domingo, 7 de julho de 2013

Mesa Tentacular: "Adios A-Mi-Go" para Deadlands um dos cenários de Savage Worlds (com um toque do Mythos)


Semana passada tivemos mais uma edição do Dungeon Carioca, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

O encontro de RPG reuniu cerca de 100 pessoas e várias mesas de jogo.O tema dessa edição foi Velho Oeste, então nada mais justo do que narrar uma aventura de um dos cenários de RPG mais conhecidos a abordar o tema.

Claro, que estou falando de Deadlands.

Para quem não conhece, Deadlands é uma ambientação que se passa no Oeste Selvagem dos Estados Unidos, quando as fronteiras estavam sendo exploradas e expandidas. O que temos é o tradicional bang-bang com cowboys, bandidos, pistoleiros, índios e soldados, aquelas cidadezinhas empoeiradas no meio do deserto com trens cortando a paisagem e comboios de carroças marchando para o Oeste. Tudo isso em meio a duelos com Colts Peacemaker e Rifles Winchesters atirando para todo lado.

SIM, Deadlands tem tudo isso, mas ao mesmo tempo, é muito mais do que apenas isso.

DEADLANDS é um daqueles jogos antigos que muita gente sequer ouviu falar, mas quem jogou não esquece. Nele o mundo do oeste é subvertido no momento em que um ritual indígena conduzido por um grupo de nativos americanos furiosos com os massacres empreendidos pelo homem branco, liberam o poder do mundo espiritual. O tal ritual indígena faz com que os espíritos malignos, os Manitous sejam libertados e como consequência tudo vira de cabeça para baixo.

Mortos voltam a andar, espíritos malignos possuem animais e os transformam em bestas com sede de sangue, monstros e aberrações vagam por aí e a magia renasce mais forte do que nunca. O que é legal em Deadlands é a noção de como o mundo normal é alterado por esse acontecimento. O jogo leva em consideração a cronologia da história real americana, até o momento em que o Reckoning (o evento que libertou os Manitous), ocorre em 1876. A partir desses acontecimento, tudo muda. A Guerra Civil (entre Norte e Sul) por exemplo, se estende e entra em um impasse, a Corrida do Ouro se torna a corrida por um minério novo que surgiu em decorrência do contato com o mundo espiritual, a Califórnia é destruída em um terremoto que transforma a costa oeste em um arquipélago de pequenas ilhas atacadas por piratas, o México abraça suas raízes astecas e invade o Sul dos Estados Unidos, e assim por diante...

Deadlands é uma ambientação anárquica e divertida ao extremo. Não é um jogo para se levar à sério, ele concede a oportunidade de jogar com um pistoleiro armado com um autêntico revolver six-shooter e atirar em bandidos e criaturas horripilantes. O que pode ser mais divertido do que isso?

Falar sobre Deadlands exigiria um artigo próprio, uma resenha específica dada a riqueza de detalhes e o leque de opções que essa ambientação fornece ao narrador. O jogo propõe tantas opções narrativas que consegue transcender o gênero western, inserindo de tudo nessa salada mista: desde alienígenas, passando por piratas, kung-fu, magia vudu e até hordas de zumbis canibais. Em outra oportunidade prometo fazer uma resenha completa - possivelmente quando a Editora Retropunk liberar os livros de Deadlands que foi uma das recompensa para quem comprou o Savage Worlds em financiamento coletivo ano passado. Aliás, espero que eles lancem esse livro para venda também, porque ele é tudo de bom e o pessoal merece conhecer!

Muita gente que jogou o antigo Deadlands achava as regras um tantinho complicadas. Bom, o jogo tinha um sistema próprio que misturava dados, cartas de baralho e fichas de pôquer (tudo isso para dar um clima de mesa de saloon) e no fim das contas era realmente um bocado confuso.

Mas isso são águas passadas. Para quem não sabe, foi com base em uma versão mais enxuta de Deadlands que a Pinnacle (a empresa responsável pelo jogo) criou o sistema Savage Worlds. O SW, nada mais é do que as regras do Deadlands com as arestas devidamente aparadas e transformadas em um sistema genérico onde você pode encaixar cenários de western, medieval, de fantasia ou futurista.

Quando o velho Deadlands foi relançado com as regras do Savage World, ele se tornou "Deadlands - Reloaded" e virou um baita de um jogo.

A ambientação é basicamente a mesma, mas o jogo ganhou regras bem mais ágeis, fluidas e rapidez de resolução condizente com a proposta de ser um sistema "Fast! Fun! Furious! (Rápido, divertido e furioso). Eu simplesmente adorei o sistema SW, ele oferece várias opções de jogos (com excelente livros) e posso dizer que para Deadlands, ele funciona perfeitamente.

Mas essa longa introdução (UFA!) é para falar do jogo de domingo passado.

Eu narrei um cenário do Deadlands antigo, que adaptei com uma nova roupagem para o Reloaded. Trata-se de uma aventura chamada "ADIOS A-MI-GO!"

Antes que perguntem, é claro que a brincadeira é proposital! O "Mi-Go" no final, se refere aos misteriosos Fungos de Yuggoth devidamente transportados para o Universo do Weird West (Oeste Bizarro). Como eu disse, a ambientação é uma salada mista onde praticamente qualquer elemento de horror pode ser conjugado. Nesse caso, o Mythos de Cthulhu através de uma de suas criaturas mais conhecidas.

"Adios A-Mi-Go" inclusive é um suplemento com regras para jogar em Deadlands ou Call of Cthulhu. Isso mesmo! O suplemento possui regras para o mestre escolher em que cenário narrar. Tanto que nessa edição do Dungeon Carioca, nosso colega Thiago Queiroz narrou a mesma aventura usando as regras de Call of Cthulhu.

Tomei a liberdade de mudar alguns elementos do roteiro e fazer com que os personagens entrassem na aventura de forma diferente. Eles deveriam ser homens da lei, mas preferi uma abordagem mais marginal (literalmente!), de modo que eles se tornaram bandoleiros procurados pela justiça.

No início da aventura o bando está em fuga. Um assalto a um banco na cidade de Tombstone acaba se transformando em um inferno com chumbo grosso voando para todo lado. Tarde demais, o bando descobre que caiu em uma emboscada e tem que abrir caminho à bala. Dos membros da gangue do Royal Flush, apenas os cinco personagens dos jogadores conseguem escapar.

A caminho da fronteira com o México e perseguidos por caçadores de recompensa, eles são colhidos por uma misteriosa tempestade de areia e quando o dia amanhece se vêem nos arredores de uma cidadezinha chamada Nova Jerusalém no meio do nada.

Na cidade eles descobrem que algo estranho está acontecendo. Os habitantes parecem agir de forma estranha, sorrindo de modo idiota como se estivessem em uma espécie de transe. Perguntas não são respondidas à contento, dúvidas surgem e logo um arrepio corre pela nuca dos pistoleiros. O pior é que quando eles querem dar o fora, descobrem que não podem sair de Nova Jerusalém.

E é aí que as coisas começam a esquentar para o grupo de audazes foras da lei. Eles descobrem que há coisas muito piores no deserto do que eles mesmos... resta saber se eles vão sair vivos da encrenca em que se meteram.

É claro que eu estou sendo muito vago na descrição da aventura! Pretendo narrar ela de novo em um futuro próximo e nesse caso, melhor não estragar a diversão alheia. "Adios A-Mi-Go" é muito bacana para ficar em apenas um jogo.

Bom, aqui estão algumas fotos do jogo e dos props da aventura:

Início do jogo, mesa  Iniciantes em Deadlands, primeira aventura de todo mundo.


Final da aventura e todo mundo mais pra lá do que pra cá!
As Fichas e Props:

O material promocional do Savage Worlds da Retropunk
Fiz umas miniaturas de papel para facilitar o jogo
Eu adoro esse baralho de iniciativa, é muito útil e dá um colorido na aventura. Para o Huckster (Mago das Cartas) da aventura eu usei o baralho do Cassino R'Lyeh. 
Os Cinco Procurados da aventura: o pistoleiro Jack "Martelo" Caleb, o hexslinger Nate Dinsdale, a ladra Synthia "Sin" Cranshaw, o jovem Josh "The Kid" Reilley e o maníaco Bart Ironhorn
A ficha eu achei na internet, bem prática e funcional.
Em Deadlands, a "poção de cura" tinha que ser algo especial. No caso "tequila" Brand-New-Sin (uma nova marca de pecado). Para curar seu cowpoke, os jogadores tinham de beber um gole.
Mas não se preocupe. Como "Tequila no és Bueno" em uma mesa de jogo, usei Chá.
Adiós amigos! Até a próxima!

6 comentários:

  1. Pena que moro longe, queria ter participado.
    uma pergunta, como vc fez aquelas bases para as miniaturas?

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  2. Amigo, onde tu conseguiu essas bases para miniaturas? Abraço!

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  3. Opa pessoal,

    As bases de miniatura vieram do jogo de tabuleiro Arkham Horror e do Warhammer. Eu faço a impressão das imagens no tamanho 4x3 e colo em um papelão mais grosso para firmar na base. Mas é possível fazer uma base semelhante usando isopor. Basta cortar o isopor em quadrados, fazer um sulco para inserir a figura e colocar um peso para sustentação. Já usei esse método para D&D e o resultado foi muito bom.

    É bem mais barato do que comprar miniaturas e você pode fazer praticamente qualquer personagem, bastando pesquisar na internet imagens condizentes.

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  4. Vocês costumam jogar em outras ocasiões além destes eventos? Abraços.

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  5. Sou de MS e todos os dias acesso o mundo tentacular..
    Gostaria de saber se pode disponibilizar os Props por e-mail ?
    Ajudariam muito em uma aventura nesse estilo que estou montando.
    Caso nao seja possivel, poderia me informar aonde acho algumas como as planilhas ou os cards ?

    Grato.

    Att. Kosh

    (rudycgms@hotmail.com

    Cheers!

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  6. Muito boa essa aventura. Superprodução Total! Estou nessa primeira foto aí.

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