terça-feira, 27 de março de 2012

A Garrafa das Bruxas - Toda proteção contra feitiçaria é pouca!

Uma Garrafa das Bruxas, objeto de proteção contra feitiçaria foi encontrada recentemente no sul de Londres. Mais de 200 dessas Garrafas das Bruxas já foram descobertas, mas esta peça é a primeira lacrada e com o conteúdo original.

O item foi descoberto em uma escavação realizada em um antigo vilarejo nos arredores de Greenwich. Ela estava enterrada de cabeça para baixo a uma profundidade de 1 metro e meio, acomodada em uma proteção de cortiça. Como a maioria das garrafas usadas para esse fim, tratava-se de um bellamine, um vasilhame de cerâmica reforçado, produzido nos países baixos, trazendo o rosto do Cardeal Roberto Bellarmino (1542–1621). Segundo a tradição Bellarmino era um temido inquisidor, com fama de ser caçador de feiticeiras, ele teve participação na condenação de Giordano Bruno.

Especialistas dataram o objeto como sendo do fim do século XVII.

Garrafas de Bruxa eram itens presentes nas superstições do interior britânico, sobretudo no período Elizabetano, mas peças semelhantes também foram encontradas na Espanha, Portugal e Norte da França. Segundo rumores, até membros da nobreza possuíam garrafas desse tipo, algumas produzidas pelo próprio Dr. John Dee, médico, astrólogo e consultor para o ocultismo da Rainha Elizabeth I.

As garrafas eram objetos encantados que serviriam para desviar, aprisionar e reverter malefícios e maldições lançadas por bruxas. Essas garrafas eram preparadas por indivíduos com conhecimento em feitiçaria (possivelmente também bruxos) que cobravam pelo serviço.

Historicamente a garrafa era preparada através de um ritual no qual ela era enterrada em um barril de sal grosso ou banhada na luz da lua cheia. Em seguida, a pessoa que encomendava a garrafa fornecia o material para ser colocado no interior do objeto: fios de cabelo, urina, gotas de sangue, unhas... esse material era combinado com ervas especiais, temperos, alfinetes, ossos de animais, penas e outros itens usados para afastar o mal.

Segundo o folclore, a garrafa era então enterrada no quintal da pessoa e mantida ali, bem perto a fim de atrair, como um páraraios, os maus fluídos lançados contra ela. Em alguns casos, os indivíduos preferiam esconder a garrafa dentro de casa, em compartimentos secretos, algumas foram descobertas em nichos em paredes e atrás de lareiras. A proteção se manteria enquanto a garrafa estivesse intacta, por isso há um ditado britânico que diz: "Proteger o frasco de quem lhe quer o mal".

A garrafa encontrada em Greenwich continha 12 pregos entortados (um deles atravessando um pedaço de couro cortado na forma de coração), oito alfinetes, 10 fragmentos de unha de um adulto (não de um trabalhador, mas de alguém que usava serviços de manicure, portanto uma pessoa de posses), uma boa quantidade de fios de cabelo (com traços de nicotina, evidenciando um fumante), espinhos, ramos de alecrim e dentes de alho. Uma análise química também encontrou traços de enxofre, urina, sangue, vinho tinto e vinagre no fundo da garrafa.

O objeto foi entregue ao Museu de Greenwich onde ficará em exposição.

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Amuletos de Proteção desse tipo não são totalmente estranhos entre nós.

No Brasil, era muito comum o uso dos chamados patuás. Esses objetos faziam parte do folclore trazido pelos escravos africanos e incorporado pela crença do candomblé. Eles eram usados em volta do pescoço para fechar o corpo contra os maus olhados e feitiços alheios.

Assim como as garrafas das bruxas, os patuás tradicionais continham uma série de ingredientes reunidos em uma bolsinha de couro costurada e presa a uma corda. Para obter a proteção, a pessoa usava o patuá noite e dia, sendo assim uma proteção móvel e permanente. Se não me engano, tem uma estória em que uma bruxa, para fazer mal a um pescador contrata uma mulher para roubar o patuá do sujeito e deixá-lo suscetível a um mau olhado. No final da estória, o cara acaba morrendo afogado afetado pela maldição.

Tudo bem, eu sei que nada disso tem a ver com o Mythos, mas a estória me pareceu muito legal para não ser levada em conta.

Na verdade, depois de ler isso, estava pensando se não poderia haver uma versão Mythos desses amuletos de proteção que ajudaria a pessoa a se proteger de feitiços.

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Criar Garrafa de Eibon (uma nova magia para Cthulhu)

Este item de proteção concede uma espécie de defesa pessoal contra algumas magias e efeitos de feitiços.

Trata-se de um raro e poderoso encantamento, escrito pelo mago Eibon em seu célebre Liber Ivonis (contido também no Livro de Eibon, sua tradução) bem como em outros tomos do Mythos como o Monstres and their Kynde e possivelmente no True Magick de Theophilus Wenn. A magia permite construir um tipo de proteção ao custo de POWER e sanidade, que concede certo grau de resistência a ataques místicos.

O realizador deve preparar um objeto, em geral uma garrafa, depositando em seu interior itens pessoais (unhas, sangue, cabelos...) e uma mistura de ervas e ingredientes descritos no encantamento. A garrafa é selada com cera e ao longo de 30 dias, o feiticeiro deve recitar palavras para ativar a magia, além de desenhar na face da garrafa um Elder Sign. Nesse período ele também sacrifica um ou mais pontos permanentes de POWER (no máximo 3 pontos).

O ritual tem um custo de 1d4 pontos de sanidade por ponto de POW sacrificado na sua criação -- como se o indivíduo depositasse um pouco de sua própria essência na garrafa.

A garrafa é então enterrada ou escondida cuidadosamente na casa ou laboratório do mago.

Cada ponto de POW sacrificado na criação da garrafa, fornecerá 3 pontos em favor do mago para resistir a magias, contanto que a garrafa esteja numa área de no mínimo 100 metros do feiticeiro. Um mago com POW 12, para efeitos de um ataque mágico que demande o uso da Tabela de Resistência (como Shrivelling, Cloud Memory, Clutch of Nyogthta e outras...) será considerado como tendo POW 15.

Esses pontos só são acrescidos para defesas contra ataques místicos, em ataques, o mago não recebe nenhum bônus.

Se a qualquer momento a Garrafa de Proteção for destruída, o personagem perde a proteção e os pontos sacrificados na criação do objeto.

Para Rastro de Cthulhu

A magia tem a mesma função protetora em Rastro de Cthulhu. Os prepartativos e ingredientes são os mesmos.

O feitiço para criar a Garrafa de Eibon demanda um Teste de Estabilidade com Dificuldade 4 (3 com o gasto de um ponto de Ocultismo), o custo para criação também acarreta na perda de 2 pontos de Estabilidade ao concluir a criação do item.

Em termos de jogo, a Garrafa protege a pessoa que a criou dificultando as magias lançadas contra o indivíduo. Magias de ataque que visam ferir, dominar ou controlar a pessoa sob proteção (como Franzir) obrigam o atacante a aumentar a dificuldade do Teste de Estabilidade para realizar a magia em 1 ponto.

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