bastante apto a ler o grego de Carnamagos... e até mesmo aquela fórmula atroz e devastadora das almas, a qual Quachil Uttaus, demônio da corrupção definitiva, responderia do vácuo exterior... Sebastian adivinhou daí, com precisão, a origem do pó cinzento, a razão daqueles esfarelamentos misteriosos...

Sentiu mais uma vez o impulso de fuga; porém seu corpo era um íncubo seco e morto, que recusava a obedecer à própria vontade. De qualquer forma, refletiu consigo, já era tarde demais, pois os sinais do fim haviam reunido-se ao seu redor e sobre ele... Porém, certamente jamais houvera nele o mínimo anseio por morte e destruição. Ele apenas desejara sondar os mistérios sombrios que cercavam o estado mortal. E sempre havia sido cauteloso, jamais mexera com círculos mágicos e evocações de presenças perigosas. Sabia da existência de espíritos do mal, espíritos da cólera, perdição e aniquilação; mas jamais, pela própria vontade, invocaria qualquer um de suas prisões e abismos noturnos...


Sua letargia e fraqueza pareceu aumentar; foi como se lustros inteiros, décadas completas de senescência sobre ele caíssem, no espaço de um fôlego. Sua linha de pensamentos se interrompia a intervalos, e ele a recobrava com dificuldade. Suas memórias, e até mesmo seus medos, pareciam cambalear nos limites de um oblívio final. Com os ouvidos quase surdos, ouviu um som de madeira caindo e quebrando, em algum lugar da casa; com os olhos exibindo uma catarata como a dos anciões, viu as luzes tremerem e apagarem sob o ataque de uma escuridão negra como um morcego.

Era como se a noite de uma catacumba em ruínas se fechasse sobre ele. Sentia aos poucos o respirar tênue e gélido do vento que o havia perturbado antes, com seu mistério; e mais uma vez o pó ascendeu até suas narinas. Percebeu então que o aposento não estava totalmente escuro, pois conseguia discernir os vagos contornos do atril diante de si. Certamente nenhum raio de luz passava pelas venezianas; porém ainda assim havia luz. Seus olhos, abrindo-se com um esforço titânico, viram pela primeira vez que uma fenda irregular e grosseira havia surgido na parede externa do aposento, no alto do canto norte. Através da fenda uma estrela solitária reluzia na câmara, fria e remota como o olho de um demônio espreitando através de golfos intercósmicos.

Daquela estrela – ou dos espaços além dela – um raio de lívida radiância, pálido e mortal, lançou-se como um dardo contra Sebastian. Da largura de uma tábua, inabalável, imovível, parecia transfixar seu próprio corpo e formar uma ponte entre si e os mundos da escuridão inimaginável.

Estava como se petrificado pelo olhar da górgona. E então, através da brecha das ruínas, veio algo planando suave e rapidamente para dentro do aposento, em sua direção, seguindo o raio de luz. A parede pareceu esfarelar-se e a fenda alargar-se, quando a coisa entrou.


Era uma figura não maior que uma pequena criança, mas seca, murcha e encarquilhada como uma múmia milenar. Sua cabeça calva, seu rosto sem feições definidas, saídos de um pescoço de magreza esquelética, eram decorados por milhares de rugas reticuladas. O corpo era como o de um aborto monstruoso e emaciado que jamais houvesse conhecido a respiração. Os braços como varetas, terminando em garras ossudas, estendiam-se para frente como se anquilosados nesse gesto de eterno e temível tatear. As pernas, de pés como os de uma Morte pigmeia, eram fundidas como se houvessem sido comprimidas por bandagens mortuárias; não havia nelas qualquer movimento, ou caminhar, ou marcha. Ereto e rígido, o horror flutuava célere, descendo pelo raio acinzentado, pálido e mortal, na direção de Sebastian.

E agora estava próximo dele, a cabeça da coisa próxima a sua fronte e seus pés opostos a seu tórax. Por um momento fugaz, percebeu que o horror havia nele tocado, com suas mãos esticadas, com seus pés obscenamente flutuantes. Parecia fundir-se a ele, tornar-se uno com seu ser. Sentia que suas veias se enchiam de pó, que seu cérebro esfarelava-se, célula por célula. E então ele não era mais John Sebastian, mas um universo de estrelas e mundos mortos, que decaíam remoendo a escuridão, diante do tremendo soprar de algum vento ultraestelar...

A coisa que os magos imemoriais haviam chamado de Quachil Uttaus havia desaparecido; e a noite e as estrelas haviam retornado àquela câmara arruinada. Mas em parte alguma encontrava-se sequer a sombra de John Sebastian; apenas um leve monturo de pó, no chão diante do atril, exibindo uma vaga depressão, como a pegada de um diminuto pé... ou dois pés muito encostados.

domingo, 2 de junho de 2013

Cthulhu 7 - O Financiamento Coletivo para a nova Edição de Call of Cthulhu já começou!


E então pessoal...

Se você é um fã, jogador ou entusiasta do RPG Call of Cthulhu e vive nesse mundo, já deve saber que a 7a Edição do RPG já está em uma Campanha de Financiamento Coletivo.

A Chaosium pegou todo mundo de surpresa no meio da semana passada, ou mais ou menos. 

A Editora responsável pelo lançamento de CoC desde a sua primeira edição, há quase 30 anos, já havia anunciado o plano de lançar uma nova edição de sua ambientação mais importante. A 7a edição já havia sido anunciada faz alguns meses e play-tests já vinham sendo realizados com voluntários que testaram o sistema e teceram comentários sobre as mudanças oferecidas.

Quais são essas mudanças?

Bom, eu fiz uma breve resenha do que se sabia na época e do que aguardava os narradores e jogadores nessa nova edição assinada por Paul Fricker e Mike Mason. Mudanças profundas nas regras vão acontecer, isso é certo. Algumas para o bem, outras nem tanto. Fato é que haverá polêmicas, discussões e novas regras que alguns vão detestar e outros vão aplaudir como inovadoras e necessárias. Em geral, é o que acontece com novas edições de RPGs consagrados, mas em se tratando de Call of Cthulhu essa será a primeira mudança drástica de seu sistema.

Pessoalmente eu prefiro esperar para ler, antes de criticar. Não estou muito a par de todas as mudanças que serão realizadas e vou dar uma chance para conhecer as novidades antes de fazer comentários no escuro.

A primeira das grandes mudanças parece ser a existência de DOIS livros e não apenas um. O Keepers Rulebook (Livro de Regras do Guardião) e o Investigator's Handbook (Livro de Mão do Investigador). Os dois trarão material inédito, regras, nova arte, novos cenários introdutórios e diagramação mais moderna. Ambos serão em preto e branco (pelo menos até aqui, se não houver alguma mudança) e oferecidos em três versões capa dura, capa mole e PDF (uma nova edição de luxo também foi incluída).

Ao meu ver os livros estão um pouco caros, acima da média de livros de RPG, mas há vários níveis nos quais os apoiadores do Financiamento podem entrar. 

De qualquer maneira é interessante reparar que Call of Cthulhu continua sendo um RPG que atrai as pessoas. A longevidade dele somada aos resultados do Financiamento, comprovam o fascínio que o jogo exerce sobre jogadores ao redor do mundo.  

 Menos de 24 horas após o início do Financiamento, a meta de US$ 40,000 já havia sido atingida e a quantia continua subindo em franca escalada (está em 125 K, quando esse artigo foi publicado).

A Chaosium prometeu uma série de melhorias na qualidade dos livros, novidades, acréscimos e bônus a medida que cada nível for ultrapassado. E realmente os bônus estão aparecendo. Páginas coloridas, mapas luxuosos, marcadores, um screen para o Guardião, dados personalizados e mais ainda está por vir...

A proposta da Chaosium é iniciar a entrega dos livros a partir de 31 de Outubro de 2013 (Halloween).

A medida que novidades forem aparecendo você poderá ler aqui no Mundo Tentacular.

A página do Kickstart com todas as informações e detalhes para os interessados está no link abaixo:


Observação: O lançamento dessa edição não deve ser confundido com o Financiamento Coletivo da versão de Call of Cthulhu em português, que será chamado Chamado de Cthulhu, recentemente anunciada pela Editora Terra Incógnita. Tratam-se de livros diferentes, sendo que a edição brasileira será inspirada pela Sexta edição de CoC.

Segundo o pessoal da Terra Incógnita, a sétima edição poderá vir a ser publicada no Brasil, porém não há ainda uma posição da Chaosium a respeito de liberação do livro, o que pode demandar até dois anos, mais o prazo de tradução e produção de uma versão nacional.

Em breve teremos mais notícias sobre a Edição Nacional.

Quer saber mais? Leia também:

Por dentro da Sétima Edição de Call of Cthulhu

Anúncio de CoC no Brasil