terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

E ainda Mais Lugares Malditos e Malignos na Austrália - A Lenda da Piscina do Diabo e seu Fantasma Assassino

 

Seguindo adiante pela Bruce Highway, 60 km ao sul de Cairns, no norte de Queensland, três riachos descem do topo do Monte Bartle Frere, serpenteiam por uma floresta tropical intocada e convergem entre grandes rochas perto de uma cidadezinha discreta chamada Babinda. O que ficou conhecido como Rochas de Babinda é famoso pelas águas cristalinas e convidativas dos riachos e pela beleza natural idílica e pitoresca que o cerca, o que atrai multidões de turistas todos os anos. Mas nem tudo é o que parece... 

O que muitos fotógrafos, campistas e viajantes que frequentam este local tranquilo, assim como os nadadores que se aventuram nas partes mais calmas da piscina natural, não sabem é que o lugar também é conhecido por outro apelido, muito mais sinistro: "Piscina do Diabo". Temido pelos aborígenes da região há séculos, talvez com razão, este é um lugar há muito tempo associado à morte, presságios e uma reputação sombria.

Os povos nativos da região evitam o lago de aparência enganosamente tranquila, por conta de uma lenda aborígine particularmente trágica. Segundo a sombria história, havia uma jovem e bela mulher da tribo Yidinji chamada Oolana, que se casou com um respeitado ancião tribal chamado Waroonoo. Quando conheceu um jovem bonito de outra tribo, ela iniciou um caso tórrido, fugindo para o deserto com seu novo amante. Infelizmente para ela, o marido traído era um homem poderoso dentro de sua tribo e enviou grupos de busca para caçar o casal e pôr fim ao seu caso extraconjugal. Quando finalmente foram cercados e separados nas Rochas de Babinda, diz-se que Oolana se jogou na água e se afogou em vez de enfrentar uma vida triste sem seu verdadeiro amor. De acordo com os contos aborígenes, ela nunca realmente partiu e ainda ronda essas águas, buscando atrair jovens para seu túmulo aquático.


Essa lenda tornou-se notória porque, ao longo dos anos, um grande número de jovens encontrou a morte misteriosamente neste local. Desde 1959, pelo menos 17 pessoas, e ainda mais em antigos recortes de jornais, se afogaram ali em circunstâncias decididamente estranhas. Em muitos casos, as vítimas são puxadas e submersas com força, como que por mãos invisíveis. Diz-se que o local é particularmente agressivo com homens e com aqueles que desrespeitam a piscina de alguma forma. 

Em uma história, um jovem que visitava a área escorregou, caiu em uma piscina profunda e se afogou em poucos minutos. Outras mortes misteriosas aqui não são tão claras, como a de Peter McGann, de 24 anos, que em 1979 estava escalando uma rocha, pulou um pequeno vão e escorregou, caindo na água abaixo e simplesmente desaparecendo sem deixar vestígios. Foram necessárias mais de cinco semanas de equipes de mergulhadores para finalmente encontrar seu corpo submerso na escuridão do fundo da piscina. Um dos socorristas que ajudou nas buscas, o mergulhador da polícia Peter Tibbs, descreveu a cena da seguinte forma:

“Fui chamado quatro vezes para tentar encontrar corpos lá embaixo, mas um dos casos mais interessantes foi o de um jovem chamado Patrick McGann. Sabíamos que ele estava lá, mas não conseguíamos chegar até o corpo porque a água era muito fria, muito profunda e a correnteza muito forte. Então, descemos oito ou dez vezes e, finalmente, conseguimos cortar os troncos que bloqueavam o caminho debaixo d'água. No último dia, depois de quase termos desistido, cortamos o último tronco que estava na calha e o corpo flutuou livremente. Isso aconteceu cinco semanas e cinco dias depois do seu desaparecimento, então não foi uma cena bonita, mas foi um grande alívio retirar o corpo e tranquilizar a família.”

Houve também o caso de um jovem casal que foi arrastado por uma enchente repentina no local enquanto admiravam a vista. Os dois foram lançados por uma enxurrada repentina na piscina e imediatamente afundaram em suas águas, como se uma força exercesse pressão sobre ambos. A mulher sobreviveu, mas o homem nunca mais foi visto. 


Talvez o relato mais recente e dramático de uma morte misteriosa na Piscina do Diabo seja o de James Bennett, um marinheiro da Tasmânia de 23 anos, que estava explorando a área com alguns amigos em 2010. O grupo pulou uma grade de segurança para sentar em uma piscina natural de água, conhecida localmente como "Máquina de Lavar". Segundo um dos amigos de James, ele estava nadando em uma área calma próxima quando foi violentamente puxado para trás, como se por "uma mão invisível", que parecia arrastá-lo de volta para uma seção de água agitada no fundo da piscina. James então teria tentado agarrar um galho, que se partiu, fazendo com que sua cabeça submergisse. Ele ficou ali, suspenso na água, sem motivo aparente, com apenas as pontas dos dedos para fora da superfície, lutando para respirar.

Ele permaneceu assim enquanto seus amigos tentavam alcançá-lo, estendendo as pernas, antes de afundar novamente. O corpo de James Bennett só foi encontrado três dias depois, boiando em um trecho mais calmo do riacho. A maior parte da área agora está interditada, embora o local convidativo continue atraindo visitantes. Uma placa foi erguida em sua homenagem, com a sinistra inscrição: 

"Ele veio para uma visita e ficou para sempre". 

Incidentes trágicos como esse são tão frequentes que, ao longo dos anos, foram instaladas diversas grades e placas de advertência para indicar os locais seguros para nadar. O motivo pelo qual tantas pessoas se afogam repentinamente nas piscinas naturais, em sua maioria calmas, varia bastante de pessoa para pessoa. As autoridades dirão que tudo se deve à correnteza forte, enchentes repentinas ou correntes descontroladas provocadas pelo curso natural do riacho e pelas pedras que o pontilham. Isso, por sua vez, pode puxar as pessoas para baixo e prendê-las contra as rochas ou sob troncos submersos, afogando-as de uma forma que poderia muito bem ser testemunhada como uma espécie de força misteriosa e invisível. A alta oxigenação da água também não favorece os nadadores, e tudo isso torna as condições nas áreas interditadas difíceis de navegar até mesmo para os nadadores mais experientes. De fato, até mesmo os mergulhadores que entraram na piscina para procurar corpos se depararam com condições aquáticas assustadoras em alguns momentos, apesar de geralmente estarem firmemente presos à margem por cordas. Um funcionário local comentou sobre os perigos da piscina:

É um lugar estranho. As águas são calmas, mas de repente começam a se agitar e girar sem parar. É toda cheia de bolhas, então não há flutuabilidade. É uma água perigosa. Ela te suga para baixo. Sempre se vê gente nadando nos buracos perigosos. O mais estranho é que a água fica gelada de repente... num instante ela tem uma temperatura normal, mas no seguinte fica congelante.


No entanto, muitos apontam para o fato de que nem todas essas mortes foram resultado de natação, com algumas pessoas escorregando e caindo na água sem motivo aparente, e quase todas eram homens, 16 de 17 no total, para ser exato. Indivíduos que sofreram acidentes não fatais contaram que sentiram uma força que os empurrou na água e em seguida tentou avidamente puxá-los para baixo. Essa força não pode ser descrita como nada a não ser sobrenatural em essência. 

Alguns consideram essa uma evidência de que talvez as lendas aborígenes sobre a piscina sejam verdadeiras, pelo menos em parte, e o mistério só aumenta com os diversos relatos de uma voz feminina incorpórea ecoando na noite e até mesmo fotos que supostamente mostram olhos fantasmagóricos, rostos e outras imagens inexplicáveis ​​espreitando sob a água. Muitos dos indivíduos que conseguiram sobreviver à traumática experiência descreveram uma forma feminina na água enquanto eles se afogavam: uma forma que os forçava a afundar e que desejava matá-los. Jeriome Boldricce, de 23 anos sofreu um acidente quase fatal na piscina em 2016 e descreveu o acontecimento da seguinte maneira:

"Eu sei o que muitas pessoas vão dizer: "foi tudo imaginação" ou "ele estava lutando pela vida, deve ter se confundido", mas eu sei o que aconteceu. Eu não cai na água, eu fui empurrado! Senti mãos humanas me empurrando e quando caí na água, sabia que não estava sozinho. Havia algo comigo, algo responsável pela minha queda e que queria me matar. Eu senti os dedos frios me puxando e um peso forçando para baixo. Senti que uma forma invisível fez de tudo para que eu não conseguisse sair daquela piscina natural. Tive sorte pois meus colegas atiraram uma corda e me puxaram para fora. Quando me retiraram da água eu estava quase congelado e haviam marcar arroxeadas nas minhas costas, nos ombros e nos calcanhares, exatamente onde senti estar sendo puxado. Tive hipotermia e cãimbras que me acompanham até hoje e sonho recorrentemente com aquilo. Nunca mais fui capaz de entrar em uma piscina sem sentir pânico. Eu sei o que aconteceu, sei que não estava sozinho e que aquilo queria que eu morresse". 

A lenda do Fantasma de Oolana, um espectro vingativo que tenta matar as pessoas ganhou força ao longo dos anos tornando-se muito famosa. Sensitivos e parapsicólogos em visita a Piscina do Diabo concordaram que a área inteira possui uma fortíssima energia negativa e uma aura de tristeza e ressentimento latentes. Trata-se, afinal de contas, de um lugar onde pessoas perderam suas vidas de maneira repentina e violenta, mas parece haver algo mais. Uma presença que alguns são capazes de sentir claramente. A Oolana, ou Dama das Águas, é tratada como uma assombração bastante conhecida, possivelmente a manifestação fantasmagórica mais famosa de toda Austrália.

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Ao longo destes artigos acompanhamos estranhos relatos e lendas de uma terra exótica e repleta de perigos. São mitos entrelaçados com histórias modernas de fantasmas e respaldados por mortes estranhas, criaturas bizarras e animais desconhecidos. Essas narrativas tornam difícil distinguir o que é real do que é pura lenda. Independentemente de se acreditar ou não, é difícil não se perguntar se este não seria um daqueles lugares impregnados por algum tipo de energia maligna. Seria tudo resultado de fenômenos naturais ou algo mais? O mistério dessa terra permanece.

Há alguma verdade nos casos que relatamos nessa série? Ou todos esses relatos são fruto de exagero e imaginação por parte das testemunhas e noticiários sensacionalistas? É interessante pensar na ideia de que um lugar possa ser permeado por forças além da nossa compreensão, ou que eventos trágicos possam, de alguma forma, se fixar em um local como uma voz numa gravação. Independentemente de ser real ou imaginário, alguns lugares da Austrália nos fazem questionar se forças misteriosas e perigosas estão agindo. 

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