sábado, 14 de dezembro de 2019

Pavor Indescritível - A Coisa sem Nome de Berkeley Square


Existem casos estranhos nos domínios do Paranormal que são realmente difíceis de classificar. Por vezes é difícil dizer se estamos diante de um incidente envolvendo um fantasma, uma forma de vida alienígena ou algo totalmente diferente capaz de desafiar nossas concepções do universo. Tais narrativas estarrecedoras são repletas de mistérios e questionamentos, geralmente acompanhadas de fatos inexplicáveis e situações históricas conflituosas. São tão complexos que parece impossível dissociar fantástico e real, plausível e inviável. 

Entre as estranhas histórias no reino do bizarro existe uma que merece destaque. Ela envolve uma construção peculiar no centro da metrópole de Londres, em uma vizinhança antiga, numa área nobre. Lá, os londrinos aprenderam a temer uma criatura desconhecida, algo que supostamente habita esse prédio como uma presença aterradora que não pertence a essa realidade. Ela utilizava esse local aparentemente inocente como seu covil, seu esconderijo e talvez sua área de caça.

A série de eventos que deu origem à lenda tem início em um lugar chamado Berkley Square, que se localiza em Mayfair, bem no coração de Londres. A região é parte da Londres histórica, marco original da fundação da cidade que cresceu a partir desse ponto, transformando-se em um dos maiores centros urbanos da Europa e do Mundo. No século XVIII a área passou por uma profunda reurbanização comandada pelo idealista arquiteto William Kent. Ele colocou abaixo velhas casas, algumas do século XIII, com o intuito de revitalizar a região. O objetivo de Kent era tornar Mayfair um lugar atraente para uma nova vizinhança de ricos. Seu conceito era o de erguer propriedades que seriam símbolo de opulência e luxo e receberiam as famílias de novos ricos e bem sucedidos empreendedores do Império. Nomes tradicionais como Canning e Churchill foram atraídos de imediato.

Ainda assim, esse lugar de riqueza e poder estava fadado a ganhar uma sinistra reputação como um endereço assombrado por algo além da compreensão humana. E tudo tem início no número 50, um prédio de tijolos de quatro andares bem no centro de um aconchegante largo que enseja numa praça.


O lugar sempre teve uma fama estranha, como lembravam os antigos moradores que habitavam a área bem antes da revitalização pretendida por Kent. Havia rumores de que algo peculiar costumava acontecer naquela área em particular, uma sensação de estranheza difícil de se explicar, mas impossível de ignorar. Era um lugar que inspirava muitas sensações, quase todas desagradáveis.

Quando o prédio começou a ser erguido em meados de 1820, houve alguns boatos deveras curiosos. Alguns operários comentavam que o endereço tinha uma aura inoportuna, que os fazia desejar completar logo o serviço e se afastar dali antes do cair da noite. Os homens falavam de ruídos estranhos e de coisas que pareciam mudar de lugar. Acidentes abundavam, nem todos com uma explicação razoável para terem ocorrido. Mais de um homem caiu ou se feriu gravemente apenas por não conseguir manter a atenção durante o serviço. Algo parecia distraí-los: algo que não era natural. 

Comentavam de um cheiro nauseante que parecia brotar das saídas de esgoto que rescendiam com um fedor pungente e difícil de identificar. Não era o cheiro de esgoto, como seria de se esperar, mas um odor adocicado, como os de frutas passadas que tivessem ficado demasiadamente no sol. Aqueles que habitavam a vizinhança anteriormente conheciam esse cheiro e sabiam que nos meses de verão ele se intensificava e por vezes se tornava quase insuportável. Era uma espécie de senha; quando o fedor beirava o insuportável, eles deixavam suas casas e procuravam dormir em outro lugar. Alguns relacionavam o auge desse fedor com estranhos desaparecimentos de animais domésticos e até pequenas crianças deixadas sem cuidados. Mas nem todos acreditavam naquelas histórias...

Os operários, por sua vez, concluíram o trabalho e entregaram o prédio de tijolos no número 50, ainda que os retoques finais tenham sido conduzidos à toque de caixa. Ninguém mais tinha estômago para ficar ali. Uma vez pronto, várias famílias tentaram viver no domicílio, mas notoriamente ninguém se mantinha por muito tempo. Era difícil explicar, mas as pessoas atraídas pela charmosa fachada do prédio acabavam rapidamente desgostosas com ele, e como se tomadas por uma estranha compulsão passavam o imóvel adiante por uma ninharia. Em 1840, o endereço já havia tido vários moradores, sendo que aqueles que resistiram por mais tempo, não ficavam lá por mais de dois anos. Atribuíam ao local uma aura tristonha, sombria e desagradável, enquanto outros afirmavam categoricamente que fantasmas e goblins habitavam atrás de suas paredes.


Nessa época, um jovem de família ilustre chamado Robert Warboys ouviu as histórias sobre o prédio maldito da Berkley Square. Um amigo de bebedeira comentou numa mesa de bar que um conhecido havia sido convidado a passar alguns dias no endereço. Logo na primeira noite no prédio ele foi acometido de um terror petrificante que o fez deixar o local no meio da madrugada, temendo pela sua vida e sua sanidade se passasse ali mais um minuto sequer. 

"Tolice" disse Warboys reputando as histórias à idiotas supersticiosos. Seu colega então o desafiou a tentar a sorte no lugar, dizendo que se ele não acreditava nas histórias contadas a respeito do prédio, nada teria a temer passando uma noite lá. O local estava vazio e o senhorio responsável pelo imóvel poderia ser persuadido a ceder a chave por um final de semana. O desafio consistia em Warboys ocupar o segundo andar do prédio, considerado por quem conhecia as histórias como o mais temido.  

Sentindo-se desafiado, Warboys aceitou a proposta. Arranjos foram feitos com o senhorio que detinha as chaves e aceitou cedê-las mediante algumas moedas e a promessa de que o rapaz não danificaria a propriedade. O acordo é que ele ficasse lá por um final de semana, entrando na tarde de sexta-feira e deixando o prédio apenas na segunda pela manhã. 

O senhorio tentou dissuadir o jovem, afirmando que era uma má ideia e que ele próprio evitava visitar a propriedade depois do cair da noite. Temia sobremaneira a noção de entrar no prédio no escuro, visto que, mesmo durante o dia, ele já era suficientemente sinistro. Quando Warboys afirmou que não daria ouvidos a boatos, o senhorio fez dois pedidos: que o rapaz levasse consigo uma pistola e que mantivesse uma corda atada a um sino no exterior da casa. Assim, se algo estranho acontecesse no interior, ele poderia pedir por socorro aos vizinhos. Ainda cético, Warboys acabou aceitando os conselhos do senhorio carregando consigo uma arma de fogo e verificando a corda presa ao sino do lado de fora.


Warboys chegou à casa no final da tarde, conforme combinado. O lugar tinha a tal aura desagradável, isso ele teve de reconhecer. Um estranho miasma mau-cheiroso parecia emanar da propriedade, como se ali tivesse ocorrido recentemente uma feira na qual frutas tivessem sido abandonadas. O rapaz torceu o nariz, mas de posse das chaves entrou na casa para fazer um reconhecimento.

O lugar era realmente sinistro, com paredes irregulares, escadas com degraus desalinhados e espaços que pareciam mais frios ou úmidos que outros. Era pouco convidativa e ainda menos salubre por dentro, quanto mais, para um rapaz nascido em berço de ouro. Robert cogitou desistir do intento, já que o lugar não parecia oferecer condições dele pernoitar com o mínimo de conforto. Contudo, no segundo pavimento, onde ele deveria passar a noite, encontrou um leito com roupa de cama limpa e uma lareira convidativa. Era o suficiente para que ele passasse a noite.

Pouco se sabe a respeito do que aconteceu então. Warboys com certeza acendeu a lareira, ainda que fosse uma noite quente de verão e arrumou o aposento para que ficasse mais aconchegante, contudo, por volta das duas da manhã daquele sábado o sino instalado pelo senhorio começou a tocar insistentemente quebrando o silêncio da madrugada. Os vizinhos se levantaram assustados temendo que pudesse ser um alerta de incêndio, mas então ouviu-se um tiro sendo disparado e a janela do segundo andar se despedaçou. Isso ajudou a despertar os homens que ainda se perguntavam o que acontecia e os motivou a arrombar a porta da frente. O cheiro no interior da casa era nauseante e parecia vir do segundo pavimento, de onde também ouvia-se um ruído desagradável de sucção ou de algo molhado respingando.


Quando os homens fizeram menção de subir, viram o jovem Robert Warboys surgir no topo e disparar duas vezes em algo oculto na escuridão do segundo pavimento. Então, antes que qualquer coisa pudesse ser dita ou feita, o rapaz caiu ou foi empurrado daquele ponto, rolando as escadas vindo a aterrizar aos pés dos recém chegados. Seu pescoço estava quebrado e a expressão de sua face era a de uma máscara contorcida pelo mais profundo pavor. Algo o havia assustado até a morte!

Os homens ouviram um ruído medonho de algo se arrastando na escuridão perene, um som de uma coisa grande e molhada se movendo e se sentiram tomados de um horror inenarrável. Tomaram o corpo já sem vida do rapaz e deixaram a casa sem olhar para o que quer que estivesse lá em cima.

Ninguém jamais soube o que provocou a morte de Warboys, mas muitos questionaram as estranhas marcas de sucção em seu corpo, em especial na face que apresentava sinais vermelhos e arredondados. Alguém sugeriu que poderiam ser ventosas, mas a maioria preferiu não se manifestar a respeito. O rapaz não tinha sinais de ferimento, além do pescoço quebrado, mas os olhos arregalados e a boca semi-aberta em um hirto apontavam para um grande susto. O que era a coisa que se arrastava no segundo andar e que sons de gorgolejo eram aqueles que ela produzia, ninguém soube dizer. 

Quando finalmente alguém reuniu coragem de subir e avaliar com os próprios olhos, não achou viva alma. Havia uma substância transparente pegajosa no chão e nas paredes mas nada de estranho além de uma cadeira caída e da cama revirada. O fedor de frutas podres, no entanto, era insuportável na propriedade, impregnando cada canto.

A lenda sobre aquele lugar maligno apenas cresceu depois daquela noite de pesadelos. Vizinhos não queriam mais morar ali e as pessoas olhavam para o endereço com um misto de apreensão e fascínio imaginando que estranha entidade habitava o interior daquele prédio. Testemunhas que residiam nas imediações comentavam então sobre velhas lendas contadas por suas avós e pelas avós destas, sobre uma coisa sem forma que sempre habitou aquela quadra maldita e que quando o prédio foi erguido buscou nele refúgio. Havia muitas teorias sobre a forma da amaldiçoada coisa. Para alguns era uma bolha amorfa de escuridão que escorria ruidosamente pelo chão. Outros afirmavam que ela parecia um homem sem pernas que se arrastava impelindo o corpo com braços musculosos e uma boca matraqueante. Também haviam os que reputavam ao monstro características de um imenso crustáceo ou inseto, dotado de antenas, quelíceras e pinças que estalavam sem parar.


Seja lá o que fosse a coisa, ela tinha uma capacidade sobrenatural de despertar um terror incontrolável em quem a encontrava frente a frente. As pessoas afirmavam que meramente se deparar com a coisa sem nome seria o bastante para causar uma onda de pavor. Como exemplo relatavam o lamentável destino de uma moça contratada certa vez para fazer a faxina na casa. Ela aceitara a tarefa sem saber da horrenda reputação do lugar. Foi encontrada na rua, após seus gritos atraírem alguns corajosos para ver do que se tratava. A moça aterrorizada, gritava sem parar, arrancando os próprios cabelos em um frenesi de auto-mutilação. Dizem que acabou internada em um manicômio onde gritou até o dia que conseguiu surrupiar uma navalha e por um fim ao seu sofrimento.

Outro rumor dava conta de um alegado ocultista envolvido com o estudo do paranormal que em meados de 1870 ousou adentrar a Casa de Berkley Square. Teria passado duas semanas inteiras no lugar, realizando sessões para contatar o outro lado. Certa noite, sem aviso, saltou do segundo andar através da janela de vidro indo se espatifar no pátio em frente. Estava morto e seja lá o que o impeliu a saltar para a morte sumiu sem deixar rastro. Na casa, restava o familiar fedor de fruta podre.    

Semelhante ao que se passou com Warboys, outro jovem de nome Lord Lyttleton decidiu testar sua bravura passando uma noite no sótão da casa maldita em 1879. O rapaz sobreviveu a um encontro com a coisa sem nome, mas sua descrição do que afirmava ter visto colocava em cheque a sua razão. A descreveu como uma enorme criatura marinha, uma espécie de polvo de cor castanha brilhante com múltiplos tentáculos. Se arrastava pelo chão lançando os extensos pseudópodes repletos de ventosas que ao agarrar-se a alguma coisa sólida o puxava vigorosamente. A coisa deixava um rastro molhado, espalhando, após sua passagem, uma substância pegajosa de onde emanava o fedor pelo qual a casa já era conhecida.

Essa descrição em particular se tornou comum entre os que afirmavam ter visto a coisa.  Era um tipo de octopus globular, com características bizarras e desconcertantes. Um único olhos branco purulento adornava sua enorme cabeça parecida com um balão parcialmente inflado. Sua carne molhada e com consistência esponjosa gotejava e aqueles medonhos tentáculos se esticavam para agarrar o que fossem capaz de tocar. 

Seja lá o que fosse a coisa, monstro aterrorizante ou fruto de imaginação super-excitada, a Coisa sem Nome continuou gerando narrativas fantásticas ao longo das décadas que se seguiram. O mistério permanecia. O horror na casa assombrada em Mayfair pode ser recapitulado em poucas palavras: a casa é o lar de uma coisa aterrorizante que não pode pertencer a esse mundo, algo cuja aparência constitui um perigo para a mente e é capaz de estilhaçar a razão de quem a vê. Uma garota viu e sentiu um pavor incontrolável, um ocultista a encontrou e se atirou pela janela, um rapaz cético teve o azar de confrontá-la e pagou por sua impetuosidade.  

Na virada do século um cavalheiro que desejava provar que os boatos não tinham fundamento dormiu no segundo andar. Na manhã seguinte quando o chamaram não havia ninguém para responder pois ele havia desaparecido desse mundo para jamais ser visto novamente. O cheiro pungente podia ser sentido, impregnado as paredes e a cama umedecida por uma substância pegajosa.

A casa teria ficado fechada então, lacrada e evitada por todos que tinham juízo. Por sua vez estes alertavam aos que tinham menos senso a respeito do horror que lá espreitava. Por vezes as pessoas se convenciam das histórias, mas ocasionalmente alguém entrava determinado a provar seu ponto. Alguns saíam incólumes, outros, sumiam para sempre.


Não se sabe se por conta do endereço pavoroso ou outras circunstâncias aviltantes, a vizinhança de Mayfair decaiu e foi se tornando gradualmente menos e menos atraente. Os ricos partiram procurando áreas mais valorizadas na cidade. Deixaram para trás seus palacetes e estes caíram em desuso regredindo a condição de ruínas ou se convertendo em cortiços baratos habitados por toda ordem de ralé.

Em 1916 temos um dos mais curiosos incidentes ocorridos no local, quando dois marinheiros que atendiam pelos nomes de Robert Martin e Edward Blunden estavam de passagem por Londres. Seu navio, o Penelope, havia atracado no porto para reparos após atingir uma mina. Durante sua estadia eles acabaram aceitando a proposta de um colega que lhes ofereceu um lugar onde podiam passar a noite por um custo barato. Sem conhecer a cidade, acabaram indo parar no então decrépito e deserto  número 50 da Berkeley Square, exatamente o aposento no segundo andar.

No meio da madrugada os dois foram acordados por algo grande se movendo pelo quarto, algo que criava "ruídos molhados" e que fazia as tábuas do assoalho ranger e gemer. Quando Blunden tentou descobrir o que era riscando um fósforo para quebrar a escuridão se deparou com uma massa amorfa e pulsante que se espalhava pelo chão. Os gritos acordaram Martin que tinha uma lanterna e a acendeu imediatamente. A coisa estava dentro do quarto e espalhava tentáculos em todas direções tentando agarrar os dois marinheiros. Martin foi puxado com força por um desses tentáculos que segurou sua perna e o atirou no chão. Ao ver o colega caído, Blunden tentou livrá-lo, mas a coisa lançou outro braço que agarrou seu pescoço e começou a apertar com força. Martin conseguiu por milagre se desvencilhar do toque pegajoso da coisa e meio que correu, meio que rolou escada abaixo em fuga desabalada.  

Dependendo de qual a fonte consultada, um policial encontrou Martin que estava em desespero na rua. O marinheiro contou o que havia acontecido e conseguiu convencer o policial a ir com ele até o prédio. A porta estava aberta e o cheiro de frutas podres era quase insuportável. Uma versão conta que encontraram o corpo de Blunden despedaçado, como se tivesse sido apertado até o ponto de estourar. Outra versão diz que apesar das óbvias marcas de sangue, não havia sinal de corpo no aposento. A coisa teria desaparecido levando o marinheiro consigo.


Avistamentos e incidentes se tornaram recorrentes nos anos seguintes, em especial no notório aposento do segundo andar. Isso continuou até 1930, quando um sujeito chamado Ed Maggs comprou o prédio e realizou uma extensiva obra que visava remodelar tanto a fachada quanto o interior. Ele planejava transformar o local em uma livraria e loja de antiguidades. Chamado de Maggs Brothers, a loja continuou em funcionamento até 2015. Como explicar que o lugar tenha sido pacificado e a coisa tenha desaparecido desde então?

Diz a lenda que quando Maggs se mudou para o prédio, encontrou ao longo das reformas um acesso estreito que levava do porão ao segundo andar. Por sua vez, no porão, junto dos alicerces do prédio descobriram uma espécie de túnel feito de pedra bem mais antiga. Este túnel parecia conduzir para um tipo de poço profundo e imerso na mais completa escuridão. O túnel estava coberto por uma substância limosa como o rastro de uma lesma e rescindia com um enjoativo fedor de frutas. Supostamente Maggs e o mestre de obras traçaram um plano para lacrar aquele túnel com tijolos, cimento e concreto. Por vezes os operários incumbidos de levantar a parede afirmaram ter ouvido estranhos ruídos vindo do túnel, mas por sorte, nada subiu através dele.

A resistente parede de concreto armado foi erguida e uma cruz pregada nela para conservar seja lá o que estivesse preso no interior, confinado pela eternidade. Embora não tenham havido novos incidentes estranhos, o prédio jamais perdeu a sua reputação e ainda é tido como um dos lugares mais assombrados de Londres. 

Mas o que seria aquela misteriosa criatura? Será que ela teria morrido ou ainda estaria viva em algum lugar nas profundezas?

Há muitas teorias a respeito da criatura que passou a ser chamada de "A Coisa sem Nome de Berkley Square". Uma delas é que seria uma assombração extremamente poderosa, capaz de assumir formas assustadoras para assim se valer do medo das pessoas. Dessa forma, conjurando os maiores medos de alguém ela teria sempre uma vantagem sobre aqueles que invadiam seus domínios.


Mas há teorias mais curiosas e que ironicamente parecem se encaixar ainda melhor na narrativa. Uma delas afirma que a casa seria uma espécie de ponto de contato entre diferentes "Realidades ou Dimensões", através da qual criaturas não humanas poderiam entrar e sair de nosso mundo. A noção não é nova, existem teorias sobre localidades assim em todo mudo, embora não se saiba exatamente porque esse fenômeno se manifesta ou em que condições. Isso explicaria como a coisa conseguia aparecer e depois sumir sem deixar qualquer sinal de sua passagem, muitas vezes carregando consigo alguma presa que acabara de ser abatida. 

Também existia a teoria de que a criatura havia sido de alguma maneira conjurada para a nossa realidade por algum tipo de feitiço que a mantinha presa nas fundações do prédio. Essa teoria ganha força quando alguns defendem que os operários descreveram na entrada do túnel por eles lacrado, estranhos símbolos cabalísticos. O túnel nesse caso seria uma espécie de covil para uma besta mágica invocada através de feitiçaria e capturada nas profundezas. Os defensores dessa teoria alegam que Mayfair era conhecida na Idade Média por atrair bruxos e feiticeiros que se tornaram notórios. Teria um cabal de feiticeiras conjurado uma entidade das profundezas para servi-las? Teria essa coisa continuado a existir por séculos, emergindo de seu esconderijo de tempos em tempos, quando sentia fome ou captava a presença de vítimas em potencial?

Então há aqueles que buscam uma explicação menos metafísica, acreditando que a Coisa fosse um criptídeo desconhecido, uma espécie de polvo de terra firme que havia conseguido sobreviver incólume, escondido nas profundezas e aproveitando alguma conexão subterrânea com o Rio Tâmisa que passava ali perto. Mas que tipo de monstruosidade seria essa e de onde teria surgido em primeiro lugar? Os postulantes dessa teoria se dividem entre aqueles que afirmam ser a Coisa um animal de espécie desconhecida, um tipo de mutante adaptado à vida terrena ou mesmo uma forma de vida alienígena que caiu na Terra eras atrás e continuou habitando as profundezas. A verdade, se é que existe alguma, depende de seu gosto pessoal.    

Finalmente existe a resposta mais simples (e mais massante) para o mistério: nada do que é dito sobre o número 50 realmente aconteceu, ou se aconteceu foi grosseiramente alterado e grotescamente exagerado pelas pessoas. 

Talvez, estejamos lidando com uma bem engendrada Lenda Urbana. No fim das contas, tudo o que se tem é uma casa realmente estranha cujos moradores não gostavam muito e se mudavam constantemente. Possivelmente uma pessoa ou mais pessoas tenham morrido lá dentro, criando uma má fama, sobretudo se elas foram vítima de crime ou assassinato. Mas não há como corroborar todas as histórias contadas sobre a casa, nem mesmo uma parcela delas.  

Um dos aspectos mais fascinantes a respeito de Lendas Urbanas é que quanto mais elas são contadas, mais reais vão se tornando, até um momento em que as linhas entre o real e o fictício começam a se confundir. Se esse é ou não o caso da "Coisa de Berkley Square", ainda não podemos dizer com total certeza. Enquanto isso, ela incita muita discussão e debate.

6 comentários:

  1. Caramba,SENSACIONAL!!!
    Essa lenda é quase um cenário pronto de CoC, muito bom mesmo!

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    1. Realmente, seria um cenário muito instigante. E aterradoramente plausível.

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  2. Fenomenal!!!, uma narrativa digna de nota,tamanha a perícia para retratar esse cenário. A hipótese do criptideo foi um ótimo ponto.
    Meus parabéns por mais uma postagem.

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  3. Uma história assustadora e fascinante. Esse é o melhor blog sobre esse gênero de informações vindo cotidiano Fantástico. E também parabéns pelo canal do YouTube.

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